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ELEMENTOS À SOLTA, LDA Rua Adriano Correia Oliveira 153 1B 3880-316 Ovar / PORTUGAL [e] geral@elementosasolta.pt EDITOR Joel Costa [e] infektionmagazine@gmail.com DIRECÇÃO / DESIGN & PAGINAÇÃO Elementos À Solta, LDA [e] geral@elementosasolta.pt Cátia Cunha [e] catia@elementosasolta.pt Joel Costa [e] joel@elementosasolta.pt COLABORADORES Ana Miranda André Balças Anna Correia Carlos Cariano Cátia Cunha David Horta Davide Gravato Eduardo Marinho Flávio Santiago Helena Granjo Íris Jordão Ivan Santos Jaime Ferreira Joana Rodrigues Joel Costa José Branco José Machado Liliana Quadrado Marcos Farrajota Mark Martins Mónia Camacho Narciso Antunes Rita Limede Ruben Infante Rute Gonçalves Tiago Moreira FOTOGRAFIA Créditos nas páginas PUBLICIDADE infektionmagazine@gmail.com +351 92 502 80 81

ACORDO ORTOGRÁFICO: A Infektion apresenta alguns textos redigidos mediante as normas do novo acordo ortográfico.

Para muitos, Agosto é sinónimo de férias. Não foi esse o nosso caso. A equipa da Infektion não descansou e trabalhou diariamente para vos trazer uma nova edição. Numa altura em que cada e-mail é devolvido com uma mensagem automática de férias e as bandas saltam de festival em festival, cheguei a pensar que iríamos ter em mãos uma edição pobrezinha em termos de conteúdo ou que Julho/Agosto não iria trazer boas propostas discográficas, no entanto devo dizer que fiquei bastante surpreendido pela positiva quando um mês inactivo por natureza faz chegar até à nossa redacção os novos álbuns de Nachtmystium, A Forest Of Stars, Zatokrev, Kontinuum e muitos outros. Há 15 anos atrás, Agosto era quando me sentava no pinhal com os meus amigos a contar anedotas que envolviam as mães de quem não estava lá. Neste mês de Agosto de 2012 preferi deixar de lado a tão gasta mas incansável adivinha “Sabes qual é a diferença entre a Zira e um balde de merda?” e com toda a equipa da Infektion a trabalhar como um só, abordámos alguns dos nomes que estão a contribuir de forma positiva para a cena Metal actual. Este foi também o mês em que decidimos dar meia dúzia de passos numa nova direcção: queremos melhorar a nossa presença online e física e para isso temos muitas novidades que muitos de vocês já devem saber. Temos então uma T-Shirt oficial da Infektion criada pelo ilustrador Samuel Lucas (que estará à venda brevemente), bem como um podcast e uma fanzine impressa que estão prestes a chegar até vocês. Espero que gostem tanto desta edição como nós, pois é a pensar nos metalheads nacionais que fazemos isto. Joel Costa

08 CEMITÉRIO DOS INOCENTES C/ MYSTAGOG 10 HORRORSCOPE 12 STUDIO REPORT C/ THE9THCELL 14 STUDIO REPORT C/ GATES OF HELL 16 A FOREST OF STARS 22 WINTERFYLLETH 24 NECROVATION 30 ZATOKREV 32 AS SILENCE BREAKS 34 UNDERSAVE 36 BLUTVIAL 40 COLD IN BERLIN 42 DEW-SCENTED 46 WHITECHAPEL 48 KONTINUUM 50 FESTERING 52 THUNDERKRAFT 56 UNDERGROUND ‘N PROUD C/ ANOMALLY 58 INFEÇÃO URINÁRIA DE MARTE 60 A PENÚLTIMA GOTA 62 REVIEWS 78 LIVE REPORTS


Conhecidos do underground húngaro, Angmar e Thanatos (aka Grave) são os nomes que deram vida aos Mystagog, um projecto que parece ter saído directamente das pútridas ruas europeias do séc. XVIII, mas que foi incapaz de imortalizar o seu domínio (ou tentativa dele) na história do Black Metal. Formados em 2006, a banda gravou o seu primeiro trabalho intitulado ”... of Old” durante o inverno de 2006/2007, e só

em 2011 é que esta proposta fugaz teve a possibilidade de manifestar-se através de uma edição que ficou a cargo da Neverheard Distro. O ciclo de vida do projecto e do álbum foi muito curto, não despertando a simpatia e o interesse do ouvinte comum. Não porque é uma proposta que merece ser ignorada, mas porque os Mystagog assumem-se como imorais inimigos da Humanidade ao negar interesse em apresentar o projecto ao vivo ou dar-lhe o mínimo da promoção exigida. Numa altura em que a Neverheard decide que ”... of Old” merece ver luz e não apenas escuridão eis que me chega às mãos algo novo no que respeita ao tempo mas com um ambiente ancestral. Ainda que não me tenha deslumbrado, resolvi dar uma oportunidade a este disco e depois de o ouvir pela primeira vez não resisti a

tocá-lo novamente, para que desta vez o pudesse desventrar e conhecer todas as suas miudezas. Os Mystagog conseguiram criar algo bastante fiél às mais profundas raízes em todos os sentidos, quase como se guiassem por um manual de Black Metal para chegar a este resultado. Com um som cru e tradicional, este duo da Hungria moldou o seu som à base das guitarras imperiosas de Grave, que quase renunciam a existência da bateria de Angmar que também evoca toda a sua dor para dar origem aos vocais. Sendo um registo sem grandes pontos altos, consegue destacar-se ainda assim por manter a coerência e por não tentar ser mais do que aquilo que é: Black Metal puro. Para os mais curiosos a faixa a ser ouvida é a que dá título ao álbum. Não se vão desiludir. Joel Costa


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ive a oportunidade de ouvir algumas músicas do teu novo disco e já posso dizer que é a melhor proposta saída das tuas mãos. Mas para ti, enquanto criador de “Galga de Zebra Ilesa”, o que sentes em relação a este trabalho agora que o processo de gravação já está muito avançado? Antes do mais, obrigado! Sinto que consegui dar mais um passo em frente. Amadureci musicalmente e consegui finalmente encontrar um bom equilíbrio nos detalhes de produção que estavam a colocar The9thCell num plano mais amador do que realmente é. E de certa forma, estou orgulhoso pelo que consegui fazer em tão pouco tempo. As composições estão bem mais maduras. O que te levou a seguir esta nova direcção?

Eu tento sempre evoluir musicalmente ou seja, tento não me repetir a cada álbum. Se reparares, cada álbum tem a sua sonoridade específica, e este não é excepção. No fundo, quis testar os meus limites a todos os níveis, e levei-me ao extremo ao ponto de fragilizar a minha voz propositadamente para conseguir alguns tons e alguns pormenores. Fumei imenso durante as gravações, bebi café...ou seja, aquilo que um professor nunca te aconselha a fazer, eu fiz. Queria uma voz arranhada, sofrida. Acho que consegui! Todos os títulos relacionados com este lançamento dão um tanto que pensar. Fala-nos um pouco das temáticas escolhidas para integrar “Galga de Zebra Ilesa”... A maior parte deles surgiu em brincadeiras com alguns amigos meus..estávamos a ter conversas sujas sobre mulheres e certos

títulos apareceram como que por milagre. O que mais me fascina é que todos fazem realmente sentido, e têm um significado muito grande e pessoal para mim. No “Cavaleão”, por exemplo, temos um tema em que o título está em Português e a letra é toda em inglês. Isto foi propositado, porque há sempre a mania de termos de cantar em inglês e eu também não fujo muito disso, embora tenha arriscado e cantar duas malhas totalmente em Português... no entanto, foi o contraste entre o nome, que simboliza a união de dois animais com força e respeito, relacionados com o tema que fala precisamente do elitismo metaleiro, que me irrita profundamente. Na “Adão e Erva”, quis focar o contraste entre o bíblico Adão e a metáfora da erva como Eva, algo que ele consume para se sentir melhor. É no fundo, um tema de amor perdido, envenenado pela ilusão de que ele realmente existe. Na “Liberdagem


(Este Meu Poço De Romantismo Furioso)” já foco um tema mais sério e melancólico, sobre a minha necessidade de me perder na embriaguez para tentar ser ‘livre’ de um mundo onde o amor é falso e as oportunidades não existem. Enfim...cada tema tem o seu propósito, e também quero deixá-los livres à interpretação de cada um. Fala-nos um pouco da tua rotina de estúdio... Como decorreram as gravações deste álbum? Acredito que mais uma vez tenhas sido tu a tomar as rédeas de tudo... E é assim mesmo que eu gosto (risos). De facto, este álbum foi criado muito rapidamente, muito mais do que eu estava a contar. Basicamente, houve um dia que adormeci e dormi mais do que o suposto. Acordei muito mal-disposto e comecei a tocar guitarra para desanuviar. Acontece que estava a gostar do que estava a fazer, e decidi começar a gravar...e em junção a alguns programas que adquiri recentemente e à guitarra emprestada pelo grande Nuno Pereira, comecei a compôr alguns temas..muitos deles em poucas horas. Dei por mim com um álbum semi-pronto numa semana. Como eu trabalhava de manhã, tinha o resto da tarde e noite para trabalhar em música e então aproveitei o melhor que pude. Foi um processo rápido e divertido. Bem diferente do processo chato e lento que tive nos álbuns anteriores, no que toca à programação das baterias. Desta vez, usei um programa mais direccionado para isso, graças à sugestão do Sr. Pedro Isidoro, e realmente dei por mim a ser assaltado por ideias enquanto compunha. Foi bom!

Fala-nos de que forma é que os teus convidados contribuíram para este disco e qual a razão de escolhê-los... Como sempre, eu escolho os meus convidados a dedo. Se convido alguém é porque acho que essa pessoa tem uma característica específica que vai contribuir para aquele determinado tema. Na “Morning Glory”, por exemplo, pedi a um dos meus guitarristas em Ashes, o Eduardo Serraventoso, para gravar uns solos afunkalhados durante a música, o que funcionou mesmo bem. Na “Liberdagem (Este Meu Poço de Romantismo Furioso)”, como é um tema enorme e está dividido em alguns arcos, achei por bem ter mais do que uma participação. Convidei o meu violinista de Ashes, Marco Rosa, para dar uma contribuição instrumental numa das passagens do tema, e confesso que fiquei maravilhado com o resultado. Por outro lado, não resisti em incluir o Pedro Isidoro (vocalista em No Tribe, Mordomo e Sounds 151), porque adoro o timbre dele, a sua expressão a cantar e a nível lírico conseguiu dar ainda mais ênfase ao tema, o que o elevou a um outro nível...num registo bem diferente, tenho também a participação do grande guitarrista Alex Vaz e Francisco Esteves, dos Springshoes no tema “Gentlemania”, e surpreenderam-me totalmente com a forma de como terminaram a música. Enviei o tema ao Alex a perguntar-lhe se ele queria participar, e ele basicamente pegou no baterista dele e fizeram uma conclusão épica. Num tom mais stoner, trouxe também um outro senhor da guitarra, Gonçalo Pardal, para dar o seu cheiro na “Jacktiv(h)ate”, e acabámos por ambos compôr também a linha

do baixo e programar a bateria juntos, e creio que não poderia ter ficado melhor. Ainda há uma outra participação que não está confirmada, e agora não sei se vão acontecer para breve ou não. Como o álbum está praticamente terminado e não tenho tido tempo para me dedicar a 100%, não sei o que vai acontecer. Mas tinha planeado mais duas participações. Vamos ver como corre... Palavras finais? Gostaria de pedir desculpa a todos os que me acompanham por este novo álbum não ser gratuito. Mas peço que compreendam que a Música não me tem dado nada em retorno. Nem com as bandas, nem com os projectos...aliás, só tenho mesmo é perdido dinheiro. Portanto, o que peço apenas é a quem realmente estiver interessado, que adquira o álbum para ajudar a suportar os custos e também para ver se eu consigo comprar uma guitarra nova barata, porque a minha já morreu (risos). Para terem noção, tive de pedir uma guitarra emprestada ao Nuno Pereira para poder gravar este álbum...e peço também que não pirateiem este trabalho. Sei que isso é praticamente impossível, mas peço que entendam a situação precária em que me encontro. Se nós, os Músicos, não recebermos nada pelo nosso trabalho, eventualmente isso vai-se reflectir na obra, que vai deixar de existir ou aparecer com cada vez menos frequência. Neste momento a minha situação é de tal modo precária, que já não consigo garantir um lançamento a dia 9. Possivelmente, terei de o adiar. Vamos ver.


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scolheram trabalhar novamente com o Paulo Lopes (SVSTUDIOS). Por esta altura já vêem o Paulo como o sexto elemento dos Gates Of Hell ou sentem que não vai chegar a esse ponto? Antes de mais gostávamos de agradecer o convite para participar no vosso projecto, estão de parabéns pela divulgação que têm feito e promoção do Metal Nacional. Quanto à pergunta, de facto não nos cansamos de dizer que o Paulo foi e será sempre importante no nosso percurso enquanto banda. O excelente trabalho de produção que fez com o nosso “Shadows Of The Dark Ages” foi prova disso, notou-se uma clara interacção banda/produtor que muito contribuiu para o resultado final. Como isso aconteceu no EP não fazia sentido não lhe darmos a nossa confiança neste nosso primeiro albúm. Nos Svstudios sentimo-nos confortáveis e as coisas correm sobre rodas...tudo acaba por ser feito como se estivéssemos em casa mas com

muito mais qualidade. (risos). Além de que o Paulo praticamente percebe o que pretendemos sem termos de lhe explicar, facilitando em grande escala o nosso trabalho. Revelaram-me no início da conversa que este álbum seria bem mais rápido que o EP. Até que ponto é que a composição e a gravação dos novos temas foram (ou estão a ser) um desafio para vocês? Na altura em que gravamos o nosso EP queríamos que ele fosse um exemplo daquilo que a banda teria para mostrar a quem fosse assistir a um concerto nosso. O objectivo era termos algo que pudesse ser mostrado para dar a conhecer o nosso trabalho e nome. No caso do álbum foi um pouco mais ponderado e algo que nasceu da própria maturidade e entrosamento entre os membros da banda tanto em ensaio como nos concertos. Todos juntos escolhemos um caminho a seguir e trabalhamos nesse sentido, foi sem dúvida desafiante e muito trabalhoso con-

seguir criar a nossa própria sonoridade. Pensamos que neste novo trabalho existe um equilíbrio entre todos os temas coisa que não acontecia no EP e acreditamos ter conseguido colocar a nossa característica e toque pessoal através das nossas influências. O desafio e o facto de nos pôr-mos à prova quando fomos para estúdio ainda nos dá mais vontade de trabalhar, tem sido bastante motivante ver o resultado do que conseguimos criar. De facto de que serve uma criação se não der o prazer de nos obrigar a ser sempre melhores. Quão avançada já vai a gravação deste álbum? Em que ponto é que se encontram actualmente? Neste momento já estão completos a bateria e o baixo. Estamos a captar as guitarras que estão praticamente a acabar, faltam apenas uns pequenos pormenores, solos e melodias. Para último como é normal fica a captação da voz para que acabe esta primeira fase de captações. O facto de estarmos a fazer as coisas com


calma tem dado para reflectirmos acerca de pequenos pormenores que só em estúdio se repara e modifica-los com tempo. Depois da fase das captações fica o trabalho nas mãos do Paulo que vai tratar de compilar tudo na mistura e a masterização de todo o trabalho. Que objectivos esperam cumprir com este novo lançamento? Essa pergunta numa fase em que nos encontramos “fechados” em estúdio a tentar criar algo diferente deixa-nos tão depressa sonhadores como apreensivos e qualquer banda que não admita isso na fase em que estamos está de facto a mentir. Nós gostamos desta nossa nova criação musical e por isso os objectivos são muitos...sentimos aquela pressão de agradar a quem gosta de nós e do nosso trabalho. O objectivo primordial quando

arrancamos para esta etapa era de facto o de arranjar uma editora que nos ajude a promover o nosso trabalho tanto a nível nacional como no estrangeiro. Temos algumas propostas interessantes que serão analisadas mal exista um trabalho final. A questão monetária nunca foi o nosso objectivo e não é por aí que nos vamos mover, apenas queremos que o nosso projecto cresça de forma sustentada e tenha cada vez mais divulgação. Alcançar o máximo de público possível tanto cá em Portugal como no estrangeiro para que possamos obter feedback do nosso trabalho. Estamos confiantes e por isso vamos trabalhar afincadamente para que os objectivos sejam cada vez maiores. Há data prevista para o lançamento do novo álbum?

De facto ainda estamos concentrados nas gravações. Como não temos o trabalho pronto também ainda não o podemos mostrar às editoras que manifestaram interesse em ouvi-lo, e como é natural não temos ainda nenhum acordo definido. Esse entendimento ditará certamente a data de lançamento do album...como previsão apontariamos algures para final de 2012 inicio de 2013. Mas como referimos antes tudo depende de todos esses processos pós gravação e que acabam por não ser influenciados por nós. A ansiedade é grande mas preferimos aguardar por um lançamento planeado com calma, e se possível com uma festa que nos fique na memória. Não temos um prazo limite para lançar o album (o que é muito bom...), temos trabalhado sem pressão até porque a pressa é inimiga da perfeição (risos).


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al como disseram há mais de um ano à Infektion Magazine, no novo álbum, A Forest of Stars pretendem expandir a sua sonoridade noutras direções. Como descreveriam o conceito inerente a “A Shadowplay for Yesterdays”, o vosso terceiro disco? The Gentleman - Musicalmente, queríamos criar um álbum conceptual como mandam as regras. Não apenas um monte de músicas com uma história cantada por cima, mas que a música também refletisse uma atitude de contar histórias – tem um começo, meio e fim; há certos temas e melodias (alguns óbvios, alguns subtis) que tecem o seu caminho ao longo do álbum e que reaparecem em várias canções. O álbum foi projetado para funcionar ou como uma peça inteira ou as músicas individualmente. Curse - O conceito por trás das letras desta gravação focam uma pessoa que nasce do desespero, vivendo uma vida de destruição – tanto dele como do que o rodeia. A história começa com o seu nascimento quase abortivo, prossegue com as suas experiências com todas e quaisquer formas de aviltamento, e acaba com o aniquilamento mental, físico e espiritual. A ideia era seguir uma mente desta natureza desde a formação até à destruição, sendo que nunca se sabe onde essa mente traçou uma linha entre o sonho e a realidade.

algumas que ainda não tínhamos usado anteriormente. (C) Apesar de não estar qualificado para discutir o lado musical, gostaria de deixar a minha opinião de que o registo não é necessariamente mais ‘catchy’, no sentido lato, uma vez que foi estruturado para ser ouvido como um todo, o que o torna mais fluido – o que cria a ilusão de ‘catchy’, o que é provavelmente algo de positivo. Talvez seja eu que sou simplesmente alérgico à palavra ‘catchy’...?

Sinto que incorporaram um conjunto de novas influências musicais no vosso som, a ponto de fazerem deste o álbum mais acessível de todos. Foi uma opção deliberada? (G) Concordo totalmente com o que dizes sobre o resultado, mas não foi uma intenção deliberada, de todo – antes um efeito colateral, mais nada. Limitámo-nos a escrever o que queríamos e o resultado foi o que pode ouvir. Dito isto, nós tentamos reduzir as músicas até à essência e dizer apenas o que era absolutamente necessário, o que fez com que reduzíssemos consideravelmente a duração das canções (pelo menos, em comparação com os dois álbuns anteriores) - o que pode ajudar a ajudar a torná-las mais acessíveis, talvez? Quanto às influências: realmente não mudaram, acho que fomos apenas um pouco mais evidentes em demonstrá-las, colocando na mesa

Sentem que todas as alusões à vossa cultura podem condicionar o vosso sucesso junto de outros públicos ou isso tem exatamente o efeito oposto? (G) Sinceramente não faço ideia! Tenho a impressão que nos temos dado muito bem quando tocamos fora do nosso país, mas talvez seja mais devido à linguagem universal da música? Espero, mesmo que não conseguias entender uma única palavra do que fazemos (em verdade, metade da banda não chega lá!), que ainda possas retirar alguma coisa da experiência. É sobretudo na atmosfera que nos concentramos. Não sentimos que a nossa música seja intrinsecamente britânica (e certamente nada fizemos para que assim fosse), mas se muitas pessoas falam nesse aspeto é porque ele deve lá estar; Acho que é mais um aspeto subconsciente do que outra coisa. Ou talvez não!

Podemos afirmar que A Forest of Stars tenta em parte homenagear a tradição literária britânica e, mais do que nunca, combiná-la com muita música de cariz progressivo e experimental com raízes no vosso país? (G) Sim, absolutamente. Nós somos influenciados pela literatura, poesia e todos os tipos de arte como música. Os pré-rafaelitas, Verne, Poe e muitos outros que não me estou a recordar são boas referências. Para este novo álbum, todo o conceito foi inicialmente inspirado num dos meus contos preferidos: “Der Sandmann”, de E.T.A. Hoffmann. Só os deuses sabem como traduzimos em música tudo o que fazemos, mas tudo o te referi é uma enorme influência sobre o que fazemos, e espero que esteja bem à vista; é importante homenagear as nossas influências! Sem elas, não seriamos absolutamente nada.


(C) Acho que cabe a cada pessoa decidir se aprecia a nossas excentricidades, se limita a tolerá-las ou achá-los insuportáveis. Na minha maneira de pensar, diria: cada macaco no seu galho. Quanto ao ouvinte perceber de onde venho: na verdade, são tudo enigmas para serem interpretados como o ouvinte pretender (ou não, é claro!) Desta vez, a sonoridade parece mais adaptada às letras, dando uma sensação mais conceptual ao disco. Sentem que melodias mais simples podem abrir mais espaço para enfatizar as partes narradas? (G) Perdemos muito tempo para tentarmos casar a música com as palavras, de modo a conseguirmos criar uma boa história, com uma estrutura adequada. As melodias que ficaram não são nada mais do que isso – foi o que sentimos que funcionava no momento adequado. Se são simples ou não, nunca pensei nisso! Mas é preciso dize-lo, que uma melodia simples é uma coisa muito bonita – fácil de lembrar e difícil de sair da cabeça; qualquer pessoa pode apreciá-la.

Ser excessivamente complexa, só porque sim, é algo que não tem nenhum interesse para nós. Queremos escrever boas canções, não exibir perícia técnica (ou a possível falta dela). (C) Não há muito que possa acrescentar – desta vez, eu tenho trabalhado mais com base nos riffs que já estão feitos, a fim de tentar conjugar as estruturas de som um pouco mais com as linhas vocais. Noto que venho encarando cada gravação de forma diferente – muito para o desgosto de alguns críticos! Houve um trabalho mais cuidado na criação de linhas vocais. Como foi criar “papéis” para serem cantados por três pessoas? (C) Não concordo necessariamente que tenham sido ‘mais cuidados’, talvez sim no capítulo de preparamos outros intervenientes! Pessoalmente, eu tento sempre chegar ao melhor desempenho possível em cada gravação. Quanto aos outros vocalistas, devo mencionar que existem quatro; além de mim e, claro, da Katheryne, que se empe-

nhou muito, como o faz em tudo, contámos a as maravilhas de vocais de H.H. Bronsdon, o que não poderia deixar mais feliz, pois era bem preciso um narrador para equilibrar com os meus uivos desequilibrados! Por fim, mas não menos importante, o nosso colega mais conceituado Gastrix Grimshaw que também deu o corpo ao manifesto no seu desempenho vocal, trazendo um graves horrorizantes necessários no processo... A vossa relação com a época vitoriana vai muito para além das letras, incluindo também uma imagem forte. Desta vez, o conceito foi reforçado com um vídeo feito para “Gatherer of the pure”. Porque escolheram este tema em particular? Como foi o processo de criação? (G) Foi a primeira música que escrevi para o novo álbum e eu fiz uma demo da mesma não muito tempo depois de termos lançado o último álbum. Nessa altura, ainda tinha uma forma tosca, mas a maior parte da estrutura da canção já lá estava. Foi uma altura em que toda a gente estava exausta por isso partilhei a canção com o indivíduo


que realizou o nosso último vídeo, que se ofereceu imediatamente para fazer este trabalho. Acontece que, apesar de meu aviso em contrário que não nos deveríamos precipitar, ele estava absolutamente certo! Entre mim, Curse e Ingram (o realizador) chegámos ao conceito para o álbum a partir desta música e do vídeo, que acaba por ser ponto crucial de todo o álbum, agora que, realmente, penso nisso! Para o nosso álbum, substituíram Mr. T.S. Kettleburner pelo guitarrista/vocalista Henry Hyde Bronson. O que aconteceu? (G) É simples, o Kettleburner tinha feito tudo o que queria fazer com a banda e então decidiu partir para outra - não havia absolutamente nenhuma questão entre nós e ainda nós vemos regularmente para beber uns copos, comer qualquer coisa e conversar. Ele é musicalmente ativo com várias outras bandas e algo fantástico no qual vou ajudando, mas que não posso avançar nada por agora. O H.H. Bronsdon tem sido um amigo de longa data e colaborador da

banda desde o primeiro álbum (onde tocou guitarra acústica), e assim foi a pessoa mais lógica em que pensámos para a difícil tarefa de substituir o Kettleburner. Acho que levamos um minuto para decidir a sua inclusão e demorou o mesmo para ele aceitar. Quais as principais diferenças entre todos os discos de A Forest of Stars? (G) São progressões. O que, agradeço aos deuses, é uma coisa boa; Estou feliz que sejamos capazes de o fazer e não estagnarmos ou vaguearmos sem direção (embora tenha certeza que muitas pessoas digam que o façamos!) O primeiro álbum foi escrito e gravado para diversão, e admitimos que não tínhamos ideia do que estávamos a fazer. O segundo serviu para pormos os pés no chão e nos estabelecermos como banda. O mais recente serve para nos estabelecermos e para expandir o nosso som – se quiseres, uma plataforma – que esperamos nos permitirá ir em várias direções possíveis para o próximo álbum. Veremos! (C) Tenho visto cada álbum como uma marca temporal. Pessoalmente, vejo que cada

foi feito exatamente como devia ter sido, tendo em conta os ‘timings’. Como já foi dito, é inútil sentir o chão pisado. Estagnar é entorpecedor. O caminho é para a frente! O que se seguirá para os A Forest of Stars em termos de concertos e planos futuros? (G) Eu só quero manter minha cabeça no sítio e continuar a trabalhar no duro. Temos muitos planos para concertos na Europa no próximo ano, com várias bandas excelentes, mas não estou autorizado a dizer nada mais do que isto, para já. Entretanto, já tivemos outro “espirro de inspiração” e já começámos a trabalhar em novas canções. Por isso, esperamos começar a trabalhar no próximo álbum assim que o tempo o permita. Mas com todos os outros compromissos que a banda tem, é um processo que poderá demorar mais do que o que prevejo; embora, tudo por uma boa causa! (C) É verdade, enquanto o nosso impulso criativo fluir (!) que continue por muito tempo!


