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Vida financeira aos 20, 30, 40 e depois dos 50 Programe sua vida para nรฃo passar perrengue no futuro

PERFIL A diretora do Discovery Brasil conta como ela chegou lรก aos 28 anos

PING-PONG O criador do site Enjoei dรก dicas de como transformar ideias em negรณcio

ORGANIZZE O aplicativo de celular que faz de tudo, inclusive colocar suas finanรงas em ordem.


pocket HighTec

O que? Aplicativo para controle de finanças. Aparelho: Celulares e tablets da Apple e PCs. Quanto: Gratuito (versão simples) e pago (valor varia de acordo com plano). O que faz: Divisão das finanças em categorias, limites de gastos, relatórios financeiros. Diferencial: Conexão com conta corrente e segurança dos dados garantida. Onde: http://organizze.com.br.

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Organizze: um app para cuidar do seu bolso

iPhone 5: vale importar?

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As lojas da Apple lotaram com os usuários que queriam comprar o novo iPhone 5. A nova versão do celular mais esperado do ano chegou à marca de cinco milhões de modelos vendidos, apenas no primeiro final de semana, batendo o número de vendas de um mês do modelo antecessor. Algumas das novidades técnicas, porém, podem limitar ou dificultar o acesso dos brasileiros que pretendem adquirir o iPhone 5 no exterior. É o caso do novo modelo de cartão Sim (chip das operadoras que contém o número do seu celular), que são menores do padrão encontrado no Brasil. A frequência 4G (quarta geração de telefonia móvel) também não se apresenta compatível no momento em nosso país.

Economês

O que é inflação? Em poucas palavras, é o aumento médio do preço de produtos e serviços. Mas como esse encarecimento ocorre? Vamos pensar que um quilo de tomate custe R$1 hoje. Então, por um problema climático, boa parte da safra é destruída e, no ano seguinte, faltam tomates no mercado. Com pouco produto e muita procura, o preço sobe para R$1,50. O valor subiu 50%, portanto há uma inflação de 50% em um ano. E não é apenas o frutom mas também todos os seus derivados, como molhos enlatados, que encarecem. A essa variação de preços, dá-se o nome de inflação.

Expediente UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO Faculdade de Comunicação Reitoria: Marcio de Morais. Direção da Faculdade de Comunicação: Paulo Rogério Tarsitano. Coordenação de Jornalismo: Rodolfo Carlos Martino. Professores orientadores: Jairo Marques e Jorge Tarquini. Equipe de redação: Bárbara Trevisan, Camila Bolivar, Fellipe Bonilha, Giovana Fioratti, Igor dos Santos, Jéssica Akico e Paulo Freire. Arte: Ivanir dos Santos Junior e Felipe Torres.


perfil Quando o sucesso chega antes dos 30 Astrid Vasconcellos ocupa o cargo de Diretora de um dos maiores canais da TV por assinatura. E só tem 28 anos. POR GIOVANA FIORATTI

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Quando se fala do cargo de diretor, a imagem que se constrói na cabeça é a de um homem de terno, entre 50 e 60 anos, com expressões sérias e cuja presença faz a gente prender a respiração por alguns segundos. Astrid Vasconcellos quebra totalmente esse estereótipo: cabelos morenos, olhos castanhos, unhas benfeitas e um toque singelo: o

charme feminino. Aos 28 anos, ela ocupa, nada mais, nada menos, que o cargo de Diretora de Comunicação e Marketing da Discovery Brasil. É formada em Relações Públicas pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e ingressou cedo no mercado de trabalho. Aos 16 anos, era funcionária em lojas de roupas, principalmente na época do Natal, como vendedora extra. Vivendo com os pais, iniciou a faculdade aos 18 anos, com o apoio financeiro dos avós. Devido à falta de experiência, ninguém queria contratá-la e mandar currículos para diversas empresas virou rotina. Logo no primeiro ano, porém, conseguiu um trabalho. O único problema é que não havia salário. Exatamente o contrário do sonho de Astrid que queria algum no começo do mês. O que ela não conseguia em dinheiro, desenvolvia e alimentava com experiência. Trabalhava meio período, cerca de quatro horas por dia, mas não deixou de lado a busca por um emprego remunerado. LVBA. Quatro letras guardadas com orgulho pela jovem diretora. Foi o primeiro emprego, desta vez, com salário. Na agência de Relações Públicas, Astrid come-

