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BC NOTICIAS QUARTA-FEIRA, 30 DE NOVEMBRO DE 2016 Nº 04 (12) Páginas

"É campeão": chapecoenses enchem estádio para homenagear vítimas


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"É campeão": chapecoenses enchem estádio para homenagear vítimas

O clima de luto e emoção enche a cidade e o estádio da Chapecoense desde as primeiras horas desta terça-feira. Famil‐ iares de jogadores e torcedores - cerca de 10 mil pessoas - se misturaram em meio a homenagens, preces e também gritos de "é campeão", vindos das arquiban‐ cadas.

O estádio em Chapecó virou ponto de encontro da população de quase 200 mil habitantes no interior de Santa Catarina. Muitas lágrimas e rezas - com presença de um pastor - marcam o início da noite na arena do time catarinenses. No sis‐ tema de som, o locutor passa infor‐ mações ao público que fez caminhada até o estádio da Chapecoense - por ex‐

emplo, que equipe de médicos e dire‐ tores do clube estão a caminho de Medellín para a liberação de corpos.

Nas cadeiras do estádio, torcedores can‐ tam o nome de todos os jogadores faleci‐ dos. Os familiares de Gimenez, lateral que está entre os 71 mortos do avião, se abraçavam no meio do gramado antes da formação de um enorme círculo de ami‐ gos e de torcedores da Chapecoense.

vo, o país e o mundo aconteceu nesta madrugada de terça-feira. O avião que levava a delegação da Chapecoense, con‐ vidados e jornalistas para o primeiro jogo da inal da Sul-Americana perdeu sinal com a torre do aeroporto José María Córdova, em Medellín. A queda ocorreu por volta de 22h (horário local, por volta de 1h no horário de Brasília). Morreram 71 pessoas entre atletas, membros do departamento de futebol, diretoria, convidados, jornalistas e tripu‐ lação. Seis pessoas sobreviveram.

do Conselho Deliberativo da Chapecoense; - Gelson Merisio (PSD), presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catari‐ na (Alesc); - Ivan Carlos Agnoletto, jornalista da rádio Super Condá, de Chapecó. O nome dos passageiros do voo (com os seis sobreviventes): Imprensa: Victorino Chermont

Na noite desta quarta-feira, no horário do jogo, novamente centenas de torce‐ dores vão se reunir no estádio para fazer vigília no estádio da Chapecoense.A tragédia que comoveu o mundo esporti‐

Conira as informações completas, nome a nome, logo abaixo.- Luciano Buligon, prefeito de Chapecó (SC); - Plínio David de Nes Filho, presidente

Rodrigo Gonçalves Devair Paschoalon


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Lilacio Júnior

Serginho

Ximena Suarez (sobrevivente)

Paulo Julio Clement

Adriano

Alex Quispe

Mario Sergio Paiva

Cleberson Silva

Gustavo Encina

Guilherme Marques

Maurinho

Erwin Tumiri (sobrevivente)

Ari Júnior

Cadu

Angel Lugo

Guilherme Laars

Chinho di Domenico

Giovane Klein

Sandro Pallaoro

Bruno Silva

Cezinha

Djalma Neto

Giba

André Podiacki

Atletas:

Laion Espindula

Danilo

Rafael Henzel (sobrevivente)

Gimenez

Renan Agnolin

Bruno Rangel

Fernando Schardong

Marcelo

Edson Ebeliny

Lucas Gomes

Gelson Galiotto

Sergio Manoel

Douglas Dorneles

Felipe Machado

Jacir Biavatti

Matheus Biteco

Diretoria:

Cleber Santana

Nilson Folle Júnior

Alan Ruschel (sobrevivente)

Decio Burtet Filho

William hiego

Edir de Marco

Tiaguinho

Ricardo Porto

Neto (sobrevivente)

Mauro dal Bello

Josimar

Jandir Bordignon

Dener Assunção

Dávi Barela Dávi

Gil

Convidados da delegação:

Ananias

Delim Peixoto Filho

Kempes

Comissão técnica:

Follmann (sobrevivente)

