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05 A VOZ DOS LEITORES 06 NOTÍCIAS 08 ARTWORK C/ IRDONDOOM 09 STUDIO REPORT C/ IMPÉRIA 10 PIERCINGS E TATUAGENS 14 WINDS OF PLAGUE 16 THE RANSACK 18 IMPERIA 22 WAKO 24 THE9THCELL 28 AOSOTH 30 SARCASTIC MIND 32 ILLDISPOSED 34 RISE OF OPHIUCHUS 36 DEATHRAISER 38 FORGOTTEN SUNS 40 PARA ALÉM DA RAIVA 42 REVIEWS DISCOS 58 LIVE REPORTS 64 CINEMA 65 SÉRIES

NÚM3ROS

EDIÇÃO Nº 2 - ABRIL 2011 EDITOR-CHEFE Joel Costa

Os resultados da nossa primeira edição foram surpreendentes e gostaria de agradecer a todos os envolvidos neste projecto pelo excelente trabalho que estão a desenvolver. Os agradecimentos vão ainda para todos aqueles que resolveram ler nem que fosse uma página da nossa revista e também para os nossos parceiros que confiaram em nós para divulgar os seus produtos e serviços! Dito isto, pretendo informar que a Infektion Magazine é e será sempre gratuita enquanto se tratar de uma publicação online. Se acharem que o nosso trabalho merece o vosso donativo e querem continuar a ver a Infektion crescer, podem fazê-lo através de três métodos diferentes: Paypal, Transferência Bancária e Multibanco. Qualquer valor é bem-vindo. Um cêntimo que seja é sinal que acreditam em nós e ficaremos muito gratos por isso!

COLABORADORES #02 Bruno Farinha, Cátia Cunha, Íris Jordão, João Miranda, Liliana Quadrado, Mónia Camacho, Rita Oliveira, Rui Melo, Rute Gonçalves, Sofia Simões FOTOGRAFIA Material disponibilizado pelas editoras; Créditos nas respectivas páginas; DESIGN & PAGINAÇÃO Joel Costa - www.lifedesign.com.pt REVISÃO Joel Costa PUBLICIDADE geral@infektionmagazine.info WEBSITE www.infektionmagazine.info ENVIO DE PROMOS Joel Costa - Infektion Magazine Rua Adriano Correia Oliveira 153 1B 3880-316 Ovar Portugal

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Quando é que a Infektion vai estar disponível para compra em papel? via Facebook A pergunta que todos fazem tem uma resposta que nem todos gostam de ouvir. É provável que a Infektion nunca venha a estar disponível para compra nas bancas, pelo menos regularmente. Isto porque são necessários inúmeros apoios, venda de publicidade a preços com quatro dígitos e muita burocracia pelo meio que não torna este processo mais fácil. Nos dias de hoje é muito difícil levar um projecto destes às bancas, no entanto não é possível. Para já vamos dizendo que não o fazemos porque queremos poupar as árvores e também porque a Internet é o futuro. Na eventualidade da coisa até correr melhor (venham esses donativos eheh) podemos começar a pensar a sério nisso. A Infektion Magazine faz parte da Versus Magazine? Parece-me pois encontro alguns pontos em comum entre as duas revistas. via E-Mail Não, são dois projectos totalmente distintos. No entanto, eu fui o criador da Versus Magazine e estive encarregue do design da revista até Agosto de 2010 (10 edições), daí encontrares algumas coisas em comum. Estou integrado num grupo de Design que me convidou a “liderar” este projecto.

Formei uma banda de Black Metal Acústico com alguns amigos meus. Têm interesse numa entrevista? via E-Mail

por fotos de grande resolução, biografia, discografia e outras informações que considerem relevantes e a nossa equipa tratará do resto.

A Infektion tem sempre as suas portas abertas para projectos de peso, no entanto ainda não consegui encaixar muito bem esse conceito do Black Metal Acústico. Isso existe mesmo a sério? Já tenho visto bandas que utilizam o corpse paint e tudo o mais e andam para trás e para a frente com violas acústicas mas sempre achei que fosse brincadeira. O acústico pode ser pesado, ninguém diz que não, por isso - a menos que o resultado final seja parecido com algo do André Sardet - podemos pensar nisso.

A Infektion tem algum sítio físico que eu possa visitar? via Facebook

Fazem artigos de bandas nacionais? via E-Mail Sim. As bandas interessadas em artigos redigidos pela Infektion Magazine, só precisam de nos enviar um presskit composto

De momento não. Mesmo os pontos de venda que vão ser criados vão ter todos operação online. Conseguem arranjar bilhetes para determinado evento? via E-Mail A Infektion começou a pensar na criação do “Cartão Infektion” há algum tempo e esse cartão vai dar descontos e ofertas aos seus assinantes. Fica atento! A secção dos classificados é gratuita? via E-Mail Sim, é. No entanto não teremos essa secção nesta edição, uma vez que não tivemos um número de anúncios que justificasse a abertura da mesma.

Como posso encontrar-me com algum de vocês? via Facebook Para assuntos que digam respeito à Infektion, podes combinar algo com a direcção. Caso queiras conhecer pessoalmente um dos nossos colaboradores é só verificares em que concertos é que vamos marcar presença e ir lá ter. Como faço para me tornar vosso parceiro? via E-Mail Para seres parceiro da Infektion só necessitas de nos enviar um e-mail e fazer a tua proposta. Geralmente os nossos parceiros optam por fazer uma troca de links, o que funciona perfeitamente para nós. Outros parceiros, como é o caso daqueles que têm banners na página inicial do nosso site, já têm que ir mais longe e divulgar a Infektion de outras maneiras que não a troca de links.

Não concordas com uma review? Tens uma sugestão para nós? Queres dar-nos os parabéns? Envia os teus comentários e questões para o e-mail geral@infektionmagazine.info


Os Hammerfall preparam-se para lançar Infekted, o seu oitavo álbum em estúdio. O álbum, produzido e editado por James Michael (Meat Loaf, Scorpions), encontra-se à venda a partir de 20 de Maio. Uma das faixas do mesmo, One More Time, já está disponível na página de Facebook da banda. [João Miranda]

Os A Perfect Circle anunciaram uma nova digressão nos E.U.A e Canadá, começando em Ohio, a 22 de Maio. A banda reformulou também o site oficial, publicando as datas dos concertos que vão até 2 de Agosto. Esta será a primeira tour da banda de Maynard James Keenan e Billy Howerdel em seis anos. [João Miranda]

A banda Sueca Astral Doors estão a trabalhar num novo álbum a sair em Outubro, juntamente com uma digressão Europeia. “O trabalho com o novo álbum continua.” – afirmou a banda no Myspace – “Mesmo que não estejamos nem a meio do processo podemos já sentir que vai ser algo especial. Desta vez vamos abordar a religião, e toda a merda que a mesma trouxe a este mundo.” [João Miranda]

O baixista dos Exhorder faleceu a 22 de Março, aos 40 anos. Sparcello entrou para a banda em 1990 esteve com a banda até ’92, data em que esta se separou. Esteve presente no regresso da mesma em 2009 e encontrava-se actualmente a trabalhar num novo álbum. Os detalhes da sua morte são escassos, tendo o vocalista feito apenas uma observação: “Não sei bem o que dizer, por isso digo que te amo e que nos vemos no outro lado um dia destes.” [João Miranda]

As Kittie entraram em estúdio para começar a trabalhar no seu próximo álbum, ainda sem título. Segundo Morgan Lander, vocalista da banda, este trabalho será ainda melhor que o anterior, “In The Black”, lançado em 2009. [Joel Costa]


Os Solid Spectrum estão prestes a editar o seu EP de estreia. "Spiritual And Carnal" será lançado em Maio e terá a edição a cargo da Kenosis Records. A banda irá ainda fazer a estreia dos temas ao vivo num concerto a ser realizado no Porto, no Metalpoint, numa das sessões warm-up do Underfest. [Joel Costa]

No dia 15 de Abril, os Confront Hate vão protagonizar uma festa de lançamento do seu novo álbum, com um concerto na Associação de Músicos de Faro. O evento terá ainda as participações dos convidados Mindlock e Pull The Trigger. [Joel Costa]

Os Disturbed viram-se obrigados a cancelar a segunda parte da digressão Europeia, digressão essa que incluía uma passagem por Portugal no Coliseu de Lisboa, no dia 20 de Junho. A banda responsabilizou o aumento do preço dos combustíveis e o elevado custo das viagens por esta decisão sendo que quem já tinha bilhetes pode agora pedir o reembolso do dinheiro no local onde os adquiriu. Os portadores de bilhete têm um prazo de 30 dias para fazê-lo.

No dia 23 de Abril, os An X Tasy vão lançar o seu novo trabalho de originais, intitulado “Even The Most Pacific Man Sometimes Have To Kill”, na casa de Lafões, em Lisboa. O evento inicia por volta das 17h e terá a presença dos convidados especiais Barafunda Total, Punksinatra e The Candirus. O custo da entrada é de 5€. [Joel Costa]

[Joel Costa]

GRUPO FACEBOOK Ozzy ou Black Sabbath em Portugal http://www.facebook.com/pages/Ozzy-Osbourneou-Black-Sabbath-em-Portugal/146532592046899

http://www.pedrademetal.blogspot.com


ao Design Gráfico, tais como, criação de capas de CD, Logótipos, sites, fotografia, etc.

C

omo nasceu o projecto “IronDoom Design” e que tipo de serviços podemos encontrar? Julgo ter nascido na altura em que idealizei a primeira capa para uma das minhas primeiras bandas, In Solitude, isto em 1998 mas, na altura, nem sequer sabia mexer em computadores. Mas a ideia estava lá, queria aprender e desenvolver essa ideia! E passado uns anos esse desejo concretizou-se. Os serviços, são todos os inerentes

Tendo em conta que também és o baterista de duas bandas nas quais tens um papel de composição activo, arrisco dizer que és daquelas pessoas que só se sente bem a criar. Mas a pergunta é: como te sentes quando não estás ocupado com algo criativo? Sim, realmente, só estou bem comigo mesmo quando me encontro em processo criativo. Não poder criar é o mesmo que me sentir vazio, sem objectivos, sem puder exteriorizar os meus sentimentos mais profundos. Não seria “ninguém” sem poder criar Arte. Fala-nos um pouco do teu trabalho. Quais são as tuas fontes de inspiração? É complicado para mim expressar por palavras a minha

Arte!... Acredito que a mesma consegue transmitir às pessoas variadíssimos sentimentos e é essa a mensagem que pretendo passar, ou seja, um mundo de contrastes, onde os sonhos se equilibram com os pesadelos, o belo com o grotesco, a negridão com a luz. A natureza, tem também, um papel primordial nas minhas Obras, não fosse a natureza toda a dinâmica que nos faz movimentar, existir.. De momento tens algum estúdio ou atelier onde estejas a fazer o teu trabalho? Claro que não! Nem tenho base financeira para isso e mais importante ainda, não tenho trabalhos que me permitam financeiramente avançar com algo do género. Tenho as ferramentas necessárias e chegam perfeitamente.

ções acerca do teu trabalho? Encontram-se online variadíssimas Galerias com trabalhos meus distribuídos por vários Sites conhecidos quer nacional, quer internacionalmente, tais como o Olhares | AdvancedPhotoshop [U.K.] | Facebook e, principalmente, DeviantArt, este com toda a retrospectiva da minha carreira no mundo digital. A consultar então: http://olhares.aeiou.pt/irondoom, www.advancedphotos hop.co.u k /u ser/Iron doomDesign, www.facebook. com/irondoomdesign, www. irondoomdesign.deviantart. com. Agradeço, desde já, a oportunidade que a Infektion Magazine me está a facultar, podendo desta forma promover a minha Arte das vossas páginas! Um obrigado especial a ti, pela entrevista! Entrevista: Joel Costa

De que forma é que os nossos leitores podem encontrar mais informa-

http://irondoomdesign.deviantart.com


COMO ENCONTRAR A HEARTGALLERY “Ora bem... Podem-nos encontrar onde houver cerveja e boa música (risos).” Paulo LOCALIZAÇÃO: Rua Mártires da Liberdade, nº132 no Porto FACEBOOK: www.facebook.com/heartgallerytattoopiercing

E

m primeiro lugar quando e como foi criado este estúdio? Paulo: Este estúdio já estava criado na nossa cabeça há bastante tempo mesmo, mas por alguma razão ou outra fomos sempre adiando a coisa. Mas quando eu e a minha mulher decidimos deixar de trabalhar para outros e arranjamos a estabilidade financeira para isso, abordei o Carlos de forma concreta, o que foi fácil pois sendo nós dois dos melhores amigos, tendo a banda, profissões complementares e ondas idênticas, tínhamos tudo reunido para dar certo e avançamos com o projecto. Posto isto, abrimos portas em Novembro do ano passado (2010). Tanto tu como o Carlos são também integrantes dos EAK. É fácil conciliar o trabalho com a música? Para nós é! Conciliamos música com a nossa loja, faz parte de nós, não há um dia em que não chegues à loja e não esteja a tocar música. Tanto eu como

o Carlos não conseguimos trabalhar se não houver música. Quanto à cena de conciliar a loja com EAK, para nós é fácil também: EAK primeiro, loja a nossa curte… Claro que é a loja que nos dá o comer mas EAK é o nosso sangue. Por isso, todas as terças, quintas e sábados, as marcações são feitas com vista a não interferir com os ensaios da banda, e nos dias de concertos não há loja para ninguém. No vosso portfolio pude reparar que existem muitas tatuagens de retratos. Quanto tempo demoram a executar uma tatuagem deste calibre? Sim os retratos são sem dúvida dos trabalhos mais requisitados na nossa loja, pois é uma das especialidades do Carlos. Penso que existem poucos tatuadores com o talento que ele tem para este tipo de tatuagem. Um trabalho desses demora em média aí umas duas horas a ser realizado, já a contar com a preparação da mesma.

Qual foi o pedido mais estranho que já vos apareceu tanto em tatuagens como em piercings? Na parte dos piercings já me chegaram vários pedidos estranhos mas acho que o mais estranho foi um cliente pedir-me para fazer uma dilatação na orelha dele exactamente como a minha, ou seja, como eu tenho a minha orelha direita rasgada depois de ter tido um túnel de 30 milímetros, fiquei com o lóbulo da orelha em bico e o rapaz queria o mesmo, o que significa que teria de lhe dilatar a orelha, rasgá-la e voltar a dilatar o lóbulo rasgado. Em termos de tatuagens, talvez o pedido mais estranho venha da parte das pessoas que pedem para tatuar manchas e descolorações de pele da mesma cor do resto do corpo. Mas visto que ajuda as pessoas a sentirem-se melhor nem é assim tão estranho.

Entrevista: Joel Costa Fotografias: HeartGallery


“Nós escrevemos a música que queremos escrever e não estamos preocupados se vai ser mais metal ou mais hardcore.”


“Os Winds Of Plague apresentam um álbum eclético e forte que se descobre com prazer. E se eles estão “Against the world” é provável que o mundo se renda. Johnny Plague partilhou com a INFEKTION as ideias por trás das canções e o sentimento da banda face ao novo trabalho.”

A

banda definiu o álbum “Against the World” como “belo, ignorante e pesado”. Podem dizer-nos algo mais sobre esta fabulosa afirmação? Johnny Plague - Essas são as melhores palavras que encontrei quando me pediram que descrevesse o disco em três palavras. Ah ah. Avançamos com a nossa assinatura de som épico usando orquestrações e arranjos de topo que depois injectamos com uma overdose de riffs pesados e letras ignorantes, por falta de melhor expressão. Este álbum é como um mix dos nossos dois lançamentos anteriores com esteróides. Os vossos álbuns têm sempre bons títulos. Como escolheram este? Notei que com a nossa banda, ou nos adoras ou nos odeias, não há espaço para meio-termo. Acho que isso se deve ao tipo eclético de metal que tocamos. Não somos suficientemente metálicos para os elitistas do metal e não somos suficientemente hardcore para os entusiastas do hardcore. Pelo que juntamos uma lista de seguidores que nos odeiam e fãs do tipo “diehard” a que eu costumo chamar frequentemente os soldados do dia do juízo final. Por isso “Agains the world” é basicamente o nosso exército contra o mundo. “Raise The Dead” começa com um coro infantil que cria uma atmosfera meio negra / meio naif, que depois aumenta ainda mais o contraste com a parte forte da música. Como tiveram esta ideia? Depois de ouvir a versão instrumental da faixa, fiquei abismado com a vibração negra e arrepiante e queria encontrar uma letra que acompanhasse a música. Depois de estar contente com as palavras, tinha que encontrar uma forma de as apresentar e de as tornar interessantes. E não há forma mais arrepiante de o fazer do que ter um monte de crianças a cantar sobre levantar os

mortos. Eu queria musicar a faixa, de forma a soar tipo filme de terror como resultado final. Em “Warriars Code” têm uma espécie de manifesto. É uma música bastante interessante. Quem a escreveu e compôs? Nick Eash é o cérebro por trás desta faixa. Ele criou toda a peça. Teclados, guitarras, bateria. Tudo. Depois tivemos alguma ajuda de Ryan Kelly e Brian Lawlor nas orquestrações, o que também sucedeu em “The Great Stone War.”

“Este álbum é como um mix dos nossos dois lançamentos anteriores com esteróides.” Neste álbum têm músicas para todas as sensibilidades. Algumas com uma forte componente hardcore, outras com estilo orquestral e imenso detalhe. Quiseram alcançar o melhor de dois mundos? Tentamos sempre escrever a nossa música fora dos cânones. E isso é o que eu mais gosto na nossa banda. Nós escrevemos a música que queremos escrever e não estamos preocupados se vai ser mais metal ou mais hardcore. Desta vez tiveram Matt Hyde como produtor. Como correu? O Matt foi espantoso. Ele apoiou a nossa escrita e a nossa função enquanto banda e por estarmos com ele conseguimos atingir o som bruto e poderoso que queríamos captar. Neste álbum surpreendem-nos imenso. Aparecem sons que não

estávamos à espera, como as campainhas no princípio de “Most Hated”. Esta surpresa é um elemento que pretendiam criar ou é apenas um bónus aleatório? Como disse anteriormente, não temos constrangimentos ou limitações quanto à nossa música o que nos permite explorar o que quer que estejamos a sentir no momento. E naquele momento especificamente aconteceu ser uma campainha. Em “Only Song Were Allowed To Play In Church Venues” ouvimos as belas notas de piano da Alana. Como vive uma mulher num mundo de homens? A Alana faz parte do bando. Não sei como ela o faz mas consegue manter-se sempre a par da malta. Ela já lidou com muita coisa que faria a maior parte das miúdas (e até alguns gajos) abandonar as tournées permanentemente. Não posso dizer quantas vezes ela não gostou do cheiro e apenas sorriu. Neste álbum há uma certa atmosfera de cinema. Concordas? Sim usamos muitos arranjos orquestrais para criar uma atmosfera que pudesse facilmente ser usada no cinema. Qualquer género, desde horror à acção ou até cenas de batalha. Como escolheram a imagem para a capa do álbum? Queríamos trazer de volta o imaginário Samurai presente em “Decimate The Weak” como um símbolo do nosso regresso às raízes enquanto banda. Esperamos poder continuar o género Samurai como a nossa versão de Eddie dos Iron Maiden. Quem gostariam de convidar para assistir a um concerto vosso? Dog The Bounty Hunter. Entrevista: Mónia Camacho Fotografia: Hristo Shindov


Depois do lançamento de “Azrael”, os The Ransack tornaram-se um dos principais nomes do Underground nacional. Agora, 10 anos após terem formado a banda, apresentam o seu novo trabalho “Bloodline”. A Infektion esteve à conversa com Shore, vocalista desta formação Portuguesa. Os The Ransack já contam com cerca de 10 anos de formação, ainda assim demorou algum tempo para lançarem Azrael, o vosso álbum de estreia. É difícil ter uma banda de Metal em Portugal? Shore - Quando começamos, ainda estávamos a aprender a tocar e tentar completar a formação. Fomos fazendo alguns pequenos lançamentos entretanto, mas algumas mudanças de formação atrasaram a maturação do grupo. Entretanto conseguiram lançar uma demo e um EP antes do lançamento de Azrael, em 2007. Como foi a reacção do público à vossa banda? O Azrael foi realmente um ponto de viragem na nossa carreira. Nessa altura já tínhamos a formação actual e as coisas já fluiam com outra naturalidade, além disso o disco teve uma aceitação muito grande e fomos destacados como disco do ano em muitas votações, o que nos trouxe uma exposição completamente diferente do que tínhamos observado até este ponto. O lançamento do vosso primeiro disco lançou-vos para concertos com nomes internacionais muito conhecidos. Sentem que todo este esforço e esta espera valeu a pena ou isto foi apenas um pequeno capítulo numa grande história que está por contar? Sem dúvida que valeu a pena, pois é um trabalho do qual estámos muito orgulhosos e que realmente no abriu outras portas. No entanto já estamos a meio da composição do que será o 4º álbum da banda, pelo que esperamos que seja apenas um capítulo numa grande história ainda por escrever. Cada vez ouço falar mais em bandas de Metal vindas de Barcelos. Como está o panorama musical pesado por aí? Existem algumas bandas novas a surgir, fruto de uma nova geração que emerge agora e também algumas bandas que se reinventam nascendo das cinzas de projectos mais antigos e recuperando elementos de umas e outras bandas que

entretanto terminaram. De assinalar que entretanto Godog lançaram o primeiro álbum, os Necris Dust estão a gravar o seu primeiro álbum e do que sei penso que também os Coldfear também se preparam para o fazer. Pelo que me parece, neste momento a cidade de Barcelos tem bastantes novidades e actividade em termos de bandas e composição. “Bloodline” já está no mercado. Quais as vossas expectativas para este novo álbum? Conseguir uma maior exposição para a banda, principalmente a nível internacional, que nos permita vir a tocar em novos sítios e eventualmente ter outro tipo de condições para um próximo disco ainda melhor. Quais as principais diferenças que podemos encontrar entre “Bloodline” e o registo anterior? Penso que a diferença imediata que alguém que já conhece a banda irá notar será a nível de produção. Este disco foi produzido de uma forma diferente e com muita mais atenção aos detalhes. O Pedro Mendes fez um trabalho absolutamente brutal e o som ganhou outra dimensão em relação aos discos anteriores. Além disso, este é um disco mais moderno musicalmente, com mais melodia e groove que os discos anteriores. Embora seja tambem um trabalho mais coerente e focado num determinado género que eventualmente será a linha que iremos seguir pelo menos num futuro próximo em termos de composição. Neste álbum encontrei alguns dos instrumentais mais poderosos que alguma vez ouvi. Como foi chegar aqui? Desde já obrigado pelo grande elogio que em muitos nos orgulha. Sentimos que estamos numa fase de conhecimento musical mútuo excelente e que nunca tínhamos atingido até aqui. Além disso nesta nova aproximação de estilo, as coisas fluem com muito mais naturalidade e todos têm muito mais espaço para respirar na composição do disco. Penso que é isso que se nota neste disco.

