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ELEMENTOS À SOLTA, LDA Rua Adriano Correia Oliveira 153 1B 3880-316 Ovar PORTUGAL

06 HORRORSCOPE

EDITOR Joel Costa

14 MNEMIC

DIRECÇÃO / DESIGN & PAGINAÇÃO Cátia Cunha & Joel Costa Elementos À Solta, LDA

20 CASTLE

CONCERTOS Liliana Quadrado COLABORADORES Ana Miranda André Balças Anna Correia Carlos Cariano Cátia Cunha David Horta Davide Gravato Flávio Santiago Helena Granjo Íris Jordão Ivan Santos Jaime Ferreira Joana Rodrigues Joel Costa José Branco José Machado Liliana Quadrado Marcos Farrajota Mark Martins Mónia Camacho Narciso Antunes Rita Limede Ruben Infante Rute Gonçalves FOTOGRAFIA Créditos nas páginas PUBLICIDADE infektionmagazine@gmail.com T. 92 502 80 81

08 STUDIO REPORT: MALEVOLENCE 12 BARONESS 16 DIN BRAD 22 CANAAN 24 DYING FETUS 26 RED FANG 28 HELLDORADOS 30 UNDERGROUND ‘N PROUD: BLAME THE SKIES 36 A PENÚLTIMA GOTA 38 INFEÇÃO URINÁRIA DE MARTE 40 REVIEWS

Sendo a Infektion construída nos tempos livres por amantes de música extrema, é natural que por vezes problemas de ordem pessoal ou profissional dêem lugar a atrasos ou retirem-nos algum tempo útil para nos debruçarmos a 100% em determinadas questões que envolvem a revista e as suas edições mensais. Desta vez não foi possível evitar este problema e apesar do atraso não ser tão significativo quanto isso, acabamos por não ter tempo de dar vida a todos os conteúdos que queríamos. No entanto, e apesar de todos estes factores incontornáveis, todos os elementos da Infektion lutam todos os dias pelo mesmo objectivo: fazer desta revista não uma alternativa, mas sim uma solução. Continuaremos a dar o nosso melhor todos os meses para que possamos merecer a vossa confiança e juntos sejamos capazes de construir um produto de qualidade. Agradeço a todos aqueles que conhecem o motivo que levou a este atraso / edição mais curta, por nos terem feito chegar palavras encorajadoras e por nos ajudarem de todas as formas possíveis. A vocês, o nosso eterno agradecimento! Joel Costa (Editor)


C

omo descrevem o novo material e que diferenças apontam em rela-

ção aos trabalhos anteriores? “Yellow & Green” é uma coletânea de músicas que trabalhamos arduamente. Trabalhamos estes temas de uma forma algo diferente daquela que utilizavamos no passado. No passado iniciávamos o processo de composição sem recorrer a demos, o que era uma maneira mais punk/rock de gravar um álbum. Entrávamos em estúdio, deixávamos que tudo saísse e com sorte as coisas corriam bem. Para este álbum gravámos todas as músicas diversas vezes antes de entrarmos em estúdio. Isto deu-nos a possibilidade de analisar os nossos temas de um forma que nunca experimentamos antes.

Porquê um álbum duplo desta vez? Queríamos gravar um disco onde pudéssemos explorar diferentes vertentes das nossas habilidades musicais e dos nossos gostos. Foram necessários dois álbuns para explicar esta experiência, pois um apenas não seria suficiente. Por outro lado também compusemos muito material, sendo que no fim tivemos até que eliminar algumas músicas deste álbum duplo. Também me faz sentir algo refrescante o facto de lançarmos um álbum duplo, quando a maioria das bandas e músicos de hoje em dia lançam apenas singles. É suposto os dois álbuns serem um complemento um do outro ou são registos completamente distintos?

O segundo disco (Green) é uma coletânea de músicas mais aventureiras. Queríamos muito experimentar coisas que nunca tínhamos feito em álbuns anteriores, enquanto que o primeiro disco (Yellow) é diferente do anterior mas mantém a mesma essência e o mesmo espírito. Como

foi o processo de composição

para esta proposta?

Levaram

o proces-

so para além dos limites desta vez?

Investimos muito neste disco das mais diversas formas, mais ainda a nível vocal. Estas músicas são mais baseadas em ritmo do que em riffs de guitarra. Os vocais e o ritmo são a linha condu-

tora deste disco.

O

Quão importante foi a mudança no line-up para este álbum? Não tínhamos o Matt (novo baixista) connosco quando estávamos a compôr e a gravar “Yellow & Green”, se é a isso que te referes. Contudo, sempre que um membro abandona uma banda, a sua influência também é perdida. Diria então que este álbum reflete as pessoas que estavam envolvidas no processo de composição e que apesar da mudança não ter sido importante para o álbum teve certamente o seu impacto.

Somos pessoas criativas e precisamos de criar música e arte constantemente. Inspiramo-nos uns aos outros e queremos sempre criar música e arte de qualidade.

De onde veio a inspiração lírica? Muitas das letras são inspiradas pela vida, como a própria música é. Existe um sem fim de material pessoal nestas músicas, mais até do que nos álbuns anteriores. Outras letras são também muito melancólicas. Esperam

receber uma boa reação neste

ábum como receberam em trabalhos anteriores?

Não posso esperar nada. Nunca esperamos que um dos nossos trabalhos se dê bem na crítica. Podemos apenas ter a esperança que as pessoas gostem de ouvir aquilo que criamos. Somos uma banda que precisa de progredir e espero que os nossos fãs nos acompanhem nesta jornada. Os títulos dos vossos álbuns sempre foram números (First, Second) ou cores (Red, Blue, Yellow & Green). Existe alguma explicação para isto? São apenas uma forma de catalogar os nossos álbuns. Tal como “primeiro” ou “segundo”. A

artwork que concebem para todos os

álbuns tem sido genial.

Como é que che-

gam até ao resultado final?

É o John (Baizley, vocalista) quem cria as capas dos nossos discos. Ele trabalha nisso durante semanas e tem sempre um processo muito inspirador. Tivemos também dois artistas a trabalhar neste álbum juntamente com o John. O logotipo foi criado por Aaron Horkey e o Paul Romano criou a artwork e o layout do booklet deste disco.

que vos inspira a criar tanto a arte

como a música que editam?

Como

foi andar em tour com bandas

Meshuggah e Decapitated? Se conheceres essas bandas então sabes que estivemos no meio de uma sandwich muito estranha, uma vez que os Baroness não se assemelham em nada com essas duas bandas. Foi uma grande mudança para todos os fãs durante os concertos mas acho que a maioria gostou daquilo que apresentamos. Todas as bandas eram excelentes enquanto pessoas e foi uma tour muito descontraída.

como

Foram convidados recentemente pelos Metallica para fazer parte do Orion Music Festival, juntamente com bandas como Red Fang, Black Tusk e Torche. Qual foi a sensação de serem convidados pessoalmente por eles? Ficamos bons amigos dos Metallica quando fizemos uma tour juntos na Austrália, em 2010. Ficamos ansiosos por poder tocar novamente com eles e por podermos também passar algum tempo juntos. Foi um excelente festival e espero que isto se repita no próximo ano! Vão

PortuBarcelos chamado “Milhões de Festa”. Quais são as vossas expetativas? E já agora, que tipo de setlist é que podemos esperar? Vamos tocar músicas novas deste Yellow & Green e músicas de álbuns anteriores. Estamos todos muito contentes por visitar Portugal pela primeira vez e conhecer os nossos fãs. tocar pela primeira vez em

gal brevemente, num festival de

Podem os fãs Portugueses contar com os Baroness como cabeça-de-cartaz num concerto a ter lugar aqui? Não sei quando isso será mas garanto-vos que irá acontecer na tour deste álbum.


Parabéns

pelo novo trabalho.

O que “Mnemesis”? Muita coisa! (risos) Nem sei por onde começar. A composição teve início em setembro do ano passado... quando entramos em estúdio, em fevereiro, tínhamos umas 13 ou 14 músicas, no total. Para além disso temos novos membros na banda que vieram substituir aqueles que saíram em 2011 e tiveram que se adaptar ao estilo dos Mnemic. Uma vez que em bandas anteriores já eram influenciados pelos Mnemic, a composição deste álbum foi algo muito positivo, pois todos nós partilhávamos a mesma visão. nos podes dizer sobre

Introduziram

muitos elementos novos

neste novo disco, não só a nível de line-

-up

mas a nível sonoro também.

que os

Mnemic

Dirias

são uma banda renovada

em todos os aspetos?

Sim, definitivamente! Temos novos membros na banda que trouxeram

muita energia e provavelmente podes constatar isso ao ouvir o disco, que é mais energético e técnico do que aquilo que costumavamos fazer. Porquê “Mnemesis”? Quem é o vosso Némesis? Esta é meia difícil de responder... A interpretação do título depende de cada um mas diria que está relacionado com a tecnologia dos tempos modernos, que mudou a nossa maneira de viver e vivemos muito atrás de ecrãs de computadores nos dias de hoje do que no passado. Estamos cada vez mais ligados às máquinas e apesar de ser bom o facto de podermos comunicar de uma forma tão rápida, pode tornar-se algo muito stressante e viciante. Mudou também a forma de trabalharmos e no que respeita a estarmos sempre ligados à internet – como por exemplo, ligados no Facebook – cria um tipo de pessoas mais agressivas e narcisistas,

com estas atualizações de estado e afins. Se és um Homem de família e tens crianças que estão a crescer ao lado das redes sociais – já com a tecnologia a correr-lhes nas veias – não se vão introduzir muito bem na sociedade. Ainda no outro dia vi uma notícia que envolvia miúdos do 3º ou do 4º ano e o jornalista perguntou “Como é que vais celebrar o teu sucesso?” e um deles respondeu “Vou para casa e vou atualizar o meu Facebook”. Inacreditável... E

como vês o

Facebook É

como um meio para promover a banda? algo importante?

Sim, não sei... Acaba por ser involuntário. Não há outra forma... há tanta informação nos dias que correm que temos que estar sempre nos feeds de notícias. Acaba por não ser um vício mas és dependente de tudo isso. Se não existisse o Facebook provavelmente haveriam outras ferramentas de marketing e é


isto a tecnologia: algo que acontece a toda a hora e tens que te adaptar a tudo isto. Estás mesmo dependente.

de repente chegaram aos montes! Foi muito bom. Gostávamos de repetir isso um dia (risos).

Vão

És o único membro original da banda. Na tua opinião, quais são as principais diferenças entre os Mnemic de agora e os de 2003 (quando lançaram o primeiro álbum)? Uau, as diferenças? Estamos mais velhos, para começar, e depois ganhamos muita experiência. Mas ao mesmo tempo não somos tão ingénuos como éramos. O ser ingénuo pode ser algo bom quando formas uma banda mas... Nós escrevemos aquilo que sentimos e gostamos de chegar a um resultado sólido. Foi aquilo que fizemos no primeiro álbum e é aquilo que continuamos a tentar fazer nos dias de hoje. Os tempos mudaram...

Portugal duas vezes, no mês de julho. Já que fizeram uma tour em Portugal no ano de 2007, quais são as tuas expectativas? Espero que apareçam pessoas para os concertos e que o tempo esteja muito bom (risos). Não temos grandes expectativas... queremos é que as pessoas apareçam, que gostem do nosso concerto e espero que nós também passemos um bom bocado. O em

tocar em

que achaste da vossa última tour

Portugal? Sete

datas é muita coi-

sa para um país tão pequenino como o nosso...

