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SUMÁRIO HISTÓRIA

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RESISTÊNCIA

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TURBANTE

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COCAR

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PESSOAS IMPORTANTES

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COCAR NÃO É ENFEITE

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INFOGRÁFICO

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EXPEDIENTE Reitor IFSULDEMINAS Prof. Marcelo Bregagnoli Diretor Geral do Campus Passos Prof, João Paulo de Toledo Gomes Coordenador do curso Técnico em Comunicação Visual Kelly D’Angelo Edição, Redação, Projeto Gr��co e Montagem Maria Eduarda Oliveira Revisão Maria Eduarda Oliveira Produção de Imagens (Fotogra�as� Ilustração) Wix site Produção da Imagem da Capa Maria Eduarda Oliveira Apoio e Orientação Projeto editorial: Prof. Heliza faria Identidade Visual: Cleiton Hipólito

Olá, queridos leitores! Meu nome é Maria Eduarda Oliveira. Conclui o ensino médio integrado ao curso técnico em comunicação visual no IFSULDEMINAS - Campus Passos. f vvvvvvvvvvvvvvvvv A revista Afroindígena tem como tema principal negros e indígenas. Trago a vocês a história, luta e cultura dos mesmo. A ideia de falar sobre esse tema surgiu após eu perceber que há a necessidade de desconstruir muitas coisas que foram construídas ao longo da formação da nossa vida. b AFRINDÍGENA 3


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Quem “descobriu” o Brasil? A esquadra que chegou ao Brasil era composta por experientes navegadores e bastante numerosa. Seu objetivo principal era chegar às Índias para negociar tratados comerciais, após a bem-sucedida viagem feita por Vasco da Gama em 1498. No entanto, antes deveriam verificar as terras que existiam a oeste. A esquadra de Cabral partiu de Lisboa em 9 de março de 1500, com dez naus e 3 caravelas, uma tripulação de aproximadamente 1500 homens, entre eles, experientes navegadores, como Bartolomeu Dias (descobridor do cabo da Boa Esperança) e Gaspar de Lemos, geógrafos, cartógrafos, padres, soldados, intérpretes e comerciantes. Logo após a partida do Tejo, a frota perdeu uma nau de mantimentos, comandada por Vasco de Ataíde. No norte da África, a esquadra de Cabral desviou-se para o Ocidente, afastando-se da costa africana e da rota conhecida para as Índias. Após 43 dias de viagem, em 21 de abril, no final da tarde avistaram algas marinhas e aves aquáticas, sinal da existência de terra próxima. No dia 22, os marinheiros avistaram um monte alto e arredondado, que recebeu o nome de Monte Pascoal, por estarem na semana da Páscoa, e a terra foi batizada com o nome de Ilha de Vera Cruz, pois inicialmente acreditavam tratar-se de uma ilha. Ancoraram os navios num abrigo seguro que foi chamado de Porto Seguro (hoje baía Cabrália, no atual estado da Bahia) e ali permaneceram por dez dias. Posteriormente, alteraram o nome para Terra de Santa Cruz e a partir de 1503, aproximadamente, deu-se a terra o nome de Brasil, devido à grande quantidade de uma árvore chamada pau-brasil, existente em nosso litoral. A carta de Pero Vaz de Caminha, o escrivão da esquadra, ao rei de Portugal, revela com detalhes os primeiros dez dias dos portugueses em terras brasileiras, descreve a beleza do lugar e suas impressões acerca dos nativos. O desembarque foi em 23 de abril, uma quinta-feira. De manhã, Nicolau Coelho, navegador de muita experiência, foi com um bote até a praia, onde fez o primeiro contato com 18 nativos da tribo dos tupiniquins. No dia seguinte, a esquadra levantou âncora à procura de um porto melhor, que foi encontrado 70 km mais ao norte.

Quando os portugueses chegaram ao Brasil já havia pessoas habitando, logo, os portugueses não descobriram o Brasil, eles apenas chegaram à terra que pertenciam a várias tribos indígena. AFRINDÍGENA 6

Os jesuítas liderados por Manoel da Nóbrega chegaram à colônia Brasil em 1549, junto a Tomé de Sousa, o primeiro governador-geral enviado por Portugal. A principal função dos jesuítas, ao virem ao Brasil, era evangelizar, catequizar e tornar cristãos os indígenas que habitavam estas terras. Para que a catequização fosse realizada, era necessário que os indígenas aprendessem a língua portuguesa para a leitura de trechos bíblicos e o ensino da prática religiosa católica. Um dos nomes mais conhecidos no processo de evangelização que chegaram até nós foi o do padre José de Anchieta. As missões serviram também para que os jesuítas mudassem os hábitos dos indígenas. O interesse era que eles passassem a viver de acordo com a cultura europeia: que as famílias fossem nucleares (pai, mãe e filhos do casal), que eles se fixassem em um local (grande parte das tribos indígenas era seminômade, vivendo em constante deslocamento) e passassem a adotar os ritmos e as disciplinas de trabalho que impunham os europeus. Esse processo ficou também conhecido como aculturação. Com isso, os jesuítas conseguiram que as missões produzissem para seu próprio consumo, além de fornecerem excedentes que eram comercializados. Toda essa situação levou os jesuítas a entrarem em conflitos com os colonos, que tinham interesse na escravização indígena. As missões serviam como áreas protegidas da ação dos colonos, mas também resultaram em fonte de força de trabalho para os jesuítas que se enriqueceram com a exploração dos indígenas.


