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http://www.mproducts.pt/


04 VOX POPULI 06 NOTÍCIAS 08 ARTWORK 10 DECEPTIONS CORNER 11 ESTÓRIAS QUE MATAM 12 SOFIA MAGALHÃES 16 DECAPITATED 20 AVA INFERI 24 METAL FEMININO: OPINIÃO 28 THE OCEAN 32 GODVLAD 34 THEE ORAKLE 36 CHAOS IN PARADISE 38 THIRDSPHERE 42 SILVERDOLLAR 44 TOMBS 46 DEVIANT SYNDROME 48 HUNTED 51 INFECÇÃO URINÁRIA DE MARTE 52 SVARTSOT 56 SOLID SPECTRUM 58 VII BATALLÓN DE LA MUERTE 60 REVIEWS 74 LIVE REPORT

Mês Feminino

Para este mês temos uma edição dedicada ao público feminino mas não só! Apesar de algumas entrevistas terem sido comandadas por esse tópico e de alguns artigos e a própria compilação ser dedicada exclusivamente ao tema em destaque, abrimos também espaço para as secções habituais e para promover o Metal no geral. Nesta edição podem encontrar entrevistas com algumas bandas nacionais com elementos femininos (como o caso dos Ava Inferi que foram os escolhidos como a primeira capa nacional da Infektion), bem como entrevistas com Decapitated, The Ocean, Tombs e muito mais! Não se esqueçam de deixar o vosso feedback para que possamos melhorar a Infektion a cada edição. O vosso apoio é muito importante e as vossas palavras são o nosso sustento. Até Outubro, com Evile!

Na Internet encontram-se muitas críticas às revistas impressas em Portugal e alguns dizem que a Infektion é melhor que essas publicações. O que têm a dizer sobre isto? Concordam? via Facebook Respondo-te aquilo que o Andreas Kisser me respondeu quando lhe perguntei se concordava que “Kairos” era o sucessor de “Roots”: “Nem concordo nem discordo. Cada um pensa aquilo que quiser.” Apesar de ficar muito contente com o facto de saber que há interesse da parte dos leitores em ter a Infektion no mercado e a mesma poder ser considerada uma boa concorrência ao que já existe, o facto é que há muita tendência para criticar mas esses que criticam pouco ou nada fazem para mudar o que, na sua opinião, está mal. »

Joel Costa Director Infektion Falloch

Black Dahlia Murder Finntroll

Thee Orakle


Também eu li algumas críticas à imprensa nacional, nomeadamente à revista que se dedica à divulgação de Metal (todos sabemos o nome) e penso que existem muitos comentários injustos. As pessoas têm que perceber que uma revista impressa tem um limite de páginas e não usufruem da mesma liberdade que, por exemplo, a Infektion tem: publicamos as entrevistas na íntegra, ora temos 64 páginas, ora temos 84, e por aí fora. Concordo, de facto, que a Infektion seria uma boa aposta se estivesse nas bancas mas era provável que fossemos também alvo de comentários negativos só porque não podemos agradar a gregos e a troianos. A verdade é que a música é um negócio em todas as vertentes e as revistas fazem-se porque geram dinheiro com a venda de publicidade. Enquanto que de momento a Infektion pode apostar mais no circuito underground, não digo que se estivesse nas bancas não teríamos de nos “vender” ocasionalmente para suportar os custos (milhares de euros) de ter uma publicação impressa. Gosto do facto da Infektion não ser a típica revista com Entrevistas/Reviews/Concertos, apresentando também diversas secções de autor dedicadas aos mais variados temas. Podemos contar com uma evolução temática da Infektion? via Facebook A Infektion nunca foi 100% música e a música abrangifa nunca foi 100% Metal. É impossível prever o futuro da nossa publicação pois as secções de autor não são solicitadas pela Infektion mas sim escritas e sugeridas pelos nossos colaboradores quando há disponibilidade para tal. Queremos diversificar ao máximo para não cair no erro de não trazer novidades, no entanto ainda estamos muito dependentes de terceiros. Vamos fazendo as coisas com calma e de forma gradual e possa ser que a Infektion se vá tornando numa referência não só de música mas também de cinema, tatuagens e design. Esta edição é dedicada às mulheres. Na tua opinião quais são as tuas performers favoritas a nível nacional? via Facebook Gosto muito do trabalho da Sofia Magalhães (ex-WE ARE THE DAMNED),

Vera Sá (HEAD:STONED), Micaela Cardoso (THEE ORAKLE), Rita Silva (ex-UN_DER_SKOR)... Felizmente temos muito talento em Portugal e a lista poderia continuar por um bom pedaço. Fazer compilações foi uma excelente ideia. É para continuar? E para quando em formato físico?

ELEMENTOS À SOLTA, LDA Rua Adriano Correia Oliveira 153 1B 3880-316 Ovar PORTUGAL EDITORIAL Editor: Joel Costa

via Facebook

Obrigado. Será para continuar, sim, mas não sei com que regularidade. Quanto ao formato físico dependerá dos apoios. Temos editora e todos os recursos necessários à excepção de um: dinheiro eheh.

DIRECÇÃO Cátia Cunha Joel Costa

Tu ou algum membro da Infektion toca em alguma banda?

DESIGN & PAGINAÇÃO Elementos À Solta, LDA www.elementosasolta.pt

via E-Mail

Eu não. Tive um projecto musical há uns anos que contava com a presença do David Pais (The9thCell / Ashes) mas apesar de tocar guitarra e teclados sempre preferi o outro lado da música: o editorial. Um dos nossos colaboradores, o Jaime Ferreira, já fez parte da formação dos Ava Inferi. Já devem estar fartos de ouvir esta pergunta mas quando é que a Infektion chega às bancas? via E-Mail

Acredito que já faltou mais. Temos um plano de investimento que não é nada de mais, sendo necessário apenas garantir as vendas da publicidade e algumas assinaturas. Talvez este ano, quem sabe? Talvez nunca!

CONCERTOS Liliana Quadrado

COLABORADORES Anna Correia Bruno Farinha Cristiano Estevão David Horta David Oliveira Davide Gravato Íris Jordão Jaime Ferreira João Miranda José Branco José Machado Liliana Quadrado Marcos Farrajota Mónia Camacho Narciso Antunes Pedro Rodrigues Rute Gonçalves Valentina Ferreira Valter Simões Vanessa Correia FOTOGRAFIA Liliana Quadrado PUBLICIDADE infektionmagazine@gmail.com T. 92 502 80 81


KRISIUN COM NOVO ÁLBUM

ALTAR OF PAIN “THE RITUAL HAS BEGUN” EDIÇÃO DE AUTOR Lançamento: 01/08/11

Os Brasileiros KRISIUN vão lançar um novo álbum intitulado “The Great Execution”. O lançamento será efectuado no dia 31 de Outubro na Europa pela Century Media. MORE THAN A THOUSAND: 10 ANOS

HAVEN DENIED “ILLUSIONS” SG Records Lançamento: 09/09/11

ANUNCIA GRÁTIS! A INFEKTION MAGAZINE DÁ-TE A POSSIBILIDADE DE ANUNCIARES GRATUITAMENTE O LANÇAMENTO DO TEU CD. PARA ISSO BASTA ENVIAR UM E-MAIL PARA infektionmagazine@gmail.com COM OS SEGUINTES DADOS: - NOME DA BANDA - NOME DO ÁLBUM - NOME DA EDITORA - DATA DE LANÇAMENTO - CAPA DO CD

Os nacionais MORE THAN A THOUSAND comemoram 10 anos de carreira este ano e para assinalar a data vão dar dois concertos nos dias 24 de Setembro e 1 de Outubro (TMN Ao Vivo e Hard Club, respectivamente). A primeira parte dos concertos ficará a cargo dos DEVIL IN ME e dos MY CUBIC EMOTION. Os bilhetes encontram-se à venda nos locais habituais. WE ARE THE DAMNED FAZEM MINI DIGRESSÃO

Os Portugueses WE ARE THE DAMNED vão fazer uma mini-digressão com um total de 7 datas por Espanha e França. A banda estará assim a divulgar o seu mais recente trabalho, “Holy Beast”, entre os dias 12 e 17 de Setembro em território internacional.


http://perigo-de-morte-new.blogspot.com/


J

á trabalhaste em duas revistas de música, nomeadamente a “Rock Sound” (revista impressa) e a “HORNSUP” (revista online). Que mais tens feito a nível editorial? Trabalhei muitos anos fora do sector de periódicos. Fiz dezenas de relatórios de contas e prospectos para instituições financeiras como bancos, companhias de extracção de petróleo, etc. No momento estou prestes a aventurar-me pela primeira vez num jornal semanal e também numa possível nova revista impressa. No entanto não são projectos meus e não estão relacionados à música. Para além de paginares a HORNSUP, foste também o criador da mesma e desempenhavas diferentes tipos de tarefas. Como surgiu esta ideia? Quando a revista Rock Sound deixou de existir em Portugal eu já tinha a HORNSUP como website.Entretanto senti a necessidade de continuar a explorar as minhas habilidades no ramo do print, mas como não tinha fundos para ter uma revista física optei pelo pdf. Todas as edições da HORNSUP foram feitas como se fossem para a gráfica, em CMYK, com bleed, 300 dpi, cadernos fechados e tudo mais. Ou seja, a parte laboral era exactamente igual a uma revista impressa, inclusive com deadlines e redacção (virtual). E como foi ter que abandonar a HORNSUP no formato PDF?

Foi por falta de tempo? Exactamente. Depois de 15 edições, o facto de existir um deadline começou a causar-me dores de cabeça. O website hoje em dia não dá-me menos trabalho, entretanto posso programar posts e ausentar-me por dias que ninguém dá conta. Agora, quando há um deadline é preciso respeitá-lo. Isso exige um alto nível de disponibilidade, não só minha como paginador, como também dos colaboradores que eram constantemente pressionados por mim para termos todo o material a tempo e horas. É óbvio que nem vou pôr em causa a qualidade e o profissionalismo que se consegue numa revista online. Mas pergunto-te: achas que uma revista online consegue ter o mesmo tipo de fidelidade e atenção que tem, por exemplo, uma revista impressa? Os meios são tão diferentes que fica difícil traçar um paralelo. Eu sou fã do impresso. Gosto de virar as páginas, poder levar para onde quiser ler. Pessoalmente leio mais revistas físicas que virtuais, entretanto os tablets estão a transformar isso. Recentemente vi algumas publicações no iPad e fiquei impressionado. Acredito que as duas versões, física e virtual, possam co-existir e, uma revista virtual, se bem trabalhada, pode vir a ter a mesma atenção por parte dos leitores.

serviços relacionados com design e multimédia. Como surgiu o gosto pelas artes gráficas? Surgiu quando estava a terminar a faculdade de publicidade, por volta de 98/99. Entrei na internet e logo cansei-me dos chats e pornografia (risos). Comecei a ter contacto com muitas coisas e senti-me estimulado em aprender como aquilo era feito. Desde então ando a inventar projectos, simplesmente para aprender como aquilo é feito. Já descartaste por completo a hipótese de vires a retomar as edições em PDF da HORNSUP ou ainda há esperança? Não quero voltar a ter aquela responsabilidade. Eu adoro a revista e muita gente pede pelo retorno, mas o nível de stress e entrega era demasiado alto nessa altura da minha vida. Não diria nunca, mas posso dizer que é improvável que a revista retorne em PDF. Talvez para tablets?! Who knows? Portfolio: http://www.coroflot.com/mmoura

Entrevista: Joel Costa Também desenvolves outros


POSITIVO & NEGATIVO

A

o longo da vida, se há algo que me cansa, e me mete a “morder o punho” é a m*rda da história do “negativo e positivo” nas pessoas… Que cena irritante. Considero isto há muito como uma “nova forma de racismo mental”. Exemplo, um gajo abre o Facebook de manhã, a vida não tem sido a melhor “mistress”, estamos numa fase de vida que apetecia ficar a dormir ou hibernar uma década inteira, “porque tem que ser, não há escolha!” esperando que quando acordássemos tivéssemos opções ou algum motivo para estarmos acordados, e damo-nos com todos os dias 3 ou 4 posts assim: “BOM DIA ALEGRIA! AH! QUE DIA TÃO BOM!”(e outros do género, ainda maiores!) (…). Nauseas. É a palavra que me vem logo à cabeça. E o estômago às vezes corresponde! A primeira pergunta que me aparece automaticamente na carola é: “se estás tão, tão, tão feliz, o que raio estás a fazer no Facebook o dia todo?”. Não acham? Uma pessoa feliz é uma pessoa que tem uma vida fora disto, que tem o telefone constantemente a tocar com uma vida social cheia e plena. Eu se tivesse tal vida, nem me lembrava que tinha computador, a não ser para tratar do “marketing musical”. Antes 10.000 vezes uma vida “lá fora” do que aqui. E depois, não é isso…Eu “intervenho”. Não aguento, falo. A minha intervenção é vista logo como algo maligno, má intenção, pois não estou a alinhar no “teatro do positivismo”. Ora, uma coisa é SENTIRES-TE positivo/a, outra coisa, é como uma velha de 80 anos, desesperada, sozinha, à espera da morte, pintar tudo de amarelo e cor de rosa e sorrir sem vontade, naquele “âmbito” de “Se eu forçar, o positivo vem! TEM QUE VIR!!”. Vou te/vos explicar uma coisa (aos poucos/as que não sabem e que criticam por eu ser sincero), para uma pessoa que está feliz, como tanto se gaba, se vir um post de outra pessoa mal, na fossa, nunca vai sentir o que essa pessoa que está na fossa sente, a m*rda que se sente, arrastando-se, dia após dia numa vida vazia e sem significado, sem acreditar em nada nem ninguém, com 200 marcas de pneus e facas pelo corpo fora…

Agora, se uma pessoa está infeliz e lhe espetam com um exagero de positivismo, tão agoniante, repetitivo, e espalhafatoso, e ainda querem que além de nos ser enfiado pela goela, participemos, sabendo vocês perfeitamente que não estamos bem, obrigar-nos, a nós, que não temos nada, a engolir, calar e fazer aquele esforço horrível que é esboçar um sorriso quando não se tem vontade? Estão e exigir DEMAIS. Se querem que as pessoas deixem de ser infelizes, sejam amigos, forneçam um ombro (e um físico, real, não dessas palhaçadas da internet ou Facebook, que apenas servem pa despejar a consciência, como uma foda mal dada a despachar, como favor e frete ao mesmo tempo, abrindo portas para a exigência de “pronto! já tens amigos! Já não precisas de estar mal! Até 2020!”. Custa muito mais a quem está mal ter que fingir que está bem e está provado cientificamente que não só custa, como FAZ mal. Eu sempre vivi sentimentos reais e já me ri muito nesta vida, e quando ri, era real! Era de não conseguir parar, nem que estivesse num funeral, era limpar lágrimas de rir e tentar respirar com dores nos abdominais. Era dias e dias depois lembrar e desatares-te a rir e o teu chefe ou amigo do momento sentir-se de parte e ficar a pensar que estás a gozar com ele… E o sorrir? Sorrir indica que está tudo perfeito. Sorrir são músculos da cara que estão a forçar uma posição. Não é uma cara natural. Ainda se me exigissem uma cara natural, eu compreendia. Mas exigir que um gajo sinta um buraco no peito e fazer o “sorriso amarelo”? Please! Se forçamos positivismo damos por nós e estamos a ignorar coisas na vida negativas que precisam de ser tratadas, para virem as positivas… Sabem como funciona uma pilha? Com positivo e negativo. Tirem lhe o negativo, E? NÃO FUNCIONA! Sabem como funciona o mundo? Com frio e com calor. Tira-lhes um qualquer e a vida acaba no planeta. Nas zonas do planeta onde as condições para as pessoas serem mais “felizes” existem, é onde existe mais crime, ódio e pobreza (zonas quentes, Brasil, África… Em breve, Portugal) e onde a vida evoluiu

mais, onde se fazem as melhores bandas e música do planeta e onde as condições de vida são acima da média em todos os aspectos? No frio! Estou um bocado farto da atitude “Brasileira/Velhice” (sem ofensa aos “fundadores”) que o pessoal da minha idade adquire. As cenas fúteis. Tudo bem que se num certo dia tiveste um ganho interessante. Apaixonaste-te? Ou ganhaste o dobro do ordenado? Ou tiveste acesso a algo que precisas (tudo isto e mais eu não tenho acesso a anos e anos!), bom para ti! Explode nas redes sociais, na boa, parabéns, blablablabla… Faz a festa e manda os foguetes. Agora antes de exigires que alguém que nunca viste feliz o seja, antes de pensares que não o é porque quer, pensa de novo, aliás, começa a pensar pela primeira vez na vida, que existe uma balança universal e para uns serem muito felizes, outros desejam morrer. Não, não sou eu. Eu só acredito na vida aqui agora, portanto essa opção não existe para mim. Mas conheço quem o faça, quem o tenha feito, quem não esteja aqui agora pelos mesmos motivos… E mete-me nojo quem não ajuda quem está mal, exigir dessa mesma pessoa seja o que for. Ou criticar e apontar-lhe todos os dedos. Acontece muito aqui em Portugal. Nesta geração. “Tás mal? Fixe! Tou acima de ti, sou superior, uau que bom! Vai te f****e, continua assim, porque eu é que sou o maior e enquanto te mantiveres aí, eu mantenho-me como o maior!”. Ou então, vejamos o caso de quem sorrir e forçar/fingir felicidade a matou… Norma Jean (a.k.a. Marylin Monroe). Sempre sorriu muito, enquanto por dentro chorava… As últimas fotos que tirou antes de morrer foram de noite, com cara triste. Nem sonhava que 24h depois iria estar morta. Ou sonhava? Nasceu com um sonho, e morreu num pesadelo psicológico. Bons concertos aos leitores da INFEKTION. Que a crise não crie mais salas vazias como as últimas que eu vi… Cheers! Pedro Winter Rodrigues (FB) www.myspace.com/mydeceptions


Valentina Silva Ferreira

http://www.facebook.com/pages/Valentina-Silva-Ferreira/231598930187132?sk=wall http://editora.estronho.com.br/index.php/autores/268-valentina

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lá, Simão. Tenho uma proposta para ti. E eu sei que vais querer. Vem comigo, quero mostrar-te a cidade. Sabes, de noite as coisas ficam mais bonitas. Por exemplo, olha para mim: repara se não fico mais tentadora; admira o meu corpo à luz da lua, o contorno dos meus lábios, a linha do meu pescoço. Os teus olhos já me responderam tu gostas do que vês. De dia, sou apenas mais uma. Quem me olha pensa que sou uma rapariga de família, que estuda, que faz amizades facilmente, que quer casar e ter filhos. Porém, o dia é falso, assim como esse quadro que eu aparento. A cidade também muda à noite. Escondem-se as mentiras e as intrigas. O feio é empurrado para as esquinas escuras; as doenças guardam-se sob as tampas dos esgotos. Repara nos olhos destes homens. Eles querem-me. Consigo cheirar o desejo deles, distinguir os passos carentes e

os olhos baços de sede - é o vício do sexo. Vê só quantos eu poderia ter. No entanto, o escolhido foste tu. Estás a sorrir? Ficas tão atraente quando ris. Sentes-te lisonjeado pela escolha? Vem cá. Beija-me. Isso, invade a minha boca com essa língua tão quente, tão esponjosa, tão macia, tão deliciosamente humana. Quem sou eu? Não importa, querido. Anda, faz amor comigo. É esta a minha proposta. Eu entrego-me a ti e tu dás-me uma coisa tua. Que coisa? Depois conto-te. Aceita. Sente o meu corpo arder em desejo. Anda, penetra-me. Não te acanhes com os olhos mórbidos que nos seguem. Concentra-te em mim, nas minhas curvas, no meu prazer. Isso, querido. Estás a ceder: os teus olhos fixam-se, hipnotizados, nos meus seios redondos; roças a ponta do dedo na cicatriz que enfeita o meu mamilo castanho. Não tenhas pena de mim. Quem fez essa marca

ficou ainda pior. Tu sorris, encaras-me e passas as costas das mãos pelas minhas bochechas. Duvidas que eu seja perigosa, não é? Não duvides. Eu sou perigosa. Não te iludas por esta cara inocente. Às vezes, os anjos escondem demónios. Hum, isso, entrega-te. Finalmente cedeste ao impulso. Gemes suavemente e eu grito para a noite. Está na hora. Cravo as unhas na tua pele branca e sinto a textura húmida da tua carne. O sangue escorre por ti, banhando o meu rosto de carmim. Bebo o teu suor lascivo, o teu sangue doce e as lágrimas quentes que dos teus olhos saltam. Alimento-me da dor que as tuas veias cospem. Chiu, sossega, está quase a acabar. Tenho pena em deixar-te aqui, nesta ruela infecta. Na verdade, gostei um pouco de ti. Trataste-me com carinho. Mas é Primavera e eu tenho que caçar. Olá, Luís. Tenho uma proposta para ti. E eu sei que vais querer…


Sofia Magalhães é a ex-vocalista dos WE ARE THE DAMNED e um dos rostos femininos mais conhecidos no Metal Nacional. A Infektion quis saber qual era o seu ponto de vista em relação ao tema em destaque nesta edição da Infektion, que como todos sabem tem muito que se lhe diga.

P

ara quem não te conhece, fala-nos um pouco de ti e do teu percurso musical. Penso que a palavra que melhor se aplica ao meu percurso musical é “acidente”. A minha “queda” para a música sempre foi algo que senti com uma naturalidade inata, mas em termos técnicos de música, só agora aos vinte e cinco anos é que me deparei com uma maior predisposição para aprender música a sério. Toco em bandas há cerca de dez anos, e o meu instrumento até há cerca de um ano e tal atrás sempre foi única e exclusivamente a voz. Comecei por ter algumas bandas de garagem com amigos e tive a sorte de ser acolhida no seio de diferentes géneros musicais cujos membros muito me ensinaram. Em termos biográficos, a minha primeira banda foi On Equal – com alguns membros de Larkin na formação. Seguiu-se We Are The Damned, que creio ter sido a banda que mais impulsionou a minha ainda breve carreira. Crisis surgiu como um projecto experimental completamente distinto de tudo o que já tinha experimentado até então.A componente de música electrónica ajudou-me muito a quebrar obstáculos que me ajudaram a evoluír enquanto música, nomeadamente em termos de adaptabilidade e versatilidade vocal. Muitas pessoas ouviram “The Shape Of Hell To Come” dos We Are The Damned e não perceberam ou não acreditaram que fosse uma mulher à frente dos vocais. Como eram as reacções do público que vos ia ver pela primeira vez? As reacções eram muito diferentes umas das outras, mas creio que a primeira impressão que era comum ao público que assistia aos shows de WATD era de pura estranheza, algo perfeitamente compreensível face a minha aparência de menina pequena. As vezes quase que conseguia ler na cara deles “O que é que esta miúda faz

na banda?Backing vocals?” Também tive algumas situações engraçadas em que dava para perceber por detrás dos olhares indignados uma questão pertinente: “Onde é que está o pedal de efeitos??” Fizeram uma tour pelo Reino Unido. Havia alguma diferença quando te viam no palco ou no tratamento que te davam? Sentes sempre uma diferenciação no modo como te tratam quando estás num país que não é o teu. Mas essa diferenciação não merece um rótulo de melhor ou pior da minha parte, foi simplesmente distinta. No que diz respeito à relação que estabeleces com o público, acho que essa é sempre pessoal e intransmissível e depende de uma série de factores que eu nem consigo transcrever para palavras .Os padrões culturais no Reino Unido preparam-nos para uma recepção “menos calorosa”, mas na verdade tudo depende da relação que se consegue estabelecer com o público naquela altura.Lembro-me que em Londres no Borderline as pessoas estavam mais desconfiadas, a analisarem cada investida do show, mas no final muitas foram as que vieram dar-nos os parabéns à banca de merchandising...Já no Ivory Blacks em Glasgow, as pessoas também demoraram a entrar na onda mas quando se deixaram ir foi muitíssimo intenso. O povo português tem um sangue mais quente e a música fá-lo fervilhar facilmente...O que não é uma característica que compartilhemos como muitos povos, e isso deixa sempre saudades. Já em termos de tratamento enquanto membro de um banda, é verdade que os promotores ingleses organizam os eventos com um profissionalismo que aqui raramente se pratica, e nisso o Reino Unido leva a melhor. No álbum acima mencionado consta uma música intitulada “O Despertar da Besta”. Quando é

que a besta despertou em ti? (Risos) A “besta” existe em todos nós. Todos nós conseguimos ser umas valentes “bestas” às vezes. Penso que o segredo é olhar a besta nos olhos e saber domá-la antes que ela nos dome a nós. E é precisamente isso que tento fazer no palco: domar a besta. Sorcerie! Já alguma vez foste alvo de comparações a vocalistas internacionais? Que tens a dizer em relação ao acto de comparar esta com aquela? Quando estás no mundo da música é muito complicado escapares a comparações. Particularmente quando vivemos na era da informação e o acesso a tudo se tornou tão imediato. Por vezes passa-me pela cabeça a ideia de que a internet foi a faca que matou a música, no sentido de ter corrompido a forma como as pessoas a sentem e a praticam. A juntar-se a isso temos o factor inovação, que como muitos de nós sabemos é igualmente um pau de dois bicos. Ouço por aí muitas pessoas dizerem que já não se faz nada de novo, que na música já foi inventado tudo o que havia para inventar. Mas eu pessoalmente não acredito nisso, e como tal, se isso te responde à tua pergunta, acho que o acto de comparar esta com aquela não faz sentido nenhum. É um parâmetro de avaliação extremamente redutor. Não existe voz nenhuma no mundo igual a outra, e isso é um facto independentemente de credos, raças e sexos. A vibração das tuas cordas vocais é única e impossível de recriar por outro e digo isto independentemente de me compararem ao meu ídolo favorito ou a um músico que não aprecie de todo. O que é necessário fazer para que hajam mais mulheres neste meio? Acho que é preciso as meninas e os meninos se unirem em núcleos de entreajuda e que se apoiem uns aos outros nos seus projectos. Acho que actualmente já não existe espaço para guer-


tu por ambos. De um modo ou de outro, incomodou-me um pouco mas foi sol de pouca dura. As coisas boas acabam sempre por compensar as más! ras dos sexos. Qualquer pessoa com uma consciência minimamente expandida compreende que isso da emancipação da mulher, seja em que contexto for, nunca deveria ter sido sequer um movimento necessário. Digo isto porque todos somos humanos e capazes de fazer quase tudo aquilo no qual nos aplicarmos com entusiasmo. Simplesmente – e ainda bem – há pessoas que se entusiasmam mais com uns assuntos, e outras com outros. Por isso o único conselho que deixo às meninas é que não se deixem intimidar por paradigmas sociais ultrapassados. E relativamente aos meninos que insistem numa diferenciação e não dão igual espaço às mulheres no metal, a esses desafio-os a um throat battle. Numa entrevista aos Winds Of Plague, o Johnny Plague disse-nos que a teclista, Alana, já lidou com algumas coisas que fariam qualquer mulher e até mesmo homens abandonar as tours de imediato. Fazendo tu parte de bandas com elementos masculinos, alguma vez passaste por uma situação desagradável que te tenha feito repensar a tua permanência na formação da mesma? Sinceramente não. Pelo contrário, creio que sempre me trataram relativamente bem. Tive somente algumas circunstâncias caricatas em que o pessoal do som desconfiava que eu era uma groupie ou namorada de algum dos membros até eu subir ao palco para fazer o sound check. E em relação ao público já alguma vez te faltaram ao respeito? Sim. Lembro-me de um episódio menos feliz em que o público começou a gritar uns hinos que puxavam mais à ordinarice, mas isso é uma atitude muito comum em pessoas que estão em estados de consciência alterados ou que por e simplesmente não funcionam com o baralho todo ou estão sobre o efeito de estupefacientes. Quando as pessoas não conseguem pensar por elas, tens de fazer um esforço e pensar

És a vocalista dos Crisis, que apesar de praticarem um som mais electrónico vão buscar algumas referências mais pesadas. Enquanto mulher e vocalista, quais são as principais diferenças entre estar numa banda de Metal e numa banda como os Crisis? Se queres que te seja honesta, não sinto nenhuma diferenciação à excepção de que os membros de ambas as bandas sempre me ensinaram imenso e ainda conseguiam ser uns cavalheiros e levar-me o material quando era demasiado pesado para o transportar sozinha. O teu registo vocal é fascinante e bastante versátil. Com que registo é que te sentes melhor? Depende do contexto. Acho que essa versatilidade surge precisamente desse complexo quase equiparável ao da capacidade de um escritor encarnar diversos heterónimos. Mas acho que a minha zona de conforto está precisamente no equilíbrio entre a voz melódica e os meus guturais desengonçados. O teu percurso musical é algo vasto e extende-se também na parte instrumental. Quando e como é que ganhaste o gosto pelo baixo? Eu sempre fui uma miúda um bocado preguiçosa. Acho que a predisposição inata para a música me levou primeiro à voz porque é um instrumento sempre presente e fácil de explorar sozinha. Mas sempre nutri um desejo secreto de aprender a tocar alguma coisa e sempre fui o tipo de pessoa que nos intervalos dos ensaios se sentava na bateria ou que pegava na guitarra ou no baixo dos outros. Sempre fiz músicas dentro da minha cabeça e à medida que o tempo foi passando a minha necessidade de exteriorizar essas composições foi adquirindo mais terreno e a guitarra baixo e eu fomos estabelecendo uma ligação natural, talvez devido ao groove que fui desenvolvendo


intuitivamente aquando do meu curto percurso. Um dia um amigo meu com quem já tinha comentado essa minha vontade de aprender a tocar um instrumento, o Joca – vocalista de Botswana – convidou-me para me juntar a eles. E creio que ele e o Marco, guitarrista de Botswana, são os principais motivos pela minha incursão na realidade de um instrumentista. Tens mais algum talento escondido? Sei que estás ligada às artes e ao cinema... Vou tendo alguns. Aparte da música sou licencidada em Audiovisuais. Especializei-me em vídeo e faço vídeos de música e edits de skate. Mas também tenho vindo a aplicar-me cada vez mais nas artes gráficas, nomeadamente na ilustração.Gosto muito de desenvolver artworks para bandas e de ilustrar livros infantis.Actualmente sou estou à frente do gabinete de Marketing de uma marca de sapatos chamada NOBRAND e tenho também feito algum trabalho na área de fotografia de moda. Alguma vez pensaste em formar uma banda só com raparigas? Sim, já pensei nisso várias vezes. E devo dizer que penso nisso muito recorrentemente, não tivesse eu sido uma adolescente vidrada em Bikini Kill.Gostava de experimentar. Muitos sextos sentidos a funcionar em conjunto devem produzir bonitas músicas. O que podemos esperar de ti, a nível musical, num futuro próximo? Actualmente estou ainda a trabalhar num projecto chamado Raijin que conta com membros de bandas internacionais como Napalm Death e Brujeria, mas estamos a produzir o álbum já há cerca de 2 anos e não temos pressa relativamente à release.Brevemente vou arrancar também com a produção do meu projecto a solo denominado “IND-RA”. Palavras finais em relação a este tema... “The thing women have yet to learn is nobody gives you power. You just take it” (Roseanne Barr).

