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Ano II - Nº 57

28 de Setembro a 04 de Outubro de 2013

Em suas mãos, caríssimos/as amigos/as, está o nosso informativo IPDM de nº 57. Os artigos, as reflexões e os depoimentos aqui contidos, visam oferecer a vocês todos um pouco mais de informação sobre temas atuais e, em nosso entendimento, relevantes para a vida cotidiana. Sobre o Evangelho desse Domingo, o 26º do Tempo Comum, Rejane Bastos, Ricardo Machado e Luciano Gallas nos apresentam uma meditação na qual nos levam a a enxergar com que rapidez nos esquecemos que somos todos filhos de um mesmo Deus e de uma mesma Mãe terra, dos quais saímos e aos quais todos, SM exceção voltaremos."Nu saí do ventre da minha mãe, e nu para ela voltarei" (Jó 1,21). O padre José Antonio Pagola, chama nossa atenção para que não nos enganemos: “Jesus não está denunciando somente a situação da Galileia dos anos trinta. “Está tratando de sacudir a consciência de quem está acostumado a viver na abundância tendo junto à sua porta ou a algumas horas de voo, povos inteiros vivendo e morrendo na mais absoluta miséria”. Veja os textos na íntegra na página 02. Nosso querido Papa Francisco com suas palavras, exorta-nos sobre a importância de sermos solidários: “Não há futuro para nenhum país, para nenhuma sociedade, para nosso mundo, caso não sejamos todos mais solidários.” Leia em detalhes o pronunciamento do Bispo de Roma sobre tema tão relevante para nossos dias na página 03. Na seção Para Refletir, trazemos a matéria intitulada “Uma Mulher para Cardeal”, na qual se apresenta a possível nomeação de uma mulher para Cardeal como parte das reformas promovidas pelo Papa Francisco. Na página 04, Leonardo Boff escreve sobre a importância de se “Remontar às raízes para rejuvenescer” e renovar as forças. Vale a pena uma leitura detalhada

deste depoimento. Hans Küng com sua característica esclarecedora e direta de tratar os fatos, nos fala sobre a necessidade de se amparar os “novos pobres”, dentre os quais: os divorciados, as mulheres sofridas por causa de preconceitos; os padres obrigados a renunciar ao sacerdócio por ter contraído matrimônio, dentre outros. Leia na íntegra o artigo de Küng na página 5. Na pagina seguinte, você encontrará na seção Opinião, o artigo de Frei Betto intitulado “Buraco no Peito”, no qual o escritor trata das questões que envolvem nossos jovens e os fazem trilhar os caminhos da droga e da violência. Ainda na página 06, Luciane Carneiro nos trás a informação preocupante de que em 2030, portanto daqui a 17 anos apenas, o mundo contará com cerca de 342 milhões de pessoas em estado de extrema pobreza podem do, este número, ultrapassar a casa de 1 bilhão de pessoas. Com toda a sinceridade, nossas crianças deixam seus recados na pagina 07 na seção “Criança tem cada uma...”. Em seguida você encontrará nossos convites para os eventos que apoiamos e que promovemos. Dentre eles, está a campanha iniciada pela Escola de Cidadania da Zona Leste, que visa premiar em 2013, 13 pessoas que contribuíram com a construção da cidadania na Zona Leste de São Paulo, na Cidade de São Paulo e no Brasil com o título “Cidadania Leste”. A eleição dos premiados será feita por você. Veja na página 7 como participar desta premiação. Veja também as festas, os encontros, as reuniões que teremos nas próximas semanas. Nossos jovens se reunirão o próximo dia 06 de outubro pra tratar do grande encontro de Jovens do IPDM que acontecerá no mês de novembro. Agradecendo a todos pelo apoio, sugestões, criticas e opiniões que nos tem enviado, desejamos a vocês ótima leitura e uma semana abençoada.

Equipe de Produção

Juventude, vamos nos reunir no Domingo, dia 06 de Outubro às 16h00 para planejar o nosso próximo ENCONTRÃO DA JUVENTUDE "IGREJA - POVO DE DEUS - EM MOVIMENTO" Que acontecerá no dia 02 de Novembro – Sábado - Feriado de Finados. Local da nossa Reunião Paróquia Santa Luzia Rua da Padroeira n° 83 - Jardim Nordeste - São Paulo Esperamos vocês por lá! Informações: lucas.defrancesco@hotmail.com – 95969-2450

L I T U R G I A I T U R G 1ª : Am 6, 1ª. 4-7 – Salmo: Sl 145 - 2ª : 1Tm, 6, 11-16 – Evangelho: Lc 16, 19-31 I A


Rejane Bastos, Ricardo Machado e Luciano Gallas

O evangelho deste domingo descreve nas suas primeiras linhas a realidade de nossa sociedade atual. Na qual a desigualdade social e a insensibilidade diante do sofrimento de nossos irmãos/ãs estão marcadamente presentes. Lembremos a atitude e as palavras do Papa Francisco em Lampedusa: "Peçamos ao Senhor a graça de chorar sobre a nossa indiferença, sobre a crueldade que há no mundo, em nós, também naqueles que no anonimato tomam decisões socioeconômicas que abrem a estrada para dramas como este". A parábola de hoje é um comentário do "ai de vós os ricos" do sermão da Montanha (Lc 6,24), que ressoa profeticamente até nós. O homem rico e o pobre Lázaro convivem em nosso país, nosso bairro, nossa comunidade. Podemos colocar-lhes diferentes rostos e nomes... Que rápido esquecemos de que todos somos filhos de um mesmo Deus e de uma mesma Mãe terra, dos quais saímos e aos quais todos sem exceção voltaremos. "Nu saí do ventre da minha mãe, e nu para ela voltarei" (Jó 1,21). O vírus do acúmulo tem infectado o coração da humanidade fazendo com que nossa passagem pela terra se converta num possuir cada vez mais riquezas materiais, intelectuais e até afetivas só para nós mesmos! Pareceria que as palavras que partilham, solidariedade, serviço, foram excluídas do "vocabulário" moderno. Situados neste contexto prestemos atenção ao que acontece com o homem rico e com o pobre Lázaro quando são visitados pela "irmã morte", como a chamava São Francisco. A situação se inverte o pobre participa do banquete eterno e o rico sofre os tormentos que ele mesmo se causou levando uma vida individualista e egoísta. Um abismo volta a separá-los, e agora quem estende a mão mendigando salvação é o homem rico! Através desta parábola Lucas nos mostra como o ser humano "constrói" sua própria eternidade. O jeito de vivermos nesta terra é o pré-anuncio do céu que viveremos. E aqui está, tal vez, uma das grandes mensagens desta parábola: a capacidade humana de optar e decidir por si própria. Nós acreditamos num Deus que é Amor, que por amor cria e também por amor sustenta sua criação. Mas não é um Deus que manipula as leis da natureza e muito menos nossa própria vida. Por que nos ama nos deixa livres, só assim poderemos corresponder ao amor! Fica conosco, no nosso mundo, na nossa história, na nossa própria vida, como diz o salmista sua graça nos circunda (Sl 139), mas Ele é respeitoso de nossa liberdade, espera pacientemente que O acolhamos. O texto de hoje mostra claramente que acolher a Deus passa pela compaixão e solidariedade com os que sofrem, com os pobres. São João o dirá fortemente na sua carta: "Se alguém diz: «Eu amo a Deus», e no entanto odeia o seu irmão, esse tal é mentiroso; pois quem não ama o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê" (1Jo 4, 20). E por isso que o homem rico não vai para junto do Pai Abraão, a dureza de seu coração o fechou sobre si próprio, o isolou das pessoas e por isso ao morrer só encontra solidão, ninguém o recebe. Mas parece que seu coração continua latindo e se lembra de seus familiares, de seus irmãos. Quer advertilos para que mudem de vida, para que se convertam enquanto há tempo. A resposta que dá o evangelho derruba por terra toda visão de um Deus milagreiro ou de manifestações especiais. Basta a criação, a vida, as escrituras que nos revelam do próprio Deus. Basta a presença do Ressuscitado atuante no meio de nós. Em outras palavras o problema não está em Deus, Ele não está ausente... é o eterno presente. Somos nós que temos que perceber sua presença nas mais variadas formas de vida e acolhê-lo, fazendo-nos servidores de todos/as. Colocando nossos bens (nossa vida é nosso bem maior) para a construção de um mundo de filhos e filhas de Deus Pai e Mãe de toda a criação. Em:www.ihu.unisinos.br – 25/09/13

