Issuu on Google+


ELEMENTOS À SOLTA, LDA Rua Adriano Correia Oliveira 153 1B 3880-316 Ovar PORTUGAL EDITOR Joel Costa DIRECÇÃO / DESIGN & PAGINAÇÃO Cátia Cunha & Joel Costa Elementos À Solta, LDA CONCERTOS Liliana Quadrado EQUIPA Ana Miranda André Balças Anna Correia Carlos Cariano Cátia Cunha David Horta Davide Gravato Flávio Santiago Íris Jordão Ivan Santos Jaime Ferreira Joana Rodrigues Joel Costa José Branco José Machado Liliana Quadrado Marcos Farrajota Mónia Camacho Narciso Antunes Rita Limede Ruben Infante Rute Gonçalves FOTOGRAFIA Créditos nas páginas PUBLICIDADE infektionmagazine@gmail.com T. 92 502 80 81

08 Horrorscope 62 Infeção Urinária de Marte 64 Reviews 78 Concertos

10 Ihsahn 14 Burzum 20 Ephel Duath 24 Process Of Guilt 30 Saint Vitus 32 Before The Dawn 34 Adamantine 38 Disaffected

42 Shadowsphere 44 Terror Empire 48 Tales For The Unspoken 52 Voice Of The Soul 56 Jess And the Ancient ones 58 Essenz 60 Sear Bliss


Participa na 5ª edição da compilação “Infected”, promovida em conjunto pela Infektion Magazine e Infektion Records. Envia um tema original em formato MP3 ou WAV para infektionmagazine@gmail.com e se fores selecionado só precisas de efetuar um pagamento no valor de 15€ para ajudar nos custos de produção. Em troca recebes meia página de publicidade grátis numa edição digital da Infektion à tua escolha e um exemplar da compilação. As compilações são duplicadas no formato Card Sleeve e limitadas a 100 unidades. As compilações são gratuitas, no entanto quem as quiser receber paga 1€ pelos portes de envio.


Os álbuns a solo de Ihsahn têm poder suficiente para eliminar qualquer nostalgia que possamos sentir em relação a uma possível reunião dos Emperor. É o caso de “Eremita”, a nova proposta do músico norueguês que falou à Infektion sobre o passado, o presente e o futuro.

D

epois da trilogia, que culminou com “After” - um álbum de 2010 que te valeu um Grammy -, o que nos podes dizer musicalmente e liricamente sobre o seu sucessor “Eremita”? “After” era muito mais agressivo e composto sobretudo por paisagens musicais bastante cruéis. Em contraste, o conceito inicial de “Eremita” é muito mais introvertido e paranoico. Aborda mais o eterno conflito, em vez de uma observação épica que o álbum anterior expressava. Contudo, abordo sempre o processo de conceção de um álbum de forma diferente. A inspiração para “After” eram paisagens e uma loucura latente para transpor todo um conjunto de ideias. Mas quando processei esses sentimentos para a prática, senti que o material acabou por soar a uma matriz madura e correspondeu à minha forma de pensar, escrever letras e música. Liricamente, acho que mantém a linha do que fiz nos três primeiros álbuns mas sob uma perspetiva diferente. Os dois primeiros eram muito diretos e “After” era muito abstrato, pós-apocalíptico, sem sinais de vida. “Eremita” segue o mesmo esquema mas quase sob o ponto de vista de um louco.

Ainda sobre a temática do disco: tendes a compor muita da tua música recorrendo a um certo individualismo e introspeção. Sentes a necessidade em tornares-te num eremita durante o processo criativo? Eu tenho uma família e o mais parecido com o isolamento é o meu estúdio, que funciona como uma espécie de cave do eremita. É claro que me refiro, sobretudo, ao facto de estar criativamente como um eremita. Não considero que estar isolado de tudo corresponda com a minha forma de ser. Contudo, na fase da composição, socializo menos. Apesar do isolamento e da abordagem crítica, para este álbum, confiaste num conjunto de colaboradores muito especiais. Que motivos te levaram a escolher cada um deles? Provavelmente, o convidado com maior impacto tenha sido Tobias Ørnes Andersen (dos Leprous) na bateria. Escolhi-o, como sabes, porque Leprous vem sendo a minha banda ao vivo desde a primeira altura em que tomei contacto com este projeto. É um baterista muito talentoso cujo estilo conheço bem. Tendo em conta o tipo de produção que tinha em mente para este álbum – que pretendia que fosse bastante dinâmico e com um som dinâmico – senti que a forma dele tocar se ajustava na perfeição. Aliás, ainda o desafiei a ir mais além, de forma a que eu pudesse construir muita da música em torno da prestação dele. Penso que a execução dele foi perfeita. O segundo convidado mais influente foi o saxofonista Jørgen Munkeby. Acho que ter continuado a colaborar com ele foi algo bastante natural - pois

apreciei bastante o trabalho dele no álbum anterior. Desde aí tornamo-nos bons amigos. Ele percebe muito bem a minha música, sendo um intérprete fantástico que improvisa na perfeição por cima das minhas melodias. A minha mulher, Heidi, também foi importante, apesar de cantar apenas num tema. Entre todos, talvez ela tenha sido a mais influente, uma vez que é a minha coprodutora e musa – acabando por ter impacto em todo o trabalho, pois confio bastante na opinião dela. Na faixa de abertura também achei natural ter convidado o Einar Solberg (vocalista dos Leprous), que tem uma voz com uma amplitude enorme. Prefiro sempre ter uma voz masculina diferente da minha no álbum – pois, de certa forma, acabo por me cansar de ouvir o meu registo. Considero que a minha voz limpa tem limitações, daí ter também convidado o Devin Townsend, que tem um timbre muito mais poderoso e teatral, para a faixa “Introspection”. E, além disso, era difícil que ele se tivesse recusado em participar, uma vez que tenho cantado nos álbuns dele! Acabou por ser a devolução de um favor. O mesmo aconteceu com o Jeff Loomis, pois gravei vozes para o novo álbum dele e ele acabou por gravar um solo para uma das canções do meu álbum. Sem querer tirar brilhantismo ao contributo deles, a sua participação aconteceu numa fase em que o material já estava todo concluído. A tua carreira a solo foge das estruturas do Black Metal convencional e, tal como disseste quando gravavas “Eremita”, neste álbum existe “muito espaço para a dinâmica e variedade expressiva”. Achas que essa é a essência da música progressiva?


Sei que o meu trabalho a solo tem sido muitas vezes apelidado de progressivo e associado a bandas “prog” como King Crimson. É claro que conheço este género de música mas não me considero um apreciador de “prog”. Não tenho qualquer intenção de ter um som intrincado ou técnico. Hoje em dia dou por mim a ouvir pouco Metal, dando mais importância a coisas que ouvia na adolescência. Por isso, prefiro Radiohead, Diamanda Galás, alguma Pop - pois sou um grande fã de Prince. Estou sobretudo focado em padrões sonoros. Por isso, em “Eremita” quis expandir a secção de sopros, algo que aprecio em álbuns de Jazz. Mesmo em Emperor, todos eramos grandes apreciadores de música Clássica e, em especial, de bandas sonoras – que têm música muito dinâmica e são construídas em torno de uma corrente emocional gigantesca. E isso foi algo que sempre quis transpor para a música que faço. Contudo, na forma de música extrema que componho, é normal que o volume constante e solidez compacta do som façam com que não existam picos. Daí que tenha começado a utilizar secções de cordas e coros. Mesmo no segundo álbum de Emperor, puxei pela secção de sopros, de forma a dar alguma dinâmica. No meu trabalho atual, valorizo a criação de uma espécie de carrocel – algo que podes ouvir na canção “The Eagle and the Snake”, que é um tema relativamente longo do novo álbum. Dou valor a canções que não sejam apenas um conjunto de riffs, algo de muito comum ouvirmos em jovens bandas que debitam centenas de malhas num só tema. Por isso, ao longo dos anos, fui tentando que as minhas canções fossem cada vez mais coesas. A canção que referi é construída em torno de um ou dois temas

principais que podem ser tocados a velocidades diferentes, desconstruindo, de certa forma, a forma de compor tradicional. No fundo, tento combinar material muito analítico e técnico, recorrendo a formas de composição muito tradicionais mas partindo de uma ideia que provem da pura inspiração e da forma mais livre possível. Nesse sentido, no teu caso, sentiste que era inevitável colocar um ponto final aos Emperor, para não te limitares criativamente? Sim, já havia uma razão para ter sido eu a escrever o último álbum da banda, “Prometheus”. Faço as coisas de uma forma própria e não devo ser a pessoa mal fácil de lidar em contexto de trabalho. Em Emperor não eram necessariamente os outros elementos da banda a colocarem limitações, mas sim um rol de outras pessoas que opinavam sobre o que deveríamos fazer. Por exemplo, acho que Emperor nunca poderia incorporar o som do saxofone. Seria algo que nunca me deixariam levar por diante. Por isso, senti a necessidade de fazer algo diferente. Além disso, as pessoas passam o tempo a perguntar-me se alguma vez Emperor editará outro álbum? Na verdade não sei bem que tipo de álbum quereriam: um na linha de “Anthems…” ou que criássemos algo com base nos músicos que somos na atualidade… Não temos a pretensão de regressar para fazer dinheiro. Se fizéssemos um álbum à minha maneira, soaria ao que faço a solo – pois é a música que faria de qualquer forma. Tenho a sensação que continuas a criar música muito extrema, talvez até mais obscura – uma vez que exploras o lado mais intenso e emocional da natureza

humana. Consideras que os fãs e os críticos possam ter mais dificuldade em perceber esta faceta, e que, ao mesmo tempo, agora acabas por ter atenção de pessoas com outros gostos musicais? De certa forma, estava consciente que numa carreira a solo estaria a mostrar aos fãs e aos críticos um projeto sólido e que não se tratava apenas de um “fogacho” pós-Emperor. Foi essa a razão pela qual não quis dar concertos após os dois primeiros álbuns. Não queria estar a dar um concerto em que tivesse de ocupar metade do set com músicas de Emperor. Tinha 25 ou 26 anos quando a banda acabou e agora, com 36 anos, sinto que ainda tenho muitos álbuns por escrever. O fim de Emperor não poderia ser o fim da linha para mim. Em nome próprio, queria que as pessoas percebessem que esta não é apenas uma experiência e isto representa o que sou na atualidade. A trilogia inicial representa uma base musical, o tempo que acho necessário para criar uma identidade. Criar um historial é algo complicado de fazer na era da virtualidade da internet em que tudo é tão instantâneo. Black Sabbath, Iron Maiden, Judas Priest e Mötley Crüe, conseguem fazer tournées enormes e ser cabeças de cartaz nos principais festivais porque têm um historial - algo com o qual as pessoas se relacionem. É muito difícil para uma banda, na atualidade, atingir patamares desse género. E tenho pena que assim seja, pois existem muitos músicos talentosos por aí. Não é fácil que as pessoas lhes prestem a atenção devida, investindo o seu tempo – que é a única forma de criar uma ligação com o artista, a sua música e mensagem. Apesar de tudo, Emperor ajudou-me a ter um historial, o que tem contribuído para a cada dois anos lançar um


álbum e tocar ao vivo atualmente. Isto faz com o que o público perceba que este é um compromisso meu a tempo inteiro. Muita da música que gravaste em “Eremita” é bastante frenética e densa. Sentes que pode ser um desafio extra transpor as canções para o palco? Existe sempre a questão de aferir do que pode ou não resultar. Mas sinto-me bastante sortudo por contar com os Leprous como banda de apoio. Eles são de uma riqueza extraordinária, pois enquanto Leprous tocam material mais técnico que eu. Sendo músicos extraordinários, são ainda muito profissionais e dedicados. Isso facilita muito o meu trabalho. Para teres uma noção da seriedade deles: antes do primeiro concerto que dei em nome próprio, enviei-lhes as faixas para que pudessem aprender as respetivas partes e, na primeira vez que ensaiámos juntos, tocámos o set completo do concerto. Eles já sabiam tudo! E tem sido sempre assim desde aí. No passado fim de semana, fizemos o primeiro ensaio com o set novo - que já conta com temas do novo álbum - e tudo correu maravilhosamente. Ao fim do segundo ensaio já estava o trabalho mais ou menos concluído. Bastará mais um fim de semana de ensaios para afinarmos pormenores. Além disso, eles são muito construtivos e criativos em criar esquemas novos para os concertos. Desenvolveram uma espécie de sampling avançado, que lhes permite lançar alguns efeitos, que não são possíveis de tocar com um instrumento, através da bateria.

Entrevista: José Branco / Joel Costa Fotografia: PlasticHead


“Umpskiptar” trás um conceito relacionado com as raízes pagãs Europeias. Em que maneira dirias que este novo álbum se trata de uma “metamorfose”? Isso depende do que queres dizer. O conceito do albúm trata-se de metamorfoses, mas o álbum em si não é necessariamente uma metamorfose. É diferente dos álbuns mais antigos de Burzum, dado que desta vez todas as letras estão em Norueguês Antigo, uma língua muito mais poderosa, poética e bonita (comparado com o Norueguês Moderno). A música também é mais lenta que a que encontramos, por exemplo, no álbum “Fallen”. O conceito do álbum será a metamorfose da natureza (incluindo o Homem); principalmente a transição do Outono para o Inverno, Inverno para a Primavera, Primavera para o Verão e Verão para o Outono, e os processos que tomam lugar na natureza todos os anos. Neste novo álbum, há uma música que pode ser traduzida para “Era Dourada” (Golden Age). Para ti, qual seria a era dourada? Pessoalmente penso que seria a altura em que fomos caçadores-recolectores nómadas, na Idade da Pedra, em que vivíamos vidas saudáveis em harmonia connos-

co próprios. Para mim a era dourada é a altura antes da agricultura ter trazido a malnutrição, fome, guerras, tirania, genocidio, peste, religiões e a dita civilização a nós. Em contexto com o álbum, “Umskiptar”, a Era Dourada será a Primavera, quando a idade solar Baldur (Apólo, Byelobog, etc) retorna do Reino da Morte e recupera as suas forças. E estaremos nós - em termos de conhecimento e pensamento muitos distantes dessa era? Sim, provavelmente estamos. O que a maioria das pessoas não sabe (porque ainda não estão autorizadas a tal...) é que nós os Europeus - somos cerca de 99,84% Neanderthals e apenas 0,16% Homo Sapiens, e essa pequena porção de ADN de Homo Sapiens alterou-nos bastante, especialmente nos nossos sentidos, cabeças e cérebros. Portanto, já não somos criaturas harmoniosas, mas somos seres permanentemente infelizes, em desespero, e por causa disso nós somos e pensamos de forma muito diferente. Podem ler mais acerca disto em www.atala.fr, se desejarem. No comunicado de imprensa, podemos ler que “Umskiptar” trata-se do teu retorno às tuas origens. Podes explicar-nos o porquê?

Por causa das influências no álbum de música clássica e tradicional Europeia. Esta música trata-se da minha raíz musical, ou seja, retornei às minhas origens... Burzum não se trata de um projecto para tocar ao vivo, visto que preferes fazer da tua música algo de pessoal. Porque é que não sustentas a ideia de tocar ao vivo com o teu projecto? Bem, poderia delinear uma série de razões, mas penso que as principais razões seriam o facto de eu não aprovar a (Anti-)cultura Rock’n Roll cultivada pelas normais performances ao vivo, para além de simplesmente não gostar de me estar sempre a encontrar com indivíduos que nunca vi. Li que recomendas que as pessoas oiçam Burzum sozinhas. Visto que passaste muitos anos na prisão, dirias que este teu desejo se deve ao facto de teres passado muito tempo a ouvir, sentir e imaginar a tua música sozinho? Não, de todo! (Nem sequer estava autorizado a ouvir música durante a maior parte do tempo que passei na prisão, de qualquer maneira.) Também tive esta atitude em 1991 e nada se alterou desde então. Como afirmei acima, não aprovo (qualquer) (Anti-) Cultura Rock’n Roll e nunca fiz música para um público Rock’n


Roll, por assim dizer. Em 1991 até imaginei que cada música que eu fizesse seria um feitiço e cada álbum uma série de feitiços, e que supostamente estas deveriam levar o ouvinte a viajar a um sítio algures - como até à Era Dourada descrita acima. A música sempre foi de mim para ti (singular) como ouvinte. É suposto criar uma relação especial entre o ouvinte e a música/eu. Eu primeira e principalmente faço música para mim e para outros que são como eu. Qual a tua fonte de inspiração para as tuas letras? Bem, eu não escrevi as letras de “Umskiptar”. Usei um famoso poema em Norueguês Antigo, o Völuspå (“a profecia da feiticeira”), que trata de tudo acerca da metamorfose discutida anteriormente na entrevista. Fala-me acerca do desenho da capa. Pessoalmente, faz-me lembrar a morte. O que significa? Trata-se de uma imagem romântica de Natt, a Deusa da Noite, pelo pintor norueguês P. N. Arbo. Usei-a porque encaixava no conceito da metamorfose, visto que tem lugar na natureza todos os dias, quando o Dia é substituído pela Noite. Para ti, qual o significado da vida e da morte? É dificil responder a essa pergunta sem escrever um livro com vários volumes, digo eu... A vida trata-se de um fenómeno recorrente à nossa volta, todo o dia e todo o ano. Isto será, claro, no que “Umskiptar” mergulha: as alterações na natureza, portanto, na vida, porque a natureza está viva à nossa volta. Mas também está

morta. A vida nasce, persevera durante algum tempo e depois desvanece para a morte. Então, podemos observar mudanças na morte, também? Bem, é possível quando a natureza renasce, e a morte é (novamente) substituída pela vida. Ou a noite pelo dia. Ou a escuridão pela luz. Ou o Inverno pelo Verão, etc. Como na natureza também o Homem afinal de contas também somos parte desta natureza -, como os nossos bastante inteligentes antepassados acreditavam que nós também retornavamos à vida depois de estarmos mortos durante algum tempo. Como o Sol voltou a Este depois de se esconder atrás do horizonte no Norte durante a noite. Para mim, a vida, e claro a morte, tratam-se de um mistério. Não acredito em nada nem sei nada. Tal como eu consigo compreender a infinidade do universo - ou da vida e da morte. Contudo, penso que consigo descrever a minha posição em relação a este problema um tanto ou quanto Estóica, porque não consigo encontrar respostas para estas questões, portanto também não me incomodo em tentar. Aceito a minha falha; Sou um mero ser humano, e o outrora brilhante cérebro Neanderthal foi arruinado pelo ADN do inferior Homo Sapiens de África... Eu digo “um tanto ou quanto Estóica” porque nem sempre sou Estóico, e a minha música trata-se de uma expressão do meu lado menos Estóico e de um desespero que sinto quando eu compreendo o Mundo mas não consigo chegar a ele... Que tipo de batalhas tens travado ultimamente? Várias batalhas pessoais e priva-

das. Nenhuma muito interessante ou dramática. Também luto constantemente contra a minha vontade de me revoltar seriamente contra os males do nosso mundo. A minha lógica ganha sempre, porque tenho demasiadas respondabilidades para deixar a minha vontade levar a melhor. Entrevista: Joel Costa Tradução: José Machado Fotografia: PlasticHead


Depois de ter feito uma grande pausa e colocar em questão o futuro da banda, Davide Tiso regressa agora com uma nova força. Falamos com o mentor dos Ephel Duath acerca deste regresso e do novo EP «On Death And Cosmos».

T

enho ouvido este novo lançamento vezes sem conta. O que nos podes dizer acerca do EP «On Death And Cosmos» musical e liricalmente? Diria que musicalmente, «On Death And Cosmos» foi um regresso para quebrar os limites daquilo que os Ephel Duath criaram em 2005 com «Pain Necessary To Know». As músicas são maiores, com composições muito oblí-

quas... Diria que as melodias são típicas de Ephel Duath e bastante dissonantes ao mesmo tempo, resultando na mesma numa audição fácil. O futuro da banda será desenvolver aquilo que fizemos em 2005 e «On Death And Cosmos» é só a primeira parte daquilo que tenho para mostrar. Já estou a trabalhar no próximo álbum e a evolução desta banda será ainda mais aventureira e obscura do que aquilo que fizemos

no nosso último álbum, em 2009. O futuro será bem mais complexo e obscuro que o passado. Aqui as letras são baseadas em temas nunca antes abordados na banda. Falo de conexão espiritual, abandono, morte... Eu passei por uma tragédia pessoal no Verão passado e nessa altura não pensava em regressar com Ephel Duath. Entrei numa depressão tremenda e para sair dela apercebi-me que aquilo de que eu precisava era voltar a


fazer aquilo em que sou bom, que é compor para Ephel Duath. Então comecei a compor algo novo e apercebi-me que era capaz de o fazer novamente e melhor do que anteriormente. Juntei este lineup e tivemos a possibilidade de gravar tudo muito rapidamente. “Death”, neste título, refere-se à morte da minha ligação às minhas raízes. Talvez porque vivo no lado oposto de onde venho e então sinto-me completamente desligado das minhas raízes... e “Cosmos” simboliza a quantidade enorme de possibilidades que tenho. Entendo que se continuar a fazer aquilo que acredito e se continuar a fazer aquilo que te faz bem – e no meu caso é tocar música – podes reinventar-te e ser uma pessoa diferente. Estou satisfeito com a forma como me tenho expressado através da música e sinto-me muito confiante com a forma como tenho interagido com o meu instrumento, pois apesar de não ser um guitarrista por aí além, consigo tocar exactamente aquilo que quero transmitir e tem sido muito fácil para mim escrever as letras e as músicas, pelo que me sinto muito feliz por como as coisas estão a correr. Vamos ver o que acontece! Tal como referiste, «On Death

And Cosmos» lida com o abandon e a transformação pessoal. Dirias que este regresso resume-se a essas palavras? Ou seja… só conseguiste chegar até aqui passando por todas essas fases? Sim, é verdade. Em 2009, depois da promoção do álbum “Through My Dog’s Eyes, o vocalist dos Ephel Duath abandonou a banda, pois não tinha outra escolha. Era um monte de problemas económicos. Por essa altura estavamos a tentar fazer de Ephel Duath o nosso trabalho a tempo inteiro e isso implicava dar o máximo possível de concertos e não tínhamos propriamente a possibilidade de voltar para casa e encontrar um part-time pois imediatiamente recebíamos uma nova proposta para tocar ali ou aculá e agarravamos essas oportunidades. De alguma forma acabamos por não o conseguir e quando chegou a hora de graver o álbum, passamos um mês em Roma, num ambiente muito punk, a gravar 14h por dia (risos) – o que eu adoro, atenção, não me estou a queixar – mas o problema é que deixamos um monte de problemas e dívidas para trás. Então o vocalista decidiu sair e eu decidi parar por um momento, pois quando uma banda perde o seu vocalista o melhor

