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A água é o sangue da Terra!


(Luiz Vicentini)

ÁGUA - O SANGUE DA TERRA

Água – o sangue da terra. A água é o sangue da terra. Toda água é o sangue da terra. A água é o sangue da terra. Água pra matar a sede, Água pra gerar a vida, Água em abundância pra regar as flores. Água pra salvar o verde, Água pra curar ferida, Água em harmonia com todas as cores. Água pra mover moinhos, Água para amenizar as dores. Água pra novos caminhos, Água para um futuro sem temores. Água – o sangue da terra. A água é o sangue da terra. Toda água é o sangue da terra. A água é o sangue da terra. Oceano sem fronteira, Olho d’agua vem descendo a serra (pra seguir sempre adiante). Rio, riacho, cachoeira, É sangue que corre nas veias da terra (essa terra fascinante). Água pura, cristalina, Que toda forma de vida bebe. Um milagre, com certeza, Que só a mãe natureza consegue. Se cada um de nós ouvir a voz do coração, Sempre haverá, cada vez mais, novos horizontes. O futuro do planeta e de toda geração, Está nas mãos de todos nós: Gigantes. Baixe a música em: http://www.ferver.com.br/gigantes/agua.zip

Água. A natureza não nos deixou este recurso como herança, mas, sim, como um empréstimo aos nossos sucessores. Além de quantidade, precisamos também de qualidade. Use a água de forma consciente, sem poluição e sem desperdício. Fazer isso não é apenas salvar a nossa vida, é garantir a vida do planeta. Agora e daqui pra frente.

Terra e água fazem vida.

A água, essencial para a vida, está cada vez mais escassa. O uso errôneo e irresponsável deste recurso vem transformando o planeta. Não deixe a Terra pedir por água, afinal, ninguém precisa pedir seu próprio sangue.


IO SUMÁR PREFÁCIO 6 - Água, o Sangue da Terra, pelo Prof. Dr. Mario Christian Meyer

PROGRESSO E O MEIO AMBIENTE 74 - Porto de Itajaí, exemplo de progresso, faz a sua parte na preservação do meio ambiente

SITUAÇÃO DA ÁGUA NO BRASIL 10 - Sobrevivência das gerações futuras depende da preservação da água 14 - O Brasil está dividido em 12 principais regiões hidrográficas 18 - Cobrar hoje para ter um futuro com água

SAIBA MAIS SOBRE A ÁGUA 76 - O que é um ciclo hidrológico? 77 - Dicas para encontrar vazamentos

PASSIVO AMBIENTAL 20 - Passivo ambiental do país supera R$ 15 bilhões 22 - Águas subterrâneas estão sendo degradadas 24 - Tratar a água é necessário para o desenvolvimento sustentável 28 - As indústrias colaboram ao implantarem estações de tratamento de efluentes 30 - Água potável representa saúde FORMAS DE PRESERVAR E INCENTIVAR USO RACIONAL DA ÁGUA 32 - São Paulo é pioneira na cobrança de água 34 - Legislação específica tem por objetivo o uso racional da água 38 - Decálogo da água SANEAMENTO BÁSICO É SAÚDE 44 - Água potável significa saúde para a população 48 - Esgoto tratado é prevenção 50 - Falta de saneamento é a preocupação de todas as cidades, independente do tamanho 53 - Blumenau investe para ter 25% de esgoto tratado DESASTRES NATURAIS SÃO UMA REAÇÃO DA NATUREZA 54 - Desastres naturais são reflexos da ação impensada do homem 56 - Enchentes e inundações assolaram parte de Santa Catarina em 2008 58 - Áreas de Preservação evitam a degradação RECURSOS HÍDRICOS ESTÃO POLUÍDOS E NECESSITAM URGENTE DE PROJETOS DE DESPOLUIÇÃO 60 - Os recursos hídricos precisam ser despoluídos 62 - Mais de US$ 2,5 bilhões estão sendo investidos no Rio Tietê 63 - Mananciais catarinenses também pedem socorro

CONCLUSÃO 78 - Para termos um futuro com água é necessário tomar medidas urgentes PRÊMIO GIGANTES DA ECOLOGIA 80 - Conheça o prêmio Gigantes da Ecologia 82 - Conheça as personalidades que escolheram os melhores projetos ambientais 84 - Projeto Água e Cidade quer o envolvimento da sociedade 86 - ONG baiana tem por objetivo promover o desenvolvimento sustentável 88 - Índios estão reaprendendo a cuidar dos recursos naturais 90 - Projeto Aldeias tem por objetivo a sustentabilidade dos índios na floresta 92 - Iniciativa Água e Clima: novos desafios, novas propostas 94 - Associação Guardiã da Água dissemina informações através de uma rede de comunicação 96 - Programa Água das Florestas Tropicais Brasileiras 98 - Amigo da Água trabalha a educação ambiental 100 - Projeto Água busca a conscientização da sociedade 102 - Projeto Ikatu Xingu tem por objetivo desenvolver ações de preservação do rio Xingu Tributo gigantes da ecologia 2009 104 - Antônio Carlos Mendes Thame HOMENAGENS ESPECIAIS 108 - Sir Peter Blake 110 - Lauro Vianna 112 - Rogério Iório 114 - Antonio Carlos Matarazzo 116 - Carlos Renato Fernandes EMBAIXADORES DA ÁGUA DO PLANETA 118 - Quem defende o Meio Ambiente protege a sua vida e a dos seus descendentes

SITUAÇÃO DA ÁGUA NO CONTEXTO MUNDIAL 65 - A terra poderia ser chamada Planeta-Água 67 - Água pode se tornar elemento de disputa entre países 68 - O bem mais valioso do mundo está ameaçado de extinção 70 - Quando é considerado que o país tem pouca água? 71 - No futuro poderemos ter recessão de água em algumas regiões

PRESIDENTE DO INSTITUTO GIGANTES DA ECOLOGIA 124 - Gustavo Siqueira

COMPRAR ÁGUA? 72 - Cidade australiana proíbe consumo de água em garrafa plástica

130 - PARCEIROS SUSTENTÁVEIS 134 - BIBLIOGRAFIA

GIGANTES DA ECOLOGIA 2010 126 - O desafio de reduzir a emissão de CO2 128 - Economia de baixo carbono

GIGANTES DA ECOLOGIA - A ÁGUA É O SANGUE DA TERRA

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IO PREFÁC

E Água,

o Sangue da Terra Por Prof. Dr. M. C. Meyer

Gigantes DA ECOLOGIA

ste livro apresentará questões ecológicas fundamentais relativas à Água. Esses problemas, que hoje se encontram em nossas mãos, serão transmitidos a vocês, jovens, que os herdarão e terão que gerenciá-los de forma inteligente para garantir a sobrevivência de todas as espécies vivas, principalmente a humana. Uma grande responsabilidade os aguarda! Alguns perigos que ameaçam a água poderiam solucionar-se rapidamente, uma vez que dependem de gestos simples como não deixar torneiras abertas inutilmente ou recuperar a água da chuva para irrigação. São ações simples, mas que exigem duas coisas fundamentais: consciência e mudança de atitude. Quanto a outros, mais complexos, relativos à escassez de água doce, sabemos que estudos científicos apontam para uma situação de agravamento em todo o Planeta nas próximas décadas, obrigando-nos a implantar tecnologias mais sofisticadas, como por exemplo, dessalinizar a água dos mares e oceanos ou buscá-la nas profundezas da Terra. Hoje já conseguimos recuperá-la a mais de mil metros da superfície do solo. Mas, nos confrontaremos no futuro com ameaças que ainda não conhecemos, cujas soluções dependerão de vocês. A simples exposição dos problemas pode parecer desencorajante. Mas os perigos são reais e temos que aprender a gerenciá-los com urgência. Não basta mais apenas falarmos da seca na Amazônia em 2005 (ligada ao desmatamento e recordes de temperatura registrados no sudeste do Oceano Atlântico e no Golfo do México, provocando grande perda de biodiversidade), ou do degelo das banquisas que ameaçam a fauna dos Pólos (pingüins, ursos polares, focas...) e as populações locais, provocando a elevação do nível do mar. Precisamos AGIR! Outro sério problema está diretamente relacionado com o nosso corpo. Se o nosso organismo elimina água e nós não a repomos, ficará desidratado e deixará de eliminar toxinas, causando uma série de doenças, como o envelhecimento precoce, cálculos renais, problemas respiratórios, cardíacos, etc. E isso já ocorre em diversas partes do mundo. Atualmente, 29 países no mundo já convivem com a falta de água e, segundo estudos da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2050 serão aproximadamente 50*.

* (http://pt.shvoong.com/exact-sciences/1923016-%C3%A1gua-escassez-%C3%A1gua-pot%C3%A1vel-para/)

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Os problemas advindos da escassez de água são altamente preocupantes. O objetivo deste livro é justamente ajudá-los a melhor compreendê-los, criando em vocês a conscientização e motivação necessárias para melhor buscar as soluções, pois da água depende o futuro da humanidade. Com efeito, ela é o fundamento da Vida e, como tal, deve despertar em vocês a profunda vontade de lutar pela sua preservação. Esse amor pela água deve permanentemente estar associado a tudo o que ela nos proporciona cotidianamente: ela nos sacia a sede, nos lava, irriga nossos campos permitindo assim alimentar-nos... Sem alimento podemos viver até 3 ou 4 semanas; sem água, apenas 2 ou 3 dias. Ela faz a vida germinar sobre a Terra. Devemos, portanto, ver a Terra como um ser vivo que precisa de água para sobreviver! Sua vegetação constituindo sua pele, seus rios e riachos representando suas veias e artérias... que alimentam e purificam seu organismo. Para termos uma idéia da importância da água, lembremos do impacto que teve a sua recente descoberta na superficie da Lua e suas repercussões para o Futuro do Homem. Pois, se há água, há possibilidade de vida. Começam então a desenhar-se os cenários, até então de pura ficção, de implantação de bases humanas na Lua, como plataformas para a conquista de Marte, e de lá para planetas mais longínquos ... sempre em busca de água. Para enfrentar

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PREFÁCIO

“Os problemas advindos da escassez de água são altamente preocupantes.” a escassez da água no futuro, poderíamos imaginar – num cenário surrealista – a Lua alimentando a Terra, morta de sede, injetando-lhe, gota-a-gota, um pouco do seu precioso “ouro branco”? Voltando ao passado, às raízes de nossa civilização, lembremos também que os índios consideram a água dos rios como o sangue da Terra. Por isso, têm com ela uma relação consanguínea: os animais e as árvores são como membros de sua própria família. Eles não a poluem, pois sabem que ela é fonte de vida. Essa percepção se dá pelo convívio estreito dessas populações com a natureza, que as leva a respeitá-la e a preservá-la em todas as suas formas. É importante ressaltarmos aqui que somos feitos principalmente de água (em média 70%), como a Terra o é, quase na mesma porcentagem. Todos os dias, muitos litros de água viajam através do nosso corpo para transportar os nutrientes, assim como

os seus dejetos, exatamente como na Terra. A água é um meio para intercâmbios biológicos e uma forma de transporte de elementos vitais. Como a vida, a água está sempre em movimento, condensando-se e evaporando-se, dissolvendo e fornecendo substâncias ativas às plantas, aos animais, às nossas células. Assim como nos astros, a diminuição da água no Corpo Humano é associada ao declínio da Vida: no ventre materno somos constituidos de 94% de água, na infância 75% e na idade adulta 65%, podendo chegar ao final da vida com apenas 50%. Adicionalmente, se olharmos para o interior do corpo humano adulto, que contém uma média de 65% de água, veremos que o cérebro é constituído por 80% (em comparação com sangue 90%, músculos 75%, ossos 30% e gordura corporal 14%). É interessante notar que o órgão que tem a maior porcentagem de água, inferior apenas à do sangue, o nosso cérebro, é a parte mais nobre do corpo humano – o órgão que “torna as coisas possíveis” e até realiza sonhos: como imaginar soluções para o destino da água, sonhar com a Lua, ou mesmo, caminhar sobre a Lua, enquanto refletimos sobre a água, tanto poética quanto pragmaticamente. Mais interessante ainda é ressaltar a constância do elo “perda de água – perda de vida”, na evolução ontogenética e filogenética, bem como na evolução dos planetas.

portantes mitos, práticas religiosas, rituais e hábitos diários, os quais tiveram, por milênios, um papel essencial na preservação da Natureza. Nesta expedição de salvaguarda da água, estamos todos no mesmo barco. Devemos protegê-la para que ela nos permita navegar por muito tempo e para descobrir novos horizontes, repletos de vida.

Prof. Dr. Mario Christian MEYER Paris, 04/11/2009 O Professor Dr. Mario Christian Meyer é o fundador e Presidente do PISAD EUROPE (Programa Internacional de Salvaguarda da Amazônia, Mata Atlântica e Ameríndios para o Desenvolvimento Sustentável) em Paris – França, Professor convidado junto à Universités de Paris – Sorbonne, Sênior Expert junto à UNESCO e Membro titular da Société de Médecine de Paris.

Em cada civilização, a água está no centro de im-

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A

imensidão do Brasil fez e, ainda faz, as pessoas pensarem que todos os recursos naturais do nosso país são inesgotáveis e, por este motivo, usam de forma indiscriminada. Porém, este é um grande engano. Se não abrirmos os olhos e ficarmos bem atentos às nossas atitudes, poderemos sofrer graves prejuízos e ainda comprometer a sobrevivência das gerações futuras. Não é à toa que muita gente técnicos, especialistas, estudiosos e governos de todas as partes do mundo - está preocupada com o futuro do planeta. Várias instituições e Organizações Não-Governamentais (ONGs) foram criadas e têm trabalhado incessantemente em ações e projetos com o objetivo de preservar e recuperar os recursos ainda existentes, entre eles, o principal, a água doce, tão necessária para a sobrevivência da humanidade. O Brasil concentra em torno de 12% da água doce do mundo disponível em rios e abriga o maior rio em extensão e volume do Planeta, o Amazonas.

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Além disso, mais de 90% do território brasileiro recebe chuvas abundantes durante o ano e as condições climáticas e geológicas propiciam a formação de uma extensa e densa rede de rios, com exceção do Semi-Árido, onde os rios são pobres e temporários. Essa água, no entanto, é distribuída de forma irregular, apesar da abundância em termos gerais. A Amazônia, onde estão as mais baixas concentrações populacionais, possui 78% da água superficial. Enquanto isso, no Sudeste, essa relação se inverte: a maior concentração populacional do País tem disponível 6% do total da água. Mesmo na área de incidência do Semi-Árido (10% do território brasileiro; quase metade dos estados do Nordeste), não existe uma região homogênea. Há diversos pontos onde a água é permanente, indicando que existem opções para solucionar problemas socioambientais atribuídos à seca. Embora o Brasil seja o primeiro país em disponibilidade hídrica em rios do mundo, a poluição e o uso inadequado comprometem esse recurso em várias regiões do País.

Cabe aos brasileiros uma tarefa expressiva. Ocupando quase metade da área da América do Sul, o Brasil detém 60% da bacia amazônica, que escoa cerca de 1/5 do volume de água doce do mundo. Este é um diferencial importante em tempos de escassez planetária de água e traz consigo a responsabilidade de liderança e protagonismo no encaminhamento global da problemática dos recursos hídricos. Dentro do próprio país vivemos o paradoxo de ter, de um lado, a exuberante disponibilidade hídrica na Amazônia e, de outro lado, áreas críticas de indisponibilidade. A solução para enfrentar esses extremos passa pela integração dos instrumentos de atuação pública, a articulação de todas as políticas de governo ligadas a essa matéria, o aperfeiçoamento dos mecanismos de participação social na tomada de decisão, na implementação de ações, na fiscalização e na avaliação permanentes de todo o processo. A gestão dos recursos hídricos no Brasil realizou um salto de qualidade nos primeiros anos da década de 80, quando começou a prevalecer o enfoque de triplo direcionamento: inserção em um quadro de sustentabilidade ambiental, social e econômica; a busca de um marco regulatório e de espaços institucionais compatíveis; e a formulação de conceitos apropriados para descrever e operar os novos arranjos políticos e pactos sociais correspondentes à progressiva capilarização da visão integrada, compartilhada e participativa das políticas públicas.

Urgência

Sobrevivência das gerações futuras depende da preservação da água

Responsabilidade

IL O BRAS N A U G O DA Á SITUAÇÃ

A emergência da questão ambiental a partir dos anos 70, a difusão dos princípios do desenvolvimento sustentável nos anos 80 e 90 e a constatação do escasseamento progressivo do recurso água em escala planetária levaram o Brasil a realizar uma revisão completa das estratégias e do aparelho governamental voltados para a gestão integrada dos recursos hídricos. São marcos dessa mudança fundamental: a inserção na Constituição Federal de 1988, dentre as competências da União, da obrigação de instituir-se um sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos; a regulamentação e a institucionalização do próprio Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (Singreh), com seu arranjo administrativo, e seus instrumentos de gestão (Lei nº 9.433/97); a criação da Agência Nacional de Águas, entidade federal de implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos e de coordenação do Singreh e o lançamento, em 2006, do Plano Nacional de Recursos Hídricos – que, além de atender ao compromisso internacional do Brasil com as Metas do Milênio, com o estabelecimento de ações e programa até o ano de 2020, representa um importante instrumento de governança.

DICA!

do ua pelo ralo quan Nunca jogue ág l o uso para ela, ta tr ou r ve ha de po im a planta ou jard como regar um . ou para limpeza

GIGANTES DA ECOLOGIA - A ÁGUA É O SANGUE DA TERRA

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• A região Norte, com 7% da população, possui 68% da água do país, enquanto o Nordeste, com 29% da população, possui 3%, e o Sudeste, com 43% da população, conta com 6%. • Além disso, problemas como desmatamento das nascentes e a poluição dos rios agravam a situação. Em consequência, 45% da população não têm acesso aos serviços de água tratada e 96 milhões de pessoas vivem sem esgoto sanitário; • A agricultura é o setor que mais consome água no país, cerca de 59%. O uso doméstico e o setor comercial consomem 22% e o setor industrial fica por último com 19% de consumo; • Projeções feitas por cientistas calculam que em 2025, cerca de 2,43 bilhões de pessoas estarão sem acesso à água; • O desperdício é outro grande problema. Na verdade, é uma das causas da escassez. No Brasil, 40% da água tratada fornecida aos usuários são desperdiçadas; • Cada pessoa necessita de 40 litros de água por dia, mas a média brasileira de consumo é de 200 litros;

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SITUAÇÃO DA ÁGUA NO BRASIL

A água limpa está cada vez mais rara na Zona Costeira e a água de beber cada vez mais cara. Essa situação resulta da forma como a água disponível vem sendo usada: com desperdício - que chega entre 50% e 70% nas cidades -, e sem muitos cuidados com a qualidade. Assim, parte da água no Brasil já perdeu a característica de recurso natural renovável (principalmente nas áreas densamente povoadas), em razão de processos de urbanização, industrialização e produção agrícola, que são incentivados, mas pouco estruturados em termos de preservação ambiental e da água. Nas cidades, os problemas de abastecimento estão diretamente relacionados ao crescimento da demanda, ao desperdício e à urbanização descontrolada – que atinge regiões de mananciais. Na zona rural, os recursos hídricos também são explorados de forma irregular, além de parte da vegetação protetora da bacia (Mata Ciliar) ser destruída para a realização de atividades como agricultura e pecuária. Não raramente, os agrotóxicos e dejetos utilizados nessas atividades também acabam por poluir a água. A baixa eficiência das empresas de abastecimento se associa ao quadro de poluição: as perdas na rede de distribuição por roubos e vazamentos atingem entre 40% e 60%, além de 64% das empresas não coletarem o esgoto gerado. O saneamento básico não é implementado de forma adequada, já que 90% dos esgotos domésticos e 70% dos afluentes industriais são jogados sem tratamento nos rios, açudes e águas litorâneas, o que tem gerado um nível de degradação nunca imaginado.

Alternativas

Qualidade comprometida

O Brasil possui uma das maiores reservas hídricas do mundo, concentrando cerca de 12% da água doce superficial disponível no planeta, mas o contraste na distribuição é enorme:

A água disponível no território brasileiro é suficiente para as necessidades do País, apesar da degradação. Seria necessário, então, mais consciência por parte da população no uso da água e, por parte do governo, um maior cuidado com a questão do saneamento e abastecimento. Por exemplo, 90% das atividades modernas poderiam ser realizadas com água de reuso. Além de diminuir a pressão sobre a demanda, o custo dessa água é pelo menos 50% menor do que o preço da água fornecida pelas companhias de saneamento, porque não precisa passar por tratamento. Apesar de não ser própria para consumo humano, poderia ser usada, entre outras atividades, nas indústrias, na lavagem de áreas públicas e nas descargas sanitárias de condomínios. Além disso, as novas construções – casas, prédios, complexos industriais – poderiam incorporar sistemas de aproveitamento da água da chuva, para os usos gerais que não o consumo humano. Após a Rio-92, especialistas observaram que as diretrizes e propostas para a preservação da água não avançaram muito e redigiram a Carta das águas doces no Brasil. Entre os tópicos abordados, ressaltaram a importância de reverter o quadro de poluição, planejar o uso de forma sustentável com base na Agenda 21 e investir na capacitação técnica em recursos hídricos, saneamento e meio ambiente, além de viabilizar tecnologias apropriadas para as particularidades de cada região.

! DICA

tário gas no vaso sani Evite dar descar setos e ente. Tecidos, in desnecessariam s na vem ser jogado outros dejetos de vaso sanitário. lixeira e não no

A água limpa está cada vez mais rara na Zona Costeira e a água de beber cada vez mais cara. GIGANTES DA ECOLOGIA - A ÁGUA É O SANGUE DA TERRA

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Visão dos recursos hídricos no Brasil em 2020: • Irrigação: haverá de grande a moderado incremento da área irrigada, dependendo do cenário; • Agricultura: A produção agrícola aumentará mais do que a área graças ao melhor manejo e ao uso de técnicas de irrigação que promovem a conservação da água.

• Navegação: O incremento (em extensão) das hidrovias será pequeno, pois os trechos navegáveis dos rios, são usados atualmente em menos da metade. Haverá intensificação da utilização das hidrovias (carga transportada), em especial nas regiões hidrográficas com mais dinâmica econômica, particularmente em decorrência da agricultura, inclusive a irrigada;

• Geração de energia elétrica: Em razão de eventuais limitações ao ritmo de expansão do potencial hidroelétrico do país como um todo, especialmente problemas ambientais para a implantação de hidroelétricas, será mais difícil nas regiões Amazônica e do Tocantins-Araguaia, onde ainda existirá potencial não explorado;

• Diluição de esgotos: Haverá grande demanda de investimentos na coleta e no tratamento de esgotos, o que dificultará o alcance da meta setorial de universalização do atendimento até 2020 em bacias que não tenham os instrumentos de gestão devidamente implementados e operativos, em especial a cobrança pelo uso da água;

O Brasil está dividido em 12 principais regiões hidrográficas

Nacional de Gerenciamento dos Recursos Hídricos. No Ministério do Meio Ambiente, a coordenação geral dos recursos hídricos encontra-se dividida em três estruturas: Secretaria Nacional de Recursos Hídricos (SRH), Agência Nacional de Águas (ANA) e o Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH). A SRH é a responsável por formular a Política Nacional de recursos Hídricos, integrando a gestão da água com a gestão ambiental do País. A Política Nacional trata do conjunto de intenções, decisões, recomendações e determinações do governo, considerando o aproveitamento múltiplo, o controle e a conservação dos recursos hídricos. Ela se concretiza por meio de planos e programas governamentais, cabendo a cada Estado ou município elaborar seus planos específicos.

O

Conselho Nacional de Recursos Hídricos e a Agência Nacional das Águas dividiram o país em 12 principais regiões hidrográficas brasileiras. Essas regiões são determinadas como unidades de gestão dos recursos hídricos, num determinado espaço geográfico de atuação que ajuda a promover o planejamento regional, controlar o aproveitamento dos usos da água na região, proteger e conservar as fontes de captação nas partes altas da bacia e discutir com

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SITUAÇÃO DA ÁGUA NO BRASIL

diferentes pessoas e setores as soluções para os conflitos. Vale destacar também que as bacias estão relacionadas ao espaço físico e não político, ou seja, geralmente ultrapassa a fronteira dos municípios, estados e, até mesmo, de países. Uma bacia hidrográfica é uma área de grande superfície, formada por um conjunto de terras, por onde corre um rio principal e seus afluentes, incluindo cabeceiras ou nascentes, divisores de água, cursos d´água principais, afluentes, subafluentes,

entre outros. Geralmente a água escoa dos pontos mais altos para os mais baixos e a formação da bacia acontece pelo desgaste que a água realiza no relevo de determinada área, podendo resultar em diversas formas: vales – depressões nas montanhas, planícies mais ou menos largas, maior ou menor quantidade de nascentes. Para entender melhor como acontece a gestão nas regiões hidrográficas brasileiras é necessário conhecer um pouco da estrutura de apoio do Sistema

A ANA, outra ponta da gestão, é responsável pela

execução e implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos e pela implementação do Sistema Nacional de Recursos Hídricos, disciplinando a utilização dos rios, mediando conflitos e fiscalizando a utilização dos recursos hídricos no país, de forma a evitar a poluição e o desperdício para garantir a boa qualidade da água. O CNRH é composto por representantes dos ministérios, secretarias federais e conselhos estaduais de recursos hídricos, além de organizações civis e dos usuários dos setores de agricultura, das indústrias, das concessionárias de energia elétrica, da pesca, do lazer e do turismo, do esgotamento sanitário entre outros. Eles acompanham a execução do Plano Nacional dos Recursos Hídricos e determinam as providências para o cumprimento de suas metas por meio de resoluções e moções.

! DICA cerca tas, você gasta Ao regar as plan 30 água limpa em de 190 litros de onomizar, guarde minutos. Para ec e de a e regue sempr a água da chuv ua itando que a ág manhã cedo, ev calor do dia. evapore com o

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Comitês de Bacias Hidrográficas

É por meio dos Comitês de Bacias que a sociedade pode dar sua contribuição para conservar e usar as águas da sua região. Eles são verdadeiras assembléias nas quais é possível deliberar e articular a atuação das entidades locais na resolução dos conflitos existentes na Bacia. Os comitês são compostos por vários representantes que partilham o uso da água: a União, no caso dos rios federais, ou seja, que atravessam mais de um estado, os Estados, os municípios, situados nas bacias, usuários das águas, entidades civis (ONGs, universidades, associações, entre outras) que atuam na área.

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s cias do n ê t e p Com acias: B e d s ê Comit • Promover fóruns de debates, articulação e solução de conflitos da bacia; • Elaborar e acompanhar o Plano de Bacia Hidrográfica, que pode ser considerado como uma “Bíblia das Águas”; • Encaminhar propostas de enquadramento de corpos d’água, segundo os usos; • Propor e estudar casos de isenção e obrigatoriedade de outorga: licença de uso de água;

Consórcios

• Estabelecer mecanismos de cobrança pelo uso dos recursos hídricos;

Outra forma de gerir os recursos com menos burocracia são os Consórcios Intermunicipais de Bacias Hidrográficas. Os Consórcios são organismos criados pelos municípios localizados em uma bacia. Eles não têm as mesmas atribuições de um comitê, pois envolvem mais o poder municipal, mas contribuem muito para uma gestão integrada da Bacia e podem ser o embrião de um comitê.

• Definir critérios e promover a distribuição proporcional de custos das obras de uso múltiplo da água, e solicitar, isoladamente ou em conjunto com outros comitês, a criação das Agências de Bacias;

SITUAÇÃO DA ÁGUA NO BRASIL

regiões 2 1 s a s a Conheç icas brasileira áf hidrogr Fonte: ANA - Agência Nacional das Águas, 2005

Antes da nova Lei das Águas no Brasil, instituída em 1997, os Comitês de Bacias eram fóruns de discussão dos problemas ligados aos recursos hídricos. Com a proposta de cobrança do uso da água prevista, foi necessária uma nova forma de gerir. Hoje, a proteção da água constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Os comitês passaram então a decidir sobre as prioridades de investimentos, quando, quanto e para que cobrar uso da água. Cada região tem ou ainda terá um comitê de bacia, que pode ser dividido em subcomitês, permitindo cada vez mais que os usuários diretos possam gerir suas águas.

Amazonas Tocantins-Araguaia Atlântico NE Ocidental Parnaíba Atlântico NE Oriental São Francisco Atlântico Leste Atlântico Sudeste Paraná Paraguai Uruguai Atlântico Sul

! DICA no Se você demora a banho, você gast s de 95 a 180 litro de água limpa.

GIGANTES DA ECOLOGIA - A ÁGUA É O SANGUE DA TERRA

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Cobrar hoje para ter um futuro com água

Região

CENTRO-OESTE

A

cobrança pelo uso da água corresponde ao valor do pagamento pelo direito de seu uso, lançamento de esgotos e demais resíduos líquidos. Este assunto tem gerado muitas discussões. De um lado, estão aqueles que vêem a água como um direito fundamental do ser humano e, portanto, não deve ser cobrada. De outro lado, estão as pessoas preocupadas com a situação da água, sabendo que ela é um recurso natural limitado. Estas acreditam que a cobrança é um meio de prevenir a escassez, pela conscientização dos usuários. Cobrança da água traz a idéia de mais uma despesa a pagar entre tantas outras que já temos, incluindo a conta d´água. Então, por que cobrar a água? É preciso entender, em primeiro lugar que o que se tem cobrado, hoje, não é o uso, mas o serviço de captação, tratamento e distribuição da água. Segundo, que sem a cobrança, quem se beneficia são aqueles que usam mal ou poluem as águas, prejudicando a todos sem ter que responder por isso. A principal razão é que usamos a água como um bem

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infinito, não reconhecendo que ela tem um valor econômico e que este recurso se tornará muito caro para as futuras gerações. Agindo desta maneira, estamos pensando no hoje, mas não no amanhã. Quem usa muito ou polui a água, hoje divide o custo com toda a sociedade que paga, de forma injusta, por tal atitude. O mesmo ocorre com o tratamento dos resíduos sólidos. A cobrança tem como objetivo regular essa situação desigual e ser uma poupança para o futuro. É uma tentativa de reverter o processo de degradação das águas por meio de um instrumento que possa ser também educativo, no qual se aprende que poluir sai mais caro do que prevenir. Quando todos os usuários perceberem o valor da água, incluindo os gastos necessários para obter água potável e tratar o que poluem, ficarão motivados a melhorar seu uso, evitando a degradação e o desperdício de milhões de gotas que escoam pelos ralos todos os dias. Já existe certo consenso de que aqueles que captam a água da natureza para fins econômicos ou a devolvem em forma de esgoto deverão pagar. É o conceito do usuário-pagador

e do poluidor pagador. Estão incluídos neste grupo não só os setores industriais e agropecuários, mas também as companhias de abastecimento de água públicas, mistas ou privadas. Mesmo pagando pelo uso da água, os responsáveis pelo lançamento de poluentes e esgotos deverão cumprir as normas e padrões legais para o controle de poluição das águas. Discussões, nos comitês, indicam que empresas e agricultores que devolverem a água limpa aos rios poderão obter redução no valor da cobrança.

NORDESTE

A cobrança já vem sendo aplicada em algumas bacias hidrográficas. . Na região Sudeste, o CEIVAP – Comitê para a Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul já iniciou a cobrança. Os usuários dos empreendimentos instalados na bacia tiveram que declarar à ANA a quantidade de água que captam, consomem e devolvem aos rios sob a forma de efluentes, em metros cúbicos por mês. No “exercício de cobrança”, promovido pelo Consórcio dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, no Estado de São Paulo, por exemplo, os consorciados pagam R$ 0,01 por m3, de forma voluntária.