Caio Júnior

Arthur Maia

Duca

Mateus Caramelo

Pipe Grohs

Aílton Canela

Anderson Paixão

Tripulação:

Anderson Martins

Miguel Quiroga

Dr. Marcio

Ovar Goytia

Gobbato

Sisy Arias

Cocada

Romel Vacalores


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CBF decreta luto de uma semana, e rodada inal do Brasileiro será no dia 11

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Por conta do trágico acidente aéreo com a delegação da Chapecoense, em Medel‐ lín, na Colômbia, a última rodada do Campeonato Brasileiro será adiada. A CBF decretou luto de sete dias no futebol brasileiro, e os jogos, que seriam realiza‐ dos no próximo domingo (4/12), aconte‐ cerão no dia 11 de dezembro. Antes, a CBF já havia adiado o segundo jogo da decisão da Copa do Brasil, entre Grêmio e Atlético-MG. A partida foi re‐ marcada para dia 7 de dezembro, às 21h45, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre. O acidente aéreo com a delegação da Chapecoense ocorreu nesta madrugada, no Cerro El Gordo, próximo ao aeropor‐ to internacional de Medellín, na Colôm‐ bia. Até o momento, 75 mortes foram conirmadas. A equipe catarinense viaja‐ va para jogar o primeiro jogo da decisão da Copa Sul-Americana, contra o Atléti‐ co Nacional Jogos da 38ª rodada Vitória x Palmeiras

Fluminense x Inter São Paulo x Santa Cruz Santos x América-MG Cruzeiro x Corinthians Grêmio x Botafogo Atlético-PR x Flamengo Chapecoense x Atlético-MG Ponte Preta x Coritiba Sport x Figueirense Nota da CBF na íntegra Em decorrência do trágico acidente ocor‐ rido com a delegação da Associação Chapecoense de Futebol, a Confederação Brasileira de Futebol, por meio de Res‐ olução de Diretoria, decreta luto oicial por sete dias e informa o adiamento de to‐ das as partidas previstas para o cal‐ endário do futebol brasileiro por este período: Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro da Série A e Copa do Brasil Sub-20. Diante disso, a Diretoria da CBF resolve: a) A partida de volta da decisão da Copa do Brasil, entre Grêmio e Atlético Mineiro, ocorrerá no dia 7 de dezembro, às


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21h45min. b) A rodada inal da Série A do Brasileirão será realizada no domingo, dia 11 de dezembro, às 17h. c) A inal da Copa do Brasil Sub-20, en‐ tre Bahia e São Paulo, será realizada no dia 8 de dezembro, às 21h15min

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- Relato sobre a experiência mais bizarra/assustadora que já tive: Sabe o avião que caiu? Quase foi o meu!!! Estou na Colômbia com uma amiga aprovei‐ tando nossas férias, depois de 3 dias em Bogotá seguiríamos para San Andrés. Nosso voo atrasou mas fomos mesmo assim, no meio do trajeto o piloto expli‐ ca que estávamos com problemas técni‐

em outra coisa e já estão tentando enten‐ der porque um avião pousou e outro não - escreveu Maysa.

tem o dobro d a c ap acid ade na tripulação.

No radar por satélite, é possível perceber que dois aviões voavam bem próximos no local da queda (veja no vídeo acima), e que o veículo que transportava a

Cirurgia é bem-sucedida, e zagueiro Neto tem situação estável O goleiro Jackson Follmann, de 24 anos, teve de amputar a perna direita do joelho para baixo. Na perna esquerda, ele tem sérios problemas musculares e vasculares. Já o lateral Alan Ruschel, primeiro a ser resgatado, passou por uma cirurgia na coluna. Sua situação é estável no momento. O narrador Rafael Henzel está com esta‐ do instável por causa de problemas no pulmão ocasionados pelas fraturas nas vértebras. Será preciso aguardar que a situação se estabilize para que ele possa operar.

