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16. Maria de Tereza de FREITAS, op. cit., p. 50.

A Quarta e Última Questão - É uma pr~posta a con­ siderar o Romance Histórico dentro do processo cognitivo, como um produto de consciência onde se processa o arran­ jo dos princípios ativos estruturais. Ali, a sua gênese, debaí­ xo do estímulo organizador do autor em circunstâncias pes­ soais. Só a este cabe dar peso aos elementos constituintes da trama, uma vez que detém o dom de recriar e o princípio organízacional sobre a síntese (o produto). O Romance His­ tórico, terá, em últíma instância, a sua problematízação em forma de tese para a qual o autor desenvolve as suas estra­ tégías de demonstração da verdade; citamos o exemplo de Víctor Hugo em Les Misérables. Se, quanto à dinâmica cognitiva, o produto sintético é indecomponível (como já vi­ mos) a construção narrativa assume uma realidade distinta, inconfundível, original, como a denúncia da exclusão social na França pós revolucionária vivida por Jean Valjean, o personágem (sintético) central do romance. Este produto singular se converte no mais acadêmi­ co dos Romances, enquanto por sua natureza será um ro­ mance híbrido". 4.Considerações Complementares:

o Romance Histórico como um Híbrido Literário Sendo manífestação literária, conquanto expressão artística da História e ficcional, é principalmente um híbrido porque contém os elementos combinados. Os principios ati­ vos estruturais provenientes do real (a construção científica da História) e os provenientes da liberdade criativa (a cons­ trução ficcional) respondem dialeticamente pela hibridação. O futuro do Romance Histórico parece garantido na Cívilização Ocidental quando se especula sobre as suas fi­ nalidades literárias. Mas, para que serviria na prática? 1. A experiência humana, para quem busca o sentído da Vida, tem uma dimensão hístórica. Caberia ao Romance Histórico demonstrar o sentido da experiência histórica do homem, tanto no singular como no coletivo. 2. É pelo Romance Hístórico que a comunicação do sentido dessa experiência perpassa ao leitor de maneira mais interessante (sedutora, garante Benjamin), não importan­ do muito se ocorrer na manifestação de uma aventura

Revista do IHGP - Vol. 10  

Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba.

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