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ELEMENTOS À SOLTA, LDA Rua Adriano Correia Oliveira 153 1B 3880-316 Ovar PORTUGAL EDITOR Joel Costa DIRECÇÃO / DESIGN & PAGINAÇÃO Cátia Cunha & Joel Costa Elementos À Solta, LDA GESTOR DE MARKETING Davide Gravato CONCERTOS Liliana Quadrado EQUIPA Ana Miranda Anna Correia Bruno Farinha Carlos Cariano Cátia Cunha David Horta Davide Gravato Flávio Santiago Íris Jordão Ivan Santos Jaime Ferreira João Lemos Joana Rodrigues Joel Costa José Branco Liliana Quadrado Marcos Farrajota Mónia Camacho Narciso Antunes Rita Limede Ruben Infante Rute Gonçalves Valentina Ferreira Valter Simões Vanessa Correia William Fernandes FOTOGRAFIA Créditos nas páginas PUBLICIDADE infektionmagazine@gmail.com T. 92 502 80 81

06 em estúdio (belphegor) 08 studio profile (anexo 16) 10 artwork (pedro sena) 14 report oriental metal

57 a penúltima gota 60 infeção urinária de marte 64 reviews

22 Moonspell 26 The Firstborn 32 Job For A Cowboy 34 Enthroned 36 Valkiria 40 Pilgrim

44 Sanctus Nosferatu 48 The foreshadowing 52 The Grotesquery 54 Azaghal 56 Crimson Cult 58 Iodine


Participa na 5ª edição da compilação “Infected”, promovida em conjunto pela Infektion Magazine e Infektion Records. Envia um tema original em formato MP3 ou WAV para infektionmagazine@gmail.com e se fores selecionado só precisas de efetuar um pagamento no valor de 15€ para ajudar nos custos de produção. Em troca recebes meia página de publicidade grátis numa edição digital da Infektion à tua escolha e um exemplar da compilação. As compilações são duplicadas no formato Card Sleeve e limitadas a 100 unidades. As compilações são gratuitas, no entanto quem as quiser receber paga 1€ pelos portes de envio.


Os austríacos BELPHEGOR vão entrar nos “Mana Studios”, em São Petersburgo/Flórida, no dia 29 de Maio de 2012. A banda vai trabalhar com Erik Rutan, que vai ficar a cargo da produção do novo - e ainda sem título - álbum, que será editado no final do ano pela Nuclear Blast Records. Helmuth, vocalista e guitarrista, comenta: “Contactei o Erik pela primeira vez por volta de 2006. Na altura falamos na produção do álbum «Bondage Goat Zombie» mas ele não estava disponível. Desta vez tem que ser! O nosso som, a atitude... a nossa marca, por assim dizer, é a simbiose de tudo aquilo que é extremo e saiu deste glorioso género: Diabolical Black Dea-

th Metal. Desde fevereiro de 2012 que estamos a ensaiar e a compor arduamente. Gravar este novo capítulo com o Erik é perfeito, uma vez que ele sabe exatamente aquilo que queremos. As novas composições estão repletas de intensidade e agressão pura. A combinação da frieza, atmosfera e os elementos doentios do Metal Europeu com o som brutal Americano é o nosso plano. Esta experiência vai ser ultra-doentia! Vou trabalhar com artistas motivados, possuídos e entusiásticos, no sentido de manter a chama acesa em todas as vertentes: produtores, músicos, etc. Sem regras; tudo é permitido. Esta é a razão principal pela qual os BELPHEGOR sobreviveram durante quase 20 anos”.

Erik Rutan, produtor, acrescenta: “Estou muito entusiasmado por gravar e misturar o novo álbum dos BELPHEGOR no Mana Studios. Depois de muitas conversações com o Helmuth e depois de ouvir alguns momentos do novo material, posso dizer que a banda está muito focada e determinada em criar uma obra-prima. Criaremos a besta que os fãs de BELPHEGOR têm vindo a aguardar.” Entretanto os BELPHEGOR manterão os fãs a par dos ensaios e das sessões de gravação através da publicação de notas no site oficial da banda. Fotografia: Nuclear Blast Records


Sediado em Ovar, o Anexo 16 é uma nova solução para bandas que queiram gravar num ambiente profissional e bastante acolhedor. Falamos com o produtor João Baptista acerca deste novo espaço. Como surgiu a oportunidade de criar o estúdio Anexo 16? Era algo com que já sonhavas há muito tempo? No tempo que estive a estudar som procurei especializar-me nesta área o máximo possível de modo a conseguir entrar num mercado extremamente competitivo. Por consequência de no nosso mercado haver muita escassez de oportunidades, apercebi-me que não seria nada fácil e aí então comecei a desenvolver o projeto do Anexo 16.

Foi algo extremamente trabalhoso e as dificuldades foram muitas, mas por essas mesmas dificuldades chego a este ponto e tenho um gosto especial em poder, finalmente, dizer que todo o trabalho valeu a pena. Não podemos esperar que as oportunidades nos batam à porta, é preciso ter uma mentalidade empreendedora para podermos realmente singrar nesta nossa dura realidade. Considero que Portugal tem um ótimo potencial e cada vez mais, conheço novos projetos que

não ficam nada a dever a outros tantos projetos estrangeiros, há muita qualidade. Na tua opinião, quais são as vantagens de trabalhar contigo? E quais os serviços que o Anexo 16 oferece? Talvez a maior vantagem será o meu método. Sou extremamente exigente com o meu trabalho e com as bandas que trabalham comigo. Tento tirar o máximo de cada músico e o meu papel passa por perce-


ber como é que as pessoas funcionam. Ter um musico confortável e à vontade, é meio caminho andado para uma boa gravação. Nesta área tudo conta, é a soma das partes e eu tento ser metódico ao máximo para não deixar nada ao acaso. A nível de serviços, tento sempre primeiro reunir-me com os artistas de modo a encontrar a solução mais indicada para cada um. Estamos a falar de música, onde cada caso é um caso, posto isto e sempre em conjunto, encontramos a melhor solução. Temos um leque alargado de serviços: Gravação em estúdio (demos, Eps, álbuns); reamping; sala de ensaios (com possibilidade de gravação); publicidade (flyers, cartazes, lonas/telas, autocolantes, logos para bombos, etc.); merchandise (t-shirts, sweats, bonés, pins, etc.); produção de jingles para rádio e/ou televisão.

Explica-nos um pouco como funciona o teu método de trabalho. O meu método de trabalho consiste, numa primeira fase, em conversar bastante com os músicos para que não hajam dúvidas em relação ao resultado pretendido. Sempre que possível, antes de gravar ouço sempre a banda em questão, para conhecer a sua sonoridade, perceber as suas dinâmicas e se for o caso, aconselhar os músicos nos pontos que considere importantes. Posteriormente é feito um planeamento cuidado de todas as fases da gravação de modo a que tudo corra da melhor forma possível. Tens alguma novidade ou algum projeto em mãos do qual gostarias de referir? Estou neste momento a trabalhar com os Small Town Syndrome. É uma banda recente mas com ele-

mentos experientes de outros projetos. Este é mais um projeto com muita qualidade e vale a pena ficar atento ao que aí vem, poderão ouvir em breve. Como é que os nossos leitores podem entrar em contacto com o Anexo 16? Através do site www.anexo16studios.com onde além das informações técnicas do estúdio, está disponível uma galeria elucidativa do espaço e formas de contacto. É possível marcar também visitas ao estúdio, além de conhecerem o espaço, podemos conversar e debater ideias para encontrarmos a solução indicada, sem qualquer compromisso. Entrevista: Joel Costa Fotografia: Joel Tavares facebook.com/joeltavaresfotografia


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o ver o teu portefólio pela primeira vez, deu para entender que dás imensa atenção aos pormenores e nada acontece por acaso. Fala-me um pouco acerca do teu método de trabalho e qual a tua técnica favorita. Bem, realmente os pormenores são algo a que dou bastante atenção. Cada desenho tem o seu objetivo e/ou técnica e no meu caso devem ser mesmo os pormenores. Penso que dão bastante vida aos desenhos e que é o que os torna mais “credíveis”, palpáveis, próximo da realidade, sendo um dos meus objetivos. No entanto depende muito que a tipo de ilustração é que estou dirigido, pois isso acaba sempre por variar. Técnica favorita, todos os meus desenhos são iniciados e concluídos com grafite. Por vezes adiciono tinta da china, carvão e outros materiais que possam dar um contraste intenso ao desenho, acabando então pela pintura digital.

acabando então com o resultado pretendido. Já as ideias, é como tudo, vão surgindo. Há umas fases boas, outras más, porém nas más é sempre bom para irmos treinando a percetibilidade do traço e as técnicas em questão (risos).

Como é que as ideias se formam na tua cabeça? Consegues imaginar exatamente aquilo que queres passar para o papel? Felizmente consigo. Por vezes tenho imagens gravadas na minha cabeça e faço um esboço rapidamente num papel, mesmo que não me lembre de detalhes. De seguida vou simplesmente esboçando, fazendo testes do que ficaria bem ou mal,

Como é que os nossos leitores te podem contactar? A maneira mais fiável será enviando-me um e-mail para: slipdro_sena@hotmail.com Ou então contactarem-me para o 919924188.

Falaste-me que neste momento estás mais interessado na divulgação do teu trabalho do que noutros fatores. Fala-nos um pouco disto... Não querendo dar um passo maior que a perna, porque sou apenas um amador, de momento estou a tentar iniciar-me na área da ilustração, no que toca a criação de logótipos, capas para EPs ou demos, fantasia, e outro leque de hipóteses. Portanto penso que primeiro de tudo seja a divulgação do nosso trabalho, mostrando-me disponível para aceitar trabalhos de forma a promover e dar uma imagem característica à ilustração pretendida, para conseguir então divulgar o meu trabalho!

Entrevista: Joel Costa


ORIENTAL METAL VOL. 1 1. Orphaned Land – Sapari (ISRAEL) 2. Amaseffer - Slaves For Life (ISRAEL) 3. Arkan - Deus Vult (MARROCOS / FRANÇA) 4. Pentagram - Lions In A Cage (TURQUIA) 5. Myrath - Merciless Times (TUNÍSIA) 6. Almana Shchora – Elohim (ISRAEL) 7. Nervecell - The Taste Of Betrayal (DUBAI) 8. Khalas - Haz El Adala Mayel (PALESTINA) 9. Nile – Kaffir (ESTADOS UNIDOS) 10. Melechesh - Grand Gathas Of Baal Sin (ISRAEL) 11. Ahl Sina - Fountains Of Muses (EGIPTO)

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Esta compilação, criada por Kobi Farhi (Orphaned Land) e editada pela Century Media Records, reúne alguns dos nomes mais sonantes do estilo oriental, como Orphaned Land, Nile, Melechesh, entre outros. Na altura em que a compilação era lançada, os Orphaned Land recebiam um prémio de paz e amizade da Turquia, pela coragem em cruzar fronteiras, factor que parece ser intransponível para muitos.

Texto: Joel Costa // Fotografias cedidas pelas respetivas editoras

oje em dia, todos nós estamos mais do que familiarizados com o Death Metal Sueco, o Black Metal Norueguês, o Folk da Finlândia, etc. Mas a pergunta que se impõe é: quantos de vocês já ouviram falar de Metal Oriental? (E por Metal Oriental refiro-me ao Heavy Metal do Médio-Oriente, onde os instrumentos e as sonoridades orientais têm uma grande influência nas composições). Quantos de vocês dedicaram a vossa atenção à audição da música que se faz nestes países? Foi a pensar nisso que Kobi Farhi, vocalista dos israelitas Orphaned Land, preparou uma compilação intitulada «Oriental Metal Vol. 1», compilação essa dedicada exclusivamente à divulgação de bandas vindas de países como Israel, Tunísia, Egipto, Turquia, entre muitos outros. Muitas destas bandas certamente fazem parte da vossa lista de favoritos, ou pelo menos alguns dos nomes não vos serão estra-

nhos, no entanto vamos falar um pouco melhor daquilo que é este género musical e quais as suas raízes. O Metal Oriental terá sido criado há 20 anos atrás, quando os Orphaned Land definiram o género. Muitas bandas decidiram então juntar-se a este conceito, tornando-o mais rico, diverso e poderoso. A maioria das bandas que compõem o Metal Oriental têm membros Judeus e Muçulmanos, não significando que os mesmos sejam devotos à respetiva religião. As músicas são cantadas em inglês, hebraico ou árabe, podendo ainda ser ouvidas outras línguas nativas. O melhor de tudo é que estas bandas co-existem pacificamente. Os seus países podem ter conflitos e as suas bandeiras podem transportar cores e símbolos diferentes, mas nos seus corações estão unidos pela mesma bandeira: a bandeira da esperança, da amizade, da fraternidade... A bandeira do Metal Oriental!