é parar por um pouco e pensar qual o caminho a seguir. Um vocalista é uma parte muito importante para uma banda, pelo menos é para mim. Depois recebi uma proposta para entrar na equipa de produção do álbum a solo da Karyn Crisis. Resolvi aceitar pois sou um grande fã da voz da Karyn e produzimos 17 músicas para ela e quando a Karyn veio a Itália para gravar a voz tinha um monte de problemas pessoais e musicais com o produtor e então vimo-nos no meio do nada, na Toscânia, com um álbum parado e sem lugar para ir. Decidimos então começar uma vida na California, encontrei um emprego normal e continuei a compor música mas focado em outras coisas. Mas não era bom para mim e quando a tragédia aconteceu foi muito mau. Tudo entrou em colapso e fui ao fundo do meu ser. Sem isso eu não estaria aqui com esta intensidade e não podia dar uma segunda oportunidade aos Ephel Duath. Estou muito feliz pelo meu regresso e sinto que ainda tenho muito para dar. Não queria gravar um disco mas sim um EP, pois queria ter o nome da banda em algum lado muito rapidamente. O resultado final que podes ouvir é o resultado de muitos dias de trabalho e mal posso esperar para


tê-lo nas lojas para que possa dar o passo seguinte. Depois de fazeres uma pausa em 2010, qual é o significado deste lançamento para ti? É como se desse a mim próprio uma segunda oportunidade e nunca irei duvidar novamente do quão importante isto é para mim. Eu posso trabalhar em outros projectos e ajudar outros músicos nas suas coisas mas julgo que o facto de eu tocar guitarra deve estar conectado com esta banda. É aquilo que faço melhor e devo ter mais atenção no futuro na forma como lido com as minhas emoções e com a minha vida pessoal, para que não volte a colocar esta banda em perigo. Não me culpo por este afastamento mas não acontecerá outra vez pois agora sei quão importante é esta banda para mim. Nunca amei tanto Ephel Duath como amo agora! Foi fantástico o facto de teres encontrado o lado positivo nessa tua tragédia pessoal. O facto de agora seres uma pes-

soa mais forte, significa que os Ephel Duath serão também mais fortes? Claro que sim! O facto de ser mais velho e do negócio da música estar a ir pelo caminho que está, faz de mim alguém com os pés bem assentes no chão. Comecei a apreciar muito mais todos os pequenos detalhes que envolvem a banda. Sou uma pessoa muito ambiciosa e competitiva por natureza... A começar pelos palcos, por exemplo, adoro quando uma grande banda actua antes da minha, pois aí terei algo na minha cabeça que vai fazer com que eu queira fazer melhor, percebes? Mas isto é algo positivo... não sinto inveja, pois não tenho esse tipo de sentimentos na minha vida. Sinto-me apenas muito grato por todos aqueles que fazem coisas grandiosas. O facto de ter regressado com uma atitude tão positiva tornou tudo muito mais simples. Agora tenho um emprego normal que torna tudo muito mais fácil. Percebi e aceitei o facto dos Ephel Duath serem uma banda underground. Anteriormente

queria ver os Ephel Duath onde os Gojira estão agora, e os Gojira são um dos maiores nomes do Metal actual (risos) mas eu lembro-me de ter uma T-Shirt do (festival) Brutal Assault onde o nosso nome aparece muito maior que o dos Gojira e por essa altura eu pensava tipo “quem são estes bastardos franceses??” (risos) Eles são muito bons e merecem todo o reconhecimento que têm. No entanto eu acreditava mesmo num futuro para esta banda, que seria bem maior do que aquilo que foi, mas estou em paz com isto pois por dentro cheguei a sentir-me muito mal pelo facto da minha banda não estar onde eu gostaria que estivesse. Neste momento quero apenas compor música e se alguém estiver disposto a ouvir aquilo que faço então ficarei extremamente contente. Não espero nada mais do que isto neste negócio da música que é uma merda. Só quero ter a possibilidade de ser ouvido! Como foi trabalhar com o Steve DiGiorgio, o Marc Minne-


mann e a Karyn Crisis e qual foi o papel deles neste lançamento? Trabalhar com eles foi fantástico! São três músicos muito talentosos, muito diferentes uns dos outros. O papel deles foi trazer complexidade às minhas músicas. Porque eu sou Ephel Duath... eu crio a estrutura, as letras, as partes vocais… tenho uma ideia de como o baixo deve soar… Pessoalmente não quis sugerir ao Marc como ele haveria de tocar bacteria, pois quem sou eu para lhe dizer alguma coisa?? (risos) O mesmo para o Steve... Não foi muito fácil para ele entrar no clima da banda tão rapidamente, por isso eu estive ali com ele, a ajuda-lo. Diria que estas pessoas ajudaram-me a completar as minhas músicas e posso afirmar que aproximaram-se muito daquilo que tinha idealizado e tenho muita sorte por poder trabalhar com uma equipa tão profissional como esta. Também gostaria de referir o nosso produtor (Eric Rutan). As pessoas não fazem da ideia daquilo que pode mudar no processo de composição de um álbum quando temos um bom produtor. Ele pertenceu à banda... foi quase como um quinto membro. Impressionante! O total de palavras que trocamos em relação a este álbum foi muito superior às mensagens de texto que troquei com a minha mulher desde que a conheci. Eu e o Eric passamos dois meses ao telefone para fazer o melhor possível neste EP. Foi fantástico e claro que vamos gravar o próximo álbum com ele. Recomendo-a a quem tiver a oportunidade de trabalhar com ele.

Sendo este o primeiro lançamento pela Agonia Records, como avalias a vossa relação até agora? Fantástica! Já o disse numa outra entrevista... sem querer entrar em muitos detalhes, o meu acordo com a Agonia Records é o tipo de acordo que todas as bandas deveriam de ter com uma editora. Tenho 100% de liberdade criativa, tudo é dividido em 50-50 entre a banda e a editora... cada decisão tem que passar por mim antes de ser aprovada e trabalhamos como uma verdadeira equipa. Discutimos, mandamo-nos foder uns aos outros... Ambas as partes envolvidas são muito apaixonadas por aquilo que fazem e temos a sorte de poder trabalhar uns com os outros pois houve um click. O Phillip (Label Manager), é muito protector com a sua editora e eu também sou com a minha banda (risos) então quando discutimos ou não concordamos com algo é sempre pelo benefício da banda e pelo orgulho que ele tem em manter as suas escolhas artísticas e é deveras impressionante. Quais são os próximos passos para os Ephel Duath? O que vão fazer agora? O álbum vai sair na Europa no dia 21 de Junho e estamos a preparar um vídeo com um realizador fantástico, que fez o último vídeo dos Cattle Decapitation. É um dos melhores vídeos que alguma vez vi. O vídeo será gravado em algumas semanas e depois disso, em Setembro ou Outubro, vamos iniciar as gravações do nosso próximo álbum. E depois, se tivermos

as condições necessárias, vamos trazer Ephel Duath de volta aos palcos mas apenas se houver interesse suficiente. Espero que as pessoas voltem a comprar discos novamente pois sem isso não será possível. As pessoas precisam de dar algum tipo de apoio às bandas, caso contrário não é possível. Não podem roubar música da forma que o estão a fazer pois um dia vão acabar com as bandas que gostam, pois não será mais possível para elas fazer música de novo. Gostarias de dizer algo aos fãs Portugueses? Chegamos a tocar aí e lembro-me que para chegar a Portugal viemos directos da Noruega (risos) e nunca tive uma viagem assim tão grande para um concerto mas faria essa uma e outra vez pois a nossa passagem aí foi tantástica! Os fãs portugueses receberam-nos muito bem e faria novamente esses 4 mil kilómetros... espera aí... mais! Foi muito mais do que isso. Faz as contas! (risos). A viagem durou dois dias. Foi muito bom e espero voltar novamente a Portugal pois é um país que me faz recordar aquele lado de Itália que realmente gosto e é óptimo poder sentir-me em casa num país que não é meu. Muito obrigado!

Entrevista: Joel Costa Fotografia: Agonia Records


FÆMIN, o novo álbum dos PROCESS OF GUILT tem uma atmosfera que se cola à identidade da banda. Se por um lado existe alguma crueza não deixa de possuir densidade. A complexidade e o minimalismo coexistem num espaço musical muito próprio. A subtileza e a força conjugam-se numa obra que vale a pena ouvir e ter.


R

ecuando um pouco no tempo à formação da banda, porquê a culpa como base do nome? Consideramos este um sentimento subjacente a muito daquilo que nos move no dia-a-dia e, na altura, a ideia em torno de Process of Guilt era, precisamente, fazer algo que funcionasse como uma purga do quotidiano. Pelo que o processo de culpa se revelou uma boa designação para o que queríamos que fosse a nossa expressão musical. A vossa banda é conhecida pela criação de ambientes profundos, obscuros, melancólicos por vezes misteriosos, todos de rara beleza. A atmosfera é uma componente essencial à boa música? Julgo que toda a boa música tem uma determinada atmosfera que se lhe pode associar. Por outro lado, também há muito boa música que tenta ser atmosférica só porque sim, rapidamente se esgotando numa primeira tentativa. No entanto, independentemente do tipo de música, a que mais nos marca acaba, indubitavelmente, por ser aquela que nos consegue remeter para um espaço particular, uma determinada atmosfera. Essa capacidade representa, efectivamente, a marca que distingue a música que mais aprecio daquela que opto por não ouvir. Voltemos aos nomes. Podemos explorar um pouco «FÆMIN»? Porquê esta escolha? Queríamos que toda a atmosfera em torno de «FÆMIN» fosse inequívoca no tipo de sentimentos que pretende transmitir enquanto todo. Um dos aspectos que privilegiamos no nosso processo de composição é a complementaridade entre as notas e as palavras e, sob este ponto de vista, considerando o tipo de sentimentos que queríamos expor, a fome representa um dos estados mais negros do ser físico. Corres-

ponde à falência da subsistência enquanto ser humano, sendo esta a ideia que utilizámos como base para a temática de todo o disco. Neste álbum existem sons que evoluem e outros que se mantêm em constante, quase em repeat, numa dualidade consistente. É uma composição consciente, uma identidade musical? Toda a nossa composição é consciente, independentemente de surgir de um momento de improviso ou de um riff que trouxemos para o ensaio. Toda a música que fazemos é escrutinada durante o tempo suficiente para nos permitir um certo distanciamento em relação à criação da mesma. Temos consciência do tipo de sonoridade/atmosfera que pretendemos e julgo que a nossa “identidade” é uma consequência da persecução desse objetivo. Envolvem o ouvinte numa teia sonora subliminar muito poderosa. Como conseguem este efeito? Tentamos, de facto, criar uma densidade de tons que transcendam o imediatismo de uma primeira audição. Só deste modo faz sentido para nós prosseguirmos e convivermos com a música que criamos. Simultaneamente, procuramos reduzir tudo ao essencial do riff, com uma atitude quase minimal perante o resultado final da composição e, talvez, no balanço entre estas duas atitudes se situe algo de subliminar, que se manifesta progressivamente com a convivência dos temas. Em termos de letras, de que fala «FÆMIN»? A nossa experiência mundana serve de base a toda a parte escrita dos temas tendo, sempre, por objetivo uma complementaridade entre palavras e sons. No «FÆMIN» não abordamos uma temática específica além de todo o conceito de escas-

sez, falta ou fome, e na forma como este se pode manifestar no imaginário do nosso dia-a-dia. Foi esta a palete de tonalidades que criámos para este disco, permitindo-nos trazer à tona os sentimentos mais profundos que conseguimos emprestar aos temas e que, no seu âmago, encontram uma resposta muito pessoal. No entanto, a base reside, sempre, na crueza e negritude dos dias e na nossa persistência enquanto seres. A fotografia de Pedro Almeida, dá uma capa extraordinária. Como surgiu a ideia? Todo o conceito do «FÆMIN» é rodeado de uma crueza na sua abordagem que teria, necessariamente, de ser acompanhado por uma imagem forte que, em última análise, pudesse ser associada a um cenário de escassez. Conhecendo nós o Pedro e sabendo da qualidade dos seus registos fotográficos, foi apenas uma questão de entramos em contacto e efetuarmos a seleção de um conjunto de imagens registadas numa das suas viagens. Foi, sem dúvida, a melhor base possível para o design desenvolvido com a ajuda do Miguel Gomes, permitindo-nos chegar a um conceito final que nos remete para a identidade musical do disco. Porque gravaram a bateria num estúdio diferente do resto do instrumental? Um dos aspetos que sentimos necessidade de melhorar relativamente à gravação do «Erosion» foi, precisamente, a captação da bateria. Simplesmente, repetindo os processos anteriores, por constrangimentos logísticos, não conseguiríamos realizar essa mudança. Os Estúdios MDL em Paço d’Arcos foram a opção equacionada, oferecendo as condições necessárias para podermos dar esse salto na sonoridade da bateria, sendo que a supervisão do André


Tavares e o apoio logístico do Rolando Barros foram essenciais para o resultado final. «FÆMIN» é um álbum com uma percussão muito intensa e presente. Foi um processo natural? Toda a base do «FÆMIN» é assumidamente rítmica, pelo que foi, de facto, um processo natural decorrente da nossa evolução após o «Erosion». Pode dizer-se, também, que foi um processo consciente, dado que tivemos sempre presente ao longo de toda a composição o balanço e carácter rítmico, o groove, que queríamos imprimir a estes novos temas. Em que medida a mistura e masterização são importantes neste álbum em particular? Como surgiram as escolhas dos respectivos autores? De modo análogo ao da captação de bateria, também sentimos necessidade de melhorar todo o processo de mistura, relativamente aos álbuns anteriores. Após alguma pesquisa concluímos que o Andrew Schneider era o responsável por alguns dos discos que, ultimamente, melhor soaram aos nossos ouvidos. O trabalho realizado por ele com Unsane, Shrinebuilder ou Rosetta foi para nós um cartão de visita suficientemente claro para entrarmos em contacto e planearmos do melhor modo todo a colaboração. Após a conclusão de todo o processo, que correu de forma intensa mas natural, podemos, sem dúvida, referir que o resultado final se deve, em muito, a algumas opções tomadas pelo Andrew que contribuíram decisivamente para o som final do «FÆMIN». Quanto

à masterização, tendo já trabalho previamente com o Collin Jordan no «Erosion» sabíamos que, à partida, a conjugação do seu trabalho com o do Andrew asseguraria a qualidade que procurávamos para este registo. No final a equação pareceu, finalmente, a mais acertada relativamente ao que ambicionamos para o nosso som. E como tem corrido a apresentação de «FÆMIN»? Até este momento apenas realizámos o primeiro concerto de apresentação ao «FÆMIN», no SWR XV, onde obtivemos uma boa reacção por parte do público aos novos temas. Teremos mais alguns concertos em Portugal até ao Verão e, no final do ano, ambicionamos conseguir algumas datas pela Europa. Qual o efeito destas músicas em quem as toca? O que sentem? São sensações que se repetem ou de cada vez há coisas diferentes? A música de Process of Guilt funciona para nós como uma purga, algo que fazemos regularmente, quase como uma necessidade de catarse, tanto num ensaio como ao vivo. É algo que entendemos como uma expressão natural, uma extensão daquilo que sentimos no momento e queremos transmitir de forma sincera e crua. Julgo que é isso que poderá ser observado e sentido nos nossos concertos.

Entrevista: Mónia Camacho Fotografia: Viral Propaganda PR


A propósito do regresso às lides da banda norte-americana, falámos com o guitarrista e fundador Dave Chandler, que nos falou deste novo fôlego criativo. “Loud and Heavy!”, o Doom Metal como só os Saint Vitus sabem fazer.

P

odemos dizer que “Lillie: F-65” é um álbum relativamente simples? Porque optaram por que durasse apenas 33 minu-

tos? “Lillie: F-65” gira em torno de um conceito que se perderia se optássemos por adicionar mais temas. É simples porque o Doom não tem de ser complicado para transmitir sensações. Porque demoraram sete anos a lançar um novo registo de longa duração? Bem, depois de 17 anos de carreira, e de o Doom Metal ser finalmente reconhecido como um género música, o “timing” parecia o ideal, por isso, decidimos tentar. Como decorreram as gravações com o novo baterista Henry Vasquez? É muito bom trabalhar com o Henry. Já o fizemos em Debris Inc., por isso ele foi uma escolha natural para preencher o lugar atrás do kit. Ele tem um estilo muito anos 70, além de castigar a sua bateria com muita força - ambas as caraterísticas acrescentaram nova dinâmica ao nosso som. Como foi o acordo com a vossa

nova editor Season of Mist? A Season of Mist (SOM) disse que queria trabalhar connosco, não apenas assinar um contrato e esquecer. E eles têm sido inexcedíveis com a banda e estamos bastante satisfeitos. Após multiplas audições do novo disco, reparo que têm a mesma paixão que na década de 80. Porque razão optam por um som mais datado, parecendo esgueirar-se a uma produção mais moderna (uma opção que pode dificultar o acesso a novos fãs…)? Os Saint Vitus sempre tiveram a mesma sonoridade: Barulhenta e pesada! Por isso, não vejo razões para mudarmos agora. Quem não gostou de nós, nunca gostará… independentemente daquilo a que soemos. É impressionante continuar a ouvir a guitarra de Saint Vitus e tentar fazer o exercício de tentar perceber como conseguem fazer de riffs tão simples material memorável. Como te sentes ao ouvir muitas bandas mais novas a reciclar as vossas ideias? Qual conselho lhes darias? Agrada-me o facto de as bandas mais novas tocarem Doom Metal

e que desta forma o mantenham vivo. O meu conselho é que toquem o que sentem, e que acreditem, e não vão atrás do que os outros vos dizem. Fizeram um videoclip para o tema “Let Them Fall”. Porque escolheram esta faixa? A banda teve algum tipo de intervenção neste (bem obscuro e depressivo) vídeo? “Let Them Fall” foi escolha da editora, sobretudo por motive de duração da faixa. Eu tive “controlo criativo” total do processo: desde o trabalho com o realizador, aprovar o argumento, etc. E gostei imenso do produto final. Acredito que a banda irá fazer uma tournée considerável para promover o novo trabalho, quer nos EUA quer no exterior. Achas que o palco ainda é a melhor forma de promoção? Absolutamente! A melhor promoção é sempre apresentarmos o produto diretamente às pessoas. Afinal de contas, são elas que decidem se vais ter sucesso ou não. Entrevista: José Branco Fotografia: Season Of Mist


Depois de passarem por um mau momento, os Before The Dawn decidiram re-avaliar o projecto e arriscar fazer grandes mudanças pelo bem da banda. Falamos com o vocalista e compositor Tuomas Saukkonen acerca deste renascimento e do novo álbum “Rise Of The Phoenix”.

P

arabéns pelo vosso novo trabalho. Devem estar muito ocupados por esta altura... Vêem todo este tempo que gastam em entrevistas como algo positivo? Sim, muito ocupados realmente, pois temos dado imensas entrevistas para promover o novo álbum, mas vejo isso como algo de muito positivo pois significa que os media e os fãs estão interessados no nosso trabalho. E faz parte do nosso trabalho por isso não nos podemos queixar (risos).

O novo álbum é definitivamente o mais variado e também o mais épico. A ausência de clean vocals abriu muito espaço para introduzirmos mais melodias de guitarras e o próprio papel das guitarras é maior neste registo do que alguma vez foi em registos anteriores. No passado tínhamos muitas influências de Gothic e Dark Metal mas agora podes ouvir diversos elementos de Melodic Death / Black Metal nas nossas músicas e isto acaba por dar mais energia e agressividade à nossa música.

Apresentaram-se com um novo some m “Rise Of The Phoenix”. Até que ponto é que as saídas do Lars e do Atte afectaram este novo trabalho? A decisão de mudar o nosso som foi feita antes do Atte e do Lars abandonarem a banda, por isso diria que esta saída não teve qualquer influência nesta mudança. O novo baterista, Joonas, é muito rápido no que toca a blast beats e double bass, daí que tenha trazido a maior mudança no que respeita à composição, pois pela primeira vez tive a possibilidade de compor sem quaisquer limites. Com o Lars tivemos alguns problemas no seio da banda e ficamos muito mais motivados quando estas grandes mudanças no line-up foram feitas. Este tipo de energia positiva é um dos factores chave deste novo trabalho

Li uma entrevista onde te queixavas do facto de não conseguires dar 100% nas apresentações ao vivo. O que achas agora? Consideras que esta nova vida vai-nos poder mostrar aquilo que realmente são os Before The Dawn? Estou muito contente com os concertos que temos dado com este novo lineup e a melhor maneira de perceber isto é vendo o vídeo de “Phoenix Rising”, no YouTube, que foi filmado durante a nossa Tour Europeia do Inverno passado. Esse foi o primeiro concerto da tour com o novo line-up. Houve um tempo em que não estava mesmo satisfeito com as nossas prestações ao vivo mas agora posso afirmar que estamos num nível diferente!

Tiveram um cuidado especial com os detalhes. Na tua opinião quais são as principais diferenças entre “Rise Of The Phoenix” e lançamentos anteriores?

Quanto tempo passaram em estúdio e como foi o processo de composição e gravação? Gravamos 7 álbuns (Black Sun Aeon, Dawn Of Solace, Before The Dawn) juntos com o nosso guitarrista Juho. Ele trabalha como engenheiro de som e eu trato da produção e das

composições e formamos uma equipa muito funcional. Ambos temos os nossos estúdios por isso podemos trabalhar em horários muito flexíveis. As gravações para este novo álbum duraram 14 dias e precisamos de outros 10 para a mistura, por isso foi um processo muito rápido e fácil. O processo de composição é basicamente a mesma coisa: eu componho todo o material sozinho e gravo umas demos bem cruas para que os outros possam ouvir. O que significa “Rise Of The Phoenix” para ti? Dirias que os Before The Dawn estão também a renascer de uma morte anterior? É esse mesmo o significado do título do nosso álbum. A banda estava em muito má forma e tínhamos muitos ressentimentos e frustração dentro da banda. As grandes mudanças que fizemos há um ano atrás possibilitaram o renascimento da banda. Como tem corrido esta nova tour até agora? Tens gostado de tocar as novas músicas ao vivo? A tour está a correr bem e estamos a tocar o álbum quase na íntegra. Parece-me que está a resultar tanto para os fãs como para nós! Entrevista: Joel Costa Fotografia: Nuclear Blast


Com um nome que se vem afirmando a pulso, os lisboetas Adamantine quiseram fazer a diferença com o seu álbum de estreia, debitando o Trash old school, com uma abordagem própria e moderna. A Infektion Magazine quis também saber de viva voz as ambições e dificuldades de uma jovem banda num cenário de crise generalizada.

E

m primeiro lugar, os nossos sinceros parabéns pelo novo álbum! Para quem ainda não vos conhece: quem são os Adamantine? Muito Obrigado! Os Adamantine são uma banda de Thrash Metal que se formou no final do ano 2006, na altura com um som mais old school, ao género do que se fazia no estrangeiro com o ressurgimento do Trash. Somos das primeiras bandas da New Wave of Thrash Metal a existirem em Portugal. Gravámos o nosso primeiro registo, o EP “Downfall of Adamastor”, em 2009. Fizemos uma tour nacional em 2010, percorrendo

quase todos os bares e spots de música pesada em Portugal para promover esse primeiro disco e tivemos a oportunidade de abrir para bandas como Destruction, Gama Bomb, Lazarus AD e Bonded By Blood. Em 2011 lançamos um single, “Thrash and Devastate”, e pouco depois começámos a trabalhar no nosso primeiro longa duração. O que nos têm a dizer sobre o produto final de “Chaos Genesis”, a nível musical e lírico? O “Chaos Genesis” é o disco mais trabalhado que já gravámos. Não existem “fillers”, todas as faixas es-

tão lá por uma razão e têm o seu carisma e identidade, daí termos optado por não excluir nenhuma faixa no processo de criação, mesmo sabendo que resultaria num disco com uma hora de duração - pouco usual nos tempos que correm dentro deste género musical. A nível lírico, o disco continua com a sua veia conceptual, como é costume nos nossos trabalhos, mas desta vez com temas mais sociais e políticos. O processo entre pré-produção e gravação em estúdio durou praticamente nove meses, mas todo o esforço valeu a pena, pois estamos muito satisfeitos.