SUL

SUDESTE

NORTE

Cidades Brasília Goiânia Cuiabá Campo Grande Fortaleza Recife São Paulo Belo Horizonte Vitória Rio de Janeiro Belém Manaus Rio Branco Palmas Curitiba Florianópolis Porto Alegre

Principal manancial de abastecimento Rio Descoberto Rio Meia Ponte Rio Cuiabá Córrego Gurariroba Rio Jaguaribe Rio Tapacurá Sistema Cantareira Rio das Velhas Sistema Jucu/Santa Maria Sistema Paraíba do Sul/Gandú Rio Guamá Rio Negro Rio Acre e Igarapés Ribeirão Taquaruçu Sistema Irai-Tarumã Iguaçu Sistema Cubatão Pilões Guaíba

Responsabilidade do manancial no abastecimento da população 62% 50% Cerca de 65% 55% 97% 40% 53% 42% Cerca de 25% 80% 75% 90% 85% 70% 45% a 50% 66% 99,5%

Fonte: Livro das Águas - WWF

Distribuição da água no Brasil:

! DICA

roveite par o aquário ap Quando for lim r as plantas. Está a água para rega io e a com nitrogên água enriquecid plantas. to bem para as fósforo faz mui

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ENTAL I B M A PASSIVO

Passivo ambiental do País supera R$ 15 bi

A

Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (Abas) calcula que o passivo ambiental - obrigações que as empresas têm com relação ao meio ambiente e a sociedade - no Brasil seja superior a R$ 15 bilhões. A contaminação do solo ou da água subterrânea provoca, entre outros, problemas de saúde pública e desvalorização de imóveis. O assunto é tão importante que, em setembro de 2009, em São Paulo, ocorreu um congresso internacional para discutir o meio ambiente subterrâneo. Os R$ 15 bilhões estimados para o passivo ambiental foram obtidos, segundo a Abas, por meio da multiplicação do número aproximado de áreas contaminadas, que já passa de 30 mil no País, pelo valor médio do custo de um trabalho de remediação, que atualmente é de R$ 500 mil, incluindo as diversas etapas do trabalho. Segundo o hidrogeólogo Everton de Oliveira, que presidiu o congresso, o passivo ambiental só começou a ser alvo de preocupação no País a partir da década de 80. Em termos de legislação, não há nada de alcance nacional. O Estado de São Paulo aprovou, em 2009, lei específica (Lei 13.577) para punir as empresas poluidoras. A legislação paulista estabelece normas e diretrizes para proteção da qualidade do solo e gerenciamento de áreas contaminadas.

! DICA udam Produtos que aj ua: a economizar ág áticas, torneiras autom cas, torneiras eletrôni rneira arejador para to a, válvula com rosca intern mática de descarga auto lvula de para mictório, vá mático para fechamento auto válvula chuveiro elétrico, com o pé de acionamento cozinha, para torneiras de m bacia sanitária co caixa acoplada de seis litros por descarga e hidrolavadoras.

Entre os principais poluentes encontrados em áreas contaminadas no País, os principais são nitrato, proveniente do esgoto não tratado, e derivados do petróleo, como BTEX (benzeno, tolueno, etilbenzeno e xilenos). Os postos de gasolina são os principais causadores desse tipo de poluição.

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Águas subterrâneas estão sendo degradadas

A

s águas subterrâneas até muito recentemente foram pouco reconhecidas como integrantes da disponibilidade hídrica para os diversos usos. O vertiginoso ritmo de degradação das águas superficiais – a exigir cada vez mais altos investimentos para utilização – e a velocidade do crescimento da demanda determinaram, contudo, que pesquisadores, entidades governamentais e não-governamentais, nacionais e internacionais, começassem a priorizar estudos em torno das reservas subterrâneas, tendo no horizonte seu uso racional e sustentável. No Brasil, país de dimensões continentais, a disponibilidade de águas subterrâneas e sua utilização encontram diferentes contornos. As regiões Sul e Sudeste, que podem ser definidas como Brasil Úmido, têm potencial hídrico superficial e subterrâneo ainda abundantes, mas enfrentam enormes problemas com a qualidade da água. O Nordeste e o Centro-Oeste circunscrevem o Brasil Seco, onde talvez seja ainda mais estratégica a implementação de estudos e pesquisas sobre esse tipo de manancial. Justificada pela abundância das águas superficiais e pela ocupação populacional pulverizada, a exploração da água subterrânea

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na região Amazônica remonta à segunda metade da década de 1990. Embora várias perfurações tenham apresentado resultados favoráveis, esse recurso é pouco adotado. Segundo o Plano Nacional de Recursos Hídricos, a grosso modo, estima-se a existência de mais de 400 mil poços no país, que suprem diversas finalidades, como abastecimento público, irrigação, indústria e lazer. Mais de 15% dos domicílios utilizam exclusivamente água subterrânea para seu suprimento. No Estado de São Paulo cerca de 5,5 milhões de pessoas são abastecidas por águas subterrâneas; no Maranhão, mais de 70% e no Piauí, mais de 80% das cidades dependem deste manancial. A água subterrânea é estratégica para o abastecimento de comunidades rurais do semi-árido nordestino e da população urbana de diversas capitais do país, como Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Natal e Maceió. Ela ainda é responsável pelo turismo hidrotermal em diversas estâncias encontradas

por boa parte do país. É de se destacar o significativo alcance social da utilização de poços para atender com água potável de qualidade comunidades pobres ou distantes das redes de abastecimento público. Neste contexto, estão comprovadas a minimização dos casos de doenças de veiculação hídrica e drástica redução nos indicadores de mortalidade infantil. Na porção Centro-Sul do Brasil localiza-se uma das maiores reservas de água doce do planeta, o Sistema Aquífero Guarani, que extrapola as fronteiras nacionais para alcançar parte do território do Paraguai, do Uruguai e da Argentina. Dada a magnitude espacial desse aquífero, ainda poucos sabem das suas áreas de recarga ou descarga, ou da qualidade da água em parte relevante de sua extensão. Programas de estudos, coordenados entre os países onde ele ocorre, com envolvimento do BIRD/GEF, denominado Sistema Aquífero Guarani, acha-se em elaboração visando o seu uso sustentável e à promoção do desenvolvimento econômico e social.

! DICA significa Economizar água menos também gastar deve ter dinheiro. Você já o valor reparado quanto ua tratada cobrado pela ág timos anos, o aumentou nos úl graça, agora que era quase de is é um dos principa lo valor do responsáveis pe geral. condomínio em

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Para preservar a qualidade de nossas águas, as empresas devem investir prioritariamente em uma Estação de Tratamento de Efluentes (ETE). Um dos setores que mais tem investido nas ETEs é o das indústrias têxteis.

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ETE

! DICA rrente para Não use água co e ou outro descongelar carn ngele a comida alimento. Desco na geladeira durante a noite o microondas ou usando o forn so. ajustado para is

Tão importante quanto tornar potável a água captada, é devolvê-la ao meio ambiente em condições de uso. O despejo, nos cursos de água, dos esgotos sanitários ou efluentes sem tratamento traz sérios riscos à saúde do meio ambiente e das populações. As ETEs existem para reduzir, ao mínimo, a situação de risco. O efluente bruto de casas, prédios, escolas, indústrias e demais locais, coletado por meio de redes coletoras, é levado até uma estação de tratamento, a fim de se remover os focos de contaminação, o odor, a cor, os óleos e outras substâncias, que causem danos aos seres humanos, ao meio aquático, à fauna e à flora. Todas as indústrias são obrigadas a tratar seus efluentes. O lodo orgânico, dependendo da qualidade do efluente, pode ser um substituto para os fertilizantes químicos e a água pode ser reutilizada e recirculada no ambiente doméstico e industrial.

Sanitário Seco

A

tualmente, tem-se falado com maior evidência em desenvolvimento sustentável no Brasil através de tecnologias limpas, programas de educação ambiental visando a conscientização e importancia na proteção de nossas nascentes, despoluição das águas, combate à erosão e áreas degradadas, entre outras ações. Em virtude desses problemas, a água dos nossos mananciais está contaminada e, cada vez mais, dependendo de uma Estação de Tratamento de Água (ETA). As instituições que distribuem água potável nos municípios investem milhões em ETAs e tecnologia para tornar a água tão judiada em pronta para beber.

ETA

Tratar a água é necessário para o desenvolvimento sustentável

Muitas vezes a água bruta, captada dos mananciais, tem gosto ruim, cor escura, odor ou partículas, além de não ser totalmente potável. Seu destino será uma ETA, onde passará por vários processos: remoção do material grosseiro (pedras, folhas e galhos), clarificação, filtragem e desinfecção, que matará os microorganismos causadores de doenças. A água, transformada em potável é, então, armazenada em reservatórios e depois distribuída por meio de redes de distribuição. Quem pensa que hoje já paga pela quantidade de água que consome, se engana. O valor cobrado em nossas contas mensais corresponde, por enquanto, somente ao custo necessário para captar, tratar e distribuir a água que recebemos em casa.

Em muitas comunidades, como não há canalização ou fossas sépticas para o depósito e decomposição das fezes humanas, estas acabam indo para o solo ou para a água, tornando-se potenciais transmissoras de doenças. A técnica do sanitário seco vem sendo utilizada em algumas comunidades rurais, como no sul da Bahia. Trata-se de um vaso sanitário parecido com os comuns, mas que não está ligado às fossas ou rede de esgotos e não usa água. Ele tem um recipiente plástico no seu interior e, toda vez que alguém o usa, joga sobre as fezes e urina uma camada de serragem, terra, folhas secas, ou outra matéria orgânica. Este processo absorve umidade elimina o cheiro e ajuda a afastar as moscas e outros bichos. Quando o recipiente fica cheio é esvaziado numa área de compostagem no quintal. Com o tempo, o composto serve de alimento para alguns microorganismos que, durante o processo de decomposição, liberam energia. A alta temperatura destrói os agentes causadores de doenças e transforma o material em adubo orgânico. Além de barato e ecológico, o sanitário seco tem colaborado para melhorar as condições de higiene e saúde de muitas comunidades.

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mento a t a r T o de Process Tratamento de água: é um conjunto de procedimentos físicos e químicos que são aplicados na água para que esta fique em condições adequadas para o consumo, ou seja, para que a água se torne potável. O processo de tratamento de água a livra de qualquer tipo de contaminação, evitando a transmissão de doenças; Na ETA o processo ocorre em etapas:

! DICA de Instale sistemas as ” da água apen “amolecimento ário (se a água quando necess ). muito calmaria de sua cidade é e sal usando Economize água tidades mínimas apenas as quan ua com certa para manter a ág os “softeners” dureza. Desligue férias. quando sair de

Coagulação: quando a água na sua forma natural (bruta) entra na ETA recebe nos tanques uma determinada quantidade de sulfato de alumínio. Esta substância serve para aglomerar (juntar) partículas sólidas que se encontram na água como, por exemplo, a argila. Floculação: em tanques de concreto com água em movimento, as partículas sólidas se aglutinam em flocos maiores. Decantação: em outros tanques, por ação da gravidade, os flocos com as impurezas e partículas ficam depositadas no fundo dos tanques, separando-se da água. Filtração: a água passa por filtros formados por carvão, areia e pedras de diversos tamanhos. Nesta etapa, as impurezas de tamanho pequeno ficam retidas no filtro. Desinfecção: é aplicado na água cloro ou ozônio para eliminar microorganismos causadores de doenças.

! DICA

r casa deve coleta Quem mora em s que desce pela a água da chuva r o carro, regar calhas para lava quintal, etc... plantas, lavar o ixe em um local Utilize logo ou de ra não facilitar bem tampado pa da dengue. para o mosquito

Fluoretação: é aplicado flúor na água para prevenir a formação de cárie dentária em crianças. Correção de PH: é aplicada na água uma certa quantidade de cal hidratada ou carbonato de sódio. Esse procedimento serve para corrigir o PH da água e preservar a rede de encanamentos de distribuição.

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As indústrias colaboram ao implantarem estações de tratamento de efluentes

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utilização de água pela indústria pode ocorrer de diversas formas, tais como: incorporação ao produto; lavagens de máquinas, tubulações e pisos; águas de sistemas de resfriamento e geradores de vapor; águas utilizadas diretamente nas etapas do processo industrial ou incorporadas aos produtos; esgotos sanitários dos funcionários. Exceto pelos volumes de águas incorporados aos produtos e pelas perdas por evaporação, as águas tornam-se contaminadas por resíduos do processo industrial ou pelas perdas de energia térmica, originando assim os efluentes líquidos.

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Os efluentes líquidos ao serem despejados com os seus poluentes característicos causam a alteração de qualidade nos corpos receptores e consequentemente a sua poluição (degradação). Historicamente o desenvolvimento urbano e industrial ocorreu ao longo dos rios devido à disponibilidade de água para abastecimento e a possibilidade de utilizar o rio como corpo receptor dos dejetos. O fato preocupante é o aumento tanto das populações quanto das atividades industriais e o número de vezes que um mesmo rio recebe dejetos urbanos e industriais, a seguir servindo como manancial para a próxima cidade ribeirinha.

A poluição hídrica pode ser definida como qualquer alteração física, química ou biológica da qualidade de um corpo hídrico, capaz de ultrapassar os padrões estabelecidos para a classe, conforme o seu uso preponderante. Considera-se a ação dos agentes: físicos materiais (sólidos em suspensão) ou formas de energia (calorífica e radiações); químicos (substâncias dissolvidas ou com potencial solubilização); biológicos (microorganismos). A poluição origina-se devido a perdas de energia, produtos e matérias primas, ou seja, devido à ineficiência dos processos industriais. O ponto fundamen-

tal é compatibilizar a produção industrial com a conservação do meio ambiente que nos cerca. Somente a utilização de técnica de controle não é suficiente, mas é importante a busca incessante da eficiência industrial, sem a qual a indústria torna-se obsoleta e é fechada pelo próprio mercado. A eficiência industrial é o primeiro passo para a eficiência ambiental. A poluição pelos efluentes líquidos industriais deve ser controlada inicialmente pela redução de perdas nos processos, incluindo a utilização de processos mais modernos, arranjo geral otimizado, redução do consumo de água incluindo as lavagens de equipamentos e pisos industriais, redução de perdas de produtos ou descarregamentos desses ou de matérias primas na rede coletora. A manutenção também é fundamental para a redução de perdas por vazamentos e desperdício de energia. Além da verificação da eficiência do processo deve-se questionar se este é o mais moderno, considerando-se a viabilidade técnica e econômica. Após a otimização do processo industrial, as perdas causadoras da poluição hídrica devem ser controladas utilizando-se sistemas de tratamento de efluentes líquidos. Os processos de tratamento a serem adotados, as suas formas construtivas e os materiais a serem empregados são considerados a partir dos seguintes fatores: a legislação ambiental regional; o clima; a cultura local; os custos de investimento; os custos operacionais; a quantidade e a qualidade do lodo gerado na estação de tratamento de efluentes industriais; a qualidade do efluente tratado; a segurança

operacional relativa aos vazamentos de produtos químicos utilizados ou dos efluentes; explosões; geração de odor; a interação com a vizinhança; confiabilidade para atendimento à legislação ambiental; possibilidade de reuso dos efluentes tratados. A legislação é a primeira condicionante para um projeto de uma estação de tratamento de efluentes industriais, sendo importante ressaltar que as diferenças das legislações muitas vezes inviabilizam a cópia de uma estação de tratamento que apresente sucesso em um Estado para outro. Uma ETE pode ser suficiente para atender a legislação de um Estado mas não atender a todos os limites estabelecidos por outro Estado. O presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau (Sintex), Ulrich Kuhn, conta que o setor têxtil foi pioneiro ao iniciar o tratamento de efluentes já na década de 70, quando ainda não existia legislação sobre o assunto. “Fomos pioneiros, mas sempre é preciso ir além quando o assunto é a conservação dos recursos hídricos do Planeta!” A água fresca e potável é um recurso natural cada vez mais escasso em muitas regiões do planeta. “Por isso, zelar por esse patrimônio ambiental é uma responsabilidade de todos. A indústria têxtil tem um especial encargo nessa missão, pelo volume de água que utiliza para transformar o algodão em produto final. Estima-se que, para produzir um quilo de malha, as indústrias consumam de 80 a 120 litros de água, principalmente, na etapa do beneficiamento.”

! DICA torneiras Reajuste todas as to na que gastam mui ando edificação, instal strito de aeradores com re fluxo.

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Água potável representa saúde

Os peixes, patos e outros animais podem ser bons indicadores da qualidade da água. Já foram constatadas ocorrências de mortandade de peixes em lagoas e rios contaminados com agrotóxicos. Disponibilidade e boa qualidade da água são condições fundamentais nos sistemas agroecológicos de produção. Além dos córregos e rios, deve-se recorrer a outras fontes como poços artesianos e poços do lençol freático. Esta disponibilidade da água pode ser o fator determinante para a viabilidade do sistema de produção. Sabe-se que a agricultura de hoje é separada em sistemas com irrigação e sistemas sem irrigação. Considerando-se que grande parte da produção de alimentos orgânicos provém da horticultura, especial atenção deve ser dada à qualidade da água, já que muitos produtos hortigranjeiros são consumidos “in natura”. A captação, os reservatórios e o sistema de irrigação adotado serão fatores determinantes na qualidade da água que está sendo utilizada.

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Agricultura

A

disponibilidade de água potável para a população pode determinar os índices de saúde e de pessoas doentes em determinadas regiões. A ingestão de água contaminada ou alimentos mal lavados podem desenvolver diversas doenças, principalmente, em crianças. O ideal é que todos tivessem acesso à produção de alimentos orgânicos. A água da irrigação e higienização destes produtos pode ser a da propriedade, mas de preferência com sua origem nas nascentes.

A agricultura consome 70% da água doce mundial. Este índice é fator preocupante, visto que a irrigação sem tecnologia gera grandes desperdícios e, considerando-se a pecuária, os pastos e a água para rebanhos, o consumo é ainda maior. Essas atividades juntas também geram outros impactos, como a remoção de grandes áreas de vegetação e das matas ciliares, que protegem os rios e o solo, e causam a poluição das águas pelo despejo dos agrotóxicos. Estaríamos em melhor situação se houvesse bom uso e boa gestão dos recursos hídricos. O Brasil chega a perder, todo ano, toneladas de solos férteis em razão de uma agricultura mal planejada, aliada à prática de monocultura extensiva, queimadas e desmatamentos. Junto com o solo, também perde-

mos água, quando a erosão carrega os sedimentos, causando o assoreamento dos cursos d´água. Se a quantidade de água fica comprometida, a qualidade não fica para trás. A necessidade de aumentar a produção tem levado os agricultores a utilizarem fertilizantes e agrotóxicos de forma exagerada e sem critério. Muitas vezes, o aumento de áreas produtivas invade as matas ciliares, comprometendo os corpos d´água da região. Os produtos químicos usados diretamente nas plantações e suas embalagens descartadas a céu aberto, apesar de existirem alguns programas de coleta deste material, são levados até os rios, córregos e lagos, ou acabam infiltrando-se no solo, contaminando as águas subterrâneas.

Os descuidos não são poucos: o rio Miranda, no Mato Grosso do Sul, encontra-se afetado pelo assoreamento causado pelo cultivo intensivo de arroz; o aquífero Guarani está contaminado pelos agrotóxicos das atividades agrícolas e o rio São Francisco, carregado de substâncias tóxicas que vem das atividades de carvoaria. A irrigação sem tecnologia representa um grande impacto causado pela agricultura. Além de consumir muita água, ela altera significativamente o ciclo da água, pois a retira numa velocidade muito maior do que a reposição natural pode prover. Segundo dados da UNESCO, cerca de 31% da área plantada de grãos, no planeta, é irrigada. No Brasil, os maiores desperdícios de água vem da fruticultura, do cultivo de grãos irrigados e da pecuária de corte.

! DICA Mantenha a ao torneira fechada ar ensaboar e esfreg as roupas.

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E ERVAR S E R da água P E D S A acional M R R FO R O USO A V I T N E INC

São Paulo é pioneira na cobrança da água

O

Estado de São Paulo aprovou sua Lei Estadual nº 7.663 em dezembro de 1991, portanto com dianteira de cinco anos relativamente à Lei Nacional nº 9.433/97, o que lhe confere inegável pioneirismo nessa matéria – provavelmente em decorrência do grau e da complexidade de seus problemas relativos às disponibilidades hídricas –, não somente no que tange à estruturação do Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos, como também quanto à implementação de sistemática de outorga de direitos de uso da água em todas as bacias que drenam seu território. Com efeito, muitas das legislações que surgiram em outros estados brasileiros ao longo do período 1993-1996 reproduzem quase mecanicamente o modelo institucional paulista, sem o cuidado com os ajustes que seriam necessários. Em linhas gerais, o modelo paulista pode ser assim sintetizado:

! DICA

lado aos s no tanque acop to en m za va há Cheque se e na água. nando colorant io ic ad , os ri tá ni vasos sa erá em 30 ndo, a cor aparec za va tá es e et al ões ou Se o to tário por corros ni sa so va o ue fáceis de minutos. Cheq rtes são baratas, pa s ta ui M . as ad partes dobr que o teste ê descarga assim (D . ar al st in e r ue). consegui manchar o tanq de po e nt ra lo acabar, pois, o co

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FORMAS DE PRESERVAR E INCENTIVAR O USO Racional da água

O caminho da cobrança • prévia divisão do território estadual em 22 unidades de gerenciamento de recursos hídricos (UGRHs), com base na “leitura” dos principais problemas, características geográficas e outras variáveis intervenientes nas questões pertinentes aos recursos hídricos que drenam o estado (divisão político-administrativa, por exemplo), com flexibilidade para o agrupamento de bacias ou divisão de outras em subbacias e trechos de rios (alto, médio e baixo Paranapanema, por exemplo); • a unidade de planejamento e gestão do Alto Tietê, correspondente à Região Metropolitana de São Paulo, ante a enorme complexidade de seus problemas, foi subdividida em subcomitês, observando-se, para tanto, a lógica urbana e político-administrativa (municípios e regionais da Prefeitura de São Paulo); • forte movimento político do governo do estado, com apoio técnico do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), no sentido da formação de comitês de bacias hidrográficas, instalados em todas as unida-

des de planejamento e gestão e compostos, paritariamente, por terços do estado, dos municípios e da chamada sociedade civil; • constituição do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO), no qual foram consignados aportes provenientes da compensação financeira por áreas alagadas, recolhida pelo setor elétrico à conta de pagamento pelo uso da água, em valores anuais que se aproximam dos R$ 35 milhões, postos como suporte ao funcionamento dos comitês, em cujo âmbito se delibera sobre sua aplicação, efetuada mediante convênios celebrados com o governo do estado; • a alocação dos recursos entre as UGRHs tem base em critérios de população relativa, dentre outros fatores, com média anual da ordem de R$1,6 milhão por unidade de planejamento e gestão; • além dos recursos transferidos, a dinâmica dos comitês é apoiada pelos quadros técnicos do DAEE e também de outras entidades estaduais (destaque para a Companhia Estadual de Tecnologias de Saneamento Ambiental – CETESB), regionalmente organizados e presentes nos co-

mitês, que elaboram relatórios anuais sobre a situação dos recursos hídricos em cada unidade de planejamento e gestão com vistas a orientar a alocação dos aportes disponíveis e a definição de eventuais planos e programas de ação; • essas entidades têm, ainda, presença no Comitê Coordenador do Plano Estadual de Recursos Hídricos (CORHI), constituído como instância de assessoramento ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos; • relativamente à participação dos municípios, observa-se adesão importante e qualificada em quase todas as regiões de São Paulo (Comitês do Rio Paranapanema, Comitê do Trecho Paulista do Rio Paraíba do Sul e em outros); • ainda a respeito da inserção dos municípios no Sistema, é interessante registrar, de um lado, uma relativa resistência anterior à delegação de funções em favor de consórcios intermunicipais de bacias, que tende a ser vencida a partir da recente (2005) aprovação pelo Comitê e qualificação, pela ANA, do Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (Consórcio PCJ), como “Agência de Águas” dessas

bacias, inaugurando outra vertente de atuação; • de fato, o êxito inicial do Consórcio PCJ foi notável, sobretudo pelo elevado índice de adesão dos usuários ao Sistema, que atingiu adimplência da ordem de 97% quando da emissão dos primeiros boletos de cobrança pelo uso da água; • no que concerne ao segmento genericamente denominado de sociedade civil, deve-se registrar que os usuários de recursos hídricos, principais contribuintes do Sistema, não são distinguidos em meio à representação de organizações de defesa do meio ambiente, entidades técnicas e profissionais, de ensino e de pesquisa, com as quais dividem um terço dos assentos no Conselho Estadual, nos comitês e, igualmente, nos conselhos de administração das agências de bacia, definidas na figura de fundações de direito privado; • contudo, sem embargo de dificuldades como essa, cumpre reconhecer, a partir da regulamentação da Lei Estadual da Cobrança pelo Uso da Água, que São Paulo parece recuperar sua condição de vetor avançado na implementação do SINGREH, com cobrança sobre corpos hídricos de domínio estadual já em janeiro de 2007.

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Legislação específica tem por objetivo o uso racional da água

A

Atualmente, existem várias leis que protegem o meio ambiente. Algumas destas leis proíbem o represamento de córregos e rios, desmatamentos de nascentes e outras que quando desobedecidas podem gerar multas. As leis específicas sobre a água foram revistas e estão sendo estudadas para sua total aplicação. A Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997, apesar de desfigurada em alguns de seus aspectos centrais devido a vetos da Presidência da República, introduz avanços expressivos à legislação ambiental e está em sintonia com muitas das propostas contidas na Agenda 21. Por princípio, todos os corpos d’água passaram a ser de domínio público. Princípios A Lei 9.433 obedeceu a este princípio e proclamou outros princípios básicos: • Adoção da bacia hidrográfica como unidade de gerenciamento de planejamento;

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FORMAS DE PRESERVAR E INCENTIVAR O USO Racional da água

• Respeito aos usos múltiplos dos corpos d’água; • Reconhecimento das águas como um bem finito e vulnerável; • Reconhecimento do valor econômico da água; • Gestão participativa e descentralizada. Instrumentos de gestão: Foram definidos cinco instrumentos essenciais: 1. Plano Nacional de Recursos Hídricos 2. Outorga de Direito de Uso dos Recursos Hídricos 3. Cobrança pelo Uso da água 4. Enquadramento dos corpos d’água em Classes de uso 5. Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos Novas Organizações: A Lei 9.433/97 também definiu novas organizações para a gestão compartilhada do uso da água: • Conselho Nacional de Recursos Hídricos • Os Comitês de Bacia Hidrográfica • As Agências de Água • Organizações Civis de Recursos Hídricos.

Nos últimos anos, as discussões a respeito da água têm avançado e novas leis foram aprovadas. Para conhecê-las, visite os seguintes sites: Constituição Federal de 1988 - art. 225 Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. (http://74.125.113.132/ search?q=cache:Xvyk9ovPmKcJ:www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.ht m+Constitui%C3%A7%C3%A3o+Federal+de+1988+-+art.+225&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br). Lei 6.938/81 - Política Nacional do Meio Ambiente Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus Fins e Mecanismos de Formulação e Aplicação e dá outras Providências. Essa lei, com fundamento nos incisos VI e VII, do art. 23 e no art. 235 da Constituição, estabelece a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismo de formulação e aplicação, constitui o Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama) e institui o Cadastro de Defesa Ambiental. (http://www.lei.adv.br/6938-81.htm). LEI Nº 6.902/81 Área de Proteção Ambiental – Dispõe sobre a criação de Estações Ecológicas, Áreas de Proteção Ambiental e dá outras providências. (http://www.cetesb.sp.gov.br/licenciamentoo/legislacao/federal/leis/1981_Lei_Fed_6902.pdf). LEI Nº 7.661/88 Gerenciamento Costeiro – Institui o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro e dá outras providências. (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L7661.htm). Lei 4771/65 - Código Florestal – Institui o novo Código Florestal. Art. 1º As florestas existentes no território nacional e as demais formas de vegetação, reconhecidas de utilidade às terras, são bens de interesse comum a todos os habitantes do País, exercendo-se os direitos de propriedade, com as limitações que a legislação em geral e, especialmente esta lei, estabelecem. (http://www.lei.adv. br/4771-65.htm).

! DICA

uita pia requerem m de es or ad ur it tr Os te. ar adequadamen água para oper de compostagem Faça uma pilha o alternativo de como um métod o de comida, no livrar-se do rest trituradores. Os lugar de usar os ar bém podem som trituradores tam a de sólidos em um 50% ao volume au que levará ao m fossa séptica o e problemas de funcionamento manutenção.

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a peito d s e r . a ovadas ssões r u p c a s i d m nos, as ovas leis fora tes: a s o m i i n t Nos úl çado e os seguintes s n a v a m e água tê ecê-las, visit nh Para co

ito da e p s e r ões a vadas. s o s r u p c a s i os, as d vas leis foram s: n a s o tim e no s site e o t d n a i Nos úl ç u n g m ava e os se água tê ecê-las, visit nh Para co Lei nº 9.433, de 08/01/1997 – Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta o inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal e altera o art. 1º da Lei nº 8.001, de 13 de março de 1990, que modifica a Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989. (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9433.htm).

Decreto nº 5.440, de 04/05/2005 –Estabelece definições e procedimentos sobre o controle de qualidade da água de sistemas de abastecimento e institui mecanismos e instrumentos para a divulgação de informação ao consumidor sobre a qualidade da água para o consumo humano. (https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Decreto/D5440.htm). Resolução nº 173, de 17/04/2006 – Aprova o Regimento Interno e o Quadro de Cargos em Comissão da Agência Nacional de Águas (ANA). (http://www.ana.gov.br/Legislacao/docs/ ResolucaoANA173-2006(RegimentoInterno).pdf).

Projeto de Lei 285/1999 PL Mata Atlântica – Dispõe sobre a utilização e proteção da Mata Atlântica. (http://www.camara.gov.br/sileg/ integras/131458.pdf).

Resolução nº 223, de 12/06/2006 – Altera o Regimento Interno da Agência Nacional de Águas (ANA). (http://www.ana.gov.br/AcoesAdministrativas/Resolucoes/resolucoes2006/223-2006. pdf).

Decreto nº 4.613, de 11/03/2003 – Regulamenta o Conselho Nacional de Recursos Hídricos. (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2003/D4613.htm). Lei nº 9.984, de 17/07/2000 – Dispõe sobre a criação da Agência Nacional de Águas (ANA), entidade federal de implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos e de coordenação do Sistema Nacional de Gerenciamento Hídricos, e dá outras providências. (http://www.ana.gov.br/Legislacao/docs/ LEI%20Nº%209.984-2000_19122008_new.pdf). Decreto nº 3.692, de 19/12/2000 – Dispõe sobre a instalação, aprova a Estrutura Regimental e o Quadro Demonstrativo dos Cargos Comissionados e dos Cargos Comissionados Técnicos da Agência Nacional de Água (ANA), e dá outras providências. (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3692. htm). Lei nº 10.881, de 09/06/2004 – Dispõe sobre os contratos de gestão entre a Agência Nacional de Águas e entidades delegatárias das funções de agências de águas relativas à gestão de recursos hídricos de domínio da União e dá outras providências. (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato20042006/2004/Lei/L10.881.htm).

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FORMAS DE PRESERVAR E INCENTIVAR O USO Racional da água

Resolução nº 471, de 06/11/2006 – Alterar os quantitativos e a distribuição dos Cargos Comissionados. (http://www.ana.gov.br/AcoesAdministrativas/Resolucoes/ resolucoes2006/471-2006.pdf).

! DICA casa não tem Verifique se sua tações rque muitas habi po s, to en m za va idos. s de água escond têm vazamento is de etro antes e depo Leia seu hidrôm do não duas horas quan de o od rí pe um ostra ua. Se ele não m ág de o us er uv ho esmo número, há exatamente o m vazamento.

Resolução nº 121, de 23/04/2007 – Altera os arts. 3º e 43 e insere o art.44b no Regimento Interno da Agência Nacional de Águas (ANA). (http://www.ana.gov.br/AcoesAdministrativas/ Resolucoes/resolucoes2007/121-2007.pdf). Resolução nº 348, de 20/08/2007 – Aprova Regimento Interno da Agência Nacional de Águas (ANA). (http://www.ana.gov.br/AcoesAdministrativas/Resolucoes/resolucoes2007/348-2007. pdf). Resolução nº 630, de 23/09/2008 – Altera o Regimento Interno da Agência Nacional de Águas (ANA). (http://www.ana.gov.br/AcoesAdministrativas/Resolucoes/resolucoes2008/630-2008.pdf). Resolução nº 567, de 17/08/2009 – Aprova o regimento Interno da Agência Nacional das Águas (ANA). (http://www.ana.gov.br/AcoesAdministrativas/Resolucoes/resolucoes2009/567-2009. pdf).

GIGANTES DA ECOLOGIA - A ÁGUA É O SANGUE DA TERRA

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A população deve ter ao seu dispor uma informação precisa, completa e confiável, sobre a qualidade da água potável que consome. Seu monitoramento deve abranger, além da poluição orgânica, aquela por organoclorados, metais pesados e outras substâncias ou compostos com efeito cumulativo de longo prazo. Essa informação deve ser transparente, com a participação dos usuários na supervisão da sua elaboração, e divulgada regularmente, em linguagem simples e acessível a todos. Devem ser estudados em profundidade os efeitos em longo prazo do tratamento com cloro e estimuladas formas de tratamento alternativas. Deve ser abolida a taxação por estimativa. Cada residência familiar tem direito a um hidrômetro para poder pagar aquilo que efetivamente consome e ser estimulada a economizar.

