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Ano II — Nº 68

14 a 20 de Dezembro de 2013

Saudamos a todos os nosso amigos com desejos de paz e bem!

son –Tata - Madiba - Mandela.

Caríssimos/as, em suas mãos está nosso informativo IPDM nº 68. Nas 8 páginas que o compõem, vocês encontrarão artigos, opiniões e reflexões diversas, além de algumas notícias relevantes. As páginas 02 e 03 trazem as reflexões sobre o evangelho deste domingo, o 3º do Advento. Padre Alberto Maggi—OSM, apresenta-nos uma reflexão teológica a partir da resposta de Jesus ao questionamento de João sobre quem Ele era de fato. De modo surpreendente, Maggi nos apresenta as semelhanças entre João Batista e Moisés, diante das afirmações de Jesus sobre o Batista: o primeiro não pode entrar na terra prometida; o segundo não conheceu a nova comunidade, a nova sociedade que Jesus veio inaugurar.

Padre José Antonio Pagola, por sua vez, mostra-nos que a atuação de Jesus “desconcertou” João, que esperava a chegada de um Messias que extirparia o pecado do mundo através da imposição rigorosa do juízo Divino. Mas Jesus, o Verdadeiro Messias, age de modo contrário aliviando o sofrimento, curando vidas e abrindo horizontes de esperança para os pobres. Vale a pena uma leitura minuciosa destas reflexões. Sobre o Evangelho do próximo domingo, trazemos para vocês a reflexão profunda, e ao mesmo tempo esclarecedora, do padre João Batista Libânio que discorrendo sobre a Sagrada Família, apresenta-nos José de um modo diferente: como ´véu que cobre o Mistério.

Papa Francisco com suas palavras impregnadas de fé, esperança e amor, leva-nos a refletir sobre a importância da confiança no Senhor Jesus que foi enviando ao mundo não para condená-lo, mas para salválo (Jo 3, 17). Lei mais na página 4. Ainda na página 4, veja a noticia publicada em todos os canais de comunicação do mundo, informando a todos que o Papa Francisco foi escolhido pela Revista Time como Personalidade do ano 2013. Por certo, um reconhecimento merecido para este Paladino da Esperança que ao anunciar o Evangelho com alegria e disponibilidade tem chamado a atenção de personalidades de todo o mundo.

Leonardo Boff, fala-nos sobre o significado de Nelson Mandela, morto na última semana para o futuro ameaçado da humanidade. Mandela, um líder revolucionário, transformador que com suas ações pacificas mudaram a realidade da África do Sul –e porque não dizer– do mundo. O artigo está na página 5. Nesta mesma página, deixamos nossa pequena homenagem a Nel-

Poucos dias se passaram desde o lançamento da Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium”, escrita pelo Papa Francisco. Suas palavras trouxeram alegrias e esperanças para muitos; mas também causou incomodo a outros tantos. Dentre os incomodados está a poderosa Rede de Comunicação Americana—CNN, que lhe concedeu a “Medalha de Papelão”, um “prêmio” destinado àqueles que, em matéria de economia, só dizem bobagens... Sobre esta questão, Frei Betto escreve um artigo/opinião no qual pergunta: “Quais as ‘bobagens’ proferidas pelo papa Francisco?” e com sua costumeira narrativa, apresenta-nos o Bispo de Roma como “um pro-

feta que põe o dedo na ferida, pois ninguém ignora que o capitalismo fracassou as 4 bilhões de pessoas que, segundo a ONU, vivem abaixo da linha da pobreza”. Leia mais na página 6. A página 7 traz para vocês uma reportagem muito intrigante de Philippe Clanché, publicada originalmente na Revista Francesa Témoignage Chrétien no dia 09 de dezembro/2013. Esta matéria, intitulada: “Vaticano: a mudança começou”, fala das transformações que o Papa tem provocado nas estruturas internas da Igreja, sobremaneira no que se refere a alguns “costumes” praticados por muitos membros da cúria, destacando-se o alto clero. Nossa agenda de reuniões e eventos para o próximo ano estão nas páginas 7 e 8. Anote em sua agenda e venha participar conosco. Estamos de braços e corações abertos para receber a todos. Tenham todos ótima leitura. Equipe de Produção IPDM

Domingo — 15 de Dezembro de 2013 3º Domingo do Advento Ciclo “A” do Ano Litúrgico

