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HOMENAGEM

Colina dos

Poetas

À

namorados, um ponto de encontro para a consagração dos seus romances e celebração dos seus amores...

noite, um enorme cruzeiro luminoso e durante o dia, uma poética igrejinha branca, sobre a colina, anunciam aos viajantes a proximidade da centenária cidade de Catalão e a índole cristã da sua gente.

O poeta catalano, Monsenhor Primo Vieira, da Academia Catalana de Letras, a simbolisa como se fosse os braços da cidade a se abrirem numa acolhedora benção para os que chegam e a acenarem um adeus para os que partem: “Para quem chega, a capelinha branca, toda de sol vestida e de alma franca, é uma benção de paz, meiga e contrita! Para quem parte e a despedida chora, vista de longe a mesma ermida, agora, é um lenço branco que a saudade agita!”

Conhecido também como morrinho de São João ou da Saudade, está hoje com sua fisionomia lírica um pouco distorcida, devido a construção irregular de moradias em seu redor, e em seu cimo, a instalação da torre repetidora de televisão e da estação de tratamento de água. Os visitantes são geralmente acometidos do desejo de escalar a colina para verem a cidade do alto. Entretanto, maior fascinação exerce o morro sobre os intelectuais, que ali vão meditar à procura de inspiração, principalmente, os poetas a invocarem suas musas e ainda de um modo geral, os namorados de toda natureza que ali encontram uma justificativa para darem expansão a prolongados idílios.

O ilustre intelectual e homem público, Dr. Sebastião de Santana e Silva, quando jovem, ao regressar de onde estudava, a definiu assim: “Não sei, nem posso explicar minha feliz emoção quando chego em minha terra, ao ver no alto da serra, a capela de São João.”

O morrinho fascinante e feiticeiro penetra, sutilmente, na literatura local e, sobretudo, no coração dos namorados que associam à colina, seus amores, suas aventuras romanescas, seus pecados... “A primeira igreja construída no morro, foi por iniciativa e deliberação de três Joãos: João de Cerqueira Neto, João Patriarca e João Antônio de Macedo.”

O escritor Luiz Augusto Sampaio, em seu livro de crônicas: “Café Central”, confessa ter chorado ao pé da ermida, no cimo do morro, ao rever Catalão depois de muitos anos de ausência: “Daqui de cima do morro da Saudade, escrevo esta crônica. Relembro todos os episódios passados. As lágrimas escorrem-me pelas faces... Entretanto, o intelectual que mais se identificou com o “Morro da Saudade”, foi o saudoso poeta Ricardo Paranhos, que o adorava desde a infância. Quando partia para estudar fora, ia despedir-se do morro, quando voltava, ia festejar no morro, durante sua longa e atribulada existência. Nos estudos, na luta pela sobrevivência, no comércio, na indústria, na política quente daquele tempo, no jornalismo e na boemia, o morro era o seu refúgio predileto. Para se inspirar, para meditar, lamentar suas derrotas, festejas suas vitórias e consagrar os seus amores que não eram poucos: “E a ti morro que se chama da Saudade, o da igrejinha onde sempre, às tardes, vinha contemplar o panorama. Era ao pé da branca ermida solitária sobre o monte, à luz roxa do horizonte, que eu cismava em ti, querida...”

Avariada pelo tempo, foi a igrejinha reconstruída pelo Senhor Francisco Ribeiro da Silva, no início deste século, e dedicada a festejos em homenagem a São João Batista, com fogueira, quentão e outros divertimentos. Neste pitoresco encontro da sociedade catalana, muitos romances nasceram, floriram e frutificaram. A velha ermida de nossos avoengos foi, aos poucos, sendo destruída pelo tempo e, finalmente, demolida para em seu lugar construírem uma outra mais moderna, mais sólida, capaz de resistir melhor às intempéries. Sua construção data de 24 de junho de 1939 e foi realizada por uma comissão de saudosistas, composta dos senhores: Padre Epiphanio Ibanez, Nasr Fayad, Cristiano Ayres, João Neto e Dr. Jamil Sebba liderados pela Senhora Nagiba Fayad, que com o Dr. Jamil, foram os festeiros na inauguração da ermida daquele ano.

Visitava o morrinho, quando partia, quando chegava, até que um dia partiu para nunca mais voltar... Foi quando escreveu um de seus últimos versos: “Quero, quando eu morrer, ser sepultado, lá no cimo do monte, ao pé da grande cruz, defronte da capelinha, onde me declaraste, em tom de mágoa e dor, que apesar de ser de todos execrado o nosso amor, tu me juravas que serias minha.”

E lá está ela, com as paredes externas crivadas de letreiros, frases românticas e reticentes, nomes de homens e mulheres, lado a lado, dentro de corações esculpidos e canivete, a testemunhar a continuidade do romantismo no suceder das gerações. Os poetas fizeram dela sua musa empedernida, sua inspiração, e os

Texto extraído da obra Catalão de Ontem e de Hoje, de Cornélio Ramos, página 63 a 66

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HOMENAGEM

Historia Registrada Uma cidade que não tem registro de suas histórias, é um lugar morto. Em Catalão, muitos foram e são artistas da escrita, que com habilidade e sensibilidade registraram e registram fatos catalanos. Através desses escritores, rendemos nossas reverências a todos aqueles que investiram e investem um pouco do precioso tempo para materializar no papel, episódios que não podem sair da memória.

Braz Jose Coelho E

le é professor apaixonado pelo que faz, pesquisador e escritor. Com mais de 70 anos de idade e décadas dedicadas ao ofício de educar, Braz José Coelho é referência, em Catalão, para várias gerações. É graduado em Letras Vernáculas, pela Universidade Católica de Goiás, onde lecionou por 17 anos, e mesmo aposentado fez concurso, novamente e lecionou desde 1971 na UFG Catalão. O início da profissão foi na década de 50, como professor de Latim. A primeira escola foi o Colégio Estadual João Netto de Campos, o qual ajudou a criar. Em mais de 40 anos de magistério perdeu a conta de quantos alunos teve. Não bastante o trabalho dentro da sala de aula, o também doutor em Linguística e Língua Portuguesa tornou-se um grande estudioso da nossa língua, tendo editado vários livros. Defensor da educação e da cultura, faz parte da Academia Catalana de Letras e seu escritório, um misto de biblioteca e museu, abriga mais de 10 mil títulos. Casado com Sirlene Duarte, é pai de Rodrigo e Juliana, do primeiro casamento, e Karinne, Nilton Leonardo e Thiago José, do segundo casamento.

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HOMENAGEM

Geraldo Coelho N

atural de Goiânia, Geraldo Coelho Vaz, se considera um filho de Catalão, pois tem título de cidadania desde 1980, por intermédio do ex-vereador, compadre e amigo, Batuíra Borges. Mudou-se para Catalão com seis anos e cresceu na Rua da Grota, onde fez os estudos iniciais. Em 1966, concluiu o curso de Direito, pela Universidade Católica de Goiás. Descobriu a veia poética aos 14 anos, naquela época não tinha televisão em Catalão, então ficava ouvindo rádio até altas horas e em uma dessas noites inspiradoras, escreveu o “Poema da Ascensão”. Ainda em Catalão, Geraldo e um grupo de amigos fundaram a entidade Grêmio Lítero-Cultural Águia de Haia, em homenagem a Rui Barbosa, onde se reuniam para discutir a arte em geral. Em 1958, escreveu um livro sobre os escritores de Catalão e aqueles que por aqui passaram, como Bernardo Guimarães e Fagundes Varela. Dono de um acervo de obras literárias e de um curriculum invejável, o escritor que usa a linguagem lírica, romântica e erótica em suas poesias, revela seu amor por Catalão ao dizer que a cidade representa, para ele, não só como dizia Carlos Drummond de Andrade, “Um retrato na parede”, é o retrato que tem no coração.

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Expediente

Expediente Direção e Editoria:

Iliane Fonseca / Jornalista MTE RP 2729/GO

Direção e Editoria: Iliane Fonseca / Jornalista MTE RP 2729/GO

Foto: Revista PortalVIP

Foto: Revista Portal VIP

Comercial:

Comercial: Eloíza Bonifácio Eloíza Bonifácio 64 99618 1871 64 99618 1871 Clênia Márcia Financeiro: 64 99216 9569 Rubens Nunes Financeiro: Rubens Nunes

Revisão: Letícia Cubas

Revisão: Letícia Cubas

Editorial Editorial

Secretária: Fabíola Peixoto

Ah mulher

O

s corações da equipe VIP estão batendo de forma sin-

Ser humano encantador, cheio de graça e beleza, repleto de curvas cronizada, a 158 por minuto! e sonhos... Esse ser que existe em diferentes formas, que ama de diversas maneiras, que faz tantas coisas e pensa em tantas maSim, nossos corações batem mais forte, a cada edição espeneiras de melhorar o mundo e a si própria. Mães, Marias, Joanas, cial que produzimos comemorar o aniversário daestá nossa Anas... Mulher é tudo. E para estampando nossa capa desta edição Catalão. um grande exemplo destas, a Biomédica Esteta Dra. Grasyella Chami, que exibe charme e talento de embelezar, confira a entrevista.