çou a crescer profissionalmente. A independência financeira era o seu objetivo e o diploma da faculdade, o aval para poder sair de casa e tomar conta da própria vida. Depois da LVBA Comunicações, esteve em outros empregos, até chegar àquele que seria o degrau para o cargo que ocupa hoje. A Discovery estava chegando ao Brasil e viu na recém-formada uma profissional de peso e com o perfil ideal para ser Gerente. Naquele momento, Astrid começara a comandar o departamento de Comunicação. Com competência e capacidade, em menos de cinco anos, subiu de patamar e recebeu a responsabilidade do departamento de Marketing, quando sentou na cadeira de Diretora de Comunicação e Marketing. Tudo aconteceu de maneira rápida; talvez até demais. Se pudesse voltar ao passado, tiraria um ano sabático. Um tempo para pensar o que realmente queria do futuro, para aprofundar-se em temas de interesse, para absorver mais do mundo. É, também, o conselho que ela deixa: “É importante ter um espaço de tempo para decidir o que se quer dar vida”. A pressão e o sentimento de não estar à altura do mercado de tra-


perfil tes e trabalhadores de diferentes idades. Estar num cargo de grande responsabilidade, antes dos 30 anos, não é o suficiente. “Bem sucedido é você acordar todos os dias e estar feliz consigo mesmo, e com a carreira

Bem sucedido é estar feliz consigo mesmo e com a carreira

que escolheu”, desabafa. A posição que ela ocupa pode ser o sonho da maioria da população, mas não o dela. Mesas arrumadas, cadeiras confortáveis, talheres milimetricamente organizados, copos e pratos impecáveis, fachada com presença. Bebidas escolhidas a dedo, refeições elaboradas com

os melhores ingredientes, toque único. Um restaurante é o sonho de Astrid. Ficar na cozinha não é bem a ideia. A administração que é seu objetivo. Mas por que não ir atrás desse sonho? Porque agora não é o momento. Para começar algo novo, é preciso deixar tudo em ordem e resolvido. Aproveitar uma fase de cada vez. Enquanto o momento de administração do restaurante não chega, ela aprecia o que conquistou. O dinheiro que conseguiu até hoje está dividido entre prazeres da vida e aplicações. “Cerca de 40% do meu salário está em ações, Previdência Privada e poupança, para um pé de meia do futuro. O restante, eu gasto”, sorri satisfeita a diretora. Não basta somente trabalhar e estudar. É preciso descansar a mente e o corpo, de vez em quando, numa balada, num dia no parque, numa tarde na rede, num jantar a dois, numa viagem. Sucesso é equilíbrio entre garra, esforço e felicidade.

DIVULGAÇÃO / ARTE FELIPE TORRES

balho também visitaram os pensamentos de Astrid e a vontade de desistir veio à tona algumas vezes ao longo da car reira. Mas isso apenas chacoalhou um pouco a vida. Esses momentos passaram a ser de reflexão, de reavaliação e de autocrítica. Dois aprendizados se estabeleceram: realizar tarefas com a certeza de que foi dado, pelo menos, 100% de si e nunca desistir quando se sentir incapaz. “Somente quando se sentir em paz”, ensina a jovem. Adorar é o verbo que ela utiliza para definir o que faz hoje. Porém, ainda falta alguma coisa. O trabalho consome mais tempo do que a família, o namorado, o cachorro e a própria Astrid. O equilíbrio entre eles é algo fundamental para sentir-se bem, por completo, e para ela não é diferente. A meta é ousada e quando ela descobrir como atingi-la seremos os primeiros a publicar a receita. Bem sucedida não é como ela se define, apesar de estar numa posição de dar inveja a muitos estudan-


capa

Programar-se desde a juventude é o segredo pra manter o bolso em ordem e o futuro garantido POR BÁRBARA TREVISAN, FELLIPE BONILHA, GIOVANA FIORATTI, IGOR DOS SANTOS E JÉSSICA AKICO / ARTE IVANIR DOS SANTOS JUNIOR

