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Esses primeiros moradores da Rua da Praia eram pescadores, no tempo tarefa rendosa. Uma cerca e um portão limitavam a área públíca. O portão dava entrada às terras do Tenente Coronel Teobaldo da Fonseca e Souza, que não permitia o trânsito pela margem do rio, argumen­ tando danos na sua cultura. Tão logo, após a instalação da Câmara de Vereadores em 1822, as autoridades civis e principalmente os camarários iniciaram uma demanda com o autoritário sesmeiro, no senti­ do da liberação da passagem com a retirada da porteira. Fruto da teimosia de Teobaldo da Fonseca e Souza, a Câmara re­ solveu tomar medida enérgica. Em 23 de julho de 1823, os vereadores oficiaram-lhe para o termo de 24 horas tirar a por­ teira da Rua da Praia (ata da Câmara). Nada adiantou, a dita porteira permaneceu no mesmo lugar ainda por quatro anos. Em 13 de maio de 1823 houve pesada pancadaria na Rua da Praia, entre os escravos e empregados do Te­ nente-Coronel Teobaldo e os de Manuel Dias Ribeiro, que obtivera na Câmara uma data de terra na área de litígio, compreendida na demarcação do rossio. O Tenente-Coronel Teobaldo, após aceder, flm 1822, com a demarcação do rossio, por ocasião da elevação de Pi­ racicaba em vila, que lhe espoliara braças de terra, decidiu voRar atrás e, com um bando de escravos destruiu uma casa em construção, de Dias Ribeiro. Houve revide e o caso deu muito pano para manga, pois o Governo Provincial ajuizou em favor do Tenente-Coronel, com o que a edilidade discordou. Na ata da Câmara de 22 de outubro de 1825, estão registrados os nomes de Policarpo Antônio e João Rodrigues de Ataíde, requerendo lotes na Rua da Praia, para ali afir­ marem residência. A resolução da demanda só aconteceu através da esfera superior, em 1826, quando chegou à Câmara em 8 de novembro, a confirmação da sentença. A decisão, con­ tudo, ainda não foi acatada pelo teimoso Coronel Teobaldo, na conjectura da proteção de seus direitos. Em dezembro de 1827, o Meritíssimo Ouvidor da Comarca de Itu determinou a retirada definitiva da cerca e da porteira. Mais uma vez o sesmeiro não admitiu a derrota, através de uma petição ao Ouvidor, rebelando-se contra a Câmara, na qual afirmava que sua propriedade foi invadida

Revista do IHGP - Vol. 10  

Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba.

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