É emoção, orgulho e gratidão que colocamos em cada letriDando sequência, a sua VIP homenageia grandes matriarcas, nha destas tantas páginas que você irá conferir. Já para são 12 você se inspirar no abraço da mamãe querida. E já que falar de anos trabalhando em prol do desenvolvimento e reconhecimulher talentosa nunca é demais acompanhe a história do Quarmento das graças destegoiano município, e nossomúsica gás não acaba, teto de Cordas Ellas, grupo que transforma popular aumenta. Nossa um vontade de mostrar essa genteFalando trabalhadoe clássica, fazendo mix delicioso para os ouvidos; em música, a roqueira/poetisa Lorena nita, tanto que a VIP está cresRosa nos conta um pouco de ra, acolhedora, dedicada, é infi sua história na com coluna VIP X. estamos ganhando asas maiores, cendo. Junto Catalão, para alçar voos mais altos, estamos levando Catalão para Nossa equipe traz ainda registros do aniversário de Mariinha e todo o estado, e trazendo o interior goiano para dentro dos Maria José, internas estrelas do Abrigo Antero da Costa Carvalho. nossos acompanhem a abordam regionalização sua VIP, Artigos ebraços, colunas interessantíssimos assuntosda variados que está acontecendo. para já entreter e informar, não deixe de ler; E mostrando o estilo das

catalanas, a colunista Thais Fava fala do queridinho Jeans, quem não nossa ama né?! Em capa, o Colégio Nossa Senhora Mãe de Deus que

cresce a cada ano, sendo um dos maiores destaques da nosAtenção! Radar de fofura apitando. Você vai conhecer a história da sa cidade. Conheça mais sobre a metodologia de fofos ensino dupla catalana João e Renato, os gatinhos sertanejos mais do da instituição que comemora 96 anos. pedaço. No social, Fernando Goulart abre os trabalhos dos eventos

ruge!

Abrindo os trabalhos, o eterno Cornélio e sua Colina dos PoAté a próxima. etas, uma homenagem ao nosso cartão postal, que inspira os dias e as noites dos catalanos. P.S.: Ah, e fiquem ligados, tá chegando Top of Mind, será que sua empresa está entre as Tops desse ano???

Entre tantas homenagens e histórias, deixamos nosso: obrigada, Catalão! Obrigada por nos deixar a cada mês, contar um pouquinho da sua história, para nós, riqueza maior é mostrar os teus sorrisos. Feliz Aniversário! 4 | 110ª Edição - Abril de 2017

Reportagem:

Iliane Fonseca e Letícia Cubas Reportagem: Iliane Fonseca, Taynara Borges Lara Cristina e LetíciaProjeto Cubas Gráfico: Taís Carniatto

Projeto Gráfico: www.limonarte.com.br Thales Oliveira www.limonarte.com.br

Mídia Social:

Fotografias: Jhulie Ribeiro Tavares e Silvestre Fotografia, Foto Neguinho e Filmagens, Jozé Veríssimo Fotografi a, as: Fotografi Ricardo Andrade Fotógrafo, Thiago Santos Foto Neguinho e Filmagens, Jozé Veríssimo Fotografia, Revista Portal VIP/Taynara Borges, Fotografi a, Studio 3 Fotografi Lara Cristina, Jhulie Ribeiro e Letícia Cubas a, Revista Portal

VIP/Iliane Fonseca e Letícia Cubas

Assessoria Jurídica: Baden Powell & Mourão Advogados Desenvolvimento de Pessoal: 64 3441 7021 Flávio Azevedo

64 98115 4123 Distribuição Própria: Officina Publicidade & Marketing Assessoria Jurídica: CNPJ 08.694.369/0001-53

Baden Powell & Mourão Advogados

Colaboradores: 64 3441 7021 Alexander Siqueira, João Sérgio, Márcio Carneiro, Fernando Goulart Distribuição Própria: e Thais Fava

Offi cina Publicidade & Marketing CNPJ 08.694.369/0001-53

que estão bombando na cidade, olha lá!

Para comemorar o aniversário da nossa Atenas de Goiás, E isso é só o começo, tem muito mais aí nestas frente. preparamos uma edição pomposa, cheia páginas de arte,à malemoComo sempre, tudo feito com muito carinho pra vocês, leitores lência e belos traços. Aqui, estamos reservando o mês de VIP’s Agosto para através de alguns, homenagear todos os artistas desta terra,toca e são muitos. Beijo na Mamis, aqui pro trabalhador e bora lá que o tempo

Secretária: Fabíola Peixoto

Colaboradores:

Os artigos assinados expressam, Sandra Fayad especificamente, a opinião de seus autores. Contatos

64 3442 6963 99949 7898 Os/ artigos assinados expressam, www.revistaportalvip.com.br especifi camente, a opinião de seus autores. revistaportalvip@gmail.com Revista Portal VIP

Contatos Rua N. Sra de Fátima, 585, B. N. Sra de Fátima | Catalão GO 64 3442 6963 / 99949 7898 www.revistaportalvip.com.br Envie temas para reportagens, sua sugestão revistaportalvip@gmail.com pode ser o próximo destaque VIP. Revista Portal VIP revistaportalvip@gmail.com Rua N. Sra de Fátima, 585, B. N. Sra de Fátima | Catalão GO

e equipe! Agradecemos aos colaboradores desta edição, Cornélio Ramos, Professor Chaud, Blog O Nosso Catalão.

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Envie temas para reportagens, sua sugestão pode ser o próximo destaque VIP. revistaportalvip@gmail.com


SUMÁRIO

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CAPA O Colégio Nossa Senhora Mãe de Deus é destaque HOMENAGEM

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Terra Fértil Reverenciamos catalanos que deixam marcas ESPECIAL

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Professor Chaud O Agosto na Nossa História


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Amin Safatle

escrever

rava acima da média da classe. O jovem aspirante foi desenvolvendo o dom e no Arquidiocesano de São Paulo, pertenceu a Academia Literária e Artística Eduardo Prado, a ALAEP.

Amin autografando a obra para Maria da Glória Sampaio

A

habilidade de retratar em palavras o sentimento, a emoção, a ação vem para aqueles que tem coração aberto, para aqueles que não são portadores do egoísmo, que dividem suas vivências com a alegria. Com esse dom, Amin Farid Safatle, 76, catalano, formado em Engenharia Civil em 1967 pela Universidade Mackenzie de São Paulo, retratou sua vida no livro O Casarão do Largo da Matriz. Filho de Farid Miguel Safatle e Nazira Calixto Safatle, viveu sua infância em Catalão, histórias estas que são retratadas em seu livro, destacando sua trajetória até se tornar um dos mais conceituados Engenheiros Civis do país. Casado com Dora Quartim Barbosa Safatle, é pai de Daniella, Danilo e Camila. Amim sempre teve gosto pela leitura e no ginásio Siena (antigo Col. Paroquial), a professora de português, Dona Mussolina o conside-

Mudou-se para São Paulo jovem, aos 16 anos, estudou e trabalhou com dedicação, administrando e gerenciando obras rodoviárias, ferroviárias aeroportuárias, portuárias, de saneamentos e hidrelétricas. Teve papel importante em diversas edifi cações e através de seu trabalho guardou suas memórias com carinho, para retratá-las neste livro, que para ele, foi uma de suas maiores realizações. “Fui engenheiro de campo, pernoitava em canteiros de obras muitas vezes sem nenhum conforto material. Longe da família, nas noites frias e escuras me debruçava em meus pensamentos e transcrevia para um diário de obra, os acontecimentos vividos durante o dia. Assim fui acumulando fatos e lembranças reais, ano após ano, até me deparar com uma fonte de dados imensuráveis. Minhas experiências vividas não podiam simplesmente serem esquecidas, mas sim transmitidas para meus fi lhos, netos e gerações futuras.” Mesmo tendo vivido a maior parte de sua vida, até hoje, em São Paulo, Amin guarda em seu coração grande amor por sua cidade, “Assim como Roma é considerada um dos berços da civilização ocidental, Catalão foi para mim o berço da minha formação cultural e educacional. Catalão recebeu de braços abertos a imigração árabe em Goiás, onde meus avós maternos Calixto Elias Salomão e Jamile Abdala foram os primeiros a chegarem da Síria. Minha infância em Catalão foi a mais dignifi cante que uma pessoa pode almejar. Os estudos no Ginásio São Bernardino de Siena, com professores amigos e de altíssima capacidade intelectual. Meus leais amigos voltados ao esporte e à leitura, fi zeram jus de Catalão ser conhecida como a Atenas de Goiás.” Em seu livro, Amin relata a infância em Catalão, a cidade, as brincadeiras, a educa-

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ção; conta também sua difícil trajetória para sobreviver e crescer após o falecimento de seu pai, quando se aventurou em São Paulo, até se formar engenheiro; mostrando como transformou as adversidades em sucesso, narra sua vida profi ssional, deixando um legado para jovens engenheiros. ” Amin é um destes fi lhos que orgulha Catalão, leva o nome de nossa terra fértil para além-fronteiras e reconhece o valor da leitura para a formação de pessoas completas, “Não adianta saber escrever o nome e dizer que é alfabetizado. Cada letra é uma semente que deve ser preparada no berço, sulcando o solo, plantando e regando para crescer. Fiquei muito emocionado quando terminei o texto, e vi que minha vida estava exposta para ser conhecida. Transmitir meus conhecimentos, minhas experiências, com emoção e simplicidade me tornou um homem mais gente e desse sentimento pretendo continuar a escrever”.

