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http://www.mproducts.pt/


04 VOX POPULI 06 NOTÍCIAS NACIONAIS 07 NOTÍCIAS INTERNACIONAIS 10 HORRORSCOPE 12 ESTÚDIOS 14 ARTWORK 16 TOP 5: ESCOLHAS INFEKTION 18 TOP 100: MELHORES ÁLBUNS DE 2011 28 THY CATAFALQUE 32 FARSOT 36 OMITIR 40 PREY FOR NOTHING 43 A MINHA PRIMEIRA VEZ 44 ISOLE 48 BLINDSLAVES 50 ETERNAL GRAY 53 ESTÓRIAS QUE MATAM 56 SUMMONED HELL 58 SONATA ARCTICA 60 LONELY KAMEL 62 MORDBRAND 64 NOCTEM 66 SKYPHO 68 VENDETTA 70 LIKE MOTHS TO FLAMES 72 INFECÇÃO URINÁRIA DE MARTE 74 SINTOMA: FU5K4 76 REVIEWS 84 LIVE REPORT 96 INVICTA X-MASSACRE III

ESTA É A ÚLTIMA... DO ANO! Eis que chegamos ao fim de mais um ano do calendário gregoriano e nada melhor do que falar dos melhores trabalhos editados em 2011. Perguntamos aos nossos leitores e mediante as mais de 700 respostas elaboramos um TOP 100 DOS MELHORES ÁLBUNS DE 2011! Ficamos muito contentes pelo facto dos leitores se terem lembrado das edições nacionais, atribuíndo ainda o primeiro lugar a uma banda Portuguesa! Para a capa decidimos destacar THY CATAFALQUE pelo excelente trabalho desenvolvido em Rengeteg. Infelizmente não foi possível voltar a publicar ou complementar determinadas secções uma vez que temos colaboradores insuficientes para levar a cabo todo este plano. Queres-te juntar a nós? Contacta-nos: infektionmagazine@gmail.com Obrigado por todas as palavras e pelo apoio que nos fizeram chegar ao longo deste ano. Voltaremos em 2012 com espírito renovado!

Ainda vou a tempo de participar na compilação? via E-Mail Se as coisas continuarem a correr como têm corrido, sim! E isto porque tencionamos fazer uma compilação mensal, pelo que as participações chegam sempre a tempo; não consigo é dizer a tempo de qual! Um projecto destes exige rapidez e tal como já foi dito às bandas que participam ou querem participar, nós vamos confirmando nomes à medida que recebemos participações e os temas que não entrarem têm sempre espaço na compilação seguinte. Nem todos concordam com este método e ainda para mais quando damos um prazo para o envio dos temas, no entanto devido à nossa carga horária só assim conseguimos fazer algo.

Joel Costa Director Infektion

MAYHEM De Mysteriis...

THY CATAFALQUE Rengeteg

ALCEST Autre Temps (Single)

EAK Muzeak


Porque mudaram o formato? O que vai mudar? via E-Mail Mudamos as medidas da revista e um ou outro grafismo. Tudo foi pensado para melhorar a leitura online e também para facilitar o meu trabalho de design e paginação. Como posso fazer um donativo à Infektion? via E-Mail Desde já obrigado pelo interesse em ajudar-nos. Para efectuar donativos basta entrar em contacto através do e-mail indicado no final das perguntas e respostas. Através do e-mail podemos fornecer-te os dados necessários. Como faço para editarem o meu trabalho? via E-Mail A Infektion Records é um complemento da Infektion Magazine mas qualquer pergunta relacionada com edição de discos ou pressing deve ser tratada através deste e-mail: mail@infektionrecords.info Sempre vão criar um fórum? via Facebook Não há necessidade de criar um fórum apenas para discutir a Infektion; e para discutir o Metal em geral já existem diversos fóruns nacionais que estão praticamente abandonados. No entanto temos outras ideias em mente que iremos colocar em prática brevemente. Como posso ajudar a Infektion? via E-Mail Obrigado pelo interesse em ajudar a Infektion a crescer. Entra em contacto connosco para o e-mail indicado no fim das perguntas e respostas. Temos imensos lugares para preencher! Porque é que os álbuns de bandas como Mastodon ou Machine Head não são “álbum do mês” na Infektion? via E-Mail Na Infektion apoiamos quem nos apoia. Apenas fazemos reviews de discos que nos fazem chegar. Há editoras que não têm necessidade de trabalhar com revistas como a nossa porque ou é em formato digital ou é demasiado underground. E depois, podes encontrar reviews a esses álbuns em tudo o que é revista impressa e às centenas na internet. Porque é que não fizeram review do meu álbum? via E-Mail Já respondemos a esta questão no pas-

sado. Aqui os colaboradores decidem o querem fazer mediante o seu interesse e/ou disponibilidade. Infelizmente não temos colaboradores suficientes para darem a devida atenção aos mais de 100 discos recebidos mensalmente. A partir de Janeiro iremos focar a nossa atenção apenas em lançamentos recentes e dar uma margem de um mês, ou seja: se a edição é de Janeiro e o teu álbum saiu em Dezembro então podemos escrever uma review. Se a edição é a de Janeiro mas o teu álbum saiu em Outubro do ano passado, o mais provável é não redigirmos nenhuma crítica (só em circunstâncias especiais, como por exemplo, se ainda estiver em fase de espera ou se tivermos publicado uma entrevista à banda nessa edição). Para conseguirmos dar conta de tudo, é essencial optar por este método. A Infektion tem algum local físico que possa visitar? via E-Mail Não. A morada fornecida serve apenas para correspondência. Já tivemos um escritório em Ovar onde operava a Infektion, no entanto optámos por trabalhar a partir de casa. Talvez um dia quando abrirmos a Infektion Records num local físico, mas para já não justifica. Podem publicar o cartaz do meu evento gratuitamente? via E-Mail Sim, mas a partir de Janeiro todos os cartazes serão ponderados pela direcção. Podemos publicar um mês gratuito mas tanto pode ocupar uma página inteira como 1/4. Tudo dependerá do espaço disponível na edição desse mês. Para fazerem publicidade mais do que um mês fazemos um preço especial. ENVIA AS TUAS QUESTÕES PARA: infektionmagazine@gmail.com

ELEMENTOS À SOLTA, LDA Rua Adriano Correia Oliveira 153 1B 3880-316 Ovar PORTUGAL EDITOR Joel Costa DIRECÇÃO Elementos À Solta, LDA GESTOR DE MARKETING Davide Gravato CONCERTOS Liliana Quadrado DESIGN & PAGINAÇÃO Elementos À Solta, LDA www.elementosasolta.pt COLABORADORES Ana Miranda Anna Correia Bruno Farinha Carlos Cariano Cátia Cunha Cristiano Estevão David Horta David Oliveira Davide Gravato Íris Jordão Jaime Ferreira João Lemos José Branco José Machado Liliana Quadrado Marcos Farrajota Mónia Camacho Narciso Antunes Orlando Tinoco Rute Gonçalves Valentina Ferreira Valter Simões Vanessa Correia FOTOGRAFIA Liliana Quadrado Créditos nas páginas PUBLICIDADE infektionmagazine@gmail.com T. 92 502 80 81


Os suecos ARCH ENEMY estão de regresso a Portugal para actuar na 4ª edição do festival Vagos Open Air. Aos já anunciados ENSLAVED, TEXTURES, OVERKILL e ARCTURUS, juntam-se também os NORTHLAND e TWISTED SISTERS. O festival decorre nos dias 3 e 4 de Agosto de 2012 em Vagos.

Os holandeses EPICA anunciaram recentemente as datas da tour Europeia de 2012 e Portugal está incluído. A banda passará pelo nosso país nos dias 21 e 22 de Abril (Incrível Almadense e Hard Club, respectivamente). os EPICA preparam-se também para lançar um novo álbum pela Nuclear Blast, no dia 9 de Março de 2012.

Os ASSASSINER terminaram as gravações do seu álbum de estreia. Gravado nos UltraSin Studios, com Pedro Mendes, e quanto o mesmo não vê a luz do dia, a banda decidiu colocar o seu EP disponível para download gratuito no Portugal Underground.

O 3º álbum do projecto VERTIGO STEPS, intitulado “Surface/Light”, encontra-se finalizado. Gravado nos UltraSound Studios com Daniel Cardoso, este novo álbum contém 13 músicas e tem lançamento previsto para 2012.

Os INKILINA SAZABRA anunciaram o lançamento de um novo EP, intitulado “O Bêbado”. O lançamento está agendado para o dia 16 de Dezembro, dia em que a banda actua no “Side B bar” (Benavente). Além do tema titulo e do 1º single “A Divina Maldade”, o EP inclui ainda o tema inédito “Inkilina Sazabra” e remixes.

No dia 25 de Dezembro vem ao Hard Club celebrar o Natal com os DETHMOR, PITCH BLACK, HOLOCAUSTO CANIBAL e os WEB! O custo de entrada é de 7€.

Os nacionais INNER BLAST apresentaram o seu novo EP, “Sleepless Monster”, no dia 9 de Dezembro n’A Sala. A noite contou ainda com a actuação do DJ Ivuh (After Hours). O EP terá distribuição a cargo da Infektion Records.

Os açorianos TRIGGER MADE SOLUTION estão a oferecer para download gratuito o seu 1º EP. Os fãs podem efectuar o download de “Bound At Birth” no Facebook oficial da banda.

“Sphere of Morality” é o título do primeiro EP dos vila-realenses VENIAL SIN, com edição prevista para Janeiro de 2012, pela independente Portuguesa Infektion Records. Registado nos Blind & Lost Studios, com produção e masterização a cargo de Guilhermino Martins, o disco aglomera 7 temas.


Os GOTTHARD recrutaram um novo vocalista para substituir Steve Lee, que faleceu num trágico acidente no decorrer do ano transacto. Nic Maeder, assim se chama o novo rosto dos GOTTHARD, nasceu na Suíça, fazendo com que a banda permaneça fiel às suas raízes.

Dave Lombardo, baterista dos SLAYER, anunciou no seu Facebook pessoal, que a banda começou a trabalhar naquele que será o seu 12º álbum de estúdio. Podem ver a publicação na íntegra seguindo este link: http://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=2206 65638004642&id=124433877627819

Os ENTHRONED assinaram com a Agonia Records e têm dois álbuns no horizonte. A banda de Black Metal finalizou recentemente as gravações do sucessor de “Pentagrammaton” (2010) e espera-se um novo lançamento para o início de 2012. O nome do álbum será “Obsidium”.

Steve DiGiorgio (Death, Testament, Sadus, Obscura), Karyn Crisis (Crisis, Karyn Crisis Band) e Marco Minnemann (Paul Gilbert, Necrophagist, Kreator, Tony MacAlpine) juntam-se aos EPHEL DUATH no próximo EP, com data prevista de lançamento para a Primavera de 2012 pela Agonia Records.

Os LIVING SACRIFICE preparam-se para editar um novo DVD. “In Finite Live” irá conter shots profissionais com multi-câmaras de um concerto em Pomona (Califórnia), bem como muitos extras.

Os Suecos ALWAYS WAR recentemente lançaram um novo vídeo, desta feita para o tema “ All These Threats “, um tema extraído do seu EP “ Vengeance Prevail “ (lançado pela Nature Always Win Records em Novembro de 2010).


PERFIL Produtor: Hugo Pereira Localização: Aveiro

F

ala-me um pouco do estúdio... Que tipo de serviços é que o “Covil Estúdios” oferece e como surgiu a ideia de criar o mesmo? Em 2007, numa altura em que ainda estava a estudar, fui convidado pelos The Last of Them para misturar e masterizar o EP “Slow Motion Chaos”. Depois de finalizado este trabalho, fui trabalhar uns meses para Espanha e quando voltei, em 2008, haviam algumas bandas que tinham gostado do meu trabalho nesse EP e queriam gravar os seus trabalhos comigo. Decidi investir então na construção de um estúdio para poder desenvolver estes trabalhos com mais qualidade, com equipamento à minha medida. Neste momento trabalho com bandas e projectos das mais variadas áreas do metal. Algumas apenas gravo e misturo segundo as orientações da banda, com outras trabalho desde a fase de produção e composição

de temas até ao produto final. Quais são as vantagens de trabalhar contigo? Chateia-me muito ouvir duas bandas que gravaram no mesmo estúdio, que muitas vezes até são de estilos diferentes, terem por exemplo o mesmo som de bateria. Eu acredito que uma banda deve ter o seu próprio som, adequado ao estilo e ao ambiente da mesma. E é isso que tento fazer no meu trabalho, tratar cada banda como uma personalidade diferente, porque o são, e independentemente do meu gosto, dar à banda aquilo que mais se adequa a si e aos seus objectivos.

gostam, porque não têm mais escolha.

Um dos trabalhos mais recentes do “Covil Estúdios” foi com os Unbridled. Como têm corrido as sessões de gravação? Têm corrido muito bem. Os Unbridled são uma banda com quem tenho trabalhado regularmente, desde a gravação do “Deathcore Glamour”, e por isso já nos entendemos muito bem no estúdio. Eu percebo facilmente onde eles querem chegar com cada tema, eles confiam em mim e nos meus conselhos para lá chegar e essa relação reflecte-se na qualidade final do produto. São uma das poucas Há muita procura em Aveiro? bandas com quem realmente teSe há alguma coisa é muita oferta nho uma relação produtor/músico (risos). Existem bastantes estúdios e isso faz uma grande diferença no na zona de Aveiro, mas isso é bom meu trabalho e no produto final. para as bandas porque assim já não precisam de se contentar com de- Tive a oportunidade de ouvir terminado estúdio, que até nem umas demos da banda e gostei


bastante do som alcançado. Descreve o teu método de trabalho... Que objectivos costumas traçar para ti próprio? Os meus objectivos são sempre os mesmos: ficar satisfeito e deixar a banda satisfeita. Os métodos variam de projecto para projecto, mas algumas coisas fazem parte da minha maneira de trabalhar. Eu gosto de ter um som orgânico, que me pareça que efectivamente está ali uma banda a tocar, por isso gravo tudo acusticamente. Não gosto de ouvir, por exemplo, uma bateria onde apenas os pratos foram gravados e o resto foi programado no

computador. Mas claro que isto é enquanto produtor. Se estiver apenas a captar e a misturar uma música segundo a orientação da banda, e se o que eles querem é uma bateria digital, aí tenho de respeitar e fazer como me pedem.

produtores quase crescem nas árvores, que se muda por um mês para Portugal para poder gravar o seu álbum comigo, por acharem que comigo podem realmente ganhar algo mais. Para além disto, tenho de voltar a referir os Unbridled e a demo “Darkest Essence”, Em relação a outros trabalhos, até porque foi o último e para mim o que é que já gravaste que quei- o último é normalmente o melhor ras destacar? porque é aquele onde corrigimos Sem dúvida que o destaque terá os erros do passado. de ir para o álbum “I Am Salvation” dos ingleses Kill ‘Em Dead Cowboy. Entrevista: Foi para mim um orgulho enorme Joel Costa haver uma banda de outro país, Fotografia: onde existem muito estúdios e os Covil Estúdios


É

s fotógrafo profissional há quase 10 anos. Compensa ser fotógrafo em Portugal? Faz quase 10 anos que tirei o meu curso de revelação e impressão mas não me classifico como profissional visto não conseguir viver monetariamente desta paixão/hobbie. Se não fosse o meu trabalho, não conseguiria investir em material e muitas vezes ir gastar mais do meu bolso em deslocações do que aquilo que recebo. Quais são as principais dificuldades com que te tens deparado ao longo destes anos? A pouca diversidade de revistas em Portugal e a pouca aposta em gente nova que por vezes mostram tanta ou mais qualidade do que alguns das “mobílias da casa”. A culpa se calhar foi desta vaga do digital que com uma simples máquina e alguns conhecimentos de tratamento de imagem conseguem fazer verdadeiros milagres. Quais são os aspectos que devemos ter em conta quando estamos a fotografar um concerto? Basicamente temos de ter em atenção as condições do palco/luzes que

na maior parte das vezes em nada nos ajuda (muito fumo, falta de luz, etc), a tudo o que nos rodeia porque em certos casos estamos desprotegidos sem o fosso mas principalmente devemos de ter em mente o estilo da nossa fotografia que isso é que marca a diferença de uns para os outros, e sermos também o mais correctos com os outros fotógrafos com quem dividimos esta paixão.

mais gostaste de capturar... Sem dúvida os Switchtense a abrir Avenged Sevenfold, no Campo Pequeno, porque somos amigos de longa data. Chegaram a tocar num concerto organizado por mim e vê-los naquele palco a tocarem para toda aquela crowd deixou-me de sorriso nos lábios e claro que foi dos maiores prazeres que tive em fotografá-los na grande consagração deles em Portugal.

Quando estás a fotografar uma banda o que sentes? Dás por ti a pensar que isso é apenas trabalho ou há outros pensamentos a invadirem-te a cabeça? Claro que vou sempre focado para trazer o melhor trabalho possível para casa sem ter que passar imensas horas em frente ao PC, mas também acontece várias vezes dar por mim a abanar a cabeça ao som de bandas que oiço no dia-a-dia. Também consegui concretizar alguns desejos, como fotografar a banda que mais nos marcou ou mesmo trocar algumas palavras com certas figuras da música mundial que muito admiramos.

Alguma banda, do passado ou presente, que gostasses de fotografar? Uiii... Isso há e irá sempre haver, como por exemplo Pantera. O que eu não dava para ficar com umas fotografias do Dimebag Darrell!

Fala-me do momento (musical) que

A nível profissional, só estás ligado à área da música ou exploras outros ambientes? Hoje em dia, ando à procura de expandir mais o meu trabalho na área musical porque passei muito tempo a fazer concertos de metal e hardcore e actualmente já tento fazer mais tipos de concertos, desde Buraka Som Sistema, Aurea, James Blunt ou mesmo Joss Stone. Quero também fazer algumas


promo shots de bandas mas para isso já se tem de investir algum dinheiro e nem sempre as bandas gostam dos valores que apresentamos. É compreensível, visto eles também andarem mais em modo de sobrevivência do que outra coisa. Como é que os nossos leitores podem consultar o teu trabalho? Ainda não tenho uma página de internet porque também ainda ando a pensar que tipo de página quero, mas sempre podem passar no meu blog em: joaocavaco.blogspot.com, ou mesmo pesquisarem no facebook por “Joao Cavaco Photography”. Em ambos irão encontrar algum do meu trabalho. Quero só, para finalizar, agradecer a todos os meios de informação que apostaram no meu trabalho e a todas as bandas e organizações que divlugam o meu trabalho como fotógrafo nas suas páginas, porque mesmo sem haver dinheiro são por eles que eu e muitos continuamos por aqui. Entrevista: Joel Costa Fotografia: João Cavaco


Joel Costa - Editor

arkona slovo

echidna

dawn of the sociopath

falloch

where distant spirits remain

switchtense switchtense

sylosis

edge of the earth

MĂłnia Camacho - Entrevistas / Reviews

sylosis

edge of the earth

skeletonwitch forever abomination

haven denied

illusions (between truth and lie)

in solitude

the world. the flesh. the devil

cults n’ cunts your highness

JosĂŠ Branco - Entrevistas / Reviews

steven wilson grace for drowning

lunatic soul impressions

thomas giles pulse

ulver

wars of the roses

opeth

heritage


Liliana Quadrado - Fotografia / Live Reports

before the rain frail

draconian

a rose for the apocalypse

havenwood

abyss masterpiece

my dying bride evinta

opeth

heritage

Bruno Farinha - Reviews / Live Reports

devin townsend

deconstruction

unexpect

fables of the sleepless empire

mastodon the hunter

obscura omnivium

heavenwood

abyss masterpiece

Narciso Antunes - Entrevistas / Reviews / Live Reports / Artigos

in flames

sounds of a playground fading

mastodon the hunter

opeth

heritage

machine head unto the locust

amon amarth surtur rising

Jaime Ferreira - Entrevistas / Reviews

vader

welcome to the morbid reich

burzum fallen

vii batall贸n de la muerte el libertador

while heaven wept fear of infinity

medo

mat茅ria negra


sobre o top 100:

J

á se sabe como é... Não há tops Justos e quando é o público a decidir costuma-se dizer que ganha quem tem mais amigos. No entanto, gosto de pensar que cada banda nacional marca a sua presença neste Top 100 dos Melhores Álbuns de Metal de 2011 por uma boa razão. Aliás, acredito que cada uma das bandas nacionais aqui presentes está aqui apenas por um motivo: qualidade! Isso, é garantido! Agora se X é melhor ou não que Y, é muito relativo. VeJam este Top como uma escolha de 100 grandes álbuns editados este ano (e ainda está muita coisa para vir, eu sei) sabendo que outros tantos igualmente bons ficaram de fora apenas porque não tiveram o mesmo tipo de promoção. É óbvio que vai haver quem concorde e discorde, mas nestas coisas é mesmo assim. Obrigado a todos aqueles que enviaram as suas escolhas através do Facebook e para o nosso e-mail, pois sem vocês nada disto seria possível. Dado o número de votos que este tipo de registos receberam, optamos por incluir EPs, álbuns de hardcore, progressivos, etc. Joel Costa


novembers doom Aphotic the end records

the devil wears prada Dead Throne Ferret Music

in flames Sounds of a Playground Fading

august burns red Leveler Solid State Records

artillery My Blood Metal Mind Productions

nightwish Imaginaerum nuclear blast

century media

chimaira The Age Of Hell E1 Entertainment

men eater Gold Raging Planet

deicide To Hell With God Century Media

ics vortex Storm Seeker Century Media


vallenfyre A Fragile King Century Media

blindslaves Against All (EP) Edição de Autor

krisiun The Great Execution Century Media

atentado Paradox Raging Planet

the ransack Bloodline

ana kefr The Burial Tree (II)