1ª: Is 35, 1-6a.10 – Sl: 145 (146) - 2ª: Tg 5, 7-10 Evangelho: Mt 11, 2-11


Padre Alberto Maggi—OSM

É a crise de João Batista. Ele, mesmo que já tivesse reconhecido em Jesus o próprio Cristo! De fato no capítulo 3 vers. 14 do Evangelho de Mateus se lê que João Batista havia dito a Jesus: “Sou eu que devo ser batizado por ti”, portanto ele tinha reconhecido em Jesus o Messias. No entanto João Batista entra em crise. Em crise Porque havia anunciado um messias justiceiro, um messias que teria severamente castigado os pecadores. João Batista havia usado imagens terríveis como ‘a palha lançada ao fogo’, ‘a arvore que não dá fruto e que é cortada’. Pois bem, em Jesus não vai manifestar-se nada de tudo isso. Jesus, expressão do amor de Deus, oferece o seu amor a todos e todas. Para fazer compreender este amor, Jesus o comparou ao sol, que brilha para todos, bons e maus, à água que cai sobre todos, merecedores e indignos, porque Deus é Amor e o seu amor não julga, não condena, mas simplesmente é oferecido a todos. E João Batista entra em crise. Lemos o evangelho: “João estava na prisão”. Em seguida, no capítulo 14, Mateus nos dirá o porquê: ele havia denunciado o rei Herodes que tinha tomado como esposa a própria cunhada, tirando-a do seu irmão. Por isso estava na prisão! “Quando ouviu falar das obras do Messias”... Mas estas obras de Cristo não eram as que ele havia anunciado! Estas obras são bem diferentes, são comunicações de vida. “Enviou a Ele alguns discípulos...”. Aqui aparecem os discípulos de João. Neste evangelho estes discípulos já foram muito críticos em relação a Jesus sobre a questão do jejum, tanto é que se associaram até com os inimigos de Jesus, os fariseus. “... Para lhe perguntarem”. Aqui esta pergunta tem todo o sabor de um ‘ultimato’, de uma ‘excomunhão’. "És tu aquele que há de vir” – expressão que indicava o Messias - “ou devemos esperar outro”? Porque Jesus opera exatamente o contrário de quanto João Batista tinha anunciado! João Batista tinha apresentado Jesus como o novo Moisés que deveria de novo fazer acontecer as famosas dez pragas para libertar o povo e punir e expulsar os inimigos. Pois bem neste evangelho, no evangelho de Mateus, no lugar das dez pragas são relatadas dez ações de Jesus, com as quais Ele comunica vida até mesmos aos inimigos: ressuscita a filha do chefe da sinagoga. Enquanto nas pragas havia sido morto o filho do Faraó, Jesus ressuscita a filha do chefe da sinagoga. Pois bem Jesus não polemiza e sim apresenta fatos. Diz: “voltem e contem a João o que vocês estão ouvindo e vendo”. E aqui Jesus enumera seis ações anunciadas como ações tradicionais do Messias como encontramos nos capítulos 35 e 61 de Isaias, “os cegos

recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres é anunciada a Boa Notícia”. Isto é o Evangelho. Está certo, porém tem mais: Jesus, mesmo citando Isaias, o censura. De fato, evita nestas duas citações dos capítulos 35 e 61 os dois versículos que falam de vingança contra os inimigos, contra os pagãos. Deus é Amor que comunica vida e, portanto não vem para julgar, nem para condenar ou destruir. E eis aqui a advertência de Jesus: “E bem-aventurado” – isto é plenamente feliz – “aquele que não se escandaliza por causa de mim!”. O escândalo é o da misericórdia! Um Deus que não recompensa os bons, nem castiga os maus, mas a todos - bons e maus - oferece seu amor: isto sim era motivo de escândalo para todos aqueles que estavam acostumados a uma mentalidade religiosa tradicional.

“Os discípulos de João partiram”. A falta de reação dos discípulos indica desaprovação. Jesus elogia João Batista, apesar de que ele o tinha criticado e quase ameaçado! De fato pergunta ao povo à multidão: "O que é que vocês foram ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento”? Este caniço agitado pelo vento, além de referir-se a uma famosa e conhecida fábula de Esopo: o caniço que é flexível e resiste e a oliveira, árvore forte que é arrancada pela tempestade, tem também uma clara referência a Herodes, porque quando ele construiu sua capital, Tiberíades nas margens do lago da Galileia, cunhou também moedas (na cultura hebraica não era possível representar formas humanas) com caniços do lago de Tiberíades. O caniço, portanto o que é? O caniço é a imagem do oportunista, da pessoa que consegue sempre ficar a tona e, para se garantir no poder, está pronta a sujeitar-se a qualquer situação. Eis o sentido da pergunta: “Foram ver um caniço agitado pelo vento”? Não, porque João Batista não chegou a nenhum compromisso, nem pactuou acordos, teve a coragem de denunciar o seu rei. “O que vocês foram ver? Um homem vestido com roupas finas? Mas

aqueles que vestem roupas finas moram em palácios de reis”. Aqueles que vestem roupas de luxo moram nos palácios dos reis: cortesãos, sempre obsequiosos aos poderosos do momento, os vira-casaca capazes de mudar sempre de ideias e de time desde que possam conservar seu prestígio e seu poder.

“Então, o que é que vocês foram ver? Um profeta? Eu lhes afirmo que sim: alguém que é mais do que um profeta”. E, citando o livro do Êxodo e também com uma referência ao profeta Malaquias, Jesus diz: “'Eis que eu envio o meu mensageiro à tua frente”, portanto João Batista é visto como o mensageiro que preparou o caminho para o seu povo e preparou também a estrada do Messias: “ele vai preparar o teu caminho diante de ti”. Portanto Jesus, diante da pergunta/ultimato de João Batista: “És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?”, confirma que é Ele mesmo o que há de vir. E logo aponta João Batista como quem foi o seu ‘abre-caminho’, o seu precursor. E depois, em forma solene, Jesus afirma: “Eu garanto – Amém - a vocês: de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista”. Elogio maravilhoso: João Batista é o maior de todos os homens que já nasceram até agora, porém Jesus acrescenta: “No entanto, o menor no Reino do Céu”, isto é: na comunidade que Jesus veio inaugurar, “é maior do que ele”. Por que? João Batista é como Moisés. Guiou o povo para a libertação, mas como Moisés não entrou na terra prometida, também João Batista não conseguiu entrar no reino do céu. Não basta ser o maior de todos os nascidos até agora, é preciso um novo nascimento, que acontece através da escolha da conversão e da mudança de vida. É o Nascimento no Espírito. Só assim podese entrar no reino de Deus: a nova comunidade, a nova sociedade que Jesus veio inaugurar. E João Batista não foi capaz de chegar lá! Em: www.http://www.studibiblici.it