Nota da Redação No dia do fechamento desta edição, Amin Safatle realizava em São Paulo, o lançamento do livro O casarão do Largo da Matriz. Usando suas palavras, “Catalão em projeção”.

O livro O Casarão do Largo da Matriz está disponível na Panificadora Santo Pane em catalão, mais informações: aminsafatle@gmail.com


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Emival de Mesquita

dar formas cularidade, a exemplo: quatro cadeiras são forjadas, se você as observar com cuidado, vai perceber que cada uma tem uma personalidade, pois não são produzidas em série, é uma produção particular para cada peça. O interessante do móvel de ferro, quando feito com ferro de qualidade, e quando é submetido aos devidos cuidados, é que ele se torna eterno. ”

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arte pode ser encontrada em tudo o que se vê, tudo que alguém dá forma, se torna arte. E uma das mais belas, que acompanham nossa civilização há muitos anos é a arte do ferro forjado. Em Catalão, um dos mais conceituados artistas desta modalidade é o Emival Mesquita.

Lá foram um dos primeiros a trabalhar com forja, na produção de corrimãos, móveis, entre outros, logo o amigo saiu da sociedade e Emival seguiu com o negócio. Mesmo diante de dificuldades, esteve firme no propósito de fazer seu trabalho, que para ele sempre foi motivo de alegria.

Catalano, filho de Geraldo Rosa de Mesquita e Diná Ferreira de Mesquita, é casado com Rosana, sua companheira de vida e trabalho, o casal tem os filhos, Frederico, Daniel e Ludmila.

Há 10 anos a família se mudou para Catalão e Emival trouxe seu ateliê, a Candelabro. Aqui realiza a arte de forjar ferro e tem suas peças espalhadas por todo o Brasil, “É um trabalho bonito, que engrandece qualquer lugar por sua rusticidade, pelo encanto que carrega em seus detalhes. As pessoas ainda desconhecem os móveis em ferro forjado, mas gradativamente isso vai mudando e as pessoas passam a apreciar mais o que é diferente. Catalão é uma cidade de arquitetura bonita, que une o contemporâneo e o clássico e o ferro forjado se encaixa nessa beleza. ”

Emival tem a veia da arte pulsando desde a infância, sempre gostou de desenhar e com a habilidade que possuía decidiu abrir um estúdio de tatuagens, em Goiânia, onde morava na época dos seus 18 anos. Quando de seu casamento, seguro por sua habilidade de desenhar, decidiu projetar sua cama, e encomendá-la a um serralheiro. Ali despertou a ideia. No trabalho de forjar ferro, foi autodidata, fez um breve curso de solda e junto com o amigo Nilson, abriu seu primeiro estúdio de Arte em Ferro em Goiânia.

As peças de ferro forjado, além de proporcionarem graça, têm inúmeras vantagens, “O ferro forjado é aquecido e com o martelo vai ganhando forma lentamente, com um trabalho artesanal. Por isso, cada peça tem sua parti-

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A quantidade de itens que podem ser manufaturados com este material, que tem ação direta na sustentabilidade é incrível. Mesas, cadeiras, corrimãos, portões, grades, e toda linha decorativa em ferro. O artista plástico ressalta que todo trabalho é elaborado com muito zelo e apreço. E realmente é um trabalho nobre, todo labor da forja é feito pelo artista e sua esposa fica a cargo do acabamento. Fazemos umaquantidade pequena de peças, para manter a nossa identidade em cada uma, e isso nos possibilita depositar mais tempo, mais atenção a cada artigo, fazendo produtos de qualidade e com excelência.” Já são quase 30 anos forjando arte em ferro e sobre repassar seus conhecimentos, ele afirma se orgulhar de ver que seu trabalho fez a diferença na vida de alguém, “Tenho o prazer de dizer que ensinei o Maikol Henrique, que trabalhou comigo por muitos anos. Hoje ele tem seu próprio ateliê, a Casa do Ferreiro e executa um belo trabalho na arte do ferro forjado. Amo meu trabalho e na verdade o tempo que dedico à arte, é meu tempo de reflexão, é um descanso para a mente. Tenho gosto em fazer a vontade do cliente, pois sei a importância destas peças, que acompanham a pessoa para o resto da vida, minha satisfação é ver a satisfação do cliente ao ver a peça pronta. É uma troca de energia, receber um cumprimento por uma arte que você criou é gratificante. É onde nos enriquecemos. ”


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Clube do Samba em uma conversa decidimos convocar aquele pessoal para o Clube do Samba.” Assim nasceu, liga para um, convida o outro, e o grupo foi crescendo. “Aqui tem ator, comunicador, engenheiro, empresário, técnico, professor, estudante, aposentado, tem amigo, tem amante da música.”

A animada turma do Clube do Samba, durante ensaio.

J

á dizia Alcione, ao interpretar lindamente a cação de Edson Conceição e Aloísio Silva, “Não deixe o samba morrer, Não deixe o samba acabar”. Estes versos ecoam desde sua primeira apresentação, reforçando a ideia de que o samba deve ser sempre lembrado, sempre regatado. Uma das maiores manifestações culturais brasileiras. De origem africana, o samba começou devagar e tomou proporções internacionais, tornando o Brasil conhecido pela grandiosidade de suas composições e de intérpretes. Em Catalão, a versatilidade musical de nossa gente encanta, e no samba, há alguns anos atrás amigos se reuniam nos carnavais, numa escola de samba da cidade que com o tempo se desfez. Estes amigos, inconformados pela falta do samba, decidiram se reunir e criar um grupo de amantes desta boa música, daí, o Clube do Samba. Quem fala sobre o grupo é o Presidente Jair, “O Clube do Samba surgiu, porque parte das pessoas que compõe o grupo hoje, participavam de uma escola de samba em Catalão, na década de 80, que em seu último ano saiu com mais de 400 pessoas, em seu último ano a Escola se nomeou Balanço do Galo, seguindo um galo gigante, a turma curtia o carnaval com as velhas marchinhas e o bom samba. Com as famílias se formando e os integrantes se casando, o grupo foi cessando os encontros que na época aconteciam, para apreciar a boa música e claro, a boa cerveja. Em 2016 o Edmar e eu,

Para dar continuidade ao projeto, foi criada uma diretoria, organizada e que tem como objetivo captar cada vez mais integrantes. “Quem quer entrar é bem-vindo. Nada melhor do que a música para integrar as pessoas e Catalão recebe muito bem as pessoas de fora e o Clube do Samba está aqui para dar continuidade a essa fama de bom anfi trião de Catalão”. Sobre as apresentações, pasme, o grupo não cobra, pelo menos não dinheiro, “ O Edmar disse, “não vamos cobrar porque somos eternos amadores e eternos aprendizes”, então o que fazemos é procurar alguns bares, restaurantes e propomos nos apresentar, em contrapartida, pedimos a bebida. Só mesmo a cervejinha, que é o nosso combustível para tocar bonito (risos) ”.

resgatar res, mas todo o grupo ajuda no apoio e nas palmas. “Gostamos mesmo do samba de raiz, João Nogueira, Paulinho da Viola, MPB, essa é a essência do Clube do Samba, valorizar as músicas do passado que sempre cabem e engradecem qualquer lugar ou época. A satisfação nossa é tocar o samba, e ver que as pessoas gostam da música. Temos o desejo de criar ainda um projeto social para disseminar a cultura do samba em nossos jovens, mostrar a beleza da música, dos instrumentos e incentivar a musicalidade dos catalanos. ”

O sucesso acompanha a turma

O cachê é especial

Amigos deram oportunidade para o grupo que começou no início de 2016, começou com o Bendita Brasa, a oportunidade veio de Luis Severo com a Feijoada com Samba, aos poucos foram surgindo convites e a agenda do grupo é cheia. “Queríamos nos apresentar mais, mas como todos temos ocupações diferentes, é difícil conciliar, mas o bacana nas apresentações, nos ensaios as esposas, os fi lhos também nos acompanham.” Hoje o Clube do Samba é composto por mais de 40 integrantes, destes, cerca de 15 são músicos, profi ssionais e amado-

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O grupo está sempre à disposição da cidade


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Jose Marcos

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arte com materiais recicláveis vem crescendo em todo o mundo nos últimos anos, é uma forma de trabalhar a cultura e o social de mãos dadas e quem tem o talento de transformar lixo em luxo, é merecedor de reconhecimento.