José Antonio Pagola

Segundo Lucas, quando Jesus bradou “não podeis servir a Deus e ao dinheiro”, alguns fariseus que lhe ouviam e eram amigos do dinheiro, “riram dele”. Jesus não volta atrás. Imediatamente narra uma parábola pungente para que os que vivem escravos da riqueza abram os olhos. Jesus descreve em poucas palavras uma situação sangrenta. Um homem rico e um mendigo pobre que vivem próximos um do outro, estão separados pelo abismo que há entre a vida de opulência insultante do rido e a miséria extrema do pobre. O relato descreve os dois personagens destacando fortemente o contraste entre ambos. O rico está vestido de púrpura e linho finíssimo, o corpo do pobre está coberto de chagas. O rico banqueteia esplendidamente não apenas nos dias de festa, mas diariamente; o pobre está deitado em sua porta, sem poder levar à boda o que cai da mesa do rico. Só se aproximam para lamber suas feridas, os cachorros que veem em busca de alguma porcaria. Não se fala em momento algum que o rico tenha explorado o pobre ou maltratado e depreciado. Se diria que não fez nada de mal. Entretanto, sua vida inteira é inumana, pois só vive para seu próprio bem-estar. Seu coração é de pedra. Ignora totalmente ao pobre. O tem diante dos olhos mas não o vê. Está ali mesmo, enfermo, faminto e abandonado, mas não é capaz de cruzar a porta para ser notado. Não nos enganemos. Jesus não está denunciando somente a situação da Galileia dos anos trinta. Está tratando de sacudir a consciência de quem está acostumado a viver na abundância tendo junto à sua porta ou a algumas horas de voo, povos inteiros vivendo e morrendo na mais absoluta miséria. É desumano nos fecharmos em nossa “sociedade do bem-estar” ignorando totalmente essa outra “sociedade do mal-estar”. É cruel seguir alimentando essa “secreta ilusão de inocência” que nos permite viver com a consciência tranquila pensando que a culpa é de todos e de ninguém. Nossa primeira tarefa é romper a indiferença. Resistirmos a seguir desfrutando de um bem-estar vazio de compaixão. Não continuar nos isolando mentalmente para desprezar a miséria e a fome que há no mundo para uma distância abstrata, a fim de viver sem ouvir nenhum clamor, gemido ou pranto. Em: www.eclesalia.wordpress.com.br/25/09/2013 O Evangelho pode nos ajudar a viver vigilantes, sem nos tornarmos cada vez mais insensíveis L aosI sofrimentos T U R G Idos A