cos, e pasmem também por gasolina. Ele alegou que estava vazando e por isso iríamos realizar uma parada emergencial no aeroporto José Maria Cordova, o mesmo aeroporto em que o time deveria pousar. Na hora icamos com medo mas não tínhamos ideia da gravidade, pousamos e icamos uns 45 minutos na aeronave. Os colombianos começaram a 3 guerra mundial, revoltados pois a posição que tivemos era que teríamos que voltar para Bogotá e só no outro dia iríamos para nosso destino inal. No meio de toda confusão icamos sabendo da queda do outro avião e veio o triste

Chapecoense deu duas voltas no ar es‐ perando autorização para aterrissar, a cerca de 7 km da pista do aeroporto José María Córdova. Outro fato que sustenta a versão é que não houve explosão na queda, o que indica a falta de combustív‐ el no tanque do veículo. Em entrevista à TV colombiana "Caracol", o presidente da Associação de Aviadores Civis da Colômbia, Jaime Alberto Sierra, explicou a suposição. - O que se sabe é que ele (piloto do avião da Chapecoense) pediu prioridade para aterrissar, mas havia um avião da "Viva

Brasileira que disse estar no outro voo revela: avião estava atrasado e voltou A nova versão das autoridades colom‐ bianas, de que a falta de combustível foi a causa do acidente aéreo que vitimou quase todo o elenco da Chapecoense na madrugada desta terça-feira, em Rione‐ gro, região de Antióquia, na Colômbia, ganhou amparo nas redes sociais. Em sua página no "Facebook", a brasileira Maysa Brito, moradora de Uberlândia, disse que estava no segundo avião, que voava de Bogotá para San Andrés quan‐ do relatou um vazamento de combustível. Como prova, fez check-in no início da tarde no aeroporto Eldorado, em Bogotá, e disse que passa férias no país. E, segunda ela, o seu voo, que teve prioridade para um pouso de emergência no aeroporto José María Córdova, em Medellín, estava atrasado e precisou voltar.

relato da policia do aeroporto. A policial informou que infelizmente eles não con‐ seguiram pousar pois já estávamos na prioridade de emergência, ou seja, já es‐ távamos pousando e então eles tinham que esperar o meu avião chegar ao solo... Nessa espera, eles perderam o contato com a torre e o avião caiu, ali, metros de onde estava... E se eles tivessem pousado primeiro? Talvez seria o nosso avião ro‐ dando no ar também sem gasolina! Foi um caos, ninguém sabe ao certo o que aconteceu, todo mundo com medo de pegar outro avião, criança chorando, pessoas gritando... Regressamos a Bo‐ gotá, pegamos um hotel e agora estamos no aeroporto novamente para enim chegarmos a San Andrés! Estou perplexa e extremamente agradecida, só nos resta aproveitarmos o resto dos nos dias nesse país maravilhoso, orar por essa triste fa‐ talidade e pelas famílias, os meus mais profundos sentimentos!! Aqui não se fala

Colombia" com pouco combustível e es‐ tava em emergência, portanto tinha pri‐ oridade em relação à emergência do avião que desapareceu. Lamentavel‐ mente, se não sei qual a emergência, não vai ter a prioridade que necessita. Então entramos na hipótese do que aconteceu e cremos que seja problema de falta de combustível - airmou. O avião boliviano da "Lamia", modelo Avro Regional Jet 85, tem capacidade para cerca de 90 pessoas e é utilizado para voos de média e curta distância. Ou seja, sem reservatório para grande quan‐ tidade de combustível - versões não con‐ irmadas dão conta que a distância de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, a Medellín, na Colômbia, era próxima do máximo de combustível que a aeronave suportava, sem deixar margens para erro. Enquanto o da empresa colombiana "Viva Colombia", modelo Airbus A-320,


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Piloto da Avianca revela diálogo dramático de voo da Chape com torre

Um piloto de um avião que viajava próx‐ imo ao voo da Chapecoense relatou ter ouvido a conversa entre a tripulação da aeronave acidentada e a torre de controle do aeroporto de Medellín. Segundo a imprensa colombiana - "Rádio Caracol" e o site "El Espectador", o funcionário da Aviaca narrou o diálogo. Inicialmente, segundo o piloto, a tripu‐ lação do voo da Lamia pediu prioridade de pouso do Aeroporto Rio Negro por conta de problemas de combustível. - Solicitamos prioridade para proceder, solicitamos prioridade para proceder ao localizador, temos problemas de com‐ bustível - teria dito o piloto da Lamia.