Raging Planet

Muse Sick

tales for the unspoken alchemy

sólstafir Svartir Sandar Season Of Mist

Casket Music

haven denied Illusions (Between Truth and Lie)

nader sadek In the Flesh Season Of Mist

SG Records

yob Atma Profound Lore Records

pain of salvation Road Salt Two InsideOut Music


sepultura Kairos Nuclear Blast

insinnerator Stalagmite of Ice Edição de Autor

animals as leaders Weightless Prosthetic Records

for the glory Some Kids Have No Face Hell Xis

benighted Asylum Cave

leprous Bilateral

Season Of mist

InsideOut Music

altar of plagues Mammal

steven wilson Grace for Drowning

Candlelight Records

we are the damned Holy Beast Bastardized Recordings

before the rain Frail Avantgarde Music

Kscope Music Records

ulver Wars of the Roses Kscope

absu Abzu Candlelight Records


suicide silence The Black Crown

exhumed All Guts, No Glory

Century Media

Relapse Records

amorphis The Beginning of Times

corpus christii Luciferian Frequencies Candlelight Records

Nuclear Blast

turisas Stand Up and Fight

ava inferi Onyx Season Of Mist

Century Media

autopsy Macabre Eternal

volumes Via

Peaceville Records

Mediaskare Records

eak Muzeak

the haunted Unseen

Major Label Industries

Century Media

ghost brigade Until Fear No Longer Defines Us

decapitated Carnival Is Forever

Season Of Mist

Nuclear Blast


devildriver Beast Roadrunner Records

primordial Redemption at the Puritan’s Hand metal blade

arkona Slovo Napalm Records

darkest hour The Human Romance Century Media

skeletonwitch Forever Abomination prosthetic records

the black dahlia murder Ritual Metal Blade

iced earth dystopia Century Media

dream theater A Dramatic Turn of Events

trap them Darker Handcraft Prosthetic Records

protest the hero Scurrilous Vagrant Records

Roadrunner Records

wolves in the throne room Celestial Lineage Southern Lord

children of bodom Relentless Reckless Forever Universal


omnium gatherum New World Shadows Lifeforce Records

falloch Where Distant Spirits Remain Candlelight Records

theocracy As the World Bleeds Ulterium Records

while heaven wept Fear Of Infinity

born of osiris The Discovery Sumerian Records

beyond creation The aura

Nuclear Blast

PRC Music

moonsorrow Varjoina Kuljemme Kuolleiden Maassa

toxic holocaust Conjure and Command Relapse Records

Spinefarm Records

vektor Outer isolation Heavy Artillery Records

draconian A Rose for the Apocalypse Napalm Records

grog Scooping the Cranial Insides Murder Records

symphony x Iconoclast Nuclear Blast


myrath Tales of the Sands XIII Bis Records

echidna Dawn of the Sociopath Rastilho Records

vader Welcome to the Morbid Reich

insomnium One For sorrow Century Media

thy catafalque Rengeteg Season Of Mist

arch enemy Khaos Legions Century Media

Nuclear Blast

destruction Day of Reckoning Nuclear Blast

devin townsend project Deconstruction

vildhjarta M책sstaden Century Media

trivium In Waves Roadrunner Records

InsideOut music

megadeth Th1rt3en Roadrunner Records

havok Time is Up Candlelight Records


onslaught Sounds of Violence AFM Records

fleshgod apocalypse Agony Nuclear Blast

anthrax Worship Music Nuclear Blast

tesseract One Century Media

warbringer Worlds Torn Asunder

septicflesh The Great Mass

Century Media

Season Of Mist

web Deviance

heavenwood Abyss Masterpiece

Edição de Autor

sylosis Edge Of The Earth Nuclear Blast

obscura Omnivium Relapse Records

Listenable Records

evile Five Serpent’s Teeth Earache Records

amon amarth Surtur Rising Metal Blade


switchtense Switchtense Rastilho Records

opeth Heritage Roadrunner Records

textures dualism Nuclear Blast

machine head

mastodon

wako

unto the locust

the hunter

the road of awareness

roadrunner records

reprise records

rastilho records


Criado em 1998, o projecto Thy Catafalque tem passado injustamente ao lado de muita gente. O seu novo álbum é um portento de Avant-garde Metal cantado em húngaro. Conversámos com o cérebro de tudo, Tamás Kátai, que nos falou da surpreendente amálgama eclética que encontramos em “Rengeteg”.

E

m primeiro lugar, gostaria de ter dar os parabéns pelo excelente novo álbum, “Rengeteg”. O que nos tens a dizer sobre este lançamento (musicalmente e liricamente)? Muito obrigado! Este é o quinto álbum de Thy Catafalque (TC) e o primeiro lançado pela Season Of Mist. É também o primeiro álbum sem o contributo do János, o meu velho companheiro, por isso, desta vez sou eu a cargo de todos os instrumentos, alguns músicos convidados para as vozes limpas e violoncelo. Desta vez, a música é provavelmente menos experimental do que é hábito, é mais direccionada e definitivamente mais acessível. No entanto, ainda é extrema e ainda a podemos considerar Avant-garde Metal, o que significa que é baseada no Metal com uma abordagem um pouco à parte e pouco ortodoxa. O título significa “floresta vasta e virgem” em húngaro arcaico e isso resume o mundo simbólico do álbum. A

floresta é um símbolo do mistério, da noite mas também de pureza e de vida. Uma floresta tem o seu próprio universo que é o oposto do nosso estilo de vida na cidade. É um símbolo da própria natureza que precisamos desesperadamente de voltar a respeitar. Precisamos de nos tornar mais humildes e respeitar a nossa casa, não uma nação ou um país, mas nossa verdadeira casa, a natureza. Precisamos de mudar de rumo, voltar à floresta não fisicamente, mas na mente, na atitude, no pensamento. Esta é a minha forma de pensar e que se encontra reflectida em “Rengeteg”. Contudo, com excepção de algumas letras, não a encontrarão de forma explícita, uma vez que esta é apenas uma teoria pessoal genérica e independente do disco. Que tipo de feedback tens recebido para esse disco por parte dos fãs e da imprensa? Consideras-te satisfeito com o resultado final?

Tenho obtido reacções bastante agradáveis de ambas as partes. As pessoas estão satisfeitas com o que ouvem e sim, sabe bem sentir essa apreciação. Naturalmente, não existe forma de agradar a toda a gente. Até agora, a esmagadora maioria dos comentários tem sido positiva. Eu também estou feliz com o álbum, o que é importante. No entanto, vou precisar de mudar o mundo de TC na próxima edição, uma vez que não quero correr o risco de me repetir. Isso é algo que quero evitar. Contaste com alguns convidados especiais para este álbum. Quem foram eles? Um deles foi o Attila Bakos que voltou, tal como no álbum anterior, a contribuir com todas as vozes limpas. Ele tem os seus próprios projectos: Woodland Choir e Taranis. Infelizmente, ele não participará nas próximas edições, dado que decidiu concentrar-se nas suas próprias actividades em vez traba-


lhar como convidado. Temos a Ágnes Tóth nas vozes femininas, que já tinha colaborado em Róka Hasa Rádió (o álbum anterior). É possível que a conheçam de The Moon And The Nightspirit. Por fim, temos desta vez o Mihály Simkó-Várnagy no violoncelo. Quais são as tuas principais fontes de inspiração para criar este invulgar tipo de música? Realmente, não sei. É o que rodeia, natureza, vida, ciência, espaço, artes. Tudo. Tens vindo a utilizar letras em húngaro após nos primeiros registos ter preferido o inglês. Sentes que a tua língua materna se adequada melhor à música que compões? Quando começámos era evidente que as letras tinham de ser em inglês. Toda a gente o fez. Mas durante o processo de escrita do terceiro álbum fartei-me de traduzir os meus pensamentos para outro idioma. Para quê? Ninguém no exterior fará a mais pálida ideia sobre que raio é que eu estava a cantar, mas por outro lado é mais importante para mim expressar-me da forma que preciso, do jeito mais natural e puro. E, obviamente, isso é possível através da minha língua materna. Posso traduzir as palavras, mas nunca será a mesma coisa, de certeza. E aí deixar de me preocupar com o resto do mundo. Em vez disso, preocupei-me comigo, porque sou egoísta o suficiente a este respeito. O mesmo sucede em relação à música. Na minha opinião a tua música é a prova viva de que hoje em dia ainda é possível obter uma sonoridade original. O que nos

podes revelar sobre o processo de composição? Obrigado. Na verdade, nunca penso em ser absolutamente original, na hora de compor. E não acho que escrevo música absolutamente original, apenas que tenho ideias pouco convencionais - e não as deito cá para fora só porque são diferentes das regras gerais das leis do Metal. Estou-me a marimbar para este tipo de regras e tradições, talvez porque não sou um verdadeiro metaleiro. Sei usar o género como uma ferramenta, como um veículo para chegar a um lugar, mas não tenho nenhum problema sair do mesmo e encontrar outro veículo para chegar onde pretendo. Como é fazer quase tudo sozinho em Thy Catafalque (e eu estou especialmente curioso sobre o processo de gravação)? Bem, limito-me a pegar num instrumento (teclados ou guitarra), a tocar qualquer coisa e se essa coisa for interessante, vou gravá-la de imediato. Consigo fazer todas as gravações, misturas e qualquer processo de estúdio com um simples PC em casa – isso não é difícil nos dias que correm. Não preciso de um estúdio real que me obriga a estar sempre com um olho no relógio. Gravar em casa dá-me uma enorme liberdade criativa. Acho que isso é um ponto-chave. Só preciso de tempo e a música sairá da mente. Tratando-se este do primeiro álbum para a Season of Mist, como decorreu o vosso acordo e como avalias a vossa relação contratual até agora? De uma forma bastante simples. Assim que terminei a gravação do álbum, enviei o material para


algumas editoras. Os responsáveis da Season Of Mist gostaram do que ouviram e ofereceram-me um contrato. O álbum tal como saiu é exactamente o mesmo que comecei por enviar à editora - uma única nota foi alterada. Estou realmente contente por estar nas suas fileiras e bastante satisfeito com a nossa colaboração. Tenho apenas coisas boas a dizer da editora. O som de Thy Catafalque tem fortes influências Folk, entre muitas outras. Sentes que o facto de estares a viver na Escócia possa interferir com os elementos na tua música, levando-a para outras direções, ou, pelo contrário, a distância física contribui para que recuperes as melodias da Hungria? Acho que permanecem no meu coração, onde quer que esteja. Não lhe chamaria música Folk, é mais como folclore enraizado da minha infância, a cultura com a qual convivi enquanto cresci. Não se limi-

ta à música, é toda a cultura. E, além disso, odeio toda a onda de Metal Folk ridícula dos últimos 10 anos. O “Bergtatt” (dos Ulver) foi muito fixe, um dos meus álbuns favoritos de sempre. Mas após a década de 90 todo esse género transformou-se numa piada de mau gosto. Já consideraste a hipótese de transpor o teu projecto para o palco com uma banda completa? Seria demasiado incómodo. Estou sozinho na banda, agora que o Attila saiu. Como tal, sinto-me sem capacidade, nem ambição de pisar um palco com Thy Catafalque. Além do mais, gosto mais de compor do que tocar, dado que não me considero realmente um músico.

Entrevista: José Branco Fotografia: Season Of Mist


O album Insects da banda alemã Farsot mostra profundidade e uma música complexa. Nada foi deixado ao acaso na criação do ambiente certo. O vocalista falou à Infektion das músicas, dos conceitos explorados, das influências e da cena musical da actualidade. ual foi a primeira canção a ser criada para o álbum “Insects”, e como surgiu? Acho que foi “Adamantine Chains” se não me engano. Começamos a escrever essa faixa pouco depois (talvez mesmo durante) da finalização do álbum “IIII”. Inicialmente tínhamos a intenção de lançar um E.P. com esta canção e “The Vermilion Trail” com um conceito ligeiramente diferente. Experimentamos muito e refizemos os arranjos uma e outra vez. Com o tempo, outros fragmentos de canções e ideias começaram a surgir e abolimos a ideia do E.P. o que fez sobressair o conceito de “Insects”.

Q

mínio musical em que nos movemos mas não redefini-lo.

Diz-se que a vossa banda redefiniu o género “dark” na música. O que sentem em relação a isso? Eh, não. Definitivamente não. Esta é uma frase vazia e pouco enriquecedora enquanto pensamento. Nós não podemos e não queremos redefinir todo o género. Podemos adicionar a nossa personalidade, as nossas visões e emoções quando escrevemos novo material que é – mais ou menos – ainda baseado nas ideias dos grandes organizadores do black metal. A cena hoje em dia está inundada por toneladas de boas bandas com várias ideias e conceitos. E é completamente impossível criar algo completamente novo. Por isso podemos ser capazes de expandir e enriquecer o do-

Provavelmente já vos perguntaram isto antes, mas como ainda há gente que se questiona, vou perguntar… Porquê que obtemos códigos em vez de nomes quando procuramos a formação da vossa banda? Apenas queremos falar através da nossa música. Cultos pessoais, pseudónimos demasiado significativos, ou quaisquer exposições egoístas não se coadunam com as nossas visões. Pode ser encarado como parte do nosso conceito. É também o nosso manifesto não escrever “Manfred – guitarra” percebes. Decidimos encriptar os nossos verdadeiros nomes para pseudónimos como “10.XIXt” – apenas números e letras, como na realidade.

Porque decidiram escrever as letras em inglês desta vez? A razão principal para esta mudança baseia-se na melhor compatibilidade com o material excedente de riffs e com a aura dura e obstrutora da música. Ao descartar a vocalização em alemão pudemos finalmente fazer uma mudança mais clara – para nós foi um passo importante no nosso desenvolvimento. Sentimos que fazia sentido mudar a linguagem ao fim de 12 anos a usar letras em alemão. É como uma brisa fresca que está a fazer bem a todos os membros.

Existe alguma referência ou influência de Kaftka neste “Insects”? “Metamorphosis” não é a inspiração para “Insects”. Mas as canções “7” e “Adamantine Chains” contêm referências a esse romance. Ambas descrevem o tempo do despertar do protagonista. Samsa não se apercebeu das dimensões da sua transformação neste espaço específico, quando se encontrava a desafiar o propósito da humanidade (viver para trabalhar). As outras faixas do álbum são inspiradas por autores como Brown, Gass or Herbert e pelo (pseudo-)documentário “The Hellstrom Chronicles”.

Em algumas faixas a voz e o instrumental estão de certa forma em velocidades diferentes criando um ambiente interessante. Foi intencional? Tudo o que ouves neste álbum é intencional. Tentamos conjurar um tipo especial de atmosfera inquietante, por isso recorremos a esses mecanismos estilísticos para acentuar isso. Todos os sons, samples, vozes e efeitos constroem o carácter hipnótico e sinistro do álbum. São os detalhes mais pequenos para descobrir que dão o interesse a um álbum, mesmo depois de rodar algumas vezes. E falando de instrumentais têm duas belezas em “7” e “Somno-


lent”. Querem dizer algo sobre elas? Gostamos muito de instrumentais que constituem pensamentos. Nós sempre quisemos colocar dois instrumentais em “Insects”, logo desde o nascimento do conceito. Um instrumental é uma espécie de ilha. O ouvinte tem a possibilidade de absorver a música e ir mais longe na matéria, se o permitir. Do ponto de vista musical consegues experimentar muito mais, porque um instrumental não tem coros e não é preciso lidar com a integração da voz. De certa forma a vossa música mostra um pouco de caos e um pouco de ordem. E ambos coexistem. Concordas? Se quiseres... Apenas a mistura perfeita dos dois elementos pode oferecer uma base sólida para um trabalho variado e sofisticado. Ambos têm que coexistir na música. E já agora, a letra de “Like Flakes of Rust” trata este tópico. A procura do movimento de um estado de caos (homem) para o estado de or-

dem (insectos). A razão para os desejos da dona de casa em “Order of Insects”, uma pequena história de Gass, é o fascínio pelas conchas primitivas de insectos mortos em comparação com a degradação dos cadáveres humanos. A voz tem um papel importante no ambiente deste álbum? É verdade. Mas não é apenas a voz que dá forma às diferentes facetas de “Insects”. Cada instrumento, cada efeito e todos os samples têm um papel importante no seu ambiente. Talvez a voz sublinhe o carácter estranho do álbum. Foi conscientemente criada com complexidade e mais diversificada do que em “IIII”. A música é muito fluida. Foi assim que achei que a voz devia soar quando comecei a escrever as letras. O que é que torna uma canção interessante para ti? O mais importante é o coração e a alma que devem aderir à música. O resto é uma questão de gosto e de humor. De certa forma temos que

diferenciar interessante de bom. Eu acho que as canções de Dream Theater são muito interessantes mas não gosto delas. As canções de Bohren & der Club of Gore não são muito interessantes mas eu gosto imenso delas. Percebes o que eu quero dizer? Acho que é isto. Achas que mudou a forma como as pessoas consomem música ? Definitivamente. A superficialidade já chegou à cena do metal underground. Tanto do lado dos músicos como do lado dos ouvintes. Estes são inundados por centenas de discos por mês e já não são realmente capazes de separar o bom do mau. Existe um excesso de estimulação. As pessoas perderam o interesse e a capacidade para se concentrarem em mais de dois ou três discos por mês. Por causa disso a maior parte dos discos bons fica por descobrir. Entrevista: Mónia Camacho Fotografia: Prophecy Productions


O projecto nacional Omitir deambula pelos territórios mais experimentais e surrealistas do Black Metal, chamando até si a luz e sombra do jeito mais carregado que é possível imaginar.

A

ntes de mais, parabéns pelo novo álbum! O que nos podes dizer sobre este “Cotard”, musicalmente e liricamente? Muito obrigado! Liricamente este disco envolve-se, essencialmente, numa tentativa de conto que é expressado por alguém que sofre um síndrome agressivo, delirante e de melancolia em redor à sua certeza da inexistência (Cotard). São palavras bem carregadas, por vezes refugiando-se no abstracto e, logo de seguida, rodopia-se para

trumental, de vozes e ritmos. Existe uma clara fusão com Jazz, o que tenho vindo a fazer há uns anos desde “Res, non verba” (EP de 2009) e “Tese em erro” (EP de 2010) - embora no caso “Cotard”, essa fusão seja menos discreta e muito expressiva. Classifico musicalmente, na minha visão, este como um disco entre o extremo obscuro e a suave perversão.

o pólo oposto tornando as histórias muitas vezes paradoxais. Vai muito de encontro ao que Omitir tem vindo a adoptar nos últimos anos como: crises existenciais, perturbações cedentes dos modos de vida negativistas, a perversão, a confusão e despersonalização. Basicamente, tudo o que o ser humano possui de doentio, sombrio e primitivo de uma forma ingénua, seja isso exposto ou omitido pelo próprio, criando uma luta intrínseca, falando assim numa abordagem mais psicanalítica. Na música propriamente dita, este álbum diverge-se bastante a nível ins-

uma editora alemã. Como foi a acordo com estas editoras e qual é a distribuição e formatos deste álbum? Inicialmente tive contacto com Sean Crook da The Path Less Traveled Records dos Estados Unidos, que se mostrou bastante entusiasmado com este trabalho e, como sei, aceitou-o pela sua complexidade e “inovação” (Não gosto muito deste termo! Eheh!). Como o Sean tem uma cultura musical bastante aberta e sendo ele um apreciador de música variada, foi bastante bom o acordo com a editora dele - que acolhe também vários géneros musi-

Este é já o 2.º álbum de ga duração e que terá edição norte-americana também será lançado

lonuma mas por

cais. Mais tarde um pouco, Marius Wallnisch, da alemã Amor Fati Productions, fez um acordo comigo para uma edição na Europa - o que, claramente, foi óptimo! Felizmente, tanto o Marius como o Sean, são excelentes profissionais e a eles me sinto muito grato. As edições foram em CD e em digital e as distribuições não estou muito dentro delas - pois nunca fui muito bom nesse tipo de coisas… faço o que posso! (risos) Para quem ainda não conhe-

ce Omitir, o que pode esperar deste novo registo? Pode esperar por um disco divergente e sombrio. Pode esperar por música ambiente, melodias “estranhas”, entre outros tipos. Dentro do Black Metal, muita gente pode interpretar de diferentes formas - depende também das mentalidades dos ouvintes exclusivos desse género, nunca se sabe. Quais as principais influências deste projecto? Tenho inúmeras influências… É um bocado difícil de descrever, tanto a nível musical como da


arte em geral, da vida, de tudo... A música é algo de muito expansivo e, claramente, vou-me identificando um pouco em cada ramo até construir o que quero – o que, para muita gente, pode resultar em algo original ou não. Qual a razão de escreveres letras em português? Acho a língua portuguesa bastante lírica e poética. Isso faz-me ter a iniciativa de escrever na nossa língua. Não digo que apenas vou escrever em português pois o primeiro álbum foi escrito em inglês. Mas acho importante incorporar as línguas certas para o trabalho que se quer fazer. Considero que, numa expressão lírica mais directa e superficial, o inglês é ideal e acaba por ficar melhor do que no português. Numa expressão lírica mais profunda, abstracta, poética e romântica prefiro, sem dúvida, a língua portuguesa. Sinto que existe um sentido um humor negro em algumas das passagens do álbum (que ajudam a dar ao trabalho uma certa atmosfera geral de surrealismo). Qual a razão desta opção? Isso é verdade. Acaba por ser algo pessoal, que tem a ver com a minha personalidade e que incorporo por vezes nos trabalhos e na minha vida - e o sentido de humor é algo tipicamente meu. Por vezes, acho que, simplesmente, o sentido de humor negro consegue ser mais obscuro que a própria tentativa proposi-

tada de se ser “obscuro”. O “Obscuro” quando é propositado e não é natural, pode bem cair no ridículo. Não sei se me fiz entender - mas tentei! Ahaha! Além da proveniência de Santo Tirso, não existe muita informação sobre o projecto, neste momento. É uma opção premeditada? Achas que a música deve falar por si? Acho que sim, que a música pode falar por si. Penso que dá mais liberdade de reflexão para quem ouve. Quando existe demasiada informação sobre algo, por vezes soa a falso. Em “Cotard” podemos encontrar bastantes deambulações por outras correntes musicais. Sinto, inclusivamente, influências cinematográficas na sonoridade de Omitir. Concordas? Concordo, claro! Essas deambulações são importantes para a progressão de Omitir - de trabalhar outras correntes e evoluindo as origens. É algo essencial também para o meu próprio desenvolvimento neste gosto pessoal - o que já acontece nos meus outros projectos/bandas de Jazz e Rock de que faço parte. Gosto de explorar. Como te tinha dito, sou influenciado por tudo que me envolva - neste caso, o cinema, ao incorporar algumas películas como o “Eraserhead”, que é um filme que achei que tem um sentimento bastante particular para “Cotard”, devido ao seu surrealis-

mo, abstraccionismo na história que acaba muito por representar algo que pode acontecer na realidade da forma mais crua e sem nexo para muitos, formando dilemas e paradoxos extremos. Gravaste todo o material sozinho ou tiveste alguns convidados? Gravei, escrevi e produzi tudo sozinho. As capas do disco são de minha autoria e de Marcelo Rodrigues (Antithesis). É um cenário relativamente comum no Metal mais obscuro, a existência de “one man band”. A que factores atribuis esta situação? Sempre achei o Black Metal uma vertente muito distante do Metal. Para mim, é um cenário de individualismo, de reflexão e de solidão, uma corrente com sentimentos fortes e transcendentais. O extremo que tem, não é pelo seu peso, mas sim pela sua ambiência e profundidade intelectual e emocional. Acho que isso explica muito a frequente existência de “one-man-band”, a experiência do mais obscuro, oculto, doente, etc., que só pode ser “partilhada intrinsecamente”. É uma corrente egoísta e áspera que também pode ser suave e inspiradora. Entrevista: José Branco Fotografia: Omitir


Com um disco de estreia que passou completamente despercebido aos olhos da imprensa, os israelitas Prey For Nothing conseguiram, mesmo assim, esgotar a edição de “violence divine”. Três anos depois, a banda regressa com “Against All Good And Evil”. A infektion esteve à conversa com o vocalista Yotam ‘Defiler’ Avni sobre o novo álbum e sobre a cena metal israelita.

