Page 60

feudais buscavam avidamente voluntários para colonizarem os seus territórios. Às novas comunidades assim formadas, o soberano concedia cartas, e um sesmeiro distribuía terra aos recém-chegados. (Delson, 1979, p.10).

No Brasil o sistema de sesmarias foi amplamente utilizado. A prática de sesmarias institucionalizou o fenôme­ no do latifúndio. Muitas das terras das sesmarias foram ampliadas pelo usocapião, ou direito de posse efetiva. Os funcionários do govemo permaneciam nas cidades litorâ­ neas, longe demais para intervir decisivamente nefisa fla­ grante quebra da autoridade... Nessas condições, o sertão atuava como um poderoso imã para aventureiros e habitan­ tes das populosas comunidades litorâneas sedentos de ter­ ras (Delson, 1979, p.11). Em São Paulo a penetração do sertão e a criação das vilas também se deram através das concessões das sesmarias, limitadas por lei de 1695, que as restringia a uma extensão de quatro léguas de comprimento por légua de largura; dois anos depois outra lei restringindo ainda mais as sesmarias é promulgada pela coroa sendo agora três léguas por uma légua prescrevendo ainda que entre uma concessão e outra se deveria deixar uma área de uma lé­ gua quadrada sem ocupação. A delimitação das sesmarias reservava á Coroa o di­ reito de via de acesso, no caso de ocupação total das terras e, principalmente, o acesso a futuras zonas auríferas ainda não descobertas. Foi nesse cenário de exploração do sertão para a exploração do ouro e pedras preciosas, criando-se cami­ nhos entre principais cidades, que, em abril de 1718 as minas de ouro de Cuiabá foram descobertas pelos desbra­ vadores paulistas Pascoal Moreira Cabral, Antonio Pires de Campos, Domingos Rodrigues do Prado, Aleixo Garcia, Fernando Dias Falcão, os irmãos Lourenço Leme e João Leme da Silva, João Antunes Maciel e Antonio Antunes Maciel. .. Divulgada a notícia pelo povoado, foi talo movimento que causou nos ânimos que, das Minas Gerais, Rio de Janeiro e de toda Capitania de São Paulo se abalaram muitos, deixan­ do casas, fazendas, mulheres e filhos, botando-se para es­

Revista do IHGP - Vol. 10  

Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba.

Advertisement