Padre José Antonio Pagola

A atuação de Jesus deixou desconcertado João Baptista. Ele esperava um Messias que extirparia do mundo o pecado impondo o juízo rigoroso de Deus, não um Messias dedicado a curar feridas e a aliviar sofrimentos. Desde a prisão de Maqueronte envia uma mensagem a Jesus: “És tu o que há de vir ou temos de esperar a outro?”. Jesus responde-lhe com a Sua vida de profeta curador: “Dizei a João o que estais vendo e ouvindo: os cegos veem e os inválidos andam; os leprosos ficam limpos e os surdos ouvem; os mortos ressuscitam e aos pobres anuncialhes a Boa Nova”. Este é o verdadeiro Messias: o que vem a aliviar o sofrimento, curar a vida e abrir um horizonte de esperança aos pobres. Jesus sente-se enviado por um Pai misericordioso que quer para todos um mundo mais digno e ditoso. Por isso, dedica-se a curar feridas, sarar doenças e libertar a vida. E por isso pede a todos: “Sede compassivos como o vosso Pai é compassivo”. Jesus não se sente enviado por um Juiz rigoroso para julgar os pecadores e condenar o mundo. Por isso, não atemoriza ninguém com gestos justiceiros, mas que oferece a pecadores e prostitutas a Sua amizade e o Seu perdão. E por isso pede a todos: “Não julgueis e não sereis julgados”. Jesus não cura nunca de forma arbitrária ou por puro sensacionalismo. Cura movido pela compaixão, procurando restaurar a vida dessas pessoas doentes, abatidas y quebradas. São as primeiras que hão-de experimentar que Deus é amigo de uma vida digna e sã. Jesus não insistiu nunca no carácter prodigioso das Suas curas nem pensou nelas como receita fácil para suprimir o sofrimento no mundo. Apresentou a Sua atividade de cura como um sinal para mostrar aos Seus seguidores em que direção temos de atuar para abrir caminhos a esse projeto humanizador do Pai que Ele chamava “reino de Deus”. O Papa Francisco afirma que “curar feridas” é uma tarefa urgente: “Vejo com clareza que o que a Igreja necessita hoje é uma capacidade de curar feridas e dar calor, cercania e proximidade aos corações… Este é o primeiro: curar feridas, curar feridas”. Fala logo de “tratarmos das pessoas, acompanhando-as como o bom samaritano que lava, limpa e consola”. Fala também de “caminhar com as pessoas na noite, saber dialogar e inclusive descer à sua noite e obscuridade sem se perder”. Ao confiar a sua missão aos discípulos, Jesus não os imagina como doutores, hierarcas, liturgistas ou teólogos, mas como curadores. A Sua tarefa será dupla: anunciar que o reino de Deus está próximo e curar doentes. Em: http://eclesalia.wordpress.com

REFLEXÕES PARA O 4º DOMINGO DO ADVENTO — 22 DE DEZEMBRO DE 2013

1ª: Is 7, 10-14

Sl: 23 (24)

-

2ª: Rm 1, 1-7

Ev: Mt 1, 18-24

Padre João Batista Libânio

Propositadamente, a liturgia equilibra os textos. Colheu um teto do Antigo Testamento, á do tempo de Isaías, que falava de uma jovem que seria mãe de um futuro rei, que ajudaria Israel a enfrentar os adversários esse, o fato histórico. Aquilo foi só um aviso, uma espécie de antecipação. Aquela moça simbolizava uma outra, que Isaías não podia saber quem era naquele momento, mas que depois um ateu saberia: Maria, a esposa de José. Quando lemos , as leituras parecem obvias, simples, diretas, imediatas, claras, transparentes, lúcidas, tratando da coisa mais corriqueira, mas encerram um mistério muito grande. Os judeus apenas conheciam o lado humano de Jesus: viam aquele Homem que tinha todas as necessidades de um ser humano, foi criança como qualquer outra. Era muito difícil para o povo de Israel entender que ali havia um mistério maior. Mateus quer nos dizer alguma coisa muito profunda: esse Homem tem duas faces. A primeira é a que estão vendo: nasceu de uma mulher, era humano como nós, participaria de nossa humanidade, mas nele havia um mistério que, unicamente na fé, poderíamos descobrir. O grande mistério é que há uma presença única, original no surgimento desse Jesus. Toda grandeza de Jesus, que será descoberta lentamente na vida pública e, sobretudo, na ressurreição. Quando a genética pretende decodificar o genoma, quer conhecer, já naquele nucleozinho, todo o itinerário físico, corpóreo da pessoa. Essa é a grande pretensão do ser humano. De uma maneira teológica, é isto que Mateus nos diz: na origem dessa criança já está a totalidade de Deus, não apenas o biológico, que é muito pouco. No início dessa criança já estão infinito! No genoma teológico de Jesus, estava escrito Ele era o Filho de Deus que seria revelado. José aceitou ser o véu que cobriria este mistério. Para mim, a grande imagem de José é o véu que cobre o mistério, que eu comparo com uma mulher grávida: o mistério maravilhoso de vida que está sendo gestada no corpo de uma mulher! O marido é o véu que cobre o mistério, que só irá se manifestar nove meses depois. Durante nove meses, aquele homem fica olhando, observado a barriga crescer, a criança já dando seus pequenos sinais e se perguntando: o que irá sair, como irá nascer, como será 10, 20 anos depois? Já depois de nascida, aquela criança saía com Maria e com José, e todos achavam que era filho do casal. Passam os anos, e ninguém se dá conta. O véu continuava cobrindo o mistério daquela criança. Ela cresce e começa a pregar. Não pensem que eles viam Jesus como o vemos hoje. Pensavam-no como profeta, interessante, até fazia milagres, como muitos outros naquela época. Ninguém podia imaginar o mistério coberto até a morte e ressurreição. Só aí o mistério se abre; só aí os apóstolos que viveram ao seu lado, entenderam alguma coisa. E nós, 2 mil anos depois, ainda estamos procurando entender este mistério, que José cobriu como um véu. Quantas vezes em nossas vidas, fomos chamados para cobrir o mistério?! Penso numa mãe que tem um filho num presídio. Ela não o rejeitará, mas o cobrirá com o véu do amor. É criminoso, está condenado, mas ela não o condenará. Será sempre sangue do seu sangue, carne de sua carne. As mães cobre, com o véu do seu amor, tantos filhos que se perdem por aí a fora. Cobrem também, com o véu do mistério, a beleza de seus filhos. O amor, a inteligência, o futuro são os véus com que os cobrimos onde quer que estejam. Todos nós somos chamados a ser José! Imaginemos que alguém hoje chegue aqui e nos pergunte se estamos contentes com a situação política e econômica eu temos, com a honestidade maravilhosa que nos é exibida. Aparece um profeta, e nos pede que olhemos para o rio. Ele irá nos dizer alguma coisa daqui alguns anos. Esse rio se chama São Francisco. Talvez essas água sejam jogadas em outro lugar para beneficiar mega investidores. O rio é essa criança da qual Isaías falou, talvez o grande profeta de amanhã. Alguém já disse, e quem viver verá! O Evangelho de hoje é de um pudor, de uma beleza, de uma delicadeza enormes. Guardemos a grandeza desse homem, que no silêncio acompanhou Maria, deixando que o mistério de Jesus fosse desvelado lentamente, o grande mistério que José e Maria guardaram no ´profundo de seus corações. Amém.