P

arabéns pelo vosso novo trabalho. Estão satisfeitos com o resultado final de “All Good And Evil”? Sim, estamos muito satisfeitos com o resultado final de “Against All Good And Evil”. Temos trabalhado arduamente nos últimos dois anos, a compor e a gravar este álbum, e tentamos chegar a um novo nível como músicos e performers. Acredito que conseguimos atingir esse objectivo com “Against All Good

And Evil”. O vosso primeiro álbum, “Violence Divine”, esgotou muito rapidamente e sem uma grande cobertura por parte dos media. Esperaram que algo assim acontecesse? Bem, nem por isso. O nosso primeiro álbum saiu no final de 2008 e a primeira edição esgotou num ano. As revistas não fizeram reviews nem nos contactaram para

entrevistas e sem contar com algumas estações de rádio e revistas digiais, para os media este álbum nunca existiu. No entanto, mesmo sem cobertura por parte da imprensa, a cena Metal Israelita tem uma comunidade muito interessada no que se faz por cá e dão muito apoio, e logo que o álbum saiu os bons ouvintes compraram todas as cópias existentes. Graças ao apoio dos nossos fãs Israelitas, conseguimos vender tudo, o que faz de


“Violence Divine” algo muito difícil de encontrar nas lojas actualmente. Fala-me um pouco de Israel... Existem muitas bandas de Metal no teu país. Sendo Israel um país religioso, como é que o Metal é visto por aí? As pessoas respeitam? Israel não é um sítio muito grande, por isso é fácil conheceres e entrares em contacto com as pessoas certas, no sentido de obteres reconhecimento na cena Metal e na imprensa local. E apesar de Israel parecer um país religioso à primeira vista, não tem quase efeito nenhum na cena musical pesada. A primeira coisa que nos vem à cabeça quando pensamos no Metal Israelita são os ‘Orphaned Land’, mas também existem muitas outras bandas boas, tais como ‘The Fading And Arafel’, ‘Dark Serpent’ e ‘Amaseffer’. A maioria das bandas jovens estão mais ligadas, como é natural, ao som moderno do metalcore e seus derivados, mas ainda existe muito espaço para o Metal tradicional. Já o respeito das pessoas fora do circuito para com as bandas Metal, é muito instável, até mais do que nos países ocidentais. Enquanto que na Alemanha ou no Reino Unido é aceite a ideia de fazer vida com o Rock ou o Metal, em Israel, depois de cumprires o serviço militar obrigatório por lei (tanto para os homens como para as mulheres), se continuas a tocar ou até mesmo a ouvir Metal, as pessoas começam-te a olhar de outra forma, uma vez que o Metal, para os media Israelitas, é “músi-

ca de adolescentes e é inserido no mesmo saco que o Punk, Emo e até mesmo o Rock’n’Roll. Por isso não, não há respeito nisso. Algum de vocês é religioso? E como defines os pontos de vista filosóficos, e também políticos, da banda? Nenhum de nós é religioso, pelo menos não ortodoxos nem nada que se pareça. Todos temos vidas seculares e vemos a instituição religiosa de Israel como algo que mantém as coisas primitivas entre muitos crentes. Se eu tiver que identificar uma linha filosófica de pensamento que seja comum em todos os membros da banda, então diria que é o desejo de auto-aperfeiçoamento, num sentido inspirado por Nietzsche sem recorrer a caminhos niilistas ou anti-sociais – uns de forma consciente e outros nem tanto. E apesar de misturar argumentos existencialistas com tocar Metal ser algo considerado aborrecido pela maioria das pessoas, eu, pessoalmente, adoro esta mistura. No que toca à política, como diz o velho ditado*, somos 5 membros com 6 pontos de vista políticos. *(Existe uma história de dois judeus que estão sozinhos numa ilha e constroem três sinagogas: uma para cada um e outra para estarem os dois juntos.) Viver num país como Israel, força-nos a pensar em política desde muito novos, mas como vivemos as nossas vidas à volta da política, faz-nos algo... bem, faz-nos ficar indiferentes. Não partilhamos um ponto de vista político mas todos concordamos que a política de Is-

rael é feita por um grupo de parvalhões que não se preocupam com mais nada a não ser com eles, e enquanto o Médio-Oriente ferve com as revoluções, parece-nos que Israel ainda está muito atrasado no que toca a uma real mudança no sistema. “Against All Good And Evil” pareceu-me ser, à primeira vista, um álbum conceptual. Podes-nos falar um pouco sobre o significado do título e da música em geral? Pode ser algo enganador, acho, e apesar das últimas duas músicas serem consideradas por nós relacionadas uma com a outra, a verdade é que todas as músicas têm assuntos diferentes e até mesmo visões diferentes em assuntos semelhantes. Ultimamente, muitas das bandas que adoramos optaram por criar álbuns que seguem um conceito, tipo uma história baseada numa obra qualquer... e enquanto que algumas dessas bandas fazem-no bem (como os Orphaned Land ou os Amaseffer, por exemplo), outros fazem-no... bem, metade fica bem feito. Trabalhamos as nossas músicas individualmente e não como um todo. A maior parte dos grandes álbuns que crescemos a ouvir não são álbuns conceptuais: Master Of Puppets, Season In The Abyss, Arise, Images And Words... e apesar de brincarmos com a ideia de fazer um álbum conceptual, a verdade é que não é o caso de “Against All Good And Evil”. O título do álbum chegou até mim através de um velho amigo, nos tempos em que eu andava na escola e


sonhava em formar uma banda de Metal a sério... isto tudo por volta de 1999. Escrevemos uma letra simples para uma música dividida em duas partes chamada “Good Versus Evil”. Quando finalizamos as gravações de “Violence Divine”, pensamos numa maneira de continuar esse trabalho e encontrei um caderno velho com a letra que tínhamos escrito. Esta descoberta deu-me vontade de re-escrever a letra não como algo com duas partes mas sim com três! E foi assim que chegamos ao título “Against All Good And Evil”. Este álbum foi gravado nos Hertz Studios, na Polónia. Como foi o processo de gravação? Muito difícil mas também muito surpreendente. O Wojtek e o Slawek, os dois irmãos que gerem este estúdio, são surpreendentes! Quando gravamos “Violence Divine”, nos Hansen Studios com o Jacob Hansen, fomos habituados a um estilo específico de gravação. Mas nos Hertz Studios, eles ensinaram-nos o contrário e enquanto chorávamos sangue, suor, lágrimas e Zubrowka (tipo de Vodka), o resultado foi maravilhoso! Ouvir o som final levou-nos da dúvida ao triunfo. “Against All Good And Evil” é maior em relação ao nosso álbum anterior e tivemos que trabalhar arduamente durante as duas semanas que passamos na gelada Bialystok (cidade Polaca). Mas valeu bem a pena pois o resultado foi excelente. “Axis Mundi” tem toda uma atmosfera diferente. Como é que chegaram a esta obra-prima? O Yaniv compôs a estrutura base para esta obra no início de 2009, mas foi trabalhando-a antes do álbum ter sido gravado, um ano depois. Não é a primeira vez que faze-

mos algo deste género... algo que gostamos de chamar como “album breaker”. Já em “Violence Divine”, tínhamos a “Summoning Sickness”, que andava à volta de “Axis Mundi”. Aqui trazemos alguns elementos neo-clássicos e tradicionais para o álbum sem comprometer a sua estrutura. É algo que está entre uma música instrumental e uma intro, diria. É básico e atmosférico mas ao mesmo tempo é algo que se desenvolve. Com “Axis Mundi” fizemos algo parecido e com a ajuda de um amigo chamado Aviv Shomer que tratou dos teclados, conseguimos assim o nosso “album breaker”. O nome da música vem do tempo em que estudava judaísmo na Universidade e falamos de “Foundation Stone” - Even Ha’Shtiya em Hebraico – que acredita-se ser o centro do Universo. “Axis Mundi” ou “Centro do Mundo” é a mesma ideia e é um excelente “album breaker” pois fica no centro do álbum.

do em conta que somos de Israel, todas as pequenas hipóteses que temos de viver do Metal são reduzidas a nada. Se as bandas líderes do nosso estilo musical, como os Dark Tranquility os os Arch Enemy, estão a lutar para continuar com o seu excelente trabalho enquanto se recusam a comprometer a banda e tocar aquilo que chamam “pesado” hoje em dia, ou até mesmo seguir pelo alternativo... que hipótese é que temos?

Até na Europa e na América, a maioria das bandas já não consegue viver apenas da música. E quanto a vocês? Estão optimistas? Não podemos mesmo ser optimistas com a indústria da música actualmente. Não é só com o Metal... isto está em todo lado. Desde a música electrónica ao jazz, passando pelo rap e o que quer que gostes. Os novos artistas não conseguem sustentar-se apenas com o dinheiro que vem da música. Eu não ando a ver os bolsos e as carteiras dos outros, mas todos na banda trabalham. Alguns de nós estão até no círculo académico uma vez que não acreditamos que seja possível viver da música. Gostava de recuar uns 15 anos no tempo e aproveitar os tempos em que o Death Metal dava dinheiro. Mas ten-

Queres dizer algo aos fãs Portugueses? Obrigado pelo apoio. Mostrem o vosso dedo do meio a toda a política mundial e não importa de onde vem uma banda, desde que tenham a coragem e a vontade de tocar Metal apesar de toda a indústria estar a mudar, só significa que a banda está a fazer isto porque gostam do que fazem. E se essas bandas fazem isso então são como irmãos para mim sem importar onde nasceram ou foram criados. Não julguem um livro pela capa e acima de tudo não julguem uma banda pelo seu país de origem.

Podemos esperar uma tour Europeia para 2012? Tocar na Europa e em alguns festivais é o nosso único objectivo para os próximos anos. Não tivemos a possibilidade de apresentar “Violence Divine” pela Europa e mal podemos esperar por passar aí e descarregar toda a nossa raiva musical nos ouvintes menos preparados. Esperemos ter boas notícias relativamente a este tema brevemente.

Entrevista: Joel Costa Fotografia: Massacre Records


A minha primeira vez foi culpa de um cigarro. Há já muitos anos, ainda andava no liceu, troquei um cigarro por um CD dos Moonspell, o Wolfheart! Isto começa meses antes, quando o Pichota (era mesmo a alcunha deste meu colega) vem parar à minha turma. Sempre de preto, botas de biqueira de aço e pêra, andava sempre de concerto em concerto. Ele e outro pessoal andavam sempre a falar duns tais de Moonspell. Mas quem eram eles? Eu bem que ouvia, “Moonspell isto”, “Moonspell aquilo”, mas nunca tinha ouvido falar de tal conjunto musical. Há que lembrar que isto foi no tempo em que a internet era um serviço muito primitivo. Era um rei, quem tinha internet! De tempos a tempos, lá insistia eu: “Ó Pichota, quando é que me trazes um CD desses teus Moonspell para eu ouvir?”. Mas o Pichota falhava como as notas de 10 contos! Nunca me trouxe um CD dos Moonspell para ouvir. Pois bem, o tempo foi passando e ainda que tivesse algum contacto com a cena metaleira, nunca foi coisa que me puxasse muito. Na altura estava numa fase hip-hop e aquilo é que era música, para mim! Aquilo é que era a cena! Metallica já conhecia desde puto, de alguns vídeos que passavam na VIVA (sim, aquele canal que se apanhava pela parabólica). Ou os Marilyn Manson, que me davam um medo terrível. E até vim a descobrir mais tarde, que tinha sido grande fã de Sepultura quando era ainda mais novo. Só que na altura, não fazia a mínima ideia

de quem eram, como se chamavam ou que estilo tocavam. Certo dia, depois das aulas, já para o fim do dia, o Pichota pede-me um cigarro. “Pichota, só tenho dois! Um para agora, outro para depois de jantar.” “É pá, dá lá.” “Não dou.” E não saíamos disto. Até que o Pichota teve grande ideia: “Olha, dás-me esse cigarro e amanhã trago-te um CD de Moonspell.” Na altura não acreditei… Ele falhava tanto… No entanto, cedi e dei-lhe o dito cigarro. Surpreendentemente, no dia a seguir trouxe-me o Wolfheart! E eu todo contente! Ia finalmente descobrir o que era aquilo de que tanto falavam. Com um leitor de CD no bolso (coisa rara na altura! Era o maior, porque tinha um!) lá fui eu a ouvir Moonspell a caminho de casa. Tenho que dizer que esta foi uma altura complicada para mim. Tinha acabado com a minha primeira namorada… Estava triste e de rastos… Os problemas da juventude e da puberdade… E isto foi o que me marcou: no caminho de casa, um dia de sol esplêndido, enquanto passava por cima de uma ponte e via os carros a passar lá em baixo, ouço os Moonspell a dizerem-me aos ouvidos: “VIVE!” (Trebaruna, vim a descobrir mais tarde que era “Viva!”) e aquilo entrou-me mesmo na cabeça: “Estes gajos, que não sei quem são estão-me a dizer “Vive!”. Fiquei perplexo e como que “iluminado”, porque era aquilo que queria ouvir, que tinha que ouvir naquele momento: “VIVE!”. E foi amor

à primeira audição. Mais à frente, reparei que as letras pareciam português mas não eram (“Devotio Ver Sacrum / Devotio Consecratio / Capitis Dirae” - Ataegina) e quando fui fazer uma pesquisa, descobri que eram em Latim e disse “Estes tipos não podem ser uns quaisqueres!”. E foi assim a minha primeira vez no metal. Logo depois disto conheci Rob Zombie, Stratovarius e Emperor! Que confusão! Mas gostava de todos, de maneiras diferentes. Por causa daquele cigarro, a minha vida mudou e também o estilo de viver e de vestir. Deixei crescer o cabelo, usei picos e correntes (para grande desgosto da minha mãe), comecei a ir a concertos e festivais, aparecia em casa todo pisado depois de uma sessão de moshpit... Agora sou cota e já não me visto de preto, nem tenho cabelo comprido… Mas, uma coisa é certa, se não fosse aquele cigarro, a minha vida não tinha mudado tanto. P.S. – Fumar mata!”

moonspell wolfheart Century Media Records


As opiniões generalizam-se em relação a esta banda sueca: o seu Doom Metal épico e progressivo está melhor a cada álbum que lançam. Um dos segredos desta evolução patente em “Born of Shadows” passa muito pela coesão existente no lineup actual. O que nos tens a dizer sobre o vosso mais recente longa-duração, “Born of Shadows”? Crister Olsson - Podemos considerar “Born of Shadows” como uma espécie de mistura refinada dos dois últimos álbuns. É obscuro e atmosférico como “Bliss of Solitude”, e tem bastantes variações assim como partes progressivas tal como acontecia em “Silent Ruins”. Este álbum soa a Isole! Representa

a música ou as letras e as partes vocais (limpas e guturais)? Ah, eu diria, sobretudo, a música. Mas, por vezes, sucede o oposto: as letras não têm de ser necessariamente escritas para uma canção em especial. A decisão sobre onde utilizamos grunhidos, gritos ou vocalizações limpas é algo que surge durante o processo de ensaio ou nas gravações.

“carregam o legado dos Candlemass”, uma banda lendária de Doom (que recentemente assinou pela vossa editora)? Talvez possamos dizer que, de certa forma, é o que fazemos, porque estamos no activo e, como sucedeu com eles, não vamos parar por muitos anos. Mas não estamos a tentar preencher o lugar deles – essa decisão cabe aos nossos fãs. Simplesmente adoramos tocar!

uma evolução, em termos da escrita de canções e na sonoridade.

Para aqueles que não conhecem a banda, como descreverias a vossa música e abordagem das letras? Nossa música é, muitas vezes, descrita como “Doom Metal épico”. Eu prefiro chamá-la de “Doom Metal progressivo”, devido aos muitos elementos progressivos que temos utilizado especialmente nos últimos dois álbuns. Liricamente é uma mistura de memórias, sonhos, depressão, esperança, o bem e o mal.

Consideras que o Doom Metal é hoje um estilo revivalista ou representa ainda um modo de vida, de pensar e de expressão que faz mais sentido do que nunca? E não é toda a música uma boa forma para nos expressarmos? Eu acho que sim! O Doom pode ser um género com pouca representatividade, que não recebe muita atenção das rádios e televisões, mas é o género com algum peso no underground.

Em termos de som, ainda consideras, como referiram numa entrevista há alguns anos, que

Tenho notado que os Isole foram variando a sua sonoridade acrescentando alguns elemen-

E quanto às apreciações externas ao álbum, por parte dos críticos e dos fãs? A maioria das opiniões tem sido muito positiva assim como os comentários dos fãs. Como tal, sentimos que o nosso trabalho ficou bem feito. Um dos elementos a destacar no novo registo é a grande variedade vocal, que é um elemento vem sendo melhorado a cada lançamento. O que surge primeiro no processo de escrita:


tos de outros estilos, reforçando a sua dinâmica geral. Sentes que o Doom Metal, enquanto sub-género, é mais aberto para explorar outras direções musicais? Não, eu diria que é mais o contrário. Se aprecias o que temos feito, experimenta introduzir-lhe um amplo conjunto de variações, gravar com um som que não seja confuso (como eram as demos antigas do início dos anos 90) e tira umas boas fotos promocionais -, alguns dos fãs acérrimos de Doom não vão gostar. Mas, talvez isso suceda em todos os géneros musicais. Eu gosto de ter variações e ele-

causa dos filhos e empregos permanentes de cada um dos elementos da banda. Mas é claro que depende sempre que quanto dinheiro estiver em jogo. O que nos resta este ano é o “Madrid is Dark Fest”, em Espanha, no início de Dezembro e a festa de lançamento de “Born of Shadows” aqui na Suécia. Os concertos para o próximo ano serão revelados no nosso Facebook, e Myspace, muito brevemente.

mentos diferentes, faz com que a música seja mais interessante de ouvir e torna-se mais agradável de tocar.

termos de exigência? Eu acho que o acordo com a Napalm nos ajudou muito. Eles têm um orçamento muito maior, especialmente empregue no marketing e promoção. A I Hate Records (editora dos primeiros trabalhos) também foi agradável para connosco, mas se pretendes crescer e sair um pouco do underground, precisas da ajuda de uma editora maior. A maior evolução, porém, acon-

Têm planeada uma tour para os próximos tempos? Em 2012 é provável que façamos a mesma quantidade de espectáculos deste ano: algo entre os 20-30. Não me parece possível fazer muito mais do que isso por

Como descreverias a evolução da banda até agora. Sentes que ao assinarem com a Napalm Records elevaram a fasquia em

teceu na banda. Temos crescido muito em conjunto ao longo dos anos, e um bom exemplo disso está em “Born of Shadows”, onde descobrimos realmente a que soamos quando estamos juntos. Foi vossa a opção ou da editora de juntar quatro faixas extra nas edições em vinil dos vossos álbuns? Sentem uma paixão especial pelo formato? Adoro os discos de vinil! Cresci com eles e ainda adoro quando os recebo! (Risos). Se bem me lembro, o álbum completo com mais uma música extra tornava-o muito longo para caber num único disco de vinil (uma canção de bónus é

bom para tornar o formato mais atraente), por isso poli o som de algumas canções de demos antigas (do tempo de Forlorn – primeiro nome da banda) com um processo de masterização e tornei o álbum num vinil duplo.

http://joaonvno2009.blogspot.com/

Entrevista: José Branco Fotografia: Napalm Records


“Against All” é o EP de estreia dos nacionais blindslaves. Estivemos à conversa com aqueles que já são vistos por muitos como o futuro do metal nacional. Concordem ou não, o facto é que a banda estreou-se da melhor maneira possível e o futuro promete trazer ainda mais caos!

