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lilarismo inaugurado na Capitania por D. LuizAntonio de Souza Mourão, o ilustre Morgado de Mateus (Neme, p. 50). A falta de informações sobre a atividade povoadora naquele sertão do Piracicaba, durante os anos compreendi­ dos entre 1733 a 1766, é sintomática de que ainda a região se manlinha a relaguarda do movimenlo monçoneiro, seja para Cuiabá seja para o forte- presídio de Igualemi, estabe­ lecido na fronleira paraguaia, destinado ás operações mili­ tares no sudoesle, a partir de 1767 (Perecin, 1994, p.22). A lógica colonial ligava o desenvolvimento das comu­ nidades á circulação de trânsito ao longo das estradas e dos caminhos, particularmente, ao abastecimento das zonas mineradoras. Felipe Cardoso apostou alto no porto e para­ gem de Piracicaba. Em 1760, cansado, desiludido e arruina­ do na sua empresa, nada mais lhe restava que honrar os seus compromissos em cartório, lransferindo a posse da sesmaria de Piracicaba ao sobrinho por causa de uma divida de 'uns duzentos e poucos mil réis (Perecin, 1994, p.23). A sesmaria então passa a pertencer a Francisco Cardo­ so de Campos, entre 1760 à 1767, um povoado arruinado pela falta da visita das canoas cuia banas e as expedições sertanistas. Não houve nem manifestação de Francisco Cardoso de Campos para defender seus direitos de posse quando Mourão mandou lançar o Bando na Vila de Itu, em novem­ bro de 1766, comunicando a sua intenção de assentar uma povoação em Piracicaba. Residindo em Araritaguaba, Freguesia de !tu e ponto monçoneiro, era notório que Antônio Correa Barbosa, ar­ mador naquele mesm/ssimo ponto, se achava nomeado, desde julho de 1766, Diretor Povoador da Nova Povoação de Piracicaba (Perecin, 1994, p.23). Temos, portanto, Piracicaba estabelecida como po­ voação em 1767, e como Freguesia em 1774. Formalizada a povoação de Piracicaba em 01/08/ 1767, na margem direita do rio, junto ao velho porto, entran­ do sob efeito derrogatório os direitos de Francisco Cardoso de Campos, naquela época. Ficava preservado o seu legíti­ mo direito sobre a margem esquerda do rio Piracicaba, fato que se comprovou em 1784, quando se pretendeu transladar a comunidade. A escrilura de compra e venda, passada no Cartón'o de Itu sobre a mesma légua em quadra da sua res­

Revista do IHGP - Vol. 10  
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Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba.

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