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melhor. Temos precisamente um espectáculo em Madrid, na sala Excalibur previsto para o dia 21 de Outubro onde partilharemos o palco com a banda venezuelana Bleeding Tears e a banda canarina Tears of Martyr. Durante a apresentação do vosso primeiro EP tocaram com alguma banda de renome nacional ou internacional? Que banda(s) gostariam de compartilhar um palco ou fazer uma tour conjunta? No passado dia 9 de Julho, tivemos a oportunidade de partilhar o palco com Heavenwood no Hard Club numa noite sem dúvida especial e memorável. Temos sempre convivido com outras bandas em cada um dos nossos concertos. A proveniência delas tem sido variada desde de Lyon em França (Kells) até várias bandas de Lisboa. O convívio tem sido sempre excelente e nasceram boas trocas de experiências. É evidente que gostaríamos de partilhar o palco com bandas de renome internacional mas isso ainda permanece no domínio do sonho, porque ainda precisamos de crescer enquanto banda e de ganhar mais público para chamar a atenção de colectivos reconhecidos. Quem foram as grandes influências dos CIP? O EP pareceu-me uma mistura muito bem conseguida de muitos estilos e artistas. Mas, quem foram aqueles, acima de tudo, que vos disseram para pegar nas guitarras e ir para a garagem? Temos a sorte de ter um colectivo com influências muito diversas que abrangem estilos diversos desde Gojira até Porcupine Tree. Individualmente, cada um de nós também ouve um leque muito variado de artistas e essas influências estão em constante evolução porque temos sempre gosto em partilhar novas descobertas uns com os outros. Mas se tivéssemos que nomear algumas das grandes influências no nosso som, Killswitch Engage, Trivium, Opeth, Arch Enemy ou Katatonia são alguns dos nomes que reúnem maior consenso entre todos. Na vossa opinião quais são as limitações da voz feminina numa banda de metal? As limitações de uma voz feminina são semelhantes às de uma voz masculina na medida em que dependem

do seu talento e competência. De um ponto de vista mais global, existe um grande número de bandas de renome lideradas por vozes femininas onde predomina o canto lírico quase operático. Entretanto quando ouvimos Angela Gossow (Arch Enemy) apercebemos que a voz feminina pode ultrapassar essas limitações. No caso de CIP, procuramos tentar fugir ao cliché operático com a inclusão de alguma agressividade que teve de ser trabalhada, sem no entanto ignorar as qualidades líricas da Sara e preservando o tom feminino que a distingue inevitavelmente de uma voz masculina. E mais que a voz, uma mulher dá sempre um toque mais sensual, mais atraente, mais detalhado do que um conjunto de homens. Concordam? Qual é o toque feminino da Sara nos CIP? Uma mulher dá efectivamente um toque mais sensual num conjunto de homens, mas mais do que a imagem, é na sua voz e nas suas composições que o toque feminino da Sara se destaca mais. Sendo o público metaleiro composto, maioritariamente, por homens, é normal que as atenções caiam sobre a Sara. Como reagem os restantes membros da banda? Uma frontwoman tal com um frontman é geralmente o rosto da banda onde se canaliza a maior parte das atenções durante um concerto. É lógico então que as atenções recaem mais sobre ela. A interactividade que existe entre a Sara e o público é algo de comum a todas as bandas e é por isso encarado pelos restantes membros da banda com naturalidade. Há muitos “puristas” que dizem que uma voz feminina não é metal ou não é true… Que têm a dizer a esses “puristas”? Responderíamos com as perguntas: o que é então o metal ou o que é verdadeiramente true? Com tantos subgéneros inerentes ao metal, é difícil de qualificar. Será o track tempo? Que dizer então das bandas classificadas como punk e os seus metrónomos frenéticos. Será então a distorção e a afinação das guitarras? As afinações graves são usadas há muito no jazz e a distorção é algo de muito comum noutros géneros. Serão então os gru-

nhidos? Uma banda como Katatonia tem uma carreira internacional bem sucedida sem recorrer a isso. Entretanto, Arch Enemy com a liderança de uma voz feminina fez disso uma parte da sua imagem de marca… Numa época em que cada vez que vinga uma banda tendo apenas algo de diferente criando assim um novo subgénero como por exemplo o “Djent”, torna-se tudo muito relativo. Assim, num instante, quem acham que foi o marco feminino mais importante da história do metal? E porquê? É tão complicado definir um único marco feminino como definir o marco masculino mais importante da história do metal. Várias vozes femininas contribuíram para diversos subgéneros. Assim de relance, vozes como Tarja Turunen ou Simone Simons (Epica) mostraram que o mezzo-soprano e o soprano podiam combinar com o metal de uma forma operática. Por um outro lado, Angela Gossow (Arch Enemy) mostrou que a voz feminina era capaz de grunhir e diferenciar-se do gótico onde envergam muitas vocalistas. Actualmente, é possível encontrar vocalistas capazes de combinar os diferentes registos à semelhança de Maria Brink (In this Moment) ou Alissa White-Gluz (The Agonist). Deviam haver mais bandas com mulheres? Que bandas poderiam funcionar com mulheres, em vez de homens? Quando se pensa numa mulher numa banda, imagina-se imediatamente uma vocalista. Contudo as mulheres numa banda podem assumir outros papéis e, embora seja pouco recorrente, é sempre refrescante quando isso acontece. A identidade de uma banda é derivada da empatia e da coesão dos seus membros. Logo, se hipoteticamente uma banda passaria a funcionar com uma mulher em vez de um homem, a sua identidade seria alterada e daria lugar a algo de diferente que provavelmente não agradaria aos seguidores. Imaginam o que seria se Amon Amarth apareceria em palco com uma voz feminina em vez de Johann Hegg… Nem pensar.

Entrevista: Narciso Antunes

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INFEKTION MAGAZINE #06 Setembro 2011  

DOWNLOAD PDF + COMPILAÇÃO: http://www.mediafire.com/?49gtznfa0jcbgcm Edição dedicada ao Metal Feminino. Entrevistas com: Ava Inferi, The Oce...

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