Palavras do Papa Francisco proferidas durante encontro com os pobres e presos em Cagliari - Sardenha “Não há futuro para nenhum país, para nenhuma sociedade, para nosso mundo, caso não sejamos todos mais solidários. Solidariedade, pois, como elemento indispensável para fazer história, como esfera vital em que os conflitos, as tensões, inclusive os mundos opostos atingem uma harmonia que gera vida. Não deixem que se roube a esperança e sigam adiante”. Para seguir Jesus até as “periferias existenciais”, Francisco abraçou mais uma vez os pobres e presos, em Cagliari: “Sinto-me em casa entre vocês”. Em seguida, disse que a “catedral é, como dizemos na América Latina, ‘sua casa’, esta é sua casa; todos somos irmãos”. E acrescentou: “Jesus não foi indeciso, não foi indiferente, tomou uma decisão e a levou adiante até as profundezas: decidiu fazer-se homem e, como homem, fazer-se servo, até a morte na Cruz”. “A caridade, explicou Bergoglio no encontro com os pobres e presos, não é assistencialismo, é uma opção de vida, é uma forma de ser, de viver, é o caminho da humildade e da solidariedade. A humildade de Cristo não é moralismo ou um sentimento, a humildade de Cristo é real, é a escolha de ser pequeno, de estar com os pequenos, com os excluídos, de estar entre nós. E não é ideologia! É uma forma de ser e de viver que parte do amor, que parte do coração de Deus. Jesus não veio ao mundo para construir uma passarela, para que o vissem. Jesus é o caminho, e um caminho serve para caminhar, para percorrer. Agradeçamos ao Senhor pelo compromisso ao segui-lo, inclusive, na fadiga, no sofrimento, entre as paredes de um cárcere”. “Contudo, não podemos seguir Jesus pelo caminho da caridade, caso, antes de qualquer coisa, não nos aceitamos, não nos esforçamos para colaborar, para compreender-nos reciprocamente e para nos perdoar, reconhecendo cada um os próprios limites e os próprios erros. Por isso, devemos fazer as obras de misericórdia com misericórdia, as obras de caridade com caridade, com ternura e sempre com humildade”. No entanto, às vezes, agimos com arrogância no serviço aos pobres, alguns instrumentalizam os pobres por interesses pessoais ou do próprio grupo. Isto é humano, mas não está certo. Isto é pecado, seria melhor que ficassem em casa. Além disso, a sociedade italiana, hoje, necessita de muita esperança e Sardenha especialmente. Então, aqueles que possuem responsabilidades políticas e civis precisam fazer o próprio dever, é preciso apoiar, como cidadãos, de maneira ativa. Alguns membros da comunidade cristã foram chamados para se comprometer neste campo da política, que é uma forma de caridade, como dizia Paulo VI. Por isso, como Igreja, todos temos uma forte responsabilidade, que é a de semear a esperança com obras de solidariedade, tratando de colaborar com as instituições públicas para que sejam respeitadas as respectivas competências”. Antes do Ângelus, o Pontífice havia recordado o forte vínculo de Sardenha: “Sejam sempre verdadeiros filhos de Maria e da Igreja, e demonstrem isto em sua vida, seguindo o exemplo dos santos como fez o frei capuchinho Tommaso Acerbis da Olera.” Depois, na aula magna da Pontifícia Faculdade Teológica de Cagliari, Francisco se reuniu com o mundo acadêmico e da cultura. A crise, afirmou o Papa, “pode se tornar um momento de purificação, um momento para repensar nossos modelos econômico-sociais e certa concepção de progresso que alimentou ilusões, para recuperar o humano em todas as suas dimensões”. O discernimento não é cego, nem improvisado: realiza-se com base em critérios éticos e espirituais, implica em se indagar sobre o que é bom. E não se pode considerar nunca a pessoa como material humano. Fazer discernimento é não fugir, mas ler seriamente, sem preconceitos, a realidade. “Contudo, não podemos seguir Jesus pelo caminho da caridade, caso, antes de qualquer coisa, não nos aceitamos, não nos esforçamos para colaborar, para compreender-nos reciprocamente e para nos perdoar, reconhecendo cada um os próprios limites e os próprios erros. Por isso, devemos fazer as obras de misericórdia com misericórdia, as obras de caridade com caridade, com ternura e sempre com humildade”. No entanto, às vezes, agimos com arrogância no serviço aos pobres, alguns instrumentalizam os pobres por interesses pessoais ou do próprio grupo. Isto é humano, mas não está certo. Isto é pecado, seria melhor que ficassem em casa. Além disso, a sociedade italiana, hoje, necessita de muita esperança e Sardenha especialmente. Então, aqueles que possuem responsabilidades políticas e civis precisam fazer o próprio dever, é preciso apoiar, como cidadãos, de maneira ativa. Alguns membros da comunidade cristã foram chamados para se comprometer neste campo da política, que é uma forma de caridade, como dizia Paulo VI. Por isso, como Igreja, todos temos uma forte responsabilidade, que é a de semear a esperança com obras de solidariedade, tratando de colaborar com as instituições públicas para que sejam respeitadas as respectivas competências”. Antes do Ângelus, o Pontífice havia recordado o forte vínculo de Sardenha: “Sejam sempre verdadeiros filhos de Maria e da Igreja, e demonstrem isto em sua vida, seguindo o exemplo dos santos como fez o frei capuchinho Tommaso Acerbis da Olera.” Depois, na aula magna da Pontifícia Faculdade Teológica de Cagliari, Francisco se reuniu com o mundo acadêmico e da cultura. A crise, afirmou o Papa, “pode se tornar um momento de purificação, um momento para repensar nossos modelos econômico-sociais e certa concepção de progresso que alimentou ilusões, para recuperar o humano em todas as suas dimensões”. O discernimento não é cego, nem improvisado: realiza-se com base em critérios éticos e espirituais, implica em se indagar sobre o que é bom. E não se pode considerar nunca a pessoa como material humano. Fazer discernimento é não fugir, mas ler seriamente, sem preconceitos, a realidade.” “A cultura do diálogo não nivela indiscriminadamente diferenças e pluralismos (“um dos perigos da globalização”) e nem sequer os tornam motivos de enfrentamento, mas abre o caminho à confrontação construtiva. Isto significa compreender e dar valor às riquezas do outro, considerando-o não com indiferença ou com temor, mas como fator de crescimento”, enfatizou Bergoglio. “Por isso, não tenham medo do encontro, do diálogo, da confrontação em todos os níveis. E não tenham medo de se abrir, inclusive aos horizontes da transcendência, ao encontro com Cristo ou em aprofundar a relação com Cristo. A fé nunca reduz o espaço da razão, mas o abre para uma visão integral do homem e da realidade, e faz um reparo frente ao perigo de reduzir o homem a mero material humano”. A palavra solidariedade não pertence apenas ao vocabulário cristão, é uma palavra fundamental do vocabulário humano. O discernimento da realidade, num momento de crise, a promoção de uma cultura do encontro e do diálogo, dirigido para a solidariedade, são um elemento fundamental para uma renovação de nossas sociedades. Inclusive, entre aqueles que ‘não acreditam’, Bergoglio propõe uma “solidariedade não dita, mas vivida”, porque as relações devem passar do considerar o outro como um “número” a considerá-lo como uma pessoa. “A preparação dos candidatos ao sacerdócio continua sendo um objetivo primordial, mas também a formação dos leigos é muito importante – afirmou Bergoglio. “Não quero dar uma lição acadêmica, limito-me a destacar uma desilusão, a desilusão em razão de uma crise econômicofinanceira, mas também ecológica, educativa e moral. É uma crise que tem a ver com o presente e o futuro histórico da existência do homem nesta nossa civilização ocidental, e que acaba envolvendo o mundo inteiro. Ao menos nos últimos quatro séculos, as certezas fundamentais que constituem a vida dos seres humanos não se viram tão abaladas como em nossa época”. Frente à crise não pode imperar a resignação, o pessimismo para qualquer possibilidade de melhorar. É um gravíssimo erro não se envolver na dinâmica atual da história, denunciando somente os aspectos negativos, a partir de uma mentalidade semelhante àquele movimento espiritual teológico do século II depois de Cristo, que foi chamado “apocalíptico”. Esta concepção pessimista da liberdade humana e dos processos históricos leva a uma espécie de paralisia da inteligência e da vontade. “A desilusão leva a uma espécie de fuga, a buscar ilhas ou momentos de trégua – apontou o Pontífice. É algo parecido à atitude de Pilatos, de lavar as mãos. Uma atitude que parece pragmática, mas que ignora o grito de justiça, de humanidade e de responsabilidade social e leva ao individualismo, à hipocrisia, quando não a uma espécie de cinismo”. Francisco propõe, pois, uma educação “integral da pessoa”. As leituras ideológicas ou parciais não servem, alimentam apenas a ilusão e a desilusão. É necessário “ler a realidade, mas também viver esta realidade sem medos, sem fugas e sem catastrofismos”. A crise atual é “uma passagem, um trabalho de parto que implica fadigas, dificuldades, sofrimentos, mas que leva em si o horizonte da vida e de uma renovação”. Em:www.ihu.unisinos.br – 24/09/13