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FORMAS DE PRESERVAR E INCENTIVAR O USO Racional da água

O objetivo é claro: lançar no rio, na galeria pluvial, na lagoa ou no mar apenas o efluente tratado. Saneamento não é, apenas, obra. Sanear também quer dizer instruir, organizar e mobilizar. Governos, comunidades e iniciativa privada devem trabalhar juntos em Conselhos das Águas e outros comitês de gestão de bacias hidrográficas. As águas devem ser taxadas de acordo com seus usos e respectivos impactos.

! DICA

s de as temperatura Quando ajustar o da aumentar o flux água, no lugar de inui-lo. água, tente dim

Águas cheias

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As valas negras a céu aberto, a presença de esgoto dentro ou perto de casa é a maior causa de mortalidade infantil. Toda a população brasileira tem direito ao saneamento básico, tirando as águas sujas de perto das crianças. O segundo passo é tratar o esgoto. Há uma série de soluções, desde a minimalista até a mais completa, para eliminar esse alto risco ambiental e sanitário. A fossa séptica, a fossa com filtro, o sistema de condominial, o sistema misto, a rede de esgotos, a lagoa de estabilização, a oxidação laminar, a estação de tratamento num grau crescente de aprimoramento do tratamento, até chegar ao reaproveitamento.

Águas do mar

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Toda população brasileira, urbana, rural, de cidade grande, periferia ou pequena localidade tem direito a um abastecimento de água potável suficiente, livre de contaminação orgânica ou química de qualquer espécie. Agentes comunitários devem orientar a população mais carente sobre os cuidados necessários à descontaminação da água potável.

Águas sujas

Água de beber

Decálogo da água

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As águas também matam. Nossos rios, valas e canais foram assoreados, aterrados e retificados abusivamente. Muitos foram canalizados. Suas margens foram ocupadas, suas matas ciliares e áreas de acumulação suprimidas. Enormes quantidades de lixo se acumulam no seu interior e nas encostas desmatadas, sujeitas à erosão. Enormes extensões de solo foram totalmente pavimentadas e impermeabilizadas sem deixar suficientes pontos de contato da água da chuva com o solo. Regiões no passado alagadiças, com pântanos, mangues, brejos ou várzeas foram primeiro aterradas e de-

pois asfaltadas e edificadas. O lixo que muita gente insiste em vazar nas ruas entope os ralos e as galerias pluviais. Nas chuvas de verão a natureza se vinga. As encostas desmatadas desmoronam sobre as construções em área de risco. A água corre sobre as ruas asfaltadas, a grande velocidade, arrasta consigo casas, automóveis e pessoas.

A poluição das praias por esgotos, efluentes industriais ou derrames de petróleo é uma ameaça ao direito de todo ser humano a um reconfortante e revigorante banho de mar. É também um abalo na auto-estima dos brasileiros e um fator inibidor ao desenvolvimento do turismo. A população tem o direito a uma informação segura e atualizada sobre as condições da água do mar, dia a dia. Essa informação deve passar pelo cri-

vo de um controle social e ser divulgada, regularmente, em linguagem simples, acessível a todos. A supressão das línguas negras e de todo tipo de despejo de esgoto, nas praias ou em rios, valas ou canais que nelas desaguem é obrigação do poder público, da mesma forma que mantê-las com um índice de coliformes fecais abaixo de 1000 por 100ml, em tempo seco.

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Os rios e canais transbordam. Precisamos recuperar as margens dos rios, recompor sua profundidade original através de dragagens criteriosas, reflorestar as matas ciliares, os mangues, as várzeas, criar bacias de acumulação nos pontos críticos, reassentar as comunidades de áreas de risco,

O monitoramento deve-se às areias que têm

fazer uma drenagem inteligente, com uma visão de conjunto da região, multiplicar nas cidades o maior número possível de áreas verdes destinadas a acumular a precipitação, criar reservatórios nos telhados para absorver parte da água e liberandoa finda a chuva. Manter ao máximo áreas de solo aberto nos estacionamentos, praças, calçadas. Reflorestar as encostas sujeitas à erosão e risco. Criar circuitos de recompra e reciclagem de lixo plástico e projetos geradores de renda para sua catação e acondicionamento para a reciclagem. E acabar com a mentalidade do “descartável”, obrigando ao retorno e à recompra das garrafas plásticas. que estar limpas e revolvidas com regularidade pois seu potencial de armazenamento de patogênicos é maior do que o da água salgada. O monitoramento, o controle e a rápida intervenção em relação à poluição proveniente de embarcações, derramamentos de petróleo e outros é uma missão das autoridades civis e militares inerente à soberania sobre as águas. A navegação de jet-skis e outras embarcações deve ser rigorasamente reprimida dentro da faixa de 200 metros da linha de rebentação.

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O rio deve vir antes dos “recursos hídricos”. Estes devem ser tachados de acordo com o tipo de uso, o volume e a demanda de recuperação correspondente. Rios não cabem em fronteiras. Defender os rios é um desafio de cooperação entre diferentes estados, municípios, poder público e sociedade civil em comitês e agências de gestão por bacias hidrográficas. Sua preservação depende dessas novas formas de administração, integradas e participativas.

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FORMAS DE PRESERVAR E INCENTIVAR O USO Racional da água

Toda lagoa ou laguna deve ter sua faixa marginal de proteção demarcada e protegida, suas áreas de mangue ou vegetação de restinga recompostas e seu fundo desassoreado e recomposto dentro de suas características naturais, por dragagens criteriosas, dentro de um planejamento e com todas as precauções ambientais em relação às áreas de bota-fora. Aquelas onde é forte a presença de lodo orgânico e gás sulfídrico devem ser objeto de uma aeração laminar, suave, capaz de estimular a proliferação natural de organismos vivos que irão consumir o lodo e melhorar o aspecto das águas, tornando-as mais atraentes ao banho. A supressão do lançamento de efluentes não tratados deve ser ainda mais rigorosa que nos rios e nas praias. Devem ser estabelecidas rotinas para a coleta diária de lixo flutuante, sobretudo plástico. Em lagoas que recebem rios e canais com muito lixo, redes e grades devem ser colocadas para retêlo antes da lagoa num ponto onde possa ser facilmente recolhido. O uso recreativo deve ser estimulado pois ele é um alimentador da demanda pela preservação. O tratamento biológico de efluentes com aguapé deve ser realizado sob rígido controle e manejo especializado para evitar proliferação incontrolada e contra-producente. É conveniente, salvo nas lagoas muito grandes, coibir ou regulamentar restritivamente os barcos a motor de grande potência e, sobretudo, os jet-ski. Devem ser implementados projetos de reconstituição subaquática e piscicultura, compatíveis com outros usos.

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É necessário recuperar as águas como vias de transporte de passageiros, em cidades litorâneas, ribeirinhas, à margem de baias ou insulares. As barcas e os modernos catamarãs são alternativas de locomoção que contribuem para descongestionar as vias terrestres e oferecer uma modalidade segura e agradável de deslocamento, de carga, em hidrovias fluviais ou navegação costeira como alternativa ao transporte rodoviário. Na concepção de hidrovias deve-se ter grande precaução com impactos ambientais como dragagens excessivas e retificações de cursos d’água que tenham como efeito a aceleração da velocidade das águas, o aumento da sedimentação e outras alterações capazes de provocar mudanças nocivas a montante ou jusante. Isso se aplica particularmente à delicada região do Pantanal. A maior contribuição ao transporte fluvial deve ser, na outra ponta, na concepção de tipos de embarcação que se adaptem às condições de um rio dado e não vice-versa.

Águas de irrigar

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Nossas lagoas e lagunas fazem parte das maravilhas ameaçadas em todo o país. Assoreadas pelo carreamento de terra e lodo dos rios; poluídas por esgotos que vão formando camadas de lodo, no fundo, de onde emana gás sulfídrico; vítimas de frequentes mortandades em massa de peixes, com suas margens e manguezais aterrados; desmatadas e ocupadas irregularmente por grileiros, nossas lagoas, salvo algumas exceções notáveis, apresentam um panorama sombrio. Muitas já desapareceram.

Águas de navegar

Águas nas lagoas

Águas dos rios

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O Brasil tem uma profusão fantástica de rios e alguns dos mais importantes do mundo como o Amazonas, o São Francisco e o Paraná. Muitos dos nossos rios estão seriamente ameaçados de desaparecer ou de virar vala de esgoto a céu aberto. O desmatamento das áreas de mananciais; o garimpo criminoso com despejo de mercúrio, a devastação das matas ciliares, os aterros e as construções dentro das faixas marginais de proteção, projetos de irrigação ou de geração de energia mal concebidos, pesca predatória são algumas ameaças a serem combatidas e revertidas. Todo rio tem direito à proteção da sua nascente, às suas matas ciliares e a receber apenas efluentes, domésticos ou industriais, previamente tratados.

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A irrigação, a princípio, é a redenção da agricultura em áreas atingidas pela seca ou de solo árido. Ela deve, no entanto, obedecer a uma análise de conjunto e não respostas pontuais. A transposição de rios, a construção de poços artesianos e outras medidas destinadas à fa vorecer à irrigação precisam ser submetidas ao crivo de uma análise mais abrangente em relação ao seu impacto ambiental e à sua sustentabilidade para além do curto prazo. Determinados projetos mal concebidos podem criar verdadeiras catástrofes ecológicas como a que esvaziou o Mar do Aral (ex-URSS). Os projetos de irrigação e a drenagem das áreas agrícolas devem ser considerados também à luz do perigo que representa o carreamento de agrotóxicos, defensivos e adubos químicos de volta para os leitos dos rios e sua deposição nos reservatórios e lençóis freáticos onde se abastecem os trabalhadores agrícolas e suas famílias. Os projetos de irrigação devem também ter como critério o não desperdício e o respeito aos interesses e necessidades de quem mora jusante. Nos grandes reservatórios deve-se estimular a pluralidade de usos, inclusive os recreativos e de piscicultura.

! DICA

cloro ou água verduras utilize e as ut fr de ão para um litro Na higienizaç a colher de sopa m (u l ra ge o us colheres de sanitária de s coloque duas oi ep D ). os ut in m r mais 10 de água, por 15 água e deixe po de ro lit um em possível. sopa de vinagre áximo de água m o do an iz om minutos, econ

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A água é um recurso finito. Embora seja abundante em nosso país há regiões onde ela começa a escassear como resultado de práticas predatórias, mau planejamento e uso inadequado. Mesmo naquelas cidades onde o abastecimento provêm de rios caudalosos, ter um levantamento minucioso de suas reservas d’água e poder acessá-las, monitorá-las e, eventualmente, explorá-las alternativamente, é algo de que não se pode abrir mão.

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FORMAS DE PRESERVAR E INCENTIVAR O USO Racional da água

Águas servidas

Águas do subsolo

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O desperdício, a má utilização e a crescente contaminação dos lençóis freáticos nas áreas urbanizadas é um problema a ser enfrentado preventivamente antes que seja tarde. O controle da contaminação do solo por derivados de petróleo, produtos químicos e tóxicos variados, susceptíveis de se infiltrarem no lençol freático é um dever que temos para com essas águas ocultas. Fazer levantamentos geológicos da quantidade de águas subterrâneas numa cidade ou região, das suas características e dispor dos números seguros para poder avaliar, regularmente, sua evolução, é uma obrigação do poder público e uma medida de prudência que devemos às futuras gerações.

! DICA

as aos poucos. Não lave as roup umular e lave Deixe a roupa ac z tudo de uma ve

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Quantos de nós brasileiros nos preocupamos com a água nossa de todo dia, quando não falta nem está poluída? Quantos nos sentimos co-responsáveis por ela? O desperdício de água no nosso país é imenso. Caricatural, assustador. Intolerável. Há cidades brasileiras onde mais de 50% da água é perdida, na rede, no percurso entre a estação de tratamento e cloração e a torneira do usuário. O desperdício doméstico, comercial e industrial também é imenso. Economizar água raramente é um critério exigido nos procedimentos e rotinas produtivos, comerciais e de asseio público. Os equipamentos: torneiras, descargas, etc... não foram concebidos para economizar água. Nossos hábitos, desde o anódino fazer a barba com a água correndo até o desperdícios ao lavar o carro, são perdulários. Combater rigorosamente os vazamentos na rede pública e nas dependências particulares, adotar uma nova geração de equipamentos com tecnologia apropriada à economia e mudar os hábitos de desperdício é um grande desafio. As águas parecem infinitas mas não são. A não ser que decidamos torná-las.

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saneamento é saúde básico

Para evitar doenças transmitidas pela água devemos tomar os seguintes cuidados:

Água potável significa saúde para a população

A água tem uma contribuição fundamental para a saúde e o bem-estar dos seres humanos, auxiliando no controle e prevenção das doenças, nos hábitos higiênicos e nos serviços de limpeza pública; nas práticas esportivas e recreativas e na segurança coletiva,

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O consumo de água contaminada, a falta de acesso ao saneamento ambiental e as condições de higiene inadequadas são responsáveis pelos problemas mais graves de saúde, especialmente nas populações empobrecidas. A forma mais comum de contrair doenças contagiosas é a ingestão de água e de alimentos contaminados, mas algumas podem ser transmitidas por vetores animais ou contato direto com a água contaminada. Calcula-se que ocorram cerca de 30 mil mortes diariamente no mundo oriundas de doenças advindas de água contaminada. A maioria delas acontece entre crianças, principalmente, as de classes mais pobres,

que morrem desidratadas, vítimas de diarréia causadas por micróbios. No Brasil, infelizmente mais de 3 milhões de famílias não recebem água tratada e um número de casas duas vezes e meia maior que esse não tem esgoto. Isso é muito grave. Estima-se que o acesso à água limpa e ao esgoto reduziria em pelo menos um quinto a mortalidade infantil. Nos países desenvolvidos figura entre as 10 primeiras causas de óbito em crianças. Na América Latina é causa básica de morte em quase 30% de crianças com até 5 anos. No Brasil, em alguns casos, representa 1/3 dos óbitos de crianças com menos de um ano.

! DICA s Instale aeradore nas torneiras (redinhas que se cal). encaixam no bo

Filtrar e ferver a água; Não lavar alimentos que serão consumidos crus com água não tratada como verduras, frutas e hortaliças.

Fonte: www.sobiologia.com.br

como meio de combate ao incêndio. Na saúde do meio ambiente, a água é o fluído da vida, mantendo o equilíbrio e a beleza estética do cenário natural. Na economia mundial, a saúde do bolso pode ser muito mais afetada, quando gastamos para tratar a água contaminada ou uma doença gerada por ela, do que quando prevenimos a degradação dos recursos hídricos.

Tratar a água eliminando micróbios e impurezas nocivas à saúde humana;

Mais de 1,1 bilhão de pessoas no mundo não possuem acesso à água de qualidade; Fontes: Sinais Vitais 2003, Worldwatch Institute, Organização Mundial da Saúde; www.rededasaguas.org.br

T

odos os dias nos levantamos para estudar, para trabalhar ou para se divertir. Tirando fora a preguiça, o que realmente nos leva a desistir da ideia de sair da cama é ficar doente. Ter saúde é condição fundamental para qualquer ser humano ser produtivo. Não estamos falando somente de doença, mas sim de estar de bem com a vida e com o nosso ambiente. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a saúde como um estado de completo bem estar físico, mental e social, e não apenas ausência de doença. A água tem um importante papel nos três estados da saúde citados pela OMS, sendo fator de inclusão ou exclusão social. Populações sem acesso a água tratada e saneamento ambiental são expostas a doenças, ambientes sem estética e má qualidade de vida.

Proteger açudes e poços utilizados para o abastecimento;

Mais de 10 milhões de pessoas morrem a cada ano em decorrência de doenças relacionadas à ingestão de água contaminada e à falta de saneamento, sendo a maioria crianças abaixo de cinco anos de idade; Atualmente, as doenças infecciosas – muitas delas relacionadas à qualidade da água – matam duas vezes mais do que o câncer.

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Principais doenças transmitidas pela água contaminada: Diarréia infecciosa: Se a pessoa vai muitas vezes ao banheiro e as fezes saem líquidas ou muito moles, ela pode estar com diarréia. A diarréia pode ser provocada por micróbios adquiridos pela comida ou águas contaminadas;

ais e feijão ou carne bem cozidos, por exemplo. Depois de a diarréia passar, é bom dar a ela uma alimentação extra, para ajudar na recuperação;

As diarréias leves quase sempre acabam sozinhas. No entanto, é preciso beber líquidos para evitar a desidratação, que é muito perigosa;

Crianças e idosos correm maior risco de desidratação. Por isso, é importante tomar também os sais de reidratação oral, fornecidos pelos postos de saúde. Eles devem ser misturados em água, na quantidade indicada na embalagem;

Uma criança com diarréia precisa continuar a ser amamentada ou continuar com a alimentação. Às crianças que já comem alimentos sólidos devem ser oferecidas misturas bem amassadas de cere-

Na falta desses sais, podemos preparar e oferecer o soro caseiro. Assim: num copo com água fervida ou filtrada, dissolvemos uma pitada de sal e duas colheres de chá de açúcar.

Cólera:

Leptospirose:

Hepatite:

Esquistossomose:

A Cólera é uma doença infecciosa que ataca o intestino dos seres humanos. Ao infectar o intestino, essa bactéria faz com que o organismo elimine uma grande quantidade de água e sais minerais, acarretando séria desidratação. Esta bactéria pode ficar incubada de um a quatro dias. Os casos de cólera podem ser fatais, se o diagnóstico não for rápido e o doente não receber o tratamento correto. A prevenção da cólera pode ser feita através de vacina e, principalmente, através de medidas de higiene e saneamento básico.

A leptospirose é uma doença bacteriana que afeta humanos e animais, causada pela bactéria do gênero Leptospira. É transmitida pela água e alimentos contaminados pela urina de animais, principalmente o rato. É uma doença muito comum depois de enchentes, pois as pessoas andam sem proteção em águas contaminadas. Em humanos a leptospirose causa uma vasta gama de sintomas, sendo que algumas pessoas infectadas podem não ter sintoma algum. Os sintomas da leptospirose incluem febre alta, dor de cabeça forte, calafrio, dor muscular e vômito.

É uma inflação no fígado que pode ser provocada por vários tipos de vírus. Os sintomas são parecidos com os da gripe e há também icterícia (coloração amarelada da pele causada pelo depósito de uma substância produzida pelo fígado). A pessoa precisa ficar em repouso e seguir as orientações médicas. Algumas formas de hepatite são transmitidas por água e alimentos contaminados por fezes (Tipo A e E).

É provocada por um verme chamado esquistossomo. Os vermes vivem nas veias do intestino e podem provocar diarréia, emagrecimento, dores na barriga, que aumenta muito de volume (barriga-d’água), e problemas em vários órgãos do corpo. Os ovos do esquitossomo saem junto com as fezes da pessoa contaminada. Se não houver fossa ou rede de esgotos, eles podem chegar à água doce (lagos, lagoas ou riachos, margens de rios, etc). Na água, os ovos dão origem a pequenas larvas (animais diferentes dos vermes adultos) chamados miracídios. As larvas penetram em um tipo de caramujo chamado planorbídeo. No interior do caramujo, elas se reproduzem e se transformam em outras larvas, as cercárias, que saem do caramujo e ficam nadando livres na água.

! DICA as louças com Deixe de molho da. sujeira mais pesa

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SANEAMENTO BÁSICO E SAÚDE

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A

população brasileira produz, em média, 8,4 bilhões de litros de esgoto por dia. Desse total, 5,4 bilhões não recebem nenhum tratamento, ou seja, apenas 36% do esgoto gerado nas cidades do país são tratados. O restante é despejado sem nenhum cuidado no meio ambiente, contaminando solo, rios, mananciais e praias do país inteiro, sem contar nos danos diretos que esse tipo de prática causa à saúde da população. A constatação é do Instituto Trata Brasil, que realizou um estudo, com o apoio do Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento. Foram avaliados os serviços de saneamento básico prestados nas 79 cidades brasileiras que possuem população superor a 300 mil habitantes. São as cidades que apresentam os maiores problemas sociais decorrentes da falta dos serviços e que concentram cerca de 70 milhões de pessoas no País. A pesquisa revelou que, entre 2003 e 2007, período em que o estudo foi realizado, o atendimento para questões de saneamento nas cidades avaliadas melhorou em 14% e o índice de tratamento de esgoto avançou 5%.

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SANEAMENTO BÁSICO E SAÚDE

O estudo apontou, ainda, que os municípios do país que mais se destacaram na avaliação estão todos localizados na região sudeste do país. São eles: Franca (SP), Uberlândia (MG), Sorocaba (SP), Santos (SP), Jundiaí (SP), Niterói (RJ), Maringá (PR), Santo André (SP), Mogi das Cruzes (SP) e Piracicaba (SP), em ordem de classificação. No entanto, apesar dos números revelarem que o Brasil melhorou o alcance da prestação dos serviços de coleta e de tratamento de esgoto, a pesquisa demonstra que o País não avançará na questão do saneamento básico sem o engajamento das prefeituras. Tanto entre as dez cidades brasileiras que apresentam os melhores indicadores quanto entre as piores, estão operadores municipais, estaduais e privados. Assim, podemos concluir que não é o modelo de gestão que determina a prestação eficiente. O que faz a diferença é a prioridade política e a importância que os gestores públicos e a própria população dedicam ao saneamento, cobrando uma prestação de serviços eficiente e de qualidade.

.

rio como lixeira

sanitá Não use o vaso

A pesquisa avaliou, ainda, a conformidade ambiental dos municípios, ou seja, o volume de esgoto tratado por água consumida. Nesse quesito, a situação mudou um pouco de figura. As melhores colocadas do ranking foram as cidades de Jundiaí, Salvador e Niterói, enquanto as piores posições ficaram para Guarulhos, Bauru, Porto Velho e Ananindeua, além das cidades da Baixada Fluminense, que já estavam mal colocadas na pesquisa. Das 79 cidades pesquisas, Franca é a que oferece à população o melhor serviço de saneamento básico disponível. Dados do Perfil dos Domicílios Brasileiros (Pnad – 2008), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que será divulgado em dezembro de 2009, no que se refere ao esgotamento sanitário, à participação dos domicílios atendidos por rede coletora de esgoto aumentou 1,4%. Desta forma, o Brasil passou a ter 30.208 domicílios ligados à rede coletora. O norte, mesmo tendo a menor parcela de domicílios ligados a rede coletora, com apenas 9,5% do total de domicílios da região, apresentou redução de 0,5% na proporção de domicílios da região.

Apesar da importância para saúde e meio ambiente, o saneamento básico no Brasil está longe de ser adequado. Mais da metade da população não conta, sequer, com redes para coleta de esgotos e 80% dos resíduos gerados são lançados diretamente nos rios, sem nenhum tipo de tratamento. O descaso e a ausência de investimentos no setor de saneamento em nosso País, em especial nas áreas urbanas, compromete a qualidade de vida da população e do meio ambiente. Enchentes, lixo, contaminação dos mananciais, água sem tratamento e doenças apresentam uma relação estreita. Diarréias, dengue, febre tifóide e malária, que resultam em milhares de mortes anuais, especialmente de crianças, são transmitidas por água contaminada com esgotos humanos, dejetos animais e lixo. Em 2000, 60% da população brasileira não tinha acesso à rede coletora de esgotos e apenas 20% do esgoto gerado no País recebia algum tipo de tratamento. Nesse mesmo ano, quase um quarto da população não tinha acesso à rede de abastecimento de água. Este quadro foi apresentado em 2004, no Atlas de Saneamento do IBGE, que teve como base os dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB), divulgada em 2002, combinado com informações do Censo 2000 e de instituições do governo e universidades. Segundo esta pesquisa, entre os 5.507 municípios do País, mais de 1,3 mil enfrentam problemas com enchentes. A coleta de lixo é amplamente difundida, porém a grande maioria dos municípios (63,3%) deposita seus resíduos em lixões a céu aberto e sem nenhum tratamento. Os aterros sanitários estão presentes em apenas 13,8% dos municípios brasileiros, e apenas 8% deles afirmam ter coleta seletiva.

Mundo

Esgoto tratado é prevenção

Descaso

! DICA

Dentre os países desenvolvidos onde há água tratada e sistema completo de esgoto sanitário para 100% da população, o Canadá tem se destacado em um movimento de promoção da saúde, defendendo o conceito de cidade saudável, que tem hoje o aval da Organização Mundial de Saúde/Organização Panamericana de Saúde (OMS/OPAS). Os Estados Unidos e a maior parte dos países europeus já resolveram o problema da coleta, tratamento e disposição do esgoto sanitário há muitas décadas. Em alguns países, há mais de um século. Os investimentos que são feitos atualmente nesses países referem-se à modernização ou ampliação dos sistemas já implantados. A cidade de Chicago, uma das mais desenvolvidas dos Estados Unidos, é um exemplo da universalização do serviço. Dos cerca de dois milhões de domicílios, 98,7% dispõem de coleta e tratamento do esgoto sanitário, 1% possui fossa séptica e apenas 0,2% do total destinam os esgotos domésticos através de outros meios.

Dados segundo o Perfil dos Domicílios Brasileiros (Pnad – 2008), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): Brasil Rede de água Rede de Esgoto

2005 69,7% 69,7%

2006 83,2% 70,4%

2007 83,2% 51,1%

2008 83,9% 52,5%

Cidades que apresentam os melhores resultados: REDE Água Esgoto

Distrito Federal 2005 2006 91% 90,8% 94,3% 95,6%

2007 93,6% 95,1%

2008 95,3% 96,8%

REDE Água Esgoto

SÃO PAULO 2005 2006 96,2% 96,4% 93,1% 92,3%

2007 96,7% 93,6%

2008 96,5% 94,2%

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Falta de saneamento é a preocupação de todas as cidades, independente do tamanho

D

Fontes: www.cidades.gov.br e www.funasa.gov.br

os mais de 5,5 mil municípios brasileiros, cerca de 3,7 mil concederam seus serviços de saneamento às companhias estaduais. Grande parte dessas concessões, que são da década de 70, encontra-se com os respectivos contratos vencidos ou a vencer em curto prazo. Os demais municípios têm seus serviços de saneamento operados por autarquias ou empresas municipais, pela Funasa ou pela iniciativa privada, solução encontrada por muitos para garantir os investimentos necessários à expansão dos serviços.

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A maior parte dos municípios brasileiros é carente de projetos para resolver o problema de saneamento básico no País. Além disso, os investimentos públicos no setor são menores do que o necessário para a universalização. Então é necessário um envolvimento maior das lideranças políticas no sentido de mudar esse cenário. Em Itapema (SC), a Companhia Águas de Itapema trabalha e investe pesado para transformar o município em modelo na área de saneamento. A empresa, que desembolsou mais de R$ 70 milhões em obras

entre 2004 e o início de 2009, tem ações de combate às perdas, que garantem o atendimento à população com a menor retirada possível de água do meio ambiente; adota soluções de engenharia que permitem aumentar a produção de água tratada na cidade sem por em risco a principal fonte da região (Rio Perequê), e implanta ações de combate ao desperdício. Ao mesmo tempo, a implantação do sistema de coleta e tratamento de esgoto é fundamental para garantir a correta destinação dos resíduos gerados na cidade, protegendo os cursos d’água e o lençol freático.

Saneamento ambiental: Conjunto de ações que envolvem o abastecimento de água potável, serviços de esgotamento sanitário, coleta e tratamento dos resíduos, drenagem urbana e controle de vetores e reservatórios de doenças transmissíveis com a finalidade de proteger e melhorar as condições de vida rural e urbana. SANEAMENTO BÁSICO E SAÚDE

Águas de Itapema investe na solução do problema Quando a Companhia assumiu os serviços, em 2004, Itapema sofria com dois problemas distintos: no Verão, milhares de turistas deslocavam-se para a cidade e o crescimento exponencial da população resultava em desabastecimento de água em diversos pontos. Além disso, sem infraestrutura adequada para a coleta e o tratamento do esgoto, a cidade despejava seus resíduos em fossas construídas de forma precária ou, o que era mais comum, diretamente em cursos d’água ou nas galerias de água pluvial que desaguam no mar ou em rios do município. Em busca de soluções, a Companhia ampliou a estrutura de produção de água (a capacidade de produção nas estações existentes no município saltou de 316 mil litros/hora para 1,4 milhão de litros/hora), modernizou e ampliou o número de estações de tratamento e adotou uma série de ações para diminuir as perdas. Entre elas pode-se destacar a substituição das redes de distribuição antigas por novas, menos vulneráveis a vazamentos. A concessionária também construiu lagoas de acumulação que armazenam 232 milhões de litros e garantem a água para atender ao pico de demanda da temporada preservando os mananciais da região.

Também estão sendo feitos investimentos maciços em coleta e tratamento de esgoto. Na temporada de Verão 2008/2009, Itapema recebeu centenas de milhares de visitantes, como ocorre há anos. A maior parte dos turistas se instalou na Meia Praia, também como se vê há décadas. Dessa vez, porém, havia uma diferença significativa em relação aos anos anteriores. Pela primeira vez, toda a Meia Praia era atendida pela rede coletora de esgoto. Inexistente na cidade até 2004, a estrutura de coleta e tratamento de esgoto ainda não é usada por todos os donos de imóveis do bairro. Mas a tubulação está pronta em toda a Meia Praia, área que concentra 53% da população, e recebe o esgoto produzido por uma série de imóveis que já providenciaram a ligação ao sistema. Os dados do Verão 2008/2009 permitem que se tenha uma noção do impacto do sistema implantado pela Águas de Itapema na proteção da água na cidade. Na alta temporada, a cada segundo foram coletados e tratados, em média, 100 litros de esgoto em Itapema. Significa dizer que, por dia, mais de 8 milhões de litros

de esgoto deixaram de ser despejados no solo, em rios ou no mar que banha a cidade. Em vez disso, todo o material foi transportado até a Estação de Tratamento de Esgoto construída pela Companhia. Com a estrutura, Itapema tornou-se uma dentre apenas 31 cidades catarinense que possuem sistemas de coleta e tratamento de esgoto. O estado tem 293 municípios. Hoje a Companhia trabalha na ampliação do sistema, com obras no Centro. Quando mais essa região estiver completamente atendida, o índice de cobertura pelo serviço no município alcançará os 75% da população.

! DICA

a só lítica. Não adiant Faça pressão po r cessário brigar po economizar, é ne idem dos rios políticas que cu am e lagos e garant água potável para todos.

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Efeitos Positivos do Saneamento Básico: Melhoria da Saúde da População e redução dos recursos aplicados no tratamento de doenças, uma vez que grande parte delas está relacionada com a falta de uma solução adequada de esgoto sanitário; Diminuição dos custos de tratamento da água para abastecimento (que seriam ocasionados pela poluição dos mananciais); Melhoria do potencial produtivo das pessoas; Dinamização da economia e geração de empregos; Eliminação da poluição estética/visual e desenvolvimento do turismo Eliminação de barreiras não-tarifárias para os produtos exportáveis das empresas locais; Conservação ambiental; Melhoria da imagem institucional; Reconhecimento dos eleitores.

! DICA

chando ra um banho, fe pa ia ár ss ce ne mínima de água terço da sua Use a quantidade ra apenas a um ei nh ba a do en ench ua. o ralo primeiro e tes de abrir a ág an ra ei nh ba a e capacidade. Fech uecido pela água pode ser aq de l ia ic in io fr to O ja trar. icional que vai en água quente ad

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SANEAMENTO BÁSICO E SAÚDE

Cerca de 86,9 milhões de brasileiros vivem em domicílios desprovidos de sistemas de coleta do esgoto sanitário; Cada metro cúbico de água utilizada produz, pelo menos, outro metro cúbico de esgoto sanitário; Da população diretamente afetada, as crianças são as que mais sofrem. Assim, 15 crianças de 0 a 4 anos morrem por dia no Brasil em decorrência da falta de saneamento básico, principalmentede esgoto sanitário; No mundo 1 bilhão de pessoas não dispõem de água potável; 1,8 bilhões de pessoas no mundo não têm acesso a sanitários e esgoto; Para cada R$ 1,00 investido no setor de saneamento, economiza-se R$ 4,00 na área de medicina curativa;

Blumenau investe para ter 25% do esgoto tratado

A

A maioria das nossas cidades vive o drama do esgoto a céu aberto e da falta de tratamento dos dejetos sanitários. Somente em Blumenau cerca de 40 milhões de litros de esgoto, sem qualquer tipo de tratamento, são jogados todos os dias no rio Itajaí-Açu – equivalente a 17 piscinas olímpicas. Isso é um crime contra o meio ambiente, contra a saúde pública e contra o direito de nossos filhos, netos e bisnetos de viverem em uma Blumenau ambientalmente equilibrada. Mas, até o momento, esse problema nunca

foi tratado com a seriedade necessária. Tanto que nos primeiros 154 anos de Blumenau foi construída uma rede para somente 2,12% da população. A Prefeitura de Blumenau, através do Samae, já assinou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Esgoto e convênio com a Funasa com o objetivo de mudar esse quadro. O contrato, assinado no final do ano passado entre a Caixa Econômica Federal e a Prefeitura, no valor de R$ 32,3 milhões, é o maior para obras de esgoto sanitário com recursos a fundo perdido do Governo Federal. A Prefei-

tura de Blumenau participa com R$ 8 milhões da contrapartida. Com esses contratos, vai para 25% a quantidade de esgoto tratado na cidade. Os projetos serão desenvolvidos nas localidades de Araranguá, Itoupavazinha, José Reiter e Cohab II.