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ormados em Israel no ano de 1991, o estilo único desta banda de Progressive Metal do Médio-Oriente acumulou uma imensa legião de fãs no mundo inteiro. Os Orphaned Land utilizam diversas línguas nas suas composições, nomeadamente o Inglês, Hebraico, Árabe, Iemenita, entre outros, bem como um sem fim de instrumentos Orientais e tradicionais como saz, santur, flautas Árabes, bouzouki e cumbus. Esta mistura resulta numa sonoridade exótica, pesada e fascinante. As bandeiras de Israel e do Líbano estão sempre presentes nos seus concertos e na plateia podemos sempre encontrar fãs de todas as etnias e religiões a cantar juntos em Hebraico e

Árabe. Estes fãs exibem também com orgulho tatuagens alusivas à banda, apesar desta situação os colocar em risco nos seus países. O último disco a ser lançado pelos Orphaned Land foi “The Neverending Way Of ORwarriorOR”, que reúne temas como “Sapari”, “From Broken Vessels” e “Disciples Of The Sacred Oath II”, dando ainda lugar a momentos mais orientais e tradicionais, como é o caso de “Olat Ha’Tamid” ou “Bereft In The Abyss”. Para quem tem curiosidade em deixar-se levar por este magnífico género musical, os Orphaned Land são um excelente ponto

de partida, tanto a nível lírico como na complexidade das suas abrangentes composições musicais. Recentemente a banda lançou um DVD intitulado “The Road To Or Shalem”, que exibe um concerto da banda dado no seu país de origem, em Tel-Aviv. Um item a não perder não só para os fãs deste projeto, mas também para quem quiser ser deliciado com a magia que só este género vos pode oferecer. Na compilação “Oriental Metal Vol. 1” participam com o tema “Sapari”. Editora: Century Media Site: www.orphaned-land.com


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om influências e raízes em países como Algéria, Marrocos e Tunísia, os Arkan são uma banda de Paris que decidiram conectar-se musicalmente à região conhecida como Magreb, que reúne os países acima mencionados bem como a Líbia, Mauritânia e o Sahara Ocidental. Foi em 2005 que Foued Moukid, ex-baterista e percussionista dos The Old Dead Tree, uma banda francesa de Dark Metal, conheceu o vocalista e guitarrista Abder Abdellahoum, que tinha pertencido aos Dawn Of Decline. Ambos os músicos partilhavam a mesma visão: misturar Death Metal com sonoridades do Oriente, mais propriamente

com sons étnicos da Algéria e Marrocos. Os músicos decidiram então dar uma nova (e radical) vida às suas carreiras musicais e fundaram os Arkan. Para completar a banda, recrutaram os guitarristas Samir Ramila e Mus Elkamal e encontraram também Florent Jannier, antigo membro dos Whisper-X que assumiu os growls. Estavam assim formados os Arkan e prontos para dar seguimento à sua visão e partilhá-la com o mundo. Para encontrar a fórmula certa para o som, os Arkan passaram algum tempo a aperfeiçoar o seu estilo e em menos de um ano já haviam integrado na sua estrutura musical instrumentos orientais como o oûd, mandola, derbouka, bendir, cajon, bem como vo-

cais tradicionais masculinos e femininos. O registo mais recente da banda data de Abril de 2011. Com edição a cargo da francesa Season Of Mist, “Salam” combina riffs de Metal agressivos com ambientes e atmosferas Árabes, fazendo um jogo perfeito entre os growls poderosos de Florent Jannier e a voz limpa e hipnótica de Sarah Layssac. Na compilação “Oriental Metal Vol. 1” participam com o tema “Deus Vult”, que conta com a participação de Kobi Farhi nos vocais. Editora: Season Of Mist Site: www.arkan.fr


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ormados na cidade de Jerusalém em 1993 por um jovem guitarrista chamado Ashmedi, os Melechesh foram sempre uma banda visionária que inventaram e definiram um género musical muito próprio. A mistura de Black Metal crú com a bateria e as guitarras a irem buscar elementos mediterrânicos, resultou numa demo fenomenal intitulada “As Jerusalem Burns” e no EP “The Siege Of Lachish���, registos que deram à banda alguma popularidade. No entanto, foi o álbum “As Jerusalem Burns… Al’Intisar” que colocou Jerusalém e Bethlehem no mapa do Metal Extremo. Devido a diversas razões demográficas e sócio-políticas, Ash-

medi muda-se para a Europa em 1998. Os Melechesh são uma banda multidimensional que procuram explorar as várias facetas deste sub-género musical. Podemos até mesmo dizer que a banda é a resposta aos pedidos de muitos fãs de Metal Extremo, que não só procuravam algo diferente e honesto como também queriam que a qualidade fosse sobreposta à quantidade. Mais recentemente, foi possível constatar a presença de instrumentos tradicionais nas suas composições, como é o caso de yayli tanbur, Azeri Tar, baglama saz, sitar da Índia e santur Persa, dando ainda lugar à presença

de guitarras de 12 cordas bem como à influência e aura da cidade de Instambul, o local eleito para as gravações da banda. Tudo isto pode ser ouvido e sentido no último longa-duração da banda, “The Epigenesis”, que teve edição a cargo da alemã Nuclear Blast. Na compilação “Oriental Metal Vol. 1” participam com o tema “Grand Gathas Of Baal Sin”.

Editora: Nuclear Blast Site: www.melechesh.com


Formados em 1993 por Karl Sanders (guitarra / voz), Chief Spires (baixo / voz) e Pete Hamoura (bateria), os Nile não precisaram de muito tempo para combinar o seu interesse na história, cultura e conhecimento do Egipto com a ferocidade do Death Metal moderno. Recorrendo a uma abordagem sinfónica para a composição e os arranjos, os Nile atacaram de imediato a cena Metal com uma proposta Death Metal com sons do Médio-Oriente, tendo também as suas letras inspiradas em inscrições Egípcias, esculturas em templos, papiros, hieróglifos e pinturas de túmulos representando batalhas antigas, rituais e cerimónias religiosas. Em 1996, Toler-Wade junta-se à banda

como segundo guitarrista e começam a trabalhar naquele que seria o seu álbum de estreia, “Amongst The Catacombs Of Nephren-Ka”, uma excelente proposta que lhes proporcionou uma tour mundial com os Morbid Angel. Depois de diversos lançamentos, 2009 vê o lançamento da última proposta da banda até à data, intitulada “Those Whom The Gods Detest”, que se define como um ataque maciço de Death Metal combinando tudo aquilo a que a banda já nos havia habituado: brutalidade implacável, mitologia egípcia, interlúdios do Médio-Oriente e duelos de guitarra incríveis. Este é um grande destaque na dis-

cografia dos Nile, bem como na cena atual do Death Metal. Este disco foi editado pela Nuclear Blast Records. No ano o DVD “Making Things That Gods Detest” é lançado, contendo um documentário, um videoclip e alguns momentos em estúdio e em tour. Na compilação “Oriental Metal Vol. 1” participam com o tema “Kaffir”.

Editora: Nuclear Blast Site: www.nile-catacombs.net


Alpha Noir/Omega White, as duas partes de MOONSPELL formam o todo da dimensão humana. Longe de se excluir, acolhem-se. Musicalmente é um álbum inspirado que dá corpo a conceitos e ideias que desenvolve com fluidez sem perder a sua estrutura e algum mistério. Usa a realidade e o mito com mestria e envolve-nos sempre profundamente. Fernando Ribeiro falou-nos um pouco das ideias por trás da música.


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lpha Noir, Omega White são títulos que transportam uma certa atmosfera e que se impõem em dualidade, quase numa oposição Yin/ Yang. Foi nessa perspetiva que os criaram? Acredito que a nossa perspetiva possa ser interpretada por uma data de conceitos e simbolismos que existam nas religiões e culturas, mas isso não quer dizer que tenham estado na origem das nossas ideias. O que se procurou com Alpha e Ómega, musicalmente falando, foi dividir Moonspell nas suas duas metades e estendê-las cada qual sobre a sua luz com um muro invisível entre as duas. Este disco duplo é manifesto da nossa fome em nos representar a nós, enquanto criadores, o mais possível antes de chegarmos às contas públicas. Ter ambas as naturezas da nossa música contempladas, cada qual sobre a sua luz foi o que procurámos fazer. Liricamente o Alpha fala de uma espécie de recomeço, do abandonar progressivo, por exclusão da partes, das direções que nos são dadas todos os dias por homens que são menores. O Noir diz-nos que esse começo não será fácil. O Ómega é o abrigo das nossas

emoções mais pessoais, pessoas que partiram, desejos que não realizámos. É White porque procura a mesma paz que se encontra quando murmuramos algo a alguém, algo que não conseguimos calar. Ainda assim, a face mais visível e dominante continua a ser “noir”. O lado negro tem mais poder? Depende. Pessoalmente vejo o Alpha como um disco mais motivacional, que alerta para o perigo do conformismo e da perda do individualismo que nos caracteriza enquanto ser humano. Não adianta ir à manifestação na rua se de seguida vamos para o café vadiar. Sempre trabalhámos o lado solar e lunar das coisas e há continuidade neste novo disco. O lado que tem mais poder é o fator humano que alberga ambas as nossas naturezas, é desse que falamos e não de uma apologia de um pretenso lado negro e do seu poder estelar. Falamos sim de uma plenitude que o acolhe. A capa de Seth Siro Anton é uma obra de arte cheia de subtileza e poder. Os cisnes evocam as emoções por trás

do “lago dos cisnes” (cisne branco/cisne negro)? Nunca nos ocorreu essa comparação apesar de ser a segunda vez que nos perguntam sobre isso. Eu e o Seth pensámos neste design juntos e trocámos muitas coordenadas filosóficas e culturais mas nem por uma vez mencionámos o lago dos cisnes. Em todo o caso todo o nosso trabalho é simbolista, e o Seth encarna essa tendência no seu trabalho. Ele tem sempre carta branca para apresentar o seu grafismo e também eu vejo imensa coisa que provavelmente nem lá está, só na minha cabeça, desde as figuras na capa que ninguém sabe se vão beijar ou atacar, até à Deusa prostituta da Pérsia que aparece muitas vezes no Ómega e que me lembra sempre uma estátua que encerra um jazigo no Alto de S. João que o Seth nunca visitou. Arte é interpretação, felizmente. O lobisomem continua a ser um mito fascinante no nosso imaginário? Para nós, obviamente. Representa o nosso contacto com um animal que nos pode ensinar muito a nível de comportamento em grupo sem nunca deixar


a sua individualidade selvagem. Os mitos mundiais são férteis mas em Portugal também temos a nossa quota parte de skincrawlers ou shapshifters, nas aldeias de Trás-os-Montes, nas encruzilhadas minhotas. Acima de tudo é uma história, esta canção, uma apropriação de um mito ou fábula com uma moral: a de que gostamos do que gostamos e a de que somos o que somos, recusando a salvação de uma sociedade conservadora como a Portuguesa, onde até pessoas que ouvem o mesmo estilo de música que tu, passam a vida a moralizar e a tentar indicar-te o caminho. Como surge a colaboração com o realizador Filipe Melo? Já tínhamos trabalhado com o Filipe exatamente há dez anos no teledisco do I will see you in my dreams. Liguei-lhe e ele aceitou de imediato. O tema prestava-se a uma aproximação mais clássica, sem CGI, ou chroma, com atores, cenário, planos coreografados. Toda essa energia e essas ideias vieram do Filipe que aproveita também para homenagear as suas influências cinematográficas. Do que vi do teledisco que estreia em final de

abril devo dizer que se fez um pequeno filme, algo que pelo seu carácter apaixonado e pelo que toda a gente pôs, com sacrifício, em 20 horas de rodagem seguidas, que terá um impacto gigante e que será muito importante também para levar este tema e este disco ainda mais longe. Porque optaram pela língua portuguesa na música “Em nome do medo”? Teve uma relação direta com o projeto que eu, o Pedro Paixão e o Sidónio dos Bizarra fizemos para a Optimus Discos com a poesia do Miguel Torga, o Orfeu Rebelde. Foi uma experiência passageira mas que deixou algumas marcas, em especial pela utilização do Português num registo mais duro. O desafio foi trazer tudo isto para o universo do Alpha mas desde que ouvi o instrumental deste tema que soube de imediato que uma letra simples mas sentida e sobretudo inteligível em Português tornaria este tema mais forte e, na minha opinião, um dos melhores do disco. Podes falar um pouco sobre “Opera Carne”? É um tema que reflete bem a in-

fluência Thrash que trouxemos, não por o Thrash ser popular outra vez, mas para emprestar Dinâmica e frescura aos nossos temas. Esse riff inicial entra harmoniosamente com uma atmosfera bem mais Moonspell e também é um tema que nos agradou muito quando o finalizámos. A letra remete para a obra da carne, para as decisões baseadas na luta entre o desejo e a razão e como as fronteiras entre ambos se desvanecem mais vezes do que nós alguma vez pensaríamos... E o amor, é mesmo uma blasfémia? No sentido dessa canção sim. Ela evoca a entrada de Cristo numa cidade que antes dessa visita estava bem, vivendo, lutando, amando, na nossa luta quotidiana entre bestialidade e necessidade de superação. O mensageiro do amor chegou e cidade ficou devastada. “Sine Missione” é uma belíssima composição. Marca a transição para “Omega White”? Trabalho dos músicos, Pedro Paixão à cabeça. Acredito que marque mais o fim do Alpha do que


uma transição. É definitivamente uma música de saída e lembra-me o trabalho feito no Memorial com Proliferation. Acho que saiu bem melhor do que muitas bandas que confiam na orquestra para lhes dar grandeza mas esquecem-se que origem está sempre na dedicação e imaginação posta na composição. É uma música que marca a saída da arena que é o Alpha. Jean Rouch fez um documentário chamado “Alpha Noir”. Existe alguma relação com o vosso “Alpha Noir”? Não conheço o Jean Rouch nem o seu trabalho. Também vi na Internet, depois de me ocorrer o título, só para verificar que nenhuma outra banda o tinha. Mas não, nenhuma relação. Como conheceram Tue Madsen? Trabalhou connosco no Under Satanae e depois no Night Eternal. É uma pessoa excelente, com uma paciência e dedicação que só rivaliza com o seu talento. Foi um trabalho duro e intenso nestes dois discos mas acho que também ele ficou apaixonando pelo desafio de ter texturas e sons diferentes para o disco. Fez

um trabalho excelente e continuamos a contar com ele. A música é mais poderosa quando apoiada num conceito? Para mim, música que não sirva um conceito, uma história para contar, um sentimento que se estruture na letras e canções, não entra no meu radar. Moonspell terá sempre um conceito que explorar nos seus discos. Quando essa fonte secar, a banda para e morre. Toda a música que ouço é conceptual, entre os meus discos preferidos estarão sempre discos como Abigail (King Diamond) ou Hammerheart (Bathory). Com que perspetiva encaram o concerto de 12 de maio no Campo Pequeno? Com a expectativa de dar mais um passo e apresentar no nosso país um espetáculo em grande, sem medo de falhar, sem preconceitos e mostrar onde os Moonspell chegaram apesar de todos os obstáculos e das vozes negativas. Estamos já a trabalhar intensamente para que se reúnam as condições todas para uma noite em que os nossos fãs, quem realmente acredita e

gosta de ajudar os Moonspell a chegar mais longe tenham todos uma experiência com que nos possamos motivar ainda mais e claro orgulhar. Que diferenças encontram entre o público português e o público estrangeiro? Os públicos são todos diferentes. Até de cidade para cidade, quanto mais de país para país. O nosso tem as suas qualidades e os seus defeitos tal como todos os outros, tal como as bandas que vão ver, Moonspell incluído. Mas, na verdade, é com orgulho que vejo que Moonspell já tem um público em Portugal que nos quer ver, comprar os nossos discos, sem queixume, sem compromissos, sem se acharem mais ou menos por isso. A esses agradeço profundamente.

Entrevista: Mónia Camacho Fotografia: Paulo Moreira


“Lions Among Men” é a nova proposta dos nacionais The Firstborn. Estivemos à conversa com o vocalista Bruno Fernandes, que partilhou connosco alguns pormenores relacionados com esta fantástica edição!


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arabéns pelo novo disco! Parece-me que com esta nova proposta os The Firstborn encontraram um bom equilíbrio entre a sonoridade e a temática do mesmo. Fala-nos um pouco deste processo... “Lions Among Men” foi algo difícil de se fazer? Muito obrigado, e devo dizer que concordo em absoluto relativamente ao equilíbrio conseguido. Quanto ao processo, talvez substituísse o “difícil” por “moroso”... embora o trajeto estivesse já bem delineado, a nossa escrita não é de todo estanque e continua a envolver uma grande percentagem de tentativa e erro, o que envolve demasiadas variáveis para que consigamos estipular um prazo verosímil para dar por concluído um tema, quanto mais um disco. Ainda assim, o conceito está cada vez mais consolidado, o que nos confere uma base de trabalho bastante sólida, em claro contraste com o passo no escuro que foi, por exemplo, o «The Unclenching of Fists». Procuramos, obviamente, que essa mesma pedra basilar não se torne numa condicionante que nos conduza à estagnação criativa. Em “Lions Among Men” o budismo está mais uma vez presente nas vossas letras e na própria energia da música com que nos brindam. Escolheste alguma doutrina ou escola em particular para as letras?