Palavras do Papa Francisco pronunciadas durante a Audiência Geral do dia 11/12/13

Hoje gostaria de iniciar a última série de catequeses sobre nossa profissão de fé, tratando sobre a afirmação “Creio na vida eterna”. Em particular, concentro-me no juízo final. Mas não devemos ter medo: ouçamos aquilo que diz a Palavra de Deus. A respeito, lemos no Evangelho de Mateus: então Cristo “voltará na sua glória e todos os anjos com ele…Todas as nações se reunirão diante dele e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda…E estes irão para o castigo eterno, e os justos, para a vida eterna” (Mt 25, 31-33. 46). Quando pensamos no retorno de Cristo e no seu juízo final, que manifestará, até suas últimas consequências, o bem que cada um terá cumprido ou terá omitido de cumprir durante a sua vida terrena, percebemos nos encontramos diante de um mistério que paira sobre nós, que não conseguimos sequer imaginar. Um mistério que quase instintivamente suscita em nós um sentimento de temor, e talvez também de preocupação. Se, porém, refletimos bem sobre esta realidade, essa só pode alargar o coração de um cristão e constituir um grande motivo de consolação e de confiança. A este propósito, o testemunho das primeiras comunidades cristãs ressoa muito fascinante. Essas, de fato, eram habituais ao acompanhar as celebrações e as orações com a aclamação Maranata, uma expressão constituída por duas palavras aramaicas que, do modo como são construídas, podem ser entendidas como uma súplica: “Vem, Senhor!”, ou como uma certeza alimentada pela fé: “Sim, o Senhor vem, o Senhor está próximo”. É a exclamação na qual culmina toda a Revelação cristã, ao término da maravilhosa contemplação que nos é oferecida no Apocalipse de João (cfr Ap 22, 20). Naquele caso, é a Igreja-esposa que, em nome de toda a humanidade e enquanto sua primícia, dirige-se a Cristo, seu esposo, não vendo a hora de ser envolvida por seu abraço: o abraço de Jesus, que é plenitude de vida e plenitude de amor. Assim nos abraça Jesus. Se pensamos no julgamento com esta perspectiva, todo medo e hesitação é menor e deixa espaço à espera e a uma profunda alegria: será justamente o momento no qual seremos julgados finalmente prontos para ser revestidos da glória de Cristo, como de uma veste nupcial, e ser conduzidos ao banquete, imagem da plena e definitiva comunhão com Deus. Um segundo motivo de confiança nos vem oferecido pela constatação de que, no momento do julgamento, não estaremos sozinhos. É o próprio Jesus, no Evangelho de Mateus, a preanunciar como, no fim dos tempos, aqueles que o tiverem seguido tomarão lugar na sua glória, para julgar junto a Ele (cfr Mt 19, 28). O apóstolo Paulo, depois, escrevendo à comunidade de Corinto, afirma: “Não sabeis que os santos julgarão o mundo? Quanto mais as pequenas questões desta vida!” (1 Cor 6,2-3). Que belo saber que naquele momento, bem como com Cristo, nosso Paráclito, nosso Advogado junto ao Pai (cfr 1 Jo 2, 1), poderemos contar com a intercessão e com a benevolência de tantos nossos irmãos e irmãs maiores que nos precederam no caminho da fé, que ofereceram a sua vida por nós e que continuam a nos amar de modo indescritível! Os santos já vivem na presença de Deus, no esplendor da sua glória rezando por nós que ainda vivemos na terra. Quanta consolação suscita no nosso coração esta certeza! A Igreja é verdadeiramente uma mãe e, como uma mãe, procura o bem dos seus filhos, sobretudo aqueles mais distantes e aflitos, até encontrar a sua plenitude no corpo glorioso de Cristo com todos os seus membros. Uma outra sugestão nos vem oferecida pelo Evangelho de João, onde se afirma explicitamente que “Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem Nele crê não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porque não crê no nome do Filho único de Deus” (Jo 3, 17-18). Isto significa então que aquele juízo final já está em vigor, começa agora no curso da nossa existência. Tal juízo é pronunciado a cada instante da vida, como verificação do nosso acolhimento com fé da salvação presente e operante em Cristo, ou da nossa incredulidade, com o consequente fechamento em nós mesmos. Mas se nós nos fechamos ao amor de Jesus, somos nós mesmos que nos condenamos. A salvação é abrir-se a Jesus, e Ele nos salva; se somos pecadores – e o somos todos – peçamos-lhe perdão e se vamos a Ele com o desejo de ser bons, o Senhor nos perdoa. Mas, para isso, devemos abrir-nos ao amor de Jesus, que é mais forte que todas as outras coisas. O amor de Jesus é grande, o amor de Jesus misericordioso, o amor de Jesus perdoa; mas você deve se abrir e se abrir significa arrepender-se, acusar-se das coisas que não são boas e que fizemos. O Senhor Jesus se doou e continua a se doar a nós, para nos encher de toda a misericórdia e a graça do Pai. Somos nós também que podemos nos tornar em um certo sentido juízes de nós mesmos, nos auto-condenando à exclusão da comunhão com Deus e com os irmãos. Não nos cansemos, portanto, de vigiar sobre nossos pensamentos e sobre nossas atitudes, para experimentar desde já o calor e o esplendor da face de Deus – e isso será belíssimo – que na vida eterna contemplaremos em toda a sua plenitude. Avante, pensando neste juízo que começa agora, e já começou. Avante, fazendo com que o nosso coração se abra a Jesus e à sua salvação; avante sem medo, porque o amor de Jesus é maior e se nós pedimos perdão dos nossos pecados Ele nos perdoa. Jesus é assim. Avante então com esta certeza, que nos levará à glória do céu. Em: www.zenit.org.br