A escravidão dos povos negros no Brasil No Brasil, a escravidão teve seu início a partir da produção de açúcar na primeira metade do século XVI. Os portugueses traziam os escravos de suas colônias na África para utilizar como mão-de-obra escrava nos engenhos de açúcar da região nordeste do Brasil. Os escravos aqui no Brasil eram vendidos como se fossem mercadorias pelos comerciantes de escravos portugueses. Os mais saudáveis chegavam a valer o dobro daqueles mais fracos ou velhos.

As mulheres negras também sofreram muito com a escravidão no Brasil, ainda que os senhores de engenho utilizassem esta mão-de-obra, principalmente, para trabalhos domésticos. Cozinheiras, arrumadeiras e até mesmo amas de leite foram comuns naqueles tempos da colônia.

No período conhecido como o Século do Ouro (XVIII) alguns escravos conseguiam comprar sua liberdade após adquirirem a carta de alforria. O transporte destes escravos era feito da Áfri- Juntando alguns “trocados” durante toda a vida, ca para o Brasil nos porões de navios negreiros. conseguiam a liberdade. Entretanto, as poucas Os escravos vinham amontoados, em condições oportunidades e o preconceito da sociedade acadesumanas, muitos morriam antes de chegar bavam fechando as portas para estas pessoas. ao Brasil, e seus corpos eram deixados no mar. O negro, porém reagiu à escravidão, buscando uma vida digna. Neste período eram comuns as revoltas nas fazendas em que grupos de escravos fugiam, formando nas florestas os quilombos. Estes quilombos eram comunidades organizadas, onde os integrantes viviam em liberdade, através de uma organização comunitária aos moldes do que existia na África. Nos quilombos, os negros africanos podiam praticar sua cultura, falar sua língua e exercer seus rituais religiosos.

Quando chegavam às fazendas de açúcar ou nas minas de ouro (a partir do século XVIII), os escravos eram tratados da pior maneira possível. Trabalhavam excessivamente (de sol a sol), recebiam uma alimentação precária e suas roupas eram trapos. A noite recolhiam-se nas senzalas (galpões escuros, úmidos e com pouca higiene) e eram acorrentados para evitar fugas. Constantemente eram castigados fisicamente, sendo que o açoite era a punição mais comum no período do Brasil colonial. Os escravos eram proibidos de praticarem a sua religião de origem africana ou de realizar suas festas e rituais africanos. Eram obrigados a seguir a religião católica, imposta pelos senhores de engenho, e também era exigido adotar a língua portuguesa na sua comunicação. Porém mesmo com todas as imposições e restrições, não deixaram a cultura africana se extinguir. Escondidos, realizavam seus rituais, praticavam suas festas, conservaram suas representações artísticas e desenvolveram uma uma arte marcial disfarçada de dança, a Capoeira. AFRINDÍGENA 7


Resistencia indígena

caram vários conflitos. A revolta começou na região norte-rio-grandense do Açu, com ataques contra vilas e fazendas resultando em mortes e destruição. A pedido do governo-geral do Brasil, bandeirantes de São Paulo e de São Vicente foram requisitados para acabar com o motim. A presença dos bandeirantes não acabou com a revolta, ao contrário, disseminou-a para outras regiões e provocou a entrada de outras nações: os Anacés, Jaguaribaras, Acriús, Canindés, Jenipapos, Tremembés e dos Baiacus.

A resistência indígena se dava pelas fugas dos aldeamentos missionários e de outros tipos de cativeiro, pela defesa das aldeias contra os Bandeirantes, por ataques a vilas e fazendas, pela colaboração com o europeu, bem como pelo suicídio quando presos. A resistência intensificava-se, sobretudo, a partir da penetração do conquistador no interior do país pela busca de metais preciosos ou na expansão das fazendas, onde estes faziam, na maioria das vezes, o uso da violência.

Após anos de luta, entrou em ação o regimento de ordenanças do coronel João de Barros Braga, que fora avassalador. Composta de homens conhecedores do terreno e do modo de guerrear indígena fora promovida uma expedição guerreira em 1713 que subiu pelo vale do Jaguaribe ao do Cariri, até os confins piauienses, exterminando todos os indígenas pelo caminho não importando sexo ou idade. Assim terminou a Confederação dos Cariris, apontada nos livros de História tradicionais como a “Guerra dos Bárbaros”.

O domínio religioso imposto pelos portugueses tornava os nativos “submissos” ou aparentemente dóceis à dominação. Na visão dos primeiros portugueses, os índios não possuíam nenhuma religiosidade. No entanto, religiosidade e crenças míticas faziam parte da vida indígena, e uma das principais tarefas dos portugueses seria a de trazer estes índios para a verdadeira fé cristã, e que costumes como a poligamia, a antropofagia, o andar sem roupas, as bebidas, etc., fossem extintos.

Os índios Goitacás por duas vezes destruíram a povoação e os engenhos de açúcar construídos em seu território. Os Tamoio ou Tupinambá, da família Tupi, grandes guerreiros que ocupavam a região do Rio de Janeiro até Ubatuba, formaram a Confederação dos Tamoios que aliada aos franceses durante dez anos (1555-1565) ameaçaram o povoamento português das capitanias do sul.

A ideia de que os indígenas do Brasil no período colonial desapareceram e/ou perderam sua identidade, baseada na História tradicional, é debatida e combatida na historiografia recente. Os nativos não podem ser reduzidos a meras vítimas da conquista, isso exclui a idéia de que os próprios tomavam a iniciativa para resistir em uma luta pela sobrevivência. Eles jamais aceitaram, sem resistência, a dominação do europeu.