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ara mim, “The Threnody Of Triumph” é um dos melhores álbuns que ouvi este ano! Entendo que tem uma abordagem muito clássica e ao mesmo tempo implementa alguns elementos modernos, sendo que até a artwork é aquilo que o Black Metal deveria de ser. O que foi necessário para criar esta grande atmosfera? Obrigado, ficamos muito contentes. Este álbum é um aperfeiçoamento do nosso som, que tem vindo a ser desenvolvido há mais de dois anos. Para criar esta atmosfera precisamos apenas de bons riffs e boas músicas; foi este o nosso objectivo principal. Precisamos de imenso tempo para trabalhar nos riffs e nas músicas que podes ouvir neste álbum. Queríamos que as nossas músicas tivessem emoções e fizessem as pessoas sentir algo, daí que o objectivo passou por estruturar a dinâmica deste disco para conseguir isso mesmo. Devo dizer também que o facto de termos trabalhado com Chris Fielding nos

Foel Studios foi também decisivo. Ele é um excelente engenheiro de som e ajudou-nos a criar o som orgânico, natural, que temos nos nossos álbuns, já para não falar da grande produção. Isto tudo combinado ajudou na criação da atmosfera. Este disco, assim como os anteriores, apresenta uma temática única e peculiar. Fala-nos um pouco do significado do título do álbum e do tema escolhido para as letras... O conceito gira em torno de uma ode à morte – ou “Threnody” – dedicada aqueles que faleceram e é também sobre a forma como os nossos antepassados viam a espiritualidade no sentido de como a alma e o corpo estão conectados. O álbum apresenta também um conceito mais amplo no que respeita à celebração das vidas daqueles que já não estão entre nós. Começa com uma alma a separar-se do corpo, ficando presa entre dois mundos partindo de seguida enquanto os seus amigos celebram a sua vida.

O conceito flui através de cada uma das músicas, na presente ordem. Sentimos que um contraste entre a perda e a celebração precisava de ser feito nas músicas, por isso isto teve alguma influência na escrita das letras. Espero que isto possa ser percebido no produto final, onde fazemos um contraste entre Black Metal mais rápido e negro com leads crescentes e vocais ricos em harmonia. Como chegaram até este conceito para a banda? Estar conectado às tuas raízes é algo importante para ti? Claro que sim. É muito importante manteres-te ligado à tua história. Sempre dissemos que possuir este tipo de conhecimento é importante para todos. Ter esta conexão e compreendê-la significa que podemos aprender com os nossos erros e fazer deste mundo algo melhor. Se as pessoas se conectassem mais com o que aconteceu na história para levá-los a este ponto, pergunto-me se se comprometeriam mais com o discurso social que passa despercebido pela maioria


do devia de ser aplicado nos dias de hoje. Há todo um mundo de conhecimento à tua espera. Só tens que começar por algum lado. Este é um grande disco de Black Metal com melodias fantásticas e parece-me que estão bem à frente dos vossos álbuns anteriores. O que fez com que quisessem evoluir a vossa sonoridade? Queríamos construir algo novo a partir do que já tínhamos. Queríamos acrescentar mais melodia, solos e harmonias. Como tivemos a oportunidade de tocar juntos por alguns anos, melhoramos enquanto músicos e puxámos uns pelos outros para tocar de forma diferente e com mais coerência. Assim sendo, acredito que tudo isto tem influência nas nossas composições. Da mesma forma, o Nick e o Mark contribuíram mais desta vez, sendo assim mais como um trabalho de equipa que pode ser visto através daquele que espero ser um álbum forte.

e que ainda assim afecta-os tanto. É uma tragédia o facto de muitas pessoas estarem desligadas dos seus próprios destinos e que não aprendam com os erros e os males do passado. As pessoas são governadas pelo medo e vivem na ignorância na maior parte das vezes, daí que a obrigação de pessoas como nós é tentar mudar isso mesmo: fazer das pessoas mais atentas e ajudá-las a empenharem-se. Como tal, o conceito da banda está intrinsecamente ligado a isto. Formamos esta banda para incitar o interesse na história, que vemos como algo muito valioso. O álbum, assim como as nossas entrevistas, são formas de ajudar as pessoas a envolverem-se neste desejo, mas não são a única maneira para elas se conectarem. Lemos textos antigos, lemos sobre a história local e recorremos a outras fontes para nós próprios nos conectarmos, assim como os outros o devem fazer. As pessoas parecem pensar que o que vem antes do “hoje” não é mais relevante, mas na realidade, aquilo que já aprendemos com as falhas do passa-

Qual consideras ser a tua contribuição para o Black Metal do Reino Unido e como descreves a cena britânica no geral? Há quem nos veja na vanguarda deste novo movimento de UKBM e a empreender um estilo de uma forma Inglesa, pelo que estamos muito gratos. Outros estão um tanto confusos com o facto de não usarmos corpse paint, picos ou corrermos de um lado para o outro como se fizéssemos parte dos Immortal, pelo que acredito que tenhamos que trabalhar na forma como as pessoas nos vêem. Penso que o metal extremo do Reino Unido está de boa saúde; pelo menos está em alguns aspectos. O Black Metal e o Death Metal daqui tem sido muito sólido nos últimos anos, o que significa que o Reino Unido tem uma vez mais uma grande exportação de bandas extremas. Há sempre aquela impressão que as novas tendências musicais e os novos géneros crescem por aqui, mas nós nunca realmente seguimos isso na prática. Pela primeira vez em muito tempo, a nossa cena extrema – Black Metal em particular - tem um sentido muito coeso de propósito e é uma verdadeira força a ser reconhecida. Temos este centro criativo de músicos incríveis a compôr álbuns de qualidade que estão a abrir caminho. Bandas como Wodensthrone, A Forest Of Stars, Falloch, Cnoc An Tursa & Fen, por exemplo, estão a liderar o Black Metal britânico ao serem verdadeiramente únicos e ao conduzirem o género até territórios nunca antes explorados. Por outro lado, considero que a cena metal britânica é algo estranha em alguns aspectos, por haver sempre ban-

das que parecem não conseguir passar do Metal do meio dos anos 90 – ou até do Nu Metal – e continuam a produzir bandas de metal genéricas como aquelas dos já passados anos 90. Não sei como lhes passar a mensagem que temos tido grandes movimentos no metal e na música extrema que passaram desde então. Devido à vossa abordagem musical e lírica, são considerados por muitos como uma das bandas mais distintas deste movimento. Que tipo de efeito tem isto em vocês? Sentiram-se mais pressionados enquanto compunham e gravavam este novo álbum? Sabíamos que tínhamos um trabalho árduo pela frente ao tentar fazer algo melhor que o nosso último álbum, “The Mercian Sphere”, mas acredito que conseguimos ultrapassar essa barreira e explorar diferentes elementos nas nossas composições. Neste álbum utilizamos mais harmonia e melodia, bem como um sólido contraste entre a luz e as trevas. Vejo-o também como um álbum mais Black Metal que o anterior, no sentido em que há partes mais rápidas que utilizamos como ponto de partida para construir este álbum. Sinto também que há mais emoção neste trabalho e espero que mexa com os sentimentos das pessoas que o ouvirem. Quanto à pressão sem dúvida que houve alguma, mas eventualmente começamos a compor e foi como se nada se passasse. Que discos tens ouvido ultimamente? E já agora, a que tipo de bandas vais buscar inspiração? Ultimamente tenho ouvido “Atra Mors” dos Evoken, “Songs of Darkness, Words of Light” dos My Dying Bride, “Curse” dos Wodensthrone, “A Shadowplay for Yesterdays” dos A Forest Of Stars, “Wisdom of Centuries” dos Khors, “Into The Lair Of The Sun God” dos Dawnbringer, “Stealth” dos Sleep Research Facility e “No Matter Where It Ends” dos Black Sheep Wall. Em relação à última questão, as bandas que nos inspiraram foram os Enslaved, Drudkh, Hate Forest & Ulver. Nenhum destes nomes precisa de uma explicação. São grandes bandas com resultados consistentes. O que vem a seguir para os Winterfylleth? Vamos lançar o álbum no dia 10 de Setembro (Europa) e no dia 24 nos Estados Unidos e no Canadá. Vamos tocar no Damnation Festival em Novembro, no Reino Unido e depois vamos levar o álbum à estrada.


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arabéns pelo novo trabalho. Quatro anos após o lançamento de “Breed Deadness Blood”, como olhas para o resultado final? Estás satisfeito com a forma como as coisas correram? Obrigado. Estamos muito contentes com a forma como o nosso novo trabalho difere do anterior e até mesmo daquilo que outros fizeram no passado. Na minha opinião é um trabalho único e é possível que nunca mais tentemos fazer algo deste género. Provavelmente não seria possível. Porquê “Sepulchreal” como primeiro single? Dirias que o vosso álbum homónimo pode ser musicalmente descrito com apenas esta música? Nunca lançamos nenhum single para este álbum; provavelmente referes-te à música escolhida que a Agonia Records usou para promover o álbum. Escolhemos uma música com a qual nos sentíssemos confortáveis ao revelar o nosso trabalho, sem que revelássemos os detalhes deste álbum, como começa ou acaba. “Sepulchreal” descreve bem este álbum. A emoção que a música carrega e a sua aura cobre muito do desespero presente, havendo também elementos de Hard Rock que podem ouvir ao longo do álbum. É uma boa música mas cada música neste trabalho é muito diferente quando comparada com as outras. Já tocaram alguma das músicas novas ao vivo? Ainda não tocamos nenhuma destas músicas ao vivo. Temos ensaiado ao ponto de parecermos uns maníacos e vamos tocar algumas datas em Setembro. Quais são as tuas expectativas? Não tenho expectativas, para te ser sincero. Acredito nestas músicas, elas têm potencial e capacidade para que ao vivo soem de maneira diferente das outras músicas que temos. Estas músicas podem ser modificadas

de várias maneiras.

poderiam ser feitas anteriormente.

“Necrovation” sera lançado nos Estados Unidos em Agosto. Vão tocar por lá ou o vosso objectivo será promover o álbum na Europa? Não faço a mínima ideia. Gostava de poder tocar nos Estados Unidos mas ainda não sei nada sobre isso. Com alguma sorte talvez isto se possa concretizar.

Para uma banda formada em 2004, qual consideras ser, actualmente, o teu papel na cena Death Metal Sueca? Quando começamos o nosso objectivo era meramente editar qualidade e ser uma das poucas bandas que conseguisse manter o respeito e o amor por tudo aquilo que havia sido feito mas ainda assim oferecer algumas novidades. Actualmente sinto queo nosso papel é simplesmente ser uma banda que faz aquilo que sente ser o correcto para nós, independentemente do que isso faz à música que gostas... A cena Death Metal necessita que corram mais riscos ao invés de jogarem pelo seguro. Gosto de pensar que somos a banda que as pessoas vão seguir apenas para verem o que vamos fazer a seguir.

Este lançamento foi considerado pela Agonia Records como algo prioritário. Sentem-se mais pressionados por causa disso? Quando entrarem em estúdio da próxima vez vão com a ideia que têm de fazer algo melhor em todos os sentidos? De certa forma sim, mas existe sempre pressão envolvida seja qual for o caso. Da próxima vez será ainda mais complicado, uma vez que a ambição tende sempre a ser maior no que respeita ao nível da composição e da produção. Não nos vejo a fazer algo pior da próxima vez, o mais certo é irmos ao limite em todos os sentidos. Vocês têm a percepção musical e lírica dos velhos dias do Death Metal Sueco, conjugando isso com uma produção crua mas bem realizada. Como conseguiram criar esta atmosfera perfeita, bem old-school? Em primeiro lugar devo dizer que não tentamos de todo conseguir uma atmosfera old-school. Produzimos este álbum de uma forma moderna, mas uma vez que recorremos ao uso de guitarras clássicas e tentamos ter a dinâmica de... sei lá... vamos dizer mais de uma banda de Rock do que uma banda de Extreme Death Metal. Fazer tudo isto origina uma honestidade que pode ser encontrada em alguns discos antigos que gostamos. Nunca tentamos emular nada, simplesmente é este o nosso som. Francamente já estou cansado de ser rotulado de “old school”, pois algumas coisas que podem ouvir no nosso álbum de forma alguma

Costumas ler aquilo que as pessoas escrevem sobre os Necrovation na internet? Como lidas com a crítica positiva e negativa? Todas as semanas recebemos uma compilação de informação enviada pela Agonia com reviews publicadas e outros destaques. Li cada uma das reviews em inglês ou sueco enviada pela Agonia devido à minha curiosidade mas não dei grande valor às palavras que li. Quero dizer, é lisonjeiro e tal mas é para o meu próprio entretenimento. Acredito naquilo que fazemos e as reviews não podem influenciar-me a fazer algo diferente. No entanto não li quase nenhuma má review; no entanto recebemos algumas mensagens de ódio, o que me diz que estamos no caminho certo. Últimas palavras para os fãs Portugueses... Obrigado pelo vosso tempo e espero ir a Portugal em breve. Para os interessados, vamos lançar brevemente algumas t-shirts novas. Fiquem atentos ao nosso site!


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arabéns pelo vosso novo trabalho. Depois de alguns anos de silêncio como é estar de volta com esta excelente proposta? É muito bom ter a banda novamente completa e poder tocar as novas músicas. Foi preciso muito tempo para fazer disto algo possível. O que nos podes contar acerca do novo trabalho? Dei o meu melhor neste disco. As letras que escrevi são mais intensas do que nunca. As nossas composições, assim como a minha performance na guitarra, foram muito aperfeiçoadas. Existe muita mais

dinâmica e a produção é bem mais forte que a que tivemos nos álbuns anteriores. Gravamos e misturamos juntos com pessoas especializadas e contratamos um artista que criou uma artwork fantástica que faz paralelo com as letras e os títulos das músicas. São 73 minutos de música pura e honesta. “The Bat, the Wheel and a Long Road to Nowhere” é uma mistura de vários géneros musicais. Qual é a receita para criar uma música para os Zatokrev? Há alguma fórmula mágica? A maior parte das ideias para as novas músicas foram criadas por mim em minha casa, com a minha acústica. Outras criei-

-as juntamente com o Frédéric Hug (baterista). Eu e o Frédéric fizemos este álbum quase na íntegra, uma vez que os outros músicos só se juntaram à banda depois. Agora, sempre que trabalhamos em algo novo, todos os membros da banda têm influência, no entanto as partes principais partem de mim. Normalmente tentamos fazer as coisas de uma forma nunca antes feita, pois queremos evoluir e desenvolver as nossas capacidades, daí que a nossa fórmula mude consoante aquilo que queremos fazer. Este álbum inicia de uma forma excelente com a belíssima “Goddamn Lights”. Podes-nos falar um pouco desta


música em particular? “Goddamn Lights” tem um grande significado para mim, mas não quero entrar em muitos detalhes. Para já posso-te dizer que as “Goddamn Lights” constituem as luzes que estão a levar-te para longe de ti. As luzes podem tornar-se a coisa mais importante da tua vida e preencher o teu vazio por um espaço de tempo. Contudo, elas acabam por parar de brilhar e aí tens que decidir o que fazer com toda a escuridão que emergiu. Este é o vosso primeiro lançamento através da Candlelight Records. Estás satisfeito com o caminho que seguiste com os Zatokrev? E como descreves a relação da banda com a Candlelight? Acredito mesmo que a Candlelight seja uma boa editora para os Zatokrev. Nunca conheci nenhum deles pessoalmente mas já conheço esta editora há muitos anos e sempre admirei o seu gosto musical. Somos ainda uma adição muito recente nesta família, mas já me fazem sentir bem por trabalhar com eles. Fala-nos um pouco das gravações... Onde gravaram e como correu este processo? Gravamos no Rec Studio, em Geneva, com Serge Morattel. Gravamos as bases sem

recorrer ao metrónomo, para que desta forma o nosso groove soasse orgânico antes de eu inserir toneladas de guitarras (risos). Para os vocais, utilizamos um bom preamp e gravamos na nossa sala de ensaios, o que foi muito bom para mim. Tive tempo para gritar tudo aquilo que quis, preservando desta forma as minhas cordas vocais, o que foi bem melhor que gritar horas a fio num estúdio. Depois disso fomos ao MyRoom Studio, do Raphaël Bovey, para a mistura e masterização. O Ralph tem uma costela de produtor, ao ter criado a sua própria visão de como as coisas deveriam ser, visão essa que assentou perfeitamente com aquilo que também tinhamos em mente. Foi muito bom poder trabalhar com o Serge e o Raph. Aprendemos muito e também nos divertimos bastante. Os Zatokrev possuem um line-up fixo desde 2011. Como foi estar em estúdio com esta “nova” banda e como irá a banda evoluir a partir daqui? Nessa altura quem gravou o álbum foi apenas o Lucas, o Frédéric e eu. O Julien juntou-se à banda um pouco depois. Uma vez que eu e o Frédéric compusemos o álbum já estávamos bem ensaiados. O Lucas veio de uma banda de Thrash Metal, pelo que necessitou de algum tempo para se

adaptar aos grooves lentos dos Zatokrev. Foi também a primeira vez que o Lucas e o Frédéric gravaram ao vivo num estúdio profissional, mas acabamos por fazer tudo bem. Para todos os membros novos da banda, o som de Zatokrev começou por ser algo novo no começo mas depois de algum tempo cada um deles definiu o som da banda à sua maneira o que acabou por nos dar uma identidade nova. Agora queremos continuar assim e produzir o próximo álbum de uma forma semelhante, provavelmente nos mesmos locais. Que bandas da Suíça recomendam aos fãs de Metal menos atentos? Devem ouvir os Knut, Kruger, Sludge, Coilguns, Unhold, Darkspace, Unfold, Abraham, Rorcal, Nebra, Phased, Palmer, Schammasch... provavelmente esqueci-me de alguns... Fala-me dos teus planos para o futuro... Vamos ter a possibilidade de ver Zatokrev ao vivo em Portugal? Espero mesmo conseguir tocar em Portugal no próximo ano. Já tocamos aí algumas vezes e foram sempre experiências fantásticas. Talvez possamos marcar presença num festival do próximo ano...


A

verdade tem uma arquitetura própria? Bem… A verdade é a verdade. Tem um enquadramento, um sistema, um critério. Algo ou é verdadeiro ou não é. E esse é o ponto que queríamos focar com o título. Purgatory tem um som doce. É uma contradição? Queríamos ter uma faixa no álbum que fosse instrumental. Que mostrasse as melodias mais suaves que agradam à banda. Gostamos do som da melodia em Purgatory que pairava num limbo espiritual de quem espera para ser julgado. Existe uma ligação entre todos os temas deste álbum? Não existe ligação em termos globais. Neste disco escrevi de várias perspetivas e sobre vários temas. Por exemplo “Instru-

ment of Vengeance” escrevi da perspectiva de um serial killer, “The Warning” é um conto ficcional inspirado por HP Lovecraft e “Biomechanical” é uma história cautelosa sobre a evolução da tecnologia. As canções têm nomes interessantes. Podes falar de “Freedom”, “Purpose” e “The warning”? Claro! “Freedom “ é sobre a força para nos erguermos e lutarmos pelo que está certo. Eu queria fazer um hino que incendiasse as pessoas, que as abanasse e as tirasse da apatia. Que encorajasse as pessoas a deixar de ser tão politicamente corretas em vez de defenderem o que é justo e verdadeiro. “Purpose” é a canção sobre reflexão pessoal. Sobre aquilo que a raça humana foi criada para fazer. Somos apenas máquinas ou temos um propósito especial? “The Warning” é um conto ficcional. Eu queria escrever um conto sobre

um levitã impiedoso e exércitos de criaturas mundanas que deambulam pelo espaço, vomitando raiva, uma agenda alienígena e de destruição irrefletida. Em última análise a história é sobre a ideia de que não estamos sós, e de que neste momento, na escuridão do espaço, poderia haver muitas fontes de vida com diferentes motivações. A vossa banda é conhecida por atuações ao vivo muito poderosas. Como está a correr a Tour deste álbum? Obrigado. Nós tentamos assegurar que os nossos concertos ao vivo fiquem na memória. Encorajamos as pessoas a bater os pés e abanar a cabeça e a apreciar a música de qualquer maneira que faça sentido para elas. Iremos iniciar a tour do álbum em Setembro e Outubro, que será na Costa Este da Austrália. E estamos muito ansiosos por começar.


Quem é o responsável pela capa do álbum? O conceito foi ideia minha. Tínhamos algumas ideias em mente, mas eu disse aos rapazes da banda, e se tivéssemos a capa fixa num único objeto monolítico? Todos concordamos que poderia ficar ótimo e dar ao álbum o sentimento adequado e então chamamos o nosso Designer Alan Ashcraft da “It Came From The Sky Design” nos Estados Unidos para a trabalhar e foi este o resultado. Nós adoramos. Fala-me do início acústico “Litany of fear” e em “Biomechanical”. Presumo que estejas a falar da sonoridade tipo acústico do trabalho de guitarra nessas faixas. Em caso afirmativo deixa-me dizer-te que não são guitarras acústicas, apenas secções limpas tocadas em guitarra elétrica e foram tocadas no disco pelo nosso guitarrista Bem e pelo nosso baixista Kiel. Se algum dia fizessem uma cover de que canção seria? Nós costumavam tocar uma cover de “Easy Lover “ de Phil Collins. Nós transformamo-la numa batida de metal. Costumávamos toca-la ao vivo e era muito divertido, mas se decidíssemos fazer uma cover num álbum, todos concordamos que teria que ser algo que não fosse necessariamente metal. Sempre me pareceu que fazer uma cover e fazê-la soar quase igual ao original retira-lhe totalmente o propósito. Na vossa opinião como irá a música de metal evoluir a partir daqui? Bem Prog e Djent parecem mesmo ter tomado conta da próxima onda de Metal, e a comunidade Hardcore parece fechada em volta de influências de discotecas, samples e misturas dubstep. Não tenho bem a certeza de como é que o metal vai evoluir daqui para a frente. Tenho ouvido e visto muitas pessoas voltar às raízes. Menos mistura de géneros e mais coisas puras. Foi o que tentamos com “The Architecture of Truth.”. Não estávamos a pensar em reinventar a roda, apenas queríamos escrever um disco de Heavy Metal de que nos pudéssemos orgulhar mais influenciado pelo metal antigo em detrimento da nova onda. Mergulhamos fundo nas nossas influencias de At The Gates, Megadeth, Soilwork, até Amon Amarth.