A voz também está algo de espectacular. De que nos falam as letras? Na altura de escrever tens alguma fonte de inspiração que queiras mencionar? Mais uma vez obrigado. Em The Ransack, o tema da Morte sempre esteve presente na altura de escrever as letras. Tenho um grande fascínio sobre como a humanidade encontrou tantas formas diferentes de a encarar e interpretar. Além disso, neste disco surgem temas que exploram uma vertente mais pessoal que não havia explorado até aqui, como é o caso de Zenith ou Vicodin por exemplo. Tal como fizeram com o “Vortex”, aqui também podemos encontrar algumas participações especiais. Fala-me um pouco delas. É verdade, voltamos a repetir o Pedro Mendes, pois ele fez um trabalho verdadeiramente fantástico nos arranjos e fazia todo o sentido ter o feel dele registado desta forma. Além disso o solo surgiu tão naturalmente que não podíamos desperdiçar aquele momento de inspiração. Temos outra vez uma participação de um elemento de RAMP, desta vez o Pica, que é uma banda que nos influenciou muito e nos motivou a começar a banda, e por fim o Snake dos Endamage que é um grande amigo do qual me orgulho muito e era algo que sempre tive vontade de fazer. Sabes, não há nada melhor do que partilhar as tuas paixões com os teus amigos. Somos uns tipos com sorte por o poder fazer. Para concluir, o que podemos esperar de vocês assim num futuro próximo? Neste momento temos concertos marcados um pouco por toda a península. Estamos ainda a agendar mais uns concertos e festivais. Como os The Ransack nunca param, vamos compondo e neste momento já vamos no 6º tema novo, pelo que muito provavelmente no inicio do próximo ano já devemos estar de volta ao estúdio. Entrevista: Joel Costa


O amor proibido e outros temas capazes de gerar segredos dão o mote a músicas com entradas perfeitas. Uma alusão musical aos contos de fadas. O tom adocicado contrasta com o metal e alguns toques de ópera dão o toque final. Não aceitando rótulos para a sua música, Jan Yrlund falou à INFEKTION de “Secret Passion” o novo álbum dos IMPERIA.

S

ecret Passion dá nome ao álbum. É a melhor canção, ou apenas aquela que tem o nome mais poético? Jan Yrlund - Na verdade estivemos muito tempo a pensar no nome, e este foi o nosso título provisório. Mas no fim, todos os outros que equacionamos não soavam tão bem. Este é um título que tem algum mistério, mas também tem poder e paixão. Acho que é intrigante. E sim, também penso que a canção é uma das mais fortes do álbum. Todas as vossas canções começam de forma especial, (“Violence” and “Missing it all” são bons

exemplos). Ao compor dão muita importância a essa parte da música? Sim. Gosto de pensar na can-

ção como uma mini estória que precisa de ser construída, normalmente com uma pequena introdução. Se calhar até são demais as que temos desse género, mas gosto da ideia de as ver crescer. Eu gosto mesmo de introduções e dos pedaços instrumentais aí presentes. Vamos falar dos convidados que têm neste álbum. Como pensaram em Oliver Philipps para fazer as orquestrações?

O Oliver é um velho amigo e já trabalhei com ele em pelo menos dez álbuns desde que o conheci em 1997. Ele é um músico brilhante e um excelente produtor também, isto para não falar das suas capacidades vocais. Ele fez as orquestrações do nosso álbum anterior, “Queen Of Light” e também do álbum “Angel”. Por isso ele foi uma escolha óbvia. Desta vez ele não produziu o álbum, concentrou-se mais nas orquestrações, no piano e em algumas partes vocais. Fizemos a produção nós próprios, com a ajuda dele e do Jacob, responsável pelas nossas misturas. O violoncelo da Tina Guo dá uma


forte textura à vossa música. Tinham-na em mente quando começaram a criar? Sim, eu sempre quis apresentar um violoncelo numa canção inteira. Ao pensar em possíveis violoncelistas não tive que procurar muito. Eu trabalhei na parte gráfica do álbum da Tina, por isso conhecia-a. E claro que fiquei muito impressionado com as capacidades dela enquanto violoncelista clássica. Acho que ela toca maravilhosamente. Por isso quando escrevi as notas para “Let Down” enviei-lhe a demo e as notas para Los Angeles. Fiquei feliz por ela aceitar este convite tão em cima da hora. Ela possui um estúdio de gravação e por isso pôde gravar as peças rapidamente. E fê-lo na perfeição. Também lhe pedi para ser audaz e tocar um solo de violoncelo eléctrico no meio da canção. O que ela também fez. Acho que ficou maravilhoso. Tenho a certeza de que vamos colaborar mais vezes no futuro. Gravaram um instrumento em cada país, isso não afecta o colectivo da banda? Não. Não afecta muito. Desta vez essa foi a melhor escolha e a mais simples. As canções são “demos” prontas quando começamos a gravar. Por isso cada um só tem que tocar a sua parte e melhorar a canção. O Steve gravou a bateria no “Spacelab Studio” na Alemanha, uma vez que ele é alemão e o estúdio não fica muito longe da sua casa. Eu gravei as guitarras no meu estúdio pessoal. E o Oliver foi à Noruega gravar a voz da Helena. Transformaram a casa dela em estúdio. Desta forma cada um pode levar a sua vida e ao mesmo tempo gravar o álbum em partes. Correu muito bem. Fazíamos frequentemente reuniões via Skype. Depois enviamos as gravações ao Jacob Hansen para a Dinamarca para ele fazer a mistura. Ele fez um trabalho magnífico. É incrível o que consegues fazer hoje em dia através da internet. O último álbum, gravamos juntos no estúdio, e ficou como este. O resultado final é igualmente bom. Claro que com isto não quero dizer que não seria agradável passar três semanas em estúdio com eles a divertirmo-nos. A canção “Suicide” tem um toque muito forte de “Metal Opera” que resulta muito bem. É uma influência directa do género vocal da Helena? Ela é bastante conhecida a cantar ópera com os “Trail Of Tears” e também no

primeiro álbum IMPERIA. Essa é a sua imagem de marca e ela é muito boa nisso, mas agora ela quer variar um pouco pois cantar sempre ópera pode tornar-se aborrecido. Felizmente ela consegue cantar uma grande variedade de emoções. Nesta canção em particular, ela tentou deixar os sentimentos à solta e entrar na letra, como o desespero. É um assunto sério e a voz dela é uma reacção directa a isso. É selvagem, por vezes insana, mas também graciosa. Consideram ir mais além neste caminho “Metal Opera”? Não, penso que isso já foi feito no nosso primeiro álbum. Agora a ópera é uma voz aqui e ali. Quase um efeito. Em algumas partes fica brilhante mas outras precisam de uma abordagem mais suave e límpida. És o responsável pelo trabalho artístico na capa do álbum. Como tiveste a ideia que aí vem expressa? Sim sou. Basicamente o título do álbum e a canção que lhe dá nome são sobre amor misterioso e proibido, ou pelo menos secreto. Por isso, quis colocar a Helena num bosque, num cenário escuro. Quase como numa estória de fantasia. Tive esta ideia a partir do vestido que ela estava a usar. As duas árvores por cima dela cresceram juntas. E já não somos capazes de distinguir se os ramos pertencem a uma ou a outra. Este é um símbolo do amor que é mantido secreto. E ela está absorta como que a pensar nisso. Quanto da sensibilidade artística de Jan Yrlund, temos na música dos IMPERIA? uuuhh. Acho que não sou a pessoa indicada para responder a isso. Acho que a nossa música é uma mistura de bonitas melodias com a voz da Helena. Ambas se complementam. Assim nesses pontos de beleza tens algo do meu trabalho artístico, mas depois o tipo do metal ataca com riffs. É difícil dizer. Consideram a vossa banda “Metal Doce”? (Risos). Não, nem por sombras. Acho que é um cliché tentar rotular as bandas. Acho que basicamente estamos a fazer música rock com um toque ligeiro de metal. Mas definitivamente a tónica está no rock e não no metal. Mas claro que temos pontos de doçura. As canções são basicamente meio-tempo com doces melodias que esperamos que sejam cativantes, misturadas com

a voz da Helena. Mas claro que de vez em quando temos necessidade de por o metal a rolar. Também precisas de algo para abanar a cabeça. Pois afinal de contas todos gostamos de tocar pesado. Devias ver a Helena a desvairar em palco, a cantar ópera e a abanar a cabeça. Nunca vi ninguém ser tão selvagem dentro deste género. Que tipo de evolução fez a banda desde “The ancient of Qetesh”? JAN YRLUND – Acho que a banda evoluiu bastante. A música tornou-se mais variada e interessante. “Queen Of Light” foi talvez demasiado progressivo em algumas partes e em “Secret Passion” quisemos fazer uma abordagem mais simples, mantendo o melhor do nosso estilo. Dei conta que

tocar peças complicadas de progressivo em palco não me dava prazer. Preferi uma abordagem mais directa desta vez. Sabe bem. Sem demasiada técnica snob. Apenas tocar directo e pleno. O que vos inspira? Ah… Muita coisa além da música. A inspiração pode vir de qualquer lado. Dos filmes, da natureza, da rádio, dos riffs. Sei por exemplo que a Helena escreve a maior parte das canções a partir das suas experiencias pessoais e da sua vida. Algumas letras são quase auto-biográficas. E significam muito para ela. E às vezes até é difícil vê-la cantá-las em palco, uma vez que a tocam tanto pessoalmente. As pessoas pensam que ela às vezes finge as lágrimas, mas tal não é o caso. Para que concerto comprarias bilhetes? Boa pergunta. Sabes, agora que vivo em Tampere na Finlândia, depois de ter vivido quinze anos na Holanda, percebi que já não temos que viajar para ver bandas. Quando me mudei daqui, esta cidade não estava no mapa das tournées de nenhuma das grandes bandas e precisávamos de fazer centenas de quilómetros até Helsínquia ou até mesmo à Suécia para as ver. Mas nos últimos anos todos vêm cá. Já vi todas as grandes bandas de metal aqui na minha cidade. Vivo a apenas quatrocentos metros do ringue de gelo onde costumam tocar todos os meus músicos favoritos. Quase que parece que estão a tocar no meu quintal. Por isso já não preciso de comprar bilhetes. Basta abrir a janela e ficar a ouvir. Entrevista: Mónia Camacho


Já falta muito pouco para que os WAKO dispensem qualquer tipo de apresentação. Depois de quase 10 anos no activo e do lançamento fantástico de “The Road Of Awareness” este ano, a banda Portuguesa prepara-se para mais conquista e para contornar qualquer dificuldade que lhes apareça. A Infektion falou com Nuno Rodrigues, vocalista da banda.

W

AKO quer dizer “We Are Killing Ourselves”. A escolha deste nome tem algum significado em particular? Nuno Rodrigues - Sim este nome tem um significado muito simbólico. “We Are Killing Ourselves” é uma referência geral aos actos e pensamentos que se reflectem no dia-a-dia em cada um de nós. Este nome aborda a componente drástica em massa. De um modo geral acho que é uma frase que vive alojada no nosso subconsciente que para alguns poderá ter um sentido “holocáustico”. Poderei dizer que para aí caminhamos também duma perspectiva

individualista. O nome em si WAKO é na sua extensão por iniciais, um estágio alertante, uma antítese que parte de um significado e culmina noutro. WAKO será o espectro do mundo em que se reflecte a loucura absoluta atingida pelo homem no processo de destruição de si próprio. O título deste novo álbum, “The Road Of Awareness” também parece ter um significado forte. De que nos fala o álbum em termos gerais? A temática está envolta de uma viagem, uma jornada por assim dizer de um viajante, que personifica tanto deliberada-

mente o meu eu, a banda, ou o público que irá absorver este álbum. Por tal, o álbum reporta a caminhada onirica desta “personna”, através de estados de sonho banhados e pintados de forma cruel e surrealista. De forma conceptual as letras estão todas interligadas, edificando o trilho em constante mutação e construção da personagem, esta a qual está condenada pela sua condição de ser, uma mera vontade representativa do mundo que a envolve. A personagem quer o desapego total da realidade e de todo o tipo de matéria, desdobrando- se em vários “eus” resultantes em diversas metamorfoses fisícas e mentais, a viagem que supostamente deveria ser um


ingredientes mais poliritmicos e contrabalanceados, mas prevalecendo todas as componentes características da banda, o power - groove, as ambiencias harmoniosas e toda aquela descarga catchy em cada refrão. Vocês já figuraram em algumas revistas internacionais com participações em colectâneas, artigos, etc. Sentem que vão ter o mesmo tipo de apoio para este disco? Quais são as vossas expectativas? Sim queremos continuar a trabalhar da mesma maneira. Apostando na mesma fórmula para obtermos um bom feedback ou ainda maior que o 1º álbum. Todas as músicas que apresentam neste vosso álbum possuem uma identidade própria uma intensidade única. Como foi chegar aqui? Como é o vosso ambiente na hora de compôr? Todo o processo foi demorado e de certa forma exaustivo. Tínhamos múltiplas ideias e conceitos para revestir este disco. Pretendiamos uma nova roupagem, uma nova face, tentar fazer algo diferente do Deconstructive Essence. Sabiamos que não poderiamos repetir a mesma dose de sonoridade. Foi um embate louco de ideologias e inspirações, mas que a resolução está latente, reinventando nos sem perder a identidade distinta da banda.

estado de sonho torna-se uma constante alucinação, um infindável pesadelo. Aquilo que almejava ser uma coroação da sua existência transforma-se numa sagaz representação idílica da realidade, uma cela inserida dentro de um sonho dentro de outro sonho. Uma visão quimérica perturbante de tudo aquilo que desejamos.. O todo e o nada.

No período de gravação ainda tínhamos a formação antiga, por tal não afectou de alguma forma a natural composição do disco. Tivemos a saída de um elemento no decorrer do processo, situação esta que foi salvaguardada e resolvida pela inclusão do Daniel Cardoso na bateria, como músico de sessão do álbum.

Já contam com 10 anos de carreira. Este álbum serviu para assinalar a data ou foi algo que surgiu com naturalidade? Ainda temos 9 anos de percurso. Celebraremos os 10 anos em Dezembro deste ano. Mas foi meramente um acaso..

Quais são as principais diferenças que podemos encontrar entre o trabalho que nos deram a conhecer em 2007 (Deconstructive Essence) e “The Road Of Awareness? Este álbum está muito diferente do primeiro. Houve um amadurecimento de ideias, todos evoluímos musicalmente. Posso ditar que o novo álbum está mais técnico-agressivo, mais denso, mais pesado do que o anterior, com uma envolvente obscuridade psicadélica. Tem

Passaram por algumas mudanças. Isso afectou o vosso rendimento nas gravações deste novo álbum?

De que nos fala a música “Ship Of Fools”? O tema teleporta-nos para um distorcido sonho da suposta viagem, em que a personagem torna-se o veículo de si próprio, não querendo navegar nas correntes nefastas do relativismo da sociedade. Desprendendo-se de todos os padrões maquinais, aniquilando-se, para de forma prepotente atingir a imortalidade. Uma letra livre para qualquer interpretação. Para terminar, existe já algum plano para entrarem na estrada e divulgar “The Road Of Awareness”? De momento estamos com uma boa agenda em Portugal. Vamos para a estrada, porque o que mais queremos é tocar este álbum ao vivo e partilhá-lo com o público. Após as datas em Portugal vamos visionar e planificar uma tour europeia e, quem sabe, um regresso ao Estados Unidos. Entrevista: Joel Costa


Descrever The9thCell em quatro linhas era completamente impossível ou se o fizéssemos não teríamos oportunidade de falar sequer em 10% daquilo que este projecto representa. Uma das melhores “bandas” nacionais sem editora e adivinhem: tem apenas um músico. Falamos com o mentor David Pais acerca dos três últimos lançamentos e de muito mais. Confiram abaixo:

P

assaram-se cerca de 5 anos desde o lançamento do teu álbum de estreia e nesse mesmo ano puseste cá fora mais dois lançamentos independentes. Como foi gerir todos esses lançamentos? David Pais - Bem...não foi muito fácil porque infelizmente, a música não é a minha actividade principal. No entanto, com muita paciência, trabalho e dedicação, consegui lançar cada um dos álbuns a seu tempo. Não foi tão fácil como este “Point Blank Range”, porque na altura não havia muitos sites onde se pudesse manter os álbuns “vivos”. O bom de tudo é que as plataformas na Internet evoluíram imenso, e hoje em dia consegues colocar o teu álbum em qualquer lado a custo zero.

projecto não passou totalmente ao lado, e reparei que começou a haver pessoal a ouvir e a gostar de algumas coisas que tinha feito, e tomei isso em consideração quando comecei a compôr novo material. Continuei a sentir-me livre de qualquer rótulo, e obviamente fiz o que mais gosto de fazer na música, que é ser

No ano 2010 voltaste a fazer o mesmo e lançaste 3 álbuns quase seguidos. Quais são as principais diferenças entre o trabalho que fizeste em 2006 e este mais recente? Para ser sincero, em 2006 eu não tinha ninguém a ouvir o meu trabalho, portanto foi um período muito experimental, onde tive liberdade para fazer trinta por uma linha. Felizmente este

totalmente espontâneo e explorei a minha musicalidade de várias maneiras. Não é, de todo, um trabalho a ter em consideração para os mais tecnicistas ou os mais puristas em relação ao Metal...sinceramente, fartei-me de muita coisa dentro do “Metal”, como várias ideias pré-concebidas sobre o que é e não é “Metal”, e depois de alguns debates acesos com vários “metalheads” que conheço, sinto-me orgulhoso por não

“The9thCell é um projecto que se apoia no metal mas que não é apenas isso.”

fazer parte da “tribo” metaleira. “The9thCell” é um projecto que se apoia no “metal” para algumas coisas, mas que efectivamente não é, felizmente, apenas isso. Este novo trabalho reflecte isso mesmo. No fundo, nota-se que este novo trabalho é mais maduro e também mais eclético do que o que fiz em 2006. E também mais bem tocado e produzido (risos)! Entretanto já te encontras a preparar novidades para The9thCell com o lançamento de algo relacionado com Sweeney Todd. Fala-nos disso. Como já é sabido, sou fã incondicional do Sr. Burton. Desde que vi a sua adaptação para cinema daquele sombrio musical, que a ideia ficou a moer-me o juízo...e como não gosto de me limitar, comecei a pensar seriamente em fazer eu mesmo uma adaptação, mas alterando-lhe a história, dando-lhe uma roupagem mais contemporânea. Talvez um pouco à luz do que o American McGee fez com a célebre “Alice no País das Maravilhas”! Essa abordagem realmente inspirou-me a criar algo baseado na história original de “Sweeney Todd”, mas mais negro, mais distorcido. Já escrevi algumas das alterações


que pretendo fazer nesta adaptação, e já ando há uns meses a magicar o que poderei fazer com esta obra. O mais básico que me ocorre no momento, é convidar vocalistas que conheço para interpretarem certos personagens...no fundo, criar um álbum que misture música orquestral com as distorções “cellienses”, quase como se de uma verdadeira”rock-ópera” se tratasse...algo como “The Human Equation” de Ayreon, que tem vários vocalistas a encarnar diferentes sentimentos. Fiquei ainda mais ispirado quando um amigo meu que é Maestro me assegurou que poderíamos fazer uma gravação com uma orquestra real, estando ele a assegurar a orquestração daquilo que eu compuser...e obviamente, fiquei motivadíssimo para começar logo a criar tudo e mais alguma coisa (risos)! Mas é algo que ainda vou ter de pensar muito bem, porque já tenho vários esboços para novas canções para um novo álbum, mas não foram pensadas para o musical...por isso ainda não sei bem o que vou fazer. Quando ouvi Lovely Xmas Lullabies senti que estava num musical e tens aí um bom álbum com um excelente conceito. O musical é algo com que te identificas? Bem! Antes do mais, obrigado por teres gostado (risos)! É realmente um trabalho um pouco mais conceptual, tendo o Natal como tema e tal...mas quando compus esse álbum, estava à procura de algo mais directo mas ao mesmo tempo que pudesse incorporar elementos ambientais e que fosse algo eclético. Não tinha um musical em mente, mas confesso que já pensei em fazer uma adaptação orquestral de várias músicas desse e dos anteriores álbuns, porque se há coisa que me agrada é ouvir uma orquestra. Amo mesmo. É a Música no seu expoente máximo e ao mesmo tempo primitivo. Por isso talvez seja mesmo essa a vertente que vá tomar com um próximo álbum... Fala-nos das três partes de “Point Blank Rage”. Que mensagem procuras transmitir com cada uma delas? Em “Point Blank Range”, abordo a Globalização de um modo geral, que é um tema que me preocupa bastante. Estou realmente preocupado com o que está a acontecer no nosso planeta, em que as sociedades civilizadas se parecem estar a emergir numa só. Creio já não faltar muito para todos fazermos parte de países-estado dos E.U.A.. Sei que

parece uma visão muito negra e muitos já a consideraram irrealista, mas no meu ponto de vista, e tendo em conta o que vejo acontecer todos os dias com as multi-nacionais e Governos a influenciar Governos, já só falta contar os anos até sermos todos “americanizados”. Em relação aos actos em si, no primeiro acto, “(D)og (E)at (D)og”, falo mais concretamente daqueles que nos