O que você quer ser quando crescer? Você já deve ter respondido essa pergunta diversas vezes, durante diferentes momentos da vida. Depois que você cresce e escolhe uma profissão, no entanto, a pergunta muda: Quanto você quer ter quando crescer? Para ter um carro antes dos 20, morar sozinho antes dos 30, ter uma casa própria até os 40 e viver confortavelmente depois dos 50 é preciso se organizar desde cedo. A disciplina financeira é a chave para ter o bolso sempre cheio. Para entender melhor as fases da vida e como alguém deve se organizar em cada década, o economista David Dantas e o consultor financeiro André Massaro traçaram um perfil de cada uma dessas idades e deram dicas de como economizar sem abrir mão de curtir a vida. O primeiro passo é conhecer seus gastos. Anote tudo o que comprar. Sabendo aonde seu dinheiro vai embora, fica mais fácil controlar a saída da bufunfa e pode até sobrar algum no fim do mês. “O planejamento financeiro tem que seguir a velha receita do orçamento doméstico, colocando no papel a renda, os gastos e estabelecer

um valor para ser guardado ou investido”, ensina Massaro. Então, é preciso aprender a guardar. Quanto antes você começar a formar patrimônio, melhor. “Não existe uma data certa, a regra é a seguinte: quanto mais cedo se começa, menos recursos são necessários para se atingir um objetivo”, diz Dantas. E uma boa dica para quem deseja chegar à velhice e se aposentar bem é iniciar um plano de previdência privada o quanto antes. A curto prazo, há outros tipos de investimento. A bolsa de valores, por exemplo, é um investimento de risco, mas que pode dar certo. Ter a própria empresa também é uma opção. Mas fique atento: “é importante lembrar que as taxas de juros brasileiras ainda são muito altas e, em cenários assim, investimentos de renda fixa, como Tesouro Direto e Créditos de Depósito Bancário (CDB) levam vantagem”, afirma Massaro. Na teoria, tudo dá certo. Mas às vezes na prática também. Para provar que dá, sim, pra organizar suas finanças, a Grana foi conversar com gente na faixa dos 20, 30, 40 e 50 anos que sabem cuidar da própria renda.


Sua carreira começa aos 20 anos. E se preocupar com o dinheiro, começa quando?

Economizar dinheiro. Duas palavras que podem não fazer sentido para muitos jovens adultos. O que acontece é que, para estudantes universitários ou recém-formados, o primeiro emprego traz a experiência do mundo adulto: a independência financeira. Ou o começo dela. E a regra é gastar, não guardar. “Essa é uma fase da vida onde não se costuma ter muitos objetivos, ou pelo menos não objetivos bem definidos”, diz o consultor financeiro André Massaro. “A maioria das pessoas nessa faixa etária tem como objetivo ‘curtir a vida’, mas deveriam também investir em sua educação, conhecimento e formação profissional”, explica o economista David Dantas. O salário de um estagiário pode não ser dos melhores, mas é, para a maioria, a única fonte de renda. E quando esse dinheiro que entra não é suficiente e os gastos se excedem? No final do mês não sobra nada para guardar em uma poupança.

GIOVANA FIORATTI

O universitário Willen Goulart visa ter um milhão de reais daqui 20 anos

O NEGÓCIO É COMEÇAR JÁ Quem aos 20 anos pensa em assegurar e investir num futuro financeiramente confortável? Na verdade, o Willen Goulart. O estudante de Ciência da Computação, de 22 anos, já está agindo e garantindo o volume do seu cofre forte. No momento, ele não tem renda fixa, está desempregado, mas aplica o dinheiro que conseguiu em dois anos de trabalho no que os economistas chamam de investimento de alto risco. Em parte, há empresas que podem até perder valor, mas acabam se mantendo equilibradas. A Ambev, Companhia de Bebibas das Américas, é uma delas. Independentemente da crise financeira, as pessoas não param de beber cerveja. Mesmo nas bolsas, tão voláteis, há um padrão de ascensão. Willen, porém, não começou de imediato a aplicar dinheiro na Bolsa de Valores. O investimento inicial começou simplesmente em separar uma parte do salário e colocá-lo na poupança. Todo mês, ele já sabia quanto precisava e tirava essa quantia. O restante tinha seu rumo certo para