Entrevista: Joel Costa


E

“Não posso dizer que (Carnival Is Forever) seja um dos trabalhos mais antecipados, mas sinto-me muito orgulhoso por haver pessoas que sejam dessa opinião e entendo o porquê de acharem isso.” Vogg

m 2007 os DECAPITATED quase viram o seu fim depois de um acidente com o autocarro de tour na Rússia, acidente esse que levou a vida do baterista ‘Vitek’, deixando ainda o vocalista ‘Covan’ encamado e numa desesperada luta para ter uma vida normal. O futuro da banda era incerto: “Trazer de volta os Decapitated foi um processo muito longo. Estive a pensar nisto cerca de 2 anos depois do acidente e um dia acordei a achar que esta seria a melhor decisão. Foi muito difícil mas a banda é a coisa mais importante que eu tenho na minha vida e foi a decisão acertada.” Estas são as palavras do guitarrista ‘Vogg’, o único membro original da banda que nos deu uma entrevista exclusiva a partir de sua casa, na Polónia. Mas a conversa não começou assim... O telefonema foi feito à hora marcada e ‘Vogg’ atende em Polaco, num tom de voz que lhe conferia alguma pressa e urgência em não deixar o que estava a fazer: “Estou a preparar o almoço” diz-nos entusiasmado “mas a altura para falar não podia ser melhor!”. Aproveitamos a deixa e o facto de os


te: “Gosto muito deste álbum sabes? Já tinha criado alguns riffs para este disco anteriormente com o meu irmão ‘Vitek’ e decidi que o melhor seria voltar a pegar Decapitated terem passado por Portugal não nisto e trabalhar o que já havíamos peno faz muito tempo e perguntamos ao músico sado . ‘Carnival Is Forever’ é um álbum sque é que tinha achado do nosso país. “Go muito complexo e o mais maduro dos tei muito de Portugal. Lisboa é uma cidade Deca pitated. Decidi criar músicas com magnífica e também gostei muito do Porto. um outr o estilo e uma direcção mais cleNa altura estivemos aí a tocar com os Behean... Basicamente tentei incorporar todos moth e eu levei-os a comer a uma marisqueios estilos de Metal neste álbum. Enfim... ra! Adoramos o marisco e havemos de repe não quero dizer que este seja o melhor tir isso um dia.” Cozinha à parte, é tempo de mas é diferente. Tem uma cor diferente.” falar do novo álbum, ‘Carnival Is Forever’, um Por ser tão diferente não só na sonoridao dos trabalhos mais antecipados do ano: “Nã de mas também na parte interna da bans posso dizer que seja um dos trabalhos mai da, o facto é que os Decapitated correram antecipados, mas sinto-me muito orgulhoso um sério risco de desiludir os seus fãs de e por haver pessoas que sejam dessa opinião long a data . Quando perguntado se alguentendo o porquê de acharem isso tendo em ma vez tinha pensado em mudar o nome conta tudo o que aconteceu e o facto de es- da band a, ‘Vogg’ diz-nos: “Isso nunca me tarmos de volta com uma nova formação.” passou pela cabeça. Decapitated é um A respeito do novo line-up acrescenta: “Os proje cto original e único e seria mau se músicos são todos muito bons e é óptimo an- come çass e do zero. Nós já temos um nome o dar em tour com eles. O baterista é o únic perc ebes ? Começar do zero significaria que colabora comigo nas composições. Ele é mesmo muito bom!” A verdade é que ‘Car já nival Is Forever’ não é de agora e ‘Vogg’ havia pensado em alguns riffs anteriormen


ter mesmo que começar tudo outra vez.” A imprensa estrangeira achou que os Decapitated deram uma de ‘Slipknot’ na imagem, pelo facto da capa de ‘Carnival Is Forever’ mostrar-nos um indivíduo com uma máscara: “As letras foram escritas por uma pessoa fora da banda. Chama-se Jarek Szubrycht e foi ele o autor do título e de todas as letras deste álbum. Queríamos letras que mostrassem quem somos agora... que mostrassem a nossa força e que assentassem com a nossa nova sonoridade. O título é irónico... Este Carnaval não está relacionado com a festividade, como o Carnaval de Viena, mas sim ao facto de usarmos máscaras no nosso dia-a-dia... não mostramos quem realmente somos. As pessoas mentem e usam uma máscara para esconderem o seu verdadeiro ‘eu’. Quando vês televisão só te aparecem notícias de pesssoas que se matam em nome da religião, da política, etc. Dou-te o caso daquilo que aconteceu na Noruega... ninguém pensava que ele iria fazer uma coisa daquelas porque usava uma máscara. Daí a artwork ser da maneira que é. Acho que representa muito bem todo este conceito.” A entrevista não acabou sem um apelo: “Os tratamentos do ‘Covan’ são muito caros e ele precisa de toda a ajuda possível. Existem dois websites onde as pessoas o podem ajudar, dando donativos à sua família. São eles: http://www.wakeupcovan.com/ http://adrian.org.pl/en/ Depois do acidente e de uma cirurgia aparentemente bem sucedida, ‘Covan’ ficou em coma cerca de 2 anos devido a negligência médica. Após 7 meses de fisioterapia, finalmente conseguiu estabelecer contacto. Toda a ajuda é importante.” ‘Carnival Is Forever’ está à venda pela Nuclear Blast e assinala assim o regresso destes monstros do Death Metal. Um disco a não perder!

Entrevista e Texto: Joel Costa

“Nunca me passou pela cabeça começar do zero.” “As pessoas mentem e usam uma máscara para esconderem o seu verdadeiro ‘eu’.”

www.myspace.com/decapitated

// Estilo Death Metal // Origem Polónia // Discografia Winds of Creation (2000) Nihility (2002) The Negation (2004) Organic Hallucinosis (2006) Carnival Is Forever (2011) // Membros Rafał Piotrowski (voz) Waclaw “Vogg” Kieltyka (guitarra) Filip “Heinrich” Hałucha (baixo) Kerim “Krimh” Lechner (bateria)


Apresentando um Gothic/Doom Metal de características singulares, os Ava Inferi dão em “Onyx” mais um passo com vista à sua afirmação. Estivemos à conversa com Carmen Simões, a voz deste precioso projecto lusitano, que não se coibiu em apontar o dedo às mentes mais tacanhas. “Onyx” é o título da vossa mais recente aposta, já editada há alguns meses. Como têm sido as reacções a este álbum? As reacções têm sido bastante positivas, o que nos deu mais vontade de começar já a compor novas músicas. Penso que o nosso primeiro álbum “Burdens” não foi muito compreendido pelo público. Em geral, foi considerado um registo muito intimista e demasiado “fechado”. Foi a nossa primeira experiência a compor juntos e o que sentíamos na altura foi o que saiu nesse álbum. Sempre fomos frontais e verdadeiros em mostrar o que queríamos nas músicas. “Burdens” nunca poderia ter sido diferente. Foi o começo de tudo e é por causa desse álbum que chegámos onde estamos. E é a partir deste ponto que pretendemos continuar, desenvolvendo e amadurecendo as nossas características musicais. Com “Onyx” conseguimos alcançar um público mais vasto, mas, ao mesmo tempo, quem nos tem acompanhado também gosta muito deste último álbum. “Onyx” está repleto de riffs de guitarra intensos, com algumas músicas de construção mais simples, mais abertas, com espaço para respirar. Os Ava Inferi têm vindo a

afirmar-se paulatinamente, sobretudo a nível internacional. Em que sentido “Onyx” pode ter contribuído para a consolidação desse sucesso? “Onyx” é, de certeza absoluta, o primeiro álbum que recebeu o devido reconhecimento. Penso que isto tenha acontecido por termos mais tempo para desenvolver e amadurecer as ideias, o que fez com que o resultado final fosse extremamente positivo. Para mim, tornou-se num álbum único e original. Em retrospectiva, “Blood of Bacchus” foi um álbum mais neutro, tanto em resposta dos média como do público, mas recebeu boas críticas nos Estados Unidos. De qualquer forma, foi um álbum que não deu muito que falar, a novidade morreu rapidamente... Com “Onyx” conseguimos vir novamente “à tona”. Aliás, o álbum já vendeu muito mais que os anteriores e em menos de três meses. Quais os principais temas focados em “Onyx”? Este é um álbum muito pessoal. Falamos de aspectos mais espirituais; de espíritos errantes; de magia, de rituais de protecção, do lado mais obscuro da alma atormentada... Falamos de medos escondidos, da loucura das mentes,

do imaginário, da nossa fé... e já que temos um fascínio por filmes de terror antigos, e tal como fizemos nos álbuns anteriores, continuamos a inserir este tema nas nossas músicas. Fizeram vários concertos para a promoção do álbum. Em que medida as novas canções ganham outra dimensão em cima do palco? Os concertos são muito importantes. É aí que expressamos, no momento exacto, a nossa relação pessoal com as músicas, e é nessa altura que transparece a química entre os membros da banda. Quando estamos a gravar é lógico que damos tudo o que temos, mas ao vivo gostamos de transmitir ao público o que sentimos. É impressionante poder tocar na alma de quem assiste aos concertos e saber que se identificam connosco, que vibram com as nossas músicas. Entretanto, tiveram de mudanças na formação. Quem são os novos elementos e quais as razões para estas alterações? Falando por mim e pelo Rune, somos uma banda em constante desenvolvimento musical. Não podemos estagnar... Sentimos que, quando algo não está a resultar, temos de


“Quando estamos a gravar é lógico que damos tudo o que temos, mas ao vivo gostamos de transmitir ao público o que sentimos. É impressionante poder tocar na alma de quem assiste aos concertos e saber que se identificam connosco, que vibram com as nossas músicas.”

fazer mudanças para o bem do desenvolvimento da banda e para o bem da nossa sanidade mental como indivíduos. E é com esta convicção que neste momento temos o André Sobral na guitarra e a Joana Messias no baixo. Em relação ao baterista: temos um novo, que muito em breve será divulgado. Mas, por enquanto, não podemos dar mais informações. Só espero que o público fique tão satisfeito, assim como nós, em relação aos nossos novos membros. Aliás, já fizemos concertos com o André e com a Joana que correram muito bem. Além da sua performance ao vivo, são pessoas excelentes, com vontade de fazerem parte de tudo o que está relacionado com Ava Inferi. A vossa sonoridade tem vindo a sofrer algumas mutações, ao longo dos anos. Que factores podem ter contribuído para isso? A maior rodagem na estrada e mais tempo dedicado ao projecto podem, por exemplo, ter contribuído para isso? Essa alteração está relacionada com a forma como nos expressamos em concertos ao vivo e nos momentos que vivemos. Canalizamos todas as experiências vividas para a música. Tudo contribui para o nosso desenvolvimento pessoal e musical. Tudo o que somos neste momento, é retratado nas nossas paisagens musicais. Paisagens de liberdade... Uma das evoluções que tenho vindo a reparar é a qualidade das vocalizações da Carmen. Como é feita a composição das melodias vocais para Ava Inferi? Fecho os olhos e oiço o que a melodia tem para me dizer. Visualizo uma paisagem que me faça sentir dentro da música e não descanso enquanto a linha vocal não estiver a 100%, como o sentimento que idealizo. As nossas músicas são criadas através de sentimentos e só desta forma é que conseguimos transmitir o melhor de nós tanto a nível instrumental como vocal, seja qual for a escala ou o tom em que tenha que cantar. Os tons existem para serem explorados, para serem

www.myspace.com/avainferi

// Estilo Gothic/Doom Metal // Origem Portugal // Discografia Burdens (2006) The Silhouette (2007) Blood of Bacchus (2009) Onyx (2011) // Membros Carmen Simões (voz) Blasphemer (guitarra) André Sobral (guitarra) Joana Messias (baixo)


conjugados entre si nas formas mais variadas, para nos desenvolvermos musicalmente. Sentimos liberdade quando compomos e temos muito orgulho nisso. O dramatismo é uma das características mais marcantes de Ava Inferi. Este traço é deveras adensado pelas letras, repletas de teatralidade e romantismo majestoso. Quais as fontes de inspiração para essa veia romântica e trágica? A nossa maior fonte de inspiração é a nossa vida. Tudo o que nos acontece de bom e de mau nos influencia. Marca-nos a alma, torna-nos no que somos e esses sentimentos são como relíquias preciosas para a criação das nossas músicas. Os desgostos, ideais perdidos, tristezas, a melancolia; as frustrações, as alegrias, o nosso lado mais profundo, mais espiritual... Falando por mim, considero Ava Inferi a minha melhor terapia. É uma forma especial de “deitar cá para fora” os momentos que têm significado para mim, transformados em melodias e letras. Existe um estereótipo relacionado com as bandas que têm uma mulher como vocalista. Sente que existe a tendência para colocar essas bandas, como Ava Inferi, dentro do “mesmo saco” e de um género específico? Infelizmente, sinto. É de lamentar, na época em que estamos e com tanta diversidade musical, que se registem ainda este tipo de situações. Não compreendo como existem pessoas que criticam tanto o facto de não haver nada de novo no meio musical – quando, depois, aparece, essas são as primeiras a acomodarem-se com o que já conhecem e ficam por aí. Tomam todos os

estilos musicais por garantidos, sem darem oportunidade a novos talentos. Devem, pelo menos, dar o benefício da dúvida - e só depois formar uma opinião. Eu falo como vocalista feminina de uma banda, e, como eu, existem muitas mulheres na mesma situação. O ser humano tem uma tendência natural para ser negativo e criticar muitas vezes sem saber do que está a falar.... Mas, sinceramente... Vamos continuar a fazer a música que queremos e eu vou continuar a cantar da forma que quero - pois só assim transparece a verdadeira essência de Ava Inferi. Se puserem no “mesmo saco” Ava Inferi ou outras bandas de grande valor, não vai ser por causa disso que me vou sentir frustrada. Estou bem consciente de todo o trabalho que tive para me tornar na vocalista que sou. Ava Inferi tem uma vocalista feminina e com muito orgulho. Numa edição da Infektion Magazine dedicada ao Metal no feminino, sente-se “uma mulher num mundo de homens”? Quais os aspectos positivos e negativos dessa realidade? Estamos a falar só em relação ao mundo da música, não é? (risos) Penso que Portugal é um país onde se sente mais na pele a situação de “uma mulher num mundo de homens” comparativamente com outros locais. Mas, não digo que isto aconteça em todo o país – pois estaria a mentir. De qualquer forma, sinto que essa situação aqui é mais forte. Pois é. Aquilo que um homem diz e faz, é sempre perdoado. Ou então que estamos perante um homem com uma personalidade muito forte. Mas, se for uma mulher, aí a coisa muda de figura. Antes de ela pestanejar já tem adicionado ao seu nome um

leque de variados insultos (os quais não vou pronunciar aqui, pois eu já estive nessa situação e lembro-me bem). Retomando o assunto… em todas as vezes que fomos tocar ao estrangeiro, nem por um segundo senti algum tipo de discriminação, seja em que momento fosse. Fui tratada como um elemento normal da banda e com todo o respeito. Porque apesar de haver diferenças no comportamento do homem e da mulher, quando estes têm valor, não é justo fazer-se distinções de sexo. Sinto que aqui existe muito aquele conceito de “olha aquela garina, ´bora lá dizer as nossas gracinhas de machão, os outros machos também se riem, e nós podemos sentir que dominamos a ‘febra’ e, lá no fundo, ela até gosta que ‘a gente’ diga isto”. Se “estou a ser muito fria?” Bem, é esta a minha opinião. Mas, como tenho uma mente aberta, tenho fé que as coisas mudem por aqui. Espero que as pessoas sejam apreciadas e respeitadas pelo seu trabalho, pois isso é o mais importante. Quais os planos para a sua carreira musical, em Ava Inferi e noutras colaborações ou possíveis projectos? De momento, pretendo continuar a focar as minhas energias apenas em Ava Inferi. Estamos em fase de composição e quero estar dedicada a 100%. Para além disso, por agora, vou continuar a participar em Moonspell - enquanto apreciarem a minha prestação como cantora. Posso acrescentar que temos vários concertos em vista e em devida altura irão saber o que irá acontecer. Preferimos não dizer mais nada, para já. Quando tivermos datas concretas, informamos-vos prontamente. Muito obrigada pela entrevista. Entrevista: José Branco


“Acho que deveria de haver mais mulheres a tocar Metal. Eu pessoalmente conheço poucas, mas gostava que houvesse mais.” Rick Chain “O Metal começou por ser um estilo musical quase que machista, mas felizmente as mulheres não aceitaram e quebraram a barreira do preconceito e formaram bandas ou entraram para bandas mistas.” Henrique Costa “Temos uma senhora chamada Ruby Roque que acho que a deviam considerar um tesouro nacional tem uma voz extremamente única e tem toda a atitude para estar no mundo do metal.” Hugo Ramos “O metal feminino é tão (e por vezes mais) poderoso como o masculino... acima de tudo é Música e esta é uma arte Humana. Creio que sempre houve e sempre haverá espaço para as mulheres no metal como em qualquer outra área.” David Pais “De facto existem algumas bandas portuguesas do meio underground com representação feminina. E que representação! No entanto, há espaço para muitas mais mulheres no Metal... Ainda continuam a faltar mulheres neste meio.” Bernardo Leite

METAL FEMININO: OPINIÃO

A

s razões de termos dedicado uma das nossas edições ao Metal Feminino são várias e um tanto complicadas de explicar. Não queremos, de maneira alguma, dividir o Metal em dois sacos: um composto por homens e um por mulheres nem muito menos quisemos discriminar (ainda que positivamente) a cena metaleira feminina. Achamos apenas que é um bom tema - e poderia ter sido outro qualquer - e quisemos saber qual o ponto de vista das mulheres acerca deste assunto. Para isso entramos em contacto com algumas figuras do Metal e do Rock nacional que, muito amavelmente, tiraram algum do seu tempo para partilharem as suas ideias com a Infektion Magazine. Mas afinal de contas, as nossas artistas sentem-se ou não mulheres num mundo de homens? Sophia Vieira (Cinemuerte) “O meio musical não tem essa postura. A música é um mundo com uma grande abertura para a diferença. Nunca senti alguma diferenciação.”

parte de ThanatoSchizO, mas mais pelo que vem do exterior. Lamento que não haja mais bandas com participações femininas, mas é uma realidade no nosso país, a qual me parece que possa mudar no futuro. Ultimamente têm surgido mais registos no feminino e isso é extremamente positivo.” Mónica (Inner Blast) “Não, de todo. Acho que há espaço para diferentes tipos de criatividade e as mulheres têm o seu contributo neste “mundo”. Em Inner Blast todos temos uma individualidade que respeitamos, sendo homens ou mulheres, cada um tem um contributo diferente para cada tema.” Liliana (Inner Blast) De forma alguma. Este é o meu mundo por opção própria. Nunca fui descriminada pelo facto de ser mulher. Marta Lefay (Bellenden Ker) “Não me sinto uma mulher no mundo de homens. Acho que esse tipo de discrepâncias exageradas já não existe.”

Patrícia (ThanatoSchizO) “Sem dúvida, mas não tanto Rute Fevereiro pelos elementos que fazem (Enchantya)


“A nível musical sem dúvida, mas gosto muito dos meus colegas de banda que são igualmente meus grandes amigos. Para mim ser uma mulher num mundo de homens é algo positivo.”

elementos femininos sofrem com isso. Mas qual é o ponto de vista feminino em relação a isto?

Miss Garage (Bellenden Ker) “Acho que não existe uma tendência de pôr as bandas Jessica Lehto femininas todas no mesmo (Factory Of Dreams) saco porque existem banNão vejo o Metal como um das femininas de diversos mundo masculino. Talvez estilos musicais.” o tivesse sido antes mas os tempos mudaram, pelo me- Mónica (Inner Blast) nos na minha opinião. As “Sinto que as bandas com mulheres não se limitam elementos femininos poapenas a cantar numa ban- dem ter uma atenção espeda com homens mas podem cial porque a percentagem ser encontradas também a de feminina é menor que a tocar instrumentos. O Me- masculina. Pode haver altal ainda pode ser domina- gum tipo de comparação do pelo homem mas já não entre bandas com elemené um meio de homens. Já tos femininos, mas isso não estou neste meio há mais de é obrigatoriamente negati10 anos e nunca tive pro- vo.” blemas por tocar ou cantar este tipo de música.” Rute Fevereiro (Enchantya) Sendo ou não de opinião “Penso que sim à primeique o Mundo foi feito para ra vista, mas há que dar a o homem, o facto é que as oportunidade de se ouvir mulheres estão dispostas a uma banda com elementos fazer aquilo que for neces- femininos para se perceber sário para mudar a nossa o input que esta/s mulher/ postura e acreditar real- es têm a dar a uma banda mente na igualdade. É que e o próprio som da ban“igualdade” é muito mais do da em si. A fase da mulher que uma palavra bonita... ser o chamariz da banda é um conceito que deve ser já teve os seus melhores posto em prática a todo o dias. Neste momento pelo custo! Os estereótipos estão mercado ter tantas bandas presentes em todo o lado e com cantoras acabou por muitas vezes as bandas com cansar o público que mete

estas bandas todas no mesmo saco. Mas uma banda com elementos femininos é uma banda em si e como tal deverá ser apreciada como um todo: som e atitude!” Patrícia (ThanatoSchizO) “As pessoas têm uma predisposição para catalogar e categorizar tudo, daí que a música não é alheia a isso. Assim sendo, é normal que, num primeiro instante, as bandas com elementos femininos sejam inseridas numa categoria e vistas sob os mesmos moldes, já pré-definidos. Porém, cabe ao grupo tratar de mostrar aos ouvintes qual a diferença que o marca e desmarca de todas as outras bandas consideradas “tipicamente femininas” e construir uma imagem mais condizente com o som que querem mostrar.” Tudo tem o seu lado negativo e na música isso não é excepção. Ao longo dos anos, a mulher sempre teve que lutar pela igualdade. Será que hoje em dia essa luta ainda é bem real? Será que, tal como acontece na cultura Pop, as bandas chamam mais a atenção do público se tiverem mulheres? Quais são então os aspectos negativos e positivos de se ser mulher neste meio?


Liliana (Inner Blast) “A figura feminina no mundo da 7ª arte é sempre um elemento atractivo e por essa razão acaba por ser um aspecto positivo. Nunca existe aspectos negativos por ser Mulher.” Rute Fevereiro (Enchantya) “Difícil de generalizar porque a minha experiência é diferente de outras mulheres, cada uma com a sua . Não creio que hajam pontos positivos ou negativos quando trabalho numa banda com homens porque sinto-me como uma colega e ponto final. Contudo e na minha opinião pessoal o facto de ser cantora pode ser mais limitativo a nível de composição do que quando temos uma guitarra nas mãos.” Patrícia (ThanatoSchizO) “Como aspecto positivo parece-me que o facto de se ser mulher chama por si só a atenção nem que seja apenas por motivos físicos, o que pode levar a uma maior afluência a concertos, por exemplo. Contudo, para mim, este aspecto não funciona bem como um ponto positivo, mas mais como um aspecto negativo, porque, caso a mulher seja extremamente atraente, poderá haver sempre a dúvida de se o que prevalece é a beleza ou as suas

capacidades e dotes artísticos. Torna-se um bocado injusto, a meu ver e é o fruto de uma sociedade muito preocupada com o exterior. Além disso, quando se é mulher neste meio, há sempre a ideia que apenas se pode ser competente a cantar e quando alguma aparece a tocar algum instrumento é alvo de um escrutínio bem mais minucioso. É tudo uma questão de mentalidade, claro, e de provar o nosso valor.” Sol B. C. (Bellenden Ker) “Penso que já não existam grandes diferenças entre ser mulher e homem neste meio. Relativamente aos aspectos positivos, as pessoas poderão dar alguma atenção à imagem da banda, ao facto de sermos uma banda de rock com, marioritariamente, elementos femininos (o que não é comum em Portugal) e, nalguns casos, serem um pouco mais delicados no tratamento da banda. Em relação aos aspectos negativos, já fomos alvo de bocas machistas mas tentamos sempre contornar isso e provar que conseguimos fazer musicalmente o que os homens fazem.” A Sol, das Bellenden Ker, toca agora num ponto importante: as bocas machistas. Aquilo que o comum espectador lança ao ar, por

vezes com o intuito de proporcionar o momento cómico da noite (para o público masculino, obviamente) outras vezes com o simples prazer de magoar. Mónica (Inner Blast) “Até agora, nada que me derrubasse.” Liliana (Inner Blast) “Piropos sim, mas nunca comentários negativos em relação a nós e ao nosso trabalho.” Marta Lefay (Bellenden Ker) “Em relação às bocas machistas, acho que nunca vão deixar de existir e cada vez também se ouvem mais bocas feministas.” Patrícia (ThanatoSchizO) “Não me recordo de nenhuma, sinceramente, por isso não devo mesmo ter ouvido qualquer comentário machista. No entanto, as pessoas têm mais tendência a falar nas nossas costas, pelo que isto não é nada que me surpreenda caso tenha acontecido, até porque as bocas podem passar despercebidas.” Rute Fevereiro (Enchantya) “No início de Black Widows sim, e também de propostas de casamento, atirarem corações de vaca para o palco. Enfim, uma quanti-


dade de episódios engraçados que ficaram na minha memória. Actualmente se sou alvo não sei mas nunca me afectam. Estou nos concertos e na música para me divertir e criar um projecto sério, tudo o resto não me importa.” Existem editoras dedicadas exclusivamente à promoção de bandas 100% femininas. Em alguns países, criam-se até eventos cujo propósito serve apenas para divulgar essas mesmas bandas. Essa seria uma boa solução?

Jessica Lehto (Factory Of Dreams) “Uma voz feminina (risos). Agora a sério... No meu caso, acho que um vocalista masculino poderia ter resultado muito bem em Factory Of Dreams. Tudo se resume ao que procuras num vocalista... cada voz é mais ou menos única. À primeira vista pensamos que um homem consiga colocar mais agressividade na sua voz mas já deixei essa ideia de lado. Vejam a Angela Gossow, por exemplo.” Sophia Vieira (Cinemuerte) “A sensualidade. Não somos todos iguais. Todos têm a sua força e fraqueza. A sensualidade que nem sempre corresponde com a delicadeza de uma front woman. Vejam o exemplo da Brody Dalle dos The distillers. Sempre a achei uma mulher sensual apesar de ter aquele ar de quem vos vai morder. Por outro lado, o público tem nas letras, a oportunidade de “viver-se” na pele de uma mulher. É um privilégio.”

Sophia Vieira (Cinemuerte) “Não acho que deveria haver essa distinção. Seria muito injusto. Mas deixem-me dizer-vos que uma certa vez, alguém relacionado com o music business, contou-me que as editoras apostavam mais em bandas com homens vocalistas. A explicação reside no facto de que os consumidores de discos/música são as mulheres por se tratar do sexo oposto na perpectiva da atracção. Os homens estão mais virados em consumir jogos de computador, etc... Mónica (Inner Blast) Isto é que é muito injusto, se “Em composição sinto que for a verdade!” somos mais melódicas. Com Inner Blast há semE para concluir... o que é pre momentos nas músicas que uma mulher pode dar a em que se dá espaço para uma banda que um homem uma melodia mais acentunão pode? ada numa interacção com o peso da guitarra ou da bateria que cria o contras-

te que acabamos todos por gostar.” Patrícia (ThanatoSchizO) “Creio que não se pode fazer essa distinção, pois existem sempre excepções à regra. Poderia cair no lugar-comum e dizer “sensibilidade, sentido de estética, doçura” e mais algumas coisas, mas creio que essas diferenças podem passar despercebidas ou podem até ser diluídas, dependendo apenas do género musical que crias ou em que estás inserido. A palavra-chave para mim é “indivíduo”, pois cada um tem uma visão diferente do mundo e pode sempre acrescentar mais uma perspectiva à obra. Isso é o que realmente interessa e não o género do compositor ou artista.” Rute Fevereiro (Enchantya) “Seguramente a criatividade feminina pode ser diferente da masculina, mas isso não é assim preto no branco. A voz em si pode ser algo que seja cativante, e o facto de obviamente o público do metal ser maioritariamente masculino faz com que uma vocalista ou instrumentista que seja minimamente sensual consiga captar as atenções do público nos concertos.” Texto: Joel Costa


Q

uando e porque é que idealizaram a gravação dos últimos dois álbums conceptuais relativamente à temática do Heliocentrismo e Antropocentrismo? Robin Staps: Já há algum tempo que queríamos criar um álbum sobre o legado do Cristianismo. Fui primeiramente exposto ao fanatismo religioso quando vivia nos Estados Unidos, com 16 anos, numa família de acolhimento baptista criacionista entusiasta. Tive discussões diárias com a minha “irmã” (da família de acolhimento), que acreditava que os ossos dos dinossauros nunca existiram, e que esses ossos que os arqueólogos encontravam haviam sido intencionalmente falsificados e enterrados no deserto por cientistas possessos pelo demónio. Desde então, ao longo de todos estes anos, li

e pensei muito sobre a religião e no facto do Cristianismo ainda não ter sido ultrapassado pelas culturas, que em qualquer outra circunstância estão fundamentadas na confiança da mente racional, o que é fascinante. As culturas Islâmicas, por exemplo, não foram transformadas pelo processo de iluminação como as culturas ocidentais Cristãs. Os conjuntos de valores e ideologias trazidas adiante pelo processo de iluminação dominam o nosso pensamento diário e são os alicerces das nossas sociedades, ainda que ao mesmo tempo ainda apoiamos as superstições que de modo algum são compatíveis com as descobertas da ciência moderna. Devido à influência histórica e poder da igreja prevalecente, a nossa cultura baseia-se na coexistência pacífica de conjuntos de valores preclusivos. Está na altura de quebrar este

ciclo de incoerência, e ‘Heliocentric’ e ‘Anthropocentric’ são as nossas contribuições: um “lembrete” do legado de Charles Darwin. Ambos os álbuns não estão meramente a “esmagar” o Cristianismo ou a religião, mas a oferecer pontos de vista filosóficos diferentes. Porém, tomamos uma postura fortemente Ateísta. Muitas pessoas têm uma forte inclinação para ideias religiosas. Eles querem acreditar em “algo”, que no fim, nem interessa assim tanto o que será. Psicologicamente trata-se de uma questão de Auto-Engano: nós acreditamos em algo porque queremos acreditar em algo. Trata-se da mesma estrutura básica de quando somos gordos e não estamos felizes com o facto de o sermos, e que sabemos que comer chocolate só nos vai tornar mais gordos, mas que, ainda assim, continuamos a comer choco-


late, pensando para nós próprios que “isto não me vai tornar mais gordo”... embora saibamos que não é verdade. A isso chamamos, na filosofia analítica moderna, de “Akrasia”, ou “não ter comando sobre si mesmo”, e é um assunto bastante fascinante: como funciona, como nos forçamos a acreditar em algo que sabemos que não é real? Donald Davidson fornece aqui algumas explicações interessantes: basicamente, ele diz que a nossa consciência está dividida em fracções semi-autónomas que, a certo grau, operam indepentendemente. É por este motivo que uma parte da nossa consciência consegue apoiar uma crença, enquantro que outra parte consegue apoiar uma crença contrária. No final de contas, contudo, o sujeito activo trata-se apenas de uma entidade que realiza apenas uma acção, portanto, o problema é apenas deslocado, aparentemente. Estes álbuns foram lançados num curto espaço de tem-

po entre eles. Como é que conseguiram ter inspiração para conceber material tão sólido em tão pouco tempo? Nunca sofri de escassez de ideias musicais. E desta vez o Jona também estava envolvido no processo de escrita, portanto, tínhamos muito material por onde escolher. Já não estávamos em estúdio há mais de 2 anos quando começámos as sessões de gravação e os outros nunca gravaram antes como integrantes de The Ocean, portanto estávamos todos “famintos”... Podem explicar a ligação entre estes álbuns? Enquanto que o ‘Heliocentric’ abordou o assunto de uma perspectiva mais histórica, focalizando a temática da Volta Circular de Copérnico e os efeitos que as descobertas científicas desta era tiveram nas crenças Cristãs e no poder da igreja, ‘Anthropocentric’ aborda o assunto de um ponto de vista mais filosófico e pessoal. A questão central será a contradição do problema da teodicéia: se Deus existe e tem os 3 principais atributos que os Cristãos querem que Ele tenha: omnisciente, omni-

potente e benigno, então não poderia haver maldade no mundo. Se concordarem que existe maldade, o que não será muito difícil de alguém admitir, penso eu, então pelo menos um desses três atributos não pode ser verídico: se Ele fosse benigno, ele não toleraria o mal. E se Ele fosse omnipotente, teria o poder não para tolerar o mal, mas sim para o mudar... O álbum orbita à volta deste problema, a relação entre homem/ razão e Deus. Depois desta experiência de criar estes álbuns do género conceptual, poderão os fãs esperar por mais álbuns na mesma base? Provavelmente... Sempre me senti fascinado por álbuns que continham não só uma forte coerência musical, mas também temática. Mas ainda não fizémos planos para o nosso próximo álbum, que poderá simplesmente ser de rock n’ roll sem uma estrutura conceptual... Quais consideram ser as principais referências e influências para a sonoridade da banda? Podem nomear algumas delas?