A Confederação dos Cariris foi um movimento de resistência da nação Cariri (ou Kiriri) à dominação portuguesa, ocorrido entre 1683 e 1713, que envolveu nativos principalmente do Ceará e algumas tribos de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba. Ela iniciou-se em resposta ao avanço de sesmeiros que invadiram as terras ocupadas pelos indígenas e provoAFRINDÍGENA 8

A superioridade militar dos europeus e a dificuldade dos indígenas de se unirem contra o inimigo comum, foram fatores que prejudicaram esse tipo de resistência. Os indígenas, divididos por rivalidades tribais, auxiliavam os europeus na luta contra outros indígenas. Mas nas poucas ocasiões em que conseguiram se unir, na forma de confederações, foi penoso para os europeus dominá-los.


Resistencia negra A historiografia conservadora, que valoriza os heróis como únicos responsáveis pelos grandes feitos da humanidade, enaltece a Princesa Isabel como a redentora dos negros, a libertadora e ignora todo o processo conjuntural e estrutural que a levou a assinar,em 13 de maio de 1888, a Lei Áurea. A partir da segunda metade do século XIX cresceram os movimentos abolicionistas, que passaram a pressionar cada vez mais o governo em busca de uma extinção definitiva da escravatura.As pressões internacionais, principalmente dos ingleses, também eram grandes, e os próprios negros passaram a se rebelar contra a situação com maior freqüência.

dências exigidas não eram meros discursos retóricos da imprensa conservadora, tratava-se de uma questão de sobrevivência econômica para alguns. Em fins do século XIX, manter seus escravos era de extrema necessidade para alguns fazendeiros, pois o fim do tráfico e a promulgação da Lei do Ventre Livre limitavam a manutenção do numero de escravos à compra através do tráfico interno, que se tornara muito caro com a diminuição da oferta. Os documentos mostram que a fuga e os quilombos não eram as únicas formas de resistência dos negros perante a escravidão: rebeliões, assassinatos, suicídios , revoltas organizadas também fizeram parte da história da escravidão no Brasil. Das revoltas históricas, a mais conhecida foi a dos Malês, em Salvador. Essa revolta foi tão significativa que na correspondência de pessoas importantes da Corte, no século XIX, há diversas menções a ela. Havia o medo de que novas revoltas como aquela transformassem o Brasil numa “anarquia.” Os Malês, como se sabe eram um grupo étnico numeroso, já islamizado, que tinha capacidade de se organizar até mesmo nas senzalas.

O Quilombo de Palmares, no século XVII, em Alagoas, tornou-se uma referência na história da resistência dos negros à escravidão.Até hoje, quando se fala em resistência negra à escravidão se é induzido a pensar em Zumbi dos Palmares e no quilombo que ele liderou.Mas esse famoso quilombo não foi o único a existir, muito pelo contrário, eles multiplicaram-se pelo Brasil como forma de organização de resistência dos negros fugidos do trabalho escravo. A resistência contra a escravidão já começava no embarque dos africanos nos navios negreiros. O risO acervo documental sobre os quilombos não co de revoltas dos africanos nos navios negreiros era é muito rico. Na Biblioteca Nacional, poucos do- tão alto que os traficantes de escravos diminuíam, cumentos fazem referência aos acampamentos deliberadamente, as porções de comida para redude negros fugidos, já que a maior parte da do- zir as possibilidades de revoltas, que aconteciam, gecumentação sobre escravidão no Brasil era pro- ralmente, quando o navio estava próximo da costa. duzida por escravagistas que exigiam o completo extermínio desses focos de resistência. As revoltas dos africanos nos navios negreiros eram tão comuns que os traficantes tinham na tripulação Num dos artigos do periódico Aurora Fluminen- do navio intérpretes que falavam os idiomas dos afrise, exigia-se que o governo fosse mais incisivo na canos e poderiam alertar em caso de possibilidade de ação contra os quilombos existentes nas cercanias revolta dos aprisionados. As revoltas, porém, não se da Corte.O artigo enumerou alguns acampamen- resumiam apenas aos navios negreiros. Aqui no Brasil, tos de negros fugidos existentes então. As provi- inúmeras revoltas aconteceram, conforme veremos.

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Também podem fazer parte do vestuário de seguidores da Umbanda, religião criada no Brasil com inspiração em elementos do Candomblé, mas que também abrange traços do catolicismo e do espiritismo. Com o avanço da história e o comércio entre Ocidente e Oriente as trocas culturais foram ficando mais comuns, o que levou os turbantes para o mundo da moda, especialmente na Europa, nas décadas de 20 e 30, se popularizando cada vez mais desde então e, posteriormente, em todo o mundo.

Turbante e apropriação cultural

Tubante

A origem datada dos turbantes é desconhecida, mas acredita-se que este elemento cultural já é usado no Oriente antes mesmo do surgimento do Islamismo, diferente do que muitas pessoas pensam. Ou seja, o uso turbante como símbolo e expressão de fé não está ligado apenas às religiões islâmicas, mas também ao Sikh indiano. Ainda na Índia, os turbantes também podem representar a casta e o status financeiro, além da religião.

A apropriação cultural no Brasil está ligada a fundação da cultura brasileira, que é altamente miscigenada por africanos, europeus (especialmente os portugueses) e os nativos brasileiros ou índios. Por este motivo é comum e troca e apropriação destas culturas entre si.

