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13 vezes cidade


A apropriação de elementos implícitos e explícitos do espaço urbano evidencia a influência que o ambiente exerce sobre o corpo, proporcionando um envolvimento que acontece tanto de maneira assimilativa, quanto explorativa.

13 vezes cidade

A investigação e entendimentos de lugares admitem a criação de universos ilusórios e íntimos, permitindo o desenvolvimento de componentes subjetivos, mas também particulares e únicos. O estudo de objetos despercebidos da arquitetura promove uma ressignificação e uma nova leitura diante do espaço.

Neste espaço, as obras existem como vestígios. Obviamente nenhum trabalho de arte sai ileso ao seu criador, porém as obras que compõe esta mostra não saem ilesas ao seu meio, o espaço que o artista habita, cidade, dentro do ambiente urbano, seja ele sua terra natal ou território estrangeiro. Aqui a obra não está alheia ao entorno, o deslocamento possui visão poética, a cidade está impregnada pela sujeira, pelos ruídos visuais e por elementos que estão ao nosso dispor, a serem visualizados quando bem quisermos, mas que de tão corriqueiros, passam sem novidade aos nossos olhos, e quando extraídos e resinificados se tornam estranhos.


Durante essa viagem, a imagem poderia definir-se, destacar-se do conjunto. Ela poderia ter existido, uma fotografia poderia ter sido tirada, como outra, em outro lugar, em outras circunstâncias. Mas não o foi. O motivo era muito insignificante para isso. Quem teria essa ideia? A fotografia só seria tirada se fosse possível prever a importância desse acontecimento em minha vida, aquela travessia do rio. Ora, no momento em que aconteceu, mesmo sua existência era completamente ignorada. Só Deus sabia. Por isso essa imagem, e nem podia ser de outro modo, não existe. Foi omitida. Foi esquecida. Não foi destacada, não foi registrada. A esse fato de não ter existido ela deve sua virtude, a de representar um absoluto, de ser seu próprio autor. Marguerite Duras - O Amante Artigo I. Espécie de coisas atáveis por vínculo.

Acerca de Deus- ou natureza universal, ou bem universal ou belo absoluto-, que é o centro do macrocosmo, quatro são as realidades em movimento, dispostas de tal modo que não podem, a menos que queiram ser aniquiladas, afastar-se de seu centro ou aboli-lo, da mesma forma que uma circunferência não pode abolir seu próprio centro. Quatro realidades, digo, que se movem em círculo ao redor do próprio vínculo que as prende, dispostas de tal modo que consistam eternamente em uma mesma ordem. São, segundo os platônicos, a mente, a alma, a natureza e a matéria; a mente, por si estável; a alma, por si móvel; a natureza, em parte estável e em parte móvel; a matéria, totalmente móvel e totalmente estável. Giordano Bruno- Os Vínculos


fotografia: Anna Leite Bigão

RUANA NEGRI

Em sua série feita com fuligem, Ruana afasta-se do tema usual de seus trabalhos para a criação de retratos, sem perder o rigor nos detalhes de sua produção. O material utilizado é de intrínseca relação com o meio urbano, onde podemos nos questionar do papel do indivíduo na cidade. Estão em exibição 5 produções de duas séries que a artista realizou, sendo uma de autorretrato, e outra de retratos.


Ruana Negri Série "Autorretrato". II 2012 Fuligem sobre papel. 14 x 21cm Ruana Negri Série "Retratos". Geraldo I. 2012 Fuligem sobre papel. 14 x 21cm Ruana Negri Série "Retratos". Geraldo II. 2012 Fuligem sobre papel. 14 x 21cm Ruana Negri Série "Retratos". Geraldo III. 2012 Fuligem sobre papel. 14 x 21cm Ruana Negri Série "Retratos". Geraldo IV. 2012 Fuligem sobre papel. 14 x 21cm


SIMONE M AV E R A série Entremeios, da artista Simone Maver evidencia a influência do meio na expressão intima da artista. A experiência real com o ambiente urbano configura-se como composição gráfica. A expressão do gesto adere a materialidade da placa ou dos instrumentos de gravação.

fotografia: Anna Leite Bigão


SIMONE MAVER, Entremeios Triptíco gravura em metal, pseca e corrosão ponta química. Papel Hahnemühle 350 g: 185 x 110cm, Mancha gráfica: 165 x 90 cm, (Provas únicas), 2012.


LUCAS RIBEIRO A cidade, tema sempre presente nos estudos do artista, foi a abordagem escolhida para realização da obra. O trabalho Cadernos Poéticos: Mapeamentos Imaginários consiste em dois livros de artista compostos com gravuras construídas a partir de desenhos de observação realizados durante um voo noturno entre as cidades de Ezeiza e São Paulo, evidenciando uma relação entre labirinto e cidade.

fotografia: Anna Leite Bigão


fotografia: Anna Leite Big達o


DETALHE


Lucas Ribeiro Cadernos Poéticos: Mapeamentos Imaginários, 2012 Calcogravura Livro de artista impresso sobre papel Hahnemühle Dimensão do livro de artista: 28x21x2cm (aproximadamente) Suite composta por duas composições impressas sobre papel Hahnemühle Dimensão da composição 78x106 cm (cada). DETALHE


M AT H E U S Z AT I

Nesta exposição, o trabalho Epikentros não está alheio ao entorno, e propõe uma nova leitura de nossa relação com a cidade. Passamos a ver e perceber objetos (os exaustores) rotineiros com um novo ângulo e, portanto, com uma observação deslocada e ressignificada desta mesma urbanidade.


fotografia: Anna Leite Big達o


Matheus Zati Epikentros 1. Tridimensional de 1,0 x 0,80 x 0,80m. Matheus Zati Epikentros 2. Tridimensional de 1,0 x 0,80 x 0,80m.


RAPHAEL ESCOBAR O trabalho Fóssil, feito pelo artista Raphael Escobar discute questões como obsolescência e progresso por meio da apropriação de elementos do espaço público de cidades grandes. Ao refazer em cimento um antigo orelhão, e recolocá-lo no espaço público, o artista retira deste objeto a sua função primordial, o ressignificando. O que anteriormente estabelecia comunicação entre pessoas em diferentes pontos, agora registra as modificações que o progresso das cidades ocasiona no espaço público.

fotografia: Anna Leite Bigão


fotografia: Anna Leite Big茫o

Raphael Escobar F贸ssil Objeto em cimento. 2011


fotografia: Anna Leite Big達o


13 vezes cidade


Fotografias: Anna Leite Bigão Textos: Itze gonzález Coordenador Montagem: Cadu Gonçalves Design e expografia: Igor Brasa Curadoria: Alunos dos 6º semestre do bacharel em artes visuais do centro universitário Belas artes são paulo, sob coordenação do prof. Cauê alves.



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