José Marcos Francisco Rosa, 51, catalano, filho de Iraci e José Francisco, é casado com Viviane e pai de Marcos Paulo e Paula Vanessa. Técnico de automobilística há 20 anos, através da profissão, teve maior visibilidade em sua arte.

transformar

Marcos ressalta a alegria que tem em criar, “Gosto de me desafiar, mesmo no trabalho procuro ajudar, desenvolver processos que facilitam o trabalho. Começar uma escultura e ver o resultado é gratificante. Sempre tive facilidade de criar o que imagino e o uso de materiais recicláveis para criar obras de arte tem uma importância à parte, pois estimula a conscientização das pessoas, para o cuidado com o meio ambiente”.

Marcos conta que desde a infância teve abertura para a arte, sempre gostou de desenhar e tinha extrema facilidade em aprender. Não tem ideia ao certo de quando começou a fazer esculturas, para ele é algo natural, que faz com tanto gosto que até hoje, ainda não comercializou nenhuma de suas peças.

O artista, além de trabalhar com os metais, também tem habilidades em talhar madeira, e tem planos ambiciosos de montar uma moto de madeira, com um motor funcional, “Tenho muitos planos, mas devido à falta de tempo ainda não consegui colocá-los em prática. Espero que num futuro próximo consiga abrir um espaço para trabalhar a minha arte e quem sabe, até ensiná-la para outros jovens”.

Há alguns anos, na montadora em que trabalha recebeu um convite para criar esculturas de animais característicos da nossa região, Marcos aceitou o convite, mesmo sem saber a dimensão que aquele trabalho tomaria. Criou diversos animais, tucano, tamanduá, veado, arara, todos expostos para todo o Brasil, através do lançamento de um carro da montadora. As obras foram doadas para a cidade e hoje fazem parte da paisagem de Catalão.

Marcos é só alegria quando fala de suas obras, mas lembra com tristeza que algumas de suas obras que foram expostas na cidade foram destruídas, “A tristeza de quem cria uma obra de arte é ver que algumas pessoas não valorizam e nem respeitam. Algumas das obras que doamos para serem colocadas na cidade foram destruídas e acho que se houvesse maior incentivo à cultura, à educação, estas pessoas ao invés de destruir, ajudariam a construir”.

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Eva Gontijo

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versatilidade da pintura é encantadora. Não se sabe ao certo quando essa arte surgiu, mas sabe-se que é de engrandecer qualquer ambiente.

Em Catalão, desde os primórdios da nossa história, até hoje, surgiram numerosos talentos da pintura. Eva Gontijo é um destes. Filha de João e Jesus Gontijo, Eva Gontijo Vieira Tavares mudou-se para Catalão há 20 anos, para acompanhar o marido Milton Tavares, mãe de Pedro Henrique e Paulo Vitor, tem verdadeira paixão pela família e pela arte. Eva conta que despertou para a arte em sua infância, teve em sua mãe Jesus, a inspiração, quando a via tecer em um tear. Começou com o artesanato e quando chegou em Catalão, ao andar pelas ruas se deparou com o estúdio de Itamar Rodrigues. “ O vi pintando e me encantei. Manifestei minha vontade de fazer o curso e meu irmão, Valto me apoiou. Dei início às aulas em 2005 e continuo estudando. ” Eva tem habilidade de transformar em arte situações cotidianas, pinta quadros de sua criatividade e faz por encomenda, “Mesmo quando alguém encomenda um quadro específico, não faço uma cópia exata, porque entendo que nada deve ser igual, cada tela deve ter sua particularidade. Detalhes fazem a diferença

pintar

e busco colocar beleza em cada detalhe. E existe uma sensibilidade interessante do artista, quando se tem uma obra encomendada, e o cliente te dá a liberdade de trabalhar a arte, quando da entrega, parece que foi por encomenda, sempre casa no ambiente planejado. Digo que sou grata a Deus por ter me dado este dom e por me iluminar desta forma, e também ao Itamar, pelos ensinamentos que ele me passa até hoje”. Com orgulho, Eva fala do apoio da família, que entende e auxilia na rotina corrida, pois, além das pinturas, Eva realiza trabalhos artesanais com diversas técnicas que aprendeu sozinha, com ajuda de livros. Eva já pintou 14 quadros para o marido Milton, mas ele continua sem nenhum. Isso, porque sempre que ela finaliza a obra que seria presente, alguém a compra. “É gratificante ver que as pessoas realmente admiram o trabalho, isso é o que me motiva”. Em suas exposições, mostrou seu trabalho e teve reconhecimento, alcançou o 3º lugar no concurso SESI Arte e Criatividade, já teve suas telas expostas no Instituto Airton Sena e tem obras espalhadas por todo o país. “Este quadro que foi premiado no SESI Goiânia dei de presente para meu irmão, que é meu maior incentivador. Pintar é minha paixão, acho que o talento você desenvolve quando gosta do que faz, e quando você se dedica a receita é pronta para o sucesso. Ter o prazer de ver alguém gostar e elogiar sua arte é maravilhoso. Ainda quero melhorar muito e estou estudando para isso, não me considero uma artista, mas

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sim uma aprendiz, que ama o que faz e que faz com dedicação, com empenho. ” A arte é uma terapia, transforma as pessoas e Eva sentiu isso, “Aconselho qualquer um a praticar a arte, seja em qual vertente for, a arte transforma, melhora o interior das pessoas. Quando estou trabalhando nos artesanatos, nas telas, não vejo o tempo passar, não é um trabalho, é um momento de reflexão. Me sinto muito abençoada, pela minha família, pelo meu trabalho e pelas minhas habilidades que me proporcionam o prazer de fazer arte. ”


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Dino e Sereia

propagar a arte quem aprende, por toda vida. ” Na capoeira se trabalha a formação de cidadãos de bem, o autocontrole, respeito e disciplina, ajuda a desenvolver corpo e mente sã, e proporciona positividade e alegria, para se lutar pelos ideais.Sobre trabalhar com a capoeira há 20 anos, Flávia destaca sua satisfação com emoção, “Sou grata pela vida que tenho, quem sou hoje e o que conquistei, foi graças a capoeira. Sou pedagoga e tenho especialização em história, e busquei esses cursos para melhorar meu desempenho nas aulas com crianças, para poder passar mais conhecimento para nossos alunos, para fazer um trabalho lúdico que envolvesse mais esses jovens capoeiristas. Não divido vida profi ssional da pessoal, minha vida é a capoeira.”

Parte do Grupo Senzala

A

capoeira é uma expressão cultural brasileira que mistura arte marcial, esporte, cultura popular e música. Tem o poder de mudar vidas, de alegrar o dia e de fazer qualquer um se mexer, quando escuta suas batidas. Em Catalão, o Grupo Capoeira Senzala desenvolve um belo trabalho propagando essa arte, através dos mestres Flávia Lima, a Sereia, e de Pablo Wilkinson, o Dino, crianças, jovens e adultos têm acesso a essa cultura. Flávia e Pablo são casados, se conheceram através da capoeira e decidiram construir a vida juntos, com os fi lhos Matheus e Hadassa e com a capoeira, reforçando a união. Praticantes da arte há mais de 20 anos, trouxeram para nossa cidade o Grupo Capoeira Senzala, linhagem originária de São Paulo, primeiro grupo ofi cial de capoeira do Brasil. Além da capoeira, o grupo ensina danças como jongo, maculelê, samba, entre outras. Flávia conta que desde 2013 vem trabalhando com projetos culturais via editais de fomento à cultura. “Nosso primeiro projeto em 2013 foi o Capoeira Senzala, e depois disso os alunos que participaram nos procuravam para continuar e assim fomos correndo atrás, na luta para dar continuidade. E temos sido felizes nisso. O grupo tem realizado ações, programas e eventos que valorizam e promovem a Capoeira Angola e Regional e demais manifestações da cultura afro-brasileira, não

só em Catalão, mas em toda região. ” Recentemente o grupo lançou o Pé na Estrada, que conta com apoio do Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás, esse projeto é de formação artística e cultural destinado a crianças, adolescentes e jovens das cidades de Catalão, Campo Alegre, Três Ranchos e Goiandira. “Com o projeto, as práticas, histórias e memórias da Capoeira serão vivenciadas por meio de ofi cinas, treinos, encontros e troca de saberes. A concepção desse projeto parte do pressuposto que a Capoeira é uma prática cultural que transforma e dá acesso a uma vida socialmente e culturalmente valorizada.  Esse projeto se fundamenta na crença da Capoeira como Patrimônio Imaterial da Humanidade, sendo ela uma prática que expressa a história, a memória, a resistência e as  manifestações culturais do povo negro no Brasil, assim contribui para a valorização da cultura afro-brasileira, favorece o enfrentamento e combate ao racismo e adota como valores o estímulo a cooperação e o respeito a diversidade. ” Flávia ressalta a importância de trabalhar a parte social, dentro da cultura, “Ouvir de um adulto, que quando criança fez aulas com você, que a capoeira mudou a sua vida, é gratifi cante. Esse é o nosso objetivo, transformar vidas, inserir as pessoas nessa cultura tão bonita, que ensina tantos valores que seguem com