Todos nós vimos de antecedentes diferentes, portanto, apenas posso falar por mim (Robin Staps). Cresci como um miúdo “hardcore”, liguei a sons mais abrasivos no início da década de 90, como Unbroken, Groundwork, Absinthe, Rorschach, Neurosis, mais tarde Converge... Depois descobri “Swans” num determinado ponto, mais tarde Kraut Rock e hoje em dia estou a ouvir várias coisas que não metal ou rock. E tudo isso tem a sua influência na música que escrevo. O álbum que ouvi enquanto escrevia “Heliocentric” foi o “Ghosts” 2x de Trent Reznor. Foi preciso algum tempo até que a beleza subtil deste álbum se revelasse diante dos meus ouvidos, mas olhando para trás, foi a principal influência na altura do processo de escrita. Se não se aperceberem enquanto ouvirem ‘Heliocentric’, isso é bom. A inspiração é um processo misterioso, e se as influências são audivelmente óbvias no nosso som, então já não se trata de

uma questão de influências, mas sim de copiar ou roubar. Funciona como uma caixa negra, em que mesmo tu como artista não sabes exactamente o que se está a passar lá dentro. Tens um número de influências, do passado e do presente, que manipulam o teu processo de escrita, embora possas nem estar consciente disso. O que sai da caixa negra é esperançosamente algo novo e bastante distante das influências originais, embora certos detalhes permitam tirar algumas conclusões... Em adição ao estilo-base Metal da banda, a vossa música revela influências de outros géneros, nomeadamente Jazz e Blues, tal como um vasto leque de instrumentos acústicos. O que vos levou a decidir a inclusão destes géneros nos vossos álbuns, que são tão diferentes do Metal? Sempre apreciei bandas como The Swans ou Neurosis pelo facto de não

se prenderem e limitarem-se aos géneros e incorporarem elementos incomuns aos seus álbuns (como componentes de cordas e electrónicos) e actuações ao vivo (visuais). Isto óbviamente forjou o meu desejo em expandir os meus horizontes musicais e de trabalhar com elementos e instrumentos que não são comuns de encontrar no Metal. Antes de mais, nunca considerei que The Ocean fosse uma mera banda de Metal. Penso que sempre fomos uma banda Progressiva que toca música progressiva. É um termo muito amplo, mas acenta no que estamos a tentar fazer. The Ocean apresentam aos ouvintes e fãs uma sonoridade distinta e notável, com uma complexidade fora do comum, tanto a nível lírico como instrumental. Dados estes factos, acham que têm a fama e reconhecimento que merecem? Não sou eu que devo julgar isso. Ain-


da somos uma banda “underground”, mas temos tido uma firme subida ladeira acima nos últimos anos. Estou feliz com o que somos agora e vejo coisas excitantes no nosso horizonte. No final do ano vamos à China e Rússia e isso é algo que sempre quis alcançar com a banda. O alinhamento da banda é um tanto “instável”, somando numerosos membros prévios, e por esse motivo, a banda ser conhecida como The Ocean Collective. Como explicam este facto? O alinhamento está mais estável do que alguma vez esteve na história da banda. O meu objectivo, desde o início, foi de encontrar 5-7 membros para formar uma banda real com um alinhamento firme e estável, mas isso revelou-se bastante difícil, visto que as pessoas de Berlim que estão ligadas ao Metal, Post-Rock ou música pesada, no geral, tratam isto como

um hobby e não o levam a sério. Portanto, tivemos várias mudanças de membros e a certo ponto decidimos tornar este problema num princípio e organizarmo-nos mais como um colectivo... chegámos a ter 4 guitarristas na banda, mas apenas 2 deles tocariam numa tour, dependendo da sua disponibilidade. Os aspectos positivos do colectivo tornaram-se óbvios quando conseguimos reunir mais músicos de espectros diferentes à nossa volta, como indivíduos ligadas ao Jazz e à música clássica. Foi nessa altura que conseguimos expandir os nosso horizontes musicais para além dos esteriótipos do Metal e do Post-Rock e nos tornámos receptivos relativamente a influências atípicas. Desde então, os instrumentos clássicos tornaram-se numa parte integrante em todos os nossos álbuns e também nos nossos concertos ao vivo. Quando não podemos trazer esses músicos connosco, temos as faixas de estúdio dos instrumentos

de cordas e sopro para correr no sequenciador. Apesar da banda ser originalmente da Alemanha, nem todos os membros são alemães. Dado esse facto, e considerando que cantam em inglês, alguma vez consideraram escrever um álbum noutra(s) língua(s)? Nem por isso. Considero extremamente difícil escrever letras em alemão que não soem a Rammstein e francês é uma lingua horrível para se cantar ou gritar. Alguma mensagem que queiram deixar aos leitores? “Thanks for reading, come check us out live!”

Entrevista: João Miranda Tradução: José Machado


D

ão voz ao vosso instrumental com os clean vocals da Vanessa Cabral e com os growls do Sérgio Carrinho. Diriam que GodVlad tem tanto de “Bela” como tem de “Monstro”? Hugo: Sim. A ideia das duas vozes era ter uma voz a contrastar com a outra. Assim permite-nos mais diversidade e mais possibilidades na composição. Temos assim a possibilidade de dois mundos distintos. “Hungry Wolves”, o tema de abertura deste álbum homónimo surge com uma energia contagiante. De que nos fala o tema?

Hugo: Este tema é uma metáfora que fala sobre a ambição desmedida e os meios menos nobres que por vezes as pessoas utilizam para atingir os seus fins. Estamos numa era em que cada vez mais as pessoas se atropelam umas às outras, sem qualquer constrangimento ou remorso, na busca dos seus interesses. Mas esse tipo de postura acaba por alimentar situações que mais cedo ou mais tarde virão cobrar os dividendos respectivos. E normalmente na mesma moeda… Por isso é cada vez mais importante apelar ao cultivo do respeito pela liberdade alheia, e não alimentar os lobos! Resumindo numa frase, “what goes around comes around”. Dez vezes.

Dirias que GodVlad é uma banda temática? Hugo: Se te referes se a banda baseia-se num só “tema”, não. Cada musica tem o seu significado e o seu tema. Não vamos atras de um só tema especifico em geral. Pelo menos no disco de estreia. Futuramente nunca se sabe. Já tinham gravado uma demo com algumas músicas que se encontram neste disco. Porquê incluí-las novamente? Hugo: Decidimos inclui-las porque têm um significado especial para nós. Seria pena não inclui-las no disco. Afinal de contas foram os temas que contribuíram ao nosso pontapé de saída. Até foram


“Podes até ser um génio musical e/ou ter um trabalho cinco estrelas, mas seres tu próprio é a única coisa em que podes ser melhor do que todos os outros.” Vanessa Cabral regravadas para o disco, e não copiadas directamente da demo. Como tem sido o feedback a este novo registo? Sentem que correspondeu às expectativas de quem já tinha ouvido a demo anterior? Hugo: O feedback tem sido óptimo. É sempre delicado quando uma banda lança o seu primeiro trabalho. Nunca se sabe como as pessoas vão reagir. Em relação à demo, o álbum superou as expectativas a todos os níveis. O álbum está mais bem produzido, completo e muito mais rico musicalmente. Mostra mesmo o que somos como banda. Como é que surgiu a oportunidade de trabalhar com a Audioplay Records? Hugo: Já conhecemos as pessoas da Audioplay há bastante tempo e decidimos trabalhar em conjunto. É muito importante ter uma equipa eficiente e de confiança em qualquer parceria que fazemos. Trabalhar com a Audioplay Records é como trabalhar com família. Sentem que o facto de terem uma editora do vosso lado vos dá a possibilidade de explorar novos caminhos que sozinhos não conseguiriam? Hugo: Claro que sim. Embora hoje em dia vê-se cada vez mais artistas independentes devido à ferramenta fantástica chamada Internet. Mas sem dúvida, tendo uma maquina por trás a mexer junto á banda é sempre muito melhor do que a banda a mexer-se sozinha. Também há lados negativos, no sentido que, há bandas que assinam contratos rigorosos em que as coisas não correm bem, ficam presas por isso e não se conseguem mexer até ao final do contrato.

Planos para o futuro...? Vamos poder contar com uma tour nacional ou até mesmo internacional? Hugo: O nosso objectivo agora é promover o disco ao máximo tocando para já em território nacional, pela imprensa, rádios, etc... Uma tour internacional é ainda prematuro falar, mas esta-se a trabalhar nesse sentido. Estejam atentos ao nosso site em www. godvlad.com para novidades e planos futuros da banda. A pergunta que tem sido feita a todas as vocalistas do sexo feminino: Dirias que o Metal e a música no geral é um meio de Homens? Vanessa: A música é um bem universal e é inerente a todas as pessoas, é uma energia que faz parte do Ser Humano. É facto que no mundo musical, e particularmente no Metal, parece existir um predomínio de músicos do sexo masculino, mas a verdade é que com o passar do tempo também vão tendo destaque cada vez mais mulheres com trabalhos excepcionais! Penso que a boa música e a excelência artística não se prendem com géneros. Homem ou mulher, ou és bom no que fazes, ou não. Embora na área musical infelizmente o nosso país não seja propriamente o melhor exemplo (suspiro), a qualidade só por si normalmente vinga. O que é preciso fazer para combater esta ideia de que não há lugar para o sexo feminino no Metal? Vanessa: É preciso primar pelo profissionalismo, atitude, humildade e perseverança. E ter muita, mas muita garra. Quanto a esta, ou nasce contigo ou dificilmente a terás… e se não a tiveres, não é por seres homem que deixas de

ser engolido pelo meio. Já passaste por alguma situação menos boa, em palco, só por seres mulher? Vanessa: Só por ser mulher? Errr… pensando bem, posso dizer que sim. Quando andamos a correr em palco, às vezes os saltos altos pregam-nos partidas! (risos) Ok, mais a sério, se te referes ao público, de todo. Até agora temos tido sempre o privilégio de tocar para públicos excepcionais que de facto estão presentes para se divertir à brava com o nosso espectáculo e não para ser malcriados ou inconvenientes. Que conselhos darias a mulheres que quisessem aventurar-se à frente de uma banda? Vanessa: Que trabalhem muito e que nunca desistam face aos desafios, mas acima de tudo que sejam genuínas. Podes até ser um génio musical e/ou ter um trabalho cinco estrelas, mas seres tu próprio é a única coisa em que podes ser melhor do que todos os outros. Como tal, talvez isso seja a chave para marcar a diferença e seduzir o público. Cada pessoa é um conjunto complexo de características singulares que a torna única, cada voz é uma voz, cada estilo é um estilo, cada postura é uma postura. São energias diferentes. E haverá sempre espaço para todos desde que haja respeito mútuo. Portanto força! Entrevista: Joel Costa


“Metaphortime” já vai longe e os THEE ORAKLE preparam-se agora para editar o seu segundo álbum de originais. Aproveitamos o facto desta edição ser dedicada às mulheres para falar com a Micaela Cardoso sobre o tema e sobre o futuro da banda.

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e olharmos para a história dos Thee Orakle, vemos que o vosso percurso ficou marcado por muitas batalhas e muitas conquistas. Qual foi a melhor conquista dos Thee Orakle? Micaela Cardoso: A melhor conquista dos Thee Orakle, foi a edição do álbum Metaphortime… entre

muitas outras coisas, mas a amizade e participação de Yossi Sassi Sa’aron neste álbum deixou-nos radiantes e ele transmitiu-nos muita confiança e valor! No entanto, todas as pequenas batalhas e conquistas que tão bem referiste, são alegrias e motivações para continuar! O vosso segundo álbum está

a ser preparado. Quais são as principais novidades deste novo registo? Vamos poder contar com participações especiais? Sim, o nosso segundo álbum está para breve, mas ainda não temos as datas de lançamento definidas, porque como devem imaginar essas coisas ultrapassam-nos… não dependem de nós somente! Vamos poder contar


com algumas participações especiais sim, com o Adolfo Luxúria Canibal, mentor dos Mão Morta que tão gentilmente aceitou o nosso convite e que nos fez admirá-lo ainda mais com a sua participação na nossa música; temos a participação de dois músicos profissionais em dois instrumentos que a priori poderão ser estranhos no ambiente metal mas que resultaram de uma forma única no nosso ponto de vista, Fábio Almeida no saxofone e Ricardo Formoso (Es) no trompete, ambos estudantes do curso de Jazz da ESMAE no Porto. Posso desde já adiantar que temos mais duas participações especiais de peso que ainda não divulgaremos no novo álbum que se chama, e esta é sim uma novidade, “Smooth Comforts False”. Este é um álbum que demonstra a evolução da banda, um pouco diferente do Metaphortime, já que este era um álbum temático e o Smooth Comforts False não o é. Temos passagens ainda mais progressivas e temas bastante elaborados bem como canções mais catchy! Mas fiquem atentos porque em breve vão-se ouvir alguns excertos deste novo álbum! Por muito que se diga que não, o facto é que a batalha dos sexos continua a fazer-se sentir em diversas situações. Sentes-te respeitada pelo público? Eu noto a batalha dos sexos quando a cada data de concerto ou festival, começo a contar as mulheres presentes (da parte das bandas, claro) e se eu não for a única, já me sinto bem! (risos) Mas é um factor que cada vez mais vai diminuindo o que me deixa bastante satisfeita! Mas em relação ao respeito, eu sinto-me bastante respeitada pelo público, penso que sou respeitada pelo meu valor e não apenas pela minha presença! O que quero dizer é que já presenciei bastantes vezes alguns homens e até mulheres, criticarem outras mulheres em palco, que não são respeitadas pelo valor, independentemente de terem mais ou menos. Alguns homens apreciam a forma física e a indumentária apenas e as mulheres criticam tudo! (riso) Gostava que estes factores fossem desaparecendo… Como é estar numa banda com 5 elementos do sexo masculino? Bem, para já tenho que corrigir… São 6 elementos do sexo masculino! (riso) Por vezes não é fácil lidar com

todos eles a falar ao mesmo tempo… mas também é bastante agradável ser protegida por eles quando algo menos agradável acontece! Conseguimos todos dar-nos bem e a minha opinião é sempre igual à deles. Em alguns assuntos a minha opinião é sem dúvida a mais respeitada, tais como, imagem da banda, arrumação da sala de ensaio… (riso) esses temas em que uma Mulher domina claramente a questão! O Side B organizou recentemente uma noite de tributo a bandas com vocalistas do sexo feminino, noite essa que contou com a vossa actuação. Como avalias o apoio dado ao Metal e ao Rock feminino? O Side B mantém uma agenda super agradável e esse evento foi sem dúvida uma lufada de ar fresco que passou por aquele bar. Eram só meninas! (riso) Muito bom ambiente sem dúvida! Fechamos a noite com imenso prazer e este foi sem dúvida um evento a repetir! O apoio a nível nacional para o lado feminino do Metal ou do Rock é muito limitado, mas espero que esse tabu seja ultrapassado em breve. Consideras que bandas com elementos femininos devem ser alvo de mais apoio no que toca à organização de eventos ou isso já seria uma espécie de discriminação (positiva)? Acho que os produtores de eventos deveriam tentar agradar a todo o tipo de públicos e subgéneros do metal e para isso ter atenção da mesma forma às bandas de heavy, death, black, doom, progressive, gothic, etc, no masculino e no feminino…ou seja, não olhar a géneros mas sim à qualidade das bandas! A nível internacional, vemos bandas, festivais e até mesmo editoras exclusivamente femininas. Achas que se Portugal tivesse este tipo de iniciativas mais mulheres se aventurariam no mundo da música? Sim sem dúvida alguma que era uma forma de motivar as mulheres. Algumas não se aventuram por realmente acharem que não conseguirão singrar! De qualquer forma o nosso país é pequeno demais para ter muitas iniciativas exclusivamente femininas… ou seja, um meio-termo seria aceitá-

vel e recomendável! O Metal, é de facto, um meio de Homens? O metal é um meio que agrada a todo o tipo de camadas sociais, faixas etárias, religiões, crenças, géneros, alturas, larguras e carteiras! (riso) É por isso que eu gosto de ir a festivais como o Vagos Open Air e ficar a apreciar o público! Os Thee Orakle estão a participar na compilação da Infektion dedicada às bandas com elementos femininos com a música “White Linen”. De que nos fala a mesma? Essa música pertence ao álbum Metaphortime, tem a participação especial do Daniel Cardoso nas vozes e sendo um álbum conceptual, todos os temas do álbum contam um capítulo da história… A White Linen conta o episódio em que o nosso imortal, se apaixona por uma mulher mortal que usa um vestido de linho branco todas as noites para dormir…é o cheiro desse vestido que dá nome a um amor platónico e anónimo cuja dor se revela e que só se assume na escuridão da noite de uma cidade grande, fria, cinzenta e protegida pela Lua! Alguma palavra de encorajamento às leitoras Portuguesas? As leitoras portuguesas devem apoiar o que é também feito no feminino, ou pelo menos ter curiosidade em escutar e dar a conhecer aos outros! Somos bem mais (em número) que os homens por isso temos que conseguir influenciar mais pessoas que eles!? (riso) Acompanhem a Infektion Magazine e apoiem o metal português! Até breve. Entrevista: Joel Costa


O

que pode um elemento feminino dar a uma banda? Essencialmente no nosso caso, num primeiro momento da história da banda até à divulgação da nossa Demo, a Sara possibilitou a criação de músicas com um canto lírico mas tentámos sempre fugir ao género habitual de bandas como Epica ou Nightwish. À medida que a banda foi evoluindo, também a voz da Sara sofreu uma evolução notável graças à confiança e à experiência ganha nos concertos. Dessa forma, conseguiu expandir o seu registo vocal e alargar o seu leque lírico com “screams” e guturais, permitindo que a banda

pudesse equilibrar a sua visão de um som tanto com agressividade (Chaos) como melodia (Paradise). Após o mês de Junho a promover o vosso EP “Let the Bliss Remain”, devem estar um pouco cansados da estrada e do estúdio… Mas, já estão a trabalhar no próximo lançamento? Sim, o próximo lançamento está já a ser esboçado. Apesar dos concertos de divulgação de “Let the Bliss Remain” terem ocupado grande parte da nossa agenda, os momentos de composição de novos temas estiveram sempre na nossa mira. À semelhança do trabalho anterior, procuramos

elevar mais o nosso nível de exigência relativamente às composições instrumentais e às suas estruturas. É um trabalho constante de melhoramento que tem de ser feito em simultâneo com a divulgação do nosso Ep. Quanto ao cansaço, “quem corre por gosto não cansa”, e nós gostamos de correr. Parece que o Let the Bliss Remain recebeu críticas muito positivas além fronteiras! Parabéns! Já foram convidados para dar algum espectáculo lá fora? Obrigado! Efectivamente, as críticas internacionais têm sido favoráveis e reforçaram a nosso motivação levando-nos a fazer cada vez mais e


melhor. Temos precisamente um espectáculo em Madrid, na sala Excalibur previsto para o dia 21 de Outubro onde partilharemos o palco com a banda venezuelana Bleeding Tears e a banda canarina Tears of Martyr. Durante a apresentação do vosso primeiro EP tocaram com alguma banda de renome nacional ou internacional? Que banda(s) gostariam de compartilhar um palco ou fazer uma tour conjunta? No passado dia 9 de Julho, tivemos a oportunidade de partilhar o palco com Heavenwood no Hard Club numa noite sem dúvida especial e memorável. Temos sempre convivido com outras bandas em cada um dos nossos concertos. A proveniência delas tem sido variada desde de Lyon em França (Kells) até várias bandas de Lisboa. O convívio tem sido sempre excelente e nasceram boas trocas de experiências. É evidente que gostaríamos de partilhar o palco com bandas de renome internacional mas isso ainda permanece no domínio do sonho, porque ainda precisamos de crescer enquanto banda e de ganhar mais público para chamar a atenção de colectivos reconhecidos. Quem foram as grandes influências dos CIP? O EP pareceu-me uma mistura muito bem conseguida de muitos estilos e artistas. Mas, quem foram aqueles, acima de tudo, que vos disseram para pegar nas guitarras e ir para a garagem? Temos a sorte de ter um colectivo com influências muito diversas que abrangem estilos diversos desde Gojira até Porcupine Tree. Individualmente, cada um de nós também ouve um leque muito variado de artistas e essas influências estão em constante evolução porque temos sempre gosto em partilhar novas descobertas uns com os outros. Mas se tivéssemos que nomear algumas das grandes influências no nosso som, Killswitch Engage, Trivium, Opeth, Arch Enemy ou Katatonia são alguns dos nomes que reúnem maior consenso entre todos. Na vossa opinião quais são as limitações da voz feminina numa banda de metal? As limitações de uma voz feminina são semelhantes às de uma voz masculina na medida em que dependem

do seu talento e competência. De um ponto de vista mais global, existe um grande número de bandas de renome lideradas por vozes femininas onde predomina o canto lírico quase operático. Entretanto quando ouvimos Angela Gossow (Arch Enemy) apercebemos que a voz feminina pode ultrapassar essas limitações. No caso de CIP, procuramos tentar fugir ao cliché operático com a inclusão de alguma agressividade que teve de ser trabalhada, sem no entanto ignorar as qualidades líricas da Sara e preservando o tom feminino que a distingue inevitavelmente de uma voz masculina. E mais que a voz, uma mulher dá sempre um toque mais sensual, mais atraente, mais detalhado do que um conjunto de homens. Concordam? Qual é o toque feminino da Sara nos CIP? Uma mulher dá efectivamente um toque mais sensual num conjunto de homens, mas mais do que a imagem, é na sua voz e nas suas composições que o toque feminino da Sara se destaca mais. Sendo o público metaleiro composto, maioritariamente, por homens, é normal que as atenções caiam sobre a Sara. Como reagem os restantes membros da banda? Uma frontwoman tal com um frontman é geralmente o rosto da banda onde se canaliza a maior parte das atenções durante um concerto. É lógico então que as atenções recaem mais sobre ela. A interactividade que existe entre a Sara e o público é algo de comum a todas as bandas e é por isso encarado pelos restantes membros da banda com naturalidade. Há muitos “puristas” que dizem que uma voz feminina não é metal ou não é true… Que têm a dizer a esses “puristas”? Responderíamos com as perguntas: o que é então o metal ou o que é verdadeiramente true? Com tantos subgéneros inerentes ao metal, é difícil de qualificar. Será o track tempo? Que dizer então das bandas classificadas como punk e os seus metrónomos frenéticos. Será então a distorção e a afinação das guitarras? As afinações graves são usadas há muito no jazz e a distorção é algo de muito comum noutros géneros. Serão então os gru-

nhidos? Uma banda como Katatonia tem uma carreira internacional bem sucedida sem recorrer a isso. Entretanto, Arch Enemy com a liderança de uma voz feminina fez disso uma parte da sua imagem de marca… Numa época em que cada vez que vinga uma banda tendo apenas algo de diferente criando assim um novo subgénero como por exemplo o “Djent”, torna-se tudo muito relativo. Assim, num instante, quem acham que foi o marco feminino mais importante da história do metal? E porquê? É tão complicado definir um único marco feminino como definir o marco masculino mais importante da história do metal. Várias vozes femininas contribuíram para diversos subgéneros. Assim de relance, vozes como Tarja Turunen ou Simone Simons (Epica) mostraram que o mezzo-soprano e o soprano podiam combinar com o metal de uma forma operática. Por um outro lado, Angela Gossow (Arch Enemy) mostrou que a voz feminina era capaz de grunhir e diferenciar-se do gótico onde envergam muitas vocalistas. Actualmente, é possível encontrar vocalistas capazes de combinar os diferentes registos à semelhança de Maria Brink (In this Moment) ou Alissa White-Gluz (The Agonist). Deviam haver mais bandas com mulheres? Que bandas poderiam funcionar com mulheres, em vez de homens? Quando se pensa numa mulher numa banda, imagina-se imediatamente uma vocalista. Contudo as mulheres numa banda podem assumir outros papéis e, embora seja pouco recorrente, é sempre refrescante quando isso acontece. A identidade de uma banda é derivada da empatia e da coesão dos seus membros. Logo, se hipoteticamente uma banda passaria a funcionar com uma mulher em vez de um homem, a sua identidade seria alterada e daria lugar a algo de diferente que provavelmente não agradaria aos seguidores. Imaginam o que seria se Amon Amarth apareceria em palco com uma voz feminina em vez de Johann Hegg… Nem pensar.

Entrevista: Narciso Antunes


Com apenas 5 músicas, o álbúm Fire arrasa com as líricas que os THIRDSPHERE cantam para nós. É com este álbum que esta banda lusa alimenta a nossa curiosidade em relação aos álbuns que aí virão. Tal como nós, eles acreditam no Metal em Portugal...