A

gainst All” é o vosso EP de estreia e desde já dou-vos os parabéns por terem conseguido fazer algo tão bom no primeiro lançamento. Falem-nos um pouco da composição e das gravações... Como correu tudo? A composição era feita por um dos guitarristas que surgia com uma ideia e juntava-se com o outro onde acertavam. De seguida baixo e bateria no final. Depois nos ensaios juntava-se tudo. As grava-

ções, foram uma experiência muito enriquecedora pois nenhum dos quatro tinha gravado antes em estúdio, na medida em que, o tempo, reduzido (apenas dois fins de semana) foi aproveitado ao máximo. Que tipo de feedback têm recebido até à data? Temos recebido um feedback bastante positivo, principalmente nos concertos por onde actuamos. Porquê “Against All”? “Against All” refere-se, no geral,

à constante oposição que o Metal tem. Todos nós sabemos como está o Metal em Portugal e como é difícil ter uma banda que não faz parte dos padrões pré-estabelecidos na música em Portugal. Quem está dentro da cena Metaleira sabe o que é ouvir críticas de pessoas que não sabem do que estão a falar. No geral, “Against All” é uma crítica contra essas pessoas. Pessoalmente, representa para os 4, as dificuldades pelas quais tivemos que passar para no final obter este


resultado. Nós somos oriundos da Serra da Estrela, onde há meios um pouco fechados e em que ocorre alguma discriminação e até ignorância. Diríamos mesmo que há um tipo de racismo cultural. Tivemos que lutar muito contra isso. Às vezes uma derrota tinha um peso multiplicado por 10. Isso só nos alimentou e fez de nós mais fortes, na medida em que “Against All” seria o título perfeito. Não é a primeira pessoa que ouço dizer que vocês são o futuro do Metal nacional. Que efeitos têm estas palavras em vocês? Essas palavras são um enorme incentivo para nós prosseguirmos com o nosso trabalho. São recebidas e canalizadas no sentido de cada vez mais melhorar as nossas composições, para consequentemente fazer merecer essas palavras. “Holocaust” é um total “punch in the face” e deixou-me completamente K.O. Falem-me um pouco do tema... De que nos fala e qual era o vosso estado de espírito na altura que o escreveram? Esta música tem por base uma criação idêntica às restantes músicas do EP, que é ligar todo o seguimento da letra às várias emoções que um determinado tipo de riff nos transmite. Holocausto significa para nós um massacre em massa. Foi escrita em mais um daqueles momentos, em que a raiva é passada para o papel. Fala-nos de todas as pessoas falsas e nojentas que passam pela nossa vida; Depois de conhecermos realmente essas pessoas e de sabermos o tipo de pessoas que são, todo o ódio acu-

mulado terá que sair em forma de vingança e dor. Porque é mesmo assim que funciona; Ou somos cobardes e nunca somos capazes de fazer aquilo que achamos certo, ou levantamo-nos para enfrentar esses inimigos. Agora, imaginem todo esse momento a ser transmitido para uma música. Toda a raiva a ser literalmente despejada naquelas pessoas que mais odiamos, um massacre colossal devido a tudo aquilo que trazemos atravessado na garganta durante tanto tempo. Para nós, este é o significado da “Holocaust”. Como tem corrido a promoção do disco? Muitos concertos? A promoção do disco tem sido bastante boa. Tivemos o privilégio de tocar as nossas malhas em diversos palcos que foram partilhados com grandes bandas nacionais. O número de concertos tem vindo a crescer cada vez mais desde a gravação do EP. Foi mesmo uma rampa de lançamento para chegarmos com o nosso trabalho às pessoas. Depois da brutalidade de “Against All”, para quando um full-lenght? Já temos uma ideia pré-estabelecida para a captação de um full-lenght de estreia. Temos também já três músicas finalizadas, mas como é óbvio ainda em análise e estamos a trabalhar numa quarta. Talvez para daqui a um ano, quem sabe (risos). O objectivo do full-lenght é o de adequirir ainda mais maturidade do que o EP ‘Against All’, na medida em que vai precisar de ainda mais profissionalismo, profissionalismo esse que vai sendo conquistado com tempo atra-

vés de trabalho e dedicação, por isso, ainda não pensamos numa data. Podemos adiantar que sairá de certeza, mas quando neste momento ainda não sabemos. Vocês são uma banda relativamente recente. Já têm opinião formada acerca do estado do Metal nacional? Sabemos decerto que ter uma banda de Metal em Portugal não é um passeio pelo jardim. Há muitas coisas que poderiam ser mais simples. Em Portugal só se recebe crédito se lançarmos álbuns de baladas infantis, canções de amor ou música tradicional Portuguesa. Não estou a tirar o crédito a muitos deles, que realmente sim, têm talento. Mas por outro lado, o Heavy Metal também necessita de receber algum crédito, porque sim, nós também temos talentos atrás de baterias, guitarras, baixos ou microfones. Deveria haver igual crédito para todos os músicos em Portugal, mas como todos nós sabemos é difícil enfrentar uma mentalidade e vencer à primeira. Planos para o futuro... Continuar com os nossos estudos, trabalhos e aos fins-de-semana juntarmo-nos todos na sala de ensaio para fazer música. Procurar por live-acts onde possamos mostrar quem somos e o que fazemos e conceber o nosso álbum de estreia. Entrevista: Joel Costa Fotografia: Blindslaves


Re-editado recentemente pela Season Of Mist, “Your Gods, My Enemies” assinala o regresso dos israelitas Eternal Gray. A infektion esteve à conversa com Auria Sapir:

V

êm de um país com uma forte tradição religiosa. Como é a panorama do Death Metal Israelita? O panorama em Israel está a crescer depressa. Israel tem muitos espectáculos com bandas locais, bem como espectáculos ocasionais com bandas estrangeiras. Contudo, não se pode comparar ao panorama do Metal de outros países Europeus como a Suécia, Alemanha ou Portugal. Comparado com eles ainda é um cenário bastante pequeno. Afinal de contas, é um país bastante pequeno... O facto de Israel ser um país religioso não tem ligação ao desenvolvimento do panorama do Metal. Durante os últimos 10 anos, o panorama cresceu dramaticamente. Está evidenciado na quantidade de bandas Israelitas

que romperam para o estrangeiro, como os Orphaned Land, Betzefer, The Fading, entre outros. O que principalmente falta ao panorama e à indústria no geral será a exposição nos media. Quer seja na rádio, onde talvez hajam dois programas underground que passam metal. Sem mencionar a televisão, onde não existe exposição do metal Israelita de todo. O panorama do Metal Israelita definitivamente progrediu, mas ainda temos aspirações. Como se integraram no panorama internacional? Já actuaram no muitas vezes estrangeiro? Nunca tivémos oportunidade de actuar no estrangeiro, até agora só actuámos em Israel. Já recebemos convites para actuar em alguns países Europeus mas infelizmente ti-

vémos de recusá-los devido a um mau timing e vários constrangimentos. Actuámos com várias bandas internacionais, incluindo Meshuggah, Megadeth, Destruction, Rotting Christ e Behemoth. Nós ainda continuamos em contacto, pois estes revelaram-se grandes pessoas. Actualmente estamos a planear a nossa primeira digressão Europeia, que será a nossa primeira experiência no estrangeiro. Já é possível revelar algumas datas e locais? Portugal é um opção? Ainda estamos a definir a digressão e se existir uma demanda para os EG em Portugal, podem ter a certeza que lá chegaremos! Pessoalmente, sempre quis visitar Portugal, espero que seja em breve.


“Your Gods, My Enemies” é lançado quase uma década depois do vosso último trabalho. Quais são as principais diferenças entre o novo álbum e o vosso primeiro? A principal diferença será a maturidade, que levou algum tempo a alcançar, visto que haviam integrantes diferentes na banda na altura. Ao longo deste período de 6-7 anos, as pessoas amadurecem. Eu não integrava a banda quando o “Kindless” foi gravado. Eu tinha 14 anos, portanto, diferentemente amadureci. Pelo menos espero que sim... Todos nós crescemos juntos como músicos e pessoas. Alcançámos o ponto de harmonia que a banda procurava. É um pouco difícil para mim avaliar as diferenças como ouvinte, mas não como integrante da banda. Penso que lhe trouxémos novos elementos. Sempre tivémos em mente um conceito geral de Eternal Gray, com adição de algumas ideias de direcções diferentes, sem cair em modas. É esta versatilidade que define os EG como banda. A música está mais contemporânea. Penso que está um pouco mais técnica, mais agressiva e mais violenta. É possível ouvir com melhor clareza o que estamos a fazer, como quando o refrão começa ou quando o verso termina. Há mais solos, mais elementos ambientais (como nas músicas “Controlled”, “Inner Anger”). O som está mais fresco. Para além disso, o Dory mudou-se para a Alemanha em 2006, onde escreveu

maior parte do material para “Your Gods, My Enemies”. Eu penso que o clima na Alemanha certamente influenciou na sua escrita, visto que a música revelou-se bastante fria, negra e sombria. Quão importante foi este hiato para a banda? Nunca houve verdadeiramente um hiato. O tempo passou, as pessoas amadureceram, tal como a música. Precisámos deste tempo para criar uma química especial entre nós. E não se esqueçam que o EP “Numb” foi gravado durante este período, mas nunca foi lançado. Apesar de tudo, e apesar de nunca termos parado de trabalhar, eu julgo que este tal “hiato” foi importante para a banda. Existem alguns detalhes deliciosos em certas faixas, especialmente na “Blind Messiah” e “Unlabeled”, no qual descobri com o tempo. Como foi o processo de gravação; foi espontâneo ou foi algo mais elaborado e detalhado? Este álbum realmente requis vários “takes” de modo a absorver por completo todos os detalhes. Nós trabalhámos nas nossas músicas durante bastante tempo e tivémos muitas ideias que queríamos implementar nelas. Contudo, nas músicas supramencionadas, muitas ideias cristalizaram-se nelas de uma maneira espontânea. Quando entramos no estúdio, as coisas estão

sempre sujeitas a mudanças. Nós gostamos disso e aceitamo-lo bem na nossa música. “Blind Messiah” & “Unlabled” são bons exemplos. Alguns dos riffs de guitarra foram até escritos na Alemanha, apenas alguns dias antes das gravações... No que toca à procução e à “parte deliciosa” - assim que gravámos as músicas em estúdio, nós sabíamos como o álbum iria soar, e muitas ideias foram formadas, consequentemente. A junção destes elementos resultou nas músicas, e penso que a atmosfera do estúdio teve muito a ver com isso. O álbum contem uma versão electrónica de “Never Waits” como faixa bónus. Dado que a maioria dos fãs de metal têm uma aversão extrema a qualquer coisa electrónica, porque decidiram incluir esta faixa? A versão de “Never Waits” foi feita pelo Dory na altura, quando vivia na Alemanha. Ele trabalhou na faixa e gravou-a no estúdio no qual trabalhou. O vocal feminino foi da autoria da cantora de ópera, Linda Hergarten. Todos os membros da banda gostam de vários tipos de música, seja Clássica, Electrónica, Pop, ou outro género qualquer, desde que soe bem aos nossos ouvidos. Confesso que pessoalmente gostei dela a partir do momento em que a ouvi. Senti que todos os sons eram os ideais para a atmosfera. Trata-se de uma interpretação muito boa. Se conhecerem a música bem, podem


verificar que tem a mesma estrutura. A parte do solo é algo cómica, ao estilo de cabaret, mas o resto tem uma atmosfera de floresta negra, muito chuvosa e pesada. Eu gostei muito desta combinação com o cantar de ópera da Linda. Não mostra nenhum tipo de intenção futura da nossa parte, caso algum de vocês esteja receoso! Todos nós apenas achámos que seria uma adição porreira ao álbum. Enquanto me preparava para esta entrevista, reparei que na Encyclopaedia Metallum diz que actualmente estão á procura de um baterista. Já recrutaram alguém? Como é que esse trabalho se processa; têm alguém em mente ou qualquer um se pode candidatar?

Actualmente estamos a pensar em trabalhar com um baterista estrangeiro, visto que até agora não conseguimos encontrar um baterista que fosse certo para a vaga. Caso sejam bateristas e pensem que estão à altura, ou se conhecem algum baterista brutal, contactem-nos pela nossa página do facebook: www.facebook.com/EternalGray A jeito de conclusão, falem-nos um pouco acerca do futuro da banda. O nosso objectivo é continuar a criar Death Metal. Poderá mudar; poderá ser diferente, mas ainda assim, irá sempre continuar metal extremo. Continuaremos a trabalhar bastante, para puxar sempre os nossos limites e criar música cada vez melhor. O que mais inte-

ressa é que a música irá continuar a responder às nossas necessidades de nos expressarmos. Penso que o nosso objectivo actual será de fazer o maior número de digressões e dar o máximo de concertos possível, onde quer que as pessoas nos queiram ver. Assim que atingirmos este fim, poderemos começar a pensar em outros objectivos. Espero encontrar-vos em Portugal. Desfrutem do nosso novo álbum! Empenhámo-nos bastante nele. Até lá, façamos um brinde à paz. Saúde! Entrevista: João Lemos Tradução: José Machado Fotografia: Season Of Mist


Valentina Silva Ferreira http://www.facebook.com/pages/Valentina-Silva-Ferreira/231598930187132?sk=wall http://editora.estronho.com.br/index.php/autores/268-valentina

A

garota esperava sentada. Tinha uma postura demasiado nobre para a idade, os ombros muito direitos e as mãos magras colocadas, delicadamente, sobre a curvatura dos joelhos. Vestia saia e camisa, numa conjunção de cores que não fugia ao azul. Nas meias de lã coziam-se dois laçarotes nos tornozelos que, juntamente, com os sapatos de fivela trabalhada davam-lhe um ar de boneca. Os cabelos caíam direitos, curtos e lisos. A franja bem cortada roçava a ponta das longas pestanas. Dois grandes olhos azuis olhavam fixamente pela janela. Para lá dela, movimentava-se uma paisagem de neve e luzes natalinas. Uma neblina invernosa tornava as lamparinas fuscas como halos. Reinava o silêncio da meia-noite, rasgado, de repente, pelas batidas dos sinos da igreja. Batoques de garrafas explodiram nas paredes das casas vizinhas e gritinhos de crianças lembravam que, apesar das palavras recortadas de ano para ano, os presentes eram mesmo o melhor da festa. A menina continuava erecta no canto da cama. No instante em que pestanejou, uma fileira de renas gordas deslizou pelos céus e caiu sobre a manta de

neve. Um Pai Natal muito redondo e de barbas felizes saltou para fora do trenó e abriu o saco. Escolheu um enorme presente, embrulhado num papel colorido e chamativo. A menina desenhou um sorriso nos cantos da boca. Acompanhou os movimentos do Pai Natal a abrir a janela, a rebolar para dentro e a cair em cima das botas negras. Era a primeira vez que o via e o coração saltou dentro de si. O sorriso tímido dos seus lábios tornava-se cada vez mais expressivo. Finalmente, saltando de um pé para o outro num susto, o Pai Natal viu a menina, arregalada e de sorriso fácil. Suspirou. Estava a ficar demasiado velho para aquele trabalho. - Minha menina, não era suposto estares à minha espera. A criança não disse nada. Permaneceu naquela postura quase de retrato, com os olhos presos no ancião. - Não precisas ficar nervosa – disse, num tom calmo. – Toma o teu presente. O braço esticou-se com o embrulho. A menina praticamente derreteu pela cama e caminhou até ao Pai Natal. O sorriso vinha cada vez mais aberto. - Até podes existir…- disse, por fim,

sem fechar a boca. – Mas não sabes mesmo quem se porta bem ou mal. O corpo pequeno da criatura saltou para cima do homem. Foi aí que ele viu que aquele sorriso era uma miragem errada. Aquela boca escancarada desde que ele chegara era, simplesmente, um esgar de fome, de saliva na boca, de dentes caninos demasiado aguçados, de vontade de sangue. A menina ferrou os dentes na carne e arrancou pele e músculo, num som que aterrorizaria qualquer talhante. O sangue respingou, o cheiro a ferro colocou-se nos vidros, os gritos eram mordidos pelas galhofas de todas as casas do mundo. Em cócoras, a menina chupou o sangue e lambeu as mãos cobertas por bocados humanos. Depois sorriu – um sorriso verdadeiro de uma criança que acabara de receber o melhor presente do mundo. Um feliz e próspero Natal a todos os leitores da Infektion. Espero que o Pai Natal chegue vivo às vossas casas.

Um beijinho, Valentina.


Foi com muito gosto que falámos com os Summoned Hell, banda açoreana que acabou de lançar o primeiro álbum e que tem muito para mostrar. E que o querem mostrar! Nascidos em ondas mais obscuras, procuram agora marés mais agressivas. Nas seguintes linhas conhecemos o Hugo, que nos deu a conhecer o seu projecto.

O

s Summoned Hell começaram como uma banda de black metal melódico. Actualmente assumem-se como fazendo death metal melódico. O que vos levou a evoluir neste sentido? Não foi uma evolução em si. Foi mesmo uma mudança da noite para o dia. Penso que grande parte passou pela mudança de elementos em que os que saíram eram os únicos que faziam o “black” da banda. O Death metal melódico por sua vez saiu naturalmente com os elementos actuais e continua a sair.

Com Prison of Madness terminado e acabado de lançar, que patamar enquanto banda conseguiram alcançar? Nós há poucos anos atrás estávamos na garagem e nem concertos localmente se davam. Hoje em dia temos convites para tocar fora de Portugal, algo que nunca pensamos ser possível. Com o álbum lançado é mais uma página e mais uma etapa do grupo que teremos que analisar para projectar novos planos para o futuro. Em que estúdio é que o álbum foi

gravado? Gravamos a maior parte do álbum com um “estúdio” montado por nós, que foi desde o dia 1 um erro. Tentar gravar e tocar um álbum é complicado. Na fase final gravamos algumas coisas no Global Point Music Studio e a mistura e masterização ficou a cargo do estúdio também. Este projecto que foi acabado de lançar foi produzido exclusivamente por vocês? Há alguma editora por trás de Prison of Madness?


Infelizmente não há editora, apenas alguns patrocínios que se foram fazendo chegar, a verdade é que também nunca promovemos o nosso trabalho directamente para editoras mas sim para o público em geral Após sete anos de carreira, vocês já conseguiram alcançar alguma maturidade, o que vos permitirá chegar mais longe. Até onde? Vontade, dedicação, amizade e uma caixa ou duas de cerveja é o que nos permitirá chegar mais longe. Até onde, não sabemos. Com o álbum acabado de lançar, chega a hora de o promover! Quando é que poderemos contar com os Summoned Hell a correr o país de lés a lés? Já não vamos ao continente Português desde Maio de 2010 com a Insanity Tour. Devido aos meios financeiros actuais não será possível mas

agora com o álbum pode ser que se a banda tiver um número significativo de convites, justifique o custo da viagem. Do novo álbum, qual é aquela faixa que para vocês define o vosso som e a vossa personalidade musical? Eu (Hugo Almeida) sinceramente não sei. As músicas todas tem sempre um significado para cada um de nós. As músicas do álbum em si são episódios que se passaram com elementos da banda, mas penso que as que marcaram mais foi a Symphonic e a Heart of Dust. Como é a cena metaleira nas ilhas? Quem vai aos concertos? Há muita adesão a este estilo? Felizmente tem estado a crescer. Quando comparo os concertos das ilhas com os do restante país noto maior diferença na adesão e nos números é em festivais, o que

é perfeitamente normal, quanto a concertos “normais” em bares e palcos pequenos a adesão é muito parecida. Ou pelo menos é essa a experiência que temos tido e a ideia que temos da “Insanity Tour” Dado a sua pequena área e um público mais pequeno, o que é mais difícil para uma banda açoriana singrar? O mais difícil daqui talvez seja quando se recebe um convite de Espanha ou Itália rejeitamos quase de forma automática devido a alguns custos que teríamos que suportar. Não podemos alugar uma carrinha e ir simplesmente. Há muito obstáculo aqui neste sentido. A todos os leitores da Infektion, Stay Metal! Entrevista: Narciso Antunes Fotografia: Summoned Hell


Sonata Arctica já são um nome do Power Metal que poucos desconhecem. Com mais de 10 anos no activo e uma série de álbuns debaixo do cinto que deixaram poucos indiferentes, “Live in Finland” é o último projecto destes Finlandeses, um DVD que é também o seu terceiro projecto gravado ao vivo. A Infektion decidiu ir descobrir um pouco mais com o teclista de serviço do quinteto, Henrik Klingenberg. Após gravarem dois álbuns ao vivo no Japão, o que vos levou a escolher a vossa terra-natal desta vez? Sentimos que teria sido um bocado mais do mesmo se o tivéssemos feito no Japão... por isso nunca foi uma opção com este DVD ao vivo. No futuro penso que nunca iremos fazer álbuns ao vivo em países onde já o tenhamos feito, por

isso, no próximo, daqui a 5 ou 6 anos, será de novo num novo sítio.

Houve alguma razão em particular por detrás do espaço escolhido para o evento? “Teatria” é o único espaço no norte da Finlândia em que nos era possível ter a produção que queríamos, e também fica apenas a

100km da nossa cidade, por isso foi a melhor escolha para nós.

Incluir o CD áudio juntamente com o DVD foi escolha vossa ou algo engendrado pela vossa editora? Acho que foi algo da editora, mas não tenho a certeza. Nestes dias não faz muito sentido, pelo menos não para mim, lançar apenas um CD ao vivo, por isso era melhor


incluí-lo com o DVD, no caso de quereres ouvir isto no teu carro ou numa festa.

Foi díficil escolher a setlist para este projecto? Assim à primeira vista parece que se focaram um pouco mais em músicas mais lentas... Nós basicamente usámos a setlist que tinhamos usado durante a tour “Days of Grays”. Apenas tirámos umas quantas canções que estavam no último DVD porque não nos queríamos repetir muito... e claro, adicionámos o pedaço acústico que foi imensamente divertido.

No geral, como descreveriam toda a experiência? Foi uma carga de trabalhos. Tocar foi muito divertido e agradável, mas as preparações e o trabalho depois do DVD ter sido filmado para preparar todo o material e arranjar a edição e etc... foi muito cansativo. Contudo estou muito feliz com o resultado final, por isso está tudo na boa.

No nome da consistência, existem alguns planos para gravar outro álbum ao vivo nos próximos 4-5 anos? Ainda nem sequer o discutimos, mas tenho a certeza que faremos outro DVD daqui a alguns anos quando tivermos mais canções no

repertório e talvez uma produção ainda maior, por isso sim, faremos outro após um par de álbuns de estúdio... a não ser que o mundo acabe (risos).

Sem pensar muito profundamente na questão, preferem gravar de novo no Japão, na Finlândia ou noutro lugar qualquer? Noutro lugar, definitivamente. Apesar das coisas ao vivo que fizemos até agora terem sido bastante divertidas, eu preferia fazê-lo num lugar em que ainda não o tenhamos feito. Torna as coisas muito mais excitantes e interessantes. Talvez um dia tenhamos tipo uma centena de DVDs todos realizados em países diferentes...

Existem algumas canções ou até álbuns que gostam mesmo de tocar ao vivo? Normalmente são sempre as músicas do álbum mais recente que se tornam mais agradáveis visto que ainda estão frescas e representam o que estamos a sentir de momento. No que toca a canções mais antigas, “Don’t Say a Word” é provavelmente a minha favorita.

Tiveram uma agenda de concertos beem preenchida ultimamente. Qual é a vossa parte favorita de tocar ao vivo? A interacção com o público é o

mais importante para mim, mas tocar Rock bem alto, independentemente de estar ali alguém a ouvir ou não, é sempre divertido como a porra. Já passaram 3 meses desde o nosso último espetáculo e ainda faltam 4 meses até ao próximo, por isso estamos mesmo a sentir o bichinho de voltar à estrada.

A ideia de como uma canção soará ao vivo influencia muito (se de todo) o seu processo de escrita? Nem por isso. Claro, depende da canção, e ás vezes até falamos sobre o aspecto ao vivo um pouco enquanto compomos as canções, mas o ponto principal enquanto fazemos música nova é fazê-la resultar no álbum. O próximo passo é então descobrir como lidar com a coisa ao vivo.

Alguns planos futuros que queiram revelar aos nossos leitores? Acabaremos o álbum e depois estamos de volta à estrada. Isso é basicamente o que irá acontecer durante os dois próximos anos. Ah, e eu lançarei o meu primeiro álbum a solo no início do próximo ano (risos).