Sim, foi, mas também foi muito divertido. Na altura queríamos tocar no maior número possível de sítios. Mas Portugal é um país muito bonito e não me importo de marcar mais datas aí. Foram também uma das primeiras bandas internacionais a passar com uma tour na

Ilha

dos

Açores. Tiveram

a opor-

tunidade de visitar a ilha e o país no geral?

Sim. Foi daquelas experiências que vamos levar para a cova, sabes? Daqueles momentos que ainda hoje falamos. Tocamos no Coliseu e não esperávamos que alguém aparecesse, quando

Ainda

ouves os teus primeiros lança-

mentos?

Consideras-te como um fã de Mnemic? (Risos) Nem por isso! Raramente ouço esses álbuns, já passou muito tempo. Isto porque já conheço aquilo de trás para a frente e já toquei essas músicas tantas vezes que o entusiasmo já não é o mesmo. Gosto sempre de tocar essas músicas, como é óbvio, mas prefiro ouvir outras bandas do que ouvir os meus discos. Como

vês os

Mnemic

na cena metal

Di-

namarquesa?

Vês os Mnemic mais como Dinamarca ou Interna-

uma banda da cional?

Vejo mais como uma banda internacional, até porque o nosso vocalista é francês, o baixista é italiano, eu sou romeno... Não diria que somos uma banda 100% dinamarquesa. Vimos da Dinamarca mas... é um tanto difícil de catalogar. Planos para o futuro... Em princípio vamos em tour com os Six Feet Under durante 2 meses, queremos fazer outra tour Europeia em outubro e vamos gravar um vídeo para o primeiro single deste álbum. Estamos também a tentar regressar aos Estados Unidos mas é muito difícil e a proposta certa tem que estar em cima da mesa para podermos dizer “sim”. Vamos também à Austrália pela primeira vez em outubro, o que é muito bom para nós... Basicamente vamos promover a banda o melhor possível! Tens algumas palavras que queiras deixar aos fãs Portugueses? Sim, espero que venham aos nossos concertos em julho e que gostem de ouvir o nosso novo álbum. Estamos ansiosos por voltar ao vosso país para tocar... gostamos muito de Portugal: têm vinho, têm bom tempo (risos)... Passamos aí bons momentos!


Podes falar-nos um pouco sobre o projeto Din Brad, e do seu disco de estreia “Dor”? A ideia data de 2008, com minha pesquisa sobre folclore romeno, e tudo começou como uma forma de captar a autenticidade e um certo espírito caraterístico da minha região por detrás do mesmo… O nome do projeto Din Brad significa “a partir de um abeto”. O abeto tem um simbolismo especial no folclore romeno, liga o povo à imortalidade e, a partir de um ponto de vista social, sublinha a forte relação que existe com a natureza nas comunidades tradicionais. Desde o início, este projeto desenvolveu-se de uma ideia para outra, revelando uma vida própria. Demorou muito tempo, mas tudo se tornou realidade com o nosso álbum de estreia “Dor”, que foi lançado esta primavera sob o selo alemão Auerbach

Tonträger/Prophecy Productions. Como primeiro passo na exploração da sonoridade tradicional, o álbum “Dor” foi criado a partir de dois elementos distintos, forjado numa estrutura que segue o seu próprio caminho. De um lado há autênticas canções tradicionais romenas, cantadas por intérpretes locais e gravadas no seu ambiente original. Por outro lado, está uma certa visão pessoal e reinterpretação do que é a tradição musical romena, executada e gravada em estúdio, contando com alguns convidados de prestígio. Ambos fundem-se em nome do mesmo sentimento que as potencia. Enquanto a primeira parte é o resultado de anos de investigação sobre o que hoje ainda está vivo a partir das tradições ancestrais e espirituais da música do nosso país, a segunda parte é uma expressão pessoal, influenciada pela compreensão e vivência nesta ter-

ra que nos viu nascer. “Dor” recorre ao autêntico folclore tradicional romeno como forma de captar tempos e sentimentos às vezes esquecidos. Natureza, colinas e montanhas, águas profundas, céu azul, florestas escondidas, casa, uma presença espiritual, lugares onde a alma se sente livre, alienação, são elementos que descrevem “Dor” como uma obra tipicamente romena. Na qualidade de projeto paralelo de Negură Bunget, como achas que poderá ser a reação dos vossos seguidores a

Din Brad? Provavelmente algumas pessoas vê-lo-ão apenas como um projeto paralelo... Para nós é algo à parte, um projeto com uma identidade própria. Claro que existem alguns pontos de contacto com Negură Bunget, mas é provável que existam sobretudo muitas diferen-


ças. Todos os integrantes do projeto moldam e apresentam a sua visão... A forma como as pessoas respondem é algo que está sempre fora de nosso controlo. Uma

vez que ambas as bandas versam

sobre os mesmos temas

(natureza, mito-

logia e espiritualidade romena), de que forma é que se complementam esteticamente e musicalmente?

Enquanto em Negură Bunget as influências tradicionais são filtradas por uma espécie de censura pessoal, em Din Brad são mais diretas e abertamente sobre música tradicional. Há certamente algumas semelhanças entre as duas bandas, mas a abordagem é bastante diferente. Se Negură Bunget mescla Black Metal, transcendendo a personalidade, Din Brad é mais pessoal, direto e simples de entender, sem qualquer censura. Há com certeza alguns elementos comuns entre as duas bandas, mas ao mesmo tempo, eles são muito diferentes. Se fôssemos apenas diferentes pessoas, as existiriam ainda menos ligações. Mas uma vez que assim é, enquanto Negură Bunget acaba por ser uma banda de Black Metal, influenciada pela história e espiritualidade local, Din Brad procura as raízes da música folclórica tradicional romena. Difere também no aspeto em que Negură Bunget procura descobrir a espiritualidade desconhecida ou locais naturais com alto poder simbólico, enquanto Din Brad entra na tradição. Din Brad centra-se na autenticidade como uma maneira de captar um lugar esquecido onde as pessoas tinham uma abordagem direta e simples de compreender o universo e o espaço que nele ocupam. Um

dos aspetos que, a meu ver, poderá

surpreender mais as pessoas é o facto de

“Dor”

ser, acima de tudo um disco

tradicional na sua essência e não um

“pozinhos” de folk, Porque escolheram esta abordagem mais “conservadora” e “radical”? A ideia base que está por detrás de Din Brad é uma expressão direta da autêntica música tradicional local. Por isso, para nós era natural expressá-lo desta forma. Eu mesmo não vejo esta opção como sendo radical. Talvez seja difedisco rock com uns

como muitas bandas fazem.

rente do que alguns esperassem que fizéssemos, mas o nosso processo nunca parte dessa premissa. Apenas tentamos expressar a nossa visão. Como uma forma de trazer para a atualidade o seu próprio significado espiritual, procuramos canções desconhecidas e ancestrais do folclore romeno - e não o folclore mainstream. O facto de termos trabalhado com artistas tradicionais no seu próprio ambiente foi uma experiência diferente do que estávamos acostumados, mas ao mesmo tempo permitiu-nos experienciar os “velhos caminhos” e uma forma ancestral de cantar. As

composições de

Din Brad

uma saudade similar ao fado tradicional portuguesa).

O

expressam

(a

canção

que vos

inspirou para escrever numa veia tão tradicional?

Este é um conceito que nos surgiu como um primeiro passo natural. É uma caraterística muito complexa, poderosa e característica da alma romena a que chamamos “Dor”. Estamos familiarizados com a música tradicional de Portugal e tudo parte da mesma fonte, mas adicionamos a nossa visão, de forma a partilharmos os nossos sentimentos e experiências, tentando que o ouvinte realmente experimente a “Dor”. Uma vez que “Dor” é um disco fortemente orientado para as melodias vocais, acredito que a variedade de registos, sobretudo as dos cantores populares, deverá ser o aspeto mais surpreendente. Quem são estes cantores e quais foram os maiores desafios na captação das vozes fora do estúdio? São pessoas simples que descobrimos ao longo do tempo, nas nossas incursões pelo folclore local. Não são cantores profissionais, são apenas dotados naturalmente. O desafio foi encontrar as pessoas certas para este álbum em particular e à sua atmosfera. Não planeámos que este primeiro álbum fosse numa direção particular. Acabou por se ir desenvolvendo e os resultados foram uma surpresa até mesmo para nós. Uma vez que a experiência de “Dor” é muito pessoal, de alguma forma é natural estar focado nas partes vocais, porque cada pessoa contribui com o seu próprio fundo espiritual e cultural, fazendo desta uma experiência única

para ambos os lados. Recorreram

a

muitos

instrumentos

tradicionais durante a gravação.

Quem

foram os executantes?

Tivemos a sorte de trabalhar com convidados muito prestigiantes. Contámos com o Catalin Motorga e o Eduard Muntean com flauta de pan e com o Mircea Ardelean, um conhecido executante de gaita-de-foles romeno. Em Negură Bunget, corporam

os membros já in-

intrumentos

na sonoridade.

tradicionais

Din Brad exigiram maior dedicação à aprendizagem destes instrumentos? Din Brad elevou muito mais a fasquia. Din Brad fez desta influência tradicional uma experiência pessoal e direta. Já estamos a trabalhar em algumas ideias e espero que em breve tenhamos algo mais para compartilhar para o público. Como

As

composições de

apresentaram a ideia às editoras

e como chegaram ao acordo com a phecy?

Pro-

A Prophecy foi a única editora com quem falámos. Era normal falarmos com eles, como é o tipo de música que pela qual se celebrizaram nas suas edições – música estranha e emocional. Foi mais fácil para nós falarmos com eles porque também já os conhecíamos. Eles viram imediatamente o potencial deste projeto, por isso chegamos a acordo. Antes

da edição do álbum, deram uma

Europa, Din Brad é

série de espetáculos na

mas o

passo seguinte para

tocar

Negură Bunget numa tour pelos EUA e Canadá. Não temem que no palco se perca alguma da atmosfera tradicional da gravação? No palco tentamos ter a mesma abordagem simples e direta do álbum. Na verdade, somos todos bons amigos e tocarmos juntos tornou-se natural para nós os três. Por vezes é difícil termos todos os elementos nas atuações ao vivo, mas, para nós, o ambiente é mais importante do que usar todos os instrumentos que estão no álbum. Como tal, podes ter a certeza que levaremos para o palco toda a nossa visão pessoal. com


Como

escolheram

da banda?

“Castle”

para nome

Castle foi um nome que carreguei comigo por muito tempo e que remonta à minha adolescência. Mas apenas quando comecei a escrever as canções do primeiro álbum, “In Witch Order”, considerei que estava perante o projeto certo para o nome. Para mim enquadrava-se perfeitamente na música enquanto fonte de força e continua a inspirar-me de muitas formas. Quando

sentiste que estava na altura

de fazer outro álbum?