mundo O Papa Francisco foi escolhido a "Personalidade do Ano de 2013” pela revista americana "Time". Francisco, o primeiro latino-americano a comandar a Igreja Católica, 'mudou o tom, a percepção e o enfoque de uma das maiores instituições do mundo com um extraordinário peso', disse Nancy Gibbs, editora da revista Time, ao fazer o anúncio no canal NBC. A prestigiosa revista americana destacou o papel do ex-arcebispo de Buenos Aires Jorge Mario Bergoglio para "comprometer" uma Igreja que tem 1,2 bilhão de fiéis no mundo a "enfrentar as necessidades mais profundas e equilibrar seu julgamento com piedade". "Raramente um novo personagem no cenário internacional capturou tanta atenção tão rápido - jovem ou velho, crente ou cínico - como o Papa Francisco", escreveu Gibbs a respeito de Jorge Bergoglio, de 76 anos. O Vaticano reagiu à escolha com a afirmação de que o anúncio "não é surpreendente, levando em consideração a ressonância e a ampla atenção dada ao Papa Francisco e ao início do novo papado", e destacou o "sinal positivo" de que tenha recebido "um dos reconhecimentos mais prestigiosos da imprensa internacional". "O Papa não busca a fama ou o sucesso porque está a serviço do Evangelho de Deus, de amor para todos. Se a escolha como personalidade do ano significa que as pessoas entenderam, ao menos implicitamente, esta mensagem, então o deixará definitivamente feliz", afirmou o porta-voz da Santa Sé, o padre Francisco Lombardi. Nós do IPDM parabenizamos o querido amigo Francisco e rezamos para que continue firme em sua jornada. Deus o abençoe.


Leonardo Boff

Nelson Mandela, com sua morte, mergulhou no inconsciente coletivo da humanidade para nunca mais sair de lá porque se transformou num arquétipo universal, do injustiçado que não guardou rancor, que soube perdoar, reconciliar polos antagônicos e nos transmitir uma inarredável esperança de que o ser humano ainda pode ter jeito. Depois de passar 27 anos de reclusão e eleito presidente da África do Sul em 1994, se propôs e realizou o grande desafio de transformar uma sociedade estruturada na suprema injustiça do apartheid que desumanizava as grandes maiorias negras do pais condenando-as a não-pessoas, numa sociedade única, unida, sem discriminações, democrática e livre. E o conseguiu ao escolher o caminho da virtude, do perdão e da reconciliação. Perdoar não é esquecer. As chagas estão ai, muitas delas ainda abertas. Perdoar é não permitir que a amargura e o espírito de vingança tenham a última palavra e determinem o rumo da vida. Perdoar é libertar as pessoas das amarras do passado, é virar a página e começar a escrever outra a quatro mãos, de negros e de brancos. A reconciliação só é possível e real quando há a admissão completa dos crimes por parte de seus autores e o pleno conhecimento dos atos por parte das vítimas. A pena dos criminosos é a condenação moral diante de toda a sociedade. Uma solução dessas, seguramente originalíssima, pressupõe um conceito alheio à nossa cultura individualista: o Ubuntu que quer dizer: "eu só posso ser eu através de você e com você”. Portanto, sem um laço permanente que liga todos com todos, a sociedade estará, como na nossa, sob risco de dilaceração e de conflitos sem fim. Deverá figurar nos manuais escolares de todo mundo esta afirmação humaníssima de Mandela: "Eu lutei contra a dominação dos brancos e lutei contra a dominação

dos negros. Eu cultivei a esperança do ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas vivem juntas e em harmonia e têm oportunidades iguais. É um ideal pelo qual eu espero viver e alcançar. Mas, se preciso for, é um ideal pelo qual estou disposto a morrer”. Por que a vida e a saga de Mandela funda uma esperança no futuro da humanidade e de nossa civilização? Porque chegamos ao núcleo central de uma conjunção de crises que pode ameaçar o nosso futuro como espécie humana. Estamos em plena sexta grande extinção em massa. Cosmólogos (Brian Swimm) e biólogos (Edward Wilson) nos advertem que, a correrem as coisas como estão, chegaremos por volta do ano 2030 à culminância desse processo devastador. Isso quer dizer que a crença persistente no mundo inteiro, também no Brasil, de que o crescimento econômico material nos deveria trazer desenvolvimento social, cultural e espiritual é uma ilusão. Estamos vivendo tempos de barbárie e sem esperança. Cito o insuspeito Samuel P. Huntington, antigo assessor do Pentágono e um analista perspicaz do processo de globalização no término de seu O choque de civilizações:

"A lei e a ordem são o primeiro pré-requisito da civilização; em grande parte no mundo elas parecem estar evaporando; numa base mundial, a civilização parece, em muitos aspectos, estar cedendo diante da barbárie, gerando a imagem de um fenômeno sem precedentes, uma Idade das Trevas mundial, que se abate sobre a Humanidade”(1997:409-410). Acrescento a opinião do conhecido filósofo e cientista político Norberto Bobbio que como Mandela acreditava nos direitos humanos e na democracia como valores para equacionar o problema da violência entre os Estados e para uma convivência pacífica. Em sua última entrevista declarou: "não saberia dizer como será o Terceiro Milênio. Minhas

certezas caem e somente um enorme ponto de interrogação agita a minha cabeça: será o milênio da guerra de extermínio ou o da concórdia entre os seres humanos? Não tenho condições de responder a esta indagação”. Face a estes cenários sombrios Mandela responderia seguramente, fundado em sua experiência política: sim, é possível que o ser humano se reconcilie consigo mesmo, que sobreponha sua dimensão de sapiens à aquela de demens e inaugure uma nova forma de estar juntos na mesma Casa. Talvez valham as palavras de seu grande amigo, o arcebispo Desmond Tutu que coordenou o processo de Verdade e Reconciliação: "Tendo encarado a besta do passado olho no olho, tendo pedido e recebido perdão e tendo feito correções, viremos agora a página — não para esquecer esse passado, mas para não deixar que nos aprisione para sempre. Avancemos em direção a um futuro glorioso de uma nova sociedade em que as pessoas valham não em razão de irrelevâncias biológicas ou de outros estranhos atributos, mas porque são pessoas de valor infinito, criadas à imagem de Deus”. Essa lição de esperança nos deixa Mandela: nós ainda viveremos se sem discriminações pusermos em prática de fato o Ubuntu.

Em: www.adital.com.br

Nelson Tata Madiba Mandela Com suas palavras, seus gestos e seus exemplos ensinou ao mundo o verdadeiro valor da liberdade, da conciliação e do respeito entre os homens. O mundo hoje lamenta sua partida para a eternidade e de todos os rincões da Terra, homenagens lhe são devidamente oferecidas. Nós, do IPDM, em nossa simplicidade também queremos lhe prestar nossa homenagem. Porém, por mais que nos esforcemos, não encontramos palavras capazes de dizer o que sentimos em nossos corações. Sendo assim, resumimos tudo nestas palavras:

Muito obrigado por tudo que nos ensinastes e... até qualquer dia! De todos nós do IPDM


ARTICULANDO

Frei Betto

O papa Francisco acaba de divulgar o documento "Alegria do Evangelho”, no qual deixa claro a que veio. Sua voz profética incomodou a CNN, poderosa rede de comunicação dos EUA, que lhe concedeu a "Medalha de Papelão”, destinada àqueles que, em matéria de economia, falam bobagens... Quais as "bobagens” proferidas pelo papa Francisco? Julgue o leitor: "Hoje devemos dizer não a uma economia da exclusão e da desigualdade social. Esta economia mata. Não é possível que a morte por enregelamento de um idoso sem abrigo não seja notícia, enquanto o é a descida de dois pontos na Bolsa. Isto é exclusão. Não se pode tolerar mais o fato de se lançar comida no lixo, quando há pessoas que passam fome. Isto é desigualdade social. "Hoje, tudo entra no jogo da competitividade e da lei do mais forte, onde o poderoso engole o mais fraco. Em consequência dessa situação, grandes massas da população veem-se excluídas e marginalizadas: sem trabalho, sem perspectivas, num beco sem saída. "O ser humano é considerado, em si mesmo, como um bem de consumo que se pode usar e, depois, lançar fora. Assim teve início a cultura do «descartável» que, aliás, chega a ser promovida. Já não se trata simplesmente do fenômeno de exploração e opressão, mas de uma realidade nova: com a exclusão, fere-se, na própria raiz, a pertença à sociedade onde se vive, pois quem vive nas favelas, na periferia ou sem poder já não está nela, mas fora. Os excluídos não são explorados, mas resíduos, sobras.” (53) Em seguida, Francisco condena a lógica de que o livre mercado consegue, por si mesmo, promover inclusão social: "Esta opinião, que nunca foi confirmada pelos fatos, exprime uma confiança vaga e ingênua na bondade daqueles que detêm o poder econômico e nos mecanismos sacralizados do sistema econômico reinante. Entretanto, os excluídos continuam a esperar. "Para se poder apoiar um estilo de vida que exclui os outros ou mesmo entusiasmar-se com este ideal egoísta, desenvolveu-se uma globalização da indiferença. Quase sem nos dar conta, tornamo-nos incapazes de nos compadecer ao ouvir os clamores alheios, já não choramos à vista do drama dos outros, nem nos interessamos por cuidar deles, como se tudo fosse uma responsabilidade de outrem, que não nos incumbe. "A cultura do bem-estar anestesia-nos, a ponto de perdermos a serenidade se o mercado oferece algo que ainda não compramos, enquanto todas estas vidas ceifadas por falta de possibilidades nos parecem um mero espetáculo que não nos incomoda de forma alguma.” (54) O papa enfatiza que os interesses do capital não podem estar acima dos direitos humanos: "Uma das causas desta situação está na relação estabelecida com o dinheiro, porque aceitamos pacificamente o seu domínio sobre nós e as nossas sociedades. A crise financeira que atravessamos faz-nos esquecer que, na sua origem, há uma crise antropológica profunda: a negação da primazia do ser humano. "Criamos novos ídolos. A adoração do antigo bezerro de ouro (cf. Êxodo 32, 1-35) encontrou uma nova e cruel versão no fetichismo do dinheiro e na ditadura de uma economia sem rosto e sem um objetivo verdadeiramente humano. A crise mundial, que envolve as finanças e a economia, põe a descoberto os seus próprios desequilíbrios e, sobretudo, a grave carência de uma orientação antropológica que reduz o ser humano a apenas uma das suas necessidades: o consumo.” (55). Sem citar o capitalismo, Francisco defende o papel do Estado como provedor social e condena a autonomia absoluta do livre mercado: "Enquanto os lucros de poucos crescem exponencialmente, os da maioria situam-se cada vez mais longe do bem-estar daquela minoria feliz. Tal desequilíbrio provém de ideologias que defendem a autonomia absoluta dos mercados e a especulação financeira. Por isso, negam o direito de controle dos Estados, encarregados de velar pela tutela do bem comum. "Instaura-se uma nova tirania invisível, às vezes virtual, que impõe, de forma unilateral e implacável, as suas leis e as suas regras. Além disso, a dívida e os respectivos juros afastam os países das possibilidades viáveis da sua economia, e os cidadãos do seu real poder de compra. A tudo isto vem juntar-se uma corrupção ramificada e uma evasão fiscal egoísta, que assumiram dimensões mundiais. A ambição do poder e do ter não conhece limites. Neste sistema que tende a deteriorar tudo para aumentar os benefícios, qualquer realidade que seja frágil, como o meio ambiente, fica indefesa face aos interesses do mercado divinizado, transformados em regra absoluta.” (56) Enfim, um profeta que põe o dedo na ferida, pois ninguém ignora que o capitalismo fracassou para 2/3 da humanidade: as 4 bilhões de pessoas que, segundo a ONU, vivem abaixo da linha da pobreza. Em: www.adital.com.br