Entrevista: David Horta

Fotografia: Nuclear Blast


A banda norueguesa LONELY KAMEL traz-nos Dust Devil, um álbum onde encontramos uma sonoridade quente num heavy blues muito interessante. O vocalista e guitarrista Thomas Brenna falou-nos um pouco desse som e das histórias por trás das canções.

V

amos imaginar que estamos a falar para alguém que nunca ouviu falar de “Lonely Kamel”, o que diriam sobre o vosso som? Blues, Grooves e uma garrafa de qualquer coisa alcoólica. Falando a sério rock pesado clássico e blues. Há quem lhe chame “Stoner rock”. Para uma banda chamada

consegues perceber a inspiração. Sempre adoramos aquele blues britânico mais pesado bem como as sonoridades do sul da América do Norte.

“Lonely Kamel” o que significa o deserto? Nós também temos um deserto norueguês. Milhas e milhas de desertos de neve, mesmo à porta de casa. É selvagem, frio e não perdoa. Mas pode ser também puro, calmo e pacificador.

vir a vossa música… Não és a primeira pessoa a mencionar as referências norte-americanas. Não nos importamos que as pessoas pensem que soa dessa forma, mas nunca nos sentamos a discutir a quê que queríamos soar.

O blues pesado tem um papel importante nas vossas canções. Não é? Sem dúvida. Nós não tentamos inventar nenhum novo género, tocamos a música que gostamos de ouvir. Apenas queremos fazer boas canções dentro do estilo de música que amamos. Não tentamos soar a nada em específico, mas acho que

Reconhecem Led Zeppelin como uma influência? Led Zeppelin é a banda de rock mais completa de sempre, por isso sim influenciaram-nos muito. É impossível não sermos influenciados por tais pioneiros, e acima de tudo inspirados a fazer a nossa própria música.

Sendo uma banda Norueguesa é um pouco surpreendente que tenhamos imediatamente referências norte-americanas ao ou-

Diz-nos algo sobre “Blues

for the dead” e “Seventh Son? Foram escritas quando um amigo meu passava por umas merdas muito pesadas, lutando com uma psicose. Ele sentia-se encurralado num buraco escuro a lutar com os seus demónios e paranóias.

Sou inspirado por aquilo que se passa à minha volta e na minha vida quando faço música e escrevo letras. Essas canções foram uma lembrança desses tempos. O meu amigo está melhor. Os demónios foram embora. “Hard to please” tem uma forte energia sexual. Há uma predisposição nesta música para uma ligação a um clima sexual? Sem dúvida. Porque


não? (Risos) Esta canção tem uma batida que soa a canção feliz por isso pareceu adequado escrever algo tolo e divertido. Mas na verdade a letra de “Hard to Please” é acerca de frustração sexual. Um amigo nosso está a passar uma fase que para nós tem graça. Mas deixa-me dizer e deixar claro: nós não somos sexistas. Amamos todas as mulheres. Muito. Onde gravaram o álbum e como correu? Gravamos “Dust Devil” em Oslo. Num excelente estúdio chamado “Caliban Studios”. Queríamos gravar o mais possível ao vivo e tentar recriar mais o nosso som ao vivo.

Somos uma banda de concertos e adoramos tocar ao vivo. Queremos que os nossos ouvintes que vêm aos concertos vejam que tocamos o que se ouve no álbum. Gravamos todas as canções em dois dias e usamos os restantes quatro dias para incorporar a voz e os solos de guitarra. Estamos felizes com o resultado. Fizemos uma mistura muito cuidada para não se perder o som orgânico natural. Existem outras bandas Norueguesas que devêssemos conhecer? Depende do que já conheças. Mas não há assim muitas bandas fixes por aqui. Temos Motorpsycho claro. Se gostas da onda retro podes ouvir

Brutus. E Kvelertak também é bom. O “Kamel” virá a Portugal? Perguntámos à nossa agência de “booking” sobre a possibilidade da tourné passar por Portugal e Espanha. Gostávamos muito, mas ainda nada está certo. Mas temos esperança que possa acontecer no próximo ano. Se houver por aí em Portugal um festival fixe para os “Lonely Kamel” digam-nos e nós aí estaremos. Entrevista: Mónia Camacho Fotografia: Napalm Records


Tomamos conhecimento dos mordbrand após os mesmos se terem inscrito na compilação infected #1 e ficamos desde logo maravilhados com a abordagem dos suecos. fiquem a conhecer a banda na voz do vocalista, guitarrista e baixista björn larsson.

A

primeira música que ouvi da vossa banda foi “The Eternal Feast Of Annihilation”. A questão é... vocês são uma banda de Death Metal mas este tema possui muitas influências de Crust. Porquê? Nós adoramos Crust e a Suécia tem um grande legado no que toca ao Crust e Punk. Incluímos este tipo de sonoridade porque aparece-nos de uma forma muito natural. “The Eternal Feast Of Annihilation” é a música onde se pode verificar mais esta fusão de sons e posso também dizer que temos muitas cartas debaixo da manga. O vosso som é muito old school. O tipo de produção levada

a cabo nas vossas gravações é propositado? Nós gravamos e produzimos tudo sozinhos, sendo que este é um processo onde por vezes tentamos e erramos. Estamos sempre à procura de um som de bateria natural e um som de guitarra sujo. É o que tem que ser!

tal como mencionaste, geograficamente ser muito complicado para nós, torna tudo isto muito complicado. Se recebermos uma oferta muito especial provavelmente avançamos e fazemos o concerto acontecer. Gravamos tudo a partir de casa, literalmente... Muitas bandas fazem isto.

Os MORDBRAND não tocam ao vivo e li que existe uma distância de 4h entre os membros da banda. Como conseguiram gravar este EP? E estão os concertos completamente fora de hipótese? Provavelmente ainda vamos tocar ao vivo, mas devido a incompatibilidades de horário e o facto de,

O vosso novo EP, “Necropsychotic” foi lançado há dois meses. Para aqueles que não conhecem os MORDBRAND, o que é que podem esperar? Podem esperar Death Metal da velha guarda de uma banda que não tem medo de misturar este som com qualquer coisa que resulte. Não temos interesse em copiar o


“Não temos interesse em copiar o som das bandas antigas mas é certo que as mesmas nos inspiram, e é claro que isso é visível na nossa música. Mas há por aí um monte de coisas que de maneira alguma ouvirias num disco de Death Metal de há 20 anos atrás.” som das bandas antigas mas é certo que as mesmas nos inspiram, e é claro que isso é visível na nossa música. Mas há por aí um monte de coisas que de maneira alguma ouvirias num disco de Death Metal de há 20 anos atrás. Este EP é algo demorado. Porque não chamar-lhe um full-lenght? Preferimos lançar um EP longo do que um full-lenght curto. Não estamos aqui para enganar as pessoas. E as últimas duas músicas são mais “gravações de teste” do que outra coisa... gravamos quando o Per se juntou a nós. Acabaram por ficar bem e por isso decidimos incluí-las. É fácil de perceber que as gravações foram efectuadas em duas ocasiões distintas. Também lançaram um split com os EVOKE. Fala-me um pouco disso... MORDBRAND não era uma banda nesse tempo. Eu e o Johan Rudberg (baterista) gravamos 4 músicas com recursos bem primitivos. Mais tarde enviam ao John dos EVOKE e ele gostou muito daquilo que fizemos. Uns anos depois perguntou-me se eu estava interessado em lançar esse material juntamente com uma

demo antiga dos EVOKE. Disse logo que sim e foi como se uma luz se tivesse acendido e perguntamos ao Per (ex-vocalista dos GOD MACABRE) se ele estava interessado em gravar a voz na minha vez. Queria focar-me mais em riffs brutais e o Per é um dos meus vocalistas favoritos de Death Metal de todos os tempos. Ele ficou um tanto relutante no início mas quando ouviu o som e a produção primitiva ele decidiu tentar. Foi a primeira vez em aproximadamente 20 anos que ele esteve à frente de uma banda e fez um excelente trabalho! E quanto a um longa-duração? É algo que vai acontecer em breve? E já agora... podemos contar com estes elementos Crust? Mais Crust que a “Eternal”? Creio que não. As influências vão manter-se mas essa foi uma música muito divertida de se fazer e queremos manter as coisas assim. Tentamos sempre fazer diferentes músicas para diferentes fins. Quanto a um longa-duração, vamos ver. É algo que queremos fazer mas provavelmente só no final do próximo ano. Temos outro lançamento em mente que acontecerá antes disso, por isso vão poder ouvir malhas novas brevemente.

O Death Metal está repleto de bandas underground... umas são boas, outras são apenas mais do mesmo. No entanto, a vossa sonoridade tem uma certa identidade... Na vossa opinião o que vos faz diferentes de todos os outros? Nós trabalhamos muito na estrutura musical e nos padrões da voz. Queremos gravar algo brutal que fique gravado na tua memória. Muitas bandas têm o som perfeito mas muitas vezes acabas por ouvir só um lançamento e apenas uma vez... não queremos ser esse tipo de banda. Mais alguma coisa que queiram partilhar? Alguma palavra para os fãs Portugueses? Vamos lançar um 7” na Primavera de 2012 com duas músicas originais. Visitem a nossa página do Facebook para estarem a par das últimas novidades! “Hail the metal of death!” Entrevista: Joel Costa Fotografia: Carnal Records


P

arabéns pelo lançamento de “Oblivion”. O som está mesmo brutal! Para aqueles que ainda não ouviram o que podem esperar deste último álbum? Beleth - “Oblivion” é a segunda parte de uma triologia que começou com “Divinity”. Esta é a nossa obra mais ambiciosa até à data. Temos trabalhado muito em todos os detalhes e envolvemo-nos em tudo o que esteja relacionado com este álbum. Também trabalhamos com profissionais como o Daniel Cardoso e a sua equipa e podemos dizer com muito orgulho que o resultado é excelente! “Oblivion” foi lançado há 6 meses atrás. Como tem corrido a promoção até agora? Eu penso que a promoção é algo que nunca deve parar em momento algum. O álbum foi lançado primeiro na Europa com a Rising Records e depois do Verão nos Estados Unidos pela Metal Blade. Este tempo de separação foi o melhor para nós e para este lançamento. Temos toneladas de trabalho pela frente pois estamos sempre a prestar a maior atenção a todos os aspectos da banda. O álbum “Divinity”, lançado em 2009, teve um bom feedback. Quais são as principais diferenças entre “Divinity” e “Oblivion”? “Oblivion” é mais sombrio, rápido e brutal; o processo de composição foi completamente diferente. Mas o mais importante foi o facto de termos recebido total liberdade da parte da editora para fazermos tudo à nossa maneira, coisa que não aconteceu com “Divinity”. Este álbum foi gravado em Por-

tugal, nos Ultrasound Studios com o Daniel Cardoso. Fala-nos um pouco do processo de gravação e o porquê de não o terem gravado em Espanha. O Daniel Cardoso, o Hugo e o Pardal, são excelentes profissionais e trabalham arduamente todos os dias. Deviam ter orgulho neles pois para além de serem excelentes profissionais também estão a representar Portugal. Em Espanha não temos estúdios como este para trabalhar com este tipo de música e acredito que esta seja a razão pela qual muitas bandas gostam de trabalhar com o Daniel. O mesmo aconteceu com os Angelus Apatrida. Vocês trabalham muito na vossa imagem. Quão importante é a imagem para vocês e como chegaram até ao resultado final da mesma? A estética é muito importante para nós pois é mais uma forma de representar melhor a música que criamos, mas é claro que não é mais importante que a música. A imagem é apenas um complemento da música, pois sem música não há Noctem; somos músicos e a música é o mais importante para nós, mas se também for possível acrescentar uma imagem forte... melhor. Recentemente lançaram um vídeo para “The Arrival Of False Gods”. Fala-me um pouco disso. Com o lançamento deste álbum, pensamos em gravar outro vídeo num estúdio, mas depois lembramo-nos que ainda existem muitos fãs de Metal que não sabem como é um concerto dos Noctem, por isso achamos que gravar algo ao vivo seria algo diferente e necessário a esta altura da nossa carreira.

Sempre ouvi dizer que se uma banda espanhola não canta em espanhol, então vai ser complicado vender em Espanha. Isto é verdade? Se sim, de que forma é que isto vos afecta? Não acho que seja essa a razão. A nossa música não é feita para Espanha mas sim para outros países onde o Metal é mais do que um culto; em Espanha é muito difícil de fazeres nome no Metal e aceitamos fazer as coisas assim desde o início, com naturalidade. Nunca pensamos em usar a nossa língua e sempre quis cantar em inglês, por isso nunca foi um problema para mim. Como surgiu a oportunidade de assinar pela Rising Records? Bem, logo após termos terminado o contrato com a nossa editora anterior, algumas editoras interessaram-se pelo nosso material e basicamente a Rising Records ofereceu boas condições, por isso aceitamos trabalhar com eles. O nosso manager tratou de tudo. Planos para um futuro próximo... Temos planos muito interessantes para o próximo ano. Algumas ofertas para tours... por isso vamos trabalhar nisto brevemente. Para já estamos a anunciar alguns festivais onde vamos marcar presença, mas não posso falar muito sobre isto para já. Entrevista: Joel costa Fotografia: Noctem


Com mais de 10 anos de estrada, os skypho são um projecto nacional bastante inovador que lançam agora o seu primeiro álbum “Same Old Sin”.

F

oi lançado em Outubro o resultado do vosso trabalho de 10 anos como banda... Contudo, já tiveram a oportunidade de gravar uma demo e mais tarde um EP. Nessa altura, a vossa “popularidade” como banda aumentou... Estavam à espera de todo o feedback que tiveram? Pensamos que podemos dizer que sim. Durante estes 10 anos apareceram diversas oportunidades, todas elas com importância para o nosso percurso enquanto banda. A gravação do EP foi mais um passo importante para a banda, que nos deu a oportunidade de apresentar num registo com mais qualidade as ideias que foram amadurecendo durante todo o percurso da banda. Porquê só agora o album?

Para uma banda sem editora ou promotora, um investimento desta ordem tem de ser pensado e ponderado. Achámos que esta seria a altura ideal para lançar este álbum pois entendemos que as ideias estavam maduras o suficiente para arriscar num registo mais trabalhado, mais ponderado. Os elementos da banda sempre foram os mesmos desde o início ou foram alterando? E quem são vocês? Apresentem-se. Durante a história dos Skypho não houve grandes alterações de elementos que possamos dizer que sejam significativas; Tudo começou com Carlos Tavares (vocalista e na altura guitarrista), Ricardo Aguiar (baixista), Victor (guitarrista) e Ricardo Fontoura (baterista). Com a precoce saída de Victor, aos restantes elementos juntou-se,

Hugo Sousa (guitarrista). Depois de vários concertos Zé Manel (guitarrista) entrou para a banda e assumiu a função de Carlos Tavares na guitarra, libertando este para que se focasse apenas na voz. Devido à mistura de influências que caracterizam os Skypho, apareceu a oportunidade de juntar Carlos Vidal ao projecto, nas percussões. Depois de gravar o EP “Nowhere Neverland” e realizar toda a tour de promoção, este foi forçado a abandonar o projecto devido a motivos pessoais e assim, finalizando a formação até ao dia de hoje, entrou Hugo Oliveira para as percussões. Esta foi a formação que gravou o albúm “Same Old Sin”. Porquê Skypho como nome? O nome nasceu numa pesquisa de arte grega feita quando foi necessá-


“Não pensamos que seja possível caracterizar-nos com um estilo, criando uma etiqueta daquilo que somos. Tocamos aquilo que gostamos e o que nos dá prazer.” rio encontrar um nome para a banda. SKYPHO vem do nome “Skyphoi” (plural de skyphos), que eram taças sem pé onde nelas eram pintadas batalhas de deuses contra lobos e algumas retratavam orgias de deuses com humanos. Achámos interessante pela sonoridade do nome, o seu conceito e mesmo pelas cores que estes artefactos apresentavam, o preto e o laranja, que curiosamente eram as usadas pela banda no site e em cartazes publicitários. Já tiveram a oportunidade de partilhar palco com outras bandas nacionais, como Dead Combo, Xutos e Pontapés, Blasted Mechanism, entre outros... Como é que foi essa experiência para vocês? Em todas as experiências se aprende um pouco mais, pois algumas das bandas com que tivemos a oportunidade de partilhar o palco são referências da música nacional. É sempre um prazer partilhar a nossa música com tantas pessoas, que na maior parte das vezes não nos conhecem. Qual foi a melhor experiência até agora enquanto banda? Há diversos momentos que pensamos poder destacar. Mas se tivéssemos de escolher apenas um momento, destacaríamos certamente a digressão na Irlanda. Pensamos que em todas as vertentes esse foi um dos momentos mais marcantes para todos os elementos da banda. Que sonhos é que gostavam de ver concretizar-se? É difícil apontar uma meta para o futuro quando todos nós temos objectivos profissionais diversos fora do mundo da música. Há momentos que superaram as expectativas e outros defraudaram, mas o mundo da música

é mesmo assim e após 10 anos, claro que com mais experiência, vivemos a essência e a genuidade dos nossos concertos da mesma forma que vivíamos no início. Não querendo apontar para nenhum sonho hipotético, esperamos apresentar o nosso trabalho de norte a sul do país e tentar levar a nossa música ao maior número de pessoas possível. O vosso som tem muito de Metal e Rock mas ao mesmo tempo misturam-no com outros estilos. Como é que se caracterizam a nível sonoro? É exactamente isso que caracteriza o nosso som, a mistura de estilos. Não pensamos que seja possível caracterizar-nos com um estilo, criando uma etiqueta daquilo que somos. Tocamos aquilo que gostamos e o que nos dá prazer. É exactamente isso que tentamos transmitir para fora da banda. Criamos aquilo que nos parece soar bem, seja rock, metal, ska, etc. Não nos guiamos por rótulos ou etiquetas e é isso que nos leva a pensar que, apesar dos 10 anos de banda, temos muitos mais pela frente. Cada música é um pedaço de cada membro da banda e todos nós vamos crescendo de dia para dia e isso influencia a nossa música. Em “Same Old Sin” qual é o tema lirical que podemos encontrar? Quem é o responsável por este processo e qual é a fonte de inspiração? Os temas tratados neste álbum são vastos, contudo incidem maioritariamente na sociedade e nos comportamentos das pessoas. As influências têm sempre a ver com as vivências de cada um dos membros da banda, contudo grande parte deste processo recai sobre Carlos Tavares, o vocalista.

Porquê a escolha da “maçã”? A maçã é, simbolicamente, o pecado. Os sete pecados mortais são o tema central da concepção deste álbum. Renovando-os e dando-lhes continuidade, na brochura que acompanha o álbum cada elemento da banda representou um pecado e encarnou-o. Sobrando assim um pecado, que ganha voz no CD que apresentamos. Podemos afirmar que o tema deste álbum acaba por ser uma linha estrutural que serviu de fio condutor para toda a imagem relacionada com os Skypho neste momento. Como é que estão as vossas expectativas em relação a “Same Old Sin”? O álbum “Same Old Sin” teve muito tempo de gestação, ouvimos todas as músicas centenas de vezes e mesmo assim chegamos ao fim do processo com a sensação que temos músicas com grandes riffs, refrões que ficam no ouvido e melodias que são características do estilo de som que os nossos seguidores estão habituados a ouvir. Contudo é-nos difícil apresentar expectativas. Estamos orgulhosos do que fizemos e esperamos poder levar a nossa música ao maior número de pessoas possível. Para quando é que estão agendados os próximos concertos? Depois do lançamento do álbum a 15 de Outubro, na nossa terra natal (Albergaria-a-Velha), estamos neste momento a tentar agendar datas de forma a planear toda a tour de divulgação do álbum que recentemente viu a luz do dia. Entrevista: Anna Correia Fotografia: Skypho


Formados em 1984, os alemães vendetta estão de volta com “Feed The Extermination” após duas situações que os arrastaram para fora dos palcos durante muito tempo. O vocalista Mario Vogel falou connosco:

J

á andam por aqui há algum tempo. Como vêem o som de “Feed The Extermination” comparado com os vossos primeiros lançamentos? Consegues reconhecer-nos (risos). Não mudamos mesmo nada. A única diferença é no som, que está um pouco mais moderno. Este último álbum aproxima-se à sonoridade de “Hate”. Separaram-se por algum tempo. O que vos fez regressar? Depois de “Hate” fizemos algumas tours e Klaus “Heiner” Ulrich adoeceu por um longo período de tempo. Não foi possível trabalhar durante mais de um ano mas agora estamos de volta. Falem-me das músicas presentes neste novo álbum. Cada música tem o seu próprio tema ou ideia, ou elas complementam-se umas às outras? Não... cada música tem o seu próprio tema, sempre baseado na realidade e não em histórias ou fantasia.

Este é o vosso primeiro lançamento pela Massacre Records. Como é que se deu esta parceria e como tem corrido até à data? Eles receberam duas novas músicas, sendo que ambas estão presentes neste novo álbum. Gravamos as músicas há um ano e meio e o nosso manager da Allegro Talent Music Management (Suiça), o Michael, conseguiu este acordo. Estamos muito contentes até agora. Li que estão a planear uma tour para 2012. Já têm algumas datas alinhadas? Acho que vamos a Espanha no Verão de 2012. Quanto ao resto vamos ver... ainda estamos a planear mas deve começar entre Abril e Maio do próximo ano. O que vos fez tocar este estilo de música? O Thrash Metal fez sempre parte das vossas vidas? Sim... Não posso dizer que tenha sido o Thrash sozinho mas todos gostamos muito de Metal e ouvimos de tudo.

Qual a vossa opinião em relação a estas novas bandas de Thrash? Gostam do que muitos chamam de “Modern Thrash Metal”? O Metal está a crescer tal como aconteceu nos anos 80. Algumas bandas têm um som muito bom e todos os novos estilos são interessantes. Basta pensar nos “Disturbed” há alguns anos atrás... incrivelmente bom! O que podemos esperar dos Vendetta para o futuro? Muitas músicas novas, espero. Exterminação! “Keep Thrashing”.

Entrevista: Joel Costa Fotografia: Massacre Records

“O Metal está a crescer tal como aconteceu nos anos 80. Algumas bandas têm um som muito bom e todos os novos estilos são interessantes.”


Depois do EP “Sweet Talker” lançado em 2010, chega a hora de lançar o primeiro full-lenght. “When We Don’t Exist” é o nome do primeiro longa-duração dos like moths to flames, que falaram connosco na voz de Chris Roetter.

