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http://www.mproducts.pt/


04 VOX POPULI 06 NOTÍCIAS 08 ARTWORK 09 HORRORSCOPE 10 ESTÓRIAS QUE MATAM 12 METAL ANGOLA 18 EVILE 24 GHOST BRIGADE 26 ARKONA 28 UNEARTH 30 TEXAS IN JULY 32 DIESEL HUMM! 34 HATE IN FLESH 36 VAN CANTO 38 HAVEN DENIED 40 VALLENFYRE 42 OVERCOME 44 FALLOCH 46 FOR OPHELIA’S DEATH 48 FUROR GALLICO 50 OMISSION 53 INFECÇÃO URINÁRIA DE MARTE 56 REVIEWS 68 LIVE REPORT

Verdadeiro Objectivo

Desde que a Infektion Magazine foi criada, em Fevereiro deste ano, que o objectivo passava por trazer boa informação à maior quantidade de leitores possível. Depois da última edição, que nos fez chegar a mais de 50 mil pessoas em Portugal, Brasil, Angola e resto do Mundo, percebemos que os números estão longe de ser a coisa mais importante. A nossa missão assenta em fazer da Infektion algo que pertence não só à direcção mas também a todos os colaboradores e leitores. Esta revista é de todos vocês e a vossa opinião e o feedback que tão gentilmente nos fazem chegar edição após edição são as coisas mais importantes para nós. Pode parecer cliché mas estaremos aqui enquanto houver quem nos queira ler e enquanto o tempo permitir. Obrigado a todos vocês por fazerem da Infektion aquilo que ela hoje representa... “Ela”... soube bem dizer isto!

Quando é que sai a Infektion em papel? via Facebook Passamos a vida a ameaçar um lançamento em papel, eu sei, e esteve quase para ser feito. Para já temos um contrato em formato digital até ao final do ano mas isso não é nada que não possa ser contornado. Uma pessoa bem sábia nestas andanças dos negócios disse-me uma vez que a melhor coisa que temos a fazer antes de tomar uma decisão é dormir sobre o assunto, pois o travesseiro é o melhor conselheiro. Se eu agisse mediante esta regra d’ouro e não fosse tão impulsivo como sou, decerto que a minha vida corria um nadinha melhor. Umas boas noites de sono fizeram com que a minha opinião acerca deste assunto fosse um pouco diferente. Gostava de lançar a Infektion em papel, »

Joel Costa Director Infektion EVILE Five Serpent’s Teeth

TERRY REID Seed Of Memory

DJEVEL Dødssanger

DALRIADA Ígéret


de sentir aquele cheirinho que eu tanto gosto a papel e a tinta, no entanto é um tiro no escuro que não estou disposto a dar por diversos factores (pelo menos de momento): haveria uma maior responsabilidade em vender publicidade, já muito difícil de vender no formato digital. Teríamos uma concorrência oficial e de acordo com o estudo que fizemos as vendas da Infektion seriam rotativas com a outra revista de Metal. Teríamos também que ter uma boa distribuidora e não optar por uma distribuição underground. As pessoas não gostam de se chatear à procura das coisas e facilmente trocariam a nossa edição por outra qualquer. No entanto, para ter uma boa distribuidora é necessário ter capital, coisa que não temos nem para lá caminhamos. Vamos continuar a apoiar o underground e o Metal em geral da melhor forma que sabemos e para já vamos abrindo espaço para as edições do futuro. O digital é o futuro e mais tarde ou mais cedo as revistas vão ter que dar este grande passo de transição. Próximo passo para a Infektion Magazine: disponível para leitura em iPads e afins. O que é a Infektion Records e de que forma é que está ligada à Infektion Magazine? via Facebook A Infektion Records é uma pequena editora independente de Metal. Temos também serviços de design, organizamos eventos, distribuímos os nossos lançamentos e futuramente vamos inaugurar uma loja online para vender CDs e Merchandising. Basicamente é um complemento da Infektion Magazine pois o nosso principal objectivo é ajudar bandas do underground Português que de outra forma não teriam possibilidade de ter um CD à venda. No Facebook publicaste um vídeo dos Skeletonwitch onde dizias que aquele álbum foi o que te fez criar a Infektion, no entanto a revista só surgiu um ano depois. Porquê tanto tempo? via Facebook

Antes de ter criado a Infektion criei outra revista digital que ainda está no activo, chamada Versus Magazine. De facto, aquela música em particular fez com que eu tivesse uma necessidade de alimentar um monstro que crescia dentro de mim. Um dia decidi que ti-

nha que experimentar criar uma revista dedicada exclusivamente ao Metal e nascia assim a Versus. Digo muitas vezes que estive à frente das 10 primeiras edições, no entanto, a verdade é que tinha uma equipa extraordinária a cuidar da publicação e a fazer com que ela crescesse mês após mês. As razões que me levaram a sair foram várias e jurei a mim mesmo que nunca mais iria dar esse passo novamente. No entanto surgiu uma oportunidade de o fazer a nível profissional. Fizeram-me o convite e após 7 lindas edições cá estou eu para ficar. O melhor de tudo é que tenho a melhor equipa do Mundo e felizmente tive a oportunidade de conhecer pessoas fantásticas que independentemente do que aconteça no futuro ficarão para sempre no meu coração pelos melhores motivos. De onde vem o nome Infektion? via Facebook

Na altura que me propuseram criar esta revista andava a ouvir o álbum dos Chimaira “The Infection”. A par disso havia o “Infected Nations” dos Evile e gostei bastante do conceito. De facto, o primeiro nome foi “Infected” e só depois ficou “Infektion”, com K (alemão). Envia-nos as tuas questões através do Facebook ou do nosso e-mail:

infektionmagazine@gmail.com

ELEMENTOS À SOLTA, LDA Rua Adriano Correia Oliveira 153 1B 3880-316 Ovar PORTUGAL EDITORIAL Editor: Joel Costa DIRECÇÃO Cátia Cunha Joel Costa CONCERTOS Liliana Quadrado DESIGN & PAGINAÇÃO Elementos À Solta, LDA www.elementosasolta.pt COLABORADORES Ana Miranda Anna Correia Bruno Farinha Carlos Cariano Cristiano Estevão David Horta David Oliveira Davide Gravato Flávio Santiago Íris Jordão Jaime Ferreira João Lemos José Branco Liliana Quadrado Marcos Farrajota Mónia Camacho Narciso Antunes Rute Gonçalves Valentina Ferreira Valter Simões Vanessa Correia FOTOGRAFIA Liliana Quadrado PUBLICIDADE infektionmagazine@gmail.com T. 92 502 80 81


ENVIA A TUA DEMO

THE9THCELL “METAMORPHIC VOL. II” EDIÇÃO DE AUTOR Lançamento: 09/10/11

A Infektion Records está à procura de bandas de Metal nacionais para editar e para organizar concertos. Vai a www.infektionrecords.info e envia a tua demo! THE9THCELL: NOVO ÁLBUM

ANONYMOUS SOULS “ONE FOOT TO CHAOS” EDIÇÃO DE AUTOR Lançamento: 07/10/11

ANUNCIA GRÁTIS! A INFEKTION MAGAZINE DÁ-TE A POSSIBILIDADE DE ANUNCIARES GRATUITAMENTE O LANÇAMENTO DO TEU CD. PARA ISSO BASTA ENVIAR UM E-MAIL PARA infektionmagazine@gmail.com COM OS SEGUINTES DADOS: - NOME DA BANDA - NOME DO ÁLBUM - NOME DA EDITORA - DATA DE LANÇAMENTO - CAPA DO CD

Já está disponível para download gratuito o 8º álbum de The9thCell, de nome “Metamorphic - Vol II”. Um trabalho de 9 versões de artistas que influenciaram a vida e música do mentor do projecto, David Pais, e que conta ainda com a participação especial de Samuel Luís e Rodrigo Santos (Hands of Guilt) no tema “Clenched Fist”.

ENVIA-NOS AS TUAS NOTÍCIAS

Tens uma banda e gostarias de ver aqui as tuas notícias publicadas? A partir da próxima edição vamos alargar o espaço às notícias do underground nacional e queremos contar contigo. Para isso basta enviar um e-mail para infektionmagazine@gmail.com com notícias, agenda, lançamentos, etc.


Ajuda a divulgar o novo endereรงo do Perigo De Morte. SPREAD THE WORD:

http://perigo-de-morte-new.blogspot.com/ WE WILL BE HEARD


U

ltimamente, com a abertura do curso de multimédia nas escolas profissionais e até mesmo no ensino secundário, têm-se assistido a um grande crescimento de designers no nosso país. O que dirias que te diferencia de todos os outros? Actualmente penso que a maior diferenciação do meu trabalho em relação a todos os restantes reside no background que possuo a nível musical. Sempre estive ligado à música e de uma certa forma a tudo o que é artwork ou merchandising que de uma certa forma sempre me fascinou e acabou por me “orientar” um pouco para o trabalho que hoje desenvolvo. Quanto à técnica aplicada depende de cada trabalho a realizar, sendo que o teu cliente pode ser uma pequena ou média empresa ou mesmo uma banda, logo um público-alvo bastante diferente. Possuindo uma base sólida com o suporte de toda a teoria que aprendi na escola, considero-me uma pessoa mais prática e mesmo bastante mais pragmática. Acabei por desenvolver um estilo de design bastante próprio e que pode ser facilmente reconhecível através de uma linguagem simples, directa e bastante objectiva. Desenvolves muitos trabalhos para a área musical mas não te ficas apenas por aí. Para que áreas está também a KKSTRUCTURES direccionada? Basicamente e concretamente a KKSTRUCTURES é uma entidade direccionada para

áreas bastante diversas de mercado estando nomeadamente ao meu alcance realizar praticamente qualquer tipo de projecto quer seja a nível gráfico quer seja a nível multimédia. A KKSTRUCTURES está apta a realizar: identidades corporativas, decoração de viaturas, merchandising, sinalética, websites, CD artwork, logótipos, brochuras, catálogos, posters, eventos (maioritariamente concertos) ou mesmo a concepção e total desenvolvimento de um stand comercial. Ao longo do meu percurso como designer já tive oportunidade de trabalhar para algumas pequenas e médias empresas nas quais desenvolvi de raiz toda a sua identidade corporativa passando pelo desenvolvimento e concepção integral do adorno de equipamentos, estacionário geral, merchandising ou mesmo pela concepção e desenvolvimento de fardamento concreto e objectivo para diversos departamentos mais específicos. As áreas para as quais se está mais direccionado hoje em dia seguindo os conceitos apresentados, são sempre de resposta bastante delicada até porque considero todas as áreas como um potencial oceano de possibilidades num universo em constante mutação. Em relação a artwork em si, tens desenvolvido toda a imagem da vossa banda: MALEVOLENCE. Considerando que és o teu próprio “cliente”, é fácil chegar a um resultado final? Obviamente que antes de qualquer resultado existe um estudo de toda a concepção do que pretendemos como banda a nível visual. O que certamente acaba por ditar resultados bastante rápidos na maioria dos casos sabendo efectivamente o objectivo que pretendemos e pretendo alcançar. O desenvolvimento do trajecto entre o puro esboço e o resultado final é que poderá conter momentos mais intuitivos ou outros um pouco mais elaborados. Mas de uma forma geral o processo acaba por ser idêntico ao de outro qualquer potencial cliente. Seja para nós, seja para outra banda o processo estará sempre implícito e orgulho-me de ser bastante rigoroso com todos os estudos que desenvolvo de forma a conseguir os melhores resultados no mínimo espaço de tempo possível.

E a nível de projectos em desenvolvimento? O que nos podes adiantar sobre isso? Neste momento como sabes temos toda a pré-produção do terceiro álbum de MALEVOLENCE a decorrer. Dentro de mais alguns dias começaremos com a gravação de todo o material com vista à edificação do produto final. Ao mesmo tempo a nível da KKSTRUCTURES terei ainda que criar todo o artwork do álbum assim como todo o material e merchandising de suporte para o mesmo. Tenho também em mãos o desenvolvimento do trabalho gráfico completo para mais dois álbuns de bandas Nacionais e existe a possibilidade de abraçar ainda mais um projecto idêntico dentro dos próximos dias. Para além de tudo isto tenho uma linha de merchandising para desenvolver para uma média empresa e duas identidades corporativas. Até ao final de 2011 pretendo ainda desenvolver e terminar o website oficial de MALEVOLENCE que também me tem ocupado bastante parte da minha agenda actual, sendo um projecto não menos complexo e arrojado do que o próprio website da KKSTRUCTURES pelo qual também fui responsável na sua totalidade. De que forma é que os nossos leitores te podem contactar e saber mais sobre o teu trabalho? Qualquer leitor da INFEKTION pode aceder ao website oficial da KKSTRUCTURES em www.kkstructures.com e desta forma tomar contacto com as diferentes facetas da convergência entre a imagem e o som que proporciono. Nas diversas secções do website constatarão para além da diversidade de serviços disponíveis alguns dos trabalhos que já foram realizados. Existem muitos mais e obviamente que para os potenciais interessados existe um portfolio mais especifico que poderá ser apresentado consoante as necessidades e o objectivo geral de cada um. Existe também um formulário oficial no website que pode ser preenchido, sendo a forma mais fácil de me contactarem nos dias de hoje! Entrevista: Joel Costa


Valentina Silva Ferreira

http://www.facebook.com/pages/Valentina-Silva-Ferreira/231598930187132?sk=wall http://editora.estronho.com.br/index.php/autores/268-valentina

A

sala cheira a transpirações cozidas, cigarros vários, perfumes ordinários e cerveja barata. As paredes, sujas e marcadas por anos de pancadaria, parecem encolher o lugar, tornando-o ainda mais pequeno e quente. As pessoas passeiam por entre o fumo e a semi-luz amarelada, podre, coberta por partículas de pó e saliva cuspida. Ela estende-se sobre a mesa de bilhar. Umas calças de cabedal justas deslizam por umas pernas compridas e maciças. Na barriga nua, um piercing cai do umbigo. Um tecido escuro e remendado aperta os seios redondos e excessivos. Ela dobra-se e analisa a mesa. O taco bate com precisão na bola branca mas a vermelha não entra. Miranda olha para mim e pisca-me um olho. Tremo numa tentativa cansada de entender que estamos juntos há muitos anos e que essa estupidez da paixão já deveria ter passado. Mas ela estica o braço com uma suavidade deliciosa e pousa o corpo atraente no verde. Cheiro-a no ar. Quero-a como sempre. Por detrás do meu copo, num segundo em que molho os lábios secos de tesão, vejo-o aproximar-se. Pede por um taco. Ela sorri.

Na minha cabeça cresce a sensação de perda, de adeus, de fim. Miranda raspa o giz no taco e, num choque de imagens produzidas por álcool e ciúmes em excesso, vejo-a passar a língua pelos lábios. Vejo-a nua sobre a mesa. Gemendo. Vivendo. Arfando. Sem mim. Com ele. Dentro dela. Em volta dela. Nela. E eu cada vez mais longe, mais sozinho, mais escondido no inferno da minha vida. Uma vida sem Miranda, sem pernas maciças e seios redondos, sem jogos de bilhar, sem cocaínas e sonhos e medos e esperanças partilhados. Miranda acerta uma bola. Ele aperta-lhe a nádega. Ela olha de soslaio para mim: aconteceu; aconteceu e ela quis certificar-se de que eu não vira. Mas vi! - Vem comigo lá fora - peço-lhe numa voz perdida entre a súplica e a raiva, o amor comido e a dor de perder. Ela segue-me, balançando as ancas redondas e onde, dia menos dia, depositaria um filho meu; meu, nosso. Eu e Miranda. Atravessamos o beco, meto-me por uma esquina terrivelmente escura, onde nem eu consigo discernir os meus próprios pensa-

mentos. - Estás com ele? -pergunto-lhe. Não responde mas julgo que sacode os ombros. Imagens cruas dançam pela minha cabeça: Miranda nua; Miranda com outros homens; Miranda usando um batom vermelho e enrolando a chiclete com o dedo; Mirando pedindo dinheiro e dando o corpo; Miranda longe, assustadoramente longe. - Cabra! - digo enquanto aperto o seu pescoço frágil e branco. Sinto o pulsar das veias cada vez mais lento, a respiração abafada. Vejo dois olhos mergulhados em pânico. Dois olhos tão lindos. Dois olhos que já não eram meus mas que me pedem misericórdia. Agarro numa pedra e apago a meiguice falsa daquele olhar. Bato; bato até o sangue manchar o seu rosto de anjo; bato até segurar nas mãos um pedaço de carne desfeito, de pessoa que já não é, de bicho ferido, de puta assassinada. Pestanejo com fúria. Ela continua debruçada sobre a mesa, aperfeiçoando, sozinha, jogadas e tacadas e sorrindo para mim, de vez em quando. Ele chega, por detrás do copo de cerveja que me arrefece a visão. Miranda bebe-o com os olhos. Eu espero.


Muitos ficaram surpresos quando souberam que íamos falar com algumas bandas de Metal de Angola pois acharam que a cena pesada por lá era inexistente. A verdade é que ainda que essas pessoas pudessem estar erradas, não estão assim tão longe da verdade. O Metal existe em Angola, mas não vive... sobrevive. Sobrevive graças aos jovens que teimam em não deixar a música morrer. Sobrevive graças às iniciativas de cada um, que procuram organizar concertos e levar o Rock e Metal a toda Angola. Os Angolanos não desistem e irão continuar a insistir até que a sociedade os aceite e o Metal finalmente seja visto como música, e por consequente, cultura. A Infektion Magazine também vai fazer a sua parte e ao invés de esgotarmos todos os recursos numa só edição, vamos optar por voltar a contactar bandas nos futuros números e expandir a nossa área de abrangência. A Infektion está com Angola porque Angola sempre esteve connosco. E atitudes como as que testemunhei, sejam de que país forem, merecem todo o nosso apoio. Porque fazer Metal em Angola é difícil, mas são estes jovens que estão a abrir o caminho para as bandas do futuro e nessa altura... já o pior passou.

MANEL KAVALERA (Rádio) (José Manuel Campos)

Tens um programa de rádio em Angola. É fácil promover a música pesada por esses lados? Eu estou no programa há 1 ano e ele já tem 16. Apanhei a fase mais leve. Nos anos 90 e

princípios de 2000 era um ouvinte assíduo. O programa tinha 2 horas de peso, tinham uma audiência muito forte e eles passavam bandas de Death Metal como Benediction, Blood, Deicide, Obituary, Cannibal Corps, mas devido à guerra a maior parte dos ouvintes saiu do país, que resultou numa quebra de audiência. Depois aparece o fenómeno MTV. Os novos ouvintes começaram a pedir rock mais alternativo, onde eles foram obrigados a adaptar-se à nova realidade criando espaços mais alternativos e mais abrangentes

ao público geral. Quanto à propagação do Metal, hoje em dia a procura começou a aumentar drásticamente. Nós temos um espaço que é o “kurto e toka” onde os ouvintes escolhem as músicas. Recebemos em média 250 a 400 sms por emissão, onde 40% são de ouvintes a pedir metal. Digamos que o programa hoje em dia está dividido em 50%rock e 50%Metal. É fácil promover a cena pesada na camada mais jovem. Numa conversa anterior falaste-nos que o angolano tem um egocentrismo sócio-cultural enorme. Em que medida é que isso contribui para o Me-


tal/Rock Angolano não ser mais forte? Aqui em Angola valoriza-se muito o que é nosso, coisa que eu apoio, mas por vezes torna-se chato porque as pessoas só querem saber daquilo que é “AFRO”. Os empresários não apoiam o rock... nós para faze um concerto pequeno temos que desembolsar a maior parte do capital, o que torna os concertos não rentáveis e impossibilita o sustento das bandas que muitas vezes elas têm pouco tempo de vida devido aos elevados custos do material. Quanto às gravações, os estúdios são muito caros e não temos técnicos de som capacitados para a gravação de rock/metal o que resulta em poucos registos áudio de rock angolano. Organizas concertos e também és DJ. Comecemos por esta última: quando é que começaste a passar Rock e Metal e viste que o público alinhava com o som? Eu comecei a tocar numa recauchotagem de um amigo em 2005. A malta juntava-se aos fins de semana para curtir rock e metal sem parar. Era um grupo restrito de 10 a 15 pessoas mais ou menos. No Kings já havia sessões de rock mas nunca gostei de lá ir porque a selecção musical não me agradava. Passava demasiado indie rock e Metal só quando o rei fazia anos. Em 2009 fui convidado a tocar no Kings... fiz um set de 2 horas e os organizadores gostaram. Fui então convida-

do a ser DJ residente da casa onde implementei uma nova sonoridade nas noites conseguindo agradar toda a gente com Metal, Hard Rock e um pouquinho dos mais variados estilos de rock. E a nível de concertos? Há uma forte adesão do público para ver bandas cujo som não vai de encontro àquilo que fomos habituados com a cultura angolana ou o público ainda está um pouco de pé atrás? Quando há shows eles enchem uma média de 100 a 400 pessoas. Não enchem mais porque os meios publicitários são muito caros e eu acredito que o dia em que houver um mega show bem publicitado ele vai encher visto que há muita gente expatriada e nacionais rockers e curiosos no país que gostariam de ir a um show de nível internacional. Há mulheres nas bandas ou a música pesada ainda é só um meio de homens em Angola? Há uma banda nova, as “Black Lotus”, mas devido ao pouco tempo de vida ainda não tive a oportunidade de as ouvir. Há muitas mulheres ouvintes de rock aqui no país mas a maior parte não está muito ligada ao peso. Estão mais pela música da MTV. Fala-se que em Angola existe qualidade mas faltam oportunidades. O que devia mudar para que o Metal e o Rock em

Angola fosse compreendido? Há muitas boas bandas de metal aqui que poderiam fazer muito melhor se tivessem material digno, mas para o Metal ganhar terreno dependemos de mais bandas de rock comercial para poder dar impulso à cultura rock no país. Assim teríamos mais oportunidades para tocar em grandes shows de música variada no país. Quando esse fenómeno se der, o público vai querer saber onde anda a cena underground possibilitando assim uma maior firmeza ao estilo Metal mas isso é um processo que vai demorar anos. Para concluir, tens algo em mente a nível de concertos por esses lados ou outra notícia que devemos ter em conta? Para o próximo ano eu tenho um projecto para um show de 24horas. Já tenho alguns patrocínios garantidos mas faltam-me muitos mais. Também fui convidado a tocar em Portugal, em casas de renome no cenário do rock português. Assim que tiver oportunidade vou estar por aí a fornecer barulho com prazer ao pessoal do meu país de origem, Portugal.