O Papa Francisco contempla entre suas reformas a nomeação de uma mulher para cardeal Não se trata de uma brincadeira. É algo que está passando pela cabeça do Papa Francisco: nomear uma mulher para cardeal. Quem o conhece, dentro e fora da Companhia, desde antes de chegar à cátedra de Pedro, garante que o primeiro papa jesuíta da Igreja está chamado a surpreender cada dia não apenas com suas palavras, mas também, e sobretudo, com seus gestos. Está fazendo isso nos primeiros seis meses de pontificado. A reportagem é de Juan Arias e publicada no jornal espanhol El País, 22-09-2013. Quem pensa que Francisco, com sua simplicidade de pároco de província, sua linguagem coloquial e seu sorriso sempre nos lábios é um simples ou um ingênuo, engana-se. Este Papa, que não parece Papa, chegou a Roma da periferia da Igreja com um programa bem concreto: mudar não apenas o aparelho enferrujado da maquinaria eclesial, mas também ressuscitar o cristianismo das origens. O simbolismo de seus gestos começou desde que apareceu na sacada da Basílica de São Pedro, vestido de branco, dizendo-se “bispo” e pedindo às pessoas que estavam na Praça para que o abençoassem. Não perdeu, desde então, um minuto para semear gestos inesperados em seus primeiros meses de pontificado, para espanto de muitos, dentro e fora da Igreja. E vai continuar nesta trilha. Por exemplo, com esse plano de nomear uma mulher para cardeal. Ele sabe que a questão feminina dentro da Igreja está sem ser resolvida e que não pode esperar. Deixou isso claro com duas frases lapidares em sua última entrevista à revista La Civiltà Cattolica: “A Igreja não pode ser ela mesma sem a mulher”. Não é apenas uma afirmação. É uma acusação. A frase pode ser lida também da seguinte maneira: “A Igreja ainda não está completa porque nela falta a mulher”. Francisco considera que resolver a questão da mulher dentro da Igreja já é algo impostergável. Como introduzir na Igreja essa peça essencial, sem a qual a Igreja “não pode ser ela mesma”? Disse-o na mesma entrevista: “Necessitamos de uma teologia profunda da mulher”. E essa teologia, dá a entender o papa, não pode ser construída no laboratório do Vaticano, apadrinhada pelo poder. Ela está sendo construída pelas mulheres dentro da Igreja: “A mulher está formulando construções profundas que devemos enfrentar”, disse. Francisco quer resolver esse problema durante o seu pontificado porque está convencido de que a Igreja de hoje está manca e coxa sem a mulher no lugar que lhe corresponderia, que seria nada mais nada menos que aquele que já teve nos inícios do cristianismo, onde exerceu um enorme protagonismo. Pelo menos até que Paulo cunhou sua teologia da cruz e hierarquizou e masculinizou a Igreja. O papa sabe que para fazer a revolução que tem em mente necessita “ouvir” a Igreja, não apenas a de cima, mas também a de baixo, onde estão sendo realizadas, por parte da mulher, as “construções profundas”.

Pode haver cardeais que não sejam sacerdotes, basta que sejam diáconos Ele mesmo poderia, no entanto, abrir caminho com alguns gestos que obrigariam a colocar com urgência o tema da mulher sobre o tapete ou, se preferir, sobre “o altar”. E um destes gestos seria nomear uma mulher cardeal. Impossível? Não. Hoje, segundo o direito canônico, pode haver cardeais que não sejam sacerdotes, basta que sejam diáconos. Mas o fato é que a mulher, alguém poderia objetar, atualmente, ainda não pode ser diaconisa, como foi há 800 anos e, sobretudo, nas primeiras comunidades cristãs. Pois essa é também uma das reformas que Francisco tem em mente. Não se trata de nenhum dogma. A mulher poderia ser admitida ao diaconato amanhã mesmo. Como escreveu Phyllis Zagano, da Universidade de Loyola de Chicago, a maior especialista da Igreja neste tema, “o diaconato feminino não é uma ideia para o futuro. É um tema do presente, para hoje”. E conta que havia abordado o tema com o cardeal Ratzinger, antes de ser papa, e que lhe respondeu: “É algo em estudo”. No pontificado de Bento XVI não se realizou, mas o Papa Francisco poderia acelerar o processo. Atualmente, a Igreja Apostólica Armênia e a Ortodoxa Grega, ambas unidas a Roma, contam com diaconisas. Chegada a mulher ao diaconato, já é possível, sem mudar o atual Direito Canônico, fazer uma mulher cardeal com o título de diaconisa. Mais ainda, bastaria mudar a atual lei para permitir que um leigo, e, portanto, uma mulher, possa ser eleita cardeal, já que houve pelo menos dois casos na Igreja em que leigos foram nomeados cardeais: o Duque de Lerma, em 1618, e Teodolfo Mertel, em 1858.

O cardenalato não implica consagração presbiteral nem episcopal; é um cargo de conselheiro do Papa O cardenalato não supõe a consagração presbiteral nem episcopal. Os cardeais são conselheiros do Papa e sua função principal é escolher o novo sucessor de Pedro. Há algum inconveniente em que uma mulher possa dar seu voto no silêncio do conclave? Seu voto valeria menos que o de um varão? Um jesuíta me dizia: “Conhecendo este papa, não teria medo para fazer uma mulher cardeal e até lhe encantaria ser ele o primeiro papa a permitir que a mulher pudesse participar da eleição de um novo papa”. Quando Francisco, em sua longa entrevista, insiste em que não quer fazer as mudanças precipitadamente e que prefere antes “ouvir” a Igreja, é porque tem essas mudanças, algumas surpreendentes, em mente, talvez bem enumeradas. Quer apresentá-las com o aval não apenas da hierarquia, mas do povo de Deus. Com este Papa, como diria Federico Fellini, “La nave va”. Com Francisco, os pilares da Igreja começam a se mover. E muitos começam a tremer. De medo. Dentro, não fora da Igreja. Fora começam a ressoar antes as notas de estupor e até de incredulidade. “Com este papa quase me dá vontade de me tornar católica”, escreveu no sábado uma leitora neste jornal. Algo se move, e talvez irreversivelmente na Igreja, exatamente no momento em que no mundo laico e político, no campo da modernidade, os relógios parecem ter parado todos ao mesmo tempo. Em: www.ihu.unisinos.br/24/09/13