O problema é quando elementos da cultura negra como o turbante são apropriados sem a devida valorização à sua simbologia cultural, social e religiosa, especialmente por se tratar da cultura negra, que ainda é alvo de preconceito racial. É por isso que o uso do turbante está altamente ligado a um ato político de reafirmação e resistência à favor da cultura negra, para que não se perca o seu valor, e também pela luta para cultivar e promover o orJá na África os turbantes são elementos estruturais gulho pela cultura dos negros e a cultura africana da cultura que carregam um significado em cada como um todo. Isso porque africanos e afrodescentipo de amarração diferente. Nas religiões presentes dentes carregam consigo traços culturais e ancesno continente, o uso do Ojá, um tipo de turbante trais muito fortes, presentes em todo o mundo, mas específico, além de representar aspectos culturais ainda sofrem com o preconceito e a discriminação. e estéticos daquele povo, também possui função social e religiosa, podendo apresentar as mais di- Em outras palavras, o turbante, por mais lindo e glaversas cores e estampas, cada uma delas represen- mouroso que seja, representa para os negros muitando significados diversos e profundos. Nestes to mais do que um item fashion, ele é um aparato casos, o uso do turbante na cabeça não é por aca- de resistência aos padrões eurocentristas impostos so, isso porque tem a função de proteger a cabeça pela sociedade, uma ferramenta de reconhecimento e a mente, fonte de pensamentos e cultivo da fé. cultural e autoaceitação da origem ancestral negra. Aqui no Brasil, o turbante representa a afirmação da identidade cultural que foi trazida pelos negros que vieram da África quando foram escravizados. Aqui, estes tentavam reproduzir os tecidos, estampas e colorações que tinham em seus países de origem. As peças eram usadas como símbolo de resistência da sua cultura e reafirmação da sua identidade africana. O uso do turbante no Brasil hoje também tem a função de relembrar e reforçar os aspectos da cultura negra africana, resistindo e lutando contra o racismo e o preconceito. Os turbantes também podem ser incorporados a religiões africanas como o Candomblé, vinda da África e implantada no Brasil pelos negros que foram escravizados e trazidos para cá. AFRINDÍGENA 10


Tipos de turbantes Turbante masculino

Assim como entre as mulheres, o turbante também é usado por homens há centenas de anos em regiões da África, na Índia, Paquistão, Afeganistão e Jamaica. Eles também podem aparecer em diversos modelos, podendo ser africanos, árabes ou indianos.

Faixa turbante

Para este modelo também não é necessário um turbante de metragem muito grande, ok!? Aí é só dobrar o turbante em faixa e passar pela parte de trás da cabeça, trazendo as pontas para frente e cruzando-as. Depois essas pontas são jogadas para trás e devem enrolar a cabeça até o comprimento Turbante africano acabar. Por fim, esconda as pontinhas no próprio Geralmente são bem coloridos e podem ser en- turbante, prendendo com firmeza para não soltar. contrados com as mais diferentes estampas. Quando for comprar o seu turbante, você pode ir a uma loja de moda africana e lá perguntar um pouco mais sobre a procedência do tecido e história por trás do turbante escolhido. Com eles você poderá fazer a amarração africana que quiser.

Turbante fechado

Turbante com box braids

Esse modelo é aplicado em cima dos cabelos com tranças box braids, ou seja, tranças soltas. Há diversas maneiras de usar turbante com box braids, mas uma delas é fazendo um coque alto com as tranças, passando o turbante aberto atrás da cabeça, puxando as pontas para frente e dando um laço bem no topo. Depois é só esconder as pontas soltas dentro do próprio turbante e ir ajeitando-o da maneira que você achar melhor.

Mais uma vez, existem várias maneiras de usar o turbante fechado, vamos ensinar uma delas. Para isso prenda o cabelo em um coque abacaxi ou afropuff para dar estrutura e volume para o seu turbante. Então passe o turbante fechado por trás da cabeça trazendo as pontas para frente, entrelaçando uma na outra. Um dos lados deve ser maior e, com este, você vai enrolar todo o cabelo e esconder a ponta na própria estrutura do turbante. Ajeite-o do jeito que você se sentir mais confortável.

Turbante com legging

Para este tipo de turbante você vai dobrar uma calça legging na metade, bem na altura do quadril e passá-la por trás da cabeça, de modo que a parte do quadril fique na nuca e as pernas da calça subam em direção à frente da cabeça. Entrelace as duas pernas da calça na parte da frente, passe uma das pontas pela lateral e esconda a pontinha na própria estrutura do turbante. Faça o mesmo do outro lado. Por fim é só ajeitar as pontas que ficarem aparecendo. AFRINDÍGENA 11


O que o cocar representa para os indígenas O cocar é um símbolo de nobreza para os índios, ultrapassa limites do estético e imprime em suas penas e sementes a ordenação da aldeia, o significado da vida, a importância do ser. Sua forma em arco gira entre o presente e passado, e se projeta para o futuro.