Entrevista: Joel Costa

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Li que escolheste “Neblina” para o nome da banda porque transmite a ideologia da tua música. Fala-nos um pouco disso. Mauro Neb - Bem, isso é pergunta que sempre despertou a curiosidade dos nossos fãs ou mesmo do público em geral mas é com todo o prazer que a banda levanta a cortina incansavelmente, deixando a luz do esclarecimento entrar pelas janelas, preenchendo o vazio da dúvida. O nome NEBLINA surge inicialmente a partir de um quadro imaginário de carácter místico, neste caso seria a necessidade de poder entender o inexplicável em termos de autorreflexão sobre diversos factores. De um ângulo de 90º a 360º falamos sobre filosófica da vida, sociopolítica e ainda mitologia. A ideologia seria desvendar o segredo por trás

da neblina da vida e poder responder às diversas situações que como seres humanos nos deparamos ao longo da nossa história. Lembram-se daquele pequeno “blur” nos sonhos dos filmes? Há um significado mas há que juntar as peças para se perceber do que se trata. Por acaso alguém se lembra do sonho de ontem?... então anda neblinar. Vocês editaram o primeiro álbum de Metal em Angola, no ano de 2006. Como se sentiram pelo facto de serem os primeiros a colocar a fasquia? Foi algo muito satisfatório! Sentimo-nos realizados e de certa forma conquistadores pelo simples facto de termos tido a oportunidade de criar um novo espaço no music hall angolano. Não tínhamos intenção de surgir como sendo os primeiros

a lançar um álbum de Rock Made in Angola mas sim tínhamos aquela necessidade de partilhar com o público em geral o produto final de algo que já tínhamos vindo a trabalhar com muita dedicação. Graças a Deus, o destino uniu o útil ao agradável tornando NEBLINA a primeira banda de rock angolana oficialmente reconhecida no Music Hall (pós independência) e o álbum “Innocence Falls in Decay” o primeiro deste género no País. Como foi a adesão do público ao álbum “Innocence Falls in Decay” e que vantagens é que este lançamento vos trouxe? Apesar do dia do lançamento que correu lindamente pelos fãs e pela curiosidade dos não ouvintes de rock, a adesão foi meio tímida mas depois de apanharem a onda deixa-


ram-se levar pela corrente. Os Neblina não são uma banda nova, uma vez que já foram formados no ano 2000. No entanto, a par com outras bandas angolanas, carecem de registos discográficos. Porquê? Simplesmente por dois motivos: 1º Porque tínhamos de dar tempo para que o mercado digerisse o novo estilo e 2º porque preferimos ganhar mais popularidade enquanto trabalhamos mais no amadurecimento da banda com os shows ao vivo. Como é a mentalidade das pessoas no geral em relação a este tipo de sonoridade? Angola tem uma maneira de pensar ocidental? Na sua generalidade ainda continua um certo taboo pelo simples facto de que a cultura angolana estar ainda muito ligada às suas raízes. O género Rock ainda é considerado como música estrangeira e aceitá-la repentinamente sem passar por um longo processo de ingestão causaria polémica. Como sabemos, rock não é só música mas cultura também e para se saber ouvi-lo há que entendê-la primeiro. Muitos censuram dizendo que é “só barulho” ou música de doidos! (risos). Foram convidados para um evento de homenagem ao vosso presidente, José Eduardo dos Santos. Como foi essa experiência? Foi uma experiência agradável que nos levou a conhecer interligação de várias formas de arte num só evento. Foi interessante participar porque não foi só mais um show de rock mas um grande evento de exposição de arte no geral. Tivemos a oportunidade de fazer parte duma grande estrutura de músicos e artistas de renome nos seus mais diversos géneros, organizado pela UNAC (União Nacional de Artistas e Compositores) com o propósito de prestar homenagem ao Sr. Presidente oferecendo um conjunto de actividades desde música, teatro, pintura, artesanato, enfim. Os Neblina fizeram também apresentações na Alemanha, enquanto acompanhavam a

selecção Angolana de futebol. Quais são as principais diferenças que notam entre tocar em Angola e na Europa? Há muitas diferenças mas o principal é o factor cultural. Os países ocidentais partilham de uma cultura mais globalizada em relação a África. Para Angola em específico realçamos o factor guerra pelo que o País passou deixando assim um ligeiro atraso no que se refere ao acompanhamento da globalização. Quem ouvia rock na altura eram mais aqueles indivíduos que tinham possibilidades de sair de Angola para Europa e América ou então que tinham ligação com outras culturas e se mantinham informados do que se passava pelo mundo fora. Hoje nota-se que os rockers ou metalheads de angola vibram o mesmo ou ainda mais do que os da Europa mas só que acabam por ser a minoria enquanto que na Alemanha por exemplo é um mar de gente em cada show a vibrar. Como se dá a promoção das bandas no vosso país? Existem rádios e programas de TV a apoiar a cena metal? Estas são as principais vias de promoção de qualquer coisa em Angola sem excepção mas a maior impulsionadora é para metal e rock é mesmo a Rádio (FM). Temos cá um programa com mais de 15 anos que trabalha na promoção e divulgação do rock internacional e agora nacional que tem como nome “Volume10”, foi e ainda é um dos principais impulsionadores e sustento do movimento rocker em Angola. Aconteceu muitas vezes no passado superarmos o stress de um dia mal passado simplesmente ligando o V10 aos sábados à noite e curtir com os amigos (risos). Quanto à TV não se pode dizer muito porque como há poucas bandas com álbum, há pouca demanda para criação de programas de Rock na TV, simplesmente porque não há vídeos. O único vídeo de rock local que temos conhecimento que passa é o “Filhos da Pátria” de NEBLINA. Já há bandas que gravaram alguns videoclipes com algumas demos mas são mais publicados no facebook ou youtube, fora disso só flashes de algum show ao vivo em programas que retratam eventos sociais.

Li que foram detidos por gravar um vídeo sem autorização. Podes partilhar essa história connosco? Achamos melhor não entrar muito em detalhes porque senão a roupa suja deixará de ser lavada em casa (risos) mas podemos mencionar algumas causas para tal. Após termos trabalhado no guião do vídeo “WAR HEADS” do álbum ainda em gravação seleccionamos o local apropriado para as filmagens. Dias antes havíamos contactamos algumas entidades que afirmavam ser o responsáveis pela segurança da propriedade e posteriormente avançamos com a equipa de produção para gravação no dia acordado. Já quase a meio das gravações surgiram alguns agentes da policias do nada interrompendo e informando que tínhamos de os acompanhar a esquadra porque estávamos todos detidos assim como todo equipamento de produção também haveria de ser retido. Ao olharmos para o lado para chamar os tais responsáveis pela segurança demos conta que eles haviam sumido como poeira no ar deixando-nos em maus lençóis. Fomos até a esquadra e resolvemos o problema com o pagamento de uma multa e voltamos a seguir para o mesmo local para continuarmos as captações de imagem. O que falta para Angola crescer em termos musicais? Mais estúdios com tecnologia de ponta e técnicos entendedores da matéria para que não tenhamos de recorrer sempre ao mercado de fora. Um maior investimento por parte do Governo mas melhor dirigido pelas entidades responsáveis pela cultura. Apostar mais no nosso potencial profissional. Ideias temos muitas mas passá-las para um produto final de qualidade seja em CD ou DVD é uma grande batalha. Estamos em estúdio a trabalhar no nosso próximo álbum já há 4 anos mas temos fé de que este será um fruto de dar água na boca. Entrevista: Joel Costa

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Como está o estado actual do Metal em Angola? Nicanor - O Estado actual do metal em Angola não está mal. Visto ser um estilo muito pouco aceitável pela comunidade angolana, o fardo ainda é muito pesado para as poucas bandas existentes. Porém, pode-se dizer que está bom pelo facto de que as poucas bandas que existem representam muito bem os seus estilos. Fazer Metal em Angola é difícil? Alguma vez pensaram em desistir? Sim. A começar pela falta de lojas a vender instrumentos musicais de qualidade e principalmente instrumentos feitos especialmente para Metal. Apesar de nunca nenhum de nós ter falado abertamente sobre o assunto, todos nós já pensámos em

desistir, principalmente por causa da saída do primeiro vocalista da banda que ainda chegou a gravar a música e o Videoclip do tema “Breaking My Way”. Gravaram um vídeo para o tema “Breaking My Way”. De que nos fala o mesmo? O tema fala de um jovem que não consegue ultrapassar a morte da sua esposa e a partir daí passa a ter alucinações de que ela ainda está viva e que ambos estão a ser perseguidos, e pede a Deus por salvação por ambos. E para quando um álbum? Há editoras interessadas no Metal Angolano? O álbum está longe de ter uma data prevista. Em Angola ainda não há editoras interessadas em Metal,

mas há alguns tempos atrás a editora francesa “Infernal Hails” esteve à procura de bandas em alguns dos países da África Austral, mas os estilos teriam que ser Thrash, Black ou Death Metal, mas teria se ser obscuro ou satânico e infelizmente nenhuma banda angolana apresenta estas características. Como é que surgiu o gosto por este estilo musical? Existem algumas bandas com as quais tiveram um primeiro contacto que gostariam de mencionar? De modo geral, os elementos de forma particular começaram gostar por causa de familiares que já ouviam algum tipo de Metal ou Rock, ou então com a convivência entre amigos. Algumas das bandas com as quais tivemos os primeiros contactos mais próximos foram as


bandas Dor Fantasma e Black Angels, tendo sido também “nossos professores”. E em relação à noite de Angola? Quem é que geralmente organiza os concertos e de que forma é que promovem os mesmos? A noite de Angola ainda tem muitos poucos eventos dedicados ao Metal e ao Rock. Aliás, a comunidade de músicos e amantes de Rock ainda é tão pequena que conhecemo-nos todos e estamos em constante contacto, inclusive os eventos são feitos sempre para acolher todo o tipo de Rock, pelo que é muito normal um Show aqui começar com Grunge e acabar em Death Metal. Quem organiza os concertos são os próprios músicos e alguns ouvintes que estão sempre a apoiar de qualquer forma até mesmo de forma monetária. A principal forma de promovermos os eventos é pelo Facebook, também pela Rádio e panfletos colados nas ruas (Pessoas envolvidas na promoção: Manel Kavalera; Yuri Almeida; Luís Nambi; Pagya Hard Metal; Wilson Pipas; Wilker Flores e Sónia Ferreira). O que acham que é preciso para o Metal no vosso país crescer? O sucesso das bandas angolanas depende de quem? Apesar do Metal não ser um estilo propriamente comercial, talvez comercializar mais o Metal em Angola fizesse com que mais pessoas ouvissem o estilo e assim haveria mais interesse, mais apoios e mais aderência por parte dos músicos. O sucesso das bandas angolanas depende primeiro delas mesmas. É necessário tocar bem e com o máximo de condições para um bom som, e depois tentar chamar a atenção das editoras internacionais. E talvez com uma expansão a nível internacional se desse mais valor ao estilo a nível nacional.

Entrevista: Joel Costa


Já se tinha falado disto por aqui: à terceira é mesmo de vez e desta vez também o foi para os Evile. «Five Serpent’s Teeth» é o nome do novo álbum dos britânicos, que falam um pouco deste novo trabalho pela voz de Ben Carter, o baterista.

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uitos parabéns pelo novo álbum. Qual é o sentimento geral da banda em relação a este novo lançamento? É fantástico! “Five Serpent’s Teeth” representa tudo aquilo que fizemos até à data. Estamos muito satisfeitos com o trabalho final. A artwork é simplesmente brutal! Consideras que a arte representa a 100% a música presente em “Five Serpent’s Teeth”? Sim. A capa foi desenhada por um artista chamado Gustavo Sazes e ele realmente conseguiu associar a artwork à música presente neste álbum. O título e o conceito foram escolhidos pelo Matt (vocalista) e ele gosta de deixar algumas coisas em segredo pelo que cada um poderá interpretar o seu significado. Existe algum conceito neste álbum? Sim, existe. “Five Serpent’s Teeth” é baseado em sonhos maus e todas aquelas coisas que nos assombram à noite. Algumas coisas pelas quais temos passado reflectiram-se um pouco neste álbum. Existe muita raiva, sabes? Também quisemos fazer uma abordagem mais simples, tal como fizemos no primeiro

álbum. Gostamos de riffs e de uma linha vocal mais cantada... Basicamente quisemos fazer algo mais directo sem recorrer tanto ao lado técnico da coisa e o nosso produtor, Russ Russell, ajudou-nos muito nesse sentido. Muitos dizem que o Thrash Metal morreu há muito tempo atrás. O que tens a dizer sobre isto? Eu não acho que o Thash Metal tenha morrido. Diria que simplesmente ficou enterrado. O pai do Matt e do Ol’ tocou guitarra neste álbum. Quem teve esta ideia? Pois foi! Surgiu de todos. Já nos conhecíamos há bastante tempo. O pai deles é um excelente guitarrista e foi ele quem os ensinou a tocar. Nós éramos miúdos e pedíamos ao Sr. Drake para tocar esta ou aquela música e ele atendia os nossos pedidos. Foi uma experiência muito boa gravar com ele! Esta foi a primeira vez que gravaram com o Joel Graham, o vosso novo baixista. Como foi trabalhar com ele? Foi excelente. O Joel é muito bom naquilo que faz e respeita muito a banda. Ele conhecia o Mike Alexander (falecido bai-

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xista)... frequentaram a mesma escola, os mesmos pubs... por isso foi muito bom para nós o facto de haver esta química. Como é que chegaram até ele? Foi curioso, sabes? Fizemos um casting, como é normal, mas o Joel foi o único que nos disse como ele era. Falou dele, sabes? Partilhou a sua história connosco e não fez como os outros que só diziam “eu sei tocar esta música, sei tocar aquela”... Então identificámo-nos logo com ele e resolvemos experimentar tocar juntos. Correu bem e aqui estamos nós! Quem é que assume a liderança na altura de compôr? São todos ou parte dos irmãos Drake? Somos todos. Todos contribuímos com ideias aqui e ali mas o principal vem do Matt e do Ol’. Geralmente é o Matt quem aparece com conceitos e com as ideias, então sentamo-nos e todos contribuímos para o resultado final. Li que não estavam nada à espera de assinar com a Earache Records e que eles vos apanharam de surpresa. Porquê? (risos) Sim, não estávamos mesmo nada à espera. No início tocávamos umas covers, depois começamos a tocar originais e as pessoas continuavam a aparecer para ver-nos tocar. Um dia, depois de um concerto, fomos contactados pela Earache que possuía representantes nesse concerto e gostaram muito da nossa performance. Foi tudo muito surreal!

Tocaram recentemente em Portugal, no SWR Metalfest. Tiveram a oportunidade de visitar o país? Infelizmente não. Foi tudo a correr... Quando estamos em tour nunca temos a possibilidade de visitar essas cidades pois estamos logo a correr para outro local. Mas lembro-me que foi no Norte do País e de ver muitos montes. Existe um vídeo onde podemos ver os Evile a tocar a “Thrasher” no jogo Rock Band. O que é mais fácil de tocar? Uma bateria a sério ou uma bateria de um jogo? (Risos) Já nem me lembrava disso! As coisas que vocês encontram no YouTube (risos). Uma bateria a sério, sem dúvida. Se bem que é muito mais complicado tocar naquelas guitarras que eles fazem para os jogos do que numa normal, pois a bateria é algo semelhante mas é muito mais fácil numa bateria real. Gostas de jogos? (risos) Sem dúvida! Todos jogamos sempre que temos oportunidade... nas tours, por exemplo, costumamos jogar com frequência. Nos jogos podes ser alguém diferente, sabes? Podes explorar toda uma nova realidade... é muito bom! Alguma palavra final para os fãs Portugueses? Claro! Ouçam o nosso álbum e apareçam nos nossos concertos. Vamos tentar passar por Portugal logo que possível, ok? Muito obrigado! Entrevista: Joel Costa


O poderoso “Until Fear No Longer Defines Us” marca mais um capítulo da subida a pulso dos finlandeses GHOST BRIGADE. Fomos ouvir o guitarrista Tommi Kiviniemi, que nos desvendou algumas das batalhas que a banda ainda tem pela frente.

“A identidade dos Ghost Brigade tem sido sempre a mesma, mesmo a linha ténue que definimos para não fazermos qualquer tipo de cedências estúpidas. Se quiseres levar isso à letra, acho que estamos muito perto de onde nos propusémos.”


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ermite-me começar por agradecer esta entrevista e felicitar a banda pelo fantástico novo álbum. O que podes dizer aos leitores da Infektion Magazine sobre “Until Fear no Longer Defines Us”? Muito obrigado pelos elogios. Posso dizer que é o nosso terceiro álbum e o melhor que fizemos até agora. Em última análise, tratou-se de uma experiência um pouco diferente. Desta vez, ao entrarmos no estúdio, estávamos mentalmente mais confiantes. Também tinhamos ensaiado o álbum praticamente na sua totalidade, desde o início do processo, como se o fossemos tocar ao vivo. Isso, penso eu, tornou este um album mais sólido em comparação com os anteriores. Uma das principais mudanças que notei no disco é a produção, que está mais nítida do que nunca. O que contribuiu para isso? Na verdade, não mudámos praticamente nada no modus operandi. O estúdio foi o mesmo, assim como o engenheiro de gravação/co-produtor, o Antti Malinen. As diferenças ocorreram sobretudo nossas cabeças. O Antti e nós estavamos mais dispostos a fazer este álbum. Logo, o produto final surgiu mais solto, sem medo, mais maduro e o soa mais natural. Na minha opinião, é muito difícil categorizar o som dos Ghost Brigade, uma vez que continuam a alargar a gama de estilos usados para ​​ produzirem o vosso próprio estilo. Que estados de espírito achas que concentram no vosso som? É o humor do momento. Tudo o que fazemos é mais ou menos dependente do sentimento que vivemos na altura. Ao terceiro álbum, sinto que os Ghost Brigade vão-se aproximando da sua identidade. Sentem o mesmo? Bem, sim, de certa forma. A identidade dos Ghost Brigade tem sido sempre a mesma, mesmo a linha ténue que definimos para não fazer-

mos qualquer tipo de cedências estúpidas. Se quiseres levar isso à letra, acho que estamos muito perto de onde nos propusémos.

montes de emoções diferentes, sítios novos e toda a excitação inerente pode ser realmente uma atmosfera muito produtiva.

Como descreverias um apreciador dos Ghost Brigade? Isso é simplesmente muito difícil de responder... Não sei. Acho que não há perfil para um fã dos Ghost Brigade. Penso pode ser qualquer pessoa. Pelo menos eu notei que não predominam certos tipos de pessoas nos nossos espectáculos, por exemplo. Como tal, é muito difícil descrever um perfil padrão.

Os Ghost Brigade vão crescendo com muito esforço dos seus membros, quer na promoção, gestão do website, etc. Achas que esta a única maneira de uma banda “sobreviver”, nos dias de hoje – isto, claro, se não contarmos com os artistas mainstream? Não sei se é a única maneira de “sobreviver”. Depende a que nível operas e o que decidiste fazer com a tua banda. É claro que todo este trabalho faz com que as pessoas se recordem do teu nome com mais facilidade. Mesmo assim, se essa é a única coisa pela qual és recordado, talvez seja a hora de repensares a tua escolha de carreira ou, pelo menos, como e porquê o fazes. Acho que o consumidor hoje em dia é bombardeado em excesso. Entrevistas, debates, alguém a promover isto e aquilo. Muita da informação que recebemos não é válida para ninguém. Quero dizer, para muitas pessoas envolvidas neste negócio parece que o conteúdo de música e as pessoas por trás da mesma não são o mais importante, desde que tu faças certas coisas para permanecer visível na cena. Eu entendo que há negócio por trás de tudo e que é necessário manter as coisas à tona neste mundo agitado. É assim que as coisas funcionam, hoje em dia. Os “penalizantes” mercados agem desta forma e essa é a razão para que parte da cena musical esteja a sofrer uma severa inflação forçada. Como membro de uma banda, fã e consumidor, acho a situação triste.

O que mudou desde que pegaram nas guitarras pela primeira vez, há seis anos atrás? O facto de sabermos um pouco mais sobre o que queremos fazer com esta banda, e que somos mais capazes de agir em prol da banda. Vocês têm feito muitas actuações ao vivo. Como tem resultado o novo material em cima do palco? Muitas actuações? Eu acho que damos poucos concertos em comparação com a média de qualquer banda deste nível. De qualquer forma, o novo material está a funcionar muito bem ao vivo. Como disse anteriormente, temos ensaiado o álbum para que possa ser reproduzido na sua totalidade em cima do palco. É mais emocionante para nós e esperamos que para o público também. Esta é uma coisa que já queríamos fazer há muito tempo. A vida na estrada é uma oportunidade para “polirem” as canções mais recentes ou sentem que se estabelece um bom ambiente para escrever? Acho que é um ambiente tão bom quanto qualquer outro. Wille (Naukkarinen – guitarrista), o nosso principal compositor, tem a sua forma de escrever música. Mas ele, definitivamente, nunca se esquiva a trazer uma ideia nova ou um riff, não importa onde se encontre. É claro que estamos mais concentrados quando tocamos o material do álbum mais recente, mas também não é impossível escrever em tour. Sucedem

Quais os planos da banda para o futuro? Nós realmente não fazemos qualquer plano rigoroso. Para já, vamos fazer as digressões agendadas, talvez apontando para mais algumas datas, se for possível. Por agora, é só deixar o tempo rolar e ver o que o futuro tem para nos oferecer. Entrevista: José Branco


Vindos das não tão distantes terras da Rússia, os ARKONA lentamente, mas seguramente conseguiram escalar até ao seu merecido lugar como banda de renome do Folk Metal. “Slovo” é o nome do seu último álbum, e a Infektion entrou em contacto com a vocalista, Masha “Scream” Arhipova para nos falar um pouco do mesmo, entre outras coisas.

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assaram-se quase 10 anos e 6 albuns desde a criação de Arkona. Como tem sido até agora? Interessante! E com cada passo torna-se cada vez mais interessante! Nunca se sabe o que irá acontecer a seguir. O nosso objectivo nunca foi tocar em grandes palcos, e ganhar muita popularidade, nós apenas respirámos fundo, seguimos o nosso caminho, e fizemos o que gostamos. Para aqueles de nós que não falam Russo, poderias-nos dizer um pouco acerca do conteúdo lírico habitual nos vossos álbuns? As minhas letras falam acerca de muitos eventos e temas, maioritariamente ligados com a revivência da história do meu país, e a minha visão do mundo. Às vezes estou a contar estórias sobre algo, ás vezes estou a cantar acerca do ponto de vista dos meus antepassados, às vezes sobre a minha opinião acerca do mundo moderno. É difícil descrever tudo, mas começámos a colocar pequenas descrições de cada canção no booklet para os nossos ouvintes não Russos, para que possam compreender do que as letras se tratam. Escrever as vossas letras solamente em Russo é algo que fazes questão de fazer, ou é algo que apenas flui naturalmente, tendo em conta a natureza da banda e a sua música? Canto apenas em Russo porque não vejo nenhuma razão para que uma banda que cante sobre a história do seu país tenha as letras noutra linguagem. E também porque nenhum de nós conhece bem outras línguas para além do Russo. Usamos nas nossas letras estruturas complicadas, nomes de Deuses, costumes, passagens em Eslavo antigo e muito mais, sendo-nos impossível traduzi-las para qualquer outra linguagem. Slovo, o vosso último álbum é definitivamente um grande trabalho! Podes falar-nos um pou-

co sobre ele? Após o lançamento do nosso último album demos imensos concertos, ainda mais do que dos que tínhamos dado em toda a vida da banda. Na verdade, desde o fim de 2009, passávamos mais tempo na estrada do que em casa, e todo o tempo que passávamos em casa era usado nas gravações de “Slovo”. Já agora, a maior parte das canções do mesmo nasceram durante as intermináveis viagens e touring. Cada novo álbum para mim é o meu favorito, porque os sentimentos sobre os quais canto são os mais recentes e actuais. Por isso não será nenhuma surpresa se vos disser que “Slovo” é o melhor trabalho na história de Arkona. É mais diverso que o anterior, tem mais partes de Folk. Começámos a usar mais instrumentos, começámos a cantar sobre novos temas. Recusamo-nos a ficar estagnados, desenvolvermo-nos é o nosso principal objectivo. Parece haver um bom número de bandas de Folk/Pagan Metal a emergir da Rússia nestes últimos anos, alguma ideia do porquê? Não reparei numa quantidade muito grande, mas algumas bandas foram de facto criadas, e isso é bom. Acho que a cena Pagã Russa tem futuro. Existem algumas bandas talentosas e espero que tenham sucesso no futuro. O que vos atraiu tanto no Folk Metal para decidirem criar uma banda dedicada ao género? Nos tempos do começo de Arkona, eu ouvia Nokturnal Mortum e Butterfly temple, as primeiras bandas que começaram a tocar Folk Metal na Rússia e na Ucrânia, por isso queria tocar música como aquela. Achas que o género musical e as suas pessoas são diferentes agora quando comparadas com quando vocês começaram? Não acho que nada em especial tenha mudado. Bandas respeitáveis e as pessoas que as criaram apenas ficam

mais velhas com o tempo, e a todo o tempo são criadas bandas novas que acham o apreço dos ouvintes deste género. Em geral, posso dizer que está tudo bem, sem mudanças. Os Arkona parecem ser uma banda extremamente produtiva, mantendo sempre um ritmo constante de lançamentos durante estes anos. Existe alguma fórmula especial por detrás disso? Absolutamente não! Como disse, nós temos o nosso caminho e estamos constantemente a evoluir, nunca ficando no mesmo sítio. Acho que cada banda deve evoluir, porque caso contrário significa a morte da banda. Tenho a certeza que te perguntam isto imensas vezes mas, como é ser mulher num tipo musical maioritariamente dominado por homens? É algo em que sequer ponderas regularmente? Acho que não importa, ser homem ou mulher. O mais importante é o que queres dizer ás pessoas e se o estás a fazer do coração. Algo que tereis planeado para o futuro da banda que nos gostarias de revelar? Nós nunca planeamos muito, apenas deixamos as coisas acontecer como devem acontecer. Apenas temos uma série de concertos no futuro próximo, podem consultar o nosso site para esse efeito – www.arkona-russia.com E claro, a pergunta de um milhão de dólares; Quando nos concederão a honra da vossa presença aqui em solo Português? Tudo depende dos vossos promotores. Quando nos convidarem iremos imediatamente! Vemo-nos muito brevemente e tudo de melhor para vocês! Entrevista: David Horta


“Darkness In The Light” é já considerado por muitos como o melhor álbum dos Unearth e um dos melhores (se não o melhor) do ano de 2011. John “Slo” Maggard, baixista da banda, também gosta de pensar assim! Estivemos à conversa com “Slo” e o vocalista Phipps, conversa essa que podem ler de seguida.