O que mudou em termos de sonoridade em relação ao EP de 2010 “Downfall of Adamastor”? O processo de criação foi muito natural e nenhuma das mudanças foi propositada. A única coisa predefinida é que não queríamos fazer nada que já tivéssemos feito e certamente não queríamos fazer nada que já existisse, fosse de Portugal ou estrangeiro. Aprendemos muito ao longo dos últimos cinco anos de música e de estrada e, por isso, decidimos dar tudo o que tínhamos neste primeiro longa duração, sem barreiras nem preconceitos. O resultado foi um disco muito mais extremo e, ao mesmo tempo, também muito mais melódico. Em termos de fórmula e estrutura é um disco clássico como “Master of Puppets” ou “The Number of The Beast”, mas com uma abordagem própria e moderna. Acho que não existe nenhum riff neste disco que soe a qualquer outra banda. Soa a Adamantine, simplesmente. É o disco que queríamos fazer desde 2006 - mas que não tínhamos maturidade suficiente - e que certamente nos distinguirá das outras bandas, pelo menos em Portugal. A produção e a mistura ajudam de sobremaneira a potenciar os novos temas. Existem cada vez mais bandas a optarem por gravar localmente e apostar forte no afinar do produto final com grandes nomes internacionais. Esta é a melhor opção ou a apenas a possível?

Um pouco das duas. Nestes tempos de crise, e com uma indústria em que a venda de CD não é a principal forma de rendimento de uma banda, é muito complicado ter uma verba para poder gravar no estrangeiro. Decidimos gravar o disco com o Tiago Canadas, nos Poison Apple Studios (Hills Have Eyes, Before The Torn), porque tínhamos a certeza que teríamos um produto final de qualidade. Já tínhamos gravado com o Canadas o single “Thrash and Devastate” em 2011 e foi uma escolha natural para o disco. Quanto à escolha do Tue Madsen (Moonspell, Dark Tranquility, Heaven Shall Burn): ele é, na minha opinião, um dos melhores produtores da Europa. Entrámos em contacto com ele e foi supersimpático e fácil de lidar. Tivémos imensa sorte de ele estar em Portugal a trabalhar com Moonspell na mesma altura em que estávamos a gravar o nosso disco. Conclusão, enquanto gravávamos no Poison Apple, o Tue estava no estúdio dos Moonspell, que fica mesmo ao lado. Foi uma sorte poder partilhar algumas ideias com ele durante o processo de captação. A introdução de vozes limpas, deu um colorido especial ao álbum … Decidimos apostar em mais melodia. Foi a primeira vez que nos aventurámos em refrões com vozes limpas e harmonias vocais. Quisemos trazer um pouco mais do Heavy Metal que gostamos de bandas como Metallica, Iron Maiden, Black Sabbath e Dio aliado à agressividade do

Thrash. Sempre tivemos essa veia Heavy Metal mas não tão acentuada. No final, a abordagem acabou por ser mais moderna, em comparação com essas bandas e com o nosso toque pessoal - mas sem dúvida que a essência está lá. Apesar do reconhecimento público, tal como sucede com muitas bandas nacionais de Metal, os Adamantine continuam sem editora. Contrariamente ao que afirmaram ter sucedido com o EP, tentaram divulgar este trabalho junto das editoras? Sim, desta vez com um longa duração tentámos obter um contrato discográfico. No entanto, chegamos a conclusão que não era viável e que continuarmos como uma banda independente era uma necessidade para mantermos a nossa existência e garantir, de alguma forma, a nossa liberdade. Estamos a tentar sobreviver à crise e adaptarmo-nos a um mercado quase nulo. Por mais absurdo que pareça, ter uma editora, hoje em dia, não nos garante muita coisa. Recebemos duas propostas de editoras “médias” no estrangeiro. Muitas coisas nos contratos que nos ofereciam seriam benéficas para nós, mas os contras eram demasiados e decidimos não aceitar e jogar pelo seguro neste ano de crise. O acham que “empurrou” tantas bandas para esta situação? E até que ponto é possível subsistir sem as editoras? A situação chegou a este ponto não por vontade das bandas mas pelo


fator crise e obviamente pelo declínio na indústria. Não existe praticamente mercado. As pessoas que não compravam discos há três anos quando a economia estava melhor, não o vão fazer certamente agora. O maior problema é que a escala do mercado nulo está aumentar de tal maneira ao ponto de o merchandising e os concertos não renderem também o que deveriam, principalmente em Portugal e no resto da Europa. É possível subsistir sem editora, com muito trabalho árduo e empenho. Provavelmente, não se faz tudo o que se gostaria, por falta de apoios (mais videoclips, uma edição em vinil, mais uma tour europeia) tal como outras bandas estrangeiras fazem, mas esta é a nossa realidade e temos de aceitar. Tal como sucede em muitas outras atividades profissionais, acham que, para se ser um músico profissional, e em especial dentro do Metal, é preciso emigrar? Para se ser um músico profissional é preciso em primeiro lugar, pensar e agir como tal. Acho que pelo mundo fora, não só aqui, existem muitas mentalidades por moldar nesta indústria. Muita gente que pensa que é tudo fácil e é tudo dado e que ser músico profissional é pegar na guitarra e dar uns toques. Portanto, no dia em que passarem a encarar a música como um trabalho, ao invés de um hobby, é meio caminho andado para o sucesso. Obviamente que a indústria em Portugal é muito pequena, e, para se ser músico pro-

fissional, é preciso ganhar dinheiro – logo, quem emigra para países com mais oportunidades, terá mais sucesso. Portugal é um reflexo do seu tamanho: um país pequeno e com poucas pessoas, uma indústria pequena e sem espaço para todos. A virtualidade, através da proliferação de álbuns em ficheiros mp3 (e revistas em pdf … ;-)) vem ganhando terreno ao suporte físico. Quais os vossos planos para promover este disco? Embora tenhamos gosto pelo formato físico, somos uma banda que tem os olhos postos no futuro e que entende a importância inegável do digital. No dia em que o disco saiu, fizemos um stream do disco na íntegra em exclusivo no nosso facebook. Obviamente, nesse mesmo dia, espalharam-se “leaks” do álbum por todos os sites da internet com o download. É inevitável. No entanto, quem realmente gosta da banda acaba sempre por comprar, seja em suporte físico ou digital. Vamos continuar apostar em ambos os formatos e em termos de promoção continuaremos com as redes sociais, sites, fóruns, webzines, espalhando vídeos e música que disponibilizarmos. O sucesso de uma banda, hoje em dia, está unicamente na publicidade. Os Adamantine atravessam uma fase importante da carreira. A propósito da divulgação do vosso primeiro trabalho de longa duração, pelo facto de serem uma banda portuguesa, sentem

na pele falta de apoio de certos agentes e mesmo do público (que continuam a preferir o que vem de fora)? Agora que em abril cumprimos as datas da Chaos Genesis Tour em solo nacional, penso que o público compareceu de forma positiva. No entanto, não posso deixar de notar que se fosse há três anos atrás, todos os concertos teriam o dobro da lotação. Mas as pessoas quando gostam continuam apoiar. Infelizmente, o sentimento do português que só apoia o que é estrangeiro vai sempre existir e com a crise será ainda pior. Quanto aos promotores: são muito poucos aqueles que têm a coragem de apostar em bandas portuguesas como nós. Mas desde 2006 que somos uma banda a remar contra a maré e nada nem ninguém nos impediu até hoje de seguirmos em frente. Por favor, deixem uma última mensagem aos leitores da Infektion Magazine! Oiçam o nosso novo disco “Chaos Genesis”! Mostrem aos vossos amigos, partilhem a nossa música. Oiçam o Metal que gostam sem preconceitos nem barreiras entre géneros. Apoiem as bandas nacionais, compareçam nos concertos ou comprem os discos, pois estarão ajudar as bandas a sobreviver. Entrevista: José Branco Fotografia: Adamantine


Depois de uma ausência de cerca de 17 anos, os nacionais Disaffected estão de volta com um novo registo. Com edição a cargo da Massacre Records, «Rebirth» marca assim um novo capítulo na banda.

F

alem- nos um pouco da banda Disaffected que já anda por cá desde 1991. É verdade. Já faz algum tempo! Após duas demos com muito boa aceitação (1991 e 1992) e uma participação na compilação de vynil “The Birth of a Tragedy” da MTM em 1992, lançámos o “Vast” em 1995, via Skyfall Records. Embora esse trabalho tenha sido reconhecido como um dos marcos incontornáveis do metal em Portugal, ficou praticamente desconhecido para o grande público estrangeiro. É que, se hoje em dia, com “myspaces”, “facebooks”, “youtubes”, etc. somos um pequeno país periférico, em meados da década de 90 essa exclusão era

absolutamente esmagadora. É certo que outra(s) banda(s) desse tempo conseguiram meritoriamente dar o salto, mas era de facto muito complicado. Em meados de 1996, ainda tivémos uma honrosa participação na “Slatanic Slaughter II”, uma compilação de tributo aos Slayer da editora sueca Black Sun Records, que nos deu alguma notoriedade internacional, mas foi “sol de pouca dura”, porque, em inícios de 1997, vários elementos saíram da banda, vindo a estocada final a ser dada uns meses mais tarde quando o Sérgio teve um acidente de mota gravíssimo. Esteve em coma durante várias semanas e os prognósticos médicos indicavam que, na melhor das hipóteses, não

passaria de um “estado vegetativo”. No entanto, ano após ano, foi recuperando, até que, em finais de 2006, num concerto de Sinister, em Corroios, lançou a ideia de uma reunião. Dois dos elementos da formação do “Vast” declinaram a ideia, mas o projecto foi ganhando vida – até hoje! Como explicariam o vosso som a quem nunca vos ouviu? Somos normalmente catalogados como uma banda de “death metal progressivo” – rótulo com o qual, genericamente, concordamos. No entanto, sempre procuramos incorporar outras sonoridades e elementos estranhos ao death metal. Assim, para além das vozes guturais,


riffs complexos (por vezes esquizofrénicos) e batida forte, quem ouve Disaffected encontra também percussões tribais, acordes dissonantes, linhas de baixo progressivas e com groove, algumas vozes femininas, e um ou outro apontamento jazzístico. Há sempre qualquer coisa estranha a acontecer, qualquer sonoridade inesperada. Escolhemos sempre o caminho menos convencional. Que influencias podemos encontrar nos vossos albuns? Há de tudo um pouco. Como temos referencias que vão desde “Obscura” a “Dead Can Dance”, passando por “Dream Theater”, “Atheist”, “Carnival in Coal”, “Arcturus”, “Death” e vários outros géneros e bandas, é possível que alguém identifique um ou outro elemento com uma ou outra destas ou de outras bandas. No entanto, no seu todo, Disaffected consegue ser original – passe o cliché... O “Vast” foi considerado inovador, e pensamos que o “Rebirth” seguiu-lhe as pisadas. As influências são sobretudo de um metal mais elaborado e complexo, mas que importa sonoridades de diversas outras origens. Estão prestes a lançar um novo album com alguns convidados, como correram as gravações? As gravações levaram vários meses a completar – sensivelmente de Agosto de 2010 até Fevereiro de 2011. Foi um processo lento e complicado. Ainda nos estávamos todos a redescobrir. Por outro lado, havia a responsabilidade de tentar fazer um trabalho, pelo menos, ao mesmo nível do “Vast”. Todos os detalhes dos mais de 60 minutos do álbum foram estudados ao pormenor, para que ninguém pudesse vir dizer “depois de tanto tempo, mais valia estarem quietos!” Nesse sentido, resolvemos ainda acrescentar algumas mais-valias ao longo do trabalho: vozes da Célia de “Mons Lvnae” e do Fer-

nando de “F.E.V.E.R.”, percussões do Mike de “Moonspell” e do Quim de “Before The Rain” (ex-Disaffected) e ainda um solo do X de “Ferro e Fogo”. As gravações decorreram nos The Pentagon Audio Manufacturers Studios, em Lisboa, e as sessões onde participaram todos estes convidados foram já numa fase final do processo de gravação e já quase em descompressão, sendo das sessões mais divertidas e memoráveis. Quando finalmente tudo ficou pronto, estávamos muito orgulhosos com o que tínhamos conseguido, especialmente considerando as enormes dificuldades com que nos tínhamos deparado, e também muito satisfeitos com o trabalho de produção e masterização do produtor Fernando Matias, que foi inesgotável e mostrou uma dedicação e um empenho fantástico em toda a produção do album. Como chegaram ao nome do album “Rebirth”? Quando compusémos a primeira música pós “Vast”, em 2007, sentimos que tínhamos composto algo com muito boa qualidade, sentimos que Disaffected estava de volta, que tínhamos renascido. Assim, esse primeiro tema foi imediatamente batizado de “The Rebirth Of…”. Essa sensação acabou por nos acompanhar durante a composição dos restantes temas e até termos dado por concluído o álbum. Assim, pareceu-nos natural traduzir todo o processo e todo o trabalho nessa sensação de renascimento. Acabou por simbolizar tudo o que tinha acontecido com Disaffected desde 1997 até hoje. 6. Qual vai ser o single do album e porque essa escolha? O single será “The Rebirth Of…”, que é um tema alusivo ao nome do álbum – “Rebirth” . A escolha recaiu sobre esta música por ser a que melhor representa o trabalho no seu todo. Na verdade, sendo o nosso álbum um

disco conceptual - o qual descreve, metaforicamente, o longo percurso da banda desde a sua morte até aos dias de hoje – era com um registo positivo desse caminho que nos queríamos anunciar. Por outro lado, pensamos que o facto do tema estar relacionado com o título do álbum, poderá ajudar a mais facilmente chegar a um maior número de pessoas. As criticas ao album têm sido muito boas, estão nervosos com o lançamento? É verdade, as críticas têm sido de facto fabulosas. A última a que recentemente tivemos acesso foi de um conceituado website alemão, o metal 4 (http://www.metal4.de/ review/disaffected-rebirth), que nos atribui um incrível 9,5/10 e adjetivou o “Rebirth” como “grandioso” . Ficamos compreensivelmente orgulhosos e, claro, ainda um pouco mais nervosos com o lançamento. Foram muitos anos a trabalhar e a sonhar com este momento! Está finalmente às portas! Vamos tentar viver e desfrutar o prazer de termos conseguido voltar, mas passados tantos anos há naturalmente alguma ansiedade. Sei que andaram a gravar o video, quando vai estrear e o que podemos esperar? Sim, em finais de Fevereiro deste ano estivémos num estúdio profissional em Lisboa a filmar um vídeo para o nosso single, tendo a realização estado a cabo de Mafalda Norte e Frederico Weinholtz. A ideia será estreá-lo mundialmente na véspera da primeira festa de lançamento do álbum, no dia 30 de Maio. Estamos ainda a trabalhar nos pormenores, mas está a ficar muito bom. Tivemos a sorte de poder trabalhar com uma pequena equipa de excelentes profissionais e o resultado final vai ser de grande qualidade. Em breve teremos um “teaser” disponível nos nossos “Facebook” e “YouTube”.


Como acham que a vossa banda apos varios anos parados se enquadra no panorama musical Nacional? Excelente questão, mas que na verdade não sabemos dar resposta. É uma verdadeira incógnita. O panorama musical de 2012 não tem nada a ver com o de 1995. Em 17 anos tudo mudou. Até já há pessoas que nasceram depois do “Vast” e que irão ouvir o “Rebirth” quase maiores de idade! Ainda no nosso último concerto fomos felicitados por pessoas que nem eram nascidas quando começámos em 1991. É sobretudo destas pessoas mais novas que temos maior curiosidade de ouvir o feedback. As pessoas da nossa geração, conhecem o “Vast” e vão reconhecer a continuidade e a qualidade

do “Rebirth”. Mas para quem nunca ouviu Disaffected, não há nenhum ponto de referência. No entanto, estamos convictos que o nosso som conseguiu sobreviver ao teste do tempo e que nos iremos enquadrar novamente muito bem no panorama musical nacional. O album vai sair dia 25 de Maio, como anda a vossa agenda de concertos de lançamento? Ainda estamos a trabalhar na marcação de várias datas. Temos pensado em concertos de apresentação em Lisboa, Porto, Coimbra e Faro, mas ainda nenhuma data está confirmada. No entanto, está para breve. Durante os próximos dias já deveremos começar a anunciar esses concertos. E continuamos receptivos a mais convites!

Alguma mensagem para os leitores da Infektion? Sim! Mas antes de mais um enorme agradecimento à própria “Infektion” pelo interesse e divulgação de Disaffected. Como leitores regulares da vossa publicação, e conhecendo a qualidade e empenho que emprestam a cada número, é sem dúvida com muita honra que recebemos/ respondemos à presente entrevista! Quanto aos leitores, gratos pela paciência de terem lido a entrevista até aqui, e votos de que continuem a dar força ao metal em Portugal, a aparecerem a concertos e a lerem publicações como a “Infektion”. Se não for antes, vemo-nos todos em Vagos! Até lá, “metal rules!” Entrevista: Joana Rodrigues Fotografia: Disaffected


INFERNO dos SHADOWSPHERE é uma viagem poderosa em que a melodia nos agarra e nos liberta a seu bel-prazer. O som é vibrante e fluente. A voz feminina surge num contraste positivo com o tom gutural de Paulo Gonçalves. É um regresso positivo da banda de Lisboa que nos leva ao INFERNO e nos traz de volta. Luís Goulão fala-nos um pouco deste INFERNO.

A

banda tem estado ausente da cena musical desde 2007. A que se deveu esta paragem? Devido a problemas pessoais decidi ausentar-me da cena musical, e na mesma altura o André Silva (Baterista) decidiu sair também, o que levou à paragem de SHADOWSPHERE. “Inferno” representa uma jornada pessoal? Sim, representa a minha jornada pessoal desde 2005 a 2008. Porquê a escolha do título em português se as faixas aparecem em inglês? “Inferno” é um nome bilingue, que pode ser usado tanto em Português como em Inglês, daí a minha decisão. O preto e o branco da capa (graficamente muito bem conseguida) espelham as emoções do álbum? Completamente. É um ir ao Inferno e voltar, é o representar de uma jornada sofrida com um fim optimista. A vossa introdução é enigmática e faz prever uma orientação que depois acaba por não ser muito seguida no álbum. O que

podem dizer desta introdução ao inferno? Quando começei a compôr, toda a ideia da intro surgiu naturalmente, o som limpo, o marchar e as sirenes, e a melodia baseada no refrão da “Within The Serpen´s Grasp”, e no final tudo encaixou perfeitamente, na minha opinião. Podem falar-nos um pouco de “Suicide Reign” e de “Screaming Silence”? A “Suicide” fala de como a dependência doentia e idolatria podem findar em suicídio, e a “Screaming” fala de traição e de tudo o que isso acarreta futuramente a nível emocional e carnal. A sonoridade do death metal nórdico ainda é uma influência? Sim, claro. Bandas como At The Gates e In Flames continuam a ser uma influência bastante acentuada no nosso som actual. Como surgiu a ideia da colaboração com Patrícia Rodrigues em “sworn enemy” e em “Alone at the end of the world”? Surgiu naturalmente. Quando compus a “Sworn” já tinha em mente que seria o single e que teria de ter algo diferente. Pedi à Patrícia que cantasse nos refrões e ficou muito

bem, não fosse a Patrícia uma voz de referência no Metal Nacional. Entretanto, como ela esteve sempre presente na composição, tanto lírica como musical, percebeu desde logo o feeling do álbum e nesse sentido pedi-lhe que escrevesse a letra para a música final do álbum. Esta era outra que eu queria algo diferente e assim o foi com a voz magnífica da Patrícia e os teclados do Davon em conjunto connosco. Neste álbum têm também um convidado nas teclas. Querem falar desta colaboração? O Davon foi nosso teclista na época do “Hellbound Heart”, mas acabou por sair por diferenças musicais, mantendo no entanto a amizade. Como queria uma música com teclados acentuados para “INFERNO” falei com ele e assim nasceu mais uma brilhante cooperação. Como tem corrido a apresentação do álbum? Muito bem. O “INFERNO” tem tido boas críticas cá e muito apoio e excelentes críticas lá fora, especialmente nos EUA, no Canadá, Alemanha e Europa de Leste. Entrevista: Mónia Camacho Fotografia: Shadowsphere


Nascidos das cinzas dos “Against”, os Terror Empire formaram-se em 2009 e apresentam agora “Face The Terror”, o seu álbum de estreia. Estivemos à conversa com este projecto, que reúne membros de Lousã e Arganil.

