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CULTURA HOMENAGEM

CADERNO A8 Terça-feira, 11 de março de 2014

E-mail: jornalimpactoms@hotmail.com

A mostra de março tem curadoria do professor Marcus Villa Góis, da UEMS, e homenageia o Dia Internacional do Teatro

Teatro abre temporada de exibições gratuitas do projeto CineMIS

A

Fundação de Cultura do governo do Estado, em parceria com o Curso de Artes Cênicas e Dança da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, realiza até o dia 14 de março, sempre às 19 horas, no Museu da Imagem e do Som, a “Mostra Cine Cênico”, que abre a temporada de exibições gratuitas de filmes do projeto CineMIS. A mostra de março tem curadoria do professor Marcus Villa Góis, da UEMS, e homenageia o Dia Internacional do Teatro (27 de março). Reúne obras, em sua maioria, encenadas em teatro e posteriormente adaptadas ao cinema. Os filmes selecionados apresentam referências a diferentes estilos do fazer teatral. Entre eles está “A Morte do Caixeiro Viajante”(1985), de Volker Schlöndorff, que faz referência ao realismo psicológico na dramaturgia de Artur Miller enquanto “A Ópera dos 3 Vinténs” (1931), de Georg Wilhelm Pabst, tem ligação com o teatro épico de Bertolt Brecht. Já o filme “A Última Tempestade” (Prospero’s Book - 1991), de Peter Greenaway, é uma livre adaptação da obra de Shakespeare. “Vestido de Noiva” (2006), de Joffre Rodrigues, representa o teatro nacional, especialmente Nelson Rodrigues e “Esperando Godot” (2002), de Mivhael Lindsay-Hogg, traz a referência de Beckett e do teatro do absurdo. Segundo o curador Marcus Villa Góis, a mostra é uma boa oportunidade para o público conhecer obras cinematográficas pouco divulgadas, mas de ótima qualidade, e que serão acrescidas de debates no final das sessões. “É preciso continuar divulgando a obra de autores como Shakespeare, Beckett, Brecht, Nelson Rodrigues e Artur Miller. O papel da academia é investigar a obra de grandes dramaturgos que influenciaram a cultura e a sociedade em suas épocas”, pontua. A Mostra Cine Cênico é homônima do projeto de extensão

Divulgação

desenvolvido pelo professor Góis na UEMS que visa à exibição e ao debate de filmes relacionados com as práticas teatrais. Dentro do projeto do CineMIS tem o objetivo de propor uma reflexão sobre o mundo contemporâneo por meio do cinema. Em parceria com a academia serão debatidas as relações entre o cinema, o teatro e a representação de diferentes referenciais teatrais. “Até muito recentemente o teatro foi o grande formador de opinião. Foi a partir de revoluções estéticas que foram criadas novas formas de ver e perceber o mundo, por detrás de cada virada na história da humanidade sempre existiu um movimento estético imaginário”, afirma o curador. Na mostra o público poderá conferir Dustin Hoffman interpretando Willy Loman, personagem principal de “A Morte do Caixeiro Viajante” e os cenários pintados por Greenaway adaptados de “A Tempestade de Shakespeare”. O representante nacional na mostra advém da obra de Nelson Rodrigues. “Vestido de Noiva”, cujo texto é de 1943, é um divisor de águas na dramaturgia brasileira. A música original de Kurt Weill, parceiro de Brecht, em “A Ópera dos Três Vinténs”, poderá ser comparada à “Opera do Malandro”, de Chico Buarque. Já a condição humana do pós-guerra descrita por Beckett, Prêmio Nobel de Literatura de 1969, será sentida em “Esperando Godot”. Nesta edição serão convidados professores, psicólogos (em parceria com a Sociedade Psicanalítica de Mato Grosso do Sul – SPMS) e organização de alunos representando o Programa de Integração ao Aluno (Proinca) para debater os filmes. As discussões girarão em torno da estética das obras de cinema, tendo em vista o teatro, a fotografia e os aspectos psicológicos das personagens e das tramas. A coordenação dos debates será feita pelo curador da

Mostra, professor Marcus Villa Góis, que receberá diferentes debatedores de acordo com as afinidades entre as pesquisas desenvolvidas pelos professores e psicólogos convidados. Para o filme Vestido de Noiva (11/03) estão convidados Carin Louro, Marcos Bessa e Mauricio Copetti e a psicóloga Gleda Brandão Coelho Martins Araujo. O debate do filme A Última Tempestade (12/03) será conduzido por Gabriela Salvador, Denise Naschif, Fernandes Ferreira de Souza e a psicóloga Paula Francisca Andrade Mittelstaedt. Os filmes A Opera dos três vinténs (13/03) e Esperando Godot terão os debates coordenados pelos alunos – Proinca. No dia 13 haverá a participação especial de Ligia Marina. “O audiovisual, o cinema é uma das formas mais verossímeis de se registrar as expressões artísticas. Essa seleção de filmes traz justamente a arte teatral consagrada em formato cinematográfico, adaptação feita por grandes cineastas. É muito importante essa integração entre a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul e Fundação de Cultura, que por meio do MIS vem trazer ao público uma programação de qualidade e que proporciona o debate e reflexão sobre as expressões artísticas no Brasil e no mundo”, analisa Américo Calheiros, presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul. Serviço - As exibições acontecem sempre às 19 horas e são gratuitas. O Museu da Imagem e do Som fica no Memorial da Cultura, na Avenida Fernando Correa da Costa, 559, 3º andar. Para mais informações sobre a programação do museu acesse www.misms.com.br. O e-mail do MIS é mis@fcms.ms.gov.br. Telefone: (67) 3316-9178. Confira as sinopses e a programação: 11 de março (terça-feira)Vestido de Noiva - Após ser atropelada, Alaíde passa a relembrar os acontecimentos de

sua vida. Ela entra em um lugar cheio de mulheres procurando a cortesã Madame Clessi. Mas uma lembrança, que ela não sabe se é verdadeira, pode indicar que o acidente que sofreu foi intencional. Entre delírios e realidades passa a lembrar de seu casamento. Diretor Joffre Rodrigues (Drama, 110min, 2006) / Referência: Nacional, Nelson Rodrigues / Atores: Marília Pera, Simone Spoladore, Letícia Sabatela, Marcos Winter. Debatedores: Carin Louro, Marcos Bessa, Maurício Copetti e a psicóloga Gleda Brandão Coelho Martins Araujo. 12 de março (quartafeira)- A Última Tempestade (Prospero’s Book) - Recriação da peça "A Tempestade" de William Shakespeare, com Sir John Gielgud no papel de Próspero. Um dos filmes visualmente mais luxuriantes e barrocos de um cineasta que normalmente já é conhecido pela experimentação visual. A literatura se faz dominante, quando os livros são mostrados com enorme detalhismo em sua tipografia, caligrafia e ilustrações extremamente ricas. Estas cenas são sobrepostas às imagens da ação transcorrida ou às de John Gielgud narrando-as. Como na peça, que o roteiro do filme recria, Próspero vive numa ilha

com sua filha Miranda, após ter sido banido pelo Rei de Nápoles. Mas o destino faz com que seus inimigos venham a sua ilha, dando início a um romance proibido e a uma série de conspirações e vinganças. Diretor Peter Greenaway (Drama, 120min, 1991) / Referência: Shakespeare, A Tempestade / Atores: John Gielgud, Michel Clark, Isabelle Pasco. Debatedores: Gabriela Salvador, Denise Naschif, Fernandes Ferreira de Souza e a psicóloga Paula Francisca Andrade Mittelstaedt. 13 de março (quinta-feira)A Ópera dos 3 Vinténs (Die 3 Groschen-Oper) - Em Londres, na virada do século XIX para XX, Mack, conhecido como "Mack Navalha", um bandido da época, casa-se com Polly, sem que o pai dela, Peachum, conhecido como o "Rei dos mendigos", tenha conhecimento. Versão restaurada da famosa adaptação de G. W. Pabst para o lendário musical de Brecht que inspirou Chico Buarque em A Ópera do Malandro. Música de Kurt Weill. O filme foi banido pelo Partido Nazista em 1933 e teve cópias destruídas. Foi restaurado e reconstruído na década de 1960. Diretor Georg Wilhelm Pabst (Musical, 110min, 1931) / Referência: Marxismo, Bertolt Brecht / Atores: Rudolf Forster, Carola Neher, Reinhold

Schünzel. Debatedores: Alunos do Proinca e a participação especial de Ligia Marina. 14 de março (sexta-feira)Esperando Godot (Waiting For Godot) - Adaptação da peça "Esperando Godot" de Samuel Beckett. Escrita em 1952, a peça desperta a atenção três anos depois numa montagem na Broadway. O enredo é de difícil compreensão para o público da época: dois vagabundos esperam infinitamente ao pé de uma árvore por um indefinível Sr. Godot, que jamais comparecerá ao encontro marcado. Os dois dias em que a peça se passa são absolutamente idênticos: a situação permanece a mesma do começo ao fim. Num vácuo dramático que revela uma abertura e originalidade teatrais sem precedentes na história da dramaturgia universal. Por meio dessa parábola, Beckett retrata a solidão e a incomunicabilidade entre os homens, fruto do ceticismo europeu apregoado por muitos autores após a Segunda Guerra Mundial. Dir. Michael Lindsay-Hogg (Drama, 113min, 2001) / Referência: Teatro do Absurdo, Samuel Beckett / Atores: Barry McGovern, Johnny Murphy, Alan Stanford, Stephen Brennan, Sam McGovern. Debatedores: Alunos do Proinca.


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