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o comércio do Brasil, representado anteriormente apenas pelo pau-brasil, passa a se desenvolver, é feito in­ vestimento na agricultura da cana-de-açúcar, retaguarda rural dos mercados urbanos europeus. A mudança da política comercial portuguesa traz mudanças também na importância das cidades da colônia, que passam a desempenhar novos papéis, além da garan­ tia da ocupação. Entre 1532 e 1650 foram fundadas 37 novas vilas e cidades no Brasil, das quais apenas sete foram fundadas diretamente pela Coroa portuguesa: Salvador da Bahia de todos os Santos, São Sebastião do Rio de Janeiro, Filipéia de Nossa Senhora das Neves, São Luís do Maranhão, Nos­ sa Senhora da Assunção do Cabo Frio, Nossa Senhora de Belém e OJinda, que foi elevada a cidade. As cidades pro­ movidas diretamente pela Coroa eram cidades de maior di­ mensão, planejadas e construldas por arquitetos e enge­ nheiros militares enviados de Portugal, adaptando a maior parte delas planos regulares. Entre estas cidades, chamadas de Cidades Reais, e subordinadas ao governo central, encontram-se Salvador da Bahia e Rio de Janeiro, fundadas na segunda metade do século XVI, e Belém e São Luis do Maranhão, do século XVII. Nestes casos, traçados urbanos regulares inspirados nos ideais urbanos renascentistas cumpriam da forma mais adequada os objetivos políticos de controle do território e de afirmação do poder real que estavam pordetrãs da fun­ dação dessas cidades. (Teixeira, Valia, p.218) Durante o desenvolvimento da cana-de-açúcar a vida urbana inicialmente intermitente firma-se e torna-se cons­ tante, fazendo com que as cidades tenham maior cresci­ mento. Os senhores de engenho eram donos de suas cultu­ ras, do modo de produção de açúcar (o engenho) e muitas vezes do transporte (os navios). Entre 1624 e 1630, os holandeses invadem a Bahia e o Recife; em 1654 são expulsos pelos portugueses, que desencadeiam ações para melhor proteger a colônia, reco­ nhecendo sua fonte de riqueza. Passam a sobretaxar o açú­ car produzido no Brasil, apenas os portugueses natos po­ deriam transportar o açúcar; passam a exercer maior con­ trole sobre as câmaras municipais, é criada a companhia

Revista do IHGP - Vol. 10  
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Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba.

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