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mulated from its discipline, it reveals from the work, distant dimensions of recording forms, photographs, actions of conservation or presentational ways for the ethnographic object. The exhibition seems to us as the field where by far one can find the ways to return to the objects their splendour from some ephemeral existence that museums withdraw from them, in their illusionary intent on searching for perenniality. The exhibition is the means able to reveal the objects in their vibrancy and atmosphere so difficult to keep. And, also for this reason, the final paradox, museums asserting themselves as places for conservation and factual objective register, cannot themselves cease to be a place of artifice.

The paradigm of contemporary art and ethnographic objects

a limpidez ou a forma paradoxal como o comunica ou subverte. E é este trabalho que nos museus com colecções etnográficas, em geral, é muito tímido, pela assumpção de procedimentos normativos que capturam os objectos em formas onde já não mexem. Por isso, o trabalho criador de um artista pode propor uma antropologia que não sendo formulada a partir da disciplina, revela a partir da obra dimensões distantes dos ficheiros, fotografias, actos de conservação ou modos de apresentação do objecto etnográfico. A exposição parece-nos o campo onde mais longe se podem encontrar modos de devolver aos objectos o esplendor de alguma existência efémera que os museus lhe retiram no seu ilusório intento de busca de perenidade. É ela o meio capaz de revelar os objectos na sua vibração e atmosfera, tão difíceis de guardar. E, também por isto, paradoxo final, os museus afirmando-se como lugar da conservação e do registo factual e objectivo, não podem deixar de ser um lugar do artifício.

Referências bibliográficas Bibliographic References

BAKHTINE, Mikhail 1970, L’oeuvre de François Rabelais et la culture populaire au Moyen Âge et sous la Renaissance, Paris, Gallimard. BRITO, Joaquim Pais de 2001, “Arquitecturas efémeras”, in Cultus, o mistério e o maravilhoso nos artefactos portugueses, Lisboa, Instituto do Emprego e Formação Profissional, pg. 97-99. BURKE, Peter 2005, Visto y no visto. El uso de la imagen como documento historico, Barcelona, Critica. GELL, Alfred 1998, Art and agency: an anthropological theory, Oxford, Oxford University Press. SOMÉ, Roger, SCHUTZ, Carine 2007, Anthropologie, art contemporain et musée: quels liens?, Paris, L’Harmmatan. SPOERRI, Daniel 2002, Catalogue Spoerri Restaurant, Paris, Jeu de Paume.

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A arte efémera e a conservação: o paradigma da arte contemporânea e dos bens etnográficos  

Macedo, Rita; Silva; Raquel Henriques da, A arte efémera e a conservação: o paradigma da arte contemporânea e dos bens etnográficos/ Ephemer...

A arte efémera e a conservação: o paradigma da arte contemporânea e dos bens etnográficos  

Macedo, Rita; Silva; Raquel Henriques da, A arte efémera e a conservação: o paradigma da arte contemporânea e dos bens etnográficos/ Ephemer...

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