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05 A VOZ DOS LEITORES 06 NOTÍCIAS 08 ARTWORK C/ SINVISION 09 STUDIO REPORT C/ IMPÉRIA 10 SYLOSIS 12 SIX REASONS TO KILL 16 BUT WE TRY IT 18 BEFORE THE TORN 21 A ARCA DO SÉCULO XX 22 PHAZER 24 WE ARE THE DAMNED 26 HEAD:STONED 28 HILLS HAVE EYES

NÚMERO UM

EDITOR-CHEFE Joel Costa

A primeira edição está online! Isto significa que o mais difícil já passou e agora o principal objectivo é continuar a levar a cabo este projecto e ganhar a confiança dos nossos leitores. Foi difícil e ao mesmo tempo fácil trazer-vos a primeira edição da Infektion: difícil pois é complicado iniciar um projecto desta envergadura sem apoios, sem portfolio, sem praticamente nada. Fácil porque tivemos pessoas suficientes a dar valor a esta iniciativa e a depositar toda a confiança em nós. Ao longo desta primeira edição podem encontrar entrevistas com bandas nacionais e internacionais (quando iniciamos os trabalhos deste número tínhamos apenas uma parceria com a Massacre Records, daí não haver muita variedade de editoras), reviews de discos e concertos, uma área dedicada ao cinema e à televisão e muito, muito mais! Quero agradecer a todos os colaboradores, anunciantes e parceiros da Infektion pela ajuda, confiança e a vontade de fazer desta revista algo grande. Até 15 de Abril!

30 REVIEWS DISCOS 38 REPORT CONCERTOS 40 CINEMA + TV

EDIÇÃO Nº 1 - MARÇO 2011

Joel Costa www.infektionmagazine.info

COLABORADORES #01 Bruno Farinha, Cátia Cunha, Daniel Santos, Eric Njorl, Íris Jordão, Liliana Quadrado, Mónia Camacho, Rita Oliveira, Rute Gonçalves FOTOGRAFIA Material disponibilizado pelas editoras; Créditos nas respectivas páginas; DESIGN & PAGINAÇÃO Joel Costa - www.lifedesign.com.pt REVISÃO Joel Costa PUBLICIDADE geral@infektionmagazine.info +351 933 454 462 WEBSITE www.infektionmagazine.info ENVIO DE PROMOS Cátia Silva - Infektion Magazine Rua Adriano Correia Oliveira 153 1B 3880-316 Ovar Portugal

Infektion Magazine by ELEMENTOS À SOLTA - Desenvolvimento de Produtos Multimédia LDA is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Proibição de realização de Obras Derivadas 3.0 Unported License.


Tenho uma banda mas não temos nenhum contrato com editora. Posso mandar a nossa demo em MP3 para review? Fábio, Porto Começo por vos felicitar pelo projecto que têm em mãos e apesar de ainda não ter visto propriamente nada, é sempre bom saber que existem iniciativas destas no nosso país. O que me leva a escrever é o seguinte: visitei o vosso site e consultei os preços e as garantias para anunciar na Infektion Magazine. Como são dadas essas garantias? Francisco, Porto Olá Francisco. Obrigado pelas palavras que nos fizeste chegar. Em relação à tua questão, anunciar na Infektion dá retorno, uma vez que damos essas garantias que tu tão bem mencionaste. Ao comprar um espaço para anunciar na revista, garantimos que essa publicidade terá um determinado número de visitas através das estatísticas fornecidas pela plataforma principal onde as nossas edições serão publicadas, neste caso o ISSUU. Já em relação à publicidade no nosso site, garantimos também um número de visualizações que o anúncio terá através do relatório do Google Analytics. Estes relatórios ficarão disponíveis para consulta após ter atingido o limite de tempo ou de visitas inicialmente proposto. Na eventualidade de anunciar na revista e essa edição não atingir as 100 mil ou 500 mil visualizações na página em que está inserido o seu anúncio, voltamos a publicar o seu anúncio no mês seguinte sem custos adicionais. A Infektion Magazine será, a curto prazo, uma boa aposta!

A Infektion Magazine ouve e analisa todo o material submetido (desde que o som praticado por essa banda siga a linha da Infektion), contudo damos prioridade não só à ordem de chegada de material promocional mas também aos lançamentos de editoras que estabeleceram uma parceria connosco. Dito isto, é claro que podes enviar a tua demo, single e o que bem entenderes para nós. A review pode é demorar a ser escrita... Boas. Tenho uma banda e gostaria de ser entrevistado pela Infektion. Como podemos tratar disso? Miguel, Setúbal Envia um Press Kit (logotipo, imagens de grande resolução, apresentação da banda e do álbum mais recente, CD, etc) para o seguinte

endereço: Infektion Magazine Rua Adriano Correia Oliveira 153 1B 3880-316 Ovar Após recebermos a correspondência analisamos e entramos em contacto se houver interesse da nossa parte. Não enviem por correio registado! Como posso colaborar com a Infektion? Joana, Sintra Para colaborar com a Infektion basta enviar um e-mail (o e-mail pode ser encontrado no editorial) com uma pequena apresentação, a área em que gostarias de colaborar e enviar um exemplo de uma entrevista, crítica ou artigo que tenhas redigido. Gostava de colaborar com a Infektion. O trabalho é remunerado? Tiago, V.N. Gaia De momento não temos condições para remunerar os nossos colaboradores. Se conseguirmos vender uma quantidade considerável de espaços publicitários men-

salmente na revista e na nossa página web o trabalho será remunerado. Posso enviar notícias para a Infektion? Afonso, Massamá Sim. Podes enviar directamente para o nosso e-mail ou através do nosso formulário de contacto do site. Para tal deves escolher no assunto a opção “Notícias”. Quero divulgar um concerto da minha banda na Infektion. Como posso fazer? Afonso, Massamá Envia a informação para o nosso e-mail e se for possível anexa o cartaz e divulgaremos gratuitamente no nosso site. Contudo, se pretenderes mais visibilidade e mais destaque podes consultar os espaços de publicidade que temos disponíveis e os respectivos preços. Se a Infektion for patrocinadora oficial do concerto que queres promover fazemos um bom desconto.

Não concordas com uma review? Tens uma sugestão para nós? Queres dar-nos os parabéns? Envia os teus comentários e questões para o e-mail geral@infektionmagazine.info


SEVENDUST EM LISBOA Os norte-americanos Sevendust vão abrir o concerto dos Disturbed no próximo dia 20 de Junho, no Coliseu de Lisboa. SURVIVE THE WASTELAND Vindos da cidade Invicta, os Survive The Wasteland, anteriormente conhecidos como SuffocHate, disponibilizaram o seu novo single, intitulado “Bringing Back The Dead”, para download gratuito.

SEVEN STITCHES: TOUR Os Portugueses Seven Stitches estão a promover o seu álbum de estreia intitulado “When The Hunter Becomes The Hunted”. Eis os próximos concertos da banda: 19.03 - Quinzena da Juventude do Barreiro 25.03 - Moita Metal Fest 16.04 - Kettersaech Metal Night, Alemanha 21.04 - Sala Roja, Barcelona 22.04 - Ritmo E Compás, Madrid 23.04 - Metal Point, Porto 24.04 - Side B, Benavente 01.05 - SWR Barroselas Metalfest MEN EATER: NOVO DISCO EM BREVE “Gold” será o nome do próximo disco dos Men Eater cuja edição está marcada para o próximo dia 11 de Abril. SHADOWSPHERE: AGENDA Enquanto se encontram em gravações para o próximo álbum de originais, os Shadowsphere não descansam e divulgaram algumas datas para actuar em palcos nacionais. São elas: 16 de Abril - SPS Metal Fest (S. Pedro do Sul) 27 de Maio - Transmission Club ( Lisboa)

BLACKSUNRISE A banda nacional Blacksunrise encontra-se a preparar o seu segundo álbum de originais. Até lá, podem ouvir um tema que irá figurar no alinhamento de “Oceanic”, chamado “Crowning Neptune’s Wrath”. WAKO: NOVO CD EM ABRIL Os W.A.K.O. vão lançar um novo disco em Abril intitulado “The Road To Awareness”. Este álbum foi gravado nos Ultrasound Studios com Daniel Cardoso e teve a masterização a cargo de Josh Willbur (Hatebreed, Lamb Of God) na cidade de Nova Iorque. O disco estará à venda a partir do dia 11 de Abril através da Rastilho Records.


MY DECEPTION NA CD BABY Os Portugueses My Deception vão lançar o seu EP de estreia através da norte-americana CD Baby. “The Age Of No Devotion”, nome escolhido para este lançamento, ficará portanto à venda nas principais plataformas de música digital.

DRAGONFORCE: NOVO VOCALISTA Os britânicos Dragon Force anunciaram que a procura por um novo vocalista terminou. Após terem feito audições por todo o mundo, a banda dá agora as boas-vindas a Marc Hudson, de 23 anos, que veio substituir o lugar deixado por ZP Theart.

VAGOS OPEN AIR: NOVOS NOMES Ihsahn e Essence são as novas confirmações no cartaz de 2011 do Vagos Open Air. O festival irá decorrer em Vagos, nos dias 5 e 6 de Agosto. Relativamente aos actos nacionais foram confirmados os seguintes: We Are The Damned, Crushing Sun, Malevolence e Revolution Within. Não esquecer que o cartaz já conta com Morbid Angel, Opeth, Tiamat e Kalmah.

EX-VOCALISTA DOS IRON MAIDEN PRESO Paul Di’Anno, ex-vocalista dos Iron Maiden, foi condenado a 9 meses de prisão por fraude. Ao que parece, o cantor pedia subsídios de apoio social e à habitação afirmando que estava incapacitado, não podendo assim trabalhar. A fraude foi descoberta uma vez que apareceram inúmeros vídeos no YouTube de uma tour onde o mesmo esteve presente durante esse período de tempo.

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AC/DC COM NOVO DVD Os AC/DC vão lançar um DVD ao vivo no dia 9 de Maio. O concerto, que foi gravado na Argentina, irá ter versões em CD e Blu-Ray. A banda anunciou ainda que depois do lançamento do DVD irá fazer uma pausa.

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projecto evidencio uma estética mais alternativa, puxando ambientes mais macabros e negros. Tudo o que fuja do conceito de normalidade de fotografia são boas temáticas para mim. E pessoas que sigam a mesma linha de pensamento são aquelas para as quais direciono o meu trabalho. Acaba por ser um pouco uma arte incompreendida.

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ara quem não te conhece, podes começar por falar um pouco de ti e do teu trabalho? Bem, eu sou a Sandra, sou uma jovem de 28 aninhos com uma grande paixão que se chama fotografia. Deste muito cedo que esta vertente artística me suscita um enorme fascínio, mas só a partir de 2006 comecei a inserir-me neste meio à frente da camara, posando. Mas foi mais forte o impulso de pegar numa máquina e manejá-la conseguindo certo tipo de imagens que estavam no meu imaginário desde cedo. E, em inícios de 2008, dei os meus primeiros passos para a concretização de um sonho antigo. Neste meu

Actualmente tens em mãos um excelente portfolio. Como foi chegar até aqui? Foi o retrocesso do investimento e dedicação. Ter as ideias e passá-las a realidade, as pessoas que acreditaram em mim e me ajudaram... Todos os altos e baixos, foram todas as experiências e a vontade de sonhar mais alto que deram origem a muitos trabalhos dos quais me orgulho imenso. São muitas as pessoas que te procuram para terem uma nova imagem? São muitas as pessoas que me procuram para ter uma experiência fotográfica diferente. Algumas com alguns sonhos que pretendem ver realizados, outras entregam-se completamente nas minhas mãos

confiando nos meus gostos e na minha visão. O que achas que motiva as pessoas a procurarem este tipo de serviço? São diversos os motivos que levam as pessoas a abordarem-me. Não posso destinguir nenhuma classe ou motivo em particular, apenas desejos escondidos, ou o fascínio por aquilo que as amedronta. Conheço algum do teu trabalho e já consigo distinguir em alguns a tua assinatura. Consideras que existe, de facto, algo nas tuas fotos que já diga que são tuas? Eu acho que num panorama nacional tenho algo nas minhas fotografias que se distingue da maioria dos outros fotógrafos. Primeiro pela minha estética, que não é muito usual em Portugal, temáticas e nível de edição também. Na minha opinião é algo que se faz distinguir de uma maioria vasta. E a minha visão, como gosto realmente de mostrar a minha arte asos outros. Como descreverias o teu método de trabalho? Existe algum tipo de ritu-

al que já tenhas antes de iniciares uma sessão? Não sigo nenhuma metodologia de trabalho. Tenho algum rigor quando escolho pessoas para ingressarem nos meus trabalhos e quando abordada escolho os trabalhos que poderão realamente trazer algo de novo e benéfico ao meu projecto. Trabalhando em campo, gosto de conhecer as pessoas que se cruzam comigo, para saber qual a melhor forma de trazer à tona o melhor de cada uma delas, para que se superem e atinjam as finalidades propostas, tanto para mim, como para elas. Para finalizar, quais são os teus objectivos para o futuro? Objectivos e vontades tenho muitas. Viver da fotografia era um sonho que gostaria de ver realizado. De momento quero aperfeiçoar as minhas capacidades e juntar um grupo de pessoas leais ao projecto e quero conquistar pessoas para este tipo de arte, divulgando o máximo possível os meus trabalhose e ajudar os que puder.

Entrevista: Joel Costa


O que é que as pessoas podem esperar do álbum? Uma das principais características do “Em Dias Assim” é a sonoridade forte e consistente. É um Rock and Roll autêntico, com muita pegada de hard rock e heavy metal. Posso dizer que quem ouvir vai se surpreender, pois hoje em dia não há som igual ao nosso: forte, marcante e com letras que dizem algo. Quais foram os temas abordados nas letras deste disco? O “Em Dias Assim” é conceitual. São 10 músicas que contam uma história, onde cada uma delas é uma parte da história de um ser em evolução... do caos até à afirmação, para-

íso, quando ele se dá conta de que ele pode mudar e fazer o mundo mudar com ele. Há algum tipo de novidade no som ou vão continuar a tocar com a fórmula antiga? Nossa fórmula é sempre a mesma: originalidade, com um som muito consistente. Tocamos com o coração e expressamos da melhor maneira o que sentimos e pensamos. Este nosso primeiro trabalho é para ouvir e pensar. Queremos provocar uma mudança interior nas pessoas, mas respeitando que cada um vai entender o som e as letras de uma maneira. Os

Impéria

contam

com algum tipo de apoio para este lançamento? Se você se refere a apoio financeiro, não. O álbum é totalmente independente. Sempre tivemos muito apoio de amigos e familiares ao longo da nossa jornada de 14 anos. Um deles inclusive nos forneceu uma quantia em dinheiro, mas a maior parte do projeto foi custeada pela banda. Nestes últimos dois anos, que foram dedicados apenas à produção do “Em Dias Assim”, investimos tudo o que tínhamos em relação a tempo, esforço e dinheiro. Talvez isso tenha nos dado mais orgulho do nosso trabalho e força para prosseguir. Fazer tudo sozinho é muito mais difícil. Muitas eta-

pas do processo poderiam ter sido mais rápidas, mas como não tínhamos recursos financeiros, algumas vezes tivemos que esperar um pouco para dar mais um passo. O importante é que chegamos aonde queríamos e com um trabalho muito bom. Espero que nossos amigos de Portugal gostem do álbum e comprovem o que estou dizendo. Entrevista: Joel Costa

+ info www.bandaimperia.com www.myspace.com/bandaimperia


The Edge of the Earth, novo álbum dos Sylosis surge com uma imensa dimensão musical, captando com intensidade e crueza a emoção humana. Há muito que a música pesada não era tão rica e verdadeira. Josh, guitarrista e vocalista da banda falou à Infektion do conceito do álbum e da sua sonoridade.

