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sados como autênticos líderes brasileiros. novos homens de uma nova sociedade' Mesmo que as elites política e econômica do País tentassem adotar um estilo de vida eu­ ropeu. fazia-se indispensável pensar a pátria brasileira (e sobretudo seus monarcas) como algo distinto. uma nação que surgia e começava a inserir-se no mundo civilízado. Porém, se a classe intelectual foi. nos primórdios do Império Brasileiro, fundamental para a afirmação da nova ordem, nos anos finais do século XIX ela desempenhou papel não menos notável no processo de queda do regime monárquico e instauração da nova ordem republicana. A crescente dinamização da sociedade a partir de meados do século. representada pela implementação das estradas de ferro. incipiente urbanização, crescimento e desenvolvimento de institutos de pesquisas (muitos inclusi­ ve desvinculados do âmbito estatal) deram novas feições ao País, que. apesar disso, insistia em manter-se fiel no que se refere á política e à economia, a mentalidades e práticas incoerentes com a nova realidade que prefigurava instituições como a escravidão (que se mantinha apesar do esforço de diversos agentes. inclusive o Imperador Pedro 11. para aboli-la)'. Senado vitalício e eleições indiretas, que possibilitavam fraudes e caracterizavam a política como pro­ priedade privada de senhores locais, criaram uma séria in­ compatibilidade entre a ordem monárquica e a dinamização inevitável do País. Assim. centenas de intelectuais passaram a nâo en­ contrar mais espaço de atuação em uma estrutura arcaica. Jovens cérebros. formados ás centenas em institutos de pesquisas patrocinados pela nova economia cafeeira e tam­ bém nas faculdades públicas até então encarregadas de formar a elite política do Pais'. viam-se marginalizados por não encontrarem espaços de atuação. Além disso. as no­ vas idéias que entravam no País vindas da Europa (positivismo e cientificismo SObretudo) , somadas às que se produziam em nosso solo, geraram uma contra-elite inte­ lectual inimiga das idéias até então dominantes, que en­ grossou as fileiras republicanas. Os novos intelectuais - definidos pela historiografia como a geração de 1870 - moveram um ataque ferrenho contra as elites pensantes que sustentavam a ordem

5. Sobre a

Jncompatiblli~

dade do escravismo com os ídeals de uma pâtría

liberal e moderna, pensa­ da para o Brasil desde a

sua independência,

pre~

paro no momento um ar­

tigo a ser publicado em breve. Intitula~se, provi­ soriamente, O Brasillm~ penal: uma páfria liberal escravocrata. 6.

No

momento,

pesquiso o processo de

formação da elite politica do Brasil durante O pri~ meiro e parte do Segun­ do Reinado.

Revista do IHGP - Vol. 10  
Revista do IHGP - Vol. 10  

Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba.

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