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McGrath disse que muitas bandas aparecem e desaparecem e é difícil de ganhar a vida com o Heavy Metal neste momento. Foi difícil para vocês andar por aqui durante 13 anos? Qual é a coisa mais difícil de se fazer parte de uma banda de Metal? John “Slo” Maggard – Também acho que seja muito difícil de fazer parte de uma banda de Metal. Aliás, é muito difícil comprometeres-te com uma banda de qualquer estilo de música por um longo período de tempo. Existem muitos picos e muitos obstáculos para serem ultrapassados mas considero que seja mais difícil ainda fazer parte de uma banda de Metal. Existem muitos tipos de música pesada por aí e a qualquer momento uma banda é mais popular que outra apenas porque o tipo de Metal é popular naquele momento. Acho que muitas bandas caiem no esquecimento porque a popularidade desse estilo musical diminui de tal forma que torna-se muito difícil para uma banda fazer tours. Já vimos isto acontecer com outras bandas e até com nós próprios até determinado ponto, no entanto, nós somos os Unearth e continuamos por aí como sempre. Fazemos o que fazemos porque gostamos e não porque um grupo de pessoas 10 anos mais novas que nós dizem para o fazermos. Temos a sorte dos nossos fãs continuarem aqui pela mesma razão que nós: passar um bom bocado e desfrutar de um bom Heavy Fuckin’ Metal. O vosso novo álbum, “Darkness In The Light”, está agora disponível para compra. Fala-me um pouco do título... É algo que reflecte a situação dos Unearth neste momento? John “Slo” Maggard – Musicalmente, este álbum representa-nos como uma banda inteira. Quanto ao título, achamos que era o nome perfeito para representar o álbum. Talvez o título represente a morte. Talvez a luz seja aquilo que vemos no fim e as trevas seja aquilo que inevitavelmente nos envolve. Tal como no passado, os nossos títulos – assim como as letras – são para serem interpretados por quem ouve. Para os que ainda não ouviram o vosso disco, o que podem es-

perar do mesmo? John “Slo” Maggard – Espero que não estejam à espera de nada e depois de o ouvirem talvez se apercebam de que este é um bom álbum e que os Unearth estão aqui para ficar... e talvez, só talvez, voltem a gostar de nós outra vez (risos).

acabam por nunca ficar bem nesse dia. Chama-se a isso ser humano. Felizmente temos um robot chamado Adam D. que nos ajuda a produzir a perfeição (risos)! Com a ajuda do Adam, fiz o melhor que soube. Foi o meu melhor trabalho em toda a minha carreira.

Alguns dizem que “Darkness In The Light” é o melhor disco dos Unearth. O que pensas disto? John “Slo” Maggard – Eu concordo com quem pensa dessa forma. Este álbum representa tudo aquilo que já fizemos enquanto banda e ainda sobe para o nível seguinte. Estamos bastante orgulhosos deste álbum.

Durante as gravações decidiram dispensar o Derek, o vosso baterista. Qual a razão? Achas que ele não partilhava o mesmo espírito para a gravação deste disco? John “Slo” Maggard – Não gosto de falar muito sobre o Derek e sobre a situação que o levou a sair. O Derek é como um irmão e será sempre. No final de contas, as diferenças musicais causaram uma divisão entre nós. Isto foi o melhor para nós e para ele. Tenho a certeza disso.

“Watch It Burn” parece ter uma mensagem política. Podes falar-nos um pouco disso? John “Slo” Maggard – Concordo que a música tem definitivamente conotações políticas. Eu e o Trevor estávamos a falar exactamente disso numa altura em que estávamos a expôr ideias para vídeos. Há muita frustração por aí com os políticos de todo o Mundo e pela forma como o nosso Mundo é governado. Uma vez mais, deixamos isso para cada um de vocês interpretar mas talvez “Watch It Burn” seja um apelo à revolução. Talvez não para o significado da palavra que vem no dicionário mas sim uma revolução de outro tipo... talvez pessoal. O que é mais importante para ti? A música ou a mensagem? John “Slo” Maggard – São ambas importantes. Podes ter uma música excelente que seja arruinada por uma mensagem incompetente. E da mesma forma podes ter uma excelente mensagem marcada por uma música fraca. A música e a mensagem andam de mãos dadas para nos dar um pensamento completo, uma mensagem e uma música. Esta é para o Phipps... Disseste que ficaste algo arrependido com alguns momentos da tua performance vocal em “The March”. Ficaste nervoso com as gravações deste novo álbum? E o que pensas da tua performance agora que o disco está completo? Trevor Phipps – Existem sempre alturas em que as gravações podem-se tornar bem frustrantes e as coisas

Como foi trabalhar com o Justin Foley? Ele vai tocar ao vivo com vocês? John “Slo” Maggard – Trabalhar com o J-Fo foi um prazer, sem dúvida. Ele fez um trabalho fantástico nas gravações. Fez duas tours connosco e agora deixou-nos para dar lugar ao Nick Pierce na bateria. O que é que vais fazer nos próximos dias? John “Slo” Maggard – Bem, vou andar por casa nestes próximos dias e depois vamos para o Japão. Depois disso vamos descansar um pouco e depois nova tour na América do Norte. Tocaram em Portugal há alguns anos atrás. Lembraste de alguma coisa daqui? Vale a pena voltar? John “Slo” Maggard – Eu vivo numa comunidade Portuguesa lá nos Estados Unidos. Para mim foi fantástico visitar a terra dos meus amigos. Gostei muito de estar aí e estou ansioso por voltar a visitar-vos, seja para tocar ou para passar umas férias. Algumas palavras para os fãs Portugueses? Muito obrigado a todos pelo vosso apoio! Com sorte ainda nos vemos novamente este ano!

Entrevista: Joel Costa


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ive a oportunidade de ouvir o vosso mais recente álbum, “One Reality” e devo dizer que fiquei bastante surpreso! Parabéns por este trabalho! Agora, como é que vocês se definiriam como banda? Ben: Obrigado, isso significa muito para nós! Somos apenas 5 melhores amigos que amam e gostam de escrever / tocar música uns com os outros. Nunca pensamos que poderíamos chegar tão longe, por isso estamos a levar as coisas devagar, um dia depois do outro, para ver onde a música nos leva.

gares de grandes e pequenos. Depois de visitar e tocar nesses lugares, eu não acho que nos tenha afectado positiva ou negativamente.

O que desejam compartilhar com este projecto TEXAS IN JULY? Nós escrevemos a música que gostaríamos de ouvir, por isso queremos compartilhar a nossa música com alguém que está disposto a dar-lhe uma escuta.

Para uma banda que começou apenas há 5 anos atrás, já atingiram o status de um grupo bem sucedido na cena. Foi difícil chegar a tal lugar? Foi precisa uma equipa de grandes pessoas, bem como o apoio de amigos e familiares. Trabalhamos muito duro para chegar onde estamos hoje, e é arrebatador saber que chegámos aqui. Um sonho tornado realidade.

Para uma banda tão jovem na cena e que fez um trabalho tão bom até agora, onde pretendem ir em seguida, musicalmente falando? Pretendemos começar a escrever um novo álbum, gostaríamos de trazer de volta a sensação das nossas músicas antigas, mas, ainda assim, dar-lhe uma vibe do nosso novo álbum. Misturar os dois sons juntos, e criar algo inteiramente novo para nós é o nosso objectivo. Quando começaram este projecto, todos vocês eram muito jovens… As pessoas à vossa volta (outras bandas / editoras / promotores) levavam-vos a sério? Não, nem sequer os nossos pais. Tudo começou muito devagar, no liceu apenas a dar concertos nos fins-de-semana, quando não tínhamos aulas. Depois desta fase e alguns anos depois, ainda estamos a fazer música e a curtir cada segundo. Então foi-nos oferecida uma oportunidade para gravar o nosso primeiro registo, e aí é que as coisas começaram a ficar muito mais sérias. Agora, 5 anos de ser uma banda, estamos a fazer coisas que nunca pensámos que iríamos fazer! É incrível! E eu não poderia estar mais agradecido. Quando se trata da indústria de música norte-americana, lembramo-nos da Califórnia, de Nova York, do Texas e estados e cidades maiores. Como é que as coisas se desenrolaram para vocês, uma banda de uma cidade pequena como Ephrata, Pensilvânia? Há bandas de todo o mundo, que são lu-

Talvez esta seja uma pergunta à qual respondeste mil vezes, mas, porquê TEXAS IN JULY? Estávamos à procura de um nome que nenhuma de outra banda tivesse. Enquanto pensávamos nisto o nosso guitarrista, Christian, estava a falar sobre a sua recente viagem ao Texas em Julho, quando ele o disse, isto chamou-nos à atenção e decidimos fazer deste nome, o nosso.

Durante as vossas Tours anteriores, tiveram a oportunidade de tocar ao lado de com bandas como August Burns Red, The Devil Wears Prada e assim por diante... Como se sentiram? Compartilhar o palco com bandas incríveis como estas são sempre grandes momentos, sempre concertos incríveis. Como bem sabes, há muitas bandas core que se afirmam como religiosas, católicas e assim por diante... Também se vêem como uma banda que tem uma mensagem religiosa? Na nossa banda somos todos de origem cristã e crentes. Temos algumas canções com significado religioso, mas não todas. O número de bandas com mensagens cristãs ou assumidamente cristãs está a crescer nos Estados Unidos. Qual é a tua opinião sobre isso e o que achas que leva as pessoas para criar tais bandas? Acho que existem bandas que fazem isso apenas para a atenção e também a questão de haver liberdade para se rotularem como tal. Mas existem bandas que estão lá fora a todo o gás, e também há bandas como nós, que acreditamos, mas optamos por não pregar às pessoas, ou falar sobre religião em palco. Eu sinto que há muitos tipos diferentes de bandas cristãs nestes dias… Têm significados diferentes para pessoas diferentes. Entrevista: Narciso Antunes


Os Diesel Humm! lançaram recentemente “Collapsing World”, um trabalho que reflecte os mais de 10 anos de estrada de uma banda que já fez de tudo. Conheçam-nos melhor aqui:

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s Diesel Humm existem desde 1999. Que balanço fazem do vosso percurso musical? Podemos dizer com certeza que todas as bandas têm coisas em comum no seu percurso, tais como, tocar covers inicialmente para fortalecer a estrutura da banda, começar a compor temas originais, dar os primeiros concertos (gratuitamente, quando não a pagar despesas para ir tocar), gravar a primeira maquete, participar em eventos conjuntos com outras bandas, etc. Nós passamos por tudo isso e muito mais. Actualmente olhamos para trás e vemos que já fizemos um pouco de tudo aquilo que tínhamos como “sonho”, des-

de partilhar palco com algumas bandas que eram referência para nós, tocar em eventos de grande dimensão, gravar três trabalhos, participar em discos de tributo e compilações, assinar contrato com uma editora, fazer digressões em Portugal e na Alemanha, entre outros.. “Collapsing World” possui alguma referência ao vosso trajecto musical? Sim, todos os trabalhos que fazemos reflectem o que está para trás. Neste caso o single Diesel’s Back é um exemplo óbvio disso mesmo mas existem muitas coisas sobre nós noutros temas também.

Este novo álbum saiu em Agosto pela Audioplay Records. Como foi gravá-lo? O processo de gravação foi muito diferente do álbum anterior, visto que actualmente os elementos da banda têm muito pouco tempo disponível. Tendo em conta que a editora estabeleceu datas de lançamento e preparou tudo com antecedência o trabalho de estúdio teve que cumprir com essas mesmas datas, aqui contámos com a preciosa ajuda do nosso produtor Lino Vinagre que já nos acompanha desde o álbum “Stop - The War”. Tivemos também que conciliar as gravações com a entrada de um novo elemento, a Sara, que partilha agora as lides vocais com


o Luis. O alinhamento do CD pode ser visto com a numeração romana. Diriam que cada música de “Collapsing World” é um capítulo? Pode ser interpretado dessa forma em que cada capítulo começa e acaba o mesmo assunto, mas podemos também dizer que o alinhamento ainda não está acabado e que possivelmente terá continuidade de acordo com os anos já percorridos. Estamos ainda a celebrar 10 anos de carreira mas já passamos a data dos 10 há algum tempo. De que gostam de escrever? Procuram abordar diversos temas ou têm alguma preferência? Gostamos de escrever sobre os mais diversos assuntos, o mais importante é que aquilo que escrevemos encaixe no sentimento que a própria música nos transmite. Queremos também que as pessoas que ouvem a nossa música se identifiquem com grande parte dos temas, por isso tanto escre-

vemos sobre histórias épicas, sobre a natureza e o mundo em que vivemos como escrevemos sobre a vida ou sobre sentimentos do dia a dia.

estúdio como também ao vivo. Começámos a levar as coisas a sério e surgiram os verdadeiros concertos com todas as condições necessárias.

Porquê a Gaita-de-Foles? Foi algo que aconteceu com muita naturalidade. Nos estúdios Audioplay passam todos os dias vários tipos de instrumentos e músicos, foi dada a sugestão por alguém próximo da banda e assim foi, umas cervejas depois tínhamos Gaita-de-Foles no single.

Fizeram algumas datas para promover o vosso novo disco durante o mês de Agosto. Podemos contar com vocês na estrada brevemente? Cumprimos com as 4 datas de lançamento de Agosto até 10 de Setembro. Correu tudo bastante bem, as pessoas estão a gostar do disco e a adorar o concerto. Tocámos também com uma banda filarmónica e ficaram muitas ideias no ar.

Participaram no CD de tributo aos Tarântula. Falem-nos um pouco dessa experiência. Foi algo que nos marcou profundamente. Fomos contactados para fazer uma versão de um tema deles e essa música iria fazer parte de um álbum comemorativo. Ficámos muito contentes pois era uma experiência nova para todos, ainda mais porque gravámos o tema nos estúdios Rec n’ Roll com o Luís Barros. A partir daí os Diesel-Humm! tiveram como referência o profissionalismo que caracteriza os Tarântula não só em

Planos para o futuro... Continuar a tocar e promover este trabalho, gravar o vídeo-clip para o single, compor novos temas para continuar a contagem dos capítulos e quem sabe gravar um concerto ao vivo em DVD. Entrevista: Joel Costa


banda Apesar de serem uma ESH jovem, os HATE IN FL o muito parecem ter um rum u Death bem definido com o se fektion Metal melódico. A In Maiko Magazine falou com dos Ramos (vocalista), um e comquatro brasileiros qu do em põem este grupo radica Lisboa.

Para quem não vos conhece, qual a origem da banda e como descrevem a vossa sonoridade? Os Hate in Flesh (HINF) foram criados em meados de Agosto de 2009. Um dia, ao voltar do trabalho, encontrei o Paulo (Oliveira, guitarrista) na rua e algo me dizia que deveria falar com ele. “Coisas do destino”(risos)! Depois de muita conversa decidi-

mos fazer uma banda. Eu já conhecia o César (Silva) e contava com ele como guitarrista. O Paulo numa procura nas redes sociais encontrou o Euler (Morais) que viria ser o baterista. Posteriormente, após alguns ensaios como baixista/vocalista, deixei o posto de baixista para Pedro (Bastos) e assumi apenas as vocalizações. Todos dentro de um estúdio onde ninguém se conhecia. Foram muitos ensaios até que começasse a sair algum som. Parecia um “bebé tentando caminhar pela primeira vez”. E por cada um de nós ter vindo de uma escola musical diferente não nos conseguimos focar apenas num estilo. Fazemos aquilo de que gostamos e não conseguimos realmente rotular-nos. Prefiro que cada pessoa que oiça o nosso trabalho trace o seu próprio conceito da banda. Do que trata o álbum de estreia “Wandering Through Des-

pair”? Qual a mensagem que pretendem transmitir com a vossa música? O nosso primeiro trabalho tem como principal tema a nossa realidade - onde as pessoas cada vez mais preferem desistir do seu sonhos e objetivos por não conseguirem ultrapassar os obstáculos que a vida vos oferece do que lutar por aquilo que desejam. Esse tipo de atitude sempre me incomodou, pois acho que desistir ou ficar à espera que algo de bom aconteça já não são pensamentos que funcionem na realidade em que vivemos. E nas letras das nossas músicas fica bem explicita essa nossa vontade de despertar as pessoas para realidade e também transmitir forças para nunca desistirem dos seus objetivos - sejam eles quais forem. Não queremos ser mais um grupo de pessoas tentando impôr um estilo de vida ou algum tipo de ideologia. Queremos apenas “dar


um tapa na cara” de quem oiça as nossas músicas - e ser como uma voz dentro de cada pessoa a dizer para nunca desistir. Acho que esse vai ser sempre o principal objetivo das nossas composições e “Wandering Through Despair” aborda vários temas neste âmbito - para que cada um encontre nas nossas músicas alguma semelhança com a sua realidade.

de sites, blogues ou revistas que acreditam no nosso potencial e nos têm apoiado. Estamos à procura de promotores para que possamos ter o máximo de exposição nos media. Acreditamos que uma banda para ter sucesso tem de pensar como uma empresa e saber fazer investimentos, que a longo prazo podem resultar em benefícios.

Que reacções têm tido a este álbum da parte do público e da crítica? Em relação ao público temos tido uma boa resposta. Estamos a divulgar o álbum desde o princípio do ano e temos tocado em todo o território nacional. Até agora, acho que tem resultado. E é normal que este processo seja muito lento visto que somos uma banda nova com apenas 2 anos de formação e, normalmente, quando damos um concerto a maioria das pessoas nunca ouviu falar de nós. Mas conseguimos fazer sempre com que a primeira impressão que tenham seja positiva e mesmo neste pouco tempo já ouvimos pessoas a dizerem que nos querem ver novamente. Como tal, acreditamos que, com o tempo e muito trabalho, vamos conquistar o nosso espaço e o nosso público. Temos algumas reviews que foram feitas por revistas e sites do exterior. Claro que sabemos que a nossa música não é algo de inovador. Neste primeiro álbum temos temas que variam de músicas melódicas a temas mais extremos - e esta mistura fez com que fossemos criticados por uns e elogiados por outros. Acho que é impossível agradar sempre mas todas as críticas que sejam construtivas serão sempre bem aceites pela banda. Acredito que esta seja a fórmula para o crescimento de qualquer banda: “saber ouvir”.

E em termos de contrato discográfico, sentem que ainda é possível relançar este álbum através de uma editora? Com certeza. Seria muito bom se alguma editora relançasse o nosso álbum. Estamos satisfeitos com o trabalho final e acho que toda a banda tem de passar por essa experiência de produzir o seu próprio álbum. Caminhamos sempre com as nossas pernas, sem esperar que apareça alguém para “nos ajudar”. Fazemos com que essa experiência seja muito positiva para nós. Mas é claro que vamos sempre considerar a hipótese de um dia relançarmos “Wandering Through Despair” por uma editora acho que seria uma grande realização para cada um de nós.

Reparei que têm feito uma boa promoção do álbum, sobretudo através das redes sociais. Como pensam fazer chegar Hate in Flesh a mais gente? Realmente temos trabalhado constantemente para que as pessoas conheçam o nosso trabalho. Mas tenho sempre a impressão que não é suficiente. Aliás, estamos diariamente à procura de alternativas que nos ajudem a publicitar a banda. Temos tido muito apoio em Portugal, seja

Sentem que em Portugal escasseiam os apoios e promoção a bandas como a vossa? Infelizmente, cada vez mais, a escassez de apoios para bandas que querem realmente progredir na cena nacional, a falta de condições por parte dos organizadores de eventos (que acham que as bandas não devem ganhar nada e no máximo merecem um lanche e uma bebida, e muitas vezes nem isso é oferecido - sem contar as vezes que temos que levar o todo o back line), são situações que, ao longo do tempo, vão causando um certo desconforto e desgaste que leva a que muitas bandas desistam pelo caminho. O próprio público também contribui para esta falta de apoio, visto que preferem pagar 50€ para ver uma banda estrangeira do que pagar 5€ para ver várias bandas nacionais do mesmo nível ou até melhores. Infelizmente essa mentalidade não existe só por aqui, mas acredito que, com muito esforço, vamos mostrar às pessoas que temos que valorizar o que é nosso ou, caso contrário, em pouco tempo já não será possível ter uma

banda devido às extremas dificuldades que temos para mantê-la no activo. Que planos têm para concertos? Este ano foi muito bom para os HINF: até ao mês de Agosto tivémos sempre a agenda cheia. Neste momento, estamos focados em organizar o nosso merchandising e em promover o álbum noutros países. Estamos a aproveitar também para juntamente com os Hang The Traitor organizarmos uma espécie de tour pelo país para o ano de 2012 que será intitulada “Hate The Traitor Tour”. Mas este ano ainda vamos fazer alguns concertos. Para um projecto jovem, sinto que já têm uma direcção musical muito bem definida. Contudo, quais são as bandas que vos inspiram mais? Os HINF realmente é um projeto novo, mas boa parte dos seus integrantes já estavam neste meio há muitos anos e toda esta experiência culmina num primeiro álbum maduro e consistente. Mas temos um contraste muito grande dentro da própria banda, visto que alguns vêm de uma linhagem de Heavy Metal e outros de uma linhagem mais Nu Metal e outros com fortes influências de Metal extremo. Contudo, acho que as bandas que todos apreciam em comum são os Arch Enemy, Carcass, Kataklysm, Machine Head, cenas mais modernas como Job for a Cowboy, Suicide Silence e por aí fora... Que planos têm para a banda? Neste momento estamos focados na divulgação do nosso trabalho em vários países e estamos em processo de criação do nosso merchandinsing. Para o ano pretendemos espremer ainda mais o nosso primeiro álbum. Estamos a trabalhar para apresentarmos um videoclip durante o ano e para continuarmos a tocar por todo o território nacional e internacional. Já temos planos para um próximo álbum, mas isso são surpresas para o futuro. Como já dizia o velho ditado “quem viver, verá”(risos)! Entrevista: José Branco


Bandas realmente originais não se acham com facilidade, contudo VAN CANTO, na vanguarda do que chamam “A Cappella Metal” merece definitivamente tal título, para bem, ou para mal. Com o último albúm acabadíssimo de lançar intitulado de “Break the Silence”, a infektion conseguiu entrar em contacto com Stefan Schmidt, “rakka-takkateiro” e solista vocal dos Van Canto para nos falar um pouco sobre a banda.

A

ntes de mais, Van Canto é, sem sombra de dúvida, uma banda muito original. Tendo isso em mente, como é que toda a ideia do “A Cappella Metal” surgiu?” Após o rompimento da minha anterior banda eu queria fazer algo mais orientado para trabalhos vocais. Não estava planeado acabar por se tornar numa banda a cappella, apenas

evoluiu assim. No ínicio foi planeado como um projecto de estúdio, mas nós rapidamente notámos que tinha valor suficiente para ser uma banda a sério. Foi difícil arranjar pessoas que, na falta de melhor palavra, estivessem aptas e dispostas para fazer solos de guitarra com a boca? Para ser franco, eu faço os solos por

isso apenas tive de o pedir a mim mesmo [risos]. Mas não, na verdade até foi bastante fácil convencer os outros membros da banda a experimentar, porque eles são todos malucos o suficiente para experimentar algo de novo. Quais foram as primeiras reacções das pessoas quando começaram a dar concertos ou apenas a mencionar que eram uma


lavras; a maior parte das nossas músicas são originais, neste álbum temos 7 temas originais e 3 covers, e planeamos manter as coisas assim. Normalmente, como é que escolhem as musicas a que fazer covers? No passado decidimos fazer cover de grandes hits do metal que todos nós gostássemos. Para Break the Silence decidimos escolher canções que nos pareciam ter sido escritas por nós. Apesar de Sabaton poder soar diferente de Van Canto, o modo como escrevem e compoem canções é bastante semelhante ao que nós fazemos. O mesmo se aplica á cover de Alice Cooper. Costuma ser um desafio converter as partes instrumentais para “a cappella”? Tem sido, sim, mas agora que já andamos nestas andanças há uns tempos já nos parece bastante natural.

banda de metal com 5 vocalistas e um baterista? Se tocamos num festival e há pessoas em frente ao palco que não conhecem Van Canto a história é sempre a mesma; Primeiro ficam irritadas. Depois olham duvidosamente porque vêm uma banda de metal sem guitarras. Após a terceira música todas as mãos estão no ar [risos]. Devido à originalidade do conceito, algumas pessoas no início pensavam que Van Canto era uma joke band. Enquanto que assumo que vocês têm sentidos de humor e noção suficiente para ás vezes fazer as coisas um pouco tongue-in-cheek, como é que isso vos faz sentir? Acho que é bom quando as pessoas se divertem a ouvir Van Canto. Claro que às vezes até vemos pessoas rir, mas é bom passar um bom bocado quando se ouve uma banda de metal. A única coisa que queremos afirmar é que não estamos a fazer pouco de ninguém. Trabalhamos arduamente em prol da nossa banda, e damos tudo por tudo, especialmente agora que este é o nosso quarto álbum e temos uma grande fanbase.