A

abordagem que tiveram em relação a este álbum de estreia foi aproximada à adoptada na altura da gravação do EP “After The Domestication Comes The Manipulation” (2008) ou foi um processo todo ele diferente? Penso que a abordagem de lançamento para lançamento vai ser sempre diferente, tanto devido à experiência dos elementos como devido às metas que a banda se propõe atingir. A preparação do álbum de estreia foi muito mais minuciosa do que a preparação do EP, desde a composição das músicas à escolha do local de gravação e do produtor! Falem-nos um pouco do título escolhido e da artwork deste “Now...Submit Your Flesh To The Master’s Imagination”... O título do álbum representa o passo seguinte de “After The Domestication Comes The Manipulation”, tal como aconteceu em relação à demo e ao EP, tem havido um conceito comum aos três lançamen-

tos que já fizemos, e que tem a ver com o adestramento do ser humano. A capa do André Coelho conseguiu transmitir aquilo que nós queríamos, as nossas letras estão focadas nas atitudes que podem ser relacionadas a vários problemas mentais dos seres Humanos, a forma como somos influenciados pela sociedade e como podemos ser manipulados por ela, pressão essa que acabamos por exercer também nos outros e em nós próprios, contrariando muitas vezes a nossa própria natureza, desejo e identidade. As letras têm também a ver com comportamentos humanos mais desadequados, e talvez estejamos a falar da dicotomia entre loucura e normalidade e até que ponto a normalidade como conformidade não é já um sinal de loucura. O título do álbum está enquadrado na parte da manipulação do ser Humano, como se existisse um criador que nos conseguisse manipular a mente e nós ficássemos impávidos e serenos a aceitar e acartar as suas ordens. Começaram sem baixista. De que forma é que o André Pisco contribuiu para a

banda na altura em que se juntou aos Undersave? O André pertenceu a Undersave durante pouco mais de um ano e esse foi o único período em que tivemos um baixista. Nessa altura estávamos bastante concentrados em tocar ao vivo para promover o EP e como tivemos também a saída do Gonçalo e a entrada do Hugo para a bateria o André acabou por não contribuir para estes novos temas. No entanto durante esse tempo em que tocámos com baixista o som ao vivo era realmente diferente, nós continuamos à procura do baixista mas em Portugal é bastante difícil as bandas de Death Metal encontrarem baixista, ainda não percebi bem porquê… Como foi trabalhar com o Paulo Vieira e como descrevem o processo de gravação de “After The Domestication Comes The Manipulation” no geral? Foi um processo bastante duro e intenso. Este processo já é normalmente assim para uma banda com vários elementos em que cada um só está preocupado maioritariamente com o seu instrumento e o seu


processo de gravação, nós na gravação do álbum fomos só 2 elementos como tal podes ver que foi um processo de total dedicação da nossa parte. O álbum foi gravado em dois estúdios diferentes, bateria, guitarra e voz no Brugo Sound Studio e baixo no Moshpit Studio, e as gravações prolongaram-se um pouco mais do que o inicialmente previsto. Este atraso deveu-se principalmente à pouca experiência que tínhamos em relação ao trabalho de estúdio, principalmente o Hugo que nunca tinha gravado nada, a não ser ensaios e gravações mais amadoras na garagem. Trabalhar com o Paulo é sempre muito bom, ele percebe bastante de musica e gravações, o que é uma grande mais valia já que não faz só o papel de um técnico ou engenheiro de som mas foi também produtor, ajudou-nos em vários acertos que tivemos que fazer e participou também na composição das linhas de baixo. Em relação ao som que conseguimos alcançar, pensamos que o Paulo fez também um bom trabalho, ele é uma pessoa que procura estar informada acerca dos novos processos de trabalhar o áudio, e possui bastante experiência na gravação de diferentes bandas de diferentes estilos musicais, desde o Heavy Metal, o Punk, Death Metal, Grindcore, e por aí fora. Afinal já faz isto há uns anitos e é uma pessoa que nos põe completamente à vontade e nos motiva para fazermos melhor. Trabalharam na composição deste novo álbum durante um ano. Como se dá o processo de composição para uma música dos Undersave? Quais as etapas que têm que passar até chegar ao resultado final? A composição do álbum durou mais de um ano. Quando o João Nascimento (ex-guitarrista) saiu da banda em Agosto de 2010 nós já tínhamos cerca de 35/40% do álbum composto, nessa altura decidimos parar de tocar ao vivo e acabar a composição do álbum. O processo de composição

começa sempre com um conjunto de 2 ou 3 riffs que eu normalmente levo para o ensaio e a partir daí pensamos quais os ritmos de bateria que melhor se podem enquadrar nos riffs e sentimos qual será a evolução certa a dar à música, posteriormente de acordo com essas ideias vou compondo o resto da primeira guitarra, segunda guitarra e voz. Nós demoramos algum tempo a compor as músicas, primeiro porque eramos só dois a fazer este trabalho, facto que será alterado no futuro já que temos um novo guitarrista a trabalhar connosco, segundo porque assim experimentamos todas as ideias, o que permite que a música amadureça nas nossas cabeças e que verifiquemos se é ou não assim que queremos que ela fique. Como avaliam a cena Death Metal nacional? A cena de Death Metal nacional tem algumas boas bandas como os Theriomorphic, Fungus, Dead Meat, Grog, Holocausto Canibal, Bleeding Display entre muitas outras mas não se pode comparar por exemplo à cena de Death Metal em Espanha…até por ser um país muito maior, as bandas por lá têm muito mais apoios e assim acabam por lançar muito mais álbuns e serem bastante mais activas. Nós, não só não temos muito público a ir aos concertos e a comprar material das bandas, como não há apoios do estado para nada, não há locais para tocar que estejam preocupados em desenvolver o Underground, onde as bandas se possam mostrar e evoluir, salvo raras excepções, e depois o dinheiro acaba por estar à frente de tudo o que torna as coisas ainda mais complicadas. Por outro lado acho que se mais bandas tivessem a atitude dos Holocausto Canibal e dos Grog, e se se mostrassem também lá fora, a cena do Death Metal Português seria mais valorizada pois como estas duas bandas existem muitas outras que poderiam e podem chegar ao nível deles.

Estão empenhados em dar o maior número possível de concertos. Quão importante é tocar ao vivo para vocês? Seria possível para os Undersave serem apenas uma banda de estúdio e deixar de lado a hipótese de se apresentarem ao vivo? Para nós é bastante importante tocar ao vivo, divulgar a nossa música em palco, andar de um lado para o outro a tocar e carregar material, partilhar o palco com outras bandas, conhecer pessoal novo e beber copos. Por agora estamos a divulgar o novo álbum por isso queremos ir tocar em alguns sítios onde já tocámos no passado mas também há muitos sítios novos! Penso que não, a banda pode ficar sem tocar ao vivo durante algum tempo devido a vários motivos, mas estará sempre a pensar na hipótese de voltar a tocar ao vivo porque tocar ao vivo não é nenhum sacrifício e não conseguimos ter o sabor que temos nos concertos apenas fechados na sala de ensaio. Para além dos concertos, quais são os próximos passos para os Undersave? Vai ser o normal da maioria das bandas, tocar ao vivo o máximo, quando tivermos uns tempinhos sem dar concertos vamos começar a preparar novo material até porque apesar de o nosso cd ter sido lançado este mês já gravamos à cerca de 10 meses… Últimas palavras para os leitores da Infektion... Obrigado por esta oportunidade e continuação de bom trabalho! Para todos aqueles que nos quiserem contactar podem utilizar o mail undersave@gmail.com e o facebook www.facebook.com/undersave. Podem ainda ouvir o novo álbum na integra em http://undersave.bandcamp. com/ !


O

s Blutvial são catalogados muitas vezes como Black Metal britânico. O que significa este “Black Metal britânico” para ti? O termo “Black Metal britânico” não significa nada para mim. O Black Metal é um género global de música e tentar restringir esse género ao local onde vivemos não significa nada para mim. Boa música é sempre boa música, independentemente do local onde foi criada. Blutival é a nossa interpretação daquilo que é o Black Metal. O Black Metal deve ser criado a partir das profundezas da tua alma e não olhando para um mapa. Apesar disso, sentes que é importante

manteres-te ligado às tuas origens quando compões? Não. Para mim a música é uma criação pessoal. No seu sentido mais cruel, é uma forma de arte e não estamos a tentar pintar um quadro que represente o local de onde viemos. Vejo a música como um conforto espiritual e tudo aquilo que queremos fazer é criar música que ressoa dentro do ouvinte sem que o local de onde somos ou o local de onde é o ouvinte seja algo importante. O que nos podes dizer sobre este “Curses Thorns Blood”? Podes dizer que te divertiste a gravar este álbum? Foi um processo muito natural onde não

foi preciso recorrer a incontáveis takes para captar a performance ideal. Cada vez mais tentamos captar um momento de espontaneidade onde uma nota de merda pode ser tocada aqui ou aculá mas o espírito da performance estava certo. Acaba por ser uma disciplina um tanto difícil para mim, pois com toda a música que componho e gravo quero ter tudo perfeito antes de a considerar finalizada. Blutvial é algo muito mais livre que isto e o “Curses Thorns Blood” foi um passo nessa direcção. Tem um balanço de sentimento e precisão, do qual estamos muito satisfeitos. É possível compor Black Metal sem


uma abordagem ortodoxa? Se percebi bem, estás-me a perguntar se o Black Metal precisa de uma dose saudável de tradição para ser considerado Black Metal? Bem, posso concordar com isso até certo ponto mas este é um género musical muito amplo e aberto à interpretação de cada um. Não creio que a única maneira de criar Black Metal seja copiar os riffs dos Bathory. Tal como disse, o Black Metal baseia-se mais nos sentimentos do que o Thrash ou até o Death Metal e a alma do Black Metal é essa busca por essa essência maligna. Li que estiveste muito activo nos anos 90 ao teres criado a tua própria fanzine e distro. O que te fez optar por compor música e quão importantes foram as tuas actividades no underground para fazer de ti aquilo que és hoje? No começo dos anos 90 era mais feliz como espectador e a procurar uma casa

na periferia da música que eu amava. Trocar cassetes, escrever a fanzine e trabalhar na distro foram excelentes formas de me envolver mais com este tipo de música que me fascinou de tal maneira que senti que tinha que contribuir de alguma forma. Creio que esta obsessão com a música ajudou a minha mente a tornar-se numa base de dados de detalhes musicais e essa apreciação definitivamente afectou a forma como toco e aquilo que procuro na música. Como é para ti conciliar todos os teus projectos musicais? Tens que criar algum tipo de fronteira entre cada uma das tuas bandas? Acho que existem alguns elementos comuns no meu estilo de tocar mas ao mesmo tempo todas as bandas são diferentes para justificar a sua existência. Se tivesse que fazer algo semelhante então não o fazia. Acho também que seria muito difícil confundir uma música de Binah com

Blutvial, por exemplo. O maior problema aqui é mesmo encontrar tempo para dar a devida atenção que cada projecto merece, no entanto tenho tido sorte de ter, por exemplo, a gravação de um álbum agendada para uma altura em que as outras bandas estão mais paradas. Então, apesar de ter vindo a trabalhar desta forma há muitos anos, ainda estou no comando de tudo. Fala-me um pouco dos planos para o futuro dos Blutvial... A re-edição de “Curses Thorns Blood” pela Mordgrimm nesta altura foi uma coisa boa para nós e se tudo correr bem vamos dar a este álbum mais atenção, pois sentimos que é uma besta realmente forte! Temos algum material pronto para um EP que esperamos gravar no próximo mês ou assim. Para além disso, estamos também a trabalhar em material novo e na melhor das hipóteses devemos iniciar as gravações no Inverno.


A

vossa música tem uma componente muito punk. Ainda sentem essa influência? ADAM – Eu não tenho a certeza. O que é que o punk significa? Quais eram os seus objetivos? Lutavam por algo ou apenas contra tudo? O termo parece ter sido completamente co-adotado pela moda. Não existe um punk genuíno desde os 80’s. Acho que a cena musical na América no que respeita a editoras como a Dischord trabalharam muito para se manterem fieis a um espírito punk positivo. E é esse sentimento de independência que atrai. MAYA – Não penso que seja algo que nós

conscientemente queiramos, mas nós não somos exatamente o “mainstream” e somos por isso relativamente marginalizados o que talvez se traduza na música. A voz e a interpretação têm um grande papel em toda a intensidade que este álbum revela. Concordam? ADAM – Claro. A voz da MAYA e as letras são poderosos instrumentos. MAYA – Eu tento criar uma imagem ou explorar suficientemente um tema para permitir ao ouvinte criar a história para ele próprio. É ótimo quando as pessoas me dizem sobre aquilo que acham que as canções são, e o que dizem é diferente da intenção que eu tinha, pois isso faz parte

do processo de partilhar a arte. A vossa ligação com o público é sempre absoluta e vibrante. É a única forma para pessoas como vocês? ADAM – Talvez. É fácil ser apático, é muito mais difícil importar-se. A ligação humana é ainda tão importante independentemente de quão separados estamos. Da tecnologia pode dizer-se que nos aproxima mas não consegue replicar a intimidade que se estabelece em algumas atuações. MAYA – Eu adoro tocar ao vivo. É tudo uma questão de ruido e para mim é tão fácil com os rapazes a tocar comigo. Vem tudo muito naturalmente quando obténs


uma boa resposta do público. “And Yet” é um título muito interessante e misterioso, podem falar dele um pouco, bem como do tema que tem o mesmo nome? MAYA – A frase para mim resume a forma como me sentia quando começamos a escrever o álbum. Dei-lhe primeiro este nome. De uma certa forma era sobre continuar independentemente do que acontece, perante a dor e a perda, continuar e andar para a frente. Pode ser positivo ou negativo dependendo do ponto de vista da pessoa, e gosto da incerteza que a elipse acrescenta, é um princípio ou um fim? E o amor é vergonha (“Love is shame”)? MAYA – Sentia-me assim quando estávamos a escrever o álbum. O amor tinha-me envergonhado. Tinha-me envergonhado ao ponto de me tornar uma pessoa que eu nunca pensei ser e sobreviver. O amor quando nas mãos erradas pode envergonhar. Onde é que uma banda como a vossa ensaia? ADAM - Nós costumavamos ensaiar numa sala de uma igreja (vejam o post no

blog ‘The Settlement Chapel’). Agora ensaiamos num arco de caminho de ferro. Progredimos do feudal para o industrial. Os comboios a passar produzem um ritmo que eu gostava de usar como sample. Podem dizer-nos algo sobre a gravação deste último trabalho? ADAM – Não tínhamos orçamento para gravação, por isso tivemos que gravar “And Yet” o melhor que pudemos. O que significa que pedimos alguns favores. Gravamos na Ladder Factory em Oxfordshire. Estava frio e nevava e a tempestade deitou abaixo uma árvore à entrada do estúdio. Trabalhamos durante nove dias. Queres sempre mais tempo e se tivesses dinheiro passavas o ano inteiro no estúdio. Apenas fizemos o melhor que pudemos com o tempo que tivemos. É pegar ou largar. Gostamos o som que encontramos ali. Quais são as mudanças para o album anterior? MAYA – A formação da da banda por um lado. “Give me walls” foi gravado pelo Ad e por mim com sessões de músicos. “And Yet” foi gravado pelos membros de Cold in Berlin. E daí vem a confiança na capacidade e na escrita de canções.

O que vos levou a escolher “And the Darkness Bangs” para single e “teaser”? ADAM – Queríamos apenas manter o momentum com um single que fizesse um showcase do nosso som. Tivemos uma sessão de um dia com o produtor James Aparicio (cujos creditos incluem Depeche Mode, Spiritualized, Grinderman and Liars) que nos ajudou a acutilar o nosso som emergente. MAYA – Pareceu-nos uma boa escolha, uma declaração do que estaria por vir. Qual é o vosso objetivo enquanto banda? ADAM – Provavelmente viver da nossa música. Eu raramente vou para um empreendimento com um objetivo consciente. MAYA – Apenas continuar a escrever e a tocar. Não penso que seja muito mais do que isso. Mas seria bom se ganhássemos um pouco mais e pudéssemos fazer mais tours. Algum dia virão a Portugal para que possamos sentir a vossa energia ao vivo? MAYA / ADAM- Adoravamos!!

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endo da Alemanha, como pensam ser a música alemã e o metal alemão, em particular, aceites no resto do mundo? Actualmente a Alemanha tem um Metal muito forte e penso que o apoio local, nacional e internacional são extremamente fortes. Nos primeiros tempos, bandas como Kreator, Destruction, Sodom, Tankard ou Moorgoth puseram o som mais extremo na cena internacional. E, claro, também existem os clássicos como Accept ou Scorpions que abriram o caminho. Penso que desde os anos 90 tem sido mais difícil ter sucesso internacionalmente, mas bandas como Obscura, Heaven Shall Burn, Caliban, Necrophagist, Die Apokalyptischen Reiter, Dark Fortress, Disbelief e outras tantas, têm feito um bom trabalho através de um som muito individual e honesto. Já Dew-Scented, definitivamente, não me posso queixar, pois sempre fomos apreciados internacionalmente. Mais, sempre fizémos digressões por todo o lado porque nunca quisemos ser rotulados de “heróis locais”. Acima de tudo, sempre quisemos sair e tocar a nossa música lá fora... Estão agora a celebrar 20 anos de carreira. Que mudanças aconteceram na cena metaleira alemã durante este período? Oh, muitas! Dentro do Metal as coisas sempre vão e vêm, quase como que andam em círculos!... Lembro-me, quando começámos no princípio dos anos 90, que as coisas não eram muito fáceis para o Thrash Metal em geral, porque parecia que o Death/black e até o Gothic estavam mais em voga. Apesar disso, fomos fiéis a nós mesmos e, simplesmente, tocávamos o que mais gostamos e, basicamente, lutando contra o vento. Mas essa é mesmo a única coisa que podes fazer, se fores um verdadeiro fã da música com que trabalhas e quiseres ter algo duradouro com a tua banda. De repente, por volta de 2002, aquando da saída do “Inwards”, os Dew-Scented estavam num lugar melhor porque já tinham lançado três álbuns e crescido em notoriedade, e também já eram melhores compositores de canções. A atenção

para a banda era maior na altura em que também parecia haver um renascimento do Thrash metal, que nos ajudou a dar uma salto maciço. Penso que trabalhámos ainda mais desde então, em desenvolver a nossa própria entidade musical e, espero eu, que as pessoas já tenham entendido o que é que os Dew-Scented representam... Quais são as vossas expectativas para a próxima digressão? Têm algo especial preparado para o aniversário? Não, nem por isso! Não sou pessoa de celebrar aniversários, no geral. Sempre pensei ser demasiado nostálgico olhar para trás e, por isso, prefiro olhar para a frente e para novos desafios. Com “Icarus” e o novo line-up da banda, parece-nos haver, agora, um novo começo, por isso, o aniversário vem numa altura estranha. Penso que os Dew-Scented tiveram como que dois capítulos passados na sua história: o inicial, desde que se formaram em 1992, até 2001 com o “Inwards” e, depois, o segundo capítulo, de 2002 até 2011, até mesmo antes do “Icarus”. Sinto que estamos, agora, a abrir outro novo capítulo. Discutimos sobre lançar um EP, a preço especial com canções raras e nunca lançadas e, talvez, canções ao vivo, no ínicio de 2013 para marcar a data, mas nada está completamente decidido. Também iremos dar um concerto na nossa cidade natal, lá para finais de Setembro, o que pode significar um pouco de festa! Mas estamos ansiosos pelos próximos concertos...os primeiros já foram feitos com este novo set-up e a apresentação das novas canções correu muito bem! A vossa carreira tem sido marcada pela consistência, tanto no som e no título dos álbuns. Qual é a principal diferença entre o “Icarus” e os álbuns anteriores? Penso que o facto de haver um novo line-up da banda antes do lançamento do “Icarus” é o que a generalidades das pessoas considera como a alteração mais drástica, mesmo que isso não tenha afectado o som e dinâmica dos Dew-Scented. Mas acho que tivemos de demonstrar que os Dew-Scented continuam a ser o que eram e deixar que

a música fale às pessoas, esperando que esta cresça no ouvinte. Penso que o “Icarus” soa como o próximo passo mais lógico na progressão da banda. É um trabalho muito pesado com muito tecnicismo porreiro e elementos melódicos, bem como, um quase sentimento negro perante os assuntos. Acho que tentámos subir um degrau com todos os elementos clássicos que constituem a banda, especialmente, quando comparamos o material novo com o “Incinerate” ou o “Invocation”. Pessoalmente, sinto-me óptimo com o “Icarus” e com a resposta positiva que temos recebido e, agora, é recarregar as baterias, depois das intensas dificuldades que passamos durante o ano passado. Estou muito excitado com os próximos desafios que se nos vão apresentar... Porquê “Icarus”? Qual é o significado do nome e da arte do álbum? Primeiro: isto NÃO é um trabalho conceptual. Nós gostamos da sugestão e simbolismo que o título traz. De facto, esta escolha abraça a apresentação do álbum, porque o título abre a porta para o trabalho de arte realizado. Queríamos algo icónico e com uma história por detrás. Acabámos por escolher “Icarus” porque também nos permitia usar partes e elementos da mitologia Grega nas letras que estávamos a preparar, como que construindo uma ponte entre todas as várias partes separadas. A peça instrumental de abertura “Hubris” também foi escrita para ser gloriosa, como um tipo de hino “ascendente”. Mas sim, é isso, no que diz respeito ao significado e razões do título do álbum... Pessoalmente, acho que este é um dos vossos melhores trabalhos. Talvez devido a uma maior qualidade musical dos novos elementos...Eles tiveram uma grande influência neste novo álbum? Muito obrigado pela palavras! Sim, tenho a certeza que os grandes músicos que aparecem neste álbum também fizeram a diferença. Não que alguma vez tivéssemos músicos de qualidade inferior, mas estes são realmente impressionantes com os seus instrumentos. Também já nos conhecíamos todos


muito bem, por isso, houve uma ligação estreita e um bom trabalho de equipa entre nós. O Marvin foi quem escreveu a música de todo o álbum, mas o Koen (bateria) e o Joost (baixo) acrescentaram as suas ideias e, claro, tocaram espectacularmente durante a pré-produção. De facto, já estou ansioso por ver até onde podemos ir quando nos juntarmos de novo para o processo criativo, porque este parece ser um começo bastante forte na nossa cooperação... Só para ser diferente...qual é a canção que gostas menos? Melhoravas alguma coisa agora ao álbum? Não, nem por isso! Neste momento, para mim, este álbum parece muito fresco e tão bom quanto poderia ser. Trabalhámos bastante até nos detalhes mais pequenos, trocando ideias, constantemente, entre o Marvin e eu, durante o processo inicial. Depois lançámos tudo para ver que sentimento provocava e adicionar mais alguma coisa. As sessões no estúdio foram espectaculares e o produtor, Jörg Uken, acrescentou muita energia ao material. Tínhamos muito tempo entre nós para o trabalho de estúdio e, também, intervalos saudáveis entre gravações e a mixagem final, para que pudessemos reconsiderar detalhes e voltar e adicionar ou alterar, se fosse necessário. E acredita, aproveitámos bem isso! (risos) Penso que o “Icarus” é um bom testemunho do que os Dew-Scented são em 2012 e um bom álbum furioso devido ás dificuldades que atravessámos mesmo antes dele ser pensado. Nem penso haver canções que goste menos...fomos bastante minuciosos com as nossas ideias e só terminávamos as canções quando sentíamos que valiam a pena aparecerem no disco. Tínhamos uma canção chamada “In Dying Mode” que não saiu (mas foi usada com bónus no Digipak e também no LP...) porque pensámos não se enquadrar na sequência lógica do álbum. Considerando que esta foi a primeira vez que escrevemos algo como um novo grupo, estou muito contente com a alta qualidade que conseguimos extrair... Passados 20 anos, qual foi a maior

lição aprendida? O que dirias a quem quer formar uma banda? Certamente recomendaria estarem muito atentos ao facto que isto não é uma viagem fácil! Algumas pessoas esperam que seja só diversão, diversão, diversão e que de um momento para o outro, o sucesso aparece. Nem por isso...exige muito trabalho e sem dedicação e perseverança, o mais certo é não chegares a lado nenhum. O mercado está muito saturado, por isso é preciso muita sorte e outro tipo de coisas para conseguir ter uma carreira. Acho que a lição que aprendemos logo no início foi a de sermos realistas e não criar muitas expectativas. A maior parte das pessoas falha na concretização dos seus sonhos. Nós queríamos gozar o máximo daquilo que fazíamos durante o maior tempo possível...e ainda o fazemos. O tempo voa quando estás a divertir-te e espanta-me que já tenham passados 20 anos. Começei quando tinha 15 anos e apenas queria ter um passatempo porreiro à tarde, depois das aulas. E, ainda aqui ando, a fazer algo que cresceu bastante e onde ainda sou desafiado a fazer mais e melhor. Vamos ver até onde as coisas podem ir... Tocando thrash/death metal moderno, ainda mantêm as vossas influências da velha guarda? Com quem ainda sonham tocar no mesmo palco? Sim, penso que os DEW-SCENTED sempre foram uma mistura das suas influências e de onde vimos (a escola Thrash metal dos anos 80), mas apresentando a sua própria versão das coisas com a brutalidade da execução e produção moderna, bem como, alguns extremos do Death metal e, até, do Hardcore. Gostamos do metal tradicional e, claro, alguns dos nossos álbuns clássicos favoritos são dos anos 80, mas não acredito na necessidade de ser muito “retro” quando já estamos em 2012. Sempre gostei de ser o mais moderno e extremista possível, sem perder a essência: escrita cativante e, acima de tudo, riffs bastante potentes. Penso que já tocámos com muitas das nossas bandas preferidas e até com algumas das nossas influências ao longo destes anos mas, claro, seria muito fixe poder tocar com

Slayer, Testament ou At The Gates (acho que com estes já vamos tarde...). Isso teria sido mesmo muito porreiro... Tocando já há bastante tempo e, musicalmente, estando ao mesmo nível que Exodus, Kreator e outras bandas mais conhecidas, o que é que falta para o (merecido) reconhecimento fora da Alemanha? Uau, outra vez, obrigado pelas palavras! Não gosto muito de nos comparar com outras bandas porque, para mim, não se trata de uma competição. Não é fácil estar ao mesmo nível de Exodus ou Kreator porque estas são bandas clássicas, que nos inspiraram e moldaram enquanto músicos. Quer dizer, essas bandas fazem parte da razão pela qual estamos aqui e, hoje, ainda gostamos de os ouvir. Mas eles já eram aclamados internacionalmente e já tinham grandes contratos quando nós ainda nem sabíamos tocar, por isso, acho que isso diz tudo, não é? Penso que como banda de Thrash metal nunca podes crescer muito e tanto como os grandes nomes dos anos 80. Essa foi a idade de ouro para esse tipo de grupos. Como já disse, fazemos o nosso melhor em receber atenção e reconhecimento, mas não nos preocupamos em olhar para os lados e fazer comparações. Tivemos as nossas oportunidades e apoio, internacionalmente também...por isso não me queixo. Espero que o “Icarus” seja um bom passo em frente... O que gostarias de dizer ao fãs portugueses? Quero dizer: “Como é que é?! Obrigado pelo vosso apoio!!!”(risos). A sério, sempre gostámos de ir a Portugal tocar e já lá fizémos bons contactos e amigos ao longo dos anos. Estamos ansiosos por ir aí de novo para o festival Metal GDL, em Setembro! E lembrem-se, para mais informações e notícias sobre os Dew-Scented ou o “Icarus”, visitem: www. dew-scented.net e www.facebook.com/ dewscented.