É

de conhecimento geral que as Mariposas são atraídas pelas chamas, em noites quentes. E vocês, pelo que se atraem? Ou pelo que é que pensam que as pessoas cegamente se atraem? Penso que as pessoas conseguem ser realmente cegas para a vida que as rodeia. Estamos sempre em constante movimento a toda a hora. Parabéns pelo álbum “When We Don’t Exist”. É poderoso, brutal e muito melódico! Podem falar-nos um pouco sobre a sua concretização? Nós entrámos com o pensamento e o ideal de crescer e ganhar maturidade para este álbum. Passámos um bom bocado de tempo a aperfeiçoar as músicas no estúdio e o restante tempo a gravá-las. Toda a experiência foi óptima. Tivémos o prazer de trabalhar com o produtor Will Putney, que foi uma enorme ajuda. Penso que crescemos bastante e todos nós estamos bastante satisfeitos com o produto final. Qual o estúdio e staff por detrás da produção do álbum? Tiveram a oportunidade de trabalhar com alguns dos “grandes”?

Tivémos a oportunidade de trabalhar com um dos melhores nomes com que poderíamos trabalhar. Tivémos o prazer de gravar com o Will Putney. Putney faz parte de “The Machine Shop”, que gravou com algumas bandas lendárias. Como se sentem, agora, por conceber tal trabalho? Objectivo alcançado? Estamos todos entusiasmados. O álbum está a sair-se melhor do que pudémos imaginar. Nós queriamos crescer e penso que foi o que fizémos. Qual de vós é o mentor por detrás deste projecto? Musicalmente, teria de dizer que é o Zach, o nosso guitarrista. Liricamente, diria que sou eu próprio (Chris Roetter). Acredito que sejam uma banda relativamente recente. Há quanto tempo estão em actividade? Estamos juntos há cerca de um ano e meio, quase dois. Têm sido uns anos intensos e esperamos continuar em cena por mais alguns. Têm planos para fazer digressões pela Europa? Quando teremos oportunidade de ver Like Moths To Flames num local pró-

ximo? Temos alguns planos para lá ir. Nada ao certo por agora, mas estamos a tratar disso. Podem fazer uma breve apresentação à comunidade global de expressão portuguesa? Todos nós crescemos na mesma cena musical. Dito isto, todos nós estavamos familiarizados com as bandas e projectos uns dos outros. Aconteceu porque as nossas bandas separaram-se na mesma altura, portanto nós juntámo-nos e começámos esta banda. Somos todos de Columbus, Ohio (Estados Unidos da América). Deste álbum, quais acham que são as faixas que realmente vos definem? A essência dos Like Moths To Flames... Penso que a música “You Won’t Be Missed”. É o single do álbum que lançámos. Sinto que tem um pequeno sabor de tudo o que a nossa banda é capaz de fazer. Entrevista: Narciso Antunes Tradução: José Machado Fotografia: Nuclear Blast


ERRATA Esta BD foi publicada na edição anterior devido a um erro de edição. Pedimos desculpa ao autor, Marcos Farrajota, pelo sucedido.

E

com este texto fecho os relatos sobre as minhas aventuras sonoras nórdicas que puderam ler nos últimos dois números da Infektion. Na última semana na Finlândia ainda consegui ir à cidade de Turku e comprei um CD-R enganoso… Intitulado Avarrus Suomesa (trad.: Finlândia espacial?) de 2006 (?) é um “set” de dois DJs, Prof. Roland Fender e Prof. Megatron Holaris (ligados à bd? Adquiri numa loja de bd) que misturam músicas Pop sobre o espaço cósmico numa pespectica descendente de 2020 a 1959, seja lá como isso é possível. Pensava que era um disco do colectivo experimen-

tal Avarus, que fez a banda sonora da exposição Glömp X patente na Bedeteca de Lisboa em 2009 mas não, é uma “mix-tape” de kitsch em que o único nome conhecido é Jimi Tenor com um “tango espacial”. No fundo, isto só tem piada pelas letras que nos transportam para uma era perdida e inocente (o passado é sempre considerado inocente mesmo que tenha sido bárbaro!) em que ainda se sonhava com a conquista do Espaço. Não percebendo patavina da língua “suomi” é mais fácil imaginar este objecto deslocando-o para uma versão portuguesa em que teriamos misturas fatais de um tema

de 10.000 anos depois entre Vénus e Marte de José Cid com a Amália a cantar o Sr. Extraterrestre seguido de Planet Lakroon dos Pop Dell’Arte, as Doce com Starlight, os Space Boys, Stealing Orchestra, etc…Talvez esta tenha sido a minha pior despedida cultural de sempre! “Pop Will Eat Itself” é capaz de ser o melhor nome e manifesto para música urbana pela forma canibalesca e autofágica como vemos as fórmulas repetirem-se até à exaustão com uma indústria fonográfica a gastar mais dinheiro em promover lixo do que a incentivar


melanie ar demented

à criação – aliás, como seria possível de outra forma? A música é um negócio capitalista, e o Capitalismo é o Rei do Trash! Talvez pelo avanço na minha idade vou tendo menos paciência para a Pop e o Rock e infelizmente também para os outros géneros que se foram cristalizando como o Punk, Hardcore, Metal, Hip-Hop, etc… Ouvir estas formas de criação que insistem em serem eternamente jovens quando a maior parte delas já têm pelo menos 30 anos de História provocam-me vómitos e enjóos fáceis. Talvez por isso prefiro ouvir Noise, música árabe ou Africana do que a última sensação Pop sueca anunciada pelo Imbecílon… Ops! Caí na esparrela agora! Porque ando louco a ouvir Melanie Is Demented e os seus últimos dois álbuns online Melanie är Demented e MXLXNXXXSDXMXNTXD, ambos editados este ano pela sua label Wormfood. Mas como é uma coisa DIY, a imprensa oficial não vai ligar patavina… MID é uma “one-band man” que tem vivido em instituições psiquiátricas a gravar estes maravilhosos discos, é sueco mas serve para fechar este ciclo de artigos. Conheci-o em Estocolmo em 2008 durante o SPX (festival de bd alternativa) nas condições descritas na bd publicada aqui ao lado mantendo um contacto permanente com este jovem perturbado mas com uma sensibilidade Pop/Rock apurada. É aquele tipo de gajo que consegue sacar o famoso e obrigatório “orelhudo” em todos os seus temas mesmo quando

MXLXNXXXSDXMXNTXD

canta em sueco, completando a famosa equação do “indie” Pop/ Rock que consegue ser viciante e inteligente.

produto pueril mas para lembrar que ele é feito de dinheiro sujo de países explorados do terceiro mundo.

Para mim é uma espécie de Frank Zappa pelas ideias de fusão e ruptura (não a forma superficial) em versão “bedroom punk”. Há partes da voz que lembra David Bowie, outras Butthole Surfers, onde aliás, instrumentalmente acaba por haver alguma ligação com a banda texana na sua última fase em que investiram num Rock Electrónico não muito longe do que MID faz: loops, samples, ritmos Hip-Hop ou Drum’n’Bass, com e guitarradas balizadas entre o Blues e Rock. Enquanto os Butthole desapareceram sem glória, MID tem todo o sangue na guelra e sente-se a poderosa evolução de registo em registo. As letras tratam de assuntos endérmicos de quem escolheu o Rock como expressão criativa, passando por uma forte crítica ao negócio fonográfico e as suas bandas atrasadas-mentais, ao fascismo dos Sociais Democratas, à Globalização, aos abusos da polícia e à apatia social. MID escreve numa componente autobiográfica e irónica que é contudente e longe da futilidade do “teenage love” ou “teenage angst” como 99% da música que se ouve. Quando ele dedica um tema ao Batman não é para se armar em Gótico da pacotilha mas para criticar o alter-ego da personagem, Bruce Wayne, que é um filho-da-puta de um beto rico. Quando canta um tema sobre pastilhas elásticas não é para celebrar o gozo de mastigar este

O estranho é como ele o faz de forma armadilhada onde podemos encontrar em doses idênticas de militância, energia, crítica, astúcia, empatia, desordem, desobidiência e humanismo. Características de um verdadeiro artista. MID é um “filho de uma colisão cultural” (roubo descaradamente a expressão ao meu tema favorito dos Urban Dance Squad!), que obviamente tanto se passa a ouvir Stoner Rock como Gangsta Rap. Um híbrido da civilização Ocidental que não se alinha no conforto zombie da boa integração social, especialmente o da sueca que pretende que os seus cidadãos sejam humildes e que escondam o exibicionismo. Missão impossível para este tipo, ainda o ano passado enviou-me uma foto dele a mostrar a pila em frente ao monumento (não menos fálico) do centro de Estocolmo. Havia um contexto que era a comemoração dos 10 anos da MMMNNNRRRG qye lançava o livro “Pénis Assassino” do Janus mas ainda assim eu não precisava de ver os seus genitais… Freud explica! Link: www.melanieisdemented.com


nota:

Sintoma é um novo espaço onde falamos de industrial, darkwave, gothic, ebm, etc. Infelizmente não conseguimos recrutar colaboradores suficientes para levar a cabo uma secção mais completa, como se fosse outra revista. Juntem-se a nós nesta nova aventura: infektionmagazine@gmail.com


Tomei conhecimento do teu projecto através de uma plataforma digital onde estavas a promover a tua música sozinho. Um projecto destes consegue sobreviver sem uma editora? Richard G. - Decapitar o projecto, seja porque razão for, não é uma opção. Apesar das editoras aumentarem consideravelmente a distribuição e de sustentarem um artista, não é um objectivo deste projecto. O sustento do mesmo está na produção musical que faço sozinho.

Como descreves a cena industrial do México? As pessoas apoiam este tipo de música? A cena industrial ainda é pequena, no entanto vibra e tem algum potencial. Infelizmente não há muito espaço para crescer no mercado doméstico, já que a maioria dos meios de comunicação permanecem centralizados e relutantes em promover actos fora da sua zona de conforto. Por exemplo, a excelente e mundialmente conhecida banda mexicana “Hocico”, estão praticamente no anonimato no seu próprio país. É preciso mudar isto.

Ouvi algumas músicas com títulos em espanhol mas sem voz. É suposto serem peças instrumentais ou tens a intenção de gravar vocais? Se sim, o Espa-

nhol é uma opção para as letras? Definitivamente. Será gravada a voz nessas músicas que já se encontram online. Tanto o Espanhol como outras línguas poderão ser ouvidas. A voz vai ganhando forma aos poucos e podes ouvir algumas samples em “Corrupt In Attraction”.

“Mar de Obsidiana” possui uma excelente atmosfera! Como é que chegaste a esta sonoridade? E musicalmente, esta música é sobre quê? Obrigado. Tal como a maioria das músicas deste projecto, existem diversos comportamentos percurssivos. Esta música em particular combina timbales, com osciladores stopping e pads profundos que contam uma história abstracta. A maioria das minhas músicas apresenta um elemento da Natureza... “Mar de Obsidiana” baseia-se no vidro vulcânico deixado por uma erupção. O seu uso é fundamental para a evolução humana.

Nesta música podemos ouvir uma voz no fim... O que é que ela diz? Sim, no fim podes ouvir em Espanhol: “Un mar de obsidiana para la escoria humana.” Existem seres humanos por aí que não valem nada e é apenas uma questão de tempo até que sufoquem com o seu próprio peso e se afoguem num mar repleto “obsidiana”.

Fala-me do teu método de trabalho. À excepção do tema “Supremacist Scum”, uma música dedicada à destruição do racismo e da supremacia, encontro a minha inspiração à medida que descubro e crio novos sons. Na minha produção electrónica, o ‘baixo’ é rei. Estando esta base criada, é questão de criar sons adequados aos que eu ouço na minha cabeça. Este processo esquizofrénico não tem mesmo fim!

FU5K4 é um projecto para tocar ao vivo? Sim, custe o que custar!

Fala-me dos teus planos para o futuro... Vou lançar um mini-álbum que estará disponível para download gratuito. A percepção deste álbum é que não tem início nem fim. “Mar de Obsidiana” fará parte dele. Recentemente, algumas músicas de FU5K4 foram compradas por uma editora que as vai distribuir por diversas empresas de jogos, pelo que poderás ouvir uma das minhas músicas por aí. Isso será bem interessante.

Entrevista: Joel Costa

Fotografia: FU5K4


A FARSOT INSECTS

(LUPUS LOUNGE)

8/10

pesar de serem uma banda com mais de 10 anos de existência, este é apenas o seu segundo álbum propriamente dito, sucessor de “III”, lançado em 2007, antes disso tendo apenas lançado duas demos. Contudo, o que nos é apresentado aqui não é nada onde a inexperiência se faça transparecer, longe disso. O que nos é apresentado aqui é um Black Metal muitíssimo seguro de si mesmo, com um nível de sobriedade algo difícil de explicar. Extendendo-se por 8 faixas, “Insects” é um álbum bastante orgânico,

com imensos momentos para respirar, tendo várias passagens mais lentas, com o que se até poderia chamar um groove melódico, e por vezes até psicadélico, como que reminiscente a bandas na veia de Nachtmystium - um exemplo não perfeito, mas exemplificativo o suficiente. Longe de ser “mais” um álbum de black metal galopante com incessantes venerações ao demo, “Insects” é algo mais subtil, escolhendo por variar entre momentos de caos assim como de melancolia. David Horta


(ECHO) DEVOID OF ILLUSIONS

ABIGAIL WILLIAMS BECOMING

ASPEN WINDS OF REVENGE

BADMOONMAN

CANDLELIGHT RECORDS

LOVERS & LOLLYPOPS

Os italianos (EchO) estreiam-se nas lides musicais com “Devoid of Illusions”, um registo marcável, para uma banda que se iniciou em 2007 e que demonstra uma maturidade e fluidez pouco reconhecíveis em primeiros álbuns. Gravado em Londres, já em Dezembro de 2010 (!), “Devoid of Illusions” é um álbum cheio, pesado, potente e negro. As faixas que se passeiam acima da linha dos 6 minutos são ricas em ambientes escuros, próprios de um doom no seu mais alto nível. Mas, faixas de mais de 9 minutos, como é o caso de “Unforgiven March” ou “Internal Morphosis”, não cansam. Libertam! E têm uma profundidade digna de relevo. Será “Omnivoid” a faixa que mais marca estes 66 minutos de muito bom doom metal. Durante estes mais de oito minutos, conseguimos aperceber-nos do excelente potencial da dualidade melódica/grito da voz, de uma bateria muito bem enquadrada, uma guitarra bastante rica e uns efeitos de sintetizador que só trazem uma riqueza progressiva à faixa. “Devoid of Ellusions”, para ouvir, sentir e desfrutar. Uma jovem promessa do doom metal italiano, ao seu mais alto nível. [8/10] Narciso Antunes

Os norte-americanos Abigail Wiliams são uma banda de Black/Death Metal nascida em 2004 e que tem passado desde então por várias mudanças no seu line-up. “Becoming” é o terceiro álbum da carreira da banda e é marcadamente um disco mais influenciado pelas sonoridades do Black Metal, tendo como grande preocupação a aposta na criação da atmosfera e de ambientes mais pesados. “Becoming” é um conjunto de 6 faixas bastante fortes, emocionais e poderosas. “Ascension Sickness” é o tema que abre o álbum, onze minutos de puro prazer, oscilando entre os riffs pesados e o ambiente melódico. Seguem-se “Radiance”, “Elestial”, e as surpreendentes “Infinite Fields Od Mind” e “Three Days Of Darkness”. O disco fecha com chave-de-ouro com “Beyond The Veil”, um tema muito interessante de 17 minutos de duração, que mistura de forma muito inteligente o ambiente pesado e o ambiente sinfónico. De uma forma geral, “Becoming” supera as expectativas e vai muito além de um mero disco de Black ou Death Metal. A fusão de estilos e de atmosferas resulta de forma surpreendente e torna este registo único. Para além disso, revela uma banda muito forte e com uma grande convicção de conquistar cada vez mais público. E certamente irão conseguir. [7/10] Rute Gonçalves

Desde há uns bons anos que a música feita em território português pode ser colocada em pé de igualdade com o que se faz além-fronteiras. Em vez do tradicional paternalismo que durante décadas enquadrou o produto nacional numa categorização à parte, hoje em dia, as nossas bandas competem descaradamente com as estrangeiras, num contexto em que a nacionalidade deixou de ser critério de discriminação, positiva ou negativa. Um desses exemplos é Aspen, banda de Barcelos fundada sobre as cinzas dos Cosmic Vishnu que aqui se estreia com o EP “Winds of Revenge”. Estamos perante um trabalho instrumental, onde a falta da voz – que outras bandas usam para camuflar insuficiências – não se faz sentir. Pelo contrário, agradecemos a sua ausência, pois assim podemos apreciá-lo condignamente, sem distracções. Desde o tom fúnebre arrastado de “Arashi”, à influência notória dos mestres Black Sabbath e às piscadelas de olho a Mastodon, passando pelos riffs a la Zakk Wylde e ambiências apelando a paisagens inóspitas, os temas sucedem-se num crescendo, para culminar no tom arrastado, dramático e catártico de “Owing to Lilith”. É por estes motivos que ouvir “Winds of Revenge” é uma experiência intensa, cada vez que carregamos no play. Razões de sobra para figurar entre os melhores de 2011. E nada de “entre os melhores nacionais” senão zango-me!

[9/10] Ana Miranda

BLINDSLAVES AGAINST ALL EDIÇÃO DE AUTOR

Lembro-me da primeira vez que ouvi Blindslaves e fiquei absolutamente maravilhado não só com a composição como também pelo sentimento inserido em cada um dos temas. A paixão que os Blindslaves têm pela música é evidente e este EP prova que o que quer que a banda venha a fazer será por amor à camisola. O som dos Blindslaves é uma fusão entre Groove e Thrash Metal na sua vertente mais moderna. Se ainda há dúvidas sobre a qualidade do Metal nacional em relação aos trabalhos de fora, então devo dizer que muitas bandas estrangeiras tentaram fazer o que os Blindslaves fizeram e ficaram muito aquém, pois uma aventura destas tem dois cenários possíveis: ou coloca-vos numa situação confortável ou caem no esquecimento com a maior das facilidades... e o mais espantoso é a banda ter conseguido este resultado logo no primeiro EP! Em “Against All” podemos ouvir grandes riffs apadrinhados por bandas como Lamb Of God ou até mesmo Pantera e a voz alterna entre os growls e um registo mais clean, fazendo deste EP um registo bem forte e que foge à monotonia do estilo. Os solos de guitarra marcam também presença no EP, dando-lhe um toque bem especial e único. Acredito que a banda continue a trabalhar arduamente para se estrearem com um full-lenght ainda melhor! [8.5/10] Joel Costa


CHARRED WALLS OF THE DAMNED COLD WINDS ON TIMELESS DAYS METAL BLADE

Se é difícil fazer omeletes sem ovos, imaginem redigir uma crítica a um álbum pelo qual nutrimos pouco mais do que indiferença. Estamos perante o segundo trabalho da banda que agrupa ex-membros de Iced Earth, Death, Testament, só para destacar alguns. Tão ilustre line-up deixa adivinhar um álbum acima da média. Porém, à semelhança do disco de estreia, também este cinge-se ao previsível. Durante quase uma hora, é como folhear um manual de heavy/power metal de contornos épicos, competente, limpo, quase mecânico, com a dose certa de peso e melodia e refrões (mal) decalcados de Judas Priest. De facto, estamos perante profissionais à altura do currículo e podemos, até, distinguir bons momentos: as entradas de baixo em “Forever Marching On” e “On Unclean Ground” apontam para territórios mais progressivos, o blast beat no início de “Zerospan” e de “Avoid the Light” ou a excelente “Bloodworm”, tema de cadência melancólica com Tim “Ripper” Owens a enveredar por um registo relativamente mais grave que confere à interpretação maior dramatismo, resultando num refrão eficiente, sem que pareça redundante. No entanto, a ideia que fica é que estamos perante um trabalho mediano, apesar de coerente; e de uma banda sem identidade própria, apesar do leque de músicos que a integram. Mas nem sempre o todo é a soma das partes.

[6/10] Ana Miranda

CHASMA DECLARATIONS OF THE GRAND ARTIFICER MORIBUND

Declarations of The Grand Artificer é o album de estreia da banda Chasma. Tem poucas músicas. Tão poucas que me preparava para pedir o resto… quando me apercebi que não havia mesmo mais. E agora importa saber se podemos aplicar o ditado: “poucas mas boas”. E a resposta não é óbvia. As canções têm em comum alguma angústia e um certo tom de banda sonora de filme de terror dada pelos sons ambiente e pela vocalização que por vezes é gritada. Mas estes momentos dão lugar a instrumentais belos. São músicas algo depressivas ou pelo menos com uma tónica sombria. Um domínio do negro e alguma claustrofobia, especialmente no início de cada tema são constantes ao longo do álbum. A meio, as músicas abrem e respiram um pouco. Em alguns pontos parecem existir referências ténues à banda de Ian Curtis. O álbum explora bem os crescentes de energia e as mudanças melódicas. No entanto fica a sensação de que falta algo. Embora não seja fácil dizer o quê. [8/10] Mónia Camacho

CRUCIFIXION BR WAR AGAINST CHRISTIAN SOULS SATANICA PRODUCTIONS

“War Against Christian Souls” é o primeiro EP do trio brasileiro Crucifixion BR, que não é nada mais nada menos do que um pequeno preview da destruição que ainda está por vir com o primeiro álbum. Com uma sonoridade que combina os elementos mais sombrios do Black Metal com a brutalidade do Death, os Crucifixion BR apresentam-se assim em grande forma, precisando apenas dos primeiros acordes de “Eternal Judgement” para assumirem-se como uma banda com potencial capaz de cruzar o Atlântico e a nado se for preciso. “Crucifixion” é o tema mais curto do EP, não chegando a atingir os três minutos de duração, mas nem assim a banda consegue perder o ritmo e aproveita cada segundo da música, fazendo-a parecer um típico prato de gourmet: pequeno, saboroso e caro! A fechar temos “Destroying The Fucking Disciples Of Christ”, uma música que se fosse possível ser tocada no tempo da Inquisição, não haviam fogueiras suficientes para queimar e punir por completo tal heresia. Os temas são bem rápidos e apelam ao lado infernal de cada um dos membros da banda. Aqui não há melhor nem pior... todos contribuem para um álbum bem estruturado. No entanto, não posso deixar de destacar o facto dos Crucifixion BR terem como baterista uma mulher, mostrando assim que o Metal, extremo ou não, está longe de ser um género liderado por homens. [8.5/10] Joel Costa

DARK WINGS SYNDROME IT’S NO GOOD ETHEREAL SOUND WORKS

“It’s no Good” é segundo single promocional do álbum de estreia dos vimaranenses Dark Wings Syndrome intitulado “Arcane”. O tema supracitado é uma versão do conhecido êxito dos Depeche Mode, aqui apimentado por uma roupagem mais “rockeira”, mas sem grandes alterações na estrutura do tema. Incluído neste single foi também “This State of Mind”, um out-take do álbum que conta com a participação da vocalista dos Ram-Zet Miriam Renvåg AKA Sfinx. O CD contem ainda o press release, fotografias, o videoclip do tema-título (onde sobressaem os corpos dos músicos pintados com tinta luminosa) e o videoclip de “Spiritual Emotions” (primeiro avanço do álbum) transmitido no Curto Circuito. A verdade é que o single abre o apetite para um álbum recheado de colaborações nacionais e internacionais, além de ter sido misturado e masterizado na Suécia por David Castillo (responsável por trabalhos de Katatonia, Bloodbath, Klimt 1918 ou Draconian). Barros Onyx (ex-vocalista dos “The SymphOnyx”), Carlos Barros na bateria, Tiago Machado na guitarra e Rui Ferreira (Caps) no baixo e teclas, assinam temas ambiciosos que exploram os territórios do Rock mais pesado e ao mesmo tempo melódico – do qual temos aqui, apesar de tudo, uma boa amostra. Uma nota final para o excelente artwork deste trabalho realizado pela grega Virginia.