Eu estava a preparar-me psicológica e fisicamente no Verão passado para escrever um novo disco. O nosso álbum de estreia tinha saído já há alguns meses e eu já estava a avançar para novas ideias. Penso que ter passado tanto tempo a escrever e a gravar o álbum de estreia criou em mim um peso que foi libertado quando o álbum saiu. Eu deixei ir e ficou um vazio, levando

alguns meses até sentir aquela faísca e energia de volta. Quando voltou só parou quando o disco estava escrito e a demo feita, cerca de 4 meses depois. Tinhas

ideias que querias explorar ou

foi uma inspiração do momento?

Havia ideias por desenvolver do álbum “In Witch Order” e comecei por aí mas rapidamente evoluíram para um outro som. Eu conseguia ouvir claramente na minha cabeça, quase via as canções como se fossem cores e isso era uma forma abstrata de avançar com elas. Como um pintor, adicionar à paleta em cada dia algo original é algo excitante para mim. É inspirador criar texturas e paisagens sónicas com riffs de guitarra e ter a minha mulher Liz, que é a vocalista de Castle, tão perto, permitindo que as melodias vocais flutuassem por ali também. É algo extra. Fala-me dos vossos tempos mais lentos. Também contêm e mostram o vosso ele-

“Trash”? Por vezes sim. Na faixa que dá nome ao álbum “Blacklands”, existem vários trechos de guitarra tocados simultaneamente ao longo da canção e eu queria que o efeito fosse um turbilhão, um som thrash. Gosto de experimentar ritmos e neste caso aquilo que soa muito simples é na verdade um sentimento difícil de manter porque tudo está a ser tocado em oposição. Não dás conta porque é subtil e fazemo-lo bem mas é este efeito que está enraizado no thrash, nós apenas mudamos o sentimento. “Corps Candles” é outra canção que contém um verdadeiro “slow”, mas com um sentimento “hard”. Foi de certa forma baseado em “Megadeath”, nada em particular, apenas na forma como Dave Mustaine extrai os sons da sua guitarra com dedilhados estranhos. mento

O oculto é um fascínio? Sim e não. Acho que é uma forma de perceção. Uma forma mais natural e


mais mágica de olhar o mundano. Por vezes componho e escrevo desse ponto de vista porque me cativa o interesse e outras vezes porque conta uma história melhor ou cria uma ambiência mais interessante para a música especialmente se o texto da letra abordar um tema contemporâneo. Aí é como ligar o passado ao futuro, como um aviso da história que se repete. Quão

importante para o conceito da

vossa música são as coisas que são ditas nas letras?

São e não são. Existem canções no novo álbum que são como poemas, palavras que chegaram à minha mente em simultâneo com os riffs que as acompanham. Tentamos junta-las de uma forma interessante e no melhor cenário elas ganham uma vida própria e tornam-se coisas diferentes para pessoas diferentes. Outras vezes, como já referi na resposta anterior, elas têm um significado mesmo que escondido e obscuro, e isto acontece também por “design”. Não gosto de uma mão pesada no que toca a significados. Acho que as letras são melhor sucedidas quando podem transcender o seu próprio significado e isto torna-se impossível quando são literais.

movimentos distintos. Já Alcatraz era uma canção antiga que fomos recuperar. Senti que o álbum precisava de outra canção com riffs mais fortes para compensar algumas das outras faixas. O sentimento desta música era o certo para este álbum. Primeiro muda entre 7/8 e 4/4 um pouco à semelhança da canção que a antecede, “Dying Breed”. Penso que resultou bem levar o álbum para zonas diferentes mais para o fim do segundo lado, com essas duas canções.

A voz principal em “Storm Below the Mountain” é feita por mim. A Liz canta as harmonias do coro. Tentamos diferentes abordagens com esta canção mas estávamos sempre de volta à demo onde eu cantava e achamos que era o mais indicado. Uma das grandes coisas de Castle é que não gostamos de restrições e quando alguma situação como esta surge, em que algo desafia a perceção de quem somos ou daquilo que as pessoas pensam que somos, não hesitamos em fazê-lo.

Este álbum tem muita força a ser libertada. Na tua opinião de onde vem esta força? Nunca pensei nisso assim, mas acho que isso é um resultado da nossa produção, não apenas ao nível do som mas também em termos de horário de escrita e de gravação. Toda a produção foi deliberada na intenção de se movimentar rapidamente para manter a urgência e um sentimento de estar vivo. Por vezes trabalhar por cima das coisas é como estar com um cadáver. A vida esgotou-se. Talvez por comparação com outros discos modernos é muito cru por causa disto mas essa foi a intenção.

Quem

Claro, acho que isso é o que eu espero. Quando duas ideias jogam uma com a outra e criam outra dimensão. Então a soma das partes é maior que o todo e a canção nasce. Ou pelo menos algo memorável.

A voz mantém um papel importante neste álbum. Concordas? É a essência. Não consigo imaginar a música sem ela. E de certa forma a voz leva as canções onde estas precisam de ir. A voz é normalmente responsável pelos climaxes no álbum e a Liz cresceu surpreendentemente rápido enquanto vocalista, na minha opinião. Ela não conteve nada neste álbum e por causa disso é um disco muito melhor.

Podes

Não

Para

o ouvinte, este álbum tem muitos

momentos de espontaneidade e um grande elemento de surpresa.

Também

tiste isso enquanto criador?

sen-

“ Curses of “Alcatraz”? “Curses of the Priests” tem os meus riffs de guitarra preferidos no álbum e muitos deles honram algumas das minhas bandas preferidas. Provavelmente consegues ouvir um pouco de influencia de “Celtic Frost” e “Mercyful Fate” e até um pouco de “Metallica”. É uma canção que é divertido tocar com a banda e podemos também libertar alguma agressão, mas foi uma canção dura de tocar num todo porque a canção tem dentro dela sentimentos diferentes. É como tocar a três, com falar um pouco de

the priest” e de

é muito comum o baixista ser o

cantor.

Não

é fácil…

Mas

a

Elizabeth Como

faz-nos acreditar que é natural. achas que consegue?

Prática! Eu posso assegurar que não é fácil de todo, mas nós praticamos a toda a hora, tentando sempre superar-nos. E acima de tudo ela é a pessoa mais naturalmente talentosa com quem já toquei. E penso que ela apenas tocou ainda a superfície dos seus reais talentos. E por falar em vocalização, de quem é a voz em “Storm below the mountain”?

é o autor da pintura que está na

capa do álbum?

Denis Forkas, um pintor Russo. Contactamos o Denis depois de termos visto o seu trabalho “on line” e começamos a comunicar com ele acerca de trabalharmos juntos e tivemos sorte porque ele é muito seletivo quanto aos trabalhos que aceita. Acho que temos uma estética comum e acho que ele conseguiu expressar isso numa bela pintura. Se

algum dia decidisses fazer uma

ver” qual seria?

“co-

Ha! Quem me dera poder dizer mas uma vez que planeamos gravar algumas para um lançamento próximo, o “timing” pode ser um pouco anti-climático. Mas deixa-me dizer que tal como algumas das nossas influências são de uma era mais antiga. Como

desejas que as pessoas percecio-

nem a tua música?

Como quiserem… E espero que se sintam desafiados por algo nela. As bandas que mantenho próximas são aquelas que levam alguns ouvintes a perceber mesmo o que estão a fazer, Porque são originais e não há u tratamento imediato e familiar do que seria um sucesso. Levaram

o álbum para a estrada?

tem sido o feedback?

Qual

Tocamos na Europa, no Canadá e nos Estados Unidos este ano e a resposta tem sido transcendente. Sinto que as pessoas se têm ligado à matéria poderosa da banda ao vivo e é uma explosão… Apenas uma energia fantástica. Não podemos pedir mais nada


Qual a principal temática inerente a “Of Prisoners, Wandering Souls and Cruel Fears”, o novo álbum dos Canaan? Os dois temas principais surgem sintetizados no título, que são o medo e aprisionamento. Seja ele físico, psicológico, ou uma combinação de ambos, o aprisionamento é, definitivamente, o ponto que liga as 22 faixas dos dois discos; juntamente com um enorme desequilíbrio psíquico, o aprisionamento traz em si sentimentos de medo. O medo de ser incapaz de fugir das prisões, medo das entidades maléficas à nossa volta, medo de não ser capaz de se ligar com o que está ao redor, medo de qualquer evento ameaçador desconhecido. O universo contido em “Of Prisoners, Wandering Souls and Cruel Fears” é preenchido por entidades hostis, cujo alvo principal é o sofrimento. As poucas almas errantes corajosas que ousam viajar por este mundo são mais provavelmente sujeitas a atrair atenções indesejadas e perigosas.

Neste álbum, optaram, pela primeira vez, por separar os temas com formato canção e os ambientais em discos diferentes. Porquê? As 11 “personalidades” ou entidades a quem são dedicadas as faixas do primeiro CD transformar-se em prisioneiros nas respetivas faixas do segundo CD. Decidimos que era a maneira mais eficaz de colocar as faixas. Numa nota adicional, isto permitirá finalmente que todes aqueles que não apreciam o aspeto ambiental, étnico e experimental da nossa música possam ouvir um CD inteiro sem esses elementos. Tenho pena, na verdade – pois essas pessoas não sabem o que estão a perder. Pessoalmente, considero o CD2 como “zenith” inquestionável de tudo o que Canaan produziu até agora. Em 2012, Canaan surge com novos membros. Porque decidiram terminar a colaboração com o guitarrista Matteo? Realmente não fomos nós que prescindimos dele. Nos últimos anos, ele tem

estado muito ocupado com a sua profissão e recentemente teve um segundo filho o que significa que não tinha tempo para se dedicar às gravações e à banda. Isso não significa que ele esteja fora de Canaan. Pelo contrário, esperamos sinceramente que ele regresse no próximo álbum, mas temos de esperar e ver o que acontece. Uma

das principais novidades é também

a inclusão da vocalista

Arianna. Por-

que razão incluíram esta personagem feminina na banda?

Já conhecemos a Arianna há mais de uma década; ela realmente cantou algumas canções do álbum de Weltschmerz “Capitale de la douleur” (2001). Recentemente, voltámos a entrar em contato quando aproveitámos para a convidar para cantar na nossa versão de “House of Cards” dos Zeromancer. Gostámos muito do resultado, por isso, decidimos aprofundar esta cooperação e inclui-la como membro de pleno direito neste novo registo. Ela é uma cantora de semiprofissional com exten-


so treino vocal, como tal realmente foi um prazer trabalhar novamente com ela. Nós tivemos nenhum problema em encaixá-la na medida certa no estado de espírito das faixas; Ela também contribuiu amplamente nos arranjos das linhas vocais assim como nalgumas das letras. Esta cooperação provou ser bastante satisfatória para ambas as partes, embora ela provavelmente gostasse que a sua voz tivesse soado um pouco mais limpa do que realmente ficou. Os problemas de estar em Canaan, eheh. Esteticamente, a vossa sonoridade continua dentro dos parametros do Dark Ambient Gothic Rock, facilmente reconhecível como sendo Canaan. Mas sentes que o dueto vocal homem/mulher é, de certa forma, um regresso ao conceito explorado em Weltzchmerz? Obviamente que vejo pontos de contacto, uma vez que ambas as bandas compartilharam alguns elementos (eu, Alberto, Andrea e Arianna, com o Nico em Canaan e o Tony em Weltschmerz...), os mesmos instrumentos e o mesmo local de gravação (a minha cave, basicamente...). No entanto, acho que as diferenças são extremamente relevantes; Canaan é mais áspero e mais pesado, enquanto Weltschmerz tinha um toque de alguma forma “suave”. Ouso dizer que a “encarnação” atual dos Canaan é a mais “doom” de sempre e que produz a música mais pesada do que algo que tenhamos tocado no passado. Bem, vamos ver o que aí vem, mas, para ser honesto, estou completamente satisfeito com o estado atual das coisas. A

experimentação vocal e os tratamen-

tos nas linhas vocais foi uma das principais preocupações da banda para este disco?