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arabéns pelo novo trabalho. Porquê um álbum homónimo? Podemos dizer que este trabalho é a identidade dos Whitechapel ou há outra explicação para isto? A razão de ser um álbum homónimo partiu de todos nós, pois queríamos que o título não revelasse absolutamente nada daquilo que é este álbum. Desta forma o ouvinte pode criar a sua própria visão do álbum e usar a sua imaginação para cada uma das músicas. Para mim este é o melhor álbum que lançaram até à data. O que tinham em mente quando entraram em estúdio? Para te ser sincero, a nossa intenção foi sempre pensar de forma diferente e experimentar coisas que fossem também diferentes. Quando entramos em estúdio estamos sempre apertados de tempo e então temos tendência a darmo-nos bem com toda esta pressão. No começo das gravações tínhamos apenas um esqueleto das músicas mas nenhuma delas ganha forma antes de começarmos a gravar no sentido de a completar. O que é que a palavra “evoluir” significa para vocês? Consideras que os Whitechapel têm evoluído álbum após álbum? Acredito que evoluímos um pouco de álbum para álbum. Tal como disse an-

teriormente, não nos queremos ficar pelos padrões que o nosso género apresenta e tentamos pensar em formas de dar a volta a isso. Queremos fazer um álbum diferente, cada um som o seu próprio elemento e não lançar a mesma coisa duas vezes. Prefiro ver a nossa evolução como passos de bebé na direcção certa. Dirias que este novo lançamento é uma continuação do EP “Recorrupted”? Nem por isso. A única música original do “Recorrupted” foi a “Section 8” e é um pouco diferente das músicas que estão presentes no “Whitechapel”. Cada música do novo álbum é diferente de todas as outras e é isso mesmo que queríamos fazer. Como foi trabalhar com Ben Harclerode na bateria e o que vos fez optar por ele para se encarregar do kit? Procuramos por um novo baterista imenso tempo e finalmente, quando vimos o vídeo dele a tocar uma das nossas músicas, soubemos naquele instante que o Ben era a escolha certa. O Ben foi uma benção... tem boas ideias para músicas e tem a cabeça bem colada aos ombros no que respeita à música. Trabalhar com ele foi uma lufada de ar fresco. Para mim este é um excelente lançamento, mas tendo em conta que foram vocês a criá-lo, sentes o mesmo em relação a este álbum? E se sim,

quando é que percebeste que “Whitechapel” ia ser assim tão bom? De todos os nossos álbuns, este foi aquele que me deixou mais satisfeito. Talvez porque toda a banda esteve envolvida em todos os detalhes deste lançamento, mas lá porque eu acho que é um bom álbum não quer dizer que toda a gente ache o mesmo. Não fazia a mínima se o álbum seria “assim tão bom” ou algo do género, sabia apenas que demos o melhor que podíamos ter dado para este novo álbum. É um tanto difícil para mim dizer que algo que fazemos é “bom” sem que me sinta convencido por isso fico apenas contente pelo facto das pessoas gostarem (risos). Como está a correr a vossa tour? Estás feliz por tocar as novas músicas ao vivo? Acabamos de tocar no Mayhem Fest e foi incrível. Grandes bandas e grandes fãs. As novas músicas são muito boas de se tocar ao vivo, principalmente porque podemos mostrar as músicas a fãs novos e velhos. Já foi bom não termos de tocar o mesmo alinhamento, para variar (risos). Últimas palavras para os leitores portugueses? Obrigado a todos pelo apoio e espero que da próxima vez que formos aí não me roubem o passaporte e consiga fazer a viagem. Obrigado a todos aqueles que compraram o novo álbum e certamente que nos veremos brevemente!


C

omo descrevias o conteúdo de “Earth Blood Magic”, musicalmente e conceptualmente? Não se trata de um álbum conceptual, por si só, mas todas as músicas estão ligadas à mesma paisagem. É um álbum que fala para o indivíduo, não para um grupo. O objetivo era fazer música obsessiva que tenha o condão de nos levar para outro lugar, uma qualidade que eu sempre apreciei na música. Esse sentimento de ser transportado para outro lugar é muito viciante. Musicalmente, acho que está realmente enraizada no Black Metal da década de noventa, mas isso não é algo óbvio. Aquelas são as raízes e sempre serão, mas, desde então, inúmeras coisas influenciaram-nos como músicos. O trabalho é bastante diversificado em termos musicais. Não houve restrições no período de composição, a atmosfera e o espírito permitiu-nos controlar os aspetos técnicos e a produção de cada tema. É um álbum independente, na minha opinião, que não procura qualquer etiqueta ou aprovação em particular. Havia esse

sentimento intenso que se transformou em obsessão, e mais tarde numa espécie de condenação tipicamente religiosa, que a música chama a partir de um lugar específico e Kontinuum representa uma espécie de ligação semi-distorcida com ele. Musicalmente, eu senti que era arriscado porque é algo de muito pessoal e que não tenta chegar a um público-alvo específico. Para ser sincero, nunca pensei que as pessoas apreciassem o álbum no seu conjunto. Mas a julgar pelas reviews, não parece ser o caso. Eu posso ter subestimado o público, eu mesmo raramente aprecio as bandas mais recentemente aclamadas dentro do Metal. Então, como poderia esperar que as mesmas pessoas gostassem do nosso? As reações iniciais ao álbum têm sido uma agradável surpresa. Conceptualmente, acho que poderias referir que o álbum alude de alguma forma à condição humana, a busca pela espiritualidade por diferentes vias. À espreita, como uma linha vermelha através de tudo isto, está a quase tangível para algum lugar estranho que nos faz continuar. Podemos afirmar que a semente dos

Kontinuum remonta a 2001, com o EP “Burned and Battered” quando ainda se chamavam Pornea. Qual a razão de terem esperado até 2012 para se dedicarem a este projeto? Pornea foi apenas uma espécie de exercício entre mim e o baterista Kristján, onde podíamos trabalhar sem o compromisso da banda habitual, desenvolvermo-nos enquanto músicos e ter a hipótese de produzir algo que foi, talvez, “fora da caixa”. Na verdade, fizemos outra gravação em 2006 que nunca foi lançada. Ficámos por aí porque estávamos ambos concentrados noutras bandas. Voltei para a Islândia há dois anos, depois de alguns anos no estrangeiro. Tenho vindo a trabalhar há algum tempo as ideias iniciais daquilo que Kontinuum se tornou enquanto estive fora. A minha banda principal, os Potentiam, não estava ativa, por isso decidi dedicar a Kontinuum todo o tempo necessário. Este álbum mudou os Kontinuum e a mim, tornou-se em algo extremamente importante, sem que eu saiba exatamente em quê. Não será preciso esperar muito até ao próximo lançamento, prometo!


O álbum é muito emocional e atmosférico. Achas que está fiel à ideia original do projeto ou é mais representativo de quem são na atualidade? Nunca houve qualquer decisão tomada sobre como deveriam ser os Kontinuum. Eu estive sempre do lado atmosférico da música e acho que por ter começado o projeto de forma isolada, o torna mais pessoal e emocional. Música sem qualquer emoção para mim é como se estivesse morta, tal como para o ouvinte. Mas música emocional não tem necessariamente de ser melódica, pode ser muito dura, feia e fria. As emoções representam as cores da música na minha cabeça e acho que nos é intrínseca a qualidade de usar muitas cores na nossa música. Permaneceremos honestos e independentes. Kontinuum é relativamente diferente dos outros projetos em que estás envolvido, especialmente dos Potentiam. Embora os Potentiam planeiem reunir-se, podemos considerar Kontinuum um veículo para melhor expressar o que os elementos da banda querem fazer artisticamente? Não concordo totalmente. Vejo muitas semelhanças entre os projetos, embora também sejam diferentes. Os Potentiam irão gravar um novo álbum em breve. Nessa altura, veremos. Os Potentiam sempre foram muito experimentais, mas acho que ainda não lançaram um álbum que os consolidasse, que acho que pode ser o próximo. Ambos têm uma veia atmosférica vincada. Os Kontinuum são agora a prioridade, principalmente porque os Potentiam não estão em atividade. Os Kontinuum representam uma tela muito maior para se trabalhar. Maior liberdade de expressão. Os Potentiam são a meu ver um pouco mais sinistros e obscuros. O álbum é variado e muito bem produzido. Existe uma voz femina em “Red”. Quem é ela e quem são os outros convidados no disco? Obrigado. Nós não queríamos fazer quaisquer cedências e todos os detalhes tinham sair bem. Nunca fico plenamente satisfeito com as coisas, mas se pensar no todo, estou surpreendentemente contente com o álbum e a sua produção. Podemos agradecer a paciência do nosso engenheiro de som Silli Geirdal para não desistido. A cantora é Agnes Erna Stefánsdóttir, voz de apoio da banda indie islandesa Lay Low. Ela acertou na muche. Temos também o

quarteto de cordas Amiina, que na verdade formam metade dos Sigur Rós ao vivo. Eles fizeram cordas sobre a última faixa. O artista de noise AMFJ também fez um sample de passos muito estranho. O nosso engenheiro de som Silli, também baixista da banda de rock Dimma, também tocou numa faixa. Como chegaram a acordo com a Candlelight para a edição do disco? Estou certo de que não posso revelar todos os detalhes do contrato. É o que esperarias ver de um contrato entre uma pequena banda como nós com uma editora bem conhecida. Vamos lançar este álbum e, em seguida, ver como se desenvolvem as coisas. Existem algumas faixas cantadas em islandês. Acharam que se adequava melhor à sonoridade? Cada música teve o seu tratamento individual. Temos três letras em islandês no álbum. Uma delas estava escolhida há muito tempo, e é baseada num poema muitas vezes visto nos obituários na Islândia. Enquadrava-se perfeitamente na canção e no seu objetivo. Encontrei as outras duas por acidente, quando estava a juntar coisas da minha tia que faleceu durante a gravação do álbum. Na altura, estava no meio da gravação das vozes. Descobri que ela foi uma poetisa incrível, mas nunca lançou nada. Eu acho que muitas grandes obras de arte neste mundo nunca são vistas e os maiores talentos acabam por nunca ser descobertos. Creio que ela foi um desses casos. Limitei-me a correr para o estúdio, adaptei um texto e mantive o outro como estava. Cantar em islandês é um sentimento diferente, sentimo-lo no âmago, especialmente se a letra for realmente boa. No entanto, não temos nenhuma preferência especial sobre em qual língua serão as letras, daqui para a frente. A língua não é o único aspeto que, na minha opinião, reflete os elementos intrínsecos à Islândia no vosso som. De que forma a “Earth Blood Magic” é um registo que só poderia ter sido feito por uma banda islandesa? Têm-me dito muito isso ultimamente. Não tenho certeza se é verdade que bandas islandesas têm algum elemento que unifica a sua sonoridade. Pode ser o caso que as poucas bandas que as pessoas ouviram compartilhem o mesmo estado de espírito ou atmosfera. A cena musical daqui é

muito variada, bandas de vários géneros tocam juntas. Só posso falar para nós, mas os Kontinuum têm origem num lugar muito pessoal e o som nunca foi estruturado com base noutros. As bandas islandesas influenciam-nos como inúmeras outras o fizeram ao longo dos anos. Num pequeno país, existem poucas possibilidades de ganhar a vida como músico, talvez, em consequência disso, tendamos a fazer música mais experimental e “verdadeira”. Basicamente, se partires do princípio que ninguém vai ligar ao que fizeres, acabas por fazer o que te dá na “real gana”. Depois tens este mito sobre a influência da natureza. Algumas pessoas tendem a pensar que aqui as bandas são todas muito influenciadas pela natureza e têm aquela imagem de pessoas na montanha a escreverem canções épicas. Claro que não é isso que acontece. Tudo na tua vida e o ambiente que te rodeia acaba por te afetar e pode refletir-se na escrita de canções, não apenas a natureza da tua terra natal. Talvez me esteja a escapar esse elemento nativo de que falas. Planeiam apresentar o álbum ao vivo? Quais as formas que encontraram para o promoverem? A banda é nova e ainda estamos a trabalhar no formato para concertos, para os quais decidimos adicionar um novo membro para potenciar o som ao máximo. Esta promoção do álbum, portanto, talvez não seja a ideal, pois nós ainda não tocámos muito, mas não estamos a queixar-nos. Esta é uma maratona que estamos a começar e este é apenas o nosso primeiro álbum. Vamos começar por tocar localmente, em breve. Quaisquer espetáculos no exterior dependem, sobretudo, do interesse das pessoas. Fora isso, a editora também se encarrega da promoção. Qual poderá ser a futura direção para os Kontinuum? Poderá estar igualmente relacionada com os próximos desenvolvimentos com os Potentiam? Para o futuro mais imediato vejo os Kontinuum como prioridade. Nós queremos estar ativos e visíveis. Já estamos a trabalhar num possível lançamento de um EP entre o primeiro e o segundo álbum. Temos algumas ideias porreiras que servem bem esse propósito. Potentiam é uma daquelas bandas que nunca vão acabar. Vamos começar a gravar um novo álbum antes do final do ano. Temos grandes expectativas em relação a esse disco.


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que vos fez ressuscitar a banda? Foi uma decisão nostálgica ou sentem que os Festering ainda têm muito para

dar? JOÃO: Não diria que teve a ver com nostalgia. Nós sempre tivemos interesse em fazer música e temos a sorte de trabalhar bem juntos. Apeteceu-nos fazer algo diferente dos projectos anteriores e estamos muito contentes com os resultados.

PEDRO: Realmente não foi uma decisão nostálgica. Este projecto até tinha outro nome, mas durante as gravações o Koja mencionou o nome de Festering, devido ao projecto que nunca teve continuidade. Essa ideia foi levada muito a sério e o nome passou a ser esse mesmo, até porque nesta nova gravação a “Proliferation of infected leucocytes” voltou também a fazer parte das 6 músicas. KOJA: Como o Pedro e o João referiram, não se deveu a nostalgia. Já tinha a ideia de fazer um projeto dentro desta linha musical e uma vez em conversa com o Pedro, percebemos que era uma ideia

comum. O João ficou também entusiasmado com o projecto e ao qual se juntou mais tarde o Beto, embora em “part-time”. De início, de facto optamos por um outro nome. Mais tarde pensei em associar este projecto ao de Festering, já que existem algumas influências comuns e teríamos um ponto de partida. Fizemos renascer das cinzas a banda, mas agora de uma forma mais séria. Desta vez podemos contar com os Festering a funcionar a 100%, ou continuará a ser um projecto paralelo?


JOÃO: Não se pode dizer que seja um projecto paralelo, visto que nenhum de nós tem outros projectos de momento. PEDRO: A minha esperança é que os Festering, que são neste momento o projecto principal de nós os três, se torne realmente uma banda, que possamos dar concertos e que outros lançamentos apareçam. Mas é uma situação que só o tempo o dirá. Estamos a fazer esforços para que se torne realidade. KOJA - A ideia e toda a nossa dedicação é que, os Festering tenham continuidade. Estamos 100% empenhados nisso mesmo. Falem-nos um pouco do processo de composição... como foram surgindo as ideias e que tipo de directrizes têm que seguir para que uma música fique com a identidade dos Festering? PEDRO: Os Festering tocam um Death Metal old school mas não nos restringimos apenas a esse estilo de metal. Temos de tudo o que ouvimos diariamente, mas claro que a base é o sweedish Death Metal. As ideias surgiram naturalmente pois quando eu e o Koja nos juntámos, definimos logo qual seria o caminho a percorrer em termos de estilo musical. Assim que foi feita a primeira música, a identidade ficou logo criada e exactamente como eu e o Koja tínhamos pensado. JOÃO: Para mim, isso tem sido uma das características mais interessantes deste trabalho. Noutras ocasiões, a forma de trabalhar normal seria que cada um trabalharia em separado em ideias e quando nos juntávamos, tentávamos tornar essas ideias em músicas. Com Festering o processo é completamente diferente. Normalmente começamos com uma ideia, “qual é o tipo de música que queremos fazer?”, e a composição é feita no momento, os riffs vão chamando outros riffs e quando nos apercebemos temos uma música feita. É um processo muito fluido e natural, fruto da experiência que já temos em trabalhar juntos. E na minha opinião, os resultados são muito mais naturais e interessantes. É diferente pensar numa música como um conjunto de riffs que esta ou aquela pessoa fez, e pensar numa música como algo que não percebemos muito bem como aconteceu, juntámos pessoas e a música apareceu. KOJA: Sim a parte de composição, tem

sido muito fluente. Alguns riffs já vinham de trás, baseados na linha musical que o Pedro falou, que foram tirados da “gaveta” e apartir daí as músicas foram surgindo por encadeamento de riffs quando nos juntamos. A particularidade é que primeiro surgiram as músicas, depois as letras, embora existissem letras escritas anteriormente mas que foram adaptadas para encaixarem nas músicas. Tendo em conta que a maior parte dos membros passou pelos Extreme Unction, quais diriam ser as diferenças entre essa banda e os Festering? PEDRO: A meu ver, realmente os Extreme Unction foram a escola, foi onde tiramos os “cursos de música” (risos). Mas os Festering são, digamos que a continuidade desses mesmos cursos, mas de uma forma diferente dos Extreme Unction, tirando a demo caminharam para um Death Metal mais melódico e com influências mais Doom. Os Festering são mais “in your face”, mais agressivos. Mesmo liricamente, os Festering são sem dúvida mais agressivos. JOÃO: As principais diferenças, eu diria que são o estilo musical e a forma de composição. Em Extreme Unction havia sempre alguém que era o principal responsável por cada faceta da composição. Um dos guitarristas compunha as partes de guitarra, o Pedro, o Koja ou o Bruno faziam as letras, e normalmente o Koja pegava em tudo e punha na ordem correcta. Com Festering é muito mais um esforço conjunto. KOJA: Quanto a mim em termos musicais, os Extreme Unction e os Festering têm inicialmente influências comuns, mas apartir do álbum e da entrada de outros músicos, os Extreme Unction caminharam para uma vertente mais melódica e com influências cada vez mais Heavy Metal, com os Iron Maiden bem presentes. Quanto aos Festering, mantivemos algumas das influências Gore/ Grind de Carcass e Napalm Death reforçadas pela onda do Death Metal mais tradicional e old school. Porquê lançar uma tape nos dias de hoje? Acham que esse formato ainda é valorizado? PEDRO: O tape é algo brutal. Festering comecou em tape e vai recomeçar num tape. Penso que apesar de toda a pa-

rafernália de formatos que existem, os fans de metal ainda guardam as suas demos dos anos 80 com paixão, assim como os EPs, os quais todos pensavam que iriam acabar assim que o CD singra-se. Para nós a K7 tem o mesmo valor que um CD, pois o que lá esta gravado é música, e a meu ver, é apenas o formato que muda. JOÃO: Não foi de nossa iniciativa. Propuseram-nos essa possibilidade e nós pensámos “Porque não?”. KOJA: Inicialmente, quando começamos a compor e ainda não tínhamos grandes perspetivas futuras. Pensámos em criar MP3, colocá-los na net à disposição de quem quisesse ouvir e passar aos amigos. O que é facto, é que a reação das pessoas foi positiva e surgiu a proposta, por parte do Fernando da War, em editar as músicas em formato magnético. E, realmente achamos bastante piada, um banda old school regressar de uma forma também old school. Podemos contar com acção na estrada para breve? PEDRO: Sim, estamos a querer fazer concertos, já não somos novos e todos já têm a sua vida de casados com filhos, mas penso que concertos não vão ser problema mesmo porque as famílias estão connosco neste retorno à música como banda. JOÃO: É acabar os respectivos períodos de férias e começaremos a trabalhar com esse objectivo. KOJA: Sem dúvida já se trabalha nesse sentido, novos temas já estão em preparação e brevemente teremos um reportório pronto para pisarmos os palcos. Planos para o futuro... PEDRO: Como tinha dito acima, concertos e mais lançamentos: EPs, CDs, mais K7s… e porque não?! JOÃO: Como o Pedro disse, tocar ao vivo e lançar um álbum. KOJA: Para além dos concertos e de futuras gravações, procuramos também fechar o restante line-up, pois neste momento somos só 3 ½, pois há que definir a questão da bateria (uma vez que o Beto tem vários projetos em mão) e reforçar a banda com um segundo guitarrista.