A controladora do aeroporto teria nega‐ do a permissão por conta de outro voo da VivaColômbia. Foi então que o co‐ mandante do voo da Chapecoense de‐ cretou emergência. Nas redes sociais,

Maysa Brito, de férias na Colômbia, rela‐ tou que seu avião também teve proble‐ mas na Colômbia. - Temos um problema. Temos um avião aterrissando de emergência. Não pode proceder - respondeu a controladora. Enquanto a controladora, segundo o pi‐ loto da Avinca, indicou que seu voo pousasse na pista 1, a tripulação do voo da Chapecoense conirmou a pane elétri‐ ca e decretou situação de emergência - Agora temos uma falha elétrica, temos uma total falha elétrica. Posteriormente a torre de controle perdeu o contato com o avião. 71 pes‐ soas morreram no voo que levava a Chapecoense para o primeiro jogo da decisão da Copa Sul-Americana, nesta quarta-feira, contra o Atlético Nacional, em Medellín. 6 sobreviveram.


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Identiicação de corpos avança, e familiares não devem ir à Colômbia

Os familiares das vítimas da queda do avião da Chapecoense pediram permis‐ são para identiicar os corpos de seus parentes no Brasil. Não foram atendidos pelas autoridades colombianas. Receber‐ am a informação de que teriam de ir a Medellín, local da queda da aeronave na madrugada desta terça-feira. Alguns de‐ les chegaram a rumar ao aeroporto de Chapecó, aguardando por orientações. Depois de idas e vindas, a última posição é a de aguardar. A identiicação dos mor‐ tos avança no país vizinho e eles devem ser trazidos ao Brasil em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB).

identiicados e não houve explosão. En‐ tão, a identiicação dos corpos é mais fá‐ cil. A expectativa é de que o trabalho seja concluído em tempo razoável. Há aviões da FAB esperando em Manaus para ir à Colômbia para poder trazer os corpos a Chapecó, onde haverá um velório coleti‐ vo. A informação do governo da Colôm‐ bia é que tudo está sendo feito rápido. Diria às famílias que o deslocamento de‐ las não será necessário. O que facilita em termos de logística e também em de‐ sconforto. Poderão aguardar aqui.

A CBF disponibilizou um avião para levar os familiares à Colômbia. A aeron‐ ave chegou à cidade catarinense na tarde desta terça. Enquanto alguns parentes iam ao Serain Enoss Bertaso, o se‐ cretário-geral da CBF, Walder Feldman, presente na Arena Condá, atualizou a situação:

Os parentes haviam feito o pedido de identiicar os corpos no Brasil. Para isto, iriam a São Paulo. Houve, porém, uma recusa de autoridades Colômbia. Uma equipe de médicos e advogados, da CBF e da Chapecoense, foi ao país vizinho para auxiliar no reconhecimento. Os governos do Brasil e da Colômbia estão em contato permanente para resolver a situação.

- Deverá ser um trabalho rápido tendo em vista que todos os passaportes foram

- Há acordo internacional para a identii‐ cação ser feita no país onde o fato acon‐

teceu. A estrutura da Colômbia permite uma identiicação correta. Portanto, não há necessidade de transferência ao IML de São Paulo como se chegou a imaginar - completou Walder Feldman. Os parentes dos sobreviventes, casos de Alan Ruschel, Jackson Follmann e Neto, irão para a Colômbia. Eles pretendem acompanhar a recuperação em Medellín. Familiares de jornalistas mortos, que moram em São Paulo e no Rio de Janeiro, também rumaram para o país vizinho. - Não sairá nenhum avião daqui de Chapecó com familiares. A documen‐ tação das vítimas foi toda identiicada. Os corpos não foram carbonizados. A sinalização que temos é que será feito de forma rápida - acrescentou Walter Feld‐ man. Familiares lamentam perdas O dia na Arena Condá foi de tristeza. Enquanto aguardavam informações, os

