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Palavra do Presidente

ABCI - Associação Brasileira dos Criadores de Indubrasil Diretoria Presidente: Roberto Fontes de Goes 1° Vice Presidente: José Henrique Fugazzola de Barros 2° Vice Presidente: Renato Miranda Caetano Borges 1° Secretário: João Carvalho Pinto 2° Secretário: Jairo André Gurczevsk 1° Tesoureiro: Waldyr Barbosa de Oliveira Junior 2° Tesoureiro: Elair Bachi Diretor Internacional: Cláudio Silveira Resende Diretora Relações Públicas e Marketing: Patricia Sibin Gregório Conselho Fiscal: Luana Custódio Barros Conselho Fiscal: Cláudio Silveira Resende Conselho Fiscal: Rodrigo Caetano Borges Suplente Conselho Fiscal: Acrisio Cruz Neto Suplente Conselho Fiscal: Henrique Cajazeira Figueira Suplente Conselho Fiscal: Paulo Sergio de Ávila Lemos Conselho Técnico: Clarindo Irineu Miranda Conselho Técnico: Enilice Cristina Cadetti Garbellini Conselho Técnico: Ivo Ferreira Leite Conselho Técnico: Marcos Brandão Dias Ferreira Conselho Técnico: Paulo Sergio de Ávila Lemos ---------------------------------------------------------------Escritório Nacional Pça. Vicentino Rodrigues da Cunha, n. 110 Parque Fernando Costa - Uberaba, MG Fone: (34) 3336-4400 e-mail - indubrasil@terra.com.br site - www.indubrasil.org.br Revista INDUBRASIL n. 04 - Maio - 2016 Editor: Rinaldo dos Santos Projeto gráfico: Kelly Magalhães @designpb Fotografias: Jadir Bison, José Maria Mattos, Rinaldo dos Santos, colaboradores/associados. Colaboradores editoriais: Clarindo Irineu de Miranda, Henrique Cajazeira Figueira, Roberto Fontes de Góes, Rodrigo Caetano Borges, José Henrique Fugazzola, Djenal Tavares Queiroz Neto, Jairo André Gurczevsk, Elair Bachi, Sergio Silveira Fonteles Ilustrações: Toninho Cartoon.

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A atual Diretoria tem realizado um trabalho de congraçamento, de integração, aliada a novas estratégias de promoção do Indubrasil, tendo em vista que o histórico e notável gado demonstra uma real capacidade de ocupar espaços como melhorador dos rebanhos produtores de carne e leite, no Brasil e no mundo. O Indubrasil já foi o alicerce da História da Pecuária do Brasil; já foi exemplo de correção no Melhoramento Genético; já foi exemplo de abnegação de seus criadores, reduzindo os rebanhos, para melhor promover acertos de caráter zootécnico; vem sendo a bússola da pecuária de vários países. Agora, promove o Primeiro Seminário Internacional e, para que o evento seja brilhante, esta edição da Revista INDUBRASIL traz matérias com todos os temas que merecem discussão em plenário internacional. Permite, então, que o Seminário não só discuta, como finalize com uma Carta de Intenções, inserindo-se no cenário mundial de produção de carne e leite. O Indubrasil cumpre sua função de como no passado - ser soberana nos cruzamentos; rústica por sua genética milenar, enfrentando os climas gelados, tanto quanto os desérticos e tórridos; ser encantadora pela beleza; admirável pela docilidade; desmamando crias saudáveis devido ao leite materno e produzindo animais longevos. Isso é a raça Indubrasil: esse é o trabalho dos indubrasilistas; esse é o trabalho da ABCI e de todas as entidades da raça no mundo.

Roberto Fontes de Góes

Presidente da ABCI - Associação Brasileira dos Criadores de Indubrasil

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INDUBRASIL

Um futuro radiante, depois de longo aprendizado

ZEBU: GENÉTICA CAPAZ DE MUDAR. A PRODUTIVIDADE: Um touro registrado gera lucro até

5,3x

Fotos: JM Matos e Ney Braga

MAIOR* AO VALOR INVESTIDO

A SUA PERCEPÇÃO: Propriedades produtivas chegam a ter eficiência ambiental

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MAIOR que o convencional!*

O ser humano destaca-se pela inteligência, que é a capacidade de reconhecer um problema, enfrentá-lo e resolvê-lo, de forma progressista. Os animais, em geral, reconhecem um problema e preferem fugir. Alguns poucos resolvem enfrentá-lo, apenas como instinto de preservação de seu território. Por isso, o ser humano evoluiu, saindo das cavernas, construindo cidades e hoje viaja pelo espaço. Para o Homem, os problemas continuam surgindo, e as soluções sempre levam para um futuro. A humanidade, portanto, é o resultado do correto uso da inteligência.

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Os caminhos - Algumas vezes, o Homem escolhe caminhos errados, mas logo muda de rumo - isso faz parte do aprendizado. Na pecuária, diante da imensidão dos campos, o fazendeiro usa as ferramentas que têm por perto. Assim, hoje o sucesso pode estar com uma raça, mas amanhã esta pode ser trocada por alternativas. O Brasil viveu 350 anos cultivando raças pirenaicas, europeias, ou britânicas. Era elegante exibir um touro Durham, importado da Inglaterra “para salvar a pecuária brasileira” até 1850. Havia, porém, além dos carrapatos, outro problema insolúvel: os animais europeus não se prestavam a puxar os carroções de café nas montanhas do Rio de Janeiro. Eles não aceitavam comando de marcha-a-ré e, então, eram inviáveis nas montanhas. Manuel Ubelhart Lemgruber visitou um Zoológico na Europa e, por acaso, descobriu o Zebu, com

enorme giba que podia sustentar a canga dos carroções nas montanhas fluminenses: poderia ser o milagre nos cafezais. Comprou os primeiros animais: eram Nelores, mas mostraram-se fracos para a região e situação. O Barão de Duas Barras descobriu que havia outros Zebus e descobriu o Guzerá. Este deu certo nas montanhas e, além disso, produzia boa carne e muito leite. Estava pronta a receita inicial do Indubrasil: Guzerá + Nelore, desde 1870 até 1920. Os primeiros 50 anos consolidaram um animal chamado “Zebu”, mestiço Guzonel, de grande porte, grande força, ideal para fabricar bois-de-carro, além de carne e leite. Surgiam animais de longas orelhas e logo os brasileiros passaram a avaliar o “Neozebu” pelo comprimento das orelhas. A partir de 1911 começou a chegar o Gir, destacando-se a partir de 1918. O Gir, cruzado com o Neozebu brasileiro, aumentou

A PRODUTIVIDADE: Propriedades de leite que investem em genética têm retorno até

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A VIDA: O salário nas fazendas que investem em genética provada chega a ser

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* Média feita pelo estudo. Pesquisa desenvolvida pelo CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Esalq/USP) entre 2014 e 2015.

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O Indubrasil ocupa todos os biomas, com sucesso.

ainda mais as orelhas, implantou o “gavião”, deu pujança de carnes, levando ao nascimento de “Induberaba”, com esplêndida carcaça para a época. Logo nasciam várias alternativas de Zebus brasileiros: Induaraxá, Indugoiás, Indubelém, Induporã. Depois de muitas discussões, prevaleceu o nome de Indubrasil, que era a mais lucrativa imagem da pecuária brasileira, naquela época, pois tinha tudo: altura, comprimento, arqueamento, massa muscular, couro sobrando. O Indubrasil era um acerto. Indubrasil, hoje - Se perguntar a um nelorista sobre qual raça é melhor para alguma região, ele imediatamente dirá que é o Nelore. Ele enxerga apenas a pecuária de largas vastidões. De fato, a pecuária extensiva tem como base o Nelore, pois a definição de gado certo é a soma de “Região + Situação”. Caso a situação, porém, exigir que a pecuária se modernize, para produzir mais carne/leite em área cada vez menor, em menos tempo, com maior lucratividade,

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no suceder das progênies, então o gado anelorado terá que mudar de fisionomia. A História humana é uma máquina em eterno movimento, sempre procurando o melhor caminho. O gado de hoje não será o de amanhã, necessariamente, pois muda a “situação”. No passado, o Guzerá foi o grande gado dos cafezais flumi-

nenses; depois o Indubrasil foi o grande gado; depois foi o Gir; agora vem sendo o Nelore; mas a evolução continua. O momento de ocupação de largos espaços brasileiros já passou e, agora, chegou o momento da racionalização: as fazendas serão menores, mais sustentáveis, exigindo produção de animais de múltiplas aptidões. Muitos já descobrem que o Indubrasil, acasa lado com o gado anelorado, garante o grande rendimento de carne, soma leite, mantém a rusticidade. O Indunel é uma alternativa para novos tempos. Afirma Fugazzola que “para a pecuária extensiva o Nelore é imbatível”. Com o crescimento da população humana, todavia, o leite torna-se importante e, então, o Indubrasil é solução, sem perder outras características do gado anelorado, na maioria das regiões. Rodrigo Caetano Borges diz que “a razão escolhe o caminho certo. Toda raça tem suas vantagens e seus problemas, pois não é possível preencher as exigências de todas as regiões e de todas as situações - sempre com o mesmo gado. Cada região e cada situação exige um gado diferente. Assim, com o passar do tempo, mudam as situações e o gado do passado é descartado, para dar lugar

ao novo. O Indubrasil já pagou o preço do passado e, agora, surge como ferramenta de progresso”. Clarindo é sintomático: “o Indubrasil teve o maior rebanho do Brasil e pagou o preço por isso. Decaiu, por não ter adotado as modernizações, mas, agora já está com nível excelente e pode ajudar a nova situação da pecuária brasileira e do mundo”. O Indubrasil, portanto, é uma história bonita, da superação de proble-

mas pelos homens. O gado do futuro - O bom leite e a boa carne são produzidos no clima ensolarado, em regime de pasto. São esses fatores que garantem o equilíbrio entre o Ômega-3 e Ômega-6. Nos Estados Unidos, muitas empresas de “Fast-Food” já se recusam a comprar carne produzida no Hemisfério Norte, devido ao descompasso entre os dois hormônios. Já se verificou que o animal confinado,

Animais típicos para o regime de campo

com rações artificiais e hormônios de crescimento, longe do pasto, pode ter um desequilíbrio de até 50 vezes entre os dois hormônios: um absurdo. O desequilíbrio provoca muitas doenças, incluindo o câncer. Por isso, os países ricos já buscam a pecuária do Brasil e logo estarão exigindo o boi-de -pasto. Vão exigir do Brasil o que não conseguiram fazer no Hemisfério Norte. O boi do futuro, então, será criado a pasto, de porte compatível, boa massa muscular, boa habilidade materna, garantindo muito leite para a cria. Terá tetas medianas, bainha curta. O bezerro será esperto, logo acompanhando a vaca. São as características que condenaram o Indubrasil, no passado, pois não eram importantes. Agora - já corrigidas no novo Indubrasil, indicam o gado do futuro. O novo Indubrasil, portanto, é uma mostra da inteligência do Homem que enfrenta problema e os soluciona, rumo ao futuro radiante.

Meu Cantinho Paola Gotz, da Fazenda Lobo Guara

Maria Eduarda brincando com seu animal de estimalção

Jairo, com o filho Artur Telles Gorczevski, de 6 meses

Jairo André Gorczevski, encantado com a mansidao

Vovô Roberto com Maria Luisa em seu cavalo

A raça é muito bem constituída por carcaça exemplar.

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O Indubrasil nos bastidores da História O Indubrasil foi o General da pecuária brasileira durante várias décadas, promovendo a abertura de grandes espaços. Depois, a pecuária mudou o rumo e o Indubrasil ficou em segundo plano. Os principais motivos estão abaixo. Henrique Figueira acha que todas as alternativas abaixo descritas estão corretas e contribuíram para o rebaixamento da cotação do Indubrasil, no passado. “Mesmo hoje” - continua - “muitos criadores têm dificuldade em entender que os dados de desempenho são importantes, pois o mercado modernizou-se, e vai continuar se modernizando, exigindo mais e mais avaliações genéticas e zootécnicas. O criador de Indubrasil ficou para trás por ser teimoso, por achar que o Brasil não iria se modernizar. A pecuária é uma atividade como qualquer outra, exige empresários com olho no lucro. A pecuária entrou na era das avaliações e números, inicialmente na década de 1950, com Villares, mas, decididamente, na década de 1980”. Henrique conclui: “A falta de dados espalhou em todo Brasil uma visão e opinião negativas sobre o Indubrasil. A culpa não foi do animal, mas dos criadores que dormiram no ponto”. 1) Surgimento de novas gramíneas - O gado antigo vivia ao redor das casas grandes dos cafezais. O capim era o Gordura, o Angola, e outros. Quando surgiu o capim Jaraguá, grandes espaços puderam ser abertos para um gado de maior porte. O Indubrasil dominou nesse período. Mais tarde, o capim Colonião - que já vinha se espalhando desde 1940 - ganhou formidáveis espaços, para melhor empregar as economias da Segunda Guerra Mundial, quando a pecuária foi a nocaute. O gado para as longínquas fron-

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O Indubrasil permitiu ao Brasil ocupar todos os espaços, na época.

teiras tinha que ser muito rústico, andejo e muito barato. Um vaqueiro deveria cuidar de, no mínimo, 1.000 vacas. 2) Início das Provas Zootécnicas - Foi o cientista João Barisson Villares que deu início, em 1952, às Provas de Ganho-de -Peso. Ninguém acreditava nessa novidade e o cientista teve que se contentar com gado barato, da época, o Nelore. As Provas mostravam as vantagens de serem utilizados os reprodutores provados. O Indubrasil, o Gir e o Guzerá não entraram nessas Provas - que promoveram largamente o uso do Nelore. Clarindo Miranda realça que o Professor Villares usou o que tinha em mãos, o Nelore; as demais raças preferiram ficar do lado de fora e, assim, ficaram para trás. Rodrigo Caetano Borges lembra que as vantagens do Nelore, como facilidade de parto, capaci-

dade de perambular, habilidade materna, lepidez do bezerro, foram decisivas diante do público. Era um gado melhor para o corte, nas fronteiras. Segundo ele, as Provas Zootécnicas só viriam a ter valor mais tarde. “Naquela época, o Indubrasil tinha tetas longas, não ficava em pé ao nascer, o bezerro não era lépido - não era gado para as longínquas fronteiras”. Ademais, logo depois da guerra, o Nelore era barato, ficava vivo, não exigia custeio como o Indubrasil, etc. O fato histórico é que os indubrasilistas estavam tão satisfeitos que nem perceberam que um novo mundo estava surgindo: dormiram no ponto. Os neloristas, com seu gado miúdo, apelidados de “veados desengonçados”, ocuparam as brechas. Na Exposição de 1944 havia apenas meia dúzia de Nelore, em Uberaba. Os neloristas enxergaram o novo mundo, começaram as provas, rumaram

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Animais bem constituídos, no campo.

para os Sertões, viajaram para a Índia para buscar um novo sangue, vislumbraram que o Governo iria prestigiar as novas fronteiras (Sudene e Sudam). Eram os jovens pecuaristas que abriram uma nova realidade. 3) Implantação da Sudene e Sudam - que somaram mais de 2.000 propriedades agropecuárias no Nordeste e na Amazônia. Para abertura dessas propriedades o gado indicado era o Nelore, nos campos, e o Holandês, nas cidades, entre 1968 a 1988. Eram grandes propriedades, que somaram mais de 10 milhões de cabeças, registradas, no período.