Queríamos fugir um pouco da conjunção habitual do jogo de vozes masculina/feminina, que está sempre próximo da fronteira do já foi feito antes por alguém. Por isso, ambos decidimos ir para arranjos vocais fora do vulgar e colocar bastantes efeitos nas vozes. Ao longo do caminho, começámos a gostar mais dessa maneira “extrema” de desfigurar a voz da Arianna e, depois de passarmos o mesmo encadeamento de efeitos na minha também, tornámos tudo muito mais consistente do que no começo. Não demorou muito para que

encontrassemos o caminho certo para posicionar a voz incrível dela na mistura, uma vez que já tinhamos ultrapassado o obstáculo inicial de usar esse elemento incomum para nós, como era a primeira vez que tinhamos uma voz feminina em Canaan. O

“contro.luce” foi Porque regressaram às letras em inglês? A música e as letras em Canaan sempre saíram em condições criativas muito “impulsivas”; com quase duas décadas de existência da banda, nunca planeámos nada definimos uma determinada direção – apenas deixamos as coisas acontecer de forma livre e desenfreada. Voltando à questão: por um longo período, todas as letras que fui escrevendo saiam em Italiano (talvez a experiência de Neronoia tenha tido influência), e eu pensei que seria um erro tentar traduzi-las. A partir de 2010, recomecei a escrever em inglês e a Arianna (que contribuiu bastante para os textos) também tinha algumas letras em inglês, por isso, decidimos ir por esse caminho sem pensar muito nisso. álbum anterior

todo gravado em italiano.

Canaan

continua a ser a tua principal

prioridade ou veremos outro álbum do

Neronoia em breve? Neronoia está atualmente parado – aliás, para ser honesto, está em espera desde 2008. No momento não sei se também lançaremos um novo CD sob essa designção. Gostaria muito que isso acontecesse, mas seria necessário “alinhar” uma longa série de eventos, lugares, pessoas, e eu não estou a ver como esta combinação poderá suceder. Não mudaria de prioridades, uma vez que Neronoia está inativo, enquanto Canaan está melhor do que nunca. Como tal, é inútil comparar estas duas realidades; só o tempo dirá se voltarão a existir gravações de Neronoia... projeto

Para

este registo, seguiram o vosso

bastante original processo de composi-

ção e gravação, baseado sobretudo na improvisação e em que os membros da banda trabalham separadamente?

Não desta vez. No início de 2011, uma série de acontecimentos e coincidências fizeram com que nós os quatro nos reuníssemos pela primeira vez desde 2008 ou assim. Durante cincou ou seis

noites tocamos juntos como uma banda “real”, algo que não tinha acontecido em anos. Essas sessões serviram para criarmos estruturas para todas as novas faixas; subsequentemente, cada um de nós gravou algumas partes, na linha do que fizemos para os álbuns anteriores. Mas, desta vez, as estruturas básicas das músicas foram construídas com um processo de “normal”, e acho que, de alguma forma, isso reflete-se no resultado final. A improvisação teve um papel crucial, mas foi feito de alguma forma “estruturada”, ao invés de um completo “salto no escuro”. Simultaneamente, geres a Eibon Records já há alguns anos. Recentemente assinaste um manifesto no site da editora, em que referias que, apesar vivermos atualmente num “apocalipse musical”, pretendes insistir com o teu trabalho. Porque achas que as pessoas devem continuar a apreciar a música associada a produto físico?

A Eibon foi o meu trabalho a tempo inteiro durante quase uma década mas fui forçado a que voltasse ao estatuto de hobby quando as vendas começaram a cair e cair e cair novamente, por volta de 2007 ou assim. O cenário agora é drasticamente desconfortável. A música em si deixou de ter importância. Um disco é como um osso de dinossauro enterrado num campo. Milhares de “0” e “1” num disco rígido de um anónimo, juntamente com as fotos do seu cão e filmes porno, tomaram o lugar de um objeto físico. Milhões de arquivos por categorizar mataram o prazer de ver, tocar, cheirar um vinil, um CD, uma cassete, qualquer que seja o suporte. Realmente parece que nada mais importa, assim que recebes 1 milhão de “likes” e 1 milhão de pedidos de “amizade” de pessoas que realmente não ligam peva nenhuma ao que estás a fazer. Acho que uma das maiores formas de arte está a ser conspurcada e transformada em meros toques de telemóvel, criados com um conversor japonês de mp3 – que transforma um miar de um gato em algo que podemos “postar” na nossa montra social favorita. Peço desculpa, mas isso não é para mim. Ainda tento encontrar tempo, esforço e paixão para produzir algo que vá durar um pouco mais do que um peido digital.


Quisemos trazer alguns elementos dos álbuns mais antigos, como “Destroy The Opposition” e “Killing On Adrenaline”, de volta à sonoridade da banda. Então quando me dizes que o novo álbum te faz lembrar esses álbuns significa que um dos nossos objetivos para este lançamento foi cumprido. É

a estagnação uma ameaça constant

ou consideram que o vosso som é algo fresco, no que respeita ao contemporâneo?

Death Metal

Queremos sempre estar ocupados. Queremos ser uma presença constante na cena Metal. As modas veem e vão, o gosto das pessoas muda e há sempre uma necessidade de evoluir o nosso som a dada altura. Mas se levas a cabo muitas alterações então é provável que isso afaste os fãs mais antigos. A

persistência de temas líricos como

política, ódio, uma sociedade que não vê as suas próprias falhas; estas reflexões ainda têm a mesma inspiração e força depois de todos estes anos?

Sim. O mundo é um sítio horrível e usamos o mundo como a nossa inspiração. Acreditas que com a “digitalização” da indústria musical vão surgir cada vez mais bandas de

Como correu a “18 Nights Of Blood”? Houve algo nesta tour que se tenha destacado para ti (a organização, as bandas, o público...)? A tour foi algo divertiso de se fazer. O momento de maior destaque é mesmo o lançamento do nosso novo álbum, “Reign Supreme”. Mas é sempre bom poder tocar para os fãs e para as bandas que nos acompanharam.

nada com o estatuto da banda?

Quais

Achas

são as principais diferenças que

apontas entre o processo criativo deste álbum e dos anteriores?

A primeira diferença é que desta vez foi o John (Gallagher) a escrever as letras. É a primeira vez que o John tem um papel maior no processo de composição. No entanto diria que este álbum teve um desenvolvimento semelhante ao “Descend into Depravity” (álbum anterior). Podemos considerar o título “Reign Supreme” como uma analogia relacio-

outras palavras, dirias que os

Por Dying

Fetus estão a reinar com supremacia na cena do Death Metal atual? Disseste tudo. Escolhemos este título por duas razões: a primeira é que queremos apresentar-nos como confiantes e fortes; a segunda razão é que era o nome que soava melhor entre todas as hipóteses que foram surgindo. que o álbum está a ser bem rece-

bido pelos fãs?

Se

sim, qual as reações

gerais tanto dos antigos fãs como dos

mais novos? Temos recebido feedback positivo. Tanto os fãs novos como os mais antigos receberam bem este álbum que produzimos.

Sentes

que há mais momentos primor-

diais ou revivalistas neste álbum?

Por exemplo, há aqui momentos que assemelham-se muito a “Destroy The Opposition”...

Metal

ritório às editoras?

a conquistar ter-

O velho modelo da indústria musical não funciona. Vai ter que mudar. Os músicos e as editoras precisam de encontrar uma solução para que ambos sejam compensados pelo seu trabalho. Das

vezes que visitaram

Portugal,

com

que impressão ficaram do nosso público e das bandas que partilharam o palco com vocês?

Passamos bons momentos da última vez que fomos a Portugal. Tocamos no Porto, que é uma cidade muito bonita. No que respeita aos fãs, eles são impecáveis connosco. São muito generosos e têm muita energia. Quando será a próxima visita a terras Lusas? E até lá, há alguma mensagem que queiram deixar aos vossos fãs para apimentar as coisas?

Não sei quando vamos voltar, mas quero agradecer a todos os nossos fãs pelo apoio.


Ultimamente

têm estado muito ativos

Mastodon. Como foi passar este tempo com eles? Eles são excelentes! Temos todos mais ou menos a mesma idade e temos muito em comum com eles, por isso foi muito bem poder conhecê-los um pouco melhor durante estas tours. na estrada com os

Têm

alguma daquelas histórias de tour

que gostassem de partilhar?

Hmm... Provavelmente não é boa ideia partilhar nenhuma dessas boas histórias... Também marcaram presença no último Roadburn Festival. A maioria das bandas sonha em tocar lá. Falem-nos um pouco dessa experiência... Foi incrível. Conhecemos o Walter (organizador do festival) quando tocamos em Tilburg com os Mastodon e soubemos de imediato que seria uma experiência fantástica. Ele orgulha-se muito das bandas que traz e o festival possui uma excelente organização. Depois disso, tínhamos lá tantos amigos nossos que foi quase como uma reunião de turma ou algo do género. “Red Fang” e “Murder The Mountains” são dois álbuns muito diferentes e também muito aclamados. Como é que os comparas? O “Red Fang” é tipo a nossa cassete

Punk gravada na cave, enquanto que o “Murder The Mountains” é um álbum mais intencional. Ambos veem do mesmo sítio a nível musical, mas um deles foi concebido como um todo enquanto que o outro foi tipo “salada russa”. Mas gosto bastante dos dois.

último álbum?

Podemos contar com novo material para breve? Quando é que vão regressar ao estúdio? Aproveitamos todas as oportunidades para gravar novo material. Esperamos regressar ao estúdio ainda este inverno, para podermos lançar algo a meio de 2013.

Vão tocar em Portugal pela segunda vez este ano, desta vez no Milhões de Festa, em Barcelos. O que acharam do público de Lisboa em janeiro? E sobre a cidade? Lisboa é uma cidade muito bonita e com muita história e ainda assim aparenta ser relativamente desconhecida. O público foi fantástico e muito recetivo. Não fazia ideia daquilo que me esperava pelo facto de sermos a primeira de três bandas a tocar num palco tão grande, mas foi óbvio que as pessoas sabiam quem nós éramos e ficaram muito felizes por termos chegado a Portugal.

Um dos aspetos mais curiosos de Red Fang é o conteúdo lírico. O que inspira as vossas letras? Não posso dizer de onde veem as letras do Bryan, mas para mim, na maior parte das vezes são inspiradas por documentários ou histórias mais ou menos verídicas que acontecem no mundo. Em algumas ocasiões são odes ao meu pobre gato, Hank, o qual tive que “pôr a dormir” no meio das gravações de “Murder The Mountains”. Também

tenho que mencionar os vos-

sos vídeos.

São

sempre hilariantes e

incluem muita cerveja e coisas bem esquisitas. vídeos?