Para este «Lions Among Men» baseei-me bastante na escola Mahayana, o “Grande Veículo” da filosofia Budista. Esta engloba uma míriade de doutrinas divergentes e até antagónicas, mas todas partilham o mesmo princípio base: a Iluminação como benefício de todos os seres, e não apenas do indivíduo. É curioso que refiras a questão da energia contida na música, foi precisamente um dos pontos em que mais insistimos ao longo da composição do disco... que cada nota transmitisse uma energia condizente com a mensagem veiculada nas letras. Fico muito satisfeito ao constatar que, em maior ou menor escala, o tenhamos conseguido. Dirias que vocês são uma banda de ambiente, no sentido em que depositam imensos tipos de energia nas vossas composições? Como é que consegues transmitir este ambiente e este feeling através da música? Como disse, foi algo intencional. Neste disco, não bastava que o riff fosse bom ou que a ponte soasse bem... era imperativo que nos transmitissem algo paralelo ao conteúdo das letras, para que assim funcionassem como um todo. Foi, aliás, um dos nossos objetivos para o «Lions Among Men» – que todos os elementos interagissem entre si como parcelas de um todo homogéneo e coeso.

Como é, para uma pessoa espiritual como tu, viver num Mundo cheio de regras? Mais que uma “pessoa espiritual”, considero-me um membro da sociedade e procuro viver como tal. As regras existem desde sempre, e não deixa de ser curioso constatar até que toda a religião acaba por ditar, ainda que veladas, as suas regras para o comportamento do Homem em sociedade... que são os Dez Mandamentos bíblicos senão um conjunto de regras primordiais? O próprio Corão foi revisto, transformando-se gradualmente em guia de conduta social, sendo adaptado pelos poderes seculares para assim facilitar a transmissão dos códigos de conduta que pretendiam incutir ao seu povo. Ou seja, até a própria espiritualidade acaba por ser subvertida à necessidade de imposição dessas regras elementares, sendo que nas primeiras civilizações as fronteiras entre o secular e o temporal eram, também por isso, muito ténues. As regras permitem-nos funcionar em sociedades gregárias, e pensar que é possível fazê-lo de outra forma é, infelizmente, mera utopia. Isso não me impede de cultivar a espiritualidade no meu quotidiano, no entanto – pelo contrário, até reforça essa necessidade. Este álbum foi gravado no MDL Estúdios e, segundo li, o período de gravação foi algo longo. Porquê? E estás satis-


feito com o resultado final? O resultado não poderia ter sido mais satisfatório, o André Tavares fez um trabalho exemplar e teve uma paciência quase infinita para o nosso perfeccionismo... que foi uma das razões para o processo se ter arrastado durante aproximadamente seis meses. Outro dos fatores a considerar foi o facto de esse período ter sido pontuado por várias pausas, não foram seis meses efetivos de trabalho. Ainda assim, foi um trabalho moroso mas gratificante, e resultou num álbum que ainda hoje nos satisfaz plenamente e cujo som tem sido amplamente elogiado por todos. Fala-nos um pouco do título escolhido: “Lions Among Men”... “Lions Among Men” é uma das designações, na tradição Budista, para os bodhisattvas (aqueles que estão no caminho para a Iluminação). Pessoalmente, creio que todos temos o potencial de nos tornarmos esses mesmos “leões entre homens”, se aprendermos a dar valor ao que é realmente importante e deixar de parte o supérfluo e o inatingível. Aprendamos a apreciar o que temos e quem somos, e estaremos no caminho para sermos pessoas mais felizes e sábias, o que para

mim corresponde claramente a um estado mais “iluminado”. “Lions Among Men” teve edição a cargo da Rastilho Records. O facto de terem assinado por uma editora nacional vai condicionar a vossa exposição no mercado internacional ou este tipo de barreiras já são coisa do passado? Creio serem, como dizes, cada vez mais uma coisa do passado. Com a banalização do e-commerce e da plataforma digital as fronteiras físicas tendem a esbater-se e as pessoas compram a música de que gostam, venha ela de onde vier. Obviamente seria mais simples chegar ao público estando numa das grandes editoras alemãs ou americanas, mas a Rastilho tem vindo a fazer um ótimo trabalho de promoção pelo que creio termos feito a escolha acertada. É uma editora que prima pelo ecletismo do seu catálogo e por um vincado sentido de perseverança (ou teimosia, consoante a perspetiva), e encontro nesses fatores um claro paralelo com aquilo que é também a essência de The Firstborn. O que se segue para os The Firstborn? Alguma ação na estrada, presumo... Haverão certamente alguns con-

certos de apresentação deste «Lions Among Men», mas para já a única data confirmada é no próximo dia 29 de abril, na 15ª edição do SWR Barroselas Metalfest. Primaremos pela qualidade dos espetáculos (ou assim tentaremos) e não pela quantidade, portanto se tiverem alguma curiosidade em ver como soa este «Lions Among Men» ao vivo, não deixem para depois. Aproveito para anunciar que temos os nossos últimos três álbuns, «The Unclenching of Fists», «The Noble Search» e «Lions Among Men», disponíveis para download em alta qualidade na nossa página no Bandcamp. Pagam o que entenderem, se quiserem deixar um contributo para apoiar a banda será ótimo, mas mesmo que escolham levar os discos sem pagar preferimos que o façam através de nós, ao invés de recorrerem a um qualquer site de qualidade duvidosa (em que os mp3 estão frequentemente demasiado comprimidos e mal editados)... assim poderão ouvir os álbuns como nós pretendemos que o sejam: claros, orgânicos e poderosos.

Entrevista: Joel Costa Fotografia: Viral Propaganda


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Depois de terem conseguido bom tempo de antena com o lançamento de 2009 «Ruination», os norte-americanos JOB FOR A COWBOY estão de volta com «Demonocracy», um registo poderoso e muito completo que traz consigo tudo aquilo que a banda foi capaz de dar. Falamos com o vocalista Jonny Davy a respeito do novo registo.


P

arabéns pelo vosso novo trabalho. Para mim, “Demonocracy” é o álbum mais completo que os JOB FOR A COWBOY alguma vez fizeram. Como vês este novo disco? Dirias que “Demonocracy” foi melhor conseguido que “Ruination”? Sem dúvida! Acho que posso afirmar que se ouvires os dois álbuns em contraste um com o outro, vais conseguir ver uma grande diferença em termos de maturidade. Estivemos imenso tempo à volta deste disco e estamos muito orgulhosos do mesmo. Fala-nos um pouco do conceito de “Demonocracy”... Em que se inspiraram para criar as novas músicas? As letras mantêm-se idênticas ao que fizeram nos trabalhos anteriores? As letras têm uma atitude muito política, tal como foi visível no “Ruination”. Nos géneros musicais extremos, as bandas têm a tendência de cair sempre nos mesmos estereótipos, como por exemplo violência, morte, zombies... Acho que já

percebeste a ideia. Sempre respeitei bandas como os Napalm Death ou os Misery Index, que escrevem sobre a realidade e os verdadeiros males do nosso Mundo. Qual a história por detrás da personagem da artwork? O que é que esta figura metade-humana / metade-cabra significa para vocês? É um tributo aos Iron Maiden e ao “Eddie” que está sempre relacionado com a artwork deles. Atingiram todos os objetivos propostos com “Ruination” (2009)? Gostaria de acreditar que sim. Esse ciclo foi muito divertido e foram provavelmente os melhores anos da banda. Entre os lançamentos de “Ruination” e “Demonocracy” lançaram dois EPs. Quão importantes foram estas edições para os JOB FOR A COWBOY? Honestamente, não tão importantes como os nossos full-lenghts. Só gravamos os EPs para nos divertirmos.

Na tua opinião que papel teve Jason Seucof (produtor) no processo de crescimento da banda? Respeitamos muito o Jason. Quando estamos no estúdio dele vêmo-lo como o sexto membro da banda. Respeitamos muito a sua opinião e as suas ideias. De momento encontram-se em tour. Como estão a correr as coisas? Muito bem e com muitos bons momentos. Já somos grandes amigos de todas as bandas! Gostarias de dizer algo aos fãs Portugueses? Ouçam o nosso novo álbum, “Demonocracy”! Mostrem aos vossos amigos! Demonocracy saiu no dia 6 de Abril pela Metal Blade Records. http://www.facebook.com/jobforacowboy

Entrevista: Joel Costa Fotografia: Tom Couture


O trono permanence ocupado e o espírito reinante continua a ser Satã. «Obsidium» é o novo álbum de Enthroned que mantém a sua identidade intacta.

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odemos falar um pouco da escolha de “Obsidium” para o título deste novo álbum? Nornagest: Obsidium representa duas coisas. Por assim dizer os dois lados da mesma moeda: Bloqueio, uma posição do ponto de vista militar e ao mesmo tempo, conquista e sabedoria dentro deste facto, de um ponto de vista oculto. A escolha deste conceito é por isso óbvio para nós.

O ideal satânico ainda é uma influência para Enthroned? Sim, e será sempre já que é o que somos, e a razão de existir de Enthroned. Qual foi a primeira música a ser criada para Obsidium? Deathmoor. Pode falar-nos da música “The Final Architect”? “The Final Architect” é um título sobre a definição do ser no

decorrer de algumas experiencias e o resultado disso através da destruição de alguns obstáculos específicos e desafios que nos conduzem ao homem em que nos tornamos. A voz é muito importante no resultado final da personalidade deste álbum. Tiveram isso em consideração ao criar a música ou foi algo que surgiu apenas com a interpretação?


A voz é muito importante, talvez mais importante do que os outros instrumentos, já que é o meio pela qual a mensagem, os sentimentos e a aura da banda se tornam uma realidade. Por isso, é óbvio dizer que é o elemento que lidera em qualquer tipo de música feita com alma e coração. Na última faixa a voz é clara e as palavras declamadas, porquê esta mudança na vocalização face ao resto do disco? Deve-se ao conceito contido na letra, a dualidade pela qual um ser tem de passar para se encontrar. Ser o caçador e a presa. Neste caso a presa porque nos referimos a um personagem cristão que tenta encaixar-se aos olhos dos outros, alegando fidelidade ao oculto, mas claro que falha porque é fraco. Isto de uma forma genérica, porque a ideia é mais profunda, claro. A bateria foi sempre um instrumento emblemático na banda. E este álbum mostra que mantém o seu lugar preponderante na estrutura musical. É influência de legado? Ou é a personalidade musical de Garghuf que vem ao de cima. O Garghuf tem o seu próprio toque e as suas ideias, todos os

bateristas tiveram. Esta é uma regra elementar em qualquer banda deste género, diria eu. Por isso não é algo que Enthroned esteja a fazer a um nível específico, mais do que com as guitarras ou o baixo ou outra coisa. Tudo é importante. A banda já não tem nenhum dos seus membros fundadores. Porquê manter a banda em vez de criar uma nova? Porque a força criadora que tem feito, composto o principal conceito, música e tudo o mais em Enthroned nos últimos 17 anos, ainda está presente. O que importa se os membros originais já lá não estão se o criador daquilo em que Enthroned se tornou ao longo de 20 anos ainda lá está? E porquê criar uma banda nova se a música e o conceito continuam os mesmos? Diz-se da vossa banda, que faz Black Metal inteligente. O que é para vós a inteligência na música? Eu pessoalmente nunca disse isso, mas para mim a música inteligente é aquela que é feita com honestidade com base numa relação musical e numa combinação de dois níveis perfeitos de osmose. Uma banda que faça o que tem de fazer sem tentar encaixar-se ou trair

o que são por outras razões que não sejam aquelas pelas quais se juntaram. A vossa banda tem um certo ar cénico. A imagem dos músicos é importante no conceito da banda? Claro, porque mostra quem somos e quem sempre fomos. Não usamos fantasias, apenas acrescentamos alguns elementos como a tinta para conferir elementos ritualistas às nossas cerimónias, tal como faríamos em rituais privados. Tocar ao vivo é também um dos vossos pontos fortes. Querem partilhar algo relativamente à tour deste álbum? Estamos a trabalhar nela, algumas datas já estão planeadas para a Roménia e para o Reino Unido e estamos a agendar tours para a Europa e para o outro lado do atlântico brevemente.

Entrevista: Mónia Camacho Fotografia: Sure Shot Worx


O prolífero Valkus Valkiria resolveu parar para respirar e aprimorar o produto final a todos os níveis. A Infektion teve o privilégio de conversar com o mentor do projeto que nos explicou o que mudou em “Here the Day Comes”.


Como apresentarias “Here the Day Comes” aos leitores da Infektion? Trata-se de um álbum conceptual? Sim, é. O conceito do novo álbum é baseado num único dia, em que cada canção corresponde a um período definitivo da vida. Comecei por compor uma única canção, bastante longa, e, em seguida, dividi-a nas sete faixas que se podem encontrar no CD, cada uma delas relacionada com um momento do dia e da vida. O conceito final é representativo do quão efémera é a vida. Cada dia que vivemos poderia ser sintetizado num dia longo, o que não significa que no nosso ponto de vista “carpe diem”, mas simplesmente: seja paciente, vida terá acabado antes que possas ter dado conta. Desta vez demoraste três anos a lançar o álbum. Quais foram as razões? Fomos muito prolíferos nos últimos cinco anos, produzindo quatro álbuns e uma demo. Isso deveu-se principalmente ao facto de em 1998 termos iniciado uma pausa que durou oito anos e, em seguida, era natural que reagíssemos desencadeando todas as nossas energias criativas que estiveram comprimidas por tanto tempo. Depois de lançarmos o “Upon this Earth” era tempo de podermos respirar um pouco, considerando o que foi feito e o que ainda poderia ser feito.