P

orque decidiram fazer um álbum conceptual?

Josh: As nossas músicas são inspiradas por muita música Progressiva. As nossas canções não usam apenas fórmulas tipo verso/refrão/ verso/refrão, e por isso o conceptual adequa-se à nossa música. Por outro lado, como foi a minha primeira vez

a escrever letras, ajudou-me ter um fio condutor que me indicava para onde me dirigia em cada canção. “The Edge Of The Earth” faz-nos a pensar no último lugar da terra antes do vazio, mas para a banda tem significados mais profundos ou não? Querem partilhá-los?

Josh: Tens razão. Tem a ver com a altura em que se pensava que a terra era plana. Mas evoca o sentimento de estarmos completamente isolados do resto do mundo e da humanidade. A história é sobre alguém que viverá toda a sua vida isolado. Porquê o tema “Isolamento” para a ideia central?


Josh: Eu passo muito tempo sozinho e tenho problemas de insónia, por vezes fico horas deitado sem dormir, só com os meus pensamentos. Por isso foi uma ideia retirada de uma experiência pessoal. É fácil escrever sobre aquilo que conhecemos bem. Quem fez a capa do álbum? Josh: Um amigo nosso chamado Daniel Goldsworthy, que fez um trabalho excepcional.

Meshuggah ou Fear Factory são excepções ao adoptar muitas vezes deliberadamente os sons mecânicos e frios, mas grande parte das bandas hoje em dia, escolhe esse sentido robotizado sem que exista qualquer razão por trás que o justifique.

“As nossas canções não usam apenas fórmulas tipo verso/refrão/ verso/refrão”

A vossa música conduz à introspecção? Josh: Por vezes. A maior parte da música sai naturalmente e eu gosto de escrever coisas que contenham uma vibração forte e de as sentir. O som deste álbum beneficia muito de uma série de detalhes que introduziram nas canções. Acham que a banda se tornou mais detalhada? Josh: Não tenho a certeza se faremos algo mais técnico ou detalhado que isto no futuro, mas isso é algo que nos dá prazer. Gostamos do facto de ser um álbum que fica melhor à medida que o vamos ouvindo mais e distinguimos os toques mais subtis. Tanto a bateria como as guitarras têm momentos de subtileza ao longo de todo o álbum. Isto era algo que procuravam alcançar? Josh: Mais ou menos. Já tocamos há tanto tempo, que compor este tipo de coisas é algo que sai naturalmente. Nunca tentamos ser tecnicistas só por ser. Muitas vezes disseram que queriam soar como humanos a tocar e não como máquinas. Acham que o heavy metal devia captar mais a natureza humana? Josh: Acho que sim. A música pesada deve ser feia e intensa. Se soar como um robot, pode perder-se essa vibração. Claro que bandas como

Para além de uma boa composição a vossa música é muito bem tocada, de forma virtuosa até, o que contraria aqueles que acham que tocar heavy metal é apenas martelar bem alto uma guitarra. Queres comentar?

músicas, acham que é um género que influencia a música que fazem hoje em dia? Josh: Sim. Nós gostamos muito de bandas como os Rush ou Pink Floyd e também de algumas bandas modernas progressivas como os Cult of Luna e os Neurosis. Nós gostamos de muita música clássica ou de qualquer outra música que contenha uma forte atmosfera de sentimento. “Empyreal – Part 2” é uma peça de música fabulosa, de onde vos veio a inspiração para a criar? Josh: Obrigado. Escrevemos primeiro “Empyreal – Part 1” e depois eu pensei que seria porreiro ter uma terminação com som claro de guitarras em vez de se desvanecer no habitual silêncio. Foi algo que saiu mesmo no ponto. A sério. vezes

Josh: Definitivamente requer muito mais talento do que qualquer coisa que oiças na rádio… A não ser que te aconteça estar a ouvir música clássica. Por vezes a musica mais brutal “Por e ruidosa é aquela a música mais que exige mais técnica ou aptidão do brutal e ruidosa músico.

é aquela que exige mais técnica ou aptidão do músico.”

Existe um vídeo no youtube em que tu mostras o “set up” do teu equipamento e como tocar a “Empyreal”. É uma forma generosa de estar na música. É importante para a banda, serem considerados uma referência na arte de tocar os instrumentos?

Josh: A razão que me levou a fazer isso foi o facto de existirem tantos miúdos que queriam aprender a tocar as canções e nos pediam tablaturas. Por isso quando temos tempo é bom poder fazer coisas deste tipo. Eu próprio sou um fã de música e gosto muito quando as outras bandas o fazem. Há um certo tom épico nas vossas canções. Concordam? Josh: Sim. Nós gostamos desse sentimento épico naquilo que fazemos. Essa é uma palavra que vem muito à baila hoje em dia, mas de facto assenta-nos bem. Notamos alguma atmosfera de rock progressivo nas vossas

O que vos fez escolher “Earth’s Dust” para faixa bónus?

Josh: Não tinha a mesma vibração do resto do álbum e achamos que não era tão forte como o resto das canções. Entrevista: Mónia Camacho


Com uma visão acutilante e lúcida da sociedade e da sua moral estandardizada, os SIX REASONS TO KILL lançaram o álbum “Architects of Perfection” onde a sonoridade electrónica ganha alguma expressão junto do hardcore metal, numa poderosa e vibrante espiral de energia a que é impossível ficar indiferente. Flo, o baterista falou à INFEKTION do conceito “perfeição” e dos seus perigos, dando a conhecer detalhes relacionados com o álbum, com a banda e com a sua visão do death metal.

V

amos falar um pouco da mensagem do vosso álbum “Architects of Perfection”. Diriam que contém uma crítica àqueles que vêem a perfeição como um objectivo na vida? Flo: Não é uma crítica. Apenas a sugestão de que cada um de nós é arquitecto da sua própria perfei-

ção. As sociedades têm uma ideia estabelecida do que é a perfeição. Temos que lidar com ideais culturais formatados predominantemente pelos media. E é também irónico que depois toda a gente tenha também os seus próprios ideais. E então quem pode dizer o que é a perfeição e porquê? Capitalizar e cultivar a perfeição é também uma forma de decadência. Toda

a gente é apanhada neste círculo vicioso e toda a gente tem que ser um arquitecto da perfeição. Mas para ser honesto, a perfeição é um superlativo. A perfeição é perigosa? Flo: A busca da perfeição é algo honroso na maior parte das sociedades. Mas existem sempre dois


lados na mesma questão. Quando escreveu a letra da canção “Perfection” o nosso vocalista Lars reflectiu sobre algumas coisas estranhas na televisão alemã. Existem programas como “A próxima Top model da Alemanha” em que se procura a rapariga perfeita. E isto parece muito glamouroso quando visto no ecrã. Mas por outro lado lemos notícias de jovens que chegam à anorexia à procura do corpo perfeito. Então, pode ser perigoso quando não existe qualquer entidade capaz de reflectir sobre a moralidade da mensagem. A moral da perfeição. E no fim esta é uma discussão sobre as normas sociais e sobre esta questão: Afinal quem é responsável por essas normas? Tentar ser perfeito implica sempre a adaptação a uma moral estandardizada. E isso afecta a nossa humanidade? Flo: Sim, claro. Na Alemanha ainda estamos a contas com o passado. A ditadura Nazi ditou normas sociais fatais. Os fascistas queriam estabelecer a norma de que os judeus não eram tão bons como os arianos. E esse é provavelmente o exemplo mais drástico daquilo que queremos dizer: A tentativa de chegar à perfeição está ligada a uma moral especial. E se essa moral é radical e não existe nenhum controlo nem ninguém que a questione, pode tornar-se uma moral mortífera. E foi mortífero para milhões de pessoas. Isto é uma abstracção da mensagem mas é o que queremos dizer. Tentem reflectir sobre o que é a moral. Depois tentem perceber o que quer dizer. A vossa banda sofreu algumas alterações na sua formação. O que é que os novos elementos trouxeram de novo à vossa música e qual a sua motivação para entrar para a banda? Flo: A constituição da banda é a mesma desde há seis anos. Apenas os nossos vocalistas mudaram por razões pessoais. Thorsten, o nosso último vocalista deixou a banda por falta de tempo e por existir muita distância face ao resto dos

elementos. Nós lamentamos o sucedido, mas de facto ele não tinha outra alternativa a não ser deixar-nos. E então o Lars juntou-se à banda. E esta foi uma boa decisão porque ele representa sangue novo num clube de velhos rapazes. (risos). Ele tem uma voz extraordinária que se adequa muito bem ao nosso novo material. A voz dele é a responsável pelo facto de “Architects of Perfection” ser fortemente apelativo enquanto Death Metal.

“A tentativa de chegar à perfeição está ligada a uma moral especial. E se essa moral é radical e não existe nenhum controlo nem ninguém que a questione, pode tornar-se uma moral mortífera.” Neste álbum encontramos uma aproximação ligeira à música electrónica. Estão a tentar a fusão entre o hard metal e outros géneros? Flo: Nós tentamos obter uma rande variação a cada novo álbum. Desta vez o resultado acabou por ser ainda mais rico em variedade do que anteriormente. O som electrónico é responsável por isso. Mas isso não é novo nos SRTK. Já anteriormente usamos a electrónica. Desta vez tivemos a coragem de expandir a quantidade de sonoridade electrónica um pouco mais. Emil da banda Yesterday I Had Roadkill é responsável pelo som electrónico em algumas canções. Pensam que os fãs de hardcore Metal são conservadores acerca da sua música? Flo: Acho que não existe uma posição clara. Talvez os fãs mais novos sejam mentalmente mais abertos do que os mais velhos. Mas isto é pura especulação. Mas

existe diferença entre aqueles que criam a música e aqueles que a consomem. Os artistas tentam desenvolver a sua música e atingir um outro nível. E os fãs querem encontrar um álbum que lhes mostre o artista na forma com que o descobriam e que amam. E isto pode tornar-se difícil. Tendo atingido uma audiência devota de fãs, isso determina o vosso caminho no que respeita à música que criam? Flo: Não. Nós apenas fazemos a nossa música por diversão e por paixão. Não existe um interesse comercial por trás da nossa música. Apenas fazemos o que gostamos de fazer e é isso que determina a nossa música. O Hard Metal é suficiente enquanto género musical para transmitir todos os vossos sentimentos e ideias? Flo: É o género musical certo para expressar as nossas ideias enquanto colectivo. Tenho a certeza que toda a gente tem um vasto leque de emoções e sentimentos. Mas não temos que expressar tudo através da banda. E não temos que expressar tudo com a música. Provavelmente podes expressar algo noutra forma de arte ou noutro projeto musical. Mas de momento todos nos sentimos confortáveis com a situação. Neste álbum mostram-se como uma banda de mente aberta. Foi uma imagem que quiseram passar, ou apenas aconteceu? Flo: Bem foi um pouco as duas coisas. A canção “My Poison” foi escrita para mostrar um outro lado da banda. Depois outras ideias foram surgindo enquanto trabalhávamos as canções. Nessa canção “My Poison” existe um elemento acústico e uma voz clara, que de certa forma renova o vosso som. É uma influência directa da participação de Kurt Ebelhauser? Flo: Não. Nós escrevemos a canção antes de pedirmos ao Kurt


para participar. Embora fosse certo que queríamos convidar um vocalista, nessa altura não sabíamos que seria o Kurt. Originalmente até tivemos a ideia de ter vozes femininas nesta música. Mas depois, Loc, o nosso guitarrista teve a ideia de convidar o Kurt e ele aceitou. E o resto é história. Para quem ainda não vos conhece tão bem ou não está tão familiarizado com a vossa música, podem dizer quem escreve as letras das vossas canções? Flo: O nosso vocalista Lars, é o responsável por todas as letras deste álbum. A maior parte das letras possuem um conteúdo político. Mas existem também muitas impressões pessoais, experienciais e emoções que foram expressas nas letras. Tanto a bateria como as guitarras têm uma forte personalidade na vossa música. Como conseguem o equilíbrio entre estas duas partes dominantes do vosso colectivo? Flo: É sempre uma luta difícil na nossa sala de ensaios entre mim, o baterista, e os guitarristas. (Risos) Agora a sério. Nós trabalhamos de forma construtiva. Grande parte das canções é composta pelo nosso guitarrista Loc. E ele tem algumas ideias de como incluir a bateria. E cabe-me a mim lidar com estas ideias. Às vezes aceito a ideia dele e outras vezes crio algo completamente novo.

final. Nós apenas tentamos dar o nosso melhor no que estamos a fazer.

“As emoções são uma componente existencial em qualquer música.”

Essas emoções crescentes que sentimos em algumas das vossas músicas é algo de que estavam conscientes quando as construíram? Usam as emoções como matéria-prima?

E esta é provavelmente a coisa mais excitante quando a música sai para ser promovida. Quais as reacções? Como é que os ouvintes reagem à tua música e àquilo que quiseste expressar.

Flo: As emoções são uma componente existencial em qualquer música. Por isso é normal usar as emoções como matéria-prima. Por isso se trabalhas na música, tens uma ideia do que queres expressar com determinados sons. Então estamos conscientes do que estamos a criar e de como nos queremos dirigir aos nossos ouvintes.

As variações e pausas nas vossas canções criam riqueza na vossa linguagem musical. Sentem-se mais maduros a compor? Flo: Nós não parámos para reflectir se aquilo que estamos a fazer agora é mais maduro. Essa é uma estimativa que é feita pelos críticos quando ouvem o produto

Que música ouvem em casa? Flo: Não há limites. Mas quase todos ouvem Metal ou Hardcore. Mas também existem outras influências: Rock, Pop, Hip-Pop, Jazz. Todos os géneros de música. Mais popular ou menos popular. Quando podemos esperar um concerto dos Six Reasons To Kill em Portugal? Flo: Esperamos visitar-vos muito em breve. Seria óptimo ir até aí. Estamos receptivos a propostas de promotores que queiram por de pé um concerto. Por isso estejam à vontade para nos contactar. Entrevista: Mónia Camacho


Os alemães But We Try It lançaram o seu álbum de estreia pela Massacre Records, intitulado “Dead Lights”. A Infektion Magazine esteve à conversa com o guitarrista Dominick Ballreich onde falamos deste trabalho e da dificuldade em fazer nome neste meio.

P

arabéns pelo lançamento do vosso álbum de estreia. Quanto tempo passou desde que tiveram a ideia de formar os «But We Try It»? E já agora, qual o significado do nome?

