Page 14

tu por ambos. De um modo ou de outro, incomodou-me um pouco mas foi sol de pouca dura. As coisas boas acabam sempre por compensar as más! ras dos sexos. Qualquer pessoa com uma consciência minimamente expandida compreende que isso da emancipação da mulher, seja em que contexto for, nunca deveria ter sido sequer um movimento necessário. Digo isto porque todos somos humanos e capazes de fazer quase tudo aquilo no qual nos aplicarmos com entusiasmo. Simplesmente – e ainda bem – há pessoas que se entusiasmam mais com uns assuntos, e outras com outros. Por isso o único conselho que deixo às meninas é que não se deixem intimidar por paradigmas sociais ultrapassados. E relativamente aos meninos que insistem numa diferenciação e não dão igual espaço às mulheres no metal, a esses desafio-os a um throat battle. Numa entrevista aos Winds Of Plague, o Johnny Plague disse-nos que a teclista, Alana, já lidou com algumas coisas que fariam qualquer mulher e até mesmo homens abandonar as tours de imediato. Fazendo tu parte de bandas com elementos masculinos, alguma vez passaste por uma situação desagradável que te tenha feito repensar a tua permanência na formação da mesma? Sinceramente não. Pelo contrário, creio que sempre me trataram relativamente bem. Tive somente algumas circunstâncias caricatas em que o pessoal do som desconfiava que eu era uma groupie ou namorada de algum dos membros até eu subir ao palco para fazer o sound check. E em relação ao público já alguma vez te faltaram ao respeito? Sim. Lembro-me de um episódio menos feliz em que o público começou a gritar uns hinos que puxavam mais à ordinarice, mas isso é uma atitude muito comum em pessoas que estão em estados de consciência alterados ou que por e simplesmente não funcionam com o baralho todo ou estão sobre o efeito de estupefacientes. Quando as pessoas não conseguem pensar por elas, tens de fazer um esforço e pensar

És a vocalista dos Crisis, que apesar de praticarem um som mais electrónico vão buscar algumas referências mais pesadas. Enquanto mulher e vocalista, quais são as principais diferenças entre estar numa banda de Metal e numa banda como os Crisis? Se queres que te seja honesta, não sinto nenhuma diferenciação à excepção de que os membros de ambas as bandas sempre me ensinaram imenso e ainda conseguiam ser uns cavalheiros e levar-me o material quando era demasiado pesado para o transportar sozinha. O teu registo vocal é fascinante e bastante versátil. Com que registo é que te sentes melhor? Depende do contexto. Acho que essa versatilidade surge precisamente desse complexo quase equiparável ao da capacidade de um escritor encarnar diversos heterónimos. Mas acho que a minha zona de conforto está precisamente no equilíbrio entre a voz melódica e os meus guturais desengonçados. O teu percurso musical é algo vasto e extende-se também na parte instrumental. Quando e como é que ganhaste o gosto pelo baixo? Eu sempre fui uma miúda um bocado preguiçosa. Acho que a predisposição inata para a música me levou primeiro à voz porque é um instrumento sempre presente e fácil de explorar sozinha. Mas sempre nutri um desejo secreto de aprender a tocar alguma coisa e sempre fui o tipo de pessoa que nos intervalos dos ensaios se sentava na bateria ou que pegava na guitarra ou no baixo dos outros. Sempre fiz músicas dentro da minha cabeça e à medida que o tempo foi passando a minha necessidade de exteriorizar essas composições foi adquirindo mais terreno e a guitarra baixo e eu fomos estabelecendo uma ligação natural, talvez devido ao groove que fui desenvolvendo

Profile for Elementos À Solta, LDA

INFEKTION MAGAZINE #06 Setembro 2011  

DOWNLOAD PDF + COMPILAÇÃO: http://www.mediafire.com/?49gtznfa0jcbgcm Edição dedicada ao Metal Feminino. Entrevistas com: Ava Inferi, The Oce...

INFEKTION MAGAZINE #06 Setembro 2011  

DOWNLOAD PDF + COMPILAÇÃO: http://www.mediafire.com/?49gtznfa0jcbgcm Edição dedicada ao Metal Feminino. Entrevistas com: Ava Inferi, The Oce...