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das, como tristeza ou alegria. Portanto, o fator psicológico pode incluir tanto componentes cognitivos como emocionais. O tamanho das figuras como fator diferenciador foi muito freqi.lente em todos os níveis de idade, sendo a figura da mulher rica maior que a da pobre na quase totalidade dos desenhos. Interrogadas sobre as razões dessa diferen­ ça, as crianças explicavam que a rica é maior porque é rica, ou que a pobre é menor porque é pobre. Na faixa dos seis anos este foi o principal fator utilizado. Nas demais faixas este critério não foi utilizado isoladamente, sendo sempre acompanhado de pelo menos um dos demais. Verifica-se que nas faixas etárias observadas as cri­ anças tenderam a fazer desenhos relativamente completos, expressando com clareza os diversos critérios conhecidos por elas como capazes de diferenciar as categorias sociais representadas. Apesar da simplicidade do raciocínio empre­ gado para explicar a diferença de tamanho, foi possível ob­ servar certo empenho em criar representações significati­ vas, socialmente definidoras das categorias sociais. Um interessante fenômeno encontrado em muitos desenhos, que confirma essa observação, foi a acentua­ ção da diferença entre as figuras, atrllvés do emprego de muitos detalhes específicos. Esta caracteristica, presente na amostra diversificada, sugere uma espécie de polari­ zação da atitude das crianças em relação às categorias so­ ciais representadas, como se para essas crianças a mulher rica fosse muito rica, e a mulher pobre muito pobre. Este trabalho não oferece dados que permitam explorar esta hi­ pótese, porém pode-se explicitá-Ia com alguns exemplos, extraídos da amostra diversificada. Adriana, de 10 anos de idade, desenhou a mulher rica portando saia rodada; blusa estampada, pulseira no braço, laço de fita no cabelo, cinto com fivela na cintura, calçando sapatos e segurando flores na mão. A mulher pobre, desenhada ao lado da rica, tinha menor estatura, usava roupas muito simples, remendadas e sem nenhum enfeite, estava descalça, com os cabelos despenteados, e tinha feridas nos braços. Enquanto desenhava, Adriana fez alguns comentári­ os espontâneos. Desenhando a mulher rica: ela pode com­ prarcoisas. Desenhando a pobre: ninguém gosta dela, nín­

Revista do IHGP - Vol. 10  
Revista do IHGP - Vol. 10  

Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba.

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