Parabéns pelo “Face The Terror”. O que nos podem dizer acerca deste álbum? Qual o vosso objectivo principal para com este lançamento? Obrigado, tem sido uma luta de alguns anos e o sonho de uma vida. Este é um álbum de thrash, na sua essência. Mas há mais, como uma vocalização diferentes do thrash dito “tradicional” e ainda contratempos, breakdowns ou groove, com peso e medida - tudo elementos do metal que mais apreciamos. Com “FTT” pretendemos divulgar a nossa música e o nosso nome e tocar, tocar, tocar. O vosso nome é baseado nos atentados do 11 de Setembro e em tudo aquilo que este acontecimento deu lugar posteriormente. Qual a vossa opinião em relação a todas as teorias e medidas que foram tomadas depois do atentado? Nós cremos que a possibilidade dos atentados do 9/11 terem sido um ataque auto-infligido é uma possibilidade bem real e que deve ser seriamente ponderada. O nível de histeria e paranóia após os eventos de 2001, com uma propaganda baseada num “terror” invisível, até ver só serviram para aumentar a dívida dos Estados Aliados e reduzir os direitos dos cidadãos no mundo Ocidental. O pior é que não há como voltar atrás, a menos que o sistema capitalista colapse, algo que não deverá acontecer na nossa geração... Até lá, o império do terror continuará a reinar. Futuramente vão continuar a adoptar o “Terrorismo” como

tema principal da banda ou podemos esperar uma nova faceta dos Terror Empire? Não vou negar que já falámos sobre isso. Enquanto não podemos (nem pretendemos fugir ao nosso nome), há várias formas de o interpretarmos. Por exemplo: o ser humano é o ser mais devastador e terrorista do próprio planeta em que habita. A temática da ecologia e dos direitos dos animais é algo que nos sensibiliza bastante, e deverá ser abordada no futuro, da nossa parte. Posso dizer que 50 cêntimos de cada CD que vendermos serão doados à Louzanimales (Associação Pelos Animais da Lousã). A versão digital será gratuita e acessível através do nosso site. Fala-me um pouco do processo de composição... Sei que os Terror Empire foram formados após o fim dos Against. Aproveitaram algumas ideias dessa época ou procuraram criar algo novo? O Robb Flynn [Machine Head] diz que para se escrever o primeiro álbum tem-se uma vida inteira, e é verdade. Enquanto na banda anterior, três de nós tocávamos num registo mais melódico, o nosso coração sempre esteve no thrash. Sempre escrevi músicas agressivas, e temos riffs em “FTT” que já foram escritos há mais de dez anos. Quanto à parte de nós que veio dos Zag.a.lot, também sempre foi muito agressiva desde a sua génese, e há muitos riffs que também vieram daí. Mas há coisas que foram acontecendo no nosso percurso musical, ativa ou passivamente, e a que não pudemos ficar indiferentes, ao longo dos anos. Daí que tenhamos a tendência de dizer que praticamos um

thrash moderno, pois tanto misturamos muitos elementos do thrash de há 30 anos, como dos dias de hoje. Acima de tudo, queremos ter a ambição de criar algo que vá resistir à passagem do tempo, com a humildade e a sede de quem está a (re) começar. Fala-se muito na qualidade das bandas nacionais e dos próprios fãs, no entanto ainda não há uma opinião bem formalizada no que toca aos outros aspectos da nossa cena metal. Acham que Portugal está bem servido a nível de estúdios, editoras e meios de comunicação?
 Há coisas boas e más em qualquer país, mas basta atirar os nomes “Seven Stitches” ou “Switchtense” para a conversa, para sabermos que há uma qualidade inegável no nosso país, tanto que rebenta as nossas fronteiras - e ainda bem! São exemplos de profissionalismo e humildade. Quanto a estúdios, a qualidade paga-se! O material e a formação profissional são investimentos pessoais e económicos avultados e temos de compreender o lado de quem está na régie. Temos tido elogios rasgados à qualidade sónica do nosso álbum e garanto-te que o trabalho do Miguel Seco (GMP Recording Studios) ficou com um excelente rácio qualidade/preço. Haverá estúdios baratos que até poderão fazer “milagres” (e ainda bem), mas se quiseres uma produção de topo sem explorar o engenheiro de som, prepara-te para pagar. Os meios de comunicação teem-se adaptado à era digital. Temos uma revista física que fez um facelift (LOUD!), outra revista pioneira do metal em Portu-


gal que fez a transição para o digital (Riff), e estamos neste momento a ser entrevistados para uma revista gratuita e 100% digital. Somando a tudo isto o “cidadão jornalista” que divulga conteúdo através da internet... acho que estamos muito bem servidos! Falem-me um pouco do artwork… O que representa a capa? A capa foi desenhada pela artista Márcia Gaudêncio (marciagaudencio.com) e está intimamente relacionada com a temática das letras do álbum. Antes de mais, escolhemos o traço que queríamos. Depois, em termos conceptuais, explorámos uma reacção humana perante o sentimento de medo, com as pupilas extremamente dila-

tadas. Porém, o olho não é um olho qualquer... é o Olho da Providência literalmente a borrar-se de medo perante a insurreição humana! Take that, Illuminati! Ao ler as letras, reparei que a vossa abordagem lírica é bastante direccionada a algo ou alguém. Quem é o vosso inimigo?
 A maior parte das nossas letras dirige-se àquela mão invisível que nos tenta controlar, aos verdadeiros terroristas de fato e gravata que estão nos governos e nos mercados de câmbio, e a todas as sociedades secretas que gostam de brincar aos aventais e ao Risco à escala planetária. De resto, há duas faixas que são extremamente pessoais e fogem um pouco à temática conceptual do


álbum. A Redemptive Punishment e a Element são dois hinos ao ódio e, na nossa opinião, a banda sonora perfeita para o dia em que decidires acertar o passo a alguém.

nados para o Warm Up para o Metal GDL, em Julho. Visitem a nossa página (terrorempire.net) e marquem concertos connosco. Vamos a todo o lado.

Vão apresentar este álbum ao vivo nos próximos tempos? O álbum será divulgado ao longo da nossa carreira, mas será tocado mais intensivamente até à próxima vez que gravarmos um disco. O concerto de lançamento será em Coimbra, no próximo dia 15 de Junho, com Blindslaves e Alma Spectrum. Reduzimos o preço dos bilhetes para que ninguém prefira estar na esplanada a dizer que não se passa nada na cidade. De resto, entre outros concertos agendados, estamos siderados por termos sido seleccio-

Outros planos para o futuro…
 Queremos deixar a nossa marca no metal nacional, com uma atitude positiva, reconhecendo o valor a quem já cá estava antes e abrindo portas para quem vier a seguir. O próximo álbum ainda está longe, mas já está a fermentar nas nossas cabeças. Até lá... tocar, tocar, tocar.

Entrevista: Joel Costa Fotografia: Terror Empire


Foi precisamente há um ano que saía a 4ª edição da Infektion, edição essa que continha uma entrevista com os Tales For The Unspoken. O que a banda viveu durante este ano deu-nos motivos suficientes para ir ao seu encontro mais uma vez, no entanto a banda de coimbra não se quis ficar por aqui: os leitores da Infektion poderão efectuar download gratuito do seu álbum «Alchemy»! + info no fim da entrevista «Alchemy» tem uma abordagem bastante interessante, pois tal como o lineup da banda, o próprio disco apresenta elementos culturais de diversos países. Falem-nos um pouco do conceito de «Alchemy» e do que levou à formação da banda... O conceito do “Alchemy” foi mesmo para estabelecer o paralelismo com as diferentes nacionalidades existentes no seio da banda. O que foi uma obra do acaso, hoje acaba por ser uma das nossas identidades. Neste álbum tentámos espelhar um pouco da diversidade cultural pela qual a banda é composta e pensamos que ao ser ouvido facilmente se encontram ritmos que podem caracterizar cada uma das diferentes

nacionalidades. “Alchemy” é isso mesmo, combinar vários elementos para tentar ser o mais perfeito possível.

Conseguimos ter uma casa mais que cheia no lançamento e passado um ano julgamos que ainda não se cansaram das músicas.

Como foi o feedback na altura do lançamento de «Alchemy»? E hoje em dia, é um álbum que ainda mexe? Para nosso espanto foi um álbum que vendeu bem, e quando dizemos espanto tem a ver com o facto de sermos uma banda relativamente recente. Desde 2008 até agora foi um percurso curto mas cheio de trabalho que culminou com o lançamento do “Alchemy”. O álbum pode ser adquirido em vários sítios, incluindo a FNAC, que no ponto de vista da publicidade é muito bom.

Aprenderam algo de novo depois das gravações e da fase de promoção deste álbum? Ou seja, há algum erro que vão evitar ou algo de novo que vão experimentar na próxima vez que entrarem em estúdio? Existem sempre lições a retirar das experiências. Foi o primeiro contacto a sério com um estúdio por parte de quase todos os elementos da banda, logo isso também acaba por reflectir algum nervosismo aquando das gravações mas rapidamente isso foi ultrapassado. Não existe a


obra perfeita pois até aquela que por vezes parece de longe a melhor no fundo tem sempre alguma falha. Existem alguns aspectos que se fosse hoje obviamente mudaríamos mas se isso acontecesse deixava de ser o “Alchemy”. Vão tocar no Areeiro Open Air ao lado de nomes afirmados no cenário Metal do nosso país. Quais as vossas expectativas? Pensamos que vai ser um grande festival e quem quiser assistir tem oportunidade de ver bandas de todos os géneros e influências, o que é bom para atrair mais pessoas para o festival. Felizmente já estamos habituados a tocar com grandes nomes do nosso país: RAMP, Bizarra Locomotiva, Mata-Ratos… quer se goste ou não foram bandas que marcaram o panorama musical em Portugal e é sempre um orgulho poder partilhar o palco com aqueles que têm mais experiência que nós e humildemente a transmitem. E como se sentem por serem um dos representantes do Underground nacional não só neste cartaz mas na cena nacional em geral? É sempre bom quando o nosso nome está no alinhamento de um cartaz. Aos poucos fomos conseguindo passar a nossa música. Inicialmente mais facilmente passava a música que o nome (risos), achavam um pouco confuso e diziam só

“Tales…”, e desse modo através das redes sociais e do “boca a boca” fomos alcançando uma divulgação cada vez maior. Temos alguns aspectos curiosos que fazem com que por uma ou outra razão sejamos falados. É desse modo que se constrói a identidade de uma banda e como consequência a banda cresce a nível de projecção. Cabe a nós não deixar regredir e é para isso que trabalhamos todas as semanas para evoluir cada vez mais para que não se esqueçam de nós. Podemos contar com a inclusão de mais temáticas culturais em próximos lançamentos? Esse já é um dos elementos que dificilmente vai deixar de existir. Lógico que estamos em revolução e a abordar sonoridades que ainda não tínhamos explorado anteriormente, mas temos que ser bastante coerentes ao fazer certas misturas e a forma como as podemos fazer para “serem nossas”. Mas Tales For The Unspoken por si já é uma revolução cultural e mesmo sem uma parte tribal notória ela já faz parte do sangue da banda. O que vos levou a representar serial killers na sessão fotográfica? De que forma é que esta representação se insere na temática da banda? Essa sessão foi tão cómica, até de maltratar mulheres nos quiseram acusar (risos). O nosso intuito foi

transmitir naturalidade em questões que normalmente chocam. Se repararem nenhum dos membros da banda está caracterizado e essa é uma das mensagens que também queríamos transmitir, naturalidade e simplicidade. Vários aspectos podiam ser falados mas essencialmente foram aqueles exemplos falados anteriormente e é também como que uma preparação para algumas mudanças na banda, mudanças essas a nível sonoro. Planos para o futuro... Os planos abundam sempre, estamos em fase de composição do sucessor do “Alchemy”. Existem sempre alguns concertos, tratar de internacionalizar, como podem ver trabalho não nos falta assim fosse o tempo disponível. Esperemos que continuem a apoiar o que de bom se faz em Portugal e a todos os apoiantes do metal “Não deixem morrer a música e vão aos concertos apoiar as bandas”. Vemo-nos por esses palcos. Obrigado a todos os que nos têm apoiado no nosso trajecto.

Entrevista: Joel Costa Fotografia: Tales For The Unspoken

OS TALES FOR THE UNSPOKEN DISPONIBILIZARAM O SEU ÁLBUM, «ALCHEMY» PARA DOWNLOAD GRATUITO JUNTAMENTE COM ESTA EDIÇÃO DA INFEKTION. SE ESTÁS A LER A REVISTA ONLINE, ENTÃO BASTA ENCONTRAR O LINK QUE DIZ “DOWNLOAD PDF + ALCHEMY”. A INFEKTION AGRADECE AOS TALES FOR THE UNSPOKEN PELA CONFIANÇA DEPOSITADA NESTA PUBLICAÇÃO AO LONGO DESTE PRIMEIRO ANO DE EXISTÊNCIA! --------------------------------------------------------------------------------------------------------------QUERES OFERECER O TEU ÁLBUM JUNTAMENTE COM A PRÓXIMA EDIÇÃO DA INFEKTION? CONTACTA-NOS: INFEKTIONMAGAZINE@GMAIL.COM


http://www.spotbux.com/?pag=home&ref=dGlhZ28ua25veHZpbGxlQGdtYWlsLmNvbQ==8

http://www.minhamorte.com


Fomos ao encontro de Kareem Chehayeb, vocalista e guitarrista dos Voice Of The Soul. O mentor deste projecto delicioso falou-nos um pouco sobre a banda e de como é ter uma banda metal num país como o Kuwait.

E

ste é um dos melhores registos que ouvi nos últimos meses. Estás satisfeito com o resultado final de “Into Oblivion”? O que nos podes dizer acerca deste lançamento? Muito obrigado! Estou muito contente de como as coisas acabaram por ficar com “Into Oblivion”. É o nosso terceiro EP e creio que é também o nosso lançamento mais sólido até à data. Desde 2009 que lançamos um EP em cada Verão e gosto de pensar que este lançamento em particular mostra o quanto crescemos. Embora esteja orgulhoso dos outros dois lançamentos, este mostra um lado mais maduro e com provas dadas da banda. É muito bom poder constatar o quanto as coisas podem mudar em poucos anos. O que te fez criar os Voice Of The Soul? Como um jovem e entusiasta guitarrista, que estava bem aborrecido com aquilo que a maioria das pessoas fazia nos seus tem-

pos livres, estava desesperado para encontrar outros músicos que estivessem interessado em compor e tocar. Haviam algumas pessoas com as quais compunha música mas nunca levamos nada a sério. Vi um enorme potencial naquilo que criamos e foi então que achei que isto seria uma boa ideia. Começamos por tocar covers ao vivo e eventualmente, já com um bom line-up, comecei a escrever novamente no final de 2008. Entretanto assumi também os vocais a par da guitarra. Sentes que “Into Oblivion” vai trazer-te o reconhecimento merecido não só no Kuwait mas também em todo o Mundo ou ainda achas que há muito trabalho a fazer? Há sempre muito trabalho a ser feito. Nada fica mais fácil... mas estamos no activo no Kuwait desde 2008, altura em que éramos apenas uma banda de covers. Infelizmente não temos tido oportunidades para tocar ao vivo desde esse tempo. O nosso segundo EP, “Eyes Of Deceit”, deu-nos al-

guma visibilidade internacional e “Into Oblivion” ajudou-nos a perceber que podemos conseguir muito mais. Tivemos reviews em França, Inglaterra, Singapura, Brasil, Estados Unidos, Jordânia, Egipto, Kuwait, Líbano... etc. Foi algo incrivelmente encorajador e é questão de aproveitarmos todas as formas que tivermos para expôr o nosso nome. Com a internet e com a facilidade que temos hoje em dia de encontrar equipamento de gravação barato, há um sem fim de bandas a promoverem o seu trabalho online. Não está fácil, mas no fim o tempo o dirá... Como é ter uma banda de Metal no Kuwait? É um género musical aceite? Não é fácil (risos). Mas adoro a nossa pequena comunidade musical. As bandas apoiam-se umas às outras, sejam Metal, Rock, Punk, Blues, etc. É como deveria sempre funcionar. Actualmente vivo na América e são todos muito antipáticos uns com os outros, apenas porque um toca Progres-


sive Metal e o outro toca Thrash ou algo parecido. É inacreditável. Têm mais oportunidades e recursos aqui mas prefiro a comunidade mais familiar do Kuwait. No entanto, fazer disto um trabalho a tempo inteiro nunca será possível. As autoridades ficam sempre um tanto relutantes em relação ao Metal e acabaram com os concertos, independentemente das regras e restrições levadas a cabo pelos promotores, no sentido de apelas às autoridades. Não sei qual é o problema deles mas a típica desculpa usada é a palavra “satanismo”. Julgo que a apresentação estereotipada das bandas Metal e os logos esquisitos influenciam muito a opinião deles. O que nos fez continuar foi o nosso produtor, Sarj, que tem um excelente estúdio caseiro e foi a esperança para muitas bandas de Metal daqui. Mas no que respeita a concertos, nunca tocamos no Kuwait desde que éramos uma banda de covers. Todos os nossos concertos foram dados no Dubai, que tem uma comunidade Metal mais estabelecida e tinha um Festival Open-Air.

Como descreves o processo de composição? Foi algo deviamente planeado e pensado ou deixaste que a inspiração tomasse conta de tudo? A composição de “Into Oblivion” foi a mais divertida que experienciei enquanto músico. O Monish (guitarrista) e o Ahmed (baixista), estavam em países diferentes por essa altura. Tínhamos que trabalhar através do Guitar Pro e do Skype! Por alguma razão, ficamos com uma vontade enorme em compor e foi isso que fizemos! Compusemos aquilo que veio até nós e depois analisamos tudo, por isso diria que foi uma mistura dos dois. Como chegaram até “Into Oblivion” para o título? Na realidade foi muito difícil arranjar um título. Vou tentar explicar isto o mais simples possível: Todas as músicas que fizemos para este EP, sejam elas pessoais ou não, falam das lutas da vida. É o grande dilema de nos entendermos a nós próprios, em particular as nossas emoções e decisões que podem mudar as nossas vidas e as questões funda-

mentais, como por exemplo se a morte é uma saída ou uma fuga. A artwork mostra a luta e a preserverança na frente e a morte atrás. O que têm em mente para promover este EP? Têm algum concerto marcado? Tocamos em Dubai em Janeiro e esse foi o primeiro concerto oficial que demos após o lançamento do EP. Neste momento estou à procura de novas oportunidades para tocar no Médio Oriente e estamos também a tentar manter uma forte presença na internet. Últimas palavras para os leitores Portugueses... Sou fã da vossa seleção nacional há 8 anos. Também sou fã de bandas como Moonspell e Heavenwood. A Avantegarde (management) está sediada em Braga... Agora só precisamos de dar um concerto aí! Espero poder subir a um palco por aí muito brevemente! Continuem a apoiar as bandas de Metal! Entrevista: Joel Costa Fotografia: Voice Of The Soul


http://www.perigo-de-morte-new.blogspot.com


O som pode ser dos anos 70, mas não é por isso que perde a validade. Com a musicalidade de Thomas Fiend e companhia aliada à magnífica voz de Jess, os JESS AND THE ANCIENT ONES são uma lufada de ar fresco num meio musical cada vez mais repetitivo. Falamos com Thomas Fiend acerca desta proposta: Jess And The Ancient Ones parece-me ser uma espécie de banda híbrida, pois misturam elementos tradicionais de Heavy Metal com elementos de bandas como Abba ou Shocking Blue. O que fez esta fórmula resultar para vocês? É engraçado mencionares Shocking Blue pois o (Thomas) Corpse descobriu-os há algumas semanas atrás e fiquei completamente viciado! Música excelente, uma cantora fantástica e um som muito bom! Também reparei que fazem-me lembrar os Jess And The Ancient Ones no entanto nunca os tinha ouvido anteriormente (risos). Mas no geral, creio que o facto de todos os membros da banda possuírem diferentes backgrounds possibilita a criação de um som único e dá um certo sabor à nossa música. O tema «Sulfur Guants» é um dos meus favoritos neste disco. Como conseguiram levar a atmosfera dos anos 70 para este disco? Eu e o Thomas Corpse criamos os riffs e escrevemos as letras e então a banda inteira trabalha nos detalhes das músicas. «Sulfur Giants» é uma criação do Thomas Corpse, por isso ele pode falar-te um pouco melhor desta música em particular. É basicamente aquilo que já mencionei: todos os membros trabalham o seu próprio som e resulta em algo interessante.

Tore Stjerna dos Necromorbus Studio deu-nos alguns bons conselhos e opiniões e sugeriu que as guitarras em «Sulfur Giants» trouxessem um som dos anos 70. Como descreves o processo de composição de uma música com 12 minutos? Comigo e com o Thomas Corpse, as músicas acabam por ficar dessa maneira. Criamos muitos riffs e quando começamos a montar a estrutura apercebemo-nos que o primeiro refrão aparece quando já se passaram 7 minutos (risos)! Mas é claro, acho que é necessário ter algumas noções de composição musical e arranjos musicais para fazer uma música de 10 minutos soar bem. Procuras

inspi-


ração nas tuas raízes finlandesas ou a inspiração vem de outro lugar? A nossa herança Finlandesa está aqui e afecta-nos ainda que inconscientemente. Mas a verdadeira inspiração vem do “outro lado”, das esferas de Qliphothic e de ver a vida como a busca pelo conhecimento, liberdade e poder. Sendo eu um adepto do “Caminho da Mão Esquerda”, trabalhar com estas forças obscuras

através da música é uma parte desta jornada. Muitos podem achar o contrário, mas considero que o vosso som é intemporal, sem data de validade. Podemos contar com o mesmo tipo de ambiente em lançamentos futuros? Dirias que esta é a verdadeira identidade dos Jess And The Ancient Ones? A verdadeira identidade de Jess And The Ancient Ones é evoluir constantemente. Considero que boa música é intemporal e soa-nos sempre a algo novo, sabes? Temos o desejo de ir em frente constantemente e dar um renascimento à nossa música. Por isso podes esperar com o inesperável no futuro. Vai ser fácil passar esta bem concebida atmosfera para os palcos quando chegar a hora de tocar ao vivo? Para mim, fazer a segunda voz é um desafio e tanto, pois só fiz growlings em bandas de Metal extremo antes dos Jess And The Ancient Ones. Tocar ao vivo é uma parte muito importante daquilo que nos leva a criar música em primeiro lugar e apesar de ser um grande desafio é também extremamente interessante poder dar vida a uma música em palco. Cada música possui a sua própria atmosfera bem como uma razão pela qual foi escrita e estamos a tentar transmitir essa mesma atmosfera e sentimento. Já temos alguns concertos agendados e estamos a fazer o nosso melhor para fazer dos nossos

concertos uma experiência que tenha muito impacto, tanto em nós como no público. Agora estamo-nos a preparar para os festivais de Verão e o futuro parece-me ser bastante promissor. Como avalias a vossa relação com a Svart Records até agora? Está tudo a funcionar muito bem com a Svart Records! Estou positivamente surpreendido pelo profissionalismo e dedicação da Svart Records e estou certo de que os outros membros sentem o mesmo. Este álbum será lançado em Vinyl e em CD. Qual o formato que preferes e porquê? Nada bate o vinyl, especialmente no que respeita ao som. O calor analógico e a capa a ocupar o espaço que merece... Ao ouvir música em vinyl faz-me sentir como se fosse esta a maneira que a música gravada devia ser ouvida. Mas como eu viajo muito e passo muito tempo fora, tenho que afirmar que ter a possibilidade de também ouvir a música no carro e etc também é algo bom, por isso o formato digital também tem as suas vantagens. Quais são as vossas ambições? A nossa ambição é seguir em frente, experimentar e evoluir enquanto músicos, enquanto banda e enquanto seres, para que eventualmente possamos manifestar esta entidade chamada Jess And The Ancient Ones na sua verdadeira e única forma. Entrevista: Joel Costa Fotografia: Svart Records


Depois do notável lançamento de “KVIITIIVZ” em 2010, os Essenz estão de volta com “Mundus Numen”, um registo que de acordo com os mesmos “baseia-se na dolorosa conquista da nossa mais profunda vontade, o que nos permite transformar o mundo de uma instância para um cenário sugestível, implicando um limite experiencial maníaco.”