O único gado que existia em profusão, barato, era o Nelore. Com a Sudene e a Sudam, o Nelore tornou-se o campeão de Registro Genealógico, do dia para a noite. Nesse período também houve o uso maciço de raças brancas europeias (Chianina, Piemontesa, Marchigiana, Charolesa) para cruzar com o Nelore e formar as boiadas de corte, dando origem ao mito do “gado branco” que era, de fato, maior e mais pesado, de umbigo curto. O Nordeste era um reduto de Indubrasil, tendo até um monumento na praça de Recife. O mito do “gado branco” de orelhas curtas chegou, pela Sudene, dando

lugar ao Nelore. Clarindo Miranda lembra que foi um período de “guerra contra as orelhas longas”. Conta que, na Amazônia, ninguém tomava leite, preferindo o açaí, nas manhãs, quando a Sudam começou a implantar várias fazendas, ao redor de grandes cidades, para criar o gado Holandês - como também aconteceu no Nordeste. O leite de Zebu foi substituído pelo de Holandês; o gado orelhudo foi trocado pelo de orelhas curtas. As boiadas exibiam meia-orelha e continuariam encurtando essa característica que vinha do Indubrasil. Fugazzola lembra que o financiamento público, ou bancário, acoberta distorções, quando se leva em conta a realidade climática e econômica do setor rural. Não existe, até hoje, um real casamento entre a qualidade do financiamento e o que é verdadeiro para o campo. Lembra que a ABCZ, para corrigir essa distorção, vem promovendo o Progenética, distribuindo tourinhos registrados, em feiras regionais. A distorção continua até hoje, pois faltam 400 mil tourinhos registrados e os relatórios da ASBIA mostram que 50% das vacas são inseminadas com raças europeias. Isso porque o financiamento é garantido, desde que seja

Docilidade ao manejo; homogeneidade.

para sêmen de gado europeu. O Zebu é o sucesso, dentro das porteiras, mas o melhoramento genético ainda continua sendo ditado, em boa parte, pelos financiamentos bancários: é o que provam os relatórios anuais da ASBIA. O símbolo do folclore nordestino e amazônico é um boi orelhudo, ou de meia-orelha. Basta analisar “Garantido” e “Caprichoso”, bem como os bois-bumbás de antigamente, para ter a influência do Indubrasil. Hoje, o boi-bumbá já mostra orelhas curtas, contrariando a origem. A importância do Indubrasil foi enorme, a ponto de ter um monumento próprio, em Recife. No Nordeste, o mestiço leiteiro era o Pardo-Suíço com Indubrasil, nos Sertões. Só mais tarde, entraria o Guzerá. A bacia leiteira de Batalha, em Alagoas, já fazia o 5/8 holandês, cruzando o importado com o nacional - algo jamais tentado em outra região para se adequar ao clima das caatingas. 4) Avanço para novas fronteiras agropecuárias do Centro -Oeste e Norte - onde somente a vaca Nelore tinha condições de habilidade materna. Fugazzola lembra que o avanço para as fronteiras já haviam sido feitos, no

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passado, com a raça Indubrasil no Mato Grosso e nas caatingas do Nordeste. Bem mais tarde, o Nelore iria despontar. “A barriga milagrosa era do Indunel, da década de 1960, quando aconteceram as importações da Índia, com excelente Nelore e, ao mesmo tempo, começava o uso das raças brancas europeias. O ventre Indunel respondeu bem, com mestiços vigorosos e lucrativos. Depois, veio o mito do “gado branco” que persiste até hoje, em grande parte do território. Na base, porém, estava o ventre Indubrasil, branco.

“Monumento ao Indubrasil, em Recife, de 1943. O touro-modelo foi FARRAPO, de João Teobaldo de Azevedo”.

Foi muito grande a publicidade do gado branco, Nelore e europeus, por meio da Sudene e Sudam, durante 20 anos. O Indubrasil não fez propaganda diante dessa avalanche. Rodrigo Caetano lembra que, na verdade, o que interessa é o retorno do investimento. O Nelore era imbatível, na época: barato, com resposta garantida em regime de campo. Clarindo recorda que, nas fronteiras pecuárias, não era possível esgotar as vacas leiteiras, nem ficar usando mamadeira para bezerros. O umbigo comprido provocava ferimentos nos capins taludos. Nas épocas secas, os carrapatos utilizam os talos compridos para agredir os animais umbigudos. As longas orelhas, em boiadas de milhares de cabeças, sofriam acidentes. A boiadade-corte ideal era anelorada; nem poderia ser outra e, com a consolidação dos territórios, as demais raças zebuínas poderiam ser utilizadas, como já vem acontecendo. O gado antigo usava a mãode-obra das fazendas de café, podendo criar um “gado trabalhoso”, mas nas fronteiras teria que ser um “gado da preguiça”, ou seja, que economizasse mão-de-obra. Deu Nelore. Foi bom para o Brasil que estabeleceu um fantástico lastro anelorado para ser utilizado por outras raças, com excelente vigor híbrido. 5) A segunda infusão de sangue Gir - foi problemática. Alguns dizem que reduziu a aptidão de carne do Indubrasil, na década de 1950; outros dizem que equilibrou os exageros do Indubrasil da época e também agregou valor leiteiro ao Indubrasil. Rodrigo Caetano Borges diz que foi boa influência. “Vai crescer, agora. O antigo Indubrasil ninguém quer mais. O Indubrasil moderno deve-se à infusão do Gir. A cabeça mais girada é preferida à guzeratada. O animal apresenta mais costela, mais lei-

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De norte a sul, em todos os climas, nota-se a influência do Indubrasil.

te, menos perna, mais gavião, mais orelha, tetas menores”. 6) Preocupou-se com Porte e Peso, mas não com qualidade da musculatura na carcaça - A tendência da época era que o maior deveria ser também o mais produtivo. O Nelore utilizou todas raças brancas para fazer o anelorado, o gado branco. O Indubrasil sofreu por isso. Abatia-se boi com 5-6 anos, a tendência era o peso (25 arrobas) e não a qualidade de carne. Era comum escutar: “Se tiver um cofre que cabe 1.000 notas, você vai guardar notas de 100 ou de 1.000 cruzeiros”? A boiada somente era vendida em momentos de picos econômicos e, por isso,

quanto mais arrobas tivesse, tanto melhor. O fazendeiro segurava a boiada, como faz o cafeicultor moderno para vender no pico. O boi elogiado era aquele que “entortava o gancho do frigorífico e o focinho encostava no chão”. No começo, o Nelore usado no Indubrasil não era grande: tinha orelha pesada, cabeça chata, carnudo. Ao ser cruzado com o Indubrasil, deu produtos com bom tamanho, boa ossatura e muita carne. Os neloristas colocaram em cena o “rendimento de carcaça”, preconizando a redução de tudo que não tinha valor: cabeça, rabo, barbela, umbigo. O Nelore tinha defeitos: osso sacro alto, cernelha elevada, couro mínimo, celerípede, mas foi em frente. A

Animais de ótima constituição, no Sertão nordestino.

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importação de 1962 trouxe excelentes Nelores que corrigiram a ossatura e a musculatura. Os neloristas nunca pararam de trabalhar corretamente o gado, tendo em vista o mercado mundial. E assim continuam até hoje. Hoje, muitos já estão testando o Indubrasil no meio de boiadas aneloradas. No Mato Grosso do Sul, Milton Andrade (em Campo Grande), usa Indubrasil num rebanho de 15.000 vacas aneloradas. Como ele, muitos outros produzem os touros próprios, de sangue Indunel, para garantirem grandes boiadas dentro do que elogiam os frigoríficos. O uso do Indubrasil é lucro para muita gente. f) Preocupou-se com Porte, Peso, Beleza, mas não com Habilidade Materna -. Inicialmente o que importava eram o Porte, a Beleza e o Peso. Ninguém se preocupava com Habilidade Materna, porque não era importante. Clarindo lembra que, antigamente, a ossatura era muito grossa; o bezerro nascia pesado; crescia muito rapidamente, com ossatura sem formação e, por isso, era frágil. A vaca, por seu lado, tinha tetas longas, grossas, dificultando o acesso do bezerro. Não havia seleção para tais características. Hoje, o correto é o bezerro nascer e logo procurar as tetas da vaca. O bezerro nasce com 30-34 kg, e em 5-20 minutos já levanta, de 30-60 minutos já mama. Um grande progresso. A média de surgimento de tetas grossas e longas não pode chegar a 10%, devendo se extinguir já na próxima geração. Fugazzola lembra que “o caminho do meio é o da virtude”; os bichos grandes são inférteis, pela Lei da Natureza. Conta que os rebanhos de seu avô e de seu pai eram formados por gado de tamanho médio, cruzados de Pardo-Suíço com Nelore, tetas curtas. “Bicho graúdo só serve para monumento” - finaliza.

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1- Raça Mewati, na Índia (foto: Abel P. Borden, p. 50)

Mewati:a raça-mãe do Indubrasil A FAO estima que existem 61 raças, ou grupamentos, de bovinos na Índia, sendo que ao redor de 30 raças são bem definidas, tendo base na literatura indiana. A Índia, com tamanha riqueza genética, corre perigo, pois os governos têm estimulado programas de cruzamentos com raças europeias, substituindo as

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raças nativas por mestiças Jersey, Pardo-Suíça, Holandesa e outras raças. Alguns acusam os governos de corrupção, por estarem trocando a milenar fonte de combustível renovável para dar lugar aos combustíveis fósseis importados. (The Cow indiana abril-junho, 2006, p. 29). A região - Mewat é uma região histórica ao sul da província de Haryana, mas com partes dentro da província de Rajasthan. Mewat não tem limites definidos, medindo 1.912 km2, com população de um milhão de habitantes. O nome Mewat deriva de “Mina vati”, que significa “terra abundante de pei-xes”. A História da região é anotada desde 500 aC. A linguagem é o Mewati.

Mewat é uma região semiárida; a economia é a agricultura elementar, principalmente de sequeiro. A capital de Mewat é a cidade de Nuh. O distrito tem 1.200 aldeias, 500 em Haryana, 600 em Rajasthan e mais 50 em Uttar Pradesh. O Governo de Haryana quer transformar um antigo lago seco, criando em seu lugar um grande açude de 72 hectares e vários outros. O gado - Recebe o nome de Mewati, mas também de “Kosi”, que é nome da pequena cidade no distrito de Mathura, onde acontece a histórica e famosa Feira de Gado, em que a raça Mewati é a estrela principal. Centros de criação: Gurgaon e Faridabad, na província de Haryana. Também em Alwar e Bharatpur, na província de Rajasthan. Também em Mathura,

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semelhado ao Haryana, mas apresenta algumas características do Gir; às vezes, apresenta traços da raça Malvi e também das raças Rath e Nagori, vizinhas. Geralmente, o Mewati é de cor branca, mas surgem animais castanhos, com pescoço, ombros e quartos mais escuros. Ocasionalmente, surgem alguns com manchas, lembrando o Gir. O crânio é comprido e estreito, com a testa ligeiramente saliente. Os chifres, pequenos, ou médios, saem para fora, para cima, para trás, para dentro, mas com grande variação. Os olhos são proeminentes, às vezes rodeados por uma mancha muito escura. O focinho é largo e quadrado, com lábio superior grosso e saliente. O focinho é escuro como breu. As orelhas são pendulosas, alongadas. Surgem animais com orelhas 2 - O gado indiano está em muitos países. Aqui, em enormes, mas a maioria Mandalay, Myanmar (foto: www.123rf.com). é de tamanho mediano e surgem orelhas curtas. Não há um padrão definido para as orelhas. A cabeça e o pescoço são normalmente eretos, com certa elegância. O pescoço e toda a estrutura é forte, mas os membros são relativamente longos, dando impressão de se3 - Gado de rua, com longas orelhas (foto: asfarasi- rem fracamente constitucantell.com596). ídos, com pernas finas, distrito de Uttar Pradesh. O Mewati é um animal muito resistente às secas. Poderoso no serviço e dócil. Muito utilizado na lavoura pesada, transportes (carroças e carroções), e implementos (tirar água de poços profundos, olarias, etc.). Normalmente, as vacas produzem pouco leite, mas os habitantes insistem em afirmar que é “muito boa” (“A Vaca indiana” - abril-junho, 2006, p. 35). As vacas normalmente têm tetas bem desenvolvidas, com produção entre 900 a 1.000 kg. Descrição - O Mewati é as-

4 - Touro Mewati, lembrando a raça Malvi. (foto: Animal Breeding Group, NDDB)

5 - Mewati, com pelagem de Gir (foto: alamy).

redondas, mas com cascos grandes e fortes, bem arredondados. O peito é profundo, mas as costelas são planas, sem arqueamento. A barbela, embora pendulosa, não é muito espessa. A bainha também é livre, leve, pouco pendente. A cauda é longa, a vassoura quase atingindo os calcanhares, naturalmente. Referência básica: Joshi, N. R., Phillips, R. W. (1953) Zebu gado da Índia e do Paquistão, Estudos Agricultura FAO No. 19, Publ. pela FAO, em Roma, 256 pp.