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O casal é felizem todas as uniões

Cuidados com os detalhes


HOMENAGEM

158 anos de Catalão

Um guerreiro

de histórias!

A Sandra Faiad, Escritora Catalana, hoje residente em Brasília

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sociedade é forte na medida em que respeita e zela pela sua história. Neste contexto, Catalão é um modelo de comunidade. Ao longo da sua existência, centenas de nomes honrados e grandes realizações fi zeram do nosso povo uma gente orgulhosa, onde quer que esteja. Sou parte e testemunha dessa vaidade. Neste ano do seu 158º aniversário, faz também 50 anos que eu peguei minha trouxinha e me mudei para Brasília, mas sem dizer adeus. E continuará sendo “até logo” pelo resto da vida, porque as raízes são profundas e compridas como as das árvores do cerrado. O lençol freático que me hidrata trouxe os primeiros colonizadores, meus antepassados árabes, o primeiro vagão ferroviário, as estradas de chão batido, as pontes sobre os rios, a projeção nacional nas décadas de 50/60, o desenvolvimento industrial e comercial nas décadas seguintes. Silenciosos, porém fi rmes, instalaram-se e cresceram as universidades, museus, bibliotecas, música, artes, imprensa e literatura. Nunca se pesquisou e se escreveu tanto sobre a história e a cultura popular da cidade. E toda essa riqueza, agora divulgada a partir de anotações, cadernetas, documentos e relatos verbais só me garante que sou fi lha de uma sociedade forte, merecedora de todos os aplausos. Assim, reconhecemos a valorosa colaboração de cidadãos, artistas, poetas, defensores da nossa história.


HOMENAGEM

Reverenciamos catalanos que deixaram marcas

Professor Chaud Pai de oito fi lhos, Antônio Miguel Jorge Chaud ajudou a escrever a história de Catalão participando ativamente da vida social, política, esportiva e educacional do município. Nascido em 22 de maio de 1923, em Catalão, o fi lho de imigrantes árabes cultivou o gosto de educar por mais de 60 anos. Foi mestre de Matemática e Inglês em várias escolas, como o Colégio Nossa Senhora Mãe de Deus e Colégio Estadual João Netto de Campos. O educador também revelou um espírito empreendedor: construiu o Ginásio Presidente Roosevelt, hoje escola Paroquial São Bernardino de Siena. Professor Chaud, como era carinhosamente conhecido, cultivava hábitos como fazer leitura diária e dizia que as pessoas precisavam fi car atentas ao que acontece no mundo, no país, no estado e na comunidade em que vive para poder então desenvolver uma opinião sobre as coisas e atuar como agente de transformação. Outro costume preservado era o uso contínuo de terno, pois o autor dos livros “Imigrantes em Catalão e Memorial do Catalão”, duas obras importantíssimas para a história da cidade, não sabia fi car sem paletó e gravata. Dono de uma vida social ativa foi membro do Rotary Clube e do Lions, além de provedor da Santa Casa de Misericórdia e membro efetivo da Academia Catalana de Letras, onde ocupou a cadeira de nº 5, cujo patrono é Galeno Paranhos. Bem-humorado, o homem culto sempre foi um porto-seguro para todos que dele precisavam. O mestre morreu no dia 10 de março de 2006, deixando um legado que muito orgulha Catalão.

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HOMENAGEM

Edson Democh Cornélio Ramos

Historiador, odontólogo, psicólogo e sociólogo, Edson Democh foi uma dessas pessoas que não fi cava parado. De personalidade forte, determinado, adquiriu experiência comandando projetos culturais importantes como a criação da Casa da Cultura de Catalão, hoje Fundação Cultural Maria das Dores Campos. Teatrólogo por paixão, Edson se descobriu artista. Prazer que dizia ter herdado da mãe Georgeta, a qual, segundo ele, transformava as coisas esbanjado habilidade nata. “Ela aproveitava as sobras do almoço, por exemplo, e criava receitas especiais”, disse na última oportunidade em que foi entrevistado pela Revista Portal VIP, já que Democh deixou esse plano em 24 de julho de 2016, aos 71 anos bem vividos. O artista historiador, na infl uência materna encontrou solo fértil, pois experimentou inúmeros tipos de materiais e descobriu no papel, tecido, pedra, madeira, e outros artigos, o gosto pela criação. Peças como anjinhos, oratórios e objetos de decoração ganharam beleza especial, fruto do carinho e da dedicação do artista, que encontrou na arte popular a sua realização. “Trato cada objeto como se tivesse alma. Até um prego que encontro na rua é guardado e reaproveitado”, disse ao fazer questão de contar que nunca vendeu uma peça sequer. “Minha satisfação sempre foi presentear amigos. Não vejo na arte uma forma de recursos. É realmente por prazer.”

Nascido em 1910, em São Jerônimo dos Poções/ MG, Cornélio Ramos, por ser admirador da leitura, foi proprietário de uma banca de revistas em Patrocínio/MG, cidade onde foi praticamente criado. Lá também, conheceu Delca Alves Ramos, a mãe dos quatro fi lhos: Déia, Donatila, Cornélio Filho e Danaé. Começou a trabalhar na Estrada de Ferro Oeste de Minas Gerais e como ferroviário fez história por 23 anos. Chegou em Catalão em 1950, escrevia artigos para jornais e revistas, mas carregava em seu coração a vontade de publicar suas obras. Na década de 60, o sonho foi realizado, com a publicação do livro de contos “Amor em quarto crescente”. Escritor, romancista, contista, jornalista, literato, orador, crítico, pesquisador, historiador e cronista, Cornélio fundou a Academia Catalana de Letras, e a presidiu por anos. Teve muitos amigos e sua casa era sempre frequentada por escritores de todo Brasil. Dono de inúmeros títulos honoráveis, Cornélio foi também sócio fundador do Rotary Clube, e por vários anos, manteve na Rádio Cultura o programa “Momento Lírico”. Jamais abandonou a paixão pela escrita e podemos encontrar seus mais belos versos em 12 obras publicadas. Faleceu em 2001, aos 91 anos, mas sua história permanece viva em nossos corações, em seus livros e no Museu Cornélio Ramos, que recebeu seu nome por ser construído no antigo prédio da Estação Ferroviária.

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Fotos: Foto Neguinho e Filmagens / Divulgação