Quatro álbuns em seis anos. Quando começaram, tinham algumas previsões acerca do caminho que a banda seguiria ou que conseguiriam chegar até onde estão? Não, de todo. Todos nós tocávamos em bandas normais de metal antes, e nunca ninguém demonstrou muito interesse nelas [risos]. Por isso agora estamos muito felizes em ter uma banda em que finalmente podemos experienciar todas as coisas com que sonhámos. E é sempre bom não esperar muito mas depois ser surpreendido. Covers têm sido um ponto marcante em todos os vossos álbums, assim como algumas canções originals, é isto uma fórmula que intencionam manter em álbums futuros ou pensam que eventualmente farão álbuns inteiramente de originais? Na verdade isso não é muito planeado. Não existe nenhuma “lista” ou algo do género onde escrevemos coisas como “temos de ter mais uma cover, uma música mais rápida, e uma música que comece com a letra “b””, apenas acontece. Contudo acho que possas ter tido uma má escolha de pa-

Podes-nos falar um pouco acerca do vosso último álbum, “Break the Silence”? Escrevemos a maior parte das canções enquanto estávamos em tour, por isso são muito inspiradas em tocar ao vivo. Para mim tem um sabor como se fosse um Tribe of Force Part II, porque as canções foram escritas enquanto fazíamos uma tour a tocar músicas do Tribe of Force, logo creio ser normal se vos soar a tal. Haverá alguma chance de alguma vez incluirem instrumentos na vossa música para além de bateria e cordas vocais? Um evento/álbum especial ou algo do género, talvez? Ouçam a Spelled in Waters, onde tivemos a chance de trabalhar com o Marcus Siepen dos Blind Guardian em guitarra acústica, e o Bastian (baterista) tocou piano na Master of the Wind. Na edição especial também existe a nossa segunda cooperação com uma orquestra: Betrayed. Apesar de tudo, ainda nos sentimos como Metal A Cappella, mas pensamos que é sempre bom experimentar coisas novas de tempos a tempos.

Entrevista: David Horta


“Illusions (Between Truth and Lie)” pode ser muitas coisas, inclusivamente uma obra de arte. A elevação da consciência torna-se possível numa música que estende caminhos na direcção do desenvolvimento humano. Possui uma composição rica e a cada passo surpreendente. O baterista da banda Haven Denied, Ricardo Caldas dá-nos a conhecer algumas reflexões sobre este trabalho. De que ilusões fala o vosso último álbum? Fala no fundo da ilusão da vida. A ilusão não passa da interrupção do desacreditar, no tomar como realidade algo que, se removida a construção mental, acaba por estar no meio de uma verdade e de uma mentira. Verdade porque realmente estamos a observar um objecto que existe, mentira porque ele, para além de não ser mais significante que qualquer outro, não existe separado de todo o resto. Fala-se aqui da ilusão que a vida pode ser, se não elevarmos nossa consciência para o encontro com o nosso verdadeiro ser. A ponte entre o ocidente e o oriente é uma miragem? Não, ela existe. Não se baseia no entanto numa localização geográfica apropriada, ou num rígido protocolo de convivência. Baseia-se antes na abertura de espírito, tolerância e compreensão, de cada um dos indivíduos que constituem a manifestação em vida dessas duas grandes culturas. Isso acontece. Acontece em todo lado em que esses “representantes” se encontram, com mais ou menos abertura. Não é muito comum, as bandas explicarem tão detalhadamente o contexto estético e simbólico

dos álbuns ou pelo menos de forma tão directa. Porque decidiram fazê-lo? Como em tudo o que nos fez e nos faz avançar, enquanto desenvolvimento humano, a composição musical e literária deste terceiro álbum aconteceu numa base intuitiva que, por interesse filosófico e mera curiosidade, tentamos perceber a mensagem subliminar, através dessa contextualização estética e simbólica. Ou seja, nós acreditamos que o grande desafio do artista, que é o homem, é conseguir ser um canal tão puro que, ao largar suas ambições, preconceitos e limitações, ele passa a reflectir verdadeiramente a essência do belo. Assim, o nosso grande objectivo é afastarmos esses obstrutores culturais, sociais e pessoais e deixar a composição fluir. Ao plasmar essa essência numa obra de arte ela traduz-se também numa linha orientadora de conduta humana, que obviamente é de nosso interesse perceber. Este é um álbum conceptual? Não sabemos ao que, em concreto, se refere com o adjectivo conceptual. Tudo o que é comunicável é conceptual, pois a comunicação vive disso mesmo, de conceitos. Se, por outro lado, coloca em hipótese que o nosso último trabalho possa, de certa forma, ser uma

diferente visão e manifestação musical no mundo, que se possa entender como a geração de um novo conceito estético musical, então para nós, já faz mais algum sentido. No limite todas as manifestações musicais são únicas, mas é verdade que umas, pela sua originalidade e autenticidade, conseguem determinar uma “fronteira”, um estilo, um novo conceito. Deixaremos nesse caso, que a opinião pública e que a história afirme o lugar e a importância deste trabalho no panorama artístico mundial. O texto declamado ganhou uma dimensão musical? Tudo ganha uma dimensão musical a partir do momento em que é entendido por alguém como música, como um conjunto de sons que reflectem uma intenção expressiva. Mas sim, nesse caso, quando o texto declamado faz parte de uma peça musical ele passa a ser observável num contexto musical, podendo ser referido como uma linha instrumental “x” da música “y”. Podem falar um pouco sobre a canção “Ego Crisis”? Ego Crisis, como o nome indica, fala-nos da crise do ego, do egocentrismo, produto da distância cada vez mais prestada aos valores eternos da ami-


zade, solidariedade, honestidade, etc. Na parte literária, podemos dizer que h�� uma representatividade de várias personagens ao longo da canção, que fazem o retracto sonoro de alguns tipos de personalidades ligadas à exteriorização do ego. Ego Crisis, de um ponto de vista formal e em nossa opinião, é um bom exemplo de como numa composição musical pode manter a unidade, mantendo também um elevado grau de interesse durante toda a sua evolução. Isto porque, é muito complicado compor um tema que mantenha esse interesse, implicando obviamente a utilização de várias nuances melódicas, rítmicas e harmónicas. Ao mesmo tempo, é imperioso manter a unidade da peça de música, para que ela se ouça como uma única peça, com princípio, meio e fim. De destacar também, agora ao nível da produção musical, o facto de as harmonias vocais terem sido apresentadas de maneira curiosa e atraente. Enquanto a voz do Luís se mantêm “à frente” e centrada no palco sonoro stereo, as vozes do Miguel e do Ricardo funcionam, como se designa na terminologia do design de iluminação, como uma espécie de ciclorama sonoro. Altamente difusas e reverberadas envolvem harmonicamente a voz mais focalizada do Luís.

estilo. O Gótico foi um estilo artístico medieval muito marcado e impulsionado pela arquitectura de catedrais e igrejas, geminado no cruzamento de ideias entre, mais uma vez, o Ocidente e o Oriente, a quando das cruzadas. É um termo que tem, infelizmente, sido usado para definir tendências musicais que em nada se enquadram na ideologia e princípios do estilo. O gótico e sua arquitectura possibilitou a abertura de vãos, para entrada de luz nos edifícios, gigantescos para a altura. Foi um estilo que deixou de ver os templos como edifícios que deveriam impor uma ideologia, mas sim como espaços que deveriam permitir a elevação, a iluminação a transcendência. Por isso, simbolicamente, sua altura e afunilamento, sua iluminação interior e finura de suas paredes, permitiu representar isso mesmo. Mas, o que vemos muitas vezes ligado a este conceito, são tudo expressões menos iluminadas. Gótico não deve ser sequer misturado com rótulos como o Jazz ou Rock, está para além disso. Revela parte da nossa essência enquanto seres humanos, mas com uma expressão mais sensível e romântica, baseada na exaltação dos sentimentos religiosos.

Podemos considerar “Of ilusions we will die” uma balada? Podemos considerar o que quisermos, desde que justifiquemos e fundamentemos as nossas afirmações. Neste caso, tudo acaba por ser extremamente subjectivo, pois para uns não passará de mais uma música de metal, de um estilo “pesado”, para outros será uma balada para adormecer. Nós não gostamos muito dos rótulos, gostamos mais da multiplicidade de respostas e apreensões dos que escutam a música que, por certo terá, um sabor diferente para cada um de nós.

“Mind Rapists” tem um certo ar de Banda Desenhada. Foi pensada para ter esse efeito? É bastante curiosa a ligação. Nunca vimos a coisa dessa perspectiva. Sim, é verdade que esse tema tem um cariz narrativo e dramático. Foi essa a ideia desde de início, usada também em outros temas da banda. Essa entoada estilística prende-se muito à métrica e melodia da música, a quando da criação da linha vocal, melodia, expressão, divisão silábica e a letra propriamente dita. Por ventura, a criação musical tenderá a desenvolver-se cada vez mais nesse sentido, pelo menos no âmbito da forma canção.

Há um certo tom de rock gótico neste álbum, ou nem por isso? Reforçando o que referimos na questão anterior, deixamos essa parte a cargo dos inúmeros críticos musicais e ouvintes em geral. Gostaríamos apenas de salientar o facto de nos esforçarmos para trazer algo de novo à música e para acrescentar um tom diferente à enormíssima palete de cores musicais já existentes. Mas, já que referiu o Gótico, gostaríamos apenas de deixar aqui o nosso entendimento sobre esse

Este é um álbum com profundidade, quer em termos musicais e de atmosfera, quer em termos de mensagem. É um reflexo do vosso percurso? Sim, enquanto homens talvez. As artes em geral e a música em particular, sempre reflectiram o estado de espírito de uma cultura, bem como as visões proféticas dos poucos que a ousam transmutar. Ao criarmos música, com honestidade, é natural que consigamos passar uma mensagem positiva e cons-

trutiva. Esta deve por isso ser transversal aos vários tipos de “interesses” que leva os ouvintes a procurar descobri-la. Do mais filosófico ao mais cognitivo e do mais prático ao mais expressivo dos interesses, idealmente, uma boa música e uma boa obra de arte deve conseguir satisfazer a mais particular das necessidades. Por isso as grandes obras têm a honra de ser contempladas pelo erudito e pelo mais humilde dos aprendizes do mundo. Mas estas não nascem de meios, mas sim de sonhos. É verdade que precisamos dos meios e técnicas para os podermos plasmar, mas o desafio está em sabermos usar essas técnicas e meios sem que eles nos usem a nós. Temos apenas que deixar fluir o que por nós naturalmente passa. A beleza ainda tem lugar na música, ou prescindiu-se dela em função de outros critérios? Como fomos referindo ao longo da entrevista, a criação musical espelha hoje em dia um pouco da pressão do preconceito. Quando falamos demasiadamente intelectualizada e as motivações de sua criação estão assentes em objectivos, muitas das vezes, puramente comerciais e sociais. Já quase não se faz arte pela arte, pela simples felicidade da criação pura. Estamos todos sempre, muito, preocupados com aquilo que os outros vão pensar, com aquilo que a nossa criação pode desencadear no futuro. Mas, está tudo no momento, pois no instante presente temos toda a liberdade e capacidade verdadeiramente belo. Uma obra de arte reflectirá a essência da beleza, quanto mais honesto e verdadeiro for o momento de sua criação, em perfeita simbiose com o engenho mental e meios físicos que, naquele momento, tivermos ao nosso dispor. Em preconceito, dizemo-lo num sentido lato. A arte está para dar algo ao mundo de autêntico, de único, de “Terminus” é uma pérola. O fim deve ser especial? O fim deve fechar e abrir novamente o ciclo, pois é assim que vemos um álbum. Deve ditar a chegada a um destino, mas deve também possibilitar o vislumbrar de um novo horizonte, ainda mais luminoso. Como dita o discurso popular, deve fechar uma porta e abrir uma janela. Apenas por isto um fim já se torna especial, o memento. Entrevista: Mónia Camacho


Como numa catarse VALLENFYRE é uma viagem musical desencadeada por um acontecimento trágico. É também uma reunião de amigos num entendimento baseado experiências musicais comuns e cumplicidades várias. Com uma capa e um artwork notáveis, musicalmente este é um álbum para amantes do Death, Crust e Doom.


V

allenfyre é um projecto pessoal, como foi partilhar essas emoções com o público? Gregor Mackintosh: Eu estava um pouco nervoso, mas em ultima instância as letras focam algo que irá acontecer a toda a gente. Achei bastante terapêutico deixar sair estes sentimentos em vez de os deixar cá dentro. Acho muito estranho que seja um tabu falar de morte e de perda mas seja perfeitamente aceitável falar do retirar das entranhas do corpo da tua avó. Lembras-te qual foi o tal primeiro concerto a que o teu pai teve que vos levar por nenhum de vocês conduzir? Claro. Foi num sítio chamado “Frog and Toad” em Bradford, Reino Unido. Eramos banda de suporte dos Acid Reign, cujo guitarrista Gaz, viria a formar os Cathedral. Infelizmente o “Frog and Toad” já lá não está. Lembro-me como se fosse ontem. Vallenfyre é tudo sobre “death”, “Crust” e “doom”? Essencialmente. A maior parte das bandas com as quais crescemos e que influenciaram Vallenfyre pertencem a esses três géneros. Foram a minha primeira paixão, e essa nunca nos abandona. Para ti a música está intimamente ligada à amizade e apenas é divertida quando envolve amigos? Para mim é importante não perder de vista que isto é um hobby. Apenas um grupo de amigos que se reúne e faz música como a que cresceram a ouvir. Tocar é suposto ser divertido e eu quero que continue assim. Podes falar um pouco de “Cathedrals of Dread” e de “Seeds”?

Cathedrals of Dread é provavelmente a única canção do álbum que fala de religião. Eu sou profundamente ateu. E abomino qualquer tipo de religião. É uma canção de ódio, que no fundo é como me sentia quando a escrevi. Por um lado, percebo perfeitamente a necessidade humana de ter fé, especialmente quando se está próximo da morte. Mas no meu caso não tenho nenhuma fé porque o bom senso prevalece. Seed é provavelmente a canção mais pessoal do álbum. Fala do último dia do meu pai. O título advém do facto do médico me ter dito que o cancro se tinha espalhado pelo corpo como sementes. Há uma sonoridade nova em “My black Siberia”, talvez uma fusão a um outro género, concordas? É possível. Mas é provavelmente a única canção do álbum que ainda envolve black metal da fase inicial e alguma influência gótica. Como foi para ti a experiencia de ser o cantor da banda? Nunca tive tal intenção, mas à medida que fui progredindo na escrita das letras, foi-se tornando evidente que não conseguia imaginar mais ninguém a canta-las. Ensaiei durante algumas semanas para encontrar o estilo certo, com o qual eu me sentisse confortável e que se adequasse à música. A vida serve para viver novas experiencias. Por isso, porque não? Falaste em “pedigree” em música, disseste que todos os músicos da banda o possuíam, podes detalhar um pouco este conceito fantástico? O que eu quis dizer quando referi isso é que tem que existir todo um trabalho que é excelente dentro do seu género e que resiste ao teste do tempo ou que existiu

uma participação nos tempos iniciais de uma cena musical e que a ajudou a florescer e evoluir. Acredito que todos os membros da banda possuem pelo menos um dos requisitos, senão os dois e também uma paixão por este género musical. A distorção é um elemento musical? Pode ser. Acho que pode funcionar de forma semelhante ao reverb. Pode adicionar textura ou sujidade. Pode evocar no ouvinte diferentes sentimentos. Foi utilizado de diversas formas em “A fragile king”. Por vezes para sentires que precisas de uma boa lavagem e outras vezes para dar um efeito etéreo. O que é que faz de uma canção especial? Penso que a música é algo muito subjectivo. Aquilo que é especial para uma pessoa pode não o ser para outra. Algumas pessoas podem não se interessar pelas letras. Outras podem só ligar à batida ou à melodia da voz. Para mim o que torna uma canção especial é aquela quantidade de desconhecido que te faz sentir um arrepio na espinha quando a ouves ou lês as letras. Vallenfyre é um projecto de um só álbum ou é algo para continuar? É demasiado cedo para dizer. As letras de “A Fragile King”” são definitivamente letras de uma só vez. Um instantâneo de um momento no tempo. Mas musicalmente, se nos sentirmos inspirados a fazer um novo álbum, talvez. Quem sabe? Entrevista: Mónia Camacho


N

ão é neces sário ir a muitos con tos ou and cerar muito a tento à “ce Hardcore p na” ara conhec Proveniente er esta ban s de Loure da. s (SPOC), COME sã os OVERo das ban das de Ha mais consis rdcore com tência e re gularidade sonoros e em termos actu mento de “M ações. Com o recente lançaake It Tru e”, com a Hell Xis R marca da ecords, a b anda demo uma vez o p nstra mais orquê de te r tantos fãs res por Por e seguidotugal fora.


O

novo álbum de Overcome está pronto e já anda por aí à venda. Para vocês, o que há de diferente neste “Make it True” em relação aos anteriores? Este albúm foi feito com mais cabeça, tivemos mais tempo e melhores condições para escrever as músicas (props para os ftg!). Dedicámos mais tempo a cada música e a cada pormenor, ainda que tivessemos feito algumas alterações na altura de o gravar. Porquê o nome “Make it True”? Algum significado especial? Alem de ser um nome sonante, é um termo que hoje em dia aplica-se bem. Vemos muitas falsidades, palavras entoadas em vão, tanto no meio hardcore como no “mundo lá fora”. Apela um pouco à sinceridade das acções, numa altura em que o mundo está cheio de futilidades, mentiras e gente mesquinha. Neste novo álbum há duas participações externas, uma do Rui Brás (FTG e 20IB) e outra do Hugo Andrade de Switchtense. Foi algo combinado ou simplesmente aconteceu? Não foi nada combinado antecipadamente. Na altura em que fizemos essa musicas vimos logo “ eh pá aqui ficava bem era a voz do...” e assim foi.. Completamos as musicas e falamos com eles. A Forever Yours tem um inicio mais melódico onde encaixava perfeitamente a voz do Rui, e a Move Forward, mais a abrir, era a cara do Hugo. Na faixa “Make it True” do último álbum com o mesmo nome, fazem referência às criticas antigas ao Hardcore e àqueles que nunca acreditaram neste meio e que esses dias já foram, e agora só os fortes sobreviveram e fizeram a “cena” crescer e ainda com mais força. Têm visto muitas caras novas no público? Infelizmente é uma realidade. Há muitas pessoas que deixaram o Hardcore. Uns deixaram mesmo o estilo de vida, outros deixaram apenas de participar activamente no movimento. Outros apareceram, muitas caras novas e muitos de idades novas, o que é muito bom! Muitos outros mantêm-se cá com a mesma paixão e dedicação. A verdade é que este nosso movimento está muito forte! É bonito de

ver o estado actual! De norte a sul do país, toda a gente se conhece, toda a gente se dá bem e não falta convivio saudavel! Devemos sentir orgulho em fazer parte do hardcore português! Recentemente deram um concerto em Casainhos (Loures), onde aproveitaram para lançar o “Make it True” e anunciaram que a banda irá estar menos presente em concertos devido a uma situação profissional de um elemento da banda, mas que não é o fim. Nesse concerto em especial, sentiram o que realmente representa os Overcome no panorama Hardcore em Portugal? O concerto em Casaínhos foi no geral muito bom! O nosso em particular também o foi. Nós sabemos que deixámos uma marca no Hardcore português, não tão forte como outras bandas é certo, mas sentimos que deixámos uma marca.  - Daqui a 20 anos quando se falar das duas primeiras décadas deste milénio, Overcome será um nome a referir, entre muitos outros. - Em Casaínhos o pessoal aderiu de uma maneira que sinceramente não estávamos à espera. Nunca nestes 6 anos de banda, tivemos uma multidão em cima do palco a fazer a festa connosco e isso foi muito gratificante!  Não sei se é espelho do que Overcome representa para o hardcore português mas é certamente espelho de que o pessoal gosta de nós e gosta dos nossos concertos! (Obrigadão a todos os que lá estiveram!) Os Overcome fizeram 6 anos recentemente, onde nesse tempo muita coisa mudou no Hardcore. O que mudou ao longo desse tempo tanto na banda como na receptividade e interacção dos fãs? Na banda não houve muitas mudanças. Nunca tivemos mudanças de formação, mas tivemos mudanças na maneira de trabalhar. Em 6 anos todos nós crescemos e a banda cresceu connosco. Isso revelou-se em parte, numa maior solidez nos concertos e talvez dai uma maior interacção do público e maior receptividade ao nome Overcome. Sobre esta questão, não podemos deixar de falar no Emanuel (Hellxis Agency), que nos ajudou muito! Juntámo-nos à Hellxis no inicio de 2009, ano em que lançámos o nosso primeiro albúm. Esta aliança proporciou-nos grandes opor-

tunidades e grandes momentos, e só Deus sabe se conseguiriamos ter chegado a este ponto sem a ajuda dele. O que se pode esperar dos Overcome nos próximos 6 anos? Os próprios 6 anos o dirão. Mas para já queremos promover este novo disco o máximo possivel, tentando gerir as coisas da melhor maneira possivel visto que o Tiago está em Inglaterra a viver. Time will tell... O local “SPOC” e Loures são referidos muitas vezes em conversas sobre Hardcore, sendo Overcome uma das bandas que englobam esse “globo” proveniente dessa zona, assim como os antigos OGR, Backflip, 12TOGO, etc. Porquê tantas bandas e pessoal dessa zona ligada a este nicho musical? Parece que é quase tradição (risos)! Desde há muito que Loures/ Spoc é fonte de bandas deste género, mesmo até antes de eu (Pedro) saber o que era hardcore. Deve haver alguma coisa na água ou assim ahaha. Mas Loures/Spoc é só mais um sitio. Se fores para Almada, Linda-a-Velha ou arredores de qualquer uma dessas zonas, esta questão tem a mesma pertinência! Acham que o Facebook é um dos principais factores desta explosão recente do Hardcore? Se é um dos principais factores não sei, mas que ajudou e muito, sem dúvida. Da mesma maneira que o myspace ajudou há “meia dúzia de anos”. Mas na minha opinião, o que ajudou mesmo foi a vontade das pessoas em fazer acontecer. Se não houvesse pessoas a estabelecer contactos e a divulgar bandas e concertos, todas essas plataformas não teriam tido o impacto que tiveram... Obrigado e espero que a vossa “menor participação” neste meio seja curta e que voltem em grande. Obrigado nós Valter, valeu pelo apoio! Obrigado também a todos aqueles que sempre nos apoiaram! Oiçam hardcore, apoiem as bandas e os promotores e pensem pela vossa própria cabeça! Overcome 2011 Make It True!! Entrevista e Fotografia Valter Simões


“Where Distant Spirits Remain” é o disco de estreia dos escoceses Falloch. Após uma primeira audição, não resistimos em abordar os mesmos e falar um pouco sobre este lançamento. Ficamos então a conhecer Scott, que partilhou connosco muitas histórias e falou-nos também sobre este disco, que para muitos será uma autêntica descoberta. Fãs de Alcest, fiquem atentos.

P

arabéns pelo vosso primeiro álbum. O que sentem agora que “Where Distant Spirits Remain” foi lançado? Muito obrigado! Estamos muito satisfeitos com o álbum. É óbvio que, pelo facto de o ouvirmos inúmeras vezes, já não nos entusiasma da mesma maneira que o fazia no início, mas estamos muito orgulhosos principalmente porque é o nosso primeiro lançamento. Quando finalizamos o álbum o nosso plano

era vendê-lo como edição de autor e foi incrível quando recebemos uma proposta para trabalhar com a Candlelight Records. Retiraram o vosso nome de uma cascata. Diriam que os Falloch são influenciados por paisagens e natureza em geral? Sim, de facto o nosso nome vem de “Falls Of Falloch”, que é uma cascata em Crianlarich perto do Lago Lomond. As paisagens e a natureza das

serras Escocesas são muito importantes para nós. Sempre que temos possibilidade, gostamos de deixar a cidade cinzenta, aborrecida e deprimente e fazer caminhadas, acampar e explorar a natureza, fugindo assim da monotonia da vida moderna. Tentamos recriar na nossa música a atmosfera que sentimos nestes locais naturais. Como descreverias o vosso som? O nosso único objectivo para


o nosso som era criar música que nos fizesse sentir a sua atmosfera e emoção. No nosso álbum fizemos isso utilizando diferentes estilos de música... do metal ao post-rock, passando pelo folk e por diversos tipos de ambientes. No geral, descreveríamos o nosso som como Atmospheric Metal com alguns elementos folk Escoceses. De momento existem apenas dois músicos a trabalhar neste projecto. Os Falloch vão tocar ao vivo? Estão à procura de músicos? Sim, estávamos à procura de um line up para tocar ao vivo e felizmente tivemos a sorte de encontrar outros músicos muito facilmente. O Steve Scott juntou-se a nós na bateria e o Ben Brown no baixo. Estamos ansiosos por nos fazermos à estrada e dar alguns concertos.