O município também apresentou um projeto para a concessão do tratamento e coleta de esgoto para atender os 75% restantes. Desta forma, num futuro próximo, o município poderá ter 100% do esgoto tratado de forma adequada.

Segundo dados do governo federal, apenas 28,2% do esgoto sanitário coletado nos domicílios brasileiros recebe tratamento e só uma pequena parcela tem destinação sanitariamente adequada no meio ambiente; Os índices de mortalidade infantil em geral caem 21% quando são feitos investimentos em saneamento básico;

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Questionamento

O RAIS SÃ A U T A N Z RES NATURE DESAST A D O Ã AÇ UMA RE

Desastres naturais são reflexos da ação impensada do homem

E

nchente não é, necessariamente, sinônimo de catástrofe. É apenas um fenômeno natural dos regimes dos rios. Não existe rio sem enchente. Por outro lado, todo e qualquer rio tem sua área natural de inundação. As inundações passam a ser um problema para o homem quando ele deixa de respeitar esses limites naturais dos rios. Por exemplo, quando remove as várzeas e quando se instala junto às margens. Ou então quando altera

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o ambiente de modo a modificar a magnitude e o regime das enchentes, quando desmata, remove a vegetação e impermeabiliza o solo. As alterações que o homem provoca na bacia hidrográfica modificando suas características físicas, também aumentam o prejuízo dessas enchentes. E as alterações das características de uma bacia são sempre resultado da ação do homem, que ocorre de diversas formas. A primeira, ou mais importante, é

quando ele suprime a cobertura vegetal e introduz obras com sistemas de impermeabilização do solo, como construção de casas, telhados, pavimentação de ruas, quintais, entre outras. Perdemos a capacidade de retenção de água através da vegetação e perdemos também a capacidade de infiltração dessa água no solo. Por conseguinte, os volumes de água que chegarão nos rios serão sempre maiores. E, portanto, os prejuízos das inundações também serão maiores.

E como podemos enfrentar o problema dos prejuízos decorrentes de inundações? Existem basicamente três formas: a primeira é não ocupar as áreas de inundação; a segunda é não alterar – ou alterar o menos possível – as características físicas da bacia hidrográfica e, por último, através da implantação de obras de contenção de cheias, como a construção de barragens, reservatórios, de diques para proteção de áreas de riscos altos de inundação e outras obras de engenharia, como desassoreamento de rios e ampliação de seus leitos. Todas essas obras têm uma característica comum: são extremamente caras e onerosas para a sociedade. Conquanto tenham um certo grau de eficiência, nós podemos dizer que elas não são absolutamente eficazes porque, mesmo contando com essas obras, sempre haverá um evento de chuva, um evento de cheia que provocará uma inundação maior do que aquelas para as quais essas obras foram projetadas.

! DICA Só ligue a r máquina de lava roupa quando estiver cheia.

Enchente ou cheia: É, geralmente, uma situação natural de transbordamento de água do seu leito natural, qual seja, córregos, arroios, lagos, rios, mares e oceanos provocadas geralmente por chuvas intensas e contínuas. A ocorrência de enchentes é mais frequente em áreas mais ocupadas, quando os sistemas de drenagem passam a ter menor eficiência.

Reserva Particular do Patrimônio Natural: É uma categoria de unidade de conservação criada pela vontade do proprietário rural, ou seja, sem desapropriação de terra. No momento que decide criar uma RPPN, o proprietário assume compromisso com a conservação da natureza.

Inundação:

Ciclone:

Resultado de uma grande tempestade que deixa cair uma chuva que não foi suficientemente absorvida pelo solo e outras formas deescoamento, causando transbordamentos. Também pode ser provocada de forma induzida pelo homem através da construção de barragens e pela abertura ou rompimento de comportas derepresas.

É o nome dado a uma depressão, no ar ou baixas pressões que ele supostamente sofra, ou seja, quando há uma formação de tempestades (chuvas, tempo nublado, vento forte e etc.), fazendo com que as nuvens se juntem com as chuvas formando um vento muito forte.

Várzeas:

Matas Ciliares:

É a campina plana às margens de um rio que em época de enchente é inundada com as águas deste último.

São florestas, ou outros tipos de cobertura vegetal nativa, que ficam às margens de rios, igarapés, lagos, olhos d´água e represas. O nome “mata ciliar” vem do fato de serem tão importantes para a proteção de rios e lagos como são os cílios para nossos olhos.

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E

m 2008, Santa Catarina tornou-se o exemplo de resultado de falta de políticas públicas combinada com a ação do homem que, nas últimas décadas, tem praticado o desenvolvimento de forma “insustentável”. As consequências desta combinação têm sido enchentes, secas, inundações, vendavais, ciclones, entre outros efeitos da Mãe Natureza. Em todos os pontos da Terra temos presenciado tragédias naturais. Em 2008, os olhos do Brasil e do mundo se voltaram para Santa Catarina que, depois de meses de chuva ininterrupta, foi palco de uma catástrofe sem proporções. Algumas cidades do Estado já tinham experiência com enchentes e inundações, mas nunca havia ocorrido um fenômeno como o de 2008, em que os morros pareciam que derretiam feito gelatina e as casas caíram como se fosse peças de um dominó. Cidades como Blumenau, Ilhota, Gaspar e Itajaí, as mais atingidas, até hoje sofrem com os reflexos da tragédia. Muitas obras importantes de recuperação ainda estão suspensas por falta de repasse de verbas. Em Blumenau, centenas de famílias vivem,

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DESASTRES NATURAIS SÃO UMA REAÇÃO DA NATUREZA

desde novembro de 2008, em moradias provisórias, à espera de uma casa. Algumas dessas famílias perderam casa, terreno e todos os seus pertences. Tiveram que, literalmente, recomeçar suas vidas do zero. Até os documentos precisaram ser refeitos. O drama ficará presente na memória de milhões de catarinenses. Cerca de 1,5 milhão de pessoas foi atingida pela catástrofe. O número de mortos passou de 100.

Entenda o caso

Enchentes e inundações assolaram parte de Santa Catarina em 2008

Uma parte das mortes e tragédias humanas e ambientais que atingiram, principalmente, o Médio Vale do Itajaí, tiveram sua origem na década de 80, quando duas grandes enchentes assolaram essas cidades, causando mortes e prejuízos. A população, para ser prevenir de futuros problemas, começou a ocupar áreas mais altas, que julgavam imunes à ação direta do aumento do número dos rios e córregos. Enganaram-se. Se, por um lado, as águas dos rios cheios não podem mesmo atingir as encostas, por outro lado estas são constituídas de material decomposto, mole, escorregadio, mal seguro pelo sistema radicular das árvores da Mata Atlântica, com deslizamentos naturais já de sí problemáticos e violentos. Essa ocupação ajudou a destruir boa parte da mata nativa, que foi transformada em pastos e micro-culturas de base familiar, estradas, depósitos de lixo e outros tipos de cobertura antrópica. Com chuvas incessantes e construções irregulares, os morros não agüentaram e começaram a desmoronar.

O caso mais sério da tragédia ocorreu no Morro do Baú, em Ilhota. Com 819 metros de altura, o morro sempre foi muito procurado por esportistas para a prática de alpinismo, trekking e ciclismo off-road, bem como por suas famosas cachoeiras e fontes, próprias para rapel. Para chegar ao pico são 4.140 metros de subida. Durante a enchente, calcula-se que tenham ocorrido cerca de 400 deslizamentos de terra, soterrando casas, pessoas, animais e deixando centenas de pessoas isoladas por alguns dias, sem água potável e comida.

! DICA

dor de ão de um aquece aç al st in a e er id Cons cozinha o na pia de sua ne tâ an st in ua ág rrer o deixe a água co para que você nã reduzirá que aqueça. Isso enquanto espera ção. mento da edifica custos de aqueci

Logo depois da catástrofe, o cenário era de guerra. Havia entulhos pelas ruas e as vítimas faziam filas em busca de doações. Muitas pessoas foram contaminadas com leptospirose devido ao contato com água suja. Ainda hoje há pontes e ruas interditadas ou com acessos precários. Completado um ano da tragédia, os prefeitos que assumiram as prefeituras no dia 01 de janeiro de 2009 das cidades compreendidas pelo Médio Vale do Itajaí ainda não tiveram descanso. Muito antes de assumirem, já estavam envolvidos em reuniões com os ex-mandatários com o objetivo de traçar projetos de recuperação depois da calamidade que atingiu a região. E as reuniões e romarias a Brasília em busca de verbas continuam.

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Áreas de Preservação evitam a degradação

U

ma conquista para Santa Catarina foram as publicações, no dia 4 de setembro de 2009, no Diário Oficial, das portarias nº 75 e 77, que salvam da devastação dezenas de quilômetros de matas ciliares preservadíssimas (de rios, córregos e riachos da bacia hidrográfica do rio Itajaí) e também milhares de bichos – patrimônio de todos os brasileiros. Estão salvos 443 hectares de Mata Atlântica, boa parte intocada (floresta primária), com árvores centenárias, nas cabeceiras do rio Itajaí, no município de Itaiópolis (SC). A maior parte desta área já foi transformada em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), situação onde nunca mais poderá ser desmatada. O restante da área já está em processo de ser também transformada em RPPN. Isso significa cerca de 10 milhões de árvores salvas, considerando também as mudinhas. Esta área corria sério risco de ser devastada, como já ocorreu em boa parte do país. Entre os guardiões da Mata Atlântica, temos em Santa Catarina o casal Elza Nishimura & Germano Woehl Junior. Eles recebem apoio do Programa de Des-

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DESASTRES NATURAIS SÃO UMA REAÇÃO DA NATUREZA

matamento Evitado através de áreas preservadas da ONG SPVS em parceria com o banco HSBC – Seguros Carbono Neutro, da campanha de neutralização de carbono do HSBC. As áreas preservadas foram compradas pelo casal com recursos pessoais. Eles são fundadores do Instituto Rã-Bugio para Conservação da Biodiversidade, uma ONG, sem fins lucrativos, com sede em Jaraguá do Sul. Desde 1988 o casal desenvolve projetos voltados para a educação ambiental na região de Jaraguá do Sul.

! DICA atos Antes de lavar pr a bem e panelas, remov ida os restos de com o. e jogue-os no lix

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ÍDRICOS H S O S RECUR LUÍDOS O ESTÃO P

D Os recursos hídricos precisam ser despoluídos

entre os maiores desafios da gestão de recursos hídricos no Brasil está a redução das cargas poluidoras nos corpos hídricos, principalmente em regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, nas quais a degradação da qualidade da água vem criando quadros insustentáveis sob o ponto de vista do desenvolvimento. De fato, os efluentes domésticos representam a principal fonte poluidora das cidades brasileiras. Menos de 20% do esgoto urbano recebe algum tipo de tratamento, o restante é lançado nos corpos d’água in natura, colocando em risco a saúde dos ecossistemas e da população local. Assim, o tratamento de esgotos é fundamental em qualquer programa de despoluição. Em grande parte das situações, a viabilidade econômica das estações de tratamento de esgotos (ETEs) é reconhecidamente reduzida em razão dos altos investimentos necessários, em alguns casos, também com elevados custos operacionais. Por esses motivos, mesmo países desenvolvidos têm apoiado financiamentos de ETEs, a exemplo dos Estados Unidos e de países da Comunidade Européia. No Brasil, o problema da viabilidade financeira de serviços de saneamento, em particular do tratamento dos esgotos domésticos, torna-se ainda mais agudo em razão de elevada parcela da população urbana situarse nos estratos inferiores de renda. No entanto, vale ressaltar que a água de qualidade também é um fator de exclusão social, uma vez que a população de baixa renda dificilmente tem condições de pagar assistência médica para remediar doenças de veiculação hídrica

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decorrentes da ausência de saneamento básico.

mais compromissos contratuais.

Para incentivar a implantação de ETEs, com vistas a reduzir os níveis de poluição dos recursos hídricos no país e, ao mesmo tempo, difundir o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH), a Agência Nacional de Águas (ANA) criou, em março de 2001, o Programa Despoluição de Bacias Hidrográficas (PRODES), também conhecido como “programa de compra de esgoto tratado”, uma iniciativa inovadora que não financia obras ou equipamentos, mas paga pelos resultados alcançados, pelo esgoto efetivamente tratado. O PRODES consiste na concessão de estímulo financeiro pela União, na forma de pagamento pelo esgoto tratado, aos prestadores de serviço de saneamento que investirem na implantação e na operação de ETEs, desde que cumpridas as condições previstas em contrato firmado pelo governo federal, por intermédio da ANA, diretamente com o prestador de serviços de saneamento, público ou privado.

No contrato são estipulados os níveis de redução das cargas poluidoras pretendidas com a implantação e a operação da ETE, o valor do estímulo financeiro a ser aportado pela ANA e o cronograma de desembolso. O valor do aporte financeiro é equivalente a 50% do custo do investimento da ETE, estimado pela ANA, tomando como base uma Tabela de Valores de Referência.

Embora até o momento somente concessionários públicos tenham obtido habilitação no PRODES, no caso de operadores privados há a exigência adicional de que o prestador de serviços repasse à população os incentivos recebidos da ANA, na forma de abatimento de tarifas e/ou na expansão das metas de cobertura porventura existentes no contrato de concessão. Exige-se, ainda, que essa possibilidade esteja expressamente prevista, tanto no edital de concessão como no contrato de concessão. A liberação dos recursos dá-se apenas a partir da conclusão da obra e início da operação da ETE, em parcelas vinculadas ao cumprimento de metas de abatimento de cargas poluidoras e de-

Apesar de o Brasil ter historicamente subsidiado a construção de obras de saneamento, os resultados decorrentes das ações governamentais nesse campo por vezes não têm alcançado os objetivos principais em razão de concepções inadequadas, obras mal dimensionadas, preços elevados, sistemas mal operados, abandonados ou que nunca entraram em operação. Uma das razões do problema está no modelo de subsídio adotado, cujo foco é a obra. Quando se transfere este foco para os resultados, como propõe o PRODES, os problemas citados tendem a ser mitigados.

! DICA

aa atos a mão, ench pr r va la o nd ua Q ente sabão. Rapidam pia com água e fluxo de água enxágüe sob um eira. pequeno da torn

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Mais de US$ 2,5 bilhões estão sendo investidos no Rio Tietê

O

governo do Estado de São Paulo vai investir US$ 800 milhões para dar continuidade ao Projeto Tietê, agora na terceira fase. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) financiará US$ 600 milhões e o governo de São Paulo dará sua contrapartida com US$ 200 milhões. Ao todo, será investido mais de US$ 1 bilhão na terceira fase do projeto. O Parque Várzeas do Tietê, de 75 quilômetros, de São Paulo a Salesópolis, vai ajudar na recuperação do rio. De acordo com a Sabesp, as ações para ampliar a coleta e tratamento de esgoto e contribuir para a despoluição do rio têm superado, percentualmente, o crescimento da região metropolitana de São Paulo. Mesmo sendo elogiável a ação do governo de São Paulo ao estar investindo na despoluição do Rio Tietê, é importante lembrar que esse projeto precisa do apoio de toda a população, principalmente de quem mora em São Paulo. Cerca de ¼ da carga poluidora do rio vem da chamada poluição difusa, que inclui lixo jogado nas ruas e córregos. De 2009 até 2015, o Projeto Tietê prevê ampliar os

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RECURSOS HÍDRICOS ESTÃO POLUÍDOS

índices de coleta de esgoto da Região Metropolitana de 84% para 87% e os de tratamento desse esgoto coletado, dos atuais 70% para 84%. Atualmente, dos 15 milhões de habitantes da Região Metropolitana de São Paulo, 11 milhões já dispõem de coleta e mais de sete milhões de coleta e tratamento. Serão construídos 580 quilômetros (KM) de coletores e interceptores, 1.250 Km de redes coletoras e efetivadas 200 mil ligações domiciliares. As estações de tratamento de esgotos (ETEs) também serão incrementadas, com sua capacidade de tratamento ampliada, em média em 7,4 m3/s (que corresponde a um aumento de quase 40%). A Sabesp já investiu US$ 1,6 bilhão no Projeto Tietê, montante distribuído em duas fases. Na primeira delas, que durou de 1992 a 1998, priorizou a construção de ETEs e a ampliação do sistema de coleta e afastamento de esgoto, com investimento total de US$ 1,1 bilhão. Na segunda fase, de 2000 a 2008, o objetivo foi ampliar e otimizar o sistema de coleta e transporte, para utilização plena da capacidade instalada de tratamento de esgoto. Nessa etapa, o volume aplicado foi de US$ 500 milhões.

Mananciais catarinenses também pedem socorro

O

caso do Rio Tietê, em São Paulo, é um dos mais notórios, mas temos muitos outros rios, ribeirões e até cachoeiras que sofrem com a poluição e montanhas de lixos depositadas pelas pessoas nesses mananciais. Depois do sufoco da enchente de 2008, as cidades catarinenses atingidas encontraram um estado de calamidade nas proximidades dos rios, com vários objetos, sacos de lixo e até móveis impedindo a passagem da água. Isso não foi resultado apenas da enxurrada, mas também de anos de descaso, em que as pessoas preferiram jogar seus entulhos nos rios, acreditando que, no futuro, não teriam uma fatura a pagar. Tiveram que pagar, e a fatura foi bem alta. Um estado de desolação com a destruição, oriunda da força da água. Itajaí, cidade catarinense que ficou quase 100% debaixo da água em 2008, também apresenta problemas com seus mananciais. O rio Canhanduba, frequentemente, está anóxico (sem oxigênio), apresenta níveis elevados de poluentes organo-halogenados e suas águas são tóxicas a diversos organismos de laboratório. O Itajaí-Mirim, além de eventualmente salinizado e tóxico, freqüentemente apresenta os maiores níveis de metais pesados da Bacia do Itajaí. Felizmente, as tecnologias de tratamento de água são eficientes para remo-

ver, a custos crescentes, a maior parte desses poluentes. Porém, a ação silenciosa de pequenas concentrações de poluentes caracteriza uma situação de risco. O que se pode esperar da qualidade da água de mananciais que recebem diariamente toneladas de esgoto, chorume de lixo, efluentes industriais, pesticidas e tantas outras fontes poluidoras? O iminente colapso qualitativo e quantitativo de água em que nos encontramos é resultado de anos sem planejamento estratégico nem acompanhamento técnico-científico adequado. “Soluções existem, mas será que teremos que esperar pelo pior antes de investir nelas?”, indaga o professor e pesquisador do CCTMar, da Univali, Leonardo Rubi Rörig.

DICA! Lavar o carro co m uma manguei ra gasta até 560 lit ros de água em 30 minutos. Quand o precisar lavar o carro, use bald e.

CCTMar A proximidade da Univali, em Itajaí, com o mar faz dela referência em pesquisas que enfocam o meio ambiente e a pesca. Na instituição, essas demandas estão sob a responsabilidade, principalmente, do Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar (CCTMar), que realiza estudos voltados a inúmeros segmentos produtivos instalados nesse ambiente, especialmente com pesquisas decorrentes das preocupações demonstradas pela sociedade frente à intensificação dos problemas ambientais. Mas não só. O Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar também congrega cursos e atividades voltadas para o desenvolvimento de tecnologias da informação. Além disso, o Centro se destaca por sua infra-estrutura laboratorial e de pessoal, o que o faz referência na região por sua forte contribuição para a melhoria das condições de vida da sociedade com o diagnóstico e a solução de problemas espaciais e ambientais. Diversas pesquisas, envolvendo qualidade da água dos mananciais, do mar, espécies marinhas, entre outras, são desenvolvidas na Univali, com o objetivo de buscar soluções em prol do Meio Ambiente.

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A

Terra poderia ser chamada de Planeta-Água visto que mais de 70% são ocupados de forma hídrica subterrânea, que é 100 vezes maior que o potencial das águas superficiais. A água subterrânea é a mais pura que existe e representa uma reserva permanente. A parte de água doce do planeta que é viável para aproveitamento pelo ser humano é de 14 mil Km3/ano. Caso se mantenha a taxa de crescimento da população mundial em 1,6% ao ano, e o consumo per capita se mantenha, o planeta terá 50 anos garantidos e, a partir daí, a procura será maior do que a demanda. Por isso, é tão necessário tomarmos medidas conscientes e preservacionistas, agora, assim não faltará água para as próximas gerações. Dados comprovam que 70% do planeta são constituídos de água, sendo que somente 3% são água doce e, desse total, 98% estão embaixo da terra. Isso significa que a maior parte da água própria para consumo é mínima perto da quantidade de água da Terra. A água potável já está sendo considerada artigo de luxo. Em alguns países, há racionamento e a inexistência des-

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Há 15 anos, na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, foi aprovada a Agenda 21, em que se afirmava a inevitabilidade da adoção do planejamento e do manejo integrado dos recursos hídricos. Enfatizava-se ali o escasseamento progressivo do recurso água em escala global e as limitações que essa realidade impunha ao desenvolvimento dos países. Dizia, enfim, a Agenda 21: “O manejo holístico da água doce como um recurso finito e vulnerável e a integração de planos e programa hídricos setoriais aos planos econômicos e sociais nacionais são medidas de importância fundamental para década de 90 e o futuro”.

que até o ano de 2025 o número de pessoas que vivem em países submetidos a grande pressão sobre os recursos hídricos passará dos cerca de 700 milhões atuais para mais de três bilhões. Mais de 1,4 bilhão de pessoas vivem atualmente em bacias hidrográficas onde a utilização de água excede os níveis mínimos de reposição, conduzindo assim à dissecação dos rios e ao esgotamento das águas subterrâneas.

E, mesmo assim, o homem continua poluindo e desperdiçando a água dos rios e das nascentes. O foco principal das ações sócio-educativas é chamar a atenção da sociedade e, de forma especial, aos gestores públicos e formadores de opinião, sobre a necessidade de uma mudança de postura frente aos desafios ambientais que apontam para cenários catastróficos para o nosso meio ambiente.

O Relatório sobre Desenvolvimento Humano (PNUD 2006) ao estabelecer um paralelo entre as oito Metas do Milênio aprovadas em 2000 e as necessidades de água e saneamento, mostrou cabalmente a indissociabilidade entre o cumprimento daquelas metas e o trato adequado dos recursos hídricos.

Desde o lançamento da Agenda 21, a realidade do planeta permanece sendo a descrita no relatório do PNUD acima. De qualquer forma, apesar de os problemas não terem sido solucionados, aprendemos algo sobre complexidade, tempo, processos e a necessidade de mudar modelos mentais para lidar com dinâmicas e questões que se recriam continuamente.

Cerca de 1/3 da população mundial vai experimentar os efeitos da escassez de água nos próximos 25 anos, segundo o estudo divulgado pelo Instituto de Gerenciamento da Água, um centro de pesquisas do Grupo Consultivo em Pesquisa Internacional da Agricultura. O estudo, o primeiro a analisar o ciclo completo e reuso da água, apontou para o desaparecimento de mananciais de água como poços, lagos e rios.

Lembra sobre a meta de erradicar pobreza extrema e a fome, que uma em cada cinco pessoas nos países em desenvolvimento não tem acesso a água de boa qualidade, as famílias mais carentes pagam até 10 vezes mais pela água do que as famílias ricas e a crescente transferência de água da agricultura para a indústria ameaça aumentar a pobreza rural. Estima-se, segundo essa avaliação,

te líquido precioso. O que muitas pessoas ainda não aprenderam é que a água é fonte de vida. Não importa quem somos, o que fazemos ou onde vivemos. Todos, independente de idade, de cor, de credo e de sexo, precisamos dela para sobreviver.

A insegurança da água e as alterações climáticas ameaçam aumentar, até 2080, de setenta e cinco para 125 milhões, o número de pessoas subnutridas em todo o mundo.

Aprendemos também que esses problemas igualmente exigem soluções dinâmicas e capazes de combinar condições adversas presentes e utopia. Estamos em um ponto em que se desenham, com muito maior nitidez, os caminhos e os instrumentos que nos levem ao tipo de desenvolvimento humano justo e preservacionista que buscamos.

Agenda 21 Documento assinado por mais de 170 países no Rio de Janeiro, em 1992, durante a Conferência Mundial de Meio Ambiente – Eco92, serve de guia para as ações do governo e das comunidades que procuram o desenvolvimento sem destruir o meio ambiente. Cidades, bairros, clubes, escolas também podem fazer sua Agenda 21 local.

Fonte: www.educar.sc.usp.br

A Terra poderia ser chamada Planeta-Água

Agenda 21

ÁGUA A D O Ã NDIAL U SITUAÇ M O T TEX NO CON

DICA!

se correr enquanto Não deixe a água u rosto. Escove os barbeia ou lava se por enquanto espera dentes primeiro pois se lave ou água quente, e de endo a pia. barbeie-se, ench

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Água pode se tornar alvo de disputa entre os países

A

água tem se tornado um elemento de disputa entre nações. Um relatório do Banco Mundial, datado de 1995, alerta para o fato de que “as guerras do próximo século serão por causa de água, não em virtude do petróleo ou política”. Em 30 anos, o número de pessoas saltará para 3 bilhões em 52 países. Nesse período, a quantidade de água disponível por pessoa em países do Oriente Médio e do norte da África estará reduzida em 80%. A projeção que se faz é que, nesse período, 8 bilhões de pessoas habitarão a terra, em sua maioria concentradas nas grandes cidades. Daí, será necessário produzir mais comida e mais energia, aumentando o consumo doméstico e industrial de água. Essas perspectivas fazem crescer o risco de guerras, porque a questão das águas torna-se internacional. Em 1967, um dos motivos da guerra entre Israel e seus vizinhos foi justamente a

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SITUAÇÃO DA ÁGUA NO CONTEXTO MUNDIAL

ameaça, por parte dos árabes, de desviar o fluxo do rio Jordão, cuja nascente fica nas montanhas no sul do Líbano. O rio Jordão e seus afluentes fornecem 60% da água necessária à Jordânia. A Síria também depende desse rio. A populosa China também sofre com o problema. O grande crescimento populacional e a demanda agroindustrial estão esgotando o suprimento de água. Das 500 cidades que existem no país, 300 sofrem com a escassez de água. Mais de 80 milhões de chineses andam mais de um quilômetro e meio por dia para conseguir água, e assim acontece com inúmeras nações. Um levantamento da ONU aponta duas sugestões básicas para diminuir a escassez de água: aumentar a sua disponibilidade e utilizá-la mais eficazmente. Para aumentar a disponibilidade, uma das alternativas seria o aproveitamento das geleiras; a outra seria a dessalinização da água do mar.

Esses processos são muito caros e tornam-se inviáveis para a maioria dos países que sofrem com a escassez. É possível, ainda, intensificar o uso dos estoques subterrâneos profundos, o que implica utilizar tecnologias de alto custo e o rebaixamento do lençol freático.

DICA!

stituindo as e pingam sub u q s ra ei rn to Repare pingando a torneira está su e S . as lh ve undo, peças a gota por seg m u e d e ad d ões por numa veloci astar 2.700 gal g a ar eg ch e você pod utilidades á ao custo das ar m so se e u q ano o eterá seu , ou comprom to o g es e a u de ág . sistema séptico

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A

água já é considerada o bem mais valioso do mundo e investimentos de bilhões vêm sendo feitos em todo o planeta com o objetivo de que ela não venha a faltar. Porém, todos devem fazer a sua parte. O cuidado com a água começa pelo uso racional dentro de casa. E isso não custa nada a alguém, pelo contrário, pode representar economia de dinheiro com o pagamento da conta da água, que não é mais uma taxa insignificante como era há algum tempo. Este líquido tão essencial e precioso provém de diversas origens, como rios, oceanos, nascentes, córregos, poços artesianos, lagos e lagoas. Por isso mesmo muita gente ainda acredita, de forma errônea, que nunca faltará. A origem da água salgada ou doce, além de determinar o seu uso pelo homem, exerce influência em sua quantidade e qualidade. Águas de riachos e rios poderão conter matéria orgânica proveniente de florestas ou resíduos deixados por animais silvestres. A água mineral engarrafada só pode ser retirada de lençóis profundos para evitar as camadas contaminadas. Sabemos que, um

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SITUAÇÃO DA ÁGUA NO CONTEXTO MUNDIAL

dos maiores poluentes das águas, é o agrotóxico; a contaminação do lençol freático nas regiões de agricultura convencional intensiva é fator reconhecido e algo precisa ser feito para conter o avanço dessa ofensa à natureza.

DICA! ao invés Imagine que, te abrir a de simplesmen tivesse que torneira, você quilômetros andar alguns para coletar todos os dias ntrar a sa. E, ao enco ca a su a ar p a águ lá tivesse da água pura ar g lu o n , te n fo mente, rio seco. Atual m u e d o it le lama no enfrenta de pessoas já ão ilh b m u e d mais essa realidade.

Conflitos

O bem mais valioso do mundo está ameaçado de extinção

Estudiosos prevêem que em breve a água será causa principal de conflitos entre nações. Há sinais dessa tensão em áreas do planeta como Oriente Médio e África. Mas também os brasileiros, que sempre se consideraram dotados de fontes inesgotáveis, vêem algumas de suas cidades sofrerem falta de água. A distribuição desigual é causa maior de problemas. Entre os países, o Brasil é privilegiado com 12% da água doce superficial no mundo. Outro foco de dificuldades é a distância entre fontes e centros consumidores. É o caso da Califórnia (EUA), que depende para abastecimento até de neve derretida no distante Colorado. E também é o caso da cidade de São Paulo, que, embora nascida na confluência de vários rios, viu a poluição tornar imprestáveis para consumo as fontes próximas e tem de captar água de bacias distantes, alterando cursos de rios e a distribuição natural da água na região. Na última década, a quantidade de água distribuída aos brasileiros cresceu 30%, mas quase dobrou a proporção de água sem tratamento (de 3,9% para 7,2%) e o desperdício ainda assusta: 45% de toda a água ofertada pelos sistemas públicos.

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Quando é considerado que o país tem pouca água?

S

e considera que a água escasseia-se quando? Se afirma que um país tem escassez de água se dispõe de menos de 1.000 metros cúbicos por pessoa ao ano. Cifras próximas nos indicariam que há uma tensão hídrica; esta existe se a disponibilidade está 1.000 e 1.700 metros cúbicos de água por pessoa ao ano. Neste sentido, dois países da Região sofrem tensão hídrica: Haiti e Peru. Outros países e regiões da América se encontram também em situações complexas com respeito a este valioso recurso. A região do Chaco, por exemplo, compartilhada por Argentina, Bolívia e Paraguai, sofre severos problemas de desertificação. Apesar de contar com dois grandes rios (o Pilcomayo e o Paraguai), a água é um dos recursos mais escassos. A cidade do México enfrenta também sérias dificuldades a respeito da água e se teme que no futuro este seja um problema de grande magnitude.

