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3. Naxara, Marcia Capelari. Sobre Campo e Cidade: em busca de um sentido explicativo para o Brasil no século XIX. Cam­ pinas: IFCH/Unicamp, 1999 (Tese de Doutorado). 4. A respeito dessas re­ presentações pictóricas, .sugiro a leitura de Schwarcz, Lilia Moritz. As Barbas do Imperador. São Paulo: Companhia das Letras, 1999; Souza, Iara Lis Carvalho. Pátria Coroada. São Paulo: Edi­ tora da Unesp, 1999. Na Europa do século XIX ob­ servamos um movimento semelhante de afirmação da autoridade através de representações simbóli­ cas lideradas pelos inte­ lectuais a serviço do Es­ tado devido as mudanças pelas quais o continente passava dadas as revo­ luções e a entrada de novos agentes sociais na política. Cf: Hobsbawn, Eric e Ranger, Terence (orgs.). A Invenção das Tradições. Rio de Janei­ ro: Paz e Terra, 1997.

que substituísse a anterior e indesejável condição de Colô­ nia, apêndice de Portugal. Nesse sentido, a intelectualidade brasileira esforçou­ se no sentido de formular uma identidade para o Brasil in­ dependente. O povo brasileiro, considerado pelas elites que se encarregavam da condução dos rumos do novo pais como algo ainda não formado, passou a ser" pensado em oposi­ ção ao elemento português. A origem do que viria a ser o brasileiro estava, para esses homens, naquilo que mais ca­ racterizava a nossa terra: a natureza.' Assim, a sensibilidade romântica (que dominava a mentalidade artística e intelectual de um modo geral, até meados da década de 1870) tratou de pensar a formação do povo brasileiro a partir da união do homem com a natu­ reza. Intelectuais como José de Alencar (que além de litera­ to foi também político do Segundo Reinado brasileiro) e . Gonçalves Dias apregoaram exaustivamente que o Brasil estaria formado quando o homem branco (considerado, no momento em questão, como o porta-voz da civilização) com­ pletasse a sua miscigenação com a natureza, magnânima e imponente no ideário romântico e abundante em terras do Novo Mundo. Como o indígena era uma figura ex1remamente próxima à natureza e visto pela intelectualidade branca como sendo produto e parte integrante dessa natureza tão feste­ jada, a formação do Brasil dar-se-ia a partir da total integração do branco (civilizado) com o indígena (sim bolo da natureza brasileira). Dessa união nasceria o brasileiro, um ser portador somente das caracteristicas positivas dos dois grupos atuantes no processo de miscigenação. Ao mesmo tempo em que os intelectuais se encarre­ gavam de construir uma idéia que explicasse o futuro devir do homem brasileiro, dentro de uma idéia que esse grupo acreditava ser a verdadeira, a elite dirigente percebeu a necessidade de associar os nossos dois monarcas (um por­ tuguês e outro descendente direto) à terra brasileira. Foi nessa ocasião que tal necessidade fez aflorar uma infinida­ de de obras pictóricas retratando Pedro I, e posteriormente Pedro 11, ligados às coisas naturais do Brasil: florestas, indi­ os, animais, tudo o que mais caracterizava o Novo Mundo serviu como adereço à glorificação de Nossas Majestades, que, pelo bem da ordem que se tentava impor, foram pen­

Revista do IHGP - Vol. 10  

Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba.

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