Dominick: Em primeiro lugar quero-te agradecer pela oportunidade de fazermos esta entrevista Joel. O Stefan (baixo), o Tim (guitarra) e o Mark (bateria) começaram a banda já no final de 2007. Por essa altura eu estava à procura de uma nova banda e encontrei o MySpace deles por coincidência e eles estavam à procura de um segundo guitarrista. Contactei-os e fui convidado para um ensaio. Isto foi em 2008. O Jörn (vocalista) juntou-se à banda logo após isso. Foi um amigo do Tim que nos indicou dizendo que ele berrava como um “porco a morrer” (risos). Nós não

queríamos um nome típico de metal hardcore com a palavra “blood” ou alguma coisa do género. O nome da banda diz-nos de onde viemos e onde queremos ir. Todos nós tocamos em várias bandas no passado, todas elas com pouco sucesso e foi por isso que todos nós quisemos chegar a algum lado com este novo projecto. É mesmo o nosso sonho. Então decidimos que “But We Try It” seria o nome da banda. Como todos sabem, é cada vez mais complicado fazer nome neste meio. Em primeiro lugar todos nós ficamos surpreendidos com a propagação da música na internet. Em termos gerais, isto é algo bastante positivo, uma vez que o resultado é quase uma escolha ilimitada de diferentes tipos de música para o ouvinte. No entanto, ganhar reconhecimento como banda fica muito mais difícil. Em segundo lugar, as bandas e as músicas estão a perder importân-

cia. Graças aos downloads ilegais, a música começou a ser consumida a um preço muito baixo. A maioria dos ouvintes jovens mal compram Cds ou MP3 e isto talvez porque a apreciação da música aliada à pouca vontade de pagar por ela, diminiui. É assim: Hard Times... But We Try It! Já passou mais de um mês desde que lançaram “Dead Lights” através da Massacre Records. Como tem sido o feedback? Dominick: Até à data o feedback tem sido muito bom pelo mundo inteiro. É claro que temos sempre quem não goste da música que tocamos ou do nosso estilo. Nem todos na banda temos cabelo comprido e nem sequer nos vestimos como típicos fãs de Metal. Existem pessoas por aí que ainda não conseguem lidar com isto (risos). Mas em geral


as pessoas têm respondido de uma forma muito positiva. Eu gostei muito do vosso som. Há muito Death Metal misturado com Thrash (o que calha sempre bem), mas com vocês consigo dizer que isto é de alguma maneira diferente. Parecem-me ser uma daquelas bandas em que todos possuem diferentes influências... Dominick: Todos nós ouvimos muita variedade de Metal. O Jörn e o Tim ouvem muito Hardcore e Metalcore. O Mark é mais Hardrock e Metal. O Stefan ouve tudo desde “The Police” a “All Shall Perish” e eu sou um fã de Progressive Metal tipo “Symphony X”, “Watchtower” e “Nevermore”. Nós escrevemos as músicas juntos e por isso eu acho que cada estilo que ouvimos influencia de alguma maneira. Às vezes é difícil convencer os outros membros com uma ideia, que à primeira vista pode não parecer adequada para um certo estilo. Mas no final de contas este método acaba por resultar muito bem e todas estas influências enriquecem-nos bastante.

Nem todos na banda temos cabelo comprido e nem sequer nos vestimos como típicos fãs de Metal. Existem pessoas por aí que ainda não conseguem lidar com isto (risos).

Como foi o trabalho de estúdio? Gostaram de trabalhar com o Waldemar (produtor)? Dominick: O Waldemar é um grande amigo do Mark, que tem feito alguns logotipos e trabalhos gráficos para as bandas do Waldemar. Já nós conhecemo-lo através das bandas que ele já teve, como os “Despair” e claro, os “Grip Inc.”. Nós sabíamos que ele tinha sido o produtor de álbuns excelentes como “Wildhouney” dos “Tiamat” e

“Down” dos “Sentenced” e o Mark perguntou-lhe se ele queria ajudar-nos com a pré-produção. Trabalhar com o Waldemar foi muito relaxante. Apesar da sua reputação ele tem os pés bem assentes na terra. Logo que ele ouve uma música vem logo com uma série de ideias. É realmente impressionante a rapidez com que ele estrutura uma música. A maioria das músicas já estava feita mas ele deu o toque final. Em relação à primeira questão, o tempo que passamos no Woodhouse Studio em Hagen foi bom mas muito intenso. Trabalhamos bastante e fomos muito meticulosos com as nossas músicas. Vimos ao pormenor cada nota, cada batida, cada grito... (risos). Sendo assim não fizemos um diário em vídeo. Só lá estávamos mesmo para gravar um bom álbum, ponto final. Após duas semanas de gravações começamos a trabalhar na mistura com Siggi Bemm. Escolhemos deliberadamente o Woodhouse uma vez que aquilo é sinónimo de som moderno com um toque de old school. Basicamente não queríamos o som que se ouve a toda a hora nos tempos que correm. Certamente que aprenderam alguma coisa durante as gravações de “Dead Lights”. Há alguma coisa que vão fazer de maneira diferente da próxima vez que entrarem em estúdio? Dominick: Aprendemos imenso em estúdio mas também temos muito em que pensar depois de ler todo o tipo de reviews. No que toca ao som do próximo álbum, acho que nos vamos ficar por algo muito natural e não demasiado produzido. Já em relação às composições, vamos tentar fazer coisas mais atraentes mas ao mesmo tempo surpreendentes. O que acham do estado actual da música na Alemanha? Dominick: Somos todos de cidades que fazem parte de Ruhrgebiet, que é o coração da antiga indústria mineira do carvão. É também a origem de bandas como “Sodom”, “Kreator”, “Blind Guardian” e “Caliban”. Por este motivo, Ruhrgebiet está muito viva em termos de Rock, Metal e Hardcore, uma vez que há sempre muitos concertos e festivais. Essa área é a terra natal

do Metal Alemão e temos muito respeito pelos seus pioneiros. Os “Accept”, por exemplo, são uma das bandas mais conhecidas de Metal e são da minha terra: Solingen. Acho que a Alemanha continua a ser um pilar do Metal mas existem muitas bandas excelentes no Mundo inteiro – os Portugueses “Moonspell” por exemplo. Agora como vêem os “But We Try It”? É um trabalho a tempo inteiro? Dominick: O Stefan é empregado de limpeza numa fábrica, o Mark é web designer, o Tim vai trabalhando aqui e ali e o Jörn trabalha numa loja de roupa. Eu sou estudante. A banda ainda não é um trabalho a tempo inteiro. Como eu já disse, é muito difícil seguir em frente no mundo da música. Mas nós tentamos andar um passo de cada vez e fazer o melhor possível com as oportunidades que temos. Quando vamos poder ver-vos em Portugal? Dominick: O nosso objectivo principal para este ano é fazer uma tour Europeia e o maior número possível de festivais e concertos no geral. Recentemente começamos a trabalhar com uma agência (Go Down Believing Booking), o que é sempre bom. E é claro que esperamos que Portugal seja incluído nessa tour. Isso seria excelente! Para finalizar, há alguma coisa que queiram dizer aos leitores da Infektion? Dominick: Queremos encorajar os jovens a começar a fazer música e não deixar que nada os desencorage. Nos últimos anos foi possível ver que cada vez mais miúdos começaram bandas Rock, Metal e Hardcore, o que significa que as habilidades técnicas e a musicalidade aumentou consideravelmente. Isso é um excelente progresso. Gostaríamos também que os ouvintes continuem interessados em novas bandas, lhes dêem uma chance e talvez – e digo isto sem querer parecer arrogante – valorizar um bocadinho mais o trabalho em geral. Entrevista: Joel Costa


“Serpent Smile” – assim se chama o 3º álbum da banda portuguesa Before the Torn. “Last Night’s Nightmare” é o single que dá o mote para uma explosão de energia e poder contagiantes, e já é um sucesso no Youtube. Ao longo das 10 faixas, o sorriso da serpente nunca desvanece, mantendo-se em puros picos de adrenalina.

S

erpent Smile é o vosso 3º álbum. Quais são as principais novidades relativamente aos primeiros? João Cruz: Este novo álbum foi muito mais trabalhado. Tudo foi visto ao pormenor, pois pegámos nas músicas todas e trabalhámo-las até à exaustão, para que tudo soasse como queríamos. Outra das “novidades”, apesar de já as termos utilizado no “Burying Saints”, foram as samples, que neste novo álbum estão muito mais presentes. Quisemos introduzir algo de novo na nossa música e achámos que os sons incorporados dariam uma di-

mensão mais ambiental às músicas. Penso que conseguimos isso e agora ficámos ainda com outro elemento nas actuações ao vivo. Como foi contar com Vasco Ramos (More Than a Thousand) na produção do álbum e na participação num dos temas? João Cruz: Ter o Vasco a produzir este novo álbum foi simplesmente espectacular. Ele sabia bem aquilo que nós queríamos e sentou-se connosco para ver ao pormenor música a música. Foi incansável na produção e não descansou enquanto ambos estivéssemos satisfeitos com o

resultado. Em relação à participação dele numa das músicas, não era algo que já tínhamos definido à partida e no qual tivéssemos pensado antes de entrar em estúdio. Foi algo que surgiu naturalmente quando se estavam a gravar as vozes. Ao início o Vasco estava reticente em “emprestar” a voz dele à música e ao álbum. Mas entre os membros da banda foi unânime a decisão, pois todos achámos (e penso que não somos os únicos) que a sua participação ficou nada mais do que perfeita para a música. Como surgiu o nome “Serpent Smile”? Foi inspirado em alguma víbora?


João Cruz: O nome foi inspirado em várias víboras (risos). “The Serpent Smile” é uma expressão que reflecte na perfeição aquilo que ainda hoje acontece: pessoas que consideramos nossas amigas, facilmente falam mal de nós nas costas e são hipócritas e cínicas. Longe de querermos ser repetitivos e falar sempre das coisas que se falam, achámos que ainda era um tema actual, e as letras do Guilherme reflectem isso mesmo. O single do álbum, “Last Night’s Nightmare”, já tem mais de 7000 visualizações no Youtube em apenas um mês. Estavam à espera da adesão, ou foi uma surpresa? João Cruz: Para mim foi totalmente uma surpresa. Todos nós ficámos bastante satisfeitos com o resultado final do vídeo, por isso é natural que tínhamos algumas expectativas em relação ao feedback e às visualizações que ele teria, mas eu pessoalmente nunca pensei que atingíssemos um número tão significativo em tão pouco tempo. É excelente que isso aconteça, o que significa que há bastante gente a ver e a partilhar o nosso vídeo pela net, o que permite dar a conhecer a banda, principalmente no estrangeiro, que é um mercado em que queremos apostar. Há alguém que compõe as músicas, ou surgem na junção de ideias de todos? João Cruz: A composição é feita praticamente toda pelo Vítor (guitarrista). O que normalmente fazemos é juntar riffs que eu e o Vítor criamos e depois tentar incorporar as ideias de todos os membros nos ensaios. Grande parte das vezes, o Vítor cria uma estrutura base e depois acrescentamos riffs meus e participamos todos no sentido de completar as músicas. Quais são as bandas que vos inspiraram / influenciaram para encontrarem o vosso género musical? João Cruz: Há bastantes bandas de Metal que nos influenciaram e que ainda nos inspiram para fazermos este tipo de música. Bandas

como As I Lay Dying, Killswitch Engage, Parkway Drive, August Burns Red, entre muitas outras, são sem dúvida referências que temos. É fácil tocar música pesada em Portugal? João Cruz: Pode-se dizer que é relativamente fácil (risos). Não é fácil é arranjar sítios onde se possa tocar. Quer dizer, fácil até pode ser, mas não há muitos locais com as condições essenciais para um bom concerto. E mesmo quando há, são espaços caros para alugar. O público também é um pouco dividido, mas temos vindo a notar uma maior adesão aos nossos concertos, o que é excelente. Significa que não só mais pessoas estão a gostar da nossa música, como o estilo de música que tocamos tem cada vez mais seguidores. Que conselhos têm para quem quer formar uma banda de metal no nosso país?

“Este novo álbum foi muito mais trabalhado. Tudo foi visto ao pormenor.”

João Cruz: O melhor conselho que posso dar é: formem uma banda de preferência com membros que sejam já amigos entre si. A amizade e companheirismo são bastante importantes. Depois, naturalmente há que ensaiar muito antes de tentarem gravar o que quer que seja. Percam tempo com as músicas que compõem, tentem começar a dar os primeiros concertos ao vivo, pois com essa prática vem também alguma experiência importante. Depois sim, após muitos ensaios e alguns concertos, gravem um primeiro registo que possa dar a conhecer melhor a banda. E a partir daí, o céu é o limite…

Há algum local em que gostaram especialmente de tocar ao vivo? João Cruz: Nós gostamos é de tocar. Seja numa cave, num bar, numa discoteca, num café…qualquer sítio serve para tocarmos ao vivo. É aí que podemos ligar-nos mais aos fãs e sentir que aquilo que fazemos tem algum significado para eles, quando os vemos a cantar as letras e a saltar energicamente. Qual é a música que, ao vivo, sentem mais o envolvimento do público? João Cruz: Até agora, sem dúvida que a “Fall Of Hope” e a “My Last Words” do nosso álbum anterior, são as músicas que ao vivo resultam melhor em termos do envolvimento com o público. Veremos agora com a apresentação do novo álbum… Qual é o vosso maior sonho, como banda? João Cruz: Tocar ao vivo o máximo possível, no maior número de locais possível e no maior número de países possível. É o que nos deixa mais realizados e é aquilo a que qualquer banda aspira: poder levar a sua música a todos os cantos do mundo, viajando e conhecendo novos países enquanto fazemos aquilo que mais gostamos. Entrevista: Íris Jordão

MYSPACE: http://www.myspace.com/beforethetorn FACEBOOK: http://www.facebook.com/beforethetorn


por: Eric Njorl

Bem-vindos! Bem-vindos! Entrem, entrem. Sentem-se e fiquem à vontade, esta casa é vossa, e a conversa está quase a começar. O calendário teima em mostrar que estamos no século XXI, e entre conversas dizem-me que este é o novo século, que esta é a nova era e que traz boas novas promessas. Eu levanto o meu sobrolho de mau feitio e digo: sabem de onde vem isso tudo? Sabem qual é o sítio que tem todos os fundamentos para o que hoje gostamos de ouvir? Não…? Então venham comigo descobrir A ARCA DO SÉCULO XX. Nestes artigos irei recordar (…ou revelar, quem sabe…) o que de bom, e menos bom também, se fez no século passado em termos de música. Em cada artigo serão colocadas as grandes bandas, os álbuns monstros e as músicas que fizeram todo um século, dentro do som metal, hard-rock, rock e também passando por muitos outros estilos pois na realidade, em todas as formas de cultura, a miscigenação e aculturação são uma parte importante da evolução da mesma. Como lançamento do segmento quero propor um desafio a todos os leitores, não leitores, mulheres, homens, cães, gatos e ao papagaio da dona Rosa que é sempre bem-educado e diz olá a todas as pessoas que passam em frente à sua loja. O desafio é o de pensarem nas que acham que foram as melhores e mais influentes, do vosso gosto, bandas do século XX e enviarem as vossas sugestões para: geral@infektionmagazine.info Em cada novo artigo, para além de falar de algo tirado da arca, irei colocar as escolhas dos leitores.