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SITUAÇÃO DA ÁGUA NO CONTEXTO MUNDIAL

O maior aquífero dos Estados Unidos, o Ogallala, está empobrecendo a uma taxa impressionante de 12.000 milhões de metros cúbicos ao ano. A crise mundial de água potável foi o tema central de discussão na Conferência da Água realizada em Bonn (Alemanha) no ano 2001, a qual assistiram ministros e diversas autoridades de 120 países. Esta reunião buscava discutir a forma de superar a crise expressada no fato de que 1,2 bilhões de pessoas em todo o mundo carecem hoje de água potável. As projeções para o futuro não são otimistas. Se não forem tomadas medidas adequadas, duas em cada três pessoas no mundo sofrerão escassez de água no ano 2025. Em 1995, o Haiti tinha apenas 1.544 metros cúbicos por pessoa ao ano. O Peru nesse mesmo ano estava na cifra limite: 1.700 metros cúbicos por ano. As projeções para o ano 2025 são alarmantes para estes dois países, pois poderão chegar a somente 879 e 1.126 metros cúbicos, respectivamente, de acordo com o provável aumento populacional. O Informe da Avaliação 2000 nas Américas , preparado pela OPS, apresenta o estado global dos serviços de água potável e esgoto sanitário. Neste documento se estima que a população total da Região (que inclui 48 países ou territórios) soma aproximadamente

No futuro poderemos ter recessão de água em algumas regiões

790 milhões de pessoas, das quais 73% são população urbana e 27% correspondem à população rural. Do total da população na Região, 76,5 milhões não têm acesso à água segura e cerca de 53,9 milhões se abastecem através de sistemas definidos como de fácil acesso, que representam na maioria dos casos um risco significativo para a saúde, principalmente para as populações mais vulneráveis. Nas Américas, o grupo de países composto por Canadá e Estados Unidos considera que se obteve em certa medida a solução do problema de abastecimento de água potável e esgotamento sanitário. Mas ainda devem enfrentar a renovação da infra-estrutura, ou deterioração dos recursos hídricos e especialmente, o excesso do consumo de água. Para superar a crise da água, é preciso promover mudanças substanciais em vários aspectos: conter o aumento da demanda de água devido tanto ao aumento da população como ao uso crescente deste recurso por parte da indústria e da agricultura; reduzir os excessos no consumo; melhorar e ampliar os sistemas de abastecimento e reduzir as perdas; gerir as bacias hidrográficas de maneira sustentável; planejar métodos de melhoria dos processos de distribuição, entre outros.

! DICA a aberta Se a torneira fic os enquanto escova sta até dentes, você ga . 25 litros de água

A disponibilidade da água se refere tanto à oferta hídrica em um lugar determinado e em uma época do ano, como a possibilidade que têm as populações de contar com água em quantidade e qualidade adequadas. Neste sentido, a disponibilidade tem relação direta com as reservas de água que existem em determinadas regiões. Mas há condicionantes adicionais que fazem com que as situações variem notavelmente de um lugar para outro, tais como: a distribuição geográfica, a concentração populacional, as condições climáticas, os serviços, as formas de uso, etc.

os processos de contaminação têm ocasionado a perda de muitas fontes de água.

Em que pese tantas limitações, a água que temos poderia ser suficiente com uma boa gestão e se estivesse distribuída de maneira equilibrada. Mas sabemos que há zonas onde a água é tão abundante que chega a produzir catástrofes, enquanto nos lugares desérticos a escassez é dramática. Outro problema adicional é que a demanda de água cresceu de maneira vertiginosa nos últimos tempos e há grupos que usam água de maneira excessiva em alguns países. Além disso,

A América, comparativamente com o resto do mundo, tem um potencial hídrico importante. Mas há muitas diferenças entre uma e outra região das Américas. A disponibilidade maior se encontra no trópico úmido, mas há extensas zonas desérticas e com graves problemas. A água é um recurso finito mas, como já foi assinalado, tem a virtude de reciclar-se de maneira permanente através do ciclo hidrológico. Este singular fato nos levava a supor que se tratava de um bem público de livre disponibilidade, com o qual não haveria problemas.

O continente americano possui mais de 30% da água doce existente no mundo. A América Latina é uma das regiões com maiores recursos hídricos, já que a média das precipitações se calcula em 1.500 mm, o que é 50% mais do que a média no mundo; o caudal resultante destas chuvas é calculado em 370.000 metros cúbicos por ano, o que significa que 31% das reservas regionais de água doce chegam cada ano aos oceanos .

Os fatos mostram outra coisa: há escassez.

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CIDADE AUSTRALIANA PROÍBE CONSUMO DE ÁGUA EM GARRAFA PLÁSTICA

• A água armazenada em garrafas plásticas pode ser contaminada por elementos tóxicos como o Bisphenol –A (BPA), um dos causadores de células cancerígenas no organismo;

Localizada nas terras altas no sudeste de Sydney, Bundanoon é uma cidade pacata de jardins arrumados e chalés graciosos cercados por casas de campo de cidadãos urbanos ricos. De acordo com Huw Kingston, proprietário do Ye Olde Bicycle Shoppe e líder da campanha, a proibição não começou como cruzada ambiental. Começou quando a empresa en-

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garrafadora pediu permissão para extrair milhões de litros de água do aquífero local. A princípio, os moradores não gostaram da ideia de caminhões de água atravessando suas ruas tranquilas. Mas, com o crescimento da oposição, muitos moradores começaram a questionar o próprio conceito de transportar água por caminhão por cerca de 160 km ao norte, para uma engarrafadora em Sydney, para depois ser transportada para outras partes - possivelmente até de volta a Bundanoon para ser vendida. “Tomamos consciência, enquanto comunidade, do que é essa indústria”, disse Kingston. “Então nasceu a questão: se não queremos uma fábrica de extração em nossa cidade, talvez não devêssemos mesmo vender o produto final.” U ma dezena de ativistas se reuniu e convocou uma reunião da comunidade. Os comerciantes planejam recuperar suas perdas vendendo garrafas reutilizáveis e baratas que poderão ser enchidas em fontes e bebedouros que serão distribuídos pela cidade.

Força verde

C

om uma votação quase unânime em uma reunião da comunidade, os moradores de Bundanoon, pequena cidade turística na Austrália, iniciaram um debate mundial sobre os efeitos sociais e ambientais da água engarrafada, que colocou a indústria de bebidas na defensiva. Autoridades estaduais e municipais nos EUA vêm diminuindo o uso de água engarrafada em escritórios públicos nos últimos anos, alegando diversas preocupações, dentre elas a energia usada para produzir e transportar as garrafas e o aumento da desconfiança do público na água encanada. Até onde sabem os ativistas, Bundanoon é a primeira cidade no mundo a proibir a venda de água engarrafada.

Os ambientalistas vêm ganhando força na luta contra a água engarrafada. Além das novas restrições de governos estaduais e municipais nos EUA, muitos restaurantes importantes também começaram a substituir água mineral importada por água da torneira. Recentemente, um comitê do Congresso norteamericano debateu se não deve aumentar a regulação sobre a indústria da água engarrafada, após revisar dois novos estudos que questionavam se a água engarrafada era mais saudável do que a da torneira. A repercussão do assunto irritou a indústria, que envolve quase US$ 60 bilhões (em torno de R$ 120 bilhões) por ano no mundo e cerca de US$ 400 milhões (R$ 800 milhões) por ano na Austrália. Grupos da indústria dizem que é injusto discriminar a água engarrafada quando muitos outros produtos -como fraldas descartáveis e produtos importados, queijo e vinho- têm igual ou maior impacto no meio ambiente.

! DICA na de lavar Só ligue a máqui tiver cheia. louça quando es

• A média de produção anual de garrafas plásticas destinadas ao engarrafamento de água equivale a 2.500.000 toneladas de dióxido de carbono;

?

• O meio ambiente é contaminado pela produção, embalagem, transporte e a eliminação de garrafas na Natureza; • 1500 garrafas de plástico são jogadas no lixo a cada segundo;

Será que é necessário consumirmos água engarrafada?

? R ÁGUA A R P M CO

• A garrafa plástica guardada no carro é um perigo. O calor pode liberar produtos químicos do plástico das garrafas e produzir vários tipos de câncer no organismo. Essa liberação das toxinas pode ocorrer também no transporte inadequado da água, com os garrafões submetidos a altas temperaturas; • Uma garrafa plástica leva cerca de 450 anos para se decompor na Natureza;

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eo

Progresso mbiente Meio A

Rio Itajaí-Açu é o mais importante do Vale do Itajaí O Rio Itajaí-Açu é o mais importante do Vale do Itajaí. Forma-se no município de Rio do Sul, pela confluência do Rio Itajaí do Sul com o Rio Itajaí do Oeste. Seus maiores afluentes pela margem esquerda são o Rio Itajaí do Norte (divisa de Lontras e Ibirama), o Rio Benedito (em Indaial) e o Rio Luís Alves (em Ilhota). No município de Itajaí, 8 quilômetros antes da foz do Oceano Atlântico, o Rio Itajaí-Açu recebe as águas do principal afluente pela margem direita: o Rio Itajaí-Mirim que, a partir daí, passa a se chamar Rio Itajaí.

Porto de Itajaí, exemplo de progresso, faz a sua parte na preservação do meio ambiente

A

s transformações aceleradas e radicais que o mundo contemporâneo vem conhecendo, têm obrigado a realização de empreendimentos de vulto, que muitas vezes, direta ou indiretamente, acabam por gerar transformações no contexto natural ou cultural. No Brasil, hidroelétricas, estradas, portos, aeroportos, depósitos de lixos urbanos e industriais, oleodutos, gasodutos, refinarias e grandes instalações industriais, têm sido construídas para dotar o país de infraestrutura compatível com os desafios da modernidade. Bairros, cidades e, por vezes regiões inteiras, podem ser afetados, em maior

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ou menor escala, por estas transformações. Por isso, a Superintendência do Porto de Itajaí, que tem uma ampla consciência ecológica, vem elaborando projetos ambientais com os objetivos de utilizar o princípio da compensação, permitido pela legislação ambiental, ou seja, ao mesmo tempo em que o progresso trás algum prejuízo ao meio ambiente, o empreendimento compensa desenvolvendo ações de preservação. Um dos projetos de contrapartida da ampliação do Porto e valorização da orla marítima da cidade tem por objetivo a valorização do Centro Histórico de Itajaí, através da reciclagem urbana e reurbanização

de sua orla fluvial. A obra, depois de concluída, proporcionará o reencontro da cidade com seu mais importante elemento histórico e geográfico; o Rio Itajaí Açu. O projeto está em fase de elaboração pela Superintendência do Porto de Itajaí e Prefeitura e envolve a criação de área ligada às atividades comercial, turística e de prestação de serviços ligados às atividades portuária e de comércio exterior, com a criação de marinas, hotéis, complexo gastronômico, centros de convenções e centros comerciais e de prestação de serviços.

A Bacia do Rio Itajaí-Açu, está situada no domínio da Mata Atlântica, da qual se encontram os mais significativos remanescentes no estado na serra do Itajaí, que constitui o divisor de águas entre os rios Itajaí-Açu e Itajaí-Mirim. O território da bacia divide-se em três grandes compartimentos naturais - o alto, o médio e o baixo vale - em função das suas características geológicas e geomorfológicas. O alto vale compreende toda a área de drenagem à montante da confluência do Rio Hercílio com o Rio Itajaí-Açu, incluindo ainda as cabeceiras do Rio Itajaí-Mirim.

Alguns monitoramentos feitos no porto de Itajaí: Qualidade do ar, das águas do Rio Itajaí-Açu e comunidades filoplanctônicas, monitoramento do ruído, da qualidade do sedimento e da dragagem/ parâmetros hidrosedimentológicos, programa de controle de água de lastro, base de emergência, plano de gerenciamento de resíduos sólidos, área de segregação, programa de educação ambiental e de coleta de óleo vegetal usado, estação de tratamento de efluentes e auxílio ao Parque natural Municipal do Atalaia.

A bacia possui aproximadamente 15.500 km², o equivalente a 16,5 % do território catarinense e 0,6% da área nacional. A bacia do Itajaí tem 53 municípios ocupando seu território, dos quais 47 têm sua sede dentro da bacia, onde vive cerca de 1 milhão de habitantes.

! DICA

copo de ao se utilizar um e qu a bi sa cê Vo outros ários pelo menos água são necess lavá-lo? ua potável para dois copos de ág o copo. Por isso, reutilize

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AIS SAIBA M GUA AÁ SOBRE

O que é um ciclo hidrológico?

Voce Sabia?

A água está em constante movimento e descreve um ciclo na natureza: evapora do mar, dos açudes, dos rios, das lagoas e da umidade do solo; forma nuvens; chove; escoa em rios e se infiltra no subsolo para logo retornar ao mar onde evapora novamente.

• Se toda a água da Terra, doce, salgada e congelada, fosse dividida entre seus habitantes, cada pessoa teria direito a oito piscinas olímpicas cheias. • Mas se dividirmos somente a água potável entre as mesmas pessoas, cada uma teria direito a apenas 5 litros de água. • A Terra possui 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos de água (um quilômetro cúbico tem um bilhão de metros cúbicos de água). Desse total, 97,5% é salgada. Sobram 2,5% de água doce., a maior parte congelada. • Para não secarmos os recursos, só podemos usar a água que é renovada pelas chuvas, que são apenas 0,002% de toda a água do planeta. • Chove 16 bilhões de litros de água por segundo no Planeta Terra.

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Dicas para encontrar vazamentos: Teste da cisterna:

Teste da cinza:

Feche o registro da saída da cisterna do edifício. Prenda completamente a bóia da cisterna impedindo a entrada de água. Marque no reservatório o nível da água. Após uma hora, no mínimo, veja se ele baixou. Em caso afirmativo, há vazamento na cisterna.

Jogue cinza fina no vaso sanitário. O normal é a cinza ficar depositada no fundo do vaso. Em caso contrário, é sinal de que existe vazamento na válvula ou na caixa de descarga.

Teste da caixa d´água: Feche todas as torneiras do imóvel e não utilize sanitários. Prenda completamente a bóia da caixa, impedindo a entrada de água. Marque na caixa o nível da água. Após uma hora, no mínimo, veja se ela baixou. Em caso afirmativo, há vazamento na rede interna ou nos aparelhos hidráulicos conectados (torneiras, pias e outros).

Como controlar o seu consumo:

Leitura do hidrômetro: Leia periodicamente no hidrômetro (aparelho utilizado para medir e registrar o volume de água fornecido ao imóvel) o consumo, apontado por algarismos pretos. Anote o número indicado e a data. Calcule seu consumo pela diferença entre as duas leituras.

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SÃO CONCLU

Para termos um futuro com água é necessário tomar medidas urgentes de preservação no presente

É

importante lembrar que o planeta que temos para viver é a Terra, e que ela é finita, por isso é um ato inteligente proteger o único sistema de sustentação da vida de todos os seres que habitam a superfície terrestre. Pode parecer um tanto extremado e radical dizer que se não houver cuidados especiais para com a Natureza, não há garantia de condições de vida para o próximo século. Diante dessa realidade, é necessário que se revejam os conceitos aplicados até o presente momento na busca desenfreada de lucros imediatos. O trato, até agora dispensado à natureza por todas as ati-

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vidades humanas, foi agressivo e visando obter sempre o máximo progresso, o máximo desenvolvimento, o máximo lucro e o mais eficiente bem-estar para a população. Felizmente, a revolução industrial chegou ao seu final, deixando para a humanidade imensuráveis vantagens: um crescimento vertiginoso da ciência, da tecnologia e das artes; uma qualidade de vida para o homem que, se não considerados os prejuízos ambientais, pode-se dizer que é perfeita, pois o bem-estar que a tecnologia proporcionou à humanidade é algo extraordinário; os meios de transporte, as comunicações, a infor-

mática e tantos outros setores que estão no mais alto grau do avanço científico. No entanto, o custo dessa evolução e o preço que a humanidade está pagando por tão fantástico desenvolvimento ficaram estampados no seio da natureza. O progresso deixou como resíduos a poluição da água, do solo, do ar, a destruição da superfície ativa do solo pela erosão e a destruição da vegetação, em particular das florestas. Quase a metade das florestas tropicais do mundo foi destruída, sobrando ainda a previsão de que mais um sexto das mesmas será destruído até o ano 2030, se não houver medidas drásticas para

conter a ganância dos homens civilizados. Estamos na revolução do conhecimento e, com ela, a expectativa de que ocorra uma mudança de consciência, principalmente no referente à questão ambiental, que necessita de uma nova visão para garantir a sustentabilidade da produção e da vida. Embora já exista a tendência de atenção especial em favor do ambiente, é importante ressaltar que existem ambientes nos quais o equilíbrio está em adiantado estado de destruição, seja pela liberação de produtos químicos que provocam a acidificação das florestas, dos rios e lagos, através da chuva ácida; seja pela liberação

de grandes quantidades de elementos destruidores do ozônio, incluindo os CFCs, que atuam diretamente sobre a camada de ozônio; ou seja pela emissão de expressiva quantidade de dióxido de carbono, provocada pelo grande uso de combustíveis fósseis e pela queima de grandes áreas de florestas, causando o preocupante efeito estufa. Não é possível ignorar que um grande perigo está rondando o planeta Terra, lugar exclusivo que a humanidade tem para viver, trazendo preocupação para a sociedade e alarmando os cientistas ambientais, que, com segurança, afirmam que, se não houver seriedade no tratamento com as

questões da natureza, a vida sobre a Terra está próxima do seu final. A preservação do meio ambiente é uma luta de todos nós. Órgãos públicos, ONGs, empresas, cidadãos, todos devem se unir em prol da vida e começar, ontem, a usar de forma responsável a água. As dicas de economia que sugerimos ao longo desse livro devem ser levadas a sério, visto que, todos nós, inclusive as crianças, podemos contribuir; seja ao escovar os dentes, ao lavar o carro ou produzir em uma grande empresa. Se cada um fizer a sua parte diariamente não faltará água para as próximas gerações!

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ES GIGANT O I M Ê PR LOGIA DA ECO

O

Conheça o prêmio gigantes da ecologia

prêmio Gigantes da Ecologia funciona como um certificado de qualidade oferecido a empresas, projetos e pessoas comprometidas em desenvolver ações com o objetivo de preservar o Meio Ambiente. Na edição passada, foram homenageados projetos envolvidos com a Amazônia, considerada o pulmão do mundo, devido a sua diversificação da fauna e flora e ser a maior floresta úmida do planeta. Este ano, o prêmio está focado na água, neste recurso tão necessário a sobrevivência e que, apesar das pessoas pensarem que é infinito, não é e, se não tratarmos de cuidar urgentemente dele, vai faltar num futuro bem próximo. As ações do homem, desmatamento, poluição de rios, produtos químicos e uso irracional dos recursos naturais têm colaborado com alterações climáticas significantes que estão afetando a sobrevivência. Ações de preservação da água e recuperação de

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mananciais e florestas, além de campanhas de conscientização, são de suma importância para que as próximas gerações tenham água potável para sobreviver. É inadmissível que se continue a usar a água como se nunca fosse acabar. Um dos pontos mais importantes dos cases selecionados para o livro Gigantes da Ecologia – Água o Sangue da Terra, são as ações de conscientização desenvolvidas com crianças e jovens. Eles precisam aprender que o comportamento de seus pais até hoje não pode continuar se repetindo. Se faz necessário que nos tornemos e auxiliarmos na formação de cidadãos conscientes da necessidade do uso racional da água. Por isso é tão importante premiar quem está fazendo a sua parte. O selo Gigantes da Ecologia já está sendo conhecido em âmbito nacional e internacional como o Top da Ecologia. Quem o recebe agrega valor a sua marca. O significado de uma marca é muito mais abrangente do que sua logomarca.

Reputação, opiniões, crenças, comportamentos e experiências são alguns dos pilares sobre os quais uma marca é edificada. Em tempos de consciência ecológica, os consumidores procuram empresas e fornecedores que façam alguma coisa pela Natureza, que devolvam um pouco do que é retirado dela para a produção em série de artigos para o consumo. Ao criar uma relação estreita de valor com as pessoas, uma marca permite que a imagem positiva de uma empresa se consolide e torne cada vez mais forte sua reputação corporativa. A marca Gigantes da Ecologia é reconhecida pela força e simpatia das estatuetas de diferentes envergaduras. É uma marca considerada símbolo de conservação da natureza e desenvolvimento sustentável. O status atingido pelos projetos que tem o privilégio de receber o Gigantes da Ecologia valoriza o empreendimento e sua imagem se torna mais forte e positiva perante o mercado.

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ULTIVO S N O C LOGIA O O H C L E E S A N D CO ES GIGANT O I M Ê PR

Conheça as personalidades que escolheram os melhores projetos ambientais em Psit r ormação f o i f u l s s e o p l Eliane B e Tecnologia da Informançãsaob, ilidade Social EmpreOsaRrEiaS)

2009) ano h igantes l G a o iv P lt Anrddenradéor Conselho Consu bilidade da Folha deiTSV. .

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? SABIA VOCÊ

Você economiza 70 litros de água se fechar a torneira enquanto ensaboa a louça

82

O Pantanal, no Mato Grosso do Sul, é a maior área úmida continental do mundo?

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A Amazônia abriga as mais extensas florestas alagadas do planeta?

Que 70% das internações hospitalares do Brasil são causadas por doenças relacionadas à água?

Menos de 1% da água doce do planeta está disponível para o consumo

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Em todo mundo, cerca de 10 milhões de mortes anuais resultam de doenças intestinais transmitidas pela água?

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Em todo mundo, a irrigação na agricultura responde por cerca de 70% do consumo de água; 20% vão para a indústria; e os 10% restantes destinam-se ao uso doméstico

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Cada minuto de banho gasta de 3 a 6 litros de água

VOCÊ SABIA ?

O Brasil é o país mais rico em água doce do planeta? Nada menos que 13,7 % de toda água do mundo está aqui

GIGANTES DA ECOLOGIA - A ÁGUA É O SANGUE DA TERRA

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Um grupo de indústrias e empresas de serviços (sócios

mantenedores), instituições (sócios institucionais), pessoas físicas (sócios individuais) e voluntários da água estão unidos no esforço de implementar no Brasil e outros países uma entidade com a seguinte missão: proteger o que ainda resta de água potável.

cio da democracia representativa evolua naturalmente para a democracia participativa, onde os indivíduos exercem ações diretamente, executando ou induzindo os demais, para a sustentabilidade do ambiente onde vivem em comunidade e de forma solidária.

A sociedade deve participar diretamente da gestão da água. Inicialmente no habitat humano, nas cidades e, então, depois estender esse conceito - a gestão participativa - para o meio ambiente em geral e os demais insumos. Na questão da água é necessário que o exercí-

O movimento, no sentido de ampliar o aspecto de representativo para participativo, e a entidade, em implementação, está sendo denominado: Água e Cidade. Todos podem fazer parte deste processo de retomada da conscientização.

As cidades já estão construídas e são aglomerados que mostram, muitas vezes, a falta de harmonia do relacionamento humano e as desigualdades, a segregação e a exclusão. É intuitivo que devemos tentar preservar as partes da natureza que ainda não foram contaminadas por essa aparente “desorganização da sociedade”, nossas cidades. Essa mesma vocação para a preservação da vida no planeta tem que ser levada também para as cidades, à parte da natureza já tocada pelo homem e que tem que ser recuperada e conservada, especialmente os mesmos córregos, agora engrossados pela água já usada, mal usada, desperdiçada, onde terá que se efetuar a recuperação, a proteção e a conservação com o talento humano.

Projetos Água na Escola (www. aguanaescola.org.br) ; Gestão da Água; Água no Trabalho; Gestão da Água nas Organizações (Gestão Empresarial da Água e do Meio Ambiente) ; Prêmio Água e Cidade; Cidades saudáveis e sustentáveis (www.esgotoevida.org.br) e Água Viva 84

Para atingir com eficácia e de forma sustentável os objetivos dos programas de conservação de água, os profissionais e voluntários entenderam que a maior contribuição que poderiam emprestar para a sociedade seria idealizar e implementar uma entidade, com gestão semelhante aos sistemas de gestão da qualidade e produtividade, e que levaram suas organizações a altos graus de competitividade. O projeto Água e Cidade nasce como consequência natural do Programa de Uso Racional da Água - PURA da SABESP e da Universidade de São Paulo, iniciado em 1997, e do Programa Nacional de Combate ao Desperdício de Água - PNDCA iniciado em 1998 no Governo Federal. A sociedade representada pela Universidade, por indústrias, por profissionais, e pelo próprio Governo, percebeu rapidamente que a tarefa não era exatamente “representativa” ou unilateral.

Saiba mais: www.aguaecidade.org.br

A

Organização Não Governamental (ONG) Água e Cidade é o resultado de um processo de sensibilização, conhecimento e atuação, profissional e voluntária, no sentido de envolver a sociedade na questão do manejo da água. Com atuação nacional e internacional visa conscientizar e mobilizar a sociedade para o uso racional da água de abastecimento e a conservação dos rios urbanos.

Pode-se afirmar que a ONG Água e Cidade surgiu quando as organizações e pessoas envolvidas diretamente com o manejo da água no meio ambiente urbano, já na década de 90, entenderam a necessidade da participação da sociedade para se alcançar eficácia no processo do uso racional da água. Pela sua essencialidade e monopólio natural, a água vai ensinar a sociedade a se organizar da mesma forma em relação aos demais insumos, por mais distantes que estejam da percepção humana.

O manejo da água como forma de Gestão

Projeto Água e Cidade quer o envolvimento da sociedade

Sociedade

idade C e a Águ

Urbano

IADO M E R P E CAS

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l Ondazu

ONG baiana tem por objetivo promover o desenvolvimento sustentável

P

romover o desenvolvimento sustentável, com ênfase nas águas brasileiras e ecossistemas associados, através de um diálogo permanente com os diversos setores da sociedade, da multiplicação de competência e da promoção do exercício da cidadania é a missão da Fundação Movimento Ondazul, criada em 1990 pelo cantor e ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil. Em outubro de 2008, a Ondazul chegou à sua maioridade. Percorreu diversos caminhos, avançou em várias frentes, liderou lutas em defesa das praias e de outros ambientes aquáticos, propôs diversas ações para construir sociedades ambientalmente sustentáveis e lutou pela valorização de patrimônios culturais. Além de recuperar áreas degradadas e mobilizar comunidades. Esta tem sido a trajetória da Ondazul nestes 19 anos. Hoje, ela é considerada uma das ONG´s ambientalistas mais respeitadas do Brasil, seja pela sua conduta ética, seja pela inovação nas suas práticas metodológicas socioambientais, seja pelo compromisso constante com a manutenção da

86

vida do ser humano e dos recursos naturais do planeta. A Ondazul sempre acreditou no desenvolvimento sustentável e apostou nessa grande experiência que é a humanidade. É uma marca forte de sua atuação a grande capacidade que tem de articular diversos setores da sociedade em busca de soluções sustentáveis. A Ondazul está cada vez mais convencida de que a questão ambiental é sobretudo uma questão cultural. Sem outra forma de ver o mundo não há solução para a vida humana em nosso planeta. Foi a partir desta compreensão que a ONG optou por concentrar suas ações onde pode atingir um número maior de brasileiros, privilegiando a comunicação midiática e utilizando diferentes meios, a exemplo da TV, do Rádio e da Internet; realizando programas e valorizando novas linguagens, integrando mídias e atores sociais. Com esta perspectiva, a Ondazul define como meta prioritária das suas ações estratégicas a implementação, nos próximos anos, de um vigoroso programa de comunicação, que amplie seu raio de atuação e contribua para o surgimento de uma nova atitude ambiental.

Brasil participa do Movimento pela preservação da água Com o objetivo de mobilizar a população do mundo inteiro para a questão da preservação das águas do planeta, Guy Laliberté, fundador do Cirque du Soleil e da ONG One Drop Foundation, idealizou o projeto Missão Poética Social. No dia 9 de outubro de 2009, em 14 cidades do mundo, artistas, personalidades ligadas ao meio ambiente e a população local se uniram para confirmar seu compromisso com a causa. No Rio, o evento foi transmitido mundialmente. O Brasil foi o terceiro país na sequência de participações. Gilberto Gil leu um trecho da fábula de Yann Martel e falou sobre a problemática da água no país.

Saiba mais: www.ondaazul.org.br

IADO M E R P E CAS

Diagnóstico Ambiental Água: Qualidade Ambiental das Águas e da Vida Urbana em Salvador; Vetor Norte – Um Projeto de Desenvolvimento Sustentável para a Costa dos Coqueiros. Publicação e Vídeo; Ecologia e Saúde (formação de jovens agentes); Educação Ambiental e Mobilização Popular (brincando e Aprendendo com a Mata); CDs para apoio a atividades de educação ambiental; Curso de Gestão dos Recursos Ambientais do Baixo Sul; EcoTrio OndAzul - Um Trio Elétrico Ecológico; Nas Ondas da Maré – Rádios Comunitárias na Baía de Aratu – BA – a serviço da comunidade e da natureza; Urbalistas: livro-jogo + 5 aventuras; Gestão Ambiental Participativa (Formação do Conselho Gestor da APA Tinharé-Boipeba); Gestão dos Recursos Ambientais do Baixo Sul – BA; Mosaico: Paisagem Sustentável do Ambiente Costeiro-Marinho do Baixo Sul da Bahia; Informações ambientais: Sala Verde Onda Azul; Ordenamento Territorial (Modelo Ambiental Demonstrativo para Assentamentos Sustentáveis – MADAS); Política Ambiental (Articulação institucional para implantação do Pólo ecoturístico do Cânion do São Francisco – BA); Gestão do Consórcio Intermunicipal da Costa dos Coqueiros; Implementação do Consórcio Intermunicipal da Costa dos Coqueiros para o Desenvolvimento Sustentável do Litoral Norte da Bahia; Vetor Norte - Consórcio Intermunicipal da Costa dos Coqueiros – BA; Reaproveitamento de resíduos (Recult - Reciclagem e cultura); Tudo se Transforma - Usina de Reciclagem; Recuperação ambiental (Mangue Vivo); Verde Mais - Reflorestamento de Encostas; Unidades de Conservação e Ecoturismo (Planejamento, Identificação e Avaliação do Potencial Ecoturístico do Cânion do Rio São Francisco)

GIGANTES DA ECOLOGIA - A ÁGUA É O SANGUE DA TERRA

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s os Lago d o j e n Ma

Índios estão reaprendendo a cuidar dos recursos naturais

O

Conselho de Missão entre Índios (Comin) é um órgão da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) criado, em 1982, com o objetivo de assessora e coordenar o trabalho da igreja com os povos indígenas em todo o Brasil. Para atender este objetivo, o Comin se faz presente junto a alguns povos e comunidades criando parcerias e dando apoio nas áreas da educação, saúde, terra, organização e auto-sustentação. O Comin tem como princípio e compromisso apoiar as prioridades colocadas por esses povos de forma a respeitar seu

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jeito de ser e sua cultura, trabalhando com eles e não por eles. Os trabalhos são realizados por um grupo de profissionais nas áreas de pedagogia, teologia, pastoral, direito, enfermagem e medicina, assistência social, agronomia e outras, em sete campos de trabalho. Este ano, o Comin realizou o primeiro curso de Introdução ao Manejo de Lagos, Desenvolvimento Sustentável e Mudanças Climáticas na aldeia Deni do Rio Xeruã-Itamarati-AM. O projeto foi aprovado pelo EED da Alemanha e pela Fundação Luterana de Diaconia da IECLB. O projeto prevê cursos preparatórios

até 2011. Participaram deste curso 46 indígenas das quatro aldeias Deni do Rio Xeruã de Itamarati-AM (Itaúba, Boiador), Morada Nova e Terra Nova e representantes Kanamari de quatro aldeias do rio Xeruã e do rio Juruá (Flexal, Curabi, irmãos Unidos e Bacu). O projeto de manejo nos lagos no rio Xeruã com preservação e futura comercialização do peixe pirarucu é discutido há anos pelo povo Deni. O curso preparatório tem por objetivo explicar, de forma clara e didática, os termos ecologia, manejo, aquicultura, piscicultura, fauna, flora, ictiofauna,

água doce e salgada, poluição, vegetação primária e secundária, biodiversidade, preservação e conservação, desenvolvimento sustentável, biologia do pirarucu, mudanças climáticas e mapeamento dos lagos.

uma consciência da preservação dos lagos. Cada comunidade Deni das quatro aldeias já reservou há dois anos lagos de conservação. Isso significa que nestes lagos eles não pescam.

O foco do curso foi à discussão sobre desenvolvimento sustentável que tem de equilibrar três partes essenciais: meio ambiente bom, uma renda boa e uma boa qualidade de vida da comunidade, representadas oficialmente como sendo ecologicamente correto, socialmente justo e economicamente viável. Se uma dessas partes for ruim, não se pode falar em desenvolvimento sustentável.

Os Deni e Kanamari constataram que os seus antepassados conservaram a natureza (assim ainda hoje) com um manejo de caça, de roçado e de peixe. O conceito de manejo e desenvolvimento sustentável não é um conceito estranho para as comunidades indígenas. Nas pescarias mudava-se anualmente o lugar da retirada dos peixes. Os roçados mudavam e ainda mudam de dois em dois anos. Nestes roçados velhos planta-se somente depois de 10 anos ou mais. Antigamente se caçava muito com zarabatana e não havia preocupação com quantidade, pois, havia muita caça e as aldeias mudavam de lugar de cinco em cinco anos. Hoje não se muda mais o lugar das aldeias. Mesmo assim, até hoje, os Deni e Kanamari praticam manejo e se preocupam até mais do que antigamente com o manejo de caça, peixe e roçado, não matando animais que estejam prenhas, cuidando das praias e preservando os quelônios. Os grupos, tanto os Deni quanto os Kanamari, abordaram o aspecto religioso no cuidado com a natureza. Eles cantam para os espíritos de peixes, de caça e de plantas, antes de irem à caça, à pescaria e antes de queimar e plantar no roçado.