P

arabéns pelo novo álbum. Como descrevem “Mundus Numen” e qual o significado deste lançamento para os Essenz? Mundus Numen trata-se de uma representação musical da mais profunda vontade e das suas energias predadoras, poderosas e tempestuosas. A Alemanha trata-se de um país com um historial de Metal rico, e mesmo assim conseguiram criar algo diferente. Como definiriam a vossa posição no cenário do Metal Alemão? Bem, nós não sentimos que estamos realmente incluídos numa cena ou que tenhamos criado algo novo, embora façamos uso de várias referências da velha guarda e presenteamos um som bastante extremo. O futuro dirá qual será a nossa posição nesta história. “Mundus Numen” parece ter um conceito bastante complexo. Falem-nos acerca do con-


Tinnemans, que é também responsável por muitas outras pinturas de artwork, como por exemplo para os Deathspell Omega, Urfaust ou para os nossos amigos Necros Christos. A nossa intenção seria de criar algo profundo para representar o conceito de Mundus Numen. Estamos bastante satisfeitos com os resultados. “Mundus Numen” já está disponível, cortesia da Svart Records. Até agora, qual o feedback deste novo lançamento? Parace ter o reconhecimento de muitas pessoas por todo o mundo. O feedback é bastante positivo. Existe algum potencial inerente, o que activa raras capacidades de alguns deles. O nosso som individual também é reconhecido. Devemos esperar alguns “rituais” marcados para este Verão? Novos rituais terão lugar num futuro próximo, mas ainda nada está confirmado. Mantenham os olhos e ouvidos abertos. Nós adiantaremos informações assim que possível.

ceito do álbum e o porquê da escolha. O seu conceito baseia-se na dolorosa conquista da nossa mais profunda vontade, o que nos permite transformar o mundo de uma instância para um cenário sugestível, implicando um limite experiencial maníaco. Estava na altura de tomar os espíritos interiores. Vocês não se referem às vossas actuações como concertos, mas sim como “rituais”. Vocês

vêm as vossas actuações como verdadeiros rituais? São um género de encantamentos ou rituais referentes a todos que façam parte destes concertos, porque música intencional é celebrada e é criado algo especial no momento. O artwork está espantoso! Quem foi o responsável e quais foram as vossas intenções com ele? Nós trabalhámos com o Manuel

Palavras finais para os leitores Portugueses... Muito obrigado pela vossa atenção! Ao dispor da contemplação e libertação. Entrevista: Joel Costa Tradução: José Machado Fotografia: Svart Records


Após cinco anos de silêncio e com um line-up renovado, Sear Bliss cedeu ao lado mais progressivo que acabou por se sobrepor ao cariz épico que vem caraterizando o seu som. Estivemos à conversa com András Nagy, vocalista, baixista, teclista e único sobrevivente da formação original, que nos introduz a um mundo de composições densas e desafiantes. Que podem as pessoas esperar de novo registo dos Sear Bliss, “Eternal Recurrence” (musicalmente e liricamente) após cinco anos de silêncio? Bem, as pessoas podem esperar realmente o inesperado, penso eu. Cinco anos é muito tempo e é natural que tenhamos crescido e evoluído tanto musicalmente como pessoalmente. Penso que este é, definitivamente, o nosso álbum mais maduro e estou orgulhoso dele. É muito

negro, emocionalmente desafiante e inquietante. Acrescentámos algumas ideias musicais absolutamente invulgares. Gostaria de sublinhar que este é um novo começo para Sear Bliss. Quais as razões para tão profunda mudança no line-up da banda? Tal como mencionei, queria um novo começo para a banda. Os outros elementos realmente não concordaram com a direção pela qual

eu queria enveredar. Eu sei que era um passo ousado, mas tinha de expressar o que tinha na minha cabeça. Estou há muito tempo com Sear Bliss. Fizemos muitos álbuns com mais ou menos no mesmo ambiente musical, mas desta vez eu queria avançar com algo que nunca tivéssemos feito. Infelizmente, a unidade e a química perdeu-se entre os membros da banda, como tal a mudança era inevitável.


Fazer audições para novos elementos da banda não deve ser nada de novo para ti. Mas, desta vez, uma vez que tinhas um estilo diferente em mente, qual foi o critério de escolha dos músicos? Desta vez não queria trabalhar com novas pessoas, por isso falei diretamente com aqueles com quem trabalhei antes. Já conhecia estes músicos (para o novo line-up) há muito tempo. São bons amigos meus e sei que estão abertos para fazer coisas novas e incomuns. Só o trompetista Balazs é uma nova aquisição – mas também ele encaixa perfeitamente. Sentes que uma das principais dificuldades de uma banda é encontrar elementos que se comprometam com os seus deveres - principalmente a partir de uma determinada altura (em que os elementos começam a ter família e empregos mais exigentes)? Sim, é muito difícil, ou antes diria que é muito raro haver músicos na mesma banda que tenham os mesmos objetivos. Na verdade, essa é a razão por que quase todo o álbum foi escrito e interpretado por mim. Ao longo dos anos, devido à falta de entusiasmo de alguns dos membros da minha banda, fui forçado a aprender outros instrumentos, de modo a conseguir expressar os meus sentimentos através da música. Algumas pessoas certamente dirão que é devido a incompatibilidade com a minha personalidade, mas o facto é que é realmente difícil encontrar pessoas dedicadas. A vossa experimentação e recurso a instrumentos pouco comuns, como trompete, misturado com Black Metal vai mais além do que nunca neste disco. Como foi o processo de composição? Dada a atmosfera privada, inerente às músicas, desta vez o álbum foi escrito sobretudo em casa e não na sala de ensaio. Precisava mesmo de um estado de espírito específico para ir em frente com a criação

destas composições. As canções nasceram após um período difícil e eu penso que é possível absorver o peso dele ao ouvir o álbum. Reparei que resolveram inovar também na capa do álbum, que é mais simples e direta. O que motivou esta abordagem? Pretendia algo simples e direto para a capa. Estava cansado de tantas obras de arte, cheias de detalhes e cores. Pensei que menos é mais e estas canções falam por si. É por isso que nem mesmo as letras foram impressas. O artwork está em perfeita harmonia com a aura musical de “Eternal Recurrence”. Sear Bliss já contam com quase duas décadas de existência. Sendo que este disco é uma espécie de começo de uma nova era para a banda, quais são os vossos principais desafios? Como disse antes, é definitivamente um novo capítulo para a banda. No entanto, neste momento, não posso dizer que rumo iremos tomar. Temos muitos planos para o futuro e tenho a certeza que o próximo álbum será diferente novamente. Mas também tenho outros planos, visto que queremos comemorar o 20.º aniversário da banda com um lançamento muito especial em 2013. Esse disco terá temas que escrevemos após o nosso primeiro álbum “Phantoms” entre 1996 e 1997. Essas músicas seguiram a linha desse registo, mas acabámos por nunca os gravar em estúdio devido à separação do que line-up da altura. Finalmente teremos tempo de o fazer e trabalhar as canções como se viajássemos no tempo. Planeio ainda gravar finalmente o meu primeiro disco a solo, que estou a escrever há já muito tempo. Este será lançado sob o nome de Star-Crossed. Ao ouvir “Eternal Recurrence” sinto que deves estar bastante orgulhoso de produzir música que constitui uma alternativa ao

Metal mainstream – sendo original e provocador, ao mesmo tempo. Sentes que está na essência deste projeto uma espécie de inquietude que te faz continuar a desafiar o teu público? Na verdade, este tipo de anseio pela exploração faz também parte da minha personalidade. Como tal, essa pode ser a razão por que nós estamos sempre a mudar a nossa música. Não é porque queiramos desafiar o público. Está mais ligado à constante alteração do fluxo da inspiração e do combustível para a criação. Têm planos para concertos promocionais deste álbum? Sem dúvida. Prevemos encetar uma tour europeia no outono deste ano com os alemães Farsot. Esperemos que esta ação se concretize porque gostaríamos de mostrar o poder destas novas composições em cima do palco. Demos um concerto em Budapeste para assinalar o lançamento de “Eternal Recurrence” e os temas resultaram muito bem ao vivo. A cena pesada húngara tem mostrado bastante vitalidade nos últimos tempos. Gostarias de apontar alguns dos nomes mais relevantes que estão a surgir? Thy Catafalque é certamente uma banda que merece ser mencionada. Eles também lançaram um novo álbum recentemente. Outra banda que recomendo é Nefarious. Não porque esteja envolvido na mesma, mas porque o nosso primeiro álbum acaba de ser editado e a música é bastante potente.

Entrevista: Joel Costa Fotografia: Candlelight Records


Ghunagangh No Porto, apareceu esta parceria entre o Ghuna X e Rey que fazem “fusionismo” com um foco ideológico acertado para esta Era de Caos. O primeiro é um produtor de música electrónica já com quatro álbuns editados, o segundo é um rapper que lançou o ano passado o seu disco de estreia Sua alteza o vagabundo. Para rotulá-los pode-se dizer que procuram a violência punk num formato dubstep, designação que soa muito bem em papel, segundo o figurino contemporâneo, do tipo aceitável e “hip” para vender às revistas parvas de novas tendências. Mas essas publicações iriam borrar-se todas se os ouvissem. Isto não é para meninos de penteados de 100 euros! Por isso a única promoção possível é mesmo aqui em zines de Metal! Tintol Uma das coisas que solta logo aos ouvidos é a voz do Rey, de sotaque nortenho sem vergonha e a usar expressões estranhas para “o resto do país”. Como ele diz: sou do Norte que sa foda Portugal. A sua voz está muito bem colocada com os instrumentais, o registo gravado inclui quase tudo o que se pode fazer com a voz enquanto instrumento: rap,

gritos, sussurros, gemidos,... Rumores dizem que Rey no passado fez parte de bandas Hardcore, talvez isso explique o seu à vontade de fazer vocalizações fora da tabelinha do Hip Hop. Negócio de Ódio Será alguma coincidência que a estreia deste projecto começa com um tema intitulado Negócio do Ódio? É que se há uma característica comum a toda a música dita “pesada” é justamente o “ódio”. Do Punk ao Metal, do Industrial ao Hip Hop (ou deveria dizer que toda a música moderna?) é na maioria cheia de raiva, vinculando mensagens de destruição social, física e mental como se prova nas letras escatológicas de Cannibal Corpse, na auto-degradação de Kurt Kobain, já para não falar das toinices de Limp Bizkit ou as provocações de Marilyn Manson. Guerra e Paz Nos anos 60/70 o Rock era uma banda sonora de contestatários que de guitarra ou molotov na mão levavam porrada da bófia e sabiam perfeitamente o que pretendiam destruir do sistema. O sistema capitalista espertalhão que é, soube-se disfarçar com a Globalização, não só

no seu tecido empresarial mas na forma como dissemina e controla a cultura. Ao ponto que há alguma dificuldade em perceber onde está o “inimigo”… As letras do Rey nada têm haver com a verborreia do seu álbum de Hip Hop, conseguindo em Ghunagangh fazer letras simultaneamente simples, inteligentes e orelhudas – uma equação extremamente difícil. Figuras violentas e questões sociais aparecem nas letras de forma que se circunscrevem numa experiência de vida portuguesa real, sem fantasias anglo-saxónicas que não interessam a ninguém. O inimigo está à vista de todos: somos todos nós consumidores ociosos e irresponsáveis – com clarividência, o Rey soube identificá-lo! Babylon arde A codificação de tribos urbanas foi levada ao extremo na década de 80 e se hoje achamos que o Punk foi algo importantíssimo para todos os que praticam arte, na verdade o seu legado, ou melhor, a sua absorção pelo “mainstream” acabou por salvar justamente o sistema que se pretendia destruir. Não só a indústria fonográfica levantou-se como as vendas dos discos de Punk como o Punk trouxe lugares-comuns detestá-


veis como a (anti-?)mensagem “Sex & Violence” que se ramificou por subculturas posteriores como o Gótico, Metal, etc… Estas subculturas apesar de apontarem o inimigo (a sociedade, o Estado, Deus, etc…) tem um a maior parte das vezes um papel social nulo. Parece que só oferecem a audição de música carregada de milhares de decibéis, palavras de ordem e ruído que fodem apenas os ouvidos à malta “alternativa” e lobotomizam a acção directa! E pior, cada tribo juvenil criou complexos (e estúpidos) códigos de vestes, tipo de sons a consumir e uma rivalidade com as outras (sub) culturas. Chibo A geração Punk e consequentes criaram um antagonismo à geração Hippie. Diz-se que esta última “falhou” mas resta saber em quê? Porque graças às contestações desta é que passamos a trabalha menos, a ter direitos laborais, cívicos, sociais e até sexuais… Enfim, nunca o mundo esteve pior em termos de direitos humanos mas ninguém se lembra de apontar isso à geração dos anos 70! Tudo ao soco As “raivas” da música moderna são apenas catarses juvenis, que acabam por ser inócuas porque só servem para “mosh pits” em quem se magoa são os próprios indivíduos revoltados. Depois das descargas de adrenalina nos concertos já podem voltar à vida normal, mais calminhos e na linha no ambiente que tanto criticam. Quando Rey diz que se foda o povo (…) quero ver tudo ao soco não está a pedir para as pessoas andarem à pêra num concerto mas antes que se manifeste confusão nas ruas para acordarmos desta letargia que vive a sociedade ocidental. Morre boi O som do Ghuna X não anda nos passeios cósmicos do seu último disco homónimo mas produziu poderosos ritmos funcionais ao ponto que o nosso corpo não pode ficar quieto. Quando lhe dá em “beats” pesados é claro que queremos bater em alguém – de preferência em alguma tia estúpida que ao nosso lado comece a falar alto durante

uma actuação ao vivo do grupo. Disseram-me que “partiram” na noite do lançamento do disco… eu acredito porque quando os vi na sua segunda actuação às tantas da manhã no Porto, senti que tinha voltado há 17 anos quando vi os primeiros concertos dos Primitive Reason – quando estes eram bons, na formação original. A vontade de pular e cantar é tal que me sentia como um puto de vinte e tal anos. Engana-se quem pensa que vai ver uma espécie de uma banda de EBM por causa da formação - um gajo nas máquinas e outro com microfone - dois no caso do Rey. Ghunagangh não é uma rabetice à procura de armários. O som que bomba é puro testosterona de mitra de subúrbio fodido. Esta banda não precisa de implorar por um “mosh pit” como vi montes de bandas no 15º SWR - Festival de Metal Extremo em Barroselas. Estado de emergência A música moderna é perigosa? Duvido... Talvez como toda a Arte seja perigosa quando nos faz questionar valores. Por ser um “Media” barato e de fácil acesso, conivente com “life-styles” é mais fácil ouvir música do que ler um livro ou ver um filme. A música proporciona alguma facilidade na transmissão de ideias porreiras (ou perigosas) que de outra forma os jovens iriam ignorar – nada mais saudável que ter flyers sobre vegetarianismo ou igualitarismo a caírem de um disco de Hardcore militante… Cala boca e trabalha As excepções em que a música moderna mostrou-se realmente conflituosa com o sistema foi com o activismo político de Fela Kuti nas suas várias acções e vicissitudes contra o governo da Nigéria, os anarco-punks Crass que eram perseguidos e investigados por tudo o que era organizações governamentais, as bandas Hardcore que fazem concertos ou discos “benefit” para causas humanitárias ou ambientais, e in extremis quando os Atari Teenage Riot tocaram no meio dos confrontos policiais no 1 de Maio de 1999 em Berlim, acabando a banda presa. Podemos ainda referir as campanhas para a câmara de S. Francisco e Londres por Jello Biafra (Dead Ken-

nedys) e Malcom McLaren (manager dos Sex Pistols), respectivamente, ou as campanhas para Presidente da República por Manuel João Vieira (Enapá 2000), que acabam sempre em palhaçada. De resto: será que alguém me ouve quando berro? Clube rude Nos finais dos anos 80 surgiu uma série de bandas que praticavam o “fusionismo” de facções musicais antagónicas, falo de Urban Dance Squad ou Faith No More ou Infectious Grooves que nos relembraram que a música é algo que não merece para andarmos aos tiros uns aos outros. Se há alguém para acertar com balas é um rico filho-da-puta, um bófia (canídeo do sistema) ou uma top model - que só serve para promover a anorexia e bulimia. Ghunagangh reúne dub, electrónica, hip hop, electro, noise e até Grindcore (sim-sim! o Morre boi é uma versão electro do You suffer dos Napalm Death!) com a mesma energia e frescura como as fusões loucas (e importantes!) de Bring tha noize dos Public Enemy com os Anthrax. Gunaria Pesada Ghunagangh não são “punks bestas”, a acção deles é subversiva ao ponto que a edição do disco é algo no mínimo insólita porque é um “patch” – para colocar no casaco de metaleiro arrependido, carago! Ele vem dentro de um envelope com um papel onde se encontra um código de descarga do disco em linha, mais uns autocolantes desenhados por Rudolfo e o norte-americano Mike Diana. O desenho do “patch” é de Rafael Gonçalves, a capa do “disco” e do cartaz do primeiro concerto é de Rafael Gouveia – que reforça a comparação a Primitive Reason, uma vez que este autor fazia os seus cartazes nos anos 90…

Qualquer dúvida é só ouvir em facamonstro.bandcamp.com/album/ghunagangh


BURZUM UMSKIPTAR

(BYELOBOG PRODUCTIONS)

9/10

Com um título que significa “metamorfoses” em nórdico antigo e letras retiradas do poema épico Völuspá, que narra a história da criação do mundo de acordo com a mitologia nórdica, assim se apresenta o novo disco de Burzum. Peremptoriamente dividido por “Heiðr” em duas partes distintas uma na linha de “Belus” e de “Fallen”, e outra, na qual predomina a vertente ambiental e ritualística que, não sendo nova para Varg Vikernes, é agora abordada de forma mais tradicional, contrastando com os longos temas de sintetizador fulcrais em trabalhos passados. A proposta é o distinto black metal a mid-tempo tipicamente Burzum, com vozes tanto ríspidas como límpidas, construído com um bom gosto e uma pertinência bem aci-

ma da média. De relevo, também a capa, reprodução de “Nótt”, obra do pintor romântico Peter Nicolai Arbo - cuja pintura mais popular, “Åsgårdsreien”, foi a escolha de Quorthon para ilustrar “Blood Fire Death”. Não obstante as composições de Vikernes nunca se terem caracterizado pelo imediatismo, “Umskiptar” é indubitavelmente o álbum mais ecléctico e, consequentemente, menos acessível do projecto. A deliberada metamorfose, não rompendo totalmente com o passado, alarga de forma natural os horizontes à tradição Burzum, sendo mais um confiante e lógico passo no percurso do emblemático músico norueguês. Extremamente recomendado. Jaime Ferreira


BARBE-Q-BARBIES ALL OVER YOU

16 DEEP CUTS FROM DARK CLOUDS

ALLEGAEON FORMSHIFTER

ATOMA SKYLIGHT

RELAPSE RECORDS

METAL BLADE RECORDS

NAPALM RECORDS

SOUTHWORLD / PLASTIC HEAD

Inicialmente formados na Califórnia em 1992, com uma separação em 2004 e tendo voltado às lides em 2007, os 16 são uma banda de Sludge Metal, já com um disco editado pela Relapse Records em 2009, intitulado “Bridges to Burn”. Tendo sofrido várias alterações de line-up ao longo dos anos, parecem ter estabilizado agora para o lançamento do novo disco “Deep Cuts From Dark Clouds”. Trata-se de um disco de puro Sludge, 10 faixas bastante fortes e poderosas, com um trabalho de guitarras e de bateria muito cuidado e com uma performance vocal impressionante. “Theme from Pilpopper” abre o disco com a dose certa de energia e dá o mote para aquilo que nos espera a seguir. Outros temas de destaque e a não perder são “Parasite”, “Her little accident”, “Sad Clown”, “Opium Hook”, e “Bowels of a baby killer”. “Deep Cuts From Dark Clouds” coloca, sem sombra de dúvida, os 16 numa posição muito interessante ao nível do Sludge, dando-lhes finalmente, o reconhecimento que lhes é devido depois de tantos anos de dedicação à música. Excelente trabalho e um auspicioso regresso. [7.5/10] Rute Gonçalves

Os “Allegaeon” são uma banda de Death Metal Melódico, oriunda de Denver/Colorado. Depois do lançamento do seu primeiro EP, em 2008, e de terem assinado contrato com a Metal Blade Records, o sucesso chega com o álbum de estreia “Fragments of Form and Function”, que recebeu excelentes críticas e ajudou a estabelecer os “Allageon” como uma banda bastante respeitada no panorama do Death Metal. O mais recente álbum da banda, chama-se “Formshifter” e foi gravado por Daniel Castleman na Califórnia nos aclamados Lambesis Studios. É um álbum bastante poderoso, que trata temas tão diversos como Serial killers, o desequilíbrio e injustiça do sistema judicia l, o controlo dos Media, Filosofia e civilizações antigas. A destacar ao longo de todo o disco, a performance vocal de Ezra Haynes, que é, sem dúvida, um executante irrepreensível. Também os guitarristas Greg Burgess e Ryan Glisan contribuem para o excelente trabalho, com os seus solos cativantes e o groove melódico. Faixas a ter em atenção são: “Tartessos: The Hidden Xenocryst”, “Twelve”, “From The Stars Death Came”, “A Path Disclosed” e “Secrets Of The Sequence”. Em suma, “Formshifter” é um álbum bastante interessante, tecnicamente muito bem conseguido e que, certamente terá um papel decisivo na carreira dos “Allageon”. Para ouvir com atenção. [8/10] Rute Gonçalves

Os AtomA são uma banda de Rock Atmosférico, simultaneamente épico e intenso, com um espetro de influências alargado. Nascidos das cinzas do Doom Metal dos Slumber, os suecos assinam uma estreia de beleza rara. A interessante combinação entre os crescendos de orquestrações grandiosas, guitarras espaciais e vocalizações reverberadas resulta num poço de pungente emoção para o ouvinte. Dada a proeminência dos teclados, do Doom só herdaram as melodias. O início desta viagem, de texturas densas (quase ao estilo de banda sonora), explora um ambiente fantástico e mais intenso, com eletrónica bombástica, vocalizações guturais ocasionais e alguma distorção. Com o passar das faixas, a intensidade vai cedendo lugar ao ambiente, quase Shoegaze, sem nunca deixar de ter um som cheio, onde predomina a voz feminina. Sem reinventarem a roda a banda providencia dez composições sabiamente escritas, num estilo particular, em que recorrem a ingredientes conhecidos mas misturados de forma original. As múltiplas camadas de sons, efeitos e sintetizadores, conjugados com instrumentos convencionais, de onde se destacam as guitarras e vozes melódicas, fazem de cada tema uma pequena pérola - o que obriga o ouvinte a redescobrir o álbum a cada nova audição. Em resumo, reúne todos os ingredientes para agradar aos fãs de Metal/Rock Progressivo e post-rock. [8/10] José Branco

Barbies, mas não muito, as Barb-Q-Barbies lançaram o álbum “All over you”. Um título sugestivo para uma sonoridade em que o hard rock é a tónica dominante. A voz é sem dúvida o ponto forte deste trabalho. As músicas vivem muitíssimo da vocalização de Niki, que lhes dá um toque de sedução e uma força constantes. Todo o ambiente vem da sua capacidade de criar a atmosfera e de dar densidade às emoções que a música transmite. Apesar das palavras criticarem, parte das vezes, a atuação masculina no amor, com alguns clichés, é um disco bem-disposto e que se ouve bem. O ritmo agarra-nos e as guitarras fluem com alguma generosidade. E sem que a composição tenha uma extrema complexidade, o instrumental é razoavelmente seguro e equilibrado. É o tipo de música que leva o corpo a mover-se quase sem querer. Quem gosta de hard rock não só para ouvir mas também para dançar, não dará o dinheiro por mal empregue. Descrevendo a musicalidade diria que tem pedaços de crueza musical, que depois em alguns pontos se adocica mantendo sempre um balanço bom. Os metais aparecem bem, nos sítios certos. Há também um toque de punk que os apreciadores do género identificarão. Destaque especial para “Twisted Little Sister” e “My Salvation”. [8/10] Mónia Camacho