Pela primeira vez, Valkiria gravou com um baterista verdadeiro. Qual a razão da escolha de Giuseppe Orlando (dos Novembre), que também misturou o álbum? Sempre admirámos o estilo dele porque é único. A bateria programada foi nossa opção por muitos anos, e só um baterista talentoso como ele poderia fazer-nos mudar de opinião. Ele é definitivamente o baterista perfeito para a nossa música. O facto de que temos gravado no seu estúdio significa que ele é também um excelente engenheiro de som. Depois de terem ganho notoriedade no underground, com quatro álbuns autofinanciados, finalmente são editados pela Bakerteam Records. Como foi o vosso acordo? Em que aspetos este contrato pode fazer evoluir a música de Valkiria? Sempre fomos uma banda não conformista, optando por nunca nos amarrarmos a uma editora até ao ano passado. Mas depois de “Here the Day Comes” decidimos fazer mais em termos de promoção, porque seria lamentável se este álbum não atingir o maior número possível de ouvintes. A Internet foi nosso único canal de promoção até agora, por conseguinte, entrámos em contato com algumas editoras e a Bakerteam foi aquela com a melhor proposta. A única diferença do passado é que estamos a aumentar a nossa

visibilidade, o que não vai mudar nada em termos de abordagem musical. Desde a vossa formação, em 1996, muita água correu. Em 2012, podemos considerar que se estão paulatinamente a afastar de um projeto a solo de Valkus Valkiria para se tornarem numa banda completa? Comecei como um projeto a solo, mesmo que era essa a minha intenção. Outros músicos capazes são sempre bem-vindos. Como tal, estamos dispostos a adicionar outros membros permanentes à banda, porque acreditamos que, por vezes, sermos dois é um limite mínimo. Tornar Valkiria numa banda ao vivo é um passo natural? É uma ideia que nos atrai muito. Tocar ao vivo seria excelente, infelizmente, as dificuldades são muitas. A oportunidade de fazer uma tournée decente não surge ao virar da esquina. Além disso, hoje torna-se cada vez mais difícil cobrir mesmo que apenas parte dos custos de uma tour. Acho que podemos apenas trabalhar e esperar que alguma coisa boa possa acontecer, que nos permitirá superar todos os obstáculos. Para o novo álbum, houve a preocupação em que a gravação, produção e mistura significassem um passo em frente? Fizemos as coisas corretamente


desta vez para que o resultado final fosse um trabalho profissional. Misturámos e gravámos a bateria no estúdio Outersound. Confiámos a mistura ao Jens Bogren que hoje em dia é um dos melhores produtores de Metal na Europa. E estamos muito satisfeitos com o resultado final. Outra mudança notória foi vosso cuidado com a imagem e artwork, reforçada pelo belo videoclip que fizeram para “Sunrise”. Como foi o processo de criação visual para este disco? Originalmente, eu criei uma capa com um monte de imagens coladas a representarem uma espécie de cemitério com algumas criaturas em sofrimento. Mas como não estávamos satisfeitos com o resultado final, decidimos alterá-la. Foi então que encontrei a imagem ideal na internet, pela qual me apaixonei. As cores são lindas e bastante intensas, a luz que é filtrada só pode ser a do amanhecer, que é exatamente o mesmo estado de espírito do conceito do CD. O vídeo sintetiza parte do conceito: “Sunrise” é a juventude masculina, que é mostrada pela meni-

na que quer saber a verdade e fica chocada, e que só vai encontrar a paz quando voltar para a água, o que representa o conhecimento e a sabedoria e também o fim, porque quando estes são plenamente atingidos: então chega a morte. Sinto que o som de Valkiria cresceu de forma bastante significativa, de uma abordagem mais Black Metal (no início) para um Dark Epic/Gothic Metal – se bem que sempre focado na atmosfera. Como explicas essa evolução e o denominador comum da “atmosfera” sempre presenta na vossa música? A música é emoção e isso gera atmosfera que é obviamente diferente dependendo da sensibilidade do ouvinte. A atmosfera criada por Valkiria destina-se a levar o ouvinte a uma dimensão diferente, para escapar da opressão deste mundo. Provavelmente muitas pessoas comparam o vosso som com Katatonia, especialmente na era “Brave Murder Day”. Mas consigo identificar também uma faceta emocionalmente forte bem mediterrânica, que, por exemplo Novembre também

tem. Quais são as vossas principais influências hoje em dia? Nós somos influenciados por muitas bandas e as que mencionaste tiveram um papel muito importante, sem dúvida. Quanto ao som mais mediterrânico, pode tratar-se de uma influência inconsciente pelo facto de ter nascido no sul de Itália, mas, em geral, não concordo com aqueles que relacionam um género musical com uma área geográfica específica. Acontece também que muitos músicos tendem a inserir soluções específicas (instrumentos tradicionais ou vocalizações...) na sua sonoridade, forçando uma ligação música-território, mas na minha opinião, a maior parte das vezes, o resultado não é espontâneo. Algumas palavras finais? Obrigado pelo apoio e espero poder vir a tocar no vosso país em breve. Entrevista: José Branco Fotografia: Bakerteam Records


“Misery Wizard” é o álbum de estreia dos norte-americanos Pilgrim. Falamos com o vocalista e guitarrista The Wizard sobre este novo e aliciante projeto.


P

arabéns pelo vosso álbum de estreia. O que pensas em relação a este novo lançamento? Obrigado. Estamos aliviados por finalmente o termos editado. Porquê “Pilgrim” (peregrino)? Consideram-se como peregrinos na cena Doom Metal? Sim, somos peregrinos tanto na cena Doom Metal como na nossa jornada pela vida juntos como amigos. Lançaram um EP e um Split antes de “Misery Wizard”. Quão importantes foram estas edições para a banda e para os vossos seguidores? Foram bastante significativas. A demo tape foi algo excitante pois nunca tínhamos lançado a nossa música em formato físico. O split também foi algo muito bom de se fazer porque gostamos muito de Ice Dragon, tanto da música como deles enquanto pessoas. Queríamos que esse Split representasse a amizade entre as nossas bandas e acredito que represente. Gravaram a vossa primeira demo sem o Count Elric no baixo. Até que ponto é que ele se tem envolvido no processo de composição? Todas as músicas neste disco foram criadas antes do Elric se ter juntado à banda, por isso tem-se envolvido muito pouco. No entanto, no nosso próximo disco, vamos mostrar algumas das suas habilidades na composição!

Sim, estamos todos muito contentes. O disco acabou por não sair exatamente como queríamos, mas aprendemos a gostar dele. O que te deixa mais orgulhoso em “Misery Wizard”? O facto de termos conseguido terminá-lo! Este álbum tem um som muito solto! Foi essa a intenção? Passar para o estúdio aquilo que são quando tocam ao vivo? Não era esse o objetivo, mas acabou por se desenvolver dessa forma. Estavamos em estúdio sob o efeito de anfetaminas e o Krolg estava doente, com gripe ou uma coisa assim, e então fizemo-nos ao trabalho à velocidade da luz até que passado uns dias foi tipo “Foda-se, acabamos. Fixe!”. Ainda bem que tivemos um produtor para nos ajudar. O dia-a-dia dos membros da banda tem algum peso na música que criam? Um pouco, não muito. Talvez no sentido em que somos pessoas muito miseráveis. Tentamos não o ser mas é difícil quando o teu mundo é repugnante. No teu entender, o que mudou na cena Doom Metal? Não gosto de falar de cenas musicais. Sou demasiado novo e inexperiente, pelo que não sei absolutamente nada de cenas musicais.

Qual é a tua abordagem favorita para escrever as letras? Quais são os teus temas prediletos? Demonologia, espadas e feitiçaria, aliens, conspirações, a merda do noss mundo... coisas deste género. São como filtros para aquilo que eu tenho a dizer.

Fala-me dos vossos planos... Podemos contar com uma tour Europeia este ano? Sim. Vamos estar em Copenhaga no festival Heavy Days in Doom Town e depois em Oslo com algumas bandas cujo nome não me ocorre de momento (risos).

Este álbum oferece-nos alguns riffs de guitarra muito bem conseguidos. Estás satisfeito com esta performance em particular?

Entrevista: Joel Costa Editora: Metal Blade


Os Sanctus Nosferatu são uma banda açoriana de black/death metal e lançam agora o seu primeiro longa-duração, “SAMCA”, um assalto explosivo de black/death metal. O baixista Nuno Carreiro, mais conhecido por “Terceirense”, esteve à conversa com a Infektion.

A

banda aparece em 2002. Como se juntaram? A banda forma-se em 2002 comigo e com o Hélder. Posteriormente, aconteceram diversas entradas e saídas de elementos até à formação atual. Fico extremamente feliz por ter na banda

os dois guitarristas com quem comecei a dar os primeiros acordes. A entrada da Camila trouxe-nos singularidade e mais melodia, ao passo que a entrada do Nuno Costa permitiu-nos uma maior velocidade de execução e Groove.

Porquê o nome “Sanctus Nosferatu”? O nome tem por base a mitologia vampírica, assentando no Clã Nosferatu. O termo “Sanctus” surge para conferir maior grandeza ao nome, pois as nossas letras relatam o início do domínio do clã


Nosferatu sobre os restantes clãs. Um facto original na banda é o da voz da banda ser do sexo feminino, capaz dos mais terríveis guturais, mas também de uma beleza melódica e limpa. Isto traz alguma caraterística diferenciadora em relação às outras bandas de death/black metal? Este facto permite-nos, sem dúvida, dispor de mais soluções em termos de composição musical (relativamente à conciliação da melodia com a agressividade, não só a nível instrumental mas, também, a nível vocal) e imagem da banda.

porte aéreo para tocarmos fora dos Açores, implica um aumento exponencial dos custos. Por incrível que pareça, sai mais barato trazer a Lisboa uma banda, por exemplo, alemã com nome firmado no metal do que uma banda underground açoriana. Parece ridículo, mas é a realidade num país que se diz democrático mas que mantém monopólios absurdos como a SATA. Relativamente a outras formas de promoção enquanto houver internet está ok (risos).

Quais são as vossas principais

Que pensam do estado atual do metal em Portugal, e do death/ black, mais propriamente? Atualmente, existe em Portugal um leque relativamente significativo de bandas de enorme

influências musicais? As nossas principais influências são Cradle of Filth, Dimmu Borgir, Iron Maiden, Hecate Enthroned, Immortal, Slayer e Death.

qualidade, qualidade essa não só demonstrada “dentro de portas” como no estrangeiro, nomeadamente W.A.K.O., Corpus Christii e Switchtense.

Por serem das ilhas, têm mais dificuldade em se mostrar ao mundo? Existe, de facto, mais dificuldades em meios mais pequenos? Uma das principais dificuldades sentidas aqui em São Miguel é o pequeno número de eventos musicais direcionados para o metal, resultando numa menor rotatividade em palco, que aliada à nossa localização geográfica, pois dependemos de um meio de trans-

Passados 10 anos, lançam o primeiro álbum. Não é tempo demais? Teve a ver com as constantes mudanças no princípio da formação? Um dia alguém disse: “Tens todo o tempo do mundo para lançares o primeiro álbum. Depois desse é que já não se sabe”. Sou sincero em afirmar que ninguém queria que o primeiro registo surgisse 10 anos após a formação da banda, mas diversos imprevistos apare-

ceram. Daí a demora. Contudo, não pensamos sobre isso. Estamos concentrados na promoção do álbum, em fazê-lo chegar ao maior número de pessoas possíveis e tentar firmar o nosso nome no metal nacional. Posteriormente, outros objetivos surgirão. Estamos bem cientes do longo e árduo trabalho que temos pela frente. Qual é o balanço desta primeira década de existência? O balanço terá que ser necessariamente positivo, senão a banda já não estaria no ativo. Participamos em algumas compilações, vencemos um concurso, tocamos ao lado de algumas bandas do nosso gosto pessoal, mas isso pertence ao passado. Com o lançamento

deste álbum, uma nova fase irá iniciar-se e é nessa que estamos super concentrados. Existem diferenças entre a vossa promo “Revelation” e o “SAMCA”. Porquê a mudança de sonoridade? A alteração da sonoridade deve-se, numa primeira instância, à evolução natural dos membros da banda, quer a nível técnico, como a nível de preferências musicais. Tornámo-nos uma banda mais sólida com uma sonoridade mais à nossa imagem e com maior consistência. Quem é o principal compositor


das letras? Porquê os temas da mitologia vampírica? Como principal compositor das letras e, tendo eu por base o black metal, principalmente Cradle of Filth, em termos líricos o vampirismo é uma temática por mim explorada há diversos anos. Felizmente a mesma enquadra-se com a sonoridade da banda. E todos participam na composição das canções? Como as constroem? Os temas são compostos de forma aleatória. Por vezes nos ensaios surgem riffs ou um dos elementos compõe um tema quando está em casa a tocar sozinho. Não temos fórmula para composição (risos). O último tema do albúm, “Reflection”, distingue-se de tudo o resto. Porque terminam de uma forma tão melódica? O objetivo primordial para o álbum terminar de forma tão melódica incide na reflexão sobre o mesmo, pois todos os temas estão inter-relacionados e gostaríamos que o ouvinte tivesse um momento calmo e relaxado para pensar sobre toda a luxúria, intriga, sensualidade e carnificina ouvida anteriormente.

A capa do albúm foi uma sugestão do autor ou um pedido vosso? Foi um misto de ideias entre o Martin e a banda. Estamos contentes com o resultado final. Um artwork direto que foca a personagem central de toda a lírica do álbum SAMCA. Estão satisfeitos com o produto final ou agora alteravam alguma coisa ao albúm? Estamos satisfeitos com o produto final. Alterar agora alguma coisa implicava também remover um pouco do sentimento implícito em algo que foi composto num determinado momento. Honestamente, não alteraria nada, mas confesso que no futuro, as experiências vividas na composição e gravação de “SAMCA”, serão uma base sólida para o próximo trabalho. E a seguir? Uma tour de promoção do álbum? Isso é o que estamos a tentar. Felizmente, existem alguns contactos do continente mas que, infelizmente, esbarram por enquanto, nos elevados custos, como já referi anteriormente. Contudo, não é motivo para desmotivação, até pelo contrário. Sendo assim, datas

agendadas ai não temos, mas esperemos em breve ter novidades. Os membros da banda continuam com projectos paralelos ou vão, agora, apostar mais nos Sanctus Nosferatu? Todos nós tocamos em outras bandas e isso não implica qualquer tipo de desleixo. Portanto, continuaremos a trabalhar de igual forma como até agora. Que esperam do futuro? Existem planos? Como já referi numa primeira instância, tentaremos promover o nome da banda junto do maior número de pessoas possível, também a elaboração de um videoclip, realização de uma tour de promoção do álbum e, posteriormente, chamar a atenção de editoras/distribuidoras, já que “SAMCA” será uma edição de autor. Aproveito também para agradecer à Infektion Magazine esta entrevista e desejar a continuidade do excelente trabalho. Entrevista: Ivan Santos Fotografia: Sanctus Nosferatu


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O último volume da trilogia inicial de álbuns da banda italiana mostra uma sonoridade que extravasa os cânones do Gothic Doom Metal. O teclista da banda Francesco Sosto, ajudou-nos a dissecar “Second World”, um álbum que abriu espaço para mais atmosfera, mais impacto e mais sangue.