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Marlytt Netto

ser estrela

O grande palco sempre lhe foi familiar

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mexer com a emoção é um dos dons da catalana Marlytt Mendonça Netto, fi lha de João Netto de Campos e Maria Isabel Mendonça. Ela, desde muito cedo se descobriu apaixonada pela arte, já que a família de sua mãe trouxe no sangue essa paixão. “São todos nascidos aqui, mas foram viver em São Paulo e fui para estudar. Meus familiares conviviam com pessoas importantes do meio artístico; com isso, conheci muita gente”. Uma catalana apaixonada por sua terra, ela guarda recordações especiais da infância. “Circos, serestas, carnavais, pessoas. Ninguém queria sair de Catalão, pois o clima era fantástico e envolvente. Vivi intensamente e sempre fi z parte do cotidiano da cidade, mas precisei

seguir com os estudos”. Foi na formosidade da juventude, aos 18 anos, que a catalana ingressou na Escola de Artes Dramáticas de São Paulo. Fez ponta no fi lme Veneno, que trazia Anselmo Duarte, Paulo Autran, Leonora Amaral. “Lembro que meu pai alugou o cinema para que todos aqui pudessem assistir a transmissão do fi lme”. Ela não sabe explicar ao certo por qual motivo deixou o palco. “Vim durante uma Festa do Rosário para votar, caso contrário não pegaria o diploma. O mesmo caso aconteceu com o fi lho de um inimigo do meu pai, o Willian Faiad. Lembro que uma amiga me pediu para escrever um correio elegante para ele em nome dela. Ele descobriu e respondeu diretamente para mim. Willian estudava Medicina no Rio de Janeiro e, em 1958, nos casamos. Essa união representava a paz entre duas famílias. O Willian conquistou a todos e, logo que se formou, assumiu o hospital. Foram apenas 12 anos de casamento, mas aprendi muito com ele. Depois que ele morreu, tornei-me fazendeira e fui criar meus fi lhos. Entregava leite na Cooperativa; era lavourista, ou seja, sempre fui independente”. Marlytt criou Willian, Mauro, Maria Isabel e Maria Odete, sempre com alma poética. Entre as difi culdades da vida sempre achou inspiração para registrar em papel, seus mais intrínsecos sentimentos e experiências. “Minha vida artística sempre esteve ligada à política. Meu pai sempre me chamava para declamar aos colegas dele. Cheguei a presidir o PMDB, acredito que o fato de ser fi lha do João Netto cria certa expectativa”. A arte jamais deixou o coração da artista, que é feliz por conviver com os catalanos. “Gostaria de falar de Catalão sem tristeza. Gostaria de reconquistar o estado de espírito daquela menina encantada com os circos. O catalano, em geral, tem na alma um misto de artista, de poeta, de tristeza, mas de muitos sonhos”.

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Vanessa Costa Elias

e o biscuit

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ti. Fui tentando, adaptando, até que consegui, gostei e decidi investir mais, comprei algumas ferramentas específicas, improvisei outras e me aventurei. Comecei com a arte da modelagem, aos poucos melhorei e busquei mais conhecimento, só vim a fazer um curso, há dois anos, quando fui a Belo Horizonte participar de um curso de arte em modelagem avançada. Com uma das mais conceituadas artesãs de modelagem, a Alessandra Caldeira.” Com o tempo desenvolveu novas técnicas e com criatividade produz peças diferentes, no início, dava de presente para divulgar o trabalho. “Na época até a divulgação era difícil, hoje tenho grandes aliados como as Redes Sociais, que são ferramentas importantes.”

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arte da modelagem é fascinante, através das mãos delicadas de um artesão, um material morto toma vida e encanta com suas variadas formas e cores. Vanessa Costa Elias, 39 anos, catalana, é filha de Edilon e Clélia Elias (em memória), casada com Alvin José Alves, é mãe de Geovana e Alvin Junior. Vanessa já trabalha com a arte da modelagem em biscuit há 14 anos e encontrou nesta atividade, a força que precisava para enfrentar um dos momentos mais difíceis de sua vida. “Quando eu estava com meus filhos recém-nascidos precisava fazer uma renda extra, mas não podia sair de casa para trabalhar. Na época eu estava abalada pela perda de minha mãe, e carecia de alguma coisa para ocupar a mente, mas que fosse possível realizar em casa, para poder acompanhar o crescimento e a educação dos meus filhos.” Certo dia, foleando uma revista, viu uma reportagem falando sobre o biscuit, até então não conhecia essa arte, e decidiu tentar sorte, “Antes era mais difícil adquirir informação, hoje com a internet temos acesso a cursos online, videoaulas, tudo facilita”. Autodidata na arte do biscuit, foi buscando em livros informações, comprou os materiais para fazer a massa, e segundo ela, a primeira tentativa “foi um desastre. Não conseguia de jeito nenhum, mas não desis-

Vanesssa conta que essa arte carece mesmo de estudo, de dedicar horas há cada peça, de investir carinho em detalhe. “Hoje faço o artesanato sozinha, gosto de cuidar de cada encaixe das peças, de colocar meu carinho mesmo, e acho que o cliente sente isso. Quando você trabalha esse tipo de arte você doa um pedaço de você junto com cada peça, são artes que vão fazer parte de momentos importantes da vida de alguém, como a chegada de uma bebê, um casamento, um aniversário, então necessita empegar muito amor, é um trabalho delicado e demorado.” A artesã ressalta que o artesanato mudou sua vida, “O biscuit me deu apoio num momento em que eu precisava, que estava abalada emocionalmente, a arte me deu forças para continuar e eu continuei. Hoje sou muito grata pelas conquistas que tive através do meu trabalho. O artesanato é uma terapia, e poder ganhar dinheiro com algo que você sente prazer em fazer é gratificante. Hoje as pessoas passaram a valorizar mais o artesanato, existem muitas famílias que sustentam através da arte e isso é motivo para aplaudir. É um trabalho bonito, que ainda carece de maior reconhecimento, mas quem sabe apreciar uma forma de arte, tem uma visão melhor da vida.”

Vanessa Arte em Biscuit 64 99978 9623 Vanessa Costa 39

modelar


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TÚNEL DO TEMPO

Banda Municipal em apresentação

A Rua da Grota

Av. 20 de Agosto

CRAC, nosso campeão de 1967

Um registro da festa do centenário de Catalão

Av. 20 de Agosto em 2012.jpg

TÚNEL DO TEMPO

Nós registramos! Além da colina dos poetas, cartão postal de Catalão – o Morrinho de São João, muitos outros lugares chamam a atenção. Nossa terra tem palmeiras, tem sabiás, tem flores, tem praças, avenidas, brilho, alegria, tem uma paisagem linda, preservada por lentes que registram o ontem, o hoje e o amanhã. A Revista Portal VIP compartilha a alegria de poder divulgar as memórias paisagísticas de Catalão! As duas igrejas, do Rosário e de São João

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TÚNEL DO TEMPO

O brilho do natal por Ciro Araújo, em 2009

Av. Farid Miguel Safatle em 2010

O complexo Calixto Abrão em 2010

O progresso nos trilhos, registro de 2013

Registro da entrega da Coroa em 2007

Uma noite de lua cheia, véspera do dia de São João de 2013, destacando a imponente Av. Raulina

Margem do lago Clube do Povo, num registro de Tavares & Silvestre em 2015

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Lord Syd

interpretar mais agradável, ” comenta Rafael. Fãs acima de tudo, são detalhistas com a reprodução do trabalho, “Pink Floyd é emblemática, atravessou e encantou gerações, e não somente as músicas, mas suas performances que eram completas, e temos essa preocupação de fazer um trabalho bem feito”, ressalta Diogo.

Michel, Edson, Fernando, Diogo e Rafael, o quinteto da Lord Syd

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a música se extraem diversos talentos, cantores, compositores, músicos, instrumentistas. É uma infi nidade de talentos que encantam os ouvidos e o coração. Imagine ter a oportunidade de apreciar a música daquele artista que você gosta, mas que não canta mais. Esta sensação pode ser devolvida através das bandas que realizam tributos a grandes artistas. Em Catalão, cinco músicos apaixonados pela banda britânica Pink Floyd decidiram que encarariam o desafi o de homenagear o grupo. Michel Fernandes, advogado, idealizador do projeto, fala sobre o ponta pé inicial, “Tanto eu, quanto todos os integrantes da Lord Syd já havíamos participado de outras bandas. Eu estava afastado da música há 10 anos e decidi que só voltaria a tocar numa banda se fosse fazer um projeto diferente. E para nós é um pouco difícil porque somos músicos a noite, mas de dia todos temos nossas ocupações rotineiras, empregos, família. A vontade de voltar para a música estava falando alto e para compensar a volta, pensei em algo que fosse agradável e vendável. Comecei a assistir alguns covers, projetos de banda que homenageiam um artista ou banda específi ca. Imaginei qual banda poderia ser o foco, porque como seria necessária muita dedicação, teria que ser algo que gostasse muito, então me veio Pink Floyd.”