Revisão de certos "costumes", abertura de debates ontem bloqueados, luta contra o clericalismo: o primeiro grande texto do Papa Francisco confirma a sua vontade reformadora que não vai agradar a muitos. Um documento de Roma que fala de alegria. Já tínhamos lido algo parecido depois do Concílio Vaticano II e daGaudium et spes? A exortação Evangelii gaudium (a alegria do evangelho), o primeiro grande texto magisterial inteiramente rotulado com a marca "Papa Francisco", expressa muito bem a imagem do novo papa. O seu antecessor usava mais facilmente a referência à verdade do que a invocação à alegria. Este texto segue o Sínodo dos Bispos sobre a nova evangelização, que ocorreu em outubro de 2012, durante as últimas semanas do pontificado de Bento XVI. No entanto, essa exortação não é, ao menos em seu título oficial, "pós-sinodal". Outra coisa muito significativa, o termo "nova evangelização", tão caro a diversos movimentos eclesiais, muito em voga nas últimas décadas, desapareceu do vocabulário papal. Nesse documento em que há um pouco de tudo e em que o papa se permite usar frequentemente a primeira pessoa do singular, o Papa Francisco teoriza as suas prioridades em âmbito eclesial, já apresentadas várias vezes (em particular, na sua entrevista para as revistas jesuítas). Citando o Vaticano II, "existe uma ordem ou 'hierarquia' das verdades da doutrina católica". E acrescenta: "Isso é válido tanto para os dogmas da fé como para o conjunto dos ensinamentos da Igreja, incluindo a doutrina moral" (§ 36). Como há 50 anos, é possível falar na Igreja Católica! Tomás de Aquino Homem prático, o papa dá exemplos de modos de agir e de falar que os pastores devem evitar, como por exemplo "quando se fala mais da lei do que da graça, mais da Igreja do que de Jesus Cristo, mais do Papa do que da Palavra de Deus" (§ 38). O momento é propício para a mudança, e Francisco dá uma motivação para isso. Certos costumes da Igreja "agora não prestam o mesmo serviço à transmissão do Evangelho. Não tenhamos medo de os rever!" (§ 43). Baseando-se em Tomás de Aquino – que observava que os preceitos dados por Cristo aos apóstolos eram realmente poucos – o pontífice argentino pede que se faça dessa declaração "um dos critérios a considerar, quando se pensa em uma reforma da Igreja e da sua pregação que permita realmente chegar a todos" (§ 43).

A frase é fundamental. Trata-se justamente de uma "reforma". Há alguns meses, a palavra era um tabu. Essa "reforma" diz respeito não à mensagem, mas à "pregação". E esta é destinada precisamente a todos. A difusão da mensagem não pode se limitar a uma elite de católicos puros, sempre respeitosos com o catecismo, que recebem todas as atenções de alguns bispos nossos. Que, fazendo isso, ignora o rebanho. Sem dúvida, é pensando neles que o papa escreve isso hoje de forma decisiva. Devoção popular Muitas vezes exigente com os pastores, aos quais dirige conselhos para compor as homilias, o Papa Franciscoaborda com benevolência a situação dos leigos envolvidos na comunidade. Ele reconhece as dificuldades encontradas por aqueles e aquelas que não encontraram espaço "para poderem se expressar e agir por causa de um excessivo clericalismo que os mantém à margem das decisões" (§ 102). Parece justamente que o clericalismo excessivo – pleonasmo, diriam alguns – está se tornando uma das bestas negras do papa. Outro aspecto merece ser destacado, fruto da experiência argentina do autor. O papa dedica alguns parágrafos à "força evangelizadora da piedade popular", que "não é vazia de conteúdos, mas descobre-os e exprime-os mais pela via simbólica do que pelo uso da razão instrumental" (§ 124). Mais uma vez, Jorge Mario Bergoglio usa a primeira pessoa: "Penso na fé firme das mães ao pé da cama do filho doente, que se agarram a um terço ainda que não saibam elencar os artigos do Credo" (§ 125). O tropismo intelectualista do catolicismo europeu certamente será abalado por este pontificado. Nesse texto programático, não nos debruçaremos sobre as afirmações socioeconômicas, em grande parte evocadas na imprensa. Não que não tenham interesse, ao contrário. Mas as teses críticas do liberalismo e do individualismo se inscrevem na linha dos textos romanos anteriores, desde 50 anos atrás. Vindo da pena de um papa "popular", pode-se esperar que elas sejam lidas com mais atenção do que antes. Com este texto – desta vez inatacável com relação ao seu estatuto oficial –, aqueles que apoiavam (ou esperavam) perceber uma perfeita continuidade com o pontificado anterior, terão que admitir que certas coisas estão mudando. Nos próximos meses, que serão muito agitados em Roma, saberemos mais sobre isso. Em: www.ihu.unisinos.com.br

