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artisticas, preenchendo os tempos vazios (não documenta­ dos); responsabilizando-se, em grande parte, pela força direcional da trama ao comunicar-lhe um certo ar de drama ou aventura romanesca, de comédia ou de tragédia. Portanto, é nesta fase operacional de recriação que se reforça a natureza narrativa do processo construtivo da trama. Se o campo for propiciatório (a estória) e o enredo interessante, o novo campo das operações cognitivas, a tra­ ma, se oferecerá como um processo revelador. A metáfora do filme negativo que se revela no papel fotográfico é o que me ocorre, embora Benjamin prefira a da imagem finalizada pela superposição de lãminas transparentes". A trama ou discurso constitui a parte mais substan­ cial do processo criativo, é o ceme da estrutura narrativa do Romance Histórico - a medida da concepção de realidade do autor". Como é fruto de um processo cognitivo dialético, as suas especificidades não podem ser desestruturadas (decompostas para efeito de análise crítica) á moda do bis­ coito que se esfarela para efeito deconhecer-Ihe os compo­ nentes químicos e os ingredientes. Mas, podem se dar a conhecer ao observador crítico, mediante a aplicação de alguns crítérios autentificadores: como por exemplo, a temporalidade, a espacial idade, a ação implícita (pela con­ jugação dos personagens e dos episódios no campo de ação da trama), a expressão artística, etc".

2.4. Os Critérios de. Análise Toda e qualquer trama de "romance histórico se revela: Na Temporalídade.Adesenvoltura da trama se opera no interior de um corte cronológico pré-existente (repertório de eventos-estória). A preocupaçãó com o tempo de longa duração e o de curta duração, próprios da Nouvelle École, está associada á estrutura narrativa da minha trilogia: O Encontro das Águas (1723-1902), da qual participam Ypié (Maria dos Anjos 1723-1767), As Águas do Adeus (1767­ 1777) e Candeias em Espelho D' Água (1777-1845). Fora da trilogia, Rosarinho (1845-1900), provavelmente encerra­ rá o ciclo dos romances paulistas no Oeste Antigo. Na Espacialidade. Na globalidade destaca-se uma espacialidade predominante. Em Les Mísérables, de Victor Hugo, Paris predomina na geografia da França.Os meus

10. Wal!e, BENJAMIN. o Narrador, p. 206,

11. Douglas TUFANO. Estudos de Literatura Brasileira, p. 14.

12. Maria Tereza de FREITAS. Literatura e História, p, 14-15,

Revista do IHGP - Vol. 10  
Revista do IHGP - Vol. 10  

Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba.

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