Q

uem são os Thunderkraft? Os Thunderkraft são uma equipa criativa que se baseia em relações boas e amigáveis. A amizade para nós está acima de tudo. Somos mais do que uma banda de rock e para além dos membros da banda, também os nossos amigos são muito importantes para nós pois dão-nos inspiração e ajudam-nos de todas as formas. A vossa música soa-me a Death Metal mas apresentam muitas influências atmosféricas com um toque de Industrial. Quais são as vossas principais influências? A realidade circundante do passado, fu-

turo e presente, mundos desconhecidos e espaços não explorados e os grandes mistérios do universo. O conhecimento de tudo isto, pela nossa inteligência e percepção musical e criativa, levou-nos a compor música. Toda esta informação infinita inspira-nos a ser criativos e como resultado a nossa música é também infinita e variada. Totentanz é um álbum com um som muito profissional. Quanto tempo esteve na forja? É impossível descrever o tempo gasto a gravar um álbum. Durante as gravações o tempo mudou constantemente a sua duração. Em alguns momentos durava mui-

to, outras vezes repetia-se ou andava em direcção oposta. Diria que este disco foi mais rápido do que aquilo que o relógio mostrou, que foram 220838400 segundos. Qual a origem do nome do álbum? Quando estavamos na fase de composição das letras, começou a surgir este sentimento que levou à origem do título, mas era apenas um sentimento e não letras ou palavras específicas. Depois de estarem concluídas as letras e as músicas, o título começou então a ganhar substância. Neste álbum reside a ideia de interacção entre a vida e a morte. Todo o material aqui presente é como uma galeria de imagens-


-visões, sem uma separação clara entre o tempo e o espaço. Isto é o passado, o presente e o futuro: próximo do mundo real, há um mundo de abstrações e imagens fantasmagóricas. Apesar do facto deste álbum ter uma personagem semi-fantasia, não é mais do que um produto da nossa imaginação. É como um sonho em que a personagem mística é apenas a criação de um cérebro humano na realidade. Aqui, o princípio é tão racional como irracional. Totentanz - uma visão de uma imaginação febril, que demonstra a nossa dança interminável, graciosa, e às vezes selvagem com a morte. Toda a variedade de tons existentes neste título não pode ser descrita em palavras porque a visão do mundo simbiótico e das experiências interiores não são sempre possíveis de transmitir em palavras. Para compreender o significado do título deves ouvir todos os produtos deste album e não apenas uma vez... de preferência à noite, antes de ir para a cama, para colocar o disco debaixo do travesseiro... Tendo em conta que cobriram muito

terreno com Totentanz, há algum tipo de sonoridade que gostariam de experimentar no futuro? Certamente, uma vez que há muitas ideias interessantes que queremos implementar. Existem também alguns sons electrónicos e instrumentos tradicionais que gostaríamos de experimentar. Há também ideias experimentais no que respeita aos riffs de guitarra e aos instrumentos de percussão. Acho que cada um dos nossos próximos álbuns será sempre diferente do anterior pela não existência de padrões comuns. Já em relação ao som e aos arranjos, iremos ter alguma variedade com sons não muito típicos, ferramentas não ligadas ao Metal, etc. A inovação natural do nosso trabalho criativo é aquilo que nos une. A abordagem inovadora é a verdadeira essência da nossa equipa. A artwork foi muito bem conseguida. Foi só uma espécie de “quadro bonito” ou deram ao artista alguma ideia específica? Antes do artista iniciar o desenho da capa, descrevemos todo o conceito deste ál-

bum e tudo aquilo que queríamos ver. O artista ouviu a nossa música por um longo período de tempo e leu os nossos textos com o intuito de recriar na sua mente as imagens que mostram o nosso trabalho criativo, passando tudo isto então para o desenho. Como resultado, ele deu-nos algumas opções que depois de alguma discussão e alterações levamos em consideração. Podemos então dizer que isto não é só uma imagem mas sim uma unidade única do nosso álbum. A questão obrigatória: qual a música que as pessoas devem ouvir para terem uma boa ideia daquilo que os Thunderkraft representam? Neste caso, talvez os Thunderkraft fujam à regra, pois recomendo que ouçam todas as músicas deste novo álbum, pois a música que eu aconselhar pode acabar por não ser a indicada para determinada pessoa entender aquilo que é este álbum. A nossa música é diversa e cada um pode vê-la à sua maneira. É impossível resumir o nosso álbum ouvindo apenas uma música.


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operação de braqueamento de dinheiro do tráfico de coca», segundo Frank Zappa. Seja como for, o lado negativo do Live Aid é hoje ainda evidente, pois transformou a imagem de um país de forte personalidade - ao contrário dos outros países africanos a Etiópia, nunca foi colonizado pelos europeus, tirando a curta estadia dos italianos (1936-41) em algo ultrajante como um país desértico e miserável.

O mundo é feito de encontros e descobertas, acontecimentos esses que podem trazer desgraças ou glórias para a Humanidade. Os encontros inesperados, diria eu, são os melhores pois quem alguma vez iria supor que os The Ex, uma banda anarco-punk holandesa criada em 1979, iria juntar-se a Getatchew Mekuria, um músico etíope já com 71 anos? E melhor que ser um “evento bizarro” é que ofereceu jóias à coroa divina da Música! Desde 2004 que estas duas entidades têm-se encontrado para concertos e discos (incluindo um DVD ao vivo), trazendo todo um sopro de ar fresco na música que conhecemos. Nem sei muito bem por onde começar esta história… Se calhar deve-se afirmar logo que os The Ex não são os típicos “punk biesta” fechados no 4/4 e gritos básicos de ódio ao sistema. No auge do movimento Punk é verdade que começaram com singles a chamarem de estúpidos aos americanos e tudo mais, mas ao longo da carreira foram progredindo sob várias formas musicais que merece o respeito de qualquer melómano – famosas são as suas colaborações com membros de Sonic Youth (outros que se podem nivelar num patamar de Rockeiros de mente aberta), o violoncelista Tom Cora (1953-1998), os provocadores e recém-extintos Chumbawamba,…Não é de admirar que ainda o

ano passado tocaram no festival lisboeta Jazz em Agosto com dois conhecidos improvisadores do Jazz: Paal Nilssen-Love e Ken Vandermark. Depois, há toda a Música da Etiópia, impossível de sintetizar num texto como este, mas quem tiver curiosidade pode ser ouvida e lida, em francês e em inglês, nos 27 discos da série Éthiopiques pela editora francesa de “world music” Buda Musique. Focada essencialmente na “época de ouro” da música etíope – ou seja, o seu Jazz registado entre 1969 e 1975 – esta série de discos também faz desvios para documentos étnicos como o volume 12, Kirba Afaa Xonso (2001), dedicado à música do povo Konso; ou o segundo volume, Tètchawèt! : Urban Azmaris of the 90’s (de 1997) dedicada à música urbana dos anos 90 depois da queda do Derg. O “Derg” foi um regime militar de inspiração comunista que desde os anos 70 governou o país com recolheres obrigatórios, censura e propaganda, levando a músicos à prisão ou ao exílio, destruindo a rica cultura da Etiópia e em triste apoteose às epidemias de fome nos anos 80 – que levou à famosa manifestação musical Live Aid, em 1985, talvez um dos primeiros fenómenos mediáticos da Aldeia Global, ou ainda, «a maior

Como afirma Andy Moor (guitarrista dos The Ex) no artigo da The Wire 337 (Mar’12), na Etiópia come-se e bebe-se bem, e a hospitalidade é de uma refinação ancestral. E claro, e depois há o tal Jazz Etíope que será de agrado de qualquer pessoa que embirre com os saxofones do Jazz ocidental. É uma música bastante peculiar que nas suas origens dos anos 60 procurava a modernidade ocidental em sintonia com o espírito rebelde que acontecia em todos os países no mundo dessa altura, e que os músicos desenvolveram um estilo de som de sopros metálicos que nos embalam numa perspectiva mais “soft” e exótica, misturando raízes próprias com o Jazz e o Blues norte-americanos. As bandas etíopes vinham de grupos de fanfarras da polícia ou bandas do exército, e que pouco a pouco, tornaram-se independentes tocando em sessões para clientes de hotéis e mais tarde em outros circuitos privados. Aconselho ouvir, por exemplo, Alèmayèhu Esthèté, que é dado destaque no volume 22 (de 2007) das Éthiopiques. Com o regime do Coronel Mengistu em 1974, como se pode bem perceber, perdeu-se uma geração musical entre 1975 e 1991, e pior, uma geração que não conhece o seu próprio passado, situação essa que o coordenador das Éthiopiques, Francis Falceto tenta perspectivar, seja pela tal programa de reedição dos discos antigos como descobrindo linguagens quer contemporâneas quer etnógrafas. Mas ele não é o único apaixonado pelos sons daquela terra, há outros tipos como estes The Ex da Holanda, completamente enfeitiçados pelo país, onde alguns dos seus membros viajaram nos meados dos anos 90. Nos meados nos anos zero deste milénio começaram a tocar pela Etiópia, a organizar eventos e workshops e em 2004 começaram a editar discos de artistas etíopes, na sua sub-label Terp Records - terprecords. nl. Os The Ex, tal como os Fugazi com a sua Dischord ou Jello Biafra e a Alternative Tentacles, são punks que controlam os seus meios de produção, no melhor esprírito DIY, e usam o nome da banda para a sua editora, The Ex Records. A Terp é uma “subsidiária”


para discos de música improvisada em que os seus membros participam ou para os artistas africanos que desejam dar a conhecer – colaborando ou não com eles. Daí que tenham editado Ililta! New Ethiopian Dance Music (2009) que é seguimento cronológico de Tètchawèt! (vol. 2 das “etiópicas” para quem já se perdeu!) onde se intercepta o cantor cego Mohammed “Jimmy” Mohammed (?-2006) nas duas colectâneas. Nesta última escolheram uma nova geração de músicos que pegam em temas tradicionais etíopes com novas roupagens dançáveis mas sem ser a produção plástica Pop – nada de sintetizadores e “drum machines” foleiros – nem a prática “dance mix” tal como a conhecemos no Pimba, Turbo-Folk e outras variedades. A selecção que nos é mostrada é sobretudo uma atitude acústica que remete para uma transformação da música etíope sem entrar nos esquemas cosmopolitas e imundos da Aldeia Global. Já agora, aconselho vivamente o single Gue / Selame , que lançaram dois anos depois da colectânea, em que dois músicos dos The Ex intervêm conjurando duas “trips” etno-cósmicas que fazem mexer as ancas em tremeliques, especialmente o primeiro tema, com a voz feminina de Tirudel Zenebe que revela ser um inesperado docinho saltitão. Ao comemorar os seus 25 anos de existência, The Ex organizaram um festival em Amsterdão em 2004, com convidados de vários estilos musicais onde trouxeram também Getatchew Mekuria, de 71 anos e pela primeira vez a actuar na Europa. Assim chegamos a Moa Anbessa (2006), primeiro registo de Mekuria com The Ex e com convidados – um combo de metais – num disco explosivo que consegue mesclar todo o saber de um saxofonista “sénior” com “punkers” pouco-ortodoxos. Temas como Ethiopia Hagere ou Che Belew Shellela acrescentam algo de novo no mundo musical, contrariando os cínicos de “já se fez de tudo”. É um disco ingenuamente eclético em os temas de guerra são revistos à percussão do Punk ou com recitais de panfletismo anarca. Ainda pelo meio há temas mais puros do Jazz Etíope dos anos 70, mesclas desses temas com as guitarras sub-reptícias

dos The Ex e um solo ao vivo de Mekuria. Um disco de música pura, que estaleja o cérebro e o pontapeia o corpo relembrando-os quando a música nos fazia sentir algo inesperado. Entretanto os músicos viajaram pela Europa, Etiópia e Norte da América com o disco na mão, entrelaçando o seu companheirismo e sintonias musicais e agora foi lançado Y’Anbessaw Tezeta (2012). Duplo CD que cheira infelizmente a epitáfio e a documentário, no primeiro disco é feita mais uma colaboração entre estes amigos e o segundo disco é o registo de várias participações de Mekuria ao vivo. Apesar de ambos os discos de 2006 e 2012 terem sido partido do saxofonista a convidar os The Ex como “sua banda de estúdio”, existem algumas diferenças nas condições - como a saída da banda do vocalista dos The Ex - e nos resultados pois de alguma forma o primeiro de 2006 é nitidamente uma “parceria” (por mais eurocentristas que possamos ser) enquanto o de 2012 soa realmente a “convite”. Em 2012 temos um saxofonista com 76 anos que acha que este será o seu último disco após uma vida cheia, especialmente nos últimos anos em digressão mundial cheia de histórias hilariantes – que o livrinho do CD conta – e parece que os The Ex tomam uma posição meramente submissa. Os discos que Mekuria gravou tem sempre duas facetas, uma telúrica “militar” vinda da tradição de bandas militares onde todos os músicos modernos etíopes ensaiavam e tocavam, e outra faceta, melancólica com sabores orientais num Jazz mais tipificado mas que não corresponde ao “template” do Jazz norte-americano até porque os músicos etíopes não tiveram, ou por questões económicas ou por censura estatal acesso aos discos estrangeiros. O caso de Mekuria é sintomático, agora que foi descoberto no Ocidente, os críticos musicais tentaram compará-lo a Ornette Coleman, o que o senhor respondeu que nada sabe, não o conhece… e que só toca música etíope! Y’Anbessaw Tezeta é mais cristalizado, mais calmo, uma espécie de testemunho musical

que Mekuria quis deixar do seu estilo, do teu talento e da qualidade musical da Etiópia, que até está mais patente no segundo disco deste novo álbum onde encontramos vários registos ao vivo de Mekuria: com o grupo holandês e mutante de música improvisada ICP no clube Paradiso (onde se comemorou o tal festival dos 25 anos dos The Ex); gravações de Mekuria e The Ex em tournê de promoção do seu primeiro disco em conjunto; e dois temas do saxofonista com a Orquestra de Polícia Fukera e Orquestra do Teatro Haile Selassie 1 durante os anos 60, gravados numa k7 qualquer encontrada pelos The Ex. Para quem tiver com orçamento apertado Y’Anbessaw Tezeta é uma salganhada tão agradável, diga-se, que permite ter um bocadinho de tudo que se escreveu até aqui. E já agora, este CD duplo custa só 15 euros (portes incluídos) pedindo directamente à Terp. É DIY puro e duro! EXTRA Não gostaria de deixar de referir ainda, noutra latitude e longitude, mais mediterrânica o álbum Trapani – Halq al Waady (Wallace; 2008) dos ítalo-franceses L’ Enfance Rouge. Faço aqui uma rápida referência uma vez que a “Infância Vermelha” inscreve-se no mesmo “post-punk” dos The Ex e procuram uma fusão da Aldeia Global (sem conservantes e corantes) em ambos projectos, embora a abordagem e resultados sejam completamente diferentes. Neste disco o power-trio está de um lado com o seu Rock arranca-e-para, meio-sónico e meio-musculado na tradição de bandas norte-americanas como Rapeman e Jesus Lizard, e do outro lado estão uma série de músicos do Instituto Superior de Música da Tunísia com vozes, cordas e sopros das mil e uma noites. Não há choque ou se houve foi fora do registo áudio porque desenvolveram uma estratégia de harmonia que rejeita a world-music para velhotes e que prefere ser fiel ao Avant-Rock - tanto que é o nome de L’Enfance Rouge que credita o disco e não “L’Enfance Rouge & a Orquestra da Tunísia”. Para quem gosta de arabescos e de Rock inteligente, é aqui o porto de abrigo.


Porque o mar reflecte o céu Ao Livro Navega de uma vez sai destes portos sem vida nem mortos

Voltando requebrando e dançando

só sabemos olhar e o mar observar mas ficamos em terra com medo de navegar

é a rima que roda rodopiando minha loucura tecendo e passando

Padrões erguidos em túmulos de civilização somos hoje aquilo que navegadores nunca sonharão por isso navega que o mar está a oeste deixa esta praia do Tejo por um Tagus diferente és bela por teu silêncio como nas terras de D.Sebastião foste por isso mostrame que Este não são só reis e cortes Navega de uma vez porque coração lusitano tens deixa os infiéis falarem de que te levaram o rei tu és tu por ti mais ninguém pode ser és única como toda a gente como a navegar terás de ser quero te ver viver teu nome por oceanos ressoar Sem nau sem caravela guiando-te pelo luar filha da lua sem governo sem república navega de uma vez que vou governando o céu que por ti azul se fez

é a música nos ouvidos tocando é a nota partindo e ressoando modificando é a lei da vida que estranhamente nos mostra ferida completamente quem és tu, em minha mente? és tu que preeminente ditas quem sente em paredes de branco vivente ou mesmo num título extridente Deixas-me confuso de pensar excuso mais vale revelar quem és para que não te deixe a meu pés antes em minhas mãos te prefiro ver andando numa vida que descontinuamente vai levando o que sente sem me olhar com desprezo o que és? Poesia e livro aquele que não mente


Tal como qualquer outra banda que redefina os limites de um género musical, os Nachtmystium sofrem por serem tão criativos. A veia psicadélica e industrial que estes norte-americanos aplicaram a um black metal mais convencional foi suficiente para levarem com críticas destrutivas por parte de muita boa gente. Blake Judd, sempre deu pouca importância às “bocas foleiras” e prova disso é este novo álbum. Mais directo que a dupla “Black Meddle”, este novo trabalho recupera algum do espírito que tinha sido alcançado em “Instinct: Decay”, mas não se limita a fazer um black metal convencional, aliás esse caminho há muito que já saiu dos pensamentos e planos de Judd. Um início com um ambiente bastante semelhante ao que os russos Nitberg fizeram no ex-

celente “Nagelreid”, abre a viagem para quase 60 minutos que oferece outras inspirações como por exemplo os míticos Neurosis em “And I Control You”. Mas o mais importante aqui não são as influências, se bem que elas são magníficas, mas sim o ambiente de profundidade ímpar que é atestado com valores como “The Lepers of Destitution”, um dos grandes colossos deste sexto álbum dos homens de Chicago. No final, este álbum revela-se como sendo um dos mais entusiasmantes lançamentos de 2012, que promete ficar marcado no espírito de todos aqueles que forem capazes de reconhecer a qualidade dos Nachtmystium. Tiago Moreira


O terceiro registo do septeto britânico é o da confirmação e mostra que o seu peculiar Metal psicadélico vive à parte da restante cena. O já bizarro e extremo “Opportunistic Thieves of Spring” (2010) deixava entreaberta a porta para a exploração. E nesse capítulo, os A Forest of Stars não se fizeram rogados, potenciando a fórmula já exibida, doseando de outra forma os “ingredientes”. “A Shadowplay for Yesterdays” é um álbum conceptual que conta a história do ponto de vista de um louco que viveu na época vitoriana (sobre a qual a banda versa melhor do que nunca), onde imperam o medo e alucinações. A banda demonstrou um cuidado extremo em adequar a dinâmica musical à narrativa. O “single” “Gatherer of the Pure” é um bom barómetro do seu estilo: rock progressivo e melancólico, com influências de folk, ataques de guitarra Black Metal, com

leads de violino, flautas, portentoso trabalho de bateria e vocalizações bastante variadas e de bom gosto (o protagonista lembra Martin Walkyier, dos Sabbath e Skyclad). Ou seja, a experimentação e estranheza imperam, a ponto da transcendência. Apesar de tantos “ingredientes”, o álbum está longe de ser confuso. O caos apresentado é altamente calculado. Aliás, as composições são mais diretas e não deixa de ser curiosa a opção de não “forçar” interlúdios antes das múltiplas mudanças de atmosfera. Também o equilíbrio encontrado entre os próprios instrumentos favorece a audição. Dos poucos defeitos a apontar a este raro e especial álbum, que requer muitas audições, é a menor qualidade do encerramento da história face ao nível das restantes composições. José Branco

Este duplo álbum é o terceiro da carreira destes norte-americanos. É o resultado do grande crescimento e maturidade que a banda teve nos últimos anos e não podia ser mais diferente dos trabalhos anteriores. Afastam-se do sludge e apresentam-se, agora, mais melódicos e explorando novos sons e técnicas. Misturam o rock progressivo, com indie, um pouco de folk e alguns elementos que resultam em hinos para tocar ao vivo e abraçar o público presente. Aqui não há gritos furiosos nem riffs abrasivos. É um trabalho atmosférico, lírico, com um som que parece quase…natural. Mas, se por um lado, este tipo de canções abstracto-impressionistas mostram uma incrível dinâmica e talento musical, tantas variações podem dar a impressão que a banda não sabe bem o que está a fazer, nem o rumo que quer levar. Nota-se,

também, uma certa repetição nas melodias da guitarra e as partes electrónicas não são muito consistentes ou imaginativas. Diversidade e acessibilidade foi o que os Baroness procuraram. E conseguiram-no através de canções bem estruturadas, que conseguem extrair de nós, quase todos os sentimentos que o ser humano possui. Vale bem a pena ouvir, nem que seja para ver o contraste sonoro que esta banda é capaz de tirar da cartola e que, das duas, uma: ou se torna no nosso álbum preferido do grupo, ou no que gostamos menos.

Fiquei com a ligeira impressão que não há uma música neste disco que não me faça lembrar Black Sabbath, o que não quer dizer que seja tão mau quanto isso, pois a ideia de levar as influências a um outro nível e prestar tributo musical a bandas que modificaram a nossa percepção do Mundo e a nossa maneira de viver é mesmo essa. Tudo isto faria mais sentido se os Bedemon não tivessem sido formados em 1973 e sejam vistos por muitos como a verdadeira banda americana de Doom! “Symphony of Shadows” é o primeiro registo de sempre da banda com 100% de material novo. Depois de terem abandonado a banda em 1986, em 2001 três dos membros originais foram contactados por alguém alheio à formação da banda e a magia voltou-se a fazer. Preparem-se então para 60 minutos de puro Doom, com uma sonoridade típica dos anos 70, de um nome que

já fez história ao criar músicas muito avançadas para a época e que atravessou os mares em forma de bootlegs ilegais! “Symphony of Shadows” é um disco que nos faz querer voltar atrás no tempo, para viver a primazia que os anos 70 deram ao Mundo! Joel Costa

Ivan Santos


Caller of Spirits inicia a jornada, uma cobra chocalhante que se enrola num mantra gutural em invocação apreensiva do uivante reino do além. Wind Eye e Rise and Shine oscilam em pitorescos movimentos líquidos, espraiam-se vastas as notas da guitarra e o timbre inerte do baixo, melodias remeniscentes dos novos Earth. Vozes esclarecidas pairam no céu laranja solar, semeando a restauradora energia no ouvinte. Sundrojan está no centro, composição basilar, é a força vital, guitarras efusivas, maciça distorção. É o galvanizante grito despertador, o gutural sopro purificador das pestilências, a cura. Soil Magicians, prece ritual de prostração à mãe natureza nos erodidos eremitérios aromados em incenso que se bestializa em extasiantes vocalizações e cáusticos riffs ritmados pela trovejante bateria. E tudo acaba nos olhos inquisidores da negra coruja, Disgust and the

Horrible Realization of Apathy enfrenta o ouvinte, escrutina, e a negritude dos vocais ferinos lança o desafio ao ego: can you destroy the mirror?.. Reflexão e contemplação não são estados de espírito fáceis de trabalhar através de música, mas apenas a longa duração e repetitiva natureza minimalista das composições podem impedir este totem quimérico de os induzir na mente através dos seus poderosos encantamentos auditivos. O melhor álbum de Blood of the Black Owl. André Balças

Surgidos em 2007 e oriundos do Reino Unido, os Blutvial são um trio composto por Ewchymlaen, Zemogh e Aort, mais conhecido por acumular funções nos Code. “Curses Thorns Blood” é o segundo trabalho destes ingleses e apresenta algumas mudanças na sua abordagem ao Black Metal quando comparado à estreia “I Speak of the Devil”, de 2009. Se no primeiro álbum exploravam a vertente mais fria do género, neste novo álbum apostam na agressividade do mesmo. Logo nos dois primeiros temas alternam riffs pesados e blastbeats com passagens mais arrastadas, possuidoras de um groove que lembra os suecos Craft. Em “The Immutable Hammer”, porém, já domina um feeling Punk, reminiscente dos primórdios de uns Bathory, especialmente no solo de guitarra. Contudo, as surpresas não terminam aqui e a banda mostra que gosta de arriscar, optando

por uma vertente mais rockeira em “Tirade Against Oversocialisation” ou por uma mais arrastada e virada para o Doom em “Wethered and Broken-Mouthed”, por exemplo. Apesar de a audácia ser de louvar, o certo é que algumas canções não resultam muito bem, levando o ouvinte a perder o interesse rapidamente. Os fãs de Black Metal têm aqui uma proposta capaz de agradar-lhes, mas que carece de argumentos suficientes para conquistar um público menos inclinado para as sonoridades negras. Eduardo Marinho

Sem quaisquer pudores nos seus desígnios, é com um manifesto sabor a anos 80 que o quinteto brasileiro Clenched Fist apresenta o seu segundo registo de longa-duração, sucessor de “Tribute to the Brave Ones”, já de 2008. Proveniente de São Paulo, o colectivo assume influências de bandas como Manilla Road, Brocas Helm e Omen, e tal não poderia ser mais acertado. Ambientes grandiosos, ritmos galopantes e longos solos de guitarra a enfatizar o tecnicismo dos executantes caracterizam a totalidade das composições aqui impressas, sem quaisquer surpresas nem distanciamento dos seus ídolos. O registo vocal de Vagner Fidelis assemelha-se a um híbrido entre Messiah Marcolin e Bobbie Wright, assim como os restantes elementos se encontram imbuídos no espírito do projecto, tal como a própria produção do álbum, datada mas coerente com o demais. Indubi-

tavelmente competente no seu revivalismo, a falácia de “The Gift of Death” reside na sua pertinência, e, no geral, na de propostas semelhantes: sem acrescentar nada a uma miríade de excelentes discos lançados há mais de duas décadas, deveria sentir-se na obrigação de nos oferecer razões para lhe pegarmos em detrimento de, por exemplo, “The Deluge” ou “Into Battle”. Infelizmente, tais razões não se encontram presentes, fazendo com que não passe de um álbum agradável mas facilmente esquecível. Jaime Ferreira


