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específicos, que se manifestam em atividade durante todo o processo da construção narrativa, desde a sua gênese embrio­ nária até a formalização do discurso. Portanto, a ordem cognitiva que atribui especificidade relativa a cada uma daquelas formas narrativas remonta as suas raízes epístêmicas. Hayden Whitte (1992) completa a linha de raciocínio com admirável clareza e praticidade". Uma estrutura narra­ tiva, na global idade da sua construção, implícita diversos graus de organização: ou melhor, os passos do arranjo (as fases da narrativa) ficam demonstrados mediante formas explícitas (arranjos menores). Vejamos:

2.2. Os Passos do Arranjo Quanto ao conteúdo podem revelar-se em: Crônica. Um repertório de eventos de procedência (origem) diferenciada, históricos, ficcionais ou combinados (hislórico-ficcionais) constitui-se em elemento interior. Nas três formas a crônica é o elemento pré-figurativo, comum e básico ao processo de construção narrativa. Estória. Da crônica à estória a evolução é natural, pois ela aparece no momento em que se opera, no campo interior da consciência, um arranjo explicativo preliminar sobre o repertório de eventos. O principio organizador (a Inteligência) decide o arranjo no sentido de atribuir-lhe mai­ or clareza, impondo-lhe uma certa hierarquização de pro­ pósitos (um principio, um meio e um fim conclusivo). Trama. Pôr enredo na estória é construir uma trama particular, é recriar (no sentido de explicar)". Portanto, a tra­ ma é uma construção mais dinâmica, mais complexa do que as anteriores, a parte substancial do processo criativo. Ê no interior da trama ou discurso que se definem as especificidades de cada uma das formas narrativas, o Ro­ mance Literário, o Romance Histórico e a Historiografia. Portanto, nesta configuração deixa de existir a luz indiferenciada e metafórica de Benjamin para dec'ldificar­ se a especialidade reveladora de cada produto.

Quanto à Forma A Formalização propriamente dita. O processo de amadurecimento da trama (enquanto conteúdo) leva à

6. Hayden WHITTE. Meta-História, p. 21.

7. IBIDEM., p. 23.

Revista do IHGP - Vol. 10  

Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba.

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