Leonardo Boff "Por mais distante que andemos pelo nosso planeta ou até fora dele como os astronautas, sempre carregamos junto a força das raízes. De tempos em tempos elas se avivam e suscitam em nós um desejo incontido de voltar a elas. Não estão fora de nós. São a nossa inconsciente base de sustentação e alimentação vital. Por isso sempre as carregamos conosco. E rejuvenescemos cada vez que regressamos a elas. Nos dias 9 e 10 de setembro do corrente ano, vivi rara experiência ao visitar a casa de meu avô no norte da Itália", Sentimentos profundos, vindos da noite do inconsciente pessoal e coletivo, irromperam em mim. Senti-me religado àquela origem: a velha casa, os quartos enegrecidos, as portas que rangem ao abrir-se, as camas duras e largas (vários dormiam juntos), o fogão a lenha, os armários cheios de antigas tigelas e vasos, a mesa grande para todos caberem com seus longos bancos de cada lado. Era a paisagem interior. Da varanda se descortinava a paisagem exterior. Ela dá para um longo vale com casinhas distribuídas no meio dos campos verdes e ao longe o famoso monte Grappa de quase dois mil metros de altura no qual se travaram sangrentas batalhas na primeira Guerra mundial entre o exército italiano e o austro-húngaro. Era casa do avô paterno no Vale de Seren del Grappa, perto de Feltre e de Belluno na região do Triveneto italiano. Na verdade é um pequeno conglomerado de casas, coladas umas às outras, chamado de Col dei Bof (Colina dos Bof). Fica no alto, à meia-altura da grande montanha. Estava até há pouco totalmente abandonada, como tantas outras casas da montanha. Até que a ³Fundação di Seren² formada por gente de Bolzano, Feltre e Belluno, com alguma posse e forte sentido de resgate ecológico da região, a assumisse a transformasse num centro de encontro e de cultura. À noite é iluminada. Parece suspensa no ar com o escuro da montanha por trás. Neste contexto boa parte da população de pouco mais de duas mil pessoas emigrou, alguns para o Rio Grande do Sul por volta de 1880. Os


antepassados, no século XV, vieram da Alemanha (Alsácia e Lorena, hoje França), especialmente os dois antepassados Rech e Boff (escrevia-se Boeuf). Eram especialistas em desmatar as árvores centenárias daqueles vales e montanhas e faziam delas carvão, vendido em toda a região do Vêneto (Bolzano e Veneza). Ao chegar ao local, esperava-me um punhado de parentes antigos. Haviam enfeitado a casa com espigas de milho, flores e frutas da época. Um coreto cantava as canções em dialeto vêneto que conhecíamos de casa. De repente, colocado diante da velha casa - um borgo amplo e imponente senti que aquelas paredes estavam impregnadas do espírito do "poro nonno Boff". Sim, ele estava lá. Os mortos são apenas invisíveis, mas nunca ausentes. Vi sua figura sempre séria, mas de cultivada elegância, com seu lenço ao pescoço, montado num cavalo bem encilhado, nos visitando na vila vizinha. Ele sempre me punha sentado sobre seus joelhos e me fazia gracejos no estilo hilariante dos italianos. E no fim, escondido de meu pai, me dava algum dinheiro, coisa que eu mais esperava. Fui dirigir a palavra aos presentes. A voz se afogou na garganta. Deixei que as lágrimas da lembrança e da saudade rolassem dos olhos e pela barba. Sentia, por uma percepção transracional, que ele estava lá. Eu imaginava sua coragem: abandonou tudo, a casa, a terra dos antepassados, a paisagem querida para enfrentar o desconhecido e construir a “Mérica” como diziam ("Merica, Merica, Merica, che cosa sarà questa Merica? Un massolin di fior": "América, América, América, que coisa será esta América? Um ramalhete de flor"). Visitei cada canto e até folhei velhos livros que lá ficaram. À noite falei para a população. Hoje são apenas duas mil pessoas. A Igreja estava cheia. Contei histórias heroicas dos avós, como primeiramente desbravaram o Rio Grande e depois, os filhos (meus pais) desbravaram a região que hoje é Concórdia no Oeste de Santa Catarina. Como rezavam o rosário aos domingos, cantavam a ladainha de Nossa Senhora em latim e como meu pai, mestre escola, ensinava aos mais velhos o português, pois em casa só falavam o dialeto vêneto. Vim da pedra-lascada, percorri todas as fases da evolução cultural e hoje, disse, estou aqui com vocês, encontrando as raízes antigas e sempre novas. No fim cantei o que cantávamos na colônia italiana: "sia dottore o avvocato, tutto deve a suo papa. Ma bambini, lo sapete che il vostro nonno avanti sempre va": "Seja doutor ou advogado, tudo deves a teu pai. Mas, meninos, sabei que o vosso avô sempre vai à frente". No tramontar da vida, tive uma experiência de rejuvenescimento junto às raízes.