a poupança. E se sobrasse alguma coisa daquela parte que ele havia separado para os gastos mensais, ele também colocava na poupança. Não demorou muito para que ele percebesse que o rendimento era baixo e seu objetivo não seria alcançado: “Quero ter um milhão de reais em 20 anos”, já decidiu o jovem estudante. A Bolsa começou a chamar a atenção do rapaz. Apesar de variações e incertezas, ele buscou livros e informações por conta própria para entender como funciona o mercado de ações. Foi aí que percebeu que fundo de investimentos é uma ótima sacada, tanto para obter um rendimento maior quanto para ter mais controle do porquinho que ele está engordando. E NO FUTURO? Quando perguntado como se imagina financeiramente daqui dez anos, Willen para alguns segundos, olha para o nada e escolhe as palavras certas: “Eu já estou com um orçamento financeiro confortável. Se eu manter essa linha, o que eu ganhei nesses meses, vai ser excelente.” E o que Willen vai fazer com a bolada? A lista de desejos de consumos é extensa, mas ele prioriza as necessidades, pensando no futuro. Agora ele não precisa de carro, vai e volta a pé da faculdade; nem manter uma casa, se alimenta no restaurante da universidade que custa em média R$2. Os sonhos, a cada ano, se multiplicam e ficam mais próximos de ser realizados. Por que não economizar nesta fase? Vale mesmo a pena gastar o salário inteiro em noitadas, bares, roupas e acessórios? Para o rapaz, ações de baixo risco são “a” dica para começar com quase 100% de garantia de lucro e uma maneira de treinar o coração para aplicações com mais adrenalina. Poupança, CDB e Tesouro Direto são alguns exemplos de onde investir e manter certa estabilidade. Ser informado, controlado e começar devagar são as dicas que o estudante de Ciências da Computação deixa para você. E dá mostras do sucesso: “Sou consumista e não tenho cartão de crédito”, prega.


TUDO EM FAMÍLIA A tática de fazer planejamentos financeiros veio de casa. O pai dele, Laerte Orefice de Camargo, trabalhou durante 40 anos como consultor financeiro de uma grande montadora do ABC. “Nunca ostentamos”, ensina. “Meu pai é um exemplo de que guardar é a melhor forma de pensar no futuro”. Tudo isso permite que ele planeja se aposentar daqui a uns 30 anos, mas sem parar de trabalhar. “Não tanto pelo dinheiro, mas por gostar de voar.” Uma dica para a “plantação crescer” mais rápido é fazer investimentos com o dinheiro poupado. Hoje, Lucas fica fora de casa 20 dias seguidos, voa uma média de 65 horas por mês e tem oito folgas. Ele investe em torno de 80% de seu salário. “Aplico em investimentos da bolsa de valores, tenho dois planos de previdência privada, uma particular e outra empresarial, e meu pai indica em que mais devo colocar di

ARQUIVO PESSOAL

Se existe uma fase em que devemos dar todo o gás na vida profissional, essa é a dos 30 anos. Já se foram a primeira graduação e os acertos (também os erros) iniciais no mercado de trabalho. Esse é o tempo de aproveitar que a terra já foi adubada, plantar todas as sementes possíveis para, no futuro, colher os frutos. Recém-chegado à casa dos 30, Lucas Gaubeur de Camargo é piloto de avião de uma grande companhia aérea há pouco mais de um ano. Ainda na faculdade de aviação civil, ele não perdeu tempo e arrumou o primeiro estágio como atendente de aviões executivos no Aeroporto de Congonhas. “Recebia os passageiros, cuidava da limpeza da aeronave, hangaragem, plano de voo e tudo mais que era pedido”, lembra. Com a oportunidade de ter os custos da formação profissional pagos pelos pais, Lucas aprendeu cedo a guardar uma parte do salário. “Nunca coloquei a mão no bolso, em questão de educação. Então, conseguia poupar uma parte do meu salário, apesar de ele ser bem baixo.”