Orelha & Mansidão Normalmente, animais de longas orelhas, tendem à mansidão. As orelhas são alvos fáceis para os predadores e, então, o orelhudo evita predadores. Nas fugas, as orelhas longas podem se ferir em galhos, porteiras, paredes e, então, o orelhudo evita as correrias. Tornam-se, por isso, mais mansos. Podem surgir animais ligeiros, lépidos, mas a regra é a

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mansidão no andamento. Isso quer dizer que, se o Indubrasil tivesse orelhas curtas, seria bravo? Os fazendeiros não têm certeza, mas dizem que os bezerros de longas orelhas são - de fato - mais dóceis que nas demais raças. Este assunto da Etologia merece um estudo mais amplo, pois alguns acham que a brave-

za é questão de manejo e não apenas de orelhas longas. Será, porém, que o bom martelo não ajuda a bater o prego, mais acertadamente? Que o bom forno não melhora o sabor do assado? Não é à toa que a Natureza fez os cães, gatos e coelhos de longas orelhas - e o Indubrasil - para serem “animais domésticos” muito apreciados pela docilidade e poesia.

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Indubrasil multicolorido ?

Black Indu Cow

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Diz o Padrão Racial da ABCZ: “A pelagem do Indubrasil é branca, cinza e vermelha, uniforme, podendo as extremidades ser escuras. São permissíveis: amarela uniforme; cinza avermelhada e suas nuances; uma ou outra mancha não muito definida ou carregada na cor, nas pelagens: branca, cinza e amarela. São desclassificantes: preta; pintada de preto; manchas no vermelho e no amarelo; sarapintado”. Para se expandir em novos mercados, o Indubrasil pode flexibilizar a coloração? A discussão é aberta, pois em outros países já ocorre a abertura de pelagens. “Um grande erro do Indubrasil, no passado, foi trabalhar com emoção e não com a razão” - lembra Clarindo. Na modernidade, é preciso dar muita atenção à razão, pois o mercado é muito aberto e competitivo. Não há, porém, consenso entre os criadores sobre a pelagem. Henrique Figueira salienta que a multicor seria até natural, uma vez que o Indubrasil foi formado por raças com pelagens bem variadas. Fugazzola acrescenta que o Indubrasil deve se abrir para as novidades, mesmo prestigiando a tradição. “É uma tendência moderna; o multicolorido está no Nelore, no Paint-Horse; em muitas raças; faz parte da modernidade”. Ademais, explica que - quando se cruza

o Indubrasil Vermelho com o tradicional, podem surgir variedades de pelagens, como o amarelo, o pintado com até três cores. É já comum encontrar bezerros com cabeça vermelha, lombo pouco avermelhado, às vezes com manchas. Parece que, no clima tropical, a pelagem multicolorida garante a flexibilidade perante o clima. No clima muito quente, destaca-se a branca; no clima um pouco mais frio destacase o animal mais escuro. Segundo Fugazzola, o clima é o comandante: ele escurece os animais, no inverno; e os clareia no verão. Afora isso, a pelagem é uma regra do Homem, e não propriamente do animal. As pessoas reúnem-se ao redor de uma mesa e ditam um Padrão Racial. Nada impede que se reúnam e mudem o Padrão, para que o animal tenha mais chances mercadológicas. A discussão é aberta. Rodrigo Borges diz: “Não! Não convém abrir. O branco e vermelho são os padrões históricos; não há porque mudar, agora. É um perigo, pois para fazer outra coloração - é preciso misturar com sangue exógeno e vamos perder a tradição, ou seja, podemos perder todo o trabalho que foi feito até aqui”. O Indubrasil, sendo um Neozebuíno, tem a vantagem de poder realizar misturas, em busca de novas pelagens, principalmente se dentro do próprio Bos indicus. Não é preciso deixar de um “zebu puro-sangue” para ostentar toda gama de pelagens. Clarindo Miranda apostrofa: “Não! Não podemos fugir de 100 anos de busca de um padrão. Hoje, o Indubrasil funciona bem sobre qualquer raça e dá certo: cabeça, rabo, orelhas, pelagem. Só a raça pura pode garantir isso. Quanto mais pura fora a raça, melhores serão os descendentes. A discussão de mudar a pelagem não é para agora, mas apenas para quando a raça tiver um enorme rebanho nacional e mundial. No momento, há poucos rebanhos e essa discus-

são é de incrível inutilidade. O Indubrasil não precisa acrescentar novas pelagens para conquistar mercados. Precisa, sim, de mais rebanhos, com ou sem Registro Genealógico. Afinal, quanto mais se abre a pelagem, criam-se nichos de “pets”, ou seja, de bibelôs, animais-de -estimação, mas com pouco a ver com o próprio mercado. Rodrigo Borges também é taxativo: “O Indubrasil já está feito; não precisa fazer mais nada”. Para ter uma nova pelagem seriam necessários mais de 50 anos para fixação: um enorme tempo a ser considerado. Não é discussão para agora. Novo mundo pecuário - Por outro lado, a FAO preconiza que a África terá a maior expansão pecuária do planeta, devendo acontecer até o ano 2050 e lá muitas raças são multicoloridas. O Brasil e a África irão abastecer o mundo com carne e leite. A população africana irá dobrar, constituindo um fabuloso mercado para a pecuária. Esse é um grande terreno para o Indubrasil. Tendo em vista a África e outros países, o Indubrasil poderia admitir variedades multicoloridas? Como já fez o Nelore? Como faz o Brahman? O Sindi poderá importar

HK Mr. America, nos EUA.

Indu Black, nos EUA.

Busy Bee Pedro, nos EUA.

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Diamante Negro

Brahman-male (www.dreamstime.com)

Blac Indubrasil (blackbrahmans.com)

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o Cholistani multicolorido e também terá sua variedade pintada. Assim, o Nelore, o Gir e o Sindi teriam suas variedades pintadas. Todas as raças do Brasil, menos o Indubrasil. Será que, de novo, o Indubrasil vai ficar para trás, por não aceitar a modernidade? Henrique Figueira acredita que o Indubrasil poderia admitir pelagens multicoloridas, pintadas, malhadas, manchadas, lavradas, mas nunca chitadas pois as chitas são características exclusivas do Gir. Ele enxerga uma grande abertura de mercado para os que desejam essas variedades, no Brasil e no mundo. Fugazzola enxerga o futuro: “Os criadores de pequenas e médias propriedades querem um Zebu Leiteiro, que tenha cara de Indubrasil - agregando valor do Gir, Guzerá e do Nelore - não importando a coloração da pelagem. Os selecionadores, sim, continuariam com o Indubrasil tradicional, mas teriam que admitir que outros selecionem variedades de pelagens. Podemos produzir animais multicoloridos e exportar para quem tiver interesse. Temos a “indústria” nas mãos e não devemos deixar que

os concorrentes produzam aquilo que podemos produzir. Alguém irá produzir Indubrasil multicolorido e nós teremos perdido esse mercado. Afinal, não podemos impor sobre o cidadão: cada um cria o que quer. A abertura trará nova gente, multiplicação de rebanhos, para todos os gostos. O Indubrasil é um Neozebuíno e, então, pode fazer da pelagem multicolorida, um trunfo, uma vitória. Clarindo vai longe, lembrando: “Quem coloriu o Nelore não foi para frente. Basta observar quantos novos rebanhos Nelores escolheram o pintado. Hoje são alguns poucos rebanhos para enfeitar porta de sede de fazenda. Como se fosse um capricho do selecionador. Se pelagem multicolorida fosse uma vantagem comercial, o Nelore estaria cheio de coloridos por todo lado, mas não é o que se vê: todo mundo prefere o Nelore branco. Eu sou radical, temos um padrão que sustentou a raça até hoje. O problema do Indubrasil nunca foi a cor, mas algumas características que não se modernizaram, no passado, cuidaram das orelhas, mas se esqueceram dos aprumos, do umbigo, da quartela, das tetas, do úbere, etc. Hoje, porém, os modernos indubrasilistas já têm animais excelentes. Somos vitoriosos e o momento é de conquistar mercados, ao invés de ficar inventando modismos”. A pelagem monocolorida é uma conquista, para facilitar a seleção. Não há motivo para complicar o que é fácil. O Padrão descreve: “do branco ao escuro, mas tudo definido”. Não convém aprovar medidas que levem a um retrocesso. Existem muitos depoimentos de Indubrasil negro. Clarindo diz: “Eu vi Indubrasil a 10 graus negativos, nos Estados Unidos (fazenda de James Clean, Texas/Oklahoma), onde haviam animais totalmente pretos, como defesa diante do gelo. Também vi Indubrasil a 58 graus, na Tailândia (fazenda

Rsiamindu (board.kobalnews.com)

Spotted cow (blackbrahmans.com

do Sr. Narong, ministro no país) são vantagens de adequação. O norte-americano, porém, é o “rei da mistura”, não se importa com raça-pura, ao usar o Bos indicus. Isso porque o Bos indicus é um “adendo” e admite toda sorte de variações. Já nas raças continentais (Hereford, Holandês, etc.) o norte-ame-

Spotted cow (blackbrahmans.com)

ricano não admite mudanças. O maior exemplo é o Holandês Vermelho e Branco que não é aceito na maioria dos países. Para sorte do HVB o Brasil o acolheu e tem o maior rebanho do planeta, embora a presença do HPB é maciça. Ou seja, o HVB nunca conseguiu um lugar de grande destaque, mesmo no Brasil. A Filogenia ensina que não havia Bos indicus multicolorido, inicialmente. O Gir buscou sua pelagem multicolorida na África; o Nelore buscou nos antilopogíneos; o Cholistani foi formado por adoção da pelagem multicolorida do Gir.

Tailândia firma-se como comprador de Indubrasil Normalmente, animais de longas orelhas, tendem à mansidão. As orelhas são alvos fáceis para os predadores e, então, o orelhudo evita predadores. Nas fugas, as orelhas longas podem se ferir em galhos, porteiras, paredes e, então, o orelhudo evita as correrias. Tornam-se, por isso, mais mansos. Podem surgir animais ligeiros, lépidos, mas a regra é a mansidão no andamento. Isso quer dizer que, se o Indubrasil tivesse orelhas curtas, seria bravo? Os fazendeiros não têm certeza, mas dizem que os bezer-

ros de longas orelhas são - de fato mais dóceis que nas demais raças. Este assunto da Etologia merece um estudo mais amplo, pois alguns acham que a braveza é questão de manejo e não apenas de orelhas longas. Será, porém, que o bom martelo não ajuda a bater o prego, mais acertadamente? Que o bom forno não melhora o sabor do assado? Não é à toa que a Natureza fez os cães, gatos e coelhos de longas orelhas - e o Indubrasil - para serem “animais domésticos” muito apreciados pela docilidade e poesia.

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O gado bom, ou o gado melhor

muito, mas não dá para comparar o nível de seleção, por enquanto. Faltam animais, faltam criadores, já reduzimos muitas características negativas, mas não fizemos tudo. O criador de Indubrasil não deve se preocupar em ser o maior, pois há coisas mais importantes, como a precocidade, a qualidade da carne, etc. O progresso rumo ao futuro é visível, pois o moderno Indubrasil já é um pouco mais baixo do que os antigos. A vantagem do Indubrasil é que ele agregou o que havia de melhor

Bom no seco, bom no verde.

O mundo é torpedeado com frases como: “o maior produtor de carne é o Brahman”; “o bovino mais eficiente é o Nelore”; “o mais versátil é o Guzerá”; “o maior é o Indubrasil”, etc. Nenhuma acumula as virtudes e seria ótimo se fosse possível dizer: “o mais versátil, eficiente e de maior porte é o Indubrasil, campeão produtor de carne”. Por que isso não é possível? Todas as raças inventam refrões, slogans, para sua propaganda, mas todas sabem que o melhor caminho é o do meio. Os extremos são inimigos da perfeição. Quando o animal é “ótimo”, então é inimigo do “bom”. Os extremos acarretam subfertilidade, queda de rusticidade, perda em acabamento, no correr do tempo. O Brahman tem fama, como raça, não como indivíduo. Os Es-

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tados Unidos são o maior produtor de carne e não, necessariamente, o Brahman. Na média geral, o Nelore e o Indubrasil pesam mais, em carne limpa. Nas exportações de carne para a Venezuela, oito frigoríficos abateram mais de 1.000 cab/dia; mais de 54 mil toneladas de carne. Muita gente dizia que o Nelore nunca chegaria ao Brahman, em carne. Quando viram as planilhas dos frigoríficos, os Nelores foram pouco melhor que o Brahman em rendimento de carcaça. O Nelore teve 52,2 % e Brahman deu 51,8%. O Zebu tem menos carne no dianteiro que europeu, mas tem mais no traseiro. Isso é um trunfo. O que interessa é o comprimento das peças, significando filés e contrafilés maiores. Um Chianina com carne seria

ideal; é o maior e mais alto do planeta, mas não é o maior produtor de carne. O boi não precisa ser grande, nem pequeno, mas produtivo. Às vezes, é grande produtor de carne, mas não é o mais lucrativo, pois consome muito. O mais lucrativo é o que gera receita maior que a despesa. Interessa a produção “econômica” da fazenda e não o gigante. A receita é: maior produção, em menor tempo, num ciclo de tempo, com economicidade. Também é importante observar o resultado da boiada no campo: não adianta criar animais que comem com cinco bocas, ou seja, a própria boca e mais as quatro patas que estragam o capim. Rodrigo Borges diz que o Indubrasil não tem a precocidade que outras raças têm. Já melhorou

no Nelore, Guzerá, e Gir. O Nelore entrou com a habilidade materna; o Guzerá entrou com o arqueamento das costelas e a rusticidade; o Gir com o leite. Por ser um Neozebuíno, a seleção do Indubrasil será eterna, sempre melhorando, ou adaptan-

do alguma coisa à região, ou situação. O Neozebuíno é maleável, pois tem o sangue de três raças. Hoje, a habilidade materna já foi bem corrigida: tamanho das tetas, tamanho dos bezerros, firmeza do bezerro ao nascer, umbigo, etc. O bezerro nasce com 30-34 kg, e em 5-20 minutos já levanta, de 30-60 minutos já mama. Um grande progresso. Henrique Figueira deixa claro que “tamanho não tem tanta relação com precocidade. Nesse momento, é mais importante para o Indubrasil prestar atenção à precocidade, qualidade e rendimento de carcaça, do que no tamanho.