S

econd World” é um álbum conceptual e o último capítulo de uma trilogia. A ideia de alargar o conceito a três discos surgiu em primeira instância ou evoluiu mais tarde? Bem, em geral, nunca partimos com essa premissa em mente, sempre que começamos a trabalhar num álbum - chegamos a um conceito à medida que as músicas e ideias vão surgindo. Só a partir do momento em que percebemos que tipo de atmosfera está a ser criada é que ficamos com uma ideia mais concreta sobre a criação de um álbum conceptual. Foi assim para os dois primeiros álbuns, e também em “Second World”. O facto termos chegado a esta trilogia foi apenas uma consequência lógica da

evolução do nosso som. E que evolução é essa? Quais as principais diferenças que consegues apontar em comparação com os registos anteriores? O “Second World” tem muitas semelhanças com “Days of Nothing” e “Oionos” e acho que ainda vai mais longe, graças a novas opções e soluções que decidimos introduzir nestes dez temas. Há alguns momentos no álbum onde é possível sentir que a sonoridade ultrapassa os cânones do Gothic Doom Metal, por assim dizer. Mas tirando isso, é o bater do coração que faz a diferença neste álbum, mais do que nunca. Existe mais atmosfera, mais impacto e mais sangue, mas ao mesmo tempo certificámo-nos que o

nosso som evoluísse, tendo presente o trabalho desenvolvido nos dois primeiros trabalhos. Podes contar-nos um pouco mais sobre o processo de composição, hoje em dia? Muita coisa mudou em relação aos primórdios da banda. No início da nossa experiência enquanto The Foreshadowing era habitual eu, o Andrea e o Alessandro (os guitarristas) nos reunirmos para gravar algumas demos. Hoje em dia é bastante diferente, dado que somos banda completa e é possível desenvolver a nossa música na sala de ensaio. Isso não significa que nos tenhamos esquecido do quão importantes foram as nossas demos no passado - aliás,


na verdade, alternamos as duas maneiras para fazer escrever os temas e os arranjos. O novo álbum tem um som incrivelmente limpo e cheio. Como foi a gravação e a mistura? Foi bastante trabalhoso. Fizemos o máximo para dar uma excelente qualidade às faixas, uma vez que foi a nossa primeira experiência a trabalhar com uma lenda como Dan Swanö e não queríamos que o nosso trabalho fosse meramente superficial. Como sempre, gravamos a bateria (tal como a guitarra acústica) nos Outer Sound Studios com o nosso querido amigo Giuseppe Orlando e as vozes nos Temple of Noise Studios, com a ajuda do Christian Ice. Em seguida, gravamos nós mesmos as guitarras, baixo e teclados. Tudo em relação à mistura e masterização foi obra do Dan Swanö, a quem temos de reconhecer o mérito de ter sido capaz de entrar no espírito pretendido para cada tema e ter feito uma grande produção. Porque razão recorreram a Travis Smith para fazer o artwork? Sempre admirámos o trabalho incrível desenvolvido por ele, mas não há nenhuma razão em particular para termos escolhido o Travis Smith para este álbum. Sempre nos relacionámos bem com o Seth Siro Anton e podíamos ter continuado a trabalhar com ele no “Second World”. Só que pretendíamos um trabalho com caraterísticas diferentes para este álbum: mais ilustrativo, sugestivo e paisagismo - isto considerando que o Seth é mais surrealista. No entanto, foi ótimo trabalhar com o Travis, pois ele foi muito profissional e capaz de aceder a todas as nossas sugestões. Até agora, The Foreshadowing tem patenteado uma grande evolução a todos os níveis, num esforço contínuo para encontrar um estilo próprio. Em que sentido achas que a banda pode primar pela diferença?

Acreditamos que é muito importante não ficar preso ao género Gothic Doom Metal. A maioria dos elementos da banda não se limita a ouvir Metal. Gostamos imenso de Swans e Neurosis, ou de artistas como Philip Glass, que pouco têm a ver com o Metal. Acho que ouvir música de todos os géneros ajuda a abrir a mente e a direcioná-la para novas soluções – mas é importante direcionar para um estilo, caso contrário pode ser confuso. Obviamente que somos fortemente influenciados por sons obscuros e pelo Metal. Como tal, sempre nos temos movido por sonoridades mais negras, apesar da diversidade de géneros que apreciamos.

do um interesse neste género específico e isso levou à criação de uma cena musical. Mas, na minha opinião, não reduziria a cena ao gótico, até porque nos sentimos mais “Doom” do que “Gótico”, por exemplo, e o mesmo sucede com muitas outras bandas italianas. Acho que o interesse por determinados géneros mais obscuros vem em grande parte do clima de pessimismo e negatividade que se têm vivido em Itália nos últimos tempos – ou, de alguma forma, os jovens ao ouvirem esta música tentem diferenciar-se da maioria das pessoas que concordam com certas regras e convenções que a sociedade nos impõe.

Embora as letras mostram uma abordagem muito apocalíptica e as influências de Gothic Doom Metal ainda estarem bem presentes na vossa essência, achas que, devido à componente mais melódica e atmosférica da vossa sonoridade, conseguem cativar mais gente fora do Metal a ouvir The Foreshadowing? Seria muito bom para nós se fossemos ouvidos por gente fora do Metal – seria algo que eu não excluiria, uma vez que algumas das nossas canções têm uma estrutura simples e são bastante “catchy” e fáceis de ouvir. Mas também depende da publicidade. Suspeito que é algo que não depende de nós. Pode estar relacionado com o tipo de distribuição e exposição que a banda tem - caso contrário não seria possível explicar que bandas como Metallica, ou até mesmo Opeth, também sejam ouvidas por um público que não é fã de Metal.

Quem são os planos para espetáculos ao vivo? O palco é um aspeto importante para a banda? Temos vindo a trabalhar para encontrarmos uma boa tournée para promover o “Second World”, o que se tem revelado uma tarefa difícil – uma vez que ainda não conseguimos encontrar o promotor adequado sério que o faça de forma séria. É evidente que os espetáculos ao vivo são essenciais para uma banda como nós, pois é a parte melhor e mais gratificante de tocar numa banda. Na verdade nunca tocamos em Portugal e o gostaríamos muito que isso acontecesse!

Itália vem “exportando” várias bandas importantes relacionadas com o Metal gótico e melódico. Na tua opinião, trata-se de uma coincidência? Sentes que os italianos, como outras bandas de origem mediterrânica, têm uma maneira pessimista de expressar a sua arte? Provavelmente em Itália tenha existi-

Uma vez que estão a encerrar uma trilogia, sentem que isso pode ser um pretexto/oportunidade para explorar outras sonoridades, no futuro? Ainda é muito cedo para pensar nisso. Tal como disse antes, não decidimos a priori sobre o que vai incidir o próximo álbum, por conseguinte, não é algo sobre o qual nos estejamos a debruçar neste momento. Dir-te-ia que tudo é possível, embora o mais provável é que não aborde outra vez a temática do Apocalipse.

Entrevista: José Branco Fotografia: Sure Shot Worx


Inspirado nos contos de H. P. Lovecraft, Kam Lee (ex-Massacre) criou um projeto que combina os elementos que definiram a sua vida: terror e death metal. Falamos com o músico acerca deste projeto paralelo e da sua visão geral do estado do death metal.

O

s The Grotesquery começaram como um projeto paralelo, mas parece-me que procuram fazer as coisas de uma forma bastante profissional, fazendo dos The Grotesquery uma banda sólida. O que vos fez criar a banda? Os contos de terror sempre fizeram parte das vossas vidas? Bem... somos tão sólidos quanto qualquer banda de estúdio, sim. Eu e o Rogga decidimos formar os The Grotesquery logo após termos trabalhado juntos com os Bone Gnawer. A razão principal era ter a possibilidade de criar conceitos líricos relacionados com os tópicos abordados pelo escritor H. P. Love-

craft, bem como outros clássicos contos de terror relacionados com o oculto. Musicalmente queríamos explorar o Death Metal old school... aquele feeling dos anos 90, mas sermos também capazes de incorporar outras influências musicais. Não fazer isto de forma a fugirmos muito ao caminho que queríamos seguir com o Death Metal, claro, mas o suficiente para trazer algo diferente. No que toca ao terror, esse sempre fez parte da minha vida. Sempre me considerei como um fã de terror em primeiro lugar e como um músico de death metal em segundo. Desistiria mais facilmente da música do que do terror.

“The Facts And Terrifying Testament of Mason Hamilton: Tsathoggua Tales” apresenta um conceito muito complexo. Foi difícil criar todas estas ideias? Onde foste buscar inspiração para isto? No início não era suposto eu criar mais um álbum conceptual, mas devido ao interesse e suporte dos fãs decidi então enveredar por esse caminho. Decidi então escrever letras que girassem em torno de outra história. Já tinha esta ideia de fazer algo baseado nas histórias de Lovecraft mas basear-me também em criações de outros escritores. Logo que decidi criar um álbum conceptual segue o único caminho


lógico, que foi dar seguimento à história do primeiro álbum mas de uma forma que não fosse uma continuação direta do outro álbum. Há algumas conexões com o álbum anterior mas neste a história centra-se com uma personagem diferente chamado Mason Hamilton. A história decorre entre os anos de 1946 e 1947, quase 20 anos depois da história do primeiro álbum terminar. Com o primeiro álbum, a story line durou cerca de 20 anos e a história deste álbum relata apenas algumas semanas da vida da personagem principal. Acho que encontrei inspiração no fundo do meu ser. Sempre quis ser escritor e ser capaz de criar histórias de terror. As minhas influências para The Grotesquery vêm dos meus escritores favoritos, como é o caso do H. P. Lovecraft, Edgar Allan Poe, mas também de escritores contemporâneos como Stephen King, Clive Barker, Brian Lumely e Neil Gaimen. Podemos esperar mais álbuns conceptuais no future? É algo que caminhe lado a lado com os The Grotesquery? Sim, acredito que agora isto faça parte dos The Grotesquery, de uma forma ou de outra. Tenho muitas mais histórias para contar e espero que os The Grotesquery sejam um bom veículo para a sua divulgação. Com um conceito tão forte, como foi para ti criares esta atmosfera de Asilo? Encontrar o som perfeito para as tuas histórias foi um processo natural ou algo mais complicado? (Risos) Bem... sou considerado um tanto maluco pela maioria das pessoas, por isso creio que tenho uma espécie de asilo no estado da minha mente, pelo que não foi difícil de realizar estes processos. Tu tens diversos projetos musicais. O que te faz entregar-te a

todas estas bandas? Tal como o Rogga (que tem mais projetos musicais que eu), eu também gosto de ter a possibilidade de expressar o meu gosto pelo Death Metal e de trabalhar com excelentes músicos que também se sentem desta forma. Se eu tivesse que trabalhar apenas com uma banda... Sinto que não teria a oportunidade de trabalhar com certas pessoas a tempo inteiro como o posso fazer ao tocar com eles na mesma banda. Esses músicos que partilham o mesmo estado de espírito que eu, bem como a mesma direção musical, são do mundo inteiro. Algumas pessoas da Europa ou de outros países, também têm uma grande apreciação pelo Death Metal e por letras relacionadas com terror e para mim é muito fácil trabalhar com estes músicos. A internet foi uma grande ajuda ao trazer o mundo às pessoas, por isso porque não utiliza-la? O mundo é agora um lugar mais abrangente mas consegue também ser algo muito mais pequeno do que aquilo que era. É certo que é uma boa ideia respeitar certos parâmetros do estilo de música que sigo mas não quero ser limitado por isso. Não quero limitar-me a trabalhar apenas com músicos da minha área... a internet trouxe-me a possibilidade de trabalhar com músicos como eu em qualquer lugar do mundo. O que sentes em relação ao estado atual do Death Metal? É algo com que te identificas? Sempre senti que o Death Metal está dividido... vamos sempre ter aqueles que são fiéis às suas raízes e aqueles que, tal como eu, permanecem underground. O Death Metal está infestado de “posers”, “fakes” e oportunistas, bem como com pessoas que têm sensibilidades de Rock Star. Odeio Rock Stars e odeio egos maníacos. Comecei no Death Metal em 1983, muito antes

de ser um género aceite e reconhecido. Aquilo que achava nessa altura é aquilo que acho ainda hoje; o Death Metal, o Black Metal e outros géneros do underground não eram supostos serem aceites pelas massas. Mas agora é uma moda, uma comodidade. Odeio isso. A mim não me interessa ter um milhão de fãs que me adoram porque eu não quero ser adorado. Prefiro ter o respeito de 10 bons amigos e fãs do meu trabalho do que centenas de milhares de ovelhas que só gostam de mim porque uma revista qualquer disse para gostarem de mim. Respeito as pessoas que pensam por si e nunca quis ser um Rock Star. Quando estou em tour não sou daqueles que me escondo nos bastidores. Estou sempre disponível, ando no meio do público ou então vou para o bar beber uma cerveja, mas estou sempre disponível para falar com os fãs. Agora esses pretensiosos que ficam fechados no autocarro de tour são uns “fakes” e não querem saber absolutamente nada dos fãs. Só se interessam pelo dinheiro. Mas vamos ao que interessa: a música sofreu muitas alterações para se poder falar nisso, mas tal como faço em todos os meus projetos, tento manter-me fiél às raízes do som e do estilo que definiu o Death Metal, que é o estilo do início dos anos 90. Nunca me vão ver pegar num microfone e fazer aqueles guturais profundos semelhantes a um elefante a cagar-se nem muito menos imitar um porco. Vão tocar ao vivo para promover este álbum? Gostaria imenso de poder tocar com os The Grotesquery, mas isso estará sempre dependente do Rogga e dos outros músicos. Estou sempre pronto para tocar mas isso não é tão fácil para os outros. Entrevista: Joel Costa Fotografia: Sure Shot Worx


Com edição a cargo da Moribund Records, “Nemesis” é a nova proposta dos finlandeses Azaghal. Estivemos à conversa com o vocalista Niflungr que partilhou informações referentes às gravações e à composição do novo álbum.


F

ala-me um pouco sobre “Nemesis”… Qual foi a tua abordagem neste disco e qual o teu objetivo enquanto compunhas este novo álbum? Não houve um objetivo em particular. Tínhamos apenas muitas músicas preparadas e essa altura foi a melhor para gravar um novo álbum. Desta vez fizemos a maior parte das letras em inglês apenas para experimentar e ver como saía. Talvez tentemos algo diferente na próxima vez. E em relação ao processo de gravação? Como é que “Nemesis” ficou tão bom? O processo de gravação em si foi rápido. A bateria foi gravada em dois dias, bem como os vocais. Para as guitarras e o baixo precisamos de uns três ou quatro dias, sendo que tudo isto era feito em apenas algumas horas diárias. Gravamos no mesmo estúdio de sempre (Cursed), que é propriedade do nosso guitarrista JL Nokturnal. Ele já tem esta ideia de como os nossos álbuns devem soar, o que tornou o processo de gravação algo simples e rápido. O Narqath fez a mistura e a masterização no final. Isto faz com que sejamos totalmente independentes dos outros, no que toca à produção, o que significa que conseguimos sempre chegar ao som desejado sem muito esforço.