Quando se fala de som pesado, de rock, de heavy metal (associações um pouco fraquinhas se posso ser franco… é que se é para definir um estilo de música com associações a materiais pesados, porque não chamá-lo simplesmente de chumbo?) pensamos imediatamente em algo, muito provavelmente, vestido de preto, riffs agressivos de guitarra eléctrica e definitivamente em músicos do século XX. Mas não é… O primeiro verdadeiro metaleiro, headbanger e tipo realmente pesado na cena musical foi, sem dúvida, um tal de Ludwig van Beethoven. É que se hoje em dia dissermos que o som produzido por Deep Purple era considerado de heavy metal nos anos 70, a associação, hoje, parece um pouco fora de sentido, mas que fazia todo o sentido naquela altura. Estamos a falar de alguém que criou algo que se afastava do status quo, que concebeu um

som mais forte, mais potente e por consequência foi precursor de um som mais pesado do que até aí era feito. Beethoven foi, pelo fim do século XVIII e início do século XIX, um génio sem precedentes e até à altura da sua morte nunca deixou de criar sempre música mais forte, mais potente, mais pesada. Beethoven estava para a sua época como Black Sabbath esteve para o final dos anos 60, inícios dos 70. Ele pegou no que já existia e aumentou o volume, distorceu os conceitos e abanou os preconceitos, e isto tudo feito por um tipo que conduzia, bem, uma orquestra inteira, surdo. Foi um verdadeiro metaleiro na sua directa definição da palavra. Até cabelo grande ele tinha! Assim, sempre que ouvirem a Nona Sinfonia pensem que nessa altura o mais forte que se ouvia era a música “pop” de um mariquinhas chamado de Mozart… Pensem nisto.


Depois do lançamento de “Revelations”, os Phazer começam 2011 em grande com “Kismet”, uma nova proposta discográfica que certamente irá colocar a banda em busca de novos horizontes.

N

ão acho que “Kismet” seja uma continuação lógica de “Revelations” e dou-vos os parabéns por isso. Sentem a mesma coisa? Gil Neto: Antes de responder à questão, gostaria somente de agradecer a oportunidade conferida pela Infektion, por esta entrevista. É para nós uma enorme honra,

poder figurar na vossa edição de estreia, considerando extremamente importante, este tipo de mídia, no apoio, incentivo e divulgação de projectos musicais similares ao nosso. O nosso muito obrigado. Indo directamente à questão, julgo que no nosso caso, o “Kismet” é fruto de um processo de amadurecimento e evolução desde o “Revelations”, sobretudo através de uma maior expe-


riência não só de estrada, como de estúdio, composição, experimentação e também na possibilidade de utilização de mais e melhores meios e recursos, que possibilitaram o resultado deste novo trabalho. Penso que como em qualquer trabalho de estreia, de uma banda é necessário ver à luz da época, as limitações, em que esse mesmo trabalho é feito, no entanto o que posso dizer é que temos um enorme orgulho no resultado obtido pelo “Revelations”. A composição de “Kismet” foi criteriosamente discutida ou foi algo que foi surgindo com naturalidade e de forma imprevista? Gil Neto: O processo criativo na sua base tem sido bastante espontâneo até aqui, e posso dizer que é neste enquadramento que eu particularmente gosto de trabalhar. No entanto, a parte dos arranjos, sobretudo em estúdio, foi um processo que obrigou a alguma experimentação de ideias tornando o processo por vezes, algo moroso. Qual é o significado do nome do álbum? Gil Neto: Kismet é um termo turco que sem ter tradução em palavra com o português, tem um significado de traço de destino, mau agoiro, mau olhado, premonição de desgraça, tragédia, mau presságio. Hoje em dia os rótulos estão presentes em todo o lado. Alguma vez se sentiram limitados

enquanto músicos? Ou seja, já alguma vez experimentaram um som novo e acharam que o mesmo não se enquadrava nos parâmetros do Rock? Gil Neto: Até ao momento não, e prova disso são os nossos trabalhos onde se pode ouvir um enorme espectro de estéticas sonoras, por vezes bem diferentes entre si, mas sempre tentamos fazê-lo de forma pertinente, coerente e em dosagens que não comprometam o resultado final pretendido. Com que regularidade ensaiam e pensam na composição de novos temas? Gil Neto: Normalmente ensaiamos em banda com todos os elementos, apenas uma vez por semana, nunca é o suficiente, mas as nossas ocupações profissionais, condicionam a isso. No entanto, não é estranho o ensaio extra feitos em dueto normalmente entre mim e o vocalista por exemplo. Seja para testar novas ideias, arranjos vocais, etc. E sim procuramos sempre que possível compor novo material, nem sempre é fácil, para uma banda com uma agenda ocupada como tem sido a nossa, no entanto já existe novo material composto. Já tinham alguma ideia de como é que queriam que “Kismet” soasse, em termos de produção, antes de entrarem em estúdio? Gil Neto: Penso que objectivamen-

te tínhamos algo em mente que era adequar a nossa sonoridade a uma roupagem mais “Southern rock”. Penso que não descaracterizou a nossa sonoridade, somente a reforçou, complementando-a. Já há feedback em relação ao novo álbum? Gil Neto: Claro que sim, uma reacção excelente na maioria dos casos, por parte dos vários quadrantes da imprensa nacional e internacional, sentimos que o nosso espectro de público foi alargado, e no geral há mais gente curiosa para ficar a conhecer o que é esta banda, e a forma como tem evoluído. Há mais ouvidos atentos e curiosos na sua essência. Agora que têm “Kismet” cá fora, quais são os vossos objectivos para o futuro? Gil Neto: Temos como principal objectivo fazer chegar a nossa música a mais gente, e a públicos alvo que à partida não são pelas mais variadas circunstâncias, os mais fáceis de chegar, portanto a esse nível temos um longo e árduo processo ao nível da promoção deste disco, até mesmo para podermos perceber os reais resultados obtidos com este trabalho. Existem já novidades, que a breve trecho serão divulgadas nesse propósito, convidando desde já todos a uma visita ao nosso website em www.gophazer.com, para irem ficando a par destas mesmas novidades. Entrevista: Joel Costa


Os Portugueses We Are The Damned não reinventaram a roda, mas certamente reinventaram um estilo musical. Têm pouco tempo de carreira mas já contam com um grande reconhecimento por parte do público Português e além-fronteiras. Estivemos à conversa com o Ricardo Correia, onde falamos um pouco sobre a banda e o álbum que aí vem!

O

s We Are The Damned foram formados em 2007. Desde então acham que se permaneceram fiéis àquilo que queriam enquanto banda ou este projecto evoluiu e busca novos horizontes?

o produtor Ulf Blomberg. Como foi trabalhar com ele?

Ricardo Correia: Esta banda efectivamente evolui de forma natural desde 2007, sempre reinventando e indo descobrindo ao longo deste quase 4 anos a sua essência e característica, é uma jornada constante a reinvenção.

RC: Foi bastante importante. Ele já era nosso amigo desde a tour que fizemos na Suécia com a banda dele, os GraceWillFall. É uma mente visionária, sem se querer guiar por certos padrões e isso naturalmente foi bastante vantajoso para nós já que tivemos a oportunidade também de abrir o conceito musical da banda a outro nível que antes nunca tinha sido explorado por nós, e isso reflecte-se bem em determinados temas.

“Holy Beast” foi gravado com

“Holy Beast” é uma das pro-

postas mais esperadas pelos fãs de música pesada em Portugal. Sentiram alguma pressão durante o processo de gravação / composição? RC: Não, para ser sincero não. Estávamos até bem tranquilos. Acima de tudo fazemos a música em primeiro lugar para nós mesmos. Quando tocas este tipo de música e tens uma banda deste género tens de, em primeiro lugar, te preocupar em te sentir bem com o que fizeste, e claro que posteriormente se as pessoas o receberem bem melhor ainda. Podemos encontrar novidades se comparar-mos este registo aos trabalhos anteriores? RC: Sim claro, como já referi an-


RC: Holy Beast é uma espécie de declaração de oposição às coisas da vida menos ortodoxas e a contestação segundo os nossos olhos das coisas ditas moralmente correctas. É um niilismo saudável em busca de perguntas nunca antes respondidas ou ocultadas, se bem que é bom também as pessoas poderem intrepretar à sua maneira o que estão a ler nas letras. Vocês vão tocar umas datas em Portugal com os Before The Torn. Há algum plano para levar este novo disco aos palcos internacionais? RC: Sim, claro. Este contrato com a Bastardized Recordings foi bastante satisfatório para nós e vai-nos abrir outras portas, já que a editora trabalha bem e estamos contentes com tudo. Em Abril em Espanha e Europa em Agosto, portanto vamos esperar com seriedade e com naturalidade. No teu entender, o que achas que falta para que a música portuguesa seja mais aceite no nosso país?

tes trabalhar com o Ulf Blomberg abriu-nos a mente a outros conceitos musicais, portanto as pessoas quando ouvirem o disco vão naturalmente notar que gostámos de experimentar outros campos musicais. Vocês são conhecidos pelos fantásticos concertos que nunca deixam ninguém indiferente. Achas que este novo álbum vai ser bem aceite pelo público? RC: Espero que sim. A banda proporciona sempre concertos explosivos e não será diferente daqui em diante. Qual o tema central de “Holy Beast”? Tem alguma temática?

RC: Acho que falta tanta coisa que acho que nem iria haver espaço para escreveres todas as minhas palavras! Ando neste meio à 19 anos e sei bem das precariedades existentes desde de quem conso-me as bandas e quem edita as bandas, a quem promove... Acho que falta essencialmente alguma integridade para que as coisas possam ser mais transparentes e leais, já para não falar na falta de uma espécie de cultura ou educação musical para este tipo ou forma de bandas mais extrema, e isso naturalmente vai dificultar sempre as coisas. Gravaram um vídeo para o tema “Devorador dos Mortos”. De que nos fala essa música? RC: Devorador dos Mortos fala sobre escravidão moderna e neo liberalismo, obviamente usando metáforas, e desta vez escolhemos Amutt. A Deusa Egípcia, para reencarnar os tiranos do mundo, era o devorador dos mortos. Neste caso como o devorador de uma so-

ciedade morta e consumida. No vídeo podemos encontrar muitos elementos ligados ao satanismo - o que quer que isso signifique para vocês (risos) - enquanto que pelo meio vão fazendo algumas brincadeiras com máscaras, bolas de basket, etc. Existe alguma ligação entre estas duas coisas?

“A banda proporciona sempre concertos explosivos e não será diferente daqui em diante.”

RC: Sim, existe claro. Somos todos fans do Anton LaVey e de temas relacionados com a Bíblia Satanica, já que gostamos de saber sobre variadíssimos pontos de vista e de conceitos de vida e sem dúvida este livro é super interessante assim como a visão de Anton. O vídeo está conectado com isso, já que retratamos as cruzes que representam a oposição, as máscaras com a descoberta de algo mais para além de nós mesmos, a bola de basket é a sociedade palpitante e inquietante onde vivemos, etc.... de maneira que sim, está tudo conectado à nossa própria maneira. E o budget para fazer o vídeo também era inexistente, de maneira que tinhamos de fazer as coisas à nossa maneira. Para finalizar, há alguma coisa que queiras dizer aos leitores da Infektion? RC: Acho que apesar de tudo e de algumas menos boas na nossa cena, é sempre de louvar pessoas como tu com iniciativas e interesse por bandas como os WATD, e daí um obrigado especial a ti e a quem segue o teu trabalho. Entrevista: Joel Costa


Depois do sucesso do EP «Within The Dark», os portuenses HEAD:STONED chegam-nos agora com o álbum «I Am All». O baterista Augusto Peixoto e o vocalista Vítor Franco falaram connosco sobre o percurso da banda e as expectativas para este novo álbum que já promete ser uma das melhores propostas nacionais de 2011!

A

companho a vossa banda desde que lançaram o EP “Within The Dark” e desde essa altura até ao lançamento de “I Am All” senti que foi uma longa espera apesar de não ter passado tanto tempo quanto isso. Como têm sido as reacções ao vosso novo trabalho?

maioria das bandas! E essa “longa espera” que também falas, julgo ser saudável, pois é sinal que a banda conseguiu agradar-te de alguma forma!

Vítor: Bom, o disco só há pouco começou a “circular”, mas o feedback das pessoas que já tiveram hipótese de o ouvir tem sido bastante bom.

V: Acho que temos outras expectativas desta vez. O EP foi totalmente feito e distribuído por nossa conta. Mantemos muito mais controlo sobre tudo mas é óbvio que chegamos a um número muito inferior de pessoas. Com uma editora abrem-se outros horizontes, vamos lá ver como corre.

Augusto: E, tens razão quando dizes que nem se passou assim tanto tempo entre ambas as edições... algo raro nas edições da grande

Qual é a sensação de darem continuidade à vossa discografia mas desta vez com uma editora do vosso lado?

A: Realmente temos grandes esperanças que o álbum possa atingir outros patamares, pelo facto de ter sido editado pela MAJOR LABEL, que é, também, uma das principais editoras do panorama nacional. Em “I Am All” há uma recuperação do espírito de “Within The Dark”. Sentiram algum entrave de inspiração após o excelente lançamento que foi “Within The Dark”? V: Creio que não. Neste disco recuperamos músicas mais antigas que as do EP e gravamos outras que compusemos entretanto. Foi tudo bastante fluído.


A: É praticamente impossível esta banda sentir algum tipo de pressão, isto porque, estamos totalmente apaixonados pela música que fazemos e o espírito “aventureiro” e descomprometido deixa-nos à vontade para criarmos música, sem qualquer tipo de pressão. Consideram que os HEAD: STONED já estão a fazer nome no cenário pesado Português? V: Se calhar, não sei… não é coisa que me preocupe muito. A: Exacto, não nos preocupa minimamente, ainda para mais com tipos que já cá andam há tantos anos que já estão vacinados contra a norma de provar seja o que for, inclusive, criar raízes. Não entraram em estúdio antes que ocorresse uma mudança no lineup da banda. Isso atrasou em algum aspecto os trabalhos de “I Am All”? V: De todo. O “grosso” da matéria já estava preparado. Além disso, o Nuno já vinha acompanhando a banda há algum tempo. Foi apenas o “formalizar” de uma situação que era relativamente frequente. A: Para além de que termos oficializado a sua entrada nos HEAD:STONED, só veio reafirmar as suas capacidades e isso veio a confirmar-se na sua enorme cola-

boração na composição dos temas que faltavam para completar o álbum. Que mensagem procuram transmitir com este disco? V: Da minha parte – isto é, no que toca às letras – nenhuma em particular. É tudo muito pessoal e sujeito à interpretação de cada um. A: Acho que transmitimos aquilo que sabemos realmente fazer e nada mais nem menos do que isso! Neste disco, bem como no E.P., demonstramos aquilo que os HEAD:STONED são, como músicos e como apaixonados pelo Metal. Muitos de vocês vêm de uma outra banda chamada C Y C L E S. Não há incompatibilidade entre C Y C L E S e HEAD:STONED? A: Eu, o Nuno e a Vera somos também elementos dos C Y C L E S, mas não existe nenhum tipo de conflito entre as bandas, nem nunca existirá, porque, caso contrario, não assumiríamos um compromisso válido com ambas. Vocês têm uma mulher no grupo, o que não é muito usual nas bandas Metal de Portugal nem do Mundo. Acham que esta indústria foi feita especialmente para os Homens? O que falta para vermos mais mulheres em bandas Rock / Metal?