Afinal, a ciência já provou há décadas que o peso exagerado ao nascer é prejudicial. Por isso, o Angus colocou no Padrão Racial que o animal deve nascer ao redor de 25 kg e disparar no crescimento já fora do ventre materno”. Também lembra que o grande porte, não raramente, está relacionado com pouca longevidade e produtividade na idade adulta. “Não há mais motivo para elogios ao grande porte, pois o mais importante na pecuária é a visão empresarial, é o lucro e, para ele, é importante cortar custos desnecessários e, em boa parte, o grande porte é apenas custo” - conclui.

Indubrasil chitado é Grande Campeão A exposição “Michigan State Fair” teve início no longínquo 1849. Cabe lembrar que, no Brasil, a primeira foi a Exposição Comemorativa da Abertura dos Portos, em 1908. Michigan tem, portanto, uma enorme tradição. Em 2013, a Exposição passou a ser gerenciada pela iniciativa privada. Em 2014, a Exposição teve número recorde de expositores de gado. A grande novidade foi que o Campeonato Entre Todas as Raças foi um touro e uma vaca da raça Indubrasil. Para os brasileiros, que já aboliram o Grande Campeonato Entre Todas as Raças, pareceria muito estranho, pois o Campeão é chitado, embora com as longas orelhas do Indubrasil. (foto: Brahman Journal)

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Cruzar o Indubrasil com o quê ? Historicamente, nas décadas de 1940/50/60 o ventre mais utilizado foi do Indubrasil, prestigiando touros Nelores. Agora já acontece o inverso: touro Indubrasil sobre vacas Nelore. A situação mudou, melhorou e o Indubrasil tem grande contribuição a dar à pecuária de campo. Rodrigo Borges lembra que a cria do gado anelorado com touro Indubrasil será ótima, de maior, muito rústica, menos andeja, com boa precocidade. Clarindo Miranda acha que o correto foi o que aconteceu no passado e que deu tanta fama para o Nelore: o uso de touro Nelore sobre vaca Indubrasil. O resultado é espetacular, mas hoje não há mais fartura de rebanhos de ventres Indubrasil. Por isso, o jeito é usar touro Indubrasil sobre vaca anelorada. O uso contínuo vai formando vacadas esplêndidas, no Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul,

goiás, Sertão nordestino, sertão mineiro, etc. Muitos criadores de gado de corte mantêm um pequeno lote de vacas Indubrasil para fazer próprios touros. São vacas excepcionais, orelhudas, com muito couro, ossatura forte e boa aptidão leiteira para as crias. Uma das vantagens é que o touro pode ser alternado entre os lotes, antes de chegar à idade de descarte. Economicamente o ventre Nelore é mais producente, mais barato, mas qualquer receita utilizando Indubrasil vai dar certo. Na verdade, depende da logística, ou seja, da região e da situação onde está a propriedade. O que determina a escolha do gado correto é o pedaço do céu acima da cabeça e o pedaço de chão abaixo dos pés. Rodrigo Borges afirma que o Nelore é um gado fácil de parto, de criação, de bezerros firmes e saudáveis. O touro Indubrasil garante

progênies de maior porte, ossatura forte, maior produção de carne, sem perder a rusticidade. Novas alternativas Alguns pecuaristas vão alternando as raças zebuínas na vacada de corte: ora usam o Indubrasil e suas filhas serão acasaladas com Guzerá. Depois retorna o touro Nelore sobre as netas. Existem muitas receitas praticadas nos campos brasileiros e, por isso, o país já é o maior exportador de carne. Brevemente será também o maior produtor. Henrique Figueira acha que ainda vai durar um bom tempo o uso do touro Indubrasil sobre vacada anelorada, pois é a única que exibe ventres disponíveis para os cruzamentos. “Os resultados são muito bons e, então, a maioria vai continuar investindo nessa direção” - conclui.

O gado Indunel (Indubrasil + Nelore) é muito lucrativo.

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O Indubrasil e o desempenho no gancho Indunel - Um lote de novilhos gordos, meios-sangues Indubrasil/Nelore chama sempre a atenção. “É um gado maravilhoso, um brahmanizado”, cheio de carne. Clarindo Miranda diz que o meiosangue é maior que os pais, ou seja, maior que o Nelore e o próprio Indubrasil, com rendimento ao redor de 55% a 55% de carcaça. Afirma, categoricamente, que o meio-sangue obtido de ventre Nelore é um pouco inferior ao produto obtido com ventre Indubrasil. Por isso, muitos criadores de Nelore estão adquirindo vacas Indubrasil, ou fortemente indubrasiladas, para melhorar o peso dos lotes de novilhos. Fugazzola mantém a tradição do avô e do pai, criando Indubrasil, Nelore e Gir. Paga as contas, enviando lotes de novilhos para abate, regularmente. “São animais de campo, naturais, sem qualquer artifício”, garante. A planilha do dia 23 de julho de 2015, de sua Fazenda Amazonas, em Naviraí (MS), mostra 31 novilhos, com idade média de 33 meses, rendimento no gancho de 54,0%, peso médio de 529,23 kg, ou 19,05 arrobas. Desmama - Outra planilha mostra os nascimentos entre setembro e outubro de 2012, des-

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mamando as crias em julho de 2013. Eram 41 fêmeas, com peso de 215,4 kg. A planilha de machos, de novembro e dezembro de 2012, desmamados em setembro de 2013, soma 30 animais, com peso médio de 202,4 kg - menos que as fêmeas. “São planilhas re-

O Indubrasil em vacada Nelore.

alistas, do que está acontecendo no campo”, lembra Fugazzola. “Não adianta fantasiar, pois este é o dinheiro que leva a propriedade adiante” - finaliza. Clarindo Miranda cita animais sendo desmamados, aos 6 meses, em cocho privativo ( “creep-

feeding”), pesando 210-220 kg, na Bahia. Indulando - Os Indulandos, na desmama, pesam entre 270-280 kg, aos 9 meses - afirma Rodrigo Borges. Clarindo lembra que os pesos do Indulando superam folgadamente o Girolando. Muitos machos Indulando são utilizados sobre vacadas leiteiras em pequenas e médias propriedades, para melhorar a ossatura e peso da novilhada. Mestiço europeu - Rodrigo Borges diz que não há necessidade de abater animais antes dos 30 meses. Há uma tendência de usar mais tecnologia e reduzir a idade de abate, mas por enquanto não tem compensado. O próprio gado anelorado é abatido entre 24 a 36 meses. O uso de touro europeu (Limousin, Charolês, Aberdeen Angus, etc.) pode reduzir a idade de abate, pois os novilhos apresentam acabamento já a partir de 15 meses. A rigor, no Brasil, a média é o novilho comum, de pasto, atingir 17 arrobas é aos 24 meses. “Se alguém disser que tem boiadas pesando 17 arrobas antes de 24 meses estará mentindo” - finaliza.

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Os 10 Mandamentos na hora de comprar um Indubrasil O comprador está na porteira. O que será que ele irá escolher? Quais são as prioridades do comprador? Afinal, o que o comprador mais deseja encontrar no lote onde vai escolher

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seus futuros animais? Em casos de exportações, muitas vezes, os compradores querem animais de acordo com seu estágio cultural. Então, podem preferir animais com ca-

racterísticas raciais acentuadas, como o comprimento de orelhas e “gavião”. A tabela mostra a ordem anotada pelos criadores de Indubrasil em seus currais.

A maratona do leite de Zebu Quando uma região atinge um bom desempenho leiteiro, o Governo desestimula o uso de Zebu e estimula o de Taurino (Holandês, Jersey), como em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Esse cenário pode mudar? As opiniões são muito divergentes, entre economistas, políticos e pecuaristas. Henrique Figueira afirma: “Claro que pode mudar. Tudo pode mudar, na vida. Na verdade o que todos buscam é produtividade com lucratividade e sustentabilidade. Sem isso, qualquer negócio vai morrer”. Fugazzola acha difícil mudar: “Acho que não vai mudar, pois o Governo tem a mídia a seu favor e divulga ao povo que está acontecendo um melhoramento da produção, o que realmente acontece. A produção aumenta, mas o número de produtores despenca. Só no Paraná foram mais de 40 mil. Entre São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, talvez 200 mil. Então, o Governo prejudica pequenos e médios criadores, mas favorece os consumidores urbanos e os oligopólios do leite. É uma aberração política, pois liquida milhares de empregos rurais. Resumo: o mesmo Governo diz que defende os pequenos produtores, mas está favorecendo os grandes laticínios”. Antigamente, em cada cidade havia um laticínio; mas todos foram fechados, para abrir caminho para os oligopólios do leite. O fato é que o Governo ainda não assumiu o Brasil real. O leite das pequenas e médias propriedades é leite rico em proteínas, mas o Governo estimula o leite de gado taurino, com excesso de ração, hormônios, e confinamento. Isso é muito ruim para a população que sequer é avisada. O Governo, ao invés de esti-

Latão de leite (Embrapa)

mular um modelo brasileiro, optou pela importação do modelo europeu. O resultado é a contínua importação de animais que chegam ao Brasil, já com artrites e outras doenças. Depois, as vacas mal conseguem andar, ficam em galpões específicos, arejados, com a única função de produzir leite. São animais doentes, caquéticos, num clima tropical, produzindo um leite que também causa malefícios à saúde humana, durante três ou quatro lactações. Em poucos anos, são animais liquidados, destruídos. Esse é o modelo europeu, enquanto no Brasil, a vaca Zebu leiteira vive mais de quinze anos, em lactação.

Mestiços de Indubrasil, bom de leite e de carne.

Leite de alta teor de sólidos, ideal para queijos.

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Antigamente, o leite era algo precioso, de gado Zebu, todo mundo bebia, sem preocupações, mas hoje, o gado europeu introduziu 180 doenças no Brasil, incluindo a alergia ao produto. Muitos médicos já condenam o uso do leite fluído, nas cidades, quando deveriam condenar apenas o leite de vacas equivocadas! Insistir no modelo europeu é burrice política com ares científicos; é tirar dinheiro dos brasileiros para entregar a empresas multinacionais. Os bancos financiam essa tolice científica há muitas décadas e também não aprenderam. Mais de 50% do sêmen utilizado

subir. Muita gente vai consumir lácteos, ao invés de leite fluído”. Os dois leites

A Nova Zelândia descobriu o caminho, para benefício do produtor: produção de “leite fluído” - com Ordenha manual nos pequenos e médios rebanhos. gado taurino - e “leite indústria” com gado mais rústico. O mesmo “modelo” poderia ser aplicado no co o melhor seria ordenhar o Zebu Brasil. Os laticínios, hoje, pagam puro. Na maior parte do Brasil adum “extra” para o teor de sólidos, mite o meio-sangue; mas jamais mas poderia ser muito melhor. subir para 3/4 europeu. Algumas Fugazzola afirma: “A Nova Zepoucas regiões podem admitir o lândia achou seu caminho, que já 3/4 e até o 7/8. Cada região climáé utilizado no Nordeste brasileiro tica tem sua própria solução: ficar há muito tempo. O Brasil criou fugindo dela é tolice. O Governo sistemas próprios, erra, tremendamente, ao subjugar em Minas e São o produtor de leite, algemando a Paulo, com bezerprodução. ro ao pé, durante Clarindo Miranda afirma que os 500 anos desa Economia da Nova Zelândia é de o descobrimencompletamente diferente da brasito. Mudar esse leira. O leite fluído ainda vai funregime é um equícionar por muito tempo. O leite voco; é prejuízo de caixa (longa-vida), em superpara o fazendeiro. mercados, sofre com a deficiência Uma vaca rústica de refrigeração e transportes. O produz o valor de Brasil está dando adeus ao leitetrês bezerros ao de-latão. ano, ou seja, proO pequeno produtor que não duz o leite, a carne consegue se adaptar, vai produe o esterco. Nada zir queijo, por algum tempo, mas melhor que isso. logo irá desistir. Seus filhos não Tudo sem venegostam de ver a pobreza dos pais Vacas de bons úberes, nas linhagens selecionadas. nos. O leite de Zebu e, então, desistem do trabalho, mino Brasil é importado para vacas tem acima de 4,5% de sólidos: gram, transformando-se em mãoleiteiras europeias: um absurdo. uma riqueza; já o gado Holandês de-obra barata para as cidades: Rodrigo Borges diz: “Isso não mal chega a 3,0%”. um formidável desperdício da poirá mudar, pois a Genética necesRodrigo Borges lembra que a tencialidade rural. sária à produção de leite é muito maior parte do leite vem de mesHenrique Figueira informa que cara e o Governo escolhe o camitiços, no resto do nho político, não se importando Brasil. A “geogracom os produtores. Ao Governo fia pecuária” está interessa o leite, já fora das portraçada. Onde a teiras. As terras tornam-se muito rusticidade é exigicaras e, para manter a pecuária, da, produz-se leite o gado precisa ser altamente procom mais sólidos. dutor, acima de 25 kg de leite/dia. No Brasil Central, Então, só mesmo taurinos. As tero leite é produziras mais frias serão, sempre, do do por mestiços gado Holandês”. abaixo de 3/4 de Clarindo Miranda diz que há alsangue europeu. ternativa: “A tendência é melhorar No Brasil catina higiene e o preço do queijo vai gueiro e amazôni- Manejo leiteiro típico na maioria dos currais sertanejos.