inimigo no campo de batalha, pois isso significava que o guerreiro estava na dianteira da frente de combate. Penas foram entalhadas e decoradas para designar um evento e contar histórias individuais, como matar, capturar arma e escudo de um inimigo, e se o ato tivesse sido feito a cavalo ou a pé. Cada tribo tem o seu significado especial, mas Em algumas tribos, cocares foram desenvolvidos uma regra é geral: os maiores e mais vistosos de- para determinados indivíduos com permissão esvem enfeitar as cabeças de curandeiros e caciques. pecial para caçar aves de rapina, como a águia. Na aldeia kayapó, por exemplo, as cores das penas do cocar não são aleatórias: Algumas tribos permitiam que somente o guerreiro O verde representa as mata e florestas. caçasse suas próprias águias. Esta era uma missão O vermelho, simboliza a casa dos homens. perigosa e demorada e significava que ele deveria O amarelo representa as casas e as ro- deixar a tribo e viajar para o local onde o pássaro ças, áreas dominadas por mulheres. poderia ser encontrado, podendo ser em outro país. Quando o objetivo era alcançado, cerimônias eram realizadas para atrair os espíritos dos pássaros que seriam mortos. O cocar do chefe é feito de penas recebidas por boas ações para a sua comunidade e é usado em grande honra. Cada pena representaria uma boa ação. O cocar de guerra do guerreiro, assim como o capacete romano, era usado pelos guerreiros para proteção durante a batalha. Etimologia: “Cocar” origina-se do francês cocarde, “distintivo que se usa na cabeça”.

Cocares de Canudos: A Arte Feita á Mão Pelos Guerreiros Kayapós O cocar é um artefato ritual, confeccionado artesanalmente pelos homens da aldeia e usado em cerimônias de diversas etnias. Se até pouco tempo seu uso era restrito a ritos, exposições e pesquisas de arte indígena, hoje o cocar toma as ruas da cidade, despertando interesse sobre suas origens e os costumes relacionados a este adorno. Grande parte dessa nova “moda” se deve à invenção dos índios Kayapó, habitantes das marAlguns guerreiros poderiam ter obtido apenas gens do Rio Xingu: o cocar de canudos ou pidduas ou três penas de honra em toda a sua vida, jôkango oicõ djã nho meàkà, na língua indígena. pelo fato da alta dificuldade para conquistá-los. O cocar também foi uma marca maior de O protótipo original do cocar chama-se meakà. É respeito, porque nunca poderia ser usaum arco feito com penas de diferentes pássaros, do sem o consentimento dos líderes da tribo. como araras, papagaios, mutuns e rei-congos, conforme as cores escolhidas por quem o confecciona. Uma grande honra, por exemplo, era conferida ao São os homens que caçam os pássaros na floresguerreiro que houvesse sido o primeiro a abater um Sua beleza era considerada de importância secundária: o valor real do cocar estava em seu suposto poder para proteger o usuário. O cocar é de uso apenas para ocasiões especiais e é altamente simbólico. É conquistado por meio de atos de coragem na batalha: as penas significavam os próprios atos.

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ta, arrancam-lhes as penas e preparam-nas para serem afixadas lado a lado com linhas de algo- Somente o dono do cocar de penas de japu dão cru, dando forma, simetria e beleza ao meakà. (amarelas) pode usar e mesmo confeccionar o cocar com canudinhos amarelos, por exemplo. A fala é do antropólogo André Demarchi, que tem os Kayapó como objeto de pesquisa desde 2009. Porque canudos? André integra a Rede Tucum e é de autoria dele o Os canudos viraram matéria-prima devido a um material que usamos como referência para este texto. grande incêndio que devastou a aldeia Môikarakô, Terra Indígena Kayapó, PA, nos anos 90. Embora não tenha deixado vítimas, o fogo queimou praticamente todas as casas da aldeia e boa parte dos pertences de seus habitantes, incluindo seus valiosos bens cerimoniais, dentre eles os cocares de penas que estavam sendo produzidos para um ritual dali a alguns dias. Mesmo com suas casas e enfeites queimados, os moradores da aldeia decidiram fazer a festa. Foi nesse contexto de resistência e superação que um velho indígena teve a ideia de produzir os arcos com Uma breve história sobre o cocar De acordo com a mitologia Kayapó, o cocar de penas os canudinhos de plástico para adornar as cabeças é um troféu de guerra conquistado depois que dois de seus companheiros de aldeia de forma que eles guerreiros mataram Àkti, o grande gavião que gos- pudessem dançar e festejar superando o ocorrido. tava de se alimentar de crianças e velhos indefesos. Mal sabia ele do sucesso que este artefato faria enAssim, não é qualquer um que pode portar na ca- tre os próprios Kayapó e décadas mais tarde, entre beça um cocar; é preciso que seja transmitida pe- admiradores da cultura indígena e foliões querendo los mais velhos uma espécie de permissão, que deixar a “fantasia de índio” ainda mais significativa. acontece durante as cerimônias de nominação. Nesta transição entre a confecção do cocar para uso É a partir deste ritual que a criança é apresen- interno e ritual para o uso lúdico, festivo e comercial por tada como especialmente bela (mereremejx) não-indígenas, a produção ganha muito em liberdade para aquela comunidade e torna-se apta, en- criativa, em especial quanto à combinação de cores. tre outras coisas, a usar sob a cabeça um cocar. Ver os cocares de canudo, feitos sob a mesma O uso ritual do cocar é restrito a apenas uma pes- tradição dos cocares de pena, vale lembrar, visoa, considerada como o dono ou aquele que pode rando item de desejo entre os que curtem o Carutilizá-lo. Enquanto algumas pessoas têm a prer- naval, é motivo de orgulho para os Kayapó que, rogativa de utilizar o verde, feito de penas de pa- com sua cultura, ajudam a enfeitar esta grande pagaio; outra pode usar o vermelho, de penas de festa dos brancos – ou kuben, na língua Kayapó. arara e uma outra, o amarelo, de penas de japu. Para pegar emprestado um cocar, é necessário que haja autorização do dono e que depois da festa, seja prontamente devolvido a ele ou à sua família. Ter um cocar sob a cabeça é algo muito significativos entre os Kayapó. Com o cocar de canudos ocorre algo similar, já que ele também se transformou em um bem simbólico com circulação restrita apenas a seus donos, que continuam sendo proprietários deste objeto ritual de cores distintas. AFRINDÍGENA 13