nheiro.” Como ele vive com apenas 20% do que ganha? Morar com os pais é parte da resposta. Lucas consegue pagar todas as despesas pessoais, como conta de celular e roupas. “Não sou de gastar muito, mas aprecio coisas boas e não passo vontade”, ele confessa que também gosta de ir a bons restaurantes com a namorada e aproveita o descanso de um voo e outro para conhecer a culinária da região. O plano de sair da casa dos pais e começar a arcar com as despesas de uma casa própria não está muito longe, mas nem tão perto assim. Apesar de já ter condições de se mudar, Lucas diz que prefere esperar mais um pouco. “Acho melhor comprar um espaço meu quando eu realmente for sair de casa para viver com mais alguém.” Dessa forma, consegue juntar mais dinheiro e, caso seja necessário, fazer um financiamento menor. Mesmo tendo um pai consultor financeiro e sabendo de todos os riscos que corre, Lucas procura sempre comprar no cartão de crédito. Ele garante que nunca perdeu o controle e que não realiza grandes parcelamentos. Mas até com a grande peste de qualquer plantação, o jovem piloto sabe fazer um bom uso. “Cartão é bom porque dá para juntar milhas para viajar.”

O piloto de avião Lucas Gaubeur de Camargo investe na Bolsa de Valores 80% do que ganha

Esse é o momento de fazer a vida profissional deslanchar e começar a alcançar os sonhos


Aos 40 o objetivo é ter uma vida estável e as finanças em ordem para não afundar em dívidas

Ao chegarmos aos 40, já passamos por muitas situações não planejadas e algumas custosas. Como aquele réveillon acampado na areia da praia porque faltou o dinheiro do hotel; as economias insuficientes para comprar a aliança do noivado; a chegada do primeiro filho (e das contas a pagar); ou até mesmo o prejuízo emocional e financeiro de um divórcio. Essas experiências, além de gerar boas (ou más) histórias, nos fazem crescer como pessoas e a ter mais cuidado para dar os próximos passos. E é mais ou menos por aí que caminha a vida do empresário Charles Ruiz.

IGOR DOS SANTOS

Muitos empregos passaram pela vida de Charles Ruiz, mas foi como comerciante que ele deslanchou

SORTE OU REVÉS? Aos 49 anos e dono de três franquias da rede Cacau Show, Charles tem hoje uma vida confortável e estável. Mas nem sempre foi assim. Pode-se dizer que foi sorte, palavra que ele define como: “força de vontade, oportunidade e capacidade”. E ainda profetiza: “Se não tiver os três, não adianta: você não terá sorte na vida.” O espírito empreendedor de Charles começou cedo. Ainda criança, ele ajudava a mãe no carrinho de cachorro-quente e doces que a família mantinha no calçadão de Santo André. Depois vieram os empregos de vendedor de artigos esportivos e funcionário de uma agência bancária. Quando foi despedido do banco, teve um momento de introspecção. “Fiquei 30 dias refletindo o que fazer da vida”, lembra. Após o período sabático e depois de ter pensado até em fazer um curso de cabeleireiro, aos 24 anos, fez um investimento de risco que mudou a sua vida. “Coloquei o meu carro à venda. Era um Passat ano 79. Em menos de uma hora com a placa, já estava vendido.” Iniciava, assim, seu negócio de compra e venda de automóveis, ao adquirir duas Brasílias. Depois de três anos negociando carros em feiras e também em consignação na loja de um amigo (que viria a ser seu funcionário anos depois), Charles conseguiu comprar a primeira loja própria. Sem nenhum