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Vacas Indulandas, de alto valor genético.

“existe uma gama de possibilidades a serem exploradas pelo leite de Zebu. Existem pesquisas a respeito disso. O leite de Zebu pode ser usado até como remédio, em certos casos. O leite do Indubrasil é rico e pode ajudar nas contas das fazendas. É preciso aproveitar tudo que a pecuária pode dar”. Manejo leiteiro tropical O normal é produzir 70% do leite na primeira ordenha, com apenas um funcionário. Depois, soltam-se os bezerros com as vacas. O funcionário terá, então, mais sete horas para a lavoura e outros trabalhos. Se implantar a ordenha da tarde, para somar mais 30% do leite, irá precisar de um novo funcionário. O custo do novo funcionário inviabiliza a propriedade

que, logo a seguir, terá que optar: ou leite com vacas taurinas, ou lavoura. O tropicologista Preston, analisando o assunto, concluiu que a melhor opção é a criação de vacas que produzam entre 3,5 a 7,0 kg de leite com alta porcentagem de sólidos. O cientista diz que podese liberar o leite de domingo, para poupar o funcionário. Ou seja, a propriedade de clima rústico não pode ter vacas de alta produção de leite fluído. Preston afirma que - ao aumentar a produção de leite para 15, ou 20 litros/dia por vaca - a qualidade da renda (relação pasto/grãos, etc.) despenca. O caminho, portanto, estaria numa exploração racional do gado tropical, o Zebu, mas isso exige postura política. Hoje, com alta tecnologia, a

Donzela do Cassu - Grande Campeã, Matriz Modelo, e no Torneio Leiteiro, Expozebu/2013. Atingiu 39 kg.

família (pai e filho na ordenha), consegue a média de 800 a 1.000 litros/dia. Depois, ambos trabalham nos campos. A média é de 50 vacas, com pasto rotacionado e suplementação (silagem milho e ração). É comum ver boas fazendas com manejo autossustentável, vivendo de lavoura-pecuária, rebanho de 90 cabeças em 40 hectares e, ainda, arrendam áreas para soja. Sem tecnologia, não há chance de sobrevivência. O antigo tirador de leite, de 100 vacas, não consegue manter duas filhas na faculdade, ou pintar a casa a cada 5 anos. Para incorporar alta tecnologia, irá atender os laticínios, com leite fluído e, então, o Zebu fica para escanteio, cada vez mais. Fugazzola afirma que um dos problemas são as despesas particulares, na cidade. Aqueles que moram apenas na fazenda, sobrevivem. É um modelo de vida, otimizando a economia com a existência humana, sem ambições inúteis. O filho vai para a escola urbana, tem sua época de ser doutor, depois retorna para o campo, em busca de melhor “filosofia de vida”. Então, o Zebu leiteiro é o equilíbrio da existência simples, poética, frugal, mas feliz. A vaca leiteira Rodrigo Borges lembra que o Zebu, como o Indubrasil, sempre irá produzir carne e leite. Uma boa vaca pode pesar até 800 kg e produzir 30 kg de leite. Ou seja,

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a vaca Zebu é formidável chance de riqueza. Cita a famosa “Donzela do Cassú, com 39 kg em 24 horas, pique em sua 3a. lactação. Também lembra a recordista mundial, “Bela do Cassu”, com 46 kg (Torneio Leiteiro da Expozebu), na 2a. cria, com 5.048,4 kg e lactação ainda em andamento. O Zebu pode produzir leite: basta o Governo permitir. Clarindo Miranda diz que não dá para acreditar em Indubrasil Leiteiro, nem em Zebu Leiteiro, no atual regime globalizado. Se uma parte do Brasil tem condições para criar vaca europeia, então logo estará exportando leite para outros países. Nenhum empresário rural irá ordenhar vaca Zebu se pode

Boa habilidade materna.

ordenhar vaca europeia. Clarindo afirma que “até pode haver Zebu Leiteiro, mas sempre será exceção dentro do mercado, pois o produto final que enche o balde será o cruzado”. A valorização das terras, a redução do tamanho das propriedades, obriga o produtor a procurar vacas de alta produtividade e ele acaba optando pelo gado europeu que tem os bancos à disposição. Mesmo assim, o Zebu continuará influenciando a maioria das propriedades leiteiras. Essa influência é visível. Clarindo diz que a influência do Indubrasil é nítida nos cruzados leiteiros. “o animal

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gente muito rica tinha 500 vacas de leite.

meio-sangue tem a orelha abaixo do olho; o animal 5/8 na altura dos olhos e o 3/4 acima dos olhos - quando o animal está em estado de alerta”.

A carne que vem do leite

O futuro do leite de Zebu no mundo O gado taurino tem já 300 anos de seleção leiteira e o Zebu está apenas começando. Rodrigo Borges é taxativo: “Não vejo futuro para o leite de Zebu, no mundo. O que se diz como “leite de Zebu”, na verdade, é de mestiços. Ora, o mesmo Zebu que produz um mestiço leiteiro também irá produzir outro para abate. O Zebu puro-sangue jamais será capaz de abastecer cidades, no atual regime político e econômico. A Índia mantém o Zebu, ao lado de búfalos, e o resultado é uma imensa pobreza. Clarindo Miranda afirma que “o Zebu puro não tem vez na produção mundial de leite, mas é o Zebu, no entanto, que produz os cruzados para leite”. Num regime sofisticado, a vaca é europeia; num regime menos sofisticado, a vaca será mestiça; num regime mais rústico, a vaca será Zebu. O que determina a “vaca correta” é a região e a situação. As boas terras, de clima ameno, utilizarão o gado europeu; já as terras mais fracas permanecerão com o Zebu. O leite de Zebu, por ser rico em sólidos, vem de uma vaca que, biologi-

camente, nunca irá produzir muito leite. Quanto maior for a produção leiteira da vaca, menor será a produção de sólidos. Para transformar a vaca Zebu em produtora de leite fluído seria necessário mudar sua estrutura orgânica. Seria desmontar o que a Natureza levou milênios para fazer. Henrique Figueira é taxativo: “Toda zona tropical e também a temperada precisa do Zebu para produzir, satisfatoriamente. O Zebu não é apenas uma máquina leiteira, é uma ferramenta de bem -estar social, é fixador de população no campo, gerando renda e felicidade. Para nossa vantagem, o Indubrasil é a raça zebuína com maior capacidade de adaptação a altas e baixas temperaturas, como se pode analisar a história da raça nos Sertões nordestinos e nos Pampas gaúchos, bem como nas pré-florestas da Amazônia. É gado ideal para pequenas e médias propriedades”. Fugazzola é otimista: “Diz um antigo provérbio indiano que uma vaca Zebu no quintal da casa é sinônimo de vida longa. Hoje, a moderna ciência comprova a verdade do provérbio. Na época do café-

com-leite, o custeio fundamental da fazenda era pago pelo leite. Continua assim na maior parte do Brasil. É o “caixa” mensal, ou semanal, com o leite, o valor da cria e o esterco. O sistema permitia até o plantio de “lavouras brancas” (arroz, milho, mandioca), tudo baseado no dinheiro do leite. O resto da renda era para aumentar o patrimônio, ou seja, para comprar novas terras. Naquela época, só

O que vale mais: o leite no balde, para consumo humano, ou o leite transformado em carne, pelo alto peso do bezerro na desmama e, depois, aos 12 meses? O Brasil é um dos grandes produtores de carne, mas esconde o fato de que mais de 30 milhões de vacas leiteiras produzem machos que vão para o abate, com bom peso. Mais do que em muitos países. Então, a pecuária leiteira tem muito a ver com a produção de carne. Henrique Figueira salienta: “Existem muitos lugares, eu diria até que se trata da maioria de propriedades brasileiras e em muitos países, que precisam de uma vaca que seja boa de leite e, ao mesmo tempo, possa produzir animais que

sejam aproveitados para o corte. É excelente maneira de complementar a renda da fazenda. Também nas regiões longínquas, há muitos pecuaristas de corte que mantêm um lote de suas vacas mais leiteiras somente para produzir algum leite fluído e bastante queijo, para vender na cidade. São pecuaristas de corte, mas não excluem a chance de somar algum dinheiro produzindo leite e queijo para seus funcionários e até para o comércio. Então, o mercado para o leite é muito vasto, no mundo tropical e semitemperado”. Concluindo, Henrique lembra: “É bom afirmar que, consultando o IBGE, é fácil verificar que todos os dados de leite do Brasil estão referidos a poucas centenas de laticínios e coletores de leite. Na maioria das cidades brasileira, nem laticínios há. No resto do mundo acontece a mesma coisa. Então, o mercado para vaca rústica leiteira é muito grande e isso não vai mudar facilmente. Essa é a vaca de dupla aptidão, especialmente Zebu”.

Avaliação Genética do Indubrasil O resultado divulgado pela ABCZ dos últimos levantamentos estão nas Figuras abaixo. Peso no Sobreano - No cômputo geral, o Indubrasil

Figura 7 - Tendência e médias genéticas da raça Indubrasil para peso no sobreano

Idade ao Primeiro Parto O melhoramento é evidente, nos últimos anos, mostrando o esforço dos criadores na

vai melhorando o peso ao Sobreano. Por ser raça que está presente no clima Semiárido e também no extremo frio - no Brasil - os dados refletem as

variações que acontecem, em épocas diferenciadas no correr do ano. No geral, porém, a raça vai progredindo, firmemente.

Figura 8 - Tendência e médias genéticas da raça Indubrasil para idade no primeiro parto

aplicação das boas regras da Zootecnia. O Indubrasil destaca-se pelo pequeno intervalo entre a máxima e mínima: in-

dicando que desde o início das avaliações esta já era uma característica muito elogiada na raça.

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O Indubrasil e o boi que o mercado está querendo

Hoje, o mercado quer o animal “lucrativo”, para ser mantido num regime sustentável: isso é a moderna pecuária, em que o Indubrasil tem relevante papel.

O mercado mundial está querendo um animal de “grande porte” e “grande massa muscular”. Com o surgimento de tecnologias, os países desejam um animal precoce, de bom acabamento, tanto em carne como em leite, que seja produzido com sustentabilidade, ou seja, sem estragar o ambiente. Em resumo: a Economia quer maior produtividade, em menos tempo, em menor área, com progênies semelhantes. 1) Será um tipo de Brahman? - Rodrigo Borges afirma que o animal mundial terá uma fisionomia de um cruzado entre Indubrasil e Brahman, já visível nos Estados Unidos, Austrália e outros países. “O Indubrasil aumenta o porte, dá rusticidade. O Brahman dá acabamento de carne” - conclui. Clarindo Miranda diz que, na Colômbia, o Brahman é menor que o do Brasil; já nos Estados Unidos, em média geral, é maior, mas tem nítida influência de taurinos. O Brahman mundial é uma colcha de retalhos; admite influências exógenas até hoje. O Brahman tem o mesmo problema que o Indubrasil, ou seja, faltam fêmeas no mercado. Clarindo afirma que “o Indubrasil vai subir, cada vez mais, ocupando espaços que foram do Brahman, em muitos países”.

2) Será um misto de várias raças Zebu? - Fugazzola afirma que será um Neozebuíno, com características brasileiras. Nem baixo, nem alto, nem muito arqueado, com as qualidades já aprovadas pelos brasileiros. Pode ser produzido através do PMGZ - CCG. Cabe aos indubrasilistas chegar a esse animal, rapidamente, pois é a raça que tem maior variedade genética já estabelecida. As outras raças estarão no começo (Gir, Guzerá, Nelore), tentando produzir aquilo que o Indubrasil já é. O animal do futuro poderá variar conforme a região, deverá ser ecologicamente correto, ou seja, terá mais pelos no Sul; mais barbela no Nordeste; mais glândulas sudoríparas na Amazônia; mais carcaça no Sudeste e Centro-Oeste, etc.). Enfim, será um Indubrasilado, com cara de Marta Rocha e Lampião - somando todas as versatilidades exigidas. Rodrigo Borges diz que será um produto cruzado, comum, de tipo produtivo bem reconhecido, mas sem fixidez racial. Clarindo diz que é questão de cuidado: a tendência do mercado é obter resultados mais uniformes. Se misturar raças, os resultados não serão uniformes; o meio-sangue sempre é espetacular, mas não há sequência. Além disso, a vaca precisará de leite para a cria, para

O Indubrasil é compatível com todas as realidades brasileiras.

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melhorar a economicidade do empreendimento. 3) Será uma raça independente? Fugazzola lembra que, antes, havia o rebanho sudestino puxando para o Brahman e o nordestino puxando para o Guzerá. Ficando no caminho do meio (Centro-Oeste) evoluiu em todos os sentidos. Seria um Indubrasil “moderno”, com flexibilidade para todas as alternativas econômicas e ecológicas possíveis. Raça única e unida, com incrível variabilidade genética, invejável. Clarindo conclui que os criadores tenderão a utilizar a ABCZ, que já tem estrutura montada, com visitas periódicas e programadas às fazendas. No futuro, irá assumir os Registros do Girolando, Guzolando, Indulando e outras variedades, ecótipo, ou raças, pois tratase de questão de Economia, e não apenas de Zootecnia.

Nos sertões, o Indubrasil é bem visto.