V: Quase tudo foi feito “especialmente para os homens”. Felizmente, as coisas vão mudando. A: Neste caso os HEAD:STONED são a prova viva que a indústria foi feita especialmente para ambos os sexos. Se tal puder contribuir para trazer mais mulheres para o Rock / Metal, ficaremos deveras contentes. Terá que partir das mulheres mudar essa lógica e acredito que tal tem vindo a acontecer. Que objectivos têm agora para cumprir? V: Vamos indo e vamos vendo. Enquanto houver estrada, a gente caminha, tentando tropeçar o menos possível. A: Olhar em frente é o futuro e assim, se a banda conseguir continuar a fazer o que mais gosta, que é a música que temos vindo a apresentar, quer ao vivo, quer em disco, continuaremos a ser felizes e quem nos apoia, também! E depois, para músicos que já andam há tanto tempo no panorama nacional, poucos são os objectivos a cumprir, com a excepção dos referidos anteriormente. Aproveito, já agora, para agradecer mais esta oportunidade em promover a banda, respondendo a esta entrevista! Ajuda-nos a crescer, sem dúvida! Entrevista: Joel Costa

“Temos grandes esperanças que o álbum possa atingir outros patamares, pelo facto de ter sido editado pela MAJOR LABEL.”


Hills Have Eyes, banda portuguesa que cresceu no meio de um old stuff setubalense. Ao lado dos seus sempre vizinhos More Than a Thousand, a banda tem alcançado uma notória visibilidade fora de Portugal. A estrutura consolidou-se primariamente num mercado nacional e logo após uma abordagem positiva pelos públicos lusos, os Hills Have Eyes foram conquistando uma crescente proclamação em países como a Bélgica, Espanha, Luxemburgo e Polónia. As Tours europeias são cada vez mais uma realidade à qual a banda já não pode nem quer fugir. Não pode porque nós não deixamos nem quer porque sempre que voltam, voltam melhores. O vocalista Fábio, ou Eddie, como preferirem, explica o sucesso europeu do momento.

E

m primeiro lugar, e para que todos os nossos leitores vos possam conhecer, nada melhor que uma breve auto-descrição. Quem são, o que tocam e para quem tocam?

rock/metal numa definição muito simples.. Acreditamos que a música deve ser um veículo de boa onda e boa disposição, procuramos ser o mais honestos possível no que fazemos! Tocamos para quem gostar e nos quiser ouvir!

Eddie: Os HHE são uma banda de

Sabendo que há inúmeros jo-

vens a querer constituir bandas, o papel que desempenham como influência para muitos deles é algo que vos estimula ou que, por vezes, vos assusta? Eddie: Estimula claro! Procuramos sempre passar a mensagem que acima de tudo se devem diver-


tir.. não traçar muitos objectivos no início, porque se tiver que ser e com trabalho, as coisas melhoram e evoluem. Muitos destes mesmos jovens não têm consciência que os membros das bandas têm profissões para além da música. Há quem pense até que a formação escolar não é significativa nem estritamente imprescindível para quem pretenda atingir uma carreira musical e respectiva concretização pessoal. Seria importante falar um pouco sobre a vossa experiência profissional, nomeadamente nos esforços diários que tiveram e continuam a ter que fazer para conquistar o lugar que conseguiram atingir. Assim, achas que, em Portugal, os membros de um conjunto musical devem prosseguir os estudos a par da banda? Eddie: Olha, eu pessoalmente tenho um curso superior em Marketing e Publicidade. Nunca foi nada que me fizesse deixar de tocar... Mentia-te se dissesse que não descurei umas quantas aulas, ou noites/dias de estudo, mas conciliei as coisas. Acho que é importante pensar na banda, pelo menos numa fase inicial como algo paralelo, e procurar fazer as duas coisas. Se quiseres, tens tempo para tudo. Há mais pessoas na banda assim. O nosso estilo de música é complicado para vingar em grande em Portugal, ao nível de viveres na música, por isso temos outros trabalhos, mas tiramos férias e vamos em tour para a Europa - fazemos o máximo de esforço possível... enquanto pudermos e acreditarmos, porque não? Mas o meu conselho para quem tem banda à pouco tempo ou pensa em ter, divirtam-se! Depois logo se vê.. O contacto permanente que têm tido com bandas estrangeiras com as quais actuam mostra-vos uma atitude perante a música muito diferente da existente em Portugal? Lá fora os membros das bandas também têm mais do que uma profissão? É importante esclarecer isto visto que vivemos num país cuja maioria acredita que lá fora é tudo mais fácil.

É de facto?

conta própria”?

Eddie: É quase tudo igual, com uma pequena - grande - diferença... Há mais sítios para tocar, mais gente para ver, mais condições para concertos de uma maneira geral. Mas as bandas portuguesas são muito boas e da experiência que eu tenho melhores que a maioria das bandas consideradas underground lá fora... Não devemos nada a ninguém. A diferença é que quando uma banda “explode” lá fora, tem editoras, vários concertos para fazer - é mais fácil do que em Portugal. Mas isso só por causa da dimensão do nosso país. Se acreditam nas vossas cenas mandem-se lá para fora.

Eddie: É algo que sentimos necessidade. Adoramos tocar com várias bandas já “feitas” em Portugal, mas quando lançamos o álbum foi algo que tivemos que fazer sozinhos. Acho que é normal e há espaço para fazer os concertos com várias bandas que adoramos como More Than A Thousand e o espaço para fazermos os nossos concertos em nome próprio.

A sonoridade entre o primeiro EP e o segundo álbum (Black Book) é notória denotando um crescimento técnico e vocal. Quais foram as aprendizagens que retiraram de uns Hills Have Eyes mais novos ao estilo de “All Doves Have Been Killed”? Eddie: O All doves foi a primeira experiência em estúdio, outros elementos, outra altura. O Black Book algo mais maduro e o próximo vai ser ainda melhor (a nosso ver). É o processo normal das bandas. Mas foram todas experiências muito boas para nós... As vossas influências musicais mantêm-se desde o início ou têm vindo a alterar-se? Quais são as vossas maiores inspirações? Eddie: Toda a boa música! Independemente do género... Depois de FAL’s (Festival Alternativo do Liceu de Setúbal), concertos na Capricho Setubalense, primeiras partes e participações com More Than a Thousand, os Hills Have Eyes começaram a conquistar um solo próprio, dominando como cabeça de cartaz concertos em diversas casas portuguesas, entre elas Lisboa, Setúbal, Braga e Pombal. É possível delimitar o passo significativo que deram que consequencialmente vos trouxe mais espaço de actuação “por

Brevemente (25 de Fevereiro) estão de partida para França, Bélgica, Holanda, Polónia, Alemanha, Luxemburgo e, por fim, Espanha. Esta jigajoga de rotas tem vindo a tornar-se um hábito ou será sempre uma aprendizagem tocar para um público que não o Português? Eddie: Esperamos que não pare! Como te disse, em termos de público a Europa é gigante. Há muita gente para este género musical e é algo também que nos dá prazer, espalhar a nossa música por outros países. Por isso há-de sempre ser um objectivo: tours lá fora. Mesmo utilizando o inglês como meio de expressão sentem que há um acolhimento diferente entre a assistência em Portugal e a assistência na Europa? Eddie: É a mesma cena. Como já te disse algumas vezes, a diferença é em Portugal haver 10 milhões e lá fora teres uma ou duas cidades que podem ter esse número de pessoas. Para finalizar, o que poderemos esperar do próximo álbum? A mesma linha de continuidade ou alguma surpresa? Já está prevista alguma data para o lançamento? Eddie: Vamos gravar em Abril. Acho que vai ser um pouco diferente, mas nada melhor que esperarem para ver! Datas ainda não temos, mas gostavamos de editar no final do ano. Vamos ver... Entrevista: Rita Oliveira


E

stamos perante o novo motivo de orgulho da cena Metal Britânica! Depois do aclamado “Conclusion Of An Age”, os Sylosis dão um passo em frente na sua carreira ao assinar com a Nuclear Blast e a deitar cá para fora músicas como “Empyreal” e “A Serpent’s Tongue”, ambas presentes no mais recente álbum da banda, “Edge Of The Earth”. Mas não foi fácil chegar aqui... Depois da saída do vocalista Jamie Graham, a banda ficou num impasse. Tinham que recrutar alguém novo e perder todo o momentum que tinham conquistado com a sua estreia em 2008. Seria mesmo esta a atitude

certa a tomar? Não. Os Sylosis optam por reduzir o line-up da banda e atribuir o microfone ao guitarrista Josh Middleton. Desta forma não perderam meses a tentar encontrar alguém que encaixasse no perfil e acima de tudo, alguém com quem se dessem bem. Escolha acertada? Definitivamente! Em “Edge Of The Earth” vemos que a banda não enfraqueceu nem um pouco com esta decisão. De facto está muito mais madura e fazem o que gostam como se soubessem que o estavam a fazer pela última vez nas suas vidas. Os riffs são poderosos e temos uma voz que nos oferece melodias com abundância. O Josh, para alguém que

não tinha experiência como vocalista, mostrou-se muito eficaz e competente no seu trabalho. Será difícil, num próximo disco, ultrapassar o que fizeram neste trabalho, mas depois de terem tudo contra eles e ainda assim conseguirem chegar a algo a caminhar para o épico, já não digo que seja impossível! Os Sylosis estão de volta, mais fortes do que nunca e prontos para levar-nos aos sítios mais sombrios da nossa mente com o poderoso “Edge Of The Earth”.

Joel Costa


AXENSTAR AFTERMATH

BEFORE THE TORN SERPENT SMILE

ICE WARRIOR RECORDS

OH DAMN! PRODUCTIONS

Vindos da Suécia, os Axenstar são uma proposta de peso na vertente do Power Metal. Cinco anos após o lançamento de «The Final Requiem», os Axenstar estão de volta com o aliciante «Aftermath», que é o melhor registo discográfico da banda até à data, seguindo também uma linha algo diferente daquilo que os Suecos nos deram a conhecer em trabalhos anteriores. A bateria está muito mais rápida e pesada dando ao resto do instrumental aquilo que é necessário para proporcionar aos ouvintes um bom momento musical. O que também é de louvar em «Aftermath» é o facto da voz de Magnus Winterwild ter amadurecido e estar sempre com o controlo da sua voz, proporcionando assim bons registos vocais, corrigindo finalmente o facto de, em álbuns anteriores, a sua voz parecer pouco adulta. «Dogs Of War», «Aftermath» e «The New Breed» são exemplos de músicas que compõem este álbum e que poderão servir para tirar quaisquer dúvidas acerca da funcionalidade e qualidade deste álbum, até para os não-crentes no Power Metal. Em jeito de conclusão, saliento que «Aftermath» é um bom lançamento para 2011 e é realmente um motivo de orgulho para todos os que nele participaram. Arrisco dizer que depois disto, novas portas se abrirão para a banda e talvez consigam chegar a um púlico mais abrangente. [7/10] Joel Costa

Quem ouve os primeiros segundos do novo álbum dos Before The Torn, “Serpent Smile”, não adivinha o que aí vem. A melodia doce é rapidamente trocada por gritos poderosos e um ritmo alucinante. E mantém-se assim até ao fim, com contagiantes rasgos de energia aos quais é impossível ficar indiferente. “Last Night’s Nightmare” afirma-se como um single consistente. O riff da guitarra que define o ritmo desde o início fica facilmente no ouvido logo nas primeiras audições. Poder e energia são as palavras que melhor definem este tema, muito bem escolhido para ser a face mais visível do novo álbum. A letra fala sobre pesadelos e um mundo alternativo de horrores e segredos, onde se procura pedaços de um coração desfeito. Este single está disponível no Myspace da banda e já tem um videoclip oficial. “Cosmopolitan Deathwish”, “Overlooked” e “Poisonous Words” são exemplos de outros temas que fazem parte do álbum, e não podem deixar de ser ouvidos pelos apreciadores de música mais pesada. Aliás, todo o “Serpent Smile” é um exemplo da boa música que se faz no nosso país, e merece ser ouvido. Ainda de referir que o disco foi produzido por Vasco Ramos (More Than a Thousand), que participa também num dos temas – “My Pray”. Não há espaço para descansar durante as dez músicas que compõem o álbum. Este parece acolher uma boa dose de veneno - basta olhar para

a serpente da capa para o perceber. Contudo, é um veneno diferente, que em vez de adormecer, desperta, e não nos deixa ser meros ouvintes. Nasce uma vontade de ver um espectáculo da banda ao vivo e sentir na pele, de forma ainda mais intensa, o sorriso da serpente. [7/10] Íris Jordão

BLOODBOUND UNHOLY CROSS AFM RECORDS

A banda sueca Blood Bound lança o seu 4º álbum, “Unholy Cross”. Ao ouvir os 11 temas que fazem parte do disco, uma das características que mais salta ao ouvido é o facto de se notar que é bem pensado – tem pés, cabeça, membros e tudo o mais. Está bem estruturado, tem uma forma quase palpável. Isto poderia ser negativo, pela previsibilidade que seria esperada. Mas tal não acontece. Existem variações de ritmo muito bem conseguidas dentro de cada música, assim como riffs e solos de guitarra com muito power e energia. De uma forma geral, é uma fórmula bastante poderosa, fácil de ouvir e de se gostar. Parecem ter sido transportadas as linhas principais do metal dos anos 80 para os nossos dias, e o resultado é melhor do que se poderia esperar. De destacar o tema “The Ones We Left Behind”, um verdadeiro hino ao power metal. Um refrão marcante, uma cadência e ritmo tais que é praticamente impossível não gostar desta música. Aliás, todo o álbum é marcado por um nível de elevada qualidade, que não

permite identificar pontos fracos, pelo menos à primeira vista. A semelhança sonora com Iron Maiden é visível a olho nu. Nota-se que existe uma grande influência desta banda sobre os Blood Bound. Apesar da semelhança, marcam a distância com mais alguns ingredientes: a sonoridade é mais gótica, melódica, e mesmo fúnebre. Os back vocals fornecem um ar “religioso” a todo o “Unholy Cross”, assim como as letras, que falam do Inferno, do Diabo, da morte ou ressurreição. Sem dúvida, “Unholy Cross” é um dos grandes lançamentos deste ano. Trás algo de novo, é agradável de se ouvir, e recupera aquela sonoridade que viu nascer o metal tal como o conhecemos hoje. [8/10] Íris Jordão

BREATHLESS THRASHUMANCY XTREEM MUSIC

Provenientes de Espanha, os Breathless são uma banda de Thrash Metal que nos chegam com o seu álbum de estreia, “Thrashumancy”. Este quarteto foi fiél ao verdadeiro significado do Thrash e presentearam-nos com uma sonoridade que nos faz recuar uns bons anos no tempo e trazer à memória bandas como Kreator e Exodus. Apesar de só agora termos um full-lenght assinado pelos Breathless, a verdade é que a banda já anda por aí há mais de uma década. Desde a sua formação em 1999 até aos dias de hoje, os Breathless gravaram apenas uma demo homónima com 5 temas. Em “Thrashumancy” podemos encontrar duas músicas ins-


trumentais onde se pode ver alguma qualidade técnica levada a cabo por estes quatro thrashers. Apesar de podermos encontrar algumas influências na parte instrumental, nomeadamente das bandas acima citadas, a voz aparece-nos como algo bastante original e merecedor dos melhores elogios. Tal factor serve para os Breathless não serem mais uma daquelas bandas em que toda a gente diz “Bom, mas não tem nada de novo.” É bom, remete-nos ao old school e ainda assim consegue trazer novidades. Uma das melhores propostas da Xtreem Music até à data. [7/10] Joel Costa