O manejo de lagos dentro deste desenvolvimento sustentável é a retirada organizada de um determinado recurso natural, no caso dos Deni, do pirarucu. Trabalhos em grupo discutem como se pescava e fazia manejo dos lagos, de caça e do roçado antes da chegada dos não-indígenas e na chegada dos nãoindígenas, fazendo um comparativo de como se pesca hoje em dia. Antigamente, tinha muito peixe e pescava-se com anzol de osso e cipó, arco e flecha, arpão de madeira e com armadilhas de cestos. Usavase sempre o veneno, vekama, que tem um efeito de poucas horas e não mata peixes. Sempre se mudava o lugar da pescaria, após semanas e/ou anos. Todo mundo vivia sossegado e pescava somente para se alimentar. Com a chegada dos não-indígenas acabaram os peixes e os quelônios. Com a demarcação da terra indígena dos Deni e Kanamari voltaram os peixes e os quelônios. Os Deni e os Kanamari estão conscientes da importância da preservação dos lagos e das praias. Há vigilantes Deni na casa flutuante na boca do rio Xeruã o ano todo para que nenhum peixeiro nãoindígena entre na área indígena. Os cursos e apoio do CIMI, FUNAI, PPTAL, OPAN e COMIN ajudam a criar

Saiba mais: www.comin.org.br

IADO M E R P E CAS

Os Kanamari relataram que havia um canto, antes da derrubada, para que as árvores caíssem e não ficassem zangadas, e pediam autorização das árvores para a queimada. Os jovens Kanamari lamentam que estejam esquecendo-se de pintar o rosto e de cantar antes da plantação no novo roçado. Contudo, mesmo com todas as mudanças ocorridas e o sofrimento passado e atual, todos os participantes manifestaram que os povos indígenas eram e são os verdadeiros “guardiões da floresta”.

GIGANTES DA ECOLOGIA - A ÁGUA É O SANGUE DA TERRA

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O

Projeto Aldeias - Conservação na Amazônia Indígena, desenvolvido pela Operação Amazônia Nativa/Visão Mundial (OPAN/ VM), tem como foco o Estado do Amazonas junto aos povos Paumari, Deni e Katukina do Biá; inclui também um conjunto de ações de proteção etno-ambiental das terras indígenas Zuruaha e Hi Merimã, em parceria com a Coordenação Geral de Índios Isolados da

FUNAI e a Frente de Proteção Etno-ambiental do Purus. Os objetivos do Projeto Aldeias são a implementação de um programa multissetorial integrado para melhorar a vigilância, a conservação da biodiversidade e o apoio à gestão de recursos naturais com estes povos indígenas da Amazônia Brasileira. O consórcio entre a OPAN e a Visão Mundial tem caráter inovador na utilização de técnicas de

conservação da biodiversidade baseada em ciência e em conceitos tradicionais. Através de suas habilidades técnicas complementares, metodologias únicas voltadas para os povos indígenas, e de seu corpo técnico qualificado, a VM e a OPAN irão capacitar povos indígenas no Estado do Amazonas para atingirem a meta estabelecida de conservação da biodiversidade em 2.825.108 hectares de terras consideradas como de muito alta e extremamente alta importância biológica.

O modelo de atuação da OPAN na sua parceria com os povos indígenas da Amazônia baseia sua dinâmica institucional a partir de um eixo central: os trabalhos de base. É a partir da realidade e demandas locais que se delineiam as propostas de atuação e se configuram as ações. Cada projeto em curso fica a cargo das equipes indigenistas, formadas pela OPAN e diretamente envolvidas com o cotidiano das aldeias. Essas equipes compõem-se por profissionais e técnicos de diversas áreas (indigenistas, antropólogos, biólogos, jornalistas, agrônomos, engenheiros ambientais, pedagogos...), alocados de acordo com as especificidades e perfil de cada atuação em questão, e que contam com assessorias especializadas e parceiros diversos para o desenvolvimento dos trabalhos. As demandas passam por temas relacionados às questões de terra, educação, saúde, economia, cultura e meio ambiente. Como forma de atender esses pleitos, a OPAN atua também como parceira no encaminhamento de demandas aos órgãos governamentais (IBAMA, FUNAI, FUNASA, MPF, SEDUC etc.), pesquisa de registros históricos (fotos, documentos, registros e mapas) e diálogo com representantes desses povos e de órgãos públicos.

Saiba mais: www.amazonianativa.org.br

Projeto Aldeias tem por objetivo a sustentabilidade dos índios na floresta

Os povos indígenas constituem hoje uma linha de defesa crítica contra o desmatamento e contribuem para a manutenção de ecossistemas saudáveis e de sua biodiversidade. O Projeto Aldeias irá permitir que povos indígenas tenham uma abordagem mais efetiva em relação às crescentes ameaças à integridade e à biodiversidade de seus territórios, tais como atividades ilegais de extração de recursos naturais e influências modernas que suplantam negativamente suas práticas tradicionais. Isto será feito através da capacitação de comunidades indígenas e de suas organizações representantes para a melhoria das atividades de vigilância, conservação de biodiversidade e manejo de recursos naturais. De forma a aprofundar a formação de capacidades e garantir a sustentabilidade, o Projeto Aldeias irá trazer elementos de informação em uma escala de paisagem, críticos para o desenvolvimento de esforços de promoção de direitos indígenas, para o centro dos debates relacionados às políticas de proteção de ambiental.

OPAN

ldeias A o t e j Pro

Povos Indígenas

IADO M E R P E CAS

Os dois eixos do Projeto Aldeias são: a) Melhoria da conservação da biodiversidade e do manejo de recursos naturais em cinco terras indígenas no Amazonas, através de ações de monitoramento territorial e vigilância, mapeamento etnográfico e avaliação ecológica, desenvolvimento de diagnósticos sócio-ambientais e de projetos-piloto para o desenvolvimento econômico sustentável, principalmente na área de pesca sustentável.

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b) Fortalecimento da organização indígena, com ações de treinamento em promoção de direitos indígenas, programas de troca de experiências e intercâmbios entre lideranças indígenas, construção de capacidade e desenvolvimento organizacional, fortalecimento de alianças já existentes entre organizações indígenas amazônicas e suporte à criação de novas alianças, e treinamento em planejamento para conservação e gestão ambiental.

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O

programa Água para a Vida, do WWF-Brasil, iniciado em 2001, está em seu segundo ano de uma nova fase, , em parceria como o Grupo HSBC dentro da iniciativa mundial “HSBC Climate Partnership”, programa ambiental do banco para responder às urgentes ameaças das mudanças climáticas em todo mundo. No âmbito do WWF-Brasil, estabeleceu-se, para tanto, a iniciativa Água e Clima, que reúne atividades de diversos programas da instituição no alcance das metas propostas ao HSBC dentro da parceria. A Iniciativa Água & Clima atua na Mitigação das emissões de gases de efeito estufa e na adaptação dos ecossistemas aquáticos às mudanças climáticas, como frentes principais. Como frentes transversais, atua nas áreas de comunicação, campanhas e educação para sociedades sustentáveis e fomento e desenvolvimento de negócios sustentáveis. O Projeto Água & Clima propõe que o Brasil use os mecanismos do Protocolo de Kyoto para restrição de desmatamento e invista em outras ações para a redução do desmatamento e a consequente emissão de gases de efeito estufa na Amazônia, incentivando atividades econômicas sustentáveis com recursos florestais e o aperfeiçoamento da transparência do Plano Nacional de Combate ao Desmatamento do Governo Federal, de modo a identificar obstáculos à sua implementação e propor soluções.

Iniciativa Água e Clima: novos desafios, novas propostas 92

O WWF-Brasil propõe a criação de mecanismos financeiros para a redução do desmatamento, ao mesmo tempo em que medidas de controle e alternativas de manejo sustentável sejam aperfeiçoadas pelo Governo Federal com o objetivo de contribuir para a redução da emissão de gases de efeito estufa causa-

dos pelo desmatamento, apoiando o uso sustentável dos recursos florestais brasileiros. Além disso, o projeto tem por objetivo contribuir para que o País aumente os investimentos em eficiência energética e no desenvolvimento de fontes renováveis de energia (reduzindo a necessidade de construção de novas barragens). O WWF trabalha junto aos governos a eficiência energética e renovável por meio da implementação da Agenda Elétrica Sustentável Brasil 2020, aumentando a segurança energética nacional. Colabora para que o Governo Federal adote medidas e critérios para proteção das bacias hidrográficas em função das ameaças impostas pela visão energética vigente, baseada na construção de barragens. O projeto também está promovendo uma análise das vulnerabilidades das bacias hidrográficas, de forma a subsidiar os tomadores de decisões no sentido de que medidas de resiliência sejam adotadas por meio do uso dos instrumentos de gestão de recursos hídricos. Para isto, o WWF-Brasil trabalha com parceiros que desenvolvem análise sobre os riscos e vulnerabilidades para conservação e usos da água frente aos impactos das mudanças climáticas, em especial na Bacia do Pantanal. As campanhas de comunicação tem por foco atingir 11 milhões de brasileiros com informações sobre as ameaças das mudanças climáticas e seus impactos sobre os recursos hídricos, de forma que a população adote iniciativas no sentido de reduzir estes riscos e estimulando a adoção de novas atitudes e comportamentos para promover hábitos mais sustentáveis e eficientes em relação ao uso dos recursos naturais.

O WWF-Brasil é uma organização não-governamental brasileira dedicada à conservação da natureza com os objetivos de harmonizar a atividade humana com a conservação da biodiversidade e promover o uso racional dos recursos naturais em benefício dos cidadãos de hoje e das futuras gerações. Criado em 1996 e sediado em Brasília, desenvolve projetos em todo o país e integra a Rede WWF, a maior rede independente de conservação da natureza, com atuação em mais de 100 países e o apoio de cerca de 5 milhões de pessoas, incluindo associados e voluntários.

Saiba mais: www.wwf.org.br

a Vida a r a p a Águ

Biodiversidade

IADO M E R P E CAS

O WWF atua no país desde 1971 e, hoje, é uma organização não-governamental genuinamente brasileira que integra a maior rede mundial de conservação da natureza. Ao longo desses primeiros anos, a organização apoiou cerca de 70 projetos em todo o país.

Programas e Projetos do WWF Agricultura em Meio Ambiente; Água para a Vida; Amazônia – Apoio ao Desenvolvimento Sustentável; Áreas Protegidas – Amazônia; Diálogos; laboratório de Ecologia da Paisagem; Educação Ambiental; Mata Atlântica; Mudanças Climáticas e Energia e Pantanal Para Sempre.

GIGANTES DA ECOLOGIA - A ÁGUA É O SANGUE DA TERRA

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a da Águ ã i d r a ção Gu Associa

Associação Guardiã da Água dissemina informações através de uma rede de comunicação

A

Associação Guardiã da Água (Organização Não Governamental sem fins lucrativos), formada por um grupo multidisciplinar de cientistas, professores e técnicos das áreas de humanas, biológicas e exatas, desenvolve um trabalho de extrema importância para a difusão de informações sobre como preservar o maior bem natural que temos: a água. Juntos, esses profissionais preocupados com a preservação da água potável no mundo, desenvolveu uma Rede Cluster de Educação Ambiental. A rede tem por objetivo a identificação, coleta e sistematização de dados da mídia global, regional e local com o objetivo de informar, sensibilizar e conscientizar sobre a problemática da água. Trata-se, basicamente, de uma atividade de educação ambiental informal com o propósito de facilitar a pesquisa e colaborar para a formação de opinião e multiplicadores da informação sobre meio ambiente, saneamento e educação ambiental. Atualmente, mais de dez mil pessoas e/ou entidades recebem duas vezes por semana o Rede Cluster de Educação Ambiental, supondo que cada uma repasse para mais cinco, indiretamente outras 50 mil pessoas

94

devem estar retransmitindo. Na opinião dos profissionais envolvidos, somente com a participação popular será possível implantar sistemas eficientes de saneamento, controlar a poluição e estimular padrões de produção e consumo sustentáveis. O Rede Cluster de Educação Ambiental desde o ano 2000 coleta, processa e envia matérias sobre água, meio ambiente, degradação ambiental, saneamento e educação ambiental para milhares de pessoas em todo o mundo. Na medida em que foi interagindo e articulando-se regional e internacionalmente, conquistou dimensões globais. Mais de 10 mil representantes dos setores público, privado e não-governamental participam da rede. Entre eles constam redes de ensino público através das diretorias de ensino público, faculdades, universidade, secretarias de meio ambiente e entidades e empresas que trabalham com saneamento básico e meio ambiental. Além disso, a rede serve de base alimentadora sobre notícias referentes à água para jornais, TVs e empresas de comunicação interessadas na questão ambiental. A rede mantém e recebe informações regularmente do Canadá (Montreal e Toronto), dos Estados Unidos, países da América Latina, da Europa e da África.

Redes que recebem informações no país: Rede Brasileira de Educação Ambiental – REBEA Rede Sul de Educação Ambiental - RESUL Rede Gaúcha de Educação Ambiental Rede Mineira de Educação Ambiental Rede Mato Grossense de Educação Ambiental Rede de Educação Ambiental da Paraíba Rede de Educação Ambiental do Nordeste Rede de Educação Ambiental do Rio de Janeiro Rede de Educação Ambiental de São Carlos Rede de Educação Ambiental do Vale do Itajaí Rede Ambiente do Distrito federal Rede de Educação Ambiental de Sergipe Rede de Educação Ambiental de Criciúma e Sul de Santa Catarina; Rede de Educação Ambiental do Vale do Ribeira; Rede de Educação Ambiental do Grande ABC Comitê da Associação Internacional de Água (IWA) no Brasil Revista Digital Aguaonline Rede Internacional de Comunicação CTA - JMA Rede Gota d’água - Guia das Águas Brasileiras Rede Pangea - Associacão Ambientalista de Porto Alegre Rede de Informações para o Terceiro Setor Rede Nacional Contra o Tráfico de Animais Silvestres Rede de Agricultura Sustentável Rede Brasileira de Manejo Ambiental de Resíduos Rede de Tecnologia do Rio de Janeiro Rede das Águas Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental RedeAmbiente do Acre

O que é Rede ? Uma Rede é um sistema orgânico, formado por Elos, capaz de

organizar pessoas e instituições, de forma igualitária e democrática, em torno de um objetivo comum. É um modelo vivo, flexível, em constante crescimento que depende de quem o integra para funcionar. Todos geram, coletam e disponibilizam informações na Rede.

O que é Cluster ? Cluster (no dicionário Aurélio) é agrupamento, monte. “clusters” - Teia de relações intensamente dedicadas, através da negociação e agregação de condutas, a fomentar a ajuda mútua relativa a interesses comuns - ou seja, uma rede de difusão de informações com o objetivo de debater, promover e registrar.

O que é Educação Ambiental ? “Processos por meio dos quais o indivíduo

e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade.” (Lei Federal 9.795/99).

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Programa Água das Florestas Tropicais Brasileiras

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om foco na recuperação, proteção e manutenção de mananciais de água através da recomposição florestal de margens de rios e lagos, o Programa Água das Florestas Tropicais Brasileiras é uma iniciativa do Instituto Coca-Cola Brasil, que envolve a participação conjunta de vários setores da sociedade. O resultado é uma força multidisciplinar que soma conhecimentos, tecnologias e recursos, atuando sobre um determinado manancial de forma integrada às comunidades locais.

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picais Brasileiras, o Instituto Coca-Cola Brasil está associado à Fundação SOS Mata Atlântica, uma das mais importantes ONGs brasileiras, é parceira do projeto e responsável pela mobilização das comunidades locais, ambientalistas e sociais, proprietários rurais, governos local e estadual e empresas de serviço e conta com o apoio de investidores e patrocinadores entre os fundos de investimentos nacionais e internacionais. Desenvolvido em consonância com o Código Florestal Brasileiro, o Programa Águas das Florestas Tropicais Brasileiras terá um impacto sócio-ambiental em vários municípios e sobre mais de 4,5 milhões de pessoas. O Programa Água das Florestas Tropicais Brasileiras, além de contribuir para a preservação e acesso das populações às fontes de água, maior e mais valioso recurso natural, tem impacto direto no equilíbrio ambiental. A preservação dos ecossistemas florestais é um fator de extrema importância para aliviar a sobrecarga na atmosfera de excessivas emissões de carbono e conter o avanço do aquecimento global. O Água das Florestas recebeu o certificado de reconhecimento especial da CGI após o painel “Protecting Tropical Forests” (Protegendo Florestas Tropicais).

Fatores determinantes para o sucesso do programa, a conscientização, a participação e o envolvimento dos habitantes das regiões atendidas, são estimulados através de apoio técnico e financeiro. Além de gerarem empregos para a população local, as estufas do programa armazenam mudas de espécies nativas e têm o objetivo de agregar novos participantes para que estes pratiquem o reflorestamento dentro de suas propriedades. Em sua fase inicial, o programa contempla uma bacia hidrográfica inteira com a preservação do manancial da Bacia do rio

Piraí. O projeto prevê o reflorestamento com cerca 3,3 milhões de espécies nativas em uma área de 3.000 hectares em até cinco anos. O investimento estimado é de R$ 27 milhões. Desenvolvido para ser elegível ao mercado de carbono, de acordo com a Convenção do Clima do Protocolo de Kyoto, o programa ganha ainda mais visibilidade e reconhecimento internacional pela rede de parceiros envolvidos. Para garantir a correta implementação do Programa Água das Florestas Tro-

O Água das Florestas Tropicais Brasileiras promove a recuperação de bacias hidrográficas através do reflorestamento de matas ciliares. Está em linha com os objetivos da The Coca-Cola Company que, no Dia Mundial do Meio Ambiente, anunciou parceria com a WWF para a recuperação de sete das principais bacias hidrográficas do mundo e o objetivo de tornar-se neutra no uso da água. Na ocasião, a companhia estabeleceu metas para o uso da água resumidas em três “R”: Reduzir, Reciclar e Repor.

A Bacia Amazônica tem uma enorme importância na dinâmica climática e no ciclo hidrológico do planeta. A bacia representa quase 10% do estoque de água superficial doce e, consequentemente, uma importante contribuição no regime de chuvas e evapotranspiração da América do Sul e do mundo. No entanto, mudanças regionais e globais têm provocado alterações no clima e na hidrologia da região. Notadamente, transformações no uso do solo com a conversão de mais de 600 mil km2 de florestas tropicais em pastagens e culturas agrícolas. A reciclagem da evaporação e precipitação local pela floresta responde por uma porção considerável da disponibilidade hídrica regional, e como grandes áreas da bacia estão sujeitas a intensas alterações de uso do solo, como perdas de florestas úmidas densas para implantação de pastagens ou cultivos perenes como a soja, existe uma importante preocupação sobre como tais alterações do uso do solo e da biomassa podem afetar o ciclo hidrológico na bacia Amazônica.

Amazônia: • A Amazônia é a região mais rica em biodiversidade do Planeta e a maior floresta tropical úmida do Planeta; • Localizada no Norte do País, a maior floresta do mundo possui 5,5 milhões de quilômetros quadrados; • Abrange mais de 20 milhões de habitantes; • Compreende nove estados brasileiros (Amazonas, Amapá, Acre, Maranhão, parte do Mato Grosso, Pará, Roraima, Rondônia e Tocantins) • Compreende parte de nove países (Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru e Suriname); • Mas a Amazônia brasileira constitui 60% de toda a região Pan-Amazônica; • Guarda o maior rio do mundo, o Amazonas, cuja extensão é de cerca de 6,5 mil KM. • Possui a maior diversidade de fauna, flora e reserva mineral do Planeta;

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Saiba mais: www.institutococacola.org.br/projeto-meioambiente.htm

icais p o r T s a Florest s a d a Águ

Bacia Amazônica

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Amigo da Água trabalha a educação ambiental

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m 2001, a Fundação L’Hermitage uma instituição dos Irmãos Maristas - criou o Amigo da Água, um projeto de educação socioambiental alicerçado na perspectiva da Ecologia Integral. Com o objetivo de contribuir para a melhoria da qualidade de vida em toda sua extensão, o Projeto dissemina a cultura do “saber cuidar” e busca envolver toda a sociedade na construção de uma nova concepção de cidadania planetária, que reforça a importância do cuidado consigo, com o outro e com o meio ambiente, como um todo. Escolas, comunidades, voluntários e universidades são os protagonistas das atividades de sensibilização e mobilização promovidas pelo Amigo da Água, que desenvolve ainda os subprojetos Escola Azul, Comunidade Consciente, Voluntariado e Universidade Azul. Afinal, para quem quer criar uma nova

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consciência, provocar mudanças de hábito e revolucionar conceitos, apenas uma campanha não basta. É fundamental a participação de todos como multiplicadores de conhecimento sobre a importância da preservação da água. O projeto colabora na formação da consciência cidadã das crianças e jovens, contribuindo para a criação da cultura do cuidado com o mundo e as pessoas e estimula o voluntariado, na linha ecológica-social-cidadã. Na educação ambiental a Fundação L´Hermitage desenvolve projetos com comunidades locais, campanhas de mobilização da opinião pública e divulgação e publicações. Os projetos e a disseminação das campanhas são desenvolvidos através das diversas redes de educação ambiental, Rede Brasileira de Educação Ambiental, Rede Mineira de Educação Ambiental e Rede Brasileira do Terceiro Setor.

Com o objetivo de desenvolver a consciência ambiental, a Fundação L’Hermitage desenvolve três projetos permanentes. São eles: Projeto sala Verde, De Olho no Ambiente e Exposição Corpo d´Água. Coordenado pelo Departamento de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, o projeto Sala Verde consiste no incentivo à implantação de espaços sócio-ambientais para atuarem como potenciais centros de informação e formação ambiental. A dimensão básica de qualquer Sala Verde é a disponibilização e democratização da informação ambiental e a busca por maximizar as possibilidades dos materiais distribuídos, colaborando para a construção de um espaço que, além do acesso à informação, ofereça a possibilidade de reflexão e construção do pensamento/ação ambiental. De Olho no Ambiente tem por objetivo alertar as pessoas para visualizarem o que ainda resta de bonito no Meio Ambiente. Uma viagem de trem para o interior de Minas Gerais já é o suficiente para mostrar as pessoas as montanhas, rios, vales, matas e outras belezas naturais. A experiência do Projeto Amigo da Água para construir a Agenda 21 nas sete comunidades de Ibirité e Betim (Cascata, Petrolina, Jardim das Rosas, Jardim Monreal, Recanto da Lagoa, Ouro Negro e Petrovale) foi como uma viagem de trem, quando discutimos com a comunidade local formas de preservação. O Amigo da Água acredita que as grandes questões sociais e ambientais precisam ser resolvidas conjuntamente. Atitudes individuais e ações coletivas se unem para cuidar da natureza e das pessoas. Já o Projeto Corpo d´Água tem como princípio comprometer o cidadão quanto ao respeito e a valorização da água no planeta. É sabido que a água, em qualquer instância, é fonte de vida e geração de riqueza. Este projeto foi desenvolvido com o objetivo de contribuir para uma nova consciência sobre a importância da água, formando novas atitudes frente à problemática do uso da água, resultado do crescimento da demanda e da sua proporcional contaminação.

Importância de se tornar um Amigo da Água Cidadania – Avançamos para uma concepção mais abrangente de cidadania, a cidadania planetária, alicerçadas nos direitos e deveres humanos e na cultura do “saber cuidar”, que se efetiva no cuidado com a vida; Atitude – Formar atitude. Agir com consciência, dignidade e fraternidade com relação à vida em toda a sua extensão; Consciência – O ser consciente tem uma compreensão crítica da realidade em que vive e se percebe como parte do todo, integrado ao meio ambiente e agente da transformação social.

Saiba mais: www.amigodaagua.com.br

a Água d o g i Am

Consciência ambiental

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Ações inseridas no Projeto Amigo da Água Escola Azul: educação socioambiental em escolas públicas e privadas. São iniciativas embasadas em uma metodologia participativa, que envolve professores, alunos e voluntários; Universidade Azul: Promoção de atividades para o envolvimento da comunidade acadêmica nas questões sócio-ambientais, de forma a incentivar a produção de conhecimento em torno da temática; Comunidade Consciente: Em parceria com os demais atores sociais, levamse informações sobre a utilização responsável da água, seus benefícios e necessidade de mudança comportamental.

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Água Projeto

A iniciativa mostra, através de seus programas e da Fazenda Projeto Água, que o uso inadequado dos recursos naturais tem causado diversos reflexos negativos ao equilíbrio do meio ambiente, e que a mudança de hábito é o melhor caminho para a manutenção da vida e da terra. Dividido em quatro programas (Reflorestamento, Água é Vida, Água para Todos e Reciclar/Reutilizar, além da Fazenda), o Projeto Água procura mostrar aos seus beneficiários que com pequenas atitudes é possível fazer a diferença. Que não são necessários grandes projetos para dar início a um movimento de conscientização sobre o uso racional da água.

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Áreas de atuação: Áreas destinadas a atividades educativas de preservação do meio ambiente: As atividades educativas de preservação do meio ambiente são consideradas as atividades-fim do Projeto Água. Assim, a área com essa destinação, considerada principal, será composta de trilhas (que conduzirão às principais nascentes d’água e às quedas d’água), de dois laboratórios, de biblioteca, de sala de leitura, de horta, de pomar, de lagos, de roda d’água, de casa da fazenda e de estações de tratamento de água e de esgoto. Áreas destinadas a atividades de lazer: Essas áreas e respectiva infra-estrutura tem como objetivo proporcionar diversão e entretenimento aos visitantes, facilitando a aprendizagem e demonstrando que o uso dos recursos naturais é possível sem que necessariamente ocorra a degradação do meio ambiente. Um segundo objetivo é incentivar as pessoas a terem hábitos mais saudáveis em suas vidas. Áreas Destinadas a Atividades de Apoio: As áreas destinadas a atividades de apoio serão compostas de infra-estrutura necessária ao suporte das outras atividades como: recepção, estacionamento, alojamentos, lavanderia, vestiários, cozinha, despensa, restaurante e a sede da ONG. Áreas destinadas ao treinamento de voluntários: As áreas destinadas para o aprendizado e capacitação constante dos voluntários serão compostas de auditório e sala de reunião. Auditório: Espaço que acomodará 120 pessoas, onde serão realizados workshops, palestras e seminários com a finalidade de instruir e capacitar estudantes, visitantes e voluntários sobre a importância da preservação do meio ambiente e dos recursos hídricos.

O programa Água é Vida visa informar, instruir e conscientizar crianças e jovens estudantes do ensino fundamental – público e particular – na faixa etária entre 5 e 20 anos – a problemática do uso racional dos recursos hídricos e naturais em geral. O conteúdo informativo deste programa é também disponibilizado por intermédio de panfletos, gibis, páginas na web, etc. Já os alunos de 5ª a 6ª séries do ensino fundamental participam do programa de Reflorestamento à fazenda Projeto Água para proporcionar-lhes maior aproximação com o ambiente natural e o contato com as nascentes de água. Nesta visita os estudantes terão a oportunidade de plantar mudas de árvores nativas da região (Mata Atlântica). O desenvolvimento da árvore ao longo do tempo pode ser acompanhada pelo estudante com visitas á fazenda.

Programas ativos: Programa Reflorestamento: Consiste em levar crianças, jovens e adultos para plantarem mudas de árvores nativas da Mata Atlântica, já que a educação ambiental tem sido grande aliada ao processo de mudanças comportamentais, uso e valoração dos recursos naturais. Programa Água é Vida: Criado para conscientizar crianças, jovens e adultos através de palestras, dinâmicas e discussões em grupo sobre a importância e necessidade de se preservar os recursos hídricos. Programa Água para Todos: Objetiva divulgar informações e instruir a sociedade sobre a importância e a necessidade de preservar os recursos hídricos. Programa Reciclar/Reutilizar: Tem como principal objetivo sensibilizar a comunidade para o processo de coleta seletiva de resíduos sólidos e diminuir o desperdício, identificando e valorizando as possibilidades de reutilização como meio de preservação ambiental.

Saiba mais: www.projetoagua.org.br

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oje em dia, a escassez e o uso abusivo da água doce são uma realidade e um grande problema para toda a humanidade. Faz-se necessário e urgente a mobilização da sociedade na tentativa de conter a devastação e trabalhar ações de preservação da água, tão imprescindível para a sobrevivência de todos os seres vivos. Pensando nisso que a empresa Carbografite criou, em outubro de 2004, a ONG Projeto Água, desenvolvida para instruir a sociedade sobre a importância de preservar, economizar e recuperar os recursos hídricos.

Foco nos jovens

Projeto Água busca a conscientização da sociedade

Fazenda Projeto Água: Localizada no município de Petrópolis – RJ, inserida na Serra do Mar e contribuinte da Bacia do Rio Paraíba do Sul, com uma área de 210.000m2 e 32 nascentes de águas catalogadas, a Fazenda Projeto Água é o principal instrumento de efetivação da ONG. A área é totalmente destinada a atividades educativas.

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genas, como produtores rurais, pesquisadores, pequenos agricultores e representantes do Poder Público.

Projeto Ikatu Xingu tem por objetivo desenvolver ações de preservação do rio Xingu

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m meados dos anos noventa as lideranças do Parque Indígena do Xingu, no nordeste do Mato Grosso, manifestaram sua preocupação com o desmatamento ao redor de suas terras e o assoreamento dos rios que cortam o parque e com a situação de ocupação e desmatamento no entorno da reserva. O monitoramento dos desmates apontou que ele avançava em grande velocida-

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de, inclusive sobre as matas ciliares, que protegem os cursos de água. Organizações como o Instituto Socioambiental (ISA), que atua na região desde 1994, incorporaram a questão apresentada pelos índios e desenvolveram a ideia de fazer um movimento na região das cabeceiras do rio Xingu pela recuperação e conservação das matas ciliares (matas de beira de rio) que

protegem suas nascentes. A degradação das nascentes e matas ciliares ameaça a qualidade de vida de 10 mil índios que habitam a região das cabeceiras do Xingu,e de cerca de 250 mil não-indígenas de 35 municípios da bacia do rio, no nordeste do Mato Grosso. Como as cabeceiras do Xingu se localizam fora dos limites do Parque Indígena do Xingu, o movimento pela sua recuperação deve ser feito por diversos atores regionais, além dos povos indí-

Com o objetivo de debater esta situação índios, fazendeiros, pequenos agricultores, ONG´s, pesquisadores, professores e representantes de órgãos públicos se reuniram em 2004, durante o Encontro Nascentes do Xingu, e elencaram um documento, intitulado Carta de Canarana, com ações e estratégias para reverter a situação. Para simbolizar o projeto, foi escolhido o nome Y Ikatu Xingu, que significa “Água Boa, Água Limpa do Xingu”. A mobilização é direcionada para todos que dependem do rio Xingu e aos que se preocupam com a preservação do rio. Entre as principais linhas constam proteção dos direitos das terras indígenas, viabilização econômica dos assentamentos, redução dos custos de recuperação das matas ciliares nas propriedades rurais e a implantação de serviços de saneamento básico nas cidades da região. O projeto tem por intenção difundir práticas sustentáveis e mobilizar a sociedade para implantar um novo modelo de desenvolvimento na região que respeite o meio ambiente e a diversidade cultural das populações que ali vivem e que possa garantir água hoje e sempre para todas as comunidades daquela região. Os produtores rurais têm papel fundamental na recuperação das matas. As prefeituras estão sendo estimuladas a implantar programas de educação ambiental, formar viveiros de mudas e melhorar o saneamento básico das cidades. Os índios estão dispostos a monitorar a qualidade da água dos rios e coletar sementes para projetos de recuperação florestal. Assentados e agricultores familiares estão recuperando suas áreas e criando alternativas de renda com a implantação de sistemas agroflorestais e o manejo de suas áreas. Estudos estão apontando como gerir o território e aproveitar seus recursos da maneira mais sustentável possível, entre outros exemplos.