DIABLO SWING ORCHESTRA PANDORA’S PIÑATA

WHERE THE CORPSES SINK FOREVER

CATTLE DECAPITATION MONOLITH OF INHUMANITY

DEF-CON-ONE WARFACE

SEASON OF MIST

METAL BLADE

SCARLET RECORDS

CANDLELIGHT RECORDS

Este trio Holandês, tendo em conta que este é apenas o seu terceiro álbum em (figurativamente) meia dúzia de anos de carreira, é daquelas bandas que conseguiu explodir em termos de popularidade supreendentemente rápido, não querendo com isto dizer, contudo, que tal fama não é merecida (!). Carach Angren produzem uma espécie de Black Metal Sinfónico, com grande ênfase na narrativa e teatricalidade, sendo esta uma das raras instâncias dentro do vasto mundo do B.M em que o vocalista se realmente parece esforçar em prol da perceptividade lírica, o que apenas faz sentido, tendo em conta que a música possui uma boa dose de feeling cinemático, os elementos orquestrais, que, apesar de neste álbum se manterem algo mais subtis que o costume, assemelham-se muito áquilo que econtraríamos numa banda sonora de um filme. Apesar de ser um trabalho de qualidade, “Where the Corpses Sink Forever” parece não ser, de longe, tão bombástico como o fenomenal “Death Came Through a Phantom Ship”, e parece abordar as coisas de uma forma mais contida e subtil, estando a sua atmosfera provavelmente tentando alcançar algo mais negro e misterioso, o que consegue, na sua maioria, mas deixa-nos como que com um pouco de fome por mais. [7.5/10] David Horta

Cattle Decapitation é uma banda norte-americana de Death Metal/Grindcore formada em 1996 em San Diego, Califórnia por David Astor e Gabe Serbian ambos da banda “Locust”. Mais tarde integraram o colectivo Travis Ryan, Troy Oftedal e Josh Elmore. Em 2004 entra Michael Laughlin. Contando já com 6 álbuns editados e uma carreira de 15 anos, a banda surge agora com mais um registo discográfico com o título “Monolith Of Inhumanity”. O disco, produzido por Dave Otero e lançado sob a chancela da Metal Blade Records, é, á semelhança de anteriores registos da banda, bastante agressivo e intenso mas conseguindo também introduzir bastantes elementos melódicos, através dos virtuosos solos de guitarra que acontecem ao longo de todo o álbum. A voz poderosa de Travis Ryan continua a ter um lugar de destaque, assim como a bateria potente de Dave McGraw. Temas a destacar são: “Dead Set On Suicide”, “A Living, Breathing Piece Of Defecating Meat”, “Gristle Licker”, “Lifestalker”, “Projectile ovulation” e “Your disposal”. “Monolith Of Inhumanity” é mais um excelente trabalho dos Cattle Decapitation e talvez aquele que aposta de forma mais sólida num Death Metal mais técnico. É um disco bastante coerente e que volta a colocar a banda numa posição privilegiada no panorama do Death Metal que se faz nos Estados Unidos da América. Vale a pena ouvir. [8/10] Rute Gonçalves

Fundados há mais de uma década por Antony Lant quando ainda integrava os Venom, só após o baterista abandonar a banda do irmão é que os Def-Con-One receberam a dedicação necessária para um arranque digno desse nome. Não obstante figurar na discografia da banda um disco de 2008 intitulado “Blood Soaks the Floor”, auto-editado e vendido nos concertos, “Warface” é assumido pelos mesmos como o seu primeiro longaduração. Com uma sonoridade mais americana do que propriamente europeia, o quarteto de Newcastle pratica uma poderosa fusão de thrash metal com hardcore, trazendo à memória referências como os Killers de Paul DiAnno no seu “Menace to Society” ou os momentos mais furiosos e menos comerciais dos Killswitch Engage. Inclusivamente, o versátil Davey Meikle assemelha-se amiúde à referida fase do ex-Iron Maiden, variando sucessivamente entre registos agressivos e melódicos. Não sendo de todo o género de banda a que habitualmente recorreria, é indiscutível a qualidade da maioria das composições aqui presentes, nomeadamente os excelentes “March of the Dead”, “Hold On” e, numa toada mais serena a quebrar o ritmo frenético do disco, “Feeling Cold”. Exceptuando um ou outro tema menos bem conseguido, “Warface” é, de um modo geral, um álbum agradável e refrescante, se bem que não particularmente original. Competente mas não imprescindível. [6.5/10] Jaime Ferreira

Sendo já provavelmente desconhecidos para ninguém, eis que nos chega o terceiro álbum de estúdio desta ensemble de avant-garde sueca. “Pandora’s Piñata” continua de maneira mais que competente o legado musical desenfrado começado pela banda em 2003, e, apesar de talvez um pouco mais contido e calmo que o álbum anterior “Sing-Along Songs for the Damned and Delirious” de 2009, não deixa de ser uma real peça. DSO, como sempre, opta pelo eclectismo, o inesperado, e o positiviamente “funky” em todos os sentidos da palavra, sendo neste álbum fácil de discernir toda uma amálgama de influências musicais diferentes, desde a habitual marca jazz e swing, passando por música mariachi, e até mesmo j-pop! Cada faixa quase que é representante de um género diferente, o que sem dúvida tanto agradará a uns como afastará outros, podendo esta falta de focus ser considerado um dos pontos fracos do álbum, visto poder torná-lo menos acessível a quem não está mais familiarizado com o género ou a banda. Um som original e bem conseguido, sem dúvida, mas originalidade esssa que nem sempre é de fácil digestão. [7/10] David Horta

CARACH ANGREN


EWIGHEIM BEREUE NICHTS

DISAFFECTED REBIRTH

DOCTOR SPEED FACE TO FACE

EPHEL DUATH ON DEATH AND COSMOS

MASSACRE RECORDS

MDD

AGONIA RECORDS

MASSACRE RECORDS

Os portugueses “Disaffected” formaram-se em 1991, pelo baterista Joaquim Aires e pelo guitarrista / vocalista Sérgio Paulo, tendo-se juntado mais tarde ao coletivo o guitarrista Zakk e o baixista Sérgio Monteiro. Em 1992 lançam a sua primeira demo denominada “After” e vêem a sua música “Echoes remain” fazer parte de uma compilação com várias bandas portuguesas de Metal. Depois de várias mudanças no line-up, a banda lança o primeiro álbum “Vast” em 1995 e em 1997 entra num período de interregno. Em 2006 a banda volta a reunir-se e “Rebirth” é o novo registo, acabadinho de sair. O álbum foi produzido e gravado por Fernando Matias e pela banda em Lisboa e conta com as participações especiais de Miguel “Mike” Gaspar dos “Moonspell” e de Joaquim Aires dos “Before the Rain” na percussão e de Célia Ramos dos Mons Lvnae nas vozes. Apostando de forma bastante inteligente numa mistura de Death, Doom e Metal experimental, o disco é perfeito ao nível técnico e consegue surpreender quem ouve, com uma sonoridade única e original. Faixas a ter em atenção são: “Cult of my ashes”, “Evilution within”, “Our will”, “Hypnotic prophecy” e “Miracle dance” um belíssimo instrumental de piano. “Rebirth” é um disco fresco, emocionante e absolutamente inovador que conduz os Disaffected a um lugar bastante sólido e único no panorama do metal português. Excelente trabalho! [8.5/10] Rute Gonçalves

A Banda alemã de Heavy Metal, “Doctor Speed”, lança agora o seu álbum de estreia “Face to Face”, apesar de os elementos que compõem o coletivo terem já um longo percurso no que à música diz respeito, percurso esse que remonta aos anos 80 com participações em bandas como “Sanghai”, “Wild Child” e “Horny Speed”. Produzido por Axel Heckert, “Face to face” é um disco que faz voltar atrás aos tempos do Heavy Metal clássico, lembrando a sonoridade de bandas como os Gamma Ray, Helloween ou Gravedigger. Repleto de hinos e temas orelhudos como é o caso de “Toothbrusher”, “We destroy”, “Stone cold”, “Great War” e a balada “Frozen tears”, o disco consegue captar muito bem o espirito old school. Altamente recomendado para os fãs mais acérrimos deste estilo. Vale a pena ouvir! [7/10] Rute Gonçalves

“On Death and Cosmos” é uma boa surpresa dos Ephel Duath. Cada um dos três temas do EP possui beleza e intensidade. O instrumental é complexo e intrigante. Música claramente para mentes abertas. O elemento progressivo está muito presente e em alguns momentos temos a sensação de estar próximos de um jazz de fusão na onda de Weather Report ou de Frank Zappa com um toque de Grundge. As letras falam da transmutação pessoal e do apego espiritual. A vocalização faz um contraste positivo com o instrumental. Numa abordagem a cada tema diremos que “Black Prism” abre em distorção e termina melancólico, a melodia de base é interessante, “Raqia” possui uma forte atmosfera dada por uma musicalidade mais acústica. “Stardust Rain” mostra uma bateria irreverente e criativa que sem perder o seu lugar no todo, se individualiza e se faz notar. [9/10] Mónia Camacho

Formados em 1999 por Allen B. Konstanz e Yantit e após um interregno de 8 anos em termos de edições, emergem novamente os Ewighem com o seu terceiro álbum. Constituídos por músicos provenientes de bandas como Empyrium e The Vision Bleak, o trabalho dos germânicos entrelaça influências gothic metal e neo-clássicas, cuidadas ao mais ínfimo pormenor e executadas eximiamente. A introdução “Heimkehr” e o tema homónimo encetam “Bereue nichts” de forma notável, determinando o ponto de partida para um álbum recheado de temas com refrões fortes e ritmos marcados, como “Stahl trifft Kopf”, “Schmutzengel” ou o absolutamente fantástico “Der letzte Mensch”, e com espaço inclusivamente para uma vertente mais dançável com “Morgenrot”. O disco termina com um curto tema escondido ou, para os privilegiados que obtenham a edição limitada, com o quase industrial “Mal ehrlich”. Com uma sonoridade tipicamente alemã, os Ewigheim encontrar-se-iam tão integrados a actuar no Wave Gotik Treffen como em Wacken, conseguindo fundir naturalmente elementos fundamentais dos diversos géneros, o que lhes permite abranger e agradar a um vasto e diversificado público. Sendo sem dúvida um óptimo e viciante álbum, não cumpre no entanto com o hercúleo encargo de superar a excelência da verdadeira obra-prima que é “Heimwege”. Mas talvez isso fosse pedir demais... [8.5/10] Jaime Ferreira


FROSTBITE

GRAVEYARD THE ALTAR OF SCULPTED SKULLS

FATES WARNING INSIDE OUT (RE-EDIÇÃO)

VALENTINE AND OTHER STORIES...

GRAND MAGUS THE HUNT

METAL BLADE

INDEPENDENT MUSIC PROMOTIONS

NUCLEAR BLAST

PULVERISED RECORDS

Esta é uma edição especial do álbum de 1994 dos Fates Warning, uma das maiores bandas de metal progressivo, cujo nome está lá em cima ao lado de Dream Theater ou Queensryche e que, desde os anos 80, influenciam este sub-género. Esta edição inclui um duplo CD com a versão remasterizada do álbum de originais e o concerto que deram em Dusseldorf, em 1995, e ainda, um DVD que contém videoclips, principalmente, dos anos de 1994 e 1995. Este pacote vem de uma série de re-issues da banda, que a editora Metal Blade Records tem vindo a fazer – já o tinha feito, inclusive, deste mesmo álbum, numa edição conjunta com o Disconnected, mas não remasterizado. É a oportunidade de ouvir de uma forma mais limpa e nítida este álbum desta banda norte-americana que, não sendo um dos seus melhores, é aconselhado apenas a verdadeiros fãs do grupo. Inside Out surgiu depois de alguns dos melhores trabalhos da banda (No Exit, Perfect Symmetry e Parallels). Nota-se que a banda tentou seguir aqui a mesma fórmula, mas não a conseguiu. Mais melódico, mais lento, com canções que são quase baladas, mas sem o serem. No entanto, não deixa de ser um forte e sólido álbum de rock/metal progressivo com excelentes “flashes” daquilo que estes músicos conseguem fazer, principalmente, nas guitarras e na bateria, sem esquecer os claros e emocionais vocais. [7/10] Ivan Santos

Este trabalho a solo de Christopher Lee Compton, um artista que já compõe há mais de 20 anos, foi construído com base nas primeiras sonoridades de rock gótico como Sisters of Mercy, misturados com a orquestração, teatrialidade e electrónica de Rammstein e letras – se bem que com mais emoção e criatividade – de Marilyn Manson. A relativa extensão das faixas permite explorar e construir, gradualmente, diferentes conceitos, combinando melodias negras com letras ricas em significados, onde tudo flui naturalmente em vez de se precipitaram rapidamente para o final. A inclusão de sintetizadores consegue ritmos quase dançáveis e o distinto timbre vocal e coros mantêm a atmosfera gótica, sempre acompanhados por riffs de guitarra intensos. O álbum é todo composto por um clima negro, visceral e quase animalesco e mostra a habilidade do compositor em agarrar tanto as mentes como os corações dos ouvintes, através de faixas muito bem produzidas. E esta diversidade e misturas de sons bem conseguidas, vindas do gótico, rock e metal mostram toda a capacidade de Compton como músico. Frostbite é uma das bandas de gótico industrial mais interessantes do momento. Os mais puristas poderão não gostar deste álbum, mas irá de certeza atrair adeptos de outros géneros musicais para o gótico. [8.5/10] Ivan Santos

Originalmente uma banda de Doom/Stoner Metal, os Grand Magus convertem-se, em “The Hunt”, numa banda do mais puro Hard Rock que pode haver. Será certamente essa uma das razões das contrastantes opiniões que se têm ouvido e lido acerca do disco. De “Hammer of the North” ou “Iron Will” tem este novo lançamento muito pouco e isto poderá não agradar aos fãs mais acérrimos dessa fase de carreira da banda. Passemos ao disco propriamente dito. Apesar da mudança sonora, aqueles laivos de Stoner, Doom e mesmo do Heavy Metal mais tradicional mantêm-se. Há agora uma atitude mais despreocupada e mais straight to the point da banda. As nove faixas não passam muito além dos cinco minutos de duração, são de estrutura simples e sente-se que os refrões são memoráveis, bem ao estilo do Heavy mais tradicional e a faixa de abertura, “Starlight Slaughter”, é um bom exemplo disso. De louvar também as vocalizações de JB. Fortes e com muito, mas muito feeling, como que misturando o melhor do Stoner e o melhor do Power Metal. A juntar a isso temos riffs galopantes e grandes hooks de guitarra, exemplos disso são “Sword of the Ocean” e “Valhalla Rising”. O proeminente baixo e bateria ruidosa fazem com que os Grand Magus sejam aquele Power Trio como mandam as regras. “The Hunt” é um álbum que marca um crescimento em termos sonoros para os Grand Magus. Despreocupado, simples, directo. É certamente um bom álbum para se fazer acompanhar de uma cervejas bem frescas e muito headbanging. [8/10] Mark Martins

Este é o novo EP desta banda de Barcelona e é devastador. Para quem não sabe, os Graveyard combinam a brutalidade do antigo Death metal sueco com o Doom metal feito hoje em dia, mas sem nunca tocar, verdadeiramente, nalgum deles, andando sempre no limbo. A influência de bandas como Entombed, Dismember ou Carnage estão bem presentes. Mas incorporam mais elementos do Doom que permite ao som ficar mais pesado, mais melódico, que vai acumulando tensão antes de atingir o clímax, parecendo que os céus estão a cair sobre a nossa cabeça. O som é fantástico, com riffs de guitarra pulverizadores e um ocasional solo mais trabalhado, uma bateria vigorosa e uma voz gutural inspiradora, que ecoa e se mistura muito bem no meio desta tempestade frenética e mórbida. O baixo é uma surpresa agradável. Audível, cria aquela atmosfera sufocante durante todos os quase 24 minutos deste trabalho. Também, de realçar, a faixa “Cult of Shadows”, totalmente instrumental e que parece algo saido dos nossos piores pesadelos. Os Graveyard não são criativos nem inovadores. São apenas bons naquilo que fazem. E toda esta imagem é perfeitamente completada com o artwork que rodeia este álbum e esta banda, que presta uma boa homenagem às raízes do Death metal, é bem capaz de criar lesões cerebrais com os sons que produz. É um aviso... [8/10] Ivan Santos


HUNTRESS SPELL EATER

HIGH ON FIRE DE VERMIS MYSTERIIS

HORN OF THE RHINO GRENGUS

HORSE LATITUDES AWAKENING

CENTURY MEDIA

DOOMENTIA RECORDS

DOOMENTIA RECORDS

NAPALM RECORDS

High on Fire é uma daquelas bandas que, não trazendo algo de novo, consegue baralhar e voltar a dar as cartas do rock n’ roll, punk e thrash e, ainda assim, surpreender com álbuns capazes de converter-nos em exímios air guitar players. Que dizer de “De Vermis Mysteriis”, o seu sexto trabalho? É raw, sujo e catalisa uma energia que em “Snakes for the Divine” parecia contida. Matt Pike vocifera connosco, a guitarra não dá tréguas, o baixo toma-nos de assalto, a bateria cilindra-nos. O fantasma de Motorhead assoma em “Serums of Liao”, o de Slayer em “Fertile Green”. O início de “Madness of an Architect” passeia-se pelo drone e dá lugar a um southern rock musculado e a um solo em que Pike – qual arquitecto da guitarra – converte em psicadelismo colorido um tema que começara monocromático e denso. “Samsara” é um instrumental com uma linha de baixo hipnotizante, uma guitarra expressiva e uma bateria cheia de personalidade. “King of Days”, tema lento e pesaroso, com um toque por vezes bluesy, termina com a bateria em jeito militar, a sublinhar um final épico. Em “Warhorn”, Pike brilha nos vocais e o modo abrupto como o álbum chega ao fim só impele a repetir a dose. Soa espontâneo, gravado de um take, na companhia de amigos e de uma garrafa de vodka. E faz desesperar por um concerto destes senhores. Que mais se pode pedir? [10/10] Ana Miranda

Oriundos de Bilbau e em existência desde 2004 sob o nome Rhino - nome esse que foram legalmente forçados a alterar, tendo optado pela actual designação - chegam agora ao quarto álbum, segundo como Horn of the Rhino. Muito na linha do anterior “Weight of Coronation”, os bascos apresentam uma interessante mistura de sludge com elementos doom e death metal. Munido de um registo vocal deveras original e difícil de descrever um bizarro cruzamento entre Phil Anselmo e Simon Forrest dos Cerebral Fix - Javier Gálvez é o responsável mais imediato por nos chamar a atenção. No entanto, também os restantes elementos têm uma prestação notável, e os temas que integram “Grengus” são disso um perfeito reflexo. Todo o disco é sólido, mas “Pile of Severed Heads” e “Waste for Ghouls” são absolutamente fantásticos. Apenas o extenso “Brought Back” deixa um pouco a desejar, arrastando-se demasiado por passagens supérfluas, apesar do excelente início. Podendo na perfeição integrar-se na cena sulista dos Estados Unidos, os Horn of the Rhino estariam completamente à vontade junto de bandas como Down ou Crowbar, tendo sido capazes de dissecar estas mesmas influências e praticar uma sonoridade que vale por si própria. Um disco muito recomendado, sobretudo para quem procura algo mais fora do comum, pleno de riffs pesadíssimos, de força e de sentimento. [8/10] Jaime Ferreira

O facto de os finlandeses Horse Latitudes terem um line-up composto por dois baixistas e um baterista/vocalista pode deixar os mais conservadores de pé atrás, ao mesmo tempo que espicaça a curiosidade dos menos ortodoxos. Praticantes de um doom (injectado de doses massivas de drone) que de convencional tem pouco – somente as faixas longas, a maior parte delas lentas e a atmosfera carregada – “Awakening” o segundo álbum da banda é, sem dúvida, um trabalho de difícil audição. Isto porque, como acontece em quase tudo o que vai além das normas instituídas, é complicado categorizá-lo de acordo com o manual de estilo vigente. Hipnotizante ou monocórdico? Minimalista ou simplista? Genial ou apenas presunçoso (e preguiçoso)? Para responder a estas questões, nada como ouvir e, quando chegamos ao fim, ainda sem resposta definida, toca do novo a carregar no play. É um som opressivo, sobretudo por culpa da articulação entre os baixos e uma bateria pendular que a voz de Harri vem, ora adensar com uns muito bem deoseados guturais, ora elevar das catacumbas com uma voz límpida de barítono. Ouvir este álbum de uma ponta à outra é algo como fazer uma viagem em que, apesar de o caminho não ter novidades aparentes, cada vez que o fazemos, descobrimos algo que passou despercebido antes. Vale a pena descobrir com ouvidos e mentes abertas. [8/10] Ana Miranda

Os Huntress, banda norte-americana de Heavy Metal, nasceram em 2009, quando Jill Janus se mudou para Los Angeles, e conheceu a banda underground de Metal “Pofessor”. A banda lançou o EP “Off With Her Head” e em 2011 assina contrato com a Napalm Records. Lançam agora o primeiro longa-duração “Spell Eater”, que já atraiu bastante atenção e conseguiu algum tempo de antena nos meios de comunicação social, em grande medida devido ao facto de Jill Janus, a vocalista da banda, ser uma ex-modelo da Playboy. “Spell Eater”, é essencialmente um disco de Heavy Metal tradicional, que nalguns momentos reflecte influências de bandas como os “3 Inches of Blood” ou “Arch Enemy”. Apesar de tecnicamente ser bastante completo, falta ao disco alguma emotividade e profundidade no conjunto das faixas, com a honrosa excepção para o primeiro single do álbum “Eight of Swords”, que é sem dúvida bastante bem conseguido. Outras temas a destacar são “Senicide”, “Night Rape”, “Children” e “Terror”. Em suma, “Spell Eater” desilude um pouco como disco de estreia, na medida em que falha ao nível da consistência, da atitude e da originalidade e deixa algumas dúvidas relativamente ao futuro dos Huntress. Esperemos que num próximo registo consigam concretizar o seu potencial em pleno. [6.5/10] Rute Gonçalves


KONTRUST

LAHMIA INTO THE ABYSS

IHSAHN EREMITA

SECOND HAND WONDERLAND

KREATOR PHANTOM ANTICHRIST

CANDLELIGHT RECORDS

NAPALM RECORDS

NUCLEAR BLAST

BAKERTEAM RECORDS

Um dos principais responsáveis pela proeminência do black metal norueguês, Vegard Tveitan, celebrizado como Ihsahn, está de retorno com o seu quarto álbum a solo. Em consonância com os trabalhos antecedentes, “Eremita” prossegue a exploração da confluência do metal extremo com o rock progressivo dos anos 70, sendo possível nele encontrar laivos tanto de Emperor como de Pink Floyd, apimentados por passagens de teor tanto jazzístico como experimental. Fazendo-se acompanhar de diversos convidados de vulto como Jeff Loomis e Devin Townsend, o disco proporciona uma hábil viagem pelos estilos mencionados, sem nunca se tornar demasiado introspectivo ou exagerado. Destaco “The Eagle and the Snake” e “The Grave”, marcadamente diversificados e detentores de mais espaço para divagação. No entanto, não só de experimentalismo vive “Eremita”. “The Paranoid” e “Something Out There” são mais directos e os respectivos refrões ficam no ouvido à primeira audição, revelando-se como potenciais hit-singles. Uma nota muito positiva merece também o importante trabalho do saxofonista Jørgen Munkeby assim como a cristalina voz de Ihriel, a enobrecer o fecho “Departure”. Com um álbum caracterizado pela variedade de ambientes que proporciona, Ihsahn não defrauda os seus créditos de exímio compositor, sendo “Eremita” uma perfeita adição ao seu currículo. [7.5/10] Jaime Ferreira

Os Kontrust são uma banda austríaca de “Crossover” (género que mistura Thrash com Hardcore e Punk), formados em 2001, tendo logo nesse ano lançado o primeiro EP intitulado “Teamspirit 55”. Mas é só em 2005 que sai“ Welcome Home”, o primeiro longa-duração da sua carreira .Segue-se, “Time to Tango“, de 2009 de onde saiu o hit single “Bomba” que lhes garantiu um lugar ao sol nas tabelas de vendas holandesas e foi a música Rock com mais downloads na Loja ITunes desse país. A Banda expressa-se maioritariamente na língua inglesa mas também utiliza com frequência o idioma alemão e é conhecida por se apresentar em palco usando os célebres “Lederhosen” (roupa tradicional da Bavária). ”Second Hand Wonderland” é o terceiro registo da banda, sob a chancela da Napalm Records e é uma surpreendente e alucinante viagem por vários estilos musicais (desde o Heavy Metal até á Pop mais comercial), sempre repleta de energia e de uma enorme dose de loucura. Ágata, a vocalista de nacionalidade polaca, consegue imprimir uma marca muito própria e original ao disco, que em conjunto com Stefan, transformam cada faixa numa peça única e irrepetível. Temas absolutamente imperdíveis são: “Falling”, “Monkey boy”, “Sock N’ Doll” “The butterfly defect” (uma das minhas favoritas do disco) e “Hey DJ”. O que os Kontrust nos mostram com este disco, é que a coragem de misturar vários estilos e géneros musicais, combinar vários elementos que á partida parecem incompatíveis, juntando-lhe loucura q.b. e muita originalidade, pode ser sinonimo de grande sucesso. “Second Hand Wonderland” é um disco brilhante, alucinante e viciante. A não perder.