[6/10] José Branco


DECEMBER FLOWER WHEN ALL LIFE ENDS...

DOOMDOGS UNLEASH THE TRUTH

HERRATIK COMPROMISE GONE

CYCLONE EMPIRE

DOOMENTIA RECORDS

BATTLEGOD

A morte representada na capa de When all life ends faria prever um som bem mais escuro do que aquele que encontramos. O álbum da banda December Flower abre com um instrumental melódico que se repete de forma agradável. Acaba abruptamente deixando uma sensação de corte que marca a entrada num outro ritmo mais alucinante. A partir daí pode preparar-se para a abanar a cabeça. A bateria surge vigorosa e toda a música ganha velocidade e corpo ao estilo “old school” do “death metal”. A voz é gutural e aparece como contraponto de uma certa euforia do instrumental. O álbum começa a tornar-se mais interessante a partir da sexta música. Até aí temos a sensação de que com pequenas variações estamos sempre a ouvir o mesmo… “Dying Sun” marca a viragem. Começa suave com sintetizadores e uma guitarra acústica. A melodia repete-se e embala-nos em divagações. Ainda digna de nota é “Lost in twilight” que com um ritmo muito interessante conjuga momentos de suavidade com a distorção em fundo, conseguindo manter bem essa dualidade. A voz, por vezes sussurrante, ajuda a criar nessa música o clima certo. A melodia tem qualquer coisa de familiar. Finalmente em “The fountain” temos quase uma espécie de “mantra” instrumental electrificado (à falta de melhor imagem…). Esta última faixa possui um ritmo sincopado que lhe fornece grande parte da emoção. Embora a primeira parte do álbum não seja porventura terrivelmente criativa, agradará aos amantes do death metal, sendo certo que a segunda parte possui bons momentos.

Os Doomdogs são uma banda sueca de Doom e Stoner Metal, nascida em Gotemburgo em 2007. Nesse mesmo ano lançam a sua primeira demo, “Completely bloody mental”, sendo apenas em 2010 que lançam o seu primeiro longa-duração chamado “Doomdogs”. “Unleash the truth” é o segundo álbum da banda e, pode afirmar-se com alguma segurança e sem grandes dúvidas, o mais poderoso até agora. “Unleash the truth”, lançado sob a chancela da Doomentia Records é um disco surpreendente. Trata-se de um registo marcadamente influenciado pelo Metal clássico e pelo Doom Metal mas também com sonoridades do Rock dos anos 70 e que consegue manter-nos presos ás músicas do princípio ao fim. Exemplos de grandes momento musicais são: “Save me”, “Legacy”, “Welcome to the future”, “Slight case of madness”, “Questions to my answers” e “Metal Mayhem”. O disco tem ainda uma versão de “A national acrobat” dos Black Sabbath. Em suma, “Unleash the truth” é um grande disco, revelando uma banda muito segura de si própria e bastante comprometida com a qualidade e solidez, mas também com a introdução de algumas novidades ao seu som, nomeadamente, elementos ligados ao Rock e também ao Funk. Para além da excelente prestação dos elementos da banda, o disco conta ainda com a participação do virtuoso Victor Griffin, ex-guitarrista de bandas como “Pentagram” e “Place of skulls”. Sem dúvida, um grande disco. A não perder.

Dizem que se uma borboleta bater as asas em Nova Iorque, gera-se uma tempestade na Austrália. Ao que parece, estalou a guerra na América e dos destroços australianos saíram os Herratik! Death Thrash às pazadas é o que Compromise Gone nos traz aos escaparates. O segundo álbum desta banda de Sidney oferece-nos descargas atrás de descargas de pujança, crua, pura e dura do melhor que o género pode oferecer. A mensagem é bastante explícita: violência no dia-a-dia, de um mundo e uma sociedade que nos oprime. Basta só ler os títulos de faixas como Talk so Much… Say Nothing ou Closed Book… Open Wrist. Um álbum bem gravado, pela Battlegod Productions, mostrando-nos uma produção que vai ao encontro do talento e das capacidades dos Herratik. Uma voz grave q.b., guitarras no limite e uma bateria pesada e destruidora. É o álbum de mais uma banda australiana que promete. De um país tão longínquo, que pariu colectivos tão díspares como uns AC/ DC ou uns The Berzerker, não é surpreendente que nascessem uns Herratik, que se enquadram, exactamente no centro destes dois antípodas. Uma banda com a qual vale a pena perder tempo, escutar, desfrutar e escutar outra vez! [8,5/10] Narciso Antunes

[8/10] Mónia Camacho

[8,5/10] Rute Gonçalves

ISOLE BORN FROM SHADOWS NAPALM RECORDS

No que toca a aspirações ao trono do Doom Metal Épico, os suecos Isole estão bem colocados para suceder aos conterrâneos e lendários Candlemass. Em “Born from Shadows”, argumentos não lhe faltam. O sucessor do brilhante “Silent Ruins” pode não ser um portento de inovação mas exibe uma solidez inatacável a nível de execução e produção. Apesar de seguida a mesma cartilha de Solitude Aeternus ou While Heaven Wept, consegue ser progressivo na medida possível, ao introduzir na sua música um feeling ainda mais obscuro e directo. Esses ingredientes são emprestados do Death/Doom depressivo típico dos My Dying Bride, que transparecem, sobretudo, na dualidade entre vozes limpas e guturais. Em termos gerais, a sonoridade característica dos Isole continua com os seus principais atributos intactos: melódica, melancólica e com muito peso (com riffs lentos equilibrados com mid-tempo). Assim, o ambiente geral oscila entre um Metal com atmosferas opressivas em tons góticos e Doom Metal épico à moda antiga. As partes progressivas – onde se destaca o assombroso trabalho de bateria de Jonas Lindström servem para dar profundidade ao som da banda, que tão bem soube evoluir desde os tempos de Forlorn (como eram conhecidos na década de 90). A edição em vinil surge com dois discos com quatro temas extra. [7.5/10] José Branco


MYSTIC PROPHECY RAVENLORD

LAST ONE STANDING SURROUNDED BY FEARS

LIKE MOTHS TO FLAMES WHEN WE DON’T EXIST

EDIÇÃO DE AUTOR

NUCLEAR BLAST

MASSACRE RECORDS

É uma frase que ainda não foi totalmente percebida por muitos: a música evolui; e se querem parar no tempo e ouvir mais do mesmo é com vocês. Nos dias de hoje, o Metal passa por uma transformação igual à que se presenciou na década de 80. A sociedade mudou e vivemos numa era moderna e digital, logo é normal que surjam novas tendências que vêm para ficar. Os Last One Standing são um projecto que representa esta evolução: não são uma moda, não são uma cópia, mas sim uma banda que procura crescer e marcar a sua presença num panorama musical pequeno mas que ainda assim destacam-se aqueles que têm algo de novo para mostrar. “Surrounded By Fear” pode ser considerado como o bilhete de identidade dos Last One Standing que certamente irão procurar manter a qualidade de composição e presentearem o público português com verdadeiras doses de peso. [7.5/10] Joel Costa

Directamente de Ohio, os “Like Moths to Flames” surgem no panorama Metal-Core norteamericano no início de 2010, criando algum impacto localmente e chamando a atenção da Rise Records. Para esta editora gravaram, ainda nesse ano, o EP digital “Sweet Talker. A banda conta com Chris Roetter, músico que já colaborou com bandas como os “Emarosa” e “Agraceful”. “When We Don’t Exist” é, assim, o disco de estreia do colectivo, um conjunto de 11 faixas bastante fiéis ao estilo Core e ricas em refrões orelhudos. Temas a ter em atenção são: “The worst in me”, “You won´t be missed”, “Trophy child” e “Something to live for”. O disco está longe de se revelar uma estreia brilhante dos “Like moths to flames” e ao ouvir o disco, ficamos com a sensação de que este esforço ficou aquém das expectativas e que a banda pode, no futuro, fazer muito melhor, na medida em que tem uma margem de progressão considerável. Ficamos então á espera da próxima tentativa. [6/10] Rute Gonçalves

Os germânicos “Mystic Prophecy”, são uma banda de Power Metal, nascida em 2000 e já com alguma experiência no que a registos discográficos diz respeito. “Ravenlord” é o sétimo disco da banda, seguindo a linha dos anteriores e em especial dos dois últimos: “ Savage Souls” de 2006 e “Satanic Curses” de 2007. “Ravenlord” é um disco bastante interessante, que apesar de bastante fiel ao género que caracteriza os Mystic Prophecy – o Power Metal – consegue trazer alguma diferença na sonoridade de algumas faixas, fazendo uma aposta muito forte na componente melódica e na performance vocal. De facto, o vocalista, Liapakis aparece aqui como figura central do colectivo. Temas a destacar são: “Ravenlord”, ���Eyes of the devil”, “Cross of lies”, “Wings of destiny” e “Reckoning day”. O álbum tem ainda uma versão de “Miracle Man” de Ozzy Osbourne. Não conseguindo alcançar o brilhantismo do disco anterior, “Ravenlord” é, apesar de tudo, um bom disco, revelando uma banda bastante coesa e cheia de energia e que consegue despertar o interesse pelo seu trabalho e mantê-lo vivo desde a primeira á última faixa. Poderá não ser o melhor registo dos Mystic Prophecy, ou mesmo o melhor disco do ano, mas é, seguramente, um trabalho a ter em atenção. [7/10] Rute Gonçalves

NEMESEA THE QUIET RESISTANCE NAPALM RECORDS

A banda holandesa de Rock/ Metal “Nemesea” lança agora o novo álbum “The Quiet Resistance”, via Napalm Records. Fundada em 2002, a banda liderada pela vocalista Manda Ophui, conta já com 3 álbuns na sua discografia (sendo o mais recente, de 2009, um registo ao vivo) e uma considerável base de fãs. “The Quiet Resistance” oferece uma abordagem musical mais moderna e madura do que os anteriores discos da banda e apesar de se manterem bastante fiéis ao estilo que os caracteriza, o colectivo não tem medo de arriscar em sonoridades diferentes e de introduzir elementos novos no seu trabalho, nomeadamente influências de Rock Alternativo e Gótico. O disco está repleto de canções interessantes como é o caso de “Afterlife”, “Caught in the middle”, “If you could”, “Whenever” e “Allein”. As guitarras poderosas, as letras emocionais e a voz sempre intensa e profunda de Manda Ophui continuam a ser os pontos mais fortes dos “Nemesea”, que conseguem com este disco manter elevados os níveis de qualidade do seu trabalho e continuar a seduzir e a surpreender quem ouve. Vale mesmo a pena ouvir. [7,5/10] Rute Gonçalves


PREY FOR NOTHING AGAINST ALL GOOD AND EVIL

NOCTE OBDUCTA VERDERBNIS

PERSONA NON GRATA QUANTUM LEAP

MDD

MASSACRE RECORDS

MASSACRE RECORDS

Os Nocte Obducta podem bem ser vítimas do preconceito reinante contra as bandas que cantam em alemão. Trata-se de um idioma que obriga a um exercício adicional para compreendermos melhor o que estamos a ouvir. Comecemos pelo título - que numa tradução livre será algo como: “Depravação (o mensageiro da morte bate a todas as portas)” – que deixa implícita uma obscuridade reinante Dark Metal ao longo dos oito temas que o compõem. Na sua já longa carreira a banda tem enveredado por territórios experimentais, contudo nunca renega às raízes Black Metal (no seu formato mais primordial, quando neste género era mais notória a sua descendência do Punk). Desta feita, o quarteto opta por temas mais curtos, o que não fez deste um álbum menos desafiante ou variado: melodias melancólicas, combinadas com uma abordagem rica tecnicamente e letras poéticas. Não é estranho encontrarmos pelo caminho elementos jazz, pop, pós-rock, ambient ou shoegaze. O vocalista/ guitarrista e fundador da banda Marcel V.A. Traumschänder é outro factor de amor/ódio, pois além de cantar em alemão opta muitas vezes por vocalizações faladas. Por fim, destaque para o som quente do baixo, que dá ao álbum uma toada vibrante e progressiva. “Verderbnis…” está também disponível numa caixa de edição limitada a 250 cópias, com outra capa e acompanhada de 9 postais. [7/10] José Branco

Vou desde já sublinhar que o material apresentado aqui não é nada que acrescente algo ao panorama do Metal Progressivo, mas tem os seus momentos gloriosos em malhas como “Lend Me a Hand” ou “Evil Feelings” e demonstra que a banda grega tem bastante qualidade técnica e alguns dotes de composição. Porém não é desta que os Persona Non Grata acertam na mouche, já que neste seu segundo álbum ainda não conseguem se desprender de evidentes influencias e quem ouvir o disco vai logo notar que há pegadas de Dream Theater “all over the place”, isto principalmente no primeira metade deste disco, porque na segunda o barco afunda um pouco mais ao encaminhar para terrenos mais (eu diria em demasia) baladescos e sentimentalismos um pouco forçados. No entanto e como já tinha referido no início desta crítica algo cresceu neste quinteto sendo este “Quantum Leap” definitivamente um salto em frente face ao registo de estreia, “Shade in the Light”, mostrando-se mais maduros e em evolução, falta mesmo um pouco mais de originalidade e melhor arranjo a nível vocal que também aqui se demonstra muito mediano e automático. Se os Persona Non Grata encontrarem o seu caminho e desbravarem as muralhas impostas por eles próprios teremos provavelmente uma agradável surpresa em mãos e sim fazerem de nós pessoas gratas pela sua existência.

A banda israelita de Death Metal melódico “Prey for nothing” volta á ribalta com o novo álbum “Against all good and evil”, 3 anos depois do lançamento de “Violence divine”, o disco de estreia. Formados em 2005 após a separação da banda de Metal progressivo “Damnation”, o colectivo tem feito um caminho bastante promissor no panorama musical. “Against all good and evil”, lançado pela Massacre Records, foi gravado na Polónia e dá continuidade á sonoridade e solidez musical já iniciada pela banda em 2008 com “Violence divine”. São notórias as influências de bandas como “At the Gates”, “Carcass” e “Testament”, apesar de ser bastante clara a intenção de introduzir novidades e de deixar uma marca pessoal neste registo. Faixas a destacar são: “My fnal relapse”, “Unmake you”, “The signal”, “and Spiritual guillotine”e“All good”. O disco revela uma banda bastante segura e coesa, com a energia e paixão suficientes para construir um poderoso conjunto de músicas que serão, certamente, muito bem aceites pelos fãs de Death Metal. “Against all good and evil” é um registo muito interessante e revela uma evolução visível no desempenho dos “Prey for nothing”. Excelente trabalho! [7/10] Rute Gonçalves

[6/10] Bruno Farinha

SCREAMER ADRENALINE DISTRACTIONS EDIÇÃO DE AUTOR

Os suecos “ Screamer” surgem agora com o seu álbum de estreia “Adrenaline distractions”, essencialmente um disco de Heavy Metal clássico, revisitando nalguns momentos a glória do Metal dos anos 80. “Adrenaline distractions” oferece um conjunto muito interessante de músicas, com um forte Groove Rock, uma secção rítmica bastante dura e um excelente trabalho de guitarras. Exemplos disso são as faixas: “Can You Hear Me”, “Rock Bottom”, “Screamer”, “Adrenaline distractions”, “Keep on Walking” e “All Over Again”. Os “Screamer” conseguem com este disco mostrar o seu potencial enquanto banda e proporcionar vários momentos de prazer aos apreciadores deste género musical, conseguindo também manter uma vitalidade e energia impressionantes ao longo de todas as faixas. Sem dúvida, uma excelente estreia! [7/10] Rute Gonçalves


SONATA ARCTICA LIVE IN FINLAND

SVÖLK SVÖLK ‘EM ALL

NUCLEAR BLAST

NAPALM RECORDS

Assim como é hábito a cada 4-5 anos, os Sonata Arctica lançam mais uma vez um especial álbum gravado ao vivo, desta vez fazendo-se acompanhar de um DVD com filmagens do concerto em questão. O repertório de músicas foca-se particularmente nos seus dois últimos lançamentos; “Unia” e “The Days of Grays”, álbums que, discutivelmente, carecem da veia mais pronunciada de speed metal presente em lançamentos mais antigos da sua carreira, de modos a que a setlist presente neste trabalho se foca em músicas não tão rápidas, mas mais melódicas e quiçá emocionais. Tal facto é sublinhado pela entrega vocal de Tony Kakko assim como de a de o resto da banda, entrega essa que é, tanto quanto é possível discernir, reciprocada pela audiência, que ainda se demonstra audível numa faixa ou outra, apesar da mistura de som que, deliberadamente ou não, parece colocar a mesma numa frequência o mais inaudível possível. O desempenho da banda é competente o quanto baste, aproximando-se o suficiente aos registos em disco, mas não atingindo, de longe, uma semelhança perfeita. Talvez algo fique perdido na tradução da experiência ao vido para o registo virtual e impessoal. Algo principalmente para fãs aguerridos da banda, e pouco mais. [/] David Horta

“Svölk ‘em All”, dos noruegueses Svölk, é o primeiro álbum da banda lançado pela Napalm Records, e trata-se de uma versão expandida e reeditada do álbum “Svölk”, lançado há dois anos apenas na Noruega. A novidade em relação a “Svölk” são três faixas extra. O disco oferece-nos temas embebidos com uma alma algo stoner e rocker, muito bem conseguidos na sua maioria. A primeira faixa, “52”, é um bom exemplo. Ritmada, forte, com um toque folk, parece música de festa, de comemoração e muita bebida à mistura. Não admira que o género musical da banda seja considerado o beer metal. “Miss Alcohol” ou “End of Days” são outros temas do mesmo género, com muita atitude e elementos retro muito bem misturados com ritmos mais modernos. Recorrendo a comparações, os Svölk reúnem algo de Pantera e Judas Priest com o rock inglês dos anos 80 mas, claro, mantendo uma identidade própria bem vincada. São melodias muito bem conseguidas, misturadas com riffs clássicos. “Svölk ‘em All” é um álbum divertido e nota-se perfeitamente que o quinteto de Oslo se divertiu a fazê-lo. Quem o ouve é obviamente influenciado por este espírito, e é impossível ficar indiferente a esta alegria inerente. A qualidade é bastante aceitável e agradará a fãs de vários géneros musicais. [6.5/10] Íris Jordão

THE STONE GOLET

THEODORE ZIRAS MONSTER 5

FOLTER RECORDS

SLEAZY RIDER

Há bastantes bandas que são deixadas para o esquecimento com o passar do tempo, ou por que não causaram grande impacto nas massas pela falta de qualidade ou porque apenas passaram despercebidas à maior parte do povo e podia enumerar aqui bastantes, mas vou apenas focar-me nos The Stone, banda sérvia de Black Metal que já conta com 15 anos de carreira e que lá conseguiram arrancar algum “hype” com o disco editado em 2006, denominado “Magla”, retornando injustamente ao anonimato para os mais desatentos neste mundo de constante correria. Este ano chega-nos este “Golet”, o oitavo longa-duração do quarteto e que poderá deixar muita gente de boca aberta para quem não os conhecia com o poder que contem estes oito temas que aqui se apresentam. Uma linha de guitarras não muito arrastada como em grande parte do Black Metal, aliada a uma grande dinâmica rítmica recheada de pormenores ambientais sublimes faz da audição deste disco um enorme prazer e para quem gosta deste tipo de sonoridades um trabalho altamente recomendado. Basta ouvir temas como “Sekao Duboko, Zakopao Plitko” ou o tema-título, para perceber isso mesmo. O tema “Barren Earth In Cold Death’s Hands” ajuda para a diversidade do disco com um riff típico à Satyricon que se cola a cabeça e martela o ouvinte durante todo a música. [8/10] Bruno Farinha

Por vezes (ou até muitas vezes, alguém diria), álbuns instrumentais de guitarristas raramente passam do mesmo: wanking incessivo, uma amálgama floreada de composições de Power Metal pseudo-neoclássico e Malsteem worship. Verdade seja dita, existem ainda alguns álbuns assim, mas com sorte, nem todos o são. Da Grécia chega-nos Theodore Ziras com o seu aptamente intitulado 5º álbum “Monster 5”. Longe de ser uma obra-prima de referência dentro do metal instrumental, este álbum é, não- obstante, um trabalho extremamente competente, evitando –na sua maior partea veia óbvia do neoclássico que muitos outros instrumentalistas decidem tomar, tornando as coisas um pouco mais eclécticas, sendo perceptíveis as influências de Speed, Thrash, e até Metalcore -me atreveria a dizer-, ao longo destas 11 faixas. Aconselhado tanto a quem goste de um pouco de shredding, como quem é fã de instrumentalidades. [7.5/10] David Horta


F

oi em Fevereiro de 1995 que presenciei aquele que, pelo péssimo som e bebedeira da banda, ocupa o lugar cimeiro do meu top dos piores concertos – Amorphis na Incrível Almadense. Apesar de, há dois anos em Vagos, terem-se redimido em grande estilo, a perspectiva de revê-los no “local do crime”, quase 17 anos depois, atiçou-me a curiosidade. Às 20:30, já os espanhóis Nahemah debitavam um misto de post-rock, rock progressivo e ambiências sampladas na onda de uns Septic Flesh. Um concerto interessante por uma banda a ter debaixo de olho que conseguiu cativar a – então reduzida – plateia. Seguiram-se-lhes os noruegueses Leprous, donos de uma sonoridade oscilante entre a convencionalidade de uns Dream Theater e o desvario de uns Strapping Young Lad. Proporcionaram um concerto intenso, sobretudo por culpa do vocalista/ teclista Einar Solberg, dono de uma voz elástica ao ponto de, ora passear-se pelas guturais, ora pelo registo limpo e épico do heavy rock dos 80’s, ora pelo black metal dos 90’s. O público, mais numeroso, mantinha-se imóvel, mais por espanto ou perplexidade julgo eu, do que por indiferença. Cerca das 22:45 chegaram os almejados Amorphis que iniciaram a prestação com “Song of the Sage” e “My Enemy”, temas do novo álbum “The Beginning of Times” . Ao longo de perto de hora e meia

sucederam-se faixas recentes intercaladas com outras mais antigas: “The smoke”, “Silver bride”, “Sky is mine”, “Alone”, “Against widows”, “Into hiding”, “Vulgar Necrolatry”, “My Kantele” ou o clássico “Black Winter day”. O público mantinha-se receptivo às solicitações do “animal de palco” que é Tomi Joutsen, batendo palmas e cantando os refrões. Interessante a frequente troca de posições entre Esa e Nicklas que conferia alguma dinâmica visual ao conjunto, além do cenário alusivo ao trabalho que vieram promover. Nota negativa para a “plástica” feita a alguns temas pois, se é compreensível que, em alguns momentos, seja dada liberdade criativa aos músicos ou a opção por um registo mais grave a fim de poupar as cordas vocais a Tomi; já não o é que suprimam partes de músicas ou os solos que as tornam únicas e distintivas, como sucedeu com o tema supracitado e com “Into hiding”. Seja por motivos comerciais ou por défice de criatividade, já todos entendemos que a banda caminha no sentido da simplificação de si mesma. Porém, entre tocarem o início da “Magic and Mayhem” (não percebi bem para quê) ou uma “Black Winter day” sem o solo de teclados e exluírem-nas da setlist, talvez seja preferível a segunda hipótese.