F

ire foi lançado recentemente, em Março, e contou com Justin Rosander na masterização, na California. Contem aos nossos leitores como foi gravar este disco? Luke Felgueira: Foi um processo de aprendizagem sem dúvida, uma vez que foi totalmente captado na nossa sala de ensaios, houve alguns obstáculos a contornar como, por exemplo, a disponibilidade dos membros e o próprio material de gravação. Apesar de tudo, esta forma de trabalhar trouxe-nos algumas vantagens, trabalhar num ambiente que nos é familiar e com os horários mais convenientes para cada um, como não estávamos limitados à disponibilidade de um estúdio. Facilitou-nos a vida em certos aspectos, trabalhámos sempre com um ambiente de amizade e de cumplicidade uns com os outros que ajuda bastante nos momentos mais difíceis em todo o processo de gravação. Foi desta forma que trabalhámos com o

Justin Rosander, contactamo-lo e explicamos o que pretendíamos do disco e a partir daí foi uma questão de ouvir o trabalho feito até chegarmos ao ponto de estarmos satisfeitos com ele. Em três ou quatro palavras digam-nos o que sentiram quando tiveram o vosso CD nas mãos... Orgulho e satisfação ao ver o disco acabado, é uma sensação enorme de realização pessoal ao ver algo palpável nas mãos que é feito por nós, de certa forma também sentimos algum alívio ao conseguir fechar uma fase e poder dar início a outra. Decidiram não lançar um álbum de 15 ou 16 músicas mas sim distribui-las entre diferentes discos. Porquê esta decisão? Foi simplesmente uma questão de continuidade, em vez de lançarmos um álbum com 16 músicas, tomámos esta decisão para podermos continuar a trabalhar em tudo o resto e ain-

da termos material para lançar sem grandes intervalos. Torna-se um pouco complicado conjugar a vida pessoal de cada um com o tempo exigido pela banda e com esta estratégia conseguimos dar sempre algo aos nossos fãs. Ou seja, podemos estar continuamente a tocar ao vivo, a lançar novas edições e compor novas musicas. Ainda em relação à distribuição das músicas, como é que ela foi feita? Isto é, com que critérios é que decidiram agrupar umas com as outras? Nada mais nada menos que a sonoridade, as músicas que mais transmitem a ideia do próprio nome do disco é que foram agrupadas para serem incluídas no mesmo. Cada elemento deu a opinião das músicas que achavam que ficariam melhor nos discos e a partir daí foi apenas chegarmos a um acordo e tomarmos a decisão final. Pensámos nisto como um álbum dividido em várias partes em que cada


uma delas teria o nome conforme aquilo que se ouve, “fire” sendo então as músicas mais quentes ou fogosas. “From Ashes We Rise” já tem vídeo oficial e tem uma mensagem lírica brutal. A vossa vida enquanto banda sustenta-se nas palavras que aqui ditam? Certamente a “From Ashes We rise” transmite a mensagem de seguir sempre em frente e tentar o máximo possível ultrapassar todas as barreiras e obstáculos que poderão vir a travar a nossa chegada ao objectivo. Enquanto banda existem sempre estas dificuldades em alcançar todos os nossos objectivos mas é sempre com esforço, dedicação, muito trabalho e “amor à camisola” que conseguimos realizar tudo aquilo que pretendemos fazer. Desta forma podemos dizer que a lírica desta música serve como uma espécie de guia ou uma lembrança de motivação quando as coisas se tornam mais complicadas. É facto que todas as músicas em “Fire” têm fortes líricas. É prioridade para vocês terem sempre algo para dizer com que o público se identifique? Sem dúvida, as nossas letras têm sempre algum tipo de mensagem, seja

uma chamada de atenção ou simplesmente a de viver a vida e seguir os sonhos e paixões. O público consegue identificar-se facilmente com este tipo de mensagem uma vez que muitas vezes falamos daquilo que acontece diariamente pelo mundo inteiro com toda a gente. Defendemos que qualquer pessoa tem a capacidade de atingir os objectivos desde que tenha a força de vontade para tal, acima de tudo viver a vida e aproveitar cada dia ao máximo. Como vai ser o próximo álbum? Vai ser com o mesmo registo ou será que vamos ser surpreendidos? Nós não estamos a trabalhar para surpreender ou desiludir ninguém, estamos apenas a tentar criar o nosso estilo e como tomamos a decisão de dividir o primeiro álbum em várias partes, certamente o nosso próximo disco ainda terá um registo semelhante ao de “Fire” mas um pouco diferente no sentido da distribuição das músicas, uma vez que decidimos já lançar um “full lenght” com todas as músicas que estão pré-produzidas e parte da gravação já feita. Não sabemos ainda a data de lançamento nem o nome, mas esperamos que o lançamento seja o mais breve possível. Neste momen-

to estamos numa fase de composição para um disco futuro que terá um registo diferente daquilo que foi lançado até agora. Pode-se dizer que o que estamos a criar agora seguirá outras influências mas não queremos fugir demasiado às nossas bases para não criarmos um disco completamente diferente daquilo que temos feito até agora. “Awakening the Dormant” vai ser a próxima música do álbum com direito a vídeo. Como é que estão a correr as gravações? Já têm alguma ideia de quando será o lançamento? As filmagens já estão concluídas mas de momento não temos data prevista para o lançamento. Temos trabalhado com amigos e colaboradores e estamos um pouco dependentes da disponibilidade tanto deles como nossa para conseguirmos terminar este vídeo. Preferimos não definir datas sem ter primeiro o trabalho finalizado visto que pode haver sempre circunstâncias alheias que provocam atrasos. Quanto ao próximo álbum… sairá já no próximo ano? Tal como o vídeo preferimos não definir datas de lançamento mas como já referimos, as músicas do próximo dis-


co já estão feitas e estamos a entrar na fase de gravação. Estamos determinados a lança-lo assim que possível, mas como temos que gerir a vida pessoal de cada membro com a disponibilidade que temos para estar a gravar, torna o processo um pouco demorado. De qualquer das formas para a gravação do próximo disco não devemos ter tantos atrasos devido a tudo aquilo que aprendemos durante a produção de “Fire”, e com a estratégia de estarmos a gravar um disco enquanto compomos outro, pretendemos encurtar os tempos de espera entre cada lançamento de material novo. Sabemos que deram um espectáculo em Madrid, como é que o público vos recebeu por lá? O público madrileno até nos recebeu bem apesar de inicialmente sentirmos um pouco forasteiros. Já tínhamos dado um concerto em Ciudad Real, que foi a nossa primeira ida às terras espanholas, e fomos muito bem recebidos pelo público e por todos os envolvidos, tornou a experiência bastante amigável e com um ambiente geral de bem estar entre todos. Ao termos tido esta experiência tão boa, as nossas expectativas de Madrid foram um pouco elevadas e acabámos por ficar um pouco desiludidos com o concerto lá, esperávamos muito mais público e um pouco mais de profissionalismo da parte da organização mas apesar de tudo, correu bem e acabamos por conseguir fazer aquilo que queremos

sempre fazer, que é dar o nosso melhor e simplesmente divertir-nos e conhecer malta. Muitos espectáculos agendados? Por onde é que vão andar brevemente? Temos marcado agora espactáculos em Marinha Grande na Ovelha Negra e na Guarda no Ultravioleta, estamos ainda com algumas datas por confirmar como em Pombal por exemplo. Vamos começar agora a marcar concertos nos sítios onde já tocámos e que tivemos mais saída com o público local. Queremos promover o máximo possível este disco antes do próximo lançamento. O objectivo será passar os meses de Outono e Inverno o mais possível na estrada. Esta pergunta já é quase um clássico, mas vou fazê-la na mesma. Como é que vocês vêm o futuro do metal em Portugal? A melhorar? Tem se ouvido falar muito ultimamente que “o que é nacional é bom” e felizmente no metal as bandas têm vindo a comprovar exactamente isso. Há muitas bandas de alta qualidade neste momento e parece que há cada vez mais motivação e talento a surgir em Portugal. A opinião é que terá que haver mais entre ajuda. Ganhamos todos se nos ajudarmos, pois somos muito pouco e lá fora há um mercado muito grande. Nós temos tocado com imensas bandas de excelente qualida-

de e tentamos promove-las também junto dos nossos amigos, pois pensamos que é mais significativo ter 100 bandas muito boas do que apenas 10. Infelizmente o que tem de melhorar por cá é o tipo de apoio existente (ou não) para os músicos do metal Português. É muito difícil e exige muito trabalho para conseguir sustentar e promover tudo aquilo que uma banda faz e torna-se mais complicado quando se leva as coisas a sério e quando o objectivo é seguir carreira e profissão sendo que o apoio é quase nulo. Há agora cada vez mais bandas que têm vindo a mostrar e provar o valor, o talento e a qualidade do metal luso e esperemos que com estes grandes músicos se iniciará um ponto de viragem. Esperemos que num futuro próximo haja mais reconhecimento para aquilo que se faz, e muito bem, em Portugal. Entrevista: Anna Correia

// Estilo Melodic Death Metal // Origem Castelo Branco http://www.thirdsphereofficial.com

// Discografia Fire EP (2011)

// Formação Nuno Cardoso (voz) João Gonçalves (guitarra) Luke Felgueira (guitarra) Francisco Beato (baixo) Francisco Carriço (bateria)


Da máfia italiana às preocupações ambientalistas os SILVERDOLLAR mostram-se atentos à actualidade. Procuram uma música a que possam chamar sua. E será mais do que um tiro no escuro dizer que já encontraram. Falaram de “Morte” e de outros temas à INFEKTION.

P

rio sobre o aquecimento global). Achamos que é um enorme problema que o mundo está a ignorar e o CO2 está a matar cada vez mais depressa. Está na hora de agir.

Fala-nos da música CO2 e do discurso inicial que contém. É uma excelente forma de começar. Obrigado. É o Al Gore quem está a falar sobre o aquecimento global (é retirado do seu documentá-

Existe um forte sabor a hard rock nas vossas composições. É uma coincidência ou reconhecem que esse é o vosso território? O metal tem a maior parte e as melhores melodias. Houve muitas coisas antigas que achamos que eram boas demais para não fazer parte de um disco, e provavelmente teriam uma orientação mais hard rock. Temos uma mente aberta em relação ao estilo que tocamos. Se é bom não interessa se é mais hard rock, trash ou doom ou

orquê “Morte”? É uma palavra portuguesa… Achamos que seria fixe uma palavra estrangeira forte para título de uma canção e eu tinha lido um artigo sobre a máfia italiana, e como a máfia está ligada à morte, lembrei-me que poderíamos usar a palavra latina morte. É também a palavra italiana para morte. E assim acabou por dar nome ao álbum.

outra coisa qualquer. Em relação ao “artwork” tinham uma ideia do que pretendiam ou foi o Julien Lliev quem idealizou todo o conceito? Como eu já referi a canção “Morte” é baseada na máfia, e isso foi tudo quanto eu disse ao Julien, por isso pode dizer-se que ele idealizou todo o conceito. Um velho gangster com uma pistola. Acho que resultou bem. Qual o vosso objectivo na música? O que procuram? Fazer dela um modo de vida. Fazer-nos à estrada e divertir-nos com as pessoas com uma musica que possamos dizer que é nossa.


Na tua opinião o que confere personalidade à banda? Existem três escritores de canções na banda com backgrounds ligeiramente diferentes. Fredrik é um grande fã de Slayer, Pantera, Slipknot, um verdadeiro “trasher”. O Ola gosta de Malmsteen, Vai, Whitesnake, Symphony X e eu sou o tipo velho que gosta de Thin Lizzy, Deep Purple, Black Sabbath, e southern rock como ZZ top, e claro também das novas bandas mortíferas como In Flames, Lamb of God. Junta isto tudo e tens SILVERDOLLAR. Achas que o metal nórdico é muito diferente daquele que é feito na Europa central ou na Europa mediterrânica?

Nunca pensei nisso nesses termos. Mas sim acho que há uma diferença. Nós vivemos em culturas diferentes e isso é capaz de “infectar” a música. Acho que nós somos mais influenciados pela música britânica e americana. Começaram como uma banda de covers, ou pelo menos o vosso primeiro trabalho era composto por versões. De que música fariam com prazer uma cover para uma faixa bónus? The book of heavy metal – Dream Evil. Que tipo de música se vêem a fazer dentro de vinte anos? A mesma merda mas diferente…

Qual é a vossa canção de Silverdollar preferida? CO2 ou Morte. Entrevista: Mónia Camacho // Estilo Heavy Metal // Origem Suécia

www.myspace.com/silverdollarse

// Discografia Covers From Hell (2002) Evil Never Sleeps (2007) Morte (2011) // Membros Fredrik Hall (baixo) Mats Hjerp (bateria) Ola Berg (guitarra) Esa Englund (voz)


// Estilo Sludge; Dark Metal // Origem Estados Unidos

www.myspace.com/tombsbklyn

// Discografia Winter Hours (2009) Fear Is the Weapon (2010) Path of Totality (2011) // Formação Andrew Hernandez (bateria) Carson Daniel James (baixo) Mike Hill (voz, guitarra)


Estivemos à conversa com Mike Hill, guitarrista e vocalista dos nova-iorquinos TOMBS, banda de que vem sido reconhecida com uma das propostas mais interessantes no cruzamento de géneros associados ao som mais extremo. A Infektion Magazine foi saber mais sobre “Path of Totality” o seu novo álbum.

E

m primeiro lugar, permitam-me que vos dê os parabéns pelo novo álbum “Path of Totality”. Que diferenças gostariam de apontar em relação ao anterior “Winter Hours”? Sinto que nos desenvolvemos mais enquanto banda. Como tal, em “Path of Totality” sentimos que temos uma direcção mais clara e definida do que pretendemos. Ensaiámos mais que muito e tivemos a oportunidade de tocar a maior parte dos temas do disco em tournée durante mais de um ano antes de os gravarmos. Qual a razão da escolha de John Congleton (Baroness, Explosions in the Sky) para gravarem? Adoro o som do álbum “Blue”, o disco que Congleton gravou com os Baroness. Ouvimos com atenção as guitarras nesse disco e, de repente, passou a fazer todo o sentido trabalharmos com ele. E qual é o conceito por detrás deste novo lançamento? Sentem-se especialmente impelidos a criarem álbuns conceptuais? Nem por isso. Limito-me a escrever as músicas e um conceito solto tende a desenvolver-se principalmente consoante o estado de espírito em que me encontro. Todas as minhas letras são retiradas directamente de blocos onde vou tomando notas e de arquivos que vou acumulando no meu portátil. Tenho a tendência para ruminar em torno de conceitos similares à medida que o ano vai passando. Que tipo de reacções têm tido da imprensa e dos fãs em relação a “Path of Totality”? Ao que parece, as pessoas gostam dele. As digressões também têm sido bastante positivas. Em geral, os resultados têm superado as minhas expectativas. Torna-se um desafio categorizar

a vossa sonoridade. Como se definem musicalmente? Eu diria que praticamos uma sonoridade Dark Metal. Uma vez que a vossa música tende a ser bastante emocional, que estados de espírito consideram estar associados às vossas músicas? A maior parte do nosso material lida com a perda, angústia, medo e solidão. Os Tombs estiveram em digressão pela Europa ao longo do mês de Agosto. Esperamos ver-vos em Portugal em breve. Como descreveriam um dos vossos concertos? Estou a responder às questões da Infektion nos bastidores de um dos nossos espectáculos dessa digressão, em Tilburg (na Holanda). Lamentavelmente, desta vez não vamos passar por Portugal. Em breves palavras, os nossos espectáculos têm sempre o volume no máximo e são repletos de intensidade crua. Vocês têm vindo a provar ser uma banda bastante prolífera. Não se importam de partilhar com os leitores um pouco do vosso processo criativo? Eu escrevo todo o material inicial para a banda. Trabalho nos riffs no meu estúdio caseiro, gravando-os com um metrónomo. Às vezes envio ficheiros em formato mp3 com as ideias para ver o que o resto da banda tem a dizer, mas geralmente só voltamos a pegar no material quando começamos a ensaiar. É aí que escalpelizamos as canções parte por parte e que o Andrew (Hernandez) surge com a secção de bateria, o Carson (Daniel James) trabalha nas partes para o baixo e, enquanto banda, fazemos um arranjo cru das músicas. Às vezes gravamos o álbum numa versão bem podre apenas para vermos se está a funcionar. Quando as músicas

estão mais ou menos definidas, crio os padrões vocais e começo a trabalhar nas letras. No meu caso, as letras são o que leva mais tempo a elaborar. Faço-lhes imensas revisões. Fazemos sempre gravações demo das nossas músicas antes de avançarmos com uma sessão a sério. É durante o processo da criação das demos que todas as camadas, partes de ruído e todos os outros componentes das canções são finalizados. É mais ou menos isto. É frequente abordarem o conceito do fim do mundo. Abordam-no do ponto de vista das profecias e/ou acham que isso se deve ao curso que o mundo está a tomar? Quero dize-lo, literalmente, mas também a um nível mais esotérico. Sinto que a idade do homem pode estar a terminar, como tal acho que há um pouco de “profecia da desgraça” associada às minhas letras. No entanto, o fim do mundo também pode referir-se ao fim do ciclo da nossa vida pessoal em que chegamos ao ponto de fazer perguntas como: “tenho tido uma boa vida?” ou “sou feliz?” Quero que as pessoas cheguem às suas próprias conclusões a partir do material existente, para lá de qualquer subtexto que eu possa estar a tentar retratar. Quais os planos para a banda para o futuro próximo? Estamos a meio desta tour europeia. Quando esta estiver terminada, acho que vamos fazer uns quantos espectáculos regionais na costa leste e no Canadá durante o Outono. Iremos encetar uma digressão mais completa pelos EUA em 2012, a menos que o mundo acabe! Obrigado pelo vosso tempo! Entrevista: José Branco


Os DEVIANT SYNDROME são uma nova aposta da cena metaleira russa. O lançamento do primeiro álbum - Inflicted Deviations - deu-lhes algum protagonismo na cena internacional, ao fazerem uma tour com os finlandeses Kalmah. Tivemos a oportunidade de conversar alguns minutos com o George, o simpático guitarrista e um dos mentores dos Deviant Syndrome.

O

meu primeiro contacto com os Deviant Syndrome não foi há muito tempo, quando ouvi o vosso álbum mais recente. Poderias apresentar-te ao público português? Quem são os Deviant Syndrome? A banda é um quinteto. O line-up é bastante normal: o ritmo é dirigido por Konstantin na bateria e Nikita no baixo; a atmosfera é criada pela Olga, o membro da banda mais activo em palco e que mais headbanging faz, Eugene é o segundo guitarrista, responsável pela guitarra principal, pelos versos, refrões e alguns solos. Eu sou o George e canto os de ritmos e a maioria dos solos. O que os compeliu como músicos para tocar death metal melódico? Bem, nós tocamos o lado soft do death metal. Quero dizer que as bandas de death metal, para mim, são nomes como Entombed, Dismember, Cannibal Corpse, etc. Com um monte de melodias e solos a nossa música

anda mais perto do power metal ou speed/thrash. Optámos por death metal melódico como o estilo principal, uma vez que consideramos que é uma combinação ideal entre melodia e agressividade do metal extremo. É também um bom estilo de música para me melhorar como guitarrista. Inflicted Deviations foi o vosso primeiro álbum. Estão satisfeitos com o resultado? Como foi a nossa primeira experiência em estúdio, tropeçámos num monte de armadilhas. Por exemplo, gravamos em três estúdios diferentes, em vez de um, devido a alguns problemas e imprevistos com os calendários dos engenheiros de som no primeiro estúdio onde tínhamos planeado gravar todos os instrumentos. Claro, agora noto que alguns detalhes deste álbum não foram como queríamos e que podíamos ter feito melhor. Quero dizer que tivemos alguns problemas na mistura ou com alguns arranjos adicionais, mas foi o nosso primeiro álbum! Assim, de uma forma geral, posso dizer que estamos satisfeitos

com os resultados alcançados, mas tenho a certeza que vamos fazer o nosso segundo álbum sem erros! A partir das 9 faixas do álbum, que canção ou canções nos aconselhas a ouvir com mais cuidado? A que dirias: “Hey, isso é realmente pesado, a nossa melhor canção até agora! Tens que ouvir isto!”. Para mim, acho que é a “Liberation”. Esta canção é a única instrumental no nosso álbum e como eu li numa review “é uma homenagem a todo o metal como era e como ainda é”. Eu concordo com esta opinião e gostaria de dizer que sou um grande fã dos instrumentais de Metallica, tais como “The Call of Ktulu”, “Orion” e “To Live is to Die”. Sempre quis criar algo similar, uma canção instrumental que fosse algo de monumental como há aquelas com riffs agressivos, um lead bonito e um solo de guitarra acústica, e solo de baixo, também. Esta última é bastante necessária! (risos) Acredito que aparecer uma música instrumental no álbum é uma ideia muito


“A cena russa, em comparação com a cena europeia, é como uma criança pequena. Eu acredito que esta pequena criança crescerá e o mundo inteiro poderá ouvir um monte de grandes bandas russas.” boa e creio que vamos continuar esta tradição nos próximos álbuns! Então, ouçam-na com cuidado e vão encontrar um monte de coisas interessantes. Ao ouvir o álbum, reconheci algumas influências de bandas clássicas de death metal melódico. Mesmo algumas características e detalhes que eu não ouvia há já algum tempo... Vocês consideram-se como uma banda revivalista do death metal melódico old school? Não acho que somos revivalistas de qualquer estilo, só tocamos a nossa música e, além disso, as bases do death metal melódico incluem algumas influências de diferentes tipos de metal, tais como o black metal, death metal técnico, metal épico , power metal. Então, quem sabe – talvez toquemos algumas músicas metal mais moderno no nosso segundo álbum. Quais são os vossos planos para o futuro próximo como banda? Começar uma tour por todo o lado? Neste momento, a banda está-se a preparar para entrar em estúdio e começar as sessões de gravação para o segundo álbum. Temos material suficiente para isso e terminar a pré-produção já, de modo a que o trabalho de estúdio deve começar em breve e espero que o segundo álbum seja lançado no próximo ano. Também estamos ansiosos em fazer vários concertos como banda de apoio, bem como tocar em festivais internacionais, como fizemos nos últimos anos. E ficaria feliz em fazer uma tour para o novo álbum, mas não posso dizer nada sobre isso neste momento. Vocês foram a banda de apoio dos Kalmah, uma banda que vos influenciou e da qual vocês são fãs. Para uma banda que acaba de começar, deve ter sido uma sensação muito boa. Conta-nos sobre essa experiência. Sim, esses concertos foram os primei-

ros que foram realmente a sério para nós, com um monte de pessoal para ver Kalmah. Assim, antes do início estávamos muito emocionados e queríamos fazer o máximo no nosso concerto, tocando. Além disso, decidimos realizar uma experiência e fazer um tributo aos Kalmah e tocar uma cover deles antes do seu concerto. Além do feedback positivo dos Kalmah, fomos capazes de tocar com Pekka na voz! Foi incrível e até eu cantei a mesma canção com eles durante o concerto deles. Estes concertos foram excelentes e deram-nos uma grande experiência. Para ti, quais são as bandas russas de que toda a gente devia ouvir? Todos nós crescemos ao som dos Aria, provavelmente a banda mais famosa da Rússia. Certamente eles foram headliners e inspiração musical para a nossa geração e muitos outros foram também, mas eles dificilmente são comparados com Aria no seu estatuto e influência sobre as mentes dos metaleiros russos. Hoje em dia, posso referir, porém não tão famosos: Katalepsy, Hieronymus Bosch e Tantal como as bandas mais proeminentes de metal extremo na Rússia. Voltando aos velhos tempos, eu diria a velhinha banda de glam-rock Gorky Park. A este lado longínquo da Europa, estão a chegar mais e mais bandas russas, oferecendo óptimos álbuns, no entanto, parece que há muito mais para descobrir. Conta-nos mais sobre a cena metal russo. A cena metaleira é um desastre na Rússia. Acabámos de passar por décadas de mudanças e ainda há uma influência muito forte dos tempos soviéticos. Com a indústria da música pop muito desenvolvida ainda não temos nenhuma organização da cena metal. Todas as bandas extremas são consideradas decadentes e, na verdade, muitas delas devido à falta de profissionalismo e dedicação, ainda estão

num nível muito baixo. E até mesmo as pessoas de talento têm de lutar com o orgulho de um pequeno grupo de produtores e o preconceito “russo significa má qualidade” dos ouvintes, para se tornarem conhecidas. A cena russa, em comparação com a cena europeia, é como uma criança pequena. Eu acredito que esta pequena criança crescerá e o mundo inteiro poderá ouvir um monte de grandes bandas russas, um dia. A Rússia é o maior país do mundo, em área. É tão grande que tem de ser bem difícil de tocar em todas as cidades. No entanto, já percorreram toda a Rússia? Qualquer acontecimento divertido sobre uma tour num país tão grande? Ainda não. Tocamos apenas na parte ocidental do nosso país, mas estou ansioso para tocar em Sibir e na parte oriental. Fazer uma tour por toda a Rússia é muito complicado para os managers e organizadores locais devido ao alto custo dos bilhetes de avião e comboio dentro do país e umas distâncias muito longas entre as cidades. Quem sabe - talvez seja possível, após o lançamento do nosso segundo álbum! Entrevista: Narciso Antunes

// Estilo Melodic Death Metal // Origem Rússia

http://www.deviant-syndrome.com/

// Discografia Pictures of Declared Extinction (2007) Inflicted Deviations (2011) // Formação George Shchelbanin (voz / guitarra) Olga Orehova (teclados) Konstantin Kalkatinov (bateria)


Oriundos do País de Gales, os HUNTED estrearam-se com um álbum que, ao mesmo tempo, presta homenagem ao Metal tradicional mas aponta também noutras direcções. Para nos falar sobre esta banda invulgar, estivemos à conversa com o guitarrista Steve Barberini. Saudações! Os Hunted vêem marcado o seu espaço com um Metal cheio de atitude. Qual a origem da banda e o background dos seus membros? Saudações e obrigado pela entrevista! Estamos realmente felizes que tenhas gostando do álbum. Isso significa muito para nós! A banda, como deves calcular, começou ser um grupo de malta a fazer covers de Heavy/Trash Metal tradicional, tocando músicas de bandas lendárias como Iron Maiden, Metallica, Megadeth, Deep Purple, etc. E com o passar do tempo começámos a escrever material original. Após diversos line-ups, gravámos ‘Welcome the Dead’, um álbum que representa tudo o que amamos no Metal. Cada membro tem influências ligeiramente diferentes e o nosso objectivo é incorporar todas estas referências nas nossas músicas. É difícil identificar grandes diferenças entre os mem-

bros em geral, uma vez que todos mais ou menos das mesmas bandas. Posso dizer que o nosso vocalista, Chris G., traz muito do old-school para a banda (Maiden, Priest, Manowar, Helloween, etc.), enquanto o resto da banda, além de apreciarem o lado mais tradicional do género, também trazem elementos modernos, como por exemplo, Nevermore, Dream Theater, Symphony X, Sonata Arctica, etc. O nosso baterista foca-se essencialmente na velocidade, através de bandas como Children of Bodom, Arch Enemy, mas também gosta da vertente mais power de, por exemplo, Edguy ou Kamelot. O novo guitarrista, Dan Owen, também é fortemente influenciado por coisas rápidas e traz influências adicionais da cena europeia (Axel Rudi Pell, Malmsteen, etc.). Além de tudo o que mencionei, o Jon e eu, também trazemos alguns elementos mais obscuros para a banda (influ-

ências tais como My Dying Bride, Katatonia, Moonspell, Dissection, etc.). Assim, é uma mistura de quase tudo que amamos, realmente! Qual é o conceito inerente ao vosso álbum de estreia ‘Welcome the Dead’ (originalmente editado em 2010)? Bem, provavelmente mereça ser destacado que ‘Welcome the Dead’ não é um álbum conceptual em si, mas tem vários temas recorrentes. Acreditamos que os ouvintes devem ser capazes de se ligar fortemente com a música que ouvem, e, para o conseguirem, é necessário escrever e cantar sobre temas REAIS - emoções e problemas reais com os quais as pessoas se possam relacionar. À luz disto, temos a tendência para escrever sobre temas um pouco mais filosóficos, como a morte, o destino, a religião, a falta de fé e o desamparo. Cada música tem uma história ou significado adjacente para que


realmente nos liguemos com ela sempre que a tocamos, e esperamos que os ouvintes o sintam da mesma forma. Entretanto, já este ano, surgiu uma nova edição via Massacre Records. O que deu origem a isso? O álbum saiu em novembro de 2010 e foi auto-financiado. Ao mesmo tempo, enviámos promos na esperança de encontrar apoio de alguma editora. Vivemos numa época em que parece que as bandas têm de assumir a tarefa de promover o seu próprio material, de modo que foi exactamente o que fizemos. Acabámos por receber algumas ofertas de diferentes editoras, mas estamos extremamente felizes em dizer que assinámos contrato com a Massacre Records que, até agora, está a fazer um trabalho fabuloso na promoção do álbum. Não existem diferenças

entre as versões do álbum, com excepção do logótipo da editora! Sentiram, de alguma forma, que, embora tenham tido boas críticas e a aceitação do público, as editoras foram um pouco reticentes em assumir um compromisso convosco? Bem, de certa forma, sim - com a condição de que a indústria musical, nestes dias, é difícil prever com exactidão o que as editoras querem e saber se estão dispostos a assumir compromissos com novas bandas - especialmente bandas como nós que estamos a tentar fazer alguma coisa talvez um pouco mais original. Quero dizer, toda a indústria é hoje muito diferente do que costumava ser - e acho que quem edita está apenas relutante em avançar com algo de mais «arriscado», para ser sincero. É provavelmente mais fácil (e seguro) para uma editora

assinar com uma banda que segue uma fórmula ‘popular’. Infelizmente - e vemo-lo a acontecer a toda a hora -, até mesmo algumas editoras especializadas em Metal o fazem. Porém, nós sempre dissemos que iríamos permanecer fiéis ao que nos soasse bem (para melhor ou para pior!). E é fantástico que as pessoas e as editoras começam a apreciá-lo! Uma coisa que tem intrigado muitos ouvintes certamente é a vossa capacidade para mesclar tempos musicais e géneros dentro de uma mistura uniforme de Metal. É esta abordagem caótica uma marca característica do vosso som ou um reflexo das influências de uma banda que está à procura de uma identidade? Ah! Ah! Isso é uma grande questão! Acho que uma vez, quando estávamos nos primórdios da escrita das

“É difícil ouvir um monte de novas bandas de ‘Metal’, por estes dias. Muitas vezes, carecem de qualquer sentido e, se este existe, parece falso ou irrelevante.”


nossas músicas, ocorreu-nos que poderíamos estar a sofrer dessa “falta de identidade”. Mas, com o tempo, depois de ouvirmos as nossas faixas e testemunhando a evolução da nossa música, tivemos a certeza que não nos falta de identidade de todo. Longe disso! Sabemos exactamente o que queremos: fundir as nossas influências em composições simples. Fazemo-lo como um ‘caos’, mas sentimos que, definitivamente, há uma “ordem”. Acho que exige apenas um pouco de tempo de habituação - o que nem sempre é mau! Eu acredito que, no futuro, descobrirás que as nossas músicas serão sempre uma mistura de géneros mas o procedimento de congregar essas músicas vai melhorar. ‘Welcome the Dead’, aos nossos olhos, é um grande álbum e estamos muito orgulhosos dele, mas várias músicas do álbum eram mais antigas em relação às restantes – e é possível que pudessem necessitar de novos arranjos. Contudo, ainda represen-

recem de qualquer sentido e, se este existe, parece falso ou irrelevante. Eu cresci na Colômbia e o Metal é enorme por lá (aliás, foi aí que comecei a ouvir este género musical). É o som do povo, são as pessoas a ventilarem toda sua raiva e emoção (acontecia o mesmo quando os Judas Priest começaram em Inglaterra). O Metal deve ser sobre a energia real, ter verdadeiro significado e propósito, ligar-se com o público focando temas que a música “popular” não se atreve a cantar. Muitas das novas bandas de ‘Metal’ parecem apenas tocar este género porque é fresco e forte - isso parece-me errado e é triste. Acho que outro problema é que essas bandas também dão uma impressão totalmente errada da cena em geral, uma vez que a grande maioria de nós toca e escreve esta música porque a amamos genuinamente e não apenas porque parece “perigosa” ou “rebelde”... Com os vossos concertos, têm

pois é um guitarrista incrível e tenho certeza que todos os malucos de guitarra que há por aí, irão apreciar a sua habilidade! Além disso, a sua entrada permite-nos ter muito mais energia ao vivo, com as 2 guitarras - o que realmente ajuda a construir uma parede de som enorme e esmagadora, bem típica do Metal! Por que razão optaram pela cover de “The Heart Collector” dos Nevermore? Bem, muitas vezes parece ser uma boa ideia de incluir uma versão, especialmente quando estás a tentar agradar às editoras - porque pode dar-lhes uma ideia do que a banda é capaz. Escolhe-la não foi fácil, com tantas influências que há na banda. Tivemos de colocar todas as opções num chapéu e retirar um nome para torná-lo justo - por fim, chegamos à conclusão que o ‘The Heart Collector’ dos Nevermore seria um grande tema e que encaixaria perfeitamente no resto do álbum. Estamos muito