Os nomes “Azaghal” e “Nemesis” vêm da mitologia. A mitologia é algo que te suscite muito interesse? E qual o significado de ambos os termos? Pessoalmente, gosto muito de ler sobre as mitologias das mais diversas culturas. Azaghâl foi o rei dos Anões de Broadbeam, segundo J. R. R. Tolkien. Tolkien inspirou, ainda que minimamente, algumas das músicas de Azaghal no fim dos anos 90. Na mitologia Grega, Nemesis é o espírito da vingança. Gostei muito da atmosfera presente em “Vihasta ja Veritöistä”. De que nos fala esta música? Esta música fala sobre o eleito que regressa do submundo para espalhar a palavra da blasfémia e do Deus da nova era. E em relação às outras músicas? “Nemesis” segue algum conceito ao longo da sua extensão? Vejo este álbum como algo equilibrado no que respeita ao conteúdo lírico. Assim sendo, não o considero como um álbum conceptual. Quão importantes são os “nomes de guerra” para uma banda de Black Metal? Em relação às outras bandas não

sei, mas nós usamos nomes alternativos e este tipo de visual para refletir e canalisar alguns aspetos das nossas personalidades e pontos de vista. Como descreves a cena Metal finlandesa? Ultimamente não tenho seguido atentamente o Metal finlandês, mas reparei que há por aí mais bandas como nunca houve. Agora se isto é algo bom ou não já não sei dizer. Alguma tour Europeia planeada para promover “Nemesis”? Para já só agendamos um concerto na nossa terra natal, Hyvinkää, onde vamos tocar pela primeira vez. De resto não entramos em negociações para agendar uma grande tour Europeia. Palavras finais para os fãs Portugueses... Obrigado e lembrem-se de chatearem as promotoras locais para trazer os Azaghal ao vosso país!

Entrevista: Joel Costa Fotografia: Moribund Records


Depois de um excelente feedback obtido com o álbum de estreia, os Crimson Cult estão de volta com “Tales Of Doom”, um álbum que explora os podres de mundo. Falamos com Günther:

F

alem-nos um pouco sobre a banda… Como é que se formaram? Eu e o Alex já tocávamos juntos há mais de 20 anos e depois dos Stygma IV terem terminado, criar uma nova banda era algo natural. Já conhecíamos o Peter (baterista) há muito tempo e ele era a única escolha possível para este instrumento, pois é um dos melhores bateristas do Universo. Quando conhecemos o Walter, o vocalista, pela primeira vez, foi feito perfeito; um excelente vocalista e uma pessoa muito simpática. Porquê Crimson Cult? Soa bem, parece bem... (risos). Quão diferentes são os Crimson Cult dos Stygma IV? Com os Stygma IV sempre tivemos um toque algo progressivo. Já com os Crimson Cult tudo é feito de uma forma mais direta sem perder a perfeição instrumental. Como descreves o vosso género

musical? O melhor Metal que já ouviste neste Planeta! O vosso álbum de estreia teve boas reviews. Isso teve alguma influência na produção de “Tales Of Doom”? Estavam mais nervosos? Não, pois tínhamos melhores condições no estúdio e tiramos o tempo necessário para a produção deste novo álbum. Em que é que “Tales Of Doom” difere do vosso álbum de estreia? O som está muito melhor em “Tales Of Doom” e foi um processo muito mais simples pois já nos conhecíamos melhor desta vez. O que é que os fãs podem esperar do novo álbum? “Tales Of Doom” é o álbum mais pesado que alguma vez escrevi! Quem escreveu as letras do novo álbum? De que nos falam as mesmas?

Eu e o Walter somos os responsáveis pelas letras e cada música conta uma história de destriuição. Desde rapazes a serem levados com violência por padres, vítimas mantidas em celas e serem abusadas, políticos que destroem o nosso planeta, soldados inocentes que têm que matar pessoas, a “santa” inquisição, etc. Vão editar algum single? Se sim, qual será a música escolhida? Não existem planos para a edição de um single agora, mas se acontecer será a editora a escolher. Vão entrar em tour este ano? Vamos ver o que acontece. Gostaria imenso de visitar Portugal! Palavras finais... Ouçam o nosso novo álbum. Estou certo de que vão gostar! Entrevista: Joana Rodrigues Fotografia: Pure Steel Records


Com Indiferença

Fingir (Ser)

Caminhando pensativo cigarro nos lábios inalando o fumo vendo nas suas curvas momentos sábios

Será que quem as palavras usa finge sentir o que diz?

o tempo por nós passa deixa marcas de fumo condensadas neste cigarro que agora consumo formas e vidas passam enquanto se queima deixam para trás as cinzas de um tempo perdido Deixado no chão como beata acabada vivido, destruído com ar de chama fraca no fim da rua a esquina a decisão de deixar ou partir de o tempo esquecer para a vida viver perder diriam muitos enquanto o fumo sobe assim a si mesmo se consome entre folhas ácidas pensadas docemente numa vida de pensamento preeminente fogo, fumo a vida deixada à beira da estrada a beata fumada é assim esquecida perdida em formas de fumo fogo de vista ficamos andando cigarro fumando com indiferença porque a vida é para o tempo sentença

somos estrangeiros em nossas terras reis da palavra e turistas da realidade fingimos mas sentimos somos aqueles que correm pelo corredor fechado vamos e voltamos com nossas palavras descrevemos a viagem que fazemos sentimos, globalmente mas egoísta não há! somos loucos fingidores actores da vida que vivemos somos ou fingimos? fingimos ser diriam muitos enquanto a si mesmos se tentam explicar esta vida este sentimento esta máscara de tormento que fingimos sentir somos então atormentados por actores sermos actuamos em peças que fingimos sentir somos, vivemos fingimos para ser somos para sentir actuamos para viver somos humanos e sempre o fingimos ser


P

orque raios haveria eu de me in- na Fundação Arpad Szenes-Vieira teressar pelos Wraygunn? da Silva, etc… Até uma daquelas revistas de novas tendências paneÉ bem capaz de ser um dos melho- leirosas, ou a Dif ou a Parq já não res projectos de Pop/ Rock portu- me lembro, já publicou um artigo guês nos dias de hoje, com uma sobre “art brut” há poucos meboa e sofisticada produção que ses... O termo deve estar mesmo percorre os Blues e a Soul com na moda, até há uns ranhosos do balanço para revisitá-las sem clo- Indie Rock ingleses / alemães chanagens nostálgicas ou mimetimos mados de Art Brut... chatos. Este projecto está na linha de revitalização da música (negra) E como Wraygunn e as centenas de norte-americana onde encontra- bandas Pop / Rock deste planeta mos paralelos e influências de nada têm mais nada a dizer, deciciJim White ou (claro) Jon Spencer diram investir neste “novo” conceiBlues Explosion. Wraygunn sabem to “cool”. O que é estranho porque o que fazem e têm pinta. Mas seja- vivemos momentos terríveis de mos sinceros não passam de Pop / crise económica, social e ambienRock, coisinha fofinha para agradar tal que são ricas para comentário pessoas, marcas de telemóveis e político ou para exercício de novas jingles publicitários. Quem quiser o praticas de inovação / mudança – “Pop canibal” que o oiça, ao menos mas não, os Wraygunn fazem parte esta tem qualidade – coisa rara em daquela facção do Rock que afirma Portugal. que não se mete em política, que o Rock é apenas para divertir, etc… O que me fascinou neste novo e Pá, divirtam-se, façam dinheiro quinto registo da banda é a cora- com os concertos, façam-se à vida, gem senil e provinciana de lhe inti- agora não se armem em espertos tular de L’art brut (Arthouse / EMI; que o pessoal não é burro! 2012). Art Brut!? Mas aonde? Em meio dúzia de desenhos de um tal É natural que quem descubra a Artur (?) que está na embalagem Art Brut fique fascinado por ela e do disco? A pretensão de usar o queira divulgá-la ou associar-se a termo cunhado por Jean Dubuffet ela – eu que o diga com o projecpara mais uma produção medíocre to editorial MMMNNNRRRG. Os de música ligeira é de bradar aos seus autores, todos eles margicéus. Talvez porque nos últimos nais do mundo da arte comercial anos tenha havido movimentações ou institucional, fazem arte (deseneste tipo de arte como os aconte- nho, pintura, escultura, instalação, cimentos (mais ou menos mediáti- arquitectura, decoração) a maior cos) do Hospital Miguel Bombarda parte das vezes em autismo com o / Pavilhão de Segurança, a recupe- mundo, fazem-no porque é a única ração do filme Jaime de António forma de expressão que conhecem Reis e Margarida Cordeiro, os Sub- e os resultados que surgem tensídios da MMMNNNRRRG, criação dem a ser cosmogónicos e inéditos da Associação Portuguesa de Arte em criatividade – estes artistas não Outsider, exposição de António Pe- têm as referências artísticas da culralta no Museu de Etnologia ou a tura oficial. Exemplos: o brasileiro futura grande mostra de Art Brut Estevão Silva da Conceição criou

na sua favela um edifício parecido com as construções de Antoni Gaudi sem no entanto alguma vez ter conhecido a obra do arquitecto catalão; Henry Dagger criou o maior livro de sempre de 15 145 páginas onde conta a história das suas “Vivian Girls”, um universo que criou em seis décadas às escondidas de todos até o seu quarto ser invadido após a sua morte. Na música também há “outsiders” - para além daqueles que se gostam de chamar “underground” porque ser “underground” é uma forma de auto-promoção - como André Robillard, Daniel Johnston ou Wesley Willis… Podia dar mais mil exemplos, em nenhum deles se encontraria um paralelo com Wraygunn porque esta malta da banda não sofre de doenças mentais, sabe vender bem o seu peixe e têm tanta visão ou imagética como centenas de outros branquinhos do mundo ocidental que gostam de Rock. O última tema do disco, I’m for real, tenta ser a única justificação deixada pela banda para se afirmar como criadores compulsivos e que se estão a cagar para categorias musicais, que ‘tão fartos de fakes e isso tudo. Yeah! Somos a cena real, tásjaver!? Sim vejo perfeitamente até porque até percebo “americano”... O que é bom na “cultura digital” é que tudo é imaterial, recebi o disco dos Wraygunn em sistema de descarga, ouvi o que tive de ouvir no Mediaplayer e a seguir deitei-o no caixote do lixo do PC. Só falta carregar na função “esvaziar reciclagem”.


Q

MESHUGGAH KOLOSS

(NUCLEAR BLAST)

9.5/10

uatro anos depois de “ObZen”, e uma legião de novos imitadores no seu encalço, os Meshuggah provam que estão noutro campeonato e que para o provarem nem precisam de muito esforço. Desde “Destroy, Erase, Improve” (1995), talvez o seu álbum mais representativo, que os suecos vêm trilhando o seu próprio caminho, como inovadores dentro do Metal mais extremo. Em “Koloss”, a banda assina dez faixas de puro recorte técnico, nem sempre com o pé a fundo no acelerador, optando por concentrar-se num groove “gravalhão” que tão bem carateriza o seu estilo de composição djent. Temas como a abertura “I am Colossus” e “Swarm” são representativos de um álbum onde o quinteto não se limitou a exibir exercícios técnicos e, ao invés disso, com maturidade, deixou as composições fluírem da forma mais brutal e eficaz possível. Com o tempo, a banda

vem ganhando respeito em vários quadrantes musicais, e, com este conjunto de temas, reforçarão de certeza o estatuto de banda progressiva de referência dentro do Metal extremo. Naquele que poderá ser o álbum do ano, em 2012 os Meshuggah voltam a superar-se, naquele que é um passo lógico na sua carreira. Reconhecem-se os ingredientes habituais: estruturas polirrítmicas, um baterista monstruoso, guitarras “graves” e vozes guturais. Contudo, “Koloss” é efetivamente um registo mais acessível, mas que exibe a banda com excelência e essência inalteradas, num conjunto de canções intemporais. Os detratores da banda ficam com menos um argumento para criticar, pois os Meshuggah não se estão a repetir e continuam sem temer a experimentação. O álbum está disponível em edição especial CD+DVD. José Branco


CYNIC THE PORTAL TAPES

ADUSTUM SEARING FIRES AND LUCID VISIONS

ARCHITECTS DAYBREAKER

BLACK SHEEP WALL NO MATTER WHERE IT ENDS

WORLD TERROR COMMITTEE

CENTURY MEDIA RECORDS

SEASON OF MIST RECORDS

SEASON OF MIST RECORDS

Assinando aqui o seu álbum de estreia, os belgas Adustum pretendem afirmar-se através do seu Black Metal no estado mais puro: esotérico, espiritual e underground. Ao longo de quatro temas, relativamente longos e que se estendem até à meia hora de duração total, o trio destila puros hinos ocultistas. Nestes conseguem encontrar um sempre difícil meio-termo entre a boa qualidade da gravação e produção, mas com uma sonoridade que não é excessivamente polida ou demasiado crua. Adustum é a palavra em latim para “incendiar”, o que realmente espelha na plenitude a energia que emana de “Searing fires and lucid visions”. Neste ritual sónico, destaque para o tema de abertura “V.O.H.I.R. – Exvocatium Daemonicus”, um hino que apela à invocação do demónio interior. Nas cortantes prestações dos músicos, destaca-se a quase desumana ação do baterista, em especial no último tema, o mais experimental e polirrítmico “Psalm CLVI – The Rites of Lunar Blood”. Apesar de não acrescentar nada de excecionalmente novo ao panorama Black Metal, trata-se de uma boa adição ao rol de interessantes bandas do catálogo da alemã World Terror Committee, num trio que merece ficar debaixo de olho. Nota final para a qualidade da edição em digipack, com um artwork magnífico. [6.5/10] José Branco

Oito anos após o seu nascimento, os Britânicos Architects oferecem o seu sexto álbum: Daybreaker. Este álbum é uma marca na carreira do quinteto de Brighton, que os leva numa nova direção lírica. O facto de, segundo os próprios, terem alcançado uma maturidade psicológica e intelectual, levou-os a deixar o umbiguismo das letras que falam de ex-namoradas, para se dedicarem a escrever sobre as injustiças e problemas que afetam milhares de pessoas pelo mundo fora. Musicalmente, Daybreaker é um bom álbum de uma banda que faz uma aproximação moderna ao metal. Os fãs poderão encontrar os riffs que caracterizam o género e povoam as faixas com pertinência, sem cair na repetição ou na apatia. A mestria das seis cordas é trazida até nós pela dupla Tom Searle e Tim Hillier-Brook. A voz de Samuel Carter é bem berrada e com finalizações mais melódicas, muito bem exploradas. Para quem ouvir este álbum, chamo especialmente a atenção para as faixas Alpha-Omega, a faixa título Daybreak, Behind the Throne e Devil’s Island. A faixa que encerra estes 41 minutos de metal, Unbeliever, deixa o ouvinte como que num limbo, dado a sua beleza e simplicidade. É mais um registo da nova guarda do metal, muito bem construído e criado. Para quem procura na música significados políticos, Daybreaker não vai desiludir. [8/10] Narciso Antunes

Os americanos Black Sheep Wall trazem-nos um novo álbum, o segundo disco de estúdio da banda. Ao começar a ouvir “No Matter Where It Ends” a sensação é que estamos a presenciar algo de poderoso. Uma voz gutural e profunda, juntamente com um baixo forte, bateria arrebatadora, enfim, parecem estar reunidos os elementos para um grande disco metal. No entanto, continuando a ouvir, não podemos deixar despercebida a repetição da mesma sonoridade, faixa após faixa. A surpresa e esperança iniciais foram-se, e fica a sensação de que se poderia ter feito mais. Não deixa de ser um bom álbum e merece ser ouvido. É como se fosse uma parede sonora a vir contra nós, e é certo que não nos deixa indiferentes. Na verdade, desperta qualquer coisa de melancólico que nos deixa numa saborosa apatia. “Torrential” e “Ambient Ambitions” são os temas melhor conseguidos, quando ouvidos individualmente. Se ouvirmos o álbum todo de seguida, perdem-se no meio das outras faixas cuja homogeneidade exagerada as esconde. Comparativamente ao primeiro álbum, “I Am God Songs”, parece que algo se perdeu. Talvez as consecutivas mudanças no alinhamento da banda tenham deixado consequências. No geral, é um bom álbum, e se o ouvirmos ocasionalmente proporcionará decerto momentos musicalmente bastante agradáveis. [5/10] Íris Jordão

