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um movimento pendular de populações que os procuram como forma de manifestar a sua espirítualidade. Do modelo em pequena escala de uma estrutura re­ ligiosa às grandes redes comerciais em torno dos locais de peregrinação, passando pelos vastos territórios atribuídos ao trabalho de antigos ancestrais, a religião tem profundo efeito sobre a paisagem e sobre a nosssa percepção do lugar da humanidade no mundo ( Encarta, 1999 ). O próprio turismo, fonte de renda e lucros que caracte­ rizam nossa sociedade atual, teve sua história contada desde o início, segundo Vitarelli na Grécia antiga, com a peregrina­ ção ao Oráculo de Apolo, em Delfos, desde o século VIII AC. O turismo é um negócio que movimenta anualmente mais de US$ 3,5 trilhões, segundo a Organização Mundial do Turismo. Dentro desse setor, o turismo religioso movi­ menta cerca de 3% do turismo no planeta. O turismo religi­ oso, porém, é diferente do convencional, pois quem viaja aos lugares sagrados não quer só passear e trazer lem­ branças para casa - quer, antes de mais nada, encontrar­ se com os símbolos máximos de sua religião. Assim, dentro das modernas relações entre a religião e o turismo, surgiram, recentemente no Brasil, sob a chance­ la da Igreja Católica, duas trilhas de peregrinação que inter­ ligam importantes lugares sagrados, agora acrescidos de ca­ ráter nã'o só místico-religioso, mas também, ecológico. A maior trilha, denomínada Caminho da Fé, uma ver­ são brasileira do Caminho de Santiago de Compostela, pos­ sui 415 quilômetros em sua extensão total, ligando Apareci­ da a Tambaú - terra do Padre Donizete, passando por vári­ as cidades do Sul de Minas Gerais. A segunda trilha, denominada de Caminho do Sol, um pouco menor, possui 209 quilômetros, partindo de Santana do Pamaiba, cidade histórica na Região Metropo­ litana de São Paulo, passando por Pirapora do Bom Jesus, /tu, Piracicaba, até atingir Águas de São Pedro, onde se localiza um altar dedicado a Santiago de Compostela, o pri­ meiro construído fora da Europa (Folha de S. Paulo, 2002). Uma terceira trilha, em projeto, seria um percurso de 105 quilômetros, que refaz o itinerário percorrido pelo Pa­ dre José de Anchieta, no Espírito Santo, ligando Vitória á atual Anchieta ( Folha de S.Paulo, 2002 ).

Revista do IHGP - Vol. 10  

Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba.

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