“Vivemos numa época em que parece que as bandas têm de assumir a tarefa de promover o seu próprio material, de modo que foi exactamente o que fizemos.” tam bem o que éramos quando as escrevemos, quais eram as nossas influências e tudo o que acreditámos (e ainda acredito). A nossa escrita de canções e composições só poderá melhorar e espero que não baralharão os ouvintes para muito mais tempo! Embora, eu ache que, às vezes, seja uma coisa positiva o facto de a música poder levar algumas pessoas a descobrir realmente o que está por detrás das canções... Essas são, muitas vezes, as músicas e álbuns que acabo por voltar a pegar! Os Hunted parecem trazer de volta muita da sonoridade e dos temas focados pelas bandas de Metal clássicas. Achas que a cena actual tem vindo a perder muito do seu propósito original? Sim, definitivamente! É difícil ouvir um monte de novas bandas de ‘Metal’, por estes dias. Muitas vezes, ca-

cimentado uma boa reputação pela Grã-Bretanha. Para quando uma tour mais extensa? Esperamos que seja para breve! Estamos actualmente a tentar resolver as coisas com agentes, etc. e queremos nada mais do que atingir a Europa em força e levar a nossa música para toda parte espero ver-nos algures em 2012. O que mudou com a entrada do novo guitarrista, Dan Owen? Não muito, para além de estar a trabalhar com outro grande músico! O Dan abraçou a nossa música e é muito feliz a tocar connosco. Cada membro tem uma voz igual na banda, incluindo o Dan, e ele já é parte integrante dos Hunted - inclusivamente, já trabalhámos numa música dele, que é um verdadeiro deleite “metálico”! Acredito que ele entende o que os Hunted almejam alcançar e que queira ser parte disso. É fantástico trabalhar com ele,

contentes com a versão final e divertimo-nos à brava nas gravações! O que nos podes dizer a propósito da cena Metal galesa? Não há muito a dizer, realmente. Sabemos que existem várias bandas a tentar singrar e nós dividimos o palco com algumas delas em várias ocasiões e desejamos a todos a melhor das sortes. Apesar de nós sempre conseguirmos muita gente nos nossos concertos, parece difícil fazer com que as pessoas saiam das suas casas para assistirem a música ao vivo. No entanto, a cena parece estar a crescer um pouco, dado que, de repente, grandes bandas tais como Sonata Arctica, Manowar, e Malevolant Creation vêem tocar ao Sul do País de Gales - o que é óptimo! Entrevista: José Branco


myspace.com/drfrankensteinlab myspace.com/ddjrec youarenotstealingrecords.blogspot.com/2009/06/024-sta-apolonia.html

D

r. Frankenstein in 4 Dimensions (DDJ; 2010) é o quarto álbum da banda liderada pelo guitarrista André Joaquim, os Dr. Frankenstein. O facto de ter já saído a um ano não invalida que se reveja aqui o percurso daquela que será a melhor banda Surf Rock portuguesa nem que seja porque foi mais um álbum que passou despercebido pelos media, além de que estamos a caminho do final de Verão e não me parece que tenha saída nada de veranil com relevância este ano. Se nos anos 90 as edições da banda andaram por edições de natureza fragmentária (demo-tapes, singles, colectâneas) neste milénio elas tiveram um cunho oficial de álbuns - mesmo que estes tenham saltitado de editora em editora, acabando agora este último numa auto-edição pela Deep Dark Jungle, “label” de Joaquim onde curiosamente começou a sua carreira com o EP “dos” Red Headed Men em que ele tocava tudo sozinho - grande disco! Cada etapa da discografia oficial corresponde a uma evolução da banda. Em The Lost tapes from Dr. Frankenstein’s Lab (Lowfly; 2000) tratava-se de um resumo de temas perdidos nos outros formatos e estava cheio de pica. Pica essa que não se perdeu no “difícil segundo álbum” (esse mito do Rock) em The Psychotic Sounds of Dr. Frankenstein (Zona Música; 2002), para além de ter entrado noutros campos musicais mais sofisticados mostrou que esta banda nunca foi linear. Quem toca este tipo de música (Surf/ Rock/ Garage) têm de ter pica - essa é a regra número um que já se sabe. Reciclar um estilo “Retro” e trazer novas ideias já é ou-

tra estória que nem todos conseguem (ou querem) fazer. E se essa opção de avançar em territórios novos ficou explícita no segundo disco, ainda ficou mais óbvia no Chapter III: The Dragon lounge Connection / Crime scenes and murder songs from Dr. Frankenstein’s laboratory (Double Crown; 2005) em que se expandiu quase para uma lógica de “big band”, ao incluir uma secção de metais. Com este disco os Dr. Frankenstein ganharam uma nova dimensão, pena que a tenham perdido justamente neste CD intitulado “a quatro dimensões”. Visto que o sucesso (ou carreira) com o estilo “surf rock” é quase impossível em Portugal dada à falta de circuito para o Rock em geral, quanto mais para um “sub-género” (quantas vezes vi grandes concertos desta banda com menos de 30 pessoas!), e depois de três ignoradas tentativas de exposição pública talvez faça sentido voltar às raízes - sejam elas sonoras quer editoriais. Este disco é uma “curte” saudável para quem gosta de soltar a franga. São apenas 21 minutos, exigia um vinil de 10”! Sendo um CD, é claro que se carrega no “repeat” da aparelhagem e vai-se ficando viciado. Parece ter mais vozes no disco do que é normal - a banda é na essência “instru-mental” havendo esporadicamente um tema ou outro com voz e letras. Talvez por ser um disco tão curto que as músicas com voz pareçam excessivas porque não me parece que exceda o número de faixas comparando com os outros álbuns. Mas o problema deste álbum e que me desilude é que raramente “soltei a franga” com estes meus 37 anos e o seu consciente peso de os-

sos. Ao que parece, os meus ossos preferem esticarem-se no sofá e mandar a mente trabalhar por eles. Longe de ser um mau disco - os Dr. Frankenstein nunca o fazem! - é estranho não ouvir aqui aplicadas as ideias geniais de Santa Apolónia (projecto solo de Joaquim, é grátis na ‘net-label You Are Not Stealing Records, saquem, saquem!!!). Percebo que sejam coisas diferentes mas parece que se perde muito tempo em fazer muitos projectos com nomes diferentes, tudo muito bem arrumadinho e estancado perdendo-se uma visão de ruptura, progresso e arte. Este álbum não adianta nada ao que já se fez, seja na história dos Dr. Frankenstein seja nos anais do “Retro-género”. Não havendo um risco contemporâneo que seja, vai-se contra a expectativa do título do álbum. As capas enganam e esta é uma delas porque esta música não tem os quatro olhos como a modelo-mutante exposta na capa, têm antes quatro mamas! PS Não foi por falsa modéstia ou ética que ao declarar no primeiro parágrafo que este ano não houve nada de interessante no que diz a música, omiti o Mini-LP homónimo dos Çuta Kebab & Party (Chili Com Carne + Faca Monstro; 2011), música híbrida de tradição e fast-food da euro-ásia. Foi mesmo esquecimento, comportamento anormal para alguém que é um dos editores envolvidos no projecto. Apesar de não poder fazer qualquer crítica sobre o disco (aí sim por razões éticas) não me impede de vos chamar atenção para ouvirem gratuitamente em http:// facamonstro.bandcamp.com/releases. Acredito que é banda sonora até 21 de Setembro mas vocês, leitores, é que sabem!


O mais recente álbum de SVARTSOT apresenta um olhar sobre a sociedade a partir de um acontecimento nefasto. O pecado e a sua ausência. O jugo da Igreja. Tudo com a riqueza  da música medieval. Esta é uma banda que indiscutivelmente se renovou e evoluiu tecnicamente mostrando uma sonoridade muito apelativa. No último álbum decidiram ma dar um salto. Mas claro que a contar uma estória sobre a música medieval não se restringe peste negra. Porque escolhe- apenas a um modo. As escalas meram este episódio medieval nor natural e a harmónica menor standard, também podem ser usaem particular? Cris Frederiksen: Estávamos das para fazer música medieval e cansados de ser rotulados como podem até ser misturadas com o banda de metal pagã/viking, uma dórico para obter escalas híbridas. vez que isso tem muito pouco a Mas o dórico tem um sentimenver com aquilo que SVARTSOT to medieval com o estilo menor/ é. As influências das nossas letras maior dentro de um só modo, que têm vindo de períodos anteriores era usado para grandes efeitos na à era Viking (mais visivelmente na música da idade média. Por oufaixa Grendel de Mulmets Viser) tro, lado as assinaturas de tempo até ao folclore recolhido no século e os ritmos são especiais – a asXVIII (por exemplo a personagem sinatura de tempo predominante Mulher-Troll em Skovens Kælling (tal como era imposto pela igreja) de Ravnenes Saga). Por isso na era 6/8 em oposição ao standard verdade os vikings nunca foram o moderno que é 4/4. Mas mesmo nosso tema principal. E nós NUN- aí, os compassos podem ser reCA fomos pagãos. SVARTSOT é duzidos ou aumentados para dar uma banda completamente não efeito, tal como era comum fazerreligiosa. Quaisquer referências à -se, especialmente na música folk. religião antiga são indirectas. Por Devido às assinaturas de tempo, o isso, decidimos que este álbum ritmo parece com frequência salnão teria nenhuma ligação com os titante quando comparado com a vikings por mais remota que fosse, lentidão do ritmo 4/4 de hoje. A e iríamos tratar um tema medie- natureza do compasso 6/8 muitas val. Mas só depois de algumas fai- vezes parecerá oscilante ou como xas estarem escritas começamos um compasso triplo 2/4. A estética a falar das letras. A música tinha musical moderna está frequentedado uma volta mais séria do que mente obcecada com figuras onde em álbuns anteriores, por isso de- o número de compassos é divisícidimo-nos também por um tema vel por quatro, enquanto a músimais sério, e achamos que a peste ca medieval possui figuras de seis negra era um tema que se enqua- ou dez compassos ou mesmo um drava. E quando começamos a in- número estranho de compassos. vestigar fomos obtendo inspiração Penso que a música medieval está para o material que ainda faltava muito profundamente enraizada criar. Originalmente não tínhamos no nosso subconsciente e de alguplaneado fazer um álbum concep- ma forma é mais natural para nós, tual, mas foi isso que acabou por embora os standards da música moderna tenham mudado muito acontecer. desde esses dias, fazendo com que O que vos atrai nas melodias a música medieval pareça exótica e simultaneamente familiar. Isto da era medieval? A esta pergunta é impossível res- pode explicar também a razão pela ponder sem discutir teoria da mú- qual muitas pessoas sentem que sica e ficar muito “nerd”. Acho que mesmo a mais sombria música se resume tudo ao sabor dado pela medieval folk soa com uma batida escala modal predominante na positiva quase alegre. De facto a música medieval que era o modo música medieval entusiasma-me dórico. Tem as características da mais do que a música moderna e escala menor natural (Modo eóli- é um desafio recrear uma melodia co) mas tem uma sexta nota acuti- que soe autentica. lante que também lhe dá algumas das características de uma escala De certa forma também exmaior e faz a escala de certa for- põem a condição

humana ao explorar a forma como as pessoas reagiram a este inimigo silencioso que foi a peste negra. Pretenderam fazer um retrato social? Sim de certa forma acho que o fizemos. Não vale a pena escrever apenas sobre como a doença matou pessoas e sobre os sintomas, já que isso daria no máximo para uma canção. Por isso decidimos que seria melhor olhar para a sociedade e para a forma como foi afectada pela doença. Pela maioria dos cálculos dos especialistas, um terço da população morreu e isso ainda deixa uma larga faixa da população e consequentemente mais assunto para explorar. E nós nem sequer tratamos todos os aspectos e reacções, uma vez que estes eram variadíssimos. Para isso seria necessário mais do que um álbum. Por isso escolhemos as reacções que achamos mais interessantes para explorar e concentramo-nos apenas nessas. contadores Consideram-se de histórias na música? Certamente que tentamos ser à nossa maneira, mas talvez tenhamos complicado um pouco as coisas para os nossos fãs ao escrever apenas em dinamarquês. Para nós o conteúdo das letras e os temas que escolhemos são tão importantes como a música. Geralmente despendemos muito tempo a pesquisar os temas que tratamos nas canções, e passamos ainda mais tempo do que o habitual a pesquisar os temas para este álbum. Por isso, se calhar somos um pouco egoístas uma vez que não partilhamos as letras numa língua em que a maioria dos fãs possa perceber. Mas temos planos para facultar traduções para inglês (tal como fizemos com Mulmet Viser), mas provavelmente isso só acontecerá após a renovação do nosso site. Usaram a língua dinamarquesa nas letras mas não no título, porquê? Decidimos isso porque a igreja


exercia uma grande influencia sobre a população na altura da Peste Negra, e a igreja deu uma explicação oficial para a doença. Achamos apropriado retirar o título da passagem bíblica que foi frequentemente citada como confirmação das declarações da igreja. É uma citação do Deuterenómio 28 16. E uma vez que a língua universal da igreja à época era o latim, pareceu mais apropriado usar a versão latina da citação para o título. A bíblia foi primeiro traduzida para outras línguas depois das reformas de Martin Luther. Além disso temos algumas linhas em latim em algumas faixas, por isso pareceu-nos ainda mais adequado. A vossa base de folk foi ficando progressivamente mais madura. É resultado da vossa evolução enquanto banda? É uma combinação disso com a minha própria evolução enquanto compositor. Os ideais e prioridades da banda certamente mudaram ao longo do tempo e já não somos aquela banda de folk metal turbulenta das bebedeiras, que éramos inicialmente. Mas por outro lado, acho que já havia no nosso primeiro álbum traços do que somos hoje. Por exemplo, a faixa “Hedens Døtre” e alguns elementos de “Spillemandens Dåse” do “Ravnenes Saga” mostrava já o caminho em direcção à música medieval que a nossa banda seguiu. De certa forma, quando olho para trás para o nosso primeiro álbum, acho que deliberadamente simplifiquei algum material. Algumas das faixas que deixamos de lado eram mesmo mais complexas do que aquelas que acabaram por figurar no álbum. A banda tal como existia nessa altura, não tinha capacidade para tocar esse tipo de material. “Lokkevisen” do album “Mulmets Viser” foi na realidade escrita em 2005, mas nunca foi considerada até aos finais de 2008, uma vez que o material era demasiado complexo. A linha harmónica da guitarra ritmo foi adulterada pelo nosso guitarrista ritmo em “Ravens Saga” e acabamos por escrever outra canção a partir disso, que originou o “Festen” do “Ravens Saga”. Mas agora que temos uma formação que eu sei ser capaz de tocar faixas mais técnicas e complexas, desafio os seus e os meus limites. Para além disso, cansei-me de tocar folk metal mais ligeiro. Prefiro o estilo mais sério que temos agora. Queres falar um pouco dos novos elementos que introduziram nos arranjos? Penso que alguns dos elementos mais visíveis são a adição das gaitas de foles suecas e o uso de vocalizações limpas numa das faixas. As gaitas de foles dão uma dimensão medieval extra à música, que se adequou perfeitamente a este álbum. Embora algumas criticas tenham sido feitas sobre o cliché de usar gaitas de foles no folk metal, nós vamos continuar a utiliza-las em álbuns futuros. Tanto quanto sei, as gai-


tas de foles suecas não são utilizadas por muitas bandas de folk metal e têm um som mais suave e quente do que outros tipos de gaitas de foles. Quanto à decisão de usar vozes claras, foi apenas pelo facto de a faixa em questão ser completamente acústica e as vozes roucas ficarem aí deslocadas. Desenvolvimentos menos visíveis passam pela redução de assobios e o aumento do bandolim. Também há muito mais guitarras acústicas no álbum do que aconteceu anteriormente. No geral gravamos muito mais camadas de instrumentação do que era costume, o que deu ao nosso produtor Lasse Lammert uma dor de cabeça para fazer a mistura, mas deu também muito mais profundidade à música. Também recorremos muito mais ao uso de harmonia e contraponto do que em álbuns anteriores. Nada disto é muito novo em relação à música da banda, também já existia no álbum anterior, mas numa extensão muito menor.

o nosso actual baterista, Danni Lyse Jelsgaard, também já fez parte há alguns anos atrás. A cena do metal é muito pequena aqui na Dinamarca e os músicos circulam muito pelas bandas.

Como se lembraram de Uffe Petersen para vocalista convidado? O Uffe foi nosso guitarrista ritmo nos concertos ao vivo desde o princípio do ano. Por isso estava lá nas últimas sessões de ensaios que fizemos antes de entrar em estúdio. Estávamos a debruçar-nos sobre “Spigrene” que foi uma das últimas faixas a ficar completa, e o Uffe perguntou se podia tentar cantá-la. Nós dissemos que sim e ele foi embora praticá-la. Depois cantou-a para nós no ensaio seguinte. A voz dele adequava-se ao luto da canção, por isso levamo-lo para estúdio e gravamos. Ele fez também alguns coros em “Kunsten at dø” e em “Farsoten kom” enquanto lá esteve.

A identidade da banda mudou muito com as alterações sofridas na sua formação? Bem, sim e não. De muitas formas eu queria que a banda mudasse de identidade depois da última alteração na formação em 2008. Não havia razão para que a nova formação tentasse clonar a formação antiga, isso acabaria por ser uma farsa. Por isso pedi-lhes especificamente que fossem eles próprios e trouxessem as suas próprias características para a música – Tanto para o material que estávamos a trabalhar para o “Mulmets Viser” como para as faixas de “Ravnenes Saga”. Mas claro, que estando um dos álbuns já editado não podíamos simplesmente reescrever as faixas antigas e mudar completamente o som da banda, e aí ainda mais pessoas nos instariam a mudar o nome da banda ou por fim à Banda Svartsot (algumas pessoas, especialmente aqui na Dinamarca acharam que o devíamos ter feito). A esse respeito “Mulmets Viser” foi uma ponte entre a formação antiga e a nova formação da banda. Especialmente tendo em consideração que metade de “Mulmets Viser” fora escrito antes da mudança de formação. Mas com a nova outras possibilidades estavam disponíveis e eu comecei logo a escrever de forma diferente. E isso é ainda mais perceptível neste álbum. Por isso, ainda que existam muitas características dos tempos antigos, este álbum é muito diferente da era Svartsot de “Ravnenes Saga”.

A banda já teve um baterista português não foi? Sim tivemos. Mas isso foi há muito tempo atrás. O Marcelo Freitas foi nosso baterista em 2005. Ele era baterista numa banda que depois deu origem a SVARTSOT e antes disso ele tinha tocado numa banda portuguesa de doom chamada “Requiem Laus”, da Madeira. Agora ele toca numa outra banda dinamarquesa chamada “Fairytale Abuse”, de que

Diz-nos algo sobre uma das canções do álbum, por exemplo “Holdt ned af en Tjørn” . “Holdt ned af en Tjørn” representa bastante o novo som e forma de escrita de Svartsot. E é uma faixa central no álbum em termos do tema tratado na letra. A primeira coisa que se nota é a introdução de um novo instrumento na banda: A gaita de foles sueca. Esta faixa foi escrita à volta da melodia da gaita de foles e

a escala e o som tiveram que ser considerados. Normalmente as faixas são construídas em torno da melodia da guitarra solo. Esta faixa inclui também várias camadas de guitarras eléctricas e acústicas, o que é uma das características também do álbum. Tentei variar a canção e dar-lhe camadas de som exuberantes. A canção é acerca de um homem que foi pio toda a sua vida e ainda assim contraiu a doença. (A igreja afirmava que a doença era uma punição pelos pecados da humanidade). Então ele não só tem que se confrontar com o facto de o seu Deus lhe ter virado as costas, o que terá sido um peso enorme para um homem medieval, mas também com a própria doença que lhe causa dor e o matará em alguns dias. Isso aliado ao facto de que seria depois de morto atirado para uma pilha de corpos onde serão colocados arbustos espinhosos para impedir as almas dos mortos de voltarem e espalharem a doença. Como irá a sua alma encontrar o seu caminho até Deus sem receber os últimos sacramentos e sem ser absolvido dos seus pecados? O título da canção significa mantido preso por um arbusto de espinhos. A vossa música apela à dança. Isso tem um reflexo na vossa comunicação com o público? Para nós é muito importante conseguimos criar um laço forte de empatia com a audiência. Não só porque isso dá ao público uma melhor experiencia em relação ao espectáculo, mas também porque nos ajuda, uma vez que uma audiência reactiva nos faz querer ter uma melhor prestação em palco. Por isso encorajamos a audiência a abanar a cabeça, dançar ou fazer o que lhes apetecer. Também costumamos levar a audiência a participar de diversas formas. Já convidamos pessoas para cantar ou para tocar bateria com o nosso baterista. Por isso os concertos são muito em função da empatia que temos com o público.

Entrevista: Mónia Camacho


No lugar certo e à hora certa, nasceu Spiritual and Carnal pela recente e promissora Kenosis Records. Estamos pois a falar de SOLID SPECTRUM. Após alguns contratempos, surge este EP que caracteriza as ideias pré-concebidas com que a humanidade vive. Estivemos à conversa com eles, dá uma olhadela... e se fores baterista, toma especial atenção à pergunta número 3.

O

vosso EP foi lançado recentemente e gravaram como banda de estreia da editora nacional Kenosis Records. Como é que correu esta parceria? A oportunidade de parceria apareceu na altura certa. Tínhamos acabado a fase de masterização, os temas estavam finalizados. Faltava acertar certos pormenores em relação ao

artwork e outras situações relacionadas com a edição do EP. Foi nesse momento que chegamos a acordo com a Kenosis. Durante esta fase a editora mostrou-se receptiva, dedicada e foi importante no esclarecimento de certas situações. A banda deparou-se com alguns contratempos na fase de produçao do álbum, como as alterações

na formação. Como é que deram a volta à situação? Tivemos alterações a nível de guitarra e bateria. Na fase de produção o José Lima viu-se obrigado a abandonar o projecto. O lugar foi ocupado, e muito bem ocupado, pelo Emanuel Machado e problema resolvido. Entretanto o Ricardo Silva abandonou o projecto por razoes pessoais. Esta situação está a ser um pouco mais


difícil de resolver…Contamos com um baterista convidado, para actuações que possam surgir, enquanto o lugar na formação não é preenchido. Ainda continuam à procura de um substituto? Como é que um leitor da Infektion se poderia candidatar a este lugar? Sim, ainda estamos a procura. Quem estiver interessado basta entrar em contacto connosco através de email (solidspectrum@gmail.com), facebook ou myspace. Temos todo o gosto em marcar uns ensaios para tentar resolver a situação. No que toca a actuações... por enquanto ainda é difícil falar em datas? Sim. Estamos a tentar construir uma agenda de divulgação mas ainda não há datas marcadas. Esperamos poder dar mais notícias em breve pois temos todo o interesse em divulgar o trabalho e ver qual o impacto que terá nas pessoas. Todo o vosso EP, e principalmente o tema Spiritual and Carnal gira muito em volta da forma como caracterizam a sociedade actual...na vossa opinião, acham que ainda há esperança numa mudança? Não caracteriza necessariamente a sociedade actual, mas pode dizer-se que um pouco a historia da humanidade. Uma evolução coberta de regras e vontades que foram sendo sugeridas e na maior parte das situações impostas, ou seja, está relacionada com a forma como as ideias ou valores estão pré-definidos e questiona se serão esses os caminhos a seguir. Penso que actualmente reina

a “Lei do menor esforço”, as pessoas agem como se os actos não gerassem consequências para outros. Por outro lado, reclama-se mas pouco se faz para mudar e muitas vezes atiramos as culpas para quem nos “governa” mas eles não passam de um espelho da sociedade. Mudança? Sinceramente…Não me parece. Mudam-se os tempos, mantêm-se os instintos. Quem compôs as letras do EP e como é que se desenrolou todo este processo? SOLID SPECTRUM – As letras do EP são da autoria da banda, neste caso minhas (Roberto) e do Pinto. Tínhamos algumas ideias trabalhadas que fomos desenvolvendo posteriormente em conjunto. Aquando da escolha dos temas que fazem parte deste trabalho, reparamos que os temas escolhidos tinham muitos pontos em comum, principalmente a condição humana, o que proporcionou um bom equilíbrio e coerência lírica e gerando assim a capa do EP. Centram-se primeiro na composição musical ou primeiro na composição lírica? Não existe uma regra ou uma fórmula de composição. Existem momentos em que a letra origina a ideia para o instrumental e vice-versa. Por vezes acontece estarmos a trabalhar os dois níveis em simultâneo. Trabalhamos de uma forma espontânea, sem processos definidos. Imaginando que eram um dos nossos leitores que tinha acabado de adquirir o vosso EP, qual acham que seria a primeira impres-

são? Isto é, se pudessem fazer uma síntese-review do vosso próprio EP qual seria? Penso que não é uma tarefa fácil avaliar um próprio trabalho, pois pode dizer-se que nunca podemos ter a chamada “primeira impressão” que temos quando ouvimos algo que não é feito por nós. No entanto, de uma forma geral, acho que esta um bom trabalho e principalmente suscita interesse para ouvir o que vem a seguir, visto ser o nosso primeiro registo. Participaram na compilação “Light-Bearers” da Infektion Magazine. O que têm a dizer do estado do Metal nacional? Antes de mais, parabéns pela iniciativa. Deu para conhecer alguns talentos que nos eram alheios e relembrar outros. Quanto ao estado do Metal nacional… Hoje em dia, o metal nacional já não se resume a algumas bandas. Existe agora um leque bastante variado e com bastante qualidade - mesmo com os seus defeitos. Em geral, o panorama tem melhorado. Mas penso que as bandas não são reconhecidas como deviam… Pelo menos no nosso país. Entrevista: Anna Correia


Marchando para a glória o VII BATALLÓN DE LA MUERTE lança o álbum “El Libertador”. Pleno de atmosfera Black Metal, tem um travo progressivo numa “visão” muito particular do seu autor. O seu cariz nacionalista e os seus valores de bravura e rectidão não lhe retiram alguma rebeldia e audácia. Inteiramente concebido de a partir do digital, faz no entanto parte da música genuína que se vai fazendo. Uma surpresa que mostra que a Argentina não é só Tango.

O

que podes dizer-nos sobre o nome do teu projecto musical? Der Enker: Avé! O VII Batallón de la Muerte foi criado no decorrer de 2007, como uma ideia para uma futura brigada ou batalhão do exército Argentino. Mas neste momento não estou em posição de o poder fazer. O nome tem um grande significado, pois é necessário que chova sangue para que sejam restaurados os valores que se perderam na nossa terra natal. Em função disso, adoptou-se o nome Batallón de la Muerte (Batalhão da Morte). Finalmente, antes acrescentei VII (sétimo), que significa a perfeição do batalhão.

Quem é “El Libertador”? O libertador é o General Don José de San Martín, um dos mais honráveis soldados que nasceram em solo Argentino. O grande Capitão (um dos seus cognomes) esteve a liderar uma das mais importantes batalhas da nossa história, de que falarei a seguir. Que tipo de liberdade é que traz este Libertador? O princípio da nossa liberdade ocorreu no decorrer de Maio com a revolução de 1810, quando nasceu a Argentina. Depois começaram as invasões e o General San Martín foi escolhido para nos levar à glória. Ele comandou e lutou

nas mais importantes batalhas da Argentina e da América do Sul, ajudando à conquista da independência da Argentina, do Chile e do Peru. As suas acções conduziram à emancipação destes países relativamente à coroa espanhola. É claro que ele não esteve sozinho. Existiram muitos grandes homens ao seu lado. Mas o mais importante, foi a forma como ele fez tudo. Os grandes valores militares emergiram directamente dele, enquanto homem honrado, leal, sábio e bravo. O seu legado estará sempre presente nos nossos espíritos, como homens e como soldados. O que nos podes dizer sobre


“...a música faz parte da humanidade. Enquanto a chama estiver viva nos nossos corações, haverá música para nós.” a música “La tierra blanca”? VII Batallón de la Muerte – La tierra blanca, a terra branca, reflecte uma visão do nosso planeta sem qualquer traço da humanidade. Ao imaginar a natureza na sua forma mais pura, improvisei tudo, e a canção foi composta em apenas um dia de inspiração.

zões de tempo e de economia. Os próximos álbuns depois de “Semper Patriae Servire Praesto”, incluirão guitarras verdadeiras. Mas claro que fui eu quem escreveu cada nota e cada composição. Não há magia nem automatismos. É bom explicar isto, pois nem todos gostam de “música digital”.

Neste álbum alguns instrumentais têm um certo som futurista progressivo. Era algo que pretendias? VII Batallón de la Muerte – Sim e não. E digo-te isto porque tudo depende da forma como interpretas as canções. Por exemplo, “Liberate Tutemet Ex Inferis”, faz-me pensar num inferno futurista como podes observar no filme “Event Horizon”. Há outras músicas instrumentais como “Estandartes del Sol”, que não são tão futuristas se nos referirmos ao som, e posso facilmente pensar nela como um marcha triunfal dos soldados de elite depois de o sol nascer novamente no futuro.

Fala-nos um pouco das escolhas por trás das tuas “Absurd Covers”. Anunciei que iria fazer um tributo aos “Absurd” no princípio de 2008, como demonstração de respeito e gratidão por tudo o que criaram. O álbum estava em processo de gravação e regravação de algumas covers concluídas, mas cujo som estava em más condições. Neste momento está parado, em espera, porque estou a trabalhar em dois futuros lançamentos próprios. Mas existe uma lista de 30 canções (a maior parte delas por confirmar). A lista final de faixas terá 17 ou 18 canções. A data de lançamento dependerá do número de canções que terá a lista final de faixas, mas não acontecerá antes do final de 2012. Até ao momento lancei uma faixa promocional com download gratuito com três covers de canções em 2008 e uma quarta canção promocional em 2010, “Als die Alten jung noch waren”.