“Já só falta contar os anos até sermos todos americanizados”

tentam colocar abaixo a todos os instantes: multi-nacionais, pessoas sem escrúpulos, editoras e políticos. Se reparares, eu coloquei as primeiras letras de cada palavra da frase “Dog Eat Dog” em parêntesis, o que perfaz “D.E.D.”, o que também pode ser entendido como “Dead”, “Morto”. Na verdade, é um excelente complemento à citação e ao tema de que o álbum fala, e é também um pequeno tributo ao “Arise”, dos Sepultura, em que o Max debita naquele seu típico timbre visceral, “I see the world dead.”. Claro que estas pequenas coisas não são assim tão óbvias e não gosto de as tornar óbvias, e como ainda ninguém se apercebeu disso, resolvi revelar (risos). No segundo acto, “Glocapitalization”, foco mais a falta de tempo que temos para agir, e até mesmo o próprio facto de termos de agir para não sermos sugados pela Globalização cada vez mais iminente. É um acto um pouco mais revolucionário, com temas como “Time-Out”, “Go Fu(n)k Yourself!” ou a versão da “Testify”, de Rage Against The Machine. No último acto, decidi ir mais além e dei-lhe o nome de “All-Merry-Cah”, que traduzido em miúdos, indica que todos estaremos muito felizes por seremos do dito país, e que este mesmo terá influências do Médio-Oriente com a última palavra “Cah” a fechar o título. Ao contrário do que os The Dillinger Escape Plan citaram, a ironia não é de todo, uma cena morta. Que participações especiais é que podemos encontrar nestes teus novos trabalhos? Neste “Point Blank Range”, tenho vá-

rias participações que já andava a querer há imenso tempo! Em primeiro lugar, tenho o Rui Zargo, que é o baterista de uma das bandas em que toco, No Tribe. Na altura em que estava a iniciar as gravações vocais para o álbum, gravei as primeiras partes em casa dele, e que melhor maneira de agradecer do que convidando-o também a fazer parte? Ele adorou a ideia, e como na altura também estava mais virado para a voz do que para a bateria, destruiu tudo na “Pride” e ainda contribuiu com alguns risos maléficos e uma linha melódica na “Cadavers, Inc”. Conto - e canto - também com o Pedro Isi, o vocalista de No Tribe, no tema “Dark Blood”. Foi algo que eu já queria fazer desde que entrei como baixista na banda, porque gosto muito do seu timbre grave, mas teria de ser um tema onde ele pudesse explorar a sua voz em várias vertentes, e creio que não poderia ter havido melhor escolha. Nesse mesmo tema, também participa o Pedro Caldeira, um dos guitarristas da outra banda em que canto, Ashes. Na verdade, e a título de curiosidade, parte deste tema era o esboço inicial para uma música nova de Ashes que eu e o Caldeira estávamos a tentar criar. Depois de alguma deliberação em conjunto, chegámos à conclusão de que realmente era mais enquadrado em The9thCell, e então terminei-o para o projecto. Vindo também da ala “ashesiana”, há uma participação do Marco, que é o nosso violinista, no tema “New World Warning”. Esse tema surgiu de uma improvisação que estávamos a fazer numa pausa num ensaio da banda, em que eu estava a tentar tocar alguma coisa na bateria, e ele juntou-se. Como eu estava a gravar, mais tarde ouvi o resultado e achei que servia como interlúdio perfeito para o segundo acto. Convidei também a vocalista das Bellendenker, Marta Almeida, a.k.a. Marta Lefay, para cantar comigo em dois temas, “It’s Ex-GohGoh” - dedicado a um célebre dono de uma célebre pseudo-editora portuguesa - e “Oh Joy!”, um tema mais doentio e pesado. Era já algo que andava a querer fazer, principalmente por ela me ser das pessoas mais chegadas, e porque gosto da forma crua de como ela canta! Convidei também o Dennis Monroe, dos Slime Fingers para partilhar a voz comigo no “Time-Out”, onde ele também ofereceu um solo de guitarra sem lhe ter pedido nada, o que foi muito porreiro! Temos também o Emmanuel Lopes, que é já um grande amigo meu de longa data, que criou samples de guitarra tocada por ele, e


que me deu liberdade total para brincar com eles, e o resultado está na “Go Fu(n)k Yourself!”, que é um tema de rock bem pesado, mas que também roça um pouco de Funk, que é um género que ele adora. Conto ainda com a participação de Tylean, uma violoncelista / pianista inglesa, de quem já tinha ouvido várias músicas e sempre pensei em convidar para um tema mais soturno. Esse tema acabou por ser a segunda parte de “Singularity Feeder”, um tema que recupero de “9 Points of Seizure - Act II”, em que ela participou com vários trechos vocais e secções de violoncelo. Em jeito de agradecimento e tributo, participo no álbum de covers dela chamado “Me(n)tal”, com o tema “Green”. Vindo directamente de uma colaboração conjunta com um grande amigo meu, Ricardo Mestre, de um projecto electrónico que temos chamado “Wishful Thinking”, também surgiu um tema chamado “Melting Asphalt”, que estava num conjunto de temas que estavam meio esquecidos, e como eu amo esse tema, não resisti em pedir-lhe “emprestado”, para poder partilhá-lo com o mundo o quanto antes (risos)! Tenho também uma participação mais lírica, vinda da minha amiga Ana Rita Gomes, que escreveu uma letra maravilhosamente melancólica para a “Dis(un)solved”. Por último, participa o Flávio Silva, vocalista daquela que para mim é a melhor banda portuguesa actual de metal-progressivo, Oblique Rain, no tema “We, the Pawns”, alusão mais do que satírica ao “We, the People” da constituição americana. Não se ficando apenas pela voz, o Flávio também juntou às suas linhas vocais algumas linhas de guitarra que ficaram perfeitas, e então decidi deixar tal como ele a deixou, não me atrevendo sequer a cantar, talvez com medo de estragar o que estava feito. Gosto mesmo muito daquele tema como está, e não pensei duas vezes em deixá-lo quietinho (risos)! A nível de concertos já te estreaste ao vivo ou é algo que ainda está para vir? THE9THCELL - Infelizmente é uma realidade ainda muito longínqua, embora tenha tido uma proposta de dois guitarristas (um deles o Ricardo, de No Tribe) para fazer concertos com alguns temas. Fiquei sempre com esse bichinho de dar

concertos, e até já criei algumas listas de músicas, mas se for para levar The9thCell ao vivo, quero que seja como banda completa, com todos os elementos e não apenas 2 guitarristas, eu e um computador (risos), por isso não sei. Parece-me ser mesmo uma realidade bem distante. Mas nunca digo nunca, principalmente se alguma editora se chegar à frente. Estás presente em muitos outros projectos onde desempenhas diversos papeis. Como vêem eles o teu trabalho em The9thCell? THE9THCELL - Eles acham engraçado, e muitas vezes há comparações entre o que eu faço em determinada banda com o que faço no meu projecto. É sempre gratificante poder fazer parte de um colectivo de músicos que são realmente criativos e ouvir o que eles têm a dizer sobre a barulheira que faço (risos)! Mas sei que no fundo, me respeitam pelo que faço e pela paixão que transpiro sempre que falo de alguma coisa nova que ando a magicar. És também responsável pela produção e masterização dos teus álbuns. Fazes isto porque sentes que, sendo tu parte única do projecto, és a pessoa indicada para fazê-lo ou faltam apoios? Ainda sobre os apoios... Sentes-te apoiado em Portugal? Bem..neste projecto, eu sou um bocadinho “control-freak”, gosto de ser eu a controlar tudo no que toca à produção e masterização. No entanto, e pela primeira vez, quis ajuda para melhorar a forma de como os temas estavam a soar, e tive a ajuda de um grande amigo meu, o João Baptista, que co-produziu o primeiro Acto e alguns singles. Depois de ter recuperado a minha confiança e de perceber como chegar à sonoridade que eu queria, retomei as rédeas nos restantes dois Actos. Relativamente a apoios em Portugal...? Bem, será bem mais fácil sair-me o Euromilhões ou tornar-me Primeiro-Ministro. Infelizmente, este país continua um deserto no que toca a apoios a novos projectos musicais que estejam fora daquilo que é considerado de “qualidade” e está na moda. Hoje em dia está muito, mas muito difícil arranjar sequer sítios para dar concertos com as minhas

bandas, quanto mais para me apoiarem em The9thCell, que ora é 8 ou 80. É uma triste e dura realidade, mas se não fores Indie ou Pop, não estás na berra, e então não tens empresas a querer pegar na tua música e incluí-la na playlist de algumas rádios bem conhecidas, ou colocar-te nalguma palhaçada-novelística. Enfim. É Portugal e chega. Tens alguma obra tua que consideres como favorita? Isso é tão difícil para mim...é quase como se tivesse de escolher entre os meus filhos, porque é o que são para mim! Ultimamente, tenho ouvido alguns temas do “Point Blank Range”...e acho que é mesmo esse o meu favorito, de momento. Talvez para a semana me lembre de relembrar o “Lovely Xmas Lullabies”, e então durante essa semana é esse o meu favorito. Houve alturas em que andei viciado no “9 Points of Seizure”, ao ponto de o odiar tremendamente e voltar a amá-lo incondicionalmente. Enfim. Nunca sei. Espero sempre que termine o próximo para ser o meu favorito (risos)! Para finalizar, alguma coisa que queiras dizer aos leitores da Infektion? Apoiem esta e-zine e os músicos nacionais, porque este país precisa realmente destas iniciativas que mantêm o underground bem activo, para que talvez um dia, o underground possa ascender e fazer com que se criem melhores plataformas para mostrar o que de bom é feito no nosso país, dentro dos vastos universos que são o “Metal” e o “Rock”, gerando um melhor e mais prolífero circuito de divulgação e concertos! Carpe Diem. Entrevista: Joel Costa


Aquilo que era visto como um Side-Project, rápido se tornou na actividade principal destes músicos. Os Aosoth vêm para ficar mas certamente com muitas dificuldades pelo caminho. Falamos com o mentor do projecto, MkM sobre a situação da banda e o novo lançamento.

C

omo está a correr a parceria com a Agonia Records? MkM - Até à data, muito bem. Nós já nos conhecíamos desde os tempos em que a minha banda principal, Antaeus, ainda estava no activo. A Agonia tem feito um excelente trabalho e dá-nos a liberdade artística que queríamos para este álbum e para a arte do mesmo. Como deves ter percebido, o nosso estilo musical não é daqueles que vai trazer muitas vendas e chamar a atenção do mainstream. Para o nosso segundo álbum propusemos algo frio e dissonante e para o terceiro que vai sair em Abril resolvemos levá-lo a outro nível, no que toca à opressão na indústria musical.

está mais ocupada a cuspir-nos do que a fazer seja o que for por isso é complicado formar uma opinião honesta sobre o trabalho de alguém quando tu sabes que eles falam mal de ti e inventam merdas. Há cada vez menos pessoas a ir aos concertos, as condições para as bandas actuarem estão cada vez piores, locais a fechar... E olha que isto está muito bem resumido! E sim, eu disse que as editoras, bem como o público, não vão dar a mão a bandas francesas uma vez que o interesse geral está nas bandas da Escandinávia. A tour que fizemos com Watain & Shining só provou que eu tenho razão.

Os Aosoth foram criados devido aos Antaeus. Qual a principal diferença entre estes dois projectos e porque é que Antaeus foi posto em lista de espera? Aosoth era muito semelhante a Antaeus nos primeiros tempos devido à ausência do nosso baterista, que nunca aparecia aos ensaios. Devido a isso, o nosso segundo guitarrista tinha que tomar a posição do baterista e a nossa performance era ligeiramente diferente... muito mais Black Metal “old school”. Depois Aosoth passou a ser um projecto meu e evoluiu desse estilo musical para algo com mais sons industriais e black thrash no primeiro ábum até ao holocausto total dos dias de hoje. Eram tempos diferentes e com uma ligação ao Satanismo e à devoção. Antaeus ficou inactivo devido a uma decisão tomada pelo Seth, o guitarrista principal, depois da nossa tour com os Secrets Of The Moon. Como nunca conseguimos encontrar um line up adequado para tocar ao vivo e nunca nos interessamos em apresentar os Antaeus em más condições, tivemos que parar.

“É complicado formar uma opinião honesta sobre o trabalho de alguém quando tu sabes que eles falam mal de ti.”

Disseste numa entrevista que as editoras normalmente pensam que as bandas Francesas não são boas. Como descreverias o Black Metal na França? Podes recomendar-nos algumas bandas? Deathspell Omega, VI, Drastus, Order of Appolyon, Hell Militia, Temple of Baal... Não estamos em contacto com bandas do nosso país e a maioria delas

Sobre essa tour, como foi a experiência de partilhar o palco com Watain & Shining? Foi interessante. Tenho todo o respeito por Watain mesmo apesar de não ser grande fã dos últimos CDs, no entanto eles arrasam ao vivo. Foi muito intenso vê-los a tocar temas antigos como “My Fists Are Him”, que eu lancei anos atrás na minha editora, Spikekult. Foi uma honra poder tocar com eles. No entanto foi muito difícil para nós ter que tocar com um som comum, uma vez que não tínhamos engenheiro de som nem mesmo o direito de modificar volumes ou o que quer que fosse. Como tínhamos uma configuração diferente da deles, não nos foi possível fazer as coisas direitinhas. Nada que se possa fazer: eles são cabeça de cartaz e as bandas de abertura já têm muita sorte em poder estar lá. Quais vão ser as diferenças entre “III” e o teu trabalho anterior? Cada álbum tem a sua própria identidade. O primeiro foi gravado como uma

colecção de temas para tocar ao vivo. “Ashes Of Angels” era mais dissonante e a maioria dos temas não podiam ser tocados ao vivo devido à nossa situação. Já “III” é o álbum mais pessoal e introspectivo. Podes considerá-lo como uma performance, sangrando ódio de dentro, mais lento mas ao mesmo tempo mais barulhento e opressivo. Não é fácil ouvir Black Metal. De que nos fala “III”? O processo de composição para este álbum foi muito semelhante ao “Blood Libels”, que lancei através dos Antaeus. Estou ansioso por ouvir este CD na sua versão em vinil e ver a artwork alternativa do LP também. “III” é um capítulo dividido em seis cenas sendo que, na minha opinião, a quinta é a epítome. Para concluir, de que forma vão promover este novo álbum? Existe algum plano para uma tour? A tour com Watain & Shining foi a tour que serviu para promover o álbum “III” e também para colocar o nosso nome a circular por aí. Devido à estrutura musical de “III”, não nos vai ser possível tocá-lo ao vivo se continuarmos com as mesmas condições que temos tido até à data. Precisamos de um segundo guitarrista para tocar connosco, caso contrário não vale a pena pois vamos estragar tudo. A menos que consigámos fazer as coisas desta maneira não vamos tocar. Não faria sentido... Temos vindo a comprometer a nossa set list adaptando as músicas a um só guitarrista e isto acontece devido a restrições por parte do nosso agenciamento de tour. Eles pedem-nos para termos apenas um guitarrista no sentido de pouparem algum dinheiro e eu acho que só com dois guitarristas é que conseguiríamos prestar o devido respeito ao nosso trabalho e ter um som muito mais poderoso. Entrevista: Joel Costa


Os Sarcastic Mind nasceram em Março de 2008 e são provenientes de Lagoa (Faro). Apelidam a sua sonoridade de Death Metal Melódico. Contam já com um (grande) dueto com Fernando Ribeiro dos Moonspell. O EP está online. Fomos ver a sua participação no 7º Concurso de Bandas de Garagem realizado pela Câmara Municipal de Setúbal. E falámos com o seu vocalista, Tiago Cantigas. A participação no 7º Concurso de Bandas de Garagem de Setúbal foi uma decisão unânime entre os membros da banda? E qual foi o principal motivo pelo qual se inscreveram? Tiago Cantigas - Sim, a decisão foi unânime. O nosso principal motivo de participação foi e continua a ser expandir o nome da banda e dessa forma darmos conhecimento da nossa existência, para que ao longo do tempo possamos visitar cada vez mais palcos. (levarmo-nos ao máximo de sítios possíveis.) Todos os festivais nos quais participaram eram direccionados para o vosso género musical? Nem todos foram. Quase todos os concursos nos quais participámos foram

de estilo livre. Talvez um ou outro tenha sido mais direccionado mas grande

muitos concursos virados para metal, comparando com outros estilos, porém a “estatística” mostra que tem havido uma melhoria, pelo menos no Algarve.

“Infelizmente, existem muito poucos concursos dentro no nosso estilo musical.”

Sabendo que, em Setúbal, iriam a concurso com bandas pertencentes a distintos géneros musicais (indie-rock, post-punk, hardcore, dubstep, pop), este facto verificou-se uma dificuldade acrescida ou um desafio? Não, não vemos isso como um desafio mas sim como mais uma oportunidade de mostrar o nosso trabalho independentemente de qualquer estilo musical. Na verdade acho que os dois, um concurso é uma oportunidade mas tendo em conta a concorrência e interesses do público e júri revela-se um desafio.

parte deles eram de estilo livre. Infelizmente, sabemos que em Portugal existem muito poucos concursos dentro no nosso estilo musical. Não existem


Adaptamos a nossa performance ao nosso estilo musical, talvez seja a libertação do que realmente somos (risos). Mas tendo em conta que nos palcos deixamos marcas, fora deles é bem ao contrário, passamos despercebidos. Porquê as pinturas? Ouviu-se na plateia. Como foi referido na resposta anterior, a nossa performance em palco tende a ser distinta, daí optarmos pelas pinturas. É mais uma forma de realçar a nossa actuação. Queríamos fazer algo de diferente na nossa actuação, não apenas mais uma banda a tocar, surgiu a ideia das pinturas para marcar alguma a diferença.

Tendo em conta o facto de não terem sido apurados para a final do concurso, admitem que a circunstância de se estar há mais tempo na música, caso da banda que venceu, pode influenciar os resultados num concurso como este? O facto de não termos sido apurados não tem que ver com o tempo de existência de uma banda, apesar desse factor influenciar a maturidade e experiência das bandas. Acho que é apenas uma questão de estilos e gostos. As vossas expectativas de participação no concurso estiveram relacionadas com uma crescente necessidade de projecção e visibilidade da banda a nível nacional ou foi mais um desafio na vossa carreira como músicos e intérpretes? Queremos sempre mais e melhor como tal a nossa participação no concurso foi mais a nível de projecção e visibilidade do nosso trabalho a nível nacional. Acreditam que ainda há pouca gente a compreender o metal? Sem dúvida alguma. (risos) As pessoas deixam-se guiar muito pelo que vêem na TV ou ouvem nas rádios e continu-

am com a ideia errada acerca do metal. Acho que isso se deve ao facto de, falando de Portugal, ser um país com uma sociedade um bocado retrógrada.

“As pessoas deixam-se guiar muito pelo que vêem na TV ou ouvem nas rádios e continuam com a ideia errada acerca do Metal.”

Em palco, durante a vossa actuação, assisti a uma performance muito peculiar, muito própria pois deixaram a vossa marca. Os membros da banda encaram em palco um papel distinto daquilo que são no quotidiano? Sim, claro que em palco adaptamos a nossa performance ao nosso estilo musical, tentando ser distintos dos outros géneros iguais. No quotidiano somos pessoas normais. Claro que em palco a nossa atitude se altera um bocado.

Acreditam que pertencer a uma editora possibilita uma mudança na ideologia inicial da banda? Ou seja, na mira de uma editora as bandas tornam-se menos independentes, isto é, mais domesticadas? Em relação a este assunto não temos muita experiência pois ainda não assinámos qualquer contrato discográfico com alguma editora. Mas acreditamos que essa afirmação seja verdadeira. Não obrigatoriamente, mas existem muitos casos assim. Nos dias que correm o que não falta são bandas a procurarem editoras e muitas bandas que conseguem vêem-se obrigadas a “rebaixar-se” perante eles. Mas isso também varia de país para país. O que mudou na vossa vida enquanto banda desde que fizeram o dueto com Fernando Ribeiro, dos Moonspell? Primeiro de tudo, foi uma experiência única poder tocar com uma grande figura do metal como o Fernando Ribeiro (saudações Fernando!). Como banda trouxe-nos prestígio, maturidade, nome, novos objectivos e novas ideias. Foi uma experiência memorável. Finalizando, quais serão as datas e locais dos vossos próximos concertos? Os novos concertos nos dias: 15 de Abril no Festival Underfest Warm Up - Porto; 21 de Maio no Side B - Lisboa/Benavente e 28 de Maio no Marginália Bar - Portimão Entrevista: Rita Oliveira


“There Is Light (But It’s Nor For Me)” marca o regresso dos Dinamarqueses Illdisposed bem como a celebração dos 20 anos de carreira deste colectivo. A Infektion Magazine falou com Jakob, guitarrista da banda, sobre este novo trabalho que promete dar que falar.

C

omo é que encaixam este álbum na vossa carreira? É uma celebração dos vossos 20 anos de existência ou é algo mais do que isso? Jakob - É um álbum que mostra que ainda somos capazes de desenvolver a nossa música após tantos anos no activo. Como é que chegaram a este título e qual o significado do mesmo? “There Is Light (But It’s Not For Me)” representa a sensação de saber que o sol está a iluminar todos menos tu. E esse é o tópico da maioria das letras neste álbum por isso o título é perfeito. Agora assinaram pela Massacre Records. O que é que isto vai significar para vocês? Não é algo que faça diferença na nossa música ou comportamento. Mas é realmente bom que as pessoas com quem trabalhas não estejam assim tão longe. Depois de terem deixado a Roadrunner e assinado pela AFM Records, ouvi dizer que por vezes vocês tinham que levantar um pouco a voz para fazerem com que as coisas andassem para a frente. É verdade? Sim, é verdade. Não percebo muito bem aquilo que se passou com eles mas a AFM arranjou maneira de estragar tudo o que tinha connosco. Talvez isto tenha acontecido devido à crise mundial que começou naquela época e eles tiveram que reduzir o seu pessoal, não sei. As críticas de “There Is Light (But It’s Not For Me)” parecem ser excelentes. Já tiveste a oportunidade de ler algumas ou isto é algo com que não te preocupas? Eu apenas leio aquelas que me fazem chegar directamente. A maioria das críticas são boas, outras são mesmo muito más. Mas isto é o que sempre acontece connosco, uma vez que estamos no limiar do Extreme Metal, por isso é como se conseguissemos dividir as águas.

Os sintetizadores estão mais presentes neste álbum do que nos outros e com isso conseguiram elevar o potencial deste disco. O que vos fez introduzir mais sons electrónicos?

“A maioria das críticas são boas, outras são mesmo muito más.”

O responsável pelos synths divorciou-se no decorrer do ano passado, por isso, de repente, ele ficou com mais tempo disponível. Eu e o Bo passamos muito tempo com ele a experimentar diferentes ideias. Sempre gostamos de música electrónica por isso é engraçado poder misturar isso com Metal. “Heaven Forbid” é uma faixa muito potente. Já me disseste que as letras são quase todas sobre um tema, mas queres aprofundar isso e explicar o significado desta música?