BURDEN HOLE IN THE SHELL VAN RECORDS

Os Burden fazem lembrar o som que hoje conhecemos como NOLA, som esse maioritariamente dado a conhecer por bandas como Down e Crowbar. “Hole In The Shell” é um Rock lento com uma sonoridade suja e de muito suspense, uma vez que leva-nos para outro Mundo e não sabemos realmente o que nos espera a seguir. “Hole In The Shell” é fiel ao que foi inicialmente proposto e não foge muito ao tradicional. Os Burden conseguiram arrancar uns bons riffs e momentos positivos, mas no geral deixou-me um pouco na expectativa. [5.5/10] Joel Costa

BUT WE TRY IT DEAD LIGHTS MASSACRE RECORDS

“Dead Lights” é o disco de estreia destes germânicos e uma produção dos Woodhouse Studios, que com a mão de Waldemar Sorychta, deram o seu contributo na criação desta besta que agora conhecemos como But We Try It. “Blood Ritual” mostra-se logo como algo dominante mas lamentavelmente a banda não consegue elevar o potencial demonstrado no tema de abertura sendo depois responsável por alguns momentos não tão bons nas músicas seguintes, até que, finalmente, voltam a mostrar-se capazes de desafiar o ouvinte com um cocktail de Thrash, Hardcore e Death Metal e a proporcionarem riffs bastante interessantes liderados por uma voz animalesca capaz de levantar os mortos. “The Great Disaster” chega-nos já quase no fim do alinhamento e oferece-nos novidades: vozes melódicas, um bombardeamento levado a cabo por dois pedais, bons solos de guitarra e um baixo deveras contextualizado e fácil de agradar. Em termos gerais, e apesar de algum desapontamento, “Dead Lights” é um bom primeiro disco para o colectivo alemão. Fica no ar a pergunta: Será que para a próxima vão conseguir melhorar os aspectos negativos e proporcionarem um bom headbanging durante toda a extensão do disco? Quanto a vocês não sei, mas eu vou esperar para ver. [7/10] Joel Costa

Intenso. Brutal. Esmagador. Assim é o novo álbum dos Crowbar, o décimo registo discográfico da carreira da banda de New Orleans. Seis anos depois de “Lifesblood For The Downtrodden”, Kirk Windstein e seus rapazes surgem mais demolidores que nunca, num álbum bastante consistente, coerente e maduro. Destaques para as faixas “Liquid Sky and Cold Black Earth”, “Let Me Mourn”, “The cemetery angels”, “Cleanse me, heal me” e “Symbiosis”. [8/10] Rute Gonçalves

DARKEST HOUR THE HUMAN ROMANCE CENTURY MEDIA

Este é o sétimo trabalho do quinteto de Washington e continua a não deixar os créditos do Trash Metal por mãos alheias. Repleto de riffs poderosos e com a voz gutural de John Henry rasgando cada tema com fúria, o disco, com uma excelente produção de Peter Wichers (Soilwork), conduz-nos numa viagem excitante através de temas como “Savor the Kill”, “Love as a Weapon”, o poderoso “Violent by nature” e o brilhante instrumental “Terra Solaris”. Vale a pena ouvir. [7.5/10] Rute Gonçalves

vir “Damaged”, a primeira música que compõe o mais recente álbum da banda, “Death Path”. A música é crua, pesada, agressiva até dizer chega e transporta raiva em doses elevadas. A produção foi levada a cabo pela própria banda, o que também ajudou a que “Death Path” nos entregasse um número ilimitado de sentimentos explosivos comprimidos no formato MP3. Podemos encontrar algumas semelhanças entre o Thrash dos “Days Of Anger” e o Thrash de Bay Area. Enquanto uns concordam e outros preferem discordar apontando as mais diversas razões para justificarem a sua decisão, eu prefiro não pensar muito nisso e resumir em meia dúzia de frases as razões pelas quais “Death Path” não vos deve passar indiferente. A fúria está presente do início ao fim deste registo, não havendo um único segundo para respirar fundo, pois a intensidade faz-se também sentir em cada batida. Em jeito de conclusão, sou de opinião de que a banda poderia ter variado um pouco mais na estrutura das músicas ou até mesmo reduzir em alguns minutos o tempo de duração deste registo discográfico, uma vez que a monotonia também está presente apesar de não ser algo que nos faça cansar de imediato. É provável que “Death Path” fique a tocar por um bom tempo no meu leitor de MP3 e certamente ficará no vosso se lhes derem essa oportunidade! [8/10] Joel Costa

DAYS OF ANGER DEATH PATH MASSACRE RECORDS

CROWBAR SERVER THE WICKED HAND CENTURY MEDIA

“Days Of Anger” é um nome que assenta muito bem a esta banda. Para que tal se possa comprovar, basta ou-

DEAD LOCK BIZARRO WORLD LIFEFORCE RECORDS


Depois de uma discografia extensa capaz de preencher, e bem, os cerca de 13 anos de carreira da banda, os Deadlock apresentam-nos uma nova proposta. “Bizarro World” é mais um registo da banda com a receita que já nos deram a conhecer em trabalhos anteriores: uma voz gutural masculina acompanhada por uma excelente e majestosa voz clean feminina, que nos hipnotiza de forma imediata, deixando-nos à mercê do poderoso instrumental que se faz ouvir em “Bizarro World”. O disco tem muitas melodias e uma excelente linha de guitarras, tudo isto devidamente inserido ao longo das composições. “Bizarro World” é fácil de se ouvir e tem um grande potencial para ser comercializado e chegar a outro tipo de público, não sendo por isso que deixa de ser um trabalho humilde e interessante. Não há muitas novidades a referir se comparar-mos este disco aos anteriores, mas é bom saber que a banda continua firme e consistente, nunca saindo do seu caminho. Os Deadlock provam assim que continuam a saber fundir toda uma panóplia de sonoridades e estilos diferentes fazendo de “Bizarro World” tudo menos bizarro! [8.5/10] Joel Costa

DEICIDE TO HELL WITH GOD CENTURY MEDIA

“To Hell with God” é um álbum frenético e agressivo, onde a voz de Glen Benton e os riffs de Jack Owen soam demolidores do principio ao fim. Torna-se, por isso, claro que os Deicide continuam a ser uma das mais influentes bandas america-

nas de Death Metal, mesmo depois de mais de duas décadas de carreira. Destaque para as faixas: “To Hell with God”, “Save your”, “Witness of Death”, Angels of Hell” e “How can you call yourself a God?”. Sem dúvida, um grande regresso. [7.5/10] Rute Gonçalves

HEAD:STONED I AM ALL MAJOR LABEL INDUSTRIES

Depois do sucesso do EP “Within The Dark”, os HEAD:STONED lançam agora o seu álbum de estreia através da nacional Major Label Industries. Os fãs esperaram dois anos com muita expectativa e o que se pode dizer é que toda a expectativa gerada em torno deste disco foi cumprida com distinção. “I Am All”, do mesmo jeito que “Within The Dark”, é puro Thrash da velha guarda com algumas influências de Heavy Metal e, fazendo jus ao nome da banda, Stoner. Uma vez mais Vítor Franco está de parabéns pelo fantástico trabalho vocal, ao tornar este disco único e quase uma ofensa se o comparar-mos a outros nomes da cena internacional! Os HEAD:STONED provam assim que o Metal exige rigor, técnica e precisão e tudo isto foi conseguido neste disco de estreia. A banda do Porto apresenta-se assim em excelente forma e a prometer mais e melhor para um futuro próximo. É com álbuns assim que fico desiludido por Portugal ser Portugal, pois acredito que lá fora os HEAD:STONED podiam alcançar uma posição mais marcante e duradoura. Um grande orgulho nacional! [9/10] Joel Costa

KING SUFFERANCE OBSOLESCENT NHR RECORDS

KATANGA MOONCHILD MASSACRE RECORDS

Devo confessar que a primeira impressão que tive de Katanga foi má, mas como não se deve julgar o livro pela capa resolvi dar especial atenção ao som e deixar de lado o que havia visto. Os Katanga são uma banda de Gothic Metal com fortes influências de Techno. Em “Moonchild” presenteiam-nos com uma magnífica voz feminina muito bem aplicada em diversos tipos de situações que se calhar outras bandas do mesmo género não saberiam dar utilidade. Os Katanga apresentam-se com muita energia e uma linha constante que oscila entre o bom e o razoável, sendo de referir que “Moonchild” não é melhor devido à quantidade abusiva de intros sem sabor que podemos encontrar ao longo dos 18 temas. O destaque vai para uma das melhores músicas, intitulada “Batfight”, que nos faz pensar em como seria “Moonchild” se todo o seu alinhamento fosse fiel à sonoridade aqui apresentada. Ficam as minhas dúvidas se os Katanga serão ou não uma banda para levar a sério agora e no futuro mas fico positivamente supreendido pelas novidades que trazem no seu estilo e por serem mais do que aquilo que estava à espera. Variação é coisa que não falta neste disco pois cada música é diferente de todas as outras. [6.5/10] Joel Costa

Poderia começar por numerar as várias razões pelas quais «Sufferance Obsolescent» é mau. Podia até nem ter dado uma segunda hipótese a este álbum e fazer de conta que tal sonoridade não me tivesse sequer passado pelos ouvidos. No entanto, ao fazer isso, estaria a ir contra tudo aquilo que defendo na música, seja ela pesada ou não. A segunda oportunidade foi dada e com ela não vieram arrependimentos. Sim, a produção é horrível mas a ideia é essa e a própria banda tem noção do trabalho amargo – pois sabor tem ele – que apresenta neste disco. King não é para qualquer um e até os fãs mais extremos de Black Metal podem encontrar alguma dificuldade em ouvir «Sufferance Obsolescent», mas vendo bem as coisas a qualidade está presente. Neste registo podemos constatar que a falta de experiência da banda é óbvia – não fosse também este o primeiro lançamento dos canadianos – mas dentro daquilo que a banda pode oferecer, o resultado final na sua generalidade nem é assim tão mau quanto o que parecia ser. Este é um daqueles discos que não oferece altos e baixos sendo que existe uma linha sonora única e bastante obscura ao longo dos seus 30 minutos de vida. O ponto alto desta proposta é mesmo a execução dos teclados que por si só faz esquecer um pouco o volume exagerado da voz e a fraca produção. Fica aqui a sugestão de uma das bandas mais novas e promissoras do Dark Black Metal do Norte (não esse norte.) [4/10] Joel Costa


LAZARUS A.D. BLACK RIVERS FLOW METAL BLADE

KATANGA MOONCHILD MASSACRE RECORDS

Devo confessar que a primeira impressão que tive de Katanga foi má, mas como não se deve julgar o livro pela capa resolvi dar especial atenção ao som e deixar de lado o que havia visto. Os Katanga são uma banda de Gothic Metal com fortes influências de Techno. Em “Moonchild” presenteiam-nos com uma magnífica voz feminina muito bem aplicada em diversos tipos de situações que se calhar outras bandas do mesmo género não saberiam dar utilidade. Os Katanga apresentam-se com muita energia e uma linha constante que oscila entre o bom e o razoável, sendo de referir que “Moonchild” não é melhor devido à quantidade abusiva de intros sem sabor que podemos encontrar ao longo dos 18 temas. O destaque vai para uma das melhores músicas, intitulada “Batfight”, que nos faz pensar em como seria “Moonchild” se todo o seu alinhamento fosse fiel à sonoridade aqui apresentada. Ficam as minhas dúvidas se os Katanga serão ou não uma banda para levar a sério agora e no futuro mas fico positivamente supreendido pelas novidades que trazem no seu estilo e por serem mais do que aquilo que estava à espera. Variação é coisa que não falta neste disco pois cada música é diferente de todas as outras. [6.5/10] Joel Costa

Depois do sucesso de «The Onslaught», o álbum de estreia dos americanos Lazarus A.D., chega-nos «Black Rivers Flow», o segundo álbum de originais de uma banda que arriscou em inovar nas composições e tem tudo para estar no mesmo patamar que os grandes nomes actuais do Thrash Metal. «American Dreams» é o primeiro tema do álbum e é também a primeira razão para justificar o porquê de Lazarus A.D. ser uma banda na qual os fãs do Metal mais Old School devem apostar. É certo que alguns dos ouvintes mais conservadores têm problemas em aceitar coisas novas e preferem ver o Thrash morto do que assistir a este revivalismo que se tem feito sentir nos dois últimos anos. No entanto, e ainda que seja contrário à vossa opinião, a música (tal como muitas outras formas de arte) evolui e neste álbum podemos assistir a um fenómeno musical dos tempos modernos. «Black Rivers Flow» está, na maioria dos tópicos a considerar, muito melhor que o álbum anterior, uma vez que provaram o que queriam e deram mais atenção às composições e à produção do mesmo. Para os que procuravam a agressividade vocal e a bateria incansável com que os Lazarus A.D. nos presentearam com «The Onslaught» podem encontrar aqui algum desapontamento mas nada que a banda saiba compensar com este fantástico registo! [8.5/10] Joel Costa

O caos predomina, ouvem-se os cânticos das legiões... E é então que acontece: uma explosão de riffs simples e fortes influências em bandas dos bons anos 80. As expectativas são atendidas e são também elas simples – isto para quem conhece os trabalhos anteriores. O facto é que parece que os Legion Of The Damned desistiram de fazer algo mais e não oferecem novidades. É previsível, convencional e vê bons momentos serem abafados pela fraca produção de que foi alvo. Há gostos para tudo e quem gostar da típica fórmula de Thrash com Death Metal pode encontrar em “Descent Into Chaos” algo até agradável para se ouvir na hora mas não me convence de todo de que será um álbum a ser ouvido vezes sem conta. 2011 está a ser um ano de excelentes lançamentos da parte da Massacre Records, editora que acolheu os Holandeses Legion Of The Damned mas este não terá sido dos lançamentos mais felizes. [5/10] Joel Costa

OMNIUM GATHERUM NEW WORLD SHADOWS LIFEFORCE RECORDS

OMISSION MERCILESS JAWS FROM HELL XTREEM MUSIC

A capa de “Merciless Jaws From Hell” é sedutora e “Erotic Nightmares”, a intro deste álbum, dá-nos a ouvir nada mais nada menos que gemidos femininos. Tal como muitas das bandas que compõem o alinhamento da Xtreem Music, os Omission são oriundos do país vizinho e são bons adeptos do Thrash. No ano de 2009 lançaram “Thrash Metal Is Violence” cedo convenceram a Xtreem de que seriam LEGION OF THE DAMNED uma boa aquisição. InfelizDESCENT INTO CHAOS mente nos dias que correm MASSACRE RECORDS

já não é fácil manter manter o mesmo line-up durante uma quantidade considerável de anos e a banda viu-se obrigada a substituir o baixista e o baterista, provocando assim alguns atrasos nas gravações de “Merciless Jaws From Hell”. Encontrar um baixista nem foi problema mas para a bateria tiveram que pedir emprestado o baterista dos Avulsed. A musicalidade dos Omission é bem estruturada, rápida, furiosa e com um toque especial de Black Metal. Sem querer indicar referências – e isto para não ter que escrever Kreator outra vez -, “Merciless Jaws From Hell” apresenta uma produção muito melhor comparada às anteriores dadas a conhecer pelos Omission e é uma boa proposta para fãs de Thrash. [7.5/10] Joel Costa