parentes das vítimas lamentaram as per‐ das. - Ele era iel às notícias, ele nunca fanta‐ siou nada. Eu não me sinto bem. O que me resta é trazer o corpo do meu ilho. Segundo o que nos passaram, tem um voo que vai para a Colômbia pois não vão liberar os corpos sem o reconheci‐ mento de um familiar - contou Luiz Car‐ los Agnolin, pai de Renan Agnolin, um dos jornalis‐ tas mortos na tragédia. - Ele me falou "até a volta", mas isso não vai acontecer. Nem dele e nem os demais vão voltar para seus familiares - disse Eliana, esposa do chefe de segurança da Chape, Adriano, outra vítima. Relembre o acidente A delegação da Chape saiu de Guarulhos para Bolívia em voo comercial com 77 pessoas a bordo. Após escala técnica, deixou Santa Cruz de La Sierra em di‐ reção a Medellín em voo fretado da


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companhia aérea venezuelana LaMia. Quando sobrevoava a região de An‐ tióquia, perdeu contato com o aeroporto, que conirmou o acidente. A causa teria sido uma pane elétrica. Ainda de acordo com a imprensa local, o piloto teria lib‐ erado combustível para evitar explosão após o pouso forçado. O local da queda do avião é de difícil acesso. Além disso, o mau tempo na região metropolitana de Medellín, além da baixa temperatura - 5º C durante a madrugada, atrapalhou ainda mais o res‐ gate. De acordo com informações fornecidas pelo aeroporto José Maria Córdova, a aeronave perdeu contato com a torre de controle às 21h33 locais (0h33 de Brasília) e caiu às 22h15 (01h15 de Brasília). O total de mortos é de 71. Ape‐

TV boliviana gravou com elenco da Chape antes da decolagem nas seis pessoas sobreviveram.

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Um vídeo feito pelo canal boliviano Gi‐ gavisión e publicado no YouTube pelo "Diário El Deber", gravado dentro do avião da Lamia, mostra todos os pas‐ sageiros se preparando para o embarque p a r a a C o l ô m b i a . Me m b r o s d a tripulação, da diretoria da Chapecoense e o técnico Caio Júnior concedem entre‐ vistas, falando da expectativa pela vi‐ agem e pela decisão da Copa Sul-Ameri‐ cana contra o Atlético Nacional, em Medellín.

O vídeo foi gravado em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, onde a delegação da Chapecoense fez escala, rumo à Colôm‐ bia. A viagem havia sido dividida em duas partes: na primeira, partindo do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, num voo de carreira, rumo a Santa Cruz de La Sierra, e a segunda no voo fretado da Lamia. - Estamos muito orgulhosos de represen‐ tar o Brasil e chegar nessa inal. Princi‐ palmente porque representamos uma equipe considerada média ou pequena no Brasil e isso nos fortalece e orgulha ainda mais - disse Caio Júnior, na entre‐ vista feita dentro do avião.

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boliviana, mesmo sendo uma equipe brasileira.

Ao longo da terça-feira, aos poucos a dor convivia com o alento ao próximo em Chapecó. Parentes e amigos se abraçan‐

O 29 de novembro que Chapecó não esquecerá: dor, união e reconstrução

gumas vezes os mais de 10 mil torce‐ dores repetindo o nome dele. A mãe não conseguia falar. A irmã, ainda incrédula, apenas dizia que ele era seu exemplo. Ao lado, parentes de membros da comissão técnica mortos se emocionavam. - Eles eram uma família para nós. Tinha um respeito mútuo entre torcida e jo‐ gador. Perdemos vários membros da nossa a família. Não tem taça, não tem campeonato. Nada que explique esse sentimento de perda - disse um torcedor que chegou cedo para colocar velas no local. Boa parte do comércio em Chapecó foi fechado e as aulas na rede pública foram suspensas. O im da tarde foi quando o maior número de torcedores chegou na região da Arena Condá. Quem guiou a homenagem no campo foi o pequeno mascote da equipe, o indiozinho Carlin‐ hos. Depois de dar uma volta pelo gra‐