“Heaven Forbid” é uma dessas... Fala de religião. É suposto a religião trazer-te alegria mas na maioria dos casos é o oposto. Vão iniciar uma tour em Abril. Os fãs vão ter a possibilidade de ver algo novo nos vossos concertos? Isto porque introduziram muitas novidades neste CD... Não é a primeira vez que usamos sons electrónicos. Aliás, este é o quarto álbum onde o fazemos. No entanto as pessoas podem esperar ouvir as músicas que representam toda a nossa carreira. Cada concerto irá levar-te numa viagem de 20 anos de Illdisposed. Nos dias de hoje, como definirias o Metal Dinamarquês? Existe uma mão cheia de bandas que as pessoas fora do nosso país conhecem e há 10 anos atrás era exactamente a mesma coisa. Nada acontece por aqui, não sei bem porque razão. Os miúdos são uns mimados e desistem logo se não conseguem ficar famosos após o seu álbum de estreia. Para finalizarmos a nossa conversa, há alguma coisa que queiras dizer aos leitores da Infektion? Quero agradecer-vos pela entrevista e vemo-nos por aí. Vamos fazer uma tour massiva! Entrevista: Joel Costa

“Não percebo muito bem aquilo que se passou com eles mas a AFM arranjou maneira de estragar tudo o que tinha connosco.” As letras baseiam-se em todas as coisas más que acontecem e fazem da nossa vida algo depressiva e difícil de se viver.


“Serpentarius” é o primeiro de muitos (espera-se) lançamentos dos Rise Of Ophiuchus, um projecto organizado por Melkor e The Beyonder. A Infektion Magazine quis saber mais sobre este duo e esteve à conversa com o vocalista.

E

m primeiro lugar como foi criado este projecto? Foi resultante de outros projectos anteriores ou foi algo novo? Beyonder– Viva! Este projecto nasceu de experiências efectuadas pelo Melkor no conforto asséptico do seu covil sonoro. Depois de experimentar uns quantos midis e testá-los em alguns temas embrionários, mostrou-me o que tinha feito e eu ofereci-me imediatamente para colocar a voz nos mesmos. Este álbum introduz uma sonoridade muito carismática e autêntica. Uma vez que é uma pessoa a tocar quase todos os instrumentos, como funciona o processo de

composição? É simples ter todas as ideias sozinho?

“Quem conhece o Melkor sabe que ele é um cérebro metálico hiperactivo sempre em constante produção.” De facto é o Melkor que compõe tudo sozinho mas não me parece que seja

difícil para ele! Quem o conhece sabe que é um cérebro metálico hiperactivo sempre em constante produção. O que faltava em R.O.O. era a parte conceptual e foi aí que entrei em cena. O conceito é totalmente criado por mim e é naquilo que o Melkor faz que procuro edificar as minhas letras e vocalizações. Uma vez que o Melkor é o responsável por quase todo o instrumental da banda, como é que Rise Of Ophiuchus funciona ao vivo? Para já, não funciona ao vivo! Não quer dizer que não possa acontecer mas é complicado devido aos meios exigidos para colocar um projecto desta envergadura em palco, ou seja, isso implica-


ria convidar músicos para tocar connosco, ensaiar os temas, etc. Implicaria também abandonar temporariamente a actividade com as nossas bandas primordiais que são os Martelo Negro e os Namek. Pode ser que aconteça se se criarem as condições certas! “Serpentarius” já foi lançado há algum tempo. Como tem corrido a promoção do mesmo? Eu penso que tem corrido bem. A internet tem dado uma ajuda crucial na disseminação da coisa, embora ainda não tenhamos obtido um feedback que se possa chamar massivo. De qualquer forma, não estamos particularmente interessados em conhecer o impacto que a coisa possa ou não ter. A nossa preocupação primordial é fazer boa musica. Quais são os vossos principais objectivos, tanto artísticos como comerciais, com este projecto? Comerciais? Zero! Temos os pés bem assentes no chão e sabemos que dificilmente poderemos ganhar dinheiro com R.O.O. A nível artístico, sim, temos objectivos bem definidos que passam por gravar muitos e bons discos, explorando ideias interessantes, ainda que a nossa música não seja particularmente original. Existe algum conceito geral em “Serpentarius”? Sim, existe! O disco gira em torno da figura e lenda do semi-Deus Ofíuco, o Serpentário. Mas a interpretação que fazemos desta lenda é estranha uma vez que cruzamos mitologia com astrologia numa perspectiva muito própria e pessoal. Fica ao encargo de cada um tentar perceber o que queremos ao certo transmitir com este conceito! Mas não se esforcem muito ou acabam num manicómio vestidos com uma muy pouco prazenteira camisa de forças! No vosso ver, a Necrosymphonic Entertainment é a editora ideal para esta fase de lançamento da carreira dos Rise Of Ophiuchus? Não! A editora ideal seria a Vidisco mas não me parece que eles estejam muito interessados em trabalhar connosco (risos). Agora a sério, sim, sem dúvida, a Necrosymphonic é uma editora empenhada e de confiança e que, no fundo, tem um trabalho dificílimo que é promover uma banda que não toca ao vivo. Qualquer banda que não toque ao vivo torna-se um produto desacreditado e difícil de vender. A Necro tem feito o

que pode e nós compreendemos que não possa fazer mais. De qualquer forma, nós os integrantes de R.O.O. temos já a nossa própria editora que se chama Supergoat Wreck-Whordes, uma vez que somos uma dupla em constante processo criativo, não só com R.O.O. mas também com outros projectos como Carnificina, Hummus, Erzsebet Nadasdy, etc. Criámos esta entidade propositadamente para escoar tudo o que fazemos sem ter necessidade de andar atrás de outras pessoas para lançar o nosso material. Vamos começar por fazer pequenas e humildes edições limitadas de coisas nossas e depois logo vemos como será no futuro…

“Não estamos particularmente interessados em conhecer o impacto que a coisa possa ou não ter. A nossa preocupação primordial é fazer boa musica.”

Para concluir, o que podemos esperar dos Rise Of Ophiuchus para o futuro? Bem, podem esperar mais do mesmo sem que isso signifique cair no marasmo ou na monotonia. Podem esperar Thrash/Death Metal melódico e brutal alavancado em bons arranjos, produções sólidas e conceitos requintados… O segundo registo está já em fase de conclusão e é a evolução lógica daquilo que fizemos neste primeiro álbum. Vai chamar-se “Pantheon: Legacy of the Ancient” e conta com convidados bastante interessantes como o D-Void de Re-Aktor ou a Rute Fevereiro das Black Widows. Para fazer escarcéu de mau gosto já temos outros projectos na calha, R.O.O. é o projecto em que nos empenhamos realmente em fazer coisas com um sentido estético mais… apurado? Pois, não sei… Se calhar estou a dizer uma data de barbaridades mas que se lixe! A arte pela arte!! Quem não gostar pode sempre ouvir os discos do Padre Borga ou da Rute Marlene! Entrevista: Joel Costa


Os Deathraiser ignoraram o revivalismo Thrash e resolveram editar um disco à moda antiga. Resultado? Excelente! Os Brasileiros conseguiram de imediato um contrato para a edição do seu disco de estreia e agora o objectivo é chegar aos palcos Europeus. Conheçam o novo fenómeno do país-irmão! Parabéns pelo vosso álbum de estreia. Como tem sido o feedback até agora? William Fernandes - O CD foi lançado em Março e já vimos algo positivo nisso: responder a esta entrevista, por exemplo, ja é fruto desse CD! (risos). Mas sinceramente acho que ainda é muito cedo para comentar algo sobre ele porque ainda temos muito que divulgar e correr atrás, mas acredito que as pessoas vão ter uma boa impressão

“Este álbum expressa toda a raiva contida no Thrash Metal que ouvimos ao crescer.”

desse CD e espero que elas gostem. “Violent Aggression” foi editado pela XTREEM MUSIC. O que vos levou a assinar com esta editora? Esse contrato com a Xtreem ocorreu naturalmente, quando o Dave Rotten ouviu a nossa primeira demo entrou em contacto através do Myspace e daí em diante as coisas foram muito bem conversadas, o que acabou resultando numa grande parceria. No começo nem


pode ser classificado como um sub-género do Metal? Pergunto isto porque por vezes no Brasil fazem coisas que não vemos em outras bandas do género... Entendo essa afirmação, mas não vejo o Metal Brasileiro como um sub-género do Metal. É uma escola diferente com um contexto diferente, assim como cada parte do mundo... Acho que foi muito importante para o Metal mundial a cena e as bandas do Brasil. Sem dúvida que o que vemos aqui em termos de underground soa bem único e diferente de qualquer outra escola. Uma certa mistura de crueza e malandragem (risos). Tivemos várias bandas importantes além dos Sepultura que ajudaram a consolidar esse jeito brasileiro de fazer música extrema, como é o caso dos Attomica, uma grande banda que nos influenciou bastante também (risos). (NOTA: O nome da banda foi retirado de uma música dos Attomica). Mas que por “ironia do destino” ou seja o que for, não tiveram o merecido reconhecimento que os Sepultura tiveram.

estávamos a acreditar, mas vimos que seria algo sério e então comprometemo-nos. O som de “Violent Aggression” é um Thrash à moda antiga. Que bandas vos influenciaram na vossa juventude? Acho que “Violent Aggression” expressa toda a raiva contida no Thrash Metal que ouvimos ao crescer, pois gostamos de algo mais agressivo no thrash. Bandas como Kreator, Sepultura, Slayer, Attomica, Demolition Hammer, Hypnosia... Então acaba tendo essa “pegada” mais agressiva e directa. Muitos acham que Metal Brasileiro é sinónimo de Sepultura quando é muito mais do que isso. Consideram que “Metal Brasileiro”

“Acho que foi muito importante para o Metal mundial a cena e as bandas do Brasil.”

Tendo em conta que a XTREEM é uma editora espanhola, vamos ter a possibilidade de ver os DEATHRAISER em palcos europeus? Isso é uma questão que só o tempo dirá (risos). No que depender de nós, estaremos nos empenhando o máximo para a realização desse sonho. Temos vontade de levar a nossa música o mais distante possível e construir muitos laços de amizade. Isso é o tipo de coisa que

nos motiva sempre e é o tipo de sinceridade e fidelidade que só encontras no underground! As letras de “Violent Aggression” parecem ter todas algo em comum. Inspiraram-se na violência do Brasil? Também. Tentamos abranger o tema violência em todos os sentidos possíveis. Falamos tanto de situações hipotéticas (condizentes a natureza humana) como de violências quotidianas. E quando se trata de violência, ganância, ódio, exploração, manipulação, transcende um país em específico e passa a ser uma questão do ser humano em geral. Mas temos tambem nossos momentos clichê como em “Thrash Or Be Thrashed” e “Command To Kill” (risos). É característico do thrash!   Para finalizar, querem dizer alguma coisa aos leitores da Infektion? Primeiramente obrigado pelo apoio mesmo que indirectamente. Espero que vocês curtam o disco, pois ele foi feito com muita garra e expressa bem a identidade da banda. Espero vê-los o mais breve possivel em solo europeu. Em nome de toda banda: Thrash or be thrashed!!

Entrevista: Joel Costa

Cover “Violent Aggression” À venda na XTREEM MUSIC


V

isto que os temas do EP “Revelations” foram gravados nas sessões do vosso álbum anterior, este lançamento serviu apenas para manterem contacto com o público ou o objectivo foi outro? Deste EP apenas Doppelgänger foi o único tema gravado em finais de 2008 aquando da produção do album Innergy. Nesta faixa foram regravadas todas a guitarras ritmo e alguns melhoramentos na mistura final e masterização de modo a criar um single que levou ao videoclip promocional. Todas as outras músicas foram re-compostas e gravadas oficialmente em 2010 para serem o núcleo duro do EP Revelations. Antes de avançarmos para a gravação de Innergy fizémos uma selecção das músicas que transmitiam a ideia concisa do que prentendíamos na altura e sentimos que tinhamos de deixar de fora Phenotype, The Hill e Pinpoints apesar de acharmos que sempre seriam musicas para num futuro próximo perfilarem

num album oficial da banda, nunca as vimos como “b sides” ou faixas apenas para apresentar ao vivo...sempre sentimos que eram boas músicas. Como estamos a preparar um novo ‘full lenght’ que está a ser o nosso maior desafio musical até à data uma vez que precisa de bastante empenho e tempo de qualidade, pensámos em conjunto com a nossa manager que o ideal seria editar um EP de forma a podermos estar mais próximos do público que nos segue e de todos os que até à pouco tempo não conheciam Forgotten Suns. Ao adicionarmos o tema Betrayed, que era uma faixa extra do album Fiction Edge, agora na sua versão completa, sentimos também que estaríamos a fazer uma ponte com os nossos fãs mais antigos e confirmar a evolução da banda ao longo dos anos. Apesar do que foi dito na pergunta anterior, acham que trazem novidades entre “Innergy” e “Revelations”? O EP Revelations não pode ser encara-

do como um novo álbum, ainda assim e dado o contexto de termos escolhido músicas que já estavam praticamente compostas desde 2007, apresentamos novidades pelo facto de colocarmos músicas com um carácter mais acessível em faixas como Phenotype, Pinpoints e The Hill juntas num mesmo registo, mas também pelo facto de termos re-produzido Betrayed com ambas as partes dando a Revelations o cariz promocional desejado. O EP está a ser promovido internacionalmente. Como tem sido o feddback até à data? O feedback tem sido muito bom. O vídeo Doppelgänger teve um impacto bastante grande nos fãs e ainda está a chegar a muita gente. Temos recebido muito e-mails a congratular o projecto, muitas bandas e agentes a darem-nos os parabéns; nunca pensei que em Portugal pudéssemos ter tanta gente nos mais diversos círculos da sociedade atenta e interessada na nossa música. É


som nas guitarras ritmo decidimos re-gravá-las; re-misturámos as faixas e conseguimos melhorar o som para o videoclip. Creio que foi uma excelente opção porque realmente Doppelgänger é uma excelente música para ser tocada ao vivo e certamente estará nos nossos setlists por muitos anos. O tema “Betrayed” acabou por ser também alvo de algo semelhante. O que vos levou a ir buscar um tema vosso do ano 2000 e dar-lhe um novo tratamento? Após Innergy ficou claro para nós que existe uma grande distância ao nível da produção e performance em relação aos dois primeiros albums. Como já tínhamos composto a parte II (Grey Zone) e até tocado ao vivo mas nunca tinha sido gravada, achámos que seria interessante colocar o tema todo com as duas partes para o EP. Aproveitámos assim para fazer uma ligação ao passado da banda com um tema fortíssimo, que resulta agora ainda melhor ao vivo. As mudanças em Betrayed são também ao nível de harmonia, o que não aconteceu com Doppelgänger que foi mais ao nível da qualidade de som.

curioso a variedade de opinião dos seguidores de Forgotten Suns em relação ao seu tema favorito do EP, só demonstra o ecletismo dos fãs e que me apraz registar por ser um sinal claro de vitalidade e encorajamento para os futuros desafios musicais da banda. O que vos levou a escolher Doppelganger para o 1º single a ser extraído deste EP? Porque achámos que é a faixa que detém mais potencial para single e que representa bem a mistura de peso com melodia com pormenores progressivos que nos caracterizam. Esse tema foi alvo de uma remistura. Falem-nos um pouco disso... Quando estávamos perto de finalizar a produção das outras músicas do EP achámos que seria interessante juntar um single para fazer a ponte com Innergy, tinha de ser um single porque senão o EP passava os limites de tempo e como conseguimos um excelente

Que balanço fazem nestes 10 anos de lançamentos (de “Fiction Edge 1” ao EP “Revelations”)? Foi um percurso com altos e baixos típico de uma banda que pratica um estilo complexo per se, que valoriza a música como forma de arte e obviamente uma carreira que apenas desde Innergy começou a apresentar resultados mais maduros. Ainda existe muito caminho pela frente, estamos mais organizados, a navegar agora em águas mais límpidas, mais tranquilas e com muita vontade de consagrar a nossa coesão, energia, esforço e talento musical perante o nosso público. No decorrer das composições alguma vez pensam em “angariar” público ou fazem-no de uma forma mais introspectiva? Quando temos uma ideia que sabemos ter potencial para fazer uma música, essa mesmo ideia é analisada com cuidado e dada a natureza progressiva da nossa banda temos muitas formulas para construir um tema. Evidentemente que também tem a ver com o conceito lírico que queremos abordar e a forma mais directa ou mais complexa o que origina temas mais longos. Exemplos de temas mais directos são o caso de Flashback ou Phenotype e para temas mais longos posso citar Outside In ou

Nanoworld. O facto de termos ambos os tipos de construção de temas é o que nos torna camaleões musicais mas não o fazemos para sermos mais comerciais ou mais excêntricos...não temos nenhuma pressão de produtores ou editoras, se nos agradar a nós então certamente vai agradar a muita gente, temos perfeita noção disso...somos livres e criativos e é assim que pensamos música. Sei que já existem planos para um novo disco. O que nos podem adiantar sobre isso? Apenas que o novo album está em preparação e que será conceptual, quem quiser saber mais sobre o “making of” pode visitar o blog Minds Over Music em www.forgottensuns.blogspot.com O que falta para que as bandas Portuguesas consigam mais notoriedade em Portugal? Creio que em Portugal a principal situação se prende com o facto de existir enraízado nas gerações passadas o hábito miserabilista de se previligiar sempre mais a qualidade do que vem de fora do que a prata da casa. Apesar disso tenho constatado que ao entrarmos no novo milénio a qualidade e número de bandas tem vindo a aumentar levando a que o público sinta que vale mais a pena ir ver uma boa banda portuguesa do que uma banda estrangeira mediana ou mesmo fraca em comparação com bandas nacionais. É um processo lento mas acredito que hoje em dia temos bandas nacionais a fazerem trabalhos de composição e produção de nível internacional e o público sente isso. Terá de ser obviamente um processo conjunto que abrange promotores e entidades da música que detém o poder de criar oportunidades de exposição para se chegar a mais público. Sugiro que prestem bem atenção a bandas como FramePictures, Oblique Rain, Hunting Cross, Artworkx, Factory of Dreams ou Dazkarieh entre tantas outras. Portugal musical está vivo, em progressão e recomenda-se! Entrevista: Joel Costa


que atingiu fama e reconhecimento no seu pais de origem. O mesmo continha a Sur Le Fil, uma música que acabou por se tornar uma das favoritas ao vivo, onde Tiersen usa o violino para criar uma melodia intensa e até agressiva: é comum uma parte considerável dos fios do arco de partirem quando a mesma é tocada. Le Phare possuía também as músicas La Dispute e La Noyee que, juntamente com uma versão em piano da Sur le Fil, seriam usadas mais tarde na banda sonora do filme que traria reconhecimento mundial ao compositor: O Fabuloso Destino de Amelie. O filme deu a conhecer tanto o trabalho de Tiersen feito até à altura como também incluiu uma série de obras inéditas do compositor. É de destacar a música Comptine dun autre été: L’après-midi, uma melodia simplista em piano que é hoje facilmente reconhecível. Mais tarde Yann Tiersen iria contribuir para filmes como Adeus Lenine! e Tabarly.

YANN TIERSEN Guillaume Yann Tiersen é um compositor Francês multi-instrumentista, compondo principalmente para piano, acordeão e violino, quase sempre de uma forma minimalista. Tiersen começou a tocar piano aos 4 anos, violino aos 6, e frequentou mais tarde várias academias musicais. O compositor tentou várias bandas até que em 1993 decidiu isolar-se durante o Verão no seu apartamento compondo músicas para violino, acordeão e guitarra, mas numa diferente aproximação aos mesmos:”Quero brincar com os sons, esquecer todo o conhecimento musical e instrumental, e simplesmente usar o instinto.” No final desse verão Tiersen tinha já 40 melodias, que viriam a ser usadas nos seus primeiros álbuns: La Valse des Monstres, em 1995, e Rue des Cascades, em 1996. No entanto foi com o seu terceiro álbum, Le Phare,

Para além dos instrumentos, Tiersen procura outras fontes para obter sons. Por exemplo, na música Pas si Simple é usada uma máquina de escrever no ritmo da melodia, dando um lado experimental às suas músicas. É esse lado que é mais explorado no seu último registo, Dust Lane, lançado em finais de 2010, O álbum explora géneros como indie-rock, post-rock, música ambiente, às vezes tudo presente na mesma melodia. Durante os dois anos que dedicou à criação do álbum, o autor perdeu a mãe e um amigo próximo, algo que foi usado como fonte inspiração. “O álbum é sobre a jornada na estrada poeirenta que nos leva à morte”, afirmou o compositor. “Não é algo triste, mas sim algo colorido, às vezes doloroso, mas principalmente uma experiência que vale a pena: a vida.” Yann Tiersen marca presença em Portugal a 5 de Maio em Lisboa, no LX Factory, e a 7 de Maio no Porto, no Hard Club. João Miranda


O

novo álbum dos “Winds of Plague”, “Against the World” parece ser capaz de agradar a gregos e troianos. Os amantes de hardcore metal não ficarão desiludidos em músicas como “One For The Butcher”, “Drop the Match”, “Califórnia”, ou com aquela que dá nome ao álbum. Os que apreciam a fusão da orquestra com o metal e que vêem nos

detalhes a riqueza do som, terão magníficas peças em “Raise the Dead”, “Build for War”, “Monsters”, “Most Hated” e “Only Song Were Allowed to Play in Church Venues”. Este é o álbum certo para quem gosta de surpresas, veja-se o ambiente de “The Warrior Code”. Uma certa aura de banda sonora permanece do princípio ao fim. E nota-se uma evolução criativa na banda que

surge mais complexa e interessante. Pela variedade de estímulos sensoriais que proporciona, vale bem a pena a sua audição. Mónia Camacho


40 WATT SUN THE INSIDE ROOM CYCLONE EMPIRE

40 Watt Sun é DOOM (!) puro de ritmo quaternário lento e triste que arrasta o ouvinte lentamente pelo chão e o imobiliza para pensar um pouco nos momentos mais obscuros do passado e nos segredos que o coração guarda. Para veículo dessa experiência nada melhor que a voz particularmente bela mas ao mesmo tempo extremamente sofrida e emotiva do guitarrista Patrick Walker, que acaba por ser a mais valia deste trio britânico ao marcar a diferença no género. “The Inside Room” só peca muito pela repetição de ideias e pela monotonia se estender demasiado nos 45 minutos de duração desta estreia, o que pode cansar o ouvinte, acabando por ser dirigido a um grupo restrito de pessoas. Nada que impeça o conjunto das terras de sua majestade alterar num futuro proximo! Ainda têm muito tempo para tal. Só resta mesmo vaguear nos riffs viciantes e pegajosos em temas como “Restless” ou “Open my Eyes” num quarto fechado, com o som bem alto, até abrir os olhos para enfrentar outro dia depois da noite e do tormento. [7.5/10] Bruno Farinha