The Earth” foi a primeira música que ouvi e tenho ouvido a mesma quase todos os dias. É muito bonita no real sentido da palavra. De que nos fala a mesma e o que é que vos ia passando pela cabeça na altura em que a criaram? Nós escrevemos essa música depois de uma viagem à Ilha de Skye, na Escócia, no inverno passado. Aquela paisagem era majestosa e a geada brilhava. Era simplesmente maravilhoso. A música fala do quão isolados nos sentíamos naquele momento, em que o som do vento era a nossa única companhia. Estar tão longe da vida urbana fez-nos sentir muito livres.

Qual seria o vosso line up de sonho? É difícil de pensar nisso. O mais importante é ter pessoas com as quais te dás bem e podes estar à vontade. Não queremos pessoas que dificultem ainda mais as coisas e o facto de ser só eu e o Andy faz de tudo isto algo que nos dá prazer e onde podemos estar à vontade. Também encontramos estas qualidades no Steve e no Ben por isso espero que isto possa continuar e nos transformemos numa banda ao vivo muito poderosa.

Muitas pessoas comparam o vosso som a Alcest. O que acham das comparações? São mesmo necessárias para vender discos? Acho que as pessoas vão sempre necessitar de comparar coisas. Não nos chateamos muito com as comparações a Alcest uma vez que ambos apreciamos bastante a música deles e de facto inspiraram-nos em algumas coisas. Estamos muito longe daquilo que é Alcest mas sei que existem algumas semelhanças. O pior das comparações é quando as pessoas te comparam com bandas que não ouves ou não gostas mas isso irá sempre acontecer pois todos ouvem coisas diferentes.

“Beyond

Como já foi falado, assi-

Embers

And

naram com a Candlelight Records e essa editora acolhe também uma banda Portuguesa chamada Corpus Christii. Já tiveram a oportunidade de os ouvir? Estão familiarizados com o que se faz em Portugal? Sim, já os ouvimos. Eles são muito bons a fazer o que fazem mas não é o tipo de música que ouvimos. As bandas bandas mais parecidas com Black Metal que ouvimos são os Alcest, Drudkh, Wolves In The Throne Room, etc. Não conhecemos muitas bandas Portuguesas para te ser honesto mas estamos abertos a sugestões. Qual é o próximo passo para os Falloch? De momento estamos num estúdio com um line up completo a ensaiar para dar uns concertos no Reino Unido. Esperamos ter a oportunidade de tocar muito mais no próximo ano e depois, muito provavelmente, vamos começar a trabalhar no segundo álbum. Também temos outros planos mas nada de concreto para já. Podem ir acompanhando as nossas novidades no nosso website. Para concluir, gostariam de deixar uma palavrinha aos leitores da Infektion? Esperamos ver-vos em tour num futuro próximo. Muito obrigado! Entrevista: Joel Costa


ção no panorama la ve re a nd ba a um s mai For Ophelia’s Death, nível internacional a e ad id al qu u ro st e demon est”. musical nacional, qu urrection Band Cont es “R no r ga lu o nd ao ficar em segu armos a saber quem fic ra pa es el m co sa Estivemos à conver anos para o futuro. são e quais os seus pl


Os For Ophelia’s Death são uma banda que começaram a trilhar o caminho da música há apenas três anos. Nesta entrevista têm a oportunidade de se apresentar aos actuais e aos potenciais fãs. Afinal, quem são vocês? Os For Ophelia’s Death são uma banda de Metal da amadora, composta por André Rodrigues (vocalista) Ricardo Trajano (Guitarrista) André Tomaz (guitarrista) Felipe Kopke (baixista) e Miguel Galveia (Baterista), que procura, como muitas outras, o reconhecimento por parte do público, enquanto fazemos aquilo que gostamos. Seguimos uma linha de composição que vai beber tanto ao Metal, como ao Hardcore, passando também pelo Death Metal. Na vossa página do facebook podemos encontrar a “What a Nightmare” e “The Meaning”, pujantes, bem gravadas, dotadas de uma sonoridade bastante actual. Um trabalho bem feito! Qual foi o estúdio por trás das gravações? O EP foi gravado nos DJungle, estúdios onde tivemos o prazer de trabalhar com o Marco Cipriano, Daniel Matias e Ricardo Espinha. Ao que parece, está na calha o lançamento de um álbum para breve… Que poderemos esperar do próximo álbum e quando estará nos escaparates? E qual é a distribuidora que está envolvida no processo? Com este EP procurámos uma sonoridade original através da junção de melodia, técnica e peso. O EP está disponível desde o dia 25 de Setembro estando a distribuição a cargo da HellXis records à qual agradecemos todo o apoio que nos tem dado. Há já uma tour planeada

para promover esse trabalho? Ainda não temos uma tour delineada, mas temos andado por Portugal e Espanha a apresentar o nosso trabalho. Esperamos agora após o lançamento do EP que surja a possibilidade de realizar uma tour europeia. No que trata à composição das músicas, como é que as tarefas são divididas? As letras recaem sobre que tema(s)? A base da composição recai nas guitarras sendo depois complementada com as diferentes influencias musicais de cada um. Temos por hábito trabalhar em casa usando os ensaios para pormenores e consistência. Relativamente às letras, foram escritas por vários elementos tendo como temas experiencias pessoais que podem ser identificados por quem ouve as musicas. Na cena nacional, que parece que, felizmente, vai crescendo de dia para dia, quais são as bandas portuguesas que têm como referência? Não temos referencia musical em nenhuma banda em concreto mas gostamos do percurso de bandas como : Twentyinchburial, For The Glory, Grankapo, More Than a Thousand, Switchtense, We Are The Dammed, Wako entre outras. A escolha deste nome para a banda está relacionada com Ofélia do Hamlet. Esta personagem tem um carácter muito triste e um destino pouco feliz. Qual foi a razão por detrás de tal nome? O nome não esta directamente relacionado com a Hamlet, mas é verdade que achámos engraçado o facto da personagem numa altura da peça, num momento de loucura cantar melodias sem sentido, que é também aquilo que nos procuramos nos nossos

temas a nível da estrutura musical. Estiveram presentes no “Resurrection Band Contest” há pouco tempo. Muitos parabéns pelo valor que demonstraram, dado que ganharam um segundo lugar! Como se desenrolou todo esse processo? Que experiências vos marcaram mais profundamente, enquanto músicos e pessoas? O processo, como na maior parte dos casos nos concursos de bandas, começou com a inscrição, e como bons portugueses, à última da Hora. O primeiro concerto do concurso foi aguardado com bastante nervosismo pois, para além de estarmos a ser avaliados, foi no concurso que nos estreámos nos palcos. O nosso objectivo aquando da inscrição foi passar a primeira fase, claro que depois de isso acontecer começámos a subir a fasquia do objectivo. Enquanto músicos, marcaram-nos todas as bandas com quem tocamos e o facto do reconhecimento dado ao nosso trabalho. Enquanto pessoas marcou-nos o simples facto de podermos ter dado a conhecer o fruto de um trabalho intensivo. Por fim, qual foi a sensação de partilhar um palco com grandes nomes como Pennywise ou Bullet For My Vallentine? Foi um orgulho para todos e uma honra tocar ao lado de grandes bandas, principalmente porque todos os elementos já seguiam anteriormente os passos dessas mesmas bandas, indo buscar bastantes influências a estas.

Entrevista: Narciso Antunes Fotografia: Valter Simões


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m primeiro de tudo, e em nome do público Português, gostaria de te pedir para nos apresentares os Furor Gallico.  Pagan - Olá,pessoal! Os Furor Gallico são uma banda italiana de folk metal. Tocamos desde 2007, com a intenção de fazer um som pessoal, influênciado pelos nossos gostos pessoais. E, primeiro de tudo, queremos é divertirmo-nos em cima do palco, claro! Hehe Na tua opinião quais foram as principais mudanças que os Furor Gallico passaram nestes dois anos entre o “390 a.C. –The Glorious Dawn” Demo e este primeiro álbum? Nestes dois anos, os Furor Gallico ganharam mais experiência, quer em palco, quer em estúdio. Houveram alterações humanas e profissionais. No CD poderão ouvir quatro faixas regravadas e remasterizadas, que sa-

íram originalmente na nossa demo. Existem algumas mudanças, um pouco sobre o arranjo musical e em geral todos contamos com um maior background que faz de nós e da nossa música mais madura. O line-up conta com membros que não tocam instrumentos tão comuns, como a harpa celta ou o Bouzouki. Foi difícil encontrar musicos que tocassem tais instrumentos?  Em 2000, foi difícil encontrar pessoas que tocassem instrumentos “old fashion”. Mas, felizmente, temos encontrado todos os músicos de uma forma simples. A Becky (Harpa Celta) foi um dos membros fundadores dos Furor Gallico, a Laura (violino) é uma velha amiga da Becky, por isso foi só aBecky pedir à Laura para se juntar a nós. Sobre o polistrumentista que tínhamos no início, Merogaisus (agora em Pedra Folk), mas, felizmente, o Paolo respondeu ao

nosso pedido poucas semana depois ... E claro, estamos muito felizes hehe Creio que a vossa inspiração vem das montanhas e paisagens selvagens do norte da Itália. É verdade? Que outros aspectos influenciaram a sua composição? Somos italianos e vivemos a nossa História. Temos um monte de lendas e uma bela História, então, porque não haveríamos de ter inspiração de nosso próprio país? “La Caccia Morta” é uma lenda de Bergamo, “Medhelan” é dedicado a Belloveso, druida fundador de Milão, e em geral todas as músicas são inspiradas no nosso país. A exceção é “Curmisagios” que é uma canção de beber, dedicada à cerveja... Como todos os metaleiros, temos um amor por beber uma boa cerveja (risos). Como foi o feedback ao vosso álbum? Receberam muitos comentários positívos do público?


Tivemos um bom retorno do nosso álbum, mais do que aquilo que poderíamos imaginar. Os comentários são todos bons, com poucas exceções, e conseguimos vender um monte de CDs como banda produtora e distribuidora. Aqui na Itália temos já um monte de fãs, um monte de gente vem para ver os nossos concertos e estamos a tocar alguns concertos fora do nosso país. Agora a Massacre Records está a fazer um bom trabalho conosco e esperamos que a nossa música seja conhecida o mais possível!  Já passou um ano desde que o álbum Furor Gallico viu a luz do dia! Agora, o que vem a seguir? Têm andado em Tour, estão a trabalhar no próximo álbum?  Nós estamos sempre em tour! hehe Montes de pubs e eventos ao ar livre chamam-nos para concertos, assim que tocamos duas ou três vezes por

mês. Ao mesmo tempo estamos a trabalhar no próximo álbum, é claro. De momento temos várias músicas completas e um monte de riffs prontos para se tornaram as próximas canções dos Furor Gallico. Estamos também a tocar uma nova música nos nossos concertos e os comentários até agora êm sido bons... Assim, temos que esperar pelo novo álbum heheh  Em canções como “Venti di Imbolc” ou “Caccia Morta” as letras são cantadas em italiano ou um dos muitos dialetos falados em toda a Itália? Não, não, as letras estão em italiano. Temos apenas uma canção escrita em dialeto Brianza, que é “Curmisagios”, uma canção dedicada a um antigo mestre da Cerveja... A canção de bêbados dos Furor Gallico! hehe. Todas as outras estão ou em Inglês ou em Italiano. 

Vocês vêm de Lombardia, a região norte da Itália. Porque é que vocês, como banda italiana, decidiram escrever as vossas letras sobre os celtas e a sua cultura, em vez do Império Romano ou da Renascença, que são mais frequentemente associados à Itália?  (risos) Boa pergunta... Os elementos dos Furor Gallico sentem-se mais perto da cultura e história celta do que da história e da “filosofia” de. Gostamos muito da cultura celta e, em geral os celtas deixaram uma parte muito bonita na história no nosso país, com suas lendas e as suas raízes. E não se esqueçam que aqui na Itália, em Valseriana, havia uma aldeia celta que nunca foi conquistada pelos romanos, que decidiram ir embora e conquistar outras terras (risos). Entrevista: Narciso Antunes


Com 5 faixas regravadas, lançaram Merciless Jaws from Hell no início deste ano e já falam num novo disco para o ano que vem. Não seguem modas nem ideais e prova disso é ainda gravarem em formato analógico. Sem papas na língua os OMISSION deram resposta às nossas perguntas.


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ão posso deixar de fazer esta pergunta. Trabalharam com a portuguesa War Productions e gravaram o vosso primeiro álbum em versão cassete. Tendo em conta os tempos modernos porque é que optaram na escolha deste formato analógico? Teve saída? Somos velhos de quase 40 anos. Quando éramos putos tínhamos cassetes de outros grupos e agora que podemos ter do nosso aproveitamos. Também tentamos editar tudo em vinyl... temos o primeiro disco em vinyl e falta o segundo. A ver se arranjamos quem o edite... se teve saída ou não tens que falar com a War Productions... as nossas copias já foram todas... O vosso primeiro álbum “Trash Metal is Violence” teve grande êxito. Está a acontecer o mesmo com “Merciless Jaws from Hell”? Pelo que diz o Rotten da Xtreem Music a coisa está a sair bem. Pelo menos não se queixa... isso é bom (risos). Passaram por algumas mudanças no grupo mas não foi isso que vos impediu de lançar este segundo álbum. Actualmente já estão mais seguros no que diz respeito aos lugares na banda? De momento temos o lineup estável: Patillas na voz e guitarra ritmo, compõe tudo... eu na guitarra solo, o James Surt no baixo (e também ajuda na produção) e o Daviti na bateria. Gravaram o álbum com a Xtreem Music. Como é que correu a pareceria? É para continuar? O Rotten já tinha reeditado o “Thrash Metal is Violence” com 2 faixas extra e daí a editar o “Merciless Jaws From Hell” foi um passo. Pena não haver budget para o vinyl pelo que se alguma editora estiver interessada em lançar o “Merciless Jaws From Hell” em vinyl que nos diga. No novo álbum colocaram algumas das vossas antigas faixas e outras novas. Porque é que optaram por fazê-lo? Desde o princípio de Omission gravámos 3 demos sempre com um som de merda, por isso sempre as pusemos na net de borla. Como pensávamos que essas músicas mereciam um som

um bocadinho melhor, nada de grandes produções, decidimos no primeiro disco editar só uma faixa nova e o resto de todas as demos. No segundo já só tínhamos 5 faixas por regravar... foi 50/50... Agora estamos lixados. Temos que compor tudo para editar o terceiro disco mas já temos 6 mais ou menos, por isso lá para Abril devemos de gravar o terceiro disco. Porquê “Erotic Nightmares” como primeira faixa? (risos) No primeiro disco começamos com um arroto. Neste tentamos um peido mas a coisa não funcinou lá muito bem, por isso pusemos uma gaja a vir-se... tudo a ver (risos). Pensam em fazer algum videoclip para alguma das faixas do novo álbum? Normalmente gravamos sempre um vídeo para cada lançamento. Isso aconteceu com as demos, para este disco ainda não tivemos a oportunidade para tal... Acho que não vamos gravar, a não ser que seja algo com cenas ao vivo... mas nunca se sabe. Qual é a vossa opinião sobre o Trash Metal da actualidade? Vocês tentam seguir a cena actual? O Thrash Metal actual finalmente está a passar de moda e isso é bom porque agora há por aí um monte de bandas que são puras cópias da cena de Bay Area. Têm grande som em estúdio mas não passam disso. Eu falo por mim... Não tenho tempo para ouvir cenas novas. Fico-me pelos Venom, Desaster, Decayed, Filii, Nifelheim... bandas que nunca foram atrás de modas e ainda andam por aí 20 anos depois. Foram convidados para um 4way Split com as bandas Storming Steels, Dunkell Reiter e Revenge. Como é que foi trabalharem com estas bandas? Foram os malucos dos Storming Steels que decidiram editar o split e convidaram-nos. Como somos uns pés rapados não pudemos dar músicas novas porque os estúdios são caros por isso eles incluíram músicas do primeiro disco... pouco ou nenhum contacto tive com as outras bandas. Sabemos que actuaram recentemente no I Extreme Mas Metal Festival. Como é que correu?

O festival foi a primeira aventura da organização e, como tal, foi feito com o coração e não com a razão e fazer um festival de 3 dias só com grupos espanhois de Thrash Metal... era complicado levar muita gente. Acho que tiveram uma média de 250-300 pessoas. Em relação à nossa actuação não variou do que é normal, uma descarga de SatanicSpeed Thrash Metal, cuspir no pessoal, insultar o pessoal, sangue, suor, balas e cabedal. Têm já alguns espectáculos agendados para breve. Quando é que actuam em terras lusas? Quando nos convidarem o pessoal vai. Estivemos aí no Metal GDL... a ver se é este ano que o Veiga nos leva a Barroselas ou alguém nos convida para o Vagos... como dizem os espanhois, pedir é grátis (risos). Levaram a faixa “Architects of Fear” para participarem na compilação Irmandade Metálica Vol.1 onde estavam envolvidas cerca de 30 bandas portuguesas. Qual é a tua opinião do Metal Português? És fã de alguma banda? O Metal Português está demasiado moderno para o meu gosto mas sempre foi assim... sempre com a mania da evolução musical e essas coisas... fico-me pelos Filli, Decayed, Corpus Christii, Ironsword (RIP), Midnight Priest, Grog, Alastor, tudo bandas que pararam no tempo (risos)... menos CC. Também curto Alchemist e Goatfukk. Eu já conheço essa gente toda há uns 20 anos, uma vez que também tinha uma banda que eram os Extreme Unction e conhecia o pessoal todo do bairro alto. Fã só mesmo de Decayed, Filii Nigrantium Infernalium e dos irmãos Barros. Entrevista: Anna Correia


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esde o primeiro artigo que escrevi sobre a cena musical finlandesa no número de Abril 2005 do fanzine Underworld / Entulho Informativo, que não deixei de estar atento à música deste país, fascinado com as suas histórias exóticas como a do Tango finlandês (uma caracteristica cultural tão nacional como a Sauna e o Ski!), a dança “vintage” Jenka, a aberração fonética dos Força Macabra (cantam em “brasileiro” sem saberem a língua porque são fãs das bandas Hardcore brasileiras dos anos 80!), o prestigiado Hardcore finlandês criado por Läjä e os Terveet Kädet, o movimento das editoras fonográficas Love (anos 60/70), Bad Vugum / BV2 (anos 90) até à contemporânea Lal Lal Lal, e claro também das tristezas comerciais como Lordi, Korpiklaani, HIM ou Nightwish. (1) Este “hobbie” pela cultura finlandesa acabou por me trazer a uma residência artística, perto de Turku, entre Setembro e Outubro. É daqui que escrevo as próximas Infecções Urinárias! Depois de três visitas a Helsínquia nos últimos 7 anos é uma coincidência ter comprado recentemente, na Digelius (2), um disco que fecha um ciclo de descoberta da música deste país. Tudo começou em 2005 quando ouvi pela primeira vez Arktinen hysteria - Suomi-avantgarden esipuutarhureita (Love Records; 2001), ou se preferirem, “Histeria Árctica, os primórdios da vanguarda finlandesa”. Apesar da sua continuação More Arctic Hysteria / Son of Artic Hysteria : The later years of early Finnish avant-garde datar de 2005 só agora que acedi a este duplo CD. O primeiro título era uma colectânea que recolhia 13 faixas de música experimental entre 1961 e 1970, com gravações de arrotos, Noise, Electrónica bastante sofisticada com ou sem instrumentos inventados como o “sexofone”, Free-Jazz marxista, Pop-Blues casado com Prog, proto-Industrial, música improvisada, concreta e conceptual “warholiana” como a faixa que repete ao nome do

carismático presidente Kekkonen durante 6 saturantes minutos - a voz é de um senhor que lê os resultados de uma mesa de votos das eleições de 1962. Quanto à “sequela” dividiram os dois CDs por décadas, o primeiro concentra-se nos anos 70 e o segundo nos anos 80, podendo haver um caso ou outro que salta desta lógica por razões de aproximações musicais. É óbvio que os anos 70 são a grande ressaca da loucura dos anos 60, e por isso é menos utópica. Claro que no final ainda irá semear a geração Punk cuja cultura D.I.Y. e individualista irão marcar os anos 80. Talvez por isso que os anos 70 sejam apenas “mais histeria” como sugere o título sem adiantar nada de novo, acompanhando o espirito do tempo como Prog Rock, a electroacústica e Jazz sem extremismos. Invés de rasgos radicais preferem ser fusionistas de estilos, géneros e conceitos, indo até buscar às suas raízes nacionais, instrumentos ou melodias folclóricas enquanto sintetizam os sons de peças de metal ou canas de bambu – que rima com didgeridoo, também ele aqui presente – barulhos de trovões, cães, pássaros e vizinhos a tossirem. Ouve-se sem ofender os ouvidos e serve de guia para novas descobertas do passado que parecem tão contemporâneas como algumas produções experimentais actuais. Já o segundo CD volta ao caos criativo como foram os anos 60 (registada na primeira antologia) graças ao movimento Punk. Mas há aqui uma diferença, esta geração foi “educada” a ouvir “música diferente” – e basta reunir as ecléticas colectâneas nostálgicas Love Radio (4 volumes, Love Records) para perceber o que era um “ouvido médio finlandês”. Se o Punk é visto como uma reacção à apatia urbana não deixa de ser uma mariquice anglo-saxónica no que diz à música, porque continuou a fazer Pop/ Rock e cristalizou-se em formatos comerciais. O que este disco colecciona são faixas bastardas de um país cuja cultura musical é bastante diferente à treta inglesa e norte-americana. Os Punks finlandeses tanto sabiam de Jazz como ba-

tiam com bonecas Barbie para fazer de bateria. Nem todos foram clonar Ramones ad nauseam – apesar de haver aqui uma versão desconstruída deles feita pelos Silver, uns putos que ninguém sabe quem são. A própria cultura DIY é neste CD reconhecida e “oficializada” ao ser incluídas faixas retiradas de formatos editorais pobres como k7s e singles de 7”. Quem compilou não teve pudor nenhum em colocar nomes conhecidos como Aavikon Kone Ja Moottori (trad.: Máquina do Deserto e Motores, projecto Noise do referido Läjä), Jimmi Tenor ou Mika Vainio (dos Pan Sonic) ao lado de artistas completamente desconhecidos como Superladex, que em 1981 eram três irmãos de 6, 10 e 19 anos a fazerem colagens sonoras no conforto do quarto… Alguns dos “artistas” recusam a ideia que tenham feito alguma coisa de especial ao ponto para 20 anos depois serem recuperados ou reconhecidos como “vanguardistas”. Em Portugal não acredito que teríamos nem o conhecimento da história do nossa cultura para serem revistas pela Intelligentsia nem haveria à vontade de colocar Punks de 13 anos ao lado dos Telectu, por exemplo. E talvez esta seja a diferença entre os nossos dois países. Sendo um país nórdico cujo estereótipo seja ser visto como “organizado, frio e sério” consegue ser antes “desorganizado, quente e divertido” tal como os países do Sul da Europa (ou pelo menos como estes últimos são vistos nos nossos preconceitos comuns). E já que falamos de Portugal, do pouco que há de História da nossa música vanguardista aconselho Antologia de Música Electrónica Portuguesa (CD’04; Plancton Music) apesar de ser centrada exclusivamente em electrónica e claro… em gente séria! (1) Poderão encontrar mais resenhas críticas no meu blogue mesinha-de-cabeceira.blogspot.com, na categoria “Suomi” (significa “Finlândia” na lingua original). (2) loja que existe desde 1971 no centro da capital, especializada em Jazz, música clássica, étnica e vanguardista.