Conclusão Henrique Figueira conclui: “O mercado pecuário já evoluiu; não há mais tanta gente procurando animais de grande porte. No mundo moderno, tempo é dinheiro; pecuarista não viaja mais a cavalo, mas de caminhonete. Não adianta ter um rebanho com vacas enormes que só vão parir de 24 em 24 meses - sendo otimista. Ninguém mais quer isso. Vaca tem que parir todo ano, se possível. Ninguém mais quer um touro, no campo, pesando 1.000 kg. Isso é o “peso potencial”, ou seja, o peso para ser exibido em exposições, mas não é o “peso prático”, do dia-a-dia, em trabalho, no campo. Touro

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Nos Cerrados, o Indubrasil tem lugar apreciado.

A pelagem vermelha tem muitos adeptos.

acima de 1.000 kg não dá conta do recado, não consegue andar atrás das vacas, não suporta o calor, além de outros problemas. Touro grande é crendice do passado; teve seu tempo; teve seu mérito; mas hoje é carta fora do baralho. Touro grande só serve para propaganda”. O mercado não admite mais a o “fancy cattle”, ou “gado-fantasia”, grandalhão, para encher os olhos, mas que não consegue encher o bolso, se colocado no campo. Não adianta ter um rebanho de animais que necessitam de muito volume e riqueza de alimentação. Afinal, o Zebu, se tratado de maneira artificial, acabará dando uma resposta equivocada: ele é um animal de campo e ali deve ser observado. Ficar observando Zebu em cocheira é uma anomalia, obsessão do passado, tarefa dos antigos mascates que tinham que preparar os animais para a venda. Hoje, tudo é diferente: o mercado compra lotes inteiros, analisando números de desempenho. O mercado quer análises de “massa muscular”, qualidade de carne, precocidade de carcaça, precocidade sexual, precocidade de acabamento: são fatores modernos, que interessam ao mundo inteiro. Henrique Figueira acha que “o Indubrasil tem que se filiar, rapidamente, a tudo isso, pois é exatamente o que o mercado está querendo, cada vez mais”.

Bainha do Indubrasil - uma reflexão

Bainha ideal

Bainha aceitável

Bainha indesejável (Bainha (Foto: dpi.nsw.gov.au)

Bainha rejeitável

Antigamente, o Zebu vitorioso tinha que ser o oposto do gado europeu, que sucumbia diante do calor e dos carrapatos. Muita gente reconhecia a “pureza” do Zebu pela quantidade de couro, pois o gado europeu era atarracado, sem couro, com orelhas também curtíssimas. O Zebu tinha que ter muito couro e, então, as orelhas muito longas eram um elogio no animal grandalhão. Também o umbigo era sinônimo de “mais área”. Mais tarde, o Brasil adotou o capim Colonião e começou a desbravar terras longínquas. O Indubrasil retraiu-se, nas terras antigas de capim Jaraguá, enquanto o Nelore, mais barato, podia ser enviado para o papel de “bandeirante”. Para valorizar a nova tendência, as acusações contra o “velho gado” ganharam força: o grande tamanho era típico de gado subfértil; a gran-

Bainha condenável

Bainha com prolapso

de altura indicava um animal inadequado; as orelhas longas eram alvo de predadores; o umbigo longo era cenário de muitas infecções; as crias nasciam molengas, exigindo cuidados. O umbigo longo foi adotado como bandeira para os críticos interessados na demolição do Indubrasil. As fêmeas foram utilizadas em cruzamentos com Nelore. O Indubrasil perdeu o trono de “imperador”. Hoje, a pecuária evoluiu e todos querem um umbigo corrigido (de curto a médio), com ângulo correto. Não adianta o animal ter um umbigo curto e pendular; a angulação correta é importante. Paradoxalmente, com a ascensão do Gir leiteiro, os currais passaram a disseminar as crendices do passado. É comum escutar que “umbigo comprido é característica de leite”. Assim, o umbigo comprido está de volta, principalmente nos currais leiteiros. O Indubrasil, porém, aprendeu a lição. Não há mais Indubrasil com umbigo abaixo dos jarretes. O Indubrasil vai melhorando, rapidamente, enquanto outras raças fazem de conta que não enxergam os umbigos crescendo, talvez devido aos cruzamentos. Clarindo Miranda diz que é visível o “pioramento” do umbigo, no Nelore e no Gir, sobrando também para o Guzerá. Estas raças já deveriam ter abolido, definitivamente, o umbigo longo, mas estão admitindo o encompridamento, estranhamente. Fugazzola vai longe e diz que o Indubrasil já reduziu o umbigo. “Nas pistas de Exposições, o Indubrasil ganha de muito Gir, de muito Guzerá e

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até de um bocado de Nelore”. Proclama: “Eu topo o desafio, com meu gado. Todos os indivíduos com umbigo classificados entre 1 e 3, ou seja, 50% do trajeto até o jarrete”. Rodrigo Borges diz que, hoje, não há mais umbigo lon-

go, na fazenda. No cenário nacional, segundo ele, o melhoramento do Indubrasil foi acima de 90%, em termos de comprimento de umbigo. Clarindo lembra que o problema não é apenas o comprimento, mas também o pro-

lapso. “Já está começando no Nelore; cada ano surgem mais animais com prolapso, mesmo com umbigos curtíssimos. O prolapso é um problema muito grave. É mais fácil curar prolapso de umbigo longo do que de umbigo curto” - conclui.

As perspectivas do Indubrasil

Indubrasil Vermelho em destaque Os Estados Unidos comenta que há uma “febre vermelha” no gado Brahman (Albert Banuet, em

“A epidemia do Red Brahman”, revista Brahman Journal, 30 de abril, 2015), em grande parte promovida

Você sabia ... ? ... que a moderna pecuária deseja a maior produção possível no menor espaço de tempo, com melhor qualidade, com garantia de transmissão às progênies futuras? Isso tem nome: “sustentabilidade”.

Você sabia ... ? ... que a humanidade é um eterno aprendizado? Por isso, quando os criadores rejeitaram as Provas Zootécnicas, na década de 1950, levaram um “tombo”. Hoje, todas as raças zebuínas praticam Provas e fazem pesquisas paralelas. O mundo moderno é “caçador de informações”. Por isso, o moderno Indubrasil é muito diferente do antigo.

Melhorando o Brahman TRIQUI - é o touro importado do México em 2013, para a Butler Farms, nos Estados Unidos. Foi Campeão Internacional Indubrasil em 2013, em Acapulco. Tem lotes de fêmeas Indubrasil e também fêmeas Brahman. (foto: butlerfarms.us)

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pela importação de sêmen de Indubrasil. Além do Brahman vermelho, há o próprio Indubrasil vermelho, nos Estados Unidos e também na Austrália. Outros países também apreciam a coloração vermelha, originada no Brasil. A pelagem vermelha, portanto, tem um vasto mercado a ser explorado e ainda há muito sêmen raro guardado em botijões, garantindo a vitalidade diante do futuro.

Você sabia ... ? ... que a raça mais famosa, para corte, no mundo, é a Angus? É muito interessante que o Padrão Racial do Angus determina que o bezerro deve nascer com peso ao redor de 25 kg. Exatamente: apenas 25 kg. O bezerro deve nascer pequeno e disparar, imediatamente, no crescimento, já fora do ventre materno. Ensinamento que serve para todas as raças: nascer pequeno não é defeito. O defeito é não disparar no crescimento...

1) Perspectivas imediatas Variabilidade genética - A raça fez um notável trabalho de correção fenotípica e, hoje, apresenta animais de excelente qualidade. Sem dúvida, o gado da atualidade é muito superior ao de 50 anos atrás. Sendo um Neozebuíno, o Indubrasil é resultado da união de todas as demais raças zebuínas. A ABCZ vem praticando o CGC (Carta Controle de Genealogia) para formar um Neozebuíno e o Indubrasil é parte importante. A raça Indubrasil está com pouca variabilidade genética e várias alternativas estão sendo estudadas. Rebanhos - São poucos criadores, todos com gado excelente. Faltam fêmeas, pois a demanda pelo Indubrasil está crescendo muito rapidamente. As boiadas aneloradas, nas fronteiras de desenvolvimento, já começaram a divulgar os bons resultados do uso do Indubrasil. O uso de sêmen sexado pode acelerar a produção de fêmeas. A FIV - Fertilizanção in Vitro garante um salto numa única geração.

Animal moderno - O moderno Indubrasil é de dupla aptidão, com linhagens para carne e outras para leite. Os animais frequentam a mesma pista de julgamento. A produtividade do Indubrasil é de atingir 18 arrobas entre 24-30 meses. A vaca produz entre 3,5 a 6,0 litros de leite, em regime de pasto, com lactação entre 270-300 dias, desmamando um bezerro saudável. As linhagens leiteiras podem apresentar produtividade muito superior. Animal longevo, com vida produtiva acima de 15 anos. O animal moderno apresenta tetas curtas; o úbere não é penduloso; o bezerro nasce pesando entre 28 a 36 kg; mama sozinho; logo está andando. Hoje, o novo Indubrasil é ferramenta a favor da pecuária nacional. “Bezerro que levanta e logo mama: esse é o caminho da pecuária” finaliza Clarindo.

Cruzamentos - É normal avaliar os resultados de cruzamentos com Nelore (Indunel), Holandês (Indulando), com Brahman (Indubrahman) e Itapetinga (Pardo-Suíço) no próprio curral. As vendas são imediatas e, por isso, os animais cruzados sequer chegam ao Registro Genealógico. Outros mestiços são com as raças: Aberdeen, Hereford, Limousin, Charolês.

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O Indubrasil pode viabilizar o aumento do desfrute pecuário em cada região, por ser um Neozebuíno já levando consigo o vigor de três raças: Nelore, Guzerá e Gir. É uma economia de tempo. Muitos pecuaristas já estão utilizando touro Indubrasil sobre vacas Nelore, para fazer seus próprios reprodutores nas grandes vacadas. O Indubrasil já vai dispu-

tando espaço, ao lado de outras raças. Tecnologia - Para efeito de divulgação, o Indubrasil vai reunindo dados estatísticos de desempenho, em Torneios Leiteiros, Provas de Carcaça e de Abates. “Quando os animais valiosos recebem um preço superior, tudo melhora” - esclarece Clarindo. Na atualidade, o preço do Indubrasil está muito bom. 2) Perspectivas de Médio Prazo Espalhar modernos animais para todas as regiões. Promover os cruzamentos com muitas raças. Congregar os países que já criam Indubrasil, como o México, Estados Unidos, Tailândia, Camboja, América Latina e África. Preparar caminho para modernidade: leilões, cruzamentos, no Brasil. Mesmo

O bom ano de 2016 2015 foi ano de destaque histórico, com os criadores investindo em várias frentes, ao mesmo tempo. O Indubrasil esteve presente em grandes exposições, como a Expozebu, a Expointer, a Expo Nordestina - ganhando novos territórios. A ABCI introduziu o programa oficial do PMGZ (Programa

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de Melhoramento Genético do Zebu), em parceria com a ABCZ. O ano de 2016 poderá ser o ano do “diagnóstico”, em que os criadores analisarão todas as virtudes e todas as alternativas de progresso para a raça, durante o Seminário Internacional, em Maio.

para exterior. Mudar a literatura da tradição para modernidade. 3) Perspectivas de Longo Prazo Consolidar cruzamentos com outras raças zebuínas, mantendo o Bos indicus. Na Índia, houve grande uso de raças europeias, estragando o celeiro de animais de utilidade para o Brasil. No futuro, o Brasil terá que reformar a pureza genética do gado da própria Índia. Caberá ao Brasil devolver à Índia sua “vaca sagrada”, de absoluta pureza genética. O sonho seria conquistar os zebuzeiros para produção de Neozebuínos como alternativa mais válida para o futuro da humanidade - em vários países. A Associação vai observar as bases do sucesso: congregar os criadores, estabelecer metas para o corte e para o leite, estabelecer política de promoção nacional e internacional.

Você sabia ... ? ... que o boi do futuro será de porte médio a grande, mas não graúdo? Terá habilidade materna, tetas medianas, bainha curta, com crias espertas. O cruzado do moderno Indubrasil garante todas essas virtudes.

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O Indubrasil do quase-tudo O Indubrasil - Rodrigo Borges diz que o Indubrasil já chegou num ponto de excelência, como animal, e esta é a base do futuro. “É o animal que todos desejavam, mas que no passado não era importante ser produzido, pois não havia concorrência”. Hoje, o Indubrasil somou conhecimentos de outras raças, somou virtudes, excluiu problemas, com todas as vantagens de ser um Neozebuíno. Esse trabalho de melhoramento é histórico, é uma conquista dos brasileiros. O moderno Indubrasil apresenta umbigo bom, leite bom, carcaça boa, rusticidade boa, versatilidade boa, habilidade materna boa. O que mais poderia ser desejado? Clarindo Miranda lembra que o Indubrasil tolera pasto ruim, como sempre. “O Sertão nordestino é exemplo de animais orelhudos, até hoje, mesmo depois de décadas seguidas de descaso e descrédito. Havendo comida, na caatinga, o Indubrasil moderno vai tão bem quanto em outras regiões do Brasil. Historicamente, o Indubrasil já dominou os Sertões. O problema do Nordeste são as secas, que liquidam as tradições. As secas enfraquecem os velhos proprietários; cedendo aos novatos que acreditam poder enfrentar o flagelo, apenas mudando o gado. Também eles aprenderão, em cada seca, os valores de um bom Zebu. Fugazzola informa que o Indu-

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brasil precisa somar Provas Zootécnicas, tanto para carne como para leite. “As Provas aceleram o melhoramento genético e são poderosa fonte de divulgação” conclui. Também os produtos cruzados precisam de mais atenção, por parte da Associação, podendo constituir nichos de

mercado, tanto no Brasil, como no Exterior. A maior divulgação de um produto é o próprio comprador, ou seja, o usuário que deseja boiadas cada vez mais lucrativas. O indubrasilista - Fugazzola lembra que chegou o momento de união dos criadores, relegando as pequenas diferenças que provocam grandes divergências, sem acrescentar vantagens para a raça. “Raça vitoriosa é raça feliz, empolgante, criando uma cultura própria, respeitando as tradições, mas adotando todas as tecnologias rumo ao futuro” - conclui. Rodrigo Borges também lembra a importância da união. Um gado correto é a soma de Região + Situação e, então, muitos núcleos devem se formar, cada um com suas vitó-

rias. “Que cada vitorioso de sua região, faça sempre uma festa agregadora, reunindo todos para festejar: esse é o caminho”. Clarindo Miranda afirma que o Indubrasil tem uma brilhante história que merece ser conhecida e contada, de boca em boca. Não foi um gado “do passado”, mas foi o gado que possibilitou muita gente ficar rica, no passado. Era o gado do momento. Hoje, o gado do momento é de umbigo curto, sem prolapso, com muito couro, muito peso, muita carne, precoce, de boa habilidade materna. Ora, é o próprio Indubrasil, com cara nova, moderna, usando novas tecnologias, novas Genéticas, aplicando

tudo que se sabe sobre Ciência pecuária. Deixou para trás um fabuloso período em que vigoravam crendices, superstições, e hoje vai somando novos conhecimentos que serão a nova tradição para o futuro. Essa, sim, é a história que merece ser contada: o Indubrasil é a alma do próprio Brasil”.

