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por uma gentalha revolucionária e inimiga da ordem(...) que a Câmara era sua inimiga pessoal, procurando prejudicá­ lo, com a concessão de datas em suas telTas, quando den­ tro da vila havia telTenos vazios solicitando ao Ouvidor que lhe fizesse justiça, no que foi contestado pela Câmara em sua petição ser ele um homem de péssima índole e furioso procedimento e por isso é que tanto tem vexado a Vossa Senhoria com imensos requerimentos, caluniando injusta­ mente a esta Câmara. Como se vê, o trânsito pela Rua da Praia nesses idos já era significativo. É de 1823 que se tem a primeira informação documental sobre a primeira ponte ligando as margens do rio Piracicaba: a Câmara concede ao Alferes Manuel Joaquim Pinto de Arruda autorizaçao para o levanta­ mento de uma cerca, logo acima da ponte, na margem es­ querda do Piracicaba, de modo a deixar terreno suficiente para que não viesse a dita cerca a impedir a boa saída da dita ponte. Ao que se prevê, a ponte localizava-se na altura da hoje rua Prudente de Moraes, onde o rio é mais estreito. Ainda pelas Atas da Câmara (16 de fevereiro de 1831) consta a aprovação do termo da Vila (Perímetro)para a cobran­ ça de imposto (Predial) onde se inclui a Rua da Praia (dita do Porto) da casa de Manuel de Jesus até a casa de Maria Joaquina. Há uma curiosa correspondência de autoria do Padre Francisco de Assis Pinto de Castro (prOfessor de latim e fran­ cês em 1856, nessa cidade de Piracicaba), na qual, em uma das cartas datada em 1858, descreve e desenha os principais edifícios de Vila Nova da Constituição havidos na época. Quando o padre descreve os prédios de sobrados cita, entre outros, o existente na Rua da Praia: Sobrados - o do Sr. Rocha, do Sr. Morato, o do Sr. Torquato, o da Senhora dona Hermelinda, professora de primeiras letras, o do Sr. Braz, o do Sr. Henrique Alemão, e um outro cujo nome não sei, na Rua da Praia. Este último só pode ser a chamada Casa do Povoador que aparece no volume VII do Arquivo Pitoresco de Lisboa. A história da Casa do Povoador, localizada na Aveni­ da Beira Rio, nome dado a uma parte da antiga Rua da Praia, merece esclarecimento. Ela tem arquitetura do sécu­ lo XIX e possivelmente foi Casa de Sal ( entreposto). A primeira notícia concreta que se tem da casa data de 1850.

Revista do IHGP - Vol. 10  

Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba.

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