O Rio Xingu é um símbolo da diversidade biológica e cultural brasileira. Ao longo de seus 2,7 mil quilômetros, ele corta o nordeste do Mato Grosso e atravessa o Pará até desembocar no rio Amazonas, formando uma bacia hidrográfica de 51,1 milhões de hectares (o dobro do território do Estado de São Paulo) que abriga trechos ainda preservados do Cerrado, da Floresta Amazônica e áreas de transição. Nela vive aproximadamente meio milhão de pessoas, sendo que deste total, cerca de 13 mil pessoas são indígenas, representantes de 24 etnias. A região das cabeceiras do Xingu, localizada no Mato Grosso, tem 17,7 milhões de hectares. Deste total, 5,5 milhões e meio de hectares foram desmatados até 2005, de acordo com levantamento do Laboratório de Geoprocessamento do ISA. Isso representa quase um terço de toda a faixa do Xingu. O desmatamento da mata ciliar, a vegetação que margeia e protege os cursos d´água, já atingiu 270 mil hectares. Os índios que vivem nas cabeceiras fizeram do rio a base de sua sobrevivência e de sua cultura. O parque Indígena do Xingu é uma das terras mais conhecidas do País. A criação do Parque resultou do trabalho dos mais importantes sertanistas brasileiros, os irmãos Villas-Bôas. O parque, localizado em uma zona de transição ecológica formada por florestas tropicais ao norte e cerrado ao sul, tem 2,8 milhões de hectares e um perímetro de 920KM – no norte do Mato Grosso – criada pelo governo federal em 1961.

Parque Indígena do Xingu Dentro do Parque Indígena do Xingu vivem 14 povos que somam cerca de cinco mil pessoas, distribuídas em 49 aldeias e postos indígenas. São eles: Aweti;Kaiabi ;Nahukwa;Yudja;Kalapalo;Kamau rá;Mehinako;Matipu;Kuikuro;Kis êdjê (Suya);Trumai;Txikao;Waura; Yawalapiti. E fora da aldeia, na região das cabeceiras, vivem os Xavantes, os Kaiap, os Tapaiunaó e os Panará. A população destas quatro etnias na região das cabeceiras do Xingu soma cerca de cinco mil indivíduos.

Saiba mais: www.ikatuxingu.org.br

Xingu u t a k I Projeto

Rio Xingu

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O projeto “Y Ikatu Xingu” sobrevive basicamente com esforços e recursos das instituições que aderiram a ela e das parcerias e apoios que estas entidades estão mobilizando. Atualmente, existem diversas organizações como sindicatos, prefeituras e ONGs desenvolvendo projetos de recuperação de mata ciliar na região das cabeceiras.

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gigantes Tributo 2009 ecologia da

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Meio Ambiente é hoje um tema de grande preocupação para os governos de todos os países. Nunca, na história da humanidade, a questão despertou tantos interesses e paixões. Aos problemas domésticos somam-se hoje as demandas advindas da convivência global, que requerem soluções conjuntas orquestradas por amplas rodadas de negociação entre diversas nações.

UM OLHAR VERDE SOBRE A LEI Por Eliana Spengler

Como diz o sociólogo canadense Marshall McLuhan, “Não há passageiros na nave espacial Terra. Somos todos tripulação.” E em se tratando de ecossistemas, sabe-se que mesmo as ações isoladas têm impacto global. A comunidade científica alerta para as consequências do aquecimento global, da perda gradual e acelerada da biodiversidade e, principalmente, para a crescente escassez de água potável, que comprometem a sobrevivência do ser humano. Para frear ou desacelerar essas agressões à Natureza, que provocam o desequilíbrio dos delicados ecossistemas, precisamos investir fortemente em educação ambiental, implantar programas de desenvolvimento sustentável, criar mecanismos de despoluição e de preservação dos recursos naturais, entre outras medidas. Mas precisamos, também, de legisladores competentes, com visão de futuro, que usem o poder que lhes foi outorgado pelo povo para construir um mundo melhor para as futuras gerações. O Deputado Federal Antônio Carlos Mendes Thame, do

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PSDB de São Paulo, hoje em seu quinto mandato, chama a atenção por sua primorosa conduta frente aos mais variados problemas do cotidiano do país, e pelo elevado índice de produtividade e comprometimento no trato de questões fundamentais para o desenvolvimento político, econômico e social do Brasil. Thame projeta o futuro verde, não apenas de esperança de dias melhores, mas de defesa efetiva dos ecossistemas, das florestas, rios, mananciais e igarapés, criando leis fundamentais para a preservação e uso racional dos recursos naturais. É um gigante na luta contra a poluição aquífera e o desperdício de água, na elaboração de leis que incentivem e dêem o amparo legal a projetos de desenvolvimento sustentável e de proteção da nossa rica biodiversidade, bem como de combate à poluição atmosférica. Sua trajetória é marcada pelo respeito à Natureza, com grande ênfase para a questão da água. Engenheiro Agrônomo pela ESALQ (USP), com mestrado em Economia Rural, Advogado e Professor universitário, foi Deputado Federal Constituinte de 1987 a 1988, concluindo o mandato em 1990. Deputado Federal de 1991 a 1992, Prefeito de Piracicaba de 1993 a 1996 e Secretário de Recursos Hídricos, Saneamento e Obras do Estado de São Paulo, nos governos de Mário Covas e Geraldo Alckmin. Foi eleito Deputado Federal para mais três mandatos legislativos, de 1999 a 2003, de 2003 a 2007 e de 2007 a 2011. O Deputado Mendes Thame fez parte da Comissão Parlamentar que investigou o governo Collor e “foi

o Prefeito de Piracicaba que mais realizou obras e investimentos em saúde, educação, segurança e bem-estar da população. Teve uma importante participação em leis de proteção aos trabalhadores, à terceira idade, de garantias aos aposentados, com desempenho extraordinário na criação e aprovação de legislação de controle e preservação do meio ambiente”, com destaque para o trato dos recursos hídricos. “Desenvolveu importante trabalho como assessor da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, foi consultor do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e o primeiro presidente do Comitê das Bacias Hidrográficas dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí.” Ele escreve com a caneta da ética sua jornada de comprometimento e respeito ao povo brasileiro, assinando a autoria de importantes leis e projetos, que tornam seu nome um ícone no cenário político do Brasil. Entre suas ações de grande abrangência destacamos a “co-autoria do projeto do reajuste das aposentadorias, o maior número de emendas aprovadas sobre segurança e higiene no trabalho, a autoria da ´Lei do Ar Limpo` e a `Lei Thame do Esporte`.” O deputado Mendes Thame é também autor do Projeto de Lei Complementar 02/2008, que se transformou na Lei Complementar 128/2008, que criou a personalidade jurídica do Microempreendedor Individual – MEI, que vai permitir que milhões de trabalhadores informais tenham a oportunidade de aderir

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Precisamos investir fortemente em educação ambiental, implantar programas de desenvolvimento sustentável, criar mecanismos de despoluição e de preservação dos recursos naturais, entre outras medidas. ao mercado de trabalho formal, de maneira simples e dentro de suas possibilidades econômicas. No quesito Meio Ambiente apresenta um currículo de ações de tirar o fôlego, passando pela defesa do Proálcool e da produção de plástico degradável, pela autoria do primeiro Projeto de Lei que institui a obrigatoriedade da implantação do Biodesel, por programas de investimentos em saneamento e tratamento de esgoto, recuperação de rios, afluentes e lagos, bem como na construção de barragens e represas. Foi o relator do Projeto de Lei 18/2007 que dispõe sobre a obrigatoriedade da adoção de medidas por parte do Poder Público, objetivando a redução das emissões dos gases responsáveis pelo efeito estufa e do PL 2.223/2007, que dispõe sobre a política energética nacional. Coordenou o Grupo de Trabalho de Energias Renováveis e Biocombustíveis. Presidiu a CPI da Biopirataria, que tratou do tráfico de animais e plantas silvestres, do desvio de material genético e da exploração e comércio ilegal de madeiras nobres. Na ocasião da CPI, o deputado Mendes Thame afirmou que “desde que a esquadra de Pedro Álvares Cabral atracou em Porto Seguro (BA), o povo brasileiro vem sendo alvo da pilhagem de seu patrimônio biológico e genético”. (...) “Em faturamento, a biopirataria só fica atrás do tráfico de armas e de drogas. É a terceira atividade ilegal mais lucrativa do planeta - movimenta no mundo, por ano, cerca de US$ 60 bilhões. Como não há uma definição para essa atividade ilícita na

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Organização Mundial do Comércio (OMC), ainda é muito difícil contestar patentes com base em conhecimentos e substâncias extraídas ilegalmente de material biológico e genético de nosso país”. O deputado Mendes Thame representou o Brasil no encontro da Comissão de Energia do Parlamento Europeu, realizado em maio de 2008, na Bélgica; na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, que aconteceu em dezembro de 2008, na Polônia, e no Fórum Mundial da Água em março deste ano, na Turquia. Foi também um dos representantes do Brasil nos Congressos Mundiais sobre o Clima, promovidos pela ONU. É membro das comissões permanentes de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, e também da Comissão Mista Permanente Sobre Mudanças Climáticas e da CPI dos Valores das Tarifas de Energia Elétrica, que são temporárias. Integra ainda a Subcomissão para Tratar das Questões Ambientais e seus Impactos no Agronegócio no Brasil, e as Comissões Especiais destinadas a proferir os pareceres sobre o Projeto de Lei que dispõe sobre as Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal e exploração florestal, e o que constitui fundo especial para financiar pesquisas e fomentar a produção de energia elétrica e térmica a partir da energia solar e da energia eólica (fontes renováveis de energia). São de sua autoria dezenas de Projetos de Lei relativos aos biocombustíveis e energias renováveis, que vão desde a instituição da Política Nacional de Energias Renováveis, à criação

de Comitês Florestais, a proposição de uma Reformulação Tributária Ecológica, estabelecimento das diretrizes para a negociação de atos internacionais que regulem as obrigações brasileiras para redução de emissões de gases de efeito estufa, os créditos de carbono, a fixação de limites de emissão de poluentes e regulamentações sobre as atividades relativas às Usinas Nucleares e a reciclagem de materiais.

do Carro à Álcool”, “Comitês de Bacias Hidrográfica – Uma Revolução Conceitual”, “Rio Piracicaba”, “A Cobrança pelo Uso da Água”, “A Cobrança pelo uso da Água na Agricultura” e “O Brasil e o Aquecimento Global”. Lançou ainda cartilhas importantes para o esclarecimento do público sobre diversos temas relevantes, com destaque para “Leis que nos Defendem”, “Biocombustíveis” e “Água: Direito Humano Inalienável”.

Thame projeta o futuro verde, não apenas de esperança de dias melhores, mas de defesa efetiva dos ecossistemas...

Com vasto conhecimento e uma retórica instigante, escreve para diversos veículos de comunicação sobre questões importantes, com destaque para os biocombustíveis, a escassez de água, a biopirataria e as mudanças climáticas. Para assinar sua história de engajamento criterioso com a preservação da Natureza, também utiliza a comunicação de massa para despertar os cidadãos quanto aos problemas relativos ao Meio Ambiente, apresentando todos os domingos, pela Rede Vida de Televisão, o programa Viver Sustentável.

Propôs a Auditoria Ambiental entre os instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente, instituindo as diretrizes para o saneamento básico, controle e redução do consumo de água e outras medidas para o uso racional dos recursos hídricos. O Deputado Antônio Carlos Mendes Thame não é apenas um grande legislador. Como todo mestre por excelência, investe na formação e no esclarecimento dos cidadãos. Tem inúmeras publicações, distribuídas entre artigos, livros e cartilhas, novamente com grande foco na preservação da Natureza. Entre suas obras destacamos os livros “Franco Montoro”, “Museu da Água”, “Álcool Energia Verde”, “A História

Sua linha de ação se constrói sobre uma base sólida de conhecimentos que, transformados em Projetos de Lei, dão à Nação instrumentos legais para enfrentar os grandes desafios que se impõem no mundo moderno quanto ao trato ambiental ou, através de suas publicações, tornam-se instrumentos para a tão necessária mudança de postura do homem com relação aos recursos naturais. Se somos todos tripulantes da nave espacial Terra, Antônio Carlos Mendes Thame, certamente, é um de nossos mais brilhantes Comandantes!

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ECIAL P S E M AGE HOMEN Sir

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o “Pelé dos Mares” (in memoriam)

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neozelandês Sir Peter Blake foi um dos navegadores mais respeitados do último século. Iatista exímio, recebeu inúmeros prêmios importantes e foi condecorado três vezes pela Rainha da Inglaterra, inicialmente como desportista e, posteriormente, como ambientalista. Após anos de sucesso como um dos mais renomados velejadores do planeta, abandonou as competições e dedicou sua vida à defesa do Meio Ambiente, principalmentente da água, que, enquanto “Campeão dos Mares”, era o elemento da Natureza que melhor conhecia. Com o apoio das Nações Unidas, fundou a sociedade Blakexpeditions, dedicada à pesquisa e exploração de mares e rios, com especial atenção ao rio-mar Amazonas. Participou de várias expedições ao Brasil, principalmente à Amazônia, tornando-se o maior defensor da água do planeta. Mostrou ao mundo, através de inúmeros documentários, os efeitos danosos da poluição dos oceanos, rios e mananciais, e as desastrosas conseqüências da escassez dos recursos hídricos para a sobrevivência da humanidade. Numa de suas últimas mensagens, o grande explorador registra em seu diário de bordo: “Queremos levar as pessoas a cuidar do meio ambiente do jeito que ele precisa ser cuidado, e nós queremos fazê-lo através de aventura, através da participação, através da educação e da diversão.” Em outubro de 2001, no contexto de uma das mis-

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sões do PISAD, tive a imensa satisfação de conhecêlo. Recordo a manhã de 15 de outubro, quando ele pediu que eu escrevesse um artigo sobre “desenvolvimento sustentável na Amazônia”, que foi publicado com o título “Mitos e Ciência na Amazônia”, constituindo a base de nossa cooperação [de: Sir Peter Blake 24/10/2001 19h58: “Se você pudesse escrever sobre os povos indígenas – e como vivem de forma auto-sustentável – seria excelente.”] Declarando modestamente não ser um perito da região, ele convidava aqueles que a conheciam melhor, que compartilhavam as mesmas convicções e entusiasmo para a proteção de regiões sensíveis do planeta. Ele era humilde e tinha confiança na humanidade como demonstram suas palavras, “… realmente o assunto compete inteiramente a você, uma vez que conhece esta parte distante do mundo bem melhor do que eu jamais conhecerei”. O “Pelé dos Mares” – como eu o chamava – apaixonado pela Amazônia, queria “proteger esse ecossistema maravilhoso”, conforme suas palavras. Navegando no Rio Tapajós, na manhã de 9 de outubro de 2001, ele me disse: “Se perdermos a Amazônia, o mundo não será mais o mesmo. Transformar-se-á num lugar no qual certamente não gostaremos de viver. O homem possui conhecimento, história, tecnologia, mas parece faltar-lhe a determinação. Está na hora de mudarmos essa atitude.” O rio Amazonas nos uniu, graças à comunhão de nossas mentes, não somente na percepção dos pe-

rigos ameaçando nosso planeta, mas igualmente com relação às medidas urgentes a serem tomadas para podermos deixar para nossas crianças água potável para beber, ar puro para respirar, e belas florestas para explorar… Sir Peter era um homem de grande convicção e determinação com relação ao futuro do planeta, virtudes extremamente necessárias, hoje, se quisermos que o homem tenha a possibilidade de sobreviver na Terra. Suas próprias palavras falam melhor do que as minhas; isto é o que ele me disse na segunda-feira, 1° de outubro de 2001: “Os objetivos da Blakexpeditions são ‘fazer a diferença’ – apesar de que muitas pessoas têm me perguntado: ‘por que incomodar-se, quando o problema é tão grande? Que diferença pode fazer um pequeno grupo?’ – Bem, isto realmente só me torna ainda mais determinado, porque penso que talvez nós sejamos como uma bola de neve – começamos pequenos e construímos rapidamente uma força com a qual se pode contar. Eu acredito que nós podemos conseguir influenciar os governos, tanto quanto os governos podem influenciar os povos, se começarem realmente a acreditar que isto é necessário.” Repentinamente, no dia 5 de dezembro de 2001, o Amazonas tingiu-se de vermelho com o sangue deste grande homem, quando seu barco foi atacado por saqueadores próximo do balneário de Fazendinha, distante 22 km de Macapá, perto da desembocadura do Rio Amazonas. Aos 53 anos de idade, Sir Peter Blake partiu, de forma dramática, deixando-nos uma herança de valor inestimável: seu conhecimento, suas pesquisas, seu espírito de luta e seu amor à Natureza. A imagem de Sir Peter ficará para sempre refletida na superfície do rio Amazonas, tal qual um espelho enviando-nos de volta a imagem de nossa responsabilidade com relação ao Meio Ambiente. Esta morte trágica mergulha-nos em total incompreensão, em uma perturbadora pergunta

“metafísica”, lembrando-nos do cruel assassinato de Chico Mendes : A Amazônia precisa de mais mártires para despertar? Certa vez, quando falávamos sobre ações práticas para a proteção da Natureza, Sir Peter disse-me com grande entusiasmo: “Estas são questões imensas que envolvem o mundo inteiro – e sentimos que não há nenhum lugar melhor no mundo para usar como modelo de desenvolvimento sustentável do que a Amazônia.” (Sir Peter Blake, 17 outubro 2001 00h58). Pouco antes de sua morte, Sir Peter, enviado especial das Nações Unidas, tinha tomado a decisão importante de voltar à Amazônia em março do ano seguinte, quando deveríamos empreender a segunda etapa de sua expedição. Disse-me, às 19:52 h da quinta-feira, 29 de novembro de 2001: “Tomei a decisão há poucos dias: quero voltar aqui no próximo ano – provavelmente em março – de avião, porque o Seamaster estará nos EUA para ser reaparelhado; isto realmente me conduz àquilo que eu considero ser a razão principal da minha próxima expedição, que é ter, pessoalmente, uma interação real com alguns índios, em seu próprio ambiente – para escutar suas histórias em primeira mão – a fim de ter uma melhor compreensão da situação, para que ela possa, então, ser levada ao resto do mundo.” Se ele não deu sua vida à Amazônia como um “ecomártir”, transformou-se, indubitavelmente, num ícone para a sua proteção. E nós devemos mostrar que ele não morreu em vão! Se lermos as milhares de mensagens de condolências no site “blakexpeditions” e em muitos outros meios de comunicação, veremos que pessoas do mundo inteiro desejam continuar seu trabalho, a fim de honrar sua memória, seguindo suas aspirações e sua filosofia de proteção da Natureza. O diretor executivo do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (PNUA), Klaus Toepfer, disse em sua homenagem ao campeão ambiental, em Nairobi, em 7 de dezembro de

2001: “Espero sinceramente que os amigos e colegas de Sir Peter possam continuar seu grande trabalho”, e nós temos certeza de que é isto que Sir Peter desejaria. Ele ficaria orgulhoso se, além de todos os monumentos que serão erguidos em sua honra, nós reagíssemos com a mesma vitalidade que o animava! Deixemo-nos unir para manter esta chama de esperança acesa para nossas crianças, para a preservação do planeta que nós lhes legaremos: esta chama, animando suas paixões e ideais, não morrerá, mas servirá à Humanidade. Quando voltarmos à Amazônia, Peter Blake estará lá, presente em cada um de nossos caminhos, dando-nos sua força, orgulhoso por estarmos dando continuidade ao que ele fez, numa sucessão ininterrupta de vida, para a proteção da Vida. Blaakexpeditions saiu do mar com bons ventos! Semeando o pólen da Vida! Que sua morte não seja um fim, mas que sirva de impulso para reunir todos aqueles que têm a coragem de lutar para conservar as frágeis reservas vitais de nosso planeta. Que sua “Sinfonia da Natureza não seja inacabada”. Esta seria a melhor homenagem que poderíamos render a Sir Peter Blake. Que a sua luta continue com seu espírito, mais presente do que nunca, como um bom vento, guiando nossas velas. “Para voar tão rápido como o pensamento, para qualquer lugar que seja, você deve começar sabendo que já chegou ...”, Richard Bach, em Fernão Capelo Gaivota, 1970.

Prof. Dr. Mario Christian MEYER Paris, 04/11/2009 O Professor Dr. Mario Christian Meyer é o Fundador e Presidente do PISAD EUROPE (Programa Internacional de Salvaguarda da Amazônia, Mata Atlântica e Ameríndios para o Desenvolvimento Sustentável) em Paris – França, Professor convidado junto à Universités de Paris – Sorbonne, Senior Expert junto à UNESCO e Membro titular da Société de Médecine de Paris.

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ECIAL P S E M AGE HOMEN

a iann V ro Lau

Lauro Vianna acredita na conscientização dos empresários e está otimista quanto ao futuro

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ara o empresário e ambientalista Lauro Vianna, 60 anos, com uma filha e um neto, a vida é como uma grande corrida de entrega do bastão e cabe a cada geração fazer o melhor possível para entregar às futuras gerações um mundo igual ao que recebeu. Costuma enfatizar que, se cada cidadão do Brasil fizer a sua parte, não haverá o que temer. Teremos um futuro com vida, água e meio ambiente equilibrado para os nossos descendentes. Lauro Vianna está fazendo a sua parte, e muito bem. Seu neto sempre terá do que se orgulhar do avô. Ainda muito novo, Lauro percebeu que o progresso, apesar de necessário e inevitável, trazia consigo uma fatia de danos ao meio ambiente. Por isso, sempre esteve envolvido com ações no sentido de minimizar esse processo. O dia-a-dia do empresário é pau-

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tado pelo respeito ao meio ambiente. O diretor da Momento Engenharia, empresa que trata resíduos industriais, conta que todas as decisões tomadas na empresa têm necessariamente que ser ecologicamente corretas, pois do contrário, não estaria cumprindo sua missão e compromissos com os seus clientes. “Isso tudo nos leva a ter muito mais cuidado com limpeza, destino correto dos resíduos que gero na pessoa física, compra de mercadorias de empresas que respeitam o meio ambiente, uso de eletrodomésticos eficientes no consumo de energia, e a correta utilização da água, sem desperdício desse precioso bem.” A trajetória de sucesso do empresário na área ambiental, em Blumenau, começou há cerca de 20 anos, quando a Momento Engenharia venceu a licitação da Prefeitura Blumenau, cujo objeto era a operação do Aterro do Município Parada I, e a coleta dos resíduos sólidos urbanos da cidade. Neste período, foi instalada a drenagem dos gases do aterro antigo e o mesmo foi cercado para assegurar a segurança. A operação pas-

sou a ser feita dentro de tecnologia apropriada, enfim, foram tomadas todas as medidas para transformar o antigo depósito de resíduos em aterro controlado. A Prefeitura Municipal de Blumenau e o Samae cuidaram muito bem do Aterro da Parada I desde então, até o seu encerramento e recuperação das áreas. A operação do Aterro Municipal e o aperfeiçoamento da legislação mostraram a necessidade de solução para os resíduos industriais em local próprio, com projeto específico para essa finalidade. Em 1997, a Associação Empresarial de Blumenau (Acib), então presidida pelo empresário Hans Prayon, convidou a Momento para empreender e solucionar essa questão. Dessa forma surgiu a Momento Engenharia Ambiental Ltda com a missão de receber, tratar e dar destino final ambientalmente correto para os

resíduos gerados pela indústria de Blumenau e da região. A Momento Ambiental opera o Aterro Industrial e Sanitário de Blumenau ha 10 anos, tratando os resíduos industriais com tecnologia e responsabilidade. Na sua opinião, a responsabilidade de preservar o meio ambiente deve ser uma preocupação de todos: empresas e pessoas. Todos devem fazer a sua parte, mesmo que com atitudes simples em casa, como usar a água com responsabilidade. Segundo Vianna, as empresas estão cada vez mais conscientes sobre a necessidade de se proteger o meio ambiente. Isso não é somente porque os órgãos de fiscalização exigem, mas também em função da exigência de seus clientes e da consciência dos empresários. “Os empresários já se deram conta de que temos de praticar o desenvolvimento sustentável. Não existe outra forma de trabalharmos, se quisermos ter futuro. Se não preservar-

mos o meio ambiente a terra ainda existirá, mas sem condições de sobrevivência da espécie humana”, diz. O empresário enfatiza que a legislação brasileira ambiental é das mais restritivas e severas do mundo. No Brasil, basta cumprir a legislação para que os mananciais estejam protegidos. Por este motivo, Vianna está bastante otimista quanto ao futuro. Ele acredita que os empresários estão mais conscientes e investindo realmente com o objetivo de impactar de forma negativa o mínimo possível a Natureza. “Basta vermos que quando cheguei a Blumenau, há 20 anos, o efluente líquido industrial não era tratado e os afluentes do Rio Itajaí-Açu mostravam as cores que estavam sendo produzidas pela indústria. Hoje, após grandes investimentos da indústria blumenauense em estações de tratamento de efluentes, esse problema não mais existe.”

Empresa A Momento Engenharia Ambiental é uma empresa especializada no tratamento e disposição final de resíduos industriais. A empresa é a responsável pelo Aterro Industrial e Sanitário de Blumenau (AISB) e tem por objetivo atender geradores de resíduos industriais, domiciliares e de serviços de saúde, respeitando e protegendo o meio ambiente. Entre os seus princípios estão: garantir o tratamento e a disposição dos resíduos de forma segura, atender os requisitos legais e outros, aplicáveis a sua atividade, adotar procedimentos que contribuam para a prevenção da poluição e colaborar com as organizações governamentais e não-governamentais na contínua proteção do Meio Ambiente. Os empresários Lauro Vianna e Luiz

Peret Antunes estão à frente da empresa ambiental. A empresa opera o Aterro Industrial e Sanitário de Blumenau recebendo, tratando e dando disposição final aos resíduos de Classe II (não-perigosos) desde 1999 e, desde 2001, os da Classe I (perigosos). São utilizadas as mais modernas tecnologias existentes para o tratamento e disposição final dos resíduos, desde as análises laboratoriais, realizadas na chegada do material, passando pelos tratamentos efetuados em diversos processos, até o monitoramento ambiental de toda a área do entorno. Além disso, a empresa possui um Sistema de Gestão

Ambiental (SGA) que tem por meta manter a qualidade e o respeito à natureza nos processos, buscando o desenvolvimento sustentável em todas as suas ações. A Momento Ambiental, certificada pela ISO 14001, segue rigorosamente os ditames daquela norma, assegurando a proteção ao meio ambiente nas atividades da empresa. Infelizmente, não há progresso sem a produção de resíduos, e a Momento dispõe os resíduos gerados pelo processo produtivo. Para minimizar esses impactos da indústria no Meio Ambiente é que nasceu a Momento Engenharia Ambiental, contribuindo para a meta de desenvolvimento sustentável.

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o Ióri o i ér Rog

Da semente à árvore

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ascido na cidade de São Paulo em 28 de outubro de 1963, Rogério Iório desenvolveu desde muito pequeno o gosto pela ecologia. Logo que aprendeu a ler interessou-se por livros sobre animais e florestas, despertando assim sua veia ambientalista. Mas foi no ensino médio que sua vocação como líder apareceu, liderando um grupo de jovens na criação de um jornal chamado “A folha Verde”, que divulgava boas práticas ecológicas. Já adulto passou a participar de movimentos ambientalistas e juntamente com alguns amigos resolveu criar uma ONG. Assim em 15 de março de 1991 nascia o Instituto Brasileiro de Defesa da Natureza (IBDN). As questões ambientais não ocupavam destaque no cotidiano das pessoas e governantes e durante nove anos as iniciativas do IBDN foram incansáveis, porém solitárias. “No começo do IBDN eu era empresário como quase todos que participavam,

mas fui esverdeando e dedicando cada vez mais do meu tempo ao instituto, e isso acabou por me afastar de minha vida profissional. Em 1998 assume como presidente e passa a dedicar todo o tempo disponível na execução de projetos e Palestras do IBDN. Em 2002 idealizou e organizou a 1ª Conferência Latino Americana de Preservação ao Meio Ambiente realizada na Assembléia Legislativa de SP. Já em 2003 levou o IBDN a tornar-se a primeira instituição do estado de São Paulo a receber do IBAMA a qualificação de Agente Ambiental Voluntário – AAV. Percebendo a necessidade de engajar a Iniciativa Privada nas questões ambientais, em 2005 criou o selo Empresa Parceira da Natureza e, em 2007, os selos Carbono Empresa e Carbono Cidadão, que visam minimizar o impacto causado ao meio ambiente pelas atividades humanas.” Não vou passar por esse mundo sem fazer a minha parte. Não conseguirei mudar a todos, mas deixo este legado a meus filhos e netos este.”

“Defender o hoje é salvar o amanhã.” 112

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azzo r a t a sM o l r Ca o i n o Ant

Mudança de rumo deixou o ambientalista Matarazzo mais feliz com sua escolha

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pós ter velejado sozinho durante dois anos mundo afora, o ambientalista Antonio Carlos Matarazzo, 49 anos, autor do livro “Aquecimento Global – A Solução é Você” (Editora Millenio), abandonou sua profissão rentável de perfusionista cardiovascular – especialista em circulação sanguínea, que atua em cirurgias cardíacas – para acompanhar a oscilação do nível do mar em ilhas brasileiras, causada pelo aquecimento global. Foi daí que surgiu o projeto Ilhas Brasileiras, instituição sem fins lucrativos voltada para a preservação e documentação desses pequenos pedaços de terra, que correm o risco de sumir do mapa. O projeto realiza o monitoramento de fotometria, topografia, qualidade da água e meio de sobrevivência sustentável em todo o território nacional. Com aeronaves e embarcações, o projeto registra o aumento do nível da água, temperatura atmosférica, variações climáticas e impacto global do degelo, fornecendo dados importantes para diversos órgãos públicos e privados. O Grupo Matarazzo tem por objetivo oferecer soluções em produtos, serviços, consultoria e treinamento, nas ações de valorização dos resíduos e gestão ambiental res-

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ponsável, cuja filosofia é a do desenvolvimento com sustentabilidade. Com este objetivo, o grupo mantém também um escritório em Dubai, atendendo empreendimentos de shoppings centers e condomínios que querem produzir e se desenvolver com sustentabilidade. O desbravamento de mares e a redescoberta da natureza tocaram fundo o velejador e transformaram sua vida. Ele deixou de ser consumista, mudando seus hábitos em prol do planeta - e de seus filhos, netos e descendentes que vão povoar o globo no futuro. Só para dar um exemplo, em vez de transitar num carrão, Matarazzo se locomove numa moto a álcool. Os dois aviões, a lancha e a caminhonete usados no monitoramento das ilhas também são alimentados com esse combustível, que causa menor dano à atmosfera. O ex-perfusionista cardiovascular mergulhou de cabeça na questão do aquecimento global, tornouse auditor ambiental e passou a oferecer o serviço carbon free, o qual prefere chamar de “neutralização de emissões de gases poluentes”, afinal, o CO2 não é o único responsável pelo efeito estufa. “O planeta está com febre. Como no ser humano, prescreve-se antibiótico para controlar a tempera-

tura. Já o remédio para o aquecimento global é a neutralização e mudanças de hábitos”, fala Matarazzo. “Falta apenas um grau para que o planeta atinja a maior média de temperatura dos últimos três milhões de anos.” Para o ambientalista, o plantio de árvores para neutralizar a emissão de CO2 deve ser uma atitude moral cotidiana, o que implica em mudanças de hábitos e costumes. “De que adianta plantar se a pessoa continua lavando a calçada com água tratada, sabendo que a reserva de água potável no planeta é só de 1%? Ou usando indiscriminadamente sacos plásticos e não fazendo a coleta seletiva de lixo?” , indaga indignado com a falta de consciência do ser humano sobre os recursos naturais serem finitos. Em suas viagens mares a fora, Matarazzo tem encontrado com frequência Almir Klink, que partilha de seus ideais de preservação e do espírito aventureiro. Muitas vezes já se encontraram em lugares como Namibia, sul da África, e em eventos que discutiram projetos de preservação. O projeto Ilhas Brasileiras, de tão importante que se tornou, tem sido discutido entre Matarazzo e Al Gore em muitas reuniões. Matarazzo, inclusive, participa das palestras que Al Gore faz no Brasil.

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s nde a n Fer o t a Ren s o l Car

A Natureza em foto-poesia Por Eliana Spengler

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arlos Renato Fernandes, paranaense nascido em Curitiba em 1938, é um fotógrafo especial. Formado em Odontologia, com especialização em radiologia, cursou Medicina até o quarto ano. Foi um profissional de sucesso dentro do segmento de atividade que escolheu. Mas o exercício da profissão não desviou o curso de seu olhar, que desde a infância estendia-se sobre a Natureza, prendendo-se em suas cores, formas e texturas. Cresceu observando-a cada vez mais atentamente. As luzes, que adentravam as matas, iluminando detalhes da Criação, tingindo sua exuberância de claros e escuros, brincando com tons, fascinavam-no cada vez mais. Expandiu a percepção, a ponto de ver em cada detalhe uma beleza a registrar: os reflexos do céu e das plantas sobre a Água, o voo das aves exibindo suas ricas plumagens, mamíferos, répteis, árvores, flores - o imenso jardim de Deus, à espera de um olhar...