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O Indubrasil nos Pampas gelados

O Indubrasil chegou ao Rio Grande do Sul há muito tempo, mas não houve registro oficial de seleção sistemática, pois não havia escritório da ABCZ local. O boi de orelhas longas, vindo do Triângulo Mineiro, voltou a ganhar notoriedade gaúcha quando o criador Elair Bachi, de Paim Filho, no Noroeste do Estado, começou a criar no Sítio Tio Fiorindo, sendo o primeiro criador gaúcho a registrar o Indubrasil na Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). Elair começou com seis animais e, hoje, já são quase cem. Entre eles, Grandes Campeões das pistas da Expointer. Elair já é tradicional campeão da Expointer e, agora, junto com Jairo André Gorczevski, adquiriu o touro Tupi da Natureza, na ExpoZebu que, logo em seguida, sagrouse o Grande Campeão no RS. Em 2015, Lúdica da Natureza, propriedade do Fazenda Lobo

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Guará, foi a Grande Campeã da Expointer. Ventos cortantes - Jairo, da Fazenda Lobo Guará, na Serra gaúcha, está situado na região dos Campos de Cima da Serra, no Município de Muitos Capões (RS) próximo a Vacaria. É região de muito frio e ventos cortantes. Ali os animais já enfrentaram 6 graus negativos. Normalmente a época de frio mais intenso começa da metade de abril, alongando-se por maio, junho e julho. Depois, começa a esquentar, mas acontecem geadas até o dia de Finados (2 de novembro). O Indubrasil, no RS, enfrenta temperaturas negativas todo ano. Os animais já pegaram neve e, em seguida, calor extremo. Jairo observou que, no Inverno, o Indubrasil muda sua coloração. Adapta-se, passando do branco para outra tonalidade, bem mais escura. Os pelos ficam mais compridos. Surgem, ou au-

explicando o nome de “Muitos Capões”. Estes matos são um alívio para o gado. Os animais agrupam-se, naturalmente, tentando dividir o calor do corpo. As vacas deitam ao redor das crias, para aquecê-las, hábito também de outros animais. Espertamente, os animais jamais colocam a cara na direção do vento; sempre se protegendo da frieza e das águas geladas. O indubrasil - comparado com o europeu - sofre mais que o gado europeu, no inverno, como esperado. Afinal, o Indubrasil é um Zebu, ou seja, tem 30% a mais de glândulas sudoríparas que, no inverno, são extremamente judiadas. Também o sis-

mentam os pelos nas orelhas e no úbere. Jairo conta que viu casos de orelhas “queimadas”, bem como de extremidades da barbela: o frio é muito forte, os ventos são, de fato, cortantes. O couro dos animais parece que fica mais duro, para suportar o frio. O temperamento do animal também se modifica: fica mais amuado, mais taciturno, evitando respirar os ventos cortantes gelados. Nos dias muito frios, os animais escondem-se no mato, para evitar os ventos; saem apenas para comer. Na região há muitos “capões de matos” de araucárias;

tema de irrigação sanguínea do Zebu é periférico, enquanto do gado europeu é mais profundo, justamente para enfrentar o frio. O Zebu não é uma máquina orgânica para clima extremamente frio, por isso é mantido, como os demais animais, em regime de boa alimentação, para compensar. Nossa região, porém, não é “extremamente fria”, mas apenas “fria” e, então, o Indubrasil tem se comportado muito bem. No pico do Verão, há dias em que a temperatura atinge 40 graus e, então, o gado europeu sofre, enquanto o Indubrasil parece fazer festas. A integração do gado europeu, com o Indu-

brasil, no Rio Grande do Sul, portanto, é uma boa “escola” para analisarmos o desempenho do Bos taurus e do Bos indicus. No geral, somando anos muito

gelados, de ventanias, com outros de calor, temos verificado que o Indubrasil leva vantagem, pois sofre, sim, no frio, mas se recupera, facilmente, quando

chega o calor. Nutrição - Todos os animais recebem a mesma alimentação, não importando a raça: Gir Leiteiro, Holandês, Indubrasil. Apenas os animais destinados à venda recebem algum cuidado melhor, durante o dia. Todos os animais permanecem no pasto e, somente à noite, são recolhidos para baias cobertas. O manejo normal é o de integração lavoura-pecuária e, por isso, de maio a outubro, os animais ficam na pastagem de aveia e resteva de milho e soja. É um tempo de abundância de pasto e, em outubro, quando saem desse regime, os animais estão muito gordos. No verão, surgem dificuldades para a alimentação do gado. Vão para piquetes menores de Tífton. Caso não haja chuva, então é preciso complementar com silagem.

O Indubrasil vai conquistando o extremo sul.

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Cruzamentos - As propriedades, na região, são pequenas, ao redor de 50-100 hectares, mantendo ao redor de 100 animais. Jairo diz que produz 500 litros de leite e, em 2017, vai chegar a 1.000 - com suas vacas Indulandas e Girolandas. Os tourinhos são vendidos para fazendeiros da Serra, para cruzamentos. Também vem crescendo o uso do touro Indubrasil sobre vacas Angus, com notáveis resultados, “mas sequer temos condição de atender a tamanha demanda, pois seriam necessários muitos animais”. Jairo conta: “Comecei há pouco tempo o cruzamento de touro Indubrasil com vacas Holande-

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sas e estamos bem otimistas, pois as Indulandas demonstram muita rusticidade, capacidade de ganho-de-peso e são muito mansas. Como esperado, estão mostrando muita força leiteira, principalmente quando comparadas com as Girolandas, que também mantemos nas mesmas condições. As novilhas, bem como os tourinhos Indulandos, no quando geral (inverno-verão) parecem ser mais rústicos que as Girolandas. A grande diferença é o ganho-de -peso que, visivelmente, é muito maior no Indulando que no Girolando. Embora muita gente acredite na dupla aptidão do Indubrasil, a aposta mais forte é mesmo na carne. O Zebu leiteiro é para ajudar o custeio da fazenda, mas a contribuição do Zebu na produção de car-

surpreende pela beleza e mansidão, conta Vitor. Futuro - “Nunca escolhi animais baseado no tamanho das orelhas, mas em fatores funcionais, como a docilidade. Agora, com visão mais criteriosa, também escolho animais precoces e leiteiros”. Ao mesmo tempo, Elair e Jairo informam que os gaúchos apreciam, sim, animais de grande porte e também grandes orelhas. “Se o animal for moderno, bem constituído, o grande porte e grandes orelhas serão atributos positivos, a mais”. Em 2011, Elair expôs seis animais para mostrar que o Indubrasil gaúcho tem tudo para ganhar espaço. Em 2015, fortes chuvas dificultaram a preparação dos animais para a Expointer e Elair teve trabalhar “em cima do barro”, dia após dia. “Aqui, o Indubrasil mostra sua rusticidade, de fato: ele aguenta chuva, frio, anda no barro, e o calor de 40 graus que

ne é muito mais evidente, muito maior. Edon Rocha Braga, Responsável Técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) no Rio Grande do Sul, garante que “o caminho para o Indubrasil é o cruzamento industrial com as raças europeias”. Um exemplo é Vitor Hugo Fin, indubrasilista, da Cabana Zebusul, em Gravataí, com criação desde 1997 e que acredita que o Indubrasil tem como função essencial produzir carne. É um gado muito bom para cruzamentos. Temos clientes que estão cruzando o Indubrasil com o Angus e obtido resultados muito bons, com mais peso e qualidade, conseguindo escapar do carrapato e ganhando muito peso. Além disso, é um gado que

O Indubrasil vai conquistando o extremo sul.

enfrentamos em janeiro”. Os bezerros nascem e logo estão subindo e descendo os morros da propriedade. “É uma seleção natural para rusticidade”, comenta. Os criadores da raça mantêm a chama acesa da pesquisa, da presença na Expointer, de viagens a Uberaba, atualizando conhecimentos e trocando informações. Confessam estar muito otimistas quanto ao Indubrasil e, principalmente, quanto aos cruzamentos. “O Indulando vai bem e os cruzamentos de corte dão resultados fantásticos” - garantem. A data magna da Fazenda Lobo Guará será 2017 (31 de dezembro), quando atingir os 1.000 litros de leite/dia e as terras estiverem totalmente formadas. Será, então, uma propriedade autossustentável, com Indubrasil, pronta para receber amigos e mostrar que é possível, sim, criar Zebu, ao lado do europeu, no clima gelado dos Pampas.

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O Indubrasil e o tropeção do passado

“Não, o Indubrasil não foi um erro” - afirma Clarindo Miranda. Pelo contrário, foi um acerto naquele tempo; foi um estágio na História. O gado vitorioso é a soma de “região + situação”. Ora, antigamente a situação era outra e as regiões também eram outras. Então, para bem analisar a História é preciso compreender cada momento.

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No passado, o ruralista tinha outra fonte de renda: madeira, agricultura, etc. Estava derrubando mato para implantar a fazenda e, então o gado devia ser “bandeirante”. Não importava se o gado fosse orelhudo, umbigudo, etc., pois o importante era ficar vivo, enfrentando os carrapatos. Mais tarde, com a terra já limpa, a pecuária pode saltar de posição. Ao invés de melhorar o gado antigo, indubrasilado, o pecuarista preferiu cruzar o pequeno e barato Nelore, com raças brancas europeias. Deu certo, produzindo milhões de cabeças em pouco tempo. Foi um tombo

para o Indubrasil e o Gir que permaneceram perto das antigas fazendas, enquanto o “novo mundo” era conquistado pelo Nelore. Ora, o Nelore fez - a partir de 1970 - o que o Indubrasil havia feito desde a década de 1920: ocupar novos territórios. Historicamente, o Guzerá dominou a pecuária de 1870 a 1920; o Indubrasil de 1920 a 1970; o Nelore deverá chegar a 2020. Todas com 50 anos de duração. São ciclos da pecuária desbravadora. O Gir ocupou um nicho específico, desde 1940, junto de propriedades menores, produzindo leite e carne ao mesmo tempo. Rodrigo Borges lembra que “antigamente, com todos os problemas, o Indubrasil enchia os pavilhões”. O Nelore teve o ventre Indubrasil para se expandir. Na verdade, a pujança da moderna pecuária foi alicerçada sobre o Indubrasil. O Indubrasil pagou o preço da

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formação cultural do povo brasileiro, do marasmo típico do campo naqueles tempos. Quando a “civilização do Indubrasil” estava envelhecida, surgiu o Nelore, com ousadia, aventurando-se para novos mundos. A História é a sucessão da luta de novos contra velhos, sempre. Se os velhos não cedem espaço aos novos, serão derrubados por eles. Fugazzola afirma que “não houve erro”, mas apenas uma mudança na direção da seleção. Hoje, o Gir tem sucesso no leite, mas durante muito tempo o seu

sucesso era a carne. De fato, durante a 2a. Guerra Mundial, o Frigorífico Anglo pagava mais caro pela carne de Gir, por ser a melhor do país. As épocas mudam; as situações mudam.

Famosa na Tailândia Essa é Carena, notável vaca Indubrasil, que faz sucesso na Tailândia. Os criadores, mesmo sendo recentes, já promovem muitas festas, feiras, e shows, destacando o grande porte da raça. Carena pertence à D-8 Farm.

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O Homem faz e o Homem desfaz: quando derruba florestas, a madeira sobe de preço e, então, surgem outros que irão plantar florestas. Na pecuária acontece o mesmo: para abrir novas fronteiras, o gado deveria ser barato, sem longas orelhas, sem umbigo longo, sem tetas longas. O Indubrasil tornou-se um “gado do passado”. Reduzindo o rebanho nacional, os criadores trataram de “modernizar” o Indubrasil. Hoje, há animais courudos, de longas orelhas e umbigo corrigido. A beleza inclui a funcionalidade, exigindo o equilíbrio. Num rebanho pequeno, a consanguinidade tanto é mágica para o bem, como feitiço para o mal. Sabendo usar, provoca uma revolução a favor de um lucrativo novo tempo. O Indubrasil moderno é prova dessa mágica. Hoje, o Indubrasil é um gado que continua graúdo, de umbigo curto, tetas medianas, muito couro, ossatura forte, excelente carcaça, com linhagens leiteiras. Um grande gado para abrir fronteiras em outros países que exigem gado de dupla aptidão. Você sabia ... ? ... que a SUDENE e a SUDAM estimularam a fixação de mais de 10 milhões de cabeças, registradas, nas fronteiras do Nordeste e da Amazônia? Os bancos financiavam apenas o gado branco de orelhas curtas e, perto das cidades, financiava a raça Holandesa. O Indubrasil pagou um preço muito caro, por ter orelhas longas, na ocasião. Nestas regiões, porém, o gado “meia-orelha” continuou vigorando, até hoje.

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Os Campeões da Carne 1) Maiores produtores de carne (de gado) Os Estados Unidos são o maior produtor de carne, seguidos pelo Brasil e pela União Europeia. Os

Estados Unidos produzem cerca de 19% da carne mundial; o Brasil produz 16%; a China produz 12%.

Somando Estados Unidos, Brasil e União Europeia tem-se 48% da carne produzida no mundo.

2) Campeões de consumo per cápita O mundo produz carne suficiente para 5,56 kg por pessoa. Hong-Kong é a região que mais consome carne, per cápita, seguida pela Argentina e Uruguai. Hong Kong consome 55,79 kg por pessoa. O país de menor consumo é o Congo, com 0,45 kg por pessoa.

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3) Maiores Exportadores do Mundo O Brasil atingiu o patamar de Maior Exportador de Carne de gado, mas a posição não é sólida, disputada pela Austrália, antiga detentora do título. Já a Índia é a Maior Exportadora de Carne Vermelha, incluindo os búfalos. Quatro países exportam mais de

um milhão de toneladas (métricas) de carne: Índia, Brasil, Austrália e Estados Unidos. Em 2015, a Austrália sofreu queda menor que o Brasil, ocupando o posto de Maior Exportadora.

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4) Maiores rebanhos do mundo O mundo tem 7 bilhões de cabeças, em 2016. O rebanho mundial, em 2016, é de 971.482 milhões de cabeças, cresci-

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mento de 7,032 milhões acima de 2015. O rebanho da Austrália, em 2016, caiu 1,45 milhões de ca-

beças. O rebanho do Brasil, em 2016, aumento 6,058 milhões de cabeças, foi o maior aumento no planeta.

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Indubrasil - o bovino indiano do Brasil Hoje a seleção do Indubrasil passa pelo caminho do meio, o caminho da união do melhor Zebu indiano com o melhor de cada região brasileira, levando a animais produtivos para carne, leite e trabalho. Como brinde: excelente conversão alimentar e rusticidade, provadas em todo território nacional. É impressionante observar como o Indubrasil parece com o povo de sua região, pois é talhado pelo meio ambiente, em luta diária pela sobrevivência da espécie. Do Nordeste, entre as boas qualidades, destaca-se a rusticidade: indivíduos de grandes cupins, para armazenamento de água e energia em forma de gordura; cabeça mais aguzeratada; estrutura óssea volumosa; orelha menos gavionada; barbelas soltas para boa ventilação e dissipação do calor; pernas grandes e fortes, em equilíbrio para caminhadas e superação de obstáculos na busca de alimentos na caatinga. A produção de leite, em condições deficitárias extremas, como a seca de 2012/2013, gera animais de excelente conversão alimentar. O Indubrasil é aguerrido, lutador, como seus criadores, das linhagens de Djenal, Roberto Góes, João Pinto, Acrísio. Na costa do cacau e dendê, a qualidade de animal de trabalho, penetrando na floresta, buscando o alimento para si e para o homem, como o gado de Alex Portela, Genuíno, João Newton (Bahia). O pessoal do Nordeste deu sustentação financeira ao Indubrasil. No Norte e Centro-Oeste, o aventureiro Indubrasil desbravou a floresta e o Cerrado, como uma criança passeia pelos jardins da Natureza. Na fartura das novas terras ressaltam suas qualidades: animais de médio a grande porte, carcaça larga, profunda e precoce; umbigo e tetas corrigidas. Com seus cruzamentos, como o caboclo, o mulato e o cafuso, leva carne e leite às fronteiras de um novo Brasil. Utilizando as qualidade de grande caminhador embrenha pela floresta, levando mantimentos e sementes de

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José Henrique Fugazzola pastagens, abrindo e formando novas áreas. Em Tocantins: Torres Homem. Em Goiás: Pedro Lemos. Antônio Martins de Barros: no Mato Grosso do Sul e Rondônia. No Sul, absorve a tenacidade dos gaúchos, a resistência ao frio e ao vento minuano que sopra, insistentemente, habilidade de resistência ao frio, já comprovada em criatórios americanos, na divisa do Texas e Arkansas, onde vai cruzando com raças taurinas, acrescentando tamanho e rusticidade na produção de carne e leite. Destaques para o trabalho da Associação Gaúcha de Zebu, Natan, Alair e outros. O Sudeste mandava gado, de vapor, para o Nordeste - lá pelas década de 30 e 40. O Indubrasil conserva as tradições das pessoas. Em Minas Gerais: linhagens leiteiras como a 55 de Dona Albertina. Touro Indu 55 muito leiteiro, carne e morfologia, com bons aprumos, cabeça mais girada e orelhas gavionadas. Clarindo Miranda, Dr. Renato Borges, os Lemos, com destaque para Paulo Lemos. A migração nordestina para São Paulo traz o Indubrasil em sua bagagem que, com árduo trabalho, constrói um Estado e um gado. Exemplo: Espinho Preto, Santa Terezinha. O espírito empreendedor, aliado à técnica rural dos modelos de produção in-

tegrada, absorve a totalidade da raça: trabalho, esterco, leite e corte. Trabalho sobre carros-de-boi. O esterco é levado aos cafezais. O café consolida São Paulo. Na integração do café com leite, uma vaca Indubrasil produz três bezerros por ano. O primeiro é o próprio bezerro, utilizado para reprodutor, trabalho ou corte. O segundo é o leite. O terceiro é o esterco para os cafezais, canaviais, cereais, hortaliças, em perfeita integração orgânica entre lavoura e pecuária como nos criatórios de José Henrique Fugazzola de Barros e Valdir Junqueira. Em Uberaba, a Associação Brasileira dos Criadores de Indubrasil promove a união de todas as linhagens das diversas regiões do Brasil. Na pesquisa e genética avançada, parcerias da ABCI com a Universidade de Uberaba, Faculdade de Zootecnia de Uberaba e também com a Embrapa, no novíssimo Centro de Tecnologia do Zebu Leiteiro, em Brasília, produzem gado do caminho do meio, que serve de Norte a Sul, de Leste a Oeste, ao país e ao mundo. Através dos anos de inspiração, com diligentes práticas de trabalho como a integração orgânica entre lavoura e pecuária - com trabalho, respeito, amor e união de regiões como o Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste; tanto quanto de países como Índia, Tailândia, Brasil, México, Costa Rica, Panamá, e outros somando 24, o Indubrasil vai ampliando sua influência na moderna pecuária. A união de raças: Nelore, Guzerá e Gir abriu o caminho; mostrou que o Neozebuíno Indubrasil é uma grande vitória para a pecuária mundial, a ponto de todos poderem dizer que “nós e a Mãe Natureza somos um”, com prato cheio de nobres proteínas produzidas com sustentabilidade. As outras raças zebuínas seguem o mesmo caminho aberto pelo Indubrasil: este é o venturoso patrimônio cultural do Zebu para o mundo. (Uberaba, 13 de março de 2016).

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Indubrasil em Festa

Roberio e Roberto

Henrique Figueira, Djenal e Roberto

Dr Joao e Roberto

Mario Marcio e Roberto

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Henrique Figueira e Roberto

Sergio Fonteles esposa e sua filha e Roberto

Roberio Neves com seu filho Davi e Roberto

Sergio Fonteles e Roberto

Jose Henrique Fugazola e Renato Caetano

Antônio João com seu filho e Roberto

Márcia,Sandra e sua Nora

Rodrigo Caetano e esposa

Claudia Leonel e amiga

Daliene,Renata Thomazi, Ana Carolina

Dona Diva, Claudia Leonel e Helena

Luana e Estelar

Carlos Cavalari, Jose Henrique Fugazola

Estelar, Lia e amiga

Confraternização Indubrasil Ano 2015

Eduardo de Paiva e Clarindo Miranda

Confraternização Indubrasil Ano 2015

Claudio Silveira, Sergio e Roberto

Josakian,Fred,Adaldio, Claudio Paranhos e amigos

Márcia e Roberto

Otacilio e Roberto

Paula com seu filho e Roberto

Roberio Com sua familia e Roberto

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O Indubrasil no Semiárido

AUMENTE SUAS

EXPORTAÇÕES

Fotos: Banco de Imagens Brazilian Cattle

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Na História, o Indubrasil foi um “achado”: os brasileiros cruzaram Guzerá com Nelore e obtiveram um poderoso Zebu (Indunel) para arrastar carroções nas montanhas fluminenses, para os trabalhos no campo, para produzir leite e carne. Era o gado certo para o momento certo e região certa. Depois, houve a Abolição da Escravidão, a Proclamação da República, a grande geada paulista e, em 1911, começou a chegar o Gir. Se o cruzamento de duas raças já fizera sucesso, os brasileiros começaram a cruzar com a terceira, que estava chegando da Índia. Novamente, os brasileiros tiveram vitória: o animal lucrou em pujança muscular e aptidão leiteira e, como presente, ganhou longas orelhas, jamais vistas e acreditadas. Logo, as orelhas do novo gado transformaram-se no símbolo da excelência, ganhando vários nomes: Induberaba, Induaraxá, Induporã, Indubelém, etc.. Iria prevalecer o nome Indubrasil.

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O Super Boi - O Brasil inteiro festejou o novo Zebu, de braços abertos. Afinal, era o maior, o mais possante, o melhor, já surgido no Brasil. Como todos os outros zebuínos, ele tinha 90% de vantagem

“A raça tem, agora, que multiplicar a semente que já é excelente.” no enfrentamento aos carrapatos que liquidava o gado europeu desde o já longínquo descobrimento. O Zebu era a salvação da pecuária brasileira, depois de quase 400 anos de Pedro Álvares Cabral. No Nordeste, o Indubrasil logo ganhou destaque, pelo grande porte, pela rusticidade diante da

seca, pela produtividade dos mestiços nos currais leiteiros. Os Sertões logo estavam cheios de gado apresentando “meia-orelha”, sinal da influência do vigoroso Zebu. De 1925 a 1985, sempre foi nítida a influência no gado mestiço sertanejo de longas orelhas. Depois, com a pressão exercida pela SUDENE, o gado começou a encurtar as orelhas, mas os antigos sertanejos guardaram na memória os bons tempos do gado muito rústico, manso, e motivo para muitas cantorias e cordéis na cata do algodão e na “Civilização do Couro”. A glória sertaneja - O Nordeste teve glórias com o Indubrasil, com longas boiadas enchendo os olhos, ao passarem pelos povoados empoeirados. Os nordestinos produziram o Indubrasil Vermelho, em Pernambuco, logo se estendendo para a Bahia e Sergipe. Uma novidade que logo estaria

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sendo exportada para os Estados Unidos e, hoje, avermelha o gado de corte também na Austrália e outros países. Era tão marcante o valor do Indubrasil que os criadores ergueram, no Parque de Exposição de Recife, na praça principal, um monumento ao touro valoroso. Era o único monumento a um boi, no Brasil. (Mais tarde, Pavilhão e Bombaim dividiriam essa glória, na forma de monumentos). Ali, no Ceará, o gado teve origem com matrizes compradas na Bahia, nos finais de 1950 e início de 1960. 40ºC - Sérgio Fonteles, do Ceará, diz que num calor de 40oC o Indubrasil mantém sua faina diária, sem demonstrar qualquer mudança no temperamento. “Os bezerros nascem pesando entre 28 a 30 kg, com partos fáceis. Logo estão mamando, sem uso de mamadeira”. Fonteles utiliza inseminação artificial e monta controlada, no Semiárido, salientando que os resultados são bons, mesmo sem qualquer medicação, ou hormônios. “Os sertanejos dizem que o Sol é um santo remédio para o gado; a gente acaba acreditando que é mesmo” - adianta. Mesmo no pique do sol, a mortalidade normal é menor que 1%, ou praticamente nada. As terras são de argila branca, típicas das grandes plantações de caju, no Nordeste. Não é raro ver a “pecuária de dois andares”, na região,

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ou seja, “gado por baixo e caju por cima”. O gado, para ser econômico, passa o ano inteiro no pasto; apenas os destinados às exposições permanecem confinados por alguns meses. Houve tempo de tumulto, na criação, pois surgiram várias alternativas pecuárias na década de 1960, muito divulgadas no cenário e, como consequência, o mercado encolheu em 1970, 1980 e 1990. “Foi ruim, porque o dinheiro sumiu; mas também foi bom, pois exigiu uma reflexão profunda sobre o destino da raça. Não se poderia jogar fora um gado com quase 80 anos de seleção no Brasil e, então, percebemos que - ao invés de perder o trem da História, deveríamos, sim, embarcar também no mesmo trem. Tratamos, então, de acrescentar as qualidades que o mercado estava elogiando nas novas alternativas pecuárias, ou seja, tratamos de modernizar o Indubrasil. Futuro - Hoje, os mestiços de Indubrasil são encontrados em todo o Semiárido, sendo gado considerado de fácil manejo e grande rusticidade. Diz Fonteles que, durante 50 anos em sua propriedade, o gado sempre correspondeu, com bezerrada sadia, de bom porte, e notável nos cru-

zamentos. “Quem usa Indubrasil, sempre vai usar, mesmo quando mistura com outras raças zebuínas” - lembra. A fazenda pratica Fertilização in Vitro (FIV) para ganhar tempo, tendo em vista o gado mais moderno possível, já. O mercado não espera” - saliente Fonteles. As vendas acontecem em todo Ceará, Piauí, Maranhão, norte do País e vários Estados nordestinos. “A raça tem, agora, que multiplicar a semente que já é excelente. O mercado está esperando. Os antigos indubrasilistas ergueram a glória da raça e cabe a nós, agora, mantê-la, nesse novo patamar a que chegamos, com sucesso” - finaliza.

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InduBrasil - A boa alternativa para a modernidade  
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