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Primeiro - Se o ficcional está presente, vazado do enredo na trama, ele não se apropria, não absorve o con­ teúdo histórico, nem prevalece sobre o mesmo. Porque a trama histórica é construída dentro da metodologia científi­ ca da História, ou seja, constrói-se, inteiramente documen­ tada. Na sua exegese há todo o rigor do conhecimento ci­ entifico vazado pelo historiador, da crônica à estória, do enredo á trama. Prova? A trama histórica de qualquer dos trabalhos citados se sustenta, isto é, sobrevive no processo histórico, independentemente da trama ficcional. Segundo - Já foi lembrado que a História traça o destino dos personagens sintéticos e a trilha dos episódios ficcionals. A trama ficclonal, por sua vez, não se sustenta fora do contexto. Logo, se constata um evidente fator de desequilíbrio na trama do Romance Histórico em favor da História (da verdade provável), o que é uma garantia contra a ficcionalização ou da prevalência do inverídico. Reduzírí­ amos a questão do ficcional a um impacto de outra nature­ za, o da estilização ou transfiguração artística que ocorre em todo o romance, e que, longe de invalidar, reforça a tra­ ma do Romance Histórico. A Terceira Questão - Falou-se que a estrutura nar­ rativa de um Romance Histórico é a fixadora de duas tra­ mas, da histórica, construida cientificamente, e da irreal, construída ficcionalmente. A trama do Romance Histórico é o produto das operações mentais ocorridas no campo inter­ no da consciência, mediante um processo de interações". Inexistem separadamente a trama histórica e a trama ficcional- só existe uma única trama, a do Romance Histó­ rico, dotada de natureza bastante original. Não há por que especular com os personagens princi­ pais da trama histórica ou da trama ficcional. Os personagens que sobrevivem na trama têm expressão literária reconhecida mas não se hierarquizam numa escala de valores. O papel principal numa narrativa desta natureza cabe ao seu orquestrador, aquele que, havendo assumido uma postura de mestre, coordena o real e o irreal, vazados na trama em fun­ ção do seu objetivo supremo, o de comunicar o conhecimento. Narrar é comunicar uma experiência. A experiência c0­ municável do Romance Histórico é o saber histórico, intercambiado na solidão e na intimidade entre o narrador e o lerror.

15. Adam SCHAFF. op.

oi!" p. 66-87.

Revista do IHGP - Vol. 10  

Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba.

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