Convém esclarecer previamente que, em “The Portal Tapes”, estamos perante a reedição da demo de 1995, gravada após a separação da banda, por um projecto de nome Portal composto pelos membros de Cynic (à excepção de Sean Malone) e a vocalista/teclista Aruna Abrams. Tendo em conta a data do registo original, seria de esperar que fosse beber influências ao clássico “Focus”. Pelo contrário, este trabalho encontra-se mais próximo das divagações pós-“Traced in Air”, mas sem a maturidade e coerência que lhes conhecemos. “The Portal Tapes” soa a uma espécie de tubo de ensaio de novas ideias, sim senhor, mas onde a finalidade principal seria dar trabalho a uma amiga desempregada (Abrams) que até tinha uma voz etérea o suficiente para encaixar lá bem. O álbum começa com uma mão cheia de boas faixas de rock progressivo, de ambiências jazzísticas, electrónicas, planantes e, por vezes, exóticas. Porém, algures a partir de “Crawl Above”, a banda entra numa lógica de simplificação (ou de “popificação”) com soluções fáceis e monótonas – que os escassos apontamentos de virtuosismo não conseguem disfarçar – tornando os restantes temas sérios candidatos a música de elevador. Para os fãs trata-se de um documento que funciona como o elo que faltava para compreender o percurso da banda. Para os restantes, será apenas o elo mais fraco. [6/10] Ana Miranda


GERM WISH

DARK NEW DAY NEW TRADITION

FAAL THE CLOUDS ARE BURNING

FORMLOFF SPYHORELANDET

GOOMBA MUSIC / SOULFOOD

VÁN RECORDS

EISENWALD

EISENWALD

Apelidados de “supergrupo”, por ser composto por elementos dos Evanescence, Sevendust, Virgos Merlot e Stereomud, os Dark New Day lançam agora “New Tradition”, sete anos depois do álbum de estreia. É um álbum mais complexo, com riffs mais crús e guitarras mais amplificadas. Com uma boa produção e melodias bem estruturadas, o disco entrega até à última faixa, aquilo que promete na primeira. “New Tradition” fala da montanha-russa de sentimentos que todos nós sentimos no dia-a-dia. As letras são consistentes, mantendo as mesmas emoções ao longo de cada canção e estando em harmonia com o som produzido. A bateria entrega uma espectacular atmosfera tempestuosa com címbalos eléctricos, enquanto a voz de Brett Hestla consegue aquela intensidade do rock “à antiga”, cheia de adrenalina e fúria. O conteúdo desde álbum, eleva aquilo que já foi feito no primeiro, mas sem ser repetitivo. Não vai agradar a todos os rockers, até porque não se distingue, verdadeiramente, de tudo o resto que é feito por aí, mas que não deixa de ser bom Hard Rock Alternativo. Os fãs deste tipo de música devem dar uma oportunidade aos novos riffs abrasivos dos Dark New Day. E, apesar da maior parte das canções terem sido escritas em 2005, durante a produção do primeiro álbum, este New Tradition não deixa de soar contemporâneo e moderno. [7/10] Ivan Santos

Segundo trabalho do sexteto holandês, “The Clouds Are Burning” apresenta-nos quatro extensas composições cujas características apontam sem hesitações para os primeiros trabalhos da tríade britânica Paradise Lost, My Dying Bride e Anathema - que popularizou o doom/death metal há já cerca de duas décadas. Intercalando secções vagarosas e arrastadas com passagens up tempo acompanhadas pelos habituais interlúdios acústicos, a proposta do colectivo mostra-se competente, bem executada e com uma produção cuidada. A abertura “My Body Glows Red” é promissora, construída tendo como base um hipnótico riff que aparece e reaparece durante todo o tema. Segue-se “The Insistance’s Wish”, que se destaca do resto do álbum pelo piscar de olho ao black metal. “Tempest” e o tema homónimo discorrem algo superficialmente, sem que nada fique particularmente no ouvido, marcados sobretudo pela previsibilidade dos riffs e das transições. Em estreia nos Faal e absolutamente digna de nota é a cavernosa prestação vocal de William Nijhof, dos míticos Spina Bifida, a revelar não ter perdido a intensidade que o tornou conhecido nos anos 90. Sem surpresas ou inovações, os Faal optam por jogar pelo seguro, produzindo um disco tradicionalista, com o intuito de se estabelecerem junto dos fãs do género, mas que dificilmente transcenderá o mesmo. [6/10] Jaime Ferreira

Responsáveis por um dos mais bizarros lançamentos de 2006, estão agora de regresso os Formloff com o seu segundo trabalho. Considerando a diversidade demonstrada em “Adjø Silo”, seria quase impossível tentar prever a direcção tomada pelo duo norueguês neste seu novo “Spyhorelandet”, e talvez a melhor descrição seja mesmo a de black metal avantgarde. Com uma constante predisposição para inovar - um pouco à semelhança dos seus saudosos conterrâneos Beyond Dawn e Ved Buens Ende, dos quais se aproximam em termos sonoros - as composições dos Formloff caracterizam-se pela variedade de secções e de ambientes nos quais, partindo de uma base black metal, incorporam rudimentos tanto próximos do free jazz como de facções mais progressivas do metal. Todos os temas possuem uma multiplicidade de elementos que os particularizam, não deixando no entanto de haver um sentido de unidade por todo o álbum. Destaco a acentuada estranheza de “Faen!” assim como o impressionante final com “Den Gamle Jorda” e “Drokkne I Ei Flo Ta Åske”, como que a sintetizarem tudo o que ficou para trás. Irrepreensíveis na execução, os Formloff criaram um disco atmosférico, gélido e introspetivo, mas acima de tudo original e capaz de repetidamente nos despertar o interesse, graças à constante descoberta de novos detalhes a cada audição. Recomendado! [7.5/10] Jaime Ferreira

Exibindo um auspicioso início com “An Overdose on Cosmic Galaxy”, o primeiro álbum a solo do multi-instrumentista australiano Tim Yatras promete oferecer uma interessante mistura de pop electrónico e rock psicadélico com influências black metal. No entanto, à medida que se avança pelas composições, essa impressão desvanece-se cada vez com maior intensidade. “Asteroid of Sorrow” soa a algo inacabado e os temas que assentam numa preponderância de black metal, clichés e exaustos. Os interlúdios puramente eletrónicos, ao invés de criarem ambiente e introduzirem o tema seguinte, parecem desenquadrados e até mesmo irrelevantes, tal como o epílogo neo-clássico “Wish”. A simbiose dos vários estilos revela-se muitas vezes exagerada e sem razão para a sua existência, a não ser a tentativa excessiva de se tornar numa obra abrangente, tentativa essa que resulta antagonicamente e remete o trabalho para o restrito nicho das curiosidades e nada mais. “Wish” falha peremptoriamente o objectivo proposto, vagueando sem rumo por estilos díspares, incapaz de os conjugar com sucesso. Não que as músicas, escutadas individualmente, sejam intrinsecamente más. O principal problema reside na falta de contextualização e de coerência de um álbum que, inevitavelmente, acaba por se assemelhar a uma estranha e irregular compilação. [4/10] Jaime Ferreira


KAIN OMEGA

HAMILTON GROOVE KINGDOM OF NOTHING

JEFF LOOMIS PLAINS OF OBLIVION

JOB FOR A COWBOY DEMONOCRACY

INVERSE RECORDS

CENTURY MEDIA RECORDS

METAL BLADE RECORDS

MDD RECORDS

Os finlandeses “Hamilton Groove”, formaram-se em 2006 com uma aposta muito clara em percorrer os caminhos tortuosos do Jazz, do Blues e da música experimental e em criar uma sonoridade única. Tendo lançado o seu álbum de estreia “Motel” em 2009, surgem agora com o seu 2º longa-duração intitulado “Kingdom of Nothing”. “Kingdom of Nothing” é uma verdadeira caixinha de surpresas, uma viagem musical alucinante, onde a banda se aventura em mares revoltos e em aventuras fantásticas, levando-nos com eles a bordo do seu navio de piratas ou da sua nave espacial, consoante a imaginação nos ditar. A sua sonoridade envolvente, nalguns momentos melancólica e noutros frenética, é absolutamente fascinante. É impossível resistir a temas como: “Hollow days”, “So in love”, “Monkey in a jail”, “King of rats” (uma das minhas faixas preferidas do disco), “Take your time” e “Lovelorn lady”. Em suma: “Kingdom of Nothing” é uma obra completa, musicalmente muito interessante e tão surpreendente que nos prende desde a primeira á última faixa. É um disco frenético, vibrante, intenso e emocionante. Absolutamente irresistível. A não perder. [9.5/10] Rute Gonçalves

Jeff Loomis é daqueles músicos raros que dispensa apresentações. Considerado por muitos como um dos melhores guitarristas da atualidade, foi o grande responsável por ter catapultado os “Nevermore” para o estrelato, banda onde permaneceu durante 20 anos. Em 2011, Loomis decide abandonar coletivo (para grande desagrado de muitos fãs) e dedicar-se exclusivamente a uma carreira a solo, lançando agora o seu segundo registo “Plains of Oblivion”. Se o disco de estreia de Loomis “Zero Order Phase” foi sem dúvida uma boa surpresa, “Plains of Oblivion” consegue superar em muito esse primeiro registo, com uma clara evolução ao nível da composição e apostando numa grande variedade de ambientes e sonoridades que conseguem manter os sentidos bem despertos durante todo o álbum. Exemplos disso são: “Mercurial”, “Requiem for the living”, “Surrender”, “The ultimatum”, “Tragedy and harmony” e “Chosen Time”. Com uma produção irrepreensível de Peter Wichers, o disco conta com participações especialíssimas de músicos de exceção como Marty Friedman, Chris Poland, Tony McAlpine, Attila Voros e contributos vocais de Christine Rhodes e Ihsahn e como não podia deixar de ser, o destaque vai para o virtuosismo de Loomis, que como sempre, nos deslumbra com a sua forma única de tocar guitarra. “Plains of Oblivion” é um trabalho refrescante, que toca vários géneros musicais e transborda de talento. Um disco destinado ao sucesso. [9/10] Rute Gonçalves

Os “Job for a Cowboy” são uma banda norte-americana de Death Metal, nascida em 2003 no Arizona. Originalmente formada pelo vocalista Jonny Davy, os guitarristas Ravi Bhadriraju e Andrew Arcurio,o baixista Chad Staples e o baterista Andy Rysdam, a banda lançou em 2004 uma demo contendo quatro canções, tendo no ano seguinte gravado o EP “Doom”. Em 2006,e após uma extensa tour, a banda assina um contrato com a Metal Blade Records, tendo lançado “Genesis” em 2007 e “Ruination” em 2009. “Demonocracy” é um disco bastante intenso e forte, como aliás a banda já nos tem vindo a habituar com anteriores registos, ou não fosse este um disco de puro Death Metal. Com uma secção rítmica super poderosa (nas mãos competentes do baterista Jon Rice e do baixista Nick Schiendzielos) e com um guitarrista multi-facetado, como é Tony Sannicandro, o disco revela uma enorme solidez e uma grande maturidade musical. Temas a ter em atenção são: “Nourishment trough bloodshed”, “Imperium Wolves”, “Black discharge” e “Fearmonger”. Com “Demonocracy”, os Job for a Cowboy, conseguem finalmente mostrar com toda a pujança aquilo de que são capazes e o seu verdadeiro potencial no mundo do Death Metal. É, sem dúvida, um bom trabalho. Para ouvir com atenção. [7/10] Rute Gonçalves

Depois do lançamento do seu álbum de estreia “Weltenflush” em 2009, os alemães Kain estão de regresso á ribalta com o novo álbum “Omega”, dando continuidade á saga Black Metal que sempre os caracterizou. “Omega” não prima pela originalidade, apesar de conseguir manter um bom nível de qualidade musical. Cantado inteiramente na língua alemã, as hipóteses de chegarem a um público internacional são bastante limitadas e a banda encontra-se ainda bastante presa a influências e sonoridades do passado. No entanto, existem alguns temas que vale a pena destacar como: “Fleischeslust”, “Rachepfad”, “Das blut der sonne”, “Sturz des lichtbringers”, e “Nephilim”. Em suma, “Omega” está longe de ser um álbum brilhante,não conseguindo marcar a diferença ou criar algo de inovador, mas consegue manter bem vivo o espírito do Black Metal e,certamente, agradará aos fãs incondicionais do género. [6/10] Rute Gonçalves


MOONSPELL ALPHA NOIR

KLONE THE EYE OF NEEDLE

MASTER’S HAMMER VRACEJTE KONVE NA MÍSTO

MISS CADAVER MORTE AO FADO (TAPE)

KLONOSPHERE/SEASON OF MIST

EDIÇÃO DE AUTOR

FUKK THAT RECORDS

NAPALM RECORDS

Os “Klone” são uma banda francesa de Rock e Metal, nascida em 1999 e que têm feito um percurso musical bastante interessante. Tendo lançado o seu disco de estreia “Duplicate” em 2003, que teve excelentes críticas, os Klone voltam ao estúdio logo no ano seguinte para gravar “High blood pressure”, mas é só em 2009 com o álbum “All seeing eye” que a banda atinge o auge da sua popularidade, tornando-se uma referência no panorama do metal francês. “The Eye of needle” é um EP com apenas 3 faixas: The Eye of Needle (Part 1) que abre as hostilidades, dando ao disco, um certo ambiente mais calmo e melódico, com vários elementos que ajudam a criar uma atmosfera mais introspectiva, e “The Eye of Needle (Part 2)” que acelera bastante o ritmo e dá ao disco uma energia bastante forte. O registo fecha com chave de ouro com “Monster”, uma faixa inédita, criada nas sessões do último disco da banda “Black days”. “The Eye of needle” é um excelente trabalho, que revela uma banda bastante segura de si e pronta para continuar a surpreender. Apesar das óbvias influências de Tool, Isis e Devin Townsend, os Klone conseguem manter-se fiéis a si próprios mas sempre explorando novas sonoridades e sem medo de arriscar. Vale a pena ouvir. [8/10] Rute Gonçalves

Imprevisibilidade é, sem dúvida, uma das caraterísticas que melhor define o grupo fundado em 1987 por František Štorm na antiga Checoslováquia. Ao longo da sua carreira, apresentaram black metal quase tradicional em “Ritual”, uma épico em forma de opereta com “Jilemnický Okultista”, o perfeitamente inclassificável “Šlágry” e um antecipado regresso às lides após 14 anos de inactividade com “Mantras”, em 2009. Decorridos apenas três anos, eis que chega aos escaparates “Vracejte konve na místo” - por mais bizarro que pareça, “Põe os regadores no seu lugar” - o novo trabalho dos surpreendentes checos. Sem receios em quebrar tabus e constantemente a ultrapassar barreiras auto-impostas por uma cena perante a qual sempre se colocaram à margem, tanto pelas composições como pela panóplia de sonoridades menos comuns a que recorrem, o resultado final é sublime. Árdua tarefa é destacar temas - opto por realçar “Šumava” e “Pantheismus Dobra”, apenas por darem maior proeminência ao inesperado berimbau - mas todo o álbum merece uma audição cuidada e integral. Estando na presença de uma das obras mais inventivas, originais e refrescantes que ouvi nos últimos anos, não posso senão afirmar que este é um disco absolutamente brilhante, que deveria garantir aos Master’s Hammer um lugar de destaque não só no black metal mas na música em geral. [9/10] Jaime Ferreira

A mensagem é curta e direta: “Hoje não vamos ter fado”. É assim que é feita a apresentação de “Morte ao Fado”, uma tape do projeto de punk nacional Miss Cadaver. Dadas as boas-vindas é a vez da banda dedicar uns curtos segundos a prestar homenagem a Amália através de um “espirro” dado pelo ânus (é de referir que a única coisa que os Miss Cadaver têm em comum com Amália é o facto de cantarem em Português), dando depois lugar a uma boa dose de crossover com temas como “Ca-mo-rra”, “Abismo”, “Justiça Azul”, entre outros. As letras retratam temas sociais e políticos enquanto são acompanhadas por um instrumental vitorioso, também ele a pedir uma revolução. “Morte ao Fado” retrata o imenso poder do underground nacional (não fosse também este registo lançado em formato cassete) e salvo algumas linhas líricas mais banais ou previsíveis, é um bom registo que demonstra a tenacidade e qualidade do trabalho de Ruy, que assume a responsabilidade (e grande que ela é) da composição e dos instrumentos (à excepção da bateria). O pós 25 de Abril ouve-se na voz dos Miss Cadaver. [7/10] Joel Costa

O primeiro álbum de Moonspell em quatro anos representa um novo fôlego por parte da banda. Os nove temas de “Alpha Noir” são simultaneamente incendiários e melódicos. Com canções mais diretas e catchy que no seu antecessor “Night Eternal”, ao longo de 40 minutos de Dark Metal, podemos encontrar as atmosferas góticas e épicas características do seu som. A principal nuance deste álbum é a forma como os temas estão construídos: mais orientados para as guitarras e sem notas desnecessárias, o que corresponderá às expectativas de um fã de qualquer género de Metal. A abertura “Axis Mundi” mostra bem a mestria da banda em combinar vários andamentos e estilos. Nas faixas seguintes continuam a destacar-se os leads de Ricardo Amorim (potenciados pela produção de Tue Madsen), sobretudo no single “Lickanthrope”, ao estilo de Cradle of Filth, assim como no tema título, onde impera um feeling mais gótico. Destaque ainda para “Em Nome do Medo”, talvez a melhor faixa do álbum, cantada em português. Colocando de parte os arranjos floreados, os Moonspell valorizaram as virtudes melódicas de cada uma das canções. Aliás, só após várias audições do álbum é que a sua verdadeira essência tenderá a emergir. A edição especial de “Alpha Noir” vem com um segundo disco com oito temas originais, “Omega White”, que explora o lado mais atmosférico da banda. [8/10] José Branco


REALITY SLAP NECKS & ROPES

M-PIRE OF EVIL HELL TO THE HOLLY

ODDLAND THE TREACHERY OF SENSES

ORDER OF ORIAS INVERSE

SCARLET RECORDS

CENTURY MEDIA RECORDS

WORLD TERROR COMMITTEE

HELL XIS RECORDS

Jeffrey Dunn percorreu, indubitavelmente, um longo caminho desde “Welcome to Hell” até aos dias de hoje. Para ser mais preciso, passaram-se 31 anos, durante os quais a influência dos Venom em quase todos os espectros do metal se revelou notória, assim como a evolução do guitarrista, cujo nome de guerra Mantas continua a inspirar respeito e admiração. Tendo como parceiros outros dois ex-Venom - Tony Dolan no baixo e voz e Anthony Lant (irmão de Cronos, que entretanto abandonou a banda) na bateria - criou em 2010 os MPire of Evil, cujo primeiro longa-duração vê agora a luz do dia, após um EP do ano passado quase exclusivamente de versões. Assim que dispara a abertura “Hellspawn” - rápida, um pouco ao estilo Judas Priest - temos imediatamente a consciência do que nos espera: um poderoso disco de metal clássico de alto nível. Passando pelos riffs absolutamente geniais de “Metal Messiah” e “All Hail”, às proporções épicas de “The 8th Gate” e do tema título e com espaço para as influências blues em “Devil”, a soma de todas as partes revela-se bem mais pertinente que qualquer um dos últimos álbuns dos Venom. Deixando a sensação de ser um disco “à moda antiga”, feito por quem domina com mestria o seu ofício, “Hell to the Holy” é um trabalho muito bem conseguido e, sobretudo, sincero. Por vezes, a antiguidade é mesmo um posto. [8/10] Jaime Ferreira

Não é fácil enveredar pelo árduo caminho do metal progressivo. Para além da complexidade da composição dos temas e dos conceitos, o género teve na sua génese grandes bandas, tais como uns Led Zeppelin ou Pink Floyd (comparações à parte) que pela sua genialidade e originalidade, marcaram uma época e se tornaram pedras basilares da música para os seus contemporâneos, bem como as gerações de músicos seguintes. Os Oddland, finlandeses de gema, vencedores do prémio do júri Suomi Metal Star, conseguiram contrato com a Century Media e lançaram-se de cabeça neste projecto megalómano que é The Treachery of Senses. É um álbum bem conseguido! Tem a sua complexidade q.b. e uma produção de Dan Swanö (envolvido em dezenas de projectos de âmbitos tão distintos como Edge of Sanity, Bloodbath, Opeth ou Millencollin). Lá pelo meio poderemos encontrar belíssimos dedilhados de guitarra, um baixo eximiamente bem tocado e alguns ritmos que ficam bem no ouvido. Sem dúvida, merece ser ouvido atentamente, porque não é um daqueles registos que ficam no ouvido à primeira, talvez devido à sua complexidade. Mas, quem for capaz de quebrar a primeira barreira, encontrará mais um bom projeto/álbum/ banda vindo desse país que nos habituou a excelentes e memoráveis bandas. [8.5/10] Narciso Antunes

Com um pé no Death Metal e com outro no Black Metal, este quinteto australiano assina em “Inverse”, o seu álbum de estreia, um registo interessante que poderá vir a conferir-lhes alguma notoriedade. Ao longo de sete faixas, os Order of Orias percorrem diversas atmosferas, variando entre debitar pura violência e ferocidade, a alguma obscuridade latente e atmosférica. Aliás, a grande virtude da banda está nas dinâmicas que vai introduzindo no álbum. Nestas, consegue espelhar na perfeição a atitude de confronto e de contracorrente do Death Metal puro e duro, e, ao mesmo tempo, contrastar com o iluminismo e a transcendência através de típicos riffs de Black Metal. As estruturas das músicas são bastante trabalhadas, impelindo o ouvinte a acompanhar o desenrolar destas autênticas viagens através do caos e da opressão. Talvez o ponto menos positivo sejam os momentos inócuos mid-tempo, mais atmosféricos, que não acrescentam nada aos temas e que tornam algo desequilibrados os 50 minutos pelos quais se estende o álbum. Nota positiva para a qualidade da gravação e do artwork final desta nova aquisição da editora germânica World Terror Committee. Uma banda que revela potencial dentro do género e que pode apelar, entre outros, aos fãs dos seus companheiros de editora Ascension. [6.5/10] José Branco

O quinteto de Hardcore oriundo da cidade de Lisboa, “Reality Slap”, lança agora o novo álbum “Necks & Ropes” através da Hell Xis Records. O disco composto por 14 faixas foi gravado nos Poison Apple Studios em Lisboa e conta com várias participaçãoes especiais como é o caso de Winston Mcall (Parkway Drive), de Justice Tripp (Trapped under ice), de Mike Ghost (Men Eater) e de Poli (Devil in Me). “Necks & Ropes” é um disco frenético, de velocidade alucinante, em que cada faixa (de duração bastante curta) encaixa perfeitamente na seguinte, mantendo uma coerência e uma intensidade impressionantes e conseguindo manter a individualidade da cada canção como se fosse única. Faixas a ter em atenção são: “Silence”, “When you were dead”, “Check yout pulse” “Re-Animator”, “The calm”, faixa instrumental, “Crowds” e “Eyes wide shut”. O disco conta com um trabalho de guitarras muito intenso, com uma secção ritmica bastante poderosa e com um desempenho vocal irrepreensível, fazendo lembrar as bandas de hardcore e Punk mais Oldschool. Em suma: excelente trabalho! Para ouvir com muita atenção! [8/10] Rute Gonçalves


VALKIRIA HERE THE DAY COMES

SPAWN OF POSSESSION INCURSO

THE FORESHADOWING SECOND WORLD

THE GROTESQUERY THE FACTS AND TERRIFYING...

RELAPSE RECORDS

CYCLONE EMPIRE

CYCLONE EMPIRE

BAKERTEAM RECORDS

Aí está mais um álbum assustador, denso e brutal desta banda sueca. Depois do anterior trabalho ter feito furor na comunidade death metal, este “Incurso” mostra-se com um som mais rápido, limpo e com uma construção mais progressista. E agora, com os novos elementos Erland Caspersen no baixo e Christian Muenzner nas guitarras, os Spawn of Possession, podem ser hoje, considerados “a” banda do death metal técnico, actualmente. “Incurso” não é um álbum para qualquer fã deste género de música. Díficil de digerir, não aconselhado a ouvir todo seguido, é pesado, com riffs que mudam constantemente, onde raramente há repetições e onde as regras-padrão de construção de canções são abandonadas. E é justamente isso que os Spawn of Possession procuram e é por isso que este álbum é tão bom. Com uma bateria estrondosa, vocais precisos e um baixo corpulento, não é um registo revolucionário, mas a maturação da banda é evidente. O death metal “tradicional” continua cá, mas a experimentação é óbvia, principalmente em canções como “The Evangelist” ou “Apparition”. Construções musicais inteligentes, bastante complexas, tecnicismos acima da média e alguns elementos tirados do jazz, vai fazer deste, um dos álbuns de death metal, mais falados do ano. [8.5/10] Ivan Santos

Diretamente de Itália, mais propriamente de Roma, os “The Foreshadowing” são uma banda de Gothic e Doom Metal, nascida em 2005, mas que remonta já a 1998 e a uma ideia inicial de Alessandro Pace (aka Alex Veja), que juntou vários amigos para criar um projeto inspirado na sonoridade de bandas como “My Dying Bride”, “Katatonia” ou “Anathema”. Depois de “Days of Nothing”, o conceptual álbum de estreia e de “Oionos” de 2010, o coletivo surge agora com o terceiro disco da sua carreira: “Second World”. Este é um disco que claramente, transporta influências dos trabalhos anteriores, misturando o ambiente obscuro e complexo de “Oionos” com uma maior simplicidade e objetividade, que traz á memória, algumas faixas do primeiro disco. De facto, trata-se de um disco que vive de ambientes bastante melódicos em especial os que são criados pela guitarra acústica e pelos cantos gregorianos, mas nunca esquecendo os riffs mais pesados. Faixas a ter em atenção são: “The Forsaken son”, “Ground Zero”, “Reverie is a Tyrant” e “Friends of Pain”. “Second World” é, em suma, uma obra bastante completa, que consegue surpreender quem ouve e que marca uma clara evolução dos “The Foreshadowing” no plano musical. A banda surge muito mais madura, mais coesa e mais sólida, conseguindo introduzir elementos inovadores na sua sonoridade e continuando a deixar a sua marca única. Um bom trabalho para ouvir com atenção. [7.5/10] Rute Gonçalves

Coletivo de death metal composto por dois suecos, um norueguês e um americano, os The Grotesquery formaram-se em 2009 e apresentam-nos já o seu segundo álbum, ostentando o título completo de “The Facts and Terrifying Testament of Mason Hamilton: Tsathoggua Tales”. Um disco conceptual, no qual nos contam a história do investigador Mason Hamilton, da Miskatonic University - universidade fictícia idealizada por H. P. Lovecraft em 1922 e popularizada nos anos 80 pela adaptação cinematográfica do seu conto “Herbert West—Reanimator” encarcerado em 1946 após uma expedição a uma ilha ao largo da costa islandesa, da qual foi o único sobrevivente. A proposta da banda é um death metal muito próximo do praticado na Suécia na década de 90, extremamente coeso e bem executado. Sabendo intercalar com sucesso a brutalidade e a melodia - sendo disso “Gaze of Ghatanathoa” um excelente exemplo - seguem competentemente as pisadas de ícones da NWOSDM como Dark Tranquillity ou At the Gates. O tecnicismo inerente ao género não é menosprezado, tal como se constata com maior relevo em temas como “The Chtullhu Prophecy” ou “Dreams of Terrors in Darkness & Horrors out of Shadows”. Apesar de não atribuir qualquer tipo de nova roupagem ao estilo, este é um trabalho que demonstra ter sido pensado ao mais ínfimo pormenor, deveras completo e digno de nota. [7/10] Jaime Ferreira

Ao quinto álbum o projeto italiano deu por ventura o passo mais ousado da carreira. Pela primeira vez em colaboração com uma editora, em “Here the Day Comes”, um disco que levou três anos a ser preparado, Valkiria mostra evolução. Longe das raízes Black Metal, temos hoje Dark Epic/Gothic Metal de boa qualidade. Ao longo de sete temas, onde viajamos pelos diferentes momentos de um dia (que vão desde o nascer do sol à noite), percebemos que o foco da composição incide na melodia e atmosfera - no fundo a grande imagem de marca do projeto. A grande referência sonora é claramente Katatonia da fase “Brave Murder Day” (de onde existem riffs praticamente decalcados). Apesar da frieza nórdica, na sua perspetiva mais contemplativa e sorumbática, em “Here the Day Comes” é possível encontrar uma faceta emocional que só uma banda mediterrânica poderia acrescentar (tal como fazem, por exemplo, os Novembre). Aliás, foi aos préstimos do baterista desta banda, Giuseppe Orlando, que Valkus Valkiria (multinstrumentista deste que é praticamente um projeto a solo) recorreu para a mistura e gravar as partes de bateria. Tal tem sucedido com outras bandas que passam pelas mãos de Orlando, o som final é bastante cheio e orgânico. Assinalável melhoria também no tratamento da imagem da banda, artwork e magnífico videoclip preparado para o tema “Sunrise”. [7/10] José Branco



Infektion Magazine #13 - Abril 2012