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Zoom // Media

nível de produção e acesso a conteúdos, campo onde a PT está quase órfã. Entre as principais mais-valias da Zon ao nível de conteúdos, contam-se as cerca de 200 salas de cinema – que vendem mais de 600 mil bilhetes por mês – e o acesso privilegiado aos principais produtores cinematográficos – para distribuição e venda de filmes em Portugal. Além disso, tem a oferta de televisão que domina o mercado, é dona de 50% da SportTV, canal que detém quase todos os direitos de transmissão de eventos desportivos, e consegue ainda lançar canais próprios – o Mov, por exemplo. Para ajudar, a Zon garantiu recentemente não só a exclusividade na distribuição do TVI 24, como o direito de distribuição dos canais de cabo da SIC – Notícias, Radical e Mulher – por mais cinco anos. BAVA VITIMA DE ZEINAL Todas estas van-

José Eduardo Moniz foi um dos principais visados na polémica criada entre governo, PT e Media Capital

FILIPE CASACA

Conteúdos. Depois da TVI, PT procura aliados para bater Zon A PortugalTelecom mantém o desejo de reentrar na área de conteúdos. Uma vez fechada a porta daTVI, sobra uma televisão: a SIC Números

199,2

milhões. Custos da Zon com programação, direitos e comercialização de canais, para 1,5 milhões de clientes

89,3

milhões. Custos da Portugal Telecom com conteúdos e programação televisiva para 312 mil clientes

2,3

milhões. Total de clientes de TV por subscrição, um valor que ainda é menos de 50% do mercado disponível

24

—29 Junho 2009

FILIPE PAIVA CARDOSO

filipe.cardoso@ionline.pt A aposta da Portugal Telecom (PT) no mercado da televisão, o Meo, está a sair demasiado cara para que Zeinal Bava continue sozinho, isto julgando pelos números. Só no ano passado, o Meo investiu 89,3 milhões para dar conteúdos a 315 mil clientes. Feitas as contas, cada cliente custou 286 euros. Um valor que na sua rival TV Cabo é de apenas 130 euros/ cliente, já que investiu 199,2 milhões de euros em programação para 1,5 milhões de lares. Esta é uma das razões que têm alimentado o interesse assumido pela PT em reentrar no mercado dos conteúdos, porém, com o veto governamental à entrada na Media Capital, a posição da operadora ficou fragilizada. O chumbo de Sócrates ao negócio PT/TVI reduziu as opções disponíveis no mercado português para que a operadora consiga reforços neste campo, já que não procura apenas empresas com conteúdos, mas sim grupos com televisão. Riscada a TVI, sobra a SIC, detida pela Impresa. A hipótese de avançar para uma parceria alargada com a Media Capital, que não implique a entrada na estrutura accionista desta, é ainda um cenário

em cima da mesa de Zeinal Bava, porém, o risco de novas “tempestades de Verão”, como Henrique Granadeiro, chairman da PT, classificou todo o caso, é demasiado grande para que o governo aceite esta alternativa nos próximos meses. “Mas vamos entrar nos conteúdos”, garantem fontes da operadora. OS CONTEÚDOS A TV Cabo e o Meo gas-

tam anualmente com programação quase 300 milhões de euros. A Zon fez deste negócio a sua principal área de actuação, detendo uma posição invejável a

A PT e a Zon gastaram mais de 300 milhões de euros na compra de conteúdos televisivos durante o ano passado A operadora, apesar do chumbo da compra daTVI, está confiante de que vai reentrar no mercado dos conteúdos

tagens da dona da TV Cabo serviram para colocar o tal “colete de forças” à volta da PT de que Zeinal Bava falou na entrevista da última semana à RTP. O CEO é obrigado a negociar muitos conteúdos com a sua rival Zon Multimédia, que lhe cobra, diz a PT, preços demasiado altos. “É o mercado a funcionar”, é uma resposta que Zeinal ouve agora. A mesma que, em tempos, ele próprio deu a rivais como a Sonaecom. A PT quer inverter a situação do mercado com a reentrada nos conteúdos. Apesar de a operadora garantir que hoje o acesso aos conteúdos está mais difícil do que antes da saída da PT Multimédia do grupo PT, em Novembro de 2007, Zeinal é vítima de um mercado que ele quase criou. Quando vendeu a Lusomundo à Controlinveste, a PT optou por manter todos os conteúdos consigo. Anos depois, foi obrigada a ceder a Multimédia aos seus accionistas para vencer a oferta pública de aquisição lançada pela Sonaecom. Perdida a TV Cabo, a PT avançou para uma oferta própria de televisão, o Meo, oferta que depende de conteúdos para continuar a crescer. Aliás, o plano da PT para o mercado português a longo prazo passa por ter um terço das receitas originadas no chamado triple play – oferta conjunta de televisão, internet e telefone –, daí a importância de garantir um acesso mais fácil e barato aos conteúdos de televisão. E este é um sector a que as operadoras de telecomunicações estão lentamente a querer voltar, já que o entretenimento parece ser o negócio que irá compensar a estagnação de outros mercados, como o telefone fixo ou móvel. Na Ásia, o mobile TV está a ganhar cada vez mais força, com um crescimento de 60% em 2008. Na Europa, a France Telecom garantiu os direitos de transmissão da liga de futebol e a Telefónica, operadora que é accionista da PT, está em namoro com a Prisa, dona da TVI, para entrar no capital da empresa, uma das maiores produtoras em castelhano. Pelos exemplos que vêm de fora, e pelas contas que faz ao seu próprio negócio, os conteúdos são um sector do qual a PT não quer continuar afastada, procurando garantir que o crescimento do Meo não se torne uma cruz por causa dos elevados custos a ele associados.

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Números Zoom // Media milhões. Custos da Portugal Telecom com conteúdos e programação televisiva para 312 mil clientes em cima da mesa de Ze...

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