Descendentes directos da cena goth punk inglesa e tomando como fontes de inspiração ícones do género, tais como Bauhaus e Siouxsie and the Banshees, ao segundo trabalho de longa duração, os Cold in Berlin revelam tal força e agressividade que dificilmente envergonhariam os seus ídolos. E é precisamente com um cru piscar de olhos ao início da década de 80 que o quarteto londrino abre “And Yet”, com a vocalista Maya a assemelhar-se inquietantemente a uma Nina Hagen na sua fase mais punk. Como suporte, uma secção rítmica sempre bem marcada, munida de um proeminente baixo, e guitarras que oscilam entre riffs tipicamente rock e ambientes etéreos repletos de delay e de reverb, um eficaz balanço que manterão no decorrer de todo o álbum. Sem desprimor para os restantes, como momentos altos a reter temos o single “...and the Darkness Bangs”, “Brick by Brick”,

o introspectivo “Whisper” e o incontornável e potencial êxito “The Witch”. No entanto, “And Yet” não se deixa cair no óbvio ao traduzir-se numa obra puramente revivalista. Ao invés, as composições demonstram ser tanto originais como perfeitamente actuais e relevantes no cenário musical do século XXI, fazendo do novo disco dos Cold in Berlin uma obra a considerar na revitalização de um estilo que há muito que se encontra algo estagnado e limitado a um nicho deveras específico. Jaime Ferreira

Coven, banda de Detroit. Não confundir com a banda de power/thash de Seattle, nem com os excelentes Coven da Jinx Dawson que praticam rock psicadélico e lançaram álbuns fantásticos como o “Witchcraft Destroys Minds & Reaps Souls”. A própria Jinx Dawson pediu que a banda alterasse o nome para Coven 13. Estes senhores do estado de Michigan lançaram um único longa-duração durante toda a sua carreira, que foi em 2011 reactivada por todos os membros originais. “Worship New Gods” sofre agora uma reedição pela Shadow Kingdom Records, que pretende desvendar uma das maiores preciosidades obscuras do underground norte-americano, um álbum raro, que tinha sido editado pela própria banda em 1987. Uma mistura do heavy metal dos 80s com o som doomy de Black Sabbath/Candlemass, com algumas pitadas evil a Mercyful Fate. Um ál-

bum que merece ser descoberto por todos aqueles que ainda se deixam deliciar com as sonoridades mais old-school do heavy metal. Tiago Moreira

“World of Myths” é um dos lançamentos mais subestimados do Death Metal melódico sueco no início dos anos 1990. Originalmente editado pela francesa Adipocere Records (a mesma do EP “Under the Moonspell”), o único LP da banda surge agora reeditado e remasterizado em digipack e com sete temas extra (que consistem nas demos dos temas gravados originalmente). Neste álbum de culto, torna-se difícil destacar um tema em particular. As canções oscilam entre elementos atmosféricos e explosões Death Metal, num estilo técnico similar a Morbid Angel, na qualidade instrumental demonstrada e construção dos temas. Estes suecos foram dos primeiros a experimentar teclados e vozes melódicas dentro de um estilo extremo, o que confere uma dimensão progressiva - que revela ser adequada à temática mística focada nos temas -, sem nunca deixar de

ser Death Metal. Em boa hora foi reeditado este álbum, numa altura em que o coletivo tem em carteira o EP “Into the Ruins” e, de alma renovada, se prepara para tentar reconquistar o tempo perdido. Na formação encontram-se Peter Bjärgö e Mattias Borgh (conhecidos, sobretudo, pelo seu trabalho nos neoclássicos Arcana). Recorde-se que, antes da sua dissolução, em 1995, o grupo preparava um segundo álbum com Daniel Gildenlöw e Johan Hallgren (atualmente dos progressivos Pain of Salvation). José Branco


Durante os quase 50 minutos de duração de “In Death We Meet”, somos arrastados para um local bem feio, um local onde o death/ doom é o universo proclamado. Somos presenteados com riffs gigantescos, dignos representantes da sonoridade em questão. E aqui o ouvinte tem que ter paciência porque é frequente a repetição quase que infindável do riff, e lembramo-nos do que o outro dizia: “às vezes o riff é tão bom que só dá vontade de o ouvir durante uma hora seguida”. A secção rítmica é traiçoeira. Numa primeira audição damos por nós a pensar que ela só está ali para dar um mero apoio, mas com a atenção devida vemos que ela enfeitiça, que ela é como areia movediça: vai nos engolindo aos poucos acabando por entregar a morte. Em duas palavra: hipnotizante e viciante. Para finalizar temos a parte vocal, que é da autoria da senhora Sharon Bascovsky, que de

maneira brilhante imprime ora um tremendo groove, ora um tremendo sentido de sufocação. A costela de death metal é também bem representada, claro está, mais concretamente em faixas como “Last Rites” e “Witchburned”, mas no final é o DOOM que é mais representativo de todo o trabalho. Isto tudo de uma banda que demorou 23 anos a editar o primeiro disco e que é composta apenas por mulheres. Mas isso no final é irrelevante quando o resultado é tão demolidor e espectacular. Tiago Moreira

Celebrando, este ano, duas décadas de existência e apresentando uma nova formação, com a excepção do seu eterno vocalista Leif Jansen, esta banda germânica aparece agora com “Icarus”, o seu nono longa duração e um álbum que vem na mesma linha de produção do último “Invocation”. A produção continua basicamente a mesma. E em equipa que ganha, não se mexe. A bateria é exemplar, rápida e mortal, acompanhada muito eficientemente pelo baixo. Nas guitarras existem bons solos, cheios de energia, embora, não muito originais. No entanto, os riffs parecem algo copiados de trabalhos anteriores. Os sons são muito repetitivos. Este parece ser o aspecto menos conseguido do álbum. Mas que mesmo assim, conseguem arrancar-nos da cadeira e manter-nos a abanar violentamente a cabeça. Os vocais, simultaneamente, apaixonados e brutais completam muito

bem o forte sentido musical da banda e o seu tipo de música, quase inalterável ao longo destes 20 anos. Terminando os 36 minutos de pura ferocidade e, apesar de muitas vezes, ser passada a fronteira para o death metal, sentimos que acabámos por ouvir um clássico do trash, ombreando com os primórdios de Megadeth ou Testament. A fórmula usada pelos Dew-Scented e por Jansen, em particular, pode ser velha, mas não ultrapassada. É correr à loja comprar este disco. Ivan Santos

Seria interessante apresentar melhor os Dreadlink, mas é escassa a informação disponível sobre estes alemães… Segundo os próprios, a música que fazem pertence ao género Modern Thrash Metal e nasceram no ano de 2009, inspirados pelo ódio, raiva e agressão(!). Bem, mas indo direto ao assunto, tal como os Dreadlink, Zero One é mais um álbum e nada mais que isso… Mais um álbum de conceitos usados, reusados e reciclados. A voz do Raffa (!) varia entre um gutural percetível e uma fachada mais melodiosa, tendo bastante potencial. Instrumentalmente, é uma banda normal, como tantas as outras. Talvez o seu calcanhar de Aquiles se deva à percussão, uma bateria extremamente pobre no género de música. Ou talvez se tenha perdido durante o processo de mistura das faixas. Os riffs das guitarras já se ouviram uma e outra e outra vez, nalgum

sítio, nalgum álbum… Quem for um fã incondicional do género, poderá achar piada ao álbum, mas pouco mais… Mas, não sejamos tão duros com os nossos camaradas germânicos (que têm sido tão duros connosco nos últimos tempos)! Tiveram coragem de sair à rua e mostrar aquilo que gostam de fazer e sendo o primeiro álbum, é a oportunidade de se cometerem alguns erros e pela inexperiência ser perdoado. No entanto, é certo que as grandes bandas começaram sempre com grandes álbuns… Narciso Antunes


Oriundos de Londres, os Eye Of Solitude são uma banda cuja sonoridade assenta no lado mais atmosférico do Doom/Death e que nos presenteiam agora com o seu segundo álbum de originais. Intitulado “Sui Caedere”, este álbum possui na sua génese elementos atmosféricos e sinfónicos, sendo também o elemento “Funeral” extremamente visível ao longo do registo. Apesar dos Eye Of Solitude apresentarem uma grande variedade de influências a nível instrumental, já os vocais acabam por ser demasiado consistentes, no sentido em que dificilmente abandonam o registo inicial, deixando um certo desejo de ouvir alguns vocais clean em “Sui Caedere”. No entanto acabam por ser fiéis ao género musical que escolheram representar, aliando a este factor a boa produção e atmosfera que se faz sentir não só com a sonoridade mas também a nível lírico. “Sui Caedere” é,

portanto, um álbum que se traduz em sentimentos de tristeza e depressão, com a bateria a adoptar um ritmo lento enquanto que Daniel Neagoe (vocalista) dita as ordens de comando. Apresenta também passagens mais melódicas e agressivas com blastbeats, algo que só uma fusão entre o Doom e o Death Metal consegue proporcionar. Ainda que este álbum dos Eye Of Solitude não possa trazer muito de novo ao género musical em questão, é um disco que vale a pena. Joel Costa

Estes noruegueses descrevem o seu som como sendo uma mistura entre o black e doom old-school . A descrição não podia ser mais exacta. Neste terceiro longa-duração os Faustcoven criam uma PURA celebração de black/doom metal. Durante todo o disco somos levados a um mundo de repetições viciantes onde o cérebro parece parar de funcionar para absorver os detalhes que são lançados constantemente... e não se enganem, este disco tem muitos detalhes e eles gritam para serem descobertos e desfrutados. Os riffs vão se alternando durante todo o trabalho, ora são sujos e porcos enaltecendo a poesia decadente de Gunnar, ora são de uma melodia e beleza quase imensurável... ora são os dois simultaneamente (fucking great). A beleza dos solos é mesmo indescritível, veja-se o solo final da “Hellfire and Funeral Bells” ou a decadência final de uma

“When the Wolves Howl for Blood”. Aqui o RIFF é o senhor lorde do universo. Mas como qualquer lorde, ele necessita de grandes súbitos. Ele encontra-os numa secção rítmica que muito se assemelha ao dos mighty Darkthrone, a bateria é, por vezes, rudimentar mas imprime uma alma tão própria que chega a ser assombroso, tal e qual como acontece em Darkthrone. Um dos melhores registos que vão encontrar neste ano de 2012. Não tenham dúvidas disso. Obrigatório! Tiago Moreira

Originalmente formados em 1992 como um projecto paralelo de Koja (baixista e vocalista), os Festering foram ressuscitados 20 anos depois pelo mesmo e por membros que passaram pelos Extreme Unction. O título “From The Grave” não podia fazer melhor sentido e o que temos aqui é uma receita antiga e tradicional de Death Metal servido na típica tape, só que aqui os temperos são Portugueses e não Suecos, fazendo de “From The Grave” algo mais “nosso” e que não perde em nada quando comparado com o que se faz fora deste país pequenino chamado Portugal. Com os primeiros acordes de “Bloodline”, os Festering mostram logo ao que vêem, apresentando um registo sólido que não promete mais do que aquilo que é, alimentando assim qualquer tipo de expectativa que possa ser gerada em torno do mesmo. Com capacidade para se assumirem como

uma das forças do Death Metal nacional, os Festering devem agora superarem-se a si mesmos e não cair na tentação de utilizar a mesma receita, pois apesar de terem provado que sai bem, será agora altura de explorar os cantos menos iluminados de um género musical sem muito mais para dar. Ao ouvir esta demo percebemos que este colectivo trabalha em equipa e não estão cá para serem apenas mais um nome entre tantos outros. O lugar deles não é no anonimato nem o nome Festering jamais deverá ser esquecido. A demonstração foi feita e agora é altura de elevar a fasquia. Joel Costa


De onde poderiam ser os Holy Knights, que não la bella Italia? Regressam dos mortos, depois do seu término enquanto banda em 2002, dez anos após Gate Through The Past, regressam aos escaparates com Between Daylight and Pain. Infelizmente, há que afirmar que Between Daylight and Pain soa a um rip-off dos Rhapsody of Fire – e/ou dos Luca Turilli’s Rhapsody (qual deles é a verdadeira banda original agora?). Aqui e ali, num efeito ou noutro, nalgum pormenor, nota-se descaradamente a presença e a enorme influência do(s) outro(s) grupo(s) italiano(s). Começa a abrir com Mistery, deixando a prever o que vamos poder contar nos quarenta minutes seguintes: guitarras melodiosas, pedal duplo e vozes agudas, que alcançam escalas cada vez mais altas, levando-nos para paisagens medievais, com contornos Tolkianos. O álbum em si, sofre de uma produção mediana

e, pasme-se, na faixa Wasted Time os teclados soam tão sintéticos, que nos transportam para aqueles tempos, quando os samples artificiais começavam a dar os primeiros passos. Houve aqui uma farpa por limar na produção, encarregue à japonesa Rubicon Music. É um álbum preenchido por sonoridades um tanto datadas, familiares e usadas vezes sem conta… Falta-lhes um pouco mais de inovação e de originalidade. Não obstante, sera um album que irá agradar a fãs de Rhapsody, Fairyland, Dragonland ou Dark Moor. Narciso Antunes

Viking Metal é daquelas etiquetas controversas que podem querer dizer muita coisa. Neste caso, com King of Asgard, quer dizer uma mescla de Death e Heavy Metal bem pesada, de barba grossa e riffs serpenteantes. “...To North”, sucessor de “Fi’mbulvintr”, e o segundo álbum desta banda, é uma obra que se estende ao longo de 10 faixas, que, desde os primeiros segundos nos apresentam sem grandes rodeios o que esta banda está aqui para apresentar; um som grave, ‘crunchy’ e com bastante groove, estando largamente dependente de melodias criadas pelas guitarras, e tendo como guarnição umas vocais bem grossas e másculas q.b.. Por vezes encontramos um ou outro elemento diferente, tal como umas vocais femininas ou uns coros dissimulados, assim como uns momentos mais ambientais aonde as vocais se retiram e permitem aos instrumentos ‘respirar’ mais

um bocado, mas de um modo geral, o som mantém-se consistente e coeso. Essa consistência, apesar de ser, indubitavelmente, de qualidade, pode pecar nos olhos daqueles que buscam algo com mais variedade musical dentro de um único álbum, e, apesar da qualidade musical aqui presente, variedade não é algo que propriamente abunde. David Horta

Da fria e distante Islândia, pequeno país ilha, que viu nascer grandes músicos, chegam os Kontinuum, quarteto iniciado em 2001, altura em que lançaram um EP, ficando o projeto em “águas de bacalhau” até 2012, quando nos apresentam Earth Blood Magic, entregue pela Candlelight Records. Este registo de nove faixas é complexo, mas bastante audível logo à primeira, de onde é fácil conseguir escutar pequenas nuances aqui e além. E as pistas por vezes são bastante díspares em sonoridade, por exemplo, a faixa Red, penúltima musica do registo, onde aparecem vozes femininas, quando já não se esperava uma faixa deste género. É um álbum muito bem estruturado, de contornos sóbrios, que não cai no eterno repetir de notas, nem numa monotonia que, noutras bandas, roça o redundante e leva a que a música se torne aborrecida. Letras em islandês conferem

uma conotação diferente e que leva a quem gosta de música, descobrir este Earth Blood Magic. Exemplos de faixas em islandês são Lýs Milda Ljós e a belíssima Í Gljufradal, nona faixa, que encerra este registo com uma apoteose melódica, capaz de derreter o mais setentrional dos glaciares islandeses. Fresco, monótono, longo, bonito. Interessante, de escuta incessante. Notam-se influências de vários estilos neste álbum, que nos vai ficar preso ao ouvido. Uma excelente escolha para as férias de verão. Narciso Antunes


É com o festivo “Kunnia” que abre “Manala”, o oitavo álbum dos finlandeses Korpiklaani. Bem ao seu jeito, o sexteto de Lahti presenteia-nos com doze temas de folk metal nos quais exaltam as raízes musicais da Finlândia - desta feita tomando como base o 16º poema do épico Kalevala, no qual o herói Väinämöinen viaja para Manala - o submundo - em busca de conhecimento acerca dos mortos. Como habitualmente, a utilização de instrumentos tradicionais como o acordeão, a sanfona e o tipicamente finlandês jouhikko marcam o grosso das composições, que se posicionam por completo na linha dos anteriores trabalhos do colectivo. O destaque indiscutível vai para a belíssima “Synkkä” e para a excelente “Sumussa Hämärän Aamun”, que encerra o disco da melhor forma possível. “Manala” marca também a estreia do violinista

Tuomas Rounakari, que substitui o carismático Jaakko Lemmetty. A primeira edição contém um tema extra, uma interpretação de “Ruuminmultaa” em inglês. Para os fãs mais dedicados, estará também disponível uma edição dupla em digipak, na qual no segundo CD poderão encontrar uma versão integral do álbum, cantado na língua de Shakespeare. No geral, o sucessor de “Ukon Wacka” é uma boa continuação da coerente carreira do clã da floresta, sem grandes surpresas mas destinado seguramente a fidelizar a sua já vasta legião de seguidores. Jaime Ferreira

“Libertine” pode evocar aqui e ali a passagem de Liv Kristine pelo Heavy Metal mas na sua essência é um álbum suave. Abre com “Interlude” em que a cadencia da guitarra é um ponto de interesse. É uma canção romântica que que termina com as palavras “Do you want me to hold on to something far beyond my reach, I dream my dreams, I know our love, I know our love will never tear us apart” (Queres que me agarre a algo longe do meu alcance, sonho os meus sonhos, seu que o nosso amor, sei que o nosso amor nunca nos separará) ditas e não cantadas num efeito etéro. Continua com o tema “Solve me” que apresenta um registo muito “Bangles” que se repete noutras canções do álbum. Segue-se “Silence” uma balada suportada por piano, cantada ao estilo metal opera, mas em registo suave. Em “Vanila Skin Delight” surge uma voz masculina em dueto que traz alguma novidade. “Panic” é um tema que começa em “slow temp” com uma sonoridade que contém

algum mistério que se vai perdendo depois um pouco quando a musica evolui. É uma canção que vive também do que é dito, existindo na letra alguns pormenores com interesse. “Paris Paris” tem uma entrada de guitarra muito sugestiva. Aliás as entradas são um ponto forte neste álbum, a música seguinte “wait for rain” segue a mesma linha. “Love Crime” é um bom título trabalhado essencialmente a piano e voz num tom mais de balada onde se antevê a morte do amor. A guitarra volta a soar no tema que dá nome ao álbum e o ritmo acelera. Este dá lugar a “Meet me in the red sky” que abre com piano. O interesse volta a crescer num certo tom minimalista e inquietante. “The man with the child in his eyes” fecha numa sonoridade mais adocicada e menos interessante. É um trabalho com alguns bons pormenores mas dentro de um género muito mais ligeiro daquele que costumamos ver na INFEKTION. Mónia Camacho

Senhores de um death metal fiel aos mais distintos precursores do género, os suecos Morbus Chron regressam em 2012 com o EP “A Saunter Through the Shroud”. Porém, ao contrário dos seus mestres, que suscitavam admiração ou repulsa (ou um misto de ambas) pela criatividade demonstrada, esta jovem banda criada em 2007 tem o condão de, ao fim de uma mão cheia de faixas, lançar-nos na apatia. Fica-se com a dupla sensação de: a)estarmos a consumir um produto já bolorento, de tão fora do prazo, b)a banda ter potencial para muito mais e estar a optar pelo seguro. Ao passo que em “Sleepers in the Rift” podemos apontar Possessed ou Entombed como influências incontornáveis, “A Saunter Through the Shroud” procura trilhar os meandros do metal progressivo, fazendo lembrar frequentemente Death ou Pestilence. Se numa primeira audição, este trabalho

parece insípido, sobretudo quando “vamos com a embalagem” do acelerado álbum de estreia, a insistência acaba por compensar. É um EP bastante curto, limitado a três faixas, num total de cerca de 13 minutos que, apesar de interessantes, evocam excessivamente as bandas já citadas. Estes suecos teriam, talvez, mais a lucrar se dessem um maior intervalo entre lançamentos, de modo a amadurecer as ideias e definir uma personalidade musical própria, incorporando este precioso legado, em vez de apenas o mimetizar. Ana Miranda


Originalmente lançado em 2006, “Epoch Of Aquarius” é já um clássico do Folk Pagão da Ucrânia. Concebido pela lenda do mesmo país Vladislav “Munruthel” Redkin, e depois do lançamento ter sido completamente esgotado, a editora Svarga Music – também ela ucraniana – chega-se à frente com a re-edição desta obra-prima. Para além da já conhecida grande atmosfera folclórica e do toque especial dado por instrumentos folk reais, esta re-edição conta ainda com uma música bónus, sendo ela nada mais nada menos do que “Tomhet”, um original de Burzum. Depois de um prólogo bélico, “The Raven Croak” abre as hostilidades, abrindo assim caminho para um álbum repleto de momentos técnicos, de orgulho e glória. “Epoch Of Aquarius” serve para apimentar “VEROlomstvo”, aquele que será o quinto álbum de originais de Munruthel, álbum esse já aguardado pelos fãs do

projecto há mais de sete anos. Tendo participado em mais de 30 álbuns de bandas de países da antiga União Soviética, “Epoch Of Aquarius” não é apenas mais um, mas sim O álbum. Joel Costa

“O rio nunca pára. É um portador contínuo de tudo o que toca, e de quem está disposto a entrar nas suas águas. A primeira vez que ouvi a voz do Nate Hall eu sabia que estava a ouvir algo que me iria assombrar para todo o sempre. O som inconfundível do vento das montanhas e o desespero e angústia da verdade e experiência. A autenticidade não é algo que se pode adquirir. Ou tu o és, ou tu não o és. O trabalho do Nate mostra uma profundidade de coração e uma canalização pura, que é algo que não vais conseguir encontrar nem 10 vezes em toda a tua vida. Este é o trabalho da alma que todos nós conhecemos. E a alma que nos conhecia primeiro. Não nasceste disto e não morreras disto. Esta é a eternidade, e traz-nos a todos para o centro do rio que quer que nós estejamos aqui neste momento.” Scott Kelly. As palavras de Scott Kelly (Neurosis), por melhores e mais

profundas que sejam, falham em descrever a amplitude e beleza que é o disco de estreia do, também, vocalista e guitarrista dos U.S. Christmas. Isto tudo por é uma questão de impossibilidade. A qualidade deste álbum é imensurável. “A Great River” é um disco realmente diferente, ele transporta os seus ouvintes para um universo paralelo, onde o folk é apenas uma palavra, incapaz de descrever tudo o que acontece durante 36 minutos. A viagem é curta, mas felizmente inventaram o botão repeat. Tiago Moreira

Oto, palavra álgica que simboliza o conceito de ancestralidade, constitui mais um capítulo na jornada a que Aaron Carey se comprometeu com a criação de Nechochwen, pela compreensão e assimilação da sua origem nativo-americana. Conceptualmente, Oto é o grito Shawnee anunciador da cultura e sageza dessas gentes que em tempos comunharam com as terras virgens da América do Norte como sendo, na letra da canção Otomen’pe, “eternal knowlegde from ancient source” para os nossos furiosos dias modernos, tecnologicamente ostracizados da inspiração com que o mundo infinitamente nos rodeia. O lado A deste vinil de 12 polegadas é composto por uma toada protagonizada pelo timbre das guitarras acústicas que se faz ouvir em composições bem trabalhadas, de arranjos mais clássicos e teatrais que se mesclam com reminiscências atávicas materializadas por vocalizações tribais, o lamento da flauta e a percussão ritualista. A melodia é um elemento riquíssimo nestas músicas, tanto em expressões vocais - faixa On the Wind - como instrumentais, onde uma guitarra ecoa ao estilo de Agalloch, arrastando-se sobre o horizonte sono-

ro da maravilhosa Haniipi-miisi. No lado B a distorção das guitarras e a passada precipitada da bateria de Pohonasin anunciam as composições metal de tom levemente semelhante a October Falls. A melodia enriquece os riffs comandados pelos guturais rasgados de Aaron. Destaque para a bem conseguida e longa Pekikalooletiiwe, um assalto mais trash que acelera freneticamente e termina Oto em tom reflexivo com o ressuscitar do timbre acústico e a gravidade convalescente do baixo. Do místico rasto sonoro deixado pelo Kveldssanger dos Ulver, nasceram muitos outros álbuns e bandas que procuraram exaltar espiritualidades e culturas através dessa mesma encarnação acústica. Para quem procura algo inovador, este lançamento da Bindrune Recordings não arrisca o suficiente. No entanto, Oto não é um mero clone, apresentando-se como uma obra sólida para os fãs do género e, pela sua excelente produção musical e técnica de execução, constitui o melhor pretexto na carreira de Aaron Carey para se explorar a sua restante arte composta de nomes como Angelrust, Forest of the Soul e Harvist.