As bandas mainstream parecem estar - e muito bem - a seguir os passos do underground e em vez de se limitarem a produzir um som comestível e que fique no ouvido, procuram investir todo o tempo possível em detalhes que aos menos conhecedores possam passar despercebidos mas que certamente fazem a diferença aos ouvidos mais atentos. É o caso dos Across The Sun, que mesmo não estando totalmente no poleiro do mainstream, conseguiram sair da sombra e assinar pela Metal Blade. Depois de 7 anos no activo e de três EPs, “Before The Night Take Us” prova que as bandas que estão numa fase de ascensão procuram realmente melhorar a cada registo e levar o seu trabalho a sério. Até porque os CDs não vendem como vendiam há uma década atrás e se à partida as bandas sabem que as vendas não vão correr por aí além, devem pelo menos justificar o valor do CD para quem compra e chamar o público aos concertos. Para mim bastou ouvir “Tipping The Scales” para perceber que “Before The Night Take Us” era um bom álbum, sendo também de referir que é o primeiro full-lenght dos Across The Sun mas há muitos outros movitos para se gostar. [8/10] Joel Costa

ACROSS TUNDRAS SAGE NEUROT RECORDINGS

ACROSS THE SUN BEFORE THE NIGHT TAKES US METAL BLADE

Os Across Tundras não são propriamente uma banda nova nem tão pouco um colectivo com pouca experiência. A verdade é que os Across Tundras já têm tan-

tos álbuns como anos de carreira e já lá vão 7. A verdade é que, apesar de todos estes anos no activo, só tive a oportunidade de conhecer este projecto depois de uma conversa com um dos dirigentes da Neurot Recordings, responsável pela edição de “Sage”, e devo dizer que fiquei fã. O trio pratica um som tipicamente Americano - se não souberem do que falo basta ouvir o tema “Buried Arrows” - e calmo, o que não é suficiente para headbanging mas também não estamos a falar de uma banda que se possa considerar Metal. “Sage” pode ser descrito como Doom com alguns toques psicadélicos e introspectivos. No caso de “Mean Season Movin’ On”, conseguimos viajar até aos anos 60 e sentir a atmosfera que se vivia naqueles tempos. É provavelmente o melhor disco da banda até à data e muito bom para ouvir em alturas que apelem à tranquilidade. [7/10] Joel Costa

AMON AMARTH SURTUR RISING METAL BLADE

Surge, finalmente, envolto numa autêntica aura épica, um dos álbuns mais aguardados do ano. A magnífica capa leva-nos a antever uma aventura estrondosa, não fossem os Amon Amarth detentores de uma consistência invejável presente a cada lançamento. À semelhança de registos anteriores, a mitologia nórdica dá o mote à temática do disco. Desta vez, os suecos centraram-se na personagem de Surtur, líder dos gigantes de fogo de Muspelheim. “Surtur Rising” é,

assim, um álbum pensado, variado mas, sobretudo, coerente e com uma robusta produção levada a cabo por Jens Bogren. Melodia e agressividade misturam-se num equilíbrio quase (!) perfeito do início ao fim. Composições épicas, riffs poderosos, solos emotivos e variações de ritmo bem introduzidas fluem em abundância, transportando-nos para cenários ancestrais. Agressividade está bastante presente. Basta ouvir os segundos iniciais e demolidores da “Destroyer Of The Universe” para o perceber. Mas “Surtur Rising” mostra também um lado mais obscuro, notório em “The Last Stand of Frej”. Esta faixa, tal como a anterior, narra a batalha entre Surtur e Frej numa perspectiva diferente; com um ritmo lento e arrastado e um excelente registo vocal de Johan Hegg que continua implacável, alternando entre guturais profundos e vocalizações mais rasgadas. A saga termina com a atípica e melancólica “Doom over dead man” que se desenvolve ao longo de quase 6 minutos, com alguns apontamentos orquestrais, culminando num final triunfante. Mas apesar da agradável experiência sonora que proporciona, “Surtur Rising” falha em introduzir algo novo e realmente cativante relativamente aos registos anteriores. Fica, por isso, um pouco aquém das expectativas altamente elevadas. Aconselho, no entanto, a deixar “Surtur Rising” amadurecer a cada audição porque irão, certamente, apreciar óptimos momentos. [8/10] Sofia Simões


ARKAN SALAM SEASON OF MIST

Se querem dar um rótulo a “Salam” para saberem se se identificam ou não, então que lhe chamem Death Metal Melódico Oriental. Parece extenso e absurdo mas se tivesse que descrever o álbum com quatro palavras seriam essas as escolhidas. Neste segundo registo, os Arkan voltaram-nos a dar um cheirinho do que existe do outro lado do Mundo, acrescentando ao som que todos nós gostamos pitadas de percussão árabe todo um background musical oriental. Se a novidade já tinha sido bem recebida com “Hilal”, o álbum de estreia, então agora pode-se dizer que os Arkan atingiram todo um novo nível com este lançamento fresquinho com edição a cargo da Season Of Mist e uma produção – excelente, diga-se – de Fredrik Nordström (In Flames; Dimmu Borgir). As letras estão mais maduras e o som fica cada vez mais contagiante e hipnotizante à medida que o vamos reproduzindo. Um dos pontos positivos que merece os parabéns é a voz de Sarah Layssac que dá outra vida às músicas repletas de grotescos berros de Florent Jannier. Quem também deu uma ajudinha em “Salam”, foi o vocalista dos Orphaned Land, Kobi Farhi, que emprestou a sua voz ao tema “Deus Vult”. Um registo muito bem conseguido por parte dos parisienses Arkan. Salam! [7.5/10] Joel Costa

Oriundos da Itália, At The Soundawn é uma banda difícil de catalogar. Se tivesse que comparar com outra banda, talvez os Anathema sejam uma boa comparação. O álbum Shifting apresenta-nos a uma relaxante e introspectiva paisagem, onde os estilos presentes são imensos. O mais prevalente, no entanto, parece ser o Rock. Aquando da primeira rotação do álbum é fácil de constatar o talento e inúmeras influências que assolam este disco. As pinceladas de Jazz em músicas como “Mudra: In acceptance and regret”, a infusão de ritmos pesados e esmagadores como na música “Hades” e os arpeggi mesmerizantes de músicas como “Prometheus bring us the fire” certificam que não existem momentos aborrecidos ao ouvir Shifting. Embora o álbum seja algo (deliberadamente) lento, há sempre algo que agarra a atenção do ouvinte. Existe sem dúvida um excelente equilíbrio entre o pesado e o calmo. Naturalmente, Shifting tem os seus pontos fracos. A atmosfera consegue ser um pouco densa, algo depressiva até, o que pode limitar as ocasiões em que ouvintes que não apreciem esse tipo de som darão uma chance ao álbum. Em suma, Shifting vale apena descobrir e voltar a ouvir, porque é certamente uma daquelas ocasiões em que serão necessárias algumas rotações para consolidar uma opinião final. [7/10] Rui Melo

AVA INFERI ONYX AT THE SOUNDOWN SHIFTING LIFEFORCE RECORDS

SEASON OF MIST

Da união criativa do ex-guitarrista dos Mayhem, Rune

“Blasphemer” Eriksen e da vocalista Carmen Simões, depois de já estarem juntos na banda Aenima, nasceu os Ava Inferi. Representados pela Season of Mist, este conjunto luso tem ganho adeptos por toda a Europa com o seu Doom de tonalidades pagãs e com a sua originalidade, sendo dos grupos portugueses de música pesada mais conhecidos lá fora e a sua popularidade tem crescido cada vez que é lançado um novo trabalho, ganhando a oportunidade de ser a banda suporte para os grandes My Dying Bride na sua próxima tournée britânica e de ter marcado presença no Hellfest. Já no seu quarto registo, “Onyx” é realmente um trabalho que demonstra a capacidade de evolução do quinteto pelo que fizeram no passado mas sem se repetirem e a marcar a diferença a cada álbum. Cada trabalho tem uma aura própria e este último não foge à regra com as suas atmosferas mais harmoniosas e profundas em equílibrio com linhas de guitarra mais directas e mais pesadas, sem quebrar a melancolia da sua música e que explodem no momento certo, tornando a experiência de cada tema mais aliciante e fazem certos riffs ficarem na cabeça de tal maneira que ouvimos o tema à espera da sua chegada, ao mesmo tempo, embalados pelo ambiente. Exemplo disso mesmo, são os temas “The Living End” e “ Majesty”. A secção rítmica está muito bem conseguida, à qual se juntou Joana Messias, baixista dos Mourning Lenore. Destaque especial para “The Heathen Island” pela peça de teatro sonoro que é e para o último tema do trabalho, “Venice In Fog”, um dos temas mais belos alguma vez feitos pela banda. Pena a ausência, pela primeira vez, de versos na língua portuguesa em todo o disco. [8.5/10] Bruno Farinha

BATTLETORE DOOMBOUND NAPALM RECORDS

Confesso que tinha receio antes da primeira audição deste trabalho, pela entrega mais fraca que foi “The Third Alliance” na carreira da banda finlandesa, mas logo nos primeiros segundos de “Bloodstained” percebi que os Battlelore estão de volta aos bons discos, tal como “Evernight” ou o mais aclamado “Sword’s Song”. Influenciados pelos livros de J.R.R.Tolkien, o grupo foi construindo uma carreira já sólida com o seu Power Metal de tonalidades Folk que conta agora com este sexto registo. “Doombound” começa mesmo da melhor maneira num ritmo mais rápido com os três primeiros temas a mostrarem-se umas boas malhas e bastante sólidas, a rasgar logo qualquer dúvida da qualidade do conjunto. Segue-se depois “Enchanted”, num formato mais lento, onde realmente a voz de Kaisa Jouhki encanta, assim como em todo o álbum, mas também aqui os teclados ganham mais evidência, elemento que adquiriu mais importância neste trabalho e que realça bem a textura épica da banda. De resto continua a dualidade da voz feminina com a garra do vocalista Tomi Mykkänen que em “Fate of the Betrayed” tenta um registo mais limpo, um esforço bem realizado e enriquece o tema já por si bastante competente. Destaque para a mais sinfónica “Last of the Lords” como se de uma banda sonora de uma aventura se tratasse. A secção rítmica está de alto nível, com uma boa prestação do baterista Henri Vahvanen e confere ainda mais grandeza ao tra-


balho pela sua variablidade, quebrando completamente a monotonia do seu antecessor. [8.5/10] Bruno Farinha

kernes quase faz esquecer isso, tornando o álbum não-cansativo e oferecendo-nos uma boa dose de Black Metal. Os meus destaques vão para “Jeg Faller” e “Valen”. [8/10] Joel Costa

BURZUM FALLEN CANDLELIGHT

“Fallen” é o nome da proposta mais recente de Burzum.Varg Vikernes, único membro do projecto, é uma das personalidades mais emblemáticas do Black Metal, tendo feito parte dos Mayhem e sendo ainda o responsável pela morte do guitarrista Euronymous. Estando as suas mãos cobertas com o sangue de outra figura emblemática do Black Metal, Varg Vikernes consegue extrair todo o tipo de sentimentos das pessoas, mas seja ele respeitado ou desprezado a verdade é que nenhum lançamento de Burzum passa despercebido. Depois do lançamento de um CD no ano transacto e de mais de uma década sem dar novidades (Varg Vikernes esteve preso durante 16 anos), parece-nos que o mentor de Burzum não quer perder tempo e deita as mãos à obra sempre que lhe é possível. Em termos de produção e composição, “Fallen” não é muito diferente daquilo que nos fez chegar em 2010 com “Belus”, contudo, e tal como Varg, “Fallen” proporciona uma série de sentimentos e leva-nos – ainda que por um curto período de tempo – à altura em que a essência de Burzum estava 100% presente nos seus registos discográficos. As músicas são longas e os riffs de guitarra permanecem iguais durante muito tempo, no entanto a voz brilhante protagonizada por Varg Vi-

CIRCLE OF SILENCE THE BLACKENED HALO MASSACRE RECORDS

“The Blackened Halo” marca o início de um novo capítulo na carreira dos alemães Circle Of Silence. Depois de dois discos lançados de forma independente, os Circle Of Silence entraram nos Maranis Studios com o produtor que dá o nome ao estúdio, assinando logo de seguida um contrato com a Massacre Records para a edição deste novo trabalho. “The Blackened Halo” resume-se a Power Metal com misturas de Thrash e o clássico Heavy Metal, tudo isto combinado com melodias fáceis de memorizar e algo a que podemos chegar “voz clean agressiva”. Não é preciso ir descobrir álbuns anteriores para verificar que a sonoridade acima descrita é a marca dos Circle Of Silence o que significa que são excelentes candidatos para estar à frente de actuações ao vivo extraordinárias e incansáveis, dada a energia que possuem e que tão bem transmitem neste novo disco. [7/10] Joel Costa

“Blood On The Black Robe” é tudo aquilo que a música Celta representa: história e mitologia. Qual a diferença entre os Cruachan e os outros? Simples: Os Cruachan jogam muito bem com esses temas nas suas músicas e letras de uma forma nunca antes vista. De facto, o sucesso desta banda justifica-se bem se soubermos um pouco da história dos mesmos. Em 1995 gravaram o seu primeiro álbum intitulado “Tuatha na Gael” e o resultado em termos de produção e do próprio som foi péssimo. Ainda assim foi o álbum que mais vendeu naquela editora e rapidamente se esgotou (e não foi pelo facto da banda ter muitos amigos)! Depois de muitas passagens por diferentes editoras, eis que chega o momento de assinar pela Candlelight e com isso trazer ao mundo o fantástico “Blood On The Black Robe”, considerado pelos Cruachan o renascimento da banda. Este álbum traz-nos assim aquilo que foi inicialmente proposto (Folk Metal com Extreme Metal) e sem nada negativo a apontar em termos de sonoridade. A primeira metade do álbum é o melhor que “Blood On The Black Robe” tem para nos oferecer mas isso não significa que o resto esteja mau, nada disso. Simplesmente a energia e a vontade de fazer algo mais é muito mais perceptível durante as 5 primeiras músicas do que no resto do seu alinhamento.. [7/10] Joel Costa

mos. Mas afinal o que é o Brasil? Em termos de Metal, gosto sempre de dizer que existe um sub-género ao qual podemos chamar Metal Brasileiro. É que se hoje em dia inventam rótulos para tudo, porque não mais um? Existem dezenas de boas bandas que poderiam chegar onde os Sepultura chegaram na década de 90 se o público não fosse tão exigente - ou cego - como é agora. O underground estava mais presente e o que interessava era ter o prazer de beber uma cerveja com os músicos ao invés de perder tempo a filmar e a fotografar o concerto, com os olhos fixados num ecrã pequeno, perdendo toda aquela magia que se faz sentir nos recintos suados e empoeirados. Se as coisas funcionassem como funcionavam há uns 20 anos atrás, os Deathraiser podiam muito bem ser um novo fenómeno brasileiro do Thrash Metal. Ao longo de toda a extensão de “Violent Aggression”, podemos ouvir músicas directas, super-rápidas e muito bem conseguidas. É claro que nestas situações pensamos sempre em possíveis nomes para efectuar comparações e certamente que esses nomes também aparecerão nas vossas mentes assim que ouvirem a primeira música deste álbum. O que é certo é que os brasileiros Deathraiser estão aqui para fazer nome sozinhos e certamente que vão conseguir se voltarmos a focar toda a nossa atenção no verdadeiro seio da música e não nos códigos de barras que nos fazem chegar. [7.5/10] Joel Costa

DEATHRAISER VIOLENT AGGRESSION CRUACHAN BLOOD ON THE BLACK ROBE CANDLELIGHT

XTREEM MUSIC

Que o Brasil não é só Sepultura, até aí já todos chega-

DISIPLIN MOLTI NEMICI - MOLTO ONORE! FRENTEUROPA RECORDS


Os Noruegueses Disiplin são uma banda de Black Metal que fazem da sua música um veículo para transmitirem o conceito do Pagan Metal. “Molti Nemici - Molto Onore!” não é propriamente um lançamento recente nem muito menos um disco de originais, no entanto é uma edição que merece a nossa atenção pelo facto de ser uma compilação do género “Best Of” que alberga músicas raras saídas de trabalhos anteriores como “Vama Marga”, “Wolf Age”, “Days Of Desolation” e “Herrefolk”. Os pilares desta compilação são sem dúvida os registos presentes da demo editada em 2002 “Vama Marga” e o tema “Damnations Cruzade”, do registo lançado em 1997 “Days Of Desolation”. À medida que os minutos passam podemos assistir a transições algo brutas na sonoridade, o que é perfeitamente aceitável tendo em conta os anos que separam um lançamento do outro e o formato em que as músicas foram editadas. Uma boa proposta da Frenteuropa! [6/10] Joel Costa

Helloween. A espiritualidade e o sagrado parecem ser os temas recorrentes em todas as faixas do álbum, e basta ver os nomes das músicas para isso nos saltar á vista: depois de uma Intro poderosa – “Trinitas Sanctus” – entramos em full speed com “Trinity” cujo refrão entra facilmente no ouvido. Em “No Holy man”, a combinação das vozes de Eden e de LaBrie resulta de forma perfeita, tornando esta faixa uma das melhores do álbum. A fasquia continua bastante alta em temas como “Can’t fool the devil”, “Jerusalem Sleeps” e “Black Widow”, o dueto com Andi Deris. Os temas mais calmos são também bastante poderosos, como é o caso de “Guardian Angel” e “Children of the tide”. Os Eden´s Curse homenageiam ainda Ronnie James Dio, incluindo no disco uma versão de “Rock N’ Roll Children”. “Trinity” é um disco coerente e sem grandes surpresas mas que continua a dar aos fãs dos Eden’s Curse motivos de orgulho. [6.5/10] Rute Gonçalves

em que não falta bons momentos de inspiração e os devaneios habituais no terreno do Black Metal como em “Time Between Dog and Wolf” em que sobressai o grunt de Vratyas. O problema é que se cai um pouco na repetição do que já se retratou no passado e o bastante aclamado trabalho anterior “Heralding - the Fireblade” faz bastante sombra sobre o seu sucessor. No entanto, “Tiurida” está recheado de bons momentos no qual se inclui “Tanfana” e o belo arranjo acústico no decorrer de “In Flames”. Há que também salientar as harmonias sonhadoras de guitarra que acompanham o ouvinte durante o trabalho. É um álbum com um ritmo mais lento e também de um consumo mais demorado mas que agradará com certeza aos fans deste projecto conceituado. Varkas não consegue fazer má música, esperava-se era um pouco mais. [7/10] Bruno Farinha

FIREFORCE MARCH ON 7HARD / ROCK’N’GROWL

EDEN’S CURSE TRINITY AFM RECORDS

“Trinity” é o 3º album da carreira da banda de Michael Eden, Paul Logue, Thorsten Koehne, Alessandro Del Vechio e Pete Newdeck e dá continuidade ao estilo de metal melódico já iniciado nos registos anteriores. Com a produção de Dennis Ward (ligado a projectos como Angra, Pink Cream 69 e Krokus), o disco conta ainda com as participações especiais de James LaBrie, vocalista dos Dream Theather e de Andi Deris dos

FALKENBACH TIURIDA NAPALM RECORDS

Quem conhece o projecto Falkenbach do multi-instrumentista  Vratyas Varkas já sabe o que aí vem, Viking Metal recheado de bons momentos Folk e de momentos musicais mais melancólicos que remetem para as paisagens da floresta negra. “Tiurida”, o quinto registo de originais deste compositor alemão, não é excepção e o tema “Where His Ravens Fly..” que se segue à “Intro” coloca-nos logo entre as árvores da sua criação. é um álbum bastante competente

Quem não souber rigorosamente nada sobre os Fireforce nunca adivinha que “March On” é o álbum de estreia da banda. Os Fireforce encaixam-se no Power Metal (reparem no Power a negrito) e fazem a chamada música “in your face”, com sons muito brutais e intensos. A especialidade do colectivo formado em 2008 por membros de Double Diamond, Self Inflicted e Grinning Ghoul parece ser escrever sobre guerra e assuntos militares, letras essas que dão melodia ao som inspirado em Iron Maiden. “Annihilation” é dos temas que mais gostei de ouvir

em “March On”, sendo uma música com uma forte presença de guitarras muito bem trabalhadas e com a bateria e o próprio vocalista a irem buscar referências ao Speed Metal. Em cada música podemos retirar provas de que os Fireforce vieram para ficar e sabem realmente o que estão a fazer. São os mestres do Metal nos mais variados sub-géneros que aqui podemos encontrar. Tal como o título da penúltima música desta magnífica proposta dos Fireforce, eles nasceram para tocar Metal e felizmente para nós levam isso muito a sério. [8.5/10] Joel Costa

FORGOTTEN SUNS REVELATIONS METAL REVELATION

Os nacionais Forgotten Suns contam já com muitos anos de existência e têm em “Revelations” uma prova do seu amadurecimento e consistência enquanto profissionais competentes que são. Este EP acolhe temas que foram escritos durante as gravações do terceiro álbum da banda, gravações essas que ocorreram entre 2006 e 2007. No geral, “Revelations” aparece-nos como algo bastante melódico com uma coisa ou outra electrónica capaz de agradar a qualquer fã de Metal. O EP inicia-se com uma versão fresca de um tema já dado a conhecer pela banda, intitulado “Doppelgãnger”. A partir daí podemos encontrar músicas inéditas e outras já conhecidas, mas tal facto não contribui em nada para fazer de “Revelations” algo já ouvido. Muito pelo contrário: apesar de tudo a banda prova que consegue ser original e mostra-nos outra faceta da mesma,


onde podemos verificar que existe realmente um amadurecimento e as composições vão-se tornando mais elaboradas e muito técnicas. Para quem ainda não teve a oportunidade de se deliciar com este som Português, então “Revelations” poderá ser um bom começo para a vossa introdução nesta ainda-promessa chamada Forgotten Suns. [7/10] Joel Costa