A morte é a principal inspiração na tua atmosfera negra? Podia dizer que sim. A atmosfera negra que uso em algumas canções retira a sua inspiração da morte e da necessidade de expurgar a terra, trazendo paz ao mundo. Ao mesmo tempo que falo em restaurar a ordem em algumas canções, faço reflectir o sentimento de vazio deste mundo noutras canções. És o homem de todos os instrumentos Sebastian, quais os que tocas realmente e quais os que são introduzidos artificialmente na música? De momento tudo é introduzido artificialmente na música, excepto a minha voz, claro. As guitarras são um problema porque não é fácil fazê-las parecer reais com um sintetizador. Decidi usar este método por ra-

Quais as influências que reconheces ter na tua música? As influências musicais vêm de bandas como: Absurd(Ger), Wolfnacht(Gre), División 250(Esp), Argentum(Arg), marchas militares Argentinas, e diferentes variações de música ambiente e marcial. O estilo musical poderia ser Black Metal com Rock, Folk e Marcial. E esta variedade mostra tipos de melodia e de letras completamente diferentes de canção para canção, por exemplo entre “Orden Nacional”, “Cuando la Luna brilla”, “Comunicado N°

1” e “Estandartes del Sol”. Eu chamo-lhe simplesmente Black Metal Elitista Nacionalista. As letras e o conceito referem-se ao nacionalismo, a antigos valores militares, história e restauração da terra dos nossos antepassados. Por isso como eu sempre digo, isto é uma declaração de guerra a todas as monstruosidades que caminham em solo Argentino. Como vês a cena musical de hoje em dia? Hoje observamos diferentes caminhos na cena musical. Ao vivermos no mesmo mundo moderno degenerado poderemos encontrar o tipo de música comercial vazia em todo o lado, para onde quer que nos viremos. Mas se buscarmos com cuidado, encontraremos o que procuramos, e isso demonstrará que a verdadeira inspiração na música estará sempre presente. O que quero dizer, é que apesar dos meus pensamentos misantrópicos e elitistas, a música faz parte da humanidade. Enquanto a chama estiver viva nos nossos corações, haverá música para nós. O dia em que deixarmos de encontrar música que possamos respeitar quer dizer que a degeneração humana atingiu o seu ponto máximo. Hails to Portugal! Cumprimentos da Argentina! “Semper Patriae Servire Praesto. Sempre pronto a servir a Pátria” Entrevista: Mónia Camacho


O

WARBRINGER WORLDS TORN ASUNDER CENTURY MEDIA

9/10

mais recente álbum dos Norte Americanos Warbringer, “Worlds Torn Asunder”, marca o seu regresso em grande. Iniciaram o seu percurso musical em 2004 e desde ai são uma das bandas que mais tem evoluído musicalmente e que mais se tem destacado pela positiva nos últimos anos,são um dos grandes nomes do revivalismo do thrash Metal. São uma banda que toca bastante ao vivo e já partilharam palco com nomes como Exodus, kreator e Megadeth, servindo-lhes de apoio. Desde o seu álbum de estreia “War Without End” que esta banda tem criado uma base de fãs sólida por todo o mundo. O seu talento é inegável, e se no início se notava bem as influências de bandas como Slayer, tem cada vez mais desenvolvido o seu próprio estilo. Este “Worlds Torn Asunder”, o seu terceiro álbum, vem definitivamente mostrar isso mesmo, o álbum é uma descarga de thrash que rapidamente leva o ouvinte para um mundo bélico e violento caracte-

rístico da banda. O álbum é constituído por dez músicas, é na maior parte bastante rápido mostrando também aliado a esta rapidez uma grande técnica. As “hostilidades” têm início com “Living weapon” que remete imediatamente o ouvinte para os temas bélicos, de seguida o album prossegue rápido e energético com músicas como “Savagery”, “Enemies Of The State” e “Treacherous Tongue” que deverão funcionar muito bem ao vivo, sendo verdadeiras descargas de thrash capazes de provocar grandes reacções do público. Há ainda tempo para uma música instrumental lá mais para o fim “Behind The Veils Of Night”, bastante melódica que vem quase servir de introdução à “Demonic Ecstasy” que termina o álbum de excelente forma. Este álbum vem assim marcar de forma muito positiva a carreira dos Warbringer definindo bem o seu estilo próprio. Cristiano Estevão


ABHOR AB LUNA LUCENTI... MORIBUND RECORDS

Ao fim de dezasseis anos de carreira e praticantes de um black metal auto-intitulado esotérico, o trio proveniente de Pádua regressa aos lançamentos discográficos após um hiato algo prolongado, com nove novas composições bem ao seu estilo. Muito frequentemente a mid-tempo, os gritos penetrantes de Ulfhedhnir sobrepõem-se aos riffs um pouco ingénuos e a uma bateria tão harmónica quanto rítmica dos restantes membros durante cerca de quarenta e cinco minutos de black metal predominantemente atmosférico. Com os teclados a assumirem um papel preponderante em todas as músicas, o destaque acaba por recair em “Echoes of Desperation and Hate”, por exibir uma faceta mais experimental da banda e, por conseguinte, mais original. Completamente imbuídos nos maneirismos underground da década de 90, demonstram ter retido alguma da inocência a eles inerente, facto que resulta bem a favor do colectivo italiano. Apesar de simplista, a composição dos temas está bem conseguida e alcança sem dificuldades a atenção do ouvinte. A execução é competente, não havendo nada a apontar, assim como à produção, regular e equilibrada. O resultado final é um disco que tem a particularidade de nos fazer viajar no tempo, para uma época em que reinavam cassetes, cartas e fanzines. Não necessariamente imprescindível mas, no mínimo, saudável. [6.5/10] Jaime Ferreira

ANTERIOR ECHOES OF THE FALLEN

ARKONA SLOVO

AS HELL RETREATS VOLITION

METAL BLADE

NAPALM RECORDS

AIN’T NO GRAVE RECORDS

O segundo álbum dos ANTERIOR é um produto, segundo eles, da evolução matura enquanto banda desde do seu último projecto “This Age of Silence”, em 2007. Esta compilação de 10 faixas reflecte muito trabalho e homogeneidade, onde cada detalhe foi aperfeiçoado ao máximo. O grupo, oriundo de Inglaterra, formou-se em 2003 e desde aí já começou a marcar no mundo do metal, onde já acompanhou bandas como As I Lay Dying, DragonForce e 3 Inches of Blood. Ao longo de praticamente 45 minutos de música intensa, as primeiras impressões que se retiram deste álbum: muito headbanging, riffs épicas e composições sólidas e coesas. Para uma banda de melodic death metal, o grupo encontrou o rumo certo com este trabalho. Todo o dinamismo surpreende a cada música que, desde as vozes aos solos de guitarra, relembrando um pouco os últimos álbuns de Darkest Hour. Daí, ninguém diria que logo no segundo cd esta banda concretizaria algo deste nível. Não é qualquer álbum que tem tanto dinamismo e, bastando ouvir uma vez, nos fica a certeza de que não nos arrependeremos de voltar a clicar no Play e adicionar aos favoritos. Aconselho sem dúvida alguma, especialmente a terceira faixa, “Tyranny”, que me devastou musicalmente. Repito: de-vas-tou. “Echoes of The Fallen” saíra na Europa dia 26 de Agosto. Não se arrependerão. [9/10] David Oliveira

Sendo este o seu sexto álbum em sete anos, os Arkona (ou na sua língua materna, Аркона) são sem dúvida uma banda que pouco a nada tem a provar para demonstrar o seu estatuto e qualidade como banda, e Slovo parece apenas vir realçar o caso. Numa época em que se vêm uma multitude de bandas pagãs a emergir de terras eslavas, assim como se presencia a crescente popularidade do Folk Metal graças a bandas como Korpiklaani, Finntroll e afins, esta banda liderada pela senhora Masha “Scream” Arhipova consegue, no meio de isto tudo, manter um som próprio de si mesmo, assim como um certo ar de genuidade não muito comum, aspecto provavelmente ajudado pela insistência da banda de apenas cantar em russo, ignorando por completo a língua inglesa que outras bandas tanto favorecem. A música em Slovo, apesar de seguir a sonoridade tão típica de Arkona, não se torna repetitiva nem cansativa; coros são um elemento novo a assinalar -sendo algo incomum nos álbuns anteriores-, as vocais de Masha brilham tanto nos rugidos como nas partes límpidas, e os instrumentos etnicamente típicos como flautas e acordeão continuam uma constante, apimentando o som genialmente. Arkona mais uma vez demonstram que Folk Metal pode ser mais que apenas música de bebedeiras e festarola, e fazem-no com uma perícia própria, nunca desapontando. [7.5/10] David Horta

Os norte-americanos “As Hell retreats” estão de volta com o segundo registo discográfico da sua carreira intitulado “Volition”. Fundindo de forma muito feliz o Hardcore com o Metal, este é um disco inteligente, profundo, enérgico e feroz que tem como principal mote a evocação dos caminhos difíceis da Fé e da Crença e a procura do verdadeiro sentido da vida. O disco consegue reunir algumas faixas bastante interessantes como é o caso de “Young Heretic”, “Matriarch”, “Misanthropist”, “Creator (s)” e “Only hope”. Pode não ser um registo brilhante mas reflecte um trabalho sólido, muito rigoroso e competente destes rapazes. Vale a pena ouvir. [7/10] Rute Gonçalves


CHAOS IN PARADISE LET THE BLISS REMAIN AUTOR

Os “Chaos in Paradise” são uma jovem banda oriunda do Porto que explora essencialmente os caminhos do metalcore melódico. Depois da sua primeira demo lançada já em 2010, a banda regressa agora com o seu primeiro EP intitulado “Let the bliss remain”, um conjunto de 6 músicas produzidas por Pauulo Lopes dos SoundVision Estúdios. Há claramente uma evolução ao nível musical desde o lançamento da Demo, em especial quando falamos de Sara, a vocalista. Notam-se influências de bandas como “In this Moment” e nalgumas faixas, de “killswitch Engage”. As músicas são, de uma maneira geral bastante fortes, nomeadamente “Awareness” e “The Hunter”. “Let the bliss remain” é um registo interessante, que vive essencialmente das belas melodias e da excelente performance vocal e que dá muitas pistas para o futuro dos “Chaos in Paradise”. É um colectivo com muito potencial e com uma enorme margem de progressão, abrindo-nos o apetite para o que virá a seguir. [7/10] Rute Gonçalves

COLD SUPERFICTION

CRIMINAL AKELARRE

ELEVEN SEVEN MUSIC

MASSACRE RECORDS

Alguém aqui ainda se lembra do “velhinho” A Different Kind of Pain? Já lá vão seis anos, mudanças de editoras, um line-up inconstante e mil e uma confusões para seguir o projecto… Seis longos anos… Um afastamento dos escaparates demasiado longos para os fãs dos americanos COLD. Neste álbum há já tanto tempo aguardado, o quinteto volta-nos a trazer um post-grunge muito sui generis. Levou dois anos a gravar, mas Superfiction traz um pouco mais de peso do que álbum anterior, mas não deixa de ser um registo agradável, calmo, para os amantes de rock e para aqueles que gostam de ouvir outras coisas para além de ondas mais pesadas… Todo o registo tem uma carga emocional muito forte, das quais destaco Wicked World, American Dream ou Emily. Mesmo com guitarras enquadradas no estilo, sem se perder com riffs ou solos que não estariam em sintonia com o resto da música, o álbum assume um carácter melancólico e introspectivo. Tomemos por exemplo este refrão: I don’t want to be alone/I can find somebody new/ I don’t need you to go on/This is my religion… Dá que pensar… Ainda que melacólico, este Superfiction pode-se ouvir com a cara-metade num final de tarde agradável. [8/10] Narciso Antunes

Os Criminal lançam o seu 7º álbum de estúdio, intitulado “Akelarre”. A banda, de origem chilena e sediada no Reino Unido, tinha o grande desafio de superar “White Hell”, de 1999, bastante aclamado. “Akelarre” marca também a vinda de um novo guitarrista, Olmo Cascallar, que veio substituir Rodrigo Contreras. Em termos práticos, a diferença entre os dois guitarristas não é absolutamente notada neste novo álbum – todo o estilo se mantém, incluindo a pesada e intensa sonoridade que caracterizam os Criminal. “Akelarre” peca exactamente por isso – em relação ao penúltimo álbum, não existem grandes novidades ou diferenças. Não quer dizer que o que exista seja mau – não é, mas esperava-se que a banda arriscasse um pouco mais. Sendo assim, este álbum trata-se mais de uma continuidade ao que já vem sido feito, do que propriamente um novo lançamento de peso. No entanto, está lá tudo o que os fãs de trash metal podem desejar – muita energia, doses maciças de violência sonora, enfim, um bom entretém para alguns minutos em que se tenha vontade de partir tudo. As músicas são simplesmente bem feitas, e não faltam os poderosos riffs de guitarra. É de destacar a rapidez estonteante de “State Of Siege” e a faixa que fecha o disco muitíssimo bem, “La Santa Muerte”. Resumindo, trata-se de um lançamento com bastante coerência e unidade, embora não vá, nem nada que se pareça, revolucionar o seu género. [5.5/10] Íris Jordão

CROSSFADE WE ALL BLEED ELEVEN SEVEN MUSIC

A primeira impressão que temos de We All Bleed é que se trata de um álbum muito pessoal. Aqueles que conhecem um pouco da história da banda nos últimos anos, ficam com essa certeza: depois de Falling Away, o segundo álbum, não ter correspondido às expectativas, e a banda ter perdido o seu vínculo com a Columbia Records, Ed Sloan admite ter entrado em depressão, o que fez estagnar a banda, colocando em causa o seu futuro. Nem tudo é mau, porque este desaire criativo parece, no final de contas, ter feito bem à banda. Agora sob a alçada da Eleven Seven Música, trazem-nos um álbum deveras interessante. O novo guitarrista, Les Hall, parece ser responsável pelo equilíbrio musical atingido em We All Bleed, transformando-o numa experiência catártica ao invés de um explorar deliberado das fraquezas da banda. A faixa de abertura, Dead Memories, é talvez a mais densa de todo o álbum, embora exista uma atmosfera tensa nos restantes temas, muito devido aos longos acordes eléctricos, usados com o claro propósito de evocar o caos. No seu todo, este álbum resulta porque se integra naquilo que, musicalmente, se esperaria dos Crossfade, com alguns elementos de bónus, como é o caso da qualidade das letras. É por isso um bom regresso depois de um período menos bom. [8/10] Vanessa Correia


DAMIEN’S TRAIL OF BLOOD THE BEGINNING OF THE END

DARKSIDE OF INNOCENCE LUX OMEGA

DEF LEPPARD MIRROR BALL

AUTOR

AUTOR

FRONTIERS

Demian’s Trail of Blood foi um projecto que nasceu em 2006 derivado de elementos de vários projectos nacionais como Process of Guilt, Sigma e Mythus, sinal de um conjunto de diversas influências que torna a música deste álbum bastante rica. A começar pelo passo lento e introspectivo de “Salmo” acompanhado por um poema belíssimo cantado na língua lusa com um tom de dor e sufoco que vai fluindo naturalmente para “Sinking Dreams”, onde as tonalidades mais Thrash, Death e Core ganham mais importância, reinando até ao final. É no entanto os pormenores que derivam da experiência deste colectivo alentejano a evidência mais relevante deste trabalho, pela frescura que contribui à potente meia-hora aqui proporcionada, como por exemplo as quebras mais Doom de “Crawl!” e “The Greatest Story Ever Told”, no meio do caos que leva o ouvinte a um headbanging desenfreado. Para acabar a fantástica música instrumental e emotiva “The Beginning of the End”, o tema-titulo  que finaliza da melhor maneira este registo e a provar que este conjunto deve ser acompanhado no futuro. Do resto é deixar os riffs deste trilho de sangue ganhar forma contagiando o povo e admirar mais um excelente trabalho a sair da furna nacional este ano, depois dos recentes trabalhos de Switchtense e W.A.K.O. , a provar que o Metal Português está de muito boa saúde! [9/10] Bruno Farinha

Este novo registo dos Darkside of Innocence é constituído por 4 temas instrumentais e tem uma duração total de 10 minutos aproximadamente. Neste trabalho respira-se influências clássicas e orquestrais, pois “Lux Omega” é uma obra recheada de teclados e atmosferas melancólicas extremamente belas, preenchidas por memoráveis passagens de violino e flauta que simplesmente servem para deambular um pouco a alma, fechar os olhos e sentir a calmaria antes da tempestade. O grande problema deste disco é mesmo ser tão curto e não deixar desenvolver os sentimentos do ouvinte, como se antes do clímax musical o som fosse cortado e deixasse a pessoa pendurada sem saber o que viria a seguir. O que se ouve aqui é extraordinário e evolvente sem nada negativo a apontar tirando o tempo de antena. Pode-se dizer que “Lux Omega” é uma espécie de interlúdio para o que poderá vir a seguir desta banda lisboeta e serve como que um intervalo para dar tempo que os problemas internos no seio do conjunto se resolvam. Se o single antes lançado, dado pelo nome “Cerberus” para o suposto segundo longa-duração “Xenogenesis” com a sua sonoridade Black Metal de toadas progressivas, vai ser o caminho escolhido? Há que esperar, mas com certeza a qualidade continuará presente. [7.5/10] Bruno Farinha

Foram vários anos de espera por parte dos fãs dos míticos Def Leppard por um álbum ao vivo e, finalmente, é lançado “Mirror Ball – Live & More”. Este lançamento mostra que estes dinossauros estão bem vivos e recomendam-se. A sua energia e tenacidade mantêm-se, para gáudio dos ouvintes. No entanto, com um repertório musical tão grande, pedia-se mais diversidade na composição da setlist. Com tantos anos de carreira, esperava-se encontrar mais clássicos que realmente mostrassem o que os Def Leppard construíram ao longo de muitos anos. Por isso, os fãs mais acérrimos poderão ficar algo desiludidos com as escolhas da banda, até porque os temas mais recentes são algo mais “pop” do que os primórdios, e perdeu-se algum do peso inerente aos primeiros álbuns. Setlist à parte, a performance ao vivo é realmente muito boa, e o facto de as músicas terem sido retiradas de vários concertos deu a hipótese de se escolher o melhor entre o que foi feito. Não só de grandes êxitos vive este CD duplo e DVD, pois são apresentadas também 3 novas faixas de estúdio – “Undefeated”, “Kings of the World” e “It’s All about Believin”. De destacar “Kings of the World”, onde se nota perfeitamente a influência de Queen, com vários efeitos nas vozes e acompanhamento de piano. Em suma, é um grande e esperado lançamento, que reúne espectaculares performances e merece portanto toda a atenção. [7/10] Íris Jordão

DECAPITATED CARNIVAL IS FOREVER NUCLEAR BLAST

A primeira impressão que temos de Carnival Is Forever é que a banda parece ter jogado pelo seguro. O que não é de surpreender, nem tão pouco reprovável, porque a formação é diferente da original, restando apenas um membro da composição original, depois do acidente de viação que haviam sofrido em 2007. O estilo musical parece ter sofrido algumas alterações, nomeadamente nas diferenças entre o vocalista Rafal neste álbum e Covan no álbum anterior, Organic Hallucinosis. É de louvar a atenção tida na escolha no novo vocalista: não se procurou uma voz semelhante à do vocalista anterior, e sim alguém que se conseguisse encaixar na banda e que conseguisse trazer algo de novo. Há em Carnival Is Forever um bom equilíbrio entre as faixas mais densas e fortes e faixas mais calmas, como é o caso da instrumental Silence. E é este equilíbrio que faz com que este álbum se distinga do anterior, embora ainda se sintam algumas semelhanças ao nível de estilo. No entanto, Carnival Is Forever distingue-se porque faz uso da base musical anterior, transpondo-a para um novo território, principalmente pela diversidade de acordes usados, algo nunca visto ou pelo menos não tão explorado nos álbuns anteriores. Isto faz de Carnival Is Forever um álbum de sonoridade cheia, que mesmo depois dos contratempos sofridos pela banda, conseguiu presentear o público com um álbum coerente, equilibrado e que nos faz aguardar com expectativa os próximos trabalhos desta banda. [7/10] Vanessa Correia


ENTH ENTH

FUTURO PRIMITIVO COMPILAÇÃO

SOLITUDE PRODUCTIONS

YANS RECORDS / CCC

Vindos da Polónia, os Enth lançaram o seu primeiro registo, ao auto-intitulado EP (lançado em vinil e com edição limitada) composto apenas por dois temas. A banda pratica um Doom extremo, algures entre os primórdios do Death/Doom e o Funeral, cantado em polaco e inglês. A atmosfera reinante, sem surpresa, é de apatia - onde predominam as melodias de guitarra gémeas, havendo uma ocasional intervenção acústica e dos teclados. A produção é sofrível e não ajuda a tornar mais claros alguns dos apontamentos melódicos das variações ao conjunto de riffs cíclicos aqui patentes. Contudo, não envergonha a quem se aventura na estreia de um lançamento underground. Ao contrário do que é comum no género, este quarteto não aposta muito em variações mais pesadas ou rápidas que possam servir de contraponto à cadência lenta das composições. Apenas durante escassos segundos é que tal sucede, em ambas as músicas - o que é pena. Como tal, é provável que este álbum não agrade a todos os fãs do género. Apesar da falta de “rasgo”, onde se lamenta a falta de alguma experimentação, fica a curiosidade para os seguidores do género, na esperança de um futuro mais auspicioso. Com as devidas diferenças, é recomendável aos apreciadores de The Ethereal ou Tyranny. Uma nota final apenas para destacar a aposta na qualidade da edição em vinil. [5.5/10] José Branco

Apesar de ter sido lançada há alguns meses, chega agora às nossas mãos esta compilação de origem nacional. “Futuro Primitivo” é a banda sonora para a nova antologia da Associação Chili Com Carne, com o mesmo nome, e para a exposição que este colectivo artístico tem levado e continuará a levar por esse mundo fora – tendo a próxima paragem marcada para um evento de Banda Desenhada em Helsínquia (em Setembro). Os participantes do disco são artistas da editora de BD da Chili com Carne (músicos e não-músicos) a quem foram pedidos ficheiros áudio para servirem este conceito multidimensional. Ao longo de cerca de uma hora, encontramos 17 temas encadeados num conceito futurista apocalíptico. Categorizar este álbum é um desafio. É ver misturados tribalismos, futurismos, temas ambiente típicos de banda sonora, dark ambient, experimentações electrónicas e até música de carrossel. No seu todo, há uma coerência interessante neste “Futuro Primitivo”, a servir o conceito do projecto – que projecta estes sons para a imagem dos comics. Este é um conjunto de ecos de uma sociedade distorcida, que vagueia pelas cinzas da destruição. Aliás, o título da compilação resume bem o que esperar. Uma viagem sinuosa, um conceito original e bem conseguido. Está também prevista para breve a edição do livro “Futuro Primitivo”. [6.5/10] José Branco

GHOST BRIGADE UNTIL FEAR NO LONGER...

KITTIE I’VE FAILED YOU

SEASON OF MIST

MASSACRE RECORDS

Ao terceiro álbum os finlandeses Ghost Brigade continuam o périplo pela experimentação, alheios a fronteiras entre géneros musicais. “Until Fear No Longer Defines Us” caracteriza-se por um equilíbrio difícil, mas nada estranho para este quinteto, entre o Metal, Death melódico, Doom, Sludge, progressivo e alguns momentos acústicos. No cômputo geral, sobressai a qualidade da composição, numa banda que exibe um sentido melódico apurado e uma assinalável maturidade, já patente no anterior “Isolation Songs”. Aliás, as mais-valias dos Ghost Brigade estiveram à vista de todos no Vagos Open Air de 2010. Na sempre difícil tarefa de comparar, é impossível não reconhecer Swallow the Sun nalguma da instrumentação, Amorphis na voz limpa e Katatonia nalguns leads de guitarra. E, sem surpresas, a solidão e o isolamento continuam a ser o núcleo das letras. Mas, desta feita, os Ghost Brigade surgem com uma fórmula refinada para a sua toada melancólica. No novo registo é de salientar alguns pormenores que o diferenciam dos antecessores, nomeadamente na criação de crescendos e dinâmicas mais vincadas, sublinhadas por uma produção grandiosa. O grupo conjuga melodias exuberantes com secções de latente brutalidade e sabe, mais do que tudo, usar de forma exímia a atmosfera, o que confere uma multi-dimensionalidade apetitosa aos temas e a este álbum. [8/10] José Branco

Ainda não foi desta… Ainda não foi desta que as “londrinas” (de Londres, Ontário, Canadá!) Kittie nos voltam a trazer um grande álbum, uma grande música, como a já velhinha Brackish. Nascidas do “infame” movimento nu-metal, em meados dos anos noventa, o quarteto composto apenas por meninas, fez um bom trabalho, é certo! “I’ve Failed You” é um álbum consistente e bem pesadão, mas que lhe falta qualquer coisa… Falta-lhe algo de majestoso, de diferente, de único… As Kittie bem tentam, bem tentam, mas, ainda não foi desta. Talvez devido ao facto das constantes mudanças na line-up, que não lhes traz solidez para criarem um quarteto perfeito… Só as manas Lander (guitarra e voz, bateria e voz) continuam a marcar presença no que já é o sexto álbum da banda, no entanto, desde 2007 que ninguém sai da banda. Digno de registo ficam: a voz da Morgan, que continua a conseguir gritar como nos habituou ao longo dos anos; a mistura, edição e todo o trabalho técnico. Relativamente às faixas, em si, “Empires (part I)” e a “Empires (part II)”, “Already Dead” e “Ugly” são faixas que se recomendam. Ficamos à espera do próximo álbum, para ver que elas são mesmo boas… artistas. [6.5/10] Narciso Antunes


MINUSHUMAN BLOODTHRONE

KRUM BUMS CUT THE NOOSE

MAJESTY OWN THE CROWN

PEOPLE LIKE YOU RECORDS

MASSACRE RECORDS

SEASON OF MIST

Os Punk Rockers de Austin, Krum Bums regressam em 2011 com o álbum “Cut the noose”, mais uma descarga de puro Hardcore. Com uma reputação invejável ao nível das suas performances ao vivo, os Krum Bums preparam-se para uma digressão conjunta com os “Holy Grail” e os “Toxic Holocaust”. “Cut the noose” é essencialmente, um disco de Punk, que toca também o Trash e o Metal e que revela uma banda simultaneamente mais preocupada com as linhas melódicas sem esquecer, no entanto, as doses certas de energia e agressividade. Temas a ter em atenção são “Action City”, “Starving Wolves”, “Gasoline”, “Injection”, “Hit and run” e “High Highs, low lows”. Os Krum Bums surgem assim explosivos em “Cut the Noose”, redefinindo de alguma forma a sua sonoridade e presenteando os fãs com 14 faixas de puro e duro Punkrock. The boys are back in town… e ainda bem! [8/10] Rute Gonçalves

Depois de um percurso algo atribulado, de terem mudado o nome de “Magesty” para “Metalforce” e posteriormente terem regressado ao nome original, este colectivo germânico lança agora “Own the crown”, um disco que reúne os maiores êxitos da sua carreira. Formados em 1998 e com claras influências de bandas como Judas Priest e Manowar, os “Magesty” contam com 4 álbuns editados e muitos quilómetros de estrada no currículo. “Own the crown” é uma obra preciosa para fãs de Heavy Metal clássico e para os seguidores da banda: 23 faixas que fizeram história ao longo dos anos como é o caso de “Freedom warriors”, “Snow in the mountains”, “Halloween” e “Geh den weg” e a oferta de duas faixas novas: “Own the crown” e “Metal on the road”. É um disco repleto de raridades, versões re- gravadas e ao vivo e também faixas das primeiras demos da banda. Uma antologia bastante interessante de uma banda que se mantém fiel ao seu estilo e não deixa os seus créditos por mãos alheias. [7.5/10] Rute Gonçalves

Há quem associe a França a Édith Piaf ou Yann Tiersen. Por outro lado, há quem associe França aos Gojira e… aos Minushuman! Este quinteto Francês oferece neste segundo registo de longa duração um metal agressivo, técnico e cheio de músculo e brutalidade. Segundo a banda, foram inspirados por Strapping Young Lad, The Haunted e Metallica, dando uma ideia do que se poderá esperar deste “Bloodthrone”: rapidez, distorção e grandiosidade. O sucessor de “Watch the World Die”, traz-nos 10 faixas de puro metal, que vai aumentar a notoriedade da França como um país bastante fértil em ondas mais pesadas e obscuras. Neste “Bloodthrone”, assinado pela Season of Mist, saliento “The Size of an Ocean”, a épica “Bloodthrone” ou a instrumental “Kill me” faixas muito bem conseguidas e que nos prendem e marcam. Talvez pela sua involvência ou pela sua simples genialidade… Ainda que já andem por estes lados há mais tempo do que se possa imaginar (sob o nome de Dark Poetry), os Minushuman cresceram muito, conseguindo alcançar um patamar de profissionalismo ainda superior aos trabalhos que fizeram no passado, especialmente entre os três anos que se passaram entre os dois últimos álbuns. É um bom registo, que vai surpreender e deliciar os ouvidos de muito metaleiro. [7/10] Narciso Antunes

MORBID ANGEL ILLUD DIVINUM INSANUS SEASON OF MIST

Muitos fãs da Banda Morbid Angel não lhe perdoarão este Illud Divinum Insanus (O latim pode estar morto, mas as bandas de metal não falam outra coisa). Irão estranhar-lhe a estética musical e as fusões com outros géneros como o Pop ou o Hip Hop, mas acima de tudo não lhe reconhecerão a qualidade e a natureza verdadeiramente death metal. O retorno de David Vincent, fazia antever um rumo que não veio a concretizar-se e que de alguma forma defrauda algumas expectativas. Se calhar, um estranho à cultura death metal aderirá melhor a esta experiencia e não será tão cáustico na apreciação das melodias. Mas é um facto que não basta que uma banda se apelide de “Extrema” para o ser verdadeiramente. Na maior parte das composições a bateria é o elemento mais marcante sendo as guitarras menos evidentes e em alguns pontos até um pouco mastigadas. O contraste entre o som e a sua ausência é uma das formas encontradas para dar dinâmica e criar atmosfera. Chega a ser quase uma linguagem. Este é um ponto positivo. Já os coros em tom de jogo para a taça da liga, ficam um


pouco desenquadrados em “I am Morbid”. “Blades for Baal” é provavelmente a melhor música do álbum pelos padrões Death Metal. É intensa e consistente. Até os mais críticos terão de admitir que está bem conseguida. Em “More Dead” ouvem-se uns rifs em vertigem que agradam. Curiosamente, a tão criticada “Radikult” que começa pé ante pé, tem uma certa musicalidade cinematográfica no final que não deixa de ser interessante. Mas com certeza será repudiada pelos puristas. Mal ou bem este é um álbum que põe as pessoas a discutir música. Um costume de há uns quantos anos atrás, em que a malta levava o vinil debaixo do braço, ouvia e depois trocava ideias, por vezes de forma acesa. Por isso, se por mais não fosse, o álbum já valeria a pena. Sendo certo, que é sempre possível fazer o que fazem as nossas rádios hoje em dia e passar a faixa “Blades for Baal” over ando over. Graficamente o álbum tem uma estética apelativa. [6.5/10] Mónia Camacho

NEPHROLITH XULLUX HALIAETUM

Mais uma prova que o metal de qualidade já não é um movimento para os iluminados de alguns países ou regiões mais afortunadas. O que alguns deixaram para trás, outros reavivam. É o caso dos Eslovenos Nephrolith! Neste XULLUX, o seu primeiro álbum de longa duração, o grupo consegue levar-nos a paragens bem negras. Não os fiordes, nem as florestas intermináveis da Escandinávia, mas cenários longínquos e obscuros nos Balcãs. As faixas, na sua maioria, são de média duração – 4/5min – fazendo-o um registo rápido e brutal, carregado de riffs. A viagem de “Alpha” a “Omega”, transporta-nos por umas bem pesadas “Abandoned Essence pt. I & II”, “Tale of Conquering Dusk” ou um surpreendente “Intermezzo”. Na voz, Nerthag revela notas realmente fortes e concisas com o resto do grupo. Na bateria, Navtyr evita os blastbeats repetitivos, substituindo-os por um leque alargado de ritmos e cadências. Para um primeiro trabalho, quer da banda, quer da editora de um país que normalmente não se associa ao metal, os Nephrolith demonstraram o seu potencial negro e que, de onde menos se espera, a horda mais obscura do metal está lá à espreita. Nota final: será que os Nephrolith (nefrólito em português) sabem que tal palavra significa “cálculos nos rins”? Nome curioso... [8.5/10] Narciso Antunes

NIGHTBRINGER HIEROPHANY OF THE OPEN GRAVE SEASON OF MIST

Hierophany of the Open Grave é um álbum de homenagem ao lado mais obscuro da religião, do caos e do conhecimento, trazida pelos Nightbringer, segundo os próprios, uma banda que “escolheu o black metal ortodoxo como a base da sua expressão artística”. E é isso mesmo que fazem! Só pela capa do álbum se consegue vislumbrar o que se poderá encontrar neste registo. Esta ilustração, carregada de simbologia esotérica parece uma homenagem aos lugares mais recônditos da alma. É sem dúvida um álbum bastante negro, com um carácter carregado e blasfemo. Fará as delícias para aqueles que vivem no lado mais obscuro da vida. Uma hora de faixas como “The Rite of the Slaying Tongue”, “Psychagogoi”, “The Gnosis of Inhumation” realçam o que vai lá no fundo, trazendo à superfície sensações difíceis de experimentar. Os coros, usados aqui e além, dão uma sumptuosidade musical bastante complexa, que é completada com passagens melancólicas e arrastadas, que se revelam perturbadoras. “Hierophany of the Open Grave”… Obra digna de uma colecção musical mais negra e que irá fazer as delícias aos corações mais negros no meio metaleiro. [8/10] Narciso Antunes

NIGHTRAGE INSIDIOUS LIFEFORCE RECORDS

Dois anos depois, os Gregos/ finlandeses Nightrage voltam à carga com mais um álbum de death metal melódico, prova de que o estilo ainda tem muito para dar. Enquanto algumas bandas do género seguem outras linhas mais modernas, os Nightrage continuam pelo caminho de sempre. O que, de longe, não é necessariamente mau! Este quinto álbum, é a prova de crescimento e amadurecimento do grupo, onde a produção exemplar se ficou a dever ao estúdio grego Zero Gravity. A faixa título é tão veloz e agressiva que se envolve nos ouvidos e no corpo, sem nunca perder a melodia, de riffs homogéneos e consistentes com o resto da faixa. Marca e fica no ouvido pelas melhores razões. Sham Piety, uma faixa mais introspectiva, é bastante complexa, recheada de riffs e solos, mas, ainda assim tem tanto peso que não perde o contexto, dentro de todo o álbum. A voz de Antony Hämäläinen consegue criar uma atmosfera pesada e rápida, mas em faixas como “Wrapped in Deceitful Dreams” ou “Solar Corona”(imensa!!), mostra-nos uma faceta mais suave e melódica, sem nunca perder força, trazendo uma beleza negra a toda a música. Este quinteto helénico/finlandês prova que durante uma crise, a arte, sobretudo a música e o metal têm terreno fértil para crescer e prosperar. 15 faixas para ouvir até ao fim… até o pescoço ficar a doer! [9/10] Narciso Antunes


NINE COVENS ON THE COMING OF DARKNESS

PURTENANCE MEMBER OF IMMORTAL...

