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das, mas pouco se fala sobre as justificativas delas. Tais justificativas são claramente expostas por um outro político brasileiro, republicano histórico e contemporâneo desses fatos. Tal político, pernambucano nascido no Recife e cria­ do no Rio de Janeiro, foi José Joaquim de Campos da Cos­ ta Medeiros e Albuquerque, que justifica claramente as ações do Marechal de Ferro no seu livro autobiográfico Quando Eu Era Vivo. Prudente de Moraes - diz Medeiros e Albuquerque­ não tinha a simpatia dos militares, que conspiraram para dar a Floriano novo mandato, como Presidente da Repúbli­ ca. Combinaram que, ao entrar Floriano, seria aclamado e empossado como Presidente, no lugar de Prudente. Mas Floriano, ciente da conspiração, simplesmente não compa­ receu, de propósito. Na ausência dele, o plano fracassou e Prudente foi empossado, para ter um quatriênio dificil e con­ turbado, mas conquistado democraticamente em eleição popular. Tal justificativa evidentemente favorece e enobre­ ce o Marechal de Ferro que, habilmente, evitou um Golpe de Estado na República ainda tão jovem no Brasil. A outra falha tem justificativa ainda melhor. A falta de convocação de eleições, logo após a renúncia de Deodoro se deveu ao parágrafo 2" do 1" artigo das Disposições Tran­ sitórias da Constituição de 1891. Tal parágrafo declarava­ diz Medeiros e Albuquerque que o Presidente e o Vice­ Presidente eleitos pelo Congresso (isto é, no caso, Deodoro e Floriano) ocupariam seus cargos durante o primeiro per i­ odo constitucional, isto é, não atenderiam á exigência de convocação de novas eleições, do corpo permanente da Constituição. Com tal interpretação, apoiada por vários ju­ ristas, não foi aceita por Rui Barbosa, nem por treze gene­ rais, que protestaram, mas foi aprovada pelo Congresso e pelo Supremo Tribunal Federal, além de numerosos outros juristas, o que resolve perfeitamente o assunto em favor de Floriano, sem em nada prejudicar Prudente de Moraes. BIBLIOGRAFIA Medeiros e Albuquerque, J. J. - 1981. Quando Eu Era Vivo, 1867 a 1934. Record, Rio de Janeiro.

Revista do IHGP - Vol. 10  

Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba.

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