HAEIRESIS TRANSPARENT VIBRANT SHADOWS FRENTEUROPA RECORDS

Provenientes da Lituânia, os Haeiresis são mais uma aposta de Black Metal da Frenteuropa Records, que vêem agregados na sua família Hesper Payne, dos The Axis Of Perdition e S.B., dos Inquisitor. Em “Transparent Vibrant Shadows” não encontramos um Black Metal tradicional mas sim - e note-se que Haeiresis pode ser visto como um projecto paralelo de S.B. - algo mais experimental, aparentando ter um ambiente um pouco industrial. Há mais coisas que justificam o facto deste álbum não ser 100% fiel ao Black Metal, tal como a existência de muitos solos e melodias. Mas atenção: tudo isto pode ser negativo ou simplesmente menos bom apenas para os apreciadores do verdadeiro género. A voz parece saída de um filme de terror, o que me leva a crer que a mesma foi alvo da aplicação de um efeito para distorcer a mesma, o que nem sempre é favorável neste disco. Um ponto forte é a composição do álbum e os riffs poderosos que fazem tudo para estar na liderança. Uma proposta muito agradável e

que se revela ser única. Sem dúvida, algo a não perder. [8/10] Joel Costa

HEAVENWOOD ABYSS MASTERPIECE LISTENABLE RECORDS

Os Heavenwood já são conhecidos pela sua capacidade criativa e pela qualidade que cada entrega possui. Trazidos pela Listenable Records como estandarte da música pesada nacional para lá das nossas fronteiras, a banda lusa com este novo trabalho poderá bem alargar a sua base de fans bem como, mais uma vez, colocar-se na rota das consagradas bandas de metal gótico europeu.Nesse lote onde já figuram, há bastante tempo, os Moonspell e do qual os Heavenwood começavam a fazer parte no final da década  de 90, contando por exemplo com a colaboração de Liv Kristine (ex-Theatre of Tragedy, Leaves’ Eyes) no álbum Swallow. Perderam o comboio devido à paragem de 10 anos no lançamento de novos discos mas depois do regresso com “Redemption” espetam-nos agora com esta “Abyss Masterpiece”. “The Arcadia Order” começa o registo com imensa garra e expõe uma grande componente orquestral que acompanha esta obra-prima do abismo durante a sua, aproximadamente, hora de duração. Era talvez esta componente mais sinfónica que faltava para elevar a música do colectivo português a outro patamar, como se pode comprovar em temas como “Once a Burden”, “September Blood” ou o tema mais épico “Leonor”.  O trabalho da dupla de guitarras (Bruno Silva e Ricardo Dias) é simples mas poderoso e al-

tamente viciante percorrendo o álbum, acompanhado por uma grande dinâmica ritmíca que tira previsibilidade e repetição ao registo. Típico do grupo nacional, não faltam as baladas muito bem conseguidas como “Morning Glory Clouds (In Manus Tuas Domine)” e Like Yesterday”, contrabalançadas com temas mais pesados, dando de exemplo “Fading Sun”. Ernesto Guerra aposta num registo mais gritado que encaixa muito bem numa obra muito equilibrada e para se ouvir sempre do início ao fim. [9/10] Bruno Farinha

te para outros, o acréscimo de sons provenientes de maquinaria tirou tempo de antena às guitarras distorcidas, tendo os sintetizadores ficado com todo o protagonismo neste álbum, o que por si só indica que é um excelente álbum para fãs de synths. A única coisa negativa que tenho a apontar em Illdisposed – e é importante referir que isto não é de agora – é o facto do vocalista continuar a gravar duas vezes os vocais, pondo depois uma gravação por cima da outra, pois isto só faz com que os vocais não tenham a mesma intensidade ao vivo e a banda perde um pouco com isso. Um dos discos mais fortes da banda e um dos grandes lançamentos de 2011. [8/10] Joel Costa

ILLDISPOSED THERE IS LIGHT (BUT IT’S NOT FOR ME) MASSACRE RECORDS

Com produção a cargo de Tue Madsen (Suicide Silence; Sick Of It All), “There Is Light (But It’s Not For Me)” é o décimo primeiro álbum dos Dinamarqueses Illdisposed, que celebram agora 20 anos de carreira. Neste novo álbum, os Illdisposed resolveram acrescentar mais elementos electrónicos do que vinha sendo habitual o que resultou em algo potente, levando este estilo musical a um novo nível. A banda mostra assim que mesmo após 20 anos consegue trazer novidades e, ao contrário de muitas outras, melhorar a sonoridade disco após disco. Em termos gerais, este álbum foi muito bem explorado e cresce agora a expectativa para o futuro. Irão os Illdisposed continuar a lançar bons discos ou não vão passar disto? Dado aquilo que nos têm oferecido ao longo de todos estes anos, deposito toda a minha fé nos Dinamarqueses. Negativo para uns, indiferen-

IMPERIA SECRET PASSION MASSACRE RECORDS

Secret Passion é nada mais nada menos do que mais um registo no metal gótico. Tal como muitas outras bandas, Imperia parece simplesmente surfar na onda criada por bandas como Nightwish e Within Temptation que vieram introduzir o género de forma mais comercial a uma audiência mais jovem. Nada de novo é apresentado neste CD. Aliás, muito do material aqui presente é simplesmente reciclado de outros grupos. Secret Passion coloca-se dentro de uma zona de conforto onde a fórmula criada pelas bandas supramencionadas dita as leis e nunca de lá sai. Desde o estilo vocal, aos acordes simples e repetitivos dos refrões, até ao uso exaustivo de piano, não há nada que grite originalidade. No entanto, Se-


cret Passion não é um mau álbum. Há inclusive uma música (“Suicide”) que por momentos me levou a crer que afinal poderiam haver faixas em que a banda decidia enveredar por estradas menos caminhadas. Infelizmente, rapidamente volta à fórmula inicial. Certamente, fãs do género encontrarão vários motivos para apreciar o CD mas para quem não veja o apelo do metal gótico, o CD rapidamente se tornará repetitivo ao ponto das músicas simplesmente se fundirem e tornar-se difícil de distinguir onde uma começa e a outra acaba. Ao final do dia, Secret Passion é um álbum que agradará maioritariamente aos fãs de metal gótico. [5/10] Rui Melo

INFERNAL KINGDOM S.A.T.A.N. FRENTEUROPA RECORDS

Conhecem aquela história do Português que se perde no deserto e depois de andar durante dias encontra outro Português? Pois bem, as portas do Inferno abriram-se e de lá saíram os nacionais Infernal Kingdom, provando que não só o Mundo é pequeno como também a qualidade nacional não está só no futebol. S.A.T.A.N. é um registo com músicas infernais muito bem conseguidas, rápidas, repletas da fúria mais extrema e de tudo aquilo que se pode encontrar no espírito de uma banda de Black Metal. Black Sorcery é um entre muitos temas que merece um especial destaque nesta review, pois nele podemos encontrar um resumo de tudo o que aqui é dito. Infelizmente não encontrei informação suficiente para saber como se saiu S.A.T.A.N. quando

foi lançado em 2010 mas é provável que não tenha atingido sequer metade daquilo que tão bem merecia. Não digo isto por ser um projecto nacional, mas sim por ser bom. Uma das melhores propostas deste género musical que já me passou pelos ouvidos e só lamento que tenha sido agora. [8.5/10] Joel Costa

sucesso nestes treze anos e o lançamento deste disco é apenas mais um troféu na enorme estante imaginária que certamente possuem. Abram as vossas portas e contemplem este cenário! [7.5/10] Joel Costa

com mestria num regresso que é, no mínimo, promissor. O disco perfeito para dias de chuva.. [7.5/10] Rute Gonçalves

KRIEG PATRICK BATEMAN FRENTEUROPA RECORDS

JOYLESS WITHOUT SUPPORT VAN RECORDS

INSIDEAD CHAOS ELECDEAD MASSACRE RECORDS

Passei a primeira música do álbum, intitulada “No ID”, para o meu MP3 bem como tantas outras e fui ouvindo em viagens sem saber sequer o que estava a ouvir na maioria dos casos. Fiquei abismado com a música no primeiro momento em que a ouvi e era sempre algo agradável quando o MP3 dava a volta e voltava a tocá-la. Agora que me sentei para escrever a review de “Chaos ElecDead”, o álbum de estreia dos gregos Insidead, qual não é o meu espanto ao conhecer finalmente os mentores de tal sonoridade que me consumiu internamente. Fiquei com algum receio que o restante álbum não fosse tão bom mas foi muito de encontro às inúmeras expactitvas positivas que criei nesse momento. “Chaos ElecDead” tem um alinhamento muito bem constituído, com uma falha aqui ou ali mas nada de muito grave. É sem dúvida um excelente registo mas é de ter em conta que a banda já tem um percurso de treze anos, pelo que seria mau se não conseguissem dar o melhor de si mesmos nesta aventura em estúdio. Basta ler a biografia da banda para entender que conquistaram sucesso atrás de

“Without support” é o primeiro longa-duração dos Joyless em 10 anos. Depois de vários lançamentos “a vulso” desde o ano 2000, estes noruegueses parecem ter decidido que já era hora de regressar em grande estilo. O género Rock Psicadélico/depressivo continua a reinar (e muito bem) no universo dos Joyless, com a voz charmosa e sedutora de Ida Helleboe a envolver-nos cada vez mais profundamente a cada faixa. O álbum abre com “Have a nice fight” a estabelecer um “mood” melódico e melancólico que é uma das características mais marcantes em quase todas as 11 faixas. Outros momentos altos são “The Adorn Japetus”, “Puberty and dreams”, “The soft addiction”, “Better”, “Trilobite” e “Velvet Willows”. “Journey” encerra o alinhamento de forma absolutamente surpreendente e sublime. “Without Support” é um disco cru, visceral, emocional e repleto de intensidade melódica , que nos conquista de imediato com o seu universo sombrio e nostálgico e onde podemos encontrar claras influências de bandas tão diversas como Velvet Underground, The Doors, Led Zeppelin, Neil Young ou David Bowie. O Rock depressivo pode não ser para todos, mas os Joyless sabem interpretá-lo

A crítica internacional descreve o EP “Patrick Bateman” como insano ou a banda sonora ideal para um psicopata. Eu não encontraria palavras melhores para descrever este lançamento editado pela Frenteuropa. Mas afinal quem é “Patrick Bateman”? Patrick Bateman é uma personagem fictícia de “American Psycho”, escrito por Bret Easton Ellis. Tal como a obra original, também esta - desta feita levada a cabo pelos Krieg - transmite-nos imagens caóticas, repletas de violência e pensamentos nauseabundos, tudo isto acompanhado por uma bateria veloz e ensurdecedora. Mesmo não conhecendo a história real, é impossível ouvir isto sem que nos passe pela cabeça um cenário de crime, onde alguém mata outro alguém sem dó nem piedade, fazendo com que “Patrick Bateman” seja realmente a banda sonora adequada para esses casos. A voz está brutal em todos os níveis e o EP, em termos gerais, consegue estabelecer a sua marca e criar um novo espectro em torno do que conhecemos como Black Metal. Todos nós temos um lado mau e em “Patrick Bateman” esse mesmo lado vem à tona nem que seja por uns milésimos de segundos, fazendo notar ainda mais a sua presença a partir do momento em que soam os primeiros acordes. [5/10] Joel Costa


LEGIO MORTIS THE HUMAN CREATION MASSACRE RECORDS

“The Human Creation And The Devil’s Contribution” assim é o nome completo do terceiro disco de originais dos Legio Mortis – traz com ele um Death Metal melódico que é tocado como se os músicos estivessem no interior de um tornado. Depois de muitos concertos avassaladores durante os 10 anos de existência da banda, eis que decidem trazer a intensidade e a rapidez para o estúdio e compactá-la num CD brutal. “Unholy Four”, o tema que sucede a introdução, apresenta-nos os cantos à casa e promete-nos que daí para a frente vamos ouvir sempre bons riffs, me-

lodias muito bem conseguidas e toda uma nova atmosfera ambiental e ao mesmo tempo negra. Em “The Human Creation”, desta vez abreviado, podemos ainda encontrar uma cover de Paradise Lost e a presença de Liv Kristine, vocalista de Leaves Eyes, na música Life Denied (que é sem dúvida um dos pontos mais altos deste álbum). Podemos dizer que esta proposta dos Legio Mortis é cativante e deixa-nos ligados a ela do primeiro ao último minuto. do álbum ser “conceptual” muito a sério. O destaque vai para «El Crit», que é a música mais rápida deste registo e sem dúvida e mais elaborada. [6.5/10] Joel Costa

NAME INTERNET KILLED THE AUDIOSTAR LIFEFORCE RECORDS

Internet Killed The Audiostar tem algo que se lhe diga. É óbvio que o trio de San Francisco, California levou um microfone para os confins do inferno e da gravação lá feita resultaram 13 faixas recheadas de insanidade. Imediatamente fui recordado de uma outra banda de nome Daughters, cujo som tem muito em comum com o dos NAME: Uma espécie de caos controlado, uma bola de electricidade soltando faíscas em todas as direcções iluminando tudo à sua volta, um tornado de sons: Acho que isto é uma justa descrição deste CD. Desde death metal, ao jazz, ao metalcore, este álbum tem de tudo. Embora certos momentos possam deixar o ouvinte a coçar a cabeça perguntando-se o que estão a ouvir, há diversos outros

momentos em que o ouvinte ganhará um sorriso na cara, espantando pelas óptimas ideias que emergem da confusão e intensidade das músicas. Por outras palavras, IKTA mostra que, apesar do frenesim presente em todas as faixas que certamente não agradará a muitas pessoas, há vários momentos coesos com imenso groove e melodias que fazem com que o álbum valha a pena ser ouvido. Ou melhor dito, experimentado. Uma verdadeira sopa de estilos e géneros, recomendado a fãs da supramencionada banda Daughters ou outras bandas do género. [7/10] Rui Melo

NORTHER CIRCLES REGENERATED CENTURY MEDIA


Já sem Petri Lindroos, os Norther apresentam o álbum “Circles Regenerated”, que contendo alguns momentos interessantes, não chega a fazer-nos sentir que estamos perante algo verdadeiramente original. A abrir o alinhamento temos “Though it all”, música que contém uma estrutura melódica por baixo da cadencia heavy (tal como acontece “Some Day”), o que lhe dá consistência, depois continuada com alguma variedade na composição. O guitarrista Kristian Ranta como segunda voz resulta bem, fazendo lembrar algumas sonoridades do hard rock. A sua vocalização brilha particularmente em músicas como “Truth” ou “Some day”. Estas, a par de “Falling” e “Closing in” serão talvez as melhores músicas do álbum. As guitarras e a bateria mantêm-se fiéis ao death metal, mas sem grandes inovações. No entanto, o “metal melódico”

é um bom caminho para os Norther. [8.5/10] Mónia Camacho

OF LEGENDS STRANDED SEASON OF MIST

Uma das primeiras coisas que a Season Of Mist me disse quando tentei fazer uma entrevista com o projecto Of Legends, foi que seria muito complicado ter as respostas a tempo uma vez que o mentor, Luis Dubuc, era roady, manager, músico, motorista e muito mais. Seria exagero? Nem por sombras. Luis Dubuc está habituado a lidar com a variedade, uma vez que salta de projecto em projecto e todos eles são bem distintos uns dos outros. Já o que não varia muito é o esquema

de “Stranded”, que tende a voltar sempre à sua origem mas aqui não é necessariamente mau. Seja Of Legends algo original ou não, a verdade é que “Stranded” surpreendeu-me pela grande técnica demonstrada e pelos vastos conhecimentos musicais de Luis Dubuc, que sozinho teve que aprender a arte de fazer música. Todos estes motivos são mais do que suficientes para se ouvir este novo lançamento. Um excelente primeiro lançamento para um projecto que ainda nos terá muito para dar. Comprovem por vocês mesmos! [9/10] Joel Costa

OPRICH NORTH THE BOUNDLESS CASUS BELLI MUSICA

Já toda a gente percebeu que o Folk Metal está a sofrer de uma saturação imensa pelo enorme número de bandas novas que aparece a lançar discos nos últimos tempos deste estilo e claro, isso faz com que cada vez seja mais fácil separar o trigo do joio, devido às repetições constantes das mesmas fórmulas. Oprich, conjunto russo e compatriota dos aclamados Arkona, com quem partilham algumas semelhanças no seu som, parecia ao inicio da primeira audição deste “North the Boundless” algo que ia sobressair e marcar presença no mundo do Folk. Os três primeiros temas são de extrema qualidade, com principal ênfase para “Wrath”, que é uma malha poderosa e traz um bom bailarico inerente, acompanhado por um headbanging desenfreado! O problema é que os temas para a frente, mesmo bem executados pelo sexteto, começam a acusar o problema


enunciado em cima, a repetição. Com uma produção que deixa algo a desejar ao dar demasiada atenção à flauta a determinada altura e que satura ao avançar no disco. É uma lufada de ar fresco o tema “Kupala” por abusar mais nas guitarras, já perto do final do registo e a entrada acústica de “A Road”. É de apontar, no entanto, que a qualidade está presente pelos temas competentes que parecem no decorrer do trabalho, mas é preciso novas ideias para refrescar a audição de registos futuros. [6.5/10] Bruno Farinha

Pergalè Horizontalios Maldos Palaima FRENTEUROPA RECORDS

Ao procurar por documentos que me dessem mais informações acerca dos Pergalè, deparei-me com o seguinte: “Sonoridade: Black Metal depressivo”. Seria mesmo? Honestamente não vos sei dizer. Mas eis o que sei: depressivo ou não, em “Horizontalios Maldos Palaima” encontram-se vários elementos de Rock’N’Roll e Polka, o que por si só já nos diz alguma coisa. Existe também muita variedade nos vocais, sendo que podemos ouvir desde growls a algo mais melódico ou até mesmo falado. Para primeiro álbum deste projecto, “Horizontalios” até está bastante sólido. A banda poderia ter evitado meia dúzia de erros mas nada que consiga recuperar à medida que for ganhando mais experiência tanto em estúdio como no processo de composição. Outro grande destaque vai para a excelente artwork. [6.5/10] Joel Costa

phazer kismet RAISING LEGENDS

Considerados frequentemente na imprensa especializada internacional como “uma das grandes promessas do panorama Rock português”, os lisboetas Phazer regressam aos discos depois do lançamento do seu EP de estreia “Revelations” em 2006. Depois de uma tournée bastante extensa (mais de dois anos) por todo o país e de algum tempo de antena nas rádios nacionais, a banda surge agora mais madura musicalmente e mais segura de si própria, num disco que fala por si. “Kismet” (termo turco que significa mau presságio), é na sua essência, um disco de Rock, mas que consegue incluir em si

uma combinação muito inteligente de vários outros estilos, que trazem ao disco uma enorme e interessante diversidade musical. Há grandes momentos de prazer neste álbum, como é o caso de “War of shouts”, “Serious killer”, “Kismet”, “Rebel”, “Stay for them” (na minha opinião uma das faixas mais poderosas do disco) e, para fechar o disco de forma surpreendente “And then it all began”, um suave e belo tema instrumental. Gravado em Lisboa e com a produção de Fernando Matias, nome ligado a bandas como Bizarra Locomotiva, F.E.V.E.R; Linda Martini e Moonspell, “Kismet” é um disco eclético que vive de um Rock forte, sólido e poderoso e de um desempenho musical irrepreensível. Um digno sucessor de “Revelations”. Para ouvir com atenção. [7.5/10] Rute Gonçalves


e baterista que certamente agradarão a qualquer aficionado da guitarra ou bateria. [6.5/10] Rui Melo

RAINTIME Psychromatic LIFEFORCE RECORDS

Verdade seja dita, nunca me interessei por metal gótico. Embora não seja este o género pelo qual os italianos Raintime se definem (Death metal/Metal/Rock, segundo o seu Myspace) a verdade é que as influências góticas aqui são claras como o dia. Apesar de tudo, ao ouvir Psychromatic fiquei surpreendido pela positiva, tendo em conta as minhas baixas expectativas. Ao mesmo tempo, a descrição de Death metal/Metal/Rock está afinal bem atribuída porque faz grande parte do som dos Raintime. Este álbum é, portanto, um híbrido. O que por si próprio, por mais paradoxal que possa parecer, resulta tanto no lado positivo como no lado negativo do álbum. Por um lado, temos os riffs divertidos e cheios de groove que normalmente são a introdução e primeiros/últimos versos da maioria das canções. Por outro lado, os refrões são um cliché no que toca ao género gótico (aliás, uma das razões porque não aprecio o género) e é isso que me faz sentir dividido. Há também outra problema: O vocalista. Há momentos em que faz um trabalho espectacular, outros, parece estar completamente fora do seu elemento. Apesar disto tudo, Psychromatic é um álbum sólido, com potencial para ser excelente. O que salva o CD de ser medíocre é sem dúvida a componente instrumental. Poucos defeitos posso atribuir a tal, à excepção dos fracos (e ligeiramente comerciais) refrões. Há muitos boas ideias exploradas pelos guitarristas

momentos fazem pensar se foram escritos porque simplesmente eram... Diferentes. Para finalizar: A Discord Electric é um álbum desinteressante, sem replay value, que facilmente poderá ser esquecido. [4.5/10] Rui Melo

rise of ophiuchus serpentarius

RAUNCHY A DISCORD ELECTRIC

NECROSYMPHONIC

LIFEFORCE RECORDS

Sendo fã dos Raunchy desde a altura de Velvet Noise (2002, Nuclear Blast), fiquei preocupado com o futuro da banda após dois percalços consecutivos (Leia-se: Death Pop Romance (2006, Lifeforce Records) e Wasteland Discotheque (2008, Lifeforce Records)). Aquando finda a rotação do seu mais recente álbum, A Discord Electric, o que mais temia confirmou-se: Após um percurso atribulado, os Raunchy embateram contra um muro. Uma banda que tanta promessa mostrou, está agora - a meu ver - morta e enterrada. Os novos Raunchy são uma banda que não conheço e, sinceramente, não tenho interesse em conhecer. Tendo dito isto, há que salientar alguns aspectos positivos: A Discord Electric mostra que a banda ainda é capaz de escrever riffs e ritmos interessantes, como se pode comprovar em músicas como “Blueprints For Lost Sounds” e “Shake Your Grave” em que as guitarras, bateria e samples se unem para criar uma atmosfera energética que causa (in)voluntário headbanging e, até, air drumming. No entanto, estas ideias estão perdidas num mar de mediocridade. O maior defeito deste álbum é a maneira crude e autoconsciente com que os Raunchy lidam com a partida para uma nova direcção sonora, quase que martelada na cabeça do ouvinte. Certos

pela Archaic Sound. [7.5/10] Bruno Farinha

RIMTHURS Svartnar ARCHAIC SOUND

Rimthurs é um projecto de Black Metal do multi-instrumentista Tommy Holmer criado em meados da década de 90, mas só entre 2001 e 2002 começou a ser mais produtivo e depois de duas demos gravadas chega-se ao álbum de estreia que nos é entregue sob a forma deste “Svartnar”. É um disco extremamente heterogéneo, com uma produção bastante competente, e pisca o olho a várias paisagens sonoras, encostando-se muito ao Viking e ao Folk melancólico, mas mantém uma identidade própria e no global tudo encaixa como deve ser sem soar a algo “recortado” de algum lado e colado de qualquer maneira no disco. Há aqui pormenores que são simplesmente sublimes como a segunda metade do tema “Underjord” quando o violino entra fatalmente sem aviso ou o passo lento com que se desenvolve “Krigssång/Sorgmarsch” para uma melodia memorável em que mais uma vez o violino embala suavemente num puro momento de Neofolk. O blastbeat também marca presença com frequência durante o trabalho como nos brutais inícios de “Ursinne” e “Ljussjygg”. Um bom arranque no registo de longa duração deste projecto sueco, trazido até nós