CANDLELIGHT RECORDS

XTREEM MUSIC

Dos Nine Covens, pouco ou nada se sabe... Apenas que são ingleses e membros de outras influentes bandas de metal da última década. E que este “...On the Coming of Darkness” é o seu disco de estreia. O álbum encontra-se dividido em quatro partes, num total de nove músicas, e começa com um tema inteiramente neo-clássico, a fazer lembrar Ataraxia ou Trobar de Morte, de onde se dá a partida para cerca de quarenta minutos de black metal clássico. Muito bem compostos e executados, os temas destilam experiência e bom gosto, apesar de não primarem pela originalidade. Distinguem-se, sobretudo ao nível dos riffs penetrantes e arrebatadores, “Resided to the Darkness, Fall” e “A Friendless Exile”, mas todo o disco proporciona que nos deixemos enredar no seu tenebroso conceito. A produção é absolutamente exímia, portadora de um total profissionalismo e respeitando os valores actuais, sendo um excelente contributo para o enobrecimento dos poderosos temas. Realço a estratégia de marketing dos membros do colectivo que - sejam eles quem forem - optaram por permanecer no anonimato ao invés de puxarem pelos galões para assim mais facilmente divulgarem a sua obra. Sinceramente, pouco me importa quem são, de onde vêm ou para onde vão. Apenas que estou na presença de um excelente trabalho de black metal, que fervorosamente recomendo. [8/10] Jaime Ferreira

Lançado no distante ano de 1992, “Member of Immortal Damnation” foi o longa-duração de estreia de um promissor quinteto finlandês que tinha auferido algum seguimento na cena underground europeia com a demo homónima e o 7” EP seguinte. Bastam alguns segundos da introdução para darem a noção da qualidade do que se segue. Bem ao nível dos colossos do death metal que à data ditavam as regras, tais como Death ou Obituary, os Purtenance incorporaram nas suas composições todas as características que elevaram o estilo à perfeição que atingiu durante essa década - a simbiose da agressividade com as partes acústicas e os teclados sombrios, aliada a uma execução exímia e uma variedade vocal que não se limitava a grunhidos monocórdicos. Todo o álbum está pensado de forma homogénea e funciona como um todo, pelo que é difícil destacar temas - é mesmo para ser ouvido na íntegra, sempre com a consciência de estarmos na presença de um trabalho excepcional. Inexplicavelmente, a carreira dos Purtenance viu o seu fim pouco depois da saída do disco, deixando assim em suspenso um nome que poderia hoje ser uma referência em termos de death metal. Ao nível da reedição, o disco foi remasterizado, soando cristalino mas sem perder a mística da era; a acompanhar, estão os supra-citados demo e single. Parabéns à Xtreem Music pela exumação deste clássico. [8.5/10] Jaime Ferreira

REGARDLESS OF ME PLEASURES AND FEAR

RÊX MÜNDI IHVH

UNEXPLODED RECORDS

DEBEMUR MORTI

O quarteto italiano “Regardless of me” regressa aos discos com “Pleasures and fear”, 2 anos depois do seu álbum de estreia “The World within”. A banda continua apostar no Death Metal melódico e progressivo, tendo como principal arma de arremesso a performance irrepreensível da vocalista, Pamela Manzo. O disco revela 9 faixas muito interessantes, bastante poderosas e frenéticas, com uma aposta muito clara na intensidade dos teclados e na agressividade da bateria. São exemplo disso “Untill I die”, “From a darkened sky”, “Made of steel” e “My bitter end”. A surpresa do registo surge com uma versão de “Frozen” da Madonna, música bastante improvável para fazer parte de um disco de Death Metal. Em suma, “Pleasures and fear” é um bom disco, e mesmo não conseguindo atingiro estatuto de brilhante, consegue manter o nível atingido no primeiro álbum, revelando uma banda bastante competente e coesa. Sem dúvida, um bom esforço. [7/10] Rute Gonçalves

Álbum de estreia do obscuro grupo francês, “IHVH” chega aos escaparates seis anos depois do lançamento da demo com o mesmo nome. Com cinco temas regravados e apenas dois completamente novos, a proposta dos Rêx Mündi baseia-se num black metal relativamente simplista, que alia secções rápidas a invocações e passagens vagarosas. Competente na execução, o quarteto mostra-se confortável na cena em que se insere, mas isso por si só não é suficiente para criar um disco que sobressaia nos dias que correm. E esse é o principal problema deste trabalho - não tem nada de muito mau, mas também nada de muito bom. Possivelmente, o melhor momento do álbum encontra-se em “Naphtali” que, não sendo brilhante, é o que proporciona maior satisfação, tanto pelos riffs bem conseguidos como pela hábil composição. Os restantes temas são caracterizados por uma linearidade que acaba por determinar o cunho de todo o disco. Apesar do latente potencial, não existe nada nos Rêx Mündi que os distinga de um sem número de bandas que aparecem e desaparecem com enorme frequência. Necessitam, sobretudo, de encontrar uma identidade que os particularize, aspecto em que até à data falharam redondamente. Feitas as contas, “IHVH” é um disco mediano que não aquece nem arrefece, condenado ao esquecimento após um par de audições. [5/10] Jaime Ferreira


SALTATIO MORTIS STURM AUFS PARADIES

SEMBLER DEAH KAESSARIAH

SHE WANTS REVENGE VALLEYHEART

SILVERDOLLAR MORTE

NAPALM RECORDS

HYPERTENSION RECORDS

ELEVEN SEVEN MUSIC

MASSACRE RECORDS

Os germânicos Saltatio Mortis, trazem-nos, dez anos depois da sua estreia nos escaparates, com “Tavernakel”, oferecem-nos agora “Sturm Aufs Paradies”, que, fazendo jus ao nome, é uma verdadeira Tempestade no Paraíso. Ao longo dos cinquenta minutos de rock mesclado com influências “folk”, este grupo, liderado por Alea der Bescheidene (Alea, o Modesto), levam-nos a cenários medievais, predominadas por castelos, casas de campo, pastagens verdes, gente a trabalhar nos campos e… reis, cavaleiros e pajens, batalhas e estandartes, cavalos e armaduras do séc. XII! É um álbum épico, onde sua grandiosidade está muito bem distribuída ao longo das faixas, que vão passando sem se dar conta. O “tradicional” quarteto voz-guitarra-baixo-bateria é complementado por um sem número de efeitos “ambient”, bem como gaitas de foles, charamelas, davulas, bouzouki irlandês, binious, harpas e muitos outros instrumentos, que trazem uma versatilidade de sons e tons muito colorida e dinâmica. A tradução e interpretação das letras ficam ao critério dos fãs, visto que estão integralmente em alemão… Recomendo “Hochzeitstanz”, “Ode an die Feindschaft”, “Orpheus”(com vozes femininas) e “Fiat Lux”. [8.5/10] Narciso Antunes

Sembler Deah é um trio bélgico que nos apresenta aqui um sólido disco de Dark Ambient/Drone de nome Kaessariah Heel een Leven Lang, um trabalho dividido em quatro faixas. A sonoridade é algo que qualquer fã de Dark Ambient irá achar bastante conforme os quadrantes do género; longas faixas de tons arrastados que se dissipam no ar e na escuridão, e o som, apesar de dissimulado e até subvertido, é sempre uma constante. Ruídos de um teor mais industrial ou até mecânico são uma característica típica na sonoridade deste cd, porém mais audíveis na primeira faixa doque nas demais. O ambiente que se tenta aqui alcançar tem o seu quê de sinistro e etereal, lembrando por vezes uns Lustmord, se bem que uma versão extremamente mais light e menos perturbadora. No percurso na tentativa de se criar este ambiente, contudo, poder-se-ia dizer que foram cometidos alguns erros, tais como variar muitíssimo pouco a nível sonoro em cada música tendo em conta o seu comprimento, tornando-se as mesmas algo repetitivas e a sua atmosfera como que perde profundidade por isso. Contudo, a segunda faixa contradiz um pouco essa monotomia quando introduz umas notas de guitarra (acústica?), trazendo um pouco mais de variedade, assim como a terceira faixa que parece elevar a profundidade da atmosfera. Um disco sólido, mas não indispensável. [5.5/10] David Horta

Quatro anos depois do álbum “This is forever”, e depois de terem criado a sua própria editora discográfica, a dupla de Los Angeles “She wants Revenge” regressa aos discos com “Valleyheart”, um conjunto de canções bastante mais “Dark” do que anteriormente já tinham feito. Com algumas influências dos “The Cure” e dos “Depeche Mode”, “Valleyheart” surge como um registo mais despido do som dos sintetizadores do que o anterior disco, passando o protagonismo para a intensidade das guitarras e da voz. O que não falta são músicas para destacar: “Must be the one” (o primeiro single do disco), “Up in flames”, “Maybe she’s right”, Suck it up”, “Holiday song” e a minha preferida do álbum”Reasons”, são exemplos de grandes temas que apetece ouvir em modo repeat. “Valleyheart” apresenta uma interessante fusão entre o Rock e a Pop dançável e traça um caminho auspicioso para os “She wants revenge” que surgem aqui com a sua intensidade e originalidade a 100%. Excelente trabalho. A não perder. [8.5/10] Rute Gonçalves

A banda sueca Silverdollar escolheu Morte para dar nome ao seu último trabalho. Estranhamos a palavra que pertence à nossa língua, e ficamos a saber que a partilhamos com a italiana, que também a usa. Mas voltando ao álbum e à sua sonoridade, diremos que tem momentos muito interessantes. É daqueles em que na era vinil deixaríamos cair a agulha nesta ou naquela parte, dizendo ao amigo mais próximo: Ouve isto. A voz remete-nos vagamente para o estilo Opera Rock e é sem dúvida um dos pontos fortes do álbum, dando-lhe intensidade e carisma. As guitarras apresentam-se vibrantes e exploradoras, mostrando um tom épico em algumas faixas, como seja “H.F.”. É um falso pesado este álbum. Os temas tratados e os arranjos, contrastam com uma certa doçura na vocalização, o que o torna apelativo. A noção de movimento é outra constante. Embora no geral, não se afaste muito, de uma linha tradicional no género musical a que pertence, o álbum tem detalhes que lhe dão originalidade, por exemplo o discurso de Al Gore acompanhado por um piano intrigante numa música que depois se assume pela sua cadência. Ou o início de “Rot” que depois evolui para um som mais denso. É um álbum com alguma fusão com outras sonoridades, mas sem perder a identidade que lhe serve de base. O trabalho de artwork, está bem conseguido e transpõe algumas ideias contidas nas letras. É uma audição capaz de proporcionar bons momentos. [8/10] Mónia Camacho


SKALD VITTERLAND

SKÁLMÖLD BALDUR

SLEEPING GIANT KINGDOM DAYS IN AN EVIL AGE

UNEXPLODED RECORDS

NAPALM RECORDS

AIN’T NO GRAVE RECORDS

Após um par de demos e um par de Eps, eis que nos chega o primeiro álbum propriamente dito do duo sueco Skald. O género aqui presente é Folk Metal, mas tendo em conta os parâmetros mais habituais do Folk ao que estamos habituados, este é um Folk muito mais sóbrio e contido, sendo a presença de instrumentos tradicionais mantida a um mínimo, sendo até difícil reparar na sua presença durante a maioria do álbum, sendo as melodias responsabilidade que recai quase na sua totalidade nos riffs de guitarra que, diga-se de passagem, são bastante interessantes. O álbum divide-se ao longo de 10 trilhas, que infelizmente, talvez devido aos mencionados riffs de guitarra (ou não(, começam-se a tornar algo repetitivas a certa altura, sendo difícil distinguir uma de outra. As vocais como que faladas, com severa falta de rugidos ou até cantos limpos, não ajudam de todo ao quebrar a monotomia que se instala após duas ou três músicas. Dos poucos mais-valia em “apimentar” a experiência, nota-se algumas (raras) passagens de guitarra acústica e a última faixa, que a banda decidiu apresentar em forma de black metal, pelo menos na sua maioria. Nota-se que existe algum talento na banda, mas talvez a inspiração tenha faltado, ou simplesmente precisem de mais amadurecimento até conseguirem apresentar um trabalho verdadeiramente memorável. [4.5/10] David Horta

Eis que chega uma excelente surpresa da gelada Islândia. “Baldur” é a estreia dos Skálmöld – e, não fazendo a coisa por menos, estamos perante uma jóia do Metal épico. Originalmente editado em 2010, este registo surge agora reeditado com dois temas extra. Logo os primeiros temas começam por captar a atenção do ouvinte devido à brilhante utilização dos coros (tipicamente islandeses) conjugada com vocalizações guturais (embora, nem sempre felizes estas sejam felizes, uma vez que, ao contrário dos restantes elementos, parecem não se adaptar às diferentes atmosferas existentes ao longo do disco). É certo que as melodias e instrumentação tipicamente folk estão lá, conjugadas com mudanças de velocidade. Amon Amarth, Ensiferum e Iron Maiden são referências sobretudo nas magníficas melodias de guitarras (poderosamente Metal) e nos teclados épicos. Em “Baldur” é descrita a odisseia de um viking que decide vingar um demónio que lhe roubou o direito a uma vida normal. Mas desengane-se quem pense que os Skálmöld seguem os padrões esgotados que por aí pululam. São as diferentes atmosferas que servem o conceito que acabam por surpreender. A poesia e mitologia islandesa são uma presença vincada e o teor ora festivo ora obscuro conferem uma dualidade constante a este álbum que o torna original. Um must have para os amantes de Viking Metal. [7.5/10] José Branco

Directamente da Califórnia, os Sleeping Giant voltam á ribalta com o 3º álbum da sua carreira “Kingdom days in all evil age”. Formados em 2006, auto-intitulam-se uma banda de Christian Metal e a sua principal missão, para além de fazer música é espalhar a mensagem e o Amor de Jesus Cristo. É possível fazer convergir Death Metal e adoração a Jesus? Estes rapazes fazem-nos acreditar veementemente que sim, num disco totalmente dedicado á figura de Jesus Cristo e ao poder do Espírito Santo. A mensagem é muito claramente espelhada em temas como “The cross is suicide”, “Tithemi”, “Jehova Shalom”, “Unnamable name”, “Father to the Fatherless” e “Holy is the lamb”. “Kingdom days in an evil age” é um trabalho diferente e único, com uma enorme diversificação de faixas e onde ressalta o talento criativo das letras de Thom Green. Sem sombra de dúvida, surpreendente. [7/10] Rute Gonçalves

STEVE HACKETT BEYOND THE SHROUDED HORIZON INSIDEOUT MUSIC

Para quem não conhece este Senhor, Steve Hackett foi um dos guitarristas dos Genesis, que deixou para trás a banda em 1977, em busca de uma carreira a solo, que conta com 23 álbuns de originais! E muito bem fez ele! Beyond the Shrowded Horizon irá chegar às lojas em Setembro, e, sem dúvida, é um registo digno de se comprar. Ao ouvir estes 58 minutos de puro rock alternativo/clássico/ progressivo, com influências de blues e música ambient reforcei a minha ideia de como a música pode ser bela. As treze faixas são compostas por ambiências muito complexas, cheias de riffs super técnicos, mas, ainda assim, não deixam de ser catchy e entram muito bem no ouvido. Posso dar como exemplo a “A Place Called Freedom”: o que é isto? É simplesmente um orgasmo dos ouvidos: um solo de guitarra longo, mas muito bonito, efeitos da natureza e um refrão que nos põe logo a cantar “A Place Called Freedom”… Na faixa “Waking to Life” os solos da guitarra, misturados com a voz de Amanda Lehmann e a cítara ou o clarinete, oferecem um exotismo riquíssimo ao álbum. A atmosfera é tão bem criada que nos chovem imagens de um país perdido no médio oriente. Há já muito tempo que não ouvia um álbum tão bonito, na verdadeira ascensão da palavra! Obrigatório! [10/10] Narciso Antunes


SUICIDE SILENCE THE BLACK CROWN

SVARTSOT MALEDICTOS ERIS

THE GREAT COMMISSION HEAVY WORSHIP

CENTURY MEDIA

NAPALM RECORDS

AIN’T NO GRAVE RECORDS

Ao ouvir este “Black Crown” dos Suicide Silence, diremos que a banda não falta à verdade quando diz que é um álbum para freaks de death metal, para quem vibra com hardcore e para todos os que gostam do som bem alto. Confirma-se. O álbum abre a rasgar mas sem novidade. Porém melhora a cada música que passa. A primeira a causar impacto é “Human Violence”. As guitarras gemem em riffs poderosos, e a meio somos surpreendidos por um momento de beleza. “You only live once” começa da melhor maneira e soa vagamente a rock, as vozes claras que repetem “erase everything inside” dão ainda mais acutilância ao tema porque lhes percebemos de imediato o significado. O álbum mantém-se em alta. “Fuck everything” apesar do título poderoso não possui grande assunto em termos de música (ao contrário do que seria de esperar). “March to the black crown” é misteriosa e vive de uma certa repetição que produz o efeito desejado. “Witness the addiction” tem um pouco de tudo, incluindo a voz limpa de Jonathan Davis para um final fantástico à hard rock, fechando com a inquietação dos sons minimalistas. As guitarras voltam a chorar em “Smashed” e continuam a fazê-lo em “The only thing that sets us apart”, música que se inicia num registo limpo, abrindo bem e que possui algo de etéreo em contraste brutal com a cadencia heavy. A voz quase alienígena de Mitch Lucker percorre todas as músicas, dando-lhes a textura death metal, tão impressiva como a sua imagem, ou não fosse um dos homens mais sexys do metal. [8.5/10] Mónia Camacho

Vindos de um país onde, em comparação com os seus vizinhos noruegueses, suecos, finlandeses e alemães, não nascem tantas bandas de música mais pesada, os dinamarqueses Svartsot trazem-nos “Maledictos Eris”, o terceiro álbum do grupo, apenas um ano após o lançamento de “Mulmets Viser”. Ao ouvir este álbum, embarcamos numa viagem medieval, acompanhada de guitarras distorcidas e vozes guturais, bem como coros que nos fazem cantar, enquanto remamos um barco viking nos mares do norte (ou em versão mais actualizada, num concerto qualquer, com os PA no máximo). Estes Svartsot compõem um folk metal duro, que concilia perfeitamente uma vertente mais pesada e alguma da melodia ou dos ritmos do folk norte europeu. Não caem na repetição das orquestrações, coros sintéticos e abusados ou samples infinitos, apostando em arranjos de instrumentos “orgânicos”, sejam estes uma flauta, a gaita-de-foles, o acordeão ou o bandolim. As letras, exclusivamente em dinamarquês, relacionam-se com a história da Dinamarca e o folclore, como não poderia deixar de ser. No entanto, em faixas como “Farsoten Kom”, uma plateia portuguesa, poderá sempre acompanhar o coro do refrão. Venham de lá essas espadas, venham de lá esses machados e esse drakkar e embarquemos com os Svartsot (“Super vilões”) numa aventura medieval, carregada de distorção e melodia! [9/10] Narciso Antunes

Se disser que este grupo americano oferece “heavy sludge, fast hardcore”, ficará a review feita? Não, se os leitores, à minha semelhança não tiverem um profundo conhecimento da Bíblia, não irão reconhecer que “A grande Comissão”(?) foi um dos nomes dados aos apóstolos de Jesus ou àqueles que espalharam a sua fé. É certo que neste meio, afluem todos os tipos de crenças religiosas, pró, contra, a favor… Um pouco de tudo, mas sendo mais comum a abordagem negativa, de rebelião contra as instituições religiosas e deuses opressores, onde se idolatra o lado mais obscuro do ser humano. Mas, onde há escuridão, também há luz! E uma boa parte dela, chega-nos pelos dos The Great Commision, através de faixas como “Don’t go to Church, Be the Church”, “The Weight of the World,” “The Juggernaut” and “Road to Damascus”, segundo a banda “cheias de energias positivas”. Este grupo, que se apresenta como um colectivo cheio de fé, usa a música para a disseminar, tal e qual uma outra banda de black ou pagan metal que nos transmite as suas ideias religiosas ou anti-religiosas. Este sexteto pode continuá-lo a fazer, porque o álbum está conciso, duro, rápido, potente e cheio de luz divina. Para todos os aficionados das vertentes mais modernas do hard ‘n’ heavy. Haters who’re gonna hate - passem para o álbum seguinte. [7.5/10] Narciso Antunes

THE HOUSE OF LAST LANTERN WEB OF FEELINGS

THE

AF MUSIC

Avisa-se já quem repugna rock gótico que se ouve numa discoteca do género para ficar bem longe deste trabalho, porque qualquer dos 5 temas encontrados neste EP funcionam muito bem numa pista de dança. Mas atenção que este é daqueles casos fora do âmbito das sonoridades mais pesadas, onde recomendo vivamente uma curiosidade acrescida, não só pela qualidade aqui demonstrada pelos The House of the Last Lantern, mas também pela composição bem estruturada, de tal forma que as músicas colam-se à cabeça durante bastante tempo e quando se dá conta estamos nós muito bem na rua a cantarolar “Just Dance” enquanto tentamos dar uns passos de dança desajeitados. Nota-se uma grande influência de The Sisters of Mercy mais carregada do que no passado do conjunto russo, onde a música tinha uma veia macabra e atmosférica mais saliente, sendo agora orientada para riffs de guitarra directos e que conferem um maior peso ao mesmo tempo que torna o som mais apelativo a esta “Web of Feelings”. Principal destaque para “Hermit”, sem dúvida o melhor tema desta meia-hora que agita o corpo e serve como aviso para se estar atento ao que poderá vir a seguir deste projecto, onde o núcleo criativo é um casal formado por Alxander “Murdoc” e July “Gloomy” juntando-se à lista de outros casais compositores de grande qualidade como Menace Ruine ou Jucifer. [7.5/10] Bruno Farinha


THE MORNINGSIDE TREELOGIA

THE SULLEN ROUTE APOCALYCLINIC

THE UNDERGRAVE EXPERIENCE MACABRE

SOLITUDE PRODUCTIONS

SOLITUDE PRODUCTIONS

SOLITUDE PRODUCTIONS

A chuva que se ouve cair no início deste trabalho anuncia a melancolia que espreita à entrada da floresta para a qual os The Morningside nos convida, mas só la dentro e após algumas audições é que se dá conta o quanto evolvente e belo é o que se passa entre as suas árvores. Meus amigos estamos perante um álbum daqueles que é para ouvir, tornar a escutar e repetir a viagem vezes sem conta, até que a própria noção de tempo se perca. O Doom do conjunto russo já ameaçava tornar-se algo único e este último registo só veio confirmar isso mesmo. Posso dizer que estamos perante um dos melhores discos lançados este ano até a data. “TreeLogia (The Album As It Is Not)” não era para ser considerado o novo longa-duração como o sub-título indica, já que este trabalho pega no conceito e música do tema “The Trees” do primeiro álbum do grupo russo e dá-lhe uma nova cara, aperfeiçoada por uma carreira de 8 anos e promovida a uma trilogia com quase o quíntuplo da duração do original. É algo fascinante reconstruir uma composição do passado e transforma-la numa obra-prima. O ambiente sufoca, os riffs que se vão repetindo pelas três partes viciam e transmitem alguma nostalgia que faz mesmo lembrar o “Orchid” dos Opeth ou os trabalhos dos Agalloch, no entanto com a sua própria força e identidade. No final, três vezes seguidas já o disco rodou na aparelhagem e nós abraçados às árvores. [9.5/10] Bruno Farinha

Incansáveis são os The Sullen Route, quintento russo! Incansáveis, porque os seus trabalhos editados, que são três: dois LP e um EP foram lançados este ano e em 2010! E acabou! Esta banda, com uma carreira tão curta, já conta com um portefólio que faz invejar algumas bandas com décadas. “Apocalyclinic” é um álbum de um doom muito negro e obscuro que, segundo os The Sullen Route, “demonstra uma evolução do doom death ortodoxo, para uma área que não pode ser classificada”. E estas palavras são certas: este segundo álbum tem muitas influências de outras áreas: post rock, post metal e progressivo. Essas influências estão bem presentes em “Burial Ground” que tem um riff imenso, com uma cadência perfeita, prolongando-se até ao infinito… Ou algo surpreendente, que em “Dune” se econtra um Groove country. Tendo em conta a duração das músicas (três mais de 8 minutos e as restantes não menos de 5:30), pode-se ter uma ideia de onde este grupo quer chegar. É um álbum bastante impressionante, especialmente para uma banda que iniciou a vida em estúdio no ano passado e parece que já está bem enraizada na confecção de grandes malhas. Um bom álbum, que, a este ritmo, é apenas o terceiro de uma longa e próspera carreira! [8.5/10] Narciso Antunes

Esta é a estreia absoluta dos italianos The Undergrave Experience. O nome do projecto e o do álbum (“Macabre – Il Richiamo Delle Ombre”) dão imediatamente algumas pistas sobre o que podemos encontrar: uma viagem pela cultura do terror. Contudo, engane-se quem espera uma sonoridade associada a esta temática, sobretudo explorada pela brutalidade por bandas de Grindcore e Death Metal. Desta feita, somos cilindrados com dois temas (de 24 e 19 minutos) de Funeral Doom Metal pouco convencional. Trata-se de uma homenagem aos clássicos do cinema de terror italiano. É certo que a extensão dos temas, assim como o rótulo “Funeral Doom”, pode deixar muita gente de pé atrás… Com efeito, estes italianos souberam injectar uma dinâmica interessante aos temas. Sensivelmente, a cada três minutos, há elementos novos ou simplesmente uma mudança de cenário. Claro, que há uma melodia macabra condutora de todo o processo, normalmente assumida pelos teclados, em especial pelas mórbidas notas de piano – acentuando a atmosfera cinematográfica do álbum. As vocalizações, em latim, são ultra-graves e não assumem grande protagonismo. Mas, em conjunto com um ritmo e guitarras arrastadas, é criado um ambiente que embala o ouvinte rumo à resignação e à depressão. Uma experiência aconselhada aos fãs de Funeral Doom e aos amantes da estética do terror. [7/10] José Branco

THIRDSPHERE FIRE AUTOR

Nascidos em Coimbra em 2007, os Thirdsphere lançaram a sua primeira demo em 2009 sob o título “This is a Thirdsphere CD” e regressam agora com o EP “Fire”, um registo de 5 músicas de Metal moderno, gravadas no local de ensaio da banda e misturadas por Justin Rosander na Califórnia. As estruturas melódicas misturadas com riffs pesados resultam bastante bem ao longo dos temas, que embora bem construídos, se tornam, na minha opinião um pouco repetitivos. Destaque para o tema “Changes” que marca um certo tom de originalidade no conjunto das faixas. “Fire” é um bom trabalho e revela uma banda com bastante potencial para fazer um percurso bastante promissor. Ficamos então, à espera de mais. [6/10] Rute Gonçalves


UNKIND HARHAKUVAT

ZOMBIE INC. DREADFUL DECEASE

RELAPSE RECORDS

MASSACRE RECORDS

Da Finlândia chega-nos este som post metal dos UNKIND numa apresentação do álbum Harhakuvat. Com oito faixas, consiste numa fusão de metal, rock progressivo a criar um ambiente fechado e levemente caótico, com influências folk/ punk eslavas, uma voz agreste e uma D-beat para agarrar os que acham que o género está suficientemente explorado. “Harhakuvat” abre com teclas a soar a acústico num certo suspense que cresce com uma tensão introduzida pela cadência, mais tarde acelerada pela bateria mas mantendo uma certa suavidade. A voz é o elemento que lhe dá alguma crueza. O instrumental domina quase sempre a primeira parte das faixas, deixando-as respirar um pouco. A voz surge mais tarde fazendo uma certa contra-posição. “Johtajat já Uhrit” que se traduz por líderes e vítimas, possui uma melodia de teclas em loop a que se juntam os metais da bateria e as guitarras em distorção. A voz é gutural, gritante e reivindicativa. A música soa futurista e mantém-se em clímax. Sir Gerald Kaufman discursa em fundo sobre o problema Israelo-Palestiniano. Ouvem-se frases como: “You make piece by talking to your enemies”. Termina com um pulsar de coração. Pulsar este que é retomado na música seguinte, totalmente instrumental, com alguma inspiração electrónica e as guitarras a darem o som negro e progressivo, que volta a desvanecer-se deixando o beat inicial. O álbum tem bons momentos com pormenores interessantes. E apesar de se dizer que tudo no post metal já foi inventado, a verdade é que essa afirmação não liga com a essência da música progressiva. [8.5/10] Mónia Camacho