André Balças


A banda italiana de black metal ambiental lançou este verão o seu segundo registo de longa duração. Apesar de serem uma banda relativamente recente, já se afirmam como um nome forte na cena do black metal italiano. Com um ambiente obscuro e dissonante, este novo lançamento gira a volta dum conceito metafisico relacionado com os sonhos e a decadência humana, estando dividido em seta cápitulos distintos, ao qual corresponde uma musica a cada um. Aquilo que inicialmente poderia ter sido potencialmente arriscado para a banda, lançara todo o registo em italiano, acabou por funcionar muito bem, dando um toque mais original ao mesmo. Num todo, é uma sonoridade homogénea que se completa, no entanto há musicas que se destacam, nomeadamente a ”Sfera Seconda: Del Distrutore” e a “Sfera Quinta: Della Rinascita”. A primeira gira à

volta do conceito de destruição, sendo a musica mais potente do registo, enquanto que a outra nos deixa com uma sensação de calma perturbada, tal é a intensidade do seu ambiente. Recomenda-se a audição deste novo álbum a todos os que procurem algo de diferente no meio do black metal ambiental. Rita Limede

Este coletivo funchalense estreia-se em lançamentos de longa duração após 13 anos de carreira. E, efetivamente, “Thunder Maker” é uma boa adição ao panorama hard’n’heavy nacional. Com dez temas que têm um pé no Heavy Metal mais clássico, na onda Helloween, Judas Priest e mesmo Edguy, mas também no Hard Rock, e aí não é difícil lembrarmo-nos de Scorpions, os Outer Skin provam que a perseverança compensa. Após terem tido uma primeira encarnação, que acabou por nunca ter gravado nenhum álbum, neste segundo fôlego, desde 2008, a banda foi desenvolvendo a maioria dos temas deste disco que culminaram com a gravação produzida e misturada por Daniel Cardoso. Apesar das dificuldades que os madeirenses sentiram durante a gravação, principalmente devido ao facto do guitarrista Dário ter saído a meio do processo, o que obrigou o outro guitarris-

ta Nuno Alves a acabar por gravar todas as guitarras, o resultado final é uma imaculada incursão pelo heavy melódico, com composições diretas e orelhudas, com linhas vocais emotivas e difíceis de esquecer. Basta ouvir com atenção temas como “Song for the tragic” e “Lowdown” para perceber a dimensão épica das composições dos Outer Skin, que, com este cartão-de-visita, podem bem almejar a outros voos. Nota ainda para a balada hard rock “Take Me Far”, que conta com a participação de Sandra Branco. José Branco

Os americanos Periphery brindam-nos com o seu segundo álbum, “Periphery II”. Antes de mais, este é um grande álbum. Seja qual for o género de metal que se prefere, há que admitir que este é um álbum bastante bom em qualquer parte do mundo, de qualidade indubitável. É mais de uma hora de puro entretenimento, em que os músicos proporcionam momentos instrumentais soberbos. O trabalho de grupo e a união são palpáveis. A produção e execução deste álbum estão num patamar tão alto que ouvi-lo é desejar e ansiar pelo próximo… Quanto às letras e vocais, o resultado final ultrapassou em muito o álbum anterior. O vocalista Spencer Sotelo amadureceu e apresenta agora uma voz mais profunda e gutural, com mais controlo das melodias e melhor enquadrada com a sonoridade dos outros músicos. Spencer não sabe cantar mal e não o fez no álbum

anterior, mas nota-se uma evolução positiva e quem já o conhecia vai ficar agradavelmente surpreendido. Spencer havia sido criticado por ter uma voz demasiado doce para o metal progressivo da banda, mas parece que resolveu mostrar o que as cordas vocais são capazes de produzir. De destacar os temas “Luck As a Constant”, “Ragnarok” e “Erised”, sendo que esta última conta com a participação de John Petrucci dos Dream Theater. A parte menos conseguida deste álbum é a mesma do que o primeiro – as passagens electrónicas demasiado longas e por vezes desnecessárias. Íris Jordão


Três anos depois do lançamento de “Religion Blindness”, os nacionais Prayers Of Sanity estão agora de volta com uma explosão musical compactada num registo intitulado “Confrontations”. Nos últimos tempos tem-se falado muito no revivalismo Thrash, no entanto quer-me parecer que os principais meios de comunicação ainda não exploraram bem os caminhos do nosso Portugal, caso contrário os Prayers Of Sanity já andariam na boca do Mundo. “Confrontations” oferece-nos riffs bem temperados com solos intemporais, tudo isto num ambiente bem familiar (para quem viveu o Thrash Metal dos anos 80. Desde a “intro” até ao tema “Dehumanizer”, este disco é um verdadeiro “confronto”, suavizando apenas com “Inside 4 Walls”, continuando depois num registo verdadeiramente pesado e a rasgar. Tendo em conta que o Thrash é um genero musical

que já foi usado e abusado por actos grandiosos e outros que nem vale a pena lembrar, foi positivo verificar que os Prayers Of Sanity não necessitaram de reciclar riffs e ideias do passado, conseguindo criar algo de novo tendo como base algo tão gasto! Altamente recomendado! Joel Costa

Podia chamar este projecto de supergrupo. É composto por elementos de Mastodon, Brutal Truth, The Despised, Otophobia e Javelina. E este Draw Back A Stump não é mais que uma versão mais completa de um EP que saiu o ano passado. Com uma sonoridade hard e grindcore, tem uma boa produção e execuções profissionais, mas não deixa de soar a um b-side da carreira musical de cada um dos membros. Sharp, por exemplo, parece não dar tanto sentimento aos seus vocais, como acontece em Brutal Truth. Kelliher também não demonstra o seu riff progressista e sulista, característico em Mastodon. No entanto, o som é bom, com bons momentos grind, mas tudo não deixa de ser apenas puro e franco punk hardcore tocado por metaleiros. O que não quer dizer que seja mau. São canções simples, cruas e rápidas, energéticas, com execuções de qualidade e cujo

único objectivo é fazer abanar a cabeça até partir o pescoço. É o puro prazer e satisfação de ouvir música, sem ter de pensar muito. E com nenhuma das canções a chegar aos 3 minutos, este álbum de 10 faixas, passa a voar. Podia chamar este projecto de supergrupo, mas não o são. Trata-se de um projecto paralelo e um claro exemplo onde as partes valem mais do que o todo, num trabalho que apenas arranha, superficialmente, o potencial do grupo. Claramente, apenas para fãs do género. Ivan Santos

Os Prime Evil fizeram-se ouvir pela primeira vez em 1987, altura em que editavam a sua primeira demo homónima. Depois disso seguiram-se mais duas demos e um EP foi lançado no ano de 1992. O primeiro longa duração só viria a ser lançado 10 anos depois da edição do EP “Terminal Dementia” e foram necessários outros 10 anos até que este colectivo da cidade de Nova Iorque regressasse com o EP “Evilution”. Esta nova proposta surge com uma nova atitude, sendo um registo mais poderoso, rápido e doentio, não fosse este o resultado esperado de uma banda que combina o melhor do Thrash e do Death Metal num só. Apesar de terem conquistado um lugar à sombra no underground, devido à instabilidade dos line-ups e dos longos hiatus, os Prime Evil têm agora que provar o seu valor e alimentar esta onda de terror sonoro até que recuperem aquilo que lhes foi tirado

e assumam-se como um projecto estável e capaz de marcar pela diferença. Eles dizem-se preparados para conquistar o planeta... veremos o que o futuro dirá! Joel Costa


Depois do excelente “Erosion”, os homens de Évora voltam para o terceiro longa-duraração, de uma carreira que já leva uma década. «No FÆMIN não abordamos uma temática específica além de todo o conceito de escassez, falta ou fome, e na forma de como este se pode manifestar no imaginário do nosso dia-a-dia.», foram estas as palavras utilizadas por Hugo Santos na entrevista que deu à Infektion (#14), ajudando assim a perceber tudo o que se vai passando no disco. A abertura do álbum, em “Empire” é um crescente avassalador que atinge o zénite na voz de Hugo Santos, que desesperadamente grita: “I OWN NOTHING!”. Chega a ser assombroso! Este senhor transpira genuinidade, e isso é uma constante num disco que é de uma coesão rara, e de um sentimento orgânico anormal. Com claras influências de Neurosis, os eborenses não se limitam a

copiar os norte-americanos, mas sim a criar um mundo seu, sem tentarem esconder a influência dos seus mestres e ídolos. “FÆMIN” é claramente o disco mais maduro da pequena discografia da banda. A razão será o factor experiência, como tantas vezes foi referenciado pela banda. Toda a banda soa inspirada, mas há que enaltecer o trabalho desenvolvido por Gonçalo Correia que revela-se como sendo o coração de todo o trabalho. No final “FÆMIN” é mais uma pérola do underground nacional, que merece ser ouvida e reverenciada. Já agora, se tiverem oportunidade, vão ver os fabulosos concertos que estes senhores dão. Tiago Moreira

Quinteto neozelandês anteriormente conhecido como Gaywyre, “Another Dimension” é o segundo trabalho do colectivo, primeiro sob a designação Razörwyre. A sonoridade por eles praticada apresenta crassas semelhanças com a primeira fase dos Battlezone, podendo inclusivamente induzir os mais incautos a pensar que Di’ Anno está de volta com a sua primeira formação pós Iron Maiden. Um trabalho bem mais maduro que o EP de estreia, o grupo de Wellington demonstra franca evolução tanto em termos técnicos como de composição, reunindo excelentes elementos que permitem aos 11 temas aqui apresentados soar frescos e originais, não obstante a toada anos 80 a eles inerente. De realçar, o exímio trabalho da dupla de guitarristas Chris Calavrias e James Murray, que em nada fica a dever às suas notórias fontes de inspiração. Desde a frenética

abertura “Conjuror”, passando pelos maidenismos do instrumental “The Infinite” e pelo fantástico “Speedwarrior”, até finalizar com “Hangman’s Noose”, “Another Dimension” revela-se uma aprazível surpresa de heavy / speed metal repleto de maneirismos “à antiga”, transpostos e adaptados inteligentemente aos dias de hoje. Oriundos de um país praticamente desconhecido musicalmente, os Razörwyre demonstram potencial para se afirmarem como bons candidatos a embaixadores da Nova Zelândia no universo do metal. Jaime Ferreira

44 anos de existência! Ao 19º longa-duração os Rush criam um álbum que descreve uma viagem de um jovem em busca dos seus sonhos que é apanhado no meio de forças grandiosas de ordem e caos, com mundos exuberantes e coloridos, que elementos de alquimia, steampunk, piratas, anarquistas e um Watchmaker que impõe precisão sobre cada aspecto da vida diária. Uma verdadeira jornada épica, onde somos presenteados com uma dúzia de músicas que apresentam um impressionante elevado nível de diversidade (temos funk, temos post-metal, temos stoner rock, temos heavy metal, temos muitas outras coisas) fruto de uma banda que soube absorver o melhor dos inúmeros géneros musicais. Alex Lifeson continua a criar riffs brutais que vão desde o peso brutal da “BUB2” até aos solos super-melódicos distribuídos por todo este disco. O grande Geddy

Lee apresenta aqui uma das melhores performances vocais de que há memória. A secção rítmica é assombrosa. Um som sempre espectacular de baixo, e mais uma grande performance do grande percussionista que é Neil Peart. Isto tudo para servir sempre a canção e o conceito do disco. Aqui não há espaço para demonstrações técnicas só porque sim, aqui não há espaço para fillers. Isto tudo de uma banda que aprendeu a ser directa e a produzir o essencial. Tão essencial como qualquer outro registo da discografia dos Rush. Perfeito! Tiago Moreira


Os Sabbath Assembly estão de volta com o seu segundo álbum. Com edição a cargo da Svart Records, “Ye Are Gods” é quase que uma espécie de colectânea que reúne alguns dos cânticos de um movimento religioso que emergiu no final dos anos 60, que se dava pelo nome de “Process Church of the Final Judgment”. Aqui a banda reencarna os rituais mais sagrados da referida igreja, nomeadamente a “Sabbath Assembly”, liturgia a partir da qual a banda é nomeada. Os cânticos recebem vida através da fantástica voz da veterana Jamie Myers (Hammers Of Misfortune / Wolves In The Throne Room), que juntamente com Dave “Christian” Nuss e uma mão cheia de convidados especiais, levam os ouvintes de “Ye Are Gods” para uma viagem enigmática onde Jesus Cristo e Satanás caminham lado a lado. A primeira metade do disco é definitivamente a mais

interessante, perdendo depois o brilho nos momentos seguintes, até à altura em que voltam a readquirir a magia perdida com “The Love Of The Gods”, o último tema desta aliciante proposta. Decididamente um disco a não perder quer para fãs do género, quer para aqueles que não apreciam sair da sua zona de conforto. Ainda que não seja um disco perfeito no mais verdadeiro sentido da palavra, é com certeza surpreendente! Joel Costa

Nos últimos tempos têm surgido na Finlândia algumas bandas do chamado Rock Oculto ou de Hard Rock psicadélico, no entanto nenhuma delas utiliza a sua língua-mãe para se manifestar e é aqui que os Seremonia (cerimónia em Finlandês) marcam pela diferença. Depois de uma introdução que dá seguimento ao tema “Uhrijuhla”, as referências do Proto Metal americano são claramente visíveis, com riffs característicos do Doom Metal a trazer à memória passagens célebres dos Black Sabbath. As letras, personificadas pela vocalista Noora Federley, possuem um tema apocalíptico dos tempos modernos, com referências a catástrofes ambientais e aos males naturais e sobrenaturais que influenciam (ou não) a ocorrência dos infortúnios que povoam o nosso planeta. Após ouvir o álbum de estreia homónimo dos Seremonia algumas perguntas ficam por responder: Irá

a banda continuar a disseminar esta sonoridade? Vamos ter a possibilidade de vê-los em palco e testemunhar ao vivo a voz hipnotizante e os riffs saídos de há 30 anos atrás? Só podemos esperar que sim! Ainda que as influências sejam exageradamente notáveis em algumas músicas, é isto que o Rock deve ser: genuíno. Veremos o que o futuro reserva para os Seremonia e para todas as bandas que têm acolhido a autenticidade do Rock. Joel Costa

Os Svyatogor são uma banda que combinam dois velhos rivais, sendo eles o Black e o Death Metal, e com uns pequenos ajustes aqui e ali têm aquilo a que podem chamar de Death Black Metal Experimental. Aquele que à partida poderá ser um rótulo confuso, é na realidade uma amálgama de intensas emoções, que me faz acreditar que há vida fora do nosso planeta, no sentido em que a sua conveniência parece ter sido fomentada noutro mundo. A atmosfera deste disco foi bem conseguida e muito graças à inclusão de violinos e saxofones, que combinado com os elementos distintivos do Black e do Death Metal fazem de “Doctor Veritas” um disco distinto, que sabe mexer com as emoções humanas e que é também merecedor do nosso cada vez mais efémero tempo. Em “Doctor Veritas”, o terceiro álbum de originais deste colectivo Ucraniano liderado por

Arius (voz, guitarra), podemos encontrar passagens em Russo, Ucraniano, Inglês e Francês, onde estes temas têm como representação lírica os problemas da sociedade, da estrutura do universo e ainda um pouco da reflexão da banda no que respeita à história contemporânea. O que mais há a dizer sobre este álbum dos Svyatogor? Que é magistral? Primoroso? Sim, é tudo isso e muito mais. Que venha o próximo! Joel Costa


Há coisas que me despertam interesse e simpatia nas bandas logo desde o início: a maneira como se definem! Uns demoram a dizer ao que vêm, o que fazem e o que querem, alongando-se em títulos, subtítulos, adjetivos infinitesimais, incrementando sub estilos que nunca ninguém ouviu falar. Outros vão logo ao cerne da questão, dizem o que fazem e, quando os escutamos, sabemos o que estamos a ouvir. Os suecos The Gravitators enquadram-se no segundo grupo! Com contrato assinado com a Napalm Records, este quarteto da área de Gotemburgo, mais propriamente “no meio da mata, no sul da Suécia”, nasceu apenas em 2009, e em três anos já nos ofereceram dois álbuns e um EP! Sem dúvida, produto da eficiência da terra do IKEA e muita dedicação e talento. Ao ouvir as primeiras faixas deste Evil Deeds, sabemos que estamos perante uma excelente

banda de revivalismo de hard rock dos 70. Riffs simples, uma bateria bem cadenciada e uma voz melodiosa q.b., somados a uns arranjos muito simples de órgão é o que vamos encontrando ao longo da quase uma hora deste rock simples e direto. Tal como uma nova dinastia que se tenta fazer ouvir pelos seus subtidos e conseguir credibilidade perante a nobreza, os The Graviators estão a cravar o seu nome na rocha, para se fazerem ouvir durante muito, muito tempo! Narciso Antunes

Com um tempo de espera de aproximadamente dois anos entre um lançamento e outro, os norte-americanos This Or The Apocalypse estão de volta qual relógio suíço com “Dead Years”, o quarto álbum de originais que apresenta dez músicas que exploram o metal, o hardcore e o rock. Sem pensar muito e com uma abordagem muito directa, limitam-se a tocar aquilo que lhes parece ser certo e quer se goste quer não, o facto é que conseguem fugir à regra e fazer do Metalcore algo – ainda que por instantes – apetecível. Os This Or The Apocalypse dão-nos então aquilo que sempre deram até à data: peso à Homem e hardcore melódico. O quinteto de Lancaster, uma localidade da Pensilvânia conhecida pela presença das comunidades Amish e pelo modo de vida rural, aposta assim no maior número possível de ingredientes de Metalcore, não se esquecen-

do no entanto de inovar um pouco a receita e juntar também alguns elementos de rock. Tudo isto resulta num disco intenso, onde as emoções estão bem espelhadas, um tanto graças ao trabalho desenvolvido pelo produtor Andreas Magnusson, que também trabalhou com os Black Dahlia Murder. “Dead Years” pode ser mais um álbum de um género musical não muito bem aceite pelos velhos do restelo, mas é sem dúvida a prova de que os This Or The Apocalypse são uma banda dedicada que não tem problemas em arriscar para criar algo único e não-forçado. Joel Costa

Os Triunity são compostos por três bandas eslavas que decidiram unir-se para criar um álbum conceptual cujo objectivo fosse o de expressar solidariedade histórica de ambas as nações eslavas aqui representadas, assinalando também o parentesco existente entre as suas raízes culturais. Em Triunity temos então os russos Oprich, os bielorrusos Piarevaracien e os ucranianos Chur, onde cada uma das bandas de Pagan/Folk assina três músicas onde mostram as características únicas da sua herança cultural. A melhor prestação vai mesmo para os primeiros a ser mencionados, os Oprich, por produzirem as músicas com mais balanço de todo este registo e por mostrarem que são capazes de misturar na perfeição o folk com elementos mais heavy, sem que tenham que insistir demasiado. Já os Piarevaracien e os Chur dão mais destaque aos instrumentos folk (ou

pelo menos são mais audíveis devido ao uso diminuto de guitarras eléctricas), apostando também em vocais e coros característicos do folk das nações que representam. O nome Triunity não engana ninguém e o que podemos aqui ouvir é mesmo isso: três bandas, três músicas cada, três identidades. Perfeito para quem quer dar mais atenção ao que se faz por terras eslavas! Joel Costa


Oriundos de Lisboa, os Undersave fazem parte da mais recente colheita de Death Metal nacional. Não porque sejam um projecto tão recente quanto isso – uma vez que a banda foi formada há 10 anos atrás – mas porque 2012 foi o ano escolhido para a edição do primeiro longa duração da banda, intitulado “Now... Submit Your Flesh To The Master’s Imagination”. Gravado com Paulo Vieira nos Brugo Sound Studios e nos Moshpit Studios, o resultado de um ano de composição pode agora ser adquirido no Bandcamp oficial da banda, pela modesta quantia de 4 euros. A minuciosidade das composições é mais notável, se for feita a comparação com o primeiro EP da banda. “Now... Submit Your Flesh To The Master’s Imagination” é a continuação lógica do EP “After The Domestication Comes The Manipulation”, onde o comportamento humano é o tema principal das letras vocife-

radas por Nuno Braz, que impiedosamente chefia o célere e fulminante instrumental. E porque uma imagem vale mais que mil palavras, os Undersave passaram também neste desafio com distinção, ao apresentarem um artwork digno de ser exposto (ou não fosse ele saído das mãos do ilustrador André Coelho). Um disco sólido e cheio de violência que não vão querer perder! Joel Costa

Bebendo inspiração a gigantes do rock germânico como Die Toten Hosen ou Böhse Onkelz e a funcionar a um impressionante ritmo de um álbum por ano, eis que nos chega às mãos o terceiro trabalho da banda oriunda de Kaiserslautern. Com a consciência de que a conjugação do título com a capa roça os limites do mau gosto, não é sem as devidas reticências que inicio o contacto com “Die Wahrheit liegt dazwischen”. No entanto, bastam os três primeiros temas para verificar que as referidas reticências se revelam totalmente infundadas. A proposta do quarteto é um hard rock directo e musculado, sem floreados desnecessários e onde a grande maioria das composições contém refrões de memorização imediata. Competentes na execução e com uma produção mainstream completamente adequada ao registo, os Unherz permitem que

nestes 45 minutos os temas fortes se sucedam uns aos outros, com especial destaque para “Seite an Seite”, “Dieser Traum” e para a balada “Nur wenn du Traeume hast”, a evidenciar um lado mais leve da banda, também presente no terminal “Alles was ich will”. Em suma, estamos na presença de um álbum maduro, onde a possibilidade de consagração dos Unherz como uma das bandas de referência nas novas tendências do rock alemão com expressão além-fronteiras se encontra bem presente. Indubitavelmente, uma excelente companhia para este Verão. Jaime Ferreira

Dois anos após o lançamento do seu último registo de lona-duração, os britânicos Winterfylleth, trazem-nos agora “The Threnody of Triumph”, o seu terceiro LP.É um álbum fortemente influenciado pela tradição pagã inglesa, sendo que a maioria das suas letras se centram a volta deste tema. A nivel instrumental podemos dizer que não há assim grande destaque, a primeira audição parece-se com a grande maioria de bandas de black metal pagão que por aí andam. No entanto, este registo tem um ambiente único, que nos trasnporta de certo modo para um ambiente escuro e outonal (tanto não fosse o nome da banda ser uma palvra de inglês arcaico que era usada para designar o mês de Outubro) que rodeia a sua sonoridade. A música que melhor carcateriza e resume todo o conceito deste novo lançamento, é a “A Soul Unbound”, que tem presente todos os

elementos marcantes que compõem o registo. Destaque ainda para a primeira faixa “A Thousand Winters”, para o interludio instrumental que antecipa o a última faixa “Home is Behind” e também para “The Threnody of Triumph”, a musica final. No geral é um registo com qualidade e que certamente irá agradar aos entusiastas deste estilo, apesar de no entanto, estar um pouco aquém das expectativas esperadas, tendo em conta os trabalhos anteriores da banda. Rita Limede


Os helvéticos Zatokrev apresentam-nos o seu quarto álbum The Bat, the wheel, and A Long Road to Nowhere, um registo que vagueia entre o doom-death e um sludge de contornos mais negros. Após seis longos anos de silêncio, excluindo um split em 2007 com os seus compatriotas Vancouver, e quando muitos acreditavam que os Zatokrev já faziam parte das estantes de bandas desaparecidas, surge-nos este trabalho, entregue pela Candlelight, que conseguiu, uma vez, entregar-nos um excelente trabalho. A voz do Frederyk Rotter está incrivelmente bem inserida num estilo que normalmente não conhece este tipo de afinação vocal. Tem uns contornos que roçam estilos mais negros e misantrópicos, mas, ainda assim, cabe que nem uma luva, num estilo que corre o risco de rapidamente se vir a esgotar. De parabéns está o resto da banda, ao conseguir fundir

vários estilos num só: no estilo dos Zatokrev! De especial interesse são as faixas Feel the Fire pt. I e pt. II, que no conjunto trazem uma enorme riqueza ao registo: longas, arrastadas, deixando nos ouvidos uma identidade épica. Facto curioso dos Zatokrev é algumas das suas letras aparecerem-nos em eslovaco ou checo, visto que o vocalist, Frederyk Rotter é de descendência checa. Para aqueles que já exasperavam por um novo trabalho da banda suiça e para aqueles que nunca os ouviram: The Bat, the Wheel, and A Long Road to Nowhere é digno de escuta, vai surpreender e agradar. Narciso Antunes