Em:www.ihu.unisinos.br – 26/09/13

Hans Küng O Papa Francisco está dando provas de coragem civil e não só pela sua intrépida visita às favelas do Rio. Ele aceitou o convite a um diálogo aberto com os críticos não crentes, respondendo a um dos mais eminentes intelectuais italianos, Eugenio Scalfari. Das 12 perguntas de Eugenio Scalfari (La Repubblica, 11-09-2013) ainda em aberto, a quarta, a meu ver, sobre o tema de um guia reformador da Igreja, revestese de uma importância particular. Jesus sempre afirmou que o seu reino não era deste mundo. "Deem a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus". Mas muitas vezes a Igreja Católica cedeu à tentação do poder temporal, que suplantou a sua dimensão espiritual. Portanto, Scalfari pergunta: "O Papa Francisco representa finalmente a prevalência da Igreja pobre e pastoral sobre a institucional e temporalista?". Atenhamo-nos aos fatos: desde o início, o Papa Francisco renunciou à pompa e ao fausto pontifício, buscando, ao invés, o contato espontâneo com o povo. Diante dos inúmeros escândalos financeiros e da avidez de muitos eclesiásticos, ele começou com decisão uma reforma do IOR e do Estado pontifício, postulando uma política de transparência no campo financeiro. Agora, porém, na sua obra reformadora, o papa terá que enfrentar uma prova decisiva. O papa de toda a Igreja Católica não pode ignorar o fato de que, mesmo em outros lugares, há grupos humanos afligidos por outras formas de "pobreza", que anseiam por uma melhoria da sua condição. Trata-se sobretudo de pessoas que o papa teria a faculdade de ajudar de maneira ainda mais direta do que os habitantes das favelas, dos quais os principais responsáveis são os órgãos do Estado e a sociedade como um todo. A ampliação do conceito de pobreza já se entrevê nos Evangelhos sinóticos. O Evangelho de Mateus chama de bem-aventurados os "pobres em espírito", mendicantes diante de Deus, na consciência da sua pobreza espiritual. E, portanto, refere-se, do mesmo modo que os restantes textos das Bem-aventuranças, não só os miseráveis e os famintos, mas todos aqueles que choram, marginalizados e oprimidos, vítimas de injustiça, rejeitados, degradados, explorados, desesperados: Jesus chama para si não só os desamparados e os necessitados no sentido exterior do termo (Lucas), mas também qualquer pessoa que sofra no seu próprio interior a dor e a aflição (Mateus), incluindo também o peso da culpa. Multiplica-se assim, desmedidamente, o número e as categorias dos pobres necessitados de serem ajudados. Em primeiro lugar, os divorciados, que em muitos países são milhões. E quando, como muitas vezes acontece, contraíram um segundo matrimônio, são excluídos dos sacramentos da Igreja pelo resto das suas vidas. Dada a maior mobilidade, flexibilidade e liberalidade da sociedade de hoje, mas também por consequência da crescente longevidade, é muito menos fácil que uma relação de casal dure por toda a existência. Mesmo diante dessas circunstâncias mais difíceis, o papa certamente continuará insistindo na indissolubilidade do matrimônio, mas esse preceito não deveria mais ser entendido como condenação apodítica de todos aqueles que, tendo fracassado, não pode, esperar uma remissão. E é justamente em nome da compaixão postulada pelo Papa Francisco que se deveria admitir os divorciados em segunda união aos sacramentos, contanto que o desejem realmente. Em segundo lugar, as mulheres: milhões de mulheres que, em todo o mundo, são vilipendiadas por causa da atitude da Igreja sobre as questões da contracepção, da inseminação artificial e do aborto, e muitas vezes vivem a sua condição com ânimo angustiado. Quanto à proibição papal da inseminação "artificial", quem a observa é apenas uma pequeníssima minoria, enquanto, em geral, as mulheres católicas a praticam sem nenhum remorso de consciência. Por fim, o aborto obviamente não deve ser banalizado, muito menos adotado como método de planejamento familiar; mas as mulheres que optam por abortar merecem compreensão e compaixão. Em terceiro lugar, os padres obrigados a renunciar ao sacerdócio por ter contraído matrimônio: são dezenas de milhares, nos cinco continentes. A abolição da obrigatoriedade do celibato constituiria a medida mais eficaz para resolver a catastrófica crise das vocações sacerdotais que afetou o mundo inteiro, com o consequente colapso da atividade pastoral. Além disso, a manutenção da obrigatoriedade do celibato tornaria impensável outra desejável inovação: a do sacerdócio feminino. Todas essas reformas são urgentes e deveriam ser discutidas acima de tudo no seio da comissão dos cardeais. O Papa Francisco encontra-se hoje diante de uma série de decisões difíceis. Até agora, deu provas de grande empatia e sensibilidade para com as aflições de tantos seres humanos, demonstrando em várias ocasiões uma considerável coragem civil. Essas suas qualidades lhe permitem tomar decisões necessárias e determinantes para o futuro sobre esses problemas, que, em parte, esperam uma solução há séculos já. Em:www.ihu.unisinos.br-26/09/13

“Não é possível conhecer Jesus sem ter problemas. E eu me atrevo a dizer: ‘Se você quer ter problemas, vai pelo caminho de Jesus. Não um, você terá muitos! Contudo, é o caminho para conhecer Jesus! Não é possível conhecer Jesus em primeira classe! Conhece-se a Jesus no cotidiano de todos os dias. Não é possível conhecer Jesus na tranquilidade, nem na biblioteca... Conhecer Jesus”.


Frei Betto Fome não se combate apenas com prato de comida. Digerida a esmola em forma de alimento, abre-se de novo o oco na barriga, buraco negro da cidadania. Não basta dar de comer ao faminto. Nem Bolsa Família. É preciso evitar que existam pessoas desprovidas dos bens essenciais à vida, capazes de prover o próprio sustento, como preconizava o Fome Zero. Para que o direito à cidadania não fique restrito aos discursos políticos, o combate à fome exige, no mínimo, reforma agrária, distribuição de renda e escolarização compulsória de todas as crianças. O mesmo se aplica à violência. Não é um fenômeno restrito a São Paulo e outras cidades populosas. Nova York é mais perigosa que a favela da Rocinha. Em Goiânia, Salvador ou Porto Alegre os assassinatos fazem parte do cotidiano. O grave é quando os narcotraficantes infiltram-se nas malhas da polícia, corrompendo juízes e delegados, obtendo armas privativas das Forças Armadas e delimitando territórios sob o seu comando. O traficante, como o político corrupto e o empresário especulador, é filho da impunidade. Porém, é preciso que não se cometa o erro de certo telejornalismo espúrio que já não distingue morador da favela de traficante. Não se pode aplicar às favelas o que recomendava o grande inquisidor: "Matemos todos, Deus saberá quem são os inocentes e quem são os culpados". Medida, aliás, que Obama vem aplicando com seus drones no Afeganistão. A violência do narcotráfico não é causa, é fruto da violência maior de uma elite que manteve este país amordaçado ao longo de 21 anos de ditadura militar, ceifando ideais e utopias. Esses filhos e netos nascidos durante ou logo após os anos de chumbo não tiveram a educação para a cidadania dos grêmios escolares e dos movimentos estudantis, das academias literárias e dos cineclubes. Perdidos na noite, muitos buscam a luz na maconha e a onipotência na cocaína. Se o tráfico de drogas é tão bem organizado não é por causa dos assalariados que, quando perdem a cabeça, no máximo recorrem à cachaça. É graças ao sofisticado mercado de consumo que paga bem pela droga. E, na falta de dinheiro, apela para o crack. Na espiral da violência, o garoto "avião" que conduz a droga, a "mula" que cobre os pontos de venda, o traficante que dirige e não mora em favela - tem casa com piscina e carro do ano - são o resultado da política equivocada do governo em relação aos direitos sociais. Não basta assegurar renda, encher o bolso, é preciso, sobretudo, encher a cabeça, dar acesso à cultura, de modo a que haja protagonismo empreendedor. Tivesse a maioria do povo brasileiro terra para plantar, melhores salários e educação escolar de alta qualidade, não haveria favelas nem favelados. Contasse a nossa juventude com áreas de lazer, de esportes e de criatividade artística e cultural, não teríamos tantos mortos-vivos destruídos pelo crack e outras drogas. "E se a TV decidisse fazer o bem?", indagou um dia o jornalista Ricardo Gontijo. O que se pode esperar de crianças e jovens que passam horas diante das caixinhas de mágicas eletrônicas, embotados pelo entretenimento consumista, pela publicidade hedonista, encharcados de filmes, sites e programas que nada adicionam à formação de sua subjetividade e ao aprimoramento de sua cultura? Impelidos pelo desgoverno de si, na falta de quem lhes indique o caminho do Absoluto, eles buscam o do absurdo, sustentando o narcotráfico. Quem são os ídolos dos jovens de hoje? Gente altruísta como Jesus, Gandhi, Luther King, Mandela e Che Guevara? Quais os valores mais perseguidos, hoje em dia, pela mocidade? Riqueza, beleza, fama e poder. Ora, quanto mais ambição, maior o tombo. E o rombo no coração. O buraco no peito precisa ser compensatoriamente preenchido de alguma forma. A sociedade se laicizou. Eis uma conquista da modernidade. O ser humano, no entanto, é sempre o mesmo, desde que foi expulso do Paraíso por ter se equivocado e querer ser Deus, quando sua vocação é ter Deus. Impregnar-se do Absoluto. Saciar-se no Poço de Jacó (Evangelho de João, cap. 4). Acho no mínimo estranho quando, em cerimônias litúrgicas, observo crianças e jovens, acompanhados de pais e avós cristãos, que não sabem sequer rezar Ave Maria e Pai Nosso. O que esperar de uma geração desprovida de espiritualidade? Em: www.adital.com.br/26/09/13