REUNIÕES - 2014 PADRES - RELIGIOSOS - RELIGIOSAS—AGENTES DE PASTORAL As reuniões entre os padres, religiosos, religiosas e Agentes de Pastoral serão realizadas sempre na última Sexta-Feira dos meses pares. A próxima será realizada no dia

21 de Fevereiro de 2014 As reuniões serão realizadas sempre às 9h30 no CIFA Paróquia Nossa Senhora do Carmo de Itaquera - Rua Flores do Piauí, 182 - Centro de Itaquera

C O O R D E N A Ç Ã O A M P L I A DA Os membros da Coordenação Ampliada do IPDM realizarão suas reuniões bimestrais sempre nas 3ª s Terças-Feiras dos meses impares. A próxima será realizada no dia 18 de Março de 2014 As reuniões são realizadas sempre às 20h00 na Paróquia São Francisco de Assis da Vila Guilhermina Praça Porto Ferreira, 48 - Próximo ao Metro Guilhermina - Esperança


CURSO DE VERÃO é um programa de FORMAÇÃOPOPULAR no campo sócio-político-cultural, a partir da realidade e seus desafios, à luz da Bíblia, Teologia, Pastoral e do empenho transformador da sociedade. É um ESPAÇO ECUMÊNICO E INTER -RELIGIOSO de convivência, partilha de vida, troca de experiências, celebração e compromisso. Acolhe participantes, em especial JOVENS, empenhados na busca da compreensão e respeito entre homens e mulheres de toda a família humana, no esforço para transformar as pessoas e a sociedade na linha da justiça, solidariedade e salvaguarda do meio ambiente.

JUVENTUDES EM FOCO: por políticas públicas inclusivas na educação, trabalho e cultura é o tema do Curso de Verão de 2014. Juventudes, no plural, enfatiza a diversidade do fenômeno juvenil do ponto de vista das classes sociais, do contraste entre o urbano e o rural, entre a periferia e as áreas urbanizadas nas cidades. Gênero, cor, raça, etnia, inclusão ou exclusão digital, qualidade do ensino, acesso a equipamentos culturais e de lazer e ao mercado de trabalho compõem o leque das múltiplas desigualdades que afetam os jovens. O curso oferece um espaço de diálogo, aprofundamento e compromisso em torno a temas que mais preocupam a juventude: da violência ao extermínio de jovens negros; da disseminação das drogas ao desemprego juvenil; da baixa qualidade do ensino à desagregação familiar; da perda de sentido à crise ecológica. O curso refletira sobre os caminhos para se remover os obstáculos para o protagonismo juvenil na sociedade, nas igrejas e no estabelecimento de políticas públicas transformadoras. Para Maiores informações acesse o site:

www.ceseep.org.br

Os endereços eletrônicos abaixo indicados contêm riquíssimo material para estudos e pesquisas. Por certo, poderão contribuir muito para o aprendizado de todos nos mais diversos seguimentos. www.adital.org.br - Esta página oferece artigos/opiniões sobre movimentos sociais, política, igrejas e religiões, mulheres, direitos humanos dentre outros. O site oferece ainda uma edição diária especial voltada aos jovens. Ao se cadastrar você passa a receber as duas versões diárias.

www.amaivos.com.br - Um dos maiores portais com temas relacionados à cultura, religião e sociedade da internet na América Latina, em conteúdos, audiência e serviços on-line.

www.cebi.org.br - Centro de estudos bíblicos, ecumênico voltado para a área de formação abrangendo diversos seguimentos tais como: estudo bíblico, gênero, espiritualidade, cidadania, ecologia, intercâmbio e educação popular.

www.cnbb.org.br - Página oficial da CNBB disponibiliza notícias da Igreja no Brasil, além de documentos da Igreja e da própria Conferência.

www.ihu.unisinos.br - Mantido pelo Instituto Humanitas Unisinos o site aborda cinco grandes eixos orientadores de sua reflexão e ação, os quais constituem-se em referenciais inter e retro relacionados, capazes de facilitar a elaboração de atividades transdisciplinares: Ética, Trabalho, Sociedade Sustentável, Mulheres: sujeito sociocultural, e Teologia Pública.

www.jblibanio.com.br - Página oficial do Padre João Batista Libânio com todo material produzido por ele. www.mundomissao.com.br - Mantida pelo PIME aborda, sobretudo, questões relacionadas às missões em todo o mundo. www.religiondigital.com - Site espanhol abordando questões da Igreja em todo o mundo, além de tratar de questões sobre educação, religiosidade e formação humana.

www.cartamaior.com.br - Site com conteúdo amplo sobre arte e cultura, economia, política, internacional, movimentos sociais, educação e direitos humanos dentre outros.

www.nossasaopaulo.org.br - Página oficial da Rede Nossa São Paulo. Aborda questões de grande importância nas esferas políticoadministrativas dos municípios com destaque à cidade de São Paulo.

www.pastoralfp.com - Página oficial da Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de São Paulo. Pagina atualíssima, mantém informações diárias sobre as movimentações políticas-sociais em São Paulo e no Brasil.

www.vidapastoralfp.com - Disponibilizado ao público pela Paulus editora o site da revista Vida Pastoral torna acessível um vasto acervo de artigos da revista classificados por áreas temáticas. Excelente fonte de pesquisa.

www.paulus.com.br – A Paulus disponibiliza a Bíblia Sagrada edição Pastoral online/pdf. www.consciencia.net — Acervo Paulo Freire completo disponível neste endereço. www.news.va/pt - Pronunciamentos do Papa Francisco diretamente do Vaticano.


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