Os Zombie Inc. são uma banda Austríaca/Alemã de Death Metal, que lançam agora o seu álbum de estreia “Dreadful Decease” pela Editora Massacre Records. Os elementos deste colectivo já passaram ou ainda fazem parte de bandas como “Belphegor”, “Pungent Stench”, “Fleshcrawl” e “Lacrimas Profundere”. “Dreadful decease” é um disco claramente influenciado pelo Death Metal Old school oriundo dos anos 90, podendo ser facilmente identificadas influências de bandas como “Carcass”, “Entombed”, “Autopsy”, “Obituary” e “Gorefest”. As letras retratam um mundo apocalíptico de caos, habitado por Zombies. Faixas a destacar: “Deathtribe sinister”, “Horde unleashed”, “We must eat”, “Horror fill this hollow earth” e “Planet Zombie”. Instinto, intuição e agressividade nas doses certas, parecem fazer deste disco um prato cheio para os fãs de Death metal. Definitivamente, a onda old school está em alta. Vale a pena ouvir. [7/10] Rute Gonçalves

NA PRÓXIMA EDIÇÃO:

EVILE FIVE SERPENT’S TEETH EARACHE RECORDS

ICED EARTH DYSTOPIA CENTURY MEDIA


N

uma noite que de Verão pouco tinha, não estivéssemos nós em pleno tempo de férias e no fim do mês de Agosto, sentia-se uma chuva ligeira que parecia querer resfriar todos os que se dirigiram a Corroios para ver os Hatebreed. A banda, que muitos fãs têm no nosso país, é liderada pelo carismático James Jasta, que é homem de negócios sendo dono de uma editora discográfica e de uma agência, sendo também recente o programa que apresentou na MTV2, o “Headbangers Ball”. Foi a pouco mais de 7 anos que os Hatebreed actuaram na Voz do Operário, deixando todos os amantes de Hardcore ao rubro, fazendo prever uma noite ao mesmo estilo. A noite começou com

os espanhóis Anal Hard, que tiveram uma actuação dentro do esperado mas a qual grande parte do público preferiu sair para apanhar ar, refrescar-se no bar ou até meter a conversa em dia, não sendo estranho a casa vazia que se fazia sentir enquanto que nas imediações do Cine-Teatro de Corroios, as ruas estavam bem preenchidas. Depois da actuação da banda do país vizinho, era hora dos Reality Slap, banda de Lisboa com seguidores bastantes fiéis com as letras das músicas sempre na ponta da língua, acompanhados com uma energia entusiasmante do vocalista que ainda fez algumas incursões até as grades, que separavam o público da banda, para ouvir uns “sing-alone” e receber a energia de uma casa já bem composta, a espera das últimas duas

bandas da noite. Depois de uma ausência quase de um ano, os Reality Slap voltam com um novo álbum, “Necks N Ropes” e parecem ter ganho uma nova vida assim como novos fãs. Depois de uma actuação que serviu para os presentes em Corroios começarem a suar, não fosse o enorme calor que se fazia sentir na sala, começavam os seguidores dos Switchtense a chegar-se a frente. Os Switchtense têm sido das bandas, neste meio do Hardcore/Metal, mais faladas devido ao seu último álbum e actuações em grandes palcos e eventos, por exemplo o Metal GDL, GSM, Resurrection Fest, e também no Campo Pequeno com Avenged Sevenfold. Os Switchtense já são conhecidos pela sua energia em palco e interacção com o público, a qual não


desiludiu nenhum dos presentes, oferecendo um concerto digno e acelerado como têm habituado toda a sua legião de fãs. Os “circle-pit” foram uma constante assim como várias partes das novas músicas, cantadas em uníssono por grande parte do público. O vocalista Hugo Andrade, aproveitou para informar os presentes que pela primeira vez quatro bandas portuguesas irão fazer uma tour, a LIONS UNLEASHED, e aproveitou para pedir a comparência dos presentes na sala. A sala já se encontrava totalmente cheia e pronta para receber os Hatebreed. Depois de alguns preparos específicos da banda, os Hatebreed finalmente entraram, com James Jasta cheio de energia, ostentando uma T-Shirt de

uma banda de Hardcore do Porto, os Death Will Come, recebida no concerto anterior em Vigo, criando assim uma proximidade ainda maior com o público português. A banda começou com algumas das músicas mais conhecidas, como a “Straight To Your Face” e a “Never Let It Die” prosseguindo a sua força habitual obrigando o público a descarregar o resto de energia que ainda havia. Perto da décima música, James Jasta, que aparentava algum cansaço, possivelmente pelo calor que se fazia sentir na sala e pelo concerto dado na noite anterior, presenteou o seu baterista, Matt Byrne, com um cantar dos parabéns em uníssono com todos os presentes. Após esse minuto de descanso o vocalista voltou a carga com outros êxitos da banda, Tear it Down, Before Disho-

nor, This is Now e I Will be Heard, tendo esta última levado o publicam ao rubro. Para o fim, ficou a Live for This e a Destroy Everything, que qualquer fã deste estilo de música têm por obrigatoriedade conhecer o refrão, no mínimo. No fim da noite, J. Jasta agradeceu ao público português, que retribuiu com aplausos. Uma grande noite em Corroios, sem dúvida, que poderia ter sido ligeiramente melhor não fosse o cansaço e alguma falta de movimento de Jasta e também, por medidas de segurança, uma barreira que evitava os “stage-dives” e alguma interacção mais física da banda com as pessoas. Texto: Valter Simões Fotografia: Valter Simões


O

Entremuralhas é um acontecimento único em Portugal que tomou forma pela primeira vez no ano passado com características bastante únicas, tanto no estilo musical que albergou nos seus dois palcos como no local em que se realizou, o Castelo de Leiria, um dos monumentos góticos mais bonitos do nosso país, que confere a este festival uma aura de misticismo muito característica e um ambiente próprio que como diz a  Fade In, a organizadora deste evento, “Só quem o presencia sabe o que aqui se evoca”. Este ano a Infektion Magazine, que agradece sinceramente desde já a acreditação e a oportunidade de poder estar presente neste evento cultural grandioso, confirma as palavras da Fade In. É mesmo uma experiência fantástica

sem qualquer comparação e que se recomenda vivamente a quem nunca esteve presente para o próximo ano fazer parte das cerca de 750 pessoas que são permitidas por dia e viver um fim-de-semana simplesmente autêntico. Nesta segunda edição, o Entremuralhas contou com três palcos, entre eles as ruínas da Igreja da Pena, destinado às bandas de abertura de cada dia, um sítio extremamente íntimista contudo um pouco pequeno e com difícil acessibilidade, o Palco Alma, cercado pelas muralhas do castelo e dedicado a sonoridades mais Folk e medievais. Para acabar o dia, o Palco Corpo dedicado aos sons mais dançáveis. Houve também mais um dia que no ano anterior, tendo um cartaz mais extenso e rico em estreias absolutas, já que Brainderstörm tocava ao vivo

pela primeira vez, assim como cinco bandas pisavam palcos em Portugal também pela primeira vez, sendo estas os Nitzer Ebb, Rosa Crvx, Arcana, Irfan e Narsilion. Seriam seis mas um imprevisto de última hora fez com que Suicide Commando cancela-se e fosse substituído pela banda local ESC. Além da música contou-se com várias actividades como um mercado gótico, exposições de fotografia e de pintura, mas também um cinema ao ar livre com filmes de culto, projectados numa das torres do Castelo de Leiria. Tudo razões para serões memoráveis. Vamos então à música que se fez ouvir entre muralhas.


DIA 1 – 29/07/2011 Para aquecer este primeiro dia o grupo nacional de dançarinas Ignis Fatuus Luna estreou as ruínas da Igreja da Pena com um espectáculo em que sensualidade e misticismo andavam de mãos dadas, embalados por sons orientais e góticos em comunhão com a electrónica. Dança do ventre, esvoaçar de cabelos em coreografias embelezadas pelo movimento do corpo de cada uma das várias intervenientes, por vezes a solo, outras vezes em grupo, foram seguidos por algumas dezenas de pessoas. Devido à baixa estatura do palco alguns momentos em que a dança se concentrava no solo não foram vistos em condições, no entanto foi interessante os vários elementos que desfilaram no palco, como as diversas peças de vestuário adequados a cada tipo de música e o equilíbrio de espadas apenas usando a cabeça. Para acabar um ritual com todas as participantes à luz das velas. Seguimos então caminho para o Palco Alma para o primeiro concerto de todo o festival. Árdua tarefa que calhou aos búlgaros Irfan, mas que foi ultrapassada com bastante sucesso pela fantástica actuação que tiveram, sendo uma grande estreia em Portugal. Foi sentir os sons oriundos dos balcãs ganhar vida com a sua World Music transportada com harmonia acrescida pela dupla de vozes da banda. A espectacular

voz da vocalista Denitza Seraphimova acompanhada pelo tom mais grave de Kalin Yordanov fizeram-nos viajar para outras terras, como a montanha “Borana”, também com Kalin a explicar antes de cada música a lenda ou a história que estava pro detrás do tema. A setlist incluiu músicas como “Hagia Sophia” ou “Peregrinatio” havendo harmonia entre os dois álbuns editados pelo conjunto e algumas composições novas como “Day to Pray”. Para surpresa dos espectadores que ao início não eram muitos, mas que foram chegando ao longo do concerto, houve tempo para “Svatba”, cover de uma música de Dead Can Dance, bastante aplaudida pelo público, esse bastante elogiado pela banda que a sua saída deixou escapar emoção sincera de estarem presentes neste festival. Era a vez do veterano Tony Wakeford e os seus Sol Invictus entrarem no Palco Alma, uma das bandas mais esperadas do festival. Já muita gente estava presente e foi embalada pelo característico timbre de voz do britânico, que não deixa ninguém indiferente. Numa setlist muito apoiada em álbuns como “In the Rain”, “Trees in Winter” e “Sol Veritas Lux” foi com uma presença bastante simples que o músico das terras de sua majestade foi despejando algumas relíquias da sua já extensa discografia que conta mais de duas dezenas de lançamentos. Foi talvez o concerto menos comunicativo

e evolvente do primeiro dia, no entanto temas como “Stay”, “Sawney Bean” ou “We are the Dead Men” compensam pela sua riqueza, ganhando outra dimensão ao vivo e embalaram os presentes com o seu encanto. Para o final foi guardado as fantásticas “Believe Me” e a “Angels Fall” a encerrarem este primeiro capítulo da história do Palco Alma neste ano. A estreia em Portugal dos Nitzer Ebb serviu para abrir as hostilidades no Palco Corpo e electrizar a plateia com sonoridades mais dançáveis. Um dos pioneiros do estilo Electronic Body Music, o trio britânico começa logo com o single de sucesso “Getting Closer”, com o vocalista Douglas McCarthy vestido a rigor e com uma presença energética muito própria a puxar sempre pelo público, acompanhado por Bon Harris sempre irrequieto e a espancar a bateria electrónica, assim como o companheiro David Gooday. E foi sempre com esta atitude que os temas mais conhecidos como “Shame ou “Let Your Body Learn” intercalados por temas mais recentes do último álbum “Industrial Complex”, que os cerca de 75 minutos de actuação foram tomando conta dos presentes. Depois do encore, a grande “Join in the Chant” e “Promises” encerraram este primeiro dia de festival da melhor maneira. Era tempo para descansar para o que ainda havia de vir.


DIA 2 – 30/07/2011 Foi da melhor maneira que este segundo dia começou, com a primeira vez que os leirienses Brainderstörm tocaram ao vivo e digamos que foi uma estreia com sabor especial. Nas ruínas da Igreja da Pena, a banda nacional teve direito a este  magnífico espaço para espalhar a melancolia da sua música influenciada muito por sonoridades darkwave, num espectáculo de extrema intimidade que captou a atenção de algumas centenas de pessoas, estando o recinto cheio e sendo difícil a entrada de novos espectadores. Uma hora bastante aplaudida e que sem dúvida cativou muita gente, convertida agora à música deste conjunto luso que está de parabéns pelo trabalho efectuado naquele local místico. O Palco Alma abriu neste dia com o artista mais humilde e mais bem humorado de todo o festival. Matt Howden com o nome artístico Sie-

ben, subiu ao palco de sorriso bem aberto e com um bem disposto “Olá! Tudo Bem?” começou o seu “One man show” em que a música ganhava um sabor especial pela emoção e dedicação que o artista britânica mostrava ao tocar o seu violino, servindo-se dos pedais para criar loops e aumentar a substância dos temas que iam desfilando. Composições como “Build you a Song”, “We Wait for Them” ou “Floating” iam hipnotizando o público que enchia o espaço à volta do palco e que aplaudia efusivamente Matt, sempre energético e de sorriso. Houve uma relação especial entre artista e os presentes pela boa disposição, seja por piadas sobre o seu antigo bigode ou uma publicidade descarada aos seus discos, tal como ele descreveu, acabando o marketing com um “Ganda lata”. Foi simplesmente genial e só esperemos que o senhor volte rápido ao nosso país. Foi então que o Castelo de Leiria parou para o que vinha

a seguir. Sem dúvida a experiência mais engrandecedora e memorável de todo o festival, o concerto dos franceses Rosa Crux é algo que não dá para descrever por palavras os sentimentos que transmite e o quanto envolvente é. Logo o carrilhão de dez sinos que ocupava o palco metia um enorme respeito e aumentava a expectativa para o que ai vinha, tocado por Claude Feeny e que ganhou uma extrema importância em alguns temas como “Terribilis” conferindo um ambiente negro e épico ajudado por momentos que tornavam esta actuação ritualista e extremamente mística, como por exemplo o arrear de bandeiras medievais no meio do público durante o tema “Invocation”, os elementos visuais que iam passando numa tela atrás de dos membros do conjunto gaulês e a fantástica dança da terra executada por duas mulheres nuas, cobertas em lama num autêntico festim pagão ao som de “Eli-Elo”. Toda


a música cantada em latim com um tom místico como se Olivier Tarabo estivesse a pregar para a plateia ajudado pelo coro feminino Rosa Chordis foi apenas mais uma razão para o público se perder nesta missa musical, onde numa hora e meia, os três álbuns da banda foram todos bem representados e temas como “Adorasti”, “Morituri” ou “Procifere” ajudaram o espectáculo que foi sem dúvida um dos momentos mais inesquecíveis que alguma vez eu e muitas pessaos presentes viveram num concerto. Foi a vez do Palco Corpo receber os leirienses Eden Synthetic Corps que acabaram por substituir os Suicide Commando, com um cancelamento tardio devido a doença súbita do vocalista. Sendo impossível a estreia da banda belga, coube aos ESC a díficil tarefa de preencher o seu lugar. Claro que são bandas com carreiras e reconhecimento totalmente diferentes mas isso não assusto o conjunto de casa que com uma actuação bastante energética e apostada em elementos

visuais conseguiu preencher o vazio deixado pelo conjunto belga. Temas como “Angelshift”, “Waste of Ammo” ou “Architure” soaram bastante bem ao vivo, acabando o concerto com um cover dos Kraftwerk e assinalando o final do segundo dia. DIA 3 – 31/07/2011 O úlitmo dia deste fantástico festival começou com uma dupla espanhola,primeiro a estreia em terras lusas do conjunto Narsilion, que encerrou os concertos nas ruínas da Igreja da Pena da melhor maneira com as suas sonoridas mais medievais com muitas influências neo-clássicas e que mexeram com toda a gente que se encontrava no recinto mais uma vez a arrebentar pelas costuras. Apoiados pela dupla rítmica dos Sol Invictus e a voz Cecilia Bjärgö, a passeou pela sua discografia que já cinco álbuns e relaxou os presentes com a linda voz do vocalista Sergio Gamez Martinez e o violino de Núria Luis, também membros

da banda sueca Arcana que actuaria mais tarde nesse mesmo dia. Trilhando o seu caminho a mais uma grande actuação nestes três dias. A destacar os trajes que a dupla espanhola envergava, fazendo lembrar os reinos de J. R. R.Tolkien que influenciam muito a sua música. No Palco Alma seguiam-se os Trobar de Morte com a mesma veia medieval mas com uma veia folk mais saliente assaltaram o público com mais um concerto cheio de qualidade e instrumentos típicos como a darbuka. Numa presença muito serena e encantadora cheia de traços pagãos, como as folhas no microfone da fantástica vocalista Lady Morte, as coroas florais e os vestidos brancos que os elementos femininos da banda envergavam, temas como “The Harp of Dagda”, “Morrigan” ou “The Sorceress” ressoavam nas muralhas do castelo e entranhavam-se nos presentes como se de um contracto espiritual se tratasse e assim permaneceu até ao final do concerto com mais uma forte onda de aplausos a darem saída a esta


banda espanhola. Momentos depois mais uma estreia de peso e a última neste festival, os suecos Arcana que deixaram a marca com uma das mais bonitas actuações dos três dias, marcada principalmente pela sua simplicidade e honestidade. A trilogia de vozes compostas pelo fundador Peter Bjärgö, Ann-Mari Thim e Cecilia Bjärgo cria uma harmonia fenomenal na sua música tocada com total dedicação e profissionalismo. Enquanto a já extensa discografia do conjunto foi explorada, onde nem o primeiro álbum “Dark Age of Reason” ficou de fora representado pelo tema “Like Statues in the Garden of Dreaming”, o público acedia à música de influências neo-clássicas e foi navegando num ambiente de melancolia e beleza embraçadas em harmonia. Houve ainda tempo para tocar uma música

que nunca tinha sido ensaiada pela banda, isto porque a vontade do povo em ver mais destes veteranos suecos foi demasiada, acabando este belo concerto com um tema do trabalho a solo de Peter Bjärgö. A encerrar o festival e o Palco Corpo, estiveram nada mais nada menos que os Diary of Dreams. A figura emblemática de Adrian Hates que é o motor príncipal deste conjunto alemão e uma das príncipais forças do movimento Darkwave, fez-se sentir, seja na sua voz, seja na sua presença característica, o que acabou por apelar bastante o público, tarefa que também não seria difícil, já que esta banda era uma das mais esperadas neste festival. Clássicos como “The Plague”, “The Wedding”, ou “She and her Darkness” foram entoados pelos presentes, totalmente rendidos ao que se passava à sua frente. Depois

de muitos elogios ao nosso país, seja pelo ambiente ou pela gastronomia, a plateia mostrou o seu apreço e “obrigou” a banda a fazer dois encores, sendo o último marcado pela fantástica e intemporal Traumtänzer. E foi ao som deste tema que terminou este festim cultural e musical de três dias. Foi algo único e apelo a todas as pessaos viajarem ao Castelo de Leiria para o ano e apreciar o ambiente, a misticidade, a empatia entre as próprias bandas e com o público. Em nome da Infektion deixo aqui mais uma vez um enorme obrigado à Fade In pela oportunidade da nossa equipa fazer parte deste momento muito especial e inesquécivel enriquecido pela orgia músical que se viveu Entremuralhas. Texto: Bruno Farinha Fotografia: Liliana Quadrado


P

elo terceiro ano consecutivo, em Agosto, Lagoa de Calvão, Vagos foi testemunha a um pequeno-grande festival, onde se celebrou a música e as suas vertentes mais pesadas. O cartaz, variado, agradou a gregos, troianos, aqueus, egípcios e, sobretudo a muito metaleiro! O festival foi aberto pelos portugueses Revolution Within e os Crushing Sun. Quando começaram a tocar, ainda a fila para entrar no recinto era longa. Muito atraso por parte dos assistentes, uma revista detalhada a quem tinha que entrar... O sol ainda brilhava quando começaram a tocar os dinamarqueses Essence. Este quarteto muito jovem, muito novo, durante hora e meia, debitou cargas de metal pesado, um thrash cheio de músculo e potência. Tenho que referir a felicidade do vocalista em tocar para aquela

audiência, o estádio ainda não estava cheio, mas a banda deixava transparecer uma felicidade enorme a tocar para nós. Mil vezes agradeceram, com largos sorrisos, dizendo que era um prazer tocar em Vegas (sim, o vocalista, da maneira que pronunciou “Vagos” desta maneira). Logo após a violência dos Essence, entraram em cena os britânicos Anathema. Este foi um concerto que ficou marcado pelos problemas técnicos: faltou a luz várias vezes! Mas, mesmo assim, o público soube manter o espírito e conseguiu levantar o ânimo da banda. Surpreendentemente e mostrando o profissionalismo dos Anathema e a experiência em cima dos palcos, quando a luz faltou a meio de um solo perfeito, ao voltar a carga eléctrica, a banda continuou exactamente do sítio de onde tinha ficado. Esquecendo

este erro técnico. Segundo pude apurar posteriormente, creio que esta falha se deveu a um pequeno incêndio num quadro eléctrico no dia anterior. Ainda assim, os Anathema deram um concerto brilhante, cheio de carga emocional, tocando bem no fundo do coração de pedra do metaleiro. Os Tiamat, penúltima banda do dia, trouxeram na bagagem um repertório diversificado, onde tocaram algumas malhas mais antigas, enterradas no consciente dos presentes. Mas, na sua maioria, o concerto foi composto por músicas mais calmas e progressivas, que são o actual rosto da banda. Johan Edlund, que se apresentou de chapéu durante todo o espectáculo cativou a audiência e mostrou o poder do metal sueco por terras lusas. Durante este concerto, começaram a pingar umas gotinhas, que se prolonga-


ram pela noite fora. Mas, quem ali estava por fé, não arredou pé! A oportunidade era única de ver os Tiamat, que há já algum tempo não paravam por estes lados e não eram umas gotas que iam demover os fãs. Foi um concerto muito agradável, este sem problemas técnicos de maior, que passou a correr, pois a expectativa de ver os Opeth começava a crescer dentro de todos. Opeth… Poderia acabar a descrição do concerto com o nome da banda… Será preciso descrever a grandiosidade do concerto? O à vontade em palco de todos os membros do grupo? Sim, é preciso muito mais para descrever

um concerto que se prendeu mais à melodia que o peso (serão os Opeth a preparar os fãs para o próximo álbum, que segundo os rumores, não vai ter growls? ). O quinteto consegue trazer ao palco uma energia e uma boa disposição incomparável. Quem já viu Opeth e quem conhece o senhor Mikael Aakerfeldt sabe bem como ele se comporta entre as músicas: desde gozar com o guitarrista por ele dizer que a água do mar de Aveiro era fria ou com o roadie que lhe deu uma guitarra com a afinação errada e por aí fora… Tocaram-se mais clássicos, do que malhas mais recentes. Quando saíram

do palco, a ovação foi ensurdecedora e, ainda que o público se fartasse de pedir mais e mais e mais, eles não voltaram ao palco. Fechou-se a primeira grande noite do V.O.A. Deixando com água na boca (e na cabeça e nos ossos) o dia que ainda estava para vir. Poucos foram os que ainda ficaram pelo recinto depois dos concertos. Havia quem voltasse para casa, outros que não podiam com as dores de costas ou o cansaço falou mais forte e voltaram para as tendas para descansar um pouco. A chuva continuou a cair a noite toda, para desânimo de poucos.


DIA 6 O dia começou cinzento. As nuvens não arredaram pé toda a noite e, pela manhã, o acampamento estava silencioso e as tendas cobertas de água. Inesperado, para um festival de verão. A pouco e pouco os campistas foram acordando e chegou a hora de tomar um belo banho matinal. Os corajosos tomaram banho nuns chuveiros, na rua. Os pacientes ficaram à espera de vez no Centro Paroquial e Social de Calvão, onde foram cedidos pela paróquia os meios para os assistentes tomarem banho e almoçarem. E, segundo a minha experiência e do que pude ver, fomos todos muito bem tratados. Achei curioso o facto de os metaleiros – sempre associados a movimentos anti-religião – terem ido tomar banho e almoçar a uma instituição católica. As pequenas ironias da vida. Às 5 da tarde, já as nuvens se levantavam e entraram em palco os We Are the Damned, que levantaram um burburinho pelas palavras de contestação e revolta que o vocalista levantou. Talvez o público ainda não estivesse motivado o suficiente. Talvez os problemas com o som, não deram a projecção devida aos WATD. E eles mereciam-na! O vocalista, sem papas na língua, gritou palavras de contestação contra aqueles que acham que a música nacional é de qualidade inferior ou que não lhe dão a devida atenção. Palavras justas, para um concerto injusto, que merecia ter tido mais assistentes. É o risco que se corre quando se abre um palco e se é a primeira banda de um dia repleto de concertos colossais. Logo após os We Are the Damned, foi a vez dos Malevolence mostrarem ao que vinham: demonstrar que por terras lusas a cena metaleira continua a prosperar. Para quem não sabe, os Malevolence já andam por estas bandas há alguns anos. E quem for a um concerto, certamente reconhecerá o Aires, baixista dos Moonspell. Tocaram para um recinto ainda muito vazio, com o pessoal todo a entrar, mas isso não foi razão para não darem o seu melhor e mostrar as malhas pesadas que um dia ficaram na memória metaleira colectiva!

Encerrada a sessão lusitana, foram os finlandeses Kalmah e o seu death metal melódico. Este concerto foi bem mais interactivo que os anteriores. Talvez o facto de o desejo de os ver ao vivo fosse maior, por parte dos presentes; talvez as expectativas fossem maiores ou terá sido das caretas que o Pekka Kokko (vocalista – guitarrista) insistiu em fazer durante todo o espectáculo… Houve mosh com fartura! Mais do que no dia anterior todo! E o público estava ao rubro! E não é caso para menos, a atitude dos Kalmah, a música e a sua brutalidade nada mais pediam que isso mesmo: porrada com fartura! A custo, depois de uma longa ovação e muitos sorrisos da banda e ainda mais caretas do Pekka, os Kalmah deixaram o palco livre para alguém muito especial na cena, nada mais, nada menos que o senhor Vegard Sverre Tveitan, mais conhecido como Ihsahn. Ouvir e ver Ihsahn, foi como fazer uma viagem no tempo da sua carreira: tocaram-se várias músicas da sua banda a solo, um pouco de toda a discografia, mas, quando avisa o público que vai tocar umas músicas de “uma banda que andou para aí há já algum tempo”, o público delirou! Mais gritos, mais mosh, mais atitude, mais metal e o que se espera de um concerto de uma personalidade, dum músico tão bom como Ihsahn. À sua maneira escandinava e introspectiva, interagiu com o público sem grandes exageros, mas não se deixou cair no erro do silêncio. Quando se lida com profissionais… A banda de acompanhamento era constituída por músicos muito jovens, que contrastavam na sua quase puberdade com a maturidade do Ihsahn. Parecia pai deles! Talvez quisesse ele desenvolver as capacidades destes jovens. Para um músico profissional, deve ser bastante importante poder por no CV que tocou uma tour com o Ihsahn. A partir daí, devem ser portas abertas, uma atrás da outra. Findo o concerto e a poeira baixado, o inesperado acontece: começa-se a ouvir Vengaboys e Aqua! Mas que raio? O palco de Devin Townsend ainda estava a ser montado, mas para nimar

a malta, lá escolheu ele o repertório das músicas mais parolas dos últimos anos. Mas, desenganem-se os cépticos, o pessoal vibrava com aquela música. Depois das gargalhadas da música e das imagens que iam passando nos ecrãs, chegou com pompa e circunstância , do Canadá: Devin Townsend! Com ele trouxe faixas pesadas, rápidas e melódicas, muito ao seu estilo, quase impossíveis de decifrar. Trouxe energia, simpatia, alegria e muita gargalhada. Durante todo o concerto, não parou de agradecer ao público, repetindo em surdina “Thank you! Thank you!”. O público, ao rubro, ia cantando em coro as músicas que surgiam encadeadas, uma detrás da outra. O álbum Ziltoid representou uma grande parte do espectáculo e a plateia agradeceu, correspondendo com atitude a condizer! A primeira vez do canadiano em Portugal provou-se muito positiva, para todos! Surpreendente, tamanha era a curiosidade de o ver ao vivo e ouvi-lo dizer “far better than any concert in Canada!” ou gozar com o pessoal “Now, a series of rethorical questions: Are you having fun?” “Yeah!!!” “Do you want another one?” “Yeah!!!” “What’s the square root of xxx?” “Yeah!!!”. Quem lá esteve não esquece! Devin Townsend foi um deus de palco que marcou uma noite. Para engrandecer ainda mais o concerto, grita: “Where the fuck is Mr. Ihsahn”, que prontamente sobe ao palco e, em conjunto, cantam o refrão da Juular. Dum concerto tão bom, ficaram estas palavras: “We live in dark times. But no matter what happens, believe me, my friends, life is beautiful.” Do festival, trouxeram-se muitas recordações, maioritariamente positivas! Bandas espectaculares, as zonas de acampamento. Para um festival de uma dimensão tão pequena, é de valorizar o facto de já ir na 3ª edição!

Texto: Narciso Antunes Fotografia: Liliana Quadrado


E

stava anunciada mais uma boa noite de rock em terras lusas com mais uma visita do powertrio americano Karma to Burn, desta vez ao Revolver Bar em Cacilhas, antigo Culto Bar. É verdade que os presentes na margem sul do Tejo para vislumbrar o conjunto americano não eram muitos, mas é facil explicar tal facto, já que desde a sua reunião em 2009, os Karma to Burn têm visitado o nosso país todos os anos e no dia anterior tinham acabado de actuar no festival Milhões de Festa em Barcelos, no entanto quem veio não se arrependeu com certeza. Com um setlist mais apoiado nos álbuns anteriores ao seu regresso, como “Wild, Wonderful... Purgatory” e “Almost Heathen”, deixando o álbum homónimo de fora, a banda oriunda de West Virginia espancou o seu stoner rock instrumen-

tal com vigor e atitude conquistando a plateia com o tempo que, ao início se mostrava um pouco apática, para depois se render absolutamente à actuação e começar um autêntico frenesim de Headbanging, não havendo uma só pessoa parada, nem que fosse pelo menos a bater o pé com sentimento. Pelo palco iam voando temas como “34”, “36”, “8” ou “28” com apenas “43” e “47” a representarem os dois últimos registos editados depois de 2009, “Appalachian Incantation” e “V” respectivamente. Não houve praticamente comunicação com os presentes, assim como esteve ausente qualquer apetrecho de palco, mas quando a força da música e o empenho dos três elementos é tal, são coisas que acabam por passar totalmente despercebidas e desnecessárias. Para acabar nada melhor que a aclamada

“20” e um “Thank You” sincero ao som de aplausos bem merecidos. A abrir estiveram os nacionais The Yardangs que embora com uma presença um pouco tímida mostraram com competência o seu Rock com bastantes influências “Blues” e fizeram bem o seu trabalho ao abrirem as hostes para o que viria a seguir, demonstrando que cada vez mais temos boas cartas no panorama do Rock Portugûes. Texto: Bruno Farinha Fotografia: Liliana Quadrado


INFEKTION MAGAZINE #06 Setembro 2011  

DOWNLOAD PDF + COMPILAÇÃO: http://www.mediafire.com/?49gtznfa0jcbgcm Edição dedicada ao Metal Feminino. Entrevistas com: Ava Inferi, The Oce...