O diretor de futebol da Chape, Mauro Stumpf, elogia a companhia aérea e diz esperar que o voo traga sorte para o time. - Um momento importante para a Chapecoense. A companhia, nós já tra‐ balhamos com eles no jogo de Barran‐ quilla, fomos muito bem atendidos. Ago‐ ra vai fazer esse novo trajeto conosco. A gente espera que nos deem sorte, como foi da primeira vez, que a gente consiga fazer um grande resultado e levar a de‐ cisão inal ao Brasil - disse Mauro Stumpf. O piloto Miguel Quiroga dá entrevista ainda do lado de fora da aeronave. - É uma satisfação para nós que eles ten‐ ham nos escolhido, com tantas empresas na América do Sul, estão voando justa‐ mente conosco. Acredito que a LaMia Corporations se caracteriza pelo serviço de primeira para todos os seus pas‐ sageiros. Acredito que somos a única empresa na Bolívia, ou na América do Sul, que pode colocar esses logotipos identiicando as pessoas que voam conosco, qualquer equipe ou qualquer empresa - airmou. A comissária Sisy Arias também elogiou a companhia. - LaMia como sempre transportando equipes de futebol, neste caso a Chapecoense, levando-os para a cidade de Medellín, e estamos prontos a darlhes o melhor serviço. É muito impor‐ tante saber que utilizam uma companhia

Era para ser uma semana de verde cinti‐ lante. A cor de Chapecó nunca chegou tão longe, nunca foi tão reluzente. De forma devastadora, uma tragédia sem precedentes na história do esporte colo‐ cou im ao sonho da equipe de maior as‐ censão atual do futebol brasileiro. Nas ruas da cidade catarinense que têm o clube como maior orgulho, o luto uniu. Juntos na Arena Condá - palco de tantas alegrias em 2016 -, uma população chorou junto. Lágrimas da família do jo‐ gador, dos funcionários, dos colegas dos jornalistas. Choramos todos no 29 de novembro que Chapecó jamais esque‐ cerá. - A gente tem que continuar, não tem outra escolha. Por eles que se foram, por quem icou. Vamos ter que reconstruir isso aqui com 25% das pessoas. Ficaram seis jogadores e quatro da comissão téc‐ nica. É muito difícil. Temos um preparador de goleiro, dois isioterapeu‐ tas e médico. Mas temos que recomeçar porque não temos outra opção - disse Vitor Hugo, analista do time.

do e, mais do que nunca, desconhecidos em demonstração de compaixão. Anôni‐ mos que juntos formaram uma só voz que ecoou tão forte quanto o grito de ''É Campeão'' vindo das arquibancadas da Arena Condá. Por trás das câmeras também havia pesar. Os jornalistas que ali estavam para relatar a tristeza dos outros, desta vez, tinham que digerir suas perdas mais próximas. Passaram pela Arena Condá alguns parentes dos 21 colegas da im‐ prensa que viajavam para a cobertura da inal da Copa Sul-Americana. - O que me resta é trazer o corpo do meu ilho embora - disse Luiz Carlos, pai do jornalista Renan Agnolin, da Rádio Oeste Capital. Palavras que arrancaram lágrimas de colegas mais próximos do ilho. 29 de novembro não podia colocar bar‐ reiras entre aquelas pessoas. Bem perto da grade que separa o gramado da ar‐ quibancada, os familiares do lateral Gimenez buscavam forças. Ouviram al‐

mado, como está acostumado em todos os jogos, pediu colo e chorou.

Poucos ali conseguiam falar. Coube aos dirigentes que não viajaram dar as re‐ spostas tão difíceis quanto necessárias. A angústia passou a ser sobre o reconheci‐ mento dos corpos. Famílias que foram até o aeroporto para tentar embarcar ou‐ viram das autoridades que haverá a lib‐ eração sem a necessidade da ida dos par‐ entes até a Colômbia. Ivan Tozzo virou porta-voz. O vice-presidente segurou a emoção o quanto pôde. No im da noite, era mais um que pedia descanso físico e mental. Enviar orações talvez fosse o melhor remédio. Houve missa na Catedral da cidade. Na Arena Condá, a voz de um pastor ecoou pelo sistema de som e pediu a todos que trocassem as músicas de apoio pelas preces. - Vivi de tudo aqui dentro, sem dinheiro, um clube pequeno. E com a luta de todos chegamos à Série A faz três anos. Hoje a