Quem é o génio por detrás dos Têm mais algum planeado para o

Whitey McConnaughy é o cérebro e os músculos dos nossos três vídeos. Provavelmente não vamos gravar mais nenhum para promover “Murder The Mountains” mas é certo que vamos gravar pelo menos dois no próximo álbum.

Tendo em conta que é um festival, os fãs Portugueses podem esperar algo de diferente para o vosso concerto em julho? É muito provável que se aposte num diferente set para o concerto de julho e acho também que estamos muito mais confiantes nas nossas apresentações ao vivo. Os festivais são sempre divertidos porque tudo e todos estão focados na música e as pessoas estão sempre prontas para festejar.


Não se ouve muito falar em Helldorados… Falem-nos um pouco acerca deste projeto… Pierre: O apocalipse musical deixou a indústria da música de todo o mundo em ruínas. O próprio “Papão” vomitou os quatro escolhidos nas ruínas de Estugarda, Alemanha. A nossa missão: “Sleaze Metal” ao máximo! Steve: ... sim, foi algo parecido (risos). No press release pode-se ler que os Helldorados são a mistura do potencial de uma música dos Abba com Guns N’ Roses e com a brutalidade dos Pantera. Para além de inserirem os Abba, os Guns N’ Roses e os Pantera na mesma frase também o quiseram fazer no mesmo álbum, na banda e em cada música. Como é possível? Steve: Se eliminares o “peso” de todas as grandes bandas de Hard Rock, vais poder constatar que baseia-se tudo em harmonias e em bons arranjos. E já agora, os Abba sabiam como compor

grandes harmonias e arranjos. Pierre: Não é tão relacionado com a música das bandas, mas sim com aquilo que elas representam. Os Abba só compuseram hits. Os GNR tinham atitude e os Pantera eram a força do Heavy Metal. Julgo que ambas as bandes tinham algo com que os Helldorados se podem identificar. Se queres estar apto para compor uma música única e sem prazo de validade, então tens que ter a mente um pouco aberta. Estugarda

HipHop mains(tal como podemos verificar no vosso MySpace), mas felizmente estão dispostos a mudar isso. Como esé a casa do

tream alemão

peram ressuscitar as grandes massas do underground?

Steve: Estes miúdos estão perdidos; não seremos capazes de os pôr em segurança. Pierre: Sim, mas para todos os outros estamos a trabalhar o melhor que podemos, todos os dias. Finalizamos

agora o nosso álbum de estreia pela Massacre Records. Vai ser lançado sexta-feira 13 e vais ter que ouvi-lo! Boas melodias, uma produção cuidada e uma banda cheia de força, sem qualquer tipo de dúvida. Vamos apanhar-vos, um a um. O Metal está morto em Estugarda? Pierre: Claro que não. Há aqui muitas bandas de Heavy Metal em toda a região. Basta olhares para as editoras que existem... Temos a Nuclear Blast, a Metal Blade, e claro, a nossa editora, a Massacre Records mesmo aqui ao lado, apenas para citar algumas. Steve: A boa música nunca morre. Cabe a ti decidir. Qual

a vossa posição em relação ao

mundo e à música?

Steve: Luta por aquilo em que acreditas. Fazemos aquilo que mais gostamos – criar música única e ser respeitados por isso.


A Alemanha deu à luz bandas como Nargaroth e Helloween. Musicalmente, estão mais próximos da última. Quais foram as bandas que vos inspiraram? Pierre: Se nos estás a perguntar quais as bandas alemãs, então vais encontrar nomes muito bons entre Kreator, Scorpions ou até mesmo Victory. Steve: Existem tantas influências, hoje em dia. O Gunnar (baixista) ouve muita coisa dos anos 70, como Led Zeppelin e The Who. O Chris (baterista) gosta mais do Thrash dos anos 80, como Sacred Reich ou Testament. O Pierre ouve de Guns ‘N Roses a Drive By Truckers, ou cenas esquisitas da Islândia. Eu gosto sempre de ouvir Kiss, Dokken, Boston e até mesmo Abba.

a letra da música “You Live, You Learn, You Die” veio até mim de forma muito simples, pois experienciei cada uma das palavras, mas isso não significa que a música “Girls” seja menos importante. Longe disso! Para muitos até pode ser a melhor faixa do álbum. Depende sempre de cada um. Steve: Sim, cada música conta a sua própria história, tanto a nível lírico como musical. Gosto de todas elas. Consegues até mesmo ouvir o nosso sangue, alma, suor e lágrimas em cada nota e em cada batida. Damos sempre 100% em cada música.

Quais

Pierre: Gravamos no famoso Horus Sound Studios, em Hannover, com o produtor Mirko Hofmann e Frank Bornemann. Bandas como os Scorpions, Helloween, Kreator, Paradise Lost, HIM e Guano Apes gravaram alguns dos seus discos mais importantes nestes estúdios. Steve: A atmosfera nos Horus Studios é deveras inspiradora. Gravamos todas as músicas em 13 dias. Acordavamos às 7h da manhã, fazíamos um aque-

são as músicas que compõem a

parte mais sólida do álbum?

Pierre: Diria que todas as músicas são sólidas e são algo de muito especial para cada um de nós. Não há músicas fortes ou fracas para nós. Cada música conta a sua própria história mas penso que é importante o facto deste álbum ter algo para oferecer a cada um dos ouvintes. É essa a razão pela qual temos faixas rápidas, pesadas e mais lentas no nosso álbum. Por exemplo,

Onde

gravaram o vosso álbum e quem

esteve por trás do processo de gravação?

cimento, começavamos às 8h e só terminávamos as gravações às 22h. Trabalhamos sempre com muita concentração na nossa música e este tipo de coisas faz com que a banda cresça como uma verdadeira unidade. A Alemanha

apresenta uma das maiores

Heavy Metal em todo o Metal tem vindo a crescer em outras partes do globo... Como veem esta mudança? Steve: Desde que seja boa música e que goste, não quero saber de que país vem. Pierre: O mundo continua o mesmo mas a comunicação tornou-se muito mais rápida e fácil nos últimos anos. A Alemanha continua a ser o terceiro maior mercado musical do mundo. Não há banda ou artista internacional que não queira tocar e vender os seus lançamentos aqui. O problema é que muitos dos artistas alemães não querem sair do seu aquário para ganharem dinheiro por si. Tudo isto porque temos muita coisa disponível... por isso, muito honestamente, não sei. Steve: É deixar a coisa andar e ir fazendo o nosso trabalho. indústrias de mundo.

No

entanto, o


http://www.perigo-de-morte-new.blogspot.com


Contraverso

No campo de olhos

No verso do verso está a frase perdida

A chuva cai do espaço como se o seu alvo fosse o chão

no lado não visto está a estrofe vivida

o terreno molhado range por baixo das botas lamacentas

não verso negro que não leste está mais um mundo que não viste transportas me teus olhos o poder de conhecer

é o regresso à vida vindo do trabalho no campo de olhos não há árvores mas do emprego, simples retalho

o que não viste foi deixado a perder vê o que és quando só existe um lado

fatia da civilização o poder de observar

o que é a felicidade, quando não há controvérsia? o que é a luz quando não há um lado negro?

desejo enquanto ando nos olhos do campo olhar com curiosidade, ou mesmo esperança olhos cansados ou simplesmente desprezados

na face do perigo por entre versos no mundo que deixaste de conhecer por medo.

caras iguais pregadas à terra rostos perdidos gravados em pedra

Não podes chegar à lua sem saíres do chão não podes ver as estrelas se já viveres na luz

olhos oucos sem esperança

o que está no contraverso que não foi visto na realidade? está o lado do mundo que não te é dado junta-te a mim no lado contrário sem verdade sem realidade somos nós e só nós estamos sós no lado negro da lua no lado luminoso do sol somos pó só nós no contraverso sós.

esta cidade em toda a sua ruralidade é campo de olhos da face escolhos fixaram-me olharam-me observaram-me uma voz ecoou quem és tu? que por aqui andar ousou? sou aquele com uma face de carne de osso sou cego em vocês procuro sossego


são cronológica dos volumes vamos ter uma visão abrangente não só das bandas da capital minhota mas também da evolução da cultura musical urbana em Portugal e até um raio xis da sociedade portuguesa – pode-se fazer História com estes discos! Logo no início, nota-se nos dois primeiros volumes (também eles com menos tempo de intervalo entre eles) que o “post punk”, o “industrial” e o “dark” eram os vectores musicais que mexiam Braga (e o resto do país) através da “gangue” que circulava em volta dos Mão Morta, sem dúvida a banda mais conhecida da cidade. A colectânea de 2004 já explode em várias frentes: alt. country, Funk, Metal, Electrónica e até Hip Hop. Em 2012 as “divergências sonoras” continuam numa alegre salganhada de estilos representados pelas 23 bandas. Considerando que em Portugal não existe um único instituto público – ou privado? – que coleccione os fonogramas editados no país, é realmente de considerar as colectâneas À Sombra de Deus como um caso de salutar pelo o objectivo do projecto e pela regularidade do mesmo. Este ano por âmbito de uma comemoração qualquer da em volta da Juventude lança-se o quarto volume. Suponho que o Governo português – tenha ele acabado com o Ministério da Cultura ou não – nunca tenha pensado o quão importante poderá ter um acervo público de discos de música portuguesa. Nem que seja pelo caso mais fácil de pensar que é pela necessidade do seu estudo seja na vertente popular seja na de vanguarda, já para não falar da importância de património dos objectos e colecções. A verdade é que se alguém quiser estudar o Rockabilly em Portugal ou música electrónica portuguesa, eu pergunto, onde uma pessoa poderá investigar? As respostas não são satisfatórias: 1) Através de colecções privadas de “cromos” (coleccionadores alucinados e outras espécies de ser humanos) – o que significa que se o cromo for doido

ou se fartar de aturar malta a mexer-lhe nos discos, acaba-se a mama! 2) Pela cultura digital: youtubes, wikipedias, mp3, etc… giro, giro mas a internet não é segura em dados, não se pode consultar embalagens (pode ser importante para um trabalho sobre grafismo Punk, por ex.), etc… 3) Fonoteca de Lisboa… espera lá? Essa merda ainda existe? Parece que sim, havia rumores que ia acabar mas parece que mudou de sítio apenas… bom, afinal ainda existe uma colecção pública para irmos consultar discos. Ainda assim é um equipamento municipal e não nacional, significa que é mais fácil de desaparecer do que uma instituição do governo central, por exemplo – ou talvez não, alô Ministério da Cultura? Por estas razões, mais até que a qualidade da música propriamente dita, é que as colectâneas À Sombra de Deus são importantes até porque a primeira saiu em 1988, seguido pela segunda em 1994, a terceira em 2004 e agora o quarto volume que aliás é duplo. Produzidas pelas mãos dos Mão Morta e da Câmara Municipal de Braga, são preenchidas com temas inéditos de bandas Bracarenses. O grande objectivo é fazer uma apresentação do panorama da música bracarense, e ao longo da progres-