Depois de escolher os homenageados, Michel, que canta e domina guitarra e violão, precisava dos integrantes e numa madrugada ansiosa, escalou o amigo Edson Bragança Junior, advogado, cantor e contrabaixista. Ele por sua vez escalou Fernando Gomes Rosa, promotor de justiça e baterista, Michel se lembrou de Diogo Pereira Silva, que é professor de música e na banda domina a guitarra, convidaram também Rafael Gonçalves Borges, vendedor e mestre do piano e teclados. Com a formação completa, começou e trabalho da banda Lord Syd, e é muito trabalho. A banda se dedica semanalmente aos ensaios e a entrega é de todos. “Aqui todos temos objetivos comuns, gostamos do Pink Floyd, e isso nos juntou. Mas acredito que o que nos mantém é a amizade que estamos criando, a afi nidade que temos uns com os outros e o amor pela música”, afi rma Fernando. O estudo da banda para retratar Pink Floyd em sua essência é inspirador. “É interessante a disciplina que a música implica em nossas vidas, aqui todos estão comprometidos por igual e isso dá gás para continuar, torna o trabalho

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Sobre a música em Catalão, Edson afi rma que dentro dos compromissos da banda, está o de levar o nome da cidade para onde forem, “Acredito que quando temos um dom de fazer uma música bacana, estamos tocando as pessoas e isso é uma grande responsabilidade, ainda mais que estamos homenageando uma banda da importância do Pink Floyd. E queremos melhorar o cenário musical de Catalão, e mostrar que quem quer, com dedicação e amor consegue. Estamos trabalhando a qualidade musical, criando um material para a banda com profi ssionalismo para mostrar junto a tantos outros músicos que Catalão é terra de diversos talentos, de diversos segmentos musicais. ” Reconhecer a música como obra de arte é valorizar o trabalho destes artistas que dedicam boa parte de suas vidas a nos encantar com interpretações que tocam o coração, que balançam a mente e nos levam de um lugar a outro em segundos. “A energia acontece quando estamos executando a música, dentro do ensaio ou nos apresentando, sentimos uma alegria tão grande, que realmente contagia. E quando o público sente essa energia, ela volta para nós, com uma positividade que nos faz querer cada vez mais seguir com o projeto. Propagar a arte do Pink Floyd e elevar a cultura da música ”, destaca. Michel.

O grupo catalano se destaca pela qualidade técnica


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Marcos Fayad

representar soas. E as pessoas gostavam, valorizavam, frequentavam as atividades culturais e artísticas. Tudo isso tem de ser incentivado pelas autoridades. O povo tem direito à arte como tem direito a saneamento básico, água, luz...é um direito que faz a grande diferença quando se tem acesso a ele. Se os cidadãos o exigem, ele se torna uma realidade. É assim em todas as cidades do mundo. Não seria diferente em Catalão.” Como disse, fui psicanalista com consultórios no Rio de Janeiro e Petrópolis e decidi me dedicar em tempo integral ao teatro – vivo disso. Nunca vi ninguém perguntar a um médico: “Você “mexe” com medicina?” Mas sempre que me apresentam a alguém perguntam: “Você “mexe” com teatro, né?”. Eu não “mexo” com teatro, eu sou um profissional que faz teatro e exijo ser tão respeitado quanto um engenheiro ou um médico o é.

O grande palco é como se fosse o quarto de Marcos

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le é catalano, formado em Psicologia PUC Rio de Janeiro, despertou para o teatro quando assistia aos espetáculos dos circos mambembes que passavam por Catalão, ainda menino. Como acontece com praticamente todos os artistas de teatro, Marcos lembra que o apoio praticamente nunca existiu. “Já viu pais incentivarem filhos a fazer teatro? Apenas achavam bonitinho e esperavam que aquilo passasse à medida que fosse crescendo. Apoiavam quando os meninos manifestavam vontade de serem médicos, advogados, engenheiros. Coisas de arte ninguém achava importante. Ainda hoje não acham. Só dão algum valor quando vêem o maluco na TV.” Determinado e rebelde, ele só fazia o que queria e sempre soube desde menino que queria fazer teatro. Apesar de psicólogo, ter tido dois consultórios no Rio e Petrópolis durante 10 anos, o Teatro sempre foi prioridade. O artista dos grandes palcos tem a representação como a mais poderosa ferramenta que um homem escolhe quando quer modificar-se ou mudar o mundo. “Pena que a grande maioria dos atores não pensa assim. Nessa arte, hoje, o que predomina é a vaidade, o ego, o exibicionismo e outras bobagens.”, lamenta Fayad. Mas o Teatro é a mais antiga e a primeira arte a

revelar a alma e a natureza do homem. Foi com o Teatro que o homem começou a perceber a si mesmo e a se expressar com o inconsciente e com uma força tal que ainda hoje o bom teatro é feito da mesma maneira: um homem conta uma história a outro homem e ambos se modificam ao mesmo tempo. Sociedades que não cultivam nem valorizam o teatro são meros conglomerados de pessoas em torno de nada. A arte teatral distingue uma sociedade da outra. E é assim, com essa convicção que, talvez por intuição e atrevimento quando ainda era adolescente no colégio no Rio onde estudava, depois com grupos na Universidade, até começar a conviver com artistas do teatro carioca, ele foi se formando ator. Como era curioso, estudioso e amava aquele universo, Marcos aprendeu rápido. “Quando estreei profissionalmente já tinha uma bagagem teatral relativamente sólida e fui bem recebido pelo público carioca exigente e pelos críticos. Porque o teatro é o estado, o local, o ponto onde nós atores podemos nos apropriar da anatomia do homem e através dela curar e dominar a vida. Aprendi com meu mestre Antonin Artaud e nunca mais me esqueci disso.” “A Catalão - Hoje não sei mais, mas houve uma época em que era a cidade goiana com a arte mais intensamente presente na vida das pes-

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Exijo ser tratado com respeito porque tenho consciência de que projeto Goiás, com meu trabalho, muito melhor que muitos políticos e empresários por aí...porque não roubo, não corrompo, não participo de maracutaias, não me vendo, não tenho emprego público nem privado e, com arte, transmito uma imagem do meu Estado positiva e moderna. Tenho muito orgulho de ser o que sou. Catalão é minha régua e compasso. Mesmo distante em anos e presença, minha infância e adolescência nesta cidade determinaram tudo na minha vida. O Freud descobriu e disse que tudo que um homem vai ser foi determinado nos sete primeiros anos de vida. Passei muito mais que isto aí antes de ir embora pro Rio de Janeiro. E que sorte que eu tive!

O artista catalano que conquistou o Brasil


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Foto: Divulgação

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Marcelo Amorim que era na época, meu hobby. ” Em 2013 Marcelo recebeu o convite de uma professora da UFG para fazer cerca de 50 caricaturas para a exposição EXPO DE ARTE CARICATURAS DO CAC – UFG, evento que comemorava os 30 anos do Câmpus em Catalão. Aceitou a empreita com certo receio, pois nunca tinha feito algo daquela dimensão. “Ali foi importante porque passei a ficar conhecido pelo meu trabalho. Avaliei as possibilidades e deixei meu emprego na mineradora, passei a me sustentar com o desenho e ingressei na UFG, no curso de psicologia. ”

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arte existe de tantas formas, encanta de tantas maneiras que talvez seja impossível apreciá-las todas, em apenas uma vida. Se emocionar, se inspirar, rir, são efeitos colaterais que quem admira uma forma de arte, e isso, se torna algo vital. Marcelo Vinícius Costa Amorim, mais conhecido como Marcelo Caricaturas, ou só como Caricatura, tem o dom de transformar pessoas em arte, de uma forma divertida, coloca no papel, as manias e características de cada um. Marcelo conta que era tímido em sua infância e enquanto os amigos brincavam, ele se prendia no papel, em seus desenhos, que passou a gostar depois de ver os traços amadores do pai, Marcelo e do padrinho Miro. “O desenho em si veio antes mesmo de eu ser alfabetizado, como brincadeira. Comecei copiando gibis, desenhos que via na rua, na escola fazia caricaturas dos professores, aí fui aprendendo algumas técnicas. ” Por gostar, Marcelo fazia caricaturas de brinde para amigos e familiares, até que os pedidos começaram a crescer e ele viu ali, uma oportunidade para investir. Para produzir materiais melhores comprou um computador e mesa digitalizadora, daí, começou a impulsionar a criação. “Na época eu trabalhava em uma mineradora e quando tinha tempo vago fazia as caricaturas e ganhava dinheiro com o

Depois disso Marcelo deslanchou, passou a fazer caricaturas para casamentos, aniversários, presentes especiais, recebe encomendas de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, e até do exterior, como da Venezuela e Catar. Isso, proporcionado pela divulgação das redes sociais, que são grandes aliadas. Marcelo não chegou a fazer cursos, suas habilidades foram desenvolvidas com seu esforço e algumas vídeoaulas, que o auxiliaram a dominar as técnicas digitais, “Para mim, dom é algo que você gosta e constrói com o tempo. Seja desenhar, cantar, tocar, praticar um esporte, então para mim gostar do desenho foi essencial para que aprendesse e melhorasse”. Além das caricaturas encomendadas, que hoje tomam boa parte de seu tempo, Marcelo não abre mão da sua arte livre, e fala sobre o sentimento de fazer o que gosta. “É bacana a reação das pessoas ao ver as caricaturas, porque à primeira vista você identifica a arte como algo não vital, e quando alguém vem até você com admiração, cumprimentar seu trabalho, e você vê que esse alguém, além de você, acha aquilo legal é muito bom. Aí passamos a perceber que a arte não é inútil, e se aprofundando você entende que a arte é vital. Imagine só, que cotidiano sem graça, sem brilho seria, se não existisse a arte, em sua grande variedade. A arte ainda carece de reconhecimento, pois esse tipo de valorização pode desencadear o surgimento de vários artistas em potencial que às vezes, por medo de preconceito, de não conseguir sobreviver disso, se fecham e quando um veículo de mídia valoriza a arte, encoraja novos artistas.