O espectáculo terminou com “House of sleep”. O público gostou. A banda agradeceu, despediu-se e foi-se embora. O público aplaudiu e, ordeiramente, fez o mesmo. Tudo muito diferente de 1995: sem grandes desilusões, mas também sem emoção que perdurasse além das portas do recinto. Texto: Ana Miranda Fotografia: Liliana Quadrado


F

oi durante cerca de duas horas que os Opeth fizeram delirar a maioria dos presentes no Incrível Almadense. Há muito que os fans aguardavam pelo concerto, pois este esgotou pouco tempo depois dos bilhetes terem sido postos à venda. É certo que a sala é “pequena”, mas todos contribuíram para que fosse um bom espectáculo. Houve sempre quem tivesse ido principalmente pela banda de abertura – Pain of Salvation – e que certamente terão uma opinião diferente sobre o gig de Opeth, mas de uma forma geral, e apesar de muitos ouvintes preferirem os tons guturais de Mikael Åkerfeldt, o concerto revelou-se grande para uma sala tão pequena, mas que se encheu de emoções, bem-estar e cumplicidade, quase como de uma família se tratasse. Ao longo da actuação, os Opeth deram ao público temas do mais recente álbum Heritage, intercaladas com outras de álbuns passados, mas que tantas boas memórias e deleites musicais proporcionam, tal como em Hex omega. O público não se mostrou indiferente à presença da banda, e muito menos à atitude e boa onda de Mikael, que entre boas piadas, algumas picardias com os colegas de banda, e até repostas a alguns dos presentes, brindou a banda com um ouvir respeitador e um sentir de um tra-

balho que certamente foi pensado no público, e fruto do amadurecimento ao longo de mais de 20 anos de carreira. Ainda que alguns elementos do público estivessem mais animados do que outros, as pausas entre músicas eram o delírio mesmo daqueles que foram por Pain of Salvation, pois a boa disposição reinou, fazendo esquecer até o pouco à vontade do novo teclista Joakim Svalberg, que apesar da sua pouca interacção com o público devida à sua extrema concentração, fez o que lhe era devido, não deixando lembrar que é o rookie da banda, capaz de acompanhar os arranjos mais complexos pelos quais os Opeth são conhecidos e que lhes conferem a etiqueta de banda progressiva, e que foram pautados por detalhes impressionantes do baterista Martin Axenrot, que incluíram um solo bem arranjado a meio de Porcelain heart. Ao longo do concerto e mesmo após o seu final, eram várias as pessoas que se interrogavam e discutiam acerca do último álbum, e da falta de canto gutural no concerto, parecendo até que nem repararam na capacidade de Mikael se adaptar a um formato mais limpo, com variações bastante difíceis, aliadas a uma execução de guitarra sem falhas e sempre em harmonia com o veterano do metal Fredrik Åkesson. Mikael parece acusar algum

peso da idade e das muitas digressões, mas por outro lado tem ganho na interacção com o público, fazendo parecer que cada concerto é importantíssimo para a banda e para os seus seguidores. De certa forma, parece que a banda tem trabalhado mais para eles próprios e para aquilo que gostam, mas não deixam de agradecer ao público que os acompanha, pois sabem que uma parte desse público também está ligado à musica e às suas origens e mutações, e que certamente entendem o porquê das diferentes abordagens que uma banda prepara para os seus discos e concertos. Em suma, e avaliando várias opiniões, o concerto mereceu todos os euros gastos, e ficou provado mais uma vez que os Opeth são capazes de enfrentar várias abordagens em tão pouco tempo – Vagos Open Air e Incrível Almadense no espaço de alguns meses. Mikael, como cabecilha da banda, já nos tem habituado à sua presença, e o que promete costuma cumprir, fazendo sempre aguardar por uma próxima oportunidade de voltarmos a ter uma banda deste calibre em Portugal. Se mais mudanças houverem na banda, esperamos que não seja a de Mikael, pois além de um bom músico, intérprete, compositor, letrista, também se perderia um bom humorista de stand-up! Texto: Orlando Tinoco Fotografia: Liliana Quadrado


D

e modo a apresentarem o seu último trabalho, intitulado de “Frail”, os Before the Rain actuaram na República da Música juntamente com os Corpus Christii no passado dia 10 de Novembro. Os Corpus Christii mostraram-se em palco muito fiéis ao género que seguem, desde a caracterização que utilizam à mentalidade que têm em relação ao gosto dos restantes presentes que se encontravam na sala de espectáculo. Sendo assim, ofereceram aos fãs e

também aos curiosos, o seu Black Metal gélido e poderoso, longe de qualquer romantismo associado. As aproximadas duas horas de concerto de Before the Rain resultaram num set quase totalmente composto pela íntegra do álbum “Frail”. A banda inicia o concerto com a música “Somewhere Not There”, que envolve o pouco público que estava presente nessa noite. Com uma passagem no álbum “...One Day Less” a escolha remeteu-se para “Wounds Of Rejection”. A entrega, dedicação e a adoração pelo

trabalho que produzem é observado por qualquer um dos que tem a oportunidade de ver esta banda ao vivo, pois conseguem transformar a actuação num género de ritual. Para terminar a noite “Breaking The Waves” e “And The World Ends There”, que conferiram ao público um estado de espírito maioritáriamente compreendido pelos apreciadores de Doom. Texto: Liliana Quadrado Fotografia: Liliana Quadrado


N

o ano em que comemoram o 20º aniversário, os Painted Black em parceria com a ET Eventos, juntaram quatro bandas nacionais de géneros distintos para partilharem o mesmo palco. O local que acolheu as bandas Bless the Oggs, Kandia, Crushing Sun e Painted Black, tal como o (quase) inexistente público, foi a República da Música em Alvalade.

to know” e também com o agradecimento a todos os seus seguidores.

Algum tempo após a hora prevista, a primeira banda da noite entra em palco. Os Bless the Oggs iniciam a noite com “For only those who dare to fail”, apesar de bastante energéticos e comunicativos, a banda que está prestes a editar o seu álbum de estreia, não conseguiu contagiar grande parte do público, estando este ainda meio tímido para receber a dinâmica banda.

Para finalizar a noite, os Painted Black sobem ao palco com a mítica “Via Dolorosa”. O público ao estar habituado à intimista actuação da banda, deixa-se levar pelo set apresentado. Além de músicas do seu álbum “Cold Comfort”, tocaram “Nightshift” do seu EP “Verbo”. Para terminar a noite de concertos, os Painted Black oferecem ao público “Inevitability” que nos embalou deixando a sensação de “saber sempre a pouco”

A segunda banda a pisar o palco foi Kandia. Nesta noite, os Kandia marcaram a diferença não só pela presença do único elemento feminino em palco, mas também pela legião de fãs que trouxeram consigo. Sem ser necessário algum pedido “especial”, os seguidores de Kandia entoaram emocionalmente “Into Your Hands” ao qual a vocalista Nya Cruz confessa ser a sua música favorita. A banda finaliza a sua actuação com “All  I need

Após as excelentes críticas ao álbum “TAO”, os Crushing Sun mostraram em palco que sabem qual o rumo que querem levar com a banda. Apesar da apatia do público em relação à actuação da banda, esta não baixou os ânimos e mostrou garra durante a totalidade do concerto.

Apesar da tentativa de agradar a “gregos e a troianos” e de com isso, juntar uma maior quantidade de pessoas num espaço, o festival mostrou um resultado menos intimista entre as merecedoras bandas e respectivo público. Texto: Liliana Quadrado Fotografia: Liliana Quadrado


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esde cedo que a afluência a Almada pela habitual “mancha negra” se fazia sentir. Mesmo após as portas abrirem, a fila continuava longa e a multidão na periferia do edifício não demonstrava sinais de se dissipar com facilidade. Tudo indicava para uma casa bem cheia, se não lotada. Apesar do concerto da noite tratar-se de duas bandas, ambas com o seu próprio gabarito dentro dos seus respectivos géneros e públicos, uma simples olhadela em volta tornava claro, através de tshirts, cornos, merchandise, outras indumentárias várias e alusões nórdicas quem era realmente a banda principal da noite. Já com uma casa mais que composta, no meio de neblina e um som algo embrulhado entram os gregos SepticFlesh em palco prontos a abrir as hostilidades. “The Vampire of Nazareth”, o single do seu último album “A Great Mass of Death” foi o escolhido para começar o concerto. Apesar do som ser primariamente sintetizador e bateria, com vocais e cordas pouco audíveis, a competência e presença da banda seria satisfatória o suficiente para meter cabeças a baloiçar e criar movimento q.b. Outras faixas mais rodadas e conhecidas tal como “Communion” e “Anubis” não tardariam a revelar a sua presença, contudo pecando pelo som menos que perfeito, e pela interacção do vocalista Spiros “Seth” Antoniou com o público, numa miríade de “motherfuckers”, “let’s fucking go” e outros palavreados semelhantes que por momentos nos poderíamos esquecer que de facto não estavamos num concerto de nu-metal algures nos 2000’s. Seja como for, tiveram uma prestação competente o suficiente, não deixando ninguém indiferente, por bem ou

por mal. Aquando o seu final, o Incrível Almadense já se encontrava a rebentar pelas costuras, o público sedento por vikings barbudos não parando de crescer até os ditos cujos entrarem em palco, não deixou obviamente de entrar em êxtase no momento que a imponente figura do vocalista Johan Hegg pisa o palco, êxtase que se mantiria em alta até o mesmo, assim como resto da banda, o abandonar. Assim que os primeiros acordes do seu último single, “War of the Gods” ribombaram nas colunas todo o caos se libertou na ala sobre-lotada, pouco faltando para o público cantar cada nota entoada pela banda. Assim que a setlist foi sendo debitada, representando bastante bem toda a sua discografia assim como o último álbum, não descurando claro dos clássicos como “Runes to My Memory”, “The Pursuit of Vikings” ou “Death in Fire”, a resposta dos presentes foi sempre mais que energética e dedicada, demonstrando claramente a escala da popularidade da banda em solo Lusitano. A resposta da banda foi de um apreço bem demonstrado, o sempre sorridente Johan trocando umas palavras com a audiência uma e outra vez entre músicas, boa disposição essa mantendo-se até quando o mesmo se enganou a denominar “Live For the Kill”. O concerto terá sido rebatado com um encore contendo “Twilight of the Thunder God” e por fim “Guardians of Aasgard”, cuja energia, se é que durante ao longo da noite se perdeu alguma, voltou em força estrondosa. Claramente, uma noite para recordar. Texto: David Horta Fotografia: Liliana Quadrado


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s eslovenos Noctiferia abriram uma noite que se avizinhava pesada e repleta de boa música! Durante quase uma hora, expuseram o seu blackened death melódico a um Hard Club que se ia enchendo aos bocadinhos. A popularidade da banda entre o público não era notável, porque o feedback não foi sempre o mais desejado. Mas, é frequente acontecer, quando uma banda vai abrir para outra banda, pela qual o público está impaciente. Salientam-se “Demoncracy”, “Evil Against Evil” e as últimas duas músicas, durante as quais o vocalista usou um conjunto de percussão, oferecendo um ar mais dinâmico ao concerto e à sua música. Foi, sem dúvida um grande concerto! E os Noctiferia uma grande banda! Mas, o melhor estava para vir… Nove anos depois da “Retour to Remain”, os In Flames resolveram voltar a subir aos palcos portugueses! As saudades eram muitas o público que veio ao Hard Club, no dia 13, estava sequioso de os ver ao vivo. Ao fim e ao cabo, já era demasiado tempo de espera e foram lançados demasiados álbuns desde a última visita do colectivo sueco. A casa esteve cheia! Veio gente de

muito lado e que puseram a crise de lado, durante uma noite, para poder participar num serão cheio de grandiosidade. Durante aquelas quase duas horas, os In Flames passearam-se por faixas mais antigas , como a Swim do álbum Clayman ou as bem mais recentes do Sounds of a Playground Fading – Deliver, Us, Where Dead Ships Dwell ou Sounds of a Playground Fading. Pelo meio tocaram grandes malhas tais como Cloud Connected, Trigger, Alias, The Mirror’s Truth e Quiet Place. O público este ao nível da banda, que deu o seu melhor e interagiu q.b. com os presentes. Por momentos foi possível pensar que o Anders Fridén se podia deixar estar sentadinho sem cantar, porque a multidão nortenha foi capaz de cantar boa parte das letras! E dentro do tempo! Os momentos de humor entre as músicas não foi forçado, nem exagerado, deixando à mostra uma certa timidez inicial por parte do vocalista. Tempo houve para cantar os parabéns a um membro do staff e conhecer um roadie que é português! O Anders Fridén esteve bem ao dizer a um membro da plateia que parasse de filmar e que aprovei-

tasse o concerto como deve ser. Felizmente, era um dos poucos que estiveram de braço erguido o concerto todo, a gravar os momentos Kodak para mais tarde recordar, mas que se esquece que há gente atrás, que quer ver o concerto sem ter mais um obstáculo entre si e o palco. Era geral a felicidade nas caras de quem esteve no Hard Club. Quer a banda, que parecia extasiada com o feedback que estava a ter da plateia, quer o público que interagia a todo o momento com o quinteto. A muito custo, encerraram o concerto com Take This Life. Ainda houve pedidos de mais e mais e mais. Mas os In Flames tiveram que sair de cena. Este foi o primeiro concerto de uma longa tour, que se espera que corra da melhor e inesquecível maneira possível. E que tenha ficado marcada na memória dos In Flames este concerto grandioso, para não nos deixaram mais nove anos à espera! Texto: Narciso Antunes Fotografia: Paula Cristina Martins (Fotógrafa Webzine “Heaven Is Not Too Far)


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s bandas que vão tocar no “Invicta X-MASsacre” desempenham também o papel de organizadores. Como surgiu o conceito deste evento? Zé Pedro (Holocausto Canibal) - O que despoletou a materialização deste evento, foi primeiramente, colmatar a grande lacuna que existia no que concerne a eventos / programação musical mais extrema pela altura do Natal, na cidade do Porto. A escolha das bandas fez-se naturalmente! São possivelmente as 3 bandas do Metal portuense com maior longevidade em percurso activo [sem hiatos ou interregnos na sua existência]. Além disso sempre existiu uma grande união entre as 3 bandas, fruto da similaridade na forma de ver e estar no underground ao longo dos anos, onde sempre imperou uma forte convicção DIY. Outro pormenor curioso é o de as bandas nunca terem partilhado o mesmo palco no mesmo dia, algo que apenas se concretizou aquando da primeira edição do Invicta X-Massacre. Uma vez que são as bandas que têm que tomar a iniciativa, diriam que existe falta de apoio da parte das promotoras em divulgar a cena nacional? Álvaro Fernandes (Pitch Black) – Neste caso a ideia foi nossa, logo a responsabilidade de a colocar em prática é nossa pois assim o desejamos. São 3 bandas que trabalham sem managements, bookings, promotoras, etc. E funciona tudo muito bem. Também somos todos contratados para eventos de promotoras, como é óbvio, mas fazemos a nossa parte em simultâneo. Agora, existem muitas promotoras competentes em Portugal, por isso não penso que exista falta de apoios a esse nível. Claro que não estou a falar de promotoras que organizam festivais como o Rock In Rio, Super Rock, Optimus Alive, etc etc. Essas não vêm nenhuma das 3 bandas deste cartaz como boas escolhas para festivais, nem sequer 98% das restantes nacionais, quanto mais. Mas isso, no que diz respeito a Pitch Black, não tem a menor importância pois não pertencemos nem queremos pertencer a esse “campeonato”. Existem muitos eventos por esta altura com uma temática natalícia, mas poucos a ter lugar no dia 25 de Dezembro


(dia de Natal). Não é uma data arriscada? Pedro (Web) – Arriscada sim, para quem fica em casa e perde uma excelente noite de metal e de festa! Sabemos que o dia é propício ao convívio familiar mas também sabemos que depois de as pessoas passarem o dia em casa a comer, beber, conversar, jogar cartas... um pouco de exercício faz sempre bem!! O que pode o público esperar desta noite? Zé Pedro (Holocausto Canibal) – Nesta noite concreta, e neste evento em particular, dá-se a libertação da catatonia vegetativa, muitas vezes infligida pelo agrilhoamento natalício. As pessoas encontram-se revoltadas [ou por terem recebido novamente peúgas de presente, ou por simplesmente precisarem de combater a lobotomização televisiva a que foram sujeitas, ao ver mais uma vez, involuntariamente, o Sozinho em Casa] e é no Invicta X-Massacre que renascem e exorcizam os seus tormentos! Falando mais seriamente, muitos eventos apregoam a diferença, mas este é efectivamente diferente e basta vivê-lo uma vez para se sentir o que tentamos transmitir. As bandas envolvidas já têm alguns anos de estrada... existe alguma diferença entre um concerto numa ocasião destas e outro numa data “normal”? Álvaro Fernandes (Pitch Black) – Existe, sim. Porque aqui é a loucura total! (risos) Pronto, falando a sério (apesar de ser sempre uma grande noite mesmo), a ideia principal está no facto de haver uma amizade desde há muitos anos entre as 3 bandas, bem como um mútuo respeito pelo trabalho de cada uma delas ao longo deste tempo. Esse é um dos simbolismos deste evento (daí o cartaz ser sempre composto pelas 3). Outro passa pelo trabalho (que é muito) conjunto de todos nós para fazer com que este concerto seja sempre bem sucedido e lembrar a todos que estamos aqui, ao fim de todos estes anos ainda a abanar a cabeça. É, também, o nosso agradecimento a todos os que comparecem pelo seu apoio incondicional! Mas haverá sempre algo de diferente preparado para este evento. Pode não ser de todas, mas de alguma delas verão sempre um concerto diferente... Quais são as expectativas de cada um para esta noite? Pedro (Web) – Para mim, enquanto membro de Web, espero claramente uma noite longa! (risos). Espero também que a assistência seja superior à do ano passado e que haja muitas meninas a dançar!

Zé Pedro (Holocausto Canibal) – Todas as edições do Invicta X-Massacre tem sido míticas e ficaram indelevelmente marcadas na memória de todos aqueles que já nos deram a honra da sua participação! A terceira edição não será excepção e estou certo que elevará ainda mais a fasquia. Apareçam! Álvaro Fernandes (Pitch Black) – Vai ser uma grande noite. Vamos ter DJ’s a passar Metal pela noite dentro, de maneira a que a festa se prolongue e as pessoas possam, assim, conviver mais um pouco, beber uns copos e curtir. Isto inclui as bandas também. É para a festa! Vai haver alguma prenda para os fãs? Pedro (Web) – Uma prenda não. Várias! Os Web terão novo merchandise acabadinho de apresentar na nossa festa de 25 anos! Os Holocausto Canibal estão a preparar o novo albúm, os Pitch Black mesmo sem a formação completa estão aí prontos a thrashar e Dethmor com um bom Death Metal a abrir a noite são prendas muito boas para fazer o povo aparecer no Hard Club! Por falar em prendas... os Pitch Black e os Web celebram 16 e 25 anos de carreira, respectivamente. Tendo em conta que este será um dos últimos (ou o último) concerto do ano, têm algo especial reservado para o mesmo? Álvaro Fernandes (Pitch Black) – No que diz respeito a nós, nada de especial. Será a segunda oportunidade que as pessoas terão este ano de ver um concerto da banda. E a última, não só este ano, mas também nos meses que se seguirão. Nessa altura estaremos a trabalhar com o novo line-up da banda, a reformular ideias e a compôr, com o intuito de gravar algo já em 2012 para mostrar o que faremos a seguir (que será, obviamente, Thrash Metal). No Invicta X-MASsacre III vamos contar com a preciosa ajuda de dois músicos amigos nossos que admiramos e respeitamos imenso: o Afonso (baterista em Gates of Hell, ex-Assassiner, ex-Biolence) e o Marco (baixista em Biolence) na guitarra solo. Pedro (Web) - Teremos alguns convidados especiais em palco connosco o que fará deste concerto um concerto de Web único! Paulo Barros de Tarantula, Vera e Victor de Head:Stoned, Zé Pedro, PG e Diogo de Holocausto Canibal, Álvaro e Daniel de Pitch Black, Inglês de Equaleft, Lisboa e Susana de Hacksaw e o Hugo do Metalpoint marcarão presença! Como podem ver, será um momento único! Entrevista: Joel Costa



Infektion #09 - Dezembro 2011