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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIFANOR | WYDEN CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL - JORNALISMO

ILLYANA RAQUEL AMARANTE MOREIRA

ASSÉDIOS COTIDIANOS – O ASSÉDIO CONTRA MULHERES JORNALISTAS

FORTALEZA 2018


ILLYANA RAQUEL AMARANTE MOREIRA

ASSÉDIOS COTIDIANOS – O ASSÉDIO CONTRA MULHERES JORNALISTAS

Trabalho

de

Conclusão

de

Curso

apresentado à disciplina de Comunicação Social – Jornalismo, do Centro Universitário Unifanor Wyden, no formato de website, como requisito para obtenção do título de Bacharel.

Orientadora: Profa. MS. Eugenia Melo Cabral

FORTALEZA 2018 2


ILLYANA RAQUEL AMARANTE MOREIRA

ASSÉDIOS COTIDIANOS – O ASSÉDIO CONTRA MULHERES JORNALISTAS

Trabalho

de

Conclusão

de

Curso

apresentado à disciplina de Comunicação Social – Jornalismo, do Centro Universitário Unifanor Wyden, no formato de website, como requisito para obtenção do título de Bacharel.

Orientadora: Profa. MS. Eugenia Melo Cabral

Aprovada em: ____/____/_____

_________________________________________________________ Prof. Ms. Eugenia Melo Cabral (Orientadora) CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIFANOR | WYDEN

_________________________________________________________ Prof. Ms. Paulo Júnior Silva Pinheiro CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIFANOR | WYDEN

_________________________________________________________ Prof. Ms. Amanda Nogueira de Oliveira CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIFANOR | WYDEN 3


Ă€s mulheres que fazem parte da minha vida, responsĂĄveis direta e indiretamente por tudo que sou, fiz e farei. 4


AGRADECIMENTOS

Antes de mais nada preciso agradecer a Deus, e à toda energia que gira em torno d’Ele e de nossas vidas, pela possibilidade de chegar até aqui. Não foi fácil, nós sabemos bem. À Dona Maria, que é, sem dúvidas, a maior responsável por qualquer conquista que eu já tive ou venha a ter durante toda minha vida. À minha tia, que além de grande amiga contribuiu diretamente para que esse trabalho pudesse ser finalizado. E à minha mãe, que também contribuiu para criação da minha visão feminista. A um grande amigo obtido no decorrer do curso, Jadson Silva. Meu parceiro, desde o começo da faculdade até o final que, por vezes, foi também meu suporte, tanto acadêmico quanto pessoal. Bem como a outros amigos construídos no decorrer do curso, em especial aos do “Lado C”. Nós sobrevivemos. E foi uma honra dividir esses momentos. À minha orientadora que, desde o momento que me teve como aluna, me ajudou e me ensinou muito. Foi uma honra poder desenvolver esse projeto com alguém que aprendi a admirar tanto. Obrigada por entender meu tempo e pela confiança. E também a alguns outros professores que eu tive o enorme prazer de ser aluna e me apaixonar cada vez mais pela comunicação durante suas aulas. A um grupo de Facebook (aproveitando que as próximas páginas também irão falar sobre a atuação das mídias sociais no cotidiano das pessoas), que colaborou em larga escala com a realização da pesquisa principal desse trabalho e me possibilitou conhecer pessoas maravilhosas que me ajudaram com indicações para construir o referencial teórico desse projeto. Isso mesmo. Obrigada, Legadão. E, por último, mas de forma alguma menos importante, aos meus amigos que entenderam minha ausência nos últimos tempos. Em especial Lucíola e Iara, que me deram e sempre me dão força.

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“Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário”. (BEAUVOIR, 1967) 6


RESUMO O Objetivo desse trabalho é, principalmente, fazer uma crítica ao assédio às mulheres jornalistas no desempenho de sua profissão, por meio de análise de dados e fundamentações teóricas que expliquem o contexto social ao qual a mulher é inserida e submetida, de forma que isso explique porque essas ações acontecem e são consideradas como naturais. Além disso, demonstrar como as mídias digitais podem ser aliadas de movimentos que lutem em prol da defesa da mulher e do seu direito de liberdade e o impacto que elas já têm causado. Alinhando os dois temas, o trabalho se deu de forma prática, para ratificar o quanto a linguagem simplificada e recursos como vídeos e gráficos podem colaborar com a criação de uma linguagem mais acessível para a população de forma geral. Ao final, busca-se compreender quais seriam as mudanças sociais que precisariam acontecer e de onde elas precisariam partir para que situações de assédio e submissão feminina possam de fato ser erradicadas, tanto com mulheres jornalistas quanto mulheres em geral.

Palavras-chave: assédio; mulheres jornalistas; machismo; feminismo.

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RESUMEN El objetivo de este estudio consiste, principalmente, en hacer una crítica al acoso a mujeres periodistas en el desempeño de su profesión, por medio de una análisis de datos y fundamentos teóricos que explican el contexto social al cual la mujer es insertada y sometida, de forma que eso explique porque estas acciones ocurren y se consideran normales. Por otra parte, demostrar cómo es posible aliar los medios digitales a movimientos que luchan en favor de la defensa de la mujer y de su derecho de libertad y el impacto que ellos ya han causado. Al ajustar los dos temas, el trabajo se dio de forma práctica, para ratificar cuanto el lenguaje simplificado y algunos otros recursos como videos y gráficos pueden colaborar con la creación de un lenguaje más accesible para la población de forma general. En conclusión, se buscó comprender cuáles serían los cambios sociales necesarios y de donde ellos deberían partir para que situaciones de acoso y sumisión femenina puedan de hecho ser erradicadas, tanto con mujeres periodistas como con mujeres en general.

Palabras clave: acoso; mujeres periodistas; el machismo; feminismo.

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 10 2 FEMININO E MASCULINO ............................................................................... 14 3 A MULHER NO MERCADO DE TRABALHO ................................................... 17 4 O ASSÉDIO À MULHER ................................................................................... 20 4.1 CULTURA DO ESTUPRO ................................................................................. 20 4.2 HISTÓRICO DO ASSÉDIO ............................................................................... 21 4.3 CRIMINALIZAÇÃO ............................................................................................ 22 5. MOVIMENTO FEMINISTA .................................................................................. 24 5.2 NASCIMENTO DO FEMINISMO ....................................................................... 24 5.3 TIPOS DE FEMINISMO .................................................................................... 26 5.3.1 FEMINISMO NEGRO .................................................................................... 26 5.3.2 FEMINISMO INTERSECCIONAL .................................................................. 27 5.3.3 FEMINISMO LIBERAL ................................................................................... 28 5.3.4 FEMINISMO RADICAL .................................................................................. 29 6. INTERNET E REDES SOCIAIS .......................................................................... 30 6.2 EVOLUÇÃO DO MUNDO VIRTUAL ................................................................. 30 6.3 WEBJORNALISMO ........................................................................................... 31 6.4 MOVIMENTOS NAS ESFERAS DIGITAIS ....................................................... 32 7. A MULHER E O JORNALISMO ......................................................................... 35 8. PESQUISA SOBRE O ASSÉDIO ....................................................................... 36 9. CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................ 29 10. REFERÊNCIAS ................................................................................................. 41

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1. INTRODUÇÃO

No mundo atual, mesmo após longos processos de transformação e conquistas obtidas pelo sexo feminino, ainda é possível identificar certas situações nas quais as mulheres possuem menos direitos se comparados com os dos homens, como demonstrado nos textos e estudos a seguir. A nível nacional os números podem ser facilmente apresentados. Uma pesquisa feita pelo Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança, com dados referentes ao ano de 2016, traz algumas informações que relatam ações contra mulheres, tais quais, 503 mulheres brasileiras são vítimas de agressões físicas a cada hora, entre elas, 52% nunca falaram abertamente sobre o assunto ou relataram o ato, e apenas 11% procuraram a delegacia da mulher. 5,2 milhões de mulheres já sofreram assédio em transporte público e 2,2 milhões de mulheres já foram beijadas ou agarradas sem nenhum tipo de consentimento. Segundo o estudo de Estatísticas de Gênero do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2018, as mulheres trabalham em média três horas por semana a mais do que os homens, combinando trabalhos remunerados, afazeres domésticos e cuidados de pessoas e, mesmo contando com um nível educacional mais alto, elas ganham, em média, 76,5% do rendimento dos homens. Dados como esses ratificam com que as mulheres passam, em diversos ambientes do seu cotidiano, por situações desconfortáveis e que as diminuem, usando como justificativa o fato de estas serem mulheres. No mercado de trabalho, mesmo com maior capacitação, as mulheres continuam a ganhar valores menores que os dos homens. Parte dessa discrepância aparentemente se baseia na diferenciação como os cargos ocupados. Homens comumente trabalham em empregos e áreas com melhores remunerações, muito embora essas diferenciações, tanto salarial quanto ocupações de cargos e setores específicos, não devesse existir. Trabalho é realização de atividades (RAGO, 2012, p.8), desta forma, a diferenciação biológica não deveria se enquadrar como pré-requisito para sua realização. Entretanto, essa diferença biológica entre os sexos historicamente foi o fator determinante para a atuação da mulher no mercado (MESQUITA, 2009) e na forma que ela iria desenvolver toda sua vida. 10