Depois de uma estreia fantástica e de uma lufada de ar fresco de Death Metal na Finlândia, os Omnium Gatherum têm vindo a perder a singularidade e até reconhecimento. A banda passou por algumas mudanças no line-up e lançaram dois álbuns posteriores ao estreante “Spirits And August Light” que não foram nada bons em termos de crítica. Contudo, com o recente lançamento de “New World Shadows” e do álbum anterior “The Redshift”, os Omnium Gatherum encontraram de novo o seu caminho e parecem estar em forma e prontos para dominar o Death Metal Melódico nos nossos amigos do norte (esse norte!). Todas as músicas são fiéis a toda esta energia renovada e têm uma


pitada de ambição em cada uma delas que é dada a conhecer com os pulmões bem abertos. Se isto é um pedido de desculpa aos fãs ou um motivo de orgulho, não sei... Mas os Omnium Gatherum voltam a estar no caminho certo com a apresentação deste excelente disco repleto de riffs robustos e uma sonoridade que se derrete nos nossos ouvidos. [8.5/10] Joel Costa

ONE MAN ARMY THE DARK EPIC MASSACRE RECORDS

“The Dark Epic” foi um dos álbuns mais aguardados por mim e devo dizer que superou as grandes expectativas que gerei em torno deste lançamento. A Massacre Records só prova que, decididamente, está aqui para ficar, e vai-nos deliciando, em jeito de oferenda, com excelentes propostas como a dos One Man Army & The Undead Quartet. Muito mais do que selvagem e entusiástica, a sonoridade apresentada em “Dark Epic” é em tudo superior aos registos que a banda nos deu a conhecer até à data. Ainda está longe de ser original, mas se virmos bem quantas bandas podemos dizer que são originais e trazem algo completamente novo? Não é um álbum monótono nem ameaça em momento algum fazer-nos passar pelas brasas ou optar por colocar outra coisa a tocar. Pelo contrário! Manténs-nos concentrados numa sonoridade ora brutal ora melódica que se traduz num excelente resultado. Não estamos perante um disco épico, isso é certo, mas é um registo de peso e com uma qualidade inegável. Os One Man Army foram postos à

prova e passaram com distinção. [7/10] Joel Costa

OUIJA ADVERSARY XTREEM MUSIC

Decorria o ano de 1997, quando uma banda espanhola de nome Ouija lançou um álbum denominado “Riding into the Funeral Paths” que percorre o Black Metal com muitas influências de bandas como Emperor e Cradle of Filth. Entretanto o tempo foi passando e a banda foi esquecida. 13 anos depois eles estão de volta com este EP, “The Adversary”, e digamos que não poderiam estar mais em forma. “Map”, fundador e guitarrista dos Ouija, juntou-se novamente ao vocalista original “Midgard” e rodearam-se de três elementos da banda Spellcraft para completar a formação e conceber esta nova entrega. É um trabalho mais duro e directo que o antecesor e isso começa-se logo a perceber com a primeira faixa “Flagellate Me” que nos agarra logo pelos colarinhos com uma força grotesca lançado-nos para um ambiente negro que fascina e cola-se ao ouvido. Mas o que supreende são a segunda faixa do álbum, “Magma” por incorporar uma dinâmica ritmica corpolenta no ínicio e depois fluir em desvaneios e contra-tempos mais para a segunda metade da música que refresca um pouco o ouvinte. Nota também para a quarta e última faixa deste trabalho, “Yrasrevda”, que se traduz num tema instrumental lento e ambiental a encerrar bem os cerca de 20 minutos de música que contém este trabalho e a encerrar este prologo do que pode muito bem ser uma nova

etapa na vida desta banda ibérica. “The Blood Centurion” é mesmo o tema mais previsível, no entanto encaixa bem no resto do registo. É sem duvida duas dezenas de minutos bem passados e que merecem varias audições. Só resta a dizer que é bom ainda haver regressos destes de bandas que pararam um pouco no tempo. Sejam bem-vindos! [8/10] Bruno Farinha

SETGE CECS DE RABIA XTREEM MUSIC

Nesta última década, muitas surpresas vieram do nosso país vizinho fora do âmbito musical em termos de sonoridades mais pesadas que habita ali normalmente. Kathaarsys, Nahemah, Dawn of Tears e Lords of Bukakke são apenas alguns exemplos de bandas que fugiram ao domínio do power metal em Espanha. Setge inclui-se neste grupo com esta estreia em discos de longa duração. ”Cecs de Rabia, Cecs de Dolor” mostra uma banda que se movimenta entre toadas Death e Black metal, equilibrando bem momentos mais atmosféricos com melodias hipnotizantes que arrancam para verdadeiros momentos de raiva e dor com riffs pesados bem construídos. Mas o que destaca estes ibéricos é a dinâmica ritmíca que possuem, com um trabalho de baixo e bateria muito bom e que vai beber muita inspiração a campos mais progressivos, sendo as atmosferas que nos propõem muito típicos desse estilo como se verifica nos temas “Pánic” e “Questió de Temps”. Destaque também para a grande malha que é a música “Els Mártirs del Setge”. Acabam por ter semelhanças com o que

os já mencionados Kathaarsys fazem nos seus álbuns, mas de uma forma mais directa e mais agressiva, com musicas mais curtas e mais fáceis de assimilar que os seus conterrâneos. Nota-se ainda um pouco de repetição nas ideias criativas sem tornar no entanto o álbum aborrecido, os temas fluem com bastante naturalidade e há aqui a salientar que é o album de estreia, tendo este colectivo espanhol bastante talento para evoluir em futuras composições. Setge começa bem em longas durações e recomenda-se umas audições bem atentas a este disco que representa um bom início para uma carreira que tem muitas pernas para andar. Espera-se no futuro o que estes “nuestros hermanos” nos reservam. A acompanhar com muita atenção. [7.5/10] Bruno Farinha

SIX REASONS TO KILL ARCHITECTS OF PERFECTION MASSACRE RECORDS

Depois de uma passagem excelente pela Bastardized Recordings, onde se tornaram uma das bandas que mais álbuns vendia, os Six Reasons To Kill fazem agora a sua estreia na Massacre Records com o lançamento “Architects Of Perfection”. Os alemães Six Reasons To Kill trazem-nos algo que não é novidade mas que muitos ainda se recusam a aceitar: a música pesada está a evoluir. Tudo tem o seu processo evolutivo e o Metal não foge à regra. O tema de abertura, “Welcome to Forever”, diz-nos exactamente isso pois facilmente tomamos consciência que é este tipo de sonoridade que os recém-chegados ao Metal querem ouvir e se não


tivermos a capacidade de acolher os novos fãs e os novos estilos, aos poucos, deixaremos a música morrer. Também já fomos crianças uma vez na vida e agora temos a maturidade suficiente para perceber que o que é realmente bom dura para sempre e os mais novos hão-de chegar lá. Voltando ao assunto principal e resumindo os primeiros quatro minutos da música: Deathcore. Fiquei com dúvidas se “Architects of Perfection” iria evoluir a partir daqui e fiquei algo surpreendido por ter percebido que sim. É que ao contrário dos tradicionais praticantes deste estilo músical – os americanos – os Six Reasons To Kill conseguem elevar o potencial do que-quer-que-queiram-chamar-a-isto a outro nível. Basicamente, são um grupo de amigos que fazem boa música e calhou de se identificarem melhor com o Deathcore. Para concluir fica aqui a dica: se gostam do que já têm ouvido por aí, então “Architects Of Perfection” vai ser algo que vai calhar bem. Se não gostam do que têm ouvido por aí, não vos faz mal nenhum darem uma oportunidade aos 6R2K pois acreditem, existem diferenças e a qualidade está presente. [7.5/10] Joel Costa

SNOWFALL DELIRIUM TREMENS NHR RECORDS

«Delirium Tremens» é o disco de estreia dos Canadianos Snowfall sendo também mais uma proposta de Dark Black Metal da NHR Records. «Delirium Tremens» até começa bem com uma introdução de guitarra bem distorcida e bastante contagiante, a fazer-se acompanhar por uma ba-

teria inaudível e sufocante. A partir daí temos mais do mesmo com músicas super rápidas sempre lideradas por uma guitarra destruidora. Os Snowfall trazem à superfície aquilo que foi em tempos o verdadeiro Black Metal e apresentam aqui algo bem fiel às raízes deste género musical. [5.5/10] Joel Costa

enquadrada no que toca à inovação e à composição de músicas com misturas de Death Metal melódico, Folk e Heavy Metal clássico. Um dos melhores lançamentos do ano até à data! [8/10] Joel Costa

THE HAUNTED UNSEEN CENTURY MEDIA

SUIDAKRA BOOK OF DOWTH AFM RECORDS

A definição de Celtic Metal nos dicionários ilustrados deveria conter uma foto dos germánicos Suidakra, não só porque são um belo exemplo do que a música Celta na sua vertente mais pesada deve conter mas também porque são uma das bandas mais inovadoras do panorama actual. “Book Of Dowth” começa com um solo de gaita-de-foles que rapidamente dá o mote a um incansável duplo bombo em “Dowth 2059”. A energia e os bons riffs têm seguimento na música seguinte dando depois lugar a algo mais calmo e melancólico nas músicas seguintes, chegando a haver inclusive um tema acústico. “The Dark Mound” surge a meio para nos tirar da tranquilidade anterior e leva-nos de volta ao início do álbum onde nos podemos deliciar com a fantástica voz de Arkadius a elevar ainda mais o enorme potencial apresentado pelo instrumental do restante colectivo. “Book Of Dowth” apresenta-se como uma excelente proposta até mesmo para aqueles que não se identificam com o Folk pois os 13 anos de experiência da banda e os 10 álbuns lançados nesse tão curto espaço de tempo faz com que a banda já esteja bem

O sétimo trabalho da banda sueca revela uma enorme criatividade e profundidade na composição. A agressividade continua muito presente, mas na mesma medida da preocupação melódica. A voz de Peter Dolving soa sempre perfeita, num disco cheio, envolvente e repleto de brilhantes contrastes musicais. Faixas a ter em atenção: “Never Better”, “No ghost”, “Disappear”, “Motionless”, “The City” e “All ends well”. De ouvir e chorar por mais. [8/10] Rute Gonçalves

TURISAS STAND UP AND FIGHT CENTURY MEDIA

Existem bandas que dispensam qualquer apresentação perante a originalidade ou a sonoridade característica que lhes está relacionada e os Turisas são uma dessas bandas, razão pela qual são dos conjuntos mais reconhecidos e populares da onda Folk Metal actual. “Battle Metal” apanhou o mundo de supresa, seguido pelo fantástico “The Vangarian Way” que confirmou o sucesso dos Finlandeses. Dito isto, é facil saber o que se espera num trabalho des-

te grupo e este último não é excepção. “Stand Up and Fight” abre logo com um tema que será certamente um hino nos seus futuros concertos e já o acaba por ser no presente porque tem sido tocado há algum tempo ao vivo. “The March Of the Varangian Guard” começa então a marcha pelas toadas épicas e mesmo quase cinemáticas habituais da musica dos Turisas e leva-nos então numa viagem onde há momentos para caçar piratas ao mesmo tempo que se participa num auténtico bailarico (no tema “Hunting Pirates”), como também existem momentos de perigo mais obscuros e negros servindo de exemplo o tema “Fear the Fear”, uma das melhores faixas deste registo. Destaque também para a música festiva “Venetoi! – Prasinoi!” a acompanhar com uma cerveja bem gelada e o grito de guerra que é o tema-título do álbum. O “climáx“ da história atinge-se em “The End of a Empire”, o tema mais inspirado e orquestral do álbum com umas passagens de piano e um coro fenomenáis. A cada audição, a viagem vai crescendo e tornando-se mais rica, já que este registo está cheio de pormenores que vao sendo descobertos tempo a tempo. Agarrem na espada, pintem-se de vermelho e negro e sigam Mathias “Warlord” Nygård e companhia, em mais uma batalha por terras nórdicas. [8/10] Bruno Farinha

UNDERGANG Indhentet af Døden XTREEM MUSIC

Seria bom se muitas bandas de Death Metal conseguissem colocar algo cá fora como os Undergang fizeram com “Indhentet af


Døden”. Os dinamarqueses tocam uma mistura de Death Metal da velha guarda com Grind e iniciam este álbum com uma demonstração animalesca, repleta de agressão e brutalidade, daquilo que sabem fazer. Para os que não se deixam convencer à primeira, a partir do momento em que dão o início a “Opslugt Af Mørket”, a terceira música do álbum (segunda se não contarmos com a introdução) é garantido que a vossa alma ficará sob o domínio dos Undergang. Tendo em conta que “Indhentet af Døden” é nada mais nada menos que o álbum de estreia da banda, os resultados são bastante impressionantes, tendo inclusive em conta que a produção poderia estar muito melhor, uma vez que em todo o registo discográfico é possível verificar que há qualquer coisa presa, à espera de sair e explodir em fúria nas vossas colunas ou head-phones. Seria este o desejo da banda? Talvez... o que é certo é que mesmo assim é um primeiro álbum que surpreende e não deve deixar de ser ouvido. Esperemos que os Undergang se mantenham como um dos grandes nomes do Underground Dinamarquês e que nos dêem mais álbuns desta qualidade no futuro. [6/10] Joel Costa

VIDRES A LA SANGUE SOM XTREEM MUSIC

«Som» é a última parte de uma triologia apresentada pelos Espanhóis Vidres A La Sang. Sim, o álbum já pode ter algum tempo, como grande parte das propostas da XTREEM que estamos a analisar na Infektion, ainda assim sentimo-nos na obrigação de dar a conhe-

cer projectos que, de uma maneira ou de outra, chamaram a nossa atenção. «Som» é um álbum conceptual e ambicioso e à primeira revista não parece ser algo que nos vai trazer um Death Metal bem potente. Só a partir da segunda faixa é que percebemos que estamos a lidar com um registo rápido e pesado e equiparável ao som praticado pelos irmãos de peso Behemoth e Immortal. O álbum apresenta apenas seis temas mas contabiliza um total de 53 minutos, o que significa que as músicas são longas mas não ao ponto de perdermos o interesse a meio, uma vez que a banda, e muito bem, conjuga riffs mais pesados com passagens um tanto melancólicas e leva o facto do álbum ser “conceptual” muito a sério. O destaque vai para «El Crit», que é a música mais rápida deste registo e sem dúvida e mais elaborada. [6/10] Joel Costa

WOLFCHANT CALL OF THE BLACK WINDS MASSACRE RECORDS

O álbum começa com um prelúdio (“Black Winds”) que anuncia a viagem épica que se advinha pelos territórios já muito explorados do Folk, não que anuncie uma repetição do que ja foi feito, mas muitas bandas foram-se copiando e isso fez com que algumas bandas fossem ignoradas um pouco pelo exagero de projectos neste estilo. Wolfchant é uma dessas bandas, nada amadora nestas andanças estando já no quarto registo de originais e que apareceu quando a mistura do chamado Metal de Gotemburgo começou a ser incorporado no mundo Folk por bandas

como Suidakra, Kalmah e outras que tal. Aparece-nos então este “Call of the Black Winds” que em geral é um disco muito apelativo para fãns do género, onde se dá mais foco a texturas mais orquestrais e épicas do que às sonoridades de origem sueca muito encontradas no album “A Pagan Storm” que é ate à data o disco mais aclamado do sexteto. Arranca com muita força e garra a seguir ao prelúdio orquestral com “Stormwolves” para começar bem a guerra de espada e escudo na mão e atacar o ouvinte com emoção e dedicação em fazer deste um grande álbum. As guitarras estão bem coesas, com o vocalista Lokhi a explorar vários registos. A secção ritmíca é a habitual neste estilo com arranques aqui e ali como no espectacular tema “Der Stahl In Meinem Feinde”, o ponto alto do ál-

bum em que curiosamente voltam bastante ao que fizeram no passado. Também destaque para a entrada acústica e bastante bela de “The Last Farewell” e a épica despedida do mesmo nome que o disco. De resto é partir para a batalha com os ecos dos ventos negros a ressoar na alma. [7/10] Bruno Farinha

