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PRIMEIRO PLANO

UMA IDEIA PARA PORTUGAL

Tempo de manifestos

Nenhuma ideia por si só é capaz de salvar Portugal. Mas é importante saber por onde começar. Palavras-chave: reinventar Portugal para o mundo de amanhã. Prioridade: formar a juventude na cultura de exigência e na capacidade competitiva que lhe permitam responder pelo país no futuro. Ideia para começar: atrair os talentos portugueses dispersos pelo mundo, criando centros de excelência, inovação e exemplo ao serviço de Portugal.”

Para combater uma crise económica como há muito se não via é necessário utilizar todos os instrumentos

João Rodrigues “Se juntarem dois economistas numa sala, terão sempre duas opiniões, a não ser que um desses economistas seja Keynes; nesse caso terão três opiniões”. Vale a pena lembrar esta observação, atribuída a Winston Churchill, que, de forma talvez não intencional, valoriza Keynes. A economia é sempre plural e política. E a economia é demasiado importante para ser deixada apenas aos economistas. Em particular aos que estão habituados a fazer política de direita sem serem desafiados nos seus diagnósticos, prescrições e omissões. Parece que a crise económica caiu do céu. Esta posição passiva impede a descoberta de soluções para dela sairmos e para reformarmos as estruturas que a geraram. A crise é o

resultado das desigualdades, da abertura mal gerida dos mercados e da hegemonia de um sector financeiro com reduzido controlo do poder político. Hoje temos de reconhecer que o crédito é um bem público que tem de ser enquadrado por instituições geridas numa lógica de interesse público e capazes de apoiar o investimento produtivo. Temos também de reconhecer que os mercados financeiros, na base da especulativa economia de casino criticada por Keynes, devem ser afastados de áreas fundamentais como a segurança social e não devem poder subordinar o sector produtivo às suas lógicas de curto prazo. São questões estruturais que convém não esquecer. Não se pode ignorar igualmente que os desequilíbrios comerciais, com a acumulação de défices e excedentes insustentáveis, só podem ser superados com uma reconfiguração política da globalização. Entretanto, os encadeamentos perversos da crise não esperam. O colapso da procura privada, interna e externa, e o

desemprego de dois dígitos fazem com que só os Estados tenham instrumentos para descobrir uma saída. A intervenção pública no sistema financeiro para desbloquear o crédito e os aumentos dos défices e da dívida pública são inevitáveis neste contexto. Representam, em parte, o esforço para minorar os impactos sociais da crise e para, através do investimento público, idealmente coordenado à escala europeia e global, superar a desconfiança que tolhe o sector privado e assim dinamizar a economia, aproveitando o balanço para mudar alguns dos seus iníquos padrões. Não usar todos os instrumentos para combater uma crise como nunca vimos outra seria trair as gerações futuras, a quem temos a obrigação de legar uma economia ambiental e socialmente sustentável. Foi por isto que subscrevi o manifesto, lançado no sábado, por uma política económica centrada no emprego. Economista e co-autor do blogue Ladrões de Bicicletas Escreve à segunda-feira

JOSÉ LUÍS CRUZ VILAÇA ADVOGADO E DOUTORADO EM ECONOMIA

iCORREIO As mensagens dos leitores devem ser enviadas para o seguinte endereço: correio.leitores@ionline.pt

FIGURAS TRISTES Desde o n.o 1 que o i passou a ser o “meu jornal diário”. Penso que já todos referiram o que o i trouxe de bom ao panorama jornalístico nacional. Só falta referir um pequeno pormenor, que aqui para as bandas de Matosinhos até se torna grande. É que o i resiste melhor ao vento. Como todos sabem, estas nossa costa norte é muito fustigada pelas habituais nortadas. Então na praia não é nada raro vermos páginas soltas de jornais a passarem por nós, quais aves raras, e logo a seguir um desesperado leitor que as persegue, na maioria das vezes sem sucesso. Coitados! Ainda não perceberam que há um novo jornal, agrafadinho, que não nos obriga a fazer aquelas figuras tristes. ANDRÉ GOMES FERREIRA MATOSINHOS - POR EMAIL

ROCK PORTUGUÊS É verdade que cada vez mais se faz boa música em Portugal. É também verdade que cada vez mais em Portugal se começa a olhar para aquilo que se faz cá dentro, sem se comparar sistematicamente com o internacional. Começamos a dar valor ao que é nosso. Sobre o artigo “O rock português no retrovisor”, na coluna semanal de António Pires, publicado na sexta-feira, digo-lhe que o CD d´Os Golpes é um disco fantástico, e todas as outras apostas são sempre bem-vindas ao mercado discográfico. Continuo atento aos seus artigos.

Numa crise como esta a intervenção pública é inevitável e fundamental

SHANNOW STAPLETON/ REUTERS

VASCO LOPES IONLINE

—29 Junho 2009

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