Por vezes, e por muito que se lute contra isso, é inevitável julgar o livro pela capa e a introdução que me foi dada aos “Rise Of Ophiuchus” certamente não me passou as melhores intenções da banda. Um lado mais atrevido e cómico levado a cabo pelos protagonistas fez-me achar que de sério, “Serpentarius” não teria nada mas enganei-me redondamente! “Serpentarius” tem tudo o que qualquer registo deveria ter: técnica, empenho, dedicação, variedade e claro, o indispensável: o lado cómico da banda. Se lerem as notas do álbum apercebem-se que todo o instrumental - ou quase todo - está a cargo de Melkor e a realidade é que Melkor consegue colocar o melhor de si mesmo em cada instrumento, não havendo altos e baixos na qualidade dos mesmos. A voz também é uma forte presença neste registo e lidera muito bem o instrumental que se faz ouvir. O álbum apresenta alguns solos e riffs geniais que dão outra alma a este CD com vida. Os meus destaques vão para “A Sky Forged For The Dead”, “Ophiuchus Triumphant” e “Serpentarius”. A única coisa negativa que tenho a apontar - e isto é algo que apenas se vai verificar a curto prazo, espero eu - é a impossibilidade de levar Rise Of Ophiuchus aos palcos. Entretanto fico à espera de uma actualização deste duo magnífico! [8.5/10] Joel Costa


SEVEN THORNS RETURN TO THE PAST NIGHTMARE RECORDS / ROCK N GROWL

Qualquer banda poderia ter sido abalada por problemas jurídicos e outros problemas de ordem pessoal. Não foi - e ainda bem - o caso dos Seven Thorns. Depois de enfrentarem diversos problemas devido ao nome escolhido, a banda consegue finalmente editar “Return To The Past” com o seu nome original ao invés de 7 Thorns. “Return To The Past” apresenta diversas influências de bandas como Helloween e Gamma Ray que resultam em guitarras rápidas, bons solos e uns vocais a nivelar a grande qualidade que se faz ouvir nesta proposta. Não são, de todo, originais, mas também não fazem algo muito repetitivo. Aliás, os Seven Thorns têm escrito na testa “Power Metal de Grande Qualidade” por isso não é problema nenhum. No geral, e tendo em conta os problemas que lhes apareceram pela frente, “Return To The Past” é um bom álbum e um motivo de orgulho para uma banda que parece ter encontrado de novo o seu caminho. Um álbum a ser ouvido por qualquer fã de Power Metal. [7.5/10] Joel Costa

SHAKRA BACK ON TRACK AFM RECORDS

-nos o seu 10º álbum,“Back On Track”. Dez álbuns é uma marca mais do que respeitável. Ainda para mais quando são mantidos bons níveis de qualidade. Este álbum é marcado por uma grande mudança, uma vez que nos dá a conhecer o novo vocalista, John Prakesh. Os fãs não vão ficar desiludidos – a voz de Prakesh encaixa-se perfeitamente no estilo sonoro da banda e é assim, portanto, uma aposta ganha. “Back On Track” é constante e segue uma linha bastante definida. Talvez seja esse o ponto mais fraco – as músicas são pouco variadas e têm apontamentos muito iguais entre si. No entanto, há que destacar alguns pontos interessantes do álbum. A faixa que dá nome ao mesmo, “Back On Track”, é quase como um manifesto, que diz “regressámos, em força, e queremos marcar o nosso lugar”. “When I See You” é uma das baladas, e faz juz perfeito ao rótulo, pois tem todos os ingredientes que compõem uma boa balada: a melodia, a letra e a fácil memorização do refrão. “Crazy” e “MMTWGR” são os temas mais pesados e ritmados, e que mais prendem a atenção do ouvinte. Desengane-se quem pensar que é um álbum pesado – não é. Tem 2 ou 3 faixas mais heavy, mas no geral não se pode apelidar de mais do que “rock”. Apesar disso, tem bons momentos de riffs e solos de guitarra dignos de registo. Em resumo, “Back On Track” é um bom CD, agradável de se ouvir ao longo das 12 faixas, mas que não faz esquecer “Power Ride” (2001), ou “Rising” (2003), pontos altos na carreira de Shakra. [6/10] Íris Jordão

silent stream of godless elegy návaz SEASON OF MIST

Perante um cenário em que cada vez aparecem mais bandas a oferecer poucas novidades, temos o prazer de nos deparar com a grandeza de Silent Stream Of Godless Elegy e o seu mais recente trabalho, “Návaz”. Formados em 1995 e com um percurso de Folk e Doom Metal, os Silent Stream Of Godless Elegy oferecem-nos um excelente contraste entre a voz clean e feminina de Hanka Hajdová’s e a voz poderosa e masculina de Pavel Hrnčíř’s. Outro contraste está entre os instrumentos eléctricos e os acústicos, fazendo com que “Návaz” resulte numa explosão de sonoridades diferentes e que tão bem nos sabem aconchegar. “Slava” destacou-se logo como a minha música favorita deste projecto e, tal como todas as outras, é uma faixa que se deve ouvir num ambiente calmo, de olhos bem fechados e com a mente suficientemente aberta para nos deixar viajar para outro mundo, mundo esse cheio de magia. Uma grande decisão da Season Of Mist por ter pegado nesta banda e ter sido uma das principais razões pelas quais hoje temos a oportunidade de escutar tamanha grandiosidade. “Návaz” está muito perto da perfeição e se a banda optasse por tomar uma ou outra decisão diferente daquelas que tomou, mereceria sem margem para dúvidas um 10. [9/10] Joel Costa

steve hackett live rails insideout music

SONNE ADAM TRANSFORMATION CENTURY MEDIA

A banda suíça Shakra traz-

meira incursão na música com o lançamento dos EPs “The Sun is Dead” e “Armed wtih hammers”, os isrealitas Sonne Adam (expressão hebraica que significa odiar a humanidade) surgem em 2011 com o seu 1º longa duração “Transformation”. O disco é um verdadeiro peso-pesado no que a Death Metal diz respeito, onde se identificam facilmente fortes influências dos Morbid Angel, Autopsy, Asphyx e e Paradise Lost (na primeira fase da sua carreira). O monumental tema “We who worship the black” abre um conjunto de poderosas, atormentadas e esmagadoras nove músicas, onde o puro Death Metal old school é rei absoluto. São disso exemplos perfeitos os temas “I sing his words”, “Take me back where I belong”, “Through our eyes hate will shine”, “Transformation” e “Apocalypse”. Autêntico e visceral, “Transformation” é uma grande estreia, uma obra completa, repleta de riffs pesados de guitarra, de uma poderosa bateria e de um desempenho vocal triunfante e que vive de letras especialmente negras e blasfemas. O álbum expressa, sem lugar para dúvidas, a força bruta e letal de uma banda que claramente se assume como uma das grandes revelações de 2011. Fãs do Death Metal puro e demolidor, uni-vos! Chegaram os Sonne Adam! [8/10] Rute Gonçalves

Depois de uma discreta pri-

O álbum “Live rails” documenta a última tournée mundial de Steve Hacketts, denominada “Out of the tunnel’s mouth”. Numa alu-


são a esta temática a música de introdução mistura sons de comboios a uma precursão com influências do Norte de África ou do Médio Oriente. Uma grande viagem musical. As paragens visitadas são muitas e variadas ou não fosse um álbum ao vivo. Entre clássicos Génesis e novas canções, é possível ouvir subtileza e caos no mesmo disco. Letras pertinentes e profundas dão uma estrutura consistente às músicas, talvez uma herança de Génesis, mas que Hackett mantém também nas suas criações. Encontramos neste duplo ambientes diversos: momentos que podem perfeitamente levar a estados meditativos, é o caso de “Emerald and Ash”; Momentos em que a espiral de distorção nos agride como em “Pollution C”; Momentos acústicos, como “Fifth of fifth” ou “Blood on the rooftops” e até momentos de teatralidade como em “Clocks”. Todos com uma imensa qualidade. Para quem liga à posse, é um disco a ter. [9.5/10] Mónia Camacho

stworz Synowie Słońca FRENTEUROPA RECORDS

Há álbuns que não são fáceis de se analisar, não só devido à sua complexidade mas também porque nem sempre é fácil conseguir apreciar, nem que seja por breves momentos, esse mesmo álbum. Felizmente para todos, este não é o caso dos Stworz. “Synowie” é um registo encantador, com muitos elementos acústicos e que nos faz sentir como se estivéssemos dentro da imagem proposta na capa. E a realidade é que podemos ir lá parar, se for real-

mente esse o nosso desejo. Traduzindo o título do álbum para o bom Português, “Synowie Słońca” dá algo como “Filhos do Sol”. Os filhos do sol são originários da Polónia e utilizam a sua música como meio de transporte dos temas pagãos bem como a história do seu país. É um Black Metal diferente, bastante acolhedor até e capaz de nos manter focados na sua evolução ao longo de toda a sua extensão. A qualidade é visível em todos os cantos e os Stworz garantem assim a sua presença no top dos melhores lançamentos efectuados pela Frenteuropa Records. Há muitas passagens acústicas com sons retirados da natureza e do ambiente, seguidas de músicas rápidas e violentas, fazendo de “Synowie Słońca” algo diferente. Certamente não agradará a todos mas no que toca à minha opinião pessoal, devo dizer que fiquei fascinado com este lançamento pois não só o apreciei como também me lembrei que a música é uma das melhores artes que existe. [7/10] Joel Costa

tales for the unspoken alchemy CASKET RECORDS

Foi em 2008 que se formaram os “Tales for the unspoken”, banda oriunda de Coimbra mas composta por elementos de vários países, que para além de Portugal incluem o Brasil, Cabo Verde e Moçambique. Alguns meses depois da sua formação, lançam a primeira demo com 5 músicas e em 2009 surge o vídeo “Say my name”, que deu a conhecer o projecto e permitiu á banda ganhar alguns prémios em

várias competições e também partilhar o palco com bandas de renome. Este é o 1º longa-duração da banda. “Alchemy” é um álbum no mínimo, surpreendente. Há algo de hipnotizante que nos cativa e nos prende e não nos deixa parar de ouvir até chegarmos á última música. “There you stand” dá início ao disco de forma magistral e abre caminho para outros grandes temas como é o caso de “Possessed”, “N’ Takubawena”, “Makumba” (na minha opinião um dos temas mais fortes), “Downfall” e “Crown of the Crow”. Como bónus track podemos encontrar o poderoso “Say my name”. Fortemente inspirados por bandas como “As I Lay Dying”, “At The Gates” e “Slayer”, os Tales for the Unspoken trazem para este “Alchemy” um Metal agressivo mas que nunca descura a técnica e a preocupação melódica e que reflecte também as influências das diferentes etnias e nacionalidades presentes na banda. Metal para ouvir no volume máximo. [8/10] Rute Gonçalves

sões do líder do projecto, o já mencionado Ralph Swan. “One Month In Real Time” é apenas uma das músicas que merece destaque. Isto porque é a primeira e para aqueles que basta ouvir os primeiros minutos de um álbum para o poder pintar de seguida, será o suficiente para se aperceberem da enorme quantidade de talento que está aqui envolvida e muito bem inserida. Esta música, bem como o restante álbum, oferece ainda inúmeras transições fazendo com que pareça que estamos a ouvir duas ou três músicas distintas nestes mais de sete minutos de duração que a faixa tem. Uma proposta da 7Hard Records e com o grande pilar de apoio que é a Massacre Records só pode resultar num sucesso - ou pelo menos num caminho bem conseguido - estrondoso dos Tangent Plane. Esperemos agora que Tangent Plane não seja apenas mais uma fase ou uma experiência e continue como um projecto principal. [6/10] Joel Costa

tangent plane project elimi

THE OCEAN HELIOCENTRIC

7HARD / ROCK N GROWL

METAL BLADE

“Project Elimi” dos Tangent Plane resume-se à performance de um músico: Ralph Swan, responsável pelos teclados. Este Homem salta de projecto temporário em projecto temporário para realizar todas as suas ambições e experimentar diferentes conceitos musicais. “Project Elimi”, que é a primeira parte de uma triologia ainda por ser composta, tem “Metal Progressivo” escrito em todo o lado e oferece boas faixas, resultantes das mais variadíssimas vi-

Heliocentric leva-nos por uma viagem sobre a mudança da visão Geocêntrica para a Heliocêntrica. Liricamente, o álbum começa citando a Bíblia no momento em que Deus cria o mundo: “And God said there be light in the firmament of the heavens”. Ao longo do álbum acompanhamos as primeiras dúvidas, a descoberta que afinal a Terra anda à volta do Sol e não o contrário, terminado o álbum colocando as questões que a prova da teoria Heliocêntri-


ca trouxe na altura, que se encontram ainda hoje actuais: “Who made your architect? Where does He come from?”. Apesar de ser claro a nível lírico, é um álbum exigente a nível intelectual: poderá ser necessário alguma pesquisa para a compreensão total do mesmo. Num post-metal progressivo com uma sonoridade bem distinta, os The Ocean acrescentam ao metal géneros completamente distintos deste. Por exemplo, o álbum encerra com um improviso de trombones e saxofones a um estilo Jazz. Um improviso no sentido literal da palavra, tendo a banda gravado cerca de 40 takes para o mesmo antes da sua escolha. Para além disto, o álbum varia do princípio ao fim entre momentos calmos e agressivos. Ainda bem que o vocalista consegue acompanhar estas oscilações, tendo versatilidade suficiente para cantar. E é esta mistura de sabores que torna Heliocentric um álbum interessante, e diferente do que já foi feito. Pode não agradar a todos, mas merece no mínimo uma audição. [9/10] João Miranda

the ransack bloodline RAGING PLANET

Depois de “Azrael” em 2007 e de “Vortex” em 2009, os barcelenses The Ransack regressam aos discos com “Bloodline”, em mais uma descarga poderosa de Death Metal com alguns momentos de Trash á mistura. Tal como já nos habituaram nos registos anteriores, “Bloodline” está repleto de guitarras poderosas e de vocais agressivos que imprimem a este disco uma intensidade única. Podemos ainda en-

contrar as participações especiais de Tó Pica (RAMP) em “Vicodin”, de Pedro Mendes (Thee Orakle) em “The Last days” e de Snake (Endamage) em “Trace”. Notas de destaque para as faixas “Collateral Damage”, com uma bateria que impressiona, “Enemy” onde Shore mostra todo o seu poder vocal, “My Bullet your name” e “Scars”, sem dúvida dois dos temas mais fortes do álbum e “Trace” que mistura na perfeição os riffs agressivos com os momentos mais melódicos. “Bloodline” é um álbum surpreendente, que nos prende completamente a atenção e o ouvido do princípio ao fim, e nos deixa rendidos á competência e agressividade dos The Ransack. É um registo frenético e demolidor, movido a força bruta. Death Metal em estado puro made in Portugal. Simplesmente explosivo. [8/10] Rute Gonçalves

Everything Will Be Passed” acaba por ser um disco cujas atmosferas não estão muito bem trabalhadas tendo também uma presença muito reduzida dos teclados. Se lhes dessem maior destaque, o resultado final teria sido muito melhor. O instrumental, à medida que o tempo avança, vai trazendo menos novidades e deixa-nos com aquela sensação de que falta qualquer coisa ali, sabendo-nos a muito pouco. Já a voz tem tudo a seu favor, sendo o ponto alto deste disco dos Vastum Silentium. Falando em termos gerais, “Time Will Come, And Everything Will Be Passed” é um tanto monótono e peca pela falta de originalidade. A banda necessita de experiência e certamente que irão melhorar da próxima vez que nos apresentarem algo novo. [5/10] Joel Costa

VASTUM SILENTIUM time will come

vomitory opus mortis viii

FRENTEUROPA RECORDS

METAL BLADE

“Time Will Come, And Everything Will Be Passed”, assim é o nome completo do álbum, é uma proposta dos Ucranianos Vastum Silentium editada pela Frenteuropa Records. O CD vê no seu alinhamento sete faixas em que depois da introdução somos baleados com Black Metal cru com algumas influências de Thrash Metal. A qualidade do som não é das mais agradáveis mas quando se fala de Black Metal isso até é daquelas coisas que não vamos ter muito em conta, até porque vá-se lá entender, faz parte da “coisa”. Com alguns trechos medievais pelo meio, “Time Will Come, And

“Opus Mortis VIII” é o oitavo álbum dos veteranos Vomitory que nos fazem chegar esta delícia via Metal Blade. Este novo disco é, sem margem para dúvidas, o mais forte que os Vomitory alguma vez compuseram. A produção do mesmo foi muito bem trabalhada e nota-se que houve, de certa forma, um empenho diferente na banda nas gravações desta relíquia. O disco foi gravado nos Leon Music Studios por Rikard Löfgren e o resultado não poderia ter sido melhor. Ainda que não tenham quebrado qualquer barreira do Death Metal, “Opus Mortis VIII” apresenta-se como algo deveras intenso

e agressivo, sendo o adjectivo perfeito para descrever a carreira dos Vomitory. Toda a essência da banda está lá, até no mais íntimo detalhe e basta ouvir a primeira música para perceber isso.

VOODOO CIRCLE BROKEN HEART SYNDROME AFM RECORDS

Alex Beyrodt e os seus rapazes estão de volta, três anos depois do disco de estreia “Voodoo Circle”. “Broken Heart Syndrome” tem um certo gosto “vintage” a Hard Rock dos anos 70, encontrando em bandas como Deep Purple, Rainbow e Whitesnake algumas das suas referências mais óbvias. É impressionante, como em certos momentos, a voz de David Readman se aproxima tanto de Coverdale que quase nos confunde. O tema de abertura “No solution blues” revela-nos, logo á partida muito daquilo que podemos esperar a seguir: um Rock clássico, contagiante, competente e fluído. A sensação de solidez musical continua em “King of your dreams”, “This could be paradise”, “Broken Heart Syndrome”, “When destiny calls” e na frenética “Heal my pain”. E também não faltam as baladas inspiradoras: “Blind Man” e “I’m in Heaven” são disso exemplos perfeitos. “Broken Heart Syndrome” é, acima de tudo, um disco assertivo e honesto, que apesar do estilo clássico, consegue transmitir algo de novo e diferente. É um disco com feeling, e isso deve-se, em grande parte, ao talento e á entrega da banda, num esforço absoluto (e, na minha opinião, conseguido) para criar uma obra á sua


medida que possa perdurar no tempo e nas memórias de quem o ouve. Para os amantes do Hard Rock é, sem dúvida, uma excelente aposta. [7/10] Rute Gonçalves

WE ARE THE DAMNED HOLY BEAST MASSACRE / BASTARDIZED

WAKO THE ROAD OF AWARENESS RASTILHO RECORDS

Distante vai o ano em que os WAKO decidiram formar a banda e lançar a sua primeira demo. Mas o tempo voa, 2011 chegou num instante e com ele trouxe um dos grandes motivos de orgulho que a cena Metal nacional pode ter: “The Road Of Awareness”, distribuído pela também nacional Rastilho Records. A banda passou por algumas mudanças e tudo isso contribuiu para a intensidade e energia que se faz sentir e ouvir neste registo, que já promete ser um dos melhores nacionais para o ano de 2011. O crescimento e o amadurecimento da banda está bem visível e percebemos que os mesmos alargaram os seus horizontes, tendo ainda muito por conquistar. “The Road Of Awareness” é um bom ponto de partida para este trajecto cheio de conquistas que se adivinha e até mesmo quando tiverem tudo contra eles, como aconteceu no Pavilhão Atlântico, este amadurecimento irá prevalecer e fazer com que os WAKO saibam contornar todas as dificuldades e sair vitoriosos. É o álbum nacional do mês! [9.5/10] Joel Costa

Os nossos We Are The Damned estão de volta com o seu segundo álbum. “Holy Beast” é pesado, poderoso, rápido, tem agressividade até dizer chega e tudo isto resulta naquilo que este disco é: uma excelente aposta nacional! Não será fácil para todos ouvir este álbum de seguida várias vezes dada a sua longa duração, mas nem com isso “Holy Beast” consegue ser algo aborrecido e cada música tem a sua própria identidade, acrescentando sempre uma novidade, nem que seja em doses mínimas, a cada faixa. Como todos aqueles que optam por seguir as leis do extremo, com We Are The Damned ou se gosta muito ou se odeia e pelo menos eu gostei! É óbvio que damos sempre especial atenção ao que se faz em Portugal mas acredito que se este CD me chegasse às mãos e eu soubesse que era de uns alemães ou americanos, provavelmente o comentário seria o mesmo, tirando, claro, a referência a Portugal. “Holy Beast” é altamente recomendado para quem gosta de Hardcore e para todos no geral. Decerto que encontrarão algo que vos faça dar a “Holy Beast” uma hipótese. [9/10] Joel Costa

WIZARD Of Wariwulfs And Bluotvarwes MASSACRE RECORDS

“...Of Wariwulfs And Bluotvarwes” é o novo disco dos alemães Wizard e uma aposta da Massacre Records. O álbum tem um conceito muito bom e é extremamente fácil de se ouvir e ser agradado com ele. Este disco traz-nos aquilo a que os Wizard já nos habituaram em lançamentos anteriores: muita alma e garra investida em temas gloriosos e com a pureza que só o Heavy Metal tem. O tema de abertura é formidável e faz a abertura para o restante disco, que não se perde nem se deixa esmurecer, fazendo sempre com que a fasquia esteja lá em cima e de lá não saia. Felizmente mudaram o conceito das suas letras e aparecem-nos completamente renovados e em busca de novos desafios, numa jornada em que cada ouvinte também está presente. Aqui fala-se de bruxas, de vampiros, de lobisomens e de todas as criaturas que surgiram - ou não - da imaginação do homem. [8.5/10] Joel Costa

panies” abre as hostilidades com a dose certa de fúria e guitarras, dando de seguida lugar a um verdadeiro hino para Headbangers: “Skull Crusher”. O estilo “oldschool heavy metal” continua bastante forte e enérgico em músicas como “False Preacher”, Jekyll&Hyde”, “Road to Hell” e “K-141 Kursk”, que fala sobre o acidente do célebre submarino russo que se afundou há 11 anos atrás. “Legions of Bastards”, revela uns “Wolf” iguais a si próprios e sempre fiéis ao estilo que tão bem os caracteriza e afirma com toda a convicção que o Heavy Metal clássico não passou de moda e continua vivo e de boa saúde. Se a missão dos Wolf é manter a chama musical dos anos 80 acesa, com um toque de frescura original, não podiam ter feito melhor trabalho. Perfeito para forte Headbanging e muito Air Guitar! [7.5/10] Rute Gonçalves