É quase impossível ouvir os dois discos deste 4º volume sem ficar irritado com uma ou duas músicas, não porque os estilos sejam repreensíveis – quem ache isso ainda tem de crescer ou deixar de ser um fascistazinho do gosto – mas sobretudo porque haverá sempre músicas insuportáveis para gregos e para troianos. Quem ouve Pop redondinha vai ficar lixado em ouvir as três bandas Metal que aparecem: Vai-te Foder, Spitting Red e Hunted Scriptum – já agora todas elas com algum interesse! Quem não suporta Pop/Rock e “cantautores” (como eu) vai-se passar com Governo (que treta este walter hugo mãe! Quem é que lhe incentiva a cantar?), Cavalheiro (cristãos em ressaca FlorCaveira?), Balão de Ferro (rock de letras mongas), Smix Smox Smux (um terrível orelhudo com uma letra freudiana), The 1969 Revolutionary Orgy (Blues de látex que engana as expectativas do nome da banda)… Depois há as coisas que não batem bem, não que elas sejam propriamente boas mas pelo menos deixam-nos confusos como Anguria e Monstro Mau fazem funks fatelas (Monstro Mau rapina Parliement/ Funkadelic) mas pelo menos as letras não são óbvias, Nyx um exercício


electro-acústico com voz de Diva lírica, Palmer Eldritch com “glitches” simpáticos, e Ermo que não se percebe se querem ser uma banda de Dark Folk ou apenas um grupo de coro gregoriano que nos faz gregoriar. Todo o resto é a produção profissional musical Pop/Rock que este país alcançou sem que isso mostre rupturas sonoras de nenhuma forma ou até mereça referência – convenhamos quem quer dar mais “hype” a bandas como Peixe:Avião? Acho que não merecem… E claro, no meio há toda a “família” Mão Morta que não desiludem, como é óbvio. Os próprios com uma participação com ar retro, Estilhaços com o Adolfo Luxúria Canibal a recitar Mário Cesariny

(1923-2006) e os Mundo Cão. De enaltecer os feitos dos Mão Morta em instigar essas colectêneas fazendo um trabalho público que poucos se lembrariam de o fazer ou que poucos se dignariam em fazé-lo e sobretudo em continuá-lo. Ministério da Mão, já! Concluíndo, este retrato possível de Braga é mais ou menos igual ao que poderia ser o de Lisboa ou outras cidades do país, ou seja, temos música Pop / urbana que replica os modelos anglo-saxónicos sem grandes feitos de originalidade ou de vontade de sair da mediocridade, acrescentados por um ícone. As bandas mostram-se limpas e profissionais com vontade de ir até ao Templo da Fama

sem quererem fazer pactos com o Diabo. Sendo Braga a cidade que deve ter mais igrejas e capelinhas por metro quadrado, pelos visto mesmo sendo a cidade mais jovem da Europa, os seus jovens não desejam ser irreverentes – como o foram os Mão Morta – mas preferem ser atinhadinhos. O “Sr. Atinado” é aliás um sinal dos tempos que se vive nesta Europa envelhecida que contagia o pensamento, a acção e a arte. Vamos ter de esperar por boa música numa colectênea a intitular-se “À Sombra de Deus – Neo-Bracara 2017”! Como sabemos por volta dessa data o Mundo já acabou e os Mutantes governarão o Século XXI. Amén!


Este é um álbum histórico que marca o fim da carreira em estúdio de uma lenda do Doom Metal, que apesar de tudo cala os rumores que a banda se iria separar. Pois, ao 11º registo, os suecos prescindem das gravações e decide concentrar-se nas atuações ao vivo. A verdade é que, sem ponta de nostalgia, “Psalms for the Dead” homenageia da melhor forma os primórdios de Candlemass, que desde 1984, com registos como “Epicus Doomicus Metallicus” os elevou a ícones do Metal. Estamos perante 50 minutos de pura essência de Doom Metal épico, majestosamente composto e produzido. Dele resultam 9 temas que sobrevivem individualmente, tal a qualidade patente, pelo peso, clareza sonora e insuperável mestria dos executantes. A simultaneamente base de pujantes e melódicas guitarras, baixo e bateria, há que referir a

prestação magnífica do vocalista Robert Lowe (dos Solitude Aeturnus, que, infelizmente, não cantará estes temas ao vivo) além do teclista convidado Per Wiberg (dos Spiritual Beggars, ex-Opeth), com o seu típico registo seventies. Realce para o tema de abertura “Prophet”, o single “Dancing in the Temple (of the Mad Queen Bee)” e para o fecho “Black as Time”, com um arrepiante momento de spoken word, cuja letra diz tudo: “Slowly and almost unnoticed… second by second…tick tock, tick tock, tick tock… it continues the countdown closer to your grave… until it finally stops. TIME IS BLACK!” O fechar do circulo. Edições especiais em vinil com temas extra e edição limitada CD+DVD com uma bandeira e um poster. José Branco


A expressão “Nautik Doom Metal”, encontrada pela editora para descrever a sonoridade dos Ahab, pode “assustar” alguns leitores que ainda não tenham tomado contacto com a banda. Contudo, poderá também valer alguma curiosidade para conhecer melhor o trabalho deste quarteto alemão. Ao terceiro álbum, a fórmula Funeral Doom versando sobre temas náuticos, ou não tivesse a banda o nome do protagonista do épico Moby Dick -, está polida e faz dos Ahab um dos nomes a ter em conta na cena Doom atual. Mais progressivo, dinâmico e complexo, o registo da banda do vocalista/guitarrista Daniel Droste pode tanto agradar ao fã de Doom/Death como a alguém com a mente suficientemente aberta para embarcar nestas águas. Desta vez, a inspiração é uma história de Edgar Alan Poe, “The Giant”, que, ao longo de seis

longos capítulos, se carateriza pela maior predominância de partes limpas. As melodias são construídas lentamente, à base de guitarras reverberantes e vozes limpas (aqui com a ajuda de Herbrand Larsen dos Enslaved), até culminarem em abrasadora distorção, como o bater de uma gigantesca onda numa tempestade no mar alto. O ambiente oceânico vai oscilando entre a tenebrosa desilusão, a caminho da loucura, até à ocasional agressividade. Apesar de estarmos perante uma gravação analógica, a produção é magnífica (tratando-se do primeiro trabalho da banda gravado fora de um estúdio caseiro), pois faz sobressair os majestosos leads de guitarra e inebriantes coros. Existem edições especiais com temas extra em digipack e vinil. José Branco

Tomando como base Thoreau e o seu “Walden” - obra central do transcendentalismo na qual o escritor descreve a sua vivência de dois anos numa cabana nos bosques de Massachusetts, exaltando os valores da auto-suficiência e de uma existência simples Sascha Blach, sob o nome artístico de Alexander Paul Blake, surge com o seu primeiro álbum a solo. A proposta é um rápido black metal intercalado com secções neo-clássicas, tão característico de projectos individuais. Blach é responsável por todos os instrumentos e, salvo uma bateria por vezes um pouco errática, fá-lo bem. O grande problema reside ao nível da composição, frequentemente a oscilar entre o previsível e o desenquadrado. A fraca produção não beneficia o disco, que pedia algo mais límpido e a soar menos caseiro. Não sendo intrinsecamente um mau

trabalho, encontra-se simplesmente imerso em clichés datados e irrelevantes nos dias de hoje. Com a perfeita consciência do exercício de futilidade que é comparar qualitativamente, por exemplo, uma ópera de Puccini a um livro de Dostoievski ou a um quadro de Van Gogh, mas tomando em consideração o grau de pretensiosismo inerente ao trabalho de Blach, não me resta senão afirmar que fica deveras aquém dos seus ídolos. Poderia ter resultado melhor se tivesse sido feito em jeito de homenagem, mas o caminho escolhido foi bem mais pantanoso. Jaime Ferreira

Os holandeses “Bodyfarm” nasceram em 2009 e, um ano depois, lançam o seu primeiro EP homónimo e que foi um claro tributo ao Death Metal da década de 90. Surgem agora com o seu primeiro longa-duração intitulado “Malevolence”. O álbum, é, sem sombra de dúvida, um salto em frente relativamente ao primeiro registo da banda, mantendo-se muito fiel ao estilo Death Metal que os carateriza, mas acrescentando alguma frescura aos temas, o que é sempre uma mais valia. As letras abordam os temas clássicos deste género musical como a morte e a guerra, onde se podem notar algumas influências de bandas como os “Slayer” e os “Bolt Thrower”. Temas a ter em atenção são “Demons Of The Cross”, “The butcher”, “Tombstone Crusher”, “I Am The War” e “Cryptic Realms”, uma versão dos “Massacre” que conta

com a participação de Kam Lee nas vozes. Em suma, “Malevolence” é um excelente trabalho dos Bodyfarm, que se revelam bastante mais maduros a todos os níveis e com uma enorme margem de progressão e que proporcionam aos fãs de Death metal momentos bastante interessantes. Vale a pena ouvir! Rute Gonçalves


Ao sétimo álbum este projeto italiano continua em busca de evolução dentro do seu estilo Dark Ambient Gothic Rock. Desta vez, os aliciantes do novo registo começam nas mudanças de formação, com a saída do penúltimo elemento fundador ainda residente, o guitarrista Matteo Risi, e a entrada de uma segunda vocalista, Arianna. E a verdade é que as diferenças fazem-se sentir, claro, dentro do estilo vincado de Canaan. Optando por editar um álbum duplo, dividindo desta feita os temas instrumentais, concebidos ao estilo de uma banda sonora, e os temas em formato canção. Estilisticamente, desta vez as letras são todas cantadas em inglês, sobressai a menor utilização de elementos étnicos, valorizando o dueto vocal entre Mauro Berchi (líder e membro fundador restante) e Arianna (um boa surpresa) e a força das melodias de teclados

em detrimento das guitarras. Contudo, para quem já conhece o perfil desta banda, ao longo de quase duas horas de música, estas são mudanças que se diluem ao fim de poucas audições. Abordando o medo, frustração, dor e revolta, as caraterísticas do som da banda estão mais trabalhadas do que nunca, ao nível da produção e da composição. Os temas instrumentais estão mais “musicais” e menos dark-ambient e as canções, grandiosamente tristes, com refrões memoráveis, mas com maior claustrofobia, privilegiam ritmos mais pesados e arrastados, não beliscando a negritude e sombras em que a banda se “doutorou” ao longo dos anos. A primeira edição vem num luxuoso digipack. José Branco

Segundo trabalho da jovem banda americana, “Blacklands” chega até nós apenas um ano depois da afamada estreia “In Witch Order”. Praticantes de um doom metal clássico, em iguais partes Candlemass e Cathedral, o trio encabeçado por Elizabeth Blackwell tem nesta vocalista e baixista um dos seus vértices mais distintivos. É com o excelente “Ever Hunter” que se inicia a algo curta viagem - pouco mais de meia hora - ao universo dos Castle. As capciosas composições de Mat Davis, não obstante serem quase sempre munidas de refrões facilmente memorizáveis, transportam-nos para um mundo oculto e sombrio, no qual nos deixamos, sem resistência, enredar. Oscilando entre os registos mais rock do referido tema de abertura, de “Storm Below the Mountain” e de “Venus Pentagram”, e o doom puro e duro dos restantes temas,

o resultado final é um disco que nos impele a que o ouçamos repetidamente e que, sobretudo, desperta a curiosidade para um concerto do trio. Muito bem pensado e executado, nada há a apontar acerca da técnica dos instrumentistas, que habilmente fazem resultar os seus maneirismos retro - totalmente assumidos, diga-se - que chegam a remeter para Jinx Dawson e os seus Coven. Sem dúvida uma das mais promissoras propostas da nova geração doom, o coerente “Blacklands” pode (e deve), com a devida promoção, permitir aos Castle voos bem altos. Jaime Ferreira