Algumas pessoas importantes para a

LUTA NEGRA A história do Brasil e do mundo é cheia de exemplos de pessoas que fizeram a diferença e que contribuíram para um mundo mais igualitário. Elas deixaram sua marca na política, no ativismo, na música, no esporte, no cinema e na literatura. Nelson Madela Nelson Mandela foi um dos mais conhecidos representantes do Continente Africano. Foi um líder político e foi presidente da África do Sul entre 1994 e 1999. Desde os tempos da faculdade de Direito já demonstrava uma liderança política motivada pela preocupação com a juventude e a população negra africana. Ainda na faculdade ingressou no movimento estudantil e fez suas primeiras manifestações políticas, posicionando-se contra o apartheid. Mandela foi o mais conhecido líder rebelde contra o apartheid, o regime separava a população negra, negando a ela todos os direitos políticos, econômicos e sociais que eram garantidos a outras pessoas. Foi preso político em 1962 pela justificativa de que incentivava movimentos revolucionários, chegando a ser condenado a prisão perpétua pelos crimes de conspiração e ajuda para que outros países invadissem África do Sul. Esteve preso por 27 anos, sendo libertado em 1990, depois de uma forte campanha internacional liderada pelo Congresso Nacional Africano. Mandela recebeu o Prêmio Nobel da Paz no ano de 1993. Sua história e suas ações foram tão marcantes na luta contra o apartheid que a Organização das Nações Unidas (ONU) definiu o dia 18 de julho como o Dia Internacional de Nelson Mandela.

Martin Luther King Martin Luther King é considerado um dos mais importantes nomes na história da luta pelos direitos civis da população negra dos Estados Unidos. Além de ser ativista no movimento negro, ele também foi pastor da Igreja Batista. Sua história com o ativismo possui muitos momentos marcantes, como a luta pelo direito ao voto, o movimento pelo fim da segregação da população negra, além da busca por direitos civis que não eram concedidos aos negros naquela época. do

Luther King pelas ideias de

era fortemente Mahatma Gandhi,

influenciaque prega-

va o combate não violento e, por isso, era adepto do ativismo pacífico. Pela sua importância na luta contra a discriminação racial recebeu o Prêmio Nobel da Paz no ano de 1964. Martin Luther King morreu aos 39 anos. Foi assassinado em abril de 1968 e sua morte é cercada de dúvidas. A teoria mais conhecida sobre sua morte revela que o assassinato teria sido encomendado pelo governo . AFRINDÍGENA 14


Rosa Parks

Rosa Parks foi uma ativista americana que se tornou um símbolo da luta antissegregação nos Estados Unidos. Ela teve sua vida marcada pelo ativismo contra o preconceito racial, combatendo o racismo que existia no país. Em 1955, ao ter uma atitude de enfrentamento em uma situação de racismo, marcou a história da luta pelos direitos civis da população negra. Neste episódio, Rosa foi solicitada a ceder seu lugar em um ônibus para uma pessoa branca. Diante da resposta negativa, ela foi expulsa do ônibus e presa por violação da Lei de Segregação da cidade. Esse fato deu origem a uma série de manifestações que culminaram no surgimento de um movimento que fez um boicote aos ônibus da cidade de Montgomery, no Alabama. O movimento sabotou o serviço de transporte da cidade, como uma forma de denunciar a divisão racial que acontecia, não só no transporte, mas em diversos espaços frequentados pela população negra. O movimento de boicote ganhou muita força. Foi liderado por Martin Luther King, que era pastor na cidade e ainda era desconhecido na época. Em consequência disso, no ano seguinte, a Suprema Corte dos Estados Unidos declarou a inconstitucionalidade da segregação racial nos transportes públicos no estado do Alabama.

Marielle Franco Marielle Francisco da Silva (1979-2018), conhecida publicamente como Marielle Franco, foi uma política brasileira. Formada em Sociologia (pela PUC-Rio) e com Mestrado em Administração Pública (pela UFF), Marielle foi eleita Vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) no ano de 2016. Negra, mulher, feminista, pobre, criada na favela e lésbica, Marielle representou uma série de minorias ao longo da sua vida política. A socióloga presidiu a Comissão da Mulher da Câmara, foi defensora dos direitos humanos e das causas LGBTI. Após a morte de uma amiga próxima, vítima de bala perdida, Marielle resolveu se dedicar à militância pelos direitos humanos. A socióloga trabalhou na Redes da Maré e criticou duramente os abusos de poder das forças policiais. Em 2006, Marielle acabou por integrar a equipe da Comunidade da Maré que fez campanha para o deputado Marcelo Freixo, político carioca considerado o padrinho político de Marielle. Marielle se elegeu em 2016 para a Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro pelo partido PSOL com 46.502 votos. Ela foi a quinta vereadora mais bem votada da cidade. Durante o mandato, a socióloga presidiu a Comissão da Mulher da Câmara. Defensora dos direitos humanos, coordenou, junto com Marcelo Freixo, a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Marielle apresentou na Câmara o projeto do Dia da Visibilidade Lésbica, que não foi aprovado por apenas dois votos. Ao longo do período em que atuou como vereadora apresentou 16 projetos de lei, especialmente pensados em políticas públicas para negros, mulheres e LGBTI. Em 14 de março de 2018, foi assassinada a tiros junto de seu motorista, Anderson Pedro Mathias Gomes, no Estácio, Região Central do Rio de Janeiro. AFRINDÍGENA 15


Quatro principais lideranças indígenas da Amazônia A história da Amazônia indígena foi escrita por grandes líderes. Figuras como Ajuricaba, líder dos Manáos, iam de encontro aos interesses dos exploradores europeus. Hoje, os líderes indígenas lutam contra a exploração mineral, o desmatamento e as mazelas sociais trazidas por interesses econômicos e a defesa do reconhecimento das terras indígenas. Raoni Metuktire Cacique Raoni, como é conhecido, talvez seja o líder indígena mais famoso do País. Nascido em 1930, no Mato Grosso, na vila Krajmopyjakare, hoje conhecida como Kapôt, ele pertence ao povo Kayapó e aprendeu português com os irmãos Villas-Bôas. Raoni conquistou fama internacional por sua luta pela preservação da Amazônia. A marca registrada é o adorno em forma de disco que usa no lábio inferior. Seu nome já foi cotado mais de uma vez para candidato ao prêmio Nobel da Paz, mas a iniciativa ainda não se concretizou. Raoni. Com este nome só, evoca-se todo o mistério e o poder do povo Caiapó, do qual ele é um dos guias. Obstinado e insubmisso, esse chefe carismático leva há quatro décadas uma verdadeira cruzada para tentar salvar a floresta amazônica que o viu nascer. Pai fundador do movimento para preservação das últimas florestas tropicais, patrimônio inestimável da humanidade, ele arriscou muitas vezes sua vida por essa nobre causa. Para além da Amazônia, Raoni representa o símbolo vivo da luta levada pelas últimas tribos do mundo para proteger uma cultura milenar, em conexão direta com a natureza: uma luta pela vida. Centenas de gerações separam nossa época dos usos e costumes dessas populações ameaçadas. Raoni atravessou esse abismo imenso durante uma única existência, conservando estoicismo e dignidade. Encontrou-se com os grandes deste mundo mas vive em uma cabana simples e nada possui.

David Kopenawa O pajé e líder Yanomami segue os mesmos passos do cacique Raoni como liderança indígena brasileira de projeção internacional. David Kopenawa é mais conhecido no exterior que no Brasil. Prova disso é a publicação da autobiografia “La chute du ciel” (A queda do céu), em 2010, somente na França. O livro, escrito em parceria com o antropólogo francês Bruce Albert, possui tradução para o inglês. A edição em português deve chegar ao Brasil ainda em 2015. Entre os admiradores do líder indígena, está o rei Harald V da Noruega. Em 2013, o monarca nórdico visitou a Terra Indígena Yanomami e passou quatro dias na aldeia Watoriki, onde David mora, dormindo em rede e comendo a mesma comida que os indígenas. O reconhecimento da atuação de Kopenawa da defesa dos direitos indígenas e da floresta foi laureada com diversos prêmios, entre eles a Global 500, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (1989); e a Ordem do Rio Branco ao grau de Cavaleiro, em Brasília (1999). Além disso, em 2009, foi homenageado pelo comitê Bartolomeu de Las Casas, em Madrid. Davi tem sido fundamental no processo de aproximar as diversas e distantes comunidades Yanomami. Em 2004, ele fundou a Hutukara, uma associação que defende os direitos do povo Yanomami e desenvolve projetos de proteção da terra, educação e saúde. Atualmente, ele é AFRINDÍGENA 16


Sonia Guajajara Sônia é do povo Guajajara/Tentehar, que habita nas matas da Terra Indígena Arariboia, no Maranhão. Filha de pais analfabetos, deixou suas origens pela primeira vez aos 15 anos, quando recebeu ajuda da Funai para cursar o ensino médio em Minas Gerais. Depois, voltou para o Maranhão, onde se formou em Letras e Enfermagem e fez pós-graduação em Educação Especial. Sua çou base, onde

militância indígena ainda na juventude, e logo chegou ao Guajajara foi linha de

e ambiental comenos movimentos de Congresso Nacional – frente contra uma sé-

rie de projetos que retiravam direitos e ameaçavam o meio ambiente. Em poucos anos, ela ganhou projeção internacional pela luta travada em nome dos direitos dos povos originários. Em 2010, ela entregou o prêmio Motosserra de Ouro para Kátia Abreu, à época ministra da Agricultura, em protesto contra as alterações do Código Florestal. Tem voz no Conselho de Direitos Humanos da ONU e já levou denúncias às Conferências Mundiais do Clima (COP) de 2009 à 2017, além do Parlamento Europeu, entre outros órgãos e instâncias internacionais. No ano passado, discursou contra o governo Temer e pela demarcação de terras indígenas durante o Rock in Rio, convidada pela cantora Alicia Keys. Sônia Guajajara já recebeu vários prêmios e honrarias, como o Prêmio Ordem do Mérito Cultural 2015 do Ministério da Cultura, entregue pela então presidenta Dilma Rousseff. Também foi agraciada com a Medalha 18 de Janeiro pelo Centro de Promoção da Cidadania e Defesa dos Direitos Humanos Padre Josimo, em 2015, e com a Medalha Honra ao Mérito do Governo do Estado do Maranhão, pela grande articulação com os órgãos governamentais no período das queimadas na Terra Indígena Arariboia. Membro do Setorial Ecossocialista do PSOL desde 2011, Guajajara lançou-se pré-candidata à Presidência da República no 6º Congresso Nacional do partido, em dezembro do ano passado. Com o manifesto “518 anos depois“, propôs uma candidatura indígena, anticapitalista e ecossocialista. Na Conferência Cidadã, evento de movimentos sociais e artistas que aconteceu em São Paulo no dia 3 de março, entretanto, ela se colocou à disposição para compor a chapa com Guilherme Boulos. Na mesma semana, durante debate entre os pré-candidatos no Rio de Janeiro, retirou oficialmente sua pré-candidatura em favor da aliança. No dia 10 de março, os 126 delegados da Conferência Eleitoral do PSOL decidiram, sem votos contrários, seu nome para pré-candidata à Vice-Presidência. Agora, segue para fazer construir uma campanha histórica!

Jacir de Souza Macuxi Liderança indígena Macuxi e um dos maiores defensores do reconhecimento da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, no Estado de Roraima. Jacir nasceu no dia 7 de setembro de 1947, na comunidade indígena do Lilás, na própria Raposa Serra do Sol. Aos 26 anos foi alçado ao posto de tuxaua da sua aldeia. O momento era crítico para os indígenas do Norte de Roraima, os garimpos avançavam sobre as terras indígenas e com eles alcoolismo, violência e doenças. Jacir conseguiu unir todos os tuxauas da região para ajudar os chefes de comunidades no combate as mazelas que ameaçavam os indígenas. A ideia fez sucesso e várias comunidades indígenas aderiram a iniciativa que, mais tarde, se tornou o Conselho Indígena de Roraima (CIR). AFRINDÍGENA 17


COCAR NÃO É ENFEITE!!! Desde a “comemoração” do “dia do índio” das escolas, essa indumentária é vista como um simples enfeite de papel. Um sinal, junto com as tinturas no rosto e um arremedo de comportamento nativo, de que estávamos relembrando esse grande folclore que foi a existência dos indígenas. Assim, no passado mesmo. Sabe-se que nem a Xuxa, nem as aulas de história ajudaram a tirar essas impressões infantis — de que indígenas nem existem mais, e que seus símbolos podem ser transformados em fantasias ou simples acessórios. Afinal, qual o problema disso? Quem reclamaria disso? Bom, isso vai ser chocante, mas, contra todos os esforços desde 1500, os povos indígenas continuam existindo (licença para te lembrar que 305 etnias foram registradas no último censo no Brasil). E descontextualizar seus signos e diluí -los em uma cultura etnocida é apropriação cultural. Cocar pode ser sinal de responsabilidade e respeito, com uso limitado a pessoas de certas posições sociais (por exemplo, caciques, tuxauas, pajés); pode ser parte de ritos de ligação com ancestrais e com a natureza; ou também de festividades daquele povo. Como indígenas não são uma massa homogênea, cada povo usa e confecciona adornos à sua maneira. Não existe um tipo de cocar universal, e eles podem identificar a nação a qual tal indígena pertence.

Usar um cocar enquanto fantasia, “recreação” ou enquanto não-indígena querendo “honrar” povos nativos faz justamente o oposto: desrespeita, banaliza e deslocaliza a história desses povos, que lutam para manter a sua cultura viva, mesmo com as intervenções externas. Além disso, transforma indígenas em um mito que se perdeu no passado, um aglomerado que pode ser reduzido a dois ou três símbolos. O incômodo de grupos que detêm e deram seu significado não deveria ser o suficiente para que pessoas de fora desse grupo não o usem? (Se a preocupação for mesmo honrar indígenas, existem outros apetrechos que não carregam tanta simbologia e que são confeccionados e comercializados por nativos, como brincos, colares, pulseiras, cachimbos e afins. Comprar diretamente desses povos é uma maneira de perpetuar a sua sobrevivência. Só não esqueça de se dar ao trabalho de saber de que etnia tu estás comprando.)

Cocar, para indígenas, é sinal de orgulho. A insistência em usar um objeto sagrado de maneira “recreativa” e descontextualizada por puro desejo pessoal é apenas uma demonstração de poder. Se nas ruas e festas de metrópoles, festivais de músicas ou fotos de redes sociais, o cocar te faz parecer uma pessoa “descolada”, longe desses espaços os indígenas que os usam com orgulho carregam um alvo em suas costas, que o Estado, interessado na sua morte e na morte de sua cultura, está de olho. AFRINDÍGENA 18


O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, foi instituído oficialmente pela Lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011. A data faz referência à morte de Zumbi, o então líder do Quilombo dos Palmares – situado entre os estados de Alagoas e Pernambuco, na Região Nordeste do Brasil.

A escolha do 20 de novembro aconteceu no contexto de declínio da Ditadura Militar (final da década de 1970 em diante) e de redemocratização do país. O enfraquecimento da ditadura deu força aos movimentos de oposição e aos movimentos sociais, como o movimento negro.

Com a redemocratização do Brasil e a promulgaZumbi foi morto em 1695, na referida data, por ção da Constituição de 1988, vários segmentos da bandeirantes liderados por Domingos Jorge Velho. sociedade, inclusive os movