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04 VOX POPULI

ACORDO ORTOGRÁFICO: SIM OU NÃO?

06 NOTÍCIAS 08 PASSATEMPOS 10 ARTWORK C/ OSCAR AFONSO 12 DARKSIDE OF INNOCENCE 16 ORANGE GOBLIN 20 PENTACROSTIC

O Acordo Ortográfico anda por aí faz algum tempo e foi tema central nas nossas reuniões recentes. Afinal, deve a Infektion adoptar ou não o Acordo? Depois de muito reflectir decidimos que vamos respeitar o acordo a partir da edição nº 11, referente ao mês de Fevereiro. Porquê? Muito simples: A Infektion Magazine chega a países como o Brasil e Angola e estes dois países ajudam muito na divulgação da revista, resultando em números incríveis tanto de leitores nas nossas edições online como de visitantes no site. É a pensar na união entre povos que decidimos adoptar o acordo e fazer da Infektion algum comum entre os metalheads de todos os países lusófonos.

22 OPERA IX 24 CALIBAN 28 FLAGELLUM DEI 30 GRIMNESS 32 BEAUTIFUL VENOM 34 INNER BLAST

A nível pessoal, eu e muitos outros colaboradores não estamos muito convencidos com o Acordo Ortográfico, no entanto, e a pensar no futuro da Infektion, resolvemos abrir uma excepção para esta publicação. Agradecemos a vossa compreensão!

36 VOICES OF DESTINY 40 NEFASTU 42 DARK WINGS SYNDROME 44 RAW DECIMATING BRUTALITY 46 VULCANO 50 MY BLACK LIGHT 52 ESTÓRIAS QUE MATAM 56 INFECÇÃO URINÁRIA DE MARTE 58 REVIEWS 64 LIVE REPORT

Tenho um estúdio de tatuagens / de gravações e gostava de ser entrevistado. O que devo fazer para figurar numa edição da Infektion? via E-Mail Temos interesse em entrevistar estúdios todos os meses e reservar uma página só para portfolio (tatuagens / artwork). Os interessados devem entrar em contacto através do e-mail infektionmagazine@gmail.com e indicar um link onde seja possível encontrar informação sobre o estúdio bem como portfolio. Teremos todo o gosto em indicar o que é necessário para promoverem o vosso espaço na nossa revista e com isso chegarem a milhares de leitores.

Pedro Remiz Darkside Of Innocence

SKRILLEX Scary Monsters...

PERIPHERY Periphery

IKUINEN KAAMOS Fall Of Icons

ANIMAL AS LEADERS Weightless


Posso comprar CDs directamente a vocês? via E-Mail A compra de Merchandising e Áudio deve ser efectuada no site da Infektion Records, em www.infektionrecords.info/store Basta efectuar o registo e navegar pelo nosso catálogo. O catálogo da Infektion Records ainda é muito reduzido. Para quando um upgrade? via E-Mail Foi muito difícil encontrar uma parceria para fazermos uma boa distribuição. Em princípio, a partir de Fevereiro teremos um catálogo melhor à vossa disposição. Porque eliminaram o Facebook da Infektion? via E-Mail O perfil do Facebook da Infektion Magazine foi convertido numa página e eliminamos a página anterior. Desta forma não nos arriscamos a perder todos os amigos (um perfil para a revista ia contra as regras do Facebook) e conseguimos converter os amigos em fãs da nova página. Foi, no entanto, criado um novo perfil com o nome de “Joel Costa (Infektion Zine)” que serve apenas para divulgar as nossas edições.

Para quando uns passatempos? via E-Mail Já recebemos muitos e-mails de leitores que querem passatempos na revista. Já entramos em contacto com algumas bandas e temos para oferecer CDs e Merchandising nas próximas edições. Nesta edição podes encontrar dois passatempos com Factory Of Dreams e Dark Wings Syndrome. Como posso anunciar na vossa revista? É gratuito? via E-Mail Não é gratuito mas é muito simples, económico e rentável. Contacta-nos através do e-mail infektionmagazine@gmail.com Teremos todo o gosto em responder às tuas questões e de encontrar a melhor forma para anunciar os teus serviços ou produtos. Gostava de estabelecer uma parceria com a Infektion. É possível? via E-Mail Sim. Estamos receptivos às sugestões dos leitores. Entra em contacto connosco através do e-mail abaixo indicado. ENVIA AS TUAS QUESTÕES PARA: infektionmagazine@gmail.com

ELEMENTOS À SOLTA, LDA Rua Adriano Correia Oliveira 153 1B 3880-316 Ovar PORTUGAL EDITOR Joel Costa DIRECÇÃO Cátia Cunha & Joel Costa GESTOR DE MARKETING Davide Gravato CONCERTOS Liliana Quadrado DESIGN & PAGINAÇÃO Elementos À Solta, LDA www.elementosasolta.pt EQUIPA Ana Miranda Anna Correia Bruno Farinha Carlos Cariano Cátia Cunha Cristiano Estevão David Horta David Oliveira Davide Gravato Fátima Veríssimo Flávio Santiago Íris Jordão Jaime Ferreira João Lemos Joana Rodrigues Joel Costa José Almeida José Branco José Machado Liliana Quadrado Marcos Farrajota Mónia Camacho Narciso Antunes Rute Gonçalves Valentina Ferreira Valter Simões Vanessa Correia FOTOGRAFIA Liliana Quadrado Créditos nas páginas PUBLICIDADE infektionmagazine@gmail.com T. 92 502 80 81


Já saiu a segunda compilação física da Infektion Magazine. Esta compilação, tal como a primeira, é limitada a 100 unidades e será distribuída no formato Card Sleeve. Para adquirir só precisas de te registar e pagar 1€ referente aos portes de envio. http://infektionmagazine. info/infected-2-order/

Nos dias 23 e 24 de Março, decorre no Side B (Benavente) o EXTREME METAL ATTACK IX, promovido pela HELLDPROD. Este evento reúne bandas como KILL, BAPHOMET BLOOD, ALCOHOLOCAUST, MARTELO NEGRO, NEFASTU, GOATFUKK, IRAE e MARTHYRIUM.

No dia 7 de Janeiro os nacionais SWITCHTENSE arrancaram com a “Unbreakable Tour 2012 “, que não só irá levar a banda a diversos pontos do país como também servirá para apresentarem o seu mais recente trabalho a nível internacional.

Os suecos KING OF ASGARD vão gravar um novo álbum em Março de 2012. Depois de em 2010 terem lançado “Fi’mbulvintr”, o seu álbum de estreia, e de tocarem em diversos festivais e concertos em 2010 e 2011, a banda encontra-se agora focada na composição de novo material.

Foi diagnosticado cancro a Tony Iommi, guitarrista dos Black Sabbath. O linfoma encontra-se numa fase inicial e neste momento os médicos estão a pensar qual será o melhor tratamento para o músico. Os restantes elementos da banda vão agora viajar para o Reino Unido para continuarem a trabalhar com Tony Iommi.

Depois de anunciadas as presenças de ARCH ENEMY, OVERKILL, ARCTURUS, ENSLAVED, TEXTURES e NORTHLAND na IV Edição do festival Vagos Open Air, chega a altura de revelar duas novas adições ao cartaz: os suíços ELUVEITIE e os taiwaneses CHTHONIC. Visitem www.infektionmagazine.info para mais info.

Os Valen Halen estão de volta com um novo álbum, bem como uma tour norte-americana e uma possível passagem por festivais europeus. “A Different Kind Of Truth” será o primeiro álbum da banda em 13 anos e o primeiro desde 1984 com o lendário líder David Lee Roth.

Depois de nove anos à frente dos Killswitch Engage, o vocalista Howard Jones abandona a banda por motivos ainda por esclarecer. Encontrar um novo vocalista é a prioridade nº 1 da banda, que preparava-se para lançar um novo álbum no final do ano e agora deixam tudo em aberto.

Os brasileiros Divine Uncertainty apresentaram recentemente o seu EP de estreia em São Paulo. A banda participou também na compilação “Infected #2”, promovida pela Infektion Magazine, com o tema “The Ego”.


Os Factory of Dreams têm duas cópias assinadas do álbum ‘Melotronical’ para te oferecer. Para ganhares basta responderes à seguinte questão: Qual o video dos Factory of Dreams com mais visualizações no canal oficial da banda no youtube (http://www.youtube.com/projectcreation)? 1- Sonic Sensations 2- The Weight of The World 3- Back to Sleep As duas primeiras respostas correctas ganham! Boa sorte e boa música!

Os Dark Wings Syndrome têm uma cópia do álbum ‘Arcane’ e do single ‘Spiritual Emotions’ para te oferecer. Para ganhares basta responderes à seguinte questão: Qual o nome da editora dos dark wings syndrome? ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ENVIA AS TUAS RESPOSTAS PARA INFEKTIONMAGAZINE@GMAIL.COM O ASSUNTO: - PASSATEMPO FACTORY OF DREAMS - PASSATEMPO DARK WINGS SYNDROME


A

primeira vez que associei um trabalho ao teu nome foi com o artwork do EP “Against All”, dos Blindslaves. Como chegaste ao resultado final e que mensagem procuraste transmitir? A mensagem a transmitir foi precisamente algo muito próximo do título do álbum, alguém relativamente encurralado, com o mundo e toda a gente contra si, mas que por outro não desiste da sua sobrevivência. Inicialmente, houve outro esboço, de uma ideia sugerida pela banda, em que o indivíduo estava perto do precipício mas com a população também cá em cima, ou seja, totalmente encurralado, sem opções de fuga; mas quando mostrei a minha ideia ligeiramente diferente, também eles preferiram. Com esta composição é incutido bastante poder à personagem, não a vemos como a alguém derrotado, mas como alguém que enfrenta o que tiver que enfrentar. No todo conseguiu-se uma composição mais grandiosa, muito à custa, também, da sensação de infinito ao olhar para o mar de gente. Depois de consultar algum do teu portfolio, reparei que os teus tra-

balhos podem ser facilmente identificados, uma vez que tens uma maneira peculiar de trabalhar. Encontrar um estilo próprio foi algo difícil de conseguir? Fico feliz por ouvir isso. Foi algo difícil e fácil ao mesmo tempo. Difícil porque, durante algum tempo, julguei que nunca teria um estilo próprio pois não olhava para o meu trabalho como nada de novo, mas também nunca quis forçar a inclusão de esta ou aquela característica, sempre deixei que o processo fosse o mais natural possível (de acordo com as minhas influências e exigências de cada trabalho, claro). Por outro lado, foi algo fácil, porque nos últimos tempos percebi que já reconhecem a autoria dos meus trabalhos, olhando apenas para as imagens, e afinal, acabou mesmo por ser uma definição e evolução que aconteceu muito naturalmente. Um dos trabalhos que mais me chamou a atenção foi uma representação de um anúncio de “Relax”. Fala-me um pouco disto... como surgiu a ideia? Esse trabalho foi para a unidade curricular de Comunicação e Jornalismo, incluída no 1º ano do Mestrado em

Ilustração. Apesar de ser uma cadeira teórica, tive liberdade para fazer algo prático, desde que o justificasse com um enquadramento teórico. A ideia surgiu muito espontaneamente, a meio de uma conversa com o Professor. O conceito do trabalho parte da questão “e se os anúncios picantes fossem ilustrados?”, que foi o título do meu trabalho. Integrei o trabalho num mundo de edição hipotético em que fotografias explícitas seriam proibidas, mas a ilustração não, por ser apenas uma representação e não a verdadeira “pornografia” presente nas fotografias; um mundo onde cada jornal tivesse um ou mais ilustradores que fizessem os desenhos a partir de fotos enviadas pelos clientes, e os clientes pagariam mais ou menos conforme a qualidade da ilustração. Aliás, todos os desenhos foram feitos a partir de imagens de anúncios reais e, toda a informação é verdadeira, incluindo os números de telefone. (risos) Desenhaste uma T-Shirt para os Suicide Silence. Como surgiu a oportunidade? A ilustração não foi feita de propósito para os Suicide Silence. Fiz a ilustração livremente, quando ainda estava a


tentar dar o primeiro passo no mundo da ilustração para bandas, e acabei por vendê-la ao manager da banda, que a viu publicada online, no site, agora extinto, emptees.com. Adorei o que fizeste com os Crushing Sun. A imagem está muito forte e presente. Fala-nos um pouco do teu método de trabalho e deste caso em particular... Em todos os casos de trabalho com bandas, oiço primeiro as ideias que têm, sejam elas mais ou menos concretas, trabalho sobre elas e também tento adaptar o meu estilo a cada uma delas, conforme a sua sonoridade. No caso dos Crushing Sun, disseram-me que queriam uma ilustração sobre o taoismo, e que incluísse, se possível, “os sentidos”. Fiz uma boa investigação sobre o tema, e a ilustração acabou por ser uma manifestação visual bastante literal do mesmo: um caminho espiritual que se faz a dois, em per-

feita igualdade e complementaridade, homem e mulher em simbiose um com o outro, e ao mesmo tempo com a natureza; um uso ideal dos sentidos para a ligação entre si e com a natureza. Apesar de estar a trabalhar sobre vários elementos, foi fácil dar coesão à composição porque o próprio tema me sugeriu isso. Com que outras bandas é que já trabalhaste? Além das que já referiste, fiz t-shirts para My Eyes Inside e Solid Spectrum, e artworks de CD para Solid Spectrum, Dynamite Trust e Death Will Come. Tens algum trabalho em curso que possas comentar um pouco? Sim. A nível de bandas, estou a trabalhar com duas. Um dos trabalhos é uma t-shirt para Soiled Upon The Earth, que se encontra ainda numa fase muito inicial. O outro é um trabalho ambicioso para Monolyth. Ambicioso

porque inclui várias ilustrações, para o artwork do CD e para a t-shirt, e porque estas são ilustrações científicas, feitas à mão com stippling de caneta e tinta da china, exigindo um rigor e paciência enormes. Planos para o futuro... Durante este ano de 2012 concluir o Mestrado, vou trabalhar sobre um livro do José Luís Peixoto como projecto final; trabalhar para a minha exibição pessoal, a realizar algures em Julho na Galeria O!, onde vendo e exponho, actualmente, alguns trabalhos. A longo prazo, trabalhar para viver unicamente da ilustração, sempre ligado à música, especialmente ao metal e hardcore. Entrevista: Joel Costa Imagens: Oscar Afonso


A banda portuguesa Darkside of Innocence através de Pedro Remiz criou um projecto muito interessante a que o álbum Xenogenesis dá corpo. Não é apenas a música que tem uma sonoridade especial, mas todo o conceito que lhe é subjacente. Há uma certa perfeição na união da espiritualidade à música. A capacidade de dar mundos aos ouvintes torna este disco essencial para qualquer pessoa que tenha fascínio pelo imaginário humano. Há um elevar de consciência que começa a ser visível na sociedade (ao contrário do que possa parecer) e este álbum, é à sua maneira uma representação dessa evolução/ revolução ou uma materialização dessa visão numa forma de arte completa e consistente.

F

alem-nos um pouco da escolha de “Xenogenesis” para título do vosso último álbum. PEDRO REMIZ – É um título que faz alusão a um estado evolutivo na espécie humana, que considero como algo transcendental espiritualmente. O nome “Xenogenesis” provém de um filme, em que associam este termo ao fenómeno que se dá, quando um ser de uma determinada espécie se reproduz num hospedeiro de uma espécie diferente. Neste caso e curiosamente, eram alienígenas que usavam corpos humanos para fazerem subsistir a sua espécie e o resultado eram vários indivíduos que apesar de habitarem corpos diferentes, partilhavam todos a mesma mente e agiam como um colectivo. Achei extremamente curioso e decidi utilizar este nome em jeito de alegoria, porque segundo a ideologia

que construí para os Darkside of Innocence, Sophia (uma entidade metafísica) seria como um tipo de sabedoria que se apodera da raça humana e vai perpetuando a sua existência em todos nós, à medida que tenta estabelecer, a tão aguardada singularidade – instaurando-se num colectivo como uma mente igualmente uniforme. Este trabalho tem uma atmosfera muito forte. É algo que procuram encontrar musicalmente? Sim. Mais do que outra coisa qualquer, tentei criar um ambiente que seja envolvente e recrie de acordo com cada sujeito, uma imagética que possibilite a existência de mundos extraordinários com espaço para que a fantasia aconteça. Lugares onde desejariamos estar. Sensações que gostaríamos de experienciar como propósito último

que a vida possa ter. O que podem dizer-nos, por exemplo, sobre as músicas “Dulcifer Tragoedia” e “D’eus”? Dulcifer Tragoedia por exemplo, é um tema demasiado especial e intenso para mim, porque retrata uma vivência que há muito buscara para me sentir realizado. Como se de uma representação nostálgica se tratasse, tento convencer-me com a ideia que criei de toda essa realidade em que habitei, que irei regressar um dia ao lugar que eu considero a minha casa - ainda que saiba que o passado já não mora aqui. Todo este conto romântico de proporções trágicas, é acompanhado por uma valsa e um ambiente puramente místicos. Há uma certa “mestiçagem” de influências neste “Xenogenesis”?


Sem dúvida alguma. Afinal de contas, eu sou extremamente mestiço no que toca à cultura musical e não conseguiria confinar-me apenas num género musical. Qual a importância da sonoridade electrónica neste trabalho? Bem, por acaso é engraçado que abordes esse assunto, porque foi uma altura bastante experimentalista em que comecei a ouvir outros géneros musicais. Talvez para este trabalho não tenha sido assim tão fulcral quanto possa parecer, mas foi uma porta que se abriu, sendo que os próximos registos que farei para Darkside of Innocence já serão providos de uma abordagem bem mais electrónica. E quão progressivo é este “Xenogenesis”? Pois. Creio que isso é relativo à opinião de cada um, mas explorámos imenso uma vertente mais progressiva da música ao começarmos a trabalhar tempos e melodias que nos pareciam menos convencionais. Como surgiu a colaboração com Maggot Meister relativa à capa do álbum? Há algum tempo que eu e o Maggot Meister temos uma relação artística excelente. Começámos por fazer algumas experiências e da parte que me toca, posso dizer que encontrei ali uma espécie de artista predilecto, pelo facto de nos entendermos plenamente. Ele fez-nos alguns trabalhos para além de Xenogenesis e posteriormente foi combinado que nos faria a capa para este registo. A vocalização de Sara Henriques em algumas faixas dá-lhes

um toque lusitano e original. Concordas? Sim e é uma pena que a Sara tenha saído da banda precisamente na altura em que se começava a desenvolver e a polir as arestas que menos lhe eram convenientes a meu ver. Investi muito na voz dela, praticamente vi-a a passar de uma cantora mediana para uma das vozes mais bonitas que a música portuguesa poderia conhecer. Se tivesse a oportunidade, gostaria de vê-la chegar ao seu auge com este projecto e espero que ainda possa ter a oportunidade de voltar a vê-la trabalhar comigo num futuro breve.

proveitoso para às pessoas que procuram ouvir música dentro desse género e se queiram sentir orgulhosos com o país em que vivem.

Por falar em originalidade, este trabalho possui essa qualidade. É algo que buscam quando criam música, ou há coisas mais importantes? Obrigado! Eu por acaso já desisti um pouco de ser original. Procuro ser pouco repetitivo e fazer várias coisas que penso que me completam, mas a originalidade é algo que advém com outra característica e não com a minha vontade de ser genuíno.

Partilham com Fernando Pessoa a crença no V Império? Outrora já tive a minha crença assente em contornos mais patrióticos e considerava em hipótese, um império um pouco ou tanto utópico em que um Portugal evoluído espiritualmente, voltaria a trazer um pensamento mais unificador aos povos do mundo. Mas hoje ultrapassei essas ideias, ainda que valorize o seu conceito artístico/estético.

A vossa música tem tido boa receptividade também no estrangeiro. Isso era um objectivo? Claro! Até porque houve uma altura em que investi muito do meu trabalho na divulgação de Darkside of Innocence lá fora.

Entrevista: Mónia Camacho Fotografia: Sara Machado

Qual é a vossa percepção da cena musical portuguesa neste momento, dentro do universo do metal? Como está a evoluir? É um mercado cada vez mais competitivo e variado - basicamente cada vez há mais oferta. Não posso dizer que tipo de evolução seja essa, mas antes, é capaz de ser

Porque se intitulam os herdeiros de Sophia? Tem a ver com uma ideologia que concebi em torno de uma entidade que conheci ainda quando era bastante jovem. Comecei por achar que os Darkside of Innocence precisavam de uma vestimenta que caracterizasse o projecto e cheguei depois à conclusão, que nada melhor que uma das minhas maiores influências para materializar esse conceito em forma de arte.

Formação: Pedro Remiz (voz) Origem: Portugal Estilo: Gnostic / Progressive Discografia: Infernum Liberus EST (2009) Xenogenesis (2012) www.facebook.com/darksideofinnocence


A Eulogy for the Damned é o próximo álbum dos Orange Goblin, após um jejum de 5 anos. De cara lavada, com uma sonoridade mais polida e sob o selo de uma nova editora, este novo registo promete trazer muitas novas surpresas. Joe Hoare desvendou-nos um pouco sobre este trabalho e o que poderemos esperar dele.

P

arabéns! Vocês fizeram-no de novo!  Tivemos a oportunidade de ouvir o “Eulogy for the Damned” e é excelente! Como correu a produção deste álbum? Muito obrigado!  Pegámos numa abordagem muito diferente para a gravação deste álbum, que funcionou muito bem para nós.  Foi gravado ao longo de 9 fins de semana deixando o resto da semana livre para dar aos nossos ouvidos uma pausa, ouvir para trás e fazer alterações.  Normalmente, passamos três semanas trancados num estúdio no meio do nada, completamente absorvidos no que estamos a fazer e, sejamos honestos, a beber demais!  Que apesar de divertido pode levar-te à loucura depois de algum tempo!  Este processo deu-nos um pouco de espaço para respirar e a oportunidade de ouvir outra vez uma semana depois com os ouvidos descansados e creio que funcionou muito bem. Quais são as principais diferenças deste registo e dos vossos primeiros trabalhos, tais como Frequencies from planet 10? Bem, agora a produção é muito mais limpa.   Não é que estivéssemos descontentes com qualquer das outras gravações mais antigas, mas desta vez só queríamos tudo para soar o mais limpo possível. Não nos incomodámos se não fosse “stoner” o suficiente, apenas contanto que parecia grande e alto!  Trabalhámos com um jovem produtor chamado Jamie Dodd e ele realmente fez um trabalho fan-

tástico. Neste álbum, cada faixa é muito diferente do passado.  Nos álbuns anteriores parece haver uma vibração inconsciente, mas definitiva correndo pelas faixas. no “Frequencies”, por exemplo, foi um álbum bastante trippy, “Time Traveling Blues” e “The Big Black” foram mais daquilo a que poderão chamar de stoner, “Coup de Grace” teve uma vibe mais punk, “Thieving” era mais rock’n’roll e “Healing Through Fire” era mais metal Este é praticamente um pouco de tudo.  Também tentámos algumas coisas novas e estamos muito felizes com o resultado final. Qual o conceito por trás deste novo álbum? As letras são focados em que temas? Bem, não há um conceito por trás de Eulogy.  O Ben decidiu divertir-se com as letras e escrever sobre o que lhe veio à mente e o que também parecia encaixar-se com a música. A primeira faixa, “Red Tide Rising” é sobre monstros do mar que se erguem e vão dominar o mundo, “Where as Acid Trial” é sobre, bem, tomar ácido! E “The Filthy and the Few” é acerca de Sonny Barger e os Hell’s Angels, uma verdadeira mistura. A maioria das músicas já estavam gravadas e finalizadas antes do Ben sequer ter escrito a primeira letra, o que lhe deu um pouco mais de tempo para se sentar e pensar nelas.  A maior parte do tempo o resto de nós nem tinha ideia de como as vozes iriam soar ou qual era o tema até que ele gravasse. Quais serão os singles/vídeos a

sair deste novo álbum? Acabámos de fazer um vídeo para “Red Tide Rising”, que será o primeiro single. Escolhemos esta faixa, uma vez que parece resumir a banda muito bem musicalmente. É a faixa “Goblin” mais óbvia e acho que tem muita potência!  Não tenho a certeza sobre o próximo. Pessoalmente gostaria de fazer “Stand For Something”, mas vamos ver o que acontece. Quem não conhece Orange Goblin o que poderá encontrar neste registo? E a antiga base de fãs? Bem, como disse antes, é uma verdadeira mistura de estilos musicais aqui e espero que traga algo para todos. Com isto quero dizer que os fãs mais velhos não precisam de pânico, uma vez que ainda é um álbum muito “Goblin”! As nossas influências, desde o início, sempre foram os Black Sabbath, Zeppelin, Motorhead, etc. Apenas o bom e velho heavy metal! E nada mudou em tudo.  Então, não se preocupem, não nos transformámos nos Linkin Park! Dos estúdios Rise Above para Sanctuary e agora Candlelight Records... Umas mudanças e tanto…  O que aconteceu entre vocês e as produtoras e quais são as vantagens / melhorias que sentiram ao lançar este album sob o selo Candlelight? Bem, em primeiro lugar e o mais importante, nunca tivemos qualquer stress com a Rise Above ou a Sanctuary e ainda continuamos


“alguns dos meus concertos favoritos foram em pequenos clubes escuros, onde o público está bem perto e os tectos estão a pingar de suor. Isso, para mim, é que é rock’n’roll!” em bons termos com os dois... Depois de gravar cinco álbuns com a Rise Above pareceu ser o momento certo para seguir em frente. A Sanctuary ofereceu-nos um contrato e funcionou muito bem, mas infelizmente eles tiveram alguns problemas internos e, como resultado, tivemos que pôr um ponto final. A Candlelight, de seguida, levou-nos debaixo da asa, e devo dizer que têm sido espectaculares e incrivelmente pacientes connosco: esperaram cinco anos para lhes darmos um álbum e nunca colocaram qualquer pressão sobre nós para o fazer.  Têm sido muito solidários e realmente deram um empurrão ao álbum. Estamos todos muito felizes com a mudança.

maneira. E tem sido uma grande festa!

16 anos na estrada e 7 álbuns, como se vêem agora? Todos os objetivos alcançados?  Sentem-se realizados? Sim, acho que sim, considerando que a banda só começou como algo para depois do trabalho, quando estávamos aborrecidos.  Sempre fomos grandes amigos antes de ter a banda, então chegar até aqui foi algo que nunca sonhámos.  Obviamente que seria bom ter feito um pouco mais dinheiro, mas esse nunca foi o nosso objetivo de qualquer

Como é que os fãs dos Orange Goblin se parecem? Quando alguém entra num lugar onde vocês estão a tocar, qual é o público mais comum que se poderá encontrar: metalheads puros ou aqueles tipos que gostam de ouvir alguns sons de rock’n roll um pouco mais pesado? É um pouco dos dois, na verdade.  Notei um monte de garotos metaleiros que foram aparecendo recentemente. Bem, é impressionante!  Durante algum tempo, foi

Nos últimos anos, na tua opinião, qual foram os maiores destaques da carreira dos Orange Goblin ? Tocar no Japão com os Cathedral em 1999 foi muito especial e a última turné norte-americana foi muito boa, também. Mas houve tantos, que é difícil escolher. Tocar com os Heaven and Hell e com o Alice Cooper foi, obviamente, incrível, mas, alguns dos meus concertos favoritos foram em pequenos clubes escuros, onde o público está bem perto e os tectos estão a pingar de suor. Isso, para mim, é que é rock’n’roll!

principalmente um público mais velho que nos vem ver, o que é fixe, mas é bom ver algumas caras mais jovens no meio da multidão. Acho que devemos estar a fazer algo de importante, certo? Já passou algum tempo desde que vocês tocaram em Portugal... No vosso site podemos ver uma turné pelo Reino Unido e na Irlanda... mas, e quanto ao resto da Europa? Esperamos poder passar por Portugal e pelo resto da Europa o mais cedo possível, mas porque todos nós temos famílias jovens e trabalhos durante o dia é difícil encontrar tempo para tudo! Mas queremos realmente voltar a tocar para vocês. A última vez foi em 2007 no Lotus Bar, se não estou em erro. Na verdade, acabei de encontrar filmagens desse concerto no YouTube, foi um daqueles concertos divertidos e suados que eu tanto gosto e a multidão era tão incrível. Assim, quanto mais cedo melhor!

Entrevista: Narciso Antunes Fotografia: Candlelight Records


Recuperando a formação que os lançou no underground brasileiro, e após uma compilação que recupera mais de duas décadas de carreira, o quarteto de Death Doom Metal de São Paulo está prestes a gravar um novo álbum com vista a alcançar novos patamares de notoriedade.

O

s Pentacrostic são pioneiros do Doom/Death no Brasil. Que balanço fazes da carreira da banda, que culminou com a compilação “The Pain Years 1989-2010”? Ficámos muito satisfeitos com esta coletânea. Trata-se de um conjunto de canções que, a meu ver, marca um grande reconhecimento de todos os anos de batalha da banda. Essa compilação foi editada e distribuída principalmente fora do Brasil em muitos países. Sen-

tes que pode funcionar como uma rampa de relançamento da carreira dos Pentacrostic? Sim, com certeza. Mas, neste momento, encontramo-nos na fase de preparação de um novo trabalho. Este será lançado pela editora holandesa Murder Records. Que capítulos se seguem para a banda? Sei que estão a fazer alguns shows pelo Brasil, mas para quando um álbum novo? Nesta fase, estamos sobretudo concentrados num novo trabalho

de Pentacrostic que prevemos lançar até ao final de 2012. Em Fevereiro passado, confirmaram no Twitter o regresso à formação do álbum “De Profundis”. Consideras que é o vosso melhor line-up? Podemos dizer que sim. Em 2011 fizemos apenas uma apresentação com essa formação, portanto não deixa de ser também uma formação clássica, apesar já reportar ao nosso segundo álbum (editado em 1996). Não é que considere que


seja o melhor line-up de todos os tempos mas considero esta formação muito marcante para uma determinada época.

lacionados com a realidade, desde guerras e fanatismo ou a religião. Não fazemos letras com o objetivo de impressionarmos as pessoas.

Sinto no vosso percurso uma enorme perseverança e orgulho em pertencer a um meio de música extrema e underground. Sendo que muitas bandas vão ficando pelo caminho, o que vos faz continuar? É a paixão e muita dedicação pelo som de Pentacrostic o que nos move até hoje, pois é muito difícil manter uma banda de Death Doom Metal aqui no Brasil!

A sonoridade da banda tem evoluído ao longo do tempo, mas como achas que tem evoluído o perfil do seguidor da vossa música? Sobretudo depois dos anos de 1990, o Doom Metal foi um estilo que cresceu muito no Brasil, mas não vejo nenhuma banda a lançar algo de diferente depois desse período. Existem muitas bandas boas por aqui mas creio que com o tempo cada uma vai encontrar sua identidade própria dentro do estilo.

Apesar de mais de duas décadas de existência, Pentacrostic não é muito conhecido no meio português. Como apresentarias a banda, a vossa sonoridade e temas líricos abordados? Realmente não somos ainda muito conhecidos, mas queremos fazer uma tour a fim de divulgarmos cada vez mais a banda por todos os cantos do mundo. As nossas letras abordam temas obscuros, a vida depois da morte e temas re-

Como analisas o Metal underground brasileiro na actualidade, em especial de São Paulo? Que nomes destacarias? Vejo que o underground aqui é muito forte e fiel pois bandas como Rot, Ratos de Porão, Sarcófago, Dorsal Atlântica ou Vulcano, fizeram a história da cena brasileira até agora e só os fortes permane-

cem no ativo. Uma das vossas lutas tem sido com as editoras e com as dificuldades de promoção dentro deste género musical. O que mudou nas últimas décadas no Metal do Brasil? Muitas coisas mudaram com a chegada da Internet, o que, na atualidade, veio facilitar bastante para quem tem uma banda no Brasil. Antigamente, até para acedermos a uma banda norte-americana era difícil – pois não era qualquer um que tinha dinheiro para comprar um vinil importado. Hoje é possível ouvir qualquer banda do mundo e conhece-la melhor. Gostaria de aproveitar para agradecer a oportunidade para realizarmos esta entrevista e à Murder Records pelo grande trabalho que vem realizando connosco. Estou muito grato, do fundo do coração. Entrevista: José Branco Fotografia: Murder Records


Apesar do hiato de oito anos sem novo material editado, os italianos Opera IX não estiveram parados. Regressaram para encerrar a trilogia sobre bruxaria e a Idade Média, num formato mais cru e direto mas, em simultâneo, assumidamente sinfónico. E prometem não ficar por aqui.

S

trix Maledictae in Aeternum” é o título do vosso novo lançamento. Qual é o conceito subjacente ao mesmo? “Strix…” é a conclusão de uma trilogia iniciada com “Maleventum” (2002). Trata-se de uma trilogia sobre bruxaria - mas enquanto o álbum que iniciou a trilogia abordava a bruxaria em antigos cultos pagãos, o que a encerra situa-se na Idade Média. A ideia de abordar este tema nasceu durante a consulta de documentos num convento perto da cidade onde vivo - estes descre-

viam um processo real de bruxaria. Tudo foi gravado entre o outono de 2010 e o início da 2011. Fala-nos um pouco sobre este processo de gravação? Começámos as gravações em novembro de 2010 (Samonios, o lado obscuro do calendário celta). No início apenas tínhamos três temas preparados que seriam enviados para fins promocionais, mas após sermos contactados pela editora terminámos o álbum. A mistura foi concluída em fevereiro de 2011 e depois disso

enviámos tudo para os Necromorbus Studios para ser feita a masterização final. Um clipe promocional foi feito para o tema “Mandragora”. Por que optaram por essa música? É um tema importante. A “Mandragora” também inspirou a capa de “Strix…” e pensamos que o que é descrito nas letras também permitiria produzir imagens atraentes para o clipe. Qual a razão de terem estado oito


anos sem editar qualquer tipo de material novo? Não andámos a molengar durante esse tempo porque temos várias coisas planeadas para a banda que nos têm tomado muito tempo. Em primeiro lugar, tivemos uma mudança na formação, com um teclista de sessão a fazer a vez do Lunaris. A questão é que antes de nos decidirmos pelo Alexandros tentámos outras possibilidades e isso fez-nos perder imenso tempo. Foi então que decidimos fazer algumas reedições, um DVD triplo, mas o que nos tomou mais tempo foi a composição do novo álbum e tentar encontrar outra editora... Tudo ao longo de sete anos. Aliás, para este novo LP, os Opera IX aparecem associados à Agonia Records. Qual o motivo da mudança? Como tem sido a vossa relação com a nova editora até agora? Findo o acordo com a Avantgarde Music demorámos algum tempo até colocarmos em ordem todas as nossas ideias, tal como te mencionei anteriormente. Só em 2010 é que começámos a avaliar novas editoras com quem poderíamos vir a trabalhar. Tivemos um primeiro contato com a Displeased, mas este terminou prematuramente e de uma forma um pouco anómala, após apenas alguns meses da assinatura do acordo. Foi aí que começámos a enviar a promo de “Strix…” e editoras como a Agonia revelaram-se muito atentas aos Opera IX. Até aqui, temos trabalhado muito bem e numa base muito séria. Desta vez a banda esmerou-se na

criação de atmosferas mais grandiosas e orquestrais ao longo de todo o registo. Essa utilização foi em prol do conceito ou trata-se de uma nova abordagem ao som da banda? Não. Creio que consiste numa evolução normal da nossa parte. Sinceramente, não sei como poderá ser a futura sonoridade da banda. É possível que venha a ser mais escura ou agressiva, mas tudo depende do desenvolvimento dos conceitos e histórias adjacentes. Depois de ouvir o álbum em diversas ocasiões, sinto que “Strix…” ainda está muito alicerçado no Black Metal sinfónico e atmosférico, não muito diferente do início da vossa carreira. Concordas que a banda ainda persegue os mesmos objetivos artísticos após mais de 20 anos de existência? Não estou certo que “Strix…” se assemelhe aos nossos primeiros álbuns, como “The Call of the wood” ou “Sacro Culto”, porque o som é diferente - é mais “in your face” - e o ritmo é mais rápido. Além disso, também o processo de gravação é diferente. Talvez essa sensação que tenhas de um som enraizado nos anos 1990 resulte do fato de termos concluído que o som que idealizámos para Opera IX para o álbum “Strix…” deveria ser obscuro como a Idade Média. O que mudou na cena Black Metal nestas duas décadas? Sentes que os Opera IX acabam por ser ainda uma espécie de “portadores da chama” do Black Metal mediterrânico? Hoje sinto uma maior diluição em re-

lação à encarnação original do Black Metal, e alguns aspectos culturais e filosóficos parecem ser demasiado forçados. O fato de as pessoas e os fãs desejarem identificar os Opera IX como responsáveis pela cena Black Metal mediterrânica, só nos pode deixar orgulhosos, por termos contribuído para a caraterização de um tipo de música único e distinto dos demais. A vossa música retrata temas macabros e ocultistas ocorridos na Idade das Trevas. Os elementos dos Opera IX têm um gosto especial para essa época e/ou sentem que esses tópicos retratam também os tempos atuais? Os elementos que integram os Opera IX possuem um gosto particular em relação ao mundo do ocultismo, tempos ancestrais, mitos e religiões pagãs. É bem provável que a era medieval seja o cenário ideal para algumas das histórias que queremos contar. Planeiam tocar ao vivo em 2012? Em fevereiro, começaremos a realizar alguns espetáculos em Itália e esperamos fazer uma tour europeia com a Agonia Records, na qual já estamos a trabalhar. Entrevista: José Branco Fotografia: Agonia Records


Depois de “Coverfield”, um EP que reúne covers de bandas como Rammstein e The Beatles, os alemães Caliban começam 2012 com o lançamento do seu novo álbum de originais: “I Am Nemesis”. Estivemos à conversa com o guitarrista Marc Görtz.

P

orquê “Nemesis”? “Nemesis” pode ser entendido por diversas formas. Para nós significa “ruína / fim do mundo”. Não entendas isto mal, nós não acreditamos nessa treta de 2012. Apenas abordamos algumas coisas que não estão muito bem no nosso planeta e algumas coisas deviam mudar. Basicamente este é o conceito do álbum. “I Am Nemesis” está muito bem equilibrado. Como é que o álbum soa para vocês? Sim, a ideia era mesmo essa. Queríamos um álbum que tivesse músicas diferentes mas que ainda assim estivessem ligadas de alguma forma. Temos músicas muito rápidas, lentas, melódicas e músicas mais sombrias. Levou algum tempo até conseguirmos chegar a este resultado. Como é que o som da banda evoluiu desde “Say Hello To Tragedy” até “I Am Nemesis”? Tentamos criar algo novo mas procuramos manter o nosso som. Experimentei uma nova abordagem, com novas melodias, efeitos de

guitarra, etc., até que encontrei aquilo que tinha em mente para o novo álbum. A pausa entre lançamentos pareceu-me ser maior desta vez. O facto de terem mudado a abordagem contribuiu para esta demora? Tal como já disse nós queríamos fazer algo novo, algo diferente. Então compus mais músicas do que aquelas que eram necessárias e isso levou algum tempo! (risos) Compus sempre umas 4 ou 5 ideias para cada música e então encontrava-me com o nosso produtor, trabalhavamos os detalhes e víamos quais eram as melhores e piores ideias. Umas vezes criavamos 3 músicas tendo como base 5 ideias, outras vezes só conseguíamos criar uma. Então, até que o álbum estivesse finalizado a nível de composição, foram precisos 9 ou 10 meses. Geralmente precisávamos de 3, no máximo 4. Não esquecer ainda que quando encontramos o som que queríamos para o novo álbum tivemos que eliminar 7 músicas com a produção finalizada...

“Broadcast To Damnation” contém uma mensagem relativa à Internet, certo? Na ralidade não é apenas sobre a Internet. Esse tema é mais abordado em “Modern Warfare”. “Broadcast To Damnation” fala sobre a TV, Radio e também a Internet... por exemplo sobre aqueles programas de televisão falsos que não passam de uma perda de tempo e só consomem o cérebro das pessoas. Fala-me sobre outros temas abordados neste álbum... “Modern Warfare” é sobre aquelas pessoas que passam a vida a falar mal dos outros na Internet e depois sentem-se fortes e intocáveis ao fazer isso. Isto porque fazem as coisas no anonimato. Políticos corruptos, perder o controlo das drogas e arrastar outras pessoas com isso, anti-racismo, abuso de menores, inveja, etc, são outros dos tópicos falados neste álbum. O Andy (vocalista) também lhe deu um toque pessoal, por exemplo em “Memorial”, que é sobre o pai do Andy que morreu de cancro no ano passado...


A Alemanha é um país com uma poderosa história de Metal. Como é que os fãs old-school vêem bandas modernas como os Caliban? Não temos muitos problemas com os fãs old-school. Claro que há muitos fãs de bandas mais antigas que não gostam da nossa música mas comparado com outras bandas até somos bem aceites, acho... Talvez porque andamos por aí há algum tempo e a pouco e pouco vamo-nos misturando. Em 2011 lançaram um EP de covers intitulado “Coverfield”. Como é que chegaram a esta ideia e qual foi o processo de escolha das músicas? Queríamos apenas fazer algo enquanto trabalhávamos no novo álbum e isto ajudou-nos a relaxar, uma vez que a maioria das músicas

foram finalizadas depois de termos concluído o EP! Escolhemos músicas que gostavamos e achamos que seriam boas covers! Infelizmente não conseguimos editar todas pois quando gravas uma cover de um estilo diferente, o editor nem sempre aprova as músicas, como por exemplo uma dos U2 “Hold Me, Thrill Me, Kiss Me, Kill Me”. “Coverfield” serviu como inspiração para este novo registo? Não foi bem uma inspiração, foi mais uma boa pausa para relaxar enquanto trabalhavámos no novo álbum. Foi bom para organizar as ideias, limpar a cabeça... Aproveitamos para fazer algumas músicas descansarem e ver se valia a pena inseri-las no novo álbum. E para te ser honesto, acabamos por excluir algumas delas depois disso! Por

http://www.perigo-de-morte-new.blogspot.com

isso foi perfeito para o novo álbum pois conseguimos fazer o melhor possível! Existem planos para uma tour em 2012? Temos uma tour marcada para Fevereiro chamada “Get Infected”. Agora vendo bem, o nome assenta muito bem com a vossa revista (risos). As bandas suporte vão ser os Winds Of Plague, We Butter The Bread With Butter, Eyes Set To Kill e Attila. Podes consultar as datas no nosso site ou na nossa página do Facebook! Temos outras tours pensadas mas só vamos trabalhar nisso depois do novo álbum sair! Entrevista Joel Costa Fotografia Century Media


Depois de 4 anos sem novidades, os Flagellum Dei editam “Order Of The Obscure”, um poderoso registo de Black Metal nacional que veio com o espírito e a força dos primórdios deste estilo. Falamos com a banda sobre este novo lançamento:

O

s Flagellum Dei estão de volta com “Order Of The Obscure” depois de quatro anos sem lançamentos. Que novidades trazem na bagagem? Após quatro anos de hiato a nível de lançamentos, as novidades são bastantes evidentes tanto na sonoridade do novo álbum “Order of the Obscure” como também

nas prestações ao vivo da banda, visto que também resulta de uma formação remodelada com a entrada de dois novos elementos. Creio que este álbum veio trazer de volta o espírito de Flagellum Dei, na sua verdadeira essência, mas sem nos repetirmos em relação a trabalhos anteriores, é uma nova abordagem sonora da banda, e o resultado está a vista no

novo álbum. De que forma é que o novo line-up contribuiu para este regresso em grande? Com a entrada de Hellraiser (Medo / Vizir) na voz e D.Koraxid (Medo), no baixo, este novo “line up” veio a ser determinante na criação deste álbum, tanto a nível de ideias novas e de criatividade,


como no seu desempenho a nível musical. Na verdade foi uma lufada de ar fresco para a banda e uma combinação perfeita deste quarteto infernal! A “Intro” deste novo álbum tem uma excelente atmosfera. Qual a importância dos temas instrumentais em “Order Of The Obscure”? Neste álbum faz todo o sentido estes dois instrumentais. Optamos naturalmente por uma “intro” mais comprida do que o suposto habitual e penso que resultou muito bem pois captou toda a essência e o conceito do que iria ser este álbum lá para a frente. O outro tema instrumental (From The Dark Light) foi com-

posto por D.Koraxid, e faz uma ponte para os dois últimos temas, que resultam já de uma sonoridade mais old school. Fiquei com a impressão que neste registo foram buscar a verdadeira essência do Black Metal. Falem-nos um pouco do processo de composição deste novo álbum... Sim, de facto, com esta nova formação, Flagellum Dei passou a ensaiar regularmente. Isso criou estabilidade no processo de composição musical, em que por vezes as músicas são compostas pelos quatro elementos durante os ensaios, em que cada um dá um pouco de si à musica, embora Sepulchral Winds tenha o mérito principal da maioria dessa composição musical. Essa verdadeira essência surge naturalmente em nós, sem forçarmos nada… o Black Metal faz parte da nossa alma, e isso torna tudo muito simples

para depois ser executado. O que é que o Black Metal representa para vocês? É apenas um estilo musical ou também um estilo de vida? O Black Metal é algo muito importante nas nossas vidas como músicos e como pessoas. Ele influencia todo o nosso modo de viver e de estar perante o universo. “Order Of The Obscure” foi editado pela alemã Pestilence Records. Quem deu o primeiro passo? Mostramos 2 ou 3 temas ainda pré-produzidos à Pestilence Records que gostou bastante e penso que a partir daí houve logo

interesse em ambas as partes de chegar a um acordo e de lançar este álbum. Foi tudo muito simples e rápido. Estamos contentes com este lançamento e com todo o trabalho da Pestilence Records. Incluíram algumas músicas em Português. Qual a importância da vossa língua-mãe em Flagellum Dei? Como Portugueses é sempre importante dar valor à nossa língua mãe, e uma das mudanças que se vai notar mais no futuro é a inclusão de alguns temas em Português como foi o caso neste último álbum de Flagellum Dei. Os “sacrifícios” são um tema abundante neste registo. Porquê? A forma ritualista quase esotérica como um sacrifício humano é encarado e abordado em alguns temas neste álbum. É algo que não foi pensado mas surgiu natu-

ralmente. Flagellum Dei sempre se debruçou muito sobre o tema “morte” nas suas mais diversas vertentes. Esse aspecto sacrificial neste álbum está mais explorado. A morte, a punição e a libertação através de vários sacrifícios é algo que fascina o ser humano desde os seus primórdios até aos dias de hoje… De que forma vão promover este novo álbum? Muitas datas planeadas? Para já vão ter a apresentação do álbum no carismático festival “Colhões de Ferro” dia 4 Fevereiro nas Caldas da Rainha, e depois iremos espalhar a maldade com algumas datas pelo país ainda não confirmadas, mas adianto

já que não vão ser muitas datas, pois vamos apostar mais na qualidade dos espectáculos do que na quantidade dos mesmos. Agora que o mais difícil já está feito, que passos se seguem para os Flagellum Dei? Neste momento Flagellum Dei não pára e estamos já a compor mais material novo, e em princípio este ano é para sair um “Split 7 EP” Flagellum Dei/Irae, e mais 5 temas em outro “Split” ainda por anunciar. Estejam atentos às notícias. Neste futuro próximo, a banda irá continuar a tocar ao vivo e espalhar este “Order of the Obscure”. Entrevista: Joel Costa Fotografia: Flagellum Dei


Admitindo que o black metal entrou em queda e se vem mantendo neste registo, a banda Grimness pretende manter o género vivo, dedicando-se a essa causa sem ligar muito ao que está ou não em voga. Lançaram em 2011 o álbum “Ashes of a black cult” onde surgem descomprometidos com o mainstream, a fazer a sua música, sem corantes nem conservantes (Que não combinariam com o black metal).

C

omo se lembraram deste nome para a banda? Porquê Grimness? Grimness foi criada para manter viva a chama do Black Metal tradicional e queríamos encontrar um nome que se enquadrasse nisso e no ambiente e abordagem da música. Grimness é um nome perfeito, já que representa a banda em todos os aspectos. Não queríamos ser originais “artificialmente”, cagamos para isso.

Neste ultimo álbum quais são as tuas canções preferidas? Gosto de todas as canções mas talvez “Through the Halls of Eternity” e “Sodomy” sejam as minhas favoritas se tiver que escolher. As vossas canções têm uma certa vibração que se sintoniza com o nosso corpo. Deram conta? A mistura foi feita pelo Shadow

(Dusk / Tymah / etc…) e ele fez um trabalho perfeito, tal como é seu hábito. Talvez isso evoque outros sentimentos naqueles que ouvem. Achas que as canções ganham vida própria? Não sei e não me interessa. De qualquer forma o álbum representa uma unidade completa e é dessa forma que deveria ser ouvido.


A vossa melodia é bastante hipnotizante. Foi trabalhada nesse sentido? Penso que Grimness é uma música variada com diversos pontos de vista e algumas canções possuem melodias hipnóticas, outras não. Depende da canção e do estado psicológico com que a escrevemos.

Quais são as vossas influências? Existem demasiadas, por isso não poderia lista-las todas, mas no início: Judas Iscariot, Moonblood, Old Mayhem, Horna, Katharsis e outras bandas de puro black metal foram as principais influências. Ideologicamente a nossa influência é o satanismo.

Quem escreve as letras da banda? Qual é o papel das letras na vossa música? Na maior parte dos casos sou eu quem escreve as letras, mas existe outra criatura externa à banda que também escreve algumas. As letras são muito importantes, aliás uma das coisas mais importantes em Grimness. É a nossa mensagem, é a nossa concepção, é disto que a nossa música trata.

Em vossa opinião qual é o futuro do black metal? A verdadeira essência do black metal entrou num declínio crescente desde há bastante tempo, mas na realidade não me importa. Fazemos a nossa cena independentemente das correntes e das merdas. Ouvem outros géneros musicais ou apenas black metal?

Existem outros géneros que ouvimos fora da cena do black metal e são essencialmente músicas ambiente, espirituais, profundas e negras. Algumas doentias, mórbidas, barulhos de horror/criações de ambiente; Bandas antigas de Thrash Metal e também algum Heavy Metal antigo underground. Mas quase todos ouvimos black metal a maior parte do tempo. Existe algo neste álbum de que queiras falar e que não te tenha sido perguntado? Na verdade não. Entrevista Mónia Camacho Fotografia Grimness


Os Beautiful Venom fazem parte da nova maré de bandas Metal / Hardcore que surgiram no distrito de Aveiro nestes últimos tempos. “Endless Endeavor” é o álbum de estreia dos jovens aveirenses que não deixam ninguém indiferente por onde quer que passem! Endless Endeavor é um álbum riquíssimo, com influências de vários lados do espectro musical. Mas, sucintamente, quais foram as bandas de onde os Beautiful Venom foram buscar inspiração? Cada um de nós tem influências bastante diferentes mas ao mesmo tempo temos uma série de bandas/ artistas em comum que todos nós apreciamos como Mastodon, Machine Head, August Burns Red, Lamb of God, Parkway Drive, Architects, Black Sabbath, entre outros. Por outro lado cada um de nós ouve coisas

distintas, o que individualmente influencia muito a nossa música e é tão ou mais importante que as influências que temos em comum. De 2006 até finais de 2011 vão cinco anos de muito trabalho. Durante todo este tempo, qual aquela fase que consideram mais difícil para vocês? Todos os anos são difíceis para um banda emergente, seja porque não tínhamos material para tocar, ou porque não nos aceitavam nos sítios para tocar ou porque tínhamos

de misturar covers com as nossas músicas e mesmo assim estavam 10 pessoas na sala a ver o jogo de futebol que estava no ecrã por cima das nossas cabeças! Mas o ano mais difícil para a banda foi o de 2010. Cada um de nós viveu uma série de situações que tornaram difícil uma maior concentração e dedicação à banda. Chegámos a estar meses sem ensaiar. Chegou ao ponto das pessoas nos perguntarem na rua se tínhamos acabado e se voltaríamos a tocar. Nós próprios chegámos a pôr a continuidade da banda em causa.


Porém, o Andrés e o David nunca pararam de compor e no final de 2010 tínhamos o álbum todo escrito e o instrumental gravado sem nunca ter tocado um único tema ao vivo ou sequer ensaiado os temas juntos. Agora com o álbum na rua, sentem que têm mais responsabilidades, que já deram um passo decisivo na vossa carreira? Acima de tudo, provámos a nós próprios que somos capazes de fazer um álbum por nossa conta e de encarar essa tarefa com responsabilidade e dedicação, sendo que estamos orgulhosos do resultado. Agora sentimos a necessidade de subir ao palco e dar o máximo. Fazer com que quem tenha pago o bilhete fique satisfeito com o espectáculo e com vontade de voltar no próximo. O álbum e os vídeos que povoam o youtube foram gravados em que estúdios? O álbum foi gravado nos estúdios Audioplay, em Aveiro, sendo que as misturas (realizadas pelo Andrés) foram lá feitas também. Foi masterizado pelo Mário Barreiros no seu estúdio (Estúdios do Mar). O vídeo da “Juggernaut Wings” foi gravado por Luis Soares no estúdio que tem em casa em Setúbal. Enquanto banda, como está a ser a reacção do público? Já conseguiram uma base de fãs? Já despertaram o interesse internacional? Desde que fizemos o nosso primeiro concerto com este disco, já com o Cláudio, tem sido de loucos. Sentimos que as pessoas que nos vão ver o fazem por gosto. É habitual termos um grupo de “fãs” que nos acompanha a muitos dos concertos que damos, usam a t-shirt da banda, sabem as letras e cantam connosco. Recentemente fomos a Viseu e ficámos muito contentes com a reac-

ção do público - pessoal que nunca tínhamos visto a cantar os refrões e a pedir para tocarmos músicas do álbum que não estavam incluídas na setlist - foi uma sensação fantástica para nós! Também ficámos bastante contentes com a reacção do público estrangeiro que ouviu o nosso CD. Alguns abordam-nos regularmente no facebook para nos dizer que adoram a nossa música e que se identificam com o que cantamos. Esperamos um dia próximo ter a oportunidade de retribuir o carinho e tocar para eles ao vivo. A quarta faixa do álbum intitula-se de C.O.E.W. O que significa esta sigla e que mensagem está por detrás das letras? As nossa letras têm temáticas diferentes porque representam a vida e ponto de vista de quem as escreve. Abordamos o amor, a separação, a morte, a opressão, lutas pessoais, etc. No fundo, escrevemos sobre o que diariamente nos afecta pessoalmente. A faixa C.O.E.W. não foge à regra. No entanto quanto ao nome da faixa... perguntem ao Luís Teixeira dos Modo Mudo o que quer dizer, que ele é quem sabe responder. Ao ouvir o álbum podemos encontrar uma surpresa: a belíssima, ainda que muito curta “Far… (too far)”, que se destaca do resto do registo. Esta ideia é para continuar em álbuns futuros? “Far... (too far)” é um daqueles “belos acidentes” que temos de vez em quando. O Andrés estava a testar um microfone novo gravando o Manuel a tocar guitarra acústica. Passado umas horas o resultado foi uma faixa sentida e natural. Para nós, fez todo o sentido estar onde está no álbum. Se é para continuar em álbuns futuros? Se acontecer de forma natural, sim. Tocar num festival… Qual é que

seria o festival e quem seriam as bandas que fariam a line up perfeita para os Beautiful Venom? Qualquer festival com boas bandas e com um bom espírito de festa seria muito bom, no entanto, temos uma fixação especial pelo Download Festival. Um bom line up seria Parkway Drive + August Burns Red + Mastodon + Metallica + Beautiful Venom (risos). Naquele dia em que não apetece nada ir ensaiar… Em que era tão bom ficar em casa a descansar, o que é que vos grita aos ouvidos para se juntarem e criar música? Um pequeno diabo a dizer que vamos passar um bom pedaço e vamos estar entre amigos a tocar, conversar, desanuviar, fumar um cigarro, beber um copo... Quando damos por nós estamos há mais de 2 horas e meia enfiados num cubículo com mais 4 homens mal cheirosos e suados a tocar, sem nos lembrarmos da razão pela qual não queríamos sair de casa. Já andam na estrada? Quando é que poderemos encontrar os Beautiful Venom numa taberna ali ao lado? Neste momento, estamos a planear datas futuras em Portugal, sendo que já temos algumas confirmações. Porém se querem estar realmente actualizados em relação a datas, música e acontecimentos da banda, visitem www.facebok.com/beautifulvenom Entrevista Narciso Antunes Fotografia Audioplay Records


O monstro pode ter estado adormecido mas o mês de Dezembro do ano transacto viu o mesmo despertar para iniciar uma discografia que não podia ter começado melhor. Falamos com os Inner Blast acerca do seu EP de estreia, “Sleepless Monster”.

O

que podemos esperar deste trabalho? Nunca esquecendo as nossas raízes pensamos que é um trabalho para quem está por dentro da vertente do metal e não só, é um som fácil de ouvir, aberto a diferentes públicos. Um trabalho com muita cumplicidade entre nós, e que nos deu muito prazer.

Como correram as gravações? As gravações correram muito bem com o esforço e dedicação do nosso produtor Luís Silva. Os timings propostos foram cumpridos à risca, tudo foi bem planeado antes de entrar em estúdio a nível da organização da banda e do próprio estúdio. No final pareceu-nos que correu muito rápido e ficámos com

vontade de mais. O álbum tem o nome de uma das músicas; porquê esta escolha? É o “monstro adormecido” que esteve dentro de nós dormente durante estes anos de ensaios. Estivemos praticamente 3 anos fechados a compor, a conhecermos-nos como músicos e como pessoas. É o


“(Sleepless Monster) é o nome que mais se adapta ao sentir de cada um de nós. É também a nossa vontade de enfatizar um tema que foi feito numa altura de maior maturidade, o momento em que achámos que o nosso trabalho estava pronto para sair.” nome que mais se adapta ao sentir de cada um de nós. É também a nossa vontade de enfatizar um tema que foi feito numa altura de maior maturidade, o momento em que achámos que o nosso trabalho estava pronto para sair. Qual é para vocês o tema mais chamativo de “Sleepless Monster”? Cada um de nós tem o seu preferido, não conseguimos encontrar consenso num só tema. Até durante a gravação, cada um de nós foi mudando de opinião acerca do tema favorito. Como caracterizam o vosso som? O nosso som é uma fusão das nossas influências individuais. É uma dicotomia entre o peso do baixo, bateria e guitarra e a suavidade harmónica da vocalista e das teclas. Quais são as vossas maiores influências musicais? Essas influências ajudaram na produção do EP? Apesar das várias sonoridades e influências que cada um, como do hard n’heavy ao metal progressivo passando pelo gótico, toda esta mescla acaba por se converter nas bandas de metal feminino do norte da Europa. Sim, além de tudo programado conforme dito há pouco

também fomos com as ideias bem definidas relativamente á produção do E.P., agora o nosso produtor Luís Silva teve a paciencia em nos ouvir e traduzir para a mesa as nossas ideias por instrumento e banda. Mas também tudo se torna mais fácil quando todos falamos a mesma linguagem e sabemos em que terreno estamos a pisar. Como tem sido a reação do público ao projecto? Fomos agradavelmente surpreendidos. Fomos desde cedo bem recebidos e temos até pessoas que nos acompanham na maior parte dos concertos. O núcleo ainda é pequeno mas, por onde temos passado, temos feito amigos. Pensamos que o público queria um trabalho da nossa parte com uma fasquia alta e foi isso que mostrámos, acima de tudo pretendemos que o publico sinta que nós gostamos de fazer o que estamos a fazer. Isso é meio caminho andado para que o publico adira aos nossos concertos. Em termos de concertos, como anda a agenda para 2012? O próximo concerto vai ser dia 28 de janeiro no Side B em Benavente com os Eterna Saudade e os Hyubris. Mantenham-se atentos para saber mais datas. Já actuaram em locais como o Side B, Rock’n Shots e Transmis-

sion; onde gostavam de vir a tocar? Neste momento estamos abertos a todos os tipos de espaços. Temo-nos sentido confortáveis em espaços pequenos mas acabamos por aprender com todos os sítios por onde passamos. É lógico que temos aspirações em pisar grandes palcos não só em dimensão como também locais de culto mas até agora temos nos dado bem em dar passos bem fimes. A seu tempo iremos lá chegar, vamos dar tempo ao tempo e não dar passos mais largos que as pernas. Que outros planos têm para este ano? Estamos a planear a filmagem de um videoclip. Temos alguns temas que estamos a compor e gostávamos de conhecer novos palcos e mostrar o nosso trabalho a novos públicos. E por fim, gostavam de deixar alguma mensagem aos leitores da Infektion? Continuem a apoiar o metal nacional. Espalhai-vos e multiplicai-vos! Entrevista: Joana Rodrigues Fotografia: Inner Blast


É sem dúvida poderoso este mergulho da banda VOICES OF DESTINY que procura o lado audaz da música abordando temas essenciais da emoção humana. O teclista Lukas Palme falou à INFEKTION deste “Power Dive” com a transparência e proximidade que caracteriza a comunicação da banda com os seus fans.

A

s emoções relativas à realização do segundo álbum são diferentes daquelas que sentiram com o primeiro? Sim. O primeiro álbum é muito especial e nós estávamos super eufóricos ao lançá-lo. No entanto, o sentimento é quase parecido com o que temos agora com “Power Dive” uma vez que este surgiu totalmente diferente e em alguns pontos muito melhor do que “From the Ashes”. Estamos muito entusiasmados relativamente à forma como as pessoas irão reagir.

O contraste entre a voz feminina da Maike e a voz masculina é um elemento musical quando criam as canções? Definitivamente é algo em que pensamos muito cedo no processo de escrita das canções. Em alguns casos pode até ser uma grande influência na estrutura base da canção. A possibilidade de gerar passagens contrastantes ou aumentar a intensidade de uma canção com os diferentes tipos de vocalização tornou-se parte importante da nossa música.

O destino é apenas algo que faz parte do vosso nome ou tem algum tipo de papel na música que fazem? É apenas algo que aparece no nosso nome. Nenhuma das nossas canções fala especificamente sobre o destino.

Têm uma canção favorita neste álbum? Pensamos que todas as canções se encontram num nível de igualdade. São muito diferentes, mas todas têm os seus momentos especiais que as fazem destacar-se das outras. Eu acrescento alguma importância à faixa “Dedication” por ser uma canção muito audaz. Estivemos a experimentar instrumentais e elementos estruturais que nunca tínhamos usado e a abordar um assunto sensível de uma forma crítica.

Do que trata o álbum “Power Dive”? Não é um álbum conceptual, por isso não existe um tópico geral que seja reflectido em cada canção. No entanto, muitas das músicas incluindo a de abertura “Power Dive” lidam com situações e sentimentos relativos ao facto de sermos postos de lado, deixados para trás, culparmos os outros ou separarmo-nos. E vermos isto levou-nos a chamar ao álbum “Power Dive” como um resultado destas situações.

Podes falar um pouco da canção “Red Winter’s Snow”? “Red Winter’s Snow I: Prophets of Doom” é uma das canções mais antigas da história de VOICES OF DESTINY. Dei conta que as suas raízes remontam a 2005, antes mesmo de a Maike se ter juntado a nós. No Verão de 2010 quando estávamos

a trabalhar nas novas canções para o álbum “Power Dive” decidimos revê-la e acabá-la. Com o passar da história fizemos o lançamento de 2010 da canção “Red Winter’s Snow II: Blood and Stone” (acrescentado à letra), também encontrarão nesta faixa alguns instrumentais e ritmos paralelos. Porque escolheram “Smoke & Mirrors” para faixa extra? O nosso objectivo era passar a marca dos 50 minutos na versão standard do álbum. E era certo que apenas escolheríamos a uma canção completa como faixa extra se alcançássemos esse objectivo. “Smoke & Mirrors” é a mais pequena e por isso decidimos que era a melhor escolha. O que podes dizer-nos sobre a reprise de “Power Dive” em som de piano? Apesar de não ser um álbum conceptual, queríamos que houvesse um sentimento de unidade. Não apenas uma colecção de boas canções mas uma obra de arte com princípio e fim. A ideia de gravar um solo de piano nasceu até bastante cedo, mas a canção “Power Dive” (reprise) propriamente dita, surgiu quando trabalhávamos a canção “Power Dive”. Sentimos que fazia sentido fechar o círculo com uma melodia de entrada, elaborada como uma faixa totalmente independente.


“Apesar de não ser um álbum conceptual, queríamos que houvesse um sentimento de unidade. Não apenas uma colecção de boas canções mas uma obra de arte com princípio e fim.” Estas canções são muito vibrantes e misturam bem um certo som minimalista com uma explosão instrumental, como uma catarse. Reconheces esta dualidade? LUKAS – Bem, sim. Ficaríamos provavelmente muito desapontados se as nossas canções não fossem dinâmicas e multifacetadas como são. Essas são características principais da nossa música, de uma forma geral. É sempre uma prioridade criar esta atmosfera que te faz vibrar com velocidade, agressividade, e potência e que depois te liberta numa resolução suave, dando tempo para respirar. E depois o inferno solta-se outra vez! Qual é o papel da emoção na vossa música? LUKAS – A emoção é tudo. As letras são poemas emocionais e não apenas texto com informação. Ao compor a parte instrumental privilegiamos sempre o sentimento em relação à técnica. De que serve ser tecnicamente avançada se não nos toca ou não soa bem? Eventualmente fazemos música para gerar emoção ou para dar aos ouvintes a oportunidade de partilhar os nos-

sos sentimentos através das nossas canções. Partilharam muito do que se foi passando na gravação do álbum no vosso blog. Estar perto dos ouvintes é um objectivo? Sim é. Tentamos manter as pessoas informadas sobre o que se vai passando e tornar o nosso trabalho o mais transparente possível, porque isso é também o que achamos muito positivo noutras bandas. Nem toda a gente sabe como um álbum é gravado e por isso desta forma, deixamos que entrem e vejam um pouco do que se passa. No geral tentamos manter-nos em contacto próximo com os nossos ouvintes, via email ou através das redes sociais e estamos sempre abertos quer ao chat quer ao “gosto”. A sala vermelha do Andrew é mesmo vermelha? Como foi trabalhar com ele? A sala de controlo é bastante vermelha sim. Mas a sala de gravação é azul. Mas não digas a ninguém. Foi fantástico trabalhar com o Andy outra vez! Todos sabíamos como tínhamos que trabalhar em conjun-

to para obter o melhor resultado e conseguimos. Desta vez sentimos um pouco mais de liberdade e responsabilidade em cima dos ombros quando o Andy nos deixou tomar parte na produção. Foi excelente. O trabalho feito na capa do album é impressionante. Como foi que Jan Yrlund chegou à imagem final? Neste álbum tivemos uma visão mais detalhada a capa. E então fomos falando com o Jan enquanto ele trabalhava o “art work” final. E sim, ficou impressionante! Estamos muito contentes por tê-lo a bordo nesta produção. Qual foi o local ou a situação mais estranha em que tocaram? Uma vez tocámos num atrelado decorado com flores amarelas. Depois de umas três canções o organizador veio ter connosco e disse-nos que só podíamos tocar mais duas. Foi bastante estranho. Entrevista: Mónia Camacho Fotografia: Massacre Records


Os Nefastu são um nome nacional que pode passar despercebido aos mais desatentos. Mas quem procurar por black metal nacional de qualidade, certamente irá de encontro à demo-tape “Versículo I”, que para mim foi uma das maiores surpresas de 2011!

N

ão se encontra muita informação sobre a banda pela internet. Este “anonimato” é propositado? Quem são os Nefastu? Existiu sempre a prioridade de produzir material mais do que a questão de o propagandear. Acreditamos que, tal como num passado relativamente recente onde para adquirir trabalhos de bandas que tivessemos como referências era necessário procurar bastante para os obter, também nós sentimos que quem se quiser informar so-

bre as nossas produções deva fazer o mesmo trajecto. Os Nefastu são constituídos por quatro elementos: Hermes (Voz), Turiacus (Guitarra), Crusher (Baixo) e Balkoth (Bateria). Lançaram uma Tape intitulada “Versículo I” e a mesma está dividida em duas partes: “Ira” e “Desolação”. Qual a razão desta escolha? A divisão da tape em duas partes reflecte a dictomia presente concepção musical e lírica. Nem todo o tipo de composição se enquadra

numa única perspectiva. Como tal decidimos, face aos diferentes ambientes criados, posiciona-los de acordo com as suas essências. A parte “Ira” é um retrato de uma vertente mais belicista e blasfémica, enquanto que a “Desolação” representa uma introspecção mais apocalíptica e auto-destrutiva. Sempre defendi que o Black Metal nacional deveria ser enunciado em Português. Qual a razão para escolherem o Português como a língua que leva as


palavras dos Nefastu aos vossos ouvintes? Para nós nunca existiu essa questão. A língua portuguesa é tão válida como qualquer outra para o manifesto da nossa ideologia. As quatro músicas presentes nesta tape apresentam poemas muito bem conseguidos. Quem é o responsável pelas letras e em que se inspira para dar voz à música? A lírica presente na tape representa uma conjuntura de pensamentos, ideias, estados de espírito e vivências. As faixas “Renascido Pelo Ódio” e “...Em Lúgubre Nostalgia” foram concebidas pelo Hermes, a “Flagelo de Ser” pelo Turiacus e a

“Manifesto Herege” por ambos. Como se deu o contacto com a Purodium Records? O trabalho desenvolvido pela Purodium ao longo dos anos sempre foi algo que acompanhamos e como tal decidimo-nos pela escolha desta editora. Acham que as tapes continuam a ser uma das forças do underground? Porque não um CD? As tapes continuam, sem dúvida alguma, a ser uma das forças principais do underground. O formato CD não está de todo descartado, mas de momento não é opção para banda.

Como descrevem a cena Black Metal do Porto? Têm tido muitos concertos? Vivemos focados dentro do nosso trabalho e como tal abstemo-nos de comentar qualquer cena. Tivemos alguns concertos mas fomos sempre bastante selectivos relativamente aos mesmos. Planos para o futuro... novo lançamento no horizonte? O “Versículo II” está a ser forjado. Mais não podemos adiantar. Entrevista: Joel Costa Fotografia: Nefastu


Os Dark Wings Syndrome são daqueles projectos em que partilhar bons momentos musicais é o objectivo principal. Falamos com o vocalista barrosonyx acerca do percurso da banda.

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projecto “Dark Wings Syndrome” surge com a necessidade de BarrosOnyx se expressar musicalmente. Como te sentes agora que a banda já lançou o seu álbum de estreia? Missão cumprida? Missão quase cumprida. Foi um álbum que me ocupou 1 ano mas deu-me muito prazer fazê-lo. Contudo quero voltar a repetir a dose dentro do mesmo espirito.

A vossa versão de “It’s No Good” realça o lado experimental e progressivo que há em vocês. Porquê esta escolha? Eu pessoalmente já sigo esta banda desde 1982, sempre foi uma banda que esteve presente no meu dia-a-dia. No entanto vimos todos de quadrantes diferentes da música, ouvimos de tudo, nunca estivemos presos a nenhuma corrente musical. Queríamos um tema que

fosse do agrado de todos, não queríamos simplesmente uma COVER, tinha que ser aquela COVER. A escolha caiu sobre “Depeche Mode” e o tema “It´s No Good”. Para nós fazer esta cover foi um grande desafio, pois por um lado não queríamos destruir um tema que foi um grande êxito e é bem conhecido do público em geral, por outro lado tínhamos que dar o nosso toque pessoal. Penso que quem ouve a


“O processo de composição foi tranquilo e muito criativo, pois os temas foram escritos por todos os elementos da banda.” nossa cover facilmente reconhece o tema e sabe que não destruímos o original. O vídeo tem muitos elementos psicadélicos. Precisaram de fazer alguma “viagem” (espiritual / alucinante) para chegar a este resultado? Este vídeo do tema” Its No Good” assim como o nosso primeiro vídeo “Spiritual Emotions” foi realizado pela equipe fantástica do Espaço Hibrido. As ideias surgiram da equipa e em conjunto vieram sendo aperfeiçoadas com um resultado final alucinante. Falando um pouco de “Arcane”, o vosso álbum de estreia... Como decorreu o processo de composição? Foi algo natural? Sim o processo de composição foi tranquilo e muito criativo, pois os temas foram escritos por todos os elementos da banda. Embora houvesse sempre um fio condutor a seguir. E relativamente às gravações? Com quem trabalharam em estúdio? As gravações decorreram já de maneira diferente, tivemos vários locais a percorrer ate finalizarmos “Arcane”. Grande parte do cd foi gravado na nossa sala de ensaio, tivemos que nos deslocar para gravar duas das nossas participações nacionais. Foram para o tema “Unknown Pleasures” onde o Artur Fernandes (Danças Ocultas) participa com o seu acordeão diatónico e a participação de Ernesto Guerra dos Heavenwood. Todo este trabalho, gravação e produção, foi da responsabilidade do nosso baixista Rui Ferreira CAPS. Depois arrancamos para a Suécia para o estúdio “GHOSTWARD” do bem conheci-

do produtor David Kastillo (KATATONIA, OPETH) para misturar e masterizar “ Arcane”. Esta viagem a Suécia foi mesmo alucinante e inesquecível. Quando estivemos no estúdio ainda se respirava KATATONIA depois o David Castillo como produtor e pessoa é brilhante. E para finalizar na noite que acabamos todo o trabalha chegamos a casa e vimos que o espaço aéreo estava fechado devido ao vulcão e fomos forcados a ficar mais uma semana na Suécia, que chatice, lol. Este é um disco que reúne algumas participações especiais. Falem-nos um pouco de cada uma delas... Todos os nossos convidados têm algo muito especial, alguns são meus amigos de longa data e acima de tudo são grandes músicos que eu admiro há bastante tempo. Queria que este CD tivesse ainda mais convidados, mas não foi possível reuni-los todos. “Arcane” abre logo com o tema “Free-flowing” e na voz temos a polaca NERA (Darzamat / NeraNatura). Johnny Icon dos (Icon & The Black Roses / Aces of Hearts) no tema “Hadred / Ódio”. O tema “My Silence” participa a minha colega Susana Silva do meu projecto paralelo com o nome de OZ. Depois temos o David Tiso dos Ephel Duath na sua guitarra no tema “…in Hades (Pt.1)”. A Miriam Renvag mais conhecida por SfinX dos Ram-zet participou também no tema “…in Hades (Pt.1). Depois tivemos a preciosa composição orquestral de Hugo Correia dos Fadomorse. Também Artur Fernandes no tema Unkwnon Pleasures e Ernesto Guerra dos Heavenwood em “In My Crystal Cage” e para finalizar a minha amiga da Belgica Karolina Vel Death dos Skeptical Minds. Com todas as participações imor-

talizai as nossas amizades e fizemos uma mistura de musicalidades inesquecíveis. Como descrevem o cenário rock de Guimarães? Está no bom caminho? Não tenho acompanhado muito a cena de Guimarães, mas tenho-me apercebido que existe de facto boas bandas. A cidade berço sempre teve boas bandas, mas o problema é sempre o mesmo, estamos num cantinho que por vezes somos esquecidos. Estamos no início de um novo ano. O que é que isso significa para os Dark Wings Syndrome? Podemos contar com novos lançamentos? Neste momento ainda não estou na altura certa para poder divulgar mais. Certo é que vamos sair este ano na colectânea de aniversário da nossa editora com um tema inédito. Entretanto estou a trabalhar num novo projecto, algo bastante diferente de DWS, e espero ate ao final do ano ter o cd gravado. Neste momento estou também com outro projecto onde faço parte que são os OZ a dar concertos. Por isso conto que vai ser um ano em cheio. Palavras finais para os leitores da Infektion... Quero agradecer à Infektion pelo apoio que têm dado a Dark Wings Syndrome. Quero desejar a todos os leitores um bom ano cheio de música e que se lembrem de apoiar as bandas portuguesas pois temos bandas tão boas como no estrangeiro. Entrevista: Joel Costa Fotografia: Dark Wings Syndrome


Portugal não se pode queixar de falta de qualidade no Metal, principalmente na área do grind. Os nacionais Raw Decimating Brutality (RDB prós amigos) têm “Obra Ó Diabo!!!” como novidade e não passaram indifirentes à redacção da Infektion. Fomos chapar massa à talocha com os rdb:


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unca falamos muito do cenário Grind em Portugal, pelo que vos pergunto: como avaliam o Grind nacional? Há editoras interessadas neste género? Em Portugal há pessoas que gostam de grind entre outros estilos, no entanto não se pode falar em Grinders. Não há muita gente dedicada exclusivamente ao Grind. São pincipalmente os fãs de Death Metal os maiores ouvintes aqui em Portugal. Editoras em Portugal... temos a Vomit Your Shirt que editou nosso álbum, a Murder Records e a Degradagem. “Obra Ó Diabo!!!” é o vosso álbum de estreia. Podem falar-nos um pouco das gravações? Gravamos o disco no Southern Studios com o Arlindo Cardoso e foi altamente! O processo de gravação demorou três fins semana e foi sempr’àbrir! Num ambiemte descontraído e sem nenhum tipo de pressão ou coisa do género acabamos por simplesmente nos divertir como ó Diabo! Foi a segunda vez que trabalhámos com o Arlindo, pois para além dele ser nosso amigalhaço correspondia ao tipo de empreiteiro que pretendíamos subcontratar para concluir aquela “Obra ó Diabo!!!”. Este registo é maioritariamente sobre a construção civil. Podemos dizer que “Obra Ó Diabo!!!” é um álbum temático? Pois, em todas as nossas gravações gostamos de pegar em temas ultra complexos e profundos e explorá-

-los de forma grindeira. Como é que chegaram à decisão de enveredar por este tema e quem escolheu títulos como “As Portas Vieram Trocadas” ou “Chapar Massa À Talocha”? Achámos que devíamos sublimar as experiências traumáticamente felizes da nossa infância... pois... a construção civil foi uma parte bem importante das nossas vidas. Os temas foram escolhidos por todos nós quando nos encontrávamos reunidos numa sessão de psicoterapia e nos relembrámos como era excitante partir tijolos como se não houvesse amanhã! Em 2006 participaram no Split “4 Ways Of Vomits & Murders” e a vossa participação destaca-se no alinhamento pelo facto dos vossos quatro temas estarem relacionados com estrume. Foi algo intencional? Porquê? Sim, claro! Nessa altura ensaiávamos numa quinta em Panoias, aldeia perto da Guarda. Nesse frio Inverno os campos estavam cheios de estrume para fertilizar as terras que dariam as próximas colheitas. Como já foi referido, a escolha dos nossos temas é sempre extremamente séria, e falar de estrume era algo óbvio na nossa carreira! Como tem corrido a promoção deste novo álbum? Muita acção na estrada? A promoção tem corrido de forma DIY. Temos obtido boas críticas e temos o álbum disponível em quase todo o mundo. Tem sido possí-

vel, também, apresentar o álbum um pouco por todo o país e lá fora. Mas ainda estamos no meio deste percurso, pois esperamos espalhar cimento e cal por muitos palcos mais ainda temos muito Napalm para derrubar varias empreitadas! Vocês têm muitos fãs espanhóis. A que se deve? Já tocaram muito por lá? Como devem saber, há um par de anos atrás houve um boom de portugueses a trabalhar nas obras em Espanha e nós não fomos excepção! Fizemo-nos à estrada e fomos de obra em obra chapar massa à talocha! Como não podia deixar de ser, deixamos sempre amigos por onde passamos! O artwork está fantástico. Quem desenhou a capa? Foi um grande buddy nosso, o Daniel Africano. Passem pelo site dele e vejam o seu trabalho http:// www.wix.com/dafricano/portfolio Planos para o futuro... O nosso palno, para já, é comprar uns quantos rolos de papel higiénico para andarem sempre connosco para deixarmos de limpar o cu a um saco de cimento! Entrevista: Joel Costa Fotografia: R.D.B.

“em todas as nossas gravações gostamos de pegar em temas ultra complexos e profundos e explorá-los de forma grindeira.”


Entrevistamos o Guitarrista Zhema Rodero da lendária banda Vulcano. a banda surgiu no inicio dos anos 80 na cidade de Osasco e a cidade de Santos se tornou a sede oficial da banda. A banda é considerada por muitos como a percursora de todo um movimento death e black metal no Brasil, confira a entrevista na integra.

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banda, quando surgiu em 1981 em Osasco, deve ter enfrentado diversas dificuldades com as incertezas e percalços da cena na época, ainda mais por causa da ditadura que dominava o Brasil quando a banda foi formada. já tiveram algum tipo de censura e ou não aceitação do público e/ou por entidades militares na época do surgimento devido à citada ditadura? Como era a cena com os selos, gravadoras e toda a cena do heavy metal e do rock para vocês na

neste período? O VULCANO foi formado em 1982 durante a última fase do regime militar que assolava o país desde 1964. Não sofremos qualquer tipo de censura explícita exceto que para gravar músicas ou realizar shows ao vivo era necessário a expedição de uma licença do Departamento de Polícia Federal - Divisão de Censura. Fiz isso por diversas vezes, inclusive para a gravação do “single” “OM PUSHNE NAMAH”. Não havia selos nem gravadoras que davam suporte ao “heavy metal”, somente as grandes compa-

nhias como CBS, RCA Victor, Fonogram, etc. Então o VULCANO começo produzindo seus próprios shows. Eu tinha, na época, um arsenal de caixas, mesa, microfones, amplificadores, ETC, pois só assim eu conseguia fazer minhas próprias produções. Nós fazíamos tudo sozinhos, desde colar os cartazes na rua e até montar e desmontar o palco. Foram tempos difíceis para quem fazia “rock” naquela época! Como foi para a banda conseguir espaço na época para shows e para


gravar seus primeiros registros? Como disse, para que pudéssemos apresentar nosso próprio show eu tinha comprado todo o equipamento necessário para isso e então eu percorria pelas Prefeituras das cidades pedindo um espaço para fazer os shows, tipo ginásio de esportes, teatro, concha acústica, essas coisas e com relação à gravação, eu nem sabia como fazer isso até que um dia eu encontrei um cantor de música “brega”, essas que se toca na freqüência AM, e esse cantor tinha um contrato com a “Top TAPE – Continental” na época. Ele me ensinou tudo que eu precisava, foi só eu conseguir o dinheiro e partir para gravar o “single”. Em 1985, a banda gravou o primeiro registro ao vivo de uma banda de heavy metal no Brasil, o álbum Vulcano Live. O que levou a banda a gravar o disco na cidade de Americana e não em Osasco onde a banda surgiu ou Santos que posteriormente virou a sede oficial da banda? Como disse, o VULCANO foi formado em Osasco, mas eu já morava em Santos desde essa época e então transferimos a base da banda para Santos. Tempos depois, já com a demo “Devil on my Roof” gravada aconteciam vários shows em São Paulo capital, lá era onde acontecia toda a cena da época, porém o VULCANO não conseguia fazer shows por lá de maneira alguma. Eu sempre tentava encaixar a banda, mas nunca havia uma resposta positiva, então eu decidi atacar pelo interior de São Paulo e comecei a produzir shows em Valinhos, Araraquara, Americana, etc. E deu certo! Começamos a arregimentar muitos seguidores por lá. Finalmente eu decidi: Já que São Paulo não quer ver um show ao vivo do VULCANO, vou gravar e colocar lá dentro. E então fiz isso! Em 1986, a banda surpreendeu no-

vamente lançando o ótimo Bloody Vengeance, no caso sendo este o primeiro disco de black metal de uma banda brasileira, como foi toda produção do trabalho na época? Durante a turnê do álbum LIVE! Nós compusemos as músicas do “Bloody Vengeance”, porém como não tínhamos contrato com nenhum selo, o dinheiro para fazer a gravação tinha que sair de meu próprio bolso. Então no meio do ano de 1986 Eu vendi um Passat e aluguei 36h de um estúdio em São Paulo. Era um final de semana, entramos lá no sábado e saímos no domingo com tudo pronto. Os arranjos da faixa título “Bloody Vengeance” foram feitos durante as gravações. Lembro-me que fomos visitados pelo Elcio Aguirra, Catalau e Paulo Zinner – o Golpe de Estado e eles participaram com as vozes da faixa “Voices from Hell”. Naquela época Eu não imaginava que esse álbum iria se tornar “Cult”! A banda teve já algumas mudanças de formação e ou mudanças de funções de alguns membros no decorrer de gravações, o que estas mudanças causaram na estrutura musical da banda? Tais mudanças ocorreram logo após o álbum “Bloody Vengeance” e eu acredito que levaram o VULCANO para um lado mais rápido com muitos “blastbeats” e uma temática mais carregada para as ordens sociais do que ocultismo. Porém, foi uma mudança necessária porque o Zé Flávio já vinha se simpatizando muito com o “hardcore” e o Soto Jr. Tinha uma veia mais para o rock irônico. Talvez se ficássemos juntos o VULCANO teria se tornado uma banda “crossover”. Na década de 90, a banda teve somente um único registro oficial, no caso o álbum Ratrace, por que a banda ficou sem lançar novos

trabalhos após 1990, sendo que seu próximo trabalho foi somente lançado em 2000, no caso uma compilação da banda e em 2004 um novo trabalho em estúdio? Na verdade a banda parou suas atividades em 1990 e só gravamos o “Ratrace” a pedido da METALCORE, nada mais. Durante esse período fomos cuidar da família, faculdade, emprego, essas coisa normais da vida. O Arthur e o Levine ainda permaneceram na música por um bom período. Eu continuei tocando guitarra com alguns amigos e mais tarde toque em uma banda tributo a “Creedence Clearwater Revival”. Neste período nos reunimos algumas poucas vezes para fazer um ou outro show com o VULCANO. No final dos anos 90, Soto Jr. Procurou-me varias vezes para voltar com a banda. No início eu relutei, mas acabei fazendo isso e voltamos a fazer alguns shows em 99 e 2000. O Jr. Morreu em 2001 e então eu resolvi voltar de vez, só que para isso era necessário apresentar um novo álbum e então Eu escrevi o “Tales from the Black Book” e de lá para cá não paramos mais! De 2004 até 2012, a banda lançou mais alguns trabalhos inéditos e em 2011 seu último trabalho de estúdio intitulado Drowning In Blood, porém a banda voltou a gravar novos trabalhos em tempos de transformações no mundo do entretenimento, como a banda esta se moldando a estas mudanças? Nós não nos moldamos! Continuamos a fazer aquilo que sabemos fazer, por exemplo, a sonoridade da banda é a mesma, os “riffs” têm a mesma simplicidade de antigamente. É o que sabemos fazer! Como esta sendo a aceitação de Drowning In Blood por parte do público em seu ponto de vista? Como foi todo o processo de gra-


vação e produção do novo trabalho? Eu tenho lido boas coisas sobre o “Drowning in Blood”, li também algumas críticas no sentido de que não houve inovação, mas isso não me preocupa, pois eu não escrevo um álbum pensando em virtuosidade, técnica ou mesmo agradar os mais jovens. Eu só escrevo algo que eu gosto primeiro. Este foi um álbum produzido rapidamente, quando voltamos da Europa em novembro de 2010, eu percebi que era necessário apresentar o novo vocalista Luiz Carlos Louzada para um público bem maior e a melhor maneira de fazer isso era através da gravação de um novo álbum. Assim comecei a escrevê-lo em dezembro e quando foi em março começamos a gravá-lo. Eu gostei muito do resultado final do “Drowning in Blood”, confesso que tudo que eu esperava quando estava escrevendo as músicas se realizou na produção final. Com relação à sonoridade também estou muito satisfeito, lógico que se quiséssemos poderíamos “samplear” timbres de bateria, guitarras etc. e deixá-lo com uma “cara” moderna, mas eu realmente prefiro assim. Honesto e verdadeiro! Sem truques! É isso que fizemos porque é isso que sabemos fazer! Não tem truques! A banda será atração principal do evento A10 Rock Fan Fest, o evento será realizado em fevereiro na cidade de Piracicaba, cidade esta que está muito próxima de Americana onde o Vulcano fez história gravando o primeiro trabalho ao vivo de uma banda de heavy metal no Brasil? O que você espera deste show e tem algum recado em

especial para o público? Interessante que será a primeira vez que o VULCANO vai a Piracicaba, me recordo que em 1985 anunciaram um show do VULCANO em Pira, mas não era verdade. Eu tive que fazer um anúncio dizendo que não havia nada planejado para aquela data. Até hoje não sei quem, nem porque fizeram isso! A galera de Pira ia muito aos eventos de Americana e principalmente em Araraquara. Também lembro que rolou um “puta de um pau de loco” em um show em janeiro 1986 em Valinhos e me disseram que foi entre Piracicabanos e Campineiros, de qualquer forma, coisas do passado! Eu espero que esse show em Fevereiro tenha o mesmo clima dos anos 80 com muita gente da região aparecendo para conferir. Com certeza eu encontrarei pessoas que estiveram em agosto de 85 na gravação do LIVE! Em Americana. Vou fazer uma pergunta diferente, muitos perguntam o que os músicos de heavy metal e rock acham da atual cena, houve até recentemente uma repercussão causada na mídia por alguns comentários de Edu Falaschi da banda Angra em relação à atual cena do metal no Brasil, baixo público em shows de bandas nacionais, baixas vendas de CD´S, pirataria, ETC, então eu lhe pergunto, o que você acha que pode ser feito e ou que não deve ser feito para se mudar à situação? Não podemos esquecer que nós somos uma minoria nesse país. O Brasil não é um país que tem uma vocação para o Heavy Metal. Seremos sempre uma minoria, isso é fato! No meu ver a cena sempre foi mais ou menos

essa não há muitas vendas de CDs, por exemplo, o VULCANO vende somente a primeira tiragem de seus álbuns, porém nós vendemos isso nos shows e por isso eu respondo sua pergunta dizendo que é necessário acontecer mais shows, pois eu creio realmente que show ao vivo é a mais eficiente divulgação que uma banda possa ter. Falo isso porque a cada apresentação ao vivo do VULCANO nós conseguimos arregimentar mais fãs e seguidores. Esse é o esquema: tocar ao vivo! E para isso é necessário que a galera compareça para conferir a banda! Para encerrar a entrevista, A infektion Magazine agradece você e a banda Vulcano pela entrevista, mande um recado a todos que acompanham a carreira da banda Vulcano e um recado para os metaleiros e roqueiros em geral. O VULCANO esta na ativa, lançamos nosso mais novo álbum “Drowning in Blood” e iniciamos nossa turnê de divulgação tocamos no `` Zoobie Fest´´ em Santa Catarina e “Blackmore” São Paulo. Preparamos um ótimo “set list” para o A10 Rock Fan Fest que acontecerá em Piracicaba e espero vê-los por lá. Em abril estamos indo para a Europa novamente onde passaremos por U.K, Escandinávia, Alemanha, Bélgica, Holanda, França, Suíça e Itália. No retornos esperamos fazer muitas apresentações ao vivo.

http://joaonvno2009.blogspot.com/

Entrevista: JeanCarlo Oliveira Fotografia: Vulcano


“Human Maze” é o álbum de estreia dos italianos My Black Light. Estivemos à conversa com a vocalista Mony, que partilhou connosco algumas palavras em relação a esta proposta com edição a cargo da Massacre Records.

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ostei muito da música “Being Human”. Qual é o seu significado? “Being Human” é sobre a eutanásia, por isso é um tema um tanto delicado. É provavelmente uma das nossas músicas mais sérias. Imaginamos um médico que tem que escolher entre a vida e a morte de alguém, bem como todas as dúvidas que esta escolha levanta. O que escolherias se alguém estivesse a sofrer e pudesses colocar um

é muito cedo para isso? Este álbum foi lançado em 2010 mas apenas em formato digital e o facto de ser novamente lançado pela Massacre Records foi uma grande oportunidade para nós. Na verdade, nunca paramos de compor novas músicas e já temos 5 ou 6 ideias em que estamos a trabalhar de momento. É óbvio que ainda vai demorar algum tempo até as termos finalizado e para já vamos vendo como é que “Human Maze”

até agora? Já actuaram muitas vezes? Ainda não, mas esperamos fazê-lo brevemente. Para já estamos atentos ao feedback deste lançamento mas já andamos de olho em algumas coisas.

fim a isso? A nossa personagem não sabe... Não consegue tomar tal decisão.

vai sendo recebido.

muito importante para nós saber aquilo que as pessoas pensam sobre a nossa música. Geralmente pesquiso “My Black Light” no motor de busca e vejo o que aparece.

Vocês são da Itália. O vosso país inspira-vos musicalmente? Para te ser honesta não, a Itália não é muito inspiradora para este tipo música. No geral, o Metal não é muito apreciado por aqui a menos que seja uma banda clássica de Heavy Metal. No entanto, o pop Italiano provavelmente influenciou as nossas músicas e acho que podes perceber isso na melodia da voz. “Human Maze” foi originalmente editado em 2010. Tiveram oportunidade de compor novas músicas desde então ou uma vez que “Human Maze” foi reeditado pela Massacre Records ainda

Geralmente as entrevistas passam todas pelo mesmo tipo de perguntas e quero experimentar algo diferente contigo. Fala-me um pouco acerca das tuas actividades (que não estejam relacionadas com a música) e que os fãs possam não ter conhecimento. Quais são os teus hobbies e interesses? Pessoalmente adoro praticar desporto e treino quase todos os dias. Gosto de me manter em forma! Passo muito tempo a ler, especialmente “thrillers” e fantasia. Adoro os livros do Harry Potter! Também gosto de passar tempo com o meu gato. Como está a correr a promoção

E em relação às reviews? Tiras algum tempo para procurar na internet aquilo que as pessoas falam sobre a banda? Sim, faço isso todas as manhãs. É

Fala-me dos vossos planos para o futuro... Recentemente gravamos um vídeo de uma das nossas músicas que vão poder assistir muito brevemente. Esperamos também conseguir actuar em Itália e não só... Um segundo álbum também está a ser pensado mas para já é muito cedo para falar nisso. Entrevista: Joel Costa Fotografia: Massacre Records


Valentina Silva Ferreira http://www.facebook.com/pages/Valentina-Silva-Ferreira/231598930187132?sk=wall http://editora.estronho.com.br/index.php/autores/268-valentina

Cheguei a pensar que estava louca. Uma pessoa com boas notas, com amigos e uns pais que a adoram não pode ser louca. Entendi, portanto, que sou assim mesmo. Vejo espíritos. Todos os dias, dispersados pelas horas e sem um lugar fixo. Mas vejo. E, principalmente, sinto-os. Às vezes, sentir é pior que ver. Aquela sensação de frio de que tanta gente fala é verdade. Sinto frio, calafrios, por vezes, e um pânico que me corrói. Eu não deveria ter nascido com este dom. Não tenho a capacidade de enfrentar e perguntar se precisam de ajuda. Encolho-me, somente. Deixo-me fingir que não os sinto nem vejo. Alguns passam por mim como se eu fosse apenas mais uma. Outros detectam o meu medo. O medo deve ter som. Não sei, uma espécie de buuuuuuuh que os avisa de quem os pode ver. Quando sabem da minha capacidade, perseguem-me. Olham-me no fundo dos meus olhos e eu experimento um tipo de dor inconfundível. A dor da morte é horrível. Eu tento mostrar que não passo de uma criança, que não consigo ajudar ninguém. Muitas vezes, à noite, encosto-me à almofada e choro imenso. Isso resulta. Eles vão embora. Não querem estar

perto de quem também sofre. Eles precisam de tranquilidade e eu não sou capaz de dar. Sinto-me inútil. Nestas alturas desejo ser cega para não ver as cores e os movimentos que mais ninguém vê; ser surda para passar ao lado dos aaaaaaauhh e cabumms que tantas vezes me atormentam. Um dia, estava no meu quarto, ajeitando as coisas para o dia seguinte. Rrrrrrrrrr, ouvi. Parecia o arrastar de uma garganta, um clarear da voz. Ignorei. Poderia ser o pai. A mãe não porque a sua voz é feminina. Mas podia, muito bem, ser o pai ou até a mota dele, engasgada por alguma pedra no cano de escape. Rrrrrrrrrr, de novo. Não pude ignorar, dessa vez. O ar já se tornara frio, os cabelos do meu pescoço entesaram-se como se uma boca gelada soprasse mesmo perto. Olhei em volta e não vi nada. Deslizei para debaixo dos lençóis. Fechei os olhos. Fingi-me cega e surda. Cantei uma música qualquer. Mas estava cada vez mais frio e o Rrrrrrrrrr foi substituído pelo Toc-toc, uma espécie de batimento de uma pedra num bocado de metal. O lençol descia-me pelo corpo sem que eu fizesse nada. Descia e o frio entrava em mim. Não pude mais, tive que abrir os olhos. Acabou a

cegueira e a surdez. Eu vi a forma em espiral da sua matéria, em cores que variavam entre o azul e o roxo-claro. Fiquei agoniada. Aaaaaaaaaaaaaah, gritei. O espírito desapareceu da mesma forma rápida com que aparecera. Eu chorava, o ranho saía do nariz, a cama molhada pelo xixi que não consegui controlar. Os meus pais correram e entraram. Agarraram-me mas eu não recordo esse momento. Entrara no pior estado do medo. A partir desse dia decidi que teria de contar ao pai e à mãe a razão das minhas perturbações. Só teria de encontrar o momento certo. - Pai, mãe… - disse, depois do jantar, numa noite de Outono. - Há uma coisa que quero contar - eles entreolharam-se, na expectativa. E eu disse, de seguida, sem parar para respirar, que via espíritos e que eles me atormentavam porque eu não tinha a capacidade de ajudar. Falei, falei, falei. Contei todos os episódios assustadores da minha vida. Acho que nunca olhei para eles. Não me lembro que expressão sustentava os seus rostos. Eu só queria desabafar todo o meu receio. Demorei uma eternidade; eles sempre calados, escutando. Por fim, encarei-os. Estavam per-


plexos: o meu pai vermelho; a minha mãe branca, de mãos dadas. A respiração irregular nos dois. - Quanto tempo demoraste para inventar essa história? - perguntou o meu pai. - Eu não estou a mentir, pai - defendo-me, demasiado baixo para parecer revoltada. - Vai para o teu quarto. Estás de castigo - foi a resposta. Fui e resguardei-me na minha cama. Chorei dias sem parar e isso só aumentou a fúria do meu pai. Finalmente, decidi que tinha de viver assim. Fingindo para toda a gente que era normal, aguentando os momentos de angústia e medo. Eu estava no banho, a lavar o cabelo. Fffuaaaaaah. Repeli o ruído e continuei a massajar na espuma. Fffuaaaaaah. A água deixou de parecer quente, o vapor diminuiu consideravelmente. Estremeci. Abri a cortina e espreitei. Não vi nada. Mas o som continuava lá. Vinha da pia, da sanita, por debaixo da porta. Fechei a torneira, embrulhei-me na toalha e coloquei os pés no chão frio. Fffuaaaaaah. De novo, mais alto, mais grave, com uma nuance de terror em cada sílaba. Abri a porta e vi. Um remoinho de cores, acelerado, que após uns momentos parou e ganhou a forma de um corpo. Parecia um velho. Fiquei aterrorizada, gemi de pânico e corri até ao quarto. Ele veio atrás de mim, eu toda nua já, a gritar. Joguei-me para cima da cama, o velho cada vez mais perto. Os olhos abertos, com um poço de tristeza dentro deles. Ouvi os passos ace-

lerados dos meus pais. Eu já estava deitada, de barriga para cima, a pontapear o ar e a esbracejar sem saber, ao certo, o que afastar. O espírito encontrava-se cada vez mais aturdido, um cagaço que se misturava com o meu. Os meus pais entraram. A cena que vislumbraram não lhes agradou, com certeza. A filha deitada, despida, chutando o ar. Eles não viam o mesmo que eu, eu sei. Devia ser perturbador ver-me naquele estado. No entanto, é a função de um pai proteger o filho. Eu poderia estar a meio de um pesadelo. Que mal havia em ter um pesadelo acordada? Eles só tinham de correr até mim e acolher-me no colo. Não o fizeram. O pai puxou o cinto e veio até mim. Sovou-me enquanto falava sobre boa educação. Eu gritava, implorava para ele acreditar em mim. Como será que ele não percebia que eu jamais poderia fingir um medo tão real? A minha mãe assistiu, chorosa. Finalmente, ele parou. O espírito já tinha fugido há algum tempo. O meu pai deixou-me jogada na cama, dorida por fora, ferida de morte por dentro. Fiquei sozinha, moendo a minha humilhação. Eles tinham de acreditar, era importante. Eu precisava de um pedido de desculpas. Mas como? Foi então que me ocorreu o melhor plano de sempre. Eu só precisava de transformar os meus pais em espíritos. Torná-los na matéria que eles teimavam que não existia. E aí, quando eles percebessem que eu conseguia vê-los, beijar-me-iam por entre as súplicas de perdão. Não sei como de facto o

fiz. Uma criança de 14 anos não tem força suficiente para matar dois adultos. Acho que a minha determinação ajudou. Usei os calmantes da minha mãe para adormecê-los e a pistola do meu pai para terminar o acto, no quarto deles. Uma cena medonha, devo dizer. Deitei-me entre eles, salpicada de sangue e desejosa pela aparição. Eu não sabia quanto tempo demoraria a transição. Esperei até o cheiro ser insuportável. Eles não apareceram. Hihihihihih. Ouvi uma gargalhadinha irritante durante toda a espera. Eu olhava, com insistência, para todo o quarto e não via nada. O riso vinha de todo o lado mas principalmente da minha cabeça. Agarrei-me ao pai, duro e com marcas, e falei-lhe com emoção. Sai pai, sai daí. Eu consigo ver-te, só tens de sair. Pedi mas ele não ouviu. Virei-me para a minha mãe e pedi do mesmo jeito, num tom de voz mais suave. Nada. Não sei quanto tempo passou. O sangue secou, os corpos apodreceram e eu fiquei subnutrida. A polícia apareceu e arrepiou-se com a cena. Levaram-me a um senhor e eu contei sobre os espíritos. Ele acreditou em mim e eu festejei. Eu sabia que alguém haveria de acreditar em mim. Poucos dias depois, fecharam-me numa sala almofadada e branca. Os espíritos? De vez em quando ainda os sinto mas basta eu gritar que alguém me acode. Os meus pais? Nunca os vi.


Portugal no seu jardim plantado à beira mar / nasceram Morangos e Floribelas na campa de Salazar Halloween in Um jardim à beira mar

O

Hip Hop Tuga (péssima expressão!) tem o grande feito de ter trazido de volta a língua portuguesa para a música de cariz urbana, depois de oportunistas bacocos como os Blind Zero e Silence 4 terem tentado sepultado a língua numa enorme campanha de pseudo-globalização – previsivelmente falhada dada a óbvia falta de originalidade desses projectos. Só que os “hip hop tugas” ficaram-se por aqui, foram a resistência para o uso da língua lusa mas falharam tudo o resto ao apropriaram-se deste estilo musical de forma dogmática sem reflectirem se o modelo norte-americano fazia ou não sentido para a realidade portuguesa. Talvez por isso quase não há personalidades distin-

tas no Hip Hop português, ou pelo menos é muito raro encontrar. Não faltam, claro, figuras inchadas, cheias de si, que contribuem apenas para que esse “Hip Hop Tuga” seja aquilo o que vernacularmente se pode chamar de uma “grande punheta” – digo-o não de forma gratuita porque basta ouvir as letras autofagicas e masturbatórias para perceber o que digo. Claro que temos uma serie de instrumentistas competentes ou esgrimistas exímios de palavras (Sam The Kid, X-E-G) mas estas excepções surgem por serem os virtuosos de uma cena medíocre que segue um “beat” unilateral. Nas periferias deste movimento ainda vamos encontrar dois casos

interessantes embora equidistantes, por um lado os Niggapoison, descendentes de Cabo Verde que começaram como banda de Hip Hop e cada vez são mais Dancehall e Kuduro, e do outro os beirões Factor Activo, vindos do Rock e que usam o Hip Hop para retratar a urbanização da província. São dois casos tangenciais ao âmago da cena. Dentro dela conheço só dois rappers que fugiram aos “templates”, são o Nerve e o Ex-Peão. O primeiro fazendo uma caricatura da vida “white-trash” e o segundo como retrato do homem desesperado versus a máquina do sistema. A juntar a estes dois artistas, (re)conheço agora Allen Halloween, com o seu novo e segundo álbum A Árvore Kriminal (Sonoterapia;


2011), que sim senhora, considero o “álbum do ano” em Portugal! Escreve-se sobre ele nas “wikipedias”, que Allen é um luso-guineense que vive em Portugal desde os 4 anos num subúrbio lisboeta e que é um tipo reservado. Talvez por causa disso que o concerto que assisti na Music Box no final do ano tenha sido uma treta, não parece que o Halloween seja um tipo “live” – embora geralmente os concertos naquela casa nocturna não são bons, diga-se, ou porque não enche, ou porque é estupidamente cara a entrada e consumo, ou o habitual: o som da sala é péssimo. Seja como for, desconfio que Allen é bicéfalo – não se nota, ele esconde muito bem e realmente no concerto não descobri a sua segunda cabeça! Uma delas trata de temas que poderiam ser autobiográficas e pessoais enquanto que a outra encarna personagens malditas do gueto como o dealer durão ou o bêbado irrecuperável. Pelo facto de haver uma intersecção das duas cabeças – serão siamesas? – explode uma fantasia urbana brutal que criou o Halloween, personagem psico-dramática que deixa as pessoas fascinadas quando se cruzam com as suas músicas. Em Portugal, Halloween “rapa” de forma pouco canónica, ora de forma lenta e degenerada, ora com inesperados berros. É muito raro no Hip Hop Tuga haver rimas que sejam debitadas sem ser uma lenga-lenga melosa, nunca é onomatopaico (como os Fu-Schnickens), gritado (Onyx) ou monstruoso – como o Horrorcore dos seminais Gravediggaz ou as produções da Psycho+Logical Records. Até os convidados de Halloween no disco estão numa linha longe do horizonte habitual, trazendo realmente mais-valias ao disco – ao contrário das dezenas de convidados que os discos de Hip Hop trazem e que nada acrescentam faixa a faixa, fenómeno aliás que também já passou há muito para a Pop ou o Metal com resultados similares. De destacar os vocais “dreadas” no tema Aleleuia A Ressurreição do Kriminal com Buts MC, J-Cap e Lord-G, que lembram os momentos mais ganzados pré-milenares de Tricky ou o gangsta assustador de Wu-Tang Clan – duas influências que se sentem nitidamente. Como vêem, Halloween é realmente Dark! E em Portugal nós gostamos de música Dark! Os seus “beats” (o som instrumental) são minimalistas mas com uma carga dramá-

tica que une sons consensuais nas produções de Hip Hop como o banal sinfónico mas quando menos se espera acrescenta “solos” ou feedback de guitarras e sons concretos, tácticas abandonadas no Hip Hop mundial – que só os velhotes Public Enemy iniciaram e perpetuaram e deixaram Dälek como dos poucos herdeiros. Halloween não é barulhento o suficiente para estar nesta liga de peso-pesados mas não foge com o rabo à seringa, não se entregando totalmente à harmonia simplicista. Outro ponto positivo, até diria o ponto máximo, é que não há aqui R’n’B ranhoso! É um mistério total que em todos os discos de Hip Hop haja faixas ou coros R’n’B, talvez para realçar um momento “sentimental” ou “sensível” dos artistas. O problema é que ser “sensível” não deveria significar “piroso”, e neste disco fica provado que se pode dar volta à questão. Crazy e O Ódio são os momentos “softs” mas os instrumentais destas músicas invés de irem ao vómito R’n’B lembram antes as melancolias dos Gorillaz - ou melhor, de Augustus Pablo (1954-99) uma vez que os Gorillaz rapinam este jamaicano com pompa e circunstância, e numa lógica de multiplicação Halloween também foi atrás. Mais estranho é como o disco acaba. Ainda antes de uma “faixa escondida”, o tema Debaixo da Ponte poderia ser uma balada dos Xutos & Pontapés – não que ser comparado aos Xutos seja um valor positivo (o mais certo é não ser) mas mostra como A Árvore Kriminal é tão imprevisível como uma rusga da bófia.

Mais uma música, mais um vigarista / mais um estúpido que dança na pista / ninguém precisa de ser um bom artista / tu só precisas é de mais uma bebida Halloween in O convite Também em Halloween não há lugar para a “moralzinha”. Quase todo o Hip Hop Tuga é padreco, ou seja, os MCs dizem o que deveríamos ou deixar de fazer. Não sei o que é pior, se ser “pastor” ou não ter talento para o fazer acabando por ser reaccionário. Com Halloween não há nada disso. Os retratos que ele nos vai oferecendo não procuram convencer-nos de nada. Claro que como qualquer artista, acaba por ser “moralista” – e acho que devo esclarecer qual a diferença entre o “moralista-moralzinha” e o “moralista-artista”. Há uma mania que o público têm de achar que

os artistas mais explícitos, como o Mike Diana (autor de bd norte-americano acusado de obscenidade) ou os Carcass, são depravados e “muita malucos” justamente por mostrarem imagens ou letras/sons chocantes. Mas muitas vezes estes autores são o contrário, extremamente introvertidos, e os trabalhos que produzem são imagens que necessitam de exteriorizar para não enlouquecerem – ex.: Mike Diana em julgamento teve de explicar as suas imagens ao tribunal da Florida, uma delas havia um padre a molestar crianças, Diana disse que esta imagem surgiu porque ouviu uma notícia na rádio de um padre que violava menores, que lhe ficou a imagem horrível na cabeça e teve uma necessidade de a desenhar, justamente para se libertar dela. Muito provavelmente Diana desenhou a imagem justamente para criticar a nossa realidade – bem pior que as ficções mais sádicas já criadas, escritas, desenhadas, etc... – o que no fundo mostra esse lado de crítica que acaba por ter haver com a moralização dos costumes. A diferença entre Diana, Carcass ou Halloween e os “artistas positivos” é que os primeiros não dizem explicitamente que está errado, será o receptor / leitor / ouvinte que irá julgar o que a obra lhe mostra mesmo se o desenho seja revoltante por estar cheio de genitais e esperma nas bocas das criancinhas. Halloween nas suas letras dá-nos acesso a personagens violentas, violentas com os outros ou consigo próprias, e se as letras muitas vezes são exibicionistas, Halloween não um é animal “gangsta” que anda prái a dar tiros no meio da rua, o que ele pretende é uma expiação pelos crimes cometidos por ele ou por outras pessoas que conheceu. Se escrevia que o Halloween era bicéfalo em que a sua arte funciona da intersecção dos “dois cérebros”, é curioso que ela sintetiza de uma história oculta do Hip Hop, ignorada em Portugal mas que está mais adequada à nossa realidade do que se podia imaginar. Era um trabalho sujo que algum gajo tinha de o fazer... mesmo quando ele escreve letras que não rimam em Noite de Lisa: Não toques na bicicleta se não tens pedalada / até gosto da tua conversa mas... cala-te! Uma heresia para os puritanos do Rap? Ainda bem!


O

ORANGE GOBLIN

A EULOGY FOR THE DAMNED (CANDLELIGHT RECORDS)

9/10

último álbum de Orange Goblin confirma que estes senhores, mais do que criadores de música, são acérrimos fãs de música. O rótulo de stoner rock, além de anacrónico (só foi inventado muito depois da banda surgir), é insuficiente para descrever o leque de influências assumidas. Em “A Eulogy for the Damned”, trabalho a ser lançado dia 13 de fevereiro, denota-se um maior cuidado com a produção e a banda parece, finalmente, ter deixado de gravar num pub escuro e fedorento, sem que se tivesse perdido, porém, a névoa de fumo nem o perfume da cerveja. Ao passo que nos trabalhos anteriores as oscilações entre o hardrock, o doom, o punk, o heavy e o thrash são nítidas, neste registo, a banda atingiu um ponto

de refinação de que “The Bishop’s Wolf” é testemunha, onde, no minuto 2, deparamo-nos com uma joint venture entre Metallica e Sodom minada por uns teclados bem funky. Estamos perante um sólido trabalho de rock musculado com apontamentos épicos como em “Acid Trial”, arrastados, em “The Fog” (olá Saint Vitus!) ou old school thrash/death em “Death of Aquarius”. A encerrar, a música que dá nome ao álbum, começa cadenciada e evolui para um refrão orelhudo (à semelhança de todos os outros) com um riff (muito bem) roubado a Aerosmith. Para ouvir no recato do lar ou numa festa com os amigos. It’s only rock n’ roll but I like it! A lot!

Ana Miranda


ANAL CUNT THE OLD TESTAMENT

DARKSIDE OF INNOCENCE XENOGENESIS

DEMONIC DEATH JUDGE THE DESCENT

EISREGEN ROSTROT

RELAPSE RECORDS

INFEKTION RECORDS

INVERSE RECORDS

MASSACRE RECORDS

Anal Cunt foi sempre um sinónimo de podridão, de ironia e humor sardónico, horrível, negro… Foram sempre muito mais além do que é socialmente aceite pela maioria da sociedade ocidental. Tudo o que dizia respeito a este projecto fazia muita tinta correr, de tanta polémica que gerava à sua volta. Era horrível e nojento! Mas, gostávamos de cada “nota”, de cada “acorde”, de cada batida e de cada segundo daquela quantidade de ideias devassas que sempre foram os Anal Cunt! No passado mês de Junho, morreu o cérebro por detrás de tanta porcaria e badalhoquice: Seth Putnam (conhecido por ter colaborado com os Pantera no Great Southern Trendkill), depois de uma curta vida entregue a álcool e drogas bem pesadas. Deixou atrás de si muita bizarria e deu um novo nome ao que se pode chamar de “mete nojo”! The Old Testament é uma colectânea dos primeiros registos dos Anal Cunt, composta por demos nunca antes lançadas e faixas que nunca chegaram a ver a luz do dia. Se o Sr. Putnam sempre prezou a gravação suja e decrépita, os fãs vão encontrar precisamente isso nesta compilação… Elevado a outro nível. É mais uma peça de colecção do que propriamente mais um álbum. Que merecerá destaque na prateleira de qualquer coleccionador e/ou fã do trabalho dos Anal Cunt. Uma pena que seja o último registo de uma banda e de uma mente terrivelmente irónica e sarcástica que nos fez rir à gargalhada com tanta ideia impensável. Paz à sua podre alma! Seth Putnam para sempre!

2009 foi testemunha de um grande lançamento que revolucionou o underground nacional. “Infernum Liberus EST” era assim a forma dos Darkside Of Innocence notificarem o Mundo que estavam por aqui e prontos para dominar o Black Metal sinfónico nacional. O futuro não trouxe só coisas boas e a banda acaba por sobreviver graças ao empenho e persistência de Pedro Remiz. 4 anos depois (e depois de um single e um EP que dava conta de uma sonoridade diferente), chega-nos “Xenogenesis”, uma obra-prima que nos presenteia com futuros clássicos que serão “Airian” e “Dulcifer Tragoedia”. A banda sofreu alterações desde a raíz, abrindo ainda portas para uma sonoridade electrónica que desafia tudo aquilo que já conhecíamos dentro deste estilo. “Xenogenesis” é mágico, inovador e, melhor ainda, nacional! O ponto alto vai para a faixa “Cerberus”, dada a conhecer anteriormente como um single de 12 minutos, que neste registo é dividida em 3 partes que deliciam os ouvidos e a mente de quem ouvir. Uma autêntica obra-prima que, apesar de só estar a dar os primeiros passos, promete chegar bem longe. [9/10] José Almeida

O quarteto finlandês “Demonic Death Judge” edita agora o seu primeiro longa-duração, depois de ter impressionado a crítica com o seu EP de estreia em 2010. “The Descent” é um disco essencialmente ligado á sonoridade Stoner/Sludge, mas com bastantes influências das guitarras poderosas dos anos 90 (a fazer lembrar bandas como os “Entombed” ou os “Dismember”) e também da cena Rock Psicadélica dos anos 70. A banda mostra-se bastante sólida e coesa do princípio ao fim do registo e vai revelando algumas surpresas musicais ao longo do disco, numa viagem experimental bastante interessante, consubstanciada em temas muito bem conseguidos como: “Churchburner”, “The Descent”, “Green Totem”, “Four” e “None of it”. “The Descent” é, acima de tudo, um disco honesto, que procura marcar a diferença e criar uma sonoridade única no panorama do stoner/sludge. As músicas estão bem construídas e prendem a atenção de quem ouve, trazendo mesmo alguma frescura e apostando forte na inovação. Sem dúvida, um bom trabalho. [7/10] Rute Gonçalves

Os alemães Eisregen trazem-nos mais um álbum de originais, “Rostrot”. Depois de verem 3 álbuns banidos do seu país, alegadamente por conterem letras ofensivas, espera-se que “Rostrot” seja a continuação de um regressar aos tempos áureos que marcaram o crescimento da banda nos anos 90. Existe ao longo do álbum uma presença forte de piano, muitas melodias, algum folk, industrial, mudanças de ritmo ao nível instrumental, e ao nível vocal, já que o vocalista, Michal “Blutkehle” Roth, é capaz de cantar o tema mais calmo do mundo com uma voz doce, e passar no segundo seguinte para o registo oposto, para uma voz que arranha, forte, quase gore. Um dos pontos que devem ser mencionados é precisamente sobre a variedade. Quando é demais, pode ser prejudicial. Quase parece que cada tema é interpretado por uma banda diferente, tal é a diversidade que encontramos em “Rostrot”. Quando não encontramos um fio condutor às primeiras, mais dificilmente compreendemos o álbum e o conceito musical. Mas atenção, não quer dizer que não haja qualidade, essa está lá, indubitavelmente. Se tivesse de destacar um tema seria “Fahles Roß”, que reúne os pontos que foram mencionados: começa calmamente com piano, e evolui para um ritmo mais elevado, sem descartar a melodia. Ouve-se muito bem e podia ser a bandeira deste álbum.

[ / ] Narciso Antunes

[6.5/10] Íris Jordão


INNER BLAST SLEEPLESS MONSTER

KIROS LAY YOUR WEAPONS DOWN

INVERSE RECORDS

EDIÇÃO AUTOR / INFEKTION RECORDS

AINT NO GRAVE RECORDS

Os “ultra” pesados “Herem”, trazem directamente de Helsínquia mais um registo esmagador de Doom Metal. “II” é, tal como o nome indica o segundo álbum da carreira da banda e continua a saga demolidora do registo anterior. O disco, composto apenas por 6 faixas, abre com “Heavens”, um tema bastante negro e profundo, surgindo logo de seguida “Earth” um tema bastante mais calmo mas bastante agressivo. As restantes faixas “Dogs of Doom”, “Promise”, “Water” e “Babylon” seguem basicamente a mesma toada “Dark”, tendo sempre em destaque a voz gutural e sinistra. Para os apreciadores deste género, e fãs dos Herem, “II” é, sem dúvida, um bom disco, não conseguindo, no entanto marcar pela originalidade. O seu ritmo torna-se um pouco monótono depois das primeiras duas músicas não conseguindo surpreender quem ouve. [6/10] Rute Gonçalves

O título deste EP não podia ter sido melhor escolhido. Este registo define os Inner Blast a 100% e representa a sua essência de uma maneira bem peculiar. O monstro estava adormecido em cada um dos elementos deste colectivo mas o seu despertar trouxe à luz do dia um fantástico acto com um grande futuro à sua frente. O mais difícil está feito e os Inner Blast passaram na prova com distinção. Pode ser apenas um EP, apenas uma demonstração daquilo que está por vir, mas a banda não podia ter arranjado melhor forma de se fazerem ouvir. “Sleepless Monster” traz tudo aquilo que se pode esperar de positivo num álbum de Gothic Metal, acrescentando ainda um pouco da visão e das influências de cada um dos envolvidos neste projecto. Não só é um bom registo como também é uma boa experiência. [7.5/10] José Almeida

“Kiros” são uma banda de Rock originária de Calgary no Canadá. Formados em 2004 pelo baixista/vocalista Barry MacKichan e pelo guitarrista Ryan Guerra, os “Kiros” (nome de origem grega que significa momento de tempo divino) têm feito um percurso essencialmente marcado por apresentações ao vivo, tendo já partilhado o palco com bandas como “All American Rejects”, “Relient K” e “Maylene and the sons of Disaster”. “Lay your weapons down” é o disco de estreia da banda, editado sob a chancela da “Ain’t no Grave Records” e com a colaboração do produtor Mark Lee Townsend. Trata-se de um registo bastante interessante, composto por três partes distintas: The Revolt, The Trenches e The Surrender. Tendo como tema inspirador a redenção pessoal, os 10 temas do disco, são essencialmente marcados por uma mensagem e um feeling muito positivos. Temas em destaque são: “Broken State”, “Outlaws and prodigals”, “What can stop me now”, “Passive through” e “Something beautiful”. “Lay your weapons down” é, na sua essência, um excelente disco de Rock, cheio de energia, repleto de boas canções e muito Groove que revela uma banda artisticamente bastante criativa e disposta a arriscar tudo para alcançar um lugar ao sol. Vale mesmo a pena ouvir. [8/10] Rute Gonçalves

HEREM II

KROSSFIRE LEARNING TO FLY PURE STEEL RECORDS

Os “Krossfire” são um quinteto de Power Metal, oriundos da Bulgária, com apenas um single lançado em 2008 e que, desde essa altura, se encontram a preparar com todo o rigor e cuidado este disco de estreia: “Learning to Fly”. Com claras influências do espírito épico dos “Manowar”, das orquestrações dos “Labyrinth” e das melodias harmoniosas dos “Blind Guardian”, o colectivo consegue um resultado bastante interessante neste registo. Apelando aos sentimentos de todos os apreciadores do Heavy Metal “Old school”, o disco começa com “Visions” um belíssimo instrumental e prossegue sempre em ritmo enérgico com temas como: “Warmachine”, “How can there be?”, “Learning to fly” (sem dúvida o meu tema favorito do álbum), “Touch of destiny” e a balada “The One”. “Learning to fly” consegue fazer-se ouvir. A cada faixa, há sempre algo que nos prende à música e nos faz ter vontade de ouvir a seguinte. Em suma, é um bom disco, com muitos momentos de prazer, em especial para os fãs do Heavy Metal clássico. Parece que para os “Krossfire” valeu a pena demorar tanto tempo até lançar o disco de estreia. A não perder. [7/10] Rute Gonçalves


NOWEN ESSENCE OF FEAR

NEFASTU VERSÍCULO I (TAPE)

NIGHTWISH IMAGINAERUM

PURODIUM RECORDS

NUCLEAR BLAST

VIOLENY JOURNEY RECORDS

Os Nefastu são uma banda de Black Metal do Porto que trouxeram em “Versículo I” a verdadeira essência do género musical. As palavras são vociferadas na língua mãe e com um sentimento que transborda ira e desolação (não fossem estas palavras as que formam o lado A e lado B da tape). Sendo para mim uma das mais agradáveis surpresas de 2011, os Nefastu começam assim aquela que será uma viagem histórica, tendo como hino de guerra “Manifesto Herege”, uma música onde a banda dá o melhor de si e ao mesmo tempo resume o imenso poder presente em “Versículo I”. Fiéis ao underground, os Nefastu preparam já o “Versículo II”, que deixará de água na boca aqueles que ouvirem este primeiro trabalho. São poucas as palavras para definir algo tão complexo. Para entenderem Nefastu só mesmo ouvindo a sua mensagem. [9/10] Joel Costa

Claramente que perder Tarja foi um golpe que devastou muitos fãs da banda, e afastou outros, contudo, a banda continua, sendo este o 2º lançamento desde a entrada de Anette Olzon. Imaginaerum, contudo, é bastante diferente do anterior Dark Passion Play, no sentido em que se ouve quase como um antigo álbum de Nightwish, dos tempos áureos da banda, estando a veia mais “pop” que tanto marcava o álbum anterior não tão presente neste último registo. A 1º faixa do álbum após a intro, “Storytime”, é, seguramente, a mais memorável, e similarmente, uma das que melhor traduz este sentimento nostálgico, magico, e de eterealidade que tanto vincava os registos antigos da banda, sendo notável também que existe uma tentativa de puxar mais pela voz de Anette que, apesar de obviamente não possuir o poder da de Tarja, contém um certo charme. As duas músicas seguintes tornam-se algo estranhas, parecendo estar algo fora de todo o ambiente do álbum, contudo as coisas rapidamente voltam aos seus devidos carris por altura da 4º música, possuidora de um mood muito folk, focando-se bastante nas instrumentalidades e lembrando bastante a antiga “Last of the Wilds”. O resto do álbum passa-se sem grandes highlights, mas competente o suficiente para não quebrar com a ‘magia’ que consegue ainda criar. Um trabalho bastante sólido, que poderá, com um pouco de sorte, replantar a fé de alguns fãs nesta banda.

Directamente da Finlândia para o mundo, os “Nowen” regressam á ribalta com o lançamento do 4º álbum da sua carreira “Essence of Fear”. Depois de “Nothing but hate” , registo de 2010, Mikko Lappalainen e seus companheiros estão de volta para mais um assalto brutal de Black/Thrash Metal, como aliás já nos habituaram. A banda já não é propriamente novata, contando já com 10 anos de existência. “Essence of Fear” é essencialmente um disco rápido e frenético, repleto de momentos agressivos mas também com bastantes rasgos melódicos e que nos conduz numa viagem surpreendente e cheia de ritmo. Temas a destacar são: “The Egotist”, “The Inner Beast“, “Crown of Falacy”, “Sacrifice for nothing”, “Deadly Force” e “Acts of Deceit”. Destemido, rebelde, agressivo e enérgico, assim é “Essence of Fear”, um disco que afirma os Nowen como uma banda a ter em grande consideração no panorama musical mais pesado. Excelente regresso. [7/10] Rute Gonçalves

[7/10] David Horta

OPERA IX STRIX MALEDICTAE IN AETERNUM AGONIA RECORDS

Este é apenas o sexto álbum de originais da banda italiana, fundada em 1988. Trata-se de um regresso para concluir o último capítulo de uma trilogia (que começou em 2002) e após oito anos de ausência. A abordagem musical old-school de “Strix…” com uma atmosfera de grandiosidade sinfónica e épica omnipresente, em virtude da intensiva utilização de teclados, faz-nos regressar aos clássicos dos Opera IX (quando Cadaveria era a vocalista e as produções eram menos elaboradas). Os temas da bruxaria e da Idade Média marcam presença, num álbum com uma imagem forte e teatral, em que a banda não foge nem um milímetro à inspiração pagã para recuperar o tempo perdido. A verdade é que o aclarar da produção não ajudou os Opera IX, na medida em que isso fez sobressair algumas insuficiências (algo que não se quaduna com uma banda com este historial). Com quase 68 minutos de duração, o álbum torna-se demasiado extenso, apesar do esforço ocasional em variar os conteúdos. Será, no entanto, suficiente para sublinhar que ainda há um caminho pela frente para este quarteto nem que seja carregando a chama do Black Metal atmosférico mediterrânico, revisitando os anos dourados deste no início dos anos 90, recordando também os primórdios dos Moonspell (mas também dos britânicos Cradle of Filth!). Destaque para o vídeo promocional do tema “Mandragora”.

[6.5/10] José Branco


PSYCHOSTARS MAKING FRIENDS WITH MONSTERS

SEAR BLISS ETERNAL RECURRENCE

SIGH IN SOMNIPHOBIA

CANDLELIGHT RECORDS

CANDLELIGHT RECORDS

O regresso do quinteto húngaro após cinco anos de silêncio é um regresso em grande. Neste sétimo longa duração o lado mais progressivo sobrepôs-se ao cariz épico que vem caraterizando o som da banda. Consciente ou não, esta opção pode dever-se à radical mudança de formação (entre caras novas e regressos) onde apenas resiste o vocalista, baixista e teclista András Nagy. Talvez ilustrativo deste novo rumo seja o estilo de artwork, agora mais direto, na linha das sete composições de “Eternal Recurrence”. Os temas estão mais compactos mas o raio de experimentação de géneros musicais e atmosferas abordadas foi alargado. Para isso muito ajuda a forma pouco convencional como cada um dos elementos dos Sear Bliss aborda a música, em especial o toque jazzístico que dá o trompete em conjugação com os teclados. Desengane-se quem pense que a base Black Metal desapareceu. Ela existe mas numa direção avant-garde. As letras continuam a abordar temas cósmicos, pintados de melancolia e ódio mas a sua roupagem é mais enigmática. A menor agressividade e velocidade apresentada convida a que sobressaiam pormenores técnicos interessantes, entre justaposições de vocais, melodias contrastantes e estruturas musicais ricas e pouco convencionais. Um álbum desafiante a vários níveis e que vai ganhando interesse em sucessivas audições.

SIGH é um nome incontornável para os verdadeiros apreciadores de música. A a banda japonesa surge agora com o álbum Somniphobia mostrando o seu habitual carisma. A diversidade impera. Pretende ser um pesadelo sónico mas é na verdade um prazer. Abre com “Purgatorium” que em nada nos faz sofrer, muito pelo contrário. Nota-se uma transição melódica para a segunda faixa, “The transfiguration fear” que surge num tom progressivo e com raízes de jazz evidentes. A precursão soa levemente étnica e o saxofone dá um toque original a este tema. “Opening theme: lucid nightmare” surge completamente misteriosa e cinematográfica. A faixa que dá nome ao álbum dá ênfase à componente electrónica (à semelhança da anterior) e a um som ligeiramente étnico. Tudo é construído com subtileza. O Jazz volta a sobressair em “L’excommunication a minute” e aqui as teclas ganham um imenso relevo. É uma música com momentos muito cénicos. “Far beneath in the between” dá-nos a sensação de entrar nas mil e uma noites. A melodia mantém-se em loop enquanto a voz gutural vai cantando o texto num contraste apelativo. O despertador toca e leva-nos a um magnífico solo de piano. As músicas vão avançando e os sons do quotidiano vão ganhando espaço, o piano torna-se mais evidente e o elemento electrónico, uma constante. O “Ending theme: continuum” cujo título é elucidativo do que significa a o fim, diz-nos a certa altura numa voz perceptível “We are no longer the same”. O álbum fecha com o tema “Equale”. Aqui o Jazz volta a predominar, mas num tom muito mais latino. O piano é intrigante e misterioso. A melodia cresce num ritmo vagaroso e repetitivo até fazer o “fade out” em sussurro. Um álbum excepcional.

TEMPLETON PEK LOW DOWN FOR NOTHING PEOPLE LIKE YOU RECORDS

VIOLENT JOURNEY RECORDS

Este é o primeiro álbum de Psychostars, mas não o seu primeiro trabalho. Estes músicos fazem uma mistura entre Punk e Horror Rock. Sinceramente achei que, apesar das músicas serem aceitáveis, é muita repetição. A mesma harmonia poderá ser ouvida logo na segunda faixa, e fica ali uma continuidade demasiado directa. É engraçado pois eu quando oiço Punk faço sempre ligação ao anti capitalismo e anti elite, mas estes sons são bastante mainstream, sem esquecer os refrões que parecem ter sido feitos para ficarem no ouvido. Por vezes até saem dos limites em que se afirmam, que não é mau, mas quando dou por mim, estou a ouvir algumas passagens que são tudo menos Punk e Horror Rock. Os gritos de guerra e sons relacionados no Punk são comuns, mas esta gente sempre que pode, lá dá um “woooh”, de certeza que há quem goste. Recomendo isto a quem gosta de Horror Rock pelas letras, e nem tanto ao pessoal que curte Punk. A nível de instrumental também não é nada de assombroso, mas por vezes podemos ouvir boas colocações dos guitarristas. A vocalista é igualmente aceitável, mas mais uma vez, nada de extraordinário. Enfim, vale pelo Horror Rock, perde pelo lado Punk. [6.5/10] Davide Gravato

[7.5/10] José Branco

[9/10] Mónia Camacho

Depois da gravação de “Scratches & Scars”, o seu álbum de estreia, no princípio de 2011 e após dois anos de trabalho e de tournées bastante intensos, o trio de Punk melódico de Birmingham “Templeton Pek” lança agora mais um EP intitulado “Slow down for nothing”. “Slow down for nothing” é, na sua essência, um conjunto de 5 faixas de puro Punk Rock, com uma aposta bastante marcada nas sonoridades mais melódicas, a fazer lembrar, nalguns momentos, bandas como os Green Day. Exemplos de temas a ter em atenção são: “Clarity”, “Signs” e “What are you waiting for”. Conseguindo evitar cair na tentação fácil de seguir tendências estabelecidas dentro deste género musical e de imitar ambientes e cenários tornados comuns, os Templeton Pek conseguem com este disco manter do início ao fim a energia, agressividade e competência que são necessárias para construir um registo verdadeiramente interessante e único. É Punk Rock no seu estado puro. Para ouvir (várias vezes) com atenção. [7.5/10] Rute Gonçalves


VOICES OF DESTINY POWER DIVE

WHILE SUN ENDS THE EMPTINESS BEYOND

MASSACRE RECORDS

EDIÇÃO DE AUTOR

Os “Voices of Destiny” são uma banda germânica de Metal Gótico, fundada em 2004 pelo guitarrista Christopher Gutajahr e o baixista Jens Hartwig. Em 2005 a impressionante vocalista soprano Maike Holzman junta-se á banda e um ano depois começam a fazer apresentações ao vivo. O EP “Dare to Reach” surge em 2009 e nesse mesmo ano assinam contrato com a Massacre Records, tendo lançado o seu álbum de estreia “From the Ashes” apenas no inicio de 2011. À semelhança do disco anterior, “Power Dive” continua a apostar forte na combinação da belíssima performance vocal de Maike com o toque mais pesado e mais negro acrescentado por Lukas Palme, o teclista/vocalista. Esta ligação dá origem a um estilo muito próprio que oscila entre o Gótico e o Metal Sinfónico, com as doses certas de riffs intensos de guitarra, uma bateria poderosa e uma interessante sonoridade melódica. Temas a ter em atenção são: “Power Dive”, “Dreams awake”, “Dedication”, “Your hands” e “Red Winter’s snow”. Em suma, “Power Dive” é um álbum bastante convincente, que representa uma evolução significativa relativamente ao primeiro registo da banda e que transmite muita garra e energia de uma banda que claramente amadureceu musicalmente e que revela bastante potencial artístico. Vale a pena ouvir. [7/10] Rute Gonçalves

Os italianos While Sun Ends brindam-nos com oito canções complexas e variadas, com base Death Metal e deambulações progressivas, onde se destaca a voz (ora melódica, ora gritada) de Serena Caracchi. Os temas deste álbum auto-financiado focam as contradições da natureza humana numa perspectiva filosófica. A sonoridade é muitas vezes atmosférica (e muito deve a abordagens pós-Metal e do Djent), com ocasiões explosões de brutalidade. Na verdade, a derivação por vários territórios musicais torna a audição de “The Emptiness Beyond” num desafio para o ouvinte, que fica expectante com o que se seguirá. Apesar da excelente prestação da banda, o destaque maior do álbum vai para a vocalista principal e para a amplitude vocal que emprega ao longo dos vários temas. Serena encarna três personagens - o que ajuda a compreender a opção de ter criado estilos tão díspares para dar cor a cada uma delas. Aquando das vocalizações brutais, custa mesmo a acreditar que se trata de uma mulher a cantar… As letras são quase todas em inglês, com ocasional uso do italiano. Alguns convidados colaboraram no álbum, tais como Antti Loponen (Consciousness Removal Project), Rubens “Crono” Bertini (Hungry Like Rakovitz), Matteo Bonera e Jonathan Panada (Sunpocrisy) e Giuseppe Falco (Triste Colore Rosa). Uma estreia promissora e que desafia fronteiras.

[7/10] José Branco


O

s Rammsteil, banda portuguesa de tributo aos Rammstein, tiveram o seu concerto de apresentação no passado dia 17 de Dezembro, no Revolver Bar, em Cacilhas. O concerto esteve inserido no Make Your Armaggedon III, um festival que reuniu várias bandas de rock e metal. O público compareceu em massa para assistir ao primeiro concerto desta banda de tributo, e foi mesmo o momento que reuniu maior assistência e maior participação de todos os presentes. Foi unânime a opinião de que não parecia um primeiro concerto, longe disso. O entrosamento entre os membros da banda é notório, assim como o gosto por tocarem músicas dos seus ídolos Rammstein. O início do concerto foi marcado pela entrada do teclista em palco, que começou por tocar a intro “Ein-

marschlied”. Do primeiro andar, surgiram os restantes membros da banda, em fila indiana, dando a volta ao espaço, erguendo uma tocha, a bandeira portuguesa e a bandeira alemã, entrada inesperada bastante aplaudida pelo público. Após o término da intro, seguiu-se o êxito “Sonne”, e o refrão foi entoado por todos a plenos pulmões. Seguiram-se os temas “Feuer Frei”, ”Ich Tu Dir Weh”, “Links 234”, “Du Hast” e “Keine Lust”. Destaque para a “Feuer Frei”, que teve até direito a uma pequena amostra de pirotecnia. De resto, muita consistência, muita concentração, e uma presença de palco muito forte, especialmente tendo em conta de que se tratou de um primeiro concerto. A caracterização também esteve excelente, os cabelos pintados de vermelho a condizer, as vestes pretas, corpos pintados de graxa, os olhos negros

(e também existiram lentes de contacto brancas!), enfim, foi um espectáculo muito bem montado, a sonoridade estava excelente, e todos saíram satisfeitos de Cacilhas. Soube a pouco e esperam-se agora mais concertos, especialmente numa altura em que os Rammstein não preveem passar pelo nosso país nesta tour. Membros: André Calça (vocal), Bruno Prates (guitarra ritmo), João Pedro Nunes (guitarra solo), Jorge Carvalhinho (baixo), Paulo Lopes (teclas) e Rodrigo Gomes (bateria). Facebook: facebook.com/rammsteil Texto: Íris Jordão Fotografia: Íris Jordão


E

m sua segunda passagem pelo Brasil os americanos do Dying Fetus se apresentaram no Manifesto Bar, só que desta vez na condição de headliners, pois da primeira vez foram a banda de abertura do Obituary no ano de 2008. Os americanos contaram com as bandas de abertura Gestos Grosseiros e Vomepotro, a primeira a se apresentar na noite foi o Gestos Grosseiros que fez um show técnico e poderoso agradando ao público que ainda chegava ao local, o show foi um ótimo esquenta para o que viria depois.

da banda. Finalizada as bandas de abertura, chega a hora do trio americano formado por John Gallagher (vocal e guitarra), Sean Beasley (vocal e baixo) e Trey Williams (bateria) mostrar toda sua técnica e agressividade aos sedentos fãs que já gritavam o nome da banda e sem mais delongas abrem o show com “Justifiable Homicide” do álbum “Destroy the Opposition”, seguida de “Intentional Manslaughter”, que fecha o álbum “Killing on Adrenaline”, foi o suficiente para enormes circle pits serem formados e a banda ganhar os fãs definitivamente.

Logo na sequência foi a vez do Vomepotro mostrar toda sua técnica e brutalidade a banda que divulga o seu ultimo trabalho intitulado “Liturgy of Dissection” empolgou aos fãs que já ensaiavam circle pits em torno do palco e retribuíram a altura a apresentação matadora

O massacre sonoro continua com “Shepherd’s Commandment” (do álbum mais recente “Descend into Depravity e “Homicidal Retribution, “Eviscerated Offspring” , “ Your Treachery Will Die With You” e “ Grotesque Impalement” a banda procura mostrar músicas de todas

as suas fases para felicidade geral dos fãs, fato não ocorrido na ultima passagem da banda pelo país. A qualidade dos músicos é impressionante o que deixa muitos dos presentes boquiabertos diante de tanta técnica e velocidade proporcionada pela banda, a qualidade do som na casa estava perfeita o que tornou a apresentação mais memorável ainda. Para fechar a apresentação os americanos tocaram “Kill Your Mother/ Rape Your Dog”, faixa que era pedida aos berros pelos fãs,o saldo final não poderia ter sido melhor para os fãs que apesar de terem adquirido pequenas escoriações saíram mais que satisfeitos da apresentação do Dying Fetus. Texto: Flávio Santiago Fotografia: Ronaldo Chavenco


D

epois de muitas idas e vindas, confirmações de bandas e cancelamento de outras, o festival Xlive Music teve seu cast completo e aportou para uma extensa tour pelo país, as bandas que fizeram parte deste festival foram: New Found Glory, Four Year Strong e Every Time i Die, além das bandas Summer e Dance of Days na etapa paulista do festival. O evento se iniciou por volta das 15:00 hs e algumas pessoas já chegavam ao local, seja para ficar na porta do evento jogando conversa fora e bebendo algo ou para prestigiar as bandas nacionais que apesar do baixo público não decepcionaram e fizeram shows honestos e competentes. Após os shows das bandas locais, foi a vez dos americanos do Every

Time i Die subirem ao palco e mostrar para o que vieram, tidos como a surpresa do festival e no status de banda pouco conhecida por aqui fizeram um show matador e me atrevo a dizer um dos melhores do festival, pois não tinham o peso da fama e de terem que impressionar, sendo assim fizeram um show despretensioso e com muita energia, destaque para o carismático vocalista Keith Buckley que além de se esgoelar soube conduzir e cativar o público. Para os poucos que conheciam a banda a recompensa veio ao tocarem músicas como: We’rewolf, Floater, Underwater Bimbos from Outer Space e The New Black, show marcante e que impressionou a maioria do público. Após uma rápida troca de palco é

a vez do Four Year Strong mostrar serviço, a banda que já é conhecida do público brasileiro entrou com a responsabilidade de igualar ou superar a apresentação do Every Time I Die, tarefa nada fácil, mas com um set repleto de sucessos e uma performance igualmente poderosa a banda que é comandada pelos vocalistas e guitarristas Dan O’Connor e Alan Day não decepcionou e com o fator público jogando a favor a banda deslanchou e mostrou um show competente e avassalador, destaque para as músicas: Tonight We Feel Alive (On A Saturday), Stuck In The Middle, Enemy Of The World e Wasting Time (Eternal Summer) que foi a responsável por encerrar a apresentação da banda de Worcester, Massachusetts.


Enfim o momento mais esperado da noite, com um público a beira da exaustão tendo em vista a maratona e intensidade dos shows que por sinal foram excelentes e valeram cada gota de suor derramada pelos fãs. Após uma rápida intro os americanos do New Found Glory saúdam o público e abrem o show com a poderosa All Downhill From Here, foi o suficiente para os fãs esquecerem o cansaço e um imenso circle pit se formar no meio do Carioca Club, antes mesmo que o público pudesse recuperar o fôlego a banda emenda Something I Call Personality, Understatement e Truth Of My Youth, a banda era só alegria e simpatia e os responsáveis por conduzir o público eram o guitarrista Chad Gilbert e o vocalista Jor-

dan Pundik. A banda fez um show caprichado e mesclou músicas de todas as fases da banda, inclusive do recém lançado Radiosurgery, com a música que intitula o álbum além de Anthem for the Unwanted e Summer Fling, Don’t Mean A Thing, além de alguns covers como Blitzkrieg Bop (Ramones cover), Kiss Me (Sixpence None the Richer cover) e Basket Case (Green Day cover). O show era uma grande festa e tanto público como banda se divertiam como manda o script dos bons shows de punk e hardcore,o calor era tão intenso que fez com que Chad e Jordan voltassem para o bis apenas de cuecas. Com um set list farto de sucessos o New Found Glory ganhou o público e superou seu show realizado em

2008 quando vieram pela primeira vez ao Brasil, dentre as músicas tocadas devo destacar Hit or Miss, Sonny, My friends over you e Vegas que foram cantadas em uníssono pelo público presente. Final de show e saldo mais que positivo com bons shows, ótima organização respeitando os horários e não prejudicando o público e fãs mais que satisfeitos e encharcados de suor, 2012 promete. Texto: Flávio Santiago Fotografia: Flávio Santiago e Renan Facciolo (www.renanfacciolo. com.br)


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Infektion Magazine #10 (Janeiro 2012)  

DOWNLOAD PDF: http://www.mediafire.com/?m4go55b902210b0 Edição 10 da Infektion Magazine; Darkside Of Innocence, Orange Goblin, Caliban, Voic...

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