“Phantom Antichrist” traz de volta às lides estas lendas do Thrash, agora com o selo Nuclear Blast. Iguais a si próprios e sem por o “pé em ramo verde”, a banda liderada por Mille Petrosa apresenta puro peso, velocidade e simplicidade - de resto, a música como sempre souberam fazer. Se é verdade que os Kreator foram apanhados num turbilhão de falta de identidade que se abateu sobre outras bandas do género a meio da década de 1990, a verdade é que estes alemães voltaram ao bom caminho e hoje estão em melhor forma do que nunca. Aliás, “Phantom Antichrist”, o 13º registo da carreira, pode muito bem sem o melhor álbum da banda. Basta ouvir o tema título que abre 45 minutos de puro Metal para percebermos o colosso que temos pela frente. Os refrões épicos entoados por Petrosa, a debitar palavras de ordem e de crítica social, complementados pelos memoráveis solos de guitarra Sami Yli-Sirniö, em que não há uma única nota desperdiçada, fazem-nos esquecer que a estreia já data de 1985. Apesar do crédito pela inovação no Trash europeu, e um clássico como “Extreme Aggression” (1989), a verdade é que estes nove temas, com o trabalho “superpolido” do produtor Jens Bogren (Opeth, Katatonia, Soilwork, Devin Townsend, Amon Amarth), trazem ao de cima o melhor dos Kreator. A edição limitada inclui um DVD com duas atuações no Wacken Open Air.

Os italianos Lahmia, depois de três demos, surgem com o seu primeiro full-length que mistura o death metal melódico com um pouco de gótico, umas pitadas de black e uns toques de trash. Esta mistura resulta em algo que, na maior parte das vezes, começa a crescer num bom tom melodeath e chega ao climax através de um riff de guitarra furioso que se enquadra bem na estrutura da música, acompanhado por pedais violentos e supersónicos da bateria. Com vocais interessantes que, apesar de não serem (ou não conseguirem) muito técnicos, conseguem ir desde os intensos guturais, passando por um voz mais rouca e pausada até uns vocais claros e perceptíveis, todos na dose e no momento certo da canção. Este não é um álbum que se consiga absorver à primeira. É preciso ouvir várias vezes para ver que esta mistura de tons e géneros resulta, embora, ainda precise de limar umas arestas, principalmente, no que diz respeito à construção das canções e do modo como se passa do assustador e melódico death, para os solos e riffs acima da velocidade do som do trash. Definitivamente aconselhado a qualquer ouvinte de metal, pois este é um álbum que abrange quase todo o espectro deste género musical, de uma banda que ainda está a dar os primeiros passos mas que tem muito talento e que vai dar que falar no mundo do metal. [7.5/10] Ivan Santos

[9.5/10] Rute Gonçalves

[8/10] José Branco


LONEWOLF ARMY OF THE DAMNED

MEGASCAVENGER SONGS OF FLESH (PART I)

NAPALM RECORDS

SELFMADEGOD RECORDS

Este é o quinto longa duração dos franceses Lonewolf. E eles nunca soaram tão bem. Mas não quer dizer que este seja um bom álbum. Ao ouvi-lo, percebe-se o porquê de uma banda com quase 20 anos passar quase despercebida pelo mundo do metal. Uns “wannabes” a Manowar, uma sombra de Running Wild, têm no seu vocalista a parte mais fraca. É o tipo de voz que afasta qualquer potencial fã, muito diferente da “normal” voz treinada do power-metal, o que torna difícil ouvir esta banda. O álbum não traz nada de criativo ou inovador, em vez disso, os clichés do género estão lá todos, a começar pelos temas das canções ou os nomes como “Hellbent For Metal”, “The Last Defenders” ou “The Army Of The Dammed”. A produção não está ao nível que este tipo de som merece e as faixas chegam a tornar-se monótonas. Mas nem tudo é mau. A sonoridade está mais limpa que em trabalhos anteriores, mantêm a mesma batida enérgica que os caracteriza e acrescentam coros, perfeitos para incluir o público em concertos, como é normal neste tipo de género musical. A bateria é sólida e rápida, conseguem bons e furiosos solos de guitarra e o entusiasmo que a banda tem ao tocar é claro e perceptível. E, para o bem ou para o mal, o álbum mantêm-se consistente do princípio ao fim. Apenas para aqueles que só ouvem (mesmo) power-metal. [5/10] Ivan Santos

Primeiro teaser do album que há-de chegar, este EP é o típico death metal escandinavo. Riffs sólidos, mas repetitivos, e uma bateria simples. Por detrás deste projecto está Roger “Rogga” Johansson, artista multifacetado, que já pertenceu a uma dúzia de bandas nos últimos 10 anos. Habituado a escrever música em doses industriais, talvez seja por isso que este EP não seja algo de muito original e as letras sejam muito genéricas. A música, embora não sendo má e, relativamente, bem executada, dá-nos aquele sentimento de que já ouvimos aquilo em qualquer lado. Os vocais são sólidos mas, novamente, não trazem nada de novo à música. As guitarras têm a normal distorção neste género, excepto nos solos. O baixo é audível e pesado como se quer. A bateria marca bem o ritmo mas os pratos, muitas vezes, perdem-se no meio do som. Talvez para colmatar toda esta falta de variedade e originalidade, o futuro álbum contará com convidados especiais, já presentes nestas duas únicas faixas como, Jurgen Sandstrom (Grave, Torture Division) e Paul Speckmann (Master, Abomination), mas que nem assim, fazem valer a pena a aquisição. Trata-se apenas e só, do old school nórdico, underground, simples e directo ao assunto, pelo menos, a avaliar por este (muito curto) EP. [4.5/10] Ivan Santos

THE MELANCHOLIC YOUTH OF JESUS THEME FOR AMBITION

NECROS PROCESSION OF HERETICS

ETHEREAL SOUND WORKS

Num registo completamente underground, eis que chega às lojas o EP de estreia dos franceses Necros, após uma demo e dois splits. No activo desde 2008, o trio pratica um death metal simplista mas nem por isso mal concebido. Embrenhados num espírito anos 90, a trazer à memória projectos obscuros como os canadianos Cremation ou os espanhóis Machetazo, o colectivo apresenta um trabalho vívido e nada decepcionante. Desde a tétrica introdução “Black Mass” a dar o mote para a entrada no furioso “Procession of Heretics”, passando por “God You’ve Failed” com os seus momentos mais lentos e pelo caótico “Blasphemous Incantation” e até findar com “Dawn of Purgatory” - o tema mais bem conseguido de todo o EP -, o empenho impresso ao longo destes parcos 18 minutos é de tal forma notório que faz com que seja quase impossível não nos deixarmos cativar pela engenhosa ingenuidade dos franceses. A produção, fria e sem os embelezamentos típicos dos dias que correm, é perfeitamente adequada ao disco que, se fosse por ventura ornado com uma sonoridade mais actual, não teria com certeza o mesmo encanto. “Procession of Heretics” posiciona-se a uma longa distância de ser um trabalho de primeira linha, mas nem essa é tão pouco a ideia, nem de perto nem de longe. Muito válido, deixa no ar a curiosidade pelo próximo passo da banda. [6.5/10] Jaime Ferreira

O feedback a evadir o espaço, a envolver o corpo, a hipnotizar a mente. As mãos em repouso sobre as cordas da guitarra, tocando um silêncio expectante. As pernas afastadas, firmando a pose esfíngica. Uma mão ergue-se, protege os olhos fixados no gigante sol de Verão, ajeitando uns óculos escuros dos anos oitenta, baixando novamente sobre as cordas da guitarra, um escarrar para o chão e a ambição nasce, as cordas estoiram, a música arranca... É o regresso da criação principal de Carlos Santos, The Melancholic Youth Of Jesus, silenciado desde 99, com este ‘Theme for Ambition’. Uma amostra simples mas promissora do que estará para vir no longa duração ‘Gush’ marcado para este ano, pela Ethereal Sound Works. [ / ] André Balças

GOSPELS OF DEATH RECORDS


NODRAMA

PANDEMONIUM MISANTHROPY

NO BLESS SPIRITUAL

THE PATIENT

ORDO OBSIDIUM ORBIS TERTIUS

EDIÇÃO DE AUTOR

CORONER RECORDS

EISENWALD

PAGAN RECORDS

Numa altura em que cada vez mais é necessário inovar para garantir um lugar respeitado no cenário Metal nacional, eis que surgem os No Bless. Com uma forte componente electrónica e uma base Metal, “Spiritual” apresenta-se como algo de inovador em comparação ao que se vai fazendo não só em Portugal mas também no Mundo. O facto de combinar estes dois elementos possibilita mais margem de manobra nas composições musicais, fazendo com que não hajam muitas repetições e a sua audição proporcione uma excelente dose de energia e de prazer auditivo. Devido à sua versatilidade, torna-se difícil (para não dizer impossível) de destacar os melhores momentos, pois felizmente os No Bless conseguiram gerir bem este disco apresentando uma boa estabilidade no que respeita aos esperados altos e baixos. Em suma é um registo consistente, com qualidade e com alguns momentos bem brutais! Já não é novidade que Portugal tem cada vez mais propostas capazes de liderarem o movimento. Cabe aos metalheads nacionais dar um empurrãozinho a grandes trabalhos como este. [9/10] Joel Costa

Os Nodrama são uma banda de Melodeath moderno, oriunda do País Basco, formada em 2005 em Bilbao. Depois de estarem envolvidos em vários projectos musicais na cena underground, Nicola, Xabier, Aimar, Iker e Koldo decidem juntar-se para criar um novo projecto e explorar novas sonoridades. Assim surgem os Nodrama. Em 2008, a banda editou a sua primeira demo “I Mind”, um registo com 10 faixas que teve grande aceitação por parte do público e excelentes críticas por parte da imprensa espanhola. Surge agora o novo álbum “The Patient”. “The Patient” é um disco bastante interessante, essencialmente um disco de Rock e Metal melódico, apostando em belas melodias e letras bastante poderosas, não deixando de transmitir bastante energia, garra e alguma raiva. Belos exemplos disso são os temas: “The Bite”, “Visions”, “One more step”, “Waiting” (um dos meus temas preferidos), “Undefined”, e “Believer”. Trata-se de um trabalho coerente e muito consistente, que revela uns Nodrama bastante maduros musicalmente e bastantes coesos enquanto colectivo. Um belo disco de Rock para ouvir com muita atenção.

O álbum de estreia destes norte-americanos pulveriza-nos com um Black Metal pejado de ódio transbordante, misturado com Doom Metal emocional com certos momentos de depressão suicida. Ao longo de cinco extensas composições, a banda de Balan (guitarras, teclas e vocalizações), também membro dos Palace of Worms, debita momentos de emoções contrastantes - que se equilibram com uma facilidade incrível tratando-se do primeiro trabalho. Entre o emocional e a atmosfera gelada dos riffs, prevalece uma sensação de devastação mórbida, ao melhor nível de Emperor e Mortifera. Apesar do som quase analógico da gravação, em termos de composição os Ordo Obsidium não temem a experimentação, com alguns momentos onde sons acústicos e teclados providenciam algum contraste. Destaque para o tema título, “Orbis Tertius”, colocado cirurgicamente a meio do álbum e que, apesar de ser o mais curto deles, é o que nos presenteia com o melhor conjunto de ideias originais, numa toada mais lenta e de desespero. Apesar de, a espaços, podermos não encontrar uma originalidade por aí além, a qualidade da maioria dos riffs e variações dementes desta banda, faz-se ouvir os temas com atenção. E a recompensa é o majestoso tema final “By His Unflinching Hand”. Em jeito de curiosidade: dos quatro elementos que gravaram o álbum, o baixista optou por não ser creditado.

“Misanthropy” é o quarto longa duração desta banda de black death da Polónia, apesar dos mesmos já contarem com mais de 20 anos de carreira. Este destaca-se dos outros da banda, tem um som mais maduro e obscuro que os anteriores, tendo presente também alguns elementos mais avant-gard, fazendo por vezes lembrar bandas como Tryptykon. No geral o albúm tem riffs com groove, e um ambiente mais black e doom. Apesar desta combinação parecer fora do vulgar a primeira, é uma combinação que funciona bem, proporcionando a este registo um ambiente diferente. As duas primeiras faixas que encontramos, “The Black Forest” e “God Delusion” são a remasterização das duas faixas com o mesmo nome lançadas pela banda em 2010 num promo que antecipava este novo longa duração. Logo na primeira audição do registo há musicas que se destacam, nomeadamente a “Stones are Eternal”, que conta com a presença de Androniki Skoula (Chaostar, Septic Flesh), sendo das mais completas e apelativas faixas deste albúm. Outra de grande destaque é “Misanthropy”, que conta com a presença dos vocais da mesma. No geral é um bom regresso da banda, mas podia ser melhor, pois apesar do ambiente único do albúm como um todo, as musicas individualmente que têm maior destaque são as que contam com vocais convidados. [8/10] Rita Limede

[8/10] Rute Gonçalves

[7/10] José Branco


PURGE

REVERENCE THE ASTHENIC ASCENSION

PARADISE LOST TRAGIC IDOL

SORDID PRELUDES TO PURGATORY

PURIFICTION THE PURIFICTION

CENTURY MEDIA

GOSPELS OF DEATH RECORDS

INVERSE RECORDS

CANDLELIGHT RECORDS

Após uma carreira de mais de duas décadas, é inevitável ocorrerem repetições, contudo algo que tem alternativa é a estagnação, sendo essa alternativa a evolução. Paradise lost, com dezenas de lançamentos e agora com o seu décimo trigésimo álbum é um bom exemplo desse percurso; longo, rico, com altos e baixos, seguramente, mas que acabou por desenvolver uma sonoridade característica e inegavelmente reconhecível. Começando em raízes puramente Metal para deambular em áreas do Rock e do Gótico numa fase mais tardia, é uma banda que conseguiu de alguma forma manter-se fiel a si mesma. Mesmo com possíveis acusações de repetição, o conteúdo produzido sempre se manteve com qualidade, e por vezes há que reconhecer que não se deve consertar o que não está partido. Tragic Idol é isso mesmo, mais um álbum sólido que dança entre o melancólico Goth Rock e o Doom Metal, sempre de forma graciosa e matura, demonstrando de forma clara a máquina oleada que a banda liderada pelo exímio Nick Holmes é. Não trará nada de novo áqueles já familiarizados com o trabalho da banda, mas providenciará sem dúvida uns largos minutos de prazer auditivo. [8/10] David Horta

Apesar de existirem há mais de uma década, apenas agora os parisienses Purge editam o seu primeiro longa duração, após duas espaçadas demos. Com uma sonoridade algures entre os Cannibal Corpse por alturas de “Butchered at Birth” e os momentos mais acessíveis dos Death, o trio francês - actualmente quarteto, derivado à inclusão de um baixista a tempo inteiro - não desilude, mas também não surpreende ao longo das 9 faixas que integram a sua estreia. Fiéis à cena norte-americana mas não enveredando pelo tecnicismo excessivo, os Purge demonstram boas capacidades como executantes mas pecam pela falta de elementos que os distingam de tantas outras bandas do género. Os deveres vocais são divididos pelos dois guitarristas, Hugo “Salvaje” e Raph, combinando um registo cavernoso e outro mais ríspido, o que resulta positivamente, ao contrariar a carência de originalidade de algumas das composições. “Necromorph Possession” e “Execration” serão disto os melhores exemplos. “Sordid Preludes to Purgatory” apresenta-nos um grupo com potencial mas ainda à procura de elementos identitários que, a serem encontrados, possibilitarão sem dúvida aos gauleses tornarem-se numa força a tomar em consideração. Até lá, incluem-se numa miríade quase indistinta de bandas congéneres cuja grande maioria dos trabalhos tende a passar despercebida. [5/10] Jaime Ferreira

A primeira obra dos “Purifiction” esteve na forja durante os últimos três anos e nasce com uma atitude bastante ousada no que à música e ao Rock e ao Metal diz respeito. Trata-se de uma vontade de criar uma espécie de metal “colorido”, que rompe as fronteiras tradicionais e que espelha de forma inequívoca, a visão original e única da banda sobre o que é música e, em especial, a música pesada. “The Purifiction” é um disco surpreendente, coerente e muito maduro musicalmente, que fala essencialmente da vida e das pessoas, de amor e de liberdade, de escolhas e de objectivos. No fundo, o mundo em todo o seu esplendor, com tudo o que ele tem para nos oferecer. São onze faixas de puro deleite, num disco que abre em grande estilo com “Hellride”, continuando sempre em crescendo com temas como “Daisies”, “Symphony of laughter, “All I need”, Act of love”, “Piano red” e “Dust to dust”. Em suma, um grande disco de estreia dos “Purifiction”. Vale mesmo a pena ouvir. É puro e (muito) bom Rock n’ Roll! [8.5/10] Rute Gonçalves

É o novo longa-duração da banda francesa de black metal e promete dar muito que falar. Reverence é mais uma das bandas de black metal que veio da cena gaulesa de black metal, que nos últimos anos nos tem trazido bandas de grande qualidade e inovadoras como Deathspell Omega, Glorior Belli, Blut aus Nord, entre outras. Este album traz-nos um ambiente mistico, escuro e por vezes até um quanto demoníaco. Os riffs são dissonantes, as batidas fortes e os vocais são bem conseguidos. A primeira faixa, “Earth”, é um perfeito exemplo do ambiente do albúm, sendo das mais bem conseguidas. Outras musicas que se destacam são “Psalm IV” e a “The Asthenic Ascension”. Estas musicas são o expoente máximo deste albúm, tendo todos os elementos que melhor o caracterizam presentes, de uma forma que chega a ser quase épica. É um registo sólido e consistente de extrema qualidade, e que vem reforçar a ideia que o black metal francês é das melhores cenas muiscais dentro do estilo que temos actualmente. Recomenda-se a audição deste albúm com atenção a todos os fãs do estilo. [9/10] Rita Limede


SPECTRAL GATEWAY TO DEATH

SAINT VITUS LILLIE: F-65

SECRETS OF THE MOON SEVEN BELLS

SONATA ARCTICA STONES GROW HER NAME

SEASON OF MIST

LUPUS LOUNGE

NUCLEAR BLAST

CCP RECORDS

“Lillie: F-65” é o oitavo álbum dos doomsters Saint Vitus, editado após um interregno de 17 anos. O que ouvimos do início ao fim é, indiscutivelmente, Saint Vitus: doom na sua essência, arrastado, com (muito) esparsas explosões, entrecortado de guitarras distorcidas e riffs poderosos e a omnipresente e carismática voz de Wino. “Let them fall” dá o mote, num tom directo e sem cerimónias, seguindo-se-lhe “The Bleeding Ground”, a faixa mais musculada do álbum e “Vertigo”, cuja única função parece ser a de contrabalançar a breve aceleração final do tema anterior. Enquanto “Blessed night”, à semelhança da faixa de abertura, passa a correr, “The waste of time” e “Dependence” poderiam ter a sua duração reduzida para metade, pois para o final, mais se assemelham a uma pastilha já dura de tão mastigada, ficando muito aquém, em termos de densidade opressiva, das saudosas “Patra (Petra)” ou “Sloth”. O instrumental com que finalizam este registo resume-se a uma sequência de camadas de distorção que, ao vivo, pode servir para empatar enquanto Wino vai ao WC. Se “Lillie” não mancha o passado glorioso dos californianos, também não lhes faz justiça. Descreve a traços largos o som que tem caracterizado a sua carreira, excluindo, porém, muita da riqueza e variação que marcaram cada um dos seus trabalhos. [7/10] Ana Miranda

Desde 2001 que estes germânicos têm dado provas de uma consistente evolução. Do black metal mais conservador de “Stronghold of the Inviolables”, à aparente simplicidade de “Privilegivm”, a banda recria uma atmosfera negra e gelada sem que, para isso, seja necessário invocar Satanás repetidamente. “Seven bells”, o último trabalho, confirma essa capacidade de mastigar tendências como Satyricon, Black Sabbath ou mesmo Metallica, e devolver um produto com um selo indiscutivelmente seu. Do tom fúnebre e profético do tema-título, dos ventos escandinavos de “Goathead” ou “Blood Into Wine”, aqui mais suaves e cadenciados; à incursão pelo gothic rock em “Serpent Messiah”, o álbum estende-se num crescendo de intensidade ao longo de uma hora, com faixas com cerca de 9 minutos, em que a banda alterna os momentos mais introspectivos e lentos com os mais explosivos e rápidos. Comparando com “Privilegivm”, denota-se maior amplitude e diversificação na prestação vocal o que, se confere maior dramatismo, retira em densidade, ao ponto de, o modo grosseiro com que alguns refrões são “atirados” (“Seven Bells”, “Serpent Messiah” ou “Blood into Wine”) destoar do cuidado colocado em tudo o resto. Alguns laivos de facilitismo e os sinos que, volta e meia, fazem a sua aparição, irritam um pouco. Mas a culpa é da banda que habituou mal estes ouvidos.

Sonata Arctica é daquelas bandas já mais que estabelecidas com um repertório longo e com um certo nível de qualidade e reconhecimento. Quando uma banda se encontra em tal posição, não é incomum começar-se a ver certas... “experimentações”, e “Stones Grow Her Name” é claramente algo desse género. O som da banda esteve sempre em mudança constante, verdade, mas de modo subtil. Essa subtileza, contudo, fraquejando no álbum de 2009, “The Days of Grays”, desaparece aqui por completo. Apesar de os toques de S.A. estarem presentes, o que temos aqui mal se pode classificar como Power Metal, tendo a banda optado por uma coisa mais para o Rock e algo difícil de classificar, sendo músicas como “Cinderblox” (com o seu sabor a country e banjo na ribalta), “Shitload O’ Money” (cujo nome mais parece indicar um artista qualquer medíocre saído da rádio), ou o single do álbum “I Have a Right” (apesar de discutivelmente comovente, mais parecer uma música Pop), ingredientes que tornam a coisa toda mais confusa. Tony Kakko tem revelado em entrevistas que a banda voltou parcialmente ás origens, aos dias em que se chamavam “Tricky Beans” e tocavam músicas silly de Rock/Pop, e (infelizmente) nota-se. Quem procura aqui ritmos frenéticos e solos de guitarra e keytar, é melhor procurar noutro lado.

