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DUAS FALHAS DE FLORIANO?

F. Pimentel-Gomes'

Proclamada a República, no Rio de Janeiro, em 15 de novembro de 1889, foi derrubada a Monarquia e depos­ to o Imperador Pedro 2°. O movimento de rebeldia foi chefi­ ado pelo Marechal Deodoro da Fonseca, que não era repu­ blicano. Mas os partidários da República conseguiram lide­ rar a revolta e logo organizaram um Governo Provisório, chefiado por Deodoro. Esse governo convoca a eleição de Assembléia Constituinte que, além de elaborar a primeira Constituição Republicana, de 1891, elegeu corno Presiden­ te o Marechal Deodoro e, como seu Vice, o Marechal Floriano Vieira Peixoto. Com a renúncia de Deodoro, em 23 de no­ vembro de 1891, passou Floriano a exercer a Presidência, direito que lhe cabia. E o fez até a posse como Presidente, de Prudente José de Moraes Barros, e, como Vice, de Ma­ nuel Vitorino, em 1894. Deodoro e Floriano eram alagoanos, Prudente era paulista de Itu, e Vitorino, baiano. A época de 1889 (Proclamação da República) a 15 de novembro de 1894 (posse de Prudente, como Presiden­ te) foi muito conturbada. Nela, coube a Floriano Peixoto papel importantíssimo. Sem a sua firmeza e dignidade talvez a baderna tivesse dominado o nosso Brasil. No entanto, é comum acusar Floriano Peixoto de duas falhas graves: a primeira, de não ter convocado eleições populares logo de­ pois da renúncia de Deodoro, como mandava a Constitui­ çãO, e ter, portanto, exercido, até o fim, o mandato de Deodoro, assinando como Vice-Presidente; e a segunda por não ter comparecido, para transmissão de cargo, à posse de Prudente de Moraes, como Presidente do Brasil, o pri­ meiro eleito por eleição popular. São falhas muito comenta­

!Ex-Presidente do lns!.itu­ to Hist6rico e Geográfico de Piracicaba.

Revista do IHGP - Vol. 10  

Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba.

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