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Muniu-se de bons equipamentos e começou a clicar, em detalhes, o esplendor in natura. Fez da alma o filtro do olhar. “Por gostar muito de artes visuais e não ter habilidade para o desenho ou pintura, resolvi pintar e desenhar com a luz o que há de mais bonito neste nosso raro e maravilhoso planeta: paisagens naturais e a sua exuberante flora e fauna.”, diz ele. Assim, o mundo tornou-se sua tela e a máquina fotográfica o seu pincel. O fotógrafo da Natureza, como é conhecido, é também escritor. Sua relação íntima com o mundo natural levou-o a escrever sobre os temas que fotografava e a alertar as pessoas sobre o desequilíbrio dos ecossistemas. É membro do Foto Clube do Paraná, fundador da coluna o “Foto Clube em Foco” no periódico Gazeta do Povo, no qual durante quatro anos escreveu sobre a arte fotográfica, e onde edita matérias sobre importantes temas relativos ao meio ambiente. É membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, e do Centro de Letras do Paraná. O fruto de seu trabalho passou a ser registrado em belíssimas obras de arte fotográfica, complementadas com textos de profundo teor sobre os temas abordados. São de sua autoria os livros “O Paraná”, “Ferrovia Paranaguá-Curitiba”, “Floresta Atlântica – Reserva da Biosfera” e “Curitiba”. Participou de várias exposições coletivas e individuais de fotografias da natureza, entre as quais destacamos: exposição fotográfica de paisagens do Paraná no Carroussel do Museu do Louvre - Paris, em 1998; Exposição individual de fotografias da natureza “Floresta Atlântica” - Museu Oscar Niemeyer – Curitiba, em 2003 e 2004. Foi convidado pelo Ministério das Relações Exteriores e Ministério da Cultura, por ocasião do

ano do Brasil na França, para uma exposição de fotografias sobre paisagens e flora e fauna da Floresta Atlântica, realizada de maio a setembro de 2005 em Paris, Dijon, Havre, Metz e Lion. Vencedor de diversos concursos de fotografias da natureza, acumula uma variada gama de prêmios e homenagens, com destaque para: voto de Louvor recebido por intermédio da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná, em 1988, pelo livro “O Paraná”; homenagem recebida por intermédio da Rede Globo de Televisão e Banco Bamerindus por “Bicho do Paraná”, em maio de 1996; homenageado como “Cavalheiro da Boca Maldita” em 1998; medalha de ouro e de prata na IX Bienal de Arte Fotográfica Brasileira, patrocinada pela Confederação Brasileira de Fotografia e Cinema, categoria “cor diapositivo”; ganhador do prêmio “Talento 2000” na categoria “Talento Criativo”; voto de Louvor e Congratulações da Câmara Municipal de Curitiba pelo lançamento do livro “Curitiba - Brasil” em 2007. Seu trabalho tem sido objeto de várias matérias editadas em rádio e televisão, como as reportagens “Programa Meu Paraná” e “Os Fotógrafos da Natureza”, editadas pela Rede Paranaense de Comunicação em julho de 2000 e agosto de 2008, respectivamente. A reportagem “O Fotógrafo dos Beija-flores”, seu objeto preferido, editada pela Rede Globo de Televisão, foi veiculada no “Fantástico”, com grande repercussão. No último ano, lançou seu olhar sobre a Água e prepara uma obra espetacular sobre o tema, que será lançada no início de 2010. Segundo Carlos Renato, “a água é como um cordão umbilical que une, através dos tempos, todas as formas de vida

neste nosso raro e maravilhoso planeta azul.” O livro, ilustrado com suas mágicas imagens, trará textos de renomados cientistas internacionais e mestres em especialidades diversas, que abordarão a questão sob diversos aspectos. “Quanto mais nos conscientizarmos da importância vital da água, maiores deverão ser os nossos esforços para reverter os danos que causamos aos seus reservatórios naturais.”, diz ele. Em seus artigos, tem levantado a questão com frequência: “Não devemos ter somente como fundamento o fato de que as nossas vidas dependem da proteção das fontes naturais das águas, mas sim, fundamentar-se na ética em preservá-las para todas as outras formas de vida”, completa o fotógrafo. Perguntei-lhe, certo dia, o que está faltando para despertar o ser humano no sentido de conviver harmoniosamente com a Natureza, preservandoa para as gerações vindouras. Ele respondeu-me: “O maior problema que o mundo natural continua sofrendo até hoje, é a desinformação. Precisamos compreender cada vez mais como funcionam os sistemas da Terra, como se processam os seus ciclos. Só preservamos, cuidamos e damos valor, ao que conhecemos. Daí a importância de livros com estes temas.” Por isso, após o lançamento do livro das águas, iniciará outro projeto importante, sobre o Parque Nacional do Iguaçu - Patrimônio Natural da Humanidade. O poeta Mário Quintana, com sua alma sensível, dizia: “O que mata um jardim não é o abandono. O que mata um jardim é esse olhar de quem por ele passa indiferente.” Carlos Renato Fernandes, com sua lente poética, nos aponta o jeito certo de olhar para o jardim.

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DA DORES A X I A B A EM PLANET O D A U ÁG 01

Quem defende o Meio Ambiente protege a sua vida e a dos seus descendentes

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uem defende o Meio Ambiente protege a própria vida. Mas, vai mais além, faz a sua parte na responsabilidade em deixar um planeta melhor para os seus descendentes.

Quem defende o Meio Ambiente sabe que os recursos naturais são finitos e, se não forem bem administrados, se não houver desenvolvimento sustentável, vai faltar meios de sobrevivência na Terra. O homem é o único ser vivo que destrói o ambiente em que vive. Nenhum outro habitante do planeta polui o ar, contamina a água ou devasta as florestas. Por isso, se faz tão necessário que os homens se unam em prol de projetos a favor da natureza Ainda são poucas as pessoas engajadas nessa luta. Mas, com determinação e paciência, esses heróis, alguns anônimos, outros nem tanto, estão conseguin-

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do, através de seus projetos, conscientizar mais cidadãos a trabalhar pelo desenvolvimento sustentável. O Prêmio Gigantes da Ecologia é um exemplo desses projetos que nasceram tímidos e tomaram corpo graças ao número, cada vez maior, de pessoas interessadas em trabalhar a favor do Meio Ambiente. Essas pessoas, patrocinadores, colaboradores ou homenageados, de alguma maneira, contribuíram para que esse livro se tornasse realidade e, em 2010, seja distribuído nas escolas com o objetivo de disseminar informações para as crianças, futuras guardiãs da Natureza. Gustavo Siqueira, idealizador do Colunismo Social Sustentável (CSS) no Brasil, os nomeou de “Embaixadores da Água do Planeta”. A missão desses formadores de opinião é ativar seu network com dicas práticas sobre a conservação dos recursos hídricos do Planeta!

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01 - Ademar Robert 02 - Adriana Piazza 03 - Aglaê e Celso Nazário de Oliveira 04 - Aglair Wolff 05 - Andre Palhano e Mariana Amaral 06 - Alfredo Kuhn 07 - Ana Carolina e Ana Paula Speharcke

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08 - Ana Paula e Bruno Sedrez 09 - Angela Guedes e Andrea Scussel 10 - Anna Lúcia Ribas Denz 11 - Antonio Salani e Carolina Leal 12 - Aparecida Petrowky 13 - Bárbara e Alex Reiter 14 - Bebeko Maia

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15 - Bebeto Azevedo 16 - Bento e Sueli Linhares 17 - Cadu Paschoal 18 - Carla e João Frank 19 - Carmen Capella

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20 - Cesar Bresciani e Suzy Fukushima 21 - Cida e Osni de Oliveira 22 - Décio e Ana Paula Lima 23 - Deputado Federal Antonio Carlos Viera 24 - Fernanda Takai 25 - Deputado João Alberto Pizzolatti Júnior 26 - Dorothy de Brito Steil EMBAIXADORES DA ÁGUA DO PLANETA

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27 - Edna do Carmo 28 - Eliana e Joao Reinhardt 29 - Antonio Ayres 30 - Elke e Maurício Nascimento 31 - Enéas Vasconcellos 32 - Kenzo Takada 33 - Eugenio e Angela Ferrão

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34 - Fatima Guimarães 35 - Fernanda Dearo 36 - Hercília De Patta 37 - Irisete e Leonardo Matuchaki 38 - Israel Madeira

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39 - JacksLeo e Rosane Krambeck 40 - Jefferson Severino e Tere Koerich 41 - Joacir Tramontini 42 - Jorge Luiz Strehl 43 - Marcos e Leila Quintanilha 44 - Karla Cruz Grudtner 45 - Laney Langaro

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46 - Liliane e Valmor de Borba 47 - Lisiane Anzanello 48 - Luana Dandara 49 - Luciana Haugg 50 - Luiz Alberto e Neilen Sackl 51 - Luiz Antonio Fontana e Cereni Maria Frizzo 52 - Denise e Luiz Vicentini

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53 - Manoel Motta Netto 54 - Marcelo e Andréia Kohler 55 - Márcio Schaefer 56 - Marcos Erichsen 57 - Maria Angélica Colombo

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58 - Maria Cristina e Sidnei Valério 59 - Maria Luiza e Rufino Schmitz 60 - Maria Luiza e Valmir Grein 61 - Marinêz Alvezz 62 - Marina Medeiros 63 - Maristela e Nelson Garcia 64 - Marlise e Carlos Stein EMBAIXADORES DA ÁGUA DO PLANETA

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65 - Mirla Fabiane e Soraia Margeron 66 - Dani Rocha e Amaury Jr. 67 - Mônica e Egberto Stritthorst 68 - Nelsi Zoletti 69 - Nikki Goulart 70 - Nilce Ramos 71 - Árbitro Margarida

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72 - Arlan Alves e Neide Tomelin Bini 73 - Perci e Firosette Odebrecht 74 - Pricilla Alcantara e Yudi Tamashiro 75 - Ricardo Wille 76 - Rosangela Muller

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77 - Rosiley Souza 78 - Sebah Vieira 79 - Sheila Schwanke e Julimar Michels 80 - Milu Vianna e Manuel Dias 81 - Sulimar Bernardes 82 - Tania Alves 83 - Tânia e Walmor Lange

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84 - Tatiane Zeitunlian 85 - Téo & Edu 86 - Teodoro Salazar 87 - Úrsula Gross 88 - Vera Lucia Guatymozim e Sergio Corrêa 89 - Vera Martins 90 - Arão Josino

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91 - Vera Toledo 92 - Vereadora Helenice Luchetta 93 - Wilson Bernardo de Souza 94 - Zulmar Antonio Accioli de Vasconcellos

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STITUTO N I O D E NT PRESIDE DA ECOLOGIA ES GIGANT

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Uma luta incansável pelo Meio Ambiente

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iferente em tudo que faz, Gustavo Siqueira atravessou as fronteiras de Santa Catarina em direção ao mundo para defender o meio ambiente. Nascido em 1982, é o quinto Embaixador Mundial da Paz no Brasil e o mais jovem do planeta pelo Universal Peace Embassy Cercle & Universal des Ambassadeus de La Paix (Genebra-Suíça). A consciência cidadã despertou cedo no jovem. Desde os 11 anos participa de atividades que envolvam o meio ambiente. Fundou o Clube da Árvore Futuro em Mãos que distribuiu mais de 20 mil mudas e sementes de árvores em sua gestão e ajudou a adquirir lixeiras de coleta seletiva de lixo para o seu colégio. Foi ele, quando os meninos estavam interessados em videogames, quem criou a 1ª Felicar – Feira do Livro do Clube da Árvore e ajudou na construção da horta e sementeiras no Colégio Estadual Adolpho Konder. Participou de mais de 10 pedágios da consciência ecológica e de congressos que tratam do assunto. Há 10 anos lidera o programa, na TV Galega, “É! Gustavo Siqueira”, no qual mantém um quadro com informações e matérias especiais sobre o meio ambiente. Além disso, escreve para alguns veículos de imprensa e faz parte da Academia de Letras Blumenauense, é diretor nacional de Comunicação e Marketing da Federação Brasileira de Colunistas Sociais, presidente da Associação Catarinense de Colunistas Sociais, delegado regional do CQP (Colegas do

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Quarto Poder), membro atuante da Associação Brasileira de Imprensa, da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação e da Sociedade Escritores de Blumenau e o principal articulador e idealizador do Prêmio Gigantes da Ecologia, com edição anual. Recentemente foi nomeado Chanceler Ambiental do Instituto Brasileiro de Defesa da Natureza (IBDN). Com a fundação do IGE – Instituto Gigantes da Ecologia, Gustavo pretende unir forças com voluntários para trabalhar a educação ambiental. “Nossa meta é tornar o IGE referência em educação ambiental no Brasil, pois a mudança de postura em relação ao meio ambiente só tem sentindo através da educação”, enfatiza Siqueira. Como comunicador, rompeu diversas barreiras e foi o repórter mais jovem a gravar especiais na Floresta Amazônica, Bahia de Todos os Santos e com Jorge Amado e Zélia Gattai. Com apenas 27 anos, Gustavo tem transformado em sucesso todos os empreendimentos dos quais participa. Já recebeu prêmios como o título de “Jovem Cidadão do Brasil”, da Soroptimist International of the Américas, Mérito Jornalístico da UNESCO, Prêmio Cultural Brasil 2006 da Embaixada Mundial da Paz em Genebra (Suíça). No ano passado, esteve em Paris recebendo a Medalha D´Argent da Academia Francesa de Letras e Artes. São lauréis importantes que comprovam o privilegiado talento que possui e que encanta quem chega perto dele e conhece seu jeito único de ser.

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O desafio de reduzir a emissão de CO2

O

Prêmio Gigantes da Ecologia, na edição de 2010, homenageará projetos que ajudam a conter a emissão desenfreada de CO2, conhecido como dióxido de carbono ou gás carbônico – substância química formada por dois átomos, um de oxigênio e outro de carbono. Este gás é importante para o reino vegetal, pois é essencial na realização do processo de fotossíntese das plantas (quando transforma a energia solar em energia química). Porém, também é o principal responsável pelo efeito estufa que tem contribuído para o aumento da temperatura no globo terrestre nas últimas décadas. Pesquisas indicam que o século XX foi o mais quente dos últimos 500 anos. Pesquisadores complementam que, num futuro próximo, o aumento da temperatura provocado pelo efeito estufa, poderá ocasionar o derretimento das calotas polares e o aumento do nível dos mares. Como conseqüência, muitas cidades litorâneas poderão desaparecer do mapa. O gás carbônico é liberado no processo de respiração (na expiração) dos seres humanos e também na queima dos combustíveis fósseis (gasolina, diesel, querosene e carvão mineral e vegetal). O excesso dele na atmosfera é que o torna tão prejudicial. O efeito estufa é gerado pela derrubada de florestas e pela queimada das mesmas, pois são elas que regulam a temperatura, os ventos e o nível de chuvas em diversas regiões. Como as florestas estão diminuindo no mundo, a temperatura terrestre tem aumentado na mesma proporção. Outro fator que está gerando o efeito estufa é o lançamento de gases poluentes na atmosfera, principalmente os que resultam da queima de combustíveis fósseis.

O Instituto Gigantes da Ecologia já está fazendo a sua parte. A festa de lançamento do livro e homenagens aos cidadãos e empresas que fazem a sua parte em prol da Natureza foi ecologicamente correta. O evento foi Neutro Carbono. Uma ideia que todas as empresas deveriam adotar em seus eventos.

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Pesquisadores do Meio Ambiente já estão prevendo os problemas futuros que poderão atingir nosso planeta caso esta situação persista. Muitos ecossistemas poderão ser atingidos e espécies vegetais e animais poderão ser extintas. Tufões, furacões, maremotos e enchentes poderão ocorrer com mais intensidade. Estas alterações climáticas poderão influenciar negativamente na produção agrícola de vários países, reduzindo a quantidade de alimentos em nosso planeta. A elevação da temperatura nos mares poderá ocasionar o desvio de curso de correntes marítimas, ocasionando a extinção de vários animais marinhos e diminuir a quantidade de peixes nos mares. Preocupados com estes problemas, organismos internacionais, ONGs e governos de diversos países já estão tomando medidas para reduzir a poluição ambiental e a emissão de gases na atmosfera. O Protocolo de Kyoto, assinado em 1997, prevê a redução de gases poluentes para os próximos anos. Porém, países como os Estados Unidos tem dificultado o avanço destes acordos. Os EUA alegam que a redução da emissão de gases poluentes poderia dificultar o avanço das indústrias no país. Em dezembro de 2007, outro evento importante aconteceu na cidade de Bali. Representantes de centenas de países começaram a definir medidas para a redução da emissão de gases poluentes. São medidas que deverão ser tomadas pelos países após 2012.

Crédito de carbono

2010

Problemas futuros

Gigantes

da Ecologia

Uma das soluções para reduzir a emissão ou, pelo menos compensar, de gás carbônico, é o sistema de Créditos de Carbono. O programa desperta nos países a vontade política de rever os seus processos industriais e, com isso, diminuir a poluição na atmosfera e o seu impacto no aquecimento do clima. Em função disso, foi criado um certificado que é emitido pelas agências de proteção ambiental reguladoras, atestando que houve redução de emissão de gases do efeito estufa. A quantidade de créditos de carbono recebida varia de acordo com a quantidade de emissão de carbono reduzida. Foi convencionado que uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) equivale a um crédito de carbono. Esse certificado é negociado no mercado internacional, onde a redução de gases do efeito estufa passa a ter um valor monetário para conter a poluição. Há diversos meios para consegui-lo, alguns exemplos são: reflorestamento; redução das emissões provenientes da queima de combustíveis fósseis; substituição de combustíveis fósseis por energia limpa e renovável, como eólica, solar, biomassa, PCH (Pequena Central Hidrelétrica), entre outras; aproveitamento das emissões que seriam de qualquer forma descarregadas na atmosfera (metano de aterros sanitários) para a produção de energia. Os países ou suas indústrias que ultrapassarem as metas estabelecidas terão que comprar os certificados de crédito de carbono, da mesma forma que quem conseguir reduzir suas emissões poderá vender o excedente dessa redução de emissão de gases nas Bolsas de Valores e de Mercadorias a outros países ou indústrias que necessitem desses créditos. O mercado de carbono possui um critério que se chama adicionalidade. Segundo este, um projeto precisa absorver dióxido de carbono da atmosfera, no caso de reflorestamentos, ou evitar o lançamento de gases do efeito estufa, no caso de eficiência energética. Mas somente a existência do certificado não está funcionando. Duas atitudes deveriam ser adotadas imediatamente por todos os governos do mundo. A primeira seria a diminuição em percentuais importantes das emissões de gases poluentes, seja nas indústrias ou nos transportes. A segunda, agir fortemente contra o desmatamento descontrolado das florestas. Por tudo isso, a criação dos créditos de carbono tem um papel importante de conscientização dos países e suas indústrias, mas não será suficiente para resolver esse problema se não houver vontade de todos os envolvidos. Governos, empresas e sociedade devem sentar-se juntos e discutir como mudar esse crime, que é contra o meio ambiente, mas, principalmente, contra nós mesmos.

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Gigantes

da Ecologia

2010

Economia de baixo carbono

P

repare-se para ouvir cada vez mais esse termo. Quando as pessoas falam carbono, emissão de carbono ou CO2, querem dizer “gases causadores do efeito estufa”. Entre os quais o gás carbônico (CO2), emitido na atmosfera por diversas atividades humanas (indústria, desmatamento, agricultura, veículos, usinas de energia etc) é hoje o principal vilão. Uma característica das moléculas de carbono no ar é permitir que a luz do sol chegue a Terra, mas não deixar que o calor gerado por essa luz saia. Isso aumenta o calor médio do Planeta, num efeito semelhante a uma estufa. Quanto mais carbono os humanos emitem na atmosfera, mais calor. E quanto mais calor, mais riscos de grandes alterações climáticas, atingindo especialmente as faixas litorâneas do planeta, onde justamente está concentrado o grosso da população. O que fazer para mudar esse quadro alarmante? O óbvio: reduzir a emissão de carbono, ou melhor, dos gases do efeito estufa. Hoje há um crescente movimento da sociedade nesse sentido. Afinal, governantes e empresas começam a olhar para o futuro e percebem: “- Se a raça humana acabar, não teremos mais eleitores! Ou para quem vender!” Com esse impulso, coisas bacanas vêm acontecendo, como a mudança de postura em relação ao tema por parte do governo norteamericano, a partir da gestão Obama, a corrida da China em busca de uma matriz energética mais limpa e a movimentação do setor privado no mundo inteiro para mitigar suas próprias emissões. Não porque todo mundo seja “bonzinho”, mas porque essa é a tendência, seja em termos legais, institucionais ou de mercado. A geração de energia é uma das áreas mais importantes neste processo. Alicerce do modo de vida que temos hoje na sociedade, a energia que consumimos nas últimas décadas vem sendo gerada em grande escala a partir de fontes fósseis, como petróleo e carvão

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mineral. Além de finitas, tais fontes também geram emissões importantes de gases do efeito estufa. Daí a corrida por fontes renováveis de energia, como a água, a biomassa, os biocombustíveis. E quem não tem como reduzir sua própria emissão? Claro que existem casos em que reduzir a emissão significa, por exemplo, cortar a produção, demitir funcionários. Ninguém quer isso. Criou-se então um mecanismo de créditos de carbono, que podem ser adquiridos como forma de compensar as emissões. A grosso modo, alguém planta árvores que capturam o carbono na atmosfera, e pode vender esse “crédito” para que empresas e países cumpram suas metas de emissão ou de redução das emissões. Quando você vê um selo “carbon free” ou “carbon neutral”, isso quer dizer que aquele produto ou evento neutralizou suas emissões de carbono com a compra ou com a geração própria de créditos de carbono. Na Europa, esse tipo de selo já é comum na rotulagem de produtos. Por aqui a coisa está começando, com direito a alguns exageros, como desfiles de escola de samba neutros em carbono. Alguém pode perguntar: se o aquecimento global está comprovadamente ocorrendo e representa risco para nossa sobrevivência como espécie, por que não estamos todos procurando - e cobrando - a redução imediata das emissões de gases? Bom, esse talvez seja o maior obstáculo que temos pela frente: não vemos os efeitos disso no nosso dia a dia. Há quem diga que alguns eventos climáticos

extremos já são resultado do aquecimento global. Na ponta do lápis, no entanto, pela complexidade desses eventos (sistemas não-lineares), ninguém consegue cravar essa afirmação com lastro científico. De certo mesmo, só sabemos que há uma elevação das temperaturas médias do planeta. E que isso de alguma forma afeta regiões com neve e gelo, alterando profundamente os regimes de chuva e temperatura. Para piorar, há até quem duvide do aquecimento global causado pela emissão de gases dos seres humanos. E nem é por maldade: a questão climática é uma das ciências mais desconhecidas e controversas no meio científico. Um bom exemplo é a meteolorogia: se as previsões mal conseguem alcançar um grau razoável de acerto para a próxima semana, imagine para alguns anos! De qualquer forma, é hora de pensar a respeito. Nesse debate, o melhor argumento até agora é o mesmo que vale para tudo na vida: na dúvida, pare e veja o que está acontecendo. Com a devida cautela.

André Palhano

Colunista de Sustentabilidade da Folha de S. Paulo e Coordenador do Conselho Consultivo do Gigantes da Ecologia

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NTÁVEIS E T S U S OS PARCEIR

Presença 100% em Responsabilidade Socioambiental O Bradesco é o banco que mais investe em ações de responsabilidade socioambiental no Brasil. A Organização mantém uma política corporativa sobre o assunto que busca atender todos os públicos de relacionamento. Por meio do Banco do Planeta, diversos programas são mantidos nas áreas de meio ambiente, educação, esportes, inclusão digital, cultura e eventos comunitários, entre outros. Uma das principais ações do Banco do Planeta é colaborar de forma efetiva para a conscientização das pessoas e de toda a sociedade em relação à sustentabilidade, além de desenvolver projetos que realmente possam proporcionar resultados concretos para se atingir um mundo mais sustentável. Desta forma, o Bradesco tornou-se co-fundador da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), que tem como

objetivo de desenvolver programas que atendam questões como mudanças climáticas, proteção ambiental e desenvolvimento sustentável para a conservação de uma área de 16,4 milhões de hectares. Com a Fundação SOS Mata Atlântica, o Bradesco mantém parceria há 20 anos que tem como objetivo principal desenvolver ações que garantam a preservação da mata atlântica. A presença do Banco nesta parceria viabilizou o plantio de mais de 26,5 milhões de mudas nativas da mata, além de desenvolver produtos financeiros que tem parte de seus recursos destinados à entidade. O consumo consciente é outra questão social que faz parte do dia-a-dia do Bradesco. Entre outras ações, o Banco mantém programas de racionalização de consumo de água e energia elétrica, envia

Empreendimento promove ações que desenvolvem a consciência ecológica para reciclagem produtos usados, como lâmpadas de mercúrio e aparas de papel, além de monitorar de forma adequada o consumo de combustível para carros e helicópteros.

O Spa Maria Bonita, da consagrada atriz e cantora Tania Alves e seu sócio Tadeu Viscardi, é considerado um dos melhores do Brasil e o único no Rio de Janeiro a estar no ranking dos 10 mais.

Em uma ação inédita entre as instituições financeiras no Brasil, o Bradesco foi o primeiro a implantar o Programa de Neutralização de Carbono para medir sua emissão de gases de efeito estufa e neutralizar o impacto de suas ações na atmosfera.

Sua credibilidade deve-se principalmente ao comprometimento de seu trabalho, baseado no programa de

Além da prática, o Bradesco está em sintonia com os principais critérios socioambientais internacionais, como os Princípios do Equador, o Pacto Global, e ainda figurar entre os índices que atestam a preocupação da instituição com as questões socioambientais, com o Dow Jones e o ISE da Bovespa.

Empresa lançará camiseta feita de PET Além de apoiar todas as ações do Instituto Gigantes da Ecologia, a Fruto da Imaginação lançará uma camiseta feita de malha PET (t-shirt) a cada nova coleção. Os recursos obtidos com a venda das mesmas serão destinados ao programa Gestores do Planeta do IGE. Conecte-se ao Gigantes da Ecologia acessando o site da Fruto: http://www.fdimaginacao.com.br/

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Qualidade de Vida chamado Higienismo. O programa aborda a saúde holisticamente, equilibrando o peso e o bem-estar através de desintoxicação e nutrição inteligentes, atividade física regular, repouso adequado e desenvolvimento da consciência ecológica, através do relacionamento harmonioso com o ambiente externo, social e natural. O Spa promove ações, tais como uma

horta orgânica certificada pela ABIO, que alimenta em 70% a cozinha do empreendimento; produção de adubo orgânico e minhocário; tratamento do lixo; uso de energia limpa: rodas d’água e energia solar; palestras, vivencias e treinamento visando à conscientização ecológica de hóspedes e funcionários, contribuindo assim com o Movimento pelo Meio Ambiente.

Empreendimento é reconhecido por suas ações em prol do Meio Ambiente Com 15 anos de atividades, o Shopping Neumarkt, além de ser conhecido pelo pioneirismo ao ser instalado na cidade de Blumenau e, na época, ser considerado o maior do Estado, também é exemplo de responsabilidade ambiental. Vizinho do Parque Municipal São Francisco de Assis, o centro de compras investe constantemente em ações que contribuem para a preservação da natureza. Esta política ecológica vai desde medidas internas de preservação até a

priorização de fornecedores e prestadores de serviços que tenham consciência ambiental. O programa de coleta seletiva, mantido desde 1999, envia para reciclagem, a cada ano, mais de 68 toneladas de resíduos sólidos. Todo o óleo comestível das operações de alimentação e as lâmpadas usadas recebem destinação adequada. O Shopping Neumarkt aproveita os recursos de uma pequena represa pró-

xima ao empreendimento para alimentar sistemas de saneamento e ar condicionado. Nos sanitários, as torneiras foram adaptadas para reduzir em 60% a vazão. Por essas e outras ações, o Shopping Neumarkt ostenta o selo Faema de Qualidade Ambiental. Em 2004, foi contemplado com o Prêmio Expressão de Ecologia, um dos mais importantes do sul do Brasil na avaliação de políticas ambientais de empresas e serviço público.

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Em Brusque a água é monitorada constantemente Preocupado com a saúde da população brusquense, o SAMAE tem como uma de suas prioridades o Controle de Qualidade da Água. Através de laboratórios próprios e terceirizados, o SAMAE vai além das análises estabelecidas na legislação vigente, a

Portaria 518 do Ministério da Saúde. São analises da água que é captada, tratada e distribuída aos seus consumidores, perfazendo aproximadamente 49 mil exames por ano que visam garantir mais qualidade de vida aos brusquenses.

Construção sustentável Responsabilidade com o meio e com aqueles em que nele vivem. Com este foco são norteadas as ações de todos que representam o Sindicato da Construção de Blumenau, o Sinduscon. Os parceiros do Sinduscon, há muito tempo, voltaram os olhares para o que o mundo vem fazendo em prol de um desenvolvimento sustentável. Em outras palavras, construir e ocupar com o mínimo de desgaste natural. Essa construção civil verde implica em uma nova forma de produção, com técnicas aprimoradas e o empenho de cada um dos profissionais envolvidos nas obras. Políticas ambientais e legislação que trate sobre o assunto também são peças fundamentais neste processo de sustentabilidade.

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PARCEIROS SUSTENTÁVEIS

Engana-se quem pensa que esse assunto ainda está apenas nos canteiros de obra de países do Primeiro Mundo. No Brasil, encontramos exemplos que, além de seguirem cases de sucesso aplicados pela indústria da construção nos quatro cantos do planeta, também são inovadores e elogiados dentro e fora de nosso território. O controle e a prevenção de danos ao meio ambiente são constantes em projetos de nossos qualificados profissionais. Apostamos neste novo perfil de engenheiros, construtores, arquitetos e prestadores de serviços desta cadeia produtiva. O Sinduscon Blumenau apóia as empresas associadas e vai além: incentiva o aperfeiçoamento, promove a troca de informações e faz do conhecimento o maior aliado.

Empresa de móveis mantém um sistema de gestão ambiental Há oito anos, a Florense participa de um grupo internacional de empresas realmente comprometidas com a preservação do meio ambiente, mantendo um sistema de gestão ambiental com base na norma ISO 14001. Essa certificação é concedida somente após uma rigorosa série de auditorias para atestar o efetivo engajamento das empresas. Os critérios avaliados envolvem todos os aspectos relativos ao meio ambiente, desde origem, forma de extração e processos produtivos das matérias-primas até a destinação final dos resíduos industriais, passando por todas as etapas de usinagem, logística e manuseio de materiais. Ou seja, os processos devem ser ecologicamente corretos. A certificação foi con-

cedida pela Det Norske Veritas e homologada pelo Inmetro, credenciando a Florense como green company – a empresa foi pioneira na conquista desse certificado entre as fábricas de móveis brasileiras. O trabalho de adequação envolveu uma ampla campanha de conscientização dos colaboradores; substituição de equipamentos; alteração de processos; construção de uma estação de tratamento de efluentes, com lagoas, decantadores e um sistema anaeróbico que permite tratar toda a água utilizada na fábrica e devolvê-la ao meio ambiente em sua forma pura. Em 2009, a empresa completou a instalação em sua fábrica (Flores da Cunha/RS) do

maior centro de acabamentos de móveis do Brasil, que está entre os melhores do mundo. O objetivo do investimento foi tornar todo o processo saudável, desde a entrada da matéria-prima até a expedição dos móveis prontos. Todos esses cuidados resultaram numa expressiva redução do desperdício e mínima geração de resíduos – 100% reaproveitados na fabricação de outros tipos de produtos por empresas credenciadas pelos órgãos ambientais. Ampliando seu comprometimento, a Florense passou também a selecionar seus fornecedores dentro desses critérios, priorizando aqueles cuja produção esteja adequada aos novos parâmetros ambientais

Empresa produz artigos a partir de garrafas PETs Atenta às questões ambientais e no intuito de causar uma mudança na cultura da sociedade ainda pouco consciente sobre o futuro do planeta, a Fujiro Ecotêxtil confecciona camisetas com malhas recicladas obtidas através de garrafas PETs. A Fujiro já retirou do meio ambiente mais de um milhão de

garrafas PETs que poderiam estar contaminando nossos mananciais. Uma garrafa PET pode durar até 450 anos. A empresa mantém seu foco em produtos promocionais, como camisetas, ecobags e uniformes, cujo diferencial está no compromisso com a sustentabilidade e a consciência ecológica.

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