Luciane Carneiro

Mesmo no cenário mais otimista de crescimento da economia e de diminuição da desigualdade de renda no mundo não deve ser possível zerar a pobreza extrema até 2030, como é a meta da Organização das Nações Unidas (ONU). Estimativa presente no relatório “Investimentos para acabar com a pobreza”, da organização independente Iniciativas do Desenvolvimento, prevê que o número de pessoas em situação de pobreza extrema será de 342 milhões em 2030. No cenário mais pessimista, diz o relatório, este número poderá alcançar 1,04 bilhão. E, na melhor das hipóteses, será de 107,9 milhões, diz o estudo, citando dados do Brookings Institution. A reportagem é de Luciane Carneiro, publicada no jornal O Globo, 22-09-2013. O relatório será apresentado nesta segunda-feira, na Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Pobreza extrema é considerada aquela em que a pessoa vive com menos de US$ 1,25 por dia. Uma das oito Metas de Desenvolvimento do Milênio, estabelecidas pela ONU em 2000, era reduzir pela metade a população em pobreza extrema até 2015. O texto diz que o objetivo foi alcançado em 2010, antes do prazo. Em 2012, na Rio+20, alguns líderes mundiais sugeriram como nova meta a erradicação da pobreza extrema até 2030, proposta que foi aceita pela ONU. O relatório aponta que a África Subsaariana deve passar o Sudeste da Ásia como a região com maior número de miseráveis do mundo. Em 2010, eram 414 milhões de pessoas, ou 34% de toda a população em pobreza extrema na África Subsaariana, contra 507 milhões no Sudeste da Ásia. Em 2030, a previsão é que a África Subsaariana ainda tenha 275 milhões no grupo, ou 80% dos miseráveis no mundo. Já o Sudeste da Ásia deve ter recuo expressivo no número de miseráveis, para 46,3 milhões de pessoas.

“É improvável que apenas o crescimento econômico nos leve a zerar a pobreza extrema a tempo. Crescimento será crítico para reduzir a pobreza, mas não rápido nem inclusivo o suficiente. Mesmo nos melhores cenários, ainda teremos mais de 100 milhões de pessoas na pobreza extrema em 2030”, diz o relatório. Governos gastam US$ 5,9 tri Os governos dos países em desenvolvimento gastaram US$ 5,9 trilhões em programas para reduzir a pobreza em 2011, mostra o estudo. O valor é quase o triplo dos US$ 2,1 trilhões de recursos internacionais recebidos por esses países naquele ano. O relatório aponta que os gastos dos governos têm aumentando significativamente. Mais da metade dos países em desenvolvimento viu essas despesas crescerem mais de 5% entre 2000 e 2011. Na outra metade dos países, a média de crescimento foi de 2,5%. Ainda assim, os países mais pobres continuam a enfrentar limitações de recursos. Cerca de 82% dos pobres do mundo vivem em países em que o gasto do governo por pessoa são menores que US$ 1 mil (em paridade de poder de compra). Uma das principais fontes de recursos para a redução da pobreza vem da ajuda oficial ao desenvolvimento (ODA, na sigla em inglês). O valor chegou a US$ 148,4 bilhões em 2011 e cerca de dois terços vêm de cinco países: Estados Unidos,Reino Unido, Alemanha, França e Japão. O Brasil é o quarto maior doador desse tipo de ajuda entre os países que não fazem parte da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), com US$ 1 bilhão em 2010. Ao mesmo tempo, foi o 40º países que mais recebeu esses recursos, no montante de US$ 1 bilhão também. Em: www.ihu.unisinos.br/26/09/13


Um dia, uma menina estava sentada observando sua mãe lavar os pratos na cozinha. De repente, percebeu que sua mãe tinha vários cabelos brancos que sobressaíam entre a sua cabeleira escura. Olhou para sua mãe e lhe perguntou: - 'Porque você tem A mãe respondeu:

tantos

cabelos

brancos,

mamãe?'

- 'Bom, cada vez que você faz algo de ruim e me faz chorar ou me faz triste, um de meus cabelos fica branco.' A menina digeriu esta revelação por alguns instantes e logo disse: - 'Mãe, porque TODOS os cabelos de minha avó estão brancos?'

- Uma honesta menina de sete anos admitiu calmamente a seus pais que Luis Miguel havia lhe dado um beijo depois da aula. - 'E como aconteceu isso?' Perguntou a mãe assustada.

Essas historinhas são verdadeiras:

- 'Não foi fácil', admitiu a pequena senhorita, 'mas três meninas me ajudaram a segurá-lo'.

Convidamos você a ELEGER PESSOAS COMPROMETIDAS COM A CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA NA ZONA LESTE, NA CIDADE DE SÃO PAULO E NO BRASIL.