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EVILE FIVE SERPENT’S TEETH EARACHE RECORDS

10/10

evivalismo ou não, o facto é que os Evile carregam um enorme peso nas costas pelo facto de, correcta ou incorrectamente, serem conhecidos como aqueles que trouxeram de volta o Thrash Metal. Sim, eu sei que muitas outras bandas tentaram e falharam mas acredito que os Evile vieram para ficar. Muitos atribuem o recente êxito da banda e todo este bichinho que envolve o lançamento do novo álbum “Five Serpent’s Teeth” à morte prematura do baixista Mike Alexander. Talvez a imprensa e os próprios fãs sofram de algo chamado curiosidade mórbida ou outra coisa qualquer mas a verdade é que, independentemente de uma morte no seio da banda trazer ou não mais fãs, os Evile têm em “Five Serpent’s Teeth” uma verdadeira obra prima. O Thrash não morreu... tal como Ben Carter (baterista) nos disse, o Thrash ficou apenas adormecido. E uma daquelas curiosidades mórbidas assenta no seguinte: se os trves passam a vida a dizer que o verdadeiro Metal era o de antiga-

mente e que o Metal moderno nada ou pouco vale, então porque não dar uma oportunidade a uns jovens que parecem ter acertado na fórmula desta vez? Que tocam a música de outrora? Durante os meses de Setembro e Outubro assistimos a excelentes lançamentos e “Five Serpent’s Teeth” foi apenas um entre muitos. Porquê o destaque? Porque arriscaram em fazer o que poucos têm coragem de o fazer. Se a moda não pegou então faz algum sentido em continuar a fazê-lo? Faz, para quem gosta e para quem vê a música como uma paixão e não como fonte de rendimento. Este álbum está perfeito e é dedicado a todos os inconformados que teimam em não evoluir um pouco que seja. Músicas de destaque? Todas. Do início ao fim, “Five Serpent’s Teeth” é o melhor álbum que ouvi em anos. Vejam por vocês mesmos e comecem a ver as reviews como opinião pessoal de quem as escreve pois o profissionalismo, em certos meios, há muito que morreu. Joel Costa


ABSU ABZU CANDLELIGHT RECORDS

Segundo capítulo da trilogia iniciada em 2009 com o trabalho homónimo, «Abzu» surpreende-nos, desde os primeiros acordes, pela rapidez e pela (aparência de) espontaneidade que parece faltar ao registo anterior. As primeiras duas faixas são avassaladoras, onde a banda nos presenteia com o seu melhor blackened thrash, com apontamentos de heavy metal mais tradicional. “Abraxas Connexus”, o single de apresentação, abranda um pouco a velocidade e aí vemos uns Absu a seguir uma veia mais progressiva, sem que, contudo, a nossa atenção esmoreça. Os dois temas seguintes oscilam entre a Bay Area e os bosques noruegueses. Tudo isto à mistura com guitarras acústicas, teclados e pormenores que se fundem num todo coerente. Para finalizar, “Song to Ea”, a faixa de quase 15 minutos de duração que encerra as hostilidades, leva todos esses elementos a um nível mais extremo, sobrando ainda espaço para a recriação de ambiências que, pela sumptuosidade e exotismo, remetem-nos para um qualquer templo mesopotâmico onde reside o próprio deus que serve de mote a este tema. Somente os intervalos entre algumas das seis partes que o compõem quebram um pouco o envolvimento. Estamos, pois, perante um trabalho coeso e elaborado que nos presenteia com algo novo cada vez que o pomos a tocar. Para ouvir bem alto e em loop. [9/10] Ana Miranda

ACHERONTAS VAMACHARA

ANTHRAX WORSHIP MUSIC

ARCH MATHEOS SYMPATHETIC RESONANCE

AGONIA RECORDS

NUCLEAR BLAST

METAL BLADE RECORDS

“Vamachera” fede a ritualismo e o ouvinte é logo avisado com a tenebrosa introdução instrumental, “Opening the Eye of the Storm” para logo arrebentar com “Blood Current Illumination”. Aqui nota-se já um problema, talvez o único neste disco, a produção muito abafada própria do Black Metal é verdade, mas que poderá dificultar a audição para algumas pessoas, embora neste caso este tipo de produção acabe por funcionar muito bem, já que aumenta e muito o poder da atmosfera sufocante que se vive aqui, como se estivessemos numa caverna cheia de velas e o calor nos levasse ao desespero, no bom sentido. “Ohm Krim Kali” é outro tema que afunda ainda mais o sentimento de misticismo que aqui se respira em doses elevadas e aumenta ainda mais a fasquia. A música dos Acherontas neste trabalho chega a ser mesmo hipnótica e este é um disco para se ouvir de uma ponta a outra, pois funciona muito como um todo. Mais um destaque para o tema que encerra o álbum, “Drakonian Womb” que funciona como uma morte lenta deste mesmo e arrasta-se nos seus 10 minutos com uma imunda beleza. Os gregos que já andavam a rondar com perigo a algum tempo têm aqui uma boa premissa para arrastar mais seres humanos para o seu culto. [8.5/10] Bruno Farinha

Trinta anos de carreira, mudanças e mais mudanças de line-up, os Anthrax, estão de volta! Estes senhores, um dos Big Four do Bay area thrash, traz-nos, depois de adiamentos atrás de adiamentos Worship Music! Este registo volta a contar com a voz de Joey Belladonna, quase 20 anos após a sua partida! Este álbum, como não poderia deixar de ser, volta a ser uma pérola, uma obra de arte nos reinos do thrash americano. É rápido, é pesado, é conciso! Tem tudo o que se poderá esperar de uma banda que há já tantos anos anda nestas lides. E serve para demonstrar ao mundo que os Anthrax do Senhor Scott Ian estão vivos e com muita, mesmo muita saúde. Poderão pensar os que não conhecem o trabalho dos Anthrax que Worship Music será antiquado, que não oferece nada de novo. Mas, pelo contrário, estes senhores sabem muito bem renovar-se e fazerem o que sabem de melhor: música! E, como qualquer banda que conta com um histórico tão alargado, aprendem com os próprios erros e vão, ao longo dos anos, limando arestas atrás de arestas. O décimo trabalho destes veteranos destes californianos nada velhotes, conta com grandes riffs (Fight’em ‘Till You Can’t), coros (I’m Alive), letras poderosas (The Constant) e muitas outras surpresas ao longo de 56 do mais puro thrash metal! (Note-se Hymn 1 e Hymn 2) Será que daqui a trinta anos ainda poderemos contar com os Anthrax para nos darem um álbum tão bom como este? Era bom que sim! [10/10] Narciso Antunes

Arch/Matheos é a reunião de Jonh Arch, o antigo vocalista da lenda progressiva Fates Warning, que foi substituído pelo Ray Alder e o guitarrista Jim Matheos, o único membro fundador dos Fates Warning ainda em funções e também um dos mentores do espectacular projecto OSI, a par com Kevin Moore (ex-Dream Theater, Chroma Key). Estava aqui reunido então todas as condições para algo especial e para deixar qualquer fan de Progressivo em pulgas (eu admito perfeitamente que era um deles), no entanto há algo que falha em “Sympathetic Resonance”. Tecnicamente falando a composição é estrondosa, estamos a falar do Jim Matheos e aí não há nada a apontar, escusado será dizer que há semelhanças com a música dos Fates Warning, no entanto aqui apresenta-se mais musculada e pesada. O problema foi mesmo haver aqui um exagero na parte instrumental e faltar momentos a que os ouvintes se possam agarrar, o que acaba por originar um sentimento de desorientação. A voz de John Arch também não ajudam muito a festa, só quem gosta muito de vozes agudas conseguirá suportar todo o álbum, já que as linhas vocais são constantes. Imaginem Dream Theater nas suas orgias musicais num tom constante com James LaBrie sempre a cantar por cima. A quem adora progressivo recomendo pelo talento destes dois senhores e espero que desilusão seja só mesmo da minha parte. [6.5/10] Bruno Farinha


ARVEN MUSIC OF LIGHT MASSACRE RECORDS

Música de luz, melódica, suave e encantadora. As (Os?) Arwen, sexteto constituído alemão maioritariamente por meninas, oferece-nos o primeiro longa duração, após a sua estreia em 2008 com um demo sem nome. Estas senhoras (e um rapaz, Till Felden, na bateria) apresentam-nos 10 faixas de power metal melódico, saído directamente dos parâmetros de uns longínquos Nightwish. A senhora Carina Hanselmann debita as suas notas trabalhadas e suaves que nos extasiam e, verdadeiramente, nos iluminam. Tal como o nome do álbum sugere. O álbum é, sem dúvida, bastante bom, muito bem misturado e excelentemente executado. Por exemplo, “On Flaming Wings” ou “Dark Red Desire” são faixas fortes, ao passo que a “My Dear Friend” apresenta-nos mais de 7 minutos de uma envolvência suave e etérea. Pena as(os) Arven estarem muito prendidas a conceitos já usados… Nota-se que ainda há muito para descobrir e para fazer. Espera-se assim que no futuro as(os) Arven consigam dar o passo em frente, de nos mostrar mundos novos, porque pelo que já demonstraram, capacidade não lhes falta. Aconselho este álbum a todos os fãs de Power Metal Melódico, com vozes femininas. Vale a pena ouvirem este Music of Light, porque vos vai remeter para o passado glorioso do género. [7/10] Narciso Antunes

BAHIMIRON REVEL HYMNS...

CEREBRAL BORE MANIACAL MISCREATION

MORIBUND RECORDS

EARACHE RECORDS

Oriundos da sempre controversa terra do Tio Sam, os Bahiriom são uma banda que já conta com dez anos de carreira e mais de dez lançamentos, sendo este, contudo, apenas o seu terceiro álbum de originais. Porém, apesar de largos anos e material de experiência, “Rebel Hymns of Left Handed Terror” deixa um sabor de algo que como que não foi acabado de ser cozinhado, ou que tem falta de tempero. O que nos é apresentado aqui é um álbum de nove faixas de Black Metal decididamente cru, low-fi, e grim q.b., contudo parece faltar aqui algo. As música varia elementalmente entre mid e fast-tempo, com umas pitadas de momentos mais lentos e arrastados nesta e outra música, que, apesar de serem uma tentativa louvável de tentar adicionar mais variedade sonora, são demasiado escassos para causar grande impacto. A instrumentalidade torna-se repetitiva rapidamente, sendo o “chugga chugga” de riffs sujos e simplistas uma constante, acompanhadas por umas vocais roucas e desprovidas de grande impacto, que contudo devem ser a parte mais agradável da musicalidade. Solos bem thrashy repletos de shredding que estão presentes em quase todas as músicas parecem saídos do nada, prejudicando a atmosfera grim que a banda tanto se esforça por criar (mas que decididamente tem dificuldades em alcançar), sendo mais nada que mais uma chave inglesa atirada nas engrenagens do álbum, fragmentando uma coesão já de si frágil. Passável. [4/10] David Horta

Formados em 2006 e detentores de um invejável currículo, tendo já partilhado palcos com bandas como Anal Cunt, Napalm Death ou Suffocation, lançaram pela sua própria mão este seu disco de estreia em meados do ano passado, numa edição de apenas 500 cópias, que rapidamente esgotou nos concertos. Chega agora, via Earache, a edição para distribuição internacional. Aos primeiros acordes de “Epileptic Strobe Entrapment”, percebe-se imediatamente o que os Cerebral Bore têm para nos oferecer - um poderosíssimo e desenfreado death metal, a combinar agressividade e técnica. E o balanço de ambas é deveras positivo. A coesão do colectivo escocês é constantemente notória, com todos os instrumentistas a gozarem de momentos de relevo. Contudo, a grande força motora reside nos engenhosos riffs de Paul McGuire, indubitavelmente no bom caminho para se tornar uma referência no género. A maior surpresa é, no entanto, a prestação da jovem vocalista holandesa Simone Pluijmers, capaz de grunhir e guinchar com mais talento e convicção que inúmeros dos seus congéneres masculinos. Está patente tanto na composição como na execução a experiência que o quarteto adquiriu na estrada, sendo os temas criados para resultarem eficazmente num espectáculo ao vivo. Intenso e viciante, “Maniacal Miscreation” é um trabalho que não pode passar despercebido. [7.5/10] Jaime Ferreira

CIPHER SYSTEM COMMUNICATE THE STORMS NUCLEAR BLAST

É da Suécia, terra do Death Metal de Gotemburgo que nos chegam os Cipher System. Communicate the Storms é o sucessor de Central Tunnel 8, editado já em 2004. Nos últimos 7 anos, o colectivo teve a oportunidade de construir um excelente trabalho de death metal melódico, ao bom estilo sueco. Carl Obbel traz-nos mudanças geniais na voz: num momento grita, no seguinte, acalma e oferece-nos notas mais limpas e suaves. Ao longo das faixas, podemos encontrar sempre dezenas de efeitos, uns mais óbvios outros mais difíceis de notar, que no geral dão uma certa atmosfera industrial e sintética a todo o trabalho. Resultam numa fusão perfeita entre a melodia e a distorção, a ordem e o caos musical. Quem não conhece estes suecos, os Cipher System são uns eternos descontentes e revoltados, procurando sempre mais e mais. É o que podemos encontrar nas suas letras. Quem escutar o álbum, vai deparar-se com citações que o comprovam em faixas como: “Gods Terminal”, “End My Path” ou “The Stairway”. Communicate the Storms será bem-vindo aos ouvidos dos amantes de death metal de Gotemburgo, na onda de uns Soilwork antigos ou até mesmo dos italianos Disarmonia Mundi. [9/10] Narciso Antunes


DIAMOND PLATE GENERATION WHY EARACHE RECORDS

Gostas de Municpal Waste, de Toxic Holocaust e afins? Então tens que perder o teu tempo a desfrutar este “Generation Why” dos americanos Diamond Plate! Os ouvidos explodem ao ouvirem malhas tão poderosas como “Generation Why?”, “Relativity”, “Waste of Life” ou “More than Words”(instrumental). Sinceramente, todo o álbum, todas as 11 faixas têm uma brutalidade e um peso “como se quer”. Não se caracteriza por ser um trabalho muito diferente do que muitas outras bandas vão fazendo. Mas, por se enquadrar tão bem nos “parâmetros certos”, consegue ser bastante intenso e “refrescante”. Para um primeiro LP, este “Generation Why?” oferece muito mais que inúmeras bandas nunca conseguiram ao longo de décadas! É a continuação de um movimento revivalista do velhinho thrash/crossover que se impõe e grita bem alto: estamos aqui e viemos para ficar! Potencial e talento são duas qualidades que abundam neste trabalho. Ficamos à espera de os ver deste lado do charco. Para os fãs de H.P. Lovecraft: à semelhança de um sem número de bandas, Metallica incluídos, que escreveram músicas baseadas no imaginário do dito autor, vão encontrar uma faixa que vos soará logo aos ouvidos só pelo título: “At the Mountains of Madness”! [9/10] Narciso Antunes

DIESEL HUMM! COLLAPSING WORLD

EDGUY AGE OF THE JOKER

AUDIOPLAY RECORDS

NUCLEAR BLAST

Soam os primeiros acordes de guitarra em “Long Hard Road Of Life” e pressente-se o que aí vem. Não que “Collapsing World” seja previsível, que não é, mas sabemos que vamos ser confrontados com uma boa malha de Rock e os Diesel Humm! não desiludem. Para uma banda que foi formada em 1999 e já passou por um pouco de tudo, é bom perceber que ainda conseguem trazer coisas novas ao de cima e surpreender o mais céptico dos fãs. De destacar também a fantástica produção levada a cabo neste “Collapsing World”. Cada instrumento e cada linha vocal é facilmente perceptível no meio de uns arranjos muito bem conseguidos e bem limpinhos. A banda continua a proporcionar excelentes momentos ao longo do disco, sendo de destacar “People We Lose”, que projecta a fantástica voz de Sara que se faz sentir em cada poro da pele. Chega-nos então o single “Diesel’s Back”, um pouco mais mexido e, conforme se verifica em todo o alinhamento, também trás uma história para contar. Esta música traz ainda com ela uma performance de gaita de foles que assenta muito bem na sonoridade Rock com que os Diesel Humm! nos presenteiam. Em suma está um bom registo que peca apenas pela sua curta duração. No entanto mais vale fazer pouco e bem do que muito e mal e não se pode dizer que os Diesel Humm! tenham a palavra “mal” no seu dicionário. [8.5/10] Joel Costa

“Age of the Joker” é o nono álbum de estúdio do colectivo germânico “Edguy”, que conta já com uma carreira longa e próspera no que ao Heavy Metal diz respeito. Fundados em 1995 e tendo como líder incontestável Tobias Sammett, os Edguy continuam no seu caminho de sempre, o Power Metal Épico de grande qualidade, a que já nos habituaram. Assim que se começa a ouvir “Robin Hood”, a primeira faixa de “Age of the Joker”, é fácil perceber que se trata de mais um álbum destinado ao sucesso e talhado para todos os fãs deste estilo musical. A aventura épica continua com temas bastante fortes como “Rock of Cashel”, ”The Arcane Guild”, “Behind the gates of midnight”, “Two out of seven” (o meu tema preferido do disco) e a bonita balada “Fire on the downline”. “Age of the Joker” é um disco bastante forte e emocional, uma verdadeira e agradável viagem ao Power Metal “old school”e que nos revela uns Edguy sempre poderosos e que ainda continuam a dar cartas. Excelente regresso. [7.5/10] Rute Gonçalves

EXXPLORER VENGEANCE RIDES... PURE STEEL RECORDS

Os Norte-americanos Exxplorer estão de volta aos discos com o lançamento de “Vengeance rides an angry horse, 15 anos depois do seu último registo discográfico “Coldblackugly”. A banda de New Jersey volta a reunir o o line-up original para um regresso explosivo e muito aguardado ao panorama do Metal. “Vengeance rides an angry horse” é, essencialmente, um regresso ao passado. Um regresso ao heavy metal clássico puro e duro, uma agradável viagem ao espírito dos anos 80. O vocalista Lennie Rizzo continua imbatível ao nível da sua performance num disco repleto de hinos para Headbangers, como é o caso de “Chasing the high”, “As the crow flies”, “SNOE”, “Valley of doom”, “Spirits of the Wind” e “Freight train to Hell”. Em suma, um grande disco e um grande regresso dos Exxplorer, que mantendo-se iguais a si próprios e sempre fieis ao seu estilo, conseguem revelar uma excelente forma. É caso para dizer que estão muito bem e recomendam-se. Para ouvir com atenção. [7/10] Rute Gonçalves


GLORIOR BELLI THE GREAT SOUTHERN DARKNESS METAL BLADE

Não é todos os dias que um álbum com um artwork (simplesmente magnífico) que clama Black Metal por todo o lado abrir com um riff abafado, destrutivo e a cheirar a um western podre com Sludge em grandes doses, desfigurado pela negridão da música, o que acaba por ser irónico, dada a nacionalidade francesa da banda. Simplesmente é de ficar de boca aberta como tal coisa soa tão bem ao ouvido e faz estar sempre a meter o tema de abertura, “Dark Gnosis”, em repeat algumas vezes para depois ouvir-se o resto do disco e começar a perceber que a genialidade não está só no início. É ficar colado até a um abrandamento do ritmo no tema “The Great Southern Darkness”, o tema-título, onde o ambiente e as vozes limpas extramente harmoniosas, mas a seguir a toada negra do disco, embalar-nos para mais destruição. Este trabalho é simplesmente genial e só é mesmo surpresa para quem não conhecia já Glorior Belli, pois estes senhores têm emergido agora para os mais desatentos, para poderem espetarem na cara do ouvinte a fantástica sonoridade própria que o legado do fundador Infestuus tem vindo a construir. “The Great Southern Darkness” é mais trunfo na manga dos Glorior Belli e que ainda vai dar muito que falar. Só me resta dizer, Do not Relax and Simply enjoy. [9/10] Bruno Farinha

HATESPHERE THE GREAT BLUDGEONING

HAVEN DENIED ILLUSIONS (BETWEEN TRUTH AND LIE)

NAPALM RECORDS

SG RECORDS

Oriundos de um país que não tem grande tradição metaleira, comparado com os seus vizinhos, os dinamarqueses Hatesphere são máquinas criativas, incansáveis e que, apenas em dez anos, já nos ofereceram dois EP, um Single e sete álbuns, sendo The Great Bludgeoning o último a ser lançado, sob a alçada da austríaca Napalm Records. Serve também como disco de estraia do Esben “Esse” Hansen na voz e Jimmy Nedergaard no baixo. Depois de ouvir este monólito metálico, fica-se com dores de pescoço! Mas pelas melhores razões! O Death/thrash despejado ao longo de pouco mais de meia hora(!!!) pede mesmo para abanar a cabeça até mais não. Na maioria, as músicas não são demasiado largas, nem se notam fillers que poderiam servir apenas para enganar o ouvido. A exceção é a segunda faixa, Venom, mais longa, que conta com mais de seis minutos vai-se desenvolvendo e termina numa apoteose digna de nota! The Wail of my Threnode aparece-nos assim do nada e, durante um minuto, podemos desfrutar de uma faixa instrumental, que sobressai por si mesma. Este álbum é para ser comprado e muito bem degustado. Merece a pena uma meia dúzia de euros nos bolsos, mas fica-se com uma excelente peça na colecção dum fã de Death/ Thrash. Recomendo! [9/10] Narciso Antunes

A banda Haven Denied lançou Illusions, Between Truth and Lie, um album surpreendente. Além de uma capa fantástica com alusões à porta de comunicação entre as culturas ocidentais e orientais, oferece músicas poderosas e vibrantes. A voz é corpulenta, profunda e em alguns pontos quase mutante. E Mostra que a palavra tem um lugar privilegiado. Por vezes, faz lembrar vagamente Peter Murphy. É um álbum com momentos acústicos e momentos electrizados. Pedaços de vertigem e pedaços de acalmia. Uma D-beat dinâmica e criativa dá uma certa tonalidade hardcore a algumas canções. Outras têm um ambiente quase de balada, à antiga e à séria (“Of Illusions We Will Die” ou “Deadly Memories”). “Mind Rapists” tem um formato narrativo. É uma música em que a guitarra se mantém em fundo ondulante, acelerando no final com riffs poderosos. Neste álbum a mesma faixa pode evoluir de uma atmosfera para outra, é o caso de “Times of Waste” que começa acústica, sendo quase audível o vento, avançando depois em riffs rodopiantes. O álbum fecha com chave de ouro. “Términus” é um instrumental extremamente belo. Para ouvir muitas vezes. [9/10] Mónia Camacho

INSOMNIUM ONE FOR SORROW CENTURY MEDIA

Os Insomnium já há muito tempo que garantiram um lugar no pódio do Death Metal Melódico, graças a adicionarem uma forte carga melancólica que lhes contribui uma personalidade forte e própria. “One for Sorrow” tal como o nome indica, continua esse mesmo legado, mais carregado desde o terceiro registo, “Above the Weeping World”. Começando da mesma maneira que os últimos dois discos, o álbum abre com uma espécie de introdução para o single de apresentação, “Through the Shadows”, bastante cacthy ao ponto de umas semanas depois o refrão ainda estar a ser cantarolado de vez em quando. Do resto é o que já se espera do quinteto finlândes, riffs bastante melodiosos e viciantes cheios de harmonia, como o riff principal do tema “Lay the Ghost to Rest”, contrabalançados com músicas mais agressivas e com uma veia Viking mais saliente, como a “Song of the Blackest Bird”. Há a salientar um maior uso de vocais limpos, cantados pelo guitarrista Ville Friman acompanhados pela já habitual voz do baixista Niilo Sevänen, criando um bom dueto entre a harmonia e a agressividade da sua música. Um promenor dilicioso é também o final acústico de “Only One Who Waits”, assim como a instrumental “Decoherence”. A produção de luxo da um toque sublime a mais uma excelente entrega dos Insomnium que continuam a escalar montanhas na sua carreira. [8.5/10] Bruno Farinha


MOURNING CARESS DEEP WOUNDS, BRIGHT SCARS MDD RECORDS

“Deep Wounds, Bright Scars”, é já o terceiro registo dos alemães Mourning Caress, embora a banda ainda esteja num estatuto muito anónimo no que diz respeito ao mundo da música pesada. É aqui apresentado riffs com muita veia sueca, acompanhados de temáticas depressivas e melancólicas com uma voz a piscar o olho ao screamo. Pera ai.....”Deja vu anyone”? Pois é, uma fórmula que já está um pouco (para não dizer bastante) desgastada e essa falta de identidade peca muito neste último trabalho dos germânicos. Verdade seja dita, não há aqui breakdowns para lançar mais lenha para a fogueira e o quinteto apresenta uma linha de guitarras bem competente, só que repetitiva sem falar no ritmo copiado e pouco variado. Apresenta-se boas malhas como o tema “Filling the Emptiness” ou mesmo a “Staring into the Abyss”, mas os clichés são demasiados e não há nenhum momento memóravel que se apegue a cabeça e faça o disco rodar outra no vosso sistema de audição. Esta é a razão que explica ainda o estatuto anónimo da banda alemã e não há aqui argumentos que suportem uma crescida de popularidade dos Mourning Caress. Falta sair do modo automático e fazer algo fresco. [6/10] Bruno Farinha