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desenhar


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PROFESSOR CHAUD | O AGOSTO NA NOSSA HISTÓRIA

Agosto de muito gosto! O mês que oficialmente registra o nascimento do município de Catalão, agosto, traz, ao longo de muitas décadas, registros de acontecimentos importantes e pitorescos das sociedades das épocas. Fatos estes registrados pelo professor e pesquisador, em memória, Professor Chaud, os quais compartilhamos, saudosamente, com nossos leitores.

06/08/1830 – Tomou posse e prestou juramento perante a Câmara Municipal de Goiás, na sessão solene desse dia, João Pedro Barbosa, procurador do suplente do juiz de paz do Catalão, Mariano José Rodrigues. 08/08/1831 – O jornal Matutina Meiapontense referiu-se ao fato de a Câmara Municipal de Goiás não ter incluído Catalão entre os municípios notáveis de Goiás para a cobrança de um novo imposto: a décima.

25/08/1835 – A Resolução nº 4 desta data fi xou o teto máximo do ordenado para as aulas no Catalão em 200 mil réis. 18/08/1859 – A Tesouraria das Rendas Provinciais mandou entregar 1:261$850 ao coronel Antônio da Silva Paranhos para atender ao saldo da construção da ponte sobre o Córrego Pirapitinga, na Vila do Catalão. 20/02/1859 – Pela Resolução Provincial nº 7, desta data, assinada pelo presidente da Província de Goiás, Francisco Januário da Gama Cerqueira, Catalão foi elevado à categoria de cidade. 1862/agosto - Nessa época havia no município de Catalão: 200 engenhos de cana, 20 alambiques, 15 rodas de mandioca, 100 moinhos, 1353 monjolos, 2 engenhos de serra, 20 olarias e a produção anual era de: 3000 arrobas de açúcar, 8000 litros de aguardente de cana, 131 alqueires de farinha, 2000 alqueires de fubá, 10.821 alqueires de farinha de milho, 365 dúzias de taboados e 10.000 telhas.

Fotografia muito interessante. Ela mostra um palanque onde se encontra o, então, governador Otávio Lage de Siqueira e o saudoso radialista Farid Nahas. Uma faixa instalada no palanque faz alusão à chamada Revolução de 64. Abaixo um pedaço da palavra “Democracia”. Otávio Lage assumiu o governo de Goiás em 31 de janeiro de 1966, com a deposição de Mauro Borges, e governou até 20 de maio de 1968. Fora eleito para um segundo mandato que durou de 3 de julho de 1968 até 15 de março de 1971.

01/08/1932 – Na sessão extraordinária da Sociedade Defensora da Liberdade e Independência Nacional, na capital da Província, foi lido um ofício do correspondente do Catalão, em que participou ter comunicado aos cidadãos daquele arraial a circular dessa sociedade prevenindo os povos contra a propagação de idéias revolucionárias e que o juiz de paz daquele arraial se prestara de bom grado ao recomendado na mesma circular.

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113ª Edição - Agosto de 2017


PROFESSOR CHAUD | O AGOSTO NA NOSSA HISTÓRIA

06/08/1866 – Nasceu, no Catalão, Augusto Netto Carneiro, 12º prefeito de Catalão e construtor da praça hoje denominada Getúlio Vargas. 1872/agosto – A cidade do Catalão contava com mais de mil habitantes e a zona rural com mais de 10 mil. 17/08/1882 – No relatório do Dr. Cornélio Pereira de Magalhães, presidente da Província de Goiás, ao transmitir a administração para o Dr. Teodoro Rodrigues de Moraes, constou a seguinte anotação: Constando de participações ofi ciais que me foram dirigidas fi quei ciente de que se acha bem adiantada a construção da igreja matriz da cidade de Catalão, cujas obras tem sido feitas à custa dos fi éis, por ato de hoje nomeei uma comissão composta do Vigário Luiz Antônio da Costa, João Cerqueira Netto, Francisco Vítor Rodrigues e José Maria da Silva, e mandei entregar, pelos cofres provinciais, o auxílio de 500$000 de que prestará conta a referida comissão.

03/08/1910 – Chegou à cidade o aperfeiçoado aparelho cinematográfi co do Sr. Marcílio Ayres, que seria montado em duas semanas, caprichosamente em espaçoso e higiênico prédio de propriedade de seu digno pai, coronel José Maria da Silva Ayres, com instalação elétrica. Profusamente iluminado o prédio, dispondo de fi tas as mais modernas na atualidade e sendo o aparelho escrupulosamente escolhido e de alto preço, rivalizando com os melhores funcionando em Ribeirão Preto, Uberaba e Araguari, seria um verdadeiro sucesso, entre os diversos que Marcílio Ayres vinha proporcionando ao público. (A foto apenas ilustra a história cinematográfi ca de Catalão, não se tratando da época de 1910).

1891/agosto – Os deputados do Catalão, em direção à capital de Goiás, tiveram que percorrer 80 léguas a cavalo, para tomar parte nos trabalhos legislativos. 24/08/1906 – Nasceu no Catalão, Francisco Vitor Rodrigues, médica de renome internacional. Começou a clinicar em sua cidade natal em 1928, mudando-se em 1933 para o Rio de Janeiro em busca de aperfeiçoamento profi ssional, tornando-se professor de medicina e cirurgia da Faculdade Nacional de Medicina, na Cátedra de Clínica Ginecológica, e foi membro da Academia Nacional de Medicina. As duas imagens acima são da, então, Fazenda Barreiro, de propriedade de Olegário Martins Teixeira, pai, entre outros, do Prof. João Martins e Levi Martins. Uma prática muito comum, utilizada pelos fazendeiros, inclusive em épocas mais recentes, é fincar dois varões no chão e nas pontas, atravessar um fio para servir de antena para o rádio. Vejam na segunda fotografia. Pelo som de chiado que produzia, em função da precariedade da sintonia, deu-se aos rádios da época o apelido de “caixote de abelhas”. Na porta, estacionado, o automóvel que pode ser um Ford 1929/30. Na 1ª fotografia, de acordo com informações, as pessoas seriam funcionário da propriedade pois que ali funcionava um engenho.

30/08/1931 – Instalada a Usina de Álcool Martins Teixeira, sendo a primeira do Estado.

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Corrida de bicicleta realizada em Catalão na década de 1950. Na fotografia a vencedora Ilma Affiune.

1936/agosto - Catalão Ilustrado publicou a relação dos veículos existentes no Catalão em 1936: 8 automóveis, 12 bicicletas, 4 caminhões, 23 carroças, 17 carroções, 542 carros de boi, 6 charretes e 2 motocicletas. A equipe da Santa Casa de Catalão. Médicos, enfermeira(o)s, profissionais de várias áreas e serviços médicos que desde 1959 vêm dando à população de Catalão e região assistência médica de qualidade, apesar das dificuldades que toda entidade filantrópica dessa natureza enfrenta.

20/08/1959 – No ano do Centenário do Catalão, foi inaugurado o imponente prédio da Santa Casa de Misericórdia.

Fotografias, bilhetes endereçados a Antero pedindo a sua interseção, promessas... As ferramentas fixadas na cruz, segundo dizem, foram usadas para torturar Antero no seu calvário entre a delegacia e o local onde, misericordiosamente, caiu sem vida.

16/08/1936 – Antero da Costa Carvalho, poeta, farmacêutico, jornalista, réu confesso do assassinato de Albino Felipe do Nascimento, foi retirado da Cadeia Pública por um numeroso grupo de amigos do assassinado e linchado barbaramente. Apesar de suas duas confi ssões na polícia assumindo ter ordenado o assassinato, a população criou uma lenda em torno de seu nome de sua provável inocência, em razão do martírio a que foi exposto. 13/08/1985 – Instalado o primeiro Salão de Artes Plásticas. 05/08/1989 – A Metago anunciou ter protocolo fi rmado com a IMC, aguardando apenas a adesão da Goiasfértil para a implantação de um projeto de produção de titânio no município de Catalão, orçado em 200.000 toneladas/ano de concentrado de anatásio com teor de 83% de Ti.

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16/08/1996 – O prefeito José Moreira inaugurou o Palácio da Justiça Frederico Campos e o Auditório Paulo Fayad Sebba, com a presença do governador Maguito Vilela, secretários de Estado, deputados estaduais e desembargadores.

Registros extraídos da obra de Antônio M. J. Chaud, o Professor Chaud, Memorial do Catalão.


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