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ENTRE CAMADAS E PROCESSOS


Trabalho de Gradua巽達o Integrado 1 Inah Prado Nassu

2012

Universidade de S達o Paulo | USP S達o Carlos

tgi 1


Este caderno apresenta processos de formação de um pensamento sobre a cidade. Mais que a proposta de uma edificação é olhar para a cidade | o que se espera dela | que faz o ato de projetar.

A todos que partilharam dos momentos de delírio e lucidez.


O conceito de percurso se desenvolve em concentração de caminho no espaço|tempo que se transforma em movimentos no espaço. Um conceito aberto, que não se finaliza em si e não nega se impõe às idéias sobre as quais ele foi desenvolvido, mas que, por adição de questionamentos é até agora o estágio da linha de pensamento. O indivíduo pensado como agente do movimento no espaço, por que se move, o que o move, o que muda seu movimento. Barreira, desvio, transposição, intenções, atrativos, sobreposição > continuar, percorrer, atravessar, virar, mudar, subir, descer [...] são açõesresposta a elementos criados no espaço. São a essas ações que atento, pois é o movimento que desenha as linhas e planos da criação de um lugar, e a elas se adicionam texturas, planos, usos, etc, que são causa e conseqüência do movimento do usuário. O espaço é resposta e agente de transformação do movimento. O movimento é a ação ou o processo, e ainda o ato ou uma maneira particular de mover-se – que em um poema ou em uma narrativa, configura um progresso ou incidente, como o desenvolvimento de um lote. ¹ Partindo de um movimento-base linear, a dobra dessa linearidade e a ruptura nesse processo são subtrações espaciais e também adições de movimento em outra direção. A quebra, o ato de mudar parte de uma intenção, de uma vontade e de uma escolha são pontos importantes dentro da relação espacial. Enquanto o corpo em movimento gera espaço. Mas a arquitetura é a linha contrária: o espaço pensado a fim de criar novos movimentos, recriá-los ou repensá-los como forma de expandir sensações, experiências, se faz imprescindível à projeção do usuário na obra e à intenção da arquitetura querer ser apreendida.

PRE TGI

¹PADOVANO , Bruno Roberto. Bernard Tschumi. Entrevista, São Paulo, 02.008, Vitruvius, out 2001 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/02.008/3344>


A essa relação espaço|indivíduo se volta ao questionamento da cidade, da concepção de arquitetura, e a análise de como as urbanidades acontecem a partir disso, e como negam que essa relação apareça de forma livre. Como as questões do movimento se aplicam ao processo de criação do espaço? Como a sensorialidade da cidade pode garantir uma nova visão urbana a quem a experiência, e como a arquitetura se vale disso? Quão pertinente se faz o processo projetual que puramente experimenta a criação de espaços, e quanto se aproxima das questões de criação de uma cidade esperada. O TGI, mais que a elaboração de um projeto, é um caminho entre indagações e formação de pensamento que, como processo de graduação, repensa os conhecimentos adquiridos e costura uma leitura de conceitos e de posicionamento da ação do arquiteto e urbanista no espaço a ser transformado. Nessa leitura, entendo a cidade como processo, e intervenção como rompimento para a geração de novas possibilidades de cidade e que, dentro dessas possibilidades, tem-se um foco ou conceito base que pretende um ideal.

TGI1


APROXIMAÇÕES COM OUTRAS REFERÊNCIAS


6 Como processo de formação de um universo projetual, a base de referências e o entendimento de propostas ex i ste nte s , s u s c i ta n d o o s q u e st i o n a m e nto s apresentados, abordou-se principalmente três pontos iniciais: TOPOGRAFIAS CONSTRUÍDAS.SISTEMATICIDADE.ENTREs como formas de impor ações sobre o espaço existente.

Mantendo ativos:

CONTRASTES URBANOS | CORPO > FORMA > PROCESSOS > TEMPORALIDADES > INCORPORAÇÃO PERCURSO > MOVIMENTO > DINÂMICAS URBANAS E TEMPORALIDADES DA CIDADE


El nuevo interés en la topografía se refleja en una sensibilidad arquitectónica y urbanística, en la busqueda por comprender y aprehender nuevamente el territorio. TOPOGRAFIAS CONSTRUÍDAS [summa+ 117]

A base do terreno não é um limite, uma barreira, mas uma camada a ser trabalhada acima e abaixo, maleável e infinita, está ligada ao entorno, aos volumes e aos vazios. Ao se integrar arquitetura e terreno, a paisagem ganha autonomia e é capaz de estabelecer conexões mais fortes com o espaço existente.

TOPOGRAFIAS CONSTRUÍDAS

CIDADE DA CULTURA DA GALÍCIA . PETER EISENMAN

2006.2011


CAPILLA DEL RETIRO . CRISTIÁN UNDURRAGA 2008.2009


CENTRO DE ARTES EM SINES . AIRES MATEUS

2005


La relación de los usuários con la obra arquitectónica debe ir más alla del extrañamiento o la empatía; esta solo es realmente fructífera cuando el processo proyectual puede ser reconstruido por un observador, lo cual no resulta posible si los criterios formativos de la obra no son claros y visibles ante una mirada atenta. [...] el encuentro de un sistema con situaciones programáticas y contextuales concretas siempre resulta en obras singulares. SISTEMATICIDAD [summa+ 106]

HOSPITAL DE VENEZA . LE CORBUSIER 1964

A repetição racional capaz de formar variabilidade de espaços. Não o módulo pelo módulo, nem a forma pela forma, mas a distribuição de um volume recorrente na finalidade de estruturar uma totalidade diversificada.

SISTEMATICIDADE


Pensar os espaços ENTRE, na relação dos vazios e das percepções das camadas que constroem espacialidades, as interfaces dos subsistemas, os encontros e até mesmo as fricções, os pontos de desencontro são potenciais a serem trabalhados. Parte do pensamento oposto ao de tábula rasa, insere-se nos inter EXISTÊNCIAS.FUNÇÕES.VAZIOS.VOLUMES.TEMPOS.MATERIAIS, permeia a cidade e as camadas que já configuraram o espaço, tende a adicionar camadas, não impor uma arquitetura pré-estabelecida, nem negar o contexto na qual se insere.

ENTREs At Le Fresnoy I wanted to extend the notion of crossover by combining old and new. The project became focused around the notion of the «in between» spaces located between the new roof and the existing roofs of the old buildings. [bernard tschumi] Superimposition Justaposition of the old in the new

Trabalha o in between –programa, existência, meios- qualifica espaços de forma desprogramada, desconstrói os elementos arquitetônicos por função – rampa, escada, passarela- e adiciona significados à eles ao criar uma circulação que não têm apenas a necessidade de ligar pontos, descondiciona a relação entre uso e configuração de espaços.

LE FRESNOY . BERNARD TSCHUMI

1997


CAIXA FORUM . HERZOG & DE MEURON

2001.2007


MUSÉE NATIONAL DES BEAUS.ARTS DU QUEBÉC . BIG 2010


High Line pensado não como parque necessariamente, mas como espaço linear que percorre a cidade construindo diferentes captações do espaço urbano. High Line + Edificações programáticas High Line + Parc de La Villette

HIGH LINE . JAMES C.F.O. DILLER SCOFIDIO.RENFRO 2003.2008.


16 Partindo dessas primeiras aproximações, para a constituição de um ideal de urbanidade a ser construído, tem-se:

.Repensar as práticas urbanas . Relações edifício-paisagem-

cidade. Nesse sentido, pensar um edifício-parque, que se estabelece na cidade como continuação do percurso urbano. Continuação da cidade, do meio, do contexto, das condições da sua área, mas que tenha dinâmicas internas próprias.

.Programa misto > carrega a dinâmica da cidade, com outras

propostas e leituras, mas não é rígido, mantém diferentes vivências ao longo dos períodos do dia, é sempre movimento.

.A arquitetura não é forma final, é possibilidades de, é parte do

processo Leitura de potenciais do espaço não pela forma, mas pelas dinâmicas da cidade. Post It City

Os eventos temporários e esponâneos de Post It City podem dar indícios de necessidades estruturais da sociedade no local. Apresentam dinâmicas latentes que margeiam a infra estrutura urbana existente e programada. [...] lícita ação intrusa, parasitária e de reciclagem como estratégias de sobrevivência e de imaginação. [david sperling]

.O edifício nunca se nega para a cidade, sempre compartilha

das dinâmicas pré-existentes e deve ser pensado para maximamente ser parte desse meio, atendendo suas dinâmicas, potencializando a possibilidade de acontecimentos urbanos, a arquitetura deve ser tal que entremeie cada vez mais a rua, o espaço coletivo.

VIVÊNCIA > DIVERSIDADE CIDADE . EDIFÍCIO | ESPAÇO DE DINÂMICAS COLETIVAS

.Assume

a cidade como obra processual, e que seja transformada pelas intervenções (cidade em camadas).

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Processos de análise das dinâmicas da cidade, para proposta de intervenção como ação-resposta à cidade existente. Para tanto destaco algumas abordagens: as Post-It Cities como latências urbanas, processos espontâneos que acontecem na cidade, e que não são vinculados à espaços programados para recebê-los, são vivências que devem ser atentadas como indícios de necessidades espaciais dadas pelas atividades da sociedade, as quais pode responder uma intervenção. Uma primeira aproximação nessa co-relação entre edifício e cidade, se dá pela permeabilidade proposta do edifício com o espaço envolto. Nessa interação, é interessante pensar as diferentes propostas de aberturas: como elas podem pontuar, destacar uma visual da cidade; pode se expandir e se abrir para o meio urbano ou se fechar; a implantação do edifício como continuação de um percurso urbano: recortes no terreno, subsolo, elevações [...] o que suscita como esse percurso, ao entrar no edifício pode ser trabalhado dentro e fora, cima e baixo - e como continuação desse caminhar urbano, como pode ser trabalhado um edifício que percorra contrastes permitindo um outro grau de leitura da cidade por quem o percorre. A partir dessas análises urbanas, a lógica de ações projetuais como ações-resposta à cidade subjacente são propostas de acordo com as condições existentes. E assim, a criação de uma espécie de sistema, não como módulo formal ou programático, mas uma lógica de ações a serem combinadas criando espaços singulares.

A CIDADE ENTRE CONTRASTES.DEFINIÇÕES SEM LUGAR


18 Aos diferentes contextos que entremeiam as camadas da cidade e que constituem a variabilidade de e s p a ç o s , à d i v e rs i d a d e d a s dinâmicas urbanas. Leitura de cidade integrada, de múltiplas possibilidades, de seus inúmeros acontecimentos. O que constrói esse espaço são suas diferenças, portanto MOVIMENTARse entre elas, PERCEBÊ-las e ATIVÁlas são três ações concomitantes que somadas às inúmeras situações geram as infinitas experiências e experimentações de cidade. Figurativamente, essas camadas se apresentam separadas entre apropriação, resíduo, sistema e vazio. E a esses contextos aplicam-se os MOVIMENTOS, PERCEPÇÕES E ATIVAÇÃO DOS ESPAÇOS, pensando que a força de uma intervenção é sua capacidade de transformar essas ações e não de negar as camadas.


MOVIMENTOS Percorrer as camadas sem invadi-las, atravessar seus limites, uma situação de cada lado, não corta nem insere, percebe as diferenças por estar entre elas, caminhar entre as barreiras.

Caminha dentro dos contextos, percorre seus meios, rasga e atravessa, percebe cada camada por vez: insere-se em uma, depois em outra [...]. Adentra, invade, quebra barreiras e limites.

permear

limiar


PERCEPÇÕES . DISPOSITIVOS Um dos dispositivos de percepção do espaço em contraste tem como base a composições de aberturas e fechamentos visuais e táteis entre os espaços internos da intervenção e o externo, do contexto.

ABERTURA E FECHAMENTO

Outra abordagem é quanto a relação da intervenção com seu interior, não pela criação de barreiras físicas com o exterior, mas criando dispositivos que focam questões internas ao espaço criado.


ATIVAÇÕES DO ESPAÇO . DISPOSITIVOS ADIÇÃO

As ativações do espaço tem uma relação volumétrica mais forte com o processo de intervenção no espaço. A criação de um volume e sua implantação no meio é uma adição. Cria barreiras ou faz ligações, infere fluxos e transforma seu arredor, adiciona usos, edifica.


SUBTRAÇÃO

Ao fazer a retirada de um volume existente, cria-se novas relações do espaço que antes estava limitado pelo volume subtraído, e o vazio criado. Possibilita novos caminhos, novas paredes são percebidas, afasta-se os limites, redireciona-se barreiras.


INCISÃO

A incisão, dentro dessa atuação, seria mais a transformação de um espaço dado, sem ainda a necessidade de adicionar ou subtrair o volume a ser ativado: ao requalificar, dar novos usos ou garantir acesso, são transformações mais sutis que respondem a potencializar algo que já existe.


, 26


NORTE

LUGAR


28 Por Nelson Kon apud Sentidos do Anhangabaú [pablo emilio robert hereñú]


Mercado Municipal Viaduto Santa Ifigênia Praça da República

Viaduto do Chá Biblioteca Mário de Andrade Pátio do Colégio

Área de Intervenção Praça da Sé


Tomando como partido três superfícies que determinam o recorte da cidade de São Paulo entre . C E N T RO VELHO|CENTRONOVO|VALE DO ANHANGABAÚ|LARGO DA MEMÓRIA. em três marcos significativos :Edifício Martinelli :Parque do Anhangabaú :Plano de Avenidas

AS CAMADAS HISTÓRICAS QUE CONSTITUEM O ESPAÇO


32 Área de Intervenção Linhas gerais: verticalização como um processo histórico que beneficiava classes de alta renda, em territórios já com melhor infraestrutura urbana. A análise histórica do centro da cidade de São Paulo, nos traça um perfil de ocupação que é verticalizado, mas não necessariamente denso. Dadas as propostas de legislação do espaço urbano, a ação municipal é mais um processo de regulamentação dos coeficientes de aproveitamento – densidade de construção - a fim de controlar uso e distribuição de infraestruturas urbanas e valores fundiários.


1910|1920. Início do processo de verticalização, a exemplo de outros casos mundiais (Chicago, Nova Iorque), otimização de terrenos >escritórios no Centro de São Paulo. 1930|1940. Plano de Avenidas Prestes Maia, maior investimento em infraestrutura urbana nas áreas adjacentes ao Centro >residências em bairros próximos ao Centro. > 1928 legislação de condomínio > 1929 Edifício Martinelli (coeficiente de aproveitamento 22x área do terreno) Até Segunda Grande Guerra. >70% dos edifícios na área central > 65% dos edifícios de uso comercial >investimentos em aluguéis (até 79% das unidades alugadas) 1940|1957. >71% dos edifícios construídos na área central >25% dos edifícios construídos de uso comercial >(até 25% das unidades alugadas) 1942. legislação do inquilinato (congelamento de aluguéis em período inflacionário) primeira crise na história da habitação. 1957. Anhaia Mello. Lei 5261 limita coeficiente de aproveitamento = 6x área do terreno para comércio, 4x área do terreno para residência. – antes a lei regulamentava apenas alturas de edificações, na zona central, por exemplo, esse limite era de 80m, equivalente a 25 andares, o que estimulava mais do que restringia o processo de verticalização - ; densidade demográfica máxima de 600 habitantes/hectare (35m² de terreno por unidade) – processo que excluía as classes mais baixas desse mercado imobiliário, dado o alto valor de terra. 1967. BNH 1972.

Lei de zoneamento - limitações de coeficientes de aproveitamento se

dissolvem no espaço urbano >4% da área de São Paulo tem coeficiente =1 > 86% da área de São Paulo tem coeficiente =2 > 10% da área de São Paulo tem coeficiente =4.


Mancha 1 . primeira verticalização|Centro Velho Edificio Martinelli 1929

Mancha 2 . segunda verticalização|Centro Novo

Mancha 3 . demais verticalizações|Adjacências ao centro


Angelo Bucci identifica três momentos históricos da relação da cidade de São Paulo com o vale do Anhangabaú:

Recusa. Da fundação até o século XVIII, a cidade se conformava dentre os vales do Tamanduateí e Anhangabaú, voltando-se para o centro, e fechando-se para os vales, como uma forma de consolidação defensiva ao que era exterior a essas barreiras naturais, e se utilizavam dos veios fluviais como comunicação e estruturação dos núcleos que se formaram.

Enfrentamento. Expansão a oeste do vale do Anhangabaú, que o tornou uma dificuldade física a ser transposta (20m de profundidade e 150m de largura)

Superação. Viaduto do Chá em 1892 (por Jules Martin) é a concretização do “sonho centenário realizado” que é a transposição do vale. Até esse momento, o baixio do vale era uma área “esquecida” da cidade, mas que a partir daí, sofreria intervenções que transformaram seu espaço na escala da cidade (Parque de Joseph Bouvard).


Parque do Anhangabaú Viaduto do Chá Projeção do Triângulo Histórico > século XVIII


O Viaduto do Chá, em 1929 chama a atenção de Le Corbusier, e em seus desenhos de projeto para a cidade permanecem as estruturas do parque e do viaduto como constituintes de um raciocínio de urbanização que transpõe as limitações físicas do relevo, e usa-se da natureza como espaços livres. Também nesse período, o Plano de Avenidas de Prestes Maia e Ulhôa Cintra configurou uma cidade de São Paulo que ainda é muito expressiva atualmente como sistema viário. O “Y” do plano com as radiais mais importantes – Avenidas Tiradentes, 9 de Julho e 23 de Maio – era o nó do sistema, que se articulava com a “sala de visitas” da cidade: O Parque do Anhangabaú. Mas vale destacar alguns contrapontos:

Parque e Avenida | o sistema viário proposto quase que negava o a existência de um parque, exatamente no ponto de maior força do encontro de vias: o Y do plano. Recinto e Metrópole | o enquadramento do Anhangabaú com dimensões rígidas e conformando a área fechada de grande monumento se contrapunha à escala metropolitana de importância de seu espaço.


Perímetro de irradiação | Plano de Avenidas Prestes Maia 1920>1930


Mancha 1 . primeira verticalização|Centro Velho

Parque do Anhangabaú Viaduto do Chá

Mancha 3 . demais verticalizações|Adjacências ao centro

Edificio Martinelli 1929

Projeção do Triângulo Histórico > século XVIII

Perímetro de irradiação | Plano de Avenidas Prestes Maia 1920>1930

Mancha 2 . segunda verticalização|Centro Novo


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LARGO DA MEMÓRIA


42 Trechos e Imagens de: Instituto Cultural Itaú . Cadernos da Cidade de São Paulo - Largo da Memória ; 6. São Paulo: ICI, 1993. 23p.


1857| A pirâmide, o paredão e o entorno são iluminados para a comemoração do aniversário da Independência 1867| A Comissão de Obras Públicas inicia reforma do chafariz e melhorias no Tanque Reuno 1873| Construção de uma escava de pedra unindo a Ladeira de Piques à Rua do Paredão Vista do Largo e arredores. 1860.

Militão Augusto de Azevedo

1876| Início da urbanização do Morro do Chá. Reforma do Largo da Memória e construção do terceiro paredão. Extinção do velho Chafariz do Piques 1899| a Rua do Paredão parra a ser denominada Rua Coronel Xavier de Toledo

Vista da Ladeira São Francisco para Largo da Memória.1860 Militão Augusto de Azevedo

1908| A Ladeira do Piques, por exigência popular, teve seu nome alterado para Rua Quirino de Andrade 1919| Iniciada a reurbanização do Largo da Memória com o projeto do arquiteto Victor Dubugras, auxiliado pelo desenhista Wasth Rodrigues. Início da construção do quarto paredão

Rua Quirino de Andrade.1919.

Autor desconhecido


1922| No Centenário da Independência é inaugurado o novo Largo da Memória, na gestão de Washignton Luís 1941| Rebaixamento do leito da Rua Formosa 1975| Tombamento do largo pelo Condephaat 1976| O metrõ inicia a instalação do canteiro de obras da Estação Anhangabaú

Reabertura do Largo da Memória.1922.

Guilherme Gaensly

1983| Inauguração da Estação Anhangabaú do Metrô

Vista aérea do largo em obras do Metrô.1984.Autor desconhecido

Chafariz e escadaria.1960.

Benedito Lima de Toledo

1984| Término da pintura do painel de Tomie Ohtake

Vista em direção à R. Cel. Xavier de T.1971.

Da escadaria ao obelisco.1992.

Autor desconhecido

Susana Coroneos


Chafariz do Largo.1990.

Jorge Rosenberg


46 Largo da Mem贸ria . 2012.

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Dadas as camadas históricas apresentadas, o espaço atual pode ser lido em três camadas APROXIMAÇÃO . TRANSIÇÃO . DISTANCIAMENTO , esses nomes se ligam ao processo histórico de atravessar o vale do Anhangabaú, não que necessariamente sejam significativos das dinâmicas atuais - por exemplo, não se percebe um distanciamento da cidade para o vale atualmente- mas formam três níveis de urbanidades sobrepostas.

CAMADAS URBANAS


48 APROXIMAÇÃO

TRANSIÇÃO

DISTANCIAMENTO


APROXIMAÇÃO

TRANSIÇÃO

DISTANCIAMENTO


APROXIMAÇÃO| Cota alta, relativa ao triângulo

histórico e às primeiras construções da cidade, suas dinâmicas se aproximam a escala do pedestre


TRANSIÇÃO| Plano Inclinado entre

as cotas altas e baixas, dinâmica de fluxos, de travessias, de subir e descer entre as camadas.


DISTANCIAMENTO| Cota baixa de fundo de vale, força do

sistema viário, as dinâmicas se aproximam da escala dos veículos, a consolidação espacial se faz pela fluidez das vias de trânsito, com grandes vazios volumétricos que mais que um vale topográfico, se torna um vale de construção.


A camada de TRANSIÇÃO é de grande potencial na cidade, está entre níveis de movimentos intensos, de aceleração, é um entrave, está entre limites. Não apenas ser o fluxo entre as barreiras, ela pode gerar movimento.


, 56


O levantamento fotográfico da área como forma de explicar o espaço, de possibilitar visualizações do meio. Em linhas gerais: .edificações residenciais nos pavimentos superiores [uso decrescente, migração para adjacências] .térreo de comércio e serviços .força de movimentos em horários comerciais .grande fluxos de movimento - Estação Anhangabaú de Metrô e Terminal Rodoviário Bandeiras .a imagem da multidão e do trabalhador

FIGURAÇÃO DO ESPAÇO


58 1 5 6 7

2 3

8 4

PARA DENTRO


1

2


3

4


5

6


7

8


9

10

PARA FORA


9

10


15 11

12

13

16

14

17 18

COMPLEMENTOS


11

12


13

14


15

16


17

18


VISTAS DA PASSARELA


VISTAS DA PASSARELA


VISTAS DA PASSARELA


EMPENAS DA ÁREA


, 74


AÇÃO


76


Qualificar esse espaço em uso, a passarela tem um forte potencial para ser projetada como ambiência na cidade, espaço a ser caracterizado muito além de puramente funcional. Mais que os pontos que liga, importa o percurso percorrido, os enquadramentos e percepções da cidade, destacando seu nível acima da cota “térrea” das Avenidas 9 de Julho e 23 de Maio, e sua dinâmica exclusivamente peatonal, quando muito, de bicicletas e skates que em seus percursos se aproximam mais do caminhar em pernas, do que dos veículos motores. Por não ter essa dinâmica em que as vias de transito ditam a velocidade, as paradas e o tempo da caminhada, é um espaço que pode promover percepções desaceleradas da cidade em sua alta velocidade: as avenidas, as multidões, o terminal, o Viaduto do Chá, o parque do Anhangabaú. Interessa aqui, nesse entrave de cidade funcional, um respiro que não se sirva apenas de local de passagem, de pressa, de ocupações demais para se permitir apreender o Largo da Memória, a passarela elevada e toda a cidade que se apresenta dali. Propõe-se um espaço que não se prenda apenas às atividades de horários ditos comerciais, porque a cidade não só se vende. O espaço tem um potencial que dorme quando se fecham as portas das vendas, e que deveria se ativar de segunda a segunda, de dia e de noite, pois tem latências maiores que atravessar a passarela, subir a ladeira, desviar das barreiras, andar nos caminhos. Atenta-se inserir novas ações ao espaço dado.

PROGRAMA


78


Mテ好IAS


café | lanchonete | padaria papelaria | xerox auto atendimento bancário comércio . MÍDIAS Comércio de pequeno porte Serviços

postagem suporte a Estação Anhangabaú comércio de material para produção auditório foyer | sala branca

PAVIMENTO CIDADE


QUADRO DE ÁREAS 3100m² . ESPAÇOS DE CONTENÇÃO

estúdio estúdio

computação revelação

computação revelação

atelier aula auditório

atelier loja auditório

midiateca

midiateca

1280m²

1170m²

sala branca foyer auditório

midiateca 650m²


MEIOS INVÓLUCROS | ESPAÇOS DE CONTENÇÃO . Fechamento de ambientes mais voltados a atender o programa educação|produção|exposição das mídias. São edificados e assumem-se como volumes.

MEIO HÍBRIDO | PAVIMENTO CIDADE Cota invasiva, menos que um bloco, é uma camada que não se limita aos volumes edificados ou às vias. Continuo da cidade que se desprende do solo, permeável e coletivo.

.câmara escura | denso, fechado, labiríntico. .enquadramentos | rasgos e caminhos que enquadram partes da cidade, cria cenários. .filtros | peles que modificam as percepções do meio envolto. .paisagem | maior permeabilidade visual do edifício para o meio e do meio para o edifício.


Câmara escura 840m² Enquadramentos 1320m² Paisagem 1280m² Filtros 720m²


Pavimento Cidade 3000m²


86 Partindo do olhar do cinema, fotografia e artes gráficas, propõe-se uma criação de invólucros que tenham esse olhar transformado para a cidade e os espaços de contenção como parte dessa forma de sentir o meio construído.

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Cidade múltipla, que mantém a diversidade de atividades, horários, pessoas, que OFERECE mais que funcionalmente-estritamente-corretamente espaços funcionais-estritos-corretos, mas ambiências de liberdade de apropriação, de vivência. Borram os limites de usos, de especificações, a cidade é o lugar onde o transeunte se identifica, não pela compatibilidade de detalhes, mas pela liberdade de se sentir parte dela, ao compreender que a arquitetura . não a edificação, mas a constituição dos espaços. acontece quando ela é experienciada.

CIDADE NO HORIZONTE


88 Onde as dinâmicas da cidade acontecem? Quais as condicionantes de seu espaço? O que tensiona quando se fecha parte da cidade em espaços privativos? Como desconectar os movimentos do terreno? Como liberar os térreos urbanos?


Primeira aproximação com a área | estudo das áreas a serem modificadas, pontos de entrave, dinâmicas existentes.

PROCESSOS


Proposta a ser negada | ocupação de todo o terreno delimitado entre edifícios e vias existentes.


Primeiras intençþes de projeto | atravessar vias, criar eixos estruturais.


Cortes esquemรกticos


Proposta de intençþes e as camadas da cidade


Cortes esquemรกticos e as camadas da cidade


Área geral, eixos e mais intenções


Desmembramento do eixo em «braços» de uma centralidade


Ocupação do térreo no terreno

Nivelação dos pavimentos dos edifícios em um nível comum: um pavimento de conexão


Desenho do nível comum com vazios para relação com pavimentos inferiores e térreo.


As dinâmicas próprias do terreno da cidade, na conformação existente, se perdem com o fechamento de espaços para usos privativos ou de maior grau de especialização. Entender que as dinâmicas e os térreos não são necessariamente a mesma camada da cidade e desconectá-los como proposta de manter as vivências urbanas e ainda assim permanecer seus vazios, importantes como respiro e como contraste à massa edificada como barreira no percurso do terreno.

TÉRREOS E TERRENO


100


TÉRREOS DA CIDADE


TÉRREOS DA AÇÃO


C창mara escura

Paisagem

Enquadramentos

Filtros

PERSPECTIVA EXPLODIDA ACESSOS | VOLUMES


PAISAGEM| tĂŠrreo +1 pavimento + pavimento cidade +2 pavimentos

FILTROS | tĂŠrreo + 2 pavimentos + pavimento cidade


CÂMARA ESCURA| térreo +1 pavimento + pavimento cidade +3 pavimentos

ENQUADRAMENTOS| térreo + 2 pavimentos + pavimento cidade


A A

CORTE AA


B

B

CORTE BB


VISTA GERAL


VISTA GERAL


VISTA DA PASSARELA


VISTA DO VIADUTO DO CHÁ


VISTA DA ESTAÇÃO ANHANGABAÚ DE METRÔ


VISTA DA RUA FORMOSA


VISTA DA RUA XAVIER TOLEDO


VISTA DA RUA JOテグ ADOLFO


. 118


TGI 1 Inah Prado Nassu