A ESCOLA DE CIDADANIA DA ZONA LESTE PEDRO YAMAGUCHI FERREIRA quer manifestar – com esta premiação – que a CIDADANIA PLENA é decisiva para construir um País com QUALIDADE DE VIDA, sem DESIGUALDADES SOCIAIS e livre das CORRUPÇÕES, DESMANDOS e AUTORITARISMO nas Políticas Públicas. Em

2013, 13 Cidadãos ou Cidadãs serão premiados. Para tanto, você pode escolher livremente 5 pessoas comprometidas com a construção da Cidadania.

Você poderá votar de duas maneiras: 1ª – Retirando a ficha de votação na Escola de Cidadania da Zona Leste, Rua Miguel Rachid, 997 – Ermelino Matarazzo - todas as Sextas-Feiras às 19h00, preenche-la e devolver aos coordenadores responsáveis (Alex – Deise – Luis França – Professor Waldir) 2ª – Enviando email para professor.waldir@uol.com.br ou deisecassijvc@gmail.com nomeando as 5 pessoas que você deseja premiar. Ao enviar o email, coloque no assunto: TITULO CIDADANIA LESTE A escolha dos premiados será realizada entre os dias 13 de Setembro e 15 de Novembro de 2013. Os prêmios aos mais votados serão entregues na Sexta-Feira - 06 de Dezembro de 2013 No encerramento do semestre da Escola de Cidadania.

PARTICIPE DESTE IMPORTANTE EXERCÍCIO DE CIDADANIA

Aulas Palestras todas as Sextas-Feiras às 19h30 Local:

Salão da Igreja São Francisco de Assis Rua Miguel Rachid, 997 – Ermelino Matarazzo Para o 2º Semestre de 2013, o tema a ser estudado será:

“Os Conselhos Populares no controle social das Políticas Públicas”

Participe você também!


03 a 11 de Outubro de 2013 Quinta-Feira: 20h00

12 de Outubro de 2013 - Sábado

Sexta-Feira: 20h00 Sábado: 20h00

8h00 – Missa de Ação de Graças

Domingo: 18h00

9h30 – Benção do Bolo

Segunda-Feira: 20h00

15h00 – Missa dos Dizimistas

Terça-Feira: 20h00

18h00 – Missa de Ação de Graças

Quarta-Feira: 20h00

19h30 – Procissão

Quinta-Feira: 20h00

21h00 – Coroação de Nossa Senhora

Sexta-Feira: 20h00

Local:

Rua da Padroeira, 83 – Jardim Nordeste, São Paulo – SP Tema do Encontro

Maiores informações podem ser obtidas com: Eduardo: eduardo_brasileiro_@hotmail.com - Lucas: lucas.defrancesco@hotmail.com Vinicius: viliba4@hotmail.com


Com a Teóloga, Socióloga e Escritora

Tema do encontro

Santuário Nossa Senhora da Paz Av. Maria Luiza Americano, 1550 - Cidade Líder – São Paulo – SP Maiores informações podem ser obtidas com: Eduardo: eduardo_brasileiro_@hotmail.com - Lucas: lucas.defrancesco@hotmail.com - Vinicius: viliba4@hotmail.com

R E U N I Õ E S COORDENAÇÃO Os membros da Coordenação do IPDM realizarão suas reuniões bimestrais sempre nas 3as Terças-Feiras dos meses impares. 19 de Novembro As reuniões serão realizadas sempre às 20h00 na Paróquia São Francisco de Assis da Vila Guilhermina Praça Porto Ferreira, 48 - Próximo ao Metro Guilhermina - Esperança

PADRES – RELIGIOSOS – RELIGIOSAS As reuniões entre os padres, religiosos e religiosas e Agentes de Pastorais serão realizadas sempre na última Sexta-Feira dos meses pares. 25 de Outubro / 29 de Novembro As reuniões serão realizadas sempre às 9h30 no CIFA – Paróquia Nossa Senhora do Carmo de Itaquera Rua Flores do Piauí, 182 - Centro de Itaquera

Os endereços eletrônicos abaixo indicados contêm riquíssimo material para estudos e pesquisas. Por certo, poderão contribuir muito para o aprendizado de todos nos mais diversos seguimentos. www.adital.org.br - Esta página oferece artigos/opiniões sobre movimentos sociais, política, igrejas e religiões, mulheres, direitos humanos dentre outros. O site oferece ainda uma edição diária especial voltada aos jovens.Ao se cadastrar você passa a receber as duas versões diárias. www.amaivos.com.br - Um dos maiores portais com temas relacionados à cultura, religião e sociedade da internet na América Latina, em conteúdos, audiência e serviços on-line. www.cebi.org.br - Centro de estudos bíblicos, ecumênico voltado para a área de formação abrangendo diversos seguimentos tais como: estudo bíblico, gênero, espiritualidade, cidadania, ecologia, intercâmbio e educação popular. www.cnbb.org.br - Página oficial da CNBB disponibiliza notícias da Igreja no Brasil, além de documentos da Igreja e da própria Conferência. www.ihu.unisinos.br - Mantido pelo Instituto Humanitas Unisinos o site aborda cinco grandes eixos orientadores de sua reflexão e ação, os quais constituem-se em referenciais inter e retrorrelacionados, capazes de facilitar a elaboração de atividades transdisciplinares: Ética, Trabalho, Sociedade Sustentável, Mulheres: sujeito sociocultural, e Teologia Pública. www.jblibanio.com.br - Página oficial do Padre João Batista Libânio com todo material produzido por ele. www.mundomissao.com.br - Mantida pelo PIME aborda, sobretudo, questões relacionadas às missões em todo o mundo. www.religiondigital.com - Site espanhol abordando questões da Igreja em todo o mundo, além de tratar de questões sobre educação, religiosidade e formação humana. www.cartamaior.com.br - Site com conteúdo amplo sobre arte e cultura, economia, política, internacional, movimentos sociais, educação e direitos humanos dentre outros. www.nossasaopaulo.org.br - Página oficial da Rede Nossa São Paulo. Aborda questões de grande importância nas esferas político-administrativas dos municípios com destaque à cidade de São Paulo. www.pastoralfp.com - Página oficial da Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de São Paulo. Pagina atualíssima, mantém informações diárias sobre as movimentações políticas-sociais em São Paulo e no Brasil. www.vidapastoralfp.com - Disponibilizado ao público pela Paulus editora o site da revista Vida Pastoral torna acessível um vasto acervo de artigos da revista classificados por áreas temáticas. Excelente fonte de pesquisa. www.paulus.com.br – A Paulus disponibiliza a Bíblia Sagrada edição Pastoral online/pdf. www.consciencia.net/acervo-digital-disponibiliza-toda-a-obra-de-paulo-freire/ - acervo Paulo Freire completo disponível neste endereço. http://www.news.va/pt - Pronunciamentos do Papa Francisco diretamente do Vaticano.


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