Além do atraso histórico que faz com que as mulheres precisem se esforçar mais em mostrar que podem ocupar certos cargos, existe também o fato assédio, que, além de não fazer parte da rotina de um homem (MESQUITA, 2009, p. 10, apud BOSCO, 2001, p. 1) pode ser algo determinante para o futuro de uma vítima (GREENFIELD E COLBY, 2018, REVISTA EXAME). Visando discutir essas problemáticas, esse trabalho busca explanar por quê mulheres são obrigadas a passar por essas situações durante toda a sua vida e, principalmente, desmistificar a ideia de que essas ações são comuns e aceitáveis. Tendo em vista que elas são fatores determinantes para mudanças de comportamento, elas não podem simplesmente passar por despercebidas e caírem no esquecimento. Enquanto o feminino é tido como ofensa, tom pejorativo, o masculino é orgulho, ações e atitudes quase animalescas são vitoriosas e justificadas com biologia (BEAUVOIR, 1949). E são essas justificativas que podem trazer às ações o conceito de normalidade. No decorrer deste trabalho são explicados os conceitos de assédio e a forma que ele de materializa no dia a dia das mulheres profissionais, neste caso especificamente com mulheres jornalistas, que atuam em uma profissão de contato direto e diário com o público. Para isso, além de conceitos e definições de assédio – moral e sexual –, a forma de identificar e denunciar a prática e meios para combatê-lo, o trabalho também faz uma ligação do tema com o movimento feminista. O movimento tem trazido às claras questionamentos que se referem ao modo de atuação e ausência das mulheres no mercado de trabalho (REIS, 2013), demonstrando que a luta de um pode estar diretamente ligada à erradicação, ou pelo menos ao alerta em busca de diminuição, do outro. Diversas dificuldades são encontradas ao se debater o assunto e principalmente para se realizar uma denúncia, a exemplo a ausência de tipificação criminal em relação ao assédio moral, que, atualmente, no âmbito trabalhista, não passa de projetos de leis que tramitam entre as esferas governamentais desde 2001. Para utilização de argumentos probatórios, leis que se assemelhem ao assunto são utilizadas.

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Em contrapartida, o assédio sexual já é tipificado como crime, mas essa ainda não consegue ser a solução final para o problema. Por vezes se detecta que não somente as dificuldades de produzir os meios probatórios são empecilho para a denúncia e processo do assédio sexual deve-se considerar diversos fatores sociais e situacionais que envolvem a mulher trabalhadora em seu ambiente de trabalho, social, econômico e o legado histórico (pré-conceitos) que pesam até os dias atuais (MESQUITA, 2009, p.11)

Neste momento, o movimento feminista é um importante fator por ter em seu cerne a luta de empoderamento feminino e o discurso de proteção e denúncia, aconselhando e ajudando mulheres a terem forças para denunciarem seus agressores e mostrando que elas não estão sozinhas. Diante destes dados e fatores, este trabalho pretende elucidar o que se configura como assédio e como a prática pode ser responsável por decidir todo o futuro de uma mulher jornalista, quais sequelas eles podem deixar e como vertentes do movimento feminista pode estar ligado de forma intrínseca à luta pelo fim do ato. Entendendo que o assunto precisa ser trazido à tona e posto, quanto mais possível, em visão clara, a análise deste trabalho se dá de forma prática, na criação de um website que traz explicações de temas significativos e pertinentes ao assunto e relatos de jornalistas que viveram experiências reais durante a atuação de suas profissões. A internet, tanto por meio de sites e blogs quanto por redes sociais, tem sido uma forte e importante difusora de ideais do movimento feminista. Inegavelmente o meio é um dos principais responsáveis pela globalização atual de informações, desta forma, não poderia ser diferente ele ser um recurso forte para contribuir com a disseminação de empoderamento feminino, bem como outras questões que são necessárias sobre o tema. Em contrapartida, a internet também é um meio perigoso, por dar possibilidade ao emissor de falar abertamente sobre qualquer assunto (mesmo que tenha punição posterior, caso teor da mensagem realmente tenha conteúdo considerado criminal, por exemplo). Logo, o acesso a essas informações também pode causar danos negativos. Nesse ponto, iremos buscar entender quais são os tipos de conteúdo que podem ser ofensivos, em que momento isso se liga à profissão de uma jornalista e 12


por quê as pessoas se sentem no direito de expressar opiniões que podem causar danos às outras e como a internet está atuando como ferramenta de ajuda, apoio, ensinamento e suporte para mulheres. No desenvolvimento da temática são apresentados dados e fornecidas informações que permitam a identificação do assédio dentro da atuação da profissional jornalista, mostrando casos reais por meio de entrevistas, analisando, por meio de pesquisa pública, o que as pessoas pensam sobre o assunto e como lidam com ele no dia a dia, além de disseminar conceitos contra o assédio. Para explanar a forma que a mulher é vista pela sociedade e como o sexo, bem como as características e atitudes do mesmo são fatores construído socialmente, referências são usadas tanto atuais quanto de décadas e séculos passados, mostrando também como esse processo se desenvolveu no decorrer dos anos. A escolha do tema se justifica principalmente pela busca de sanar um ato que retira de um ser humano um conceito básico, que é liberdade, tendo em vista que o ato é responsável por violar um direito individual de livre disposição do próprio corpo (PAMPLONA, 2005). Ainda segundo Pamplona, o assédio sexual “não devendo ser encarado como uma reles "infração moral".

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2. FEMININO E MASCULINO

Desde o início da humanidade, seja ele na teoria criacionista ou não, a mulher é posta como o segundo ser. Criada da costela, culpada pelo primeiro erro da humanidade, segundo teorias religiosas que são responsáveis por instruções sociais seguidas por milhões. A maioria das civilizações que temos registros colocou a mulher como pertencente a uma classe inferior, tendo por justificativa apenas o fato de ser a fêmea de sua espécie. Entretanto, no decorrer dos anos, essa diferença foi sendo questionada. A famosa frase de Simone Boeauvoir (1967, p. 7) afirma que “ninguém nasce mulher: torna-se mulher”, definindo assim que o indivíduo mulher não vem com nenhuma especificação pré-definida, tendo suas características construídas apenas no decorrer de sua vida, bem como o homem. Ao homem foi destinado o espaço aberto, os grandes cargos e as atribuições que requeriam inteligência e astucia, bem como as que requeriam força, À mulher os cuidados de seu marido, de seus filhos, de sua família, a reclusão ao lar, as tarefas domésticas que não necessitavam de muitas habilidades, pois a mesma não as teria (MESQUITA, p. 14, 200). Homens e mulheres biologicamente são diferenciados por partes do corpo pertencentes a cada um, com base nessa diferença anatômica, criamos duas categorias sociais: homem e mulher. A cada uma atribuímos um repertório simbólico artificial e arbitrário. As mulheres têm seu quarto pintado de rosa, seu corpo coberto por vestidinhos e suas orelhas furadas para receber um adorno logo nos primeiros dias de vida. Já os homens têm quartos azuis, roupinhas sem frufru e meses ou anos livres de acessórios (NÃO ME KHALO, 2016, p. 18).