Dantalion é um quarteto de Galícia, Espanha, e apresenta-nos aqui o seu 4º álbum, uma obra de Black Metal bem sólida. Return to Deep Lethargy poder-se-ia chamar inclusivé um trabalho de Depressive Black Metal, tenho em conta a sua natureza arrastada e melancólica, na sua maior parte relativamente lento, mas tendo algumas músicas ritmos relativamente mais apressados, o que dá uma boa variedade ao álbum e o impede de se tornar monótomo. O foco aqui está sem dúvida nas guitarras e vocais; os riffs, apesar de não variarem muito, são extremamente melódicos e providenciam uma óptima atmosfera, cujas vocais gritadas e gemidas do vocalista Sanguinist complementam quase na perfeição. Por vezes são audíveis uns acordes acústicos, que, apesar de escassos, ajudam a manter a atmosfera bastante orgânica e

constante que se faz sentir ao longo do álbum. Possuindo também uma produção bastante limpa, este álbum torna-se de fácil audição, sendo ideal para alguém que tenha interesse em aventurar-se por este subgénero do Black Metal, contendo no entando, qualidade suficiente para agradar a qualquer fã do subgénero. David Horta


Este EP é o aguradado regresso da banda francesa. Depois da sua trilogia de álbuns lançados ente 2004 e 2010 (Si monvmentvm reqvires, circvmspice; Fas-Ite, Maledicti , in Ignem Aeternum; Paracletus), a banda deixa deum pouco lado a onda mais avant-gard, acabando por voltar um pouco às origens, apesar de manterem alguns dos elementos a que nos habituram nos últimos lançamentos. Os Deathspell Omega afirmaram-se na última década como sendo o expoente máximo da cena de black metal gaulesa, que nos tem presenciado com bandas de extrema qualidade. Riffs rápidos, batidas fortes e dissonâncias são os elementos mais presentes neste registo. As musicas são curtas, algo inédito em lançamentos de EP pela banda. São 20 minutos de puro caos distribuido por 6 faixas, que acabam por saber a muito pouco. O incio é

mais calmo e ambiental, mas logo acelera e atinge o auge na segunda musica “Fiery Serpents”. Mantém-se nesse ambiente caótico e dissonante até à ultima musica, onde volta a acalmar e regressa a um momento mais ambiental. No meio de todo o caos, a musica de maior destaque é a “Scorpions & Drought”. Depois de alguma espera, este EP não desiludiu, mantendo a qualidade do inicio ao fim de uma forma constante. Recomenda-se a audição deste a todos os que gostam do estilo. Os que não conhecem, têm aqui uma excelente oportunidade para começarem a conhecer. Rita Limede

Os “Devilish Impressions” são uma banda polaca de Black Metal, nascida no ano 2000 pela mão dos músicos Quazarre, Turquoissa e Starash. A sua primeira demo intitulada: “Eritis sicut Deus; Verbum Diaboli Manet in Aeternum; Vox Vespertilio Act I – Moon Var Dies Irae” foi lançada em 2002 mas é apenas em 2005 que a banda lança o seu primeiro longa-duração de seu nome “Plurima Mortis Imago”. Regressam agora com “Simulacra”, o seu terceiro álbum. O disco é uma impressionante demonstração de dedicação ao Black Metal, com riffs poderosíssimos e um desempenho vocal irrepreensível (Quazarre soa quase demoníaco, diria eu). Claros exemplos disso são os temas: “Icaros”, “Legion of chaos”, “Lilith”, “The scream of the lambs”, “Vi veri vniversum vivus vivi” tema influenciado por Edgar Allan Poe e, em especial pelo seu poe-

ma “The Coliseum” e “The last farewell”. O disco conta com as participações especiais de Lestath (StrommoussHeld) e de Flumen (Asgaard). “Simulacra” é sem sombra de dúvida, o trabalho mais consistente dos “Devilish Impressions” até agora, apostando numa inteligente complementaridade entre os elementos mais agressivos e os ambientes sinfónicos. Excelente trabalho! Rute Gonçalves

Os pilares do Death Metal norte-americano voltam a destruir os incrédulos neste sétimo registo, descendente venéreo do ‘Descent Into Depravity’ de 2009. Não há que esperar inovações ou artimanhas artísticas fora do comum (sendo este o ponto que irá dividir os fãs mais saturados, que esperavam algo excessivamente marginal aqui); contudo, isto é puro Dying Fetus: tecnicamente articulado, com refrões colossais e arrastadores a marcarem o estilo característico da banda, inatos à mesma agressividade que a temática ‘fuck your shit’ tem no seu campo lírico. O contraste entre a tecnicalidade aparente da ‘Invert The Idols’ e os riffs graves de uma ‘From Womb To Waste’ dão-nos um regresso mais aproximado à era slam da banda, sem no entanto haver um transporte total para revivalismos desnecessários.

A ‘Second Skin’ é, sem dúvida, uma das melhores construções aqui projectadas, misturando o shred e o groove de forma exímia. A bateria é frenética sem no entanto soar puramente digital ou desprovida de vida, e cada break é sucedido por explosões cortantes de pura mestria animalesca nas guitarras; um verdadeiro tributo tanto aos fãs e inimigos que redondamente se enganam sobre o destino do projecto. Com ‘Reign Supreme’, John Gallagher e os restantes membros encontram-se no topo da carreira, um legado já de 21 anos que nos impressiona com uma tareia bem dada, onde não temos outro remédio senão gritar: it hurts so good! Ruben Infante


Este é o primeiro álbum da banda suiça de hard rock após a morte, em 2010, do seu vocalista de sempre, Steve Lee. E, talvez por isso, este seja o registo mais emocional de toda a sua discografia. Toda a banda abre aqui os seus corações, expondo os sentimentos e o luto sofrido. Este ambiente sensível é perfeitamente visível em canções como “Tell Me”, que inclui guitarras acústicas, violinos e piano, “Remember It`s Me”, onde parece que a voz se vai desfazer em lágrimas a qualquer momento, ou “Where Are You”, que termina o álbum e é uma óbvia homenagem ao amigo perdido. Mas todos os outros elementos musicais que fizeram deste grupo multi-platinado estão lá. O novo frontman Nic Maeder tem um registo limpo, nítido e, ao mesmo tempo, poderoso, lembrando, por vezes, Jon Bon Jovi. Basta ouvir a “Right On” – onde o talk box

é usado e abusado. As guitarras destacam-se do resto: fortes, pesadas, em sintonia e solos como se pedem no hard rock. O baixo é perfeito na sua execução, chegando a ser audível e, até, sobrepondo-se aos outros instrumentos. Firebith é um álbum clássico do género, onde a banda mostra toda a sua competência e qualidade em produzir grandes canções e é, também, um retorno ao som que praticava nos anos 90, quando tiveram mais sucesso. E, tal como qualquer álbum desta banda, é um must have para qualquer fã de hard rock. Ivan Santos

Influenciados por bandas como Ancient Wisdom ou Electric Wizard, e na mesma onda de Ghost, esta banda francesa cujo nome deriva de uma antiga expressão bretã que significa “caça à bruxa”, edita agora o seu primeiro longa duração, onde misturam brilhantemente o Stoner, o Sludge e o Doom com o rock psicadélico e temas do oculto. É verdade que a França não é o primeiro país em que pensamos quando falamos de metal (nem o segundo, nem o terceiro…), mas este álbum pode muito bem ser a obra-prima do género a sair este ano. No entanto, é difícil definir a que género pertence exactamente. A cada audição descobrimos algo novo. São apenas 6 canções, mas o disco passa os 60 minutos. Autênticas novelas cheias de emoção e inteligência na sua construção, que mostram riffs brilhantes e hipnóticos que rasgam um

som pesado, lento e arrastado e vocais distantes mas sublimes. Também existe em todo o ambiente, um sentimento vintage tirado da música dos anos 60 e 70, muito ao estilo de Ozzy Osbourne. O órgão é uma boa adição à música e reforça a atmosfera negra, o misticismo e o ocultismo em que a banda vive. O único senão do álbum pode ser os demasiados tempos mortos das canções. Mostrando muita maturidade, muita perícia e muito espírito, Huata pode ser um diamante em bruto à espera de ser lapidado. Uma banda a seguir atentamente no futuro. Ivan Santos

Oriundos de Vila Franca de Xira, os “Konad” apresentam em 2012 o seu primeiro longa-duração – “Café Beirute”, após a edição de uma demo em 2007 e de um EP em 2009. As raízes da banda remontam a meados da década de 90, tendo o coletivo sido renovado em 2007. Em edição de autor, o disco revela 16 temas rápidos e incisivos, repletos de influências hardcore/punk/thrash/crust e com letras em português. “Café Beirute”, abre logo de forma brutal com o tema “Mákina de guerra”, abrindo-nos o apetite para o que vem a seguir. Outros temas repletos de sarcasmo e brutalidade a ter em atenção são: “Porcos malabaristas”, “Filhos do ódio”, “Soldado do inferno”, “Choque global”, “Manifesto” e “Café Beirute”, tema que se destaca essencialmente pelas influências étnicas orientais que apresenta. Com captações, misturas e produção a

cargo dos próprios Konad, a masterização por Magnus Andersson nos Endarker Studios na Suécia, “Café Beirute” revela-se um excelente disco de estreia, que prima pela inteligência, coerência e eficácia. Mantendo-se fiel ao estilo musical que escolheram para si, os “Konad” conseguem com este registo, uma obra entusiasmante e nada monótona. Excelente trabalho! Rute Gonçalves


Com sete anos de existência e demonstrando uma boa regularidade em termos de edições, chega-nos agora às mãos o terceiro trabalho dos Nachtblut, quinteto oriundo de Osnabrück. Baseando-se numa fusão de dark com black metal onde frequentemente os teclados assumem proeminência sobre as guitarras, a receita dos germânicos é simples mas eficaz. Tendo como single de apresentação o viciante “Ich trinke Blut” - do qual se realizou um vídeo repleto de sangue e de zombies - “Dogma” é um disco coerente e recheado de composições bem conseguidas, tanto ao nível da execução como da variedade de ambientes presentes, não se permitindo discorrer por momentos morosos ou desinteressantes. Desde os mais canónicos “Der Weg ist das Ziel” e “Busssakrament”, passando pelos dançáveis “Eiskönigin” e “Mordlust”, pela

atmosfera quase Rammstein de “Macht” e até culminar com a belíssima tranquilidade de “Schritte”, dificilmente a nossa atenção é desviada. O destaque mais acentuado vai para “Mein Herz in ihren Händen”, que, com o seu excelente riff condutor, se revela como a peça central do disco e, por conseguinte, o tema mais bem conseguido. Com uma vincada vertente comercial e não descurando nem o aspecto visual nem a produção, o grupo apresenta-se como um todo bem maduro e completo, com excelentes possibilidades de atingir reconhecimento além-fronteiras. Jaime Ferreira