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gente tem um time fantástico, uma ale‐ gria de Chapecó. Alegria do Brasil, pois a maioria tinha isso com a Chapecoense disse Tozzo, bastante emocionado. O dia 29 de novembro se foi. Mas a chegada do dia 30 não será o suiciente para apagar feridas tão profundas como as que acometeram Chapecó, principal cidade do oeste catarinense. A previsão é de mais homenagens, chegadas de mais parentes e uma nova vigília no estádio. Chapecó amanhecerá unida pelas mar‐ cas profundas desse dia que ainda não terminou.

Imprensa em dor: tragédia no voo da Chape tira a vida de 20 jornalistas

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Enquanto noticia a tragédia que vitimou 71 pessoas no voo que levava a Chapecoense à Colômbia para o primeiro jogo da inal da Sul-Americana, a imprensa brasileira lida também com a dor pela perda de colegas. O acidente custou a vida de 20 proissionais de co‐ municação de diferentes veículos - entre eles, a Rede Globo (conira homenagem no vídeo acima).

O GloboEsporte.com despede-se de Laion Espíndula, 29 anos, o responsável pela cobertura diária da Chapecoense para o site. Laion é gaúcho, natural de Porto Alegre, onde trabalhou nos jornais O Sul e Correio do Povo. Em 2014, tro‐ cou um emprego ixo por uma vaga tem‐ porária para realizar um sonho: cobrir a Copa do Mundo. Acompanhou a seleção equatoriana em sua preparação em Vi‐ amão, região metropolitana da capital gaúcha. Logo depois, Laion se mudou para Chapecó, onde virou setorista da Chapecoense e passou a dar aulas de jor‐ nalismo digital. Cobriu o clube em al‐ guns de seus momentos mais marcantes - o duelo com o River Plate no ano pas‐ sado e a ida à inal da Sul-Americana deste ano. Estava em sua segunda vi‐ agem internacional a trabalho. Foi con‐ irmado na cobertura em cima da hora. Apaixonado pelo trabalho, sempre ani‐ mado e bem-humorado, icou eufórico com a notícia. Em um grupo de what‐ sapp com colegas de trabalho, celebrou a novidade.

O repórter Guilherme Marques, da TV Globo, era ainda mais jovem que Laion. Tinha 28 anos. Carioca, foi estagiário no GloboEsporte.com e produtor na TV Globo antes de passar a trabalhar na re‐ portagem. Este ano, realizou o sonho de participar ativamente de uma grande cobertura: os Jogos Olímpicos do Rio. Cobriu a conquista da medalha de ouro de Alisson e Bruno Schmidt no vôlei de praia.

Guilherme viajou acompanhado de um dos melhores repórteres cinematográi‐ cos do Brasil: Ari Júnior. Goiano, ele começou a carreira na TV Anhanguera, ailiada da TV Globo em Goiânia. Antes de se mudar para o Rio de Janeiro, tra‐ balhou em São Paulo. Fez parte da equipe do Planeta Extremo, programa i‐ nalista do Emmy.

Com eles, estava outro sinônimo de competência no jornalismo brasileiro: Guilherme van der Laars, produtor do Esporte Espetacular. Na Globo desde 2011, teve também experiências nos jor‐ nais Extra e Lance!. Destacou-se na real‐ ização da série "A Base", que mostrava as

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diiculdades do futebol brasileiro pósCopa de 2014.

A RBS TV de Santa Catarina, ailiada da Globo, também convive com a perda de colegas. O repórter Giovane Klein, 28 anos, vinha cobrindo a Chapecoense há pouco mais de um ano. Esteve colado ao clube na grande campanha da Sul-Amer‐ icana. Era o rosto que levava às TVs dos torcedores as notícias do clube em um ano tão especial. Giovane viajou acompanhado de um dos cinegraistas mais experientes da RBS TV. Djalma Araújo Neto tinha 35 anos. Ele deixa dois ilhos. Bruno Mauri da Silva, 25 anos, foi outro proissional de imprensa que perdeu a vida na tragédia. Ele era técnico de ex‐ ternas da emissora catarinense. O Diário Catarinense, principal jornal de Santa Catarina, também perdeu um de seus principais proissionais. O repórter André Podiack, 26 anos, não re‐ sistiu à tragédia.