Spectral é uma banda que afirma conter elementos de Black, Viking, Power e Trash Metal, tudo numa só embalagem que é a banda em si. A reacção natural a ouvir tal coisa seria a de instantaneamente apelidar isto de “uma salganhada desgraçada!”, contudo, Spectral, de uma forma ou d’outra, fazem-no resultar. Fora de fumo e espelhos, o que temos aqui em essência é um álbum de Melodic Death que bebe bastante de fontes tal como Norther, Kalmah, e um pouco de Children of Bodom; na sua maioria rápido, fast-paced, com guitarras sibilantes, vocais berradas e melódico q.b. Contudo é possível encontrar os tais variados elementos aqui e ali; solos reminiscentes de Power Metal, algumas vocais á lá B.M., coros ao bom estilo Viking, e ritmos frenéticos e baterias agressivas do Thrash. Este disco tem um pouco de tudo, mas consegue conter-se sem parecer confuso e overwhelming, tem uma boa dose de variação, e no entanto mantém-se focado o suficiente para não perdermos interesse. Nada mau mesmo. [7/10] David Horta

[8/10] Ana Miranda

[6.5/10] David Horta


STORMCROW ENSLAVED IN DARKNESS SELFMADEGOD RECORDS

Datado de 2005, este é o primeiro EP desta banda norte-americana, uma das mais pesadas e agressivas da cena crust, um tipo de música que combina o harcore, o punk e o heavy metal. Este álbum junta o desprezo e o ódio que a banda tem pelo estado da Humanidade de hoje, resultando em 5 canções escuras, pesadas e niilisticas. Os vocais guturais são fortes e intensos, cheios de intenção, ligando muito bem com o conteúdo das letras. O volume do som é monstruoso, com riffs bastante gore, ora furiosos e destruidores, ora vagarosos e tortuosos. O baixo é bastante profundo e a bateria parece o resultado de um acidente ferroviário durante um ataque atómico, mas que consegue acompanhar os restantes instrumentos no caminho para a destruição total. Ao longo de pouco mais de 20 minutos, o grupo nunca perde a sua essência, com sons assombrosos e arrepiantes, tocando sempre com paixão, entregando aquilo que a que se propõem. Este é, sem dúvida, o melhor registo de uma banda já separada, mas que tinha uma grande margem de progressão. Não é um excelente álbum, sobretudo quando tentam entrar noutro caminho que não o crust, e chega a ser um pouco repetitivo nos riffs, mas não deixa de ser um must have para qualquer adepto do género. [7.5/10] Ivan Santos

STRYDEGOR IN THE SHADOW OF REMEMBRANCE CCP RECORDS

Os germânicos Strydegor apresentam-nos aqui o seu segundo álbum de carreira, que por sinal, não é nada mau. O que nos é apresentado aqui é um Viking Metal bem sóbrio, e sem grandes rodeios. Não existem aqui grandes intrumentalidades fora o habitual conjunto guitarra+baixo+bateria, contudo o álbum não descura de todo, da musicalidade própria deste género musical, deixando as melodias (bem constantes, diga-se de passagem) ao encargo da guitarra. Uma especial atenção é merecida no que toca á ultima faixa, “Meadguard”, uma peça instrumental, que, apesar de relativamente curta (pouco passando dos 4 minutos) deixa a habilidade instrumental dos elementos brilhar mais despreocupadamente, contrastando com a maior parte do resto do álbum, em que de certa forma parecem estar muito mais contidos. [6.5/10] David Horta

THE FIRSTBORN LIONS AMONG MEN

TRIOSCAPES SEPARATE REALITIES

RASTILHO RECORDS

METAL BLADE RECORDS

Demorou… Mas foi entregue. E muito bem! Quatro anos após The Noble Search, chega até nós Lions Among Men, dos bem portugueses The Firstborn. É um álbum, no seu todo, bonito. Sim, bonito pode ser um adjetivo que não encontremos a miúde em reviews de álbuns te metal, mas, é a pura das verdades. As faixas gigantes de Lions Among Men trazem não só força, energia, como também muita beleza. É um álbum construído com muito carácter e intensidade, prova do árduo trabalho e dos doze anos de carreira dos The Firstborn. Poderemos encontrar sete faixas bastante longas, todas acima dos seis minutos das quais gostaria de salientar Without as Within, Wantless e Liberated as Mantra. Longas, pesadas, mas que deixam uma satisfação, uma plenitude nos ouvidos, que só o sentirá quem ouvir, e bem, o álbum. Não se poderá deixar de assinalar a Rastilho Records, que executou um excelente trabalho, vincando o seu papel na importância do metal nacional. Faixas intensas, longas, uma mistura excelente, um trabalho bem conseguido, prova viva de que o metal nacional está de boa saúde. Without as Within, Wantless de seis minutos, Rastilho Records A cítara denota-se numas faixas mais do que noutras, sendo que é na última faixa Sounds Liberated as Mantra que se denota muito mais, terminando assim esta quase uma hora de excelente música numa apoteose exótica. Já aqui referi uma vez que a cena musical nacional, ao contrário do resto do país, não está em crise. Lions Among Men só vem reiterar a minha opinião.

O projecto “Trioscapes “ teve início no Verão de 2011, quando Dan Briggs (Between the Buried and Me) contactou Walter Fancourt (Casual Curious, Brand New Life) e Matt Lynch (Eyris) para trabalharem numa versão do tema “Celestial Terrestrial Commuters” dos Mahavishnu Orchestra para um espectaculo único. Depois desta experiência, os três músicos acharam que era altura de criar algo novo ao nível da fusão entre Jazz e Metal. E assim surgem os Trioscapes. “Separate Realities” é o disco que resulta dessa primeira experiência em conjunto e de facto, surpreende pela fusão de géneros e influências que podemos encontrar. O trio composto por baixo, saxofone e bateria, trabalha essencialmente sobre as linhas estruturais do Metal, que mistura de forma bastante inteligente com o Rock, o Jazz e ambientes de Funk. O disco é composto por 5 temas, sendo o meu favorito “Gemini’s Descent”. Trioscapes é sem dúvida, um projecto ousado e inovador, que atravessa fronteiras musicais e experimenta novos conceitos e “Separate Realities” é um digno e muito interessante disco de estreia, que nos prende a atenção e nos surpreende a cada faixa. Um disco bastante excitante de uma banda que se revela promissora. A não perder! [8/10] Rute Gonçalves

[9.5/10] Narciso Antunes


WAVELENGTH:SATAN TIME-BLOOD THEORY

UNLEASHED ODALHEIM

VERTIGO STEPS SURFACE/LIGHT

VOICE OF THE SOUL INTO OBLIVION

NUCLEAR BLAST

ETHEREAL SOUND WORKS

EDIÇÃO DE AUTOR

OBSCURE ABHORRENCE PRODUCTIONS

Veteranos da cena death metal sueca, a banda criada por Johnny Hedlund em 1989 após a cisão com os restantes membros dos Nihilist está de regresso com o seu 11º trabalho. Em perfeita harmonia com o remanescente do seu percurso, durante cerca de 45 minutos de death metal clássico os Unleashed abordam diversos temas de cariz histórico e mitológico, não se cingindo à Escandinávia mas estendendo-se tanto ao continente americano - em “Vinland” e “Rise of the Maya Warriors” - como a outras nações europeias, com “By Celtic and British Shores” e “Germania”. Não sendo particularmente inovador em aspecto algum, “Odalheim” reúne todas as premissas necessárias a não defraudar quaisquer fãs do colectivo, que se mantém intransigentemente fiel a si próprio. Esta rigidez funciona bem a favor dos Unleashed, a demonstrar que se encontram no topo da sua forma, como evidenciam os prospectivos hinos “Odalheim”, “The Soil of our Fathers” e “The Great Battle of Odalheim”, que nos remetem de imediato para um ambiente de proporções épicas cuja eficácia impele para que os ouçamos ao vivo. Com a cuidada produção mais uma vez a cargo do guitarrista Fredrik Folkare, o resultado final é muito positivo e permite aos suecos a manutenção de um há muito conquistado lugar entre as bandas que definiram o death metal tal como actualmente o conhecemos. [7.5/10] Jaime Ferreira

Ao nível do que nos tem habituado, o terceiro registo deste projeto nacional é um compêndio de Rock melódico e pesado de fino recorte emocional. Contando agora com Daniel Cardoso (bateria, baixo, vozes de apoio) como membro permanente, o duo Bruno A. e Niko Mankinen conta ainda neste disco as colaborações notáveis de Jan Transit (ex-In the Woods…), Stein Roger Sordal (ex-Green Carnation), Patrik Karlsson (This Haven) e Sophie (Ugarit). A qualidade do álbum anterior, “The Melancholy Hour”, já nos avisava sobre o que esperar. Aliás, o grande passo acaba por ser a edição física deste “Surface/Light”, através da Ethereal Sound Works (inclusivamente numa edição digipack em pack com os dois primeiros álbuns, até agora apenas disponíveis através de download). A qualidade das 13 composições aqui descritas merecem toda a atenção, agora que o Rock/Metal melódico e melancólico está órfão de uma banda como os Green Carnation e esperamos pelo regresso dos Porcupine Tree. Os temas são relativamente curtos, orelhudos, pejados de crescendos e ambientes intensos, onde, apesar da melancolia reinante, existe uma luz latente. Basta ouvir o single “Someone (like you)”. Num esforço criativo e com rasgos de brilhantismo, apesar da qualidade, inspiração e profissionalismo patentes, pouca gente parece ainda estar atenta aos Vertigo Steps. E é pena.

Esta banda do Kuwait regressa com o EP Into Oblivion, que não é mais do que a continuação natural do último EP Eyes of Deceit, de 2010. Aqui, o grupo continua a misturar o que há de mais melódico com o que existe de mais brutal. O som mais reflectivo de pianos e arranjos orquestrais conduzem rapidamente a riffs violentos e baixos pesados. E este sentido de melodia bem estruturado está presente em todo o álbum, em especial, em canções como Immolation ou Wither, esta última com 11 minutos e que testa as capacidades técnicas dos músicos, que passam com distinção. Também, o uso de sintetizadores ajuda a criar uma atmosfera negra, pesada e depressiva ao trabalho. O ponto forte deste EP é, simultâneamente, o seu ponto fraco: a guitarra. O trabalho técnico deste instrumento é muito bom, com bons riffs e bons solos, mas fica marcado por um tom demasiado cru e ruidoso que chega a ser irritante. A evolução da banda é notória, com estruturas mais originais e complexas, guitarras mais pesadas mas, também, mais expressivas e vocais mais poderosos e agressivos. Este Into Oblivion contém cinco boas canções originais, coroadas com Under the Serpent Sun, um cover dos suecos At the Gates e pode ser uma boa alternativa a quem procure algo novo neste tipo metal mais extremo, de uma banda que pode ser uma das grandes do Melodic Death Metal.

A editora Obscure Abhorrence olha de novo para terras lusas em busca de novos projectos nacionais. Wavelength:Satan é subsidiário a projectos como Mother of the Hydra e Murmúrio; não pela sonoridade, mas pelos membros envolvidos. Neste Time-Blood Theory, V-Kaos e Enobólico exectuam um cáustico turbilhão sonoro; diga-se, uma agregação ao paradigma espacial que o Black Metal tão bem vozeia. “The black spiral has been created; / Sacred devourment of light.” - É este presságio que nos atira à cara uma nova dimensão negra, estirada por riffs rasantes e atmosféricos. A bateria adapta-se aos ritmos frenéticos gerados, mesclando-se de forma exímia aos sintetizadores e amostras vocais interlaçadas pelas oito faixas. Ao longo destas, somos constantemente atacados com progressões que, embora tacteando no cacófato, envolvem-nos em melodias ferozes (ou até mesmo abruptas ao ouvinte) que se extraem do vácuo aqui explorado. Destaque ainda para uma versão de Mysticum - Let The Kingdom Come -, enquadrada sem excessivos paralelismos aos autores originais. Ao espaço devaneado sem precedentes neste álbum, Time-Blood Theory coloca-se num mundo só seu, esperando preludiar-se a um universo que a própria teoria clama como real. Enquanto tal não sucede, é imperativo rodá-la enésimas vezes - bem alto - à procura dessa distopia. Excepcional. [8.5/10] Ruben Infante

[8/10] José Branco

[8/10] Ivan Santos


XASTHUR

WODENSTHRONE CURSE

NIGHTMARES AT DAWN

CANDLELIGHT RECORDS

AVANTGARDE MUSIC

Black metal sinfónico é a proposta dos ingleses Wodensthrone que, após uma auspiciosa estreia com “Loss” em 2009 e com uma formação ligeiramente alterada, regressam agora às edições discográficas. Incutindo um sentimento épico a todas as composições, e tendo nitidamente nos Emperor uma das suas principais inspirações, a música do quinteto é, no entanto, marcadamente britânica. A juntar à temática da Bretanha pré-cristã transversal a todo o conceito da banda, denotam-se óbvias influências da abordagem ao metal extremo desenvolvida por Martin Walkyier. Num álbum desprovido de temas fracos mas ao qual falta uma identidade mais vincada, dou especial destaque a “Wyrgthu”, que, pontuando com sucesso a agressividade com momentos de calmaria, nos transporta eficazmente para o mundo pagão idealizado pelo colectivo. Após a saída de Brunwulf, ao invés de contratarem um novo vocalista, Wildeþrýð e Rædwalh optaram por repartir a tarefa de dar voz a “Curse”, decisão que se revela acertada, não ficando de forma alguma aquém do seu predecessor. Verdadeiramente genial é a secção final de “Jormungandr”, munida de um magistral coro. Competentemente composto mas não sendo o “In the Nightside Eclipse” do século XXI, “Curse” prova que os Wodensthrone estão no bom caminho para disputarem a coroa da nova geração do black metal em nome de Sua Majestade. [7/10] Jaime Ferreira

Formados em 1995 como uma banda completa mas tornados no projecto a solo de Malefic a partir de 1999, os Xasthur deram as suas actividades por terminadas em 2010. Decorridos 2 anos, é lançado este “Nightmares at Dawn”, composto maioritariamente por inéditos gravados entre 2004 e 2009, acompanhados por novas interpretações de “The Prison of Mirrors” de “Subliminal Genocide”, “Screaming at Forgotten Fears” de “To Violate the Oblivious” e “Suicide in Dark Serenity” da demo “A Gate Through Bloodstained Mirrors”. Reminiscente de Burzum, a índole do black metal atmosférico de Xasthur sempre se demonstrou irregular, facto bem aparente nesta colectânea. Aos toleráveis instrumentais e à ocasional passagem, associam-se todos os outros temas aqui inclusos: fracos, nitidamente amadores e pobremente executados, desprovidos de quaisquer noções de produção e de mistura, assim como uma trucidada versão do clássico “A National Acrobat”, dos Black Sabbath. Sendo visíveis as razões pelas quais as presentes composições foram deixadas de fora em lançamentos anteriores, esta compilação deverá ser observada à luz da questionável razão da sua existência, pelo que irá certamente ser considerada indispensável apenas pelos estabelecidos fiéis a Xasthur e perfeitamente irrelevante para os demais, a quem o projecto americano sempre passou despercebido. [2.5/10] Jaime Ferreira


N

o passado dia 24 de Abril o Hard Club foi palco de uma autêntica ladies metal night, tendo como belas anfitriãs as vocalistas de Epica, Stream of Passion e Xandria, três formosíssimas senhoras detentoras de poderosas vozes que não ficam atrás de uma qualquer Adele ou outra cantora da moda qualquer. Qual nereides do Rio Douro ali tão próximo, enfeitiçaram-nos pelo seu afinado e suave timbre, pela sua mística presença e pela sua calorosa simpatia. Ainda esta noite mágica não se tinha iniciado e já se vislumbrava um Hard Club com bastante movimento, ouvindo-se algumas vozes a palrar em espanhol por entre o negro habitual com que este local se veste quando visitado por bandas ligadas ao metal. Bancas de merchandise aliciavam os fãs a gastar mais uns trocos naquela parafernália de coisas vendidas pelos 3 grupos e na longa fila que ia crescendo ia-se tentando ver se alguém das bandas daria um ar da sua graça para se “roubar” uma foto ou um autógrafo. Foi uma sala meia cheia que recebeu Xandria que abriu com “Valentine”, tema do seu último trabalho, “Neverworld’s End”, o qual foi revisitado durante a maior parte da sua actuação. Manuela Kraller, a liderar este grupo há pouco tempo, foi bastante carismática, como o foram todos os seus parceiros de palco, desde ao simpático Philip Restemeier que se desfez em agradecimentos em brasileiro, ao animado baixista Fabio D’Amore que estaria a substituir e bem Nils Middelhauve devido a problemas de saúde. Era visível o contentamento da banda em actuar para uma plateia que os estava a receber calorosamente, embora esta “visita” demorasse apenas cerca de meia hora com temas como “Blood on my Hands”, “Euphoria”, “Forevermore”, finalizando com “Ravenheart”, tema

do segundo álbum da banda. Os Stream of Passion foram recebidos por um público maior em número e já bem aquecido com a actuação de Xandria e que rejubilou com a profissional actuação de todo o grupo, quer a nível técnico, quer a nível da escolha de um reportório variado no que diz respeito à sua discografia com temas dos seus 3 álbuns, quer na sua energia e sedução personificadas principalmente pelo baixista Johan Van Stratum e pela bela vocalista de origem hispânica Marcela Bovio. Inicializaram a sua performance com “Lost” do trabalho “Darker Days” demonstrando e bem a dualidade existente entre o lirismo e o peso, a suavidade da voz de Marcela e a agressividade dos instrumentos que a acompanham, esse dualismo foi perpetuado nos temas que se seguiram, como “Passion”, “Collide” e “Spark”, este último deliciosamente acompanhado pelo escarlate violino tocado por Marcela. O público reagiu efusivamente aos temas apresentados pelo grupo, dada a sua competência técnica e sonora e dado o carisma da vocalista que também tentou comunicar em espanhol tentando aproximar-se ainda mais daquele maravilhoso público português que fora ainda presenteado com temas como “Haunted”, “In the End”, “Street Spirit” (cover de Radiohead) e “This Endless Night”. Os Stream of Passion deixaram o palco despedindo-se de uma plateia entusiasmada com a sua prestação e ansiosa para ver os cabeças de cartaz Epica, não só pela apresentação do seu último álbum, “Requiem for the Indifferent” como para mirar a beleza de Simone Simons e escutar a sua doce voz. O compasso de espera foi mais longo, pois o palco seria bem diferente do das outras duas bandas, com uma plataforma para a bateria e teclas, escadas, ventoinhas, microfo-

nes com formas fora do vulgar, dava para ver que estes senhores não brincam em serviço e tinham vindo para nos dar um concerto memorável. Ao som de “Karma” as nossas expectativas elevavam-se e os membros de Épica iam aparecendo para regozijo da multidão, a diva, essa, chegaria por último para nos transportar através da sua voz pelas paisagens agrestes da discografia dos Epica, começando com o tema “Monopoly on Truth” e passando por outros como “Sensorium”, “Deter the Tyrant”, “Serenade of Self-destruction”, temas sempre celebrados pela plateia, enfeitiçada pela performance dos músicos que partilhavam a cumplicidade evidente e existente entre eles com os seus fãs, interagindo entre eles, cantando, puxando pela multidão. A dicotomia das duas vozes principais, Simone e Jansen, a “Bela e o Monstro”, por assim dizer, ou seja o contraste da voz lírica com a voz gutural, traz riqueza aos temas e injecta-os de força, lirismo, energia e paixão. Os Epica estavam contentes com o público português e expressaram-no nas várias intervenções dos seus membros, onde ainda foi relembrado um concerto no antigo Hard Club do lado de lá do rio e a promessa de voltarem para nós. Com “Sancta Terra”, “Delirium”, “The Obsessive Devotion”, “Storm the Sorrow” e “The Phantom Agony” fomos conduzidos para o final deste belo espectáculo que não deixou ninguém indiferente; os Epica abandonaram o palco para retornarem pouco depois e nos presentearem com um encore finalizado por “Consign to Oblivion”. Texto: Helena Granjo Fotografia: Helena Granjo Agradecimentos: Prime Artists


A

pós terem lançado o último álbum em Março do presente ano, intitulado “Requiem for the Indifferent”, os Epica voltaram ao nosso país com uma passagem pelo Incrível Almadense e pelo Hard Club, nos passados dias 21 e 22 de Abril, respectvamente. Para os acompanhar na visita ao nosso país integrada na tour, Requiem for the Indifferent European Tour 2012, os Epica fizeram-se acompanhar por Xandria e Stream of Passion, uma noite predominantemente dedicada a vozes femininas. A primeira banda a pisar o palco da Incrível Almadense foram os Xandria com o tema Valentine, extraído do álbum “Neverwordl’s End”. Logo na primeira música apresentada, os fãs acompanharam a banda entoando com entusiasmo a letra do tema, transmitindo que a banda tem seguidores atentos no nosso país. Durante o concerto, a mais recente vocalista Manuela Kraller, cuja expectativa em torno da sua actuação era grande, foi muito bem aceite

perante a plateia presente, inclusive no último tema, quando os Xandria encerraram a sua actuação com Ravenheart. Seguiram-se os Stream of Passion que iniciaram a sua performance com Lost, música do álbum “Darker Days”. Durante toda a actuação, destacou-se a presença enérgica da vocalista Marcela Bovio que esteve sempre em interacção com o público, destacando-se nas músicas Passion e Haunted, temas retirados do álbum “Embrace the Storm”. A surpresa da noite oferecida pelos Stream of Passion, foi apresentarem ao público a sua versão da música Street Spirit, original dos Radiohead. Despediram-se dos fãs portugueses com o tema This Endless Night, o qual anunciava a aproximação do momento mais aguardado da noite, a subida ao palco da banda “cabeça de cartaz”.

tusiasticamente, anunciando aos fãs a grande noite que se seguiria. A performance consistiu sobretudo na apresentação do último álbum, muito bem aceite pelos fãs presentes, que aguardavam o regresso da banda ao nosso país desde 2010. Não esquecendo de presentear os fãs, os Epica tocaram temas clássicos dos álbuns anteriores como Sensorium e Sancta Terra, sempre do agrado da plateia que correspondeu de forma entusiasmada. Foi com um clássico, The Phantom Agony, que os Epica terminaram a primeira parte da sua actuação. Mas a noite não terminaria por aqui… os fãs aclamavam por mais… e ora que os Epica sobem mais uma vez ao palco para finalizar o seu espectáculo com os temas Cry for the Moon e Unleashed. Os últimos acordes de Consign to Oblivion anunciado por Simone Simons, finalizaram uma grande noite de música, à imagem de uma banda como os Epica.

Os Epica subiram ao palco progressivamente com os primeiros acordes Texto: Liliana Quadrado de Karma. O primeiro elemento a Fotografia: Liliana Quadrado entrar em palco, o baterista Ariën van Weesenbeek, foi saudado en-



Infektion Magazine #14 (Maio/Junho 2012)