Este lançamento self-titled é o muito aguradado segundo longa duração da banda sueca de death metal. Apesar de serem uma banda relativamente recente, praticam um death metal old-school, que nos faz lembrar por exemplo, uns Morbid Angel, Entombed ou até mesmo Obituary. Todo o album tem aquele feeling do death old school, quer seja pelos riffs, alguns solos ou até mesmo pelas temáticas líricas (ver por exemplo as letras da musica “Sepulchreal”). Além dos elementos de death metal tradicicional, encontramos alguns riffs mais thrash ou até mesmo próximos do heavy metal tradicional. Este registo começa logo de maneira brutal, sem intro nem nada que se pareça, sendo este riff um dos mais chamativos. As musicas mais chamativas do album no entanto, são a “Dark Lead Death” e a “The Transition”, sendo que esta

última é apenas instrumental e a mais calma de todo o álbum. A um nível geral é um album com qualidade, apesar de se repetir um pouco, sendo que a primeira se torna um bocado complicado assimiliar todas as musicas inidiviudalmente, pondendo por vezes até se tornar aborrecido. Rita Limede

Nascidos em 2007, os “Pictured” são uma banda francesa de Trash/Death Metal, que depois de terem lançado dois EPs (“Sons of the night” em 2008 e “Dwelling” em 2010), surgem agora finalmente com o seu primeiro longa-duração intitulado “The Strand of time”, lançado sob a chancela da Klonosphere/Season of Mist Records. “The Strand of time” é um disco bastante interessante, agressivo quando isso se impõe, melódico e belo nos momentos certos. O trabalho intenso das guitarras e, em especial o desempenho vocal irrepreensível de Niko Beleg, são duas das maiores qualidades do álbum. Temas a não perder são: “Howling Forest”, “To hell and back”, “Curses” e “Stranger”. De uma maneira geral, não podemos afirmar que é um registo surpreendente ou muito inovador (são facilmente encontradas influências de bandas

como Arch Enemy, In Flames, Soilwork e Carcass), mas é sem dúvida, um disco coerente e musicalmente bem conseguido, repleto de boas canções. Vale a pena ouvir. Rute Gonçalves


Com a capa a ostentar uma versão estilizada e futurista de Adrian e após um anunciado fim de carreira em 2009, encontramo-nos surpreendentemente na presença do sucessor de “Rogues en Vogue”. Num registo mais hard rock que o habitual, “Piece of the Action” dá o mote para 50 minutos de um excelente regresso às lides de um dos expoentes máximos do metal germânico. Segue-se o single de apresentação “Riding on the Tide”, que, remetendo para a temática da pirataria que popularizou Kasparek e companhia e também presente em “Sailing Fire”, segue a linha do estilo próprio e inconfundível que criaram há mais de 30 anos. Ritmos galopantes, refrões instantaneamente memorizáveis e a ríspida voz do líder caracterizam o remanescente do álbum até culminar com o negro épico “Dracula”, mostrando-nos uns

Running Wild fiéis a si próprios mas capazes de reinventar a sua própria fórmula, mantendo a pertinência de sempre e prontos a enfrentar a segunda década do século XXI. Desprovido de temas fracos e com algumas surpresas pelo meio - sendo o hino ao rock’n’roll “Me & The Boys” a mais gritante - “Shadowmaker” não se propõe a alcançar novos fãs, mas é sem dúvida dignificante e demonstra que os Running Wild se encontram perfeitamente capazes de hastear bem alto a sua “Jolly Roger”, por muitos e longos anos. Perigosamente contagiante. Jaime Ferreira

Quem acha que o Power Metal é exclusivamente tipos de calças justas a cantar em falsetto sobre Dragões, é porque não conhece Sabaton, que, com a voz massiva e grave de Joakim Brodén e temáticas de batalhas militares (com um especial foco nas duas grandes Guerras Mundiais), são uma banda que quebra todos os estereótipos. Sendo este o 6º álbum deste conjunto sueco, Carolus Rex é mais uma bombástica obra de Power Metal bélico, tendo desta vez a banda decidido virar a sua atenção para a sua pátria, relatando a história do Império Sueco dos séculos XVI a XVIII ao longo do álbum. O que temos aqui é “mais um” álbum de Sabaton, puro e duro; refrões catchy, bombásticos, sintetizadores bastante presentes e aquele ligeiro trave de cheesyness que apenas torna tudo mais saboroso. Apesar de se ter agora passado

uma situação em que todos os membros menos Joakim e o baixista Pär Sundström abandonaram a banda, é de louvar que o álbum consiga manter uma qualidade ao nível do habitual, podendo-se até dizer que se encontra presente a constante evolução musical de Sabaton. Um dos poucos pontos fracos do álbum é a sua parcial estagnação lá para o meio, que peca após a grandiosidade das primeiras faixas. “A Lifetime of War”, o single do cd é digno de menção, uma faixa lenta, quase como uma balada, onde a emoção audivelmente transborda. David Horta

Oriundos de Ourém e formados no já distante ano 2000, os Sacrilegion apresentam agora o seu segundo trabalho, que sucede a “Promo 2005”, do referido ano. Praticantes de um black metal sinfónico insignemente executado e onde influências dos gigantes do género se confundem com o seu estilo próprio, o produto final manifesta-se deveras recompensador. “Buried on the Grave I Sleep” abre majestosamente o EP e de imediato somos confrontados com a grandiosidade e proeminência dos teclados, a fazer lembrar os momentos épicos dos Bal-Sagoth. A versátil voz de João Patrício Silva enleia-se na teia tecida pela dupla de guitarristas, numa piscadela de olho ao estilo que Ihsahn e Samoth desenvolveram na década de 90 - sempre, no entanto, com os devidos cuidados e imaginação, de modo a não derivarem em clones dos

noruegueses. Este registo é transversal a todo o disco, que prossegue com o tenso “Emperor’s Throne” e com o mais directo e agressivo “Massacre of the Tormented”. “Mortal Souls Sentence”, que dá o título ao trabalho, encerra-o na perfeição, deixando-nos ansiosamente a aguardar por um longa-duração dos oureenses. Em pouco mais de vinte minutos de música, os Sacrilegion demonstram um nível de qualidade a par de inúmeras bandas europeias de sucesso, revelando-se perfeitamente aptos para uma merecida internacionalização. Muito bom, mesmo. Jaime Ferreira


Projecto criado por membros da banda de black metal bielorrussa Dialectic Soul, os Сымон-музыка (Symon-Muzyka) apresentam agora o seu auto-intitulado álbum de estreia. Praticantes de folk metal na verdadeira acepção do termo - incorporando equitativamente diversos estilos de metal extremo e música tradicional, o colectivo imprime às suas composições frescura e originalidade a um estilo que, nos últimos anos, tendeu a cair na estagnação. Desde o grafismo que acompanha o CD até às letras - baseadas nos escritos do poeta Яку́б Ко́лас (Yakub Kolas) -, tudo remete para a história e tradição da Bielorrússia. Presente em todo o álbum e um dos seus pontos mais fortes é o balanço entre a agressividade da voz do mentor Alexander Kluchnikov aliada à cristalina prestação das vocalistas Ilona Avramchikova e Victoria Bidova, particular-

mente bem conseguido em “Развітанне” e “Пушча”, assim como nos coros épicos de “Разважанне аб смерці”. Com um pendor bem progressivo, os restantes elementos demonstram ser excelentes executantes, sem falhas a apontar e completamente inseridos no conceito geral. Não sendo de forma alguma muito abrangente, “Сымонмузыка” é um trabalho apto a despertar a atenção de todos aqueles interessados em descobrir um pouco mais acerca das raízes musicais de um dos países musicalmente menos conhecidos da Europa de Leste. Jaime Ferreira

Esta banda canadiana é conhecida, principalmente, por ter Alissa White-Gluz como vocalista, capaz dos vocais mais limpos mas, também, de chegar aos mais violentos guturais, o que faz deste aspecto, talvez o mais positivo deste projecto. Este terceiro álbum mistura a teatralidade do metalcore com o death metal melódico. Trata-se da evolução natural do último álbum, com um som mais sólido e melodioso e, visivelmente, mais confortável para os elementos da banda. Apenas a voz afasta o som de entrar, totalmente, no melodic death metal. Neste trabalho, as guitarras têm um papel mais proeminente devido, sobretudo à entrada do novo guitarrista Pascal “Paço” Jobin, que interpreta bons solos. As canções estão bem estruturadas, de um modo menos errático que nos álbuns anteriores, e ainda apresenta uns toques progressis-

tas, com algumas mudanças nos tempos, sinal das habilidades da banda. Aliás, aqui todos os elementos sabem o seu lugar e o que fazer na altura certa. A inclusão da guitarra acústica nalgumas partes traz outro aspecto interessante ao som. O elo mais fraco são as letras: muito limitadas, sem criatividade, cheias de mensagens contra a violência sobre os animais, contra o poder e contra tudo o que está errado no mundo. Se é fã da banda, não vai ficar desiludido. Se não é, vale a pena, pelo menos, ficar a conhecer. Ivan Santos

Os suecos “The Forsaken” regressam agora aos registos discográficos com “Beyond Redemption”, o quarto longa-duração da banda e que é mais um “assalto” de Death Metal melódico e de Trash, como aliás já nos habituaram em anteriores discos. A banda nasceu em 1999 e conta já com uma Demo (“Reaper 99”) e três álbuns (“Manifest of hate”, Arts of desolation” e “Traces of the past”) no seu currículo. “Beyond Redemption” é um disco frenético, poderoso, e que consegue aliar de forma muito interessante, a agressividade certa com a dose ideal de ambientes melódicos. O desempenho vocal de Anders Sjoholm é impressionante e, constitui, sem dúvida, um dos principais atrativos deste disco. Temas a ter em atenção são: “Only Hell remains” (um dos meus temas preferidos do disco), “As we burn”, “No Dawn awaits”,

“Reap as we have sown” e “Force red repentance”. Excelente trabalho. Para ouvir com atenção. Rute Gonçalves


Seja por obra do acaso ou pelo aparente renascimento do metal francês, ultimamente, tem-me chegado às mãos uma vaga enorme de bandas desse país. Umas boas, outras nem tanto. Trepalium está noutro registo completamente diferente. Estes franceses fazem aquilo que eu ouvia na minha adolescência quando punha a tocar Anthrax, White Zombie, Machine Head ou Pantera. Mas adaptado ao século XXI. Aliás, é notória a influência desta última banda. O álbum, inclusivé, inclui um cover de “I’m broken”. Trata-se de um trabalho conceptual, muito “funky”, com alguns elementos jazz/blues, em que ao longo da audição nos vamos afastando do death e entrando, cada vez mais, no groove. Isto é visível, principalmente, nas guitarras, com riffs pesados e cativantes, rasgados, por momentos, por solos arrepiantes. A voz gu-

tural (e um pouco aos gritos) acompanha bem o som e é o que não o deixa escapar do death metal. A bateria, ora acompanha o tom groove, ora parte a loiça toda, mas sempre com a precisão de um relógio suiço. Apesar de uma boa, clara e sólida produção, ao acabarmos de ouvir este álbum, parece-nos que nenhuma das canções termina da forma que nos é prometida ao princípio, sem libertar a tensão acumulada, acabando por serem quase 50 minutos, murchos, vagos, enfadonhos. Aqui, a banda podia ter sido mais criativa e desenvolvido o seu estilo progressista. Ivan Santos


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Infektion Magazine #15 (Julho 2012)