NAMI COLLAPSING WORLD

NIGHT IN GALES FIVE SCARS

AUDIOPLAY RECORDS

LIFEFORCE RECORDS

São cada vez mais os lançamentos editados por mês no âmbito da música pesada, o que eleva drasticamente o número de bandas a aparecer e a competirem entre si por um lugar nos mercados e ouvidos dos fans do género. O excesso de novas formações faz com que haja bastantes copias em sonoridades e um desgaste geral de fórmulas criadas por algumas mentes brilhantes. A importância que muitos grupos têm dado a uma maior técnica instrumental e uma maior dinâmica rítmica, tem sido uma boa maneira de fugir à saturação que tem sofrido o Metal na última década. É o que os Nami tentam precisamente fazer com o seu longa-duração de estreia, “Fragile Alignments”, mas como o nome indica os alinhamentos em que se baseiam são extremamente frágeis, já que o terreno técnico e progressivo da música pesada é extremamente pantanoso e é preciso bastante talento para equilibrar variadas influências num disco de forma a manter a integridade deste para não soar a uma “manta de retalhos”. O quinteto oriundo da Andorra até o consegue fazer com o seu Death Metal Progressivo, basta ouvir os temas “Loop of Truth (The Link)” ou a instrumental “Awakening from Lethargy”, no entanto os temas soam distantes dos outros e muitos deles falta inspiração. É o disco de estreia e há aqui talento, agora é so esperar se os Nami conseguem supreender no futuro. [6/10] Bruno Farinha

Fundados em 1995, os “Night in Gales” são uma banda alemã de Death Metal melódico, com claras influências de bandas como “In flames”, “At the Gates” e “Dark Tranquility”, que regressa agora com o seu novo álbum “Five Scars”. O disco mistura muito habilmente os riffs agressivos e o ambiente melódico e existe, no decorrer de todo o registo, uma atmosfera clássica com peças instrumentais que acompanham as guitarras de forma muito interessante. O instrumental “Epitafh” dá início ao disco de forma bastante emocionante. Outras faixas de destaque são “Days of the mute”, “Void Venture”, “Life denied”, “Whiteout” e “Blackmouth Blues”. “Five Scars” não é um disco surpreendente. Não é um disco inovador. Não é um disco brilhante. Mas, sem sombra de dúvida, cumpre em pleno a sua missão de explorar as sonoridades do Death Metal e promete, para todos os apreciadores do género, muito e bom Headbanging. [6/10] Rute Gonçalves

PAIN OF SALVATION ROAD SALT TWO INSIDEOUT MUSIC

Tratando-se do segundo capítulo do lançamento anterior, este “Road Salt Two” (também designado por “Ebony”) acaba por perder o efeito surpresa. Tal não invalida que este conjunto de canções não esteja ao nível ao que este quarteto sueco nos vem habituando. Efectivamente, e talvez para tristeza dos fãs mais antigos da banda, continuam no trilho da sua recente abordagem musical, com derivações pelo heavy rock dos anos 70 (com pinceladas de Led Zeppelin e Deep Purple). Ao oitavo álbum, os Pain of Salvation possuem uma maturidade musical inabalável e preferem continuar a explorar conceitos elaborados juntando-lhe novas abordagens musicais - em vez do exibicionismo gratuito tantas vezes associado ao prog. Na verdade, neste álbum, a banda está a milhas de poder ser encaixada no género do Metal. Um feeling “rockeiro” e psicadélico percorrem grande parte do material, mas tudo é conjugado com a reconhecida intensidade emocional e dramática da banda – assim como as suas inflexões de género. A coesão do produto final é surpreendente, num álbum um pouco mais obscuro que o seu “gémeo”. Como sempre sucedeu com os Pain of Salvation, este disco dividirá opiniões. Agradará seguramente aos ouvintes com mente mais aberta que não estejam à procura de um álbum puramente de Metal. Uma edição limitada está disponível em digipack e com dois temas extra. [8/10] José Branco


REDEMPTION THIS MORTAL COIL INSIDEOUT MUSIC

Que Dream Theater é uma banda titânica a nível de popularidade e influência é algo inegável, e claro, com fama de tal nível inevitavelmente aparecerão sempre bandas quer influenciadas por, quer a tentar aproveitar-se da fama de. Redemption é uma banda que claramente bebe muito da fonte de DT, com também umas pitadas de Symphony X lá pelo meio, agora até que nível a fonte fornece influência ou copianço menos ético, ja ficará ao critério de cada um, contudo, tendo em conta a popularidade que Redemption conseguiu arrecadar dentro do género, pode ser que exista aqui algo de genuíno. A banda vem dos US of A, e este é o seu quinto álbum de estúdio. Geralmente apelidados de Power/Progressive Metal, o elemento prog definitivamente afoga o elemento Power, cuja presença apenas se nota em diminutas passagens vocais e alguns solos. O álbum divide-se por 11 faixas, a musicalidade é providenciada por músicos mais que competentes, e o som possui uma profundidade bastante agradável ao ouvido, forrado devidamente com guitarras que se teimam em fazer ouvir através de riffs e solos bem orelhudos. As vocais de Ray Alder –cuja recente batalha com o cancro foram o principal foco de inspiração lírica para este álbum- são adequadas, contudo, quando em comparação com o instrumental, parece que ficam aquém, não se podendo deixar de sentir que falta ali um pouco de paixão ou até esforço. [7/10] David Horta

ROSE FUNERAL GATES OF PUNISHMENT

R.U.S.T. LEGENDS

METAL BLADE

PURE UNDERGROUND RECORDS

Directamente da cidade de Cincinnati, surge o trio de Death/Trash Metal, Rose Funeral com o seu mais recente registo “Gates of Punishment”. A sua carreira discográfica teve início em 2006 com a demo “Buried beneath the blood” o E.P.“Crucify.Kill. Rot.” Em 2009 editam “The Resting Sonata”, o seu primeiro longa-duração. “Gates of Punishment” está repleto de excelentes momentos de Death Metal, com as doses certas de brutalidade e agressividade, mas também com uma clara aposta nas melodias. O álbum abre logo com uma brutal descarga de energia com o tema “Legions of Ruination” e prossegue na mesma toada agressiva em “Grotesque indulgence”, “Arise infernal existence”, “The desolate form” e “Entercism”. Destaque também para o instrumental “A recreant canticle”. A faixa “False divine” conta com a participação especial de Steve Tucker, ex-Morbid Angel e o tema “Malignant Amour” da cantora lírica Kate Alexander. No geral, “Gates of Punishment” é um excelente disco, que impressiona pela ferocidade que explode em cada tema e pelo empenho absoluto dos Rose Funeral em agradar aos fãs deste estilo musical. E não tenho dúvida de que vão conseguir. A não perder! [7.5/10] Rute Gonçalves

Os R.U.S.T. (abreviatura para Rock Under The Sign Of Thunder) são uma banda de Heavy Metal oriunda da Roménia fundada em 2004. Tendo lançado a sua primeira Demo em 2007 denominada “The Beginning” e em 2009 o EP “Warriors of Heaven”, os R.U.S.T. são das poucas bandas romenas dedicadas ao Heavy Metal clássico. “Legends” é, assim, o primeiro longa duração desta banda, composto de 11 faixas frenéticas, fazendo lembrar, em muitos momentos, os primeiros sucessos dos Manowar, banda que é, aliás uma grande influência neste disco. A poderosa intro “Forgoten heroes” dá início a esta viagem, seguindo em passo acelerado para faixas emblemáticas como “Rust”, “Warriors of heaven” e “Herd Of Mustangs”. Não podiam faltar as baladas como é o caso de “Sign of the King” e “Rising”. Destaque para “Prelude To Sign Of the King”, uma curta mas lindíssima faixa instrumental. “Legends” é um disco bastante interessante, claramente marcado pelo Heavy Metal dos anos 80 e que consegue revelar uma banda bastante sólida e coerente. Obrigatório para fãs de Heavy Metal oldschool! [7/10] Rute Gonçalves

SEVEN FREEDOM CALL NUCLEAR BLAST

Os Seven são, pelo menos no seu país natal — República Checa — veteranos musicais, pois Freedom Call é já o seu sexto álbum, embora este seja o primeiro editado por uma editora discográfica, pelo que só agora a banda se dá a conhecer a um público mais alargado. Não há como negar que Freedom Call é um álbum interessante, mais que não seja pela riqueza musical: estão presentes elementos do metal, do grunge e até mesmo do modern rock. Isto devia enriquecer o álbum, mas o efeito acaba por ser o oposto, pois a sensação com que ficamos é não a de que estamos perante uma banda musicalmente culta (o que tendo em conta os elementos dos vários géneros musicais presentes, é bem provável), mas que esta é uma banda que ainda está à procura do seu lugar, musicalmente falando. Em The Road e Suicide Fall encontramos talvez as duas faixas que mais destoam do restante álbum, pois são demasiado «modernas» chegando a ecoar o som de outras bandas mais comerciais, como é o caso dos Nickelback, por exemplo. Embora isoladamente algumas das faixas — The Joker e To Hell — resultem agradáveis ao ouvido, como um todo, Freedom Call não convence — o que é uma pena, pois como estrutura musical, a banda funciona e bem, artisticamente é que ainda não estão lá. [5/10] Vanessa Correia


SICK OF IT ALL NONSTOP CENTURY MEDIA

Os Sick of It All são uma das mais importantes e conceituadas bandas do chamado “New York Hardcore”, tem uma grande base de fãs e uma longa carreira musical (activos desde 1986), contam com uma formação que poucas alterações teve ao longo do tempo conferindo à banda uma sonoridade e estilos próprios. Durante a sua carreira foram criando várias músicas consideradas pelos fãs verdadeiros “hinos” dentro do estilo, muitas delas tornaram-se mesmo indispensáveis nos espectáculos ao vivo (que são muitos) e acompanham a banda desde o momento em que foram criadas. Numa indústria musical cada vez mais exigente e complexa a nível de produção e de qualidade, eis que surge esta proposta chamada “Nonstop”. Este não se trata de um novo álbum de originais, mas sim de uma compilação comemorativa dos 25 anos de carreira dos Sick Of It All e junta vários dos êxitos da banda de Nova York que aparecem neste álbum com uma maior produção, notando-se algumas diferenças a nível do registo vocal e também do instrumental. Êxitos como “Clobberin’ Time”, “Scratch The Surface”, “GI Joe Headstomp”, “Sanctuary” e “Built To Last”, entre outros, aparecem aqui em novas versões que vão de certeza delíciar os fãs da banda enquanto esperam pelo novo álbum de originais. Este é assim um álbum que cativará os fãs antigos, mas também o ouvinte que está menos à vontade com esta banda aguçando o interesse pela mesma com estes clássicos do estilo reproduzidos e remasterizados nos estúdios da “Century Media”. É assim um álbum que revitaliza o passado da banda conferindo-lhe uma face mais moderna.

[7/10] Cristiano Estevão

SVARTTJERN TOWARDS THE ULTIMATE

TASTERS RECKLESS ‘TILL THE END

AGONIA RECORDS

NUCLEAR BLAST

Projecto paralelo de HansFyrste dos conhecidos Ragnarok, o colectivo que dá pelo nome de Svarttjern pratica o que eles próprios intitulam de “true norwegian black metal” e este “Towards the Ultimate” é já o seu segundo álbum. E, realmente, na ordem do dia estão as tradicionais vozes black metal, os blast beats intercalados com secções mais calmas e a ausência de teclados, tudo incorporado num ambiente bem característico dos primeiros anos deste século. No entanto, a combinação de todos estes elementos não é sinónimo de um disco que se venha a tornar relevante, e este é um bom exemplo. Totalmente indistinguível de dezenas - se não centenas - de trabalhos provenientes da Escandinávia nos últimos anos, “Towards the Ultimate” é um disco que nos deixa indiferentes e com a sensação de já o termos ouvido antes. Não que seja totalmente desprovido de bons momentos, como por exemplo em “I AM the Path Part II”, mas não são suficientes para que ultrapasse o nível sofrível onde está embebido. Somos inclusivamente presenteados com um refrão à Judas Priest em “Superior Growth” que, apesar de soar surpreendente, soa também desenquadrado. Os Svarttjern terão que pensar um pouco mais além, se o seu objectivo passar por ter alguma preponderância na competitiva cena norueguesa. Perfeitamente dispensável.

Os italianos Tasters são uma banda que conta já com 10 anos de carreira e muitos quilómetros de estrada no seu currículo. A sua surpreendente mistura de riffs pesados e vozes guturais com tempos melódicos e influências electrónicas, fazem deles uma banda bastante inovadora e única no panorama do Metalcore. “Reckless till the end” não só não desilude, como é uma agradável surpresa do princípio ao fim e prende a atenção de quem ouve. “Katherine’s got a secret” abre o álbum de forma brilhante e muito enérgica, espírito que se mantém inalterado noutros temas como “Thanks for this precious gift”, “Dead Roses”, “How easy to die”e “Fight if your heart is broken”. O disco fecha com chave de ouro com “First time”. Enérgico, frenético, emocionante, poderoso. Assim é “Reckless till the end”, um disco que, na minha opinião consegue marcar a diferença e afirmar a posição cimeira dos Tasters. Excelente. A não perder. [8.5/10] Rute Gonçalves

[5/10] Jaime Ferreira

TEXAS IN JULY ONE REALITY NUCLEAR BLAST

No passado, o “mal” emperava nas cenas musicais mais pesadas. O black metal singrou durante longos anos. O oculto reinava entre as comunidades underground. Compravam-se livros e manuais de espiritismo e ciências ocultas. Mas, como tudo neste mundo, a música também está sujeita a mudança. Onde houve a noite, agora resplandece o dia, com a sua luz divina. E as bandas de metalcore, com as suas mensagens de salvação aparecem como cogumelos num tronco podre. Os Texas in July, são mais um desses tortulhos! Este jovem grupo da Pensilvânia apresenta-nos o segundo álbum de originais, dois anos depois de um muito bem recebido I Am. Todo o album está muito bem produzido e nota-se uma intensa energia ao longo das 11 faixas, sem nunca cair naquela faceta mais melosa do metalcore. Há brutalidade q.b. e peso que chega e sobra e ninguém dá pelo teor religioso da mensagem! May, instrumental, é uma faixa muito simples, tocada em guitarra acústica é belíssima e contrasta com a rapidez e distorção do resto das músicas. No entanto, muita luz, é como muita escuridão: não nos deixa ver. Lord please guide us through our struggles tonight, / let your presence be known here alongside of us throughout this time. Fica a interpretação ao vosso critério… [8/10] Narciso Antunes


THANATOSCHIZO ORIGAMI MAJOR LABEL INDUSTRIES

Origami é um álbum acústico que deu nova forma a canções já existentes da Banda Thanatoshizo. Os detalhes começam na capa despojada e estendem-se à música. O álbum vai mostrando um folk que em alguns momentos tem ligações à música celta (por exemplo em “Nightmares Within”) e noutros à música tradicional portuguesa (é o caso das músicas “Inexistence” e “Hereafter Path”). Na verdade cada faixa acrescenta qualquer coisa ou sugere algo de novo, captando a nossa atenção. Seja a linha de baixo em “Dance of the tender leaves” ou em “Hereafter” ou um certo sabor a “Western” em Pale Blue Parishes” ou ainda um tom de Jazz em “Last of the Few”. Por vezes em músicas como “Rawoid” há aproximações à música da Europa central ou de leste numa cadencia ondulante que rapidamente se converte em vertigem. A voz de Patrícia Rodrigues mantém-se quase sempre a libertar emoção em verdadeiro pathos. A sua capacidade de dar corpo e movimento aos temas é notável. Sendo a sua interpretação muito própria, não deixa de fazer lembrar cantoras como Noa ou Alison wheeler. Este é um álbum rico e muito cuidado, que se ouve com prazer. Os amantes do acústico e do folk quererão certamente tê-lo. [9/10] Mónia Camacho

THE SEARCH THE SEARCH FOR...

THE TANGENT COMM

AFMUSIC

INSIDEOUT MUSIC

The Search é uma banda sueca originalmente com uma sonoridade Indie/Darkwave  mas que já navegaram por muitos territórios diferentes como o post-punk e o post-rock, o que ajudou a aprimorar a sua música com várias influências. “The Search for Connection Contact and Community” é já o quinto registo do conjunto, o que demonstra que os suecos não novos nestas andanças e depois de algumas audições percebe-se isso mesmo, no entanto os temas entre si são um pouco díspares e enquanto que se encontra aqui músicas fantásticas, como “Silent Days” ou “Jet” também existem temas que são claras tentativas de comercializar a sua música com o seu formato radio friendly que acabam por cortar um pouco o ambiente melancólico que se tenta aqui construir. O título deste álbum evoca uma certa procura de uma identidade própria e a disparidade dos temas entre si prova isso mesmo. Por enquanto parecem uns Interpol a pensar retrospectivamente em Joy Division ou New Order. Uma coisa é certa quando eles conseguirem, cuidado com eles porque está aqui presente qualidade quanto baste para isso. [7/10] Bruno Farinha

Entre o Progressivo e o Art Rock, os The Tangent resolveram escrever um álbum sinfónico, ao estilo Canterbury, sobre a Internet. Isto pode não soar apetecível à maioria das pessoas, contudo, basta ouvir alguns minutos de “Comm” para se perceber o calibre dos músicos envolvidos no projecto. Este álbum conceptual demorou dois anos a ser composto e marca a estreia do guitarrista Luke Machin (de 22 anos). Aquele que é provavelmente o melhor registo dos The Tangent, será, por certo, uma delícia para os apreciadores do género. Este quarteto britânico liderado por Andy Tillison (aqui brilhantemente acompanhado por Theo Travis, nos sopros) consegue manter o alto nível da sua já assinalável discografia, com um álbum imaculadamente executado e produzido. É um gáudio encontrar uma banda que consegue conjugar um conceito com a musicalidade adequada. Caso flagrante disso mesmo, “Comm” é composto por cinco temas (dois deles com mais de 15 minutos) e onde há espaço para os músicos extravasarem a sua enorme musicalidade. Ideal para fãs de The Flower Kings, Transatlantic, Marillion (da era Fish) ou Yes. Quem procura Metal experimental, terá dificuldade em encaixar o álbum porque todos os clichés do prog estão presentes e raramente a sonoridade resvala para a distorção. Ao invés, predominam oscilações de ambientes e técnica. [7.5/10] José Branco

THRALL VERMIN TO THE EARTH MORIBUND RECORDS

São poucos os discos que possuem uma aura de classicismo, algo que quando os ouvimos nos remete para uma sensação de intemporalidade. Não é que não haja inovação no disco – pois fiquem já a saber que existe bastante – mas quando limpamos a superfície de cada música vemos que o seu coração é, à falta de um termos menos piroso, old school black metal. Tendo em conta que Vermin to the Earth é só o segundo disco da banda australiana, que apresenta já uma combinação estilística tão deslumbrante e uma enorme maturidade, podemos só pensar que os Thrall irão ter um futuro auspicioso. Mas se até aqui procurei reforçar a ideia de que a perfeição do disco reside na sua coesão e na sua fidelidade estética, terei agora de mostram que os Thrall são tudo o que disse, mas que também que vivem em 2011 e procuram levar o género mais além. A primeira faixa, Vermin to the Earth, possui uma essência de hino, onde a percussão transporta o ouvinte para uma marcha, chegando mesmo o vocalista a ajudar na construção rítmica ao balbuciar sílabas aleatórias nos momentos apoteóticos. Oblivian joga com os mesmos elementos, mas consegue ser algo completamente diferente, enquanto Plague of Man e Disease’s Maiming Caress, são faixas mais densas e lentas, reminiscentes de um ambiente doom, mas voltando sempre ao núcleo do disco. A faixa final, Vita Vaccus Voluta, é um passeio por duas décadas de black metal, um crescendo e uma mutação incrível que converge num sentimento completamente catártico. Enfim, oiçam. [9/10] João Lemos


THRONE OF KATARSIS VED GRAVEN CANDLELIGHT RECORDS

Ao tomarmos conhecimento que o último álbum de Throne of Katarsis (TOK) foi gravado em três dias é inevitável ficarmos apreensivos: ou não têm dinheiro ou não têm juízo, pensamos. Tratando-se de uma banda que reúne membros de Gehenna que, por sua vez, integram no seu currículo participações com Satyricon, Blood Red Throne ou Mayhem, seria de esperar algo consentâneo com a experiência acumulada. “Ved Graven”, o terceiro álbum de originais, revela-se, porém, um retrocesso na evolução que vinham a registar. Dir-se-ia que, saudosos dos tempos da garagem dos pais, resolveram fazer uma compilação com as sobras da primeira demo. O resultado é um som convencional, onde pontuam as referências do costume (Darkthrone, Bathory ou Burzum) e com chuvada q.b. para cativar o fã mais conservador de Raw Black Metal. Aqui, a banda abandona grande parte do sentido de melodia e elegância com que conjugava diferentes ritmos e ambiências de uma forma equilibrada, conferindo aos dois trabalhos anteriores algum magnetismo sobre o ouvinte. “Ved Graven”é um álbum com faixas tendencialmente mais curtas e rápidas, mas monótono e vazio de ideias que nos faz ansiar pelo fim. Claro que os «pandas» mais acérrimos encontrarão aqui motivos de interesse. Os restantes irão soltar um longo bocejo e passar à frente.

[3/10] Ana Miranda

THULCANDRA UNDER A FROZEN SUN

VADER WELCOME TO THE MORBID REICH

NAPALM RECORDS

NUCLEAR BLAST

Steffen Krummer, o fundador da magnífica banda de Death Metal técnico e progressivo Obscura, tinha outro projecto em calha desde 2003, mais direccionado para ambiências Black Metal que a Napalm Records pegou em 2010. Thulcandra arrancou então esse ano com uma estreia promissora, “Fallen Angel’s Dominion” e regressou agora um ano depois com este segundo registo, “Under a Frozen Sun”. Este último trabalho continua com a premissa deixada pelo anterior, onde através de bastante técnica e melodia dava uma roupagem fresca ao seu Black Metal e tenho a dizer que estão aqui momentos fantásticos, basta ouvir “In Blood and Fire” ou o próprio tema-título. A linha de guitarras é extremamente competente e o trabalho de bateria fantástico para não falar da produção que torna os promenores que se pretendem ouvir bastante nítidos e equilibrados. Só que sente-se aqui a falta de um rasgo de génio como este senhor teve com os seus Obscura e por enquanto Thulcandra não sai da sombra da príncipal banda do alemão, embora tenha os argumentos necessários para isso vir a acontecer. Entretanto é um disco que vai convencer bastante gente, só se esperava era mais de Steffen Krummer. A ver vamos. [7.5/10] Bruno Farinha

Com uma formação completamente renovada a acompanhar o líder Piotr Wiwczarek, e dispensando quaisquer apresentações, está de volta um dos mais antigos colectivos de death metal em existência. Apenas a dois anos de perfazerem a terceira década de carreira, e ao seu nono longaduração, os polacos continuam a demostrar a razão de ser da sua longevidade e sucesso. Num piscar de olho conceptual à já mítica demo “Morbid Reich”, este novo trabalho dos Vader sobe ainda mais a fasquia dum percurso que já por várias vezes se considerou ter atingindo o seu ponto de excelência. Composições como “I Am Who Feasts Upon Your Soul” e “Decapitated Saints” - sem qualquer desprimor para as remanescentes - são a epítome da escrita e execução de um tema de death metal, absolutamente perfeitas. Apesar de recentes na banda, os novos elementos são tudo menos estreantes na cena musical, e a sua experiência é evidente na coesão que imprimem a esta nova encarnação dos Vader. A mistura e produção estão ambas ao mais alto nível, e nem o oposto seria de esperar. Entramos agora no último trimestre de 2011, e não consigo imaginar uma melhor maneira de o fazer - “Welcome to the Morbid Reich” é, até agora, o meu mais forte candidato a disco do ano. Evidentemente, o sucessor de “Necropolis” não tem de maturar para se tornar num clássico. [9.5/10] Jaime Ferreira

VALLENFYRE A FRAGILE KING CENTURY MEDIA

Eis um supergrupo que se reuniu para homenagear o Death/Doom de há cerca de duas décadas. Na sequência do single de edição limitada em vinil “Desecration”, os Vallenfyre avançam com “A Fragile King”, um longa duração que irá fazer arrepiar a pele a muitos metaleiros. A banda concebe um verdadeiro monumento de dor e revolta centrado sobretudo no tema da morte do pai do guitarrista e aqui também vocalista Greg Mackintosh (dos lendários Paradise Lost). Portanto, um verdadeiro álbum de Death Metal! A sonoridade tem referências a Autopsy, Entombed ou Hellhammer, mas também, nas partes mais lentas, aos primeiros dois registos dos Paradise Lost - aqui revisitados em algum do marcante estilo de guitarra de Mackintosh. Os seus companheiros de banda não deslustram em nada o produto final. Muito pelo contrário. Hamish Glencross (dos My Dying Bride, guitarra), Adrian Erlandsson (dos Paradise Lost, bateria), Mully (guitarra) e Scoot (dos Doom, baixo) são o resto da banda. Portanto, músicos que sabem muito bem o que estão a fazer. O som é, como seria de esperar, áspero, grave e sludgy. A expectativa é grande e o prazer em ouvir este regresso ao som que fez a adolescência de muitos apreciadores de Metal também. Está também disponível a edição limitada em digipack com um tema extra e é esperada uma tournée para 2012. [8/10] José Branco


VAN CANTO BREAK THE SILENCE NAPALM RECORDS

Van Canto é uma daquelas bandas originais. Muito originais. Originais ao ponto de quando aparecem uma das reacções do público é a incerteza se são uma banda a “sério” ou uma joke band, contudo Van Canto parece ser uma banda bastante a sério. Auto –denominando-se como “A Cappella Metal”, o ponto fucral de Van Canto é sem dúvida o facto de terem um baterista e 5 vocalistas, sem adicionais instrumentos, o papel dos mesmos sendo substituído por um uso criativo das cordas vocais. Tendo ganho alguma fama com covers de clássicos como “Fear of the Dark”, “Wishmaster” ou até “Master of Puppets”, este já é o quarto álbum da banda, que para além das duas ou três covers habituais por disco, também se encontram estufados com a sua dose de temas originais da banda. “Break The Silence” é o nome do último, e demonstra ser um marco digno da evolução que a banda teve ao longo destes anos; “Primo Victoria” dos Sabaton e “Bed of Nails” de Alice Cooper são duas covers que marcam presença neste álbum, enquanto que o resto dos temas originais são uma mistura entre Power e Heavy Metal, não deixando de ter um gostinho de Gothic lá pelo meio, principalmente pela presença da vocalista feminina. A substituição de cordas por “ratakaratata”s pode irritar alguns, mas deverá ser agradável para quem procura algo de original, e admira trabalho vocal. [7/10] David Horta

WE CAME AS ROMANS UNDERSTANDING...