curso de especialização e apenas com o ensino médio, ele vendia até 70 automóveis por mês. Nesse meio tempo, vieram o primeiro casamento e o nascimento de dois filhos, Camila e Diego. Junto com a nova rotina, outras despesas. Aos 29 anos, saiu do aluguel ao comprar uma casa em construção. “Fiquei dormindo na sala até tudo se arrumar”, se orgulha Charles que sempre foi bem controlado. “Sou bem pé no chão. Cartão de crédito só fui ter depois dos 40 anos.” INVESTIMENTO DE SUCESSO Em 2003, uma reportagem de TV sobre franquias o inspirou. Recém-divorciado e estafado de vender carros, Charles decidiu adquirir uma franquia da Cacau Show, que naquele momento começava a crescer. “Comprei um ponto no shopping de Mauá e convenci o pessoal da Cacau Show que lá era um bom lugar.” Depois de muita insistência, em 2004, ele abriu a loja de número 80 de uma empresa que, hoje, conta com mais de 1250 pontos de venda por todo o país. Para abrir suas outras duas lojas, em 2005 e 2008, foi um passo. Hoje, além de manter as franquias, Charles investe em outras áreas, como o setor de imóveis. “Sei onde tenho que caminhar, o que devo fazer”, sentencia, apoiado na experiência trazida pela idade. “Você não começa com 1.000 funcionários. Todo o dinheiro que eu tenho, invisto. Tenho que fazer com que esse montante dê um retorno.” Charles diz que não pretende aumentar o patrimônio, só quer manter o que conquistou. “Por isso que eu compro e vendo apartamentos, invisto em imóveis e fico de olho em novas franquias.” Ele não acredita que exista um único caminho para o sucesso profissional. Além da sorte, é preciso estar antenado nos acontecimentos econômicos e arriscar. “Até os 70 anos, eu vou continuar procurando novos lugares para aplicar o meu capital.” Charles termina a entrevista com um ar de satisfação ao contar a sua trajetória. “Passei vergonha por ser o doceiro de Santo


CHEFE, HUMILDE E ESFORÇADO Dos seis empregos que teve, Natanael foi chefe em cinco deles, mas mostra que para ter sucesso profissional é necessário esforço. De todos os funcionários contratados no Metrô de São Paulo na época Mario Covas, foi o único funcionário que restou e hoje é responsável por 120 subordinados. Vindo do interior de Sergipe para São Paulo, com o objetivo de conseguir boas oportunidades de trabalho e para terminar os estudos, ele explica que não foi fácil conquistar tudo que tem hoje. “Não foi sorte, é uma questão de ser esforçado, por não ter uma herança, e por ser sozinho em São Paulo, sempre lutei e me esforcei para conquistar o que eu queria.“ Desde que se casaram, o Natanael e sua esposa Luiza decidiram investir em uma casa e na organização financeira antes de planejar um filho. Portanto, quando a primeira filha nasceu, eles já tinham casa e carro na garagem. Com o crescimento profissional do casal, eles resolveram poupar dinheiro em vez de gastar mais por estar recebendo melhor. “Para crescer dentro da profissão

é preciso empenho e vestir a camisa da empresa”, aconselha a aposentada Luiza Benício. Durante as conquistas do casal, sua segunda filha nasceu, e eles tinham uma condição ainda melhor para oferecer ao novo membro da família. Isso foi possível graças ao perfil do casal, que prefere guardar dinheiro em vez de ser consumista. “Nós gostamos de ir a bons restaurantes e frequentar bons lugares, mas não é sempre que saímos para comer fora, nós saímos em alguns finais de semana, ou em momentos especiais apenas”, justifica Natanael. Toda vez que um deles mudava de emprego e recebia os impostos que eram de direito, eles resolviam investir em algo novo. Foi assim que compraram um terreno e iniciaram a construção de sua chácara no interior de São Paulo. O mesmo foi feito depois de alguns anos, quando o casal vendeu seu sobrado, e juntamente com o dinheiro de FGTS, comprou o apartamento atual. FUTURO GARANTIDO Natanael também se preocupou em fazer um plano de previdência privada, para não passar dificuldades após a aposentadoria. O chefe de recursos humanos optou por fazer uma pensão infinita, que existia na época, na qual o aposentado recebe um valor fixo todo mês até o final de sua vida, em vez de sacar todo o dinheiro quando se aposentasse. Para ele, não é preciso ostentação. “Eu poderia comprar um carro mais caro, mas não preciso mostrar status. O que tenho é mais que suficiente para suprir as necessidades da minha família”, diz Natanael. “Talvez, depois que eu me aposentar, vou procurar ter um carro que eu gosto”. Depois de toda a luta, o casal conseguiu comprar um apartamento para eles e um para sua filha mais velha, construir uma chácara e comprar um carro para cada membro da família. Eles mostraram que é possível manter uma vida boa até o final, se esforçando e poupando dinheiro.

