Page 181

The paradigm of contemporary art and ethnographic objects

também, que já foram aqui evocadas. Este é o contexto do facto de a exposição temporária se ter sobreposto à exposição permanente. Este é um dado com que temos que lidar, não vale a pena chorar. Faz parte das dinâmicas dessa coisa improvável e imprevista que o museu, apesar de tudo, também é. E acontece em todos os museus do mundo. Fico frustradíssima quando entro expressamente em qualquer museu histórico para ver uma peça precisa, e não a encontro. Mas este é o nosso presente que talvez já seja futuro. Na minha experiência, destaco a pressão do novo nos museus de arte contemporânea, já referida pelo Pedro: a ideia de que já não sabemos fazer história ou já não queremos fazer história, que já não trabalhamos com valores auráticos mas valores processuais e, na verdade, o visitante mais tradicional que vai ao museu para ver ou rever uma peça, muitas vezes, sai frustrado. Há mais alguma questão? Rodrigo Bettencourt da Câmara – Estamos a centrar isto tudo nos museus e nesta questão da permanência, mas esquecemonos que existe muita arte fora dos museus. Na arte contemporânea, há uma quantidade grande de objectos que também se vão degradando, às vezes com esta questão da efemeridade, de não ser possível conserválas, acabam por se desgastar ou, às vezes, nem serem reconhecidos como arte, não é? E que têm um carácter mais permanente e, talvez, mais livre do que a arte que está no museu. RHS – O Joaquim falou um pouco nisso… O Museu é uma figura de legitimação. E os conservadores têm com ela uma relação ambígua, de quererem não mostrar para conservar, mas acabam por mostrar para legitimar e, já agora, também para partilhar o saber e a beleza. Mas concordo plenamente com o Joaquim: não podemos conservar tudo. A conservação é também uma construção, uma reposição que tem uma história e especificidades diferentes para a arte contemporânea ou para os patrimónios comuns, raros e identitários. Nada posso acrescentar à virtude da perda, já tão brilhantemente analisada . RBC –… eu sei que o António Rava estava num projecto, não sei se ainda está, de pintura mural de exteriores numa vila italiana. Nós em Lisboa tínhamos muitas pinturas reaccionárias ou não reaccionárias e são coisas que se vão apagando naturalmen-

177

A arte efémera e a conservação: o paradigma da arte contemporânea e dos bens etnográficos  

Macedo, Rita; Silva; Raquel Henriques da, A arte efémera e a conservação: o paradigma da arte contemporânea e dos bens etnográficos/ Ephemer...

A arte efémera e a conservação: o paradigma da arte contemporânea e dos bens etnográficos  

Macedo, Rita; Silva; Raquel Henriques da, A arte efémera e a conservação: o paradigma da arte contemporânea e dos bens etnográficos/ Ephemer...

Advertisement