WHITE WIZZARD FLYING TIGERS

NUCLEAR BLAST

EARACHE RECORDS

Os “We came as romans”, são um sexteto do Michigan dedicados ao Metalcore, e que surgem agora com um novo registo “Understanding what we’ve grown to be”, sucessor do brilhante álbum de estreia “To plant a seed”. O disco é, de uma maneira geral, bastante agressivo, á semelhança do disco anterior, e as faixas abordam sentimentos tão diversos como a raiva, a dor e a frustração, revelando uma excelente forma do vocalista Kyle Pavone. Temas de destaque são “Misunderstanding”, “The way that we have been”, “War inside” e “What my heart held”. “Understanding what we’ve grown to be” é um registo bastante mais complexo do que o anterior disco da banda, quer ao nível da estrutura musical, quer ao nível da emoção que transmite, embora não consiga atingir o nível de excelente e não tenha grandes surpresas. Apesar disso, é sem dúvida, um bom disco que vale a pena ouvir. [6.5/10] Rute Gonçalves

Decorrido cerca de ano e meio após o lançamento do seu álbum de estreia, estão já de volta os White Wizzard com o seu segundo registo, a manter-se bem dentro da mesma linha. Heavy metal tradicional é a proposta dos californianos, mas, ao contrário de inúmeras bandas que tentam emular os seus ídolos almejando o sucesso dos mesmos de há mais de duas décadas, este quinteto consegue revisitar o género com originalidade e frescura. Inclusivamente, o estilo praticado tem mais a ver com o de bandas de segunda linha da NWOBHM, como Praying Mantis ou Tygers of Pan Tang, do que propriamente com os dinossauros da época. Não deixam de estar sempre presentes, no entanto, os elementos que caracterizaram o heavy metal e o elevaram a um fenómeno mundial - os refrões que ficam no ouvido à primeira de “Fight to the Death” ou “Night Stalker”, o sentimento épico de “Fall of Atlantis” ou a semi-balada “Starchild”. Inevitavelmente, “maidenismos” acabam por se manifestar tanto no tema título como em “Starmans Son”, mas o contrário acabaria por ser quase contra-natura. No geral, este “Flying Tigers” é um álbum deveras bem construído e que se torna difícil de tirar do leitor de CDs, mesmo após repetidas audições. Num estilo que ultimamente peca pelo marasmo e pela imitação, este trabalho é, sem sombra de dúvidas, uma lufada de ar fresco. [8/10] Jaime Ferreira


P

elo caminho sentia-se alegria e uma grande expectativa, não fossem os More Than a Thousand uma das bandas de maior sucesso no seu estilo de música. A estrada ia dar ao Armazém F, TMN ao Vivo e podia ver-se sorrisos na rua, encontros e várias conversas de como seria o concerto, ainda mais estando os aniversariantes acompanhados por bandas como Devil in Me e My Cubic Emotion. Com a chegada das pessoas e com uma enchente a adivinhar-se, foram vários os jovens a “acampar” em frente ao palco fazendo prever uma massa humana bastante forte. A primeira banda da noite foram os MCE (My Cubic Emotion) que por sinal são bastante amigos dos MTAT, e que começaram desde cedo a por o publico a saltar e a cantar as letras em uníssono, com vários fãs a interagirem com a banda e com o vocalista, sempre atento ao público, dando uma entrada fulminante a uma sala que começava aquecer e de que maneira. Para finalizar a sua actuação, deixaram os cumprimentos aos presentes e aos More Than a Thousand pelos seus 10 anos de carreira e sublinharam que aque-

la noite era inteiramente deles. Uma actuação coesa e cheia de energia, por parte dos MCE. Já a transpirar, o público estava insaciado e advinha-se um verdadeiro caos com a entrada dos Devil in Me. Como é hábito na banda, um início forte e rápido, cheio de saltos e interacção entre Apolinário Correia (vocalista) e o público deixou a sala em êxtase. A actuação dos Devil in Me ficou marcada não só pela pujante actuação de todos os elementos da banda mas também por problemas técnicos onde os instrumentos ficaram sem energia por duas vezes, criando um coro de assobios e alguma risada, onde Apolinário deu a volta à situação referindo que “O que é uma banda de Hardcore sem problemas? Nada.. nada!” seguindo em frente em ambas as vezes com ainda mais força e emoção. Com estas re-entradas sonoras cheias de força, não é de espantar o início dos crowd surf assim como dos stage-dives e a natural interacção do público. De forma a descansar, o vocalista dos Devil in Me resolveu interagir com elementos do público perguntando quem queria ganhar um CD e claro, mãos no ar foi o que não faltou

tendo sido um jovem escolhido ao acaso onde Apolinário Correia “trocou” a oferta com um salto do piso de cima do Armazém F para o público, algo que se advinha assustador mas que após 5 segundos a pensar, o fã da banda decidiu subir e satisfazer o pedido, sendo agarrado pelo público enquanto os Devil in Me explodiam novamente com a “From Dust Till Dawn”, levando ao auge qualquer um dos presentes no show. Antes de acabar, ainda houve tempo para uma interacção do vocalista da banda Reality Slap, onde foi por momentos o “frontman” dos Devil in Me. Por esta altura, era impossível não estar encharcado de suor, tendo até algumas pessoas que sair do Armazém F de forma a apanhar algum ar, visto estar um ambiente abafado e demasiado quente. O momento esperado por todos estava próximo e após alguns detalhes e afinações, os More Than a Thousand entraram finalmente no palco gerando uma salva de palmas que rapidamente se transformou em saltos e empurrões devido à entrada fortíssima da banda, fazendo prever um fim de espectáculo único, não fosse a comemoração dos 10 anos da banda


de Setúbal. Após a primeira música e com os agradecimentos normais, Vasco Ramos foi igual a si próprio, sem grandes palavras nem discursos pensados, apenas pura simplicidade, emoção e agradecimento a todos os fãs. Divertido, emocionado e descontraído, Vasco Ramos era a imagem do ambiente vivido naquela noite onde se pôde ouvir várias faixas do último álbum dos More Than a Thousand, com o nome “Make Friends and Enemies”, entre elas “It’s Alive (How I Made A Monster)“, “First Bite“, “We Wrote This Song About You” e “Nothing but Mistakes“. Qualquer que fosse a música, ouvia-se a letra de qualquer um dos lados da sala, sendo com sorrisos e braços no ar, caras novas, caras velhas, jovens, amigos, o ambiente era realmente de festa. Com esta emoção toda, a banda decidiu tocar uma das músicas novas, “Feed the Caskets”, onde parecia também já estar na ponta da língua dos fãs dos MTAT. Após alguns minutos de conversa com os presentes no TMN ao Vivo, um espírito de melancolia instalou-se no palco com a chamada de André Viegas, o antigo vocalista dos More Than a Thousand,

para uma participação em conjunto com Vasco Ramos na música “Trip do Goth’am City”. Após este momento, foi tempo de descansar para os membros da banda, menos para o vocalista que agarrou na guitarra e cantou, acompanhado pelo público, uma cover da Adele, a “Someone Like You”. Para continuar o sossego temporário, o vocalista pediu a todos que elevassem o telemóvel ou um isqueiro no ar para se ouvir a “In Loving Memory”, uma das músicas mais emotivas da banda. Depois destes momentos mais calmos e para reanimar o público foi altura de chamar o vocalista de outra banda de Setúbal, o Fábio Batista dos Hill Have Eyes, para cantar uma das músicas mais aguardadas da noite, a “A Sharp Tongue Can Cut Your Own Throat”. Ainda ouve tempo para um bolo de anos, entregue pelo Pedro Canárias, o qual não demorou 2 minutos a ser totalmente devorado pela linha da frente do publico e lançado para trás em tom de brincadeira, onde o divertido Vasco Ramos respondeu com um “Aiii.. isso é tudo fome? Vocês não comem em casa?”, gerando uma enorme risada e abrindo caminho para as últimas

músicas e para o fecho, com a inevitável “It’s the Blood, There’s Something in the Blood“, pertencente ao EP de 2004. Foi uma noite mais que agradável, que não roçou a perfeição devido ao imenso calor que parecia não querer sair da sala e aos problemas referidos com a parte eléctrica aquando da actuação dos Devil In Me. Mais uma vez fica demonstrado, correndo o risco de cliché, que o ciclo continua, umas vezes mais rápido do que outras, mas que o Hardcore nunca esteve nem está morto. Está sim vivo, em muito boa condição física e pronto para ser divulgado sem preconceitos e mostrando realmente o que é este estilo musical. Da nossa parte, um abraço forte a todas as bandas, principalmente e por razões óbvias aos More Than a Thousand e que continuem com esta forma e força gigante, dando tantas alegrias e emoções a todos os que acompanham a banda. Texto: Valter Simões Fotografia: Valter Simões


C

om um ar de despedida no ar o Judas Priest retorna ao Brasil para o que será o adeus da banda as grandes turnês , o grupo ainda continuara na ativa, só que sem o glamour e infra estrutura de grandes e longas tours, dando lugar a shows esporádicos e mais intimistas. A banda que desta vez incluiu diversas cidades brasileiras em seu roteiro, trouxe mais uma vez o Whitesnake como banda de abertura para os shows da Epitaph Tour, nem precisa dizer que com todos esses ingredientes o sucesso de público estaria garantido, e foi justamente isso o que ocorreu, uma mescla de gerações na Arena Anhembi, desde adolescentes a

tiozões barrigudos com camisetas das bandas disputavam o melhor lugar para ver o show. Com toda essa expectativa, eis que se inicia o primeiro show da noite, com a intro de “My Generation” do The Who, David Coverdale e sua trupe sobem ao palco e iniciam com Best Years, seguida de Give me All Your Love, o frenesi tomava conta dos fãs , desde os de primeira viagem aos mais veteranos, mas o que pude constatar desses primeiros momentos é que ao contrário de Rob Halford que mantem seu gogó afiado David Coverdale deixa a desejar , cantando as músicas com tom abaixo e contando com generosos backing vocals de apoio regados de solos de guitar-

ras, bateria e baixo para sua estratégica retomada de fôlego , o carismático vocalista já não é o mesmo de outrora, mas sempre emociona o público com sucessos como Love Ain’t No Stranger e Is This Love, que marcaram momentos de gerações inteiras, claro que os fãs mais árduos da banda irão discordar do que foi escrito, mas é como diz o velho ditado “ A verdade dói”. Proseguindo o show ainda tivemos músicas do novo álbum “Forevermore” e “Steal Your Heart Away”que foram bem recebidas pelo público, mas como em todo grande show que se preze o melhor estava guardado para o fim e foi com Here I Go Again, Still Of The Night, Soldier of Fortune e


Burn / Stormbringer, essas duas ultimas covers do Deep Purple na época em que Coverdale fazia parte da banda, garantiram o sucesso da apresentação do grupo que apesar de não estar 100% , ainda conseguem emocionar e agitar o público, méritos também para a boa banda que acompanha Coverdale nessa nova fase do Whitesnake, agora era questão de tempo para o próximo e mais aguardado show da noite. Após aguardar quase 1 hora para a troca de palco coberto por uma grande cortina que intitula a derradeira turnê da banda Epitaph, os primeiros indícios de que a banda iria subir ao palco começam quando ouvimos Battle Hymn anunciando o grupo, cai a cortina e em um ritmo frenético o show se inicia com o grande clássico: Rapid Fire, tirando todos os fás do chão! Sem deixar o público respirar, a banda emenda com Metal Gods, também do álbum British Steel, um dos mais aclamados cds da banda. A produção do palco e figurinos de Rob Halford são impecáveis, com um grande telão ao fundo as capas dos álbuns vão passando de acordo com as músicas que são tocadas nos remetendo mais ainda ao clima de despedida do show, isso também ocorre com as vestimentas de Halford que de acordo com a música são devidamente mudadas, isso sem contar com os efeitos pirotécnicos dando todo o ar de grandiosidade ao show. O novo guitarrista, Richie Faulkner, que tinha a difícil missão de substituir K.K. Downing, um dos fundadores da banda, parecia muito confortável no palco e inte-

ragindo muito com o resto da banda, formada por Ian Hill (baixo), Scott Travis (bateria), Glenn Tipton (guitarra) e Rob Halford (voz). O show seguiu com Heading Out to the Highway e Judas Rising e ninguém conseguia ficar parado. Com uma grande volta no tempo, a banda manda Starbreaker, do álbum Sin After Sin de 1977, fazendo toda a Arena Anhembi cantar junto. Depois foi a vez de mais um clássico: Victim Of Changes, do disco Sad Wings of Destiny, seguido por Never Satisfied, do primeiro álbum da banda, Rocka Rolla. Pausa para entrar o violão e Rob Halford anuncia um cover, feito do jeito do Priest, que se tornou mais um grande clássico da banda: Diamonds and Rust de Joan Baez. O público, em êxtase total, cantou mais uma vez junto com Halford. Pausa para a nitro Dawn of Creation, que introduzia Prophecy, uma das puxas músicas boas do álbum Nostradamus, último lançamento da banda. Logo depois, o Judas Priest voltava a entoar clássicos: Night Crawler e Turbo Lover incendiaram os fãs. Depois dos clássicos, mais clássicos! O set seguiu com Beyond The Realms Of Death, The Sentinel e The Green Manalishi. Mas o melhor ainda estava por vir… A banda então introduz um de seus maiores clássicos: Breaking The Law! Então, Halford vira o microfone pra galera e deixa os vocais da música toda a cargo dos fãs, que não decepcionaram, cantando a música em alto e bom som. Mais uma pausa, com um breve solo de bateria de Scott Travis que traria

o que talvez seja o maior dos clássicos do Judas Priest: Painkiller. Essa é uma música que é sempre legal de ser ver ao vivo e ver Rob Halford cantando a todo vapor, no auge de seus 60 anos e no fim do show foi demais! Pra quem já se dava por satisfeito, o Priest ainda guardava muita coisa boa. O bis clássico da banda começou com The Helion – Electric Eye e Hell Bent Fot Leather, com direito a moto no palco, como sempre. Na seqüência, You`ve Got Another Thing Coming, foi cantada do início ao fim pela galera. A banda sai do palco de novo, e o baterista Scott Travis volta instigando o público a pedir mais, afinal ainda faltava uma música. Depois de alguns instantes a banda voltava ao palco para fechar a noite com chave de ouro com Living After Midnight, pra esgotar as energias de todos os presentes. Texto: Flávio Santiago Fotografia: Flávio Santiago


C

omo de praxe nos últimos anos temos o festival Setembro Negro promovido pela Tumba Productions, ocorrido em algumas cidades do Brasil, em sua 10º edição, confirma o sucesso absoluto do evento e nesse ano contou com as bandas Ragnarok, Belphegor e nada mais, nada menos com uma das lendas vivas da música extrema Morbid Angel. Esse ano tivemos um fato inusitado pois a data do show coincidiu com a trágica data para os americanos, afinal faziam 10 anos do atentado as torres gêmeas, tal coincidência em relação as datas tinham sentidos completamente opostos, se de um lado os americanos lamentavam por suas vítimas, por outro lado os brasileiros, mais especificamente os paulistas comemoravam 10 gloriosos anos desse festival que prestou grandes serviços a música extrema. Infelizmente cheguei ao Carioca Club no final da apresentação dos noruegueses do Ragnarok, mas dada a empolgação dos fãs o show foi devastador como de costume, das músicas apresentadas apenas pude prestigiar In Nomine Sathanas e fechando com maestria, a raivosa Blackdoor Miracle. Com horário a cumprir e com uma rápida troca de palco chega a hora dos

austríacos do Belphegor de subir ao palco, o show deles é realmente impressionante e com uma atmosfera ímpar, envolvendo a todos que ali estavam, o massacre sonoro se inicia com “In Blood - Devour This Sanctity”, faixa que abre seu nono e mais recente álbum, Blood Magick Necromance (2011). A sequência não poderia ser melhor, com as fenomenais “Belphegor - Hell’s Ambassador”, “Veneratio Diaboli - I Am Sin” e “Impaled Upon the Tongue of Sathan” dos álbuns Pestapokalypse VI (2006), Walpurgis Rites – Hexenwahn (2009) e o já citado novo disco, respectivamente. Com total domínio sobre o público Helmuth comanda sua legião de fãs com maestria, aliás a banda toda tem total domínio da situação e o show decorre de maneira perfeita, o encerramento em grande estilo com “Black Goat Zombie”, para delírio geral dos fãs. Outra rápida troca de palco e pontualmente no horário previsto a grande atração da noite sobe ao palco, sem muitas firulas iniciam com Immortal Rites para delírio dos fãs mais devotos da banda, mas o Morbid Angel parecia inspirado ou talvez tentando mostrar serviço logo de início antes de tocarem material de seu ultimo e contestado trabalho ” de Illud Divinum Insanus”, pois bem os fãs que só queriam um bom show puderam presenciar bem mais que isso, um set agressivo

e poderoso e com “Fall From Grace”, “ Rapture”, “ Pain Divine” e “ Maze of Torment” iniciam o show de maneira devastadora. Com o público ganho David Vincent só teve que administrar o show até o seu fim, do álbum novo tocaram “Existo Vulgore”, “Nevermore” e “ I Am Morbid” essa cantada em uníssono pelos presentes. Outro fato relevante foi a atuação de Tim Yeung (All That Remains, Hate Eternal, Vital Remains, Divine Heresy,etc) fazendo um trabalho excepcional a frente da bateria, já que Pete Sandoval segue afastado por motivo de saúde, claro que sua falta é sentida mas Tim não deixou nada a desejar para o titular do posto. Um dos momentos marcantes foi na execução de Lord of All Fevers and Plagues e seu refrão cantado a plenos pulmões pelos presentes, o show seguiu em ritmo frenético até seu fim quando a banda encerrou com a obrigatória “God of Emptiness” e a poderosa “World of Shit (The Promised Land)”, totalizando mais de 90 minutos de show. Mais do que uma comemoração de 10 edições do Setembro Negro Festival, esse show provou para alguns fãs que torciam o nariz para o futuro do Morbid Angel, que podem ficar tranqüilos e se depender da banda mais massacres sonoros se realizarão, esperamos que ocorram em breve em terras tupiniquins.

Texto: Flávio Santiago Fotografia: Flávio Santiago


E

m tempos em que todas as atenções estão voltadas ao festival Rock in Rio, tivemos a segunda edição do festival Kool Metal Fest, que em sua primeira edição contou com as bandas internacionais Suffocation e Napalm Death, desta vez o festival optou por agregar apenas bandas nacionais tendo como headliners as consagradas bandas Ratos de Porão e Krisiun, além de Noala, Hutt, Bandanos, Carahter e Possuídos pelo Cão. O público compareceu em grande número e provou mais uma vez que independente de grandes festivais é possível fazer eventos mais modestos, mas com boa qualidade musical, contrariando assim festivais com interesses meramente comerciais e que tem como finalidade capitalizar e atender a interesse de minorias. Voltando ao KMF, tivemos como primeira banda a subir ao palco o Noala, a banda se apresentou para um público pequeno, pois a maioria das pessoas ainda chegava ao local e muitos preferiram ficar do lado de fora da casa para o tradicional “esquenta”, antes dos shows principais, a sonoridade do Noala é calcada em grupos como Neurosis e Anathema, de característica mais densa, claro que nem sempre agrada a todos, mas impressionou os presentes. O próximo grupo a se apresentar foi o Hutt, banda que fez um dos shows mais rápidos e barulhentos da noite, o grupo se apresentou no evento com sua formação em quarteto, já que eram um trio originalmente, e ainda contaram com a volta do baterista Marcelo. No show foram mostrados petardos dos álbuns “Sessão Descarrego” e de seu ulti-

mo trabalho “Monstruário”, show com set rápido, mas empolgante. Próximo show da noite foi do Bandanos, banda que fez um show em clima de revival, já que se encontravam em um período de hiato, o público até então em menor número nos shows anteriores, começou a adentrar o Espaço Victory e fez as honras da casa ao grupo, cantando e abrindo rodas de mosh bem ao estilo crossover da banda, esse com certeza foi um dos shows mais festejados da noite e mesmo com um curto tempo para apresentação devido as próximas atrações o grupo desempenhou bem o seu papel. Agora é a vez do Carahter se apresentar para o público já cansado do KMF, digo isso pois os shows contaram com alguns atrasos e nessa hora já era possível avistar pessoas sentadas pelos cantos ou simplesmente vagando pela casa de shows, detalhes a parte a banda fez um show competente mas um pouco morno para a ocasião pois não foi capaz de empolgar e tiveram uma passagem desapercebida pelo festival. Dentre as bandas ditas “secundarias” o Possuídos pelo Cão” foi a ultima a se apresentar no festival, agora o público aparentemente mais motivado vai para a frente do palco e agita insanamente, para quem não conhece o P.P.C conta com membros das bandas DFC e Violator, ambas de Brasília, com uma boa sonoridade e discursos afiados Poney e Cia. ganharam o público do KoolMetal Fest. Após uma maratona de bandas, o público visivelmente exausto guardava as ultimas forças para os shows finais e eis que foram recompensados com apresentações avassaladoras, a primeira foi

da banda Ratos de Porão que completa nesse ano trinta anos de carreira, claro que tal sucesso e longevidade não são a toa, a banda faz um show matador com músicas como “Beber até morrer”, “Aids, Pop, Repressão”,” Crocodilla”, “Igreja Universal”,”Sofrer”, “Amazônia Nunca Mais”, “Crise Geral”, “Morte ao Rei”, além da cover de “Work for never” da banda Extreme Noise Terror, show rápido e rasteiro deixando os fãs com aquele gosto de “Quero mais”, e realmente poderia ter sido mais, enfim a essa altura do evento quase beirando as 3hs da manha, o público queria apenas o fim do evento e com grande estilo o Krisiun o fez com um apanhado de músicas de sua carreira tocaram sucessos como “Combustion Inferno”, Vicious Wrath, Kings of Killing”, “Hatred Inherit”, “Murderer”, o show ainda contou com material novo do álbum The Great Execution, dele foram tocadas as músicas “The Will to Potency” e “Sexta Extinção em Massa”, faixa que conta com a participação de João Gordo nos vocais que aliás repetiu essa participação ao vivo também. Com “Black Force Domain” e “Kings of Killing” o Krisiun encerra a 2º edição do KoolMetal Fest, festival que nos faz acreditar que é possível apostar no underground e ainda fazer um evento com qualidade, claro que intercorrências podem acontecer, como de fato ocorreram , mas nada que tire o brilho do evento. Parabéns a organização . Texto: Flávio Santiago Fotografia: Flávio Santiago



Infektion #07 Outubro 2011