O maior festival de metal em Portugal começou uma vez mais com uma receção ao campista, que de ano para ano conta com cada vez mais gente. Esta noite contou com a presença do DJ MrKool, o DJ oficial do festival. Ao contrário do que houve o ano passado, este ano não se verificaram falhas técnicas que pudessem pôr em causa a festa de receção ao campista. Esta primeira noite foi também uma noite de reencontros e de partilha de copos e de conversas com velhos amigos e conhecidos. Todo este espírito festivaleiro e de amizade manteve-se durante os dias todos do festival, fazendo com que este seja dos festivais com melhor ambiente em Portugal. Dia 1 (3 de agosto) A abertura do festival este ano ficou a cargo dos portugueses Disaffected. Foi um concerto um quanto desligado e com pouca reação por parte do pouco público presente. No entanto a banda fez uma apresentação a um bom nivel que se manteve constante do início ao fim. O concerto de Northland não começou da melhor forma. Alguns problemas técnicos fizeram com que não se ouvisse a voz nos primeiros temas, mas assim que o problema ficou resolvido, os espanhóis conquistaram o público em tempo recorde. Com a sua sonoridade folk e com umas misturas de melodic death pelo meio, fizeram o público dançar no meio do circle pit. Puseram também o público a cantar o refrão de uma das suas músicas, a “The Old Town’s Inn” e dedicaram a última música, “Revenge”, à classe política. Com apenas um LP na bagagem (“Northland”) e sendo ainda relativamente inexperientes, mostraram a sua garra e qualidade em palco, tendo saído de lá certamente com novos fãs em Portugal. O regresso da banda de folk suíça Eluveitie a Portugal era um dos momentos mais esperados do dia. Consigo trouxeram o seu mais recente álbum de originais, “Helvetios”, que tocaram quase na íntegra. O público respondeu bem e apesar de a nível técnico a banda ter estado longe do que faz melhor, ficando a dúvida no ar se de facto houve ou não playback da vocalista Anna Murphy, a presença em palco da banda foi grande, tendo o vocalista mencionado conhecimento acerca das raízes célticas em Portugal. Destaque para a festa feita pelo público naquela que é a musica mais conhecida da banda,”Inis Mona”, e para o wall of death formado no início da musica “Kingdom Come Undone”. Depois de dois concertos bastante animados, chegou a hora dos Enslaved entrarem em palco. A banda regressou a Por-

tugal menos de um ano depois do seu concerto no festival Bracara Extreme Fest, em Dezembro. A banda deu um concerto exemplar, encantando o público do início ao fim, acalmando ao mesmo tempo os ânimos. Abriram com “Ethica Odini”, a primeira música do seu mais recente registo. A resposta do público não foi tão quente como nos concertos anteriores, mas o ambiente não deixou de ser excelente, tendo sido acompanhado pelo gradual anoitecer que se fazia sentir às horas do concerto. Tendo a banda cerca de 20 anos de carreira e uma extensa discografia, notou-se a falta de algumas músicas emblemáticas, no entanto a escolha da setlist só pecou por ter sido demasiado semelhante com a que foi apresentada pela banda na sua última visita a Portugal. Destaque para a magnífica cover da “Immigrant Song” dos Led Zeppelin e para a última musica do concerto, “Isa”, uma das melhores da banda e que deixou uma sensação de encanto nostálgico na plateia. A estreia de Arcturus, um super-grupo norueguês, em Porugal, ficou um pouco aquém das expectativas. Houve um atraso significativo na entrada em palco da banda, o que fez com que tivessem que reduzir a sua set-list. A banda anda em tour de reunião desde 2011, não tendo lançado nada de novo desde a sua separação. A melhor parte do concerto foi o ambiente criado em palco tendo sido fiéis do início ao fim à sua fantasia de piratas do espaço. No entanto, a voz de Vortex já teve melhores dias, assim como a sua sobriedade e a dos outros elementos da banda. No geral a banda deu uma preformance a roçar o medíocre, ficando a ideia que podiam ter feito muito mais e muito melhor. Em seguida chegou aquele que era para muitos o momento mais aguardado do festival, o concerto de At The Gates, algo que ficou claro com a grande enchente de público registada nos momentos antes do início da actuação. Aquela que para muitos é a melhor banda de melodic death metal, anda em reunião desde 2008, tendo sido este concerto o primeiro (e provavelmente será o último) no nosso país. A banda abriu as hostilidades com o tema “Slaughter of the Soul”, e o “GO!” que se ouve logo nos primeiros instantes da música foi a palvra de ordem para se abrirem moshpits em toda a plateia. A banda manteve a energia do início ao fim, em que percorreram os temas mais emblemáticos da sua discografia, tendo tocado o mítico álbum “Slaughter of the Soul” praticamente na íntegra (apenas ficou a faltar um tema). Foram comunicativos com o público português, dando a entender que estariam de certa forma arrependidos por não terem tocado antes em território nacional. Foi o


AT THE GATES


DISAFFECTED

MINDLOCK


AT THE GATES


momento mais alto do primeiro dia e um dos melhores de todo o festival. O encerramento da noite ficou nas mãos de Nasum, uma das mais marcantes bandas de grindcore vinda da Suécia, também em tour de reunião após a sua separação em 2005, para comemorarem 20 anos de carreira, e também em forma de homenagem ao seu antigo vocalista Mieszko Talarczyk, falecido em 2004 . Estes foram uma adição especial de última hora ao cartaz. O concerto foi marcado pela brutalidade típica do grindcore, no entanto, teve uma fraca presença do público, visto que muito deste estava completamente esgotado pelo concerto anterior. Apesar de alguma desilusão por parte dos elementos da banda por estarem perante uma plateia relativamente reduzida, deram um concerto cumpridor, que fez as delícias da plateia e em que a brutalidade foi a palavra de ordem. Dia 2 (4 de Agosto) O segundo dia iniciou-se com a actuação dos portugueses Mindlock. Foi um concerto que deu para aquecer o pouco público ainda presente. A banda aproveitou o pouco tempo que teve disponível para apresentar o seu último LP, “ Enemy of Silence”. Apesar da plateia quase despida a banda não desanimou e manteve uma boa atitude do início ao fim da actuação, apesar de o seu som não ser dos mais apelativos para muitos dos presentes. Chthonic foi das bandas que mais curiosidade despertou. Não são muitas as bandas asiáticas conhecidas e a presença da banda de Taiwan causou algum espanto. Aquilo que poderia até aparecer uma aposta arriscada da organização revelou-se num sucesso. A banda encantou tanto a nível sonoro como visual. Com uma setlist muito virada para o seu último registo de originais, despertaram o interesse do público e saíram de lá com novos fãs. Os que não se deixaram interessar pelo som da banda, interessaram-se pela baixista da mesma, que foi o objecto de inúmeras fotografias da grande parte dos fotógrafos (e não só) que andavam por lá. Seguiu-se a actuação dos holandeses Textures. A banda de metal progressivo veio a Portugal apresentar o seu último registo, lançado em 2011, Dualism. Embora à partida possa ter parecido estar um pouco desenquadrada, cedo se dissipou essa visão. Com uma sonoridade fortemente técnica e agressiva, deram um concerto bastante cumpridor e consistente. Conseguiram ter uma interação positiva com o público, mas não deixaram assim nenhum momento mais surpreendente ou marcante. Os Coroner eram mais uma das bandas presentes no festival que anda em tour de reunião. Estes senhores suíços do thrash da velha guarda deram um excelente concerto, apesar de estarem há mais de uma década parados. Tal como se verificou no dia anterior com Arcturus, os Coroner tiveram algum tempo descontado da sua actuação. No entanto isso

não lhes causou grande diferença. Estes senhores foram capazes de animar o público, enquanto percorriam ao longo da sua set-list alguns dos temas mais emblemáticos da sua carreira. Overkill foi o concerto da noite sem dúvida, e provavelmente o melhor desta 4ª edição do festival. Apesar de já ter mais de 50 anos, o senhor Bobby Ellsworth mostrou aos jovens como é que as coisas são feitas à maneira do thrash old school puro e duro e picou o público de modo a acelarar os ânimos e ação na plateia, perguntando se eramos portugueses ou espanhois e mandando um comentário incrível que demonstra a sua total entrega em palco, que foi algo do estilo ”have you ever had your asskicked by an oldman?”. Foi uma actuação impecável e energética do início ao fim, que causou os maiores moshpits de todo o festival. Um dos momentos altos da noite foi a cover da música “Fuck You”, que pôs todo o público a cantar alto e em bom som. A honra de fechar a 4ª edição do maior festival de metal do país coube aos suecos Arch Enemy. Foi um concerto intenso e que contou com o melhor espetáculo visual. Nos ecrãs laterais do palco, uma apresentação multimédia completamentava as músicas que iam sendo apresentadas em palco. É certo que a voz da Angela Gossow já teve melhores dias, mas no entanto a sua presença em palco continua monstruosa, acabando por colmatar essa falha. Mesmo assim, o destaque da noite vai para o baterista Daniel Erlandsson que apesar de ter uma mão partida fez um espétaculo sólido, tendo tido direito a vários aplausos e gritos de incentivo por parte do público. Relativamente à setlist que foi bastante variada, destaque para as músicas “We Will Rise” e “Dead Eyes See No Future”, que foram as que mais animaram os presentes. No geral foi o que se esperava destes senhores do melodic death metal. Assim se passou mais uma edição do Vagos Open Air. Este festival tem-se vindo a afirmar como o maior de Portugal, embora conte apenas ainda com quatro edições. A nível de organização houve umas pequenas falhas, no entanto algumas das queixas apresentadas o ano passado por parte do público foram resolvidas, prova de que os organizadores são capazes de aprender com os seus erros. Destaque para as bancas de merchandise sempre presentes, apesar de este ano a variedade não ter sido tanta como nos anos anteriores. A nível do campismo as condições estavam um pouco melhores que no ano anterior, sendo que colocaram iluminação, o que facilitou a circulação por entre as tendas. Outro destaque é os “trash converters”, no qual em troca de 3 sacos do lixo era oferecida uma senha de bebidas, o que fez com que o recinto do campismo andasse bem tratado. Até para o ano. Texto: Rita Limede Fotografia: Fábio Costa Agradecimentos: Organização Vagos Open Air, Fábio Costa e Francisco Monteiro (Riff Magazine)


ARCH ENEMY


A décima-quinta edição do mítico festival decorreu este ano entre os dias 26 e 30 de Abril. Com a presença de mais de 60 bandas dos diversos estilos diferentes de metal, distribuídas por três palcos diferentes. As hostilidades deram-se no dia 25 de Abril (Day 0), com a receção ao campista que contou com a presença da “Steel Warriors Parade”, a banda filarmónica local que para receber bem os campistas tocou covers de alguns temas mais famosos dos principais cabeças de cartaz do festival. A noite ficou completa com um concerto dos portugueses Holocausto Canibal. No primeiro dia oficial do festival, dia 26 de Abril (Day 1), realizou-se a final nacional do W:O:A Metal Battle, para decidir entre as quatro bandas finalistas, qual é que teria o privilégio de ir tocar ao grande Wacken Open Air. As quatro bandas finalistas eram Midnight Priest, WAKO, Face of a Virus e Utopium. Após a actuação das mesmas o vencedor foi escolhido pelo juri presente e a banda vencedora foram os Midnight Priest. O Day 2 (27 de Abril- 6ª feira) do festival começou por volta das 20h30 no palco 2 com a atuação dos dinamarqueses Aphyxion, que nos trouxeram o seu Death Metal que ainda só pode ser escutado nos únicos 3 Eps que a banda tem. Os portugueses Simbiose tiveram as honras de abrir o palco 1, o palco principal do festival, a banda apresentou o seu novo lançamento “Economical Terrorism”. Enquanto os Simbiose debitavam o seu Crust Punk no palco 1, no palco 2 já se ouvia a banda russa de deathcore, Ease of Disgust. As 22h15 em ponto deram entrada no palco 1 um dos grandes nomes deste dia 2 do festival, os japoneses Coffins com o seu Death/Doom. A esta hora a plateia já se encontrava mais composta, e os japoneses deram um concerto impecável do início ao fim. De volta ao palco 2 e para presenciar os franceses Gorod e o seu Death Metal Técnico. A banda regressou a Porugal para apresentar o seu quarto longa duração “A Perfect Absolution”. Foi um concerto energético e de grande qualidade técnica, em que a banda não sou cumpriu com grande distinção o que desta era esperada, como se revelaram bastante comunicativos e afáveis com o público. Às 23h40 deu-se o início do primeiro momento alto do festival, a entrada em palco dos suecos Candlemass, os cabeças de cartaz deste dia. Foi a estreia da banda em território nacional, após cerca de 28 anos de carreira. Foi um concerto intenso do principio ao fim com todo o aparato e ambiente a que o público tem direito num concerto de Candlemass. A banda percorreu alguns dos clássicos que os deixaram famosos, apesar de no entanto não terem tocado o seu tema mais famoso “Bewitched”, o que deixou muitos dos presentes desiludidos. Estes mantiveram-se comunicativos com o público do inicio ao fim, mostrando-se emocionados por estarem em território nacional pela primeira vez. O momento mais alto da noite chegou no encore, quando a banda presenteou o público com o seu grande clássico “Solitude”, o auge chegou quando uma plateia bastante composta cantou quase em unissono o refrão da música, tendo Robert Lowe parado de cantar momentaneamente para assistir ao delíro do público. O palco 2 encerrou as suas actividades deste segundo dia com a actuação de Malignant Tumor. A banda checa trouxe-nos a sua mistura de Punk Crust com Heavy Metal, causando o caos no meio do público. Foi dos poucos momentos da noite em que se viu agitação num moshpit. A lotação do pequeno palco 2 estava esgotadissíma

e ao rubro com a actuação da banda. O fecho do segundo dia coube ao Black Metal dos noruegueses Tsjuder. A banda veio apresentar o seu último registo, “Legion Helvete”. A banda entrou “a abrir” em palco e foi de poucas palavras, foi no entanto uma atuação que não desiludiu e que até teve direito a uma cover da musica ‘Deathcrush’ dos Mayhem. É de salientar que os diversos palcos estavam em permanente alteração, e que praticamente não existia intervalo entre os concertos. Um concerto terminava no palco 2 e quase em seguida começava outro no palco 1 e vice-versa. Foi a forma que a organização arranjou para colocar vários concertos numa noite. Este horário funcionou todos os dias. Sábado dia 28 de Abril (Day 3), foi o dia que arrastou mais publico até ao festival. O dia começou as 17h30 com a actuação dos espanhóis The Ytriple Corporation no palco 2, perante uma plateia muito vazia. Seguindo-se o concerto dos portugueses Concealmente no palco 1, com o seu Death Metal Técnico. Foi uma actuação sólida e que surpreendeu pela positiva, foi pena terem tido apenas meia hora disponivel para tocar. A música no palco 2 continuou por volta das 18h40 com o concerto dos lisboetas Irae com o seu Black Metal à moda portuguesa. Foi uma actuação bastante cumpridora, embora grande parte do publico não se mostrou responsivo a esta. No fim deste concerto, veio a actuação dos belgas Pantheist no palco 1. Foi uma actuação aborrecida e sem muito movimento devido ao Funeral Doom que a banda toca. Os Alemães Purgatory no palco 2 com o seu Death Metal conseguiram cativar o público e aproveitaram a presença em solo nacional para apresentar o seu último registo de longa duração “Necromanteon”. Pelas 20h40 em ponto entraram no palco 1 os Artillery para um concerto devastador a todos os níveis com o seu thrash furioso e contagiante. Foi um concerto agitado do inicio ao fim, tendo havido mosh constante e pessoal a fazer crowd surfing e stage diving. A actuação dos dinamarqueses foi a potência que era esperada destes. Apos o concerto no palco 2 dos Dyscarnate foi a vez de entrarem no palco 1 os holandeses Hail of Bullets com um concerto bem dinâmico a banda apresentou-nos o seu Death Metal com muita energia para dar e vender e conseguiu cativar bem o vasto publico presente. De seguida os espanhóis Omission deram conta do palco 2 com um concerto violento de Thrash Metal. Os irreverentes Immortal foram o momento mais aguardado do terceiro dia e a grande razão pela qual muitas pessoas se deslocaram até Barroselas. Abbath e companhia trouxeram consigo máquinas de fumo e aparatos de pirotecnia, tudo para que a atuação fosse o mais obscura possível. Apesar de terem sido pouco comunicativos com o público não deixaram de entusiasmar e até houve direito a habitual e famosa “crab walk” do vocalista. Os Noruegueses que já andam entre nós desde o inicio do género percorreram a vasta discografia, tendo tocado a maioria dos temas mais aclamados, começando pelo mais recente “All Shall Fall”, passando por musicas como a “Tyrants”, “One by One” e “Call of the Wintermoon”. Foram quase duas horas de show, que satisfizeram os muitos fãs da banda presentes. Apesar de tudo isto o concerto só falhou um pouco devido a falhas técnicas, houve alturas em que a voz mal se ouvia e o som podia ter estado um pouco melhor, mas nem isso foi o suficiente para deixar os fans de Immortal desiludidos. Foi provavelmente o concerto com a maior enchente de todo o festival. O palco 2 fechou com o concerto dos britânicos Dragged Into Sunli-


ght. Foi perante uma plateia mais reduzida e calma que estes apresentaram o seu Blackend Doom/Death, num ambiente a preceito, com luzes diminuidas e candelabros em palco. O concerto girou muito a volta do seu LP “Hatred for Mankind”. O final da noite deveria ter ficado ao cuidado dos franceses SDC, algo que não aconteceu, visto que estes cancelaram a sua actuação devido ao atraso do voo, tendo sido substituidos pelos seus compatriotas Blacklodge, que deram uma actuação cumpridora. O Day 4 (Domingo, 29 de Abril), foi um dia mais parado, notando-se a diferença da quantidade de público em comparação com o dia anterior. Tal como no dia anterior os concertos começaram as 17h30, com a actuação dos brasileiros Woslom. Foi um concerto com potencia e que animou as pouca pessoas presentes mas se tivesse sido a uma hora diferente e perante uma plateia mais composta teria sido de uma grande violência. A viagem entre palcos foi sempre constante para se ver o maior número de bandas possível por isso enquanto no palco 1 as atividades se iniciaram a atuação de Bloodsoaked e o seu Brutal Death, no palco 2 momentos antes os indianos Eccentric Pendulum despertaram curiosidade aos presentes dada a origem exótica e o seu Death Metal Pogressivo vindo do oriente. Às 19h15 entraram no palco 1, os portugueses The Firstborn perante uma plateia já um tanto composta, é de salientar a presença de uma cítara em palco, algo bastante incomum num concerto de metal. Enquanto os Espanhois Foscor entretiam o publico no palco 2, os suecos Ondskapt actuavam no palco 1. A banda de black metal criou um ambiente teatral e negro, e deu uma actuação, que apesar de cumpridora não convenceu alguns dos presentes. Ainda na onda do ambiente negro e pesado no palco 2 atuaram os brasileiros Mythological Cold Towers. Os Die Apokalyptischen Reister foram chamados á última hora para cobrir o cancelamento de Hirax. A banda quebrou o ambiente negro e pesado das últimas três bandas e deu um espetáculo imenso. Pirotecnia, adereços e participação do publíco foram mais que suficiente para fazerem a festa. Depois veio a actuação dos portugueses Process of Guilt. Foi um espétaculo intenso envolto numa névoa de fumo, no qual a banda aproveitou para apresentar o seu mais recento lançamento, “Faemin”.

Os Holandeses Asphyx foram a atração principal deste day 4. Perante uma plateia animada a banda fez a festa, literalmente. Percorreram a sua vasta discografia, sendo o momento alto da noite quando tocaram o clássico “Vermin”. A banda aproveitou também para apresentar o novo album ao público português, “Deathhammer” que saiu no passado mês de Abril. O encerramento do dia aos espanhóis Legacy of Brutality, que tocaram para um publico maioritáriamente seu compatriota. Antes do concerto ouvia-se muitos pedidos de violência musical, algo que foi dado generosamente pela banda. O último dia, day 5 (segunda-feira, 30 de Abril), começou com a actuação dos portugueses EAK, uma banda de Hardcore podia parecer um pouco deslocada num festival com apenas banda de metal, mas tal não aconteceu. A actuação destes foi exemplar e convenceu a plateia presente. Seguiu-se a actuação de Corpus Christii no palco 1. O grande nome português do black metal cumpriu o que deles era esperado, e percorreram diversos temas da sua vasta discografia, assim como do seu último lançamento “Luciferian Frequencies”. No palco 2 chegou a vez da destruição que são os Cerebral Bore. A brutalidade da banda britânica foi bem evidente, e o facto de terem uma vocalista em nada perdem a nível de violência e potência em palco. As lendas do heavy metal britânicos Angel Witch marcaram também presença, 26 anos depois do seu último lançamento a banda aproveitou o concerto em Portugal para apresentar a mais recente proposta. Foi um concerto emocionante no qual a banda alternou os classicos com as músicas do novo album “As above, so below”, causando uma resposta calorosa por parte da plateia presente. Os Jucifer, no palco 2 acabaram por ser um pouco monótonos e repetitivos e ficaram um pouco aquém das espectativas, não tendo sido capazes de convencer o público que aquela hora só pensava no concerto que viria depois. Foi com a “Fractured Millenium” que por volta das 23h45 que os Hypocrisy se apresentaram em palco perante uma vasta plateia que os aguardava impacientemente. A banda foi comunicativa com o publico e não se importou com a quantidade de gente que subia para o palco para fazerem stage diving. Por todo o lado havia gente


a fazer headbang, o moshpit foi grande e crowd surfing imenso, neste momento energia era algo bem presente durante um espetáculo em que era quase impossivel uma pessoa ficar quieta. Estes tocaram alguns dos temas que os tornaram mais conhecidos, como “Weed out the weak”, “Eraser” e “The Final Chapter”. Já em encore “Roswell 47” foi provavelmente o ponto alto da noite, com todos os presentes a cantarem o refrão quase em uníssono. O fecho do palco 2 ficou nas mãos dos portugueses Holocausto Canibal com o seu já conhecido Grindcore cantado em português, tendo o seu concerto sido mais focado na apresentação do seu mais recente lançamento “Gorefilia”. Tiveram ainda tempo de revisitar temas mais antigos, como o mui famoso “Empalamento” ou “Violada pela motosserra”. Esta foi a única banda a tocar duas vezes no festival . O encerramento da 15ª edição do SWR Barroselas Metalfest, ficou a cargo dos norte-americanos Whiplash. Foi um concerto bastante animado, com o pessoal sempre em movimento, muito crowd surfing e mosh. A resposta do publico foi positiva e os norte-americanos apresentaram uma atuação sólida, tendo tocado alguns dos seus temas mais conhecidos como “Last Man Alive” e “Power Trashing Death”. A banda mostrou-se bastante comunicativa com o publico, sendo que no final do concerto o vocalista saltou do palco e foi transportado em braços por membros do público até ao lado oposto deste. A nível da organização há pouco a apontar. O espaço de campismo estava com as minimas condições e tinha iluminação, algo que ajudava a circulação do pessoal a noite por lá. A nível de higiene as casas de banho estavam minimamente decentes e eram num

número decente, havia também chuveiros de agua quente à disponibilidade dos campistas. A nível de bebida e alimentação a oferta era alguma, apesar de a nível da bebida nem sempre os preços seram convidativos. Por exemplo, uma garrafa de água custava 2 euros, e não se podia entrar no recinto com garrafas vindas de fora. A cerveja custava o mesmo preço, no entanto a organização apostou em copos personalizados do festival, em vez dos habituais copos de plástico, como tal, ao inicio do festival comprava-se o copo por 2 euros e sempre que se queria beber algo enchia-se esse mesmo copo com a bebida à escolha. A segurança era apertada e atenta, não se tendo registado nenhuns incidentes. Na zona a volta do palco havia várias tendas com merchandise a preços acessiveis e para todos os gostos. No SWR café, houve vários meet and greet com algumas das bandas, assim como uma exposição de figuras de cartão a caricaturar alguns dos musicos que passaram pelo festival. De destacar a existencia de um 3º palco, por onde passaram alguns concertos. Este palco, o SWR arena, ficava fora do recinto em si, como tal os concertos neste eram de entrada livre. Não foram mencionados nenhum dos concertos que passaram por este palco ao longo dos últimos 4 dias do festival, visto que estes coincidiam com as actuações nos palcos dentro do recinto propriamente dito.

Texto: Rita Limede Fotografia: SWR Agradecimentos: Organização SWR por cederem as fotos que ilustram a nossa análise.


Infektion Magazine #16 (Agosto 2012)  

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