O comentarista Mário Sérgio Pontes de Paiva, 66 anos, era conhecido pela bril‐ hante carreira como jogador e também pela atuação como treinador. Ele di‐ vidiria os comentários na partida com um dos jornalistas esportivos mais con‐ hecidos do Rio de Janeiro: Paulo Julio Clement, 51 anos, que trabalhou em veículos como Jornal do Brasil e O Globo.

Com eles, viajava o repórter Victorino Chermont, 43 anos. Ex-proissional do SporTV, ele era presença habitual nas principais coberturas da Fox, especial‐ mente em competições internacionais. Deva Pascovicci, 51 anos, narrador do canal, também deixou a vida na tragédia. Era uma voz muito conhecida do jornal‐ ismo esportivo brasileiro. Trabalhou no SporTV e na Rádio CBN. A emissora perdeu também o repórter cinematográico Rodrigo Santa Gonçalves, de 35 anos, e Lilacio Pereira Júnior, conhecido como Jumelo. Ele tin‐ ha 48 anos. Era coordenador de trans‐ missões externas. A tragédia também custou a vida de proissionais de imprensa do interior de Santa Catarina. Entre as vítimas, estão Renan Agnolin (27 anos, repórter da Rá‐ dio Oeste Capital), Fernando Doesse (narrador da Rádio Chapecó), Edson Ebeliny (setorista de Chapecoense na Rádio Super Condá), Gelson Galiotto (narrador da Rádio Super Condá), Dou‐ glas Dorneles (repórter da Rádio Chapecó) e Jacir Biavatti (comentarista

da RIC TV, mas que faria a cobertura pela Rádio Vang FM). Um jornalista está entre os seis sobre‐ viventes. Trata-se de Rafael Henzel, da Rádio Oeste Capital. Ele sofreu lesões vertebrais e passou por procedimento cirúrgico.

dele (Gelson), mas deixaram meu nome na lista. O Edson Picolé ia comigo e, no im, foi com o Gelson. O pessoal começou a ligar para meu celular, minha mulher atendeu. Então começaram a de‐ sejar pêsames e oferecer apoio a minha esposa, como se eu estivesse morto. Fui aos canais e soube que o avião havia caí‐ do - disse o jornalista.

Vice da Chape teve pressentimento e não viajou; veja outros ''sobreviventes'' A tragédia que se abateu com o avião que levava a Chapecoense a Medellín teve mais sobreviventes do que os seis passageiros encontrados com vida nos destroços do acidente. Pelo menos outras oito pessoas deixaram de embarcar por motivos distintos (quatro delas estavam na lista inicial de 81 passageiros). O vicepresidente do clube catarinense e agora presidente em exercício, Ivan Tozzo, teve um pressentimento e desistiu de acom‐ panhar a delegação. O mandatário San‐ dro Pallaoro foi um dos 71 mortos na tragédia.

- Eu estava na lista, mas não quis ir. Me deu um pressentimento e não quis ir. As pessoas me ligando... Que era para icar na história (acompanhando o time na i‐ nal), mas eu não fui. E aconteceu tudo isso. É difícil. Quando recebi a notícia não acreditei, pensei que estava sonhan‐ do - disse Ivan em entrevista coletiva.

- Eu estava escalado para o jogo, mas meu colega tinha esse desejo de fazer uma inal internacional. Quando falei para o Gelson Galiotto que ele ia, nem acreditou: "Sério? Eu vou mesmo?" Era o sonho dele - airmou ao G1. Ivan soube da queda do avião por volta da 1h30 da madrugada. Inicialmente, muitas pessoas pensaram que ele tam‐ bém estava no voo. Ainal, o nome con‐ stava na lista de passageiros. - Falei para tirar meu nome e colocar o


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FORÇA CHAPE

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