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Opiniões

VISTO DE FORA

ESPECIALISTA ESPAÇO

Cidadania MIGUEL GONÇALVES

Os socialistas de todos os partidos continuam a não entender o contributo de instituições independentes como o Banco Central Europeu para o interesse comum

Miguel Angel Belloso A semana passada, Zapatero esteve na Nigéria, numa curta visita a África para reforçar o compromisso da Espanha na luta contra a pobreza e a pena de morte, que se saldará numa contribuição de 250 milhões de euros nos próximos três anos. Trata-se, mais uma vez, de um gesto ridículo e oneroso, uma vez que Espanha já é o país que mais contribui para África e, em termos gerais, para os países menos desenvolvidos, por via da imigração em massa acolhida e devidamente recompensada. A imigração foi primordial para o crescimento espanhol da última década. Foi um êxito, uma bênção. E sê-lo-á no futuro. Dito isto, a imigração também implica custos, ou seja, todas as despesas associadas ao generoso Estado-providência de que fruímos nós, os nativos. E não parece que, no momento em que o orçamento do Estado vai registar um défice de quase 10% do PIB e o desemprego

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—29 Junho 2009

está a subir de forma alarmante, devamos ir a África regar com dinheiro governantes de idoneidade mais que discutível. Aí, na Nigéria, o presidente Zapatero apressou-se a responder ao senhor Trichet, governador do Banco Central Europeu, que, em vez de passar por África, tinha decidido passar por Espanha para nos advertir de que temos de mudar de política se não queremos que o país fique arruinado durante muito tempo. A resposta de Zapatero foi portentosa. Fora os disparates habituais sobre não ser essencial reduzir os despedimentos; que tudo o que se faça deve ser decidido por concertação social; e demais considerações boazinhas e ruinosas de todo o tipo, já conhecidas, Zapatero voltou a referir a máxima que rege todas as suas obras e pensamentos. Disse ou acabou por

Suspeito que para Zapatero, governar para a cidadania equivale a governar para captar votos

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dizer: uma coisa é ser governador do Banco Central Europeu, governador do Banco de Espanha ou perito económico; outra, muito diferente, é governar para a cidadania. Não se sabe muito bem o que quis dizer com isto, mas suspeito que, na opinião de Zapatero, governar para a cidadania equivale a governar para captar votos. Quando o presidente do governo, como tantos outros socialistas, do PSOE como de outros partidos, entoam tais cânticos à democracia e à cidadania, o que realmente pretendem é um sistema em que o resultado eleitoral lhes outorgue uma via desimpedida para fazerem ou desfazerem a seu bel-prazer. Por isso haveria que responder que, em primeiro lugar, já há séculos que existe a divisão de poderes para que, precisamente, o executivo não possa governar como lhe aprouver. Em segundo lugar, que as democracias avançadas e, em particular, a União Europeia, decidiram a seu tempo que, precisamente para beneficiar a cidadania, seria muito conveniente limitar o poder executivo com o contrapeso de instituições e organismos independentes de diferentes propósitos e sensibilidades. Por exemplo, haveria que pôr

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nas mãos de técnicos e profissionais de convicções diferentes a gestão da política monetária que fixa os tipos de juros e intervém para determinar o tipo de câmbio da moeda. Este foi, na minha opinião, um feito histórico. Pressupunha o reconhecimento por parte dos políticos das suas perigosas veleidades, que, mais que ao bem comum, dão frequentemente mais atenção ao que se repercutirá de maneira mais clara e determinante na sua reeleição, e que, portanto, deveriam impor a si próprios um castigo como penitência. Castigo esse que consistiu na renúncia a parcelas de poder. Esta é a essência dos bancos centrais independentes. Foram estabelecidos por políticos conscientes das suas debilidades, mas convencidos da necessidade de as minimizar com órgãos fora da alçada dos seus caprichos. Todas estas são as razões pelas quais a visita africana de Zapatero, os seus gestos ofensivos nestes tempos de crise – 250 milhões de euros –, as suas pretensões supostamente elevadas sobre a arte da política, e sobretudo as suas críticas ao senhor Trichet são deslocadas. Economista Escreve à segunda-feira

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O Inferno vindo dos Céus O LOCAL: rio Podkamennaya Tunguska, na remota Sibéria. 30 de Junho de 1908, quase 7h14 da manhã. O céu parece abrir-se, até as rochas se amedrontam com o grito; o calor asfixia e destrói cada bocado de ar. Os locais acreditam que vem aí o deus Ogdy, que amaldiçoa tudo e todos. A explosão é mais brilhante que o Sol, o equivalente a mais de 185 bombas de Hiroxima... 60 milhões de árvores padecem. É o fim da linha não para a humanidade, mas para uma simples rocha de 50 metros de diâmetro que, na sua viagem espacial, foi atraída pela gravidade da Terra. Felizmente, acredita-se que a nossa atmosfera conseguiu evitar o choque com a superfície, desgastando por fricção este “martelo de Deus” (como diria Artur C. Clarke). Mas o susto vivido há 101 anos deveria servir para uma reflexão séria. Há 65 milhões de anos, um asteróide de 10 km de diâmetro pôs fim ao reinado dos dinossauros, eliminando também muitas outras formas de vida do nosso planeta. Hoje os dinossauros somos nós. Tal como os enormes répteis, é assustador pensar que, tecnicamente, estamos tão impotentes como eles para impedir este extermínio de origem cósmica. Hoje conhecemos mais de 6200 destas rochas próximas da Terra; mais de mil são classificadas como perigosas para a humanidade. George Steiner, em tempos, perguntou: “A que ponto terá uma data de ser próxima para que comece a preocupar-nos?” Haverá algum tipo de selecção natural no Cosmos? Coordenador Nacional da The Planetary Society areiaeestrelas@gmail.com Escreve à segunda-feira

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—29 Junho 2009 4 DELEGAÇÕES Porto Manuel Queiroz Director Tel: 222 025 036 porto@ionline.pt Aveiro Tel: 234 400 090 Fax: 234 400 099 aveiro@...

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