FELLIPE BONILHA

Chega um momento na vida em que é hora de se aposentar e descansar. No Brasil, essa época chega após 35 anos de trabalho ou depois dos 65 anos de idade. Em qualquer um dos casos, é preciso planejamento e organização para não ser obrigado a piorar seu estilo de vida por falta de dinheiro. O chefe de recursos humanos, Natanael Benício dos Santos, 63 anos, explica que para ter um futuro tranquilo é necessário poupar e não gastar com muito luxo. “O sujeito pode ganhar rios de dinheiros. Se for muito consumista não junta e não conquista nada”, sentencia. Ele e sua esposa, Luiza Benício dos Santos, de 62 anos, lutaram durante suas carreiras para dar uma boa vida para suas duas filhas e ter estabilidade no futuro.

Natanael e Luiza Benício sempre se preocuparam em programar as finanças pra não ter dificuldades

A aposentadoria se aproxima. É hora de colher os frutos do planejamento feito na juventude


ping-pong Enjoou? Vende!

Como Tie Lima transformou uma ideia num famoso site de venda de usados POR CAMILA BOLIVAR / FOTO DIVULGAÇÃO

T

ie Lima, junto com sua esposa, Ana Luiza, criou há três anos um blog de venda de produtos usados. Tudo começou quando o casal decidiu morar junto e Ana Luiza precisou se desfazer de alguns pertences para liberar espaço no armário. Assim começou o blog Enjoei, que em 2012 se tornou um site e já está conquistando muitos internautas que anunciam o que quiserem vender, pagando uma comissão de 20% + R$2,50 em cima do valor do produto.

informal.Assim fica mais divertido comprar. Como se deu o crescimento do blog para a transformação em site? A ideia era boa e teve uma aceitação incrível do público. Acho que o estopim foi quando percebemos que, além de comprar, as pessoas também queriam vender no nosso site. Depois disso, foi só ter apoio financeiro mesmo para deslanchar.

gran“Um de negó-

Quando você e Ana Luiza resolveram criar o Enjoei, você já imaginava transformar essa ideia em um grande negócio? Sempre tive um espírito empreendedor, mas nunca soube muito bem o que poderia fazer. A Ana era mais ligada em sites de vendas e, como comprava coisas demais, tivemos essa idéia juntos para desentulhar nossa casa. No começo foi mais uma brincadeira, uma tentativa de solucionar nosso problema. Eu até acreditava que o blog poderia dar certo, mas nunca imaginei que conseguiríamos um patrocínio e teríamos um site de verdade.

cio nasce de uma boa ideia e do valor que você dá a ela

O público jovem é o mais atraído pelo Enjoei? O pessoal mais novo é mais esperado quando se fala em compras online, mas queríamos fazer uma coisa diferente. Eu queria um site que não tivesse uma cara comum, que faz você se sentir em um supermercado. O enjoei tem que passar a impressão de que tudo ali é único, por isso foi escolhida uma linguagem

O site é uma fonte de renda estável? Nunca podemos pensar que esse tipo de empreendedorismo é estável. De repente as pessoas podem não se interessar mais ou pode surgir algo muito melhor. Não criei o blog pensando em lucro, acho que por isso que ele veio sem que eu percebesse.

Você acredita que o futuro da economia está na venda pela internet? Sem dúvida. A internet tem a facilidade e acessibilidade que alguém possa querer. Além disso, já é possível sentir a mesma identificação com o produto, o mesmo “atendimento” como se estivesse em uma loja física. Essa inclusive é a ideia do Enjoei.

Uma dica para os jovens empreendedores: Como criar um grande negócio? Não sei se há uma receita para isso, mas comigo foi tudo muito sem querer. Acho que um grande negócio nasce de uma boa ideia, do valor que você dá a ela e


Revista Grana