XERATH II CANDLELIGHT RECORDS

WOLF LEGIONS OF BASTARDS CENTURY MEDIA

Depois de “Ravenous”, lançado em 2009, eis que os suecos Wolf regressam com mais uma colecção de grandes músicas de Heavy Metal. “Legions of Bastards” é o 6º álbum da banda (que já conta com 16 anos de carreira) e, ao ouvi-lo, é impossível não encontrar claras influências das bandas clássicas de Heavy Metal dos anos 80, como Judas Priest e Iron Maiden. Aliás, há mesmo bastantes semelhanças entre a voz de Niklas Stalvind e de Rob Halford em muitos momentos do disco. “Vicious com-

Os Xerath mostraram desde início que são portadores de boas ideias e conceitos e também de confiança e solidez naquilo que fazem. O termo “vieram para ficar” parece um cliché mas de facto é algo que se aplica bem a este colectivo, uma vez que conseguiram impressionar em “I” e aumentaram em doses recomendadas o nível de brutalidade e a qualidade das músicas em “II”. “God Of The Frontlines” é o perfeito exemplo daquilo que falo: é um tema extremamente agressivo com uma voz feroz a liderar o instrumental dinâmico que se faz ouvir. Cada música deste disco poderia ser alvo


de uma descrição gigantesca uma vez que os Xerath foram inteligentes ao acrescentar novidades em cada uma delas mas o melhor é ouvirem por vocês mesmos e deixarem que seja a música a falar. A meu ver, e não só por causa deste excelente álbum, os Xerath são uma das bandas mais brutais e produtivas da actualidade e ficarão certamente no meu Player durante um bom tempo. [8.5/10] Joel Costa

YAOTL MICTLAN DENTRO DEL MANTOGRIS DE CHAAC CANDLELIGHT RECORDS

Os Yaotl Mictlan foram formados em 1998 pelos irmãos Yaotl e Tlatecatl, que partilhavam uma paixão pela cultura Mexicana e Maia. As suas letras falam na colonização cristã e no facto de, devido a esse acontecimento, os povos terem perdido a sua identidade e terem adoptado um modo de vida diferente. A inspiração faz todo o sentido, uma vez que analisaram a sua cultura, o seu próprio mundo e criaram todo um conceito a partir daqui em vez de praticarem o típico Black Metal nórdico. O som de Yaotl Mictlan é deveras impressionante, tendo uma produção tradicional que lhe dá um gosto orgânico e ao mesmo tempo poderoso. As letras estão muito bem conseguidas – mau era se assim não fosse uma vez que este tema tem muito por onde se lhe pegar – bem como a performance de todos os envolvidos neste projecto. “Dentro Del Manto Gris De Chaac” é um registo discográfico que deve estar na prateleira de Cds de qualquer fã de Black Metal e

é também um modelo a seguir para qualquer banda de Black Metal que inicie actividade num futuro próximo. Não sendo eu propriamente um fã deste estilo musical, achei-o muito bom e recomendo a sua audição a fãs e não fãs. Gostaria era que as bandas Portuguesas de Black Metal pusessem os olhos nos Yaotl e falassem mais da Inquisição, da opressão política e todas aquelas coisas que para uns é orgulho, para outros é vergonha. [8/10] Joel Costa

WITHIN TEMPTATION THE UNFORGIVING ROADRUNNER RECORDS

O novo álbum dos Within Temptation surge como a banda sonora das BD’s, Bloodrayne e Dark 48. Assim, o álbum é quase como um anexo ao trabalho de Steven O’Connell. O artwork do mesmo e todas as letras são uma invocação da história ou temas presentes na Banda Desenhada. É sem dúvida uma aproximação interessante e original. Mas a verdade é que só isso não é suficiente para tornar The Unforgiving um bom álbum. Todas as musicas têm qualidade, destacando o lado instrumental perfeitamente trabalhado (algo que nunca desiludiu na banda), mas a verdade é que a menos que o ouvinte seja um fã da banda, o mais provável é que ele se aborreça ao longo do álbum, ou até que se encontre com a tentação de passar uma faixa à frente. As melodias são perfeitamente audíveis, mas falta aquele sentimento épico que os Within Temptation foram perdendo ao longo dos tempos, e pelos vistos, ainda não é desta que o reencontraram. [6/10] João Miranda


A

European Carnage Tour 2011, trouxe mais uma vez a Portugal os Reis incontornáveis do Trash Metal, as super bandas Megadeth e Slayer. Donos de carreiras já longas e muito bem sucedidas, foi a vez dos fãs nacionais mostrarem a sua dedicação. Os portugueses WAKO viram-se impedidos de realizar a sua actuação á última hora (devido a problemas técnicos, segundo a promotora do evento) pelo que coube aos Megadeth abrir as hostilidades, ás 21H em ponto, ainda com o Pavilhão Atlântico pouco composto de público. Dave Mustaine e os seus rapazes começaram com “Trust”, o primeiro tema de um alinhamento que revisitou, essencialmente, os grandes êxitos da banda. O vocalista apresentou-se com um melhor nível vocal do que nas últimas vezes que nos visitou (nomeadamente no Priest Feast em 2009 e no Rock in Rio no ano passado) embora bastante longe do brilhantismo. Seguiram-se “In My Darkest Hour”, e “Hangar 18”, que provocaram as primeiras reacções ruidosas do público. A partir daqui, os Megadeth só ofereceram Hits: “Wake Up Dead”, “Head Crusher”, “Poison was the cure” e as incontornáveis “A Tout Le Monde” e “Symphony of Destruction”, estas acompanhadas em coro pelos fãs. Não faltou também a presença em palco da mascote da banda – Vic Rattlehead, no decorrer de “Peace Sells”. Dave Mustaine, David Ellefson, Chris Broderick e Shawn Drover proporcionaram um espectáculo competente ao

nível técnico, mas que de uma maneira geral foi “ morno”, revelando uns Megadeth muito distantes da sua pujança original. Já com Slayer, a história é completamente outra. Pujança e garra são mesmo as palavras de ordem e assim que Tom Araya pisa o palco, num cenário vestido de vermelho, cinza e negro, começa a descarga de energia e poder brutal e esmagador a que a banda já nos habituou. A actuação abriu com “World Painted Blood” e “Hate Worldwide”, tendo no horizonte uma sala já bastante mais cheia do que no início da noite e continuou frenética e sem pausas, com temas como “War Ensemble”, “Postmortem”, “Raining Blood”, e “Black magic”, numa combinação perfeita entre os temas clássicos e os temas mais recentes. “Angel of Death” fechou a noite de forma sublime. Os fãs responderam com grande entusiasmo e energia, suaram, agradeceram e, no final saíram satisfeitos. Tom Araya esbanjou sorrisos e agradeceu em português várias vezes e Gary Holt, dos Exodus, que se encontra a substituir o guitarrista Jeff Haneman (a recuperar de um problema de saúde) mostrou-se completamente á altura e não desiludiu. Mais uma vez os Slayer provaram, que apesar da sua longevidade (quase trinta anos de carreira) não perderam a garra e a energia e que continuam a ser uma das bandas mais influentes na cena “Trash”. Estão muito bem e recomendam-se. Texto: Rute Gonçalves Fotografia: João Moura


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stava uma noite quente em Seixal e a pedir algo de peso. Os Martelo Negro acederam ao pedido e subiram ao palco para o seu concerto de estreia. Projecto criado em 2006 por elementos que já têm a sua experiência de participarem em várias bandas nacionais como Namek, The Firstborn ou Grog, lançaram este ano o longa-duração de estreia “Sortilégio dos Mortos” e tocaram pela primeira vez, para algumas dezenas de pessoas, temas como “Sob os cascos de Satã” e “Black Hammer”. Com uma postura bem descontraída, talvez por tocarem na sua cidade de origem, foram explorando as suas músicas de  influência Black Metal com algumas piadas da parte do vocalista Simão Santos que dedicou o tema “Winds of Carrion” às marés negras do Seixal e aos odores de maresia lá do sítio. É triste muita gen-

te estar ali só para ver a banda local e não ficar para ver os In tha Umbra, embora os que ficaram duvido que se tenham arrependido pela boa prestação do colectivo algarvio, que apresentaram o seu novo EP “Noire”, só ficando o último tema deste trabalho, “Alva Angústia”, fora do alinhamento. A dupla rítmica constituída pelo baterista João Marques e o baixista Ruben Sardinha é simplesmente de fazer crescer água na boca ao mesmo tempo que os guitarristas, Bruno Correia e Bruno Bernando, preenchem com bastante competência o Black Metal de veia intimísta deste grupo nacional. Todos os seus álbuns anteriores foram representados pelo menos com um tema na mais de uma hora de actuação, sendo os pontos altos desta os temas “Slaugh Ov Capricorn”, “Crescent” e “Intangível”. Acabaram o concerto com

uma homenagem aos lendários Motörhead  ao tocarem a famosa “Ace of Spades”. Pena só a voz de Bruno Correia estar um pouco fora de tom durante todo o concerto. Texto: Bruno Farinha Fotografia: Liliana Quadrado


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o Musicbox, calhou aos Before the Torn começarem o concerto, integrado na “2-way co-headline tour”, onde a ordem das duas bandas presentes em cartaz ia rodando pelos vários concertos ao longo do país. Com uma plateia bem composta, a banda oriunda de Setubal, iniciou as hostes com “Cosmopolitan Deathwish” arrancando logo uma boa reacção do público, onde se notava que estavam ali fans do colectivo que cantavam e apoiavam os elementos. A banda esteve bastante possante até com momentos de pura ginástica por parte do baixista Bruno Matos. Guilherme Henriques gritou com alma num set mais apostado em apresentar o último trabalho do conjunto setubalense com “Last Night’s Nightmare”, “The Spirits” e “Remember September” a mostrarem-se bons temas para ser tocados ao vivo. Houve umas visitas a “Burying Saints”, uma delas cantada por um elemento do público e ainda um convite a Vasco Ramos (Vocalista dos More than a Thousand) para cantar “My Pray” em palco, tema onde ele participa no último registo, mas infelizmente não foi possível a sua participação. Seguiram-se os We are the Damned com uma presença em palco mais directa e agressiva tal como a música que tocam. “Holy Beast” foi o novo trabalho no qual se baseou a sua actuação, desfilando temas como “Serpent”, “Vengeance Havoc” ou “O Devorador dos mortos”. Destaque para Ricardo Correia, guitarrista da banda que agora tomou comando da voz que representa o conjunto Lisboeta depois da saída da fantástica Sofia Loureiro, pela sua prestação e frenética dedicada apenas ao microfóne. “Thrill to Kill” do primeiro disco “The Shapes of Hell to com” não podia ter faltado e foi um ponto alto do concerto. Boa noite de música feita em território Luso. // Texto: Bruno Farinha


É

algo que enche de orgulho (ou devia) ao povo português que aprecie um bom fim-de-semana da pesada este tipo de iniciativas que junta o melhor do que se faz em território nacional e com o bónus de poder ver duas bandas internacionais de alguma importância no Thrash europeu, por isso é de louvar o trabalho desenvolvido pelos elementos dos Switchtense, responsáveis pela organização do Moita Metal Fest, que já conta com a oitava edição.

Sexta-Feira 25 de Março O festival abriu com os Machinergy e o seu Thrash Metal de influências industriais para uma plateia ainda muito despida e desinteressada embora tenha valido o bom esforço. Mourning Lenore introduziu a veia Doom no Moita com o seu ritmo quaternário hipnotizando algumas cabeças na audiência ainda com a presença do vocalista e guitar-

rista João Galrito que separou-se da banda, deambulando pelo álbum de estreia "Loosely Bounded Infinities".  Seven Stitches  providenciaram uma grande dose de energia com uma boa thrashalhada, provocando o primeiro Mosh Pit da noite ao som dos temas de "When the Hunter Becomes the Huhted" e também com Pica cheio de genica, muito comunicativo e a aproveitar bastante o concerto levantando a barra para o que viria no final da noite. Pelo meio, o conjunto de Grândola teve tempo para dar a sua homenagem aos organizadores Switchtense com um cover de "Infected Blood". Chegou então momento de uma abordagem mais teatral à musica com os Ava Inferi a transformar o recinto num ritual pagão e melancólico para fazer a delícia de alguns presentes que se entregaram à representação de Carmen Simões. De resto, tiveram uma actuação muito parecida ao que tinham feito na apresentação do trabalho "Onyx", com a mesma qualidade e acompanhados pela também baixista dos Mourning Lenore, Joana


Messias, sendo esta a segunda vez que ela entrava em palco. Esperava-se agora pelo que viria a ser o ponto alto deste Moita Metal Fest. Os Angelus Apatrida entraram logo a matar com uma descarga frenética que resultou num Mosh pit desenfreado quase todo o concerto, com bastante stage diving e dreito a um Wall of Death no tema “Give’em War”. Estes "nuestros hermanos" na casa dos Vinte, têm muita vitalidade para gastar e bem o fizeram, no entanto houve um momento caricato em que um um rapaz do público ficou no palco durante algum tempo e fez parar a actuação dos espanhóis, que ao som da música da pantera cor-de-rosa e da La Bamba foi expulso pelos seguranças de volta para a plateia. Devido a grande aclamação, foi com dois encores dos ibéricos que acabou a primeira noite. James Hetfield, Dave Mustang e companhia, cuidado com eles!

Sábado 26 de Março O dia começou com os Adamantine, já que os Dark Oath cancelaram a sua presença no MMF. Ainda estava pouca gente, mas não foi algo que desencorajou a grupo Lisboeta e estes bem tentaram fazer mexer o público, mas sem grande êxito. Os Grankapo  com o seu Hardcore também não convenceram os espectadores e chegaram a ter alguns problemas com o microfone do vocalista Fuck que bem se esforçou para comunicar com a audiência. Depois vieram os Head:Stoned, com o álbum “I am All” ainda bem fresquinho e apresentaram-se de uma forma bem descontraída, o que agradou a alguns espectadores e provocou alguma agitação, com o seu Thrash bastante Groovey. A banda beirã Painted Black, curiosamente por terem uma abordagem mais

melancólica e lenta à sua música, conseguiram meter cabeças a esvoaçar nos momentos mais pesados da sua actuação, que infelizmente só deu para três temas devido à longa duração destes, mas demonstraram grande competência e emoção, esperando-se grandes coisas deles no futuro. O Mosh Pit lá finalmente apareceu neste segundo dia, com o Brutal Death Metal dos Decrepidemic, a abalar as fundações do recinto e com bastante garra, a banda bracarense arrancou a ferros um bom espectáculo com grande destaque para a capacidade técnica dos seus elementos. A veia mais progressiva dos Crushing Sun refrescou as sonoridades com a sua grande dinâmica, embora o público estivesse bastante quieto é de salientar a qualidade destes rapazes e a dimensão que o álbum “TAO” ganha ao vivo, assinalando-se aqui uma boa prestação. Subiram então ao palco os veteranos Web para

mais uma vez espalharem o caos pelo recinto com stage divings incluidos na festa e mostrarem assim porque são bastante acarinhados dentro do movimento pesado nacional com bons instantes de puro Thrash luso. A não ficar de fora dos grandes momentos deste MMF, os For the Glory foram incólumes ao fazerem os metaleiros e o pessoal do Hardcore juntar-se num bailarico que por si só foi épico. Uma erupção de calor que invadiu a audiência e a própria banda que não conseguiu esconder o êxtase de juntar toda a gente no Mosh Pit, fosse qual fosse o seu gosto musical, como evidenciou o vocalista Ricardo, que o que importa é o amor e dedicação à música. Aumentou ainda mais o suor e o brutalidade com a segunda banda internacional do festival. Os alemãesContradiction, com já 6 álbuns e um EP na bagagem continuaram a destruição e os saltos frenéticos do palco. Com uma li-

nha de guitarras fantástica e uma competência atroz desfilaram temas como “Death is Now”, “Your God” ou “For the Light” e fizeram as delícias do povo que ficou a chorar por mais. Bastante comunicativos e empenhados foi com enormes aplausos que se despediram de nós. Para acabar bem nada mais que o bailarico sangrento habitual dos Holocausto Canibal para acabar em devastação total com “Empalamento”, “Prepúcio Obliterado”, “Violada pela motoserra” entre outras. Concerto que acabou com um convite da banda para a audiência partilhar o palco com eles, perdendo-se de vista o grupo no mar de gente que se instalou, mas continuando o Grind a ressoar pelo recinto. Mais uma vez, parabéns aos Switchtense pelo fantástico festival e vemo-nos para o ano! Texto: Bruno Farinha Fotografia: Liliana Quadrado


A

dmito que quando soube que David Fincher estava a realizar um filme sobre a criação do Facebook fiquei pouco entusiasmado. Afinal, porque haveria o realizador de Fight Club realizar um filme sobre a criação de uma rede social? Não haveria projectos mais interessantes por onde pegar? É óbvio que, depois de ver o filme, apercebi-me que Fincher e o argumentista Aaron  Sorkin sabiam aquilo que estavam a fazer. É curioso como uma história sobre a criação de uma empresa por geeks informáticos consegue ser uma viagem tão emocionante como a retratada em The Social Network. O filme começa com um diálogo entre Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg) e a sua namorada Erica Albright (Rooney Mara), que depressa se torna numa batalha verbal terminando com o rompimento da relação. Enraivecido, Mark decide vingar-se da ex-namorada expondo detalhes íntimos da mesma no seu blog, criando ao mesmo tempo um site incorporado na rede de Harvard onde as alunas da universidade eram comparadas a nível sensual. Este episódio foi o primeiro passo para a criação do Facebook e é também uma forma de apresentar ao espectador a personagem que o acompanhará ao longo do filme. Mark é alguém com um intelecto admirável.

Esta qualidade tornou-o arrogante e com sentimentos de superioridade. É a personagem principal, mas não é necessariamente o “herói” do filme. The Social Network conta uma história de um ponto de vista imparcial, deixando ao espectador a liberdade de formar a sua própria opinião para cada uma das personagens. A história da criação da rede social é contada através de flashbacks, sendo que o presente se passa à volta de uma mesa redonda onde a personagem de Jesse Eisenberg carrega às costas dois processos judiciais contra ele - um deles, do seu ex-melhor amigo e co-fundador do Facebook, Eduardo Saverin (Andrew Garfield). The Social Network aborda temas como a amizade, traição e ganância. De destacar a ganância de todas as personagens envolvidas na criação da rede social, querendo sempre mais tanto para a mesma como para o seu bolso. É também uma história de solidão, tendo Mark poucos amigos no princípio do filme e ainda menos no fim – foi provavelmente esta característica que o levou a criar uma rede social. A narrativa é contada a um ritmo alucinante, e o melhor exemplo é a velocidade dos diálogos, extremamente rápidos desde a primeira cena, como se estes fossem um desafio intelectual à capacidade do espectador os acompanhar. E a verdade é que é ne-

cessária uma boa capacidade de concentração para poder acompanhar a história e percebe-la a 100%. Da mesma forma, conhecimentos a nível de termos empresariais ou informáticos também ajudam. Isto será um ponto a favor para quem procura um filme inteligente, mas pode também ser um motivo de frustração para quem procura algo mais leve e descontraído. A banda sonora, feita por Trent Reznor (aka Nine Inch Nails) e Atticus Ross, é uma das melhores dos últimos tempos (a Academia e os Globos de Ouro comprovam-no). Encaixa-se tão bem em cada cena e no ambiente do filme que muitas vezes nem nos apercebemos que ela está lá – mas está, e isso faz a diferença toda. The Social Network é um filme brilhante, com nenhumas falhas relevantes a apontar, dando-nos a conhecer a história da criação de uma rede social que muitos de nós usamos diariamente. O filme saiu recentemente em DVD e Blu-Ray com direito a edição de coleccionador com mais de duas horas de extras e comentários áudio dos actores e realizador.

João Miranda https://7critica.wordpress.com/


L

ie to Me acompanha o trabalho de Cal Lightman, um psicólogo perito em linguagem corporal. Ao analizar gestos ou micro-expressões que podem ir de um sorriso contido a um arquear de sobrancelhas, Lightman é capaz de dizer instantaneamente quando é que alguém está a mentir. Tal habilidade torna-se bem util quando é necessário questionar suspeitos. Assim, este perito em leitura corporal e a sua equipa, Lightman Group, dão uso ao seu dom participando em casos de investigação policial. A série é claramente centrada em Cal Lightman. A personagem de Tim Roth (o Mr. Orange do filme Reservoir Dogs) é uma das personagens mais bem trabalhadas no que toca a séries, o que é de esperar tendo em conta a experiência de Roth. Possui uma personalidade pouco vulgar, com tiques e expressões que depressa se tornam a imagem de marca da personagem. Dá a sensação que cada investigação é como um jogo para ele, onde por vezes o leva por caminhos mais radicais – por exemplo através de jogos ou testes psicológicos - para chegar ao objectivo: A verdade. A arrogância e o carisma dele são suficientes para nos prender à série. A ideia de alguém ser capaz de ler as nossas expressões ao ponto de saber quando mentimos é cativante, principalmente quando sabemos que

a personagem principal é baseada numa pessoa real: Paul Ekman. Ekman é um psicólogo especializado em linguagem não-verbal. Foi o autor de dezenas de livros sobre linguagem corporal, e é um dos maiores peritos e investigadores na mesma área. Ekman aprova a veracidade da ciência usada na série: “A maneira como Lightman identifica as mentiras é baseada em descobertas da minha pesquisa. A maioria do que vocês vêm é baseado em provas cientificas.”, afirma no seu blog “The Truth About Lie to Me”, um espaço onde a série é analisada de um ponto de vista cientifico. Assim, Lie to Me não só nos entretém, como também nos dá umas bases sobre esta ciência: Em média cada pessoa mente três vezes por cada 10 minutos de conversa; O verdadeiro espanto só dura um segundo; repetição das mesmas palavras indica uma mentira – apenas para citar alguns exemplos do conhecimento que é possível adquirir com a série. Em relação às outras personagens, todas são crediveis e com uma personalidade distinta, mas não conseguem ter uma presença tão grande como a personagem de Tim Roth - provavelmente por este as ofuscar. Estas surgem mais como uma parte da vida da personagem principal do que entidades próprias.

A série não é perfeita. Existem episódios menos cativantes, às vezes os suspeitos entregam-se demasiado facilmente, e principalmente, Lie to Me padece do problema que abala quase todas as séries: Os episódios actuais não são tão bons como os primeiros. Mesmo assim, seja o leitor um apreciador de séries de investigação ou queira saber mais sobre leitura corporal, Lie to Me é uma boa opção. Lie to Me vai na 3ª temporada e é transmitida diariamente na FOX e às segundas-feiras à noite na TVI. João Miranda


INFEKTION MAGAZINE #02 - Abril 2011  

DOWNLOAD: http://www.mediafire.com/?52s65qsqwqe9u16 ENTREVISTAS: Winds Of Plague, Imperia, Wako, The9thCell, Deathraiser, The Ransack, Sarca...

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