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Em muitas culturas, particularidades geográficas como montanhas ou cadeias de montanhas, rios, fontes, cavernas, encostas, lagos, mares e florestas revestem-se de atributos espirituais que dão caráter geográfico e único aos chamados lugares espirituais, sinal de contato entre o humano e o divino. As atitudes religiosas em relação á morte também afetam a paisagem - santuários, tumbas e arvoredos são estabelecidos de acordo com as tradições. São exemplos o Taj Mahal, as pirâmides do Egito e o exército de soldados de argila de Lian, na China. Para pessoas de várias crenças, o próprio ato de vi­ ajar para locais sagrados com o objetivo de observar uma tradição religiosa já é por excelência uma experiência misti­ co-religiosa. O caminho, metáfora da vida terrestre, inicia­ se já com uma tranformação pessoal visivel através de uma série de rituais que culminam no momento da chegada. Ali, finalizada a meta, o peregrino renasce convertendo-se num novo homem ( Vitarelli, 1999 ). A peregrinação é um caminho ritual empreendido in­ dividuai ou coletivamente com a finalidade de buscar a pu­ rificação, a perfeição ou a salvação. Nessa experiência reli­ giosa, estabelece-se uma série de vinculos: enlaça-se um lugar profano com o mundo superior, a um caminhante indi­ viduai com uma comunidade, e o peregrino de carne e osso como que renasce purificado pelo cumprimento de seu em­ penho. Essas relações diferenciam a peregrinação, sendo imprescindiveis um lugar, um caminho percorrido e um ob­ jetivo sagrado ( Vitarelli, 1999 ). Como diz a sabedoria popular, aos lugares sagrados nada deves levar além do teu corpo; dos lugares sagrados nada podeis tirar além do teu corpo. A cada ano, milhões de pessoas fazem peregrina­ ções religiosas para locais sagrados em todo o mundo. En­ tre as grandes peregrinações podemos citar Meca, Medina e Karbala (Arábia Saudita ), Kumbh Meia ( lndia ), Jerusa­ lém , Santiago de Compostela, Czestochowa, Fátima e Lourdes. No Brasil, podemos citar o Círio de Nazaré, Apa­ recida do Norte, Goíás Velho, Bom Jesus da Lapa, Bom Jesus do Matosinho, Nossa Senhora dos Navegantes, Se­ nhor dos Navegantes, Juazeiro do Norte, Pirapora do Bom

Revista do IHGP - Vol. 10  
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Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba.

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