ENVIEM PROMOS / SEND YOUR PROMOS: Joel Costa - Infektion R. Adriano Correia Oliveira 153 1B 3880-316 Ovar PORTUGAL


Aosoth abriram as hostes à hora marcada para uma plateia ainda muito despida e pálida. Fizeram o seu trabalho de forma competente, explorando os temas dos seus dois trabalhos “Aosoth” e “Ashes of Angels” embora para uma audiência ainda um pouco apática. Algo que começou a mudar com a entrada dos suecos Shining em palco com o primeiro tema do álbum “VI – Klagopsalmer”, notando-se já alguma entrega de alguns espectadores à música depressiva do colectivo liderado por Niklas Kvarforth. O infame vocalista, muitas vezes acompanhado pela sua garrafa de Jack Daniels, foi interagindo com o público durante a sua actuação , centrando

a setlist no já mencionado “VI-Klagopsalmer” e no aclamado “V-Halmstad”, do qual a banda tocou os três primeiros temas. Os guitarristas, ambos de óculos de sol, tiveram uma prestação coesa e subtil, sendo o baixista Christian Larsson quem mais puxou pelo público. Na sua hora de actuação houve tempo para “Ohm”, uma cover de Seigman e um tema escrito por Niklas com 14 anos, “Submit to Self-Destruction”. Era a vez dos Watain, maquilhados e vestidos a rigor, entrarem em cena ao abrir das cortinas, revelando-se um autêntico altar em palco com dois tridentes em chamas ao lado da bateria e à frente desta uma fila de velas, onde o

vocalista Erik Danielsson ia realizando o seu ritual. Lança-chamas na frente do palco projectaram o calor para a plateia já aquecida e sentida durante o concerto, proporcionando um momento inesquecível em que no coro de “Reaping Death” a voz dos presentes se uniram à de Erik. “Storm of the Antichrist”, “My Fists are Him” e “The Serpent’s Chalice” foram outros temas muito bem recebidos pelos presents num espectáculo dedicado ao disco “Lawless Darkness” e que acabou sem encore com o encerrar das cortinas e o apagar das labaredas. Texto: Bruno Farinha Fotografia: F.G. Photo http://www.fgphoto.eu/


É pena que alguns destes eventos de apresentação de novos trabalhos de algumas bandas que estão exponencialmente a crescer fora das fronteiras lusas seja feita para uma plateia despida onde poucas dezenas estavam a espera de ouvir os temas do trabalho “Onyx”, lançado 5 dias antes no mercado. À chegada já se faziam ouvir os Dark Oath com a sua música de orientação Viking/Pagan, banda que substituiu os anunciados Dark Wings Syndrome que cancelaram poucos dias antes por situações inesperadas. Aqueceram bem os presentes com os temas oriundos do trabalho de estreia “Under a Blackened Sky” e com uma actuação coesa cumprindo

bem o seu papel. Destaca-se aqui a poderosa voz da vocalista Sara Leitão demonstrando um grunt digno e que espantou pela sua garra e entrega em palco. A entrada dos Ava Inferi foi feita de maneira teatral, com Carmen Simões (conhecida não só como vocalista desta banda mas também por fazer parte das Crystal Mountain Singers, o coro feminino que acompanha os Moonspell) a encaminhar o publico para o ambiente pagão evocado pela sua musica. A actuação focou-se na sua maior parte no esperado “Onyx”, sendo as musicas “Venice in Fog”, “The Living End” e “Majesty” as que mais tiveram impacto nos presentes. Foi feita uma visita rápida

ao passado do grupo através da “Dança das Ondas” do segundo álbum “The Silhouette” e a “Tempestade” do aclamado “Blood of Bacchus”, músicas cantadas em bom português. Sem ser deixada de fora neste alinhamento a “Last Sign of Summer” foi o ponto alto da noite acompanhada pela voz de Rune Erickson, também antigo guitarrista dos infames Mayhem e que teve uma prestação notável nas 6 cordas, bem acompanhado no mesmo instrumento pelo guitarrista que os acompanha desde o ano passado, André Sobral.

Texto: Bruno Farinha Fotografia: Liliana Quadrado


Shinya Tsukamoto Shinya Tsukamoto irrompeu no cinema internacional pelo meio de “Tetsuo – The Iron Man”, uma película em 16 mm, que visava uma alegoria cyberpunk constantemente retratada: a metamorfose biomecânica agravada com a repressão sexual, (à imagem do livro “Crash” J.G. Ballard). Com um estilo inventivo e de violência desmesurada, sustentado pelas técnicas de animação próprias do trabalho de Jan Svankmajer, o terror corporal de David Cronenberg (A Mosca, Videodrome); passando pelo universo bizarro e metaexistencialista de David Lynch; Tsukamoto incorpora ainda nos seus filmes o estilo do teatro Kabuki, o que confere às suas personagens uma plasticidade e uma pantomina bastante vincada e incomodativa. Influência de Darren Aronofsky (PI) ou de David Fincher (Fight Club), Tsukamoto apoia-se na irregularida-

de do estilo montagem da Nouvelle Vague francesa e do registo MTV (flashes, falta de continuidade na imagem, cortes abruptos), para criar uma ultra-violência sensorial que suporta e aprisiona as suas personagens. Com isso ilustra e explora de um modo intrigante, a paranóia e estados de alucinação (Tetsuo), liberdade sexual (A Snake of June), destruição humana (Tokyo Fist), sempre com um olhar subversivo sobre o “Future shock” (Alvin Toffler), explorando as ramificações e destruições que ocorrem na mente humana induzidas pelas revoluções tecnológicas e digitais. Para quem gosta de gore, com alguns toques de comédia e uma narrativa fragmentada, onde o futuro que alcançamos é já o passado de alguém.

Por: Daniel Santos


SPARTACUS Na altura onde o desporto rei não era chutar uma bola e receber mega‐fortunas por ter o Q.I. de uma ervilha, o que mais valia era a honra de morrer nas areias cheias de sangue da arena, ou, tornar‐se na maior lenda que já existiu no mundo dos gladiadores. SPARTACUS: BLOOD AND SAND, é uma série original do canal de televisão Starz e foi lançada no início de 2010 com a produção de Joshua Donen e Sam Raimi. Para quem viu o filme 300 então o aspecto visual da série não irá surpreender, aliás, muito do que é apresentado no filme 300 é aumentado e exagerado, vezes e vezes sem conta, em cada episódio. A quantidade de sangue mostrada só é rivalizada pelo sexo explícito que os produtores fazem questão de vangloriar como sendo algo que nunca foi alguma vez co-

locado numa série. Mas se retirarmos todo o gore das lutas e todo o sexo (e as mamas, bem explicitamente de silicone, da Lucy Lawless) então temos uma série que se esforça por tentar mostrar, mais ou menos, fidedignamente o que era a vida no ano 73AC, só ficando a faltar o cheio pútrido das ruas daquela época (o 4D ainda não chegou ao conforto dos nossos lares, quando chegar acho que séries como estas podem ter os dias contados… ninguém quer a sala a cheirar a carneiro morto e mijo!). A série revolve sobre o início obscuro da lenda de Spartacus, o líder da revolta dos gladiadores contra o Império Romano e que se tornou num ícone retratado em livros, jogos e telefilmes, e pelo clássico filme de Stanley Kubrick em que Kirk Douglas retrata o famoso escravo traciano. A primeira temporada terminou com a doença do actor Andy

Whitfield, que retratava Spartacus e enquanto o mesmo tentava recuperar de princípios de Linfoma não‐Hodgkin, a Starz lançou uma mini‐série chamada SPARTACUS: GODS OF THE ARENA, onde relatam os eventos antes da chegada de Spartacus à “casa de Batiatus”. Entretanto a produção da segunda temporada foi iniciada com a recuperação do actor Andy Whitfield, mas este teve uma recaída e está neste momento a combater outra vez o cancro, tendo já sido anunciado que será substituído pelo actor Liam McIntyre. http://www.starz.com/originals/spartacus

DETHKLOK Imaginem um mundo onde em vez de terem surgido os Beatles como o suposto maior fenómeno musical da terra,

surgiu Dethklok! A banda é o caos, onde ela passa desastre e morte segue‐a. E Dethklok é a 7ª maior economia mundial… A série METALOCAPYSPE, que surgiu em 2006 pelas mãos de Brendon Small e que é apresentada pelo canal de televisão Adult Swim, é tanto uma paródia como uma celebração da música metal. A sua subtil ironia aliada ao detalhe e qualidade dos episódios faz da série um favorito entre os conhecedores. Brendon Small, sendo ele músico, faz questão que existam detalhes dos acordes tocados em cada cena onde aparecem músicas originais dos Dethklok. A série têm as vozes principais de: Brendon Small, Tommy Blacha, Mark Hammil, Victor Brandt e Malcolm McDowell. Indo ainda na sua terceira temporada a série atingiu já o estatuto de uma espécie de subcultura por entre os fãs. O canal Adult Por: Eric Njorl


Swim confirma que uma quarta temporada está já agendada para produção. http://video.adultswim.com/ metalocalypse/index.html

BD VS CINEMA Sou só eu ou agora tudo o que é cinema tem de ter uma ou outra relação com a banda desenhada? Só no lançamento da época de primavera vamos ter o TRANSFORMERS 3 (espera‐se que a Megan Fox faça, outra vez, bem o seu trabalho: ficar calada e mostrar os “créditos”…), THOR, e CAPTAIN AMERICA: THE FIRST AVENGER, tudo proveniente do agora infindável poço de argumentos chamado Marvel, e ainda PRIEST e COWBOYS AND ALIENS, sendo que no primeiro a qualidade dos desenhos ultrapassam a da história, e no segundo acontece o inverso, nos filmes ainda estou para ver o que sai. Mas o mais provável é que o filme COWBOYS AND ALIENS saia bem mais interessante, se bem que provavelmente muito cliché e já batido e seco, que a pequena história de banda desenhada, e que no PRIEST a coisa pende no outro sentido dada a imensidão de detalhes e voltas que a história da banda desenhada cria. Recentemente saiu o filme TRUE GRIT dos irmãos Coen, e após toda a poeira levantada pela qualidade de realização, pela qualidade de representação, pela qualidade da cenografia, fica a pergunta: de onde é que eu conheço esta história? E depois “aveio‐se‐me” a ideia á memória! Uma rapariga adolescente á procura de vingança… confere. Um mercenário habilidoso e sem escrúpulos… confere. Uma busca dos assassinos onde ambos descobrem a amizade e honra… confere. É o BLADE OF THE IMMORTAL feito por americanos! Este último é um título de manga (a banda desenhada japonesa não a fruta, que gosto mas não vem aqui para o caso) criada por Hiroaki Samura onde

uma rapariga de 14 anos (até a idade da rapariga é a mesma no TRUE GRIT) contrata um mercenário para vingar a morte dos pais pelas mãos do líder de um grupo criminoso extremamente perigoso e mortal. Pode parecer que estou a esticar‐me com as comparações mas também já no suposto grande filme do Christopher Nolan, INCEPTION, a coisa roça muito o plágio de mais uma criação nipónica, de seu nome PAPRIKA. O filme de animação é baseado da novela gráfica de Yasutaka Tsutsui e retrata um futuro onde foi criada uma psicoterapia chamada de “terapia do sonho” usando um mecanismo onde é possível entrar no subconsciente do paciente e deambular, e criar, dentro do mesmo. Será que houve esta …err… “adaptação”(?) porque o DiCaprio é fã da banda desenhada japonesa? Ou então, se calhar sou eu que ando a ver filmes a mais…

STRANGE VALHALLA Existe uma ténue linha entre loucura e razão, entre super‐ natural e imaginação. Linha essa que desaparece por completo no filme VALHALLA RISING. Filme de Nicolas Winding Refn, escrito pelo mesmo e por Roy Jacobsen, conta com a participação de Mads Mikkelsen (o “corno” do Casino Royale de 2006) que actua como a personagem One‐Eye, um viking mudo feito prisioneiro e transformado em gladiador. One‐Eye detêm uma força sobre‐humana e com ela uma capacidade devastadora de transformar adversários em carne picada. Mas quem pensa que vai encontrar um festival de gore numa corrida de batalhas e destruição do principio ao fim que pense outra vez. VALHALLA RISING é uma procura sobre a humanidade, uma reflexão crua e sem concessões sobre a religião (ou a falta de credibilidade de fazer guerra em prol da mesma), sobre guerra, sobre pertencer

a algum sítio. Falando estritamente sobre o filme, francamente este detém um ritmo algo lento e por vezes poderá incomodar o facto de parecer não haver um propósito em toda a sequência de acontecimentos. Assim é criada uma atmosfera tanto perturbadora como omnipresente que nos transporta por entre uma fotografia excelente, que é, juntamente com o banda sonora, o melhor do filme. Na realidade o filme parece ir buscar muito do seu ritmo e ambiente ao grande spaghetti western ONCE UPON A TIME IN THE WEST, do Sergio Leone, e pese embora algumas vezes pudesse ganhar muito com um pouco mais de ritmo e acção, e porque não carnificina (uma forma fácil, mas eficaz, de demonstrar a crueldade dos homens), este é um filme que acima de tudo tenta permitir que cada um faça a sua própria análise não oferecendo uma fórmula fácil de engolir, obrigando o espectador a pensar por si.

NOTA DO AUTOR Eu deveria começar por me apresentar e dizer blá, blá, blá sobre quem sou e o que vou escrever de ora em diante neste espaço dedicado à sugestão de séries e filmes para todos vocês, leitores da INFEKTION magazine, não devia? Não.

http://www.valhallarising.dk/

O que interessa aqui é, dentro da medida do possível e na mais franca das maneiras, dar-vos boas sugestões cinéfilas, seja em forma de filme ou de série, tentando ser o mais abrangente possível pois pese embora eu possa gostar de preto, existe sempre alguém que para além de preto também gosta de vermelho, ou de azul, ou seja, a ideia é a de oferecer um variado espectro de sugestões, mas, não contem comigo para vos sugerir “O Sexo e a Cidade 6”.

BLACK DEATH

Enviem as vossas sugestões e opiniões para:

Tendo como ambiente a época do primeiro surto da peste bubónica na Inglaterra, BLACK DEATH conta a história de um jovem monge que é encarregado de descobrir a verdade sobre relatos de pessoas que estão a ser trazidas de volta à vida em uma pequena aldeia. Realizado por Christopher Smith este BLACK DEATH parece ser mais um filme de tipos numa missão, só que passado em tempos medievais. E o que mais incomoda em alguns destes filmes de época é que na idade média não havia nem champôs para terem esse cabelinho sempre brilhante, e muito menos dentífricos(!) minha boa gente… O filme é suposto sair nos cinemas a 11 de Junho de 2011.

geral@infektionmagazine.info

http://www.blackdeathmovie. com

Por: Eric Njorl


INFEKTION MAGAZINE #01 - Março 2011  

ENTREVISTAS COM: Sylosis, Six Reasons To Kill, But We Try It, We Are The Damned, Head:Stoned, Phazer, Before The Torn e Hills Have Eyes. 31...

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