Do nascimento ao crescimento, as crianças vivem sob normas que se estabeleceram socialmente no decorrer dos anos, ensinadas e vividas por seus pais, que vão se perpetuando cada vez mais perante a sociedade, à medida que são replicadas. Frases como “isso é coisa de menina” ou “isso é coisa de menino” são comumente proferidas quando os pais querem repelir alguma atitude de uma criança de determinado sexo que deseja realizar algo que a sociedade definiu que está designado apenas para o sexo oposto. Além de ações e objetos, características também são construídas socialmente. Mulheres são emotivas e doces, homens desapegados e práticos, tudo de forma 14


natural (NÃO ME KHALO, 2016, p. 19). Essas características chegam a ser questionadas quando exibidas ou faltosas em algum dos sexos. É nesse momento, quando limitam o feminino a atitudes simples e subjetivas, que se inicia o processo de submissão que se prolonga por toda a vida. A relação dos dois sexos não é a das duas eletricidades, de dois polos. O homem representa a um tempo o positivo e o neutro, a ponto de dizermos "os homens" para designar os seres humanos, tendo-se assimilado ao sentido singular do vocábulo vir o sentido geral da palavra homo. A mulher aparece como o negativo, de modo que toda determinação lhe é imputada como limitação, sem reciprocidade. (BEAUVOIR, 1970, p. 09)

Desta forma, verifica-se que grande parte das pessoas do sexo masculino cresce com alguns indícios de superioridade, enquanto parte do sexo feminino se habitua a aceitar situações com certas características de submissão. E, nesse contexto de construção social, pode entrar também o apetite sexual dos indivíduos. Segundo Wolf (1991, p. 170) “o impulso sexual é formado pela sociedade”. Portanto, se certas atribuições masculinas são postas como superiores, quando relacionado ao sexo, a situação pode tomar o mesmo caminho. Segundo Beauvoir (1967), durante toda a formação de uma criança, pelo menos até seus doze anos, ambos os sexos apresentam as mesmas características, é com interferência externa que individualidades de caráter sexista “porque a intervenção de outrem na vida da criança é quase original e desde seus primeiros anos sua vocação lhe é imperiosamente insuflada” (BEAUVOIR, 1967, p.10). Beauvoir (1967) cita ainda que a mulher, quando relacionada ao sexo, é inserida no mundo com outras visões, o que pode chegar a diminuí-la. Seu corpo é evidentemente uma plenitude para ela, mas ela se acha situada no mundo de um modo diferente do menino e um conjunto de fatores pode transformar a seus olhos a diferença em inferioridade (BEAUVOIR, 1967, p. 14).

A soma desses fatores pode gerar na mulher uma sensação de inferioridade, estabelecida unicamente pelo seu sexo. Estigmas sociais perpetuados no decorrer dos anos, de forma que marginalizassem algumas atitudes do sexo feminino perante a sociedade, mesmo que diminuídas pelas conquistas já obtidas, como descreve Mesquita (2009): (...) todavia, mais abrandada pelas lutas e conquistas femininas por igualdade. Mas, ainda assim, não conseguiu apagar dos subjetivos a figura masculina como “sensivelmente” mais poderosa que a feminina, num verdadeiro patriarcalismo velado, por isso, assim tanto as mulheres das sociedades primitivas e um número considerável ainda hoje sofre dos males

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que Birman chamou de “misérias psíquicas” que levam o sujeito a se submeter à violência e ao masoquismo, por medo de desemparo (2009, p.18).

Ainda nesse contexto, se as mulheres crescem ensinadas a aflorar sua feminilidade, uma que não o faz é vista com preconceitos e julgadas. Ensinadas, desde cedo, que construir uma família seria a máxima de suas vidas, conseguir um bom marido, ter bons filhos e um bom lar, as mulheres passam suas vidas sonhando com esse momento, mesmo que atualmente consigam introduzir nessa máxima também suas carreiras. Almejando tantas coisas em conjunto, as mulheres ainda precisam estar apresentáveis, de forma que não percam sua essência feminina, se não fosse necessário que a mulher crescesse já aprendendo a como se mostrar para o mundo, a seguir regras que a façam apresentáveis, elas “seriam muito menos obcecadas pela sua feminilidade; ganhariam com isso naturalidade, simplicidade, e se achariam mulheres sem tanto esforço, porquanto, afinal de contas, o são” (BEAUVOIR, 1967, p. 455). Assim, ratifica-se que as mazelas sociais adquiridas durantes séculos e séculos, que só começou a ter uma pequena fase de mudança (à época uma grande conquista) em meados do século XIX, quando começaram os questionamentos de que a negação ao direito de voto, era uma exclusão, até então baseada, novamente, no fator sexo (KARAWEJCZYK, 2014). Segundo Tiburi, se as mulheres conseguissem se unir, “confiarem em si mesmas e umas nas outras, o sistema sustentando na diferença hierárquica entre homens e mulheres e na estúpida desconfiança sobre a potência das mulheres pode ruir” (2018, p.24). A autora ainda identifica o patriarcado como uma forma de dominação feminina, predominando assim suas vontades mediante a sociedade fazendo com que a mulher acabe por se submeter a essas situações (TIBURI, 2018).

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3. A MULHER NO MERCADO DE TRABALHO

Ainda com o ideal de inferioridade, a mulher não tinha a possibilidade de adentrar ao mercado devido sua fragilidade e incapacidade. Foi na idade média que algumas funções de trabalho lhes foram atribuídas, segundo Mesquita, citando Rochadel (2009). Ao entrar no mercado, a mulher se deparou com inúmeras limitações, como mão de obra barateada, tendo que vista que suas atividades eram subalternas e discriminação devido sua condição. (...) a Revolução Industrial, que consolidou o sistema capitalista, o qual via no trabalho da mulher uma oportunidade de comprar mão-de-obra barata, assim justamente pela discriminação, os donos dos meios de produção, diziam remunerar menos as mulheres porque os homens já trabalhavam para sustentá-las. (MESQUISTA, 2009, p. 19).

A partir de então, estavam homens e mulheres envolvidos com o mercado de trabalho, sem qualquer tipo de lei que os amparasse ou protegesse dos interesses de seus patrões, que, por sua vez, não pensavam nas condições de seus funcionários, mas apenas na lucratividade de suas empresas e negócios. Não havia nenhuma interferência, até então, do estado nessas relações (ROCHADEL, 2007). Com o passar do tempo, notou-se a necessidade de interferir nessas relações, já que as condições de trabalho que se submetiam os funcionários, estes homens, mulheres e crianças, para que pudessem manter seus empregos chegavam a ser subhumanas, com jornadas longas de trabalhos e sem benefícios (LOPES, 2005). Entretanto, essas ações limitaram a mulher por estabelecerem que diversos tipos de trabalhos não poderiam ser executados por estas, devido as condições de risco, em outras palavras, as mulheres não tinham capacidade suficiente, seja essa física ou não, de realizar atividades que os homens realizariam por natureza. “Observa-se que a mulher desempenhava um papel secundário, em virtude da imposição patriarcal, que a julgava frágil e incapaz para realizar certas funções” (ROCHADEL, 2007, p. 01). Mesmo levando em conta a situação subalterna a qual a mulher era submetida, esta precisou adentrar cada vez mais no mercado de trabalho, a medida que o capitalismo tomava força a necessidade de fazer parte de economia trazia à mulher essa realidade.

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Com o passar dos anos as leis, tratados e constituições foram passando por alterações no que diziam respeito aos trabalhadores de forma geral e com certas especificações referidas às mulheres (ROCHADEL, 2007), mas foi o a Constituição Brasileira de 1988 considerada como “marco jurídico de uma nova concepção da igualdade entre homens e mulheres” (LOPES, 2005, p. 407) Trata-se da superação de um paradigma jurídico que legitimava declaradamente a organização patriarcal e a consequente preferência do homem ante a mulher, especialmente no locus da família. Em seu lugar, delineia-se uma ideologia de igualdade de direitos e deveres. Desaparece a figura da chefia da sociedade conjugal e com ela as preferências e privilégios que sustentavam juridicamente a dominação masculina (LOPES, 2005, p. 407).

A nova constituição foi responsável por estabelecer, na teoria, que a atividade, enquanto empregado, de um ser humano não deveria ter qualquer distinção quanto ao seu sexo, muito embora na prática ainda não tenhamos chegado, e nem estejamos tão perto, nesse patamar. O advento dessas normas também trouxe discussões morais e sociais para as relações homem e mulher, principalmente no âmbito familiar. Ora, se um homem já era socialmente construído como figura de maior importância dentro de sua casa, como, repentinamente este iria aceitar que sua inferior direta, a esposa, iria receber o a mesma remuneração que ele e ter direito a desempenhar a mesma função que, até então, era dele por direito natural. Lopes, citando Augusto de Lima, chega a relatar que uma mulher trabalhar sem autorização prévia de seu marido era uma afronta e desrespeito ao lar, pondo em cheque as questões morais do mesmo (LOPES, 2005). O primeiro dever da mulher é estar de acordo com o seu marido em todos os casos. Em relação a esta mulher, que vai para uma fábrica, para um meio desconhecido, cuja moralidade o marido não conhece, cujo patrão pode ter anexos ou em outras partes outras indústrias que explora, a disposição é profundamente imoral (LOPES, 2005, p. 417, apud LIMA).

Logo, podemos perceber que muito além das leis constituídas, estavam as construções sociais nas quais as mulheres eram julgadas e postar à margem da sociedade, tendo-as sempre como “o outro”, de modo que a instituição família deveria se preocupar e se basear com veemência com o que as pessoas iriam pensar. A família não é uma comunidade fechada em si mesma: para além de sua separação ela estabelece comunicações com outras células sociais; o lar não é apenas "um interior" em que se confina o casal; é também a expressão de seu padrão de vida, de sua fortuna, de seu gosto: deve ser exibido aos olhos de outrem. É essencialmente a mulher que ordena essa vida mundana (BEAUVOIR, 1967, p. 295).

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Na sociedade atual podemos perceber que esse paradigma de mulher exclusivamente do lar foi rompido por necessidade do capital e por lutas feministas ao longo dos anos, entretanto ainda nos deparamos com preconceitos sociais das mais diversas vertentes que sempre estĂŁo ligados Ă forma como a mulher atua na sociedade, seja dentro do ambiente familiar, como figura materna, como cidadĂŁ ou como empregada.

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4. O ASSÉDIO À MULHER

4.1 CULTURA DO ESTUPRO

Homens não são estuprados a cada hora. Essa já seria uma informação suficiente pra mostrar o quanto se vive em uma cultura de dominação. Mas, se levarmos em consideração que parte da sociedade nega a existência desse fato e tenta justificar alguns atos de violência, essa informação não é o bastante. O assédio, tanto moral quanto sexual, se caracteriza principalmente por proporcionar às vítimas situações constrangedoras e indesejadas, impondo a vontade do agressor. O assédio sexual é quando essas situações, além de desconfortantes e intimidadoras, possuem caráter sexual, seja sob forma verbal, não verbal ou física. Um levantamento feito pelo Datafolha em 2017, que entrevistou 1.427 mulheres brasileiras, afirma que 42% destas mulheres já sofreu assédio sexual, seja no transporte público, na rua, no trabalho, na escola ou na faculdade. Todas essas mulheres passaram por situações que se sentiram impotentes por um homem achar que tinha o direito de falar ou fazer algo que mostrasse o seu interesse e poder sob elas. Outra pesquisa, desta vez do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), apontou que 58,4% das pessoas entrevistadas concordam totalmente ou parcialmente com a frase “se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”. Esses dados são indicadores reais de que, para uma grande parte da sociedade, a vítima ainda é culpada por passar por situações assim, sejam elas atos consumados, como estupro, ou atos de assédio, que também trazem reflexos negativos levados para o resto da vida das vítimas. E vale ratificar que o tema não é novo, historicamente homens sempre tiveram um suposto direito de dominação sexual sob as mulheres, fosse para obter prazer próprio, fosse como forma de castigo para algum ato, ou até mesmo como produto de troca, muitas vezes negociado com outro homem. “Falar sobre assédio sexual é, em verdade, dissertar sobre uma doença social muito antiga, que é vista, porém, na sociedade contemporânea, sob uma nova roupagem” (PAMPLONA, 2005).

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A cultura do estupro e o assédio estão intrinsecamente ligados um ao outro, pois é apenas com hábitos culturais e enraizados que é possível tentar justificar atos que de forma alguma deveriam ser considerados como naturais em uma sociedade. Esta cultura, por mais que tenha um nome forte, atua “de modo sutil. Isso não quer dizer, no entanto, que não seja perceptível e não tenha efeitos reais na sociedade” (NÃO ME KHALO, 2014, p. 164). Na elaboração do livro pelo coletivo Não me Khalo (2014) os autores citaram que situações de assédio então intrinsecamente ligadas ao machismo e à certas características misóginas. O sentimento de posse do homem sobre a mulher, o controle, o abuso, a culpabilização da vítima e a naturalização da violência contra a mulher têm um coeficiente em comum: o machismo enraizado da nossa sociedade, fundada em bases culturais extremamente misóginas (NÃO ME KHALO, 2014, p. 192).

Em outras palavras, com o apoio dos autores citados é possível afirmar que para parte dos homens, provocar uma mulher está mais ligado a uma sensação de dominação gerada no ato do que um prazer por estar lidando com uma pessoa do sexo oposto.

4.2 HISTÓRICO DO ASSÉDIO

Como já citado anteriormente, foi na Revolução Industrial que a mulher passou a ser pertencente de fato no mercado de trabalho, salientando que as condições de pagamento e de atividade era de acordo com que seus patrões estabeleciam sem nenhuma possibilidade de contestação. Foi nesta situação, com essa liberdade do seu superior, que os assédios no local de trabalho passaram a fazer parte também de uma nova rotina das mulheres. Essa falta de proteção e a liberdade total do patrão de escolher a forma de pagamento, a condição de trabalho dos empregados se tornou um ambiente propício para os abusos dos patrões, dentre eles, como já falado, figuram o assédio sexual (MESQUITA, 2009, p. 23).

Sem nenhum tipo de lei que gerasse punição, já com o preconceito que carregavam nas costas por serem mulheres que ousavam trabalhar indo contra seus maridos, só restava às mulheres duas alternativas: permanecer calada e aceitar a situação ou abrir mão de tudo e voltar à submissão do lar.

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Os atos de assédio sexuais iam além da sensação de prazer, iam de encontro direto com a superioridade do agressor com a inferioridade da vítima, o ato de ratificar a falta de alternativa daquela pessoa e mostrar que ela precisaria passar por aquela situação, era sua obrigação caso ela quisesse continuar com aquela vida a qual ela escolhera. É, segundo Mesquita (2009), “imposição da vontade sexual sem o respeito ao direito de disposição livre do próprio corpo pelo outro”. Mesquita cita ainda Bourdieu e afirma que “conduta do assédio sexual significa para o assediante, a tentativa de exercício do desejo de dominação no seu estado mais elevado que se dá sempre através do abuso de poder” (2009, p. 25), ratificando a ideia de abuso e supremacia.

4.3 CRIMINALIZAÇÃO

No Brasil ainda não existe uma legislação específica que trate do assédio moral no âmbito de trabalho, atualmente as leis municipais e estaduais que falam sobre o assunto de forma direta ou indireta são usadas como meios probatórios para as defesas âmbito jurídico (SOARES e NETO, 2014). Já o assédio sexual é tipificado como crime desde 15 de maio de 2001, este tendo a seguinte definição: “constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente de sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função” (CP, art. 216-A, caput - Revogado pela Lei nº 12.015, de 2009). É importante frisar que o assédio sexual não se caracteriza como o ato sexual, no momento em que o ato é consumado o crime muda de nomenclatura e de penalidade. Assédio sexual é importunação. A penalidade para esse crime é de um a dois anos de prisão. O assédio sexual por vezes é socialmente defendido por se tratar “apenas” de uma cantada, entretanto, podemos mais uma vez classificar o ato que precisar mostrar a uma mulher que ela é do interesse de um homem como mais uma prova de enraizamento da cultura machista. A necessidade de afirmação, de proporcionar à uma pessoa situações que ela pode achar desagradáveis ou desconfortáveis apenas para salientar a opinião pessoa masculina, ratifica o ideal de que o homem sempre esteve socialmente habituado a fazer qualquer coisa que tivesse vontade, enquanto a 22


mulher precisava aceitar aquela situação sem qualquer tipo de reclamação ou até mesmo agradecer pelo ato. “Consideradas inferiores ao homem, a sexualidade das mulheres sempre foi objetivo de controle” (NÃO ME KLAHO, 2016, p. 153). O ato de assédio sexual é uma situação a qual mulheres são submetidas diariamente, ao sair da porta de casa, independente da roupa, do destino ou até do percurso, é comum passar por algumas ruas e ouvir comentários, sons de buzinas, entre outras formas de “mostrar interesse”. Alguns defendem a ideia de que isso é uma simples cantada, deveria ser considerada elogio. Entretanto, esses atos, além de objetificarem diariamente as mulheres, também trazem medos, por constatarem a vulnerabilidade a qual elas estão sujeitas. Em uma entrevista à Revista Exame (2018), uma jovem conta que durante sua busca por um diploma em uma grande instituição de estudo foi assediada por um dos principais professores da área que, ao ser rejeitado, insistiu e insinuou que a mesma havia se relacionado anteriormente com outras pessoas para obtenção de sucesso. A partir daí a jovem afirma que sua vida toda mudou, inclusive a mudança nos objetivos, para evitar passar por situações com essa mesma pessoa. Ou seja, para o agressor a vida continuou normal, foi apenas mais uma assediada que poderia ou não ter cedido, para a vítima todos os anos, dias e meses seguintes foram reflexos daquele momento vivido.

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5. MOVIMENTO FEMINISTA

5.2 NASCIMENTO DO FEMINISMO

Não existe uma definição exata e unificada da atuação, função e definição dos movimentos sociais (SCHERER-WARREN, 2006). Logo, qualquer ação coletiva com teor de reinvindicação pode ser relacionada como um movimento social. O movimento feminista passa a existir no momento em que as mulheres assumem uma consciência crítica, social e política de que sua participação na sociedade não deve ser limitada da forma que lhe é imposta, mas desde os tempos primários mulheres se mostravam contra as situações que lhes eram impostos. “Ao longo da história ocidental sempre houve mulheres que se rebelaram contra sua condição, que lutaram por liberdade e muitas vezes pagaram com suas próprias vidas” (PINTO, 2010, p. 15). Entretanto, apenas no século XIX que as mulheres se organizaram em conjunto para lutarem em busca de seus direitos. Na Inglaterra, elas lutavam por direito ao voto, foram presas, realizaram manifestações, se tornaram mártires ao morreram pela causa, até que em 1918 finalmente o direito ao voto foi conquistado (PINTO, 2010). Essa ficou conhecida como a Primeira Onda do Feminismo, e também teve suas ações no Brasil. Com a mesma pauta e também em busca de educação, as brasileiras obtiveram êxito com a Constituição de 1934 (REIS, 2013). A medida que o movimento crescia e o tempo passava, as pautas e reivindicações também iam se transformando. Com os êxitos, as derrotas e as situações a qual as mulheres feministas eram submetidas, as lutas iam tomando rumos e formatos diferentes. “Já foi sufragista, anarquista, socialista, comunista, burguês e reformista. Já lutou no Parlamento, nas ruas e nas casas para conquistar e garantir o acesso da mulher à educação formal” (REIS, 2013, p. 03). Entre esses processos de adaptação do movimento, de acordo com as descobertas de novas pautas e necessidades, um livro virou, permanecendo até hoje, um marco para o feminismo. Publicado originalmente em 1949, o livro de Simone de Beauvoir, O Segundo Sexo, traz críticas de como a mulher é estabelecida como O Outro pela sociedade, sendo o indivíduo que é deixado de lado, que é posto em segundo plano. 24


A crítica aborda que a imposição do homem sob a mulher não foi seleção natural, foi criada e estabelecida como regra. Elas são mulheres em virtude de sua estrutura fisiológica; por mais longe que se remonte na história, sempre estiveram subordinadas ao homem: sua dependência não é consequência de um evento ou de uma evolução, ela não aconteceu (BEAUVOIR, 1970, p. 13).

O livro também traz relatos de como era o movimento feminista à época e como as pessoas conviviam com essa realidade, em certo ponto, cita uma jovem que já havia obtido direitos de praticar esportes até então considerados de meninos, mas a realidade social construída ainda faz parte de sua rotina “querem, pelo menos, que ela seja também uma mulher, que não perca sua feminilidade” (BEAUVOIR, 1967, p. 23). Assim, o movimento continuou tomando força e criando rivalidades. Em 1960, o chamado Feminismo Contemporâneo nasceu nos Estados Unidos com o principal objetivo de eliminar a distinção criada a partir da diferença de gênero e da ideia de fragilidade atribuída às mulheres, não se buscava apenas direitos específicos, mas finalmente lutava-se por igualdade totalitária (PINTO, 2010). Enquanto isso, o cenário político no Brasil não era tão favorável para atuação de movimentos sociais e libertários, mesmo assim, em 1970 as primeiras manifestações feministas começaram a acontecer (PINTO, 2010). Pinto também destaca a mudança no movimento em decorrência da redemocratização dos anos 1980. Há inúmeros grupos e coletivos em todas as regiões tratando de uma gama muito ampla de temas (...) Estes grupos organizavam-se, algumas vezes, muito próximos dos movimentos populares de mulheres, que estavam nos bairros pobres e favelas (...) Este encontro foi muito importante para os dois lados: o movimento feminista brasileiro, apesar de ter origens na classe média intelectualizada, teve uma interface com as classes populares, o que provocou novas percepções, discursos e ações em ambos os lados (PINTO, 2010, p. 17).

Embora essa relação tivesse levado o movimento para um viés de novas discussões, também limitou algumas pautas, devido a relação com a Igreja Católica, como aborto, divórcio e liberdade sexual (RAIMUNDO, GEHLEN, ALMEIDA, 2006). De todo modo e em cada novo formato, o feminismo buscava sempre “uma sociedade sem hierarquia de gênero, uma sociedade na qual o gênero não seja utilizado para conceder privilégios ou legitimar opressão” (NÃO ME KHALO, 2016, p. 09). E, com o surgimento de cada vertente, a forma de lutar por essa equidade passa a adquirir pensamentos e ideologias diferentes. 25


5.3 TIPOS DE FEMINISMO

Os tipos de feminismo foram se segmentando à medida que os grupos encontravam pautas e necessidades diferentes a serem alcançadas, bem como formas diferentes de acreditar no processo de luta por igualdade. Entre os tipos de feminismo estão alguns dos mais falados e estudados na contemporaneidade, que são eles: feminismo interseccional, feminismo negro, feminismo radical e feminismo liberal. Algumas outras vertentes também existem, mas estas são ligadas mais diretamente a movimentos e lutas políticas, como feminismo anarquista e feminismo marxista. Além destes, também existe o transfeminismo, movimento ligados à luta por direitos das mulheres trans (pessoas que se identificam com o gênero feminino). A importância de especificar os tipos de feminismo, é mostrar que qualquer vertente do movimento luta pelo fim da inferiorização e subjetividade da mulher perante a sociedade e como o movimento está diretamente ligado a luta pelo fim do assédio sexual à mulher.

5.3.1 FEMINISMO NEGRO

O feminismo negro foi uma das primeiras vertentes a se perceber a diferenciação entre as pautas do feminismo contemporâneo, sendo formado quase que exclusivamente por mulheres brancas de classe média que reivindicavam maior participação política e direitos igualitários de gênero, e a exclusão as pautas de mulheres negras e periféricas. “Nos primeiros anos do século XX, o perfil das militantes feministas no país era composto, principalmente, de mulheres com formação universitária, de classe média e urbana” (DAMASCO, MAIO, MONTEIRO, 2012, p. 134). A medida que o movimento feminista foi tomando força, algumas situações vividas pelas próprias mulheres envolvidas com o movimento passaram a ser questionadas. Em meio aos avanços obtidos, como a criação do PAISM, novas questões começaram a ser discutidas nas décadas de 1980 e 199 0. Sob a influência do feminismo anglo-saxão, inicia-se nesse período uma crítica pelo fato de o feminismo ser liderado por mulheres brancas, urbanas e da classe média alta. Apontava-se, ainda, a necessidade de promover discussões mais amplas

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acerca de conceitos como classe social e raça (DAMASCO, MAIO, MONTEIRO, 2012 p. 135 apud PIERUCCI, 1999, p. 130).

Foi nesse momento que o feminismo negro passou a existir, tomando para si as pautas que incluíam mulheres negras e periféricas que também foram marginalizadas pelas brancas de classe média e alta. No 3º Encontro Feminista da América Latina e do Caribe, ocorrido em 1995 em São Paulo, as feministas negras apresentaram de fato suas pautas (DAMASCO, MAIO, MONTEIRO, 2012). Se as mulheres já tinham um atraso histórico que precisavam lutar e correr bastante – talvez nunca alcançando de fato – para alcançarem os homens, as mulheres negras tinham duas vezes mais. A escravidão e a marginalização, que por vezes a tornou a mulher periférica, fazem parte de toda a construção de vida de uma mulher negra, trazendo consigo, além da carga pesada de suas lembranças e de seus antepassados, preconceitos tanto femininos quanto masculinos. Depois de um quarto de século de “liberdade”, um vasto número de mulheres negras continuava a trabalhar no campo. Aquelas que se fizeram dentro da “casa grande” encontraram a saída em direcção a novas oportunidades carimbadas e fechadas (...) Apenas um ínfimo número de mulheres negras foi capaz de escapar aos campos, da cozinha ou de lavar roupa (DAVIS, 1981, p, 67).

O livro de Angela Davis, uma das maiores representantes do movimento feminista negro, “Mulher, raça e classe” traz diversos relatos de mulheres que passaram por situações de abusos e assédios ao trabalharem em casas de famílias brancas, por terem essa como única opção de sustento. A liberdade concedida aos negros foi apenas jogá-los ao mundo, perdidos, após anos de prisão e a mulher negra passou por situações dos mais baixos níveis.

5.3.2 FEMINISMO INTERSECCIONAL “De

maneira sintética, é

possível dizer que

(...) os estudos das

interseccionalidades privilegiam o par gênero-raça (embora isso não signifique que suspendam a classe como problema)” (BIROLI E MIGUEL, 2015, p. 30,31). É possível afirmar que o feminismo interseccional, como o próprio nome sugere, busca unir a luta de todas as vertentes, gênero, classe e raça. A interseccionalidade permite também verificar que os problemas e “sistemas de dominação são múltiplos” (BIROLI E MIGUEL, 2015, p. 47), possibilitando assim uma gama maior de estudos, de atividades sociais e políticas em prol de ações, e de 27


manifestações distintas, unindo diversos grupos em busca de causas que podem ser defendidas por todos. O movimento acredita que a única possibilidade de se criar uma vertente política e social que consiga atingir todas as causas e transformá-las, é a união de todas as lutas. Ao mesmo tempo que a dinâmica de opressão se define na convergência entre diferentes eixos, as formas de resistência e de organização coletiva são ativadas por experiências que não permitem isolar gênero, classe e raça (BIROLI E MIGUEL, 2015, p. 48).

5.3.3 FEMINISMO LIBERAL

A priori, é necessário explicar que o feminismo liberal está diretamente ligado ao sistema político denominado liberalismo, entretanto as primeiras ondas feministas (baseadas nesse sistema) de décadas atrás, não são os mesmos que atualmente são conhecidos pela sociedade. O liberalismo foi o primeiro suporte para as reivindicações do movimento: Mary Wollstonecraft sistematizou a primeira denúncia sobre a subordinação das mulheres, usando a doutrina liberal dos “direitos inalienáveis do homem” para reivindicar o direito das mulheres, sendo a defesa do direito à educação a maior bandeira de luta do feminismo naquele momento em diante (SILVA, 2008, p. 02)

Esse período de luta das mulheres, foi chamado de “Primeira Onda do Feminismo” (SILVA, 2008). Esse processo de contestações se deu principalmente no questionamento quanto à diferenciação por causa do sexo, tendo como única a “justificativa ideológica de que essa diferença era uma ocorrência da natureza” (SILVA, 2008). Embora tenha sito o pilar inicial para todo o movimento, as adeptas ao feminismo liberal foram mudando seus ideais à medida que perceberam que o liberalismo, bem como qualquer sistema à época (1960), era também um sistema “individualista” (MIGUEL, 2000). “Para elas, capitalismo e patriarcado são os dois elementos definidores das sociedades contemporâneas, sem que se possa considerar um mais fundamental que o outro” (MIGUEL, 2000, p. 97). Entretanto, essa corrente ainda existe atualmente, com pautas modernas e atualizadas, de acordo com o que acreditam ser necessidades atuais das mulheres.

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5.3.4 FEMINISMO RADICAL O feminismo radical, conhecido como a “Segunda Onda do Movimento Feminista” (SILVA, 2008), nasce a partir das percepções citadas anteriormente dentro do liberalismo e acredita que toda subordinação se deve ao patriarcado (SILVA, 2008). Para a erradicação total das desigualdades, o movimento defende que é preciso acabar com qualquer sistema patriarcal existente, seja ele social, político ou econômico, só assim de fato as mulheres teriam total liberdade, conforme explica Silva: Para vencer a opressão feminina, as feministas desta corrente defendem que é fundamental, mas não basta apenas, concentrar os esforços na busca das explicações sobre as diferenças entre os sexos e a subordinação da mulher no sistema patriarcal, mas que as mulheres devem se unir na luta contra os homens (argumento criticado e considerado por outras feministas como “guerra dos sexos”), assim como, devem rejeitar o Estado e todas as instituições formais por ser produto do homem e, portanto, de caráter patriarcal (SILVA, 2008, p. 05).

Desta forma, o movimento também continua ativo e com pensamentos em prol de total autonomia da mulher em qualquer esfera.

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6. INTERNET E REDES SOCIAIS

6.2 EVOLUÇÃO DO MUNDO VIRTUAL Desde os anos 2000 a internet faz parte da rotina de uma grande parte da sociedade, proporcionando às pessoas a possibilidade de interação por meio de um objeto, uma máquina (RECUERO, 2000). Atualmente, a globalização proporcionada por causa das mídias sociais, bem como dos outros meios de interação que compõe o mundo virtual como blogs1 e sites2, é responsável por grande parte da liberdade de comunicação da sociedade. O meio atua de forma em que qualquer um possa ser emissor de qualquer mensagem para qualquer receptor. “A disponibilidade de centenas de ferramentas de postagem de blogs, muitas delas gratuitas, fez com que, rapidamente homens e, especialmente, mulheres do mundo inteiro postassem suas vidas em forma de texto” (AMARAL, RECUERO, MONTARDO, 2009, p. 56).

A medida que a internet se transformou em um meio de comunicação de massa, mas não apenas um tradicional na qual a informação passava de um emissor para diversos receptores, mas se modificando a forma de comunicação e possibilitando que qualquer um comunique para qualquer um, de um para todos, de todos para todos (SILVEIRA, 2004), ela passou a ser uma das maiores fontes de consumo de informação do mundo atual. Com isso, praticamente todos os grupos de envolvimentos sociais passaram a habitar também a esfera virtual, para assim conseguirem chegar ao público que já fazia das mídias uma extensão de suas vidas. Hoje é difícil encontrar pessoas que não tenham redes sociais, não consumam material em ambiente virtual ou até mesmo não tenham um celular com acesso à internet sempre a mão.

“Página virtual para partilha de informações, experiências pessoais ou notícias, composta por textos ou posts; podem ser utilizados como diários em formato on-line, sendo que seus temas variam de acordo com o objetivo do autor ou dos autores, geralmente é atualizado com frequência e recebe comentários dos leitores” (DICIONÁRIO ONLINE DA LÍNGUA PORTUGUESA). 2 “Local ou endereço eletrônico; informações divulgadas através de páginas virtuais disponibilizadas na Internet, sendo acessadas através de um computador ou de outro meio comunicacional” (DICIONÁRIO ONLINE DA LÍNGUA PORTUGUESA). 1

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6.3 WEBJORNALISMO

Webjornalismo é o jornalismo que vemos dentro da internet, este que atualmente possui várias formas e características para se apresentar. A priori o texto era a maior característica do jornalismo digital (CANVILHAS, 2014), mas com o desenvolvimento de novas ferramentas, a forma de comunicar continuou passando por transformações. Entre algumas das características encontradas na web, está uma que atua como uma das mais atrativas, a hipertextualidade. A possibilidade de transitar entre vários textos (CANVILHAS, 2014) dá ao leitor liberdade e referências do conteúdo, facilita o processo e une informações. O hipertexto dá ao formato jornalístico possibilidades de mudanças, podendo até alterar o lead3, ao qual somos habituados e condicionados. “A possibilidade de separar a informação em blocos informativos ligados através de hiperligações abre uma diversidade de itinerários de leitura tão vasta quanto o número de arranjos e combinações possíveis” (CANVILHAS (org), 2014, p. 09). A multimidialidade, conceito por alto definido como união das mídias a fim de distribuir informações por diversos meios (CANVILHAS (org), 2014), também passou a fazer parte de diversos tipos jornalísticos atuais. Concretizemos essa enumeração: hoje em dia, os conteúdos multimídia podem ser constituídos por oito elementos diferentes: 1) texto; 2) fotografia; 3)gráficos), iconografia e ilustrações estáticas; 4) vídeo; 5) animação digital; 6) discurso oral; 7) música e efeitos sonoros; 8) vibração. (CANVILHAS (org), 2014, p. 33).

O uso desses recursos é o maior aliado da comunicação na era das informações rápidas e “modernidade líquida” (BAUMAN, 1999) pois possibilitam que o receptor capte informações por meios diversos. Por exemplo, um vídeo pode unir imagens, áudio, legenda e gráficos, enquanto um texto corrido não poderia ser tão atrativo. Um elemento multimédia cujo protagonismo é cada vez maior nas publicações digitais é o vídeo. Desde que, a partir de meados da primeira década deste século, se popularizaram as primeiras páginas de publicação de vídeos, a utilização deste formato em qualquer tipo de páginas web multiplicou-se exponencialmente. Os meios digitais não foram alheios a este fenómeno e na atualidade utilizam sistematicamente um recurso que aumenta a dinâmica das páginas e oferece resultados suculentos em termos de audiência (CANVILHAS (org), 2014, p. 35). 3

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Essa forma de comunicar, como já citado, é capaz de atingir uma gama maior de pessoas e passar informações que, em outras situações, estas não teriam interesse ou disponibilidade de acompanhar. Essa tem sido uma das maiores buscas da nova forma de comunicação que a internet possibilita, unir recursos e informações de qualidade para atingirem o público de forma eficaz, concisa e criando um vínculo com o mesmo. Todos esses recursos visam atingir uma das maiores características das plataformas digitais: a interatividade. É com ela que os meios de comunicação percebem que de fato conseguiram atingir o seu público e é também através dela que eles conseguem medir os resultados de seus conteúdos. “Cada vez que se analisa a linguagem da internet, apela-se à ideia da interatividade como um dos seus pilares” (CANVILHAS (org), 2014, p. 53). É também com o conceito de interatividade que podemos avaliar como esse recurso é importante para dar voz às mídias independentes e aos movimentos que, anteriormente, se comunicavam e buscavam disseminar seus ideais de forma independente, precárias e por vezes até clandestina. No momento em que se dá liberdade para diversos emissores, uma quantidade maior de pessoas pode ser atingida, e essas ações finam gerando reflexos diretos na sociedade. Além de todas as características já citadas anteriormente, a internet possibilita uma instantaneidade na transmissão de informação, as mídias digitais possibilitam informações em tempo real, quando não, o mais breve possível, de fatos, sejam eles de qualquer natureza. Essa largada na frente, às vezes perigosa quando feito com irresponsabilidade e buscando apenas pioneirismos em vez de qualidade, também dá aos receptores a ideia de proximidade com o fato.

6.4 MOVIMENTOS NAS ESFERAS DIGITAIS

Os movimentos políticos e sociais sempre foram presentes no desenvolvimento do Brasil, “o brasileiro sempre se uniu em grupos para realizar mobilizações sociais” (GUEDES, 2014, o. 28). Com o advento das redes sociais e a percepção de que era um meio no qual a sociedade estava se inserindo cada vez mais, os movimentos sociais também passaram a migrar para esse novo recurso. 32


Hoje, mais do que nunca, os grupos agem nas redes sem medo de censura ou repressão. Se fortalecem e lutam por seus ideais, incentivando a participação de pessoas com os mesmos anseios e desejos em comum (GUEDES, 2014, o. 29).

Se a sociedade está presente nesse meio, a forma de buscar novos adeptos, de esclarecer pontos, mostrar ações e tirar dúvidas sobre os movimentos não poderia ser outra, se não se inserir nele. Entretanto, também se questiona essa atuação dos movimentos, se, no momento em que passaram a fazer parte da rede, eles deixaram de atuar em ações reais e físicas. O movimento feminista é fortemente criticado nas mídias sociais, a militância é muitas vezes tratada como “supérflua” (NÃO ME KHALO, 2016), e, algumas pessoas, ao tentar desmerecer o movimento, apontam como feminismo apenas de rede ou feminismo online, insinuando que o discurso não passa de palavras soltas dentro da internet. Algumas dessas críticas se referem ao fato da forma de comunicar através as redes sociais. Textos curtos, imagens, linguagem simples, recursos visuais atrativos que não são tão repletos de dados sucintos e informações minuciosa (NÃO ME KHALO, 2016). Mas essas ações podem ser justificadas se levarmos em consideração o fato de vivermos atualmente em uma modernidade líquida (BAUMAN, 1999), onde as pessoas não possuem tanto tempo a ser gasto adquirindo todo e qualquer tipo de informação para só depois saber se aquilo lhe é interessante ou não. É muito improvável que uma pessoa que está navegando pelas redes sociais queira parar para ler um artigo acadêmico de vinte páginas sobre o feminismo (...). Porém, essa mesma pessoa estará disposta a assistir um vídeo, a ver uma imagem ou a ler um texto menor que lhe interesse. Sendo assim, alguém que nunca tenha tido contato com o feminismo passa a tê-lo e a compreender melhor a nossa agenda. Enquanto isso, pessoas que já tiveram um primeiro contato podem se aproximar de assuntos que antes desconheciam (NÃO ME KHALO, 2016, p. 13)

As ações que são geradas na internet, (1) não se limitam a ela, e (2) também surtem efeitos extremamente significativos. Campanhas nas redes sociais envolvendo a criação de hashtags4, foram responsáveis por alertar e dar voz às mulheres. A exemplo está a #MeuAmigoSecreto, uma hashtag criada pelo coletivo Não Me Khalo em novembro de 2015 sem intenção de gerar grandes proporções – afinal, o que permeia o mundo da internet, bem como qualquer outro que requer interação, não tem

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“Recurso de agrupamento que identifica grupos ou conteúdos específicos em alguns sites, através do símbolo "#", antes de uma palavra ou expressão, com o objetivo de facilitar a pesquisa pelo assunto com o qual esse símbolo se relaciona: algumas hashtags espalham boas ideias pelas redes sociais” (DICIONÁRIO ONLINE DA LÍNGUA PORTUGUESA).

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uma forma real de mensurar resultados até que eles aconteçam – mobilizou milhares de mulheres a fazerem denuncias de forma indireta sobre situações preconceituosas e de assédio moral. Uma das buscas dos movimentos digitais é quebrar o tabu da discussão sobre o assédio, sobre a violência, sobre os constrangimentos e abusos aos quais a mulher é proporcionada diariamente. É preciso dar nomes às situações para que elas possam ser discutidas, mostrando que existe um ambiente onde o assunto pode ser debatido e que existem pessoas na mesma situação, bem como pessoas dispostas a ouvir a ajudar. “A hashtag se estabeleceu como uma forma de denúncia das situações pelas quais nós mulheres passamos, nos relembrando que não estamos sozinhas e que é possível, sim, levantarmos a voz” (NÃO ME KHALO, 2016, p. 15) No momento em que o assunto é trazido à tona, homens que anteriormente poderiam dizer que consideravam a prática um ato inocente, também pode passar por um processo de conscientização e desconstrução, de modo que futuramente adotem práticas diferentes. A exemplo de algumas postagens feitas pelas mulheres na campanha, estão: “#meuamigosecreto acha que cantadas, assovios no meio da rua e olhares gulosos são elogios e não assédios” e “#meuamigosecreto acha mais conveniente ensinar a filha a tomar cuidado com os homens do que ensinar seu filho homem a respeitar as mulheres”. Essas duas situações refletem ações comuns que fazem parte da realidade da nossa sociedade e, por vezes, passam despercebidas e praticadas sem intuitos negativos, mas de forma natural. Por isso a importância de usar todos os meios de disseminação possíveis para quebrar esse paradigma.

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7. A MULHER E O JORNALISMO

Foi em meados de 1830 que a primeira jornalista mulher teve textos publicados em jornais brasileiros (CARVALHO e PORTELA, 2016). Como todos as outras profissões, o jornalismo era totalmente masculino. Como explicam Carvalho e Portela, os periódicos que surgiram de autoria feminina eram alternativos e só vieram aparecer em 1970. Enquanto isso, a primeira mulher a realmente fazer parte de uma redação só realizou o feito no início do século XX. Essa participação das mulheres nas redações foi considerada até como “invasão” (CARVALHO e PORTELA, 2016). Embora a realidade em números tenha mudado, “dados do Censo de 2010 indicam que as mulheres representam 58% dos jornalistas de 20 a 29 anos e são 64% dos estudantes dos cursos de jornalismo (GÊNERO E NÚMERO E ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE JORNALISMO INVESTIGATIVO, 2018), As mulheres ainda passam por diversas situações de constrangimento e preconceito dentro da profissão. O site “MULHERES NO JORNALISMO BRASILEIRO” foi criado com bases em pesquisas feitas pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Gênero e Número5, com cerca de 500 mulheres jornalistas de todo o país, no intuito de trazer informações sobre a atuação das mulheres no jornalismo. O site, além dos dados apresentados em sua interface, traz um relatório que apresenta a forma que se deu o projeto e algumas outras informações. Alguns dos dados mostram a discrepância entre os cargos de chefias e também a quantidade de assédios sofridos pelas profissionais. “73% das jornalistas que responderam à pesquisa afirmaram já ter escutado comentários ou piadas de natureza sexual sobre mulheres no seu ambiente de trabalho” (GÊNERO E NÚMERO E ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE JORNALISMO INVESTIGATIVO, 2018, p. 09) ratificando o ideal de que o homem, mesmo presenciando que uma mulher está exercendo sua atividade enquanto profissional, não a respeita. Seja colega de trabalho, seja agente externo no momento de contato com o público. Uma das linhas de pesquisas seguidas pelo projeto foi perguntar às entrevistadas se elas já tinham passado por situações específicas de assédio,

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Primeira organização de mídia no Brasil orientada por dados para qualificar o debate sobre equidade de gênero.

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estabelecendo como parâmetro oito situações específicas, são elas: insultos verbais; humilhação em público; abuso de poder ou autoridade; intimidação verbal, escrita ou física; tentativa de dados à sua reputação; ameaça de perder emprego em caso de gravidez; ameaças pela internet; insultos pela internet. A resposta foi que “83% das jornalistas relataram já ter sofrido ao menos uma das oito situações”. Ações como essa podem definir ou até mesmo alterar por completo a forma que essa profissional, seja como empregada, seja como ser humano, vai seguir sua vida e sua carreira no decorrer dos anos. Situações cotidianas às quais as profissionais são submetidas podem ser responsáveis por mazelas psicológicas, principalmente pelo fato de uma mulher não ter liberdade total para reclamar do ato, se posicionar ou até mesmo denunciar, pois, por vezes, a situação é considerada comum. “O assédio é “a versão mais pública e mais bem-aceita da violência contra a mulher”” (CARVALHO e PORTELA, 2016, p. 08, apud OLGA, 2014, p.52). Uma campanha foi criada, também da internet, com o objetivo de denunciar e encorajar mulheres jornalistas a relatarem os casos, a exporem seus agressores e principalmente com objetivo de deixar claro que essas práticas não são comuns e não devem fazer parte do cotidiano das profissionais, conforme explicou uma das organizadoras do projeto, Bruna Dealtry, ao site Purepeople, do grupo Terra. Desta forma, podemos ver que as redes sociais, os sites, e a mídia digital como um todo têm sido um forte auxílio na luta pelo fim dos assédios e da diminuição da mulher perante à sociedade.

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8. PESQUISA SOBRE O ASSÉDIO Para o desenvolvimento deste trabalho foi realizada uma pesquisa, entre 11 de abril e 20 de maio de 2018, com pessoas de 16 a 50 anos, buscando entender o que essas pessoas consideram como assédio e como assédio à mulher jornalista. Foram 263 pessoas que responderam à pesquisa online. Entre estes, 40,7% se identificaram como pessoas do gênero masculino e 59,3% como sendo do gênero feminino. Do total, 76,4% afirmaram consumir qualquer meio de notícia jornalístico diariamente, 19,1% semanalmente e 3,7% mensalmente. Dos que responderam, 13,31% eram jornalistas, estudantes de jornalismo ou profissionais de outras áreas da comunicação. Entre as primeiras perguntas estava a definição de assédio, as respostas, embora com linguagem diferentes, quase por unanimidade definiam como abuso, desrespeito, invasão ou intimidação. Por exemplo: “Incitação ao sexo sem consentimento, agressão verbal, desrespeito e constrangimento”; “Tudo que vai contra ao permitido. Excessos sejam ele de qualquer forma explicita ou velada”; “É quando outro tenta impor sua vontade à minha. Seja física, psicológica ou sexualmente”; “Qualquer forma de constrangimento, moral ou física, a fim de satisfazer qualquer demanda pessoal”; “Assédio é qualquer ato relacionado a pessoa alheia envolvendo seu corpo e sua moral realizado sem prévia autorização”; entrou outros. 90,5% dos que responderam afirmaram que consideram o assédio um ato de machismo, enquanto 86,7% disseram já ter visto algo que consideraram como assédio enquanto viam algo de teor jornalístico. Logo, é possível dizer que grande parte das pessoas concordam que o ato de assédio à uma jornalista, durante a execução de seu trabalho, é sim um ato machista. Quando perguntados se havia a necessidade de ter um tratamento diferente entre homens e mulheres desempenhando a profissão de jornalista, 86,8% respondeu que não. Algumas explicações sobre o tema definiam que “homens e mulheres devem ser tratados de forma igual, ou seja, com respeito”, “devem ser tratados iguais, independente do gênero”, “não deve haver diferença pois tanto sendo homem ou mulher o profissional deve ser respeitado”, “A profissional mulher precisa de respeito e liberdade para atuar de maneira igualitária e nas mesmas condições dos jornalistas, sem que sua presença no meio seja considerada um tabu”, entre outros. 37


Algumas outras respostas afirmam que “com as mulheres se deve ter mais cuidados por ela correr mais risco de sofrer assédio” e também que “os dois devem ser tratados da mesma maneira, de forma respeitosa, mas sabemos que isso infelizmente não acontece, mulheres são assedias em programas esportivos (principalmente) só por serem mulheres”, ratificando assim o senso comum descrito durante todo esse trabalho, que a mulher é tida como sexo frágil perante a sociedade, como a vulnerável e submissa que precisa de cuidados, que precisa de cautela de forma que preserve sua feminilidade, mesmo que no exercício de sua profissão (BEAUVOIR, 1949). As respostas dessas perguntas foram colocadas no site desenvolvido como análise desse trabalho em formato de infográfico, se utilizando desse recurso de forma que facilitasse a compreensão dos dados obtidos. Além da pesquisa com público em geral, cinco jornalistas de diferentes áreas de atuação foram convidadas a relatar situações de seu cotidiano no desempenho da profissão, respondendo às seguintes perguntas: 1) Como você define assédio? 2) Você acha que assédio é um ato de machismo? 3) Você já foi assediada no desempenho da sua profissão? 4) Se sim, como você reagiu a essa situação? 5) Você já presenciou um ato de assédio com alguma colega de profissão? 6) Você acha que o fato de ser mulher lhe deixa mais vulnerável no desempenho da sua profissão? 7) Alguma situação já fez você pensar em desistir? Já essas entrevistas foram acrescentadas ao site em formato de vídeo, como um recurso utilizado para dar realismo ao projeto, mostrando que as pessoas que passam por essas situações são comuns e visando das aspecto de proximidade. Além dos vídeos, uma pequena apresentação é feita das jornalistas e partes das entrevistas estão de forma descritiva no site, pensando nas pessoas que não teriam possibilidade de ver o vídeo por qualquer questão. E por conta da questão do mecanismo de busca que não lê vídeos. Explique isso também. O site assedioscotidianos.com.br foi desenvolvido com linguagem simples, usando recursos visuais de fácil compreensão e buscando trazer informações que fizessem parte do escopo “assédio”. No site, está ativada a função de comentário, onde qualquer pessoa, logando com facebook, pode comentar, possibilitando assim interação com o público. Entre eles, explicar o que o movimento feminista é e qual ligação ele tem com o tema, falando um pouco sobre os tipos de feminismos mais 38


comuns, explicando também o que é considerado legalmente como assédio e quais providências podem ser tomadas após caso seja assediada. No mapa abaixo do texto está a distribuição das informações que foram feitas dentro do site. Cada assunto separado por tópico, de acordo com suas informações específicas. Na página inicial, foi colocado um texto de apresentação do conteúdo, explicando qual a função do site, por qual razão o tema foi escolhido e explicando qual ligação o assunto assédio tem com a temática feminismo. Na aba seguinte, denominada “feminismo”, subdivisões explicam o que é o movimento feminista e quais são os tipos de movimentos, feito com base no referencial teórico desse projeto. Posteriormente, a aba “assédio” explica qual conceito de assédio, assédio sexual e assédio moral, além de explanar sobre o que a legislação considera sobre as temáticas e como denunciar algum ato. Depois, a aba “dados” traz as respostas obtidas com a pesquisa já citada anteriormente, por meio de um infográfico para que seja possível uma fácil compreensão dos números e dados. Na parte denominada “relatos” estão as cinco entrevistas, em formato de texto e vídeo, realizadas para a construção do trabalho e um vídeo, juntamente com uma pequena descrição, de uma ação realizada por profissionais jornalistas em busca de respeito e liberdade no desempenho de sua profissão. Em “Relatório” está a biografia da autora do trabalho e da orientadora, bem como o presente trabalho de conclusão de curso para leitura online. Por último, a parte “inscrição” permite que qualquer pessoa se inscreva no site e entre em contato.

19.

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9. CONSIDERAÇÕES FINAIS

No desenvolvimento desse trabalho vários pontos foram analisados, bem como diversos autores citados, a fim de elucidar a forma na qual a mulher é vista na sociedade e o que isso implica em sua profissão como jornalista. Com base nesses estudos, é possível afirmar que a mulher é submetida a situações de assédio, desconforto e desrespeito de modo corriqueiro e que esta prática é adotada pela sociedade como comum, justificando esse ato de forma biológica e natural ao ser humano. É possível analisar que o sexo feminino foi historicamente considerado inferior ao feminino e, mesmo com as mudanças já ocorridas nos últimos séculos, as mazelas psicológicas e os atrasos sociais ainda são uma realidade. Nesse contexto, é importante frisar que um movimento, também visto algumas vezes como marginalizado, é um fator importante na luta pelo fim dessa prática, tendo sido responsável por diversas mudanças históricas da sociedade que possuem reflexos até hoje. Como a análise de dados ratificou, as pessoas – em sua maioria – concordam que a prática do assédio é um ato machista, que por sua voz é um ato de diminuição do sexo feminino, logo, é preciso reconhecer cada vez mais essas práticas e denunciá-las, para que essas situações possam sair do escuro. Afinal, apenas falando sobre um assunto ele pode ser tratado. Por último, mas não menos importante, este trabalho também demonstrou a importância que o meio digital tem para o movimento feminista e para a denúncia e defesa das mulheres, ratificando que o meio é uma forma cada vez mais usual e eficaz da disseminação de ideais. O assunto ainda precisa ser aprofundando, estudado e discutido com maiores esclarecimentos, indicadores e referência, esse trabalho foi construído com objetivo de abordar o tema, buscando que atenções sejam voltadas para ele.

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Assédios cotidianos - o assédio contra mulheres jornalistas (Illyana Raquel Amarante)  
Assédios cotidianos - o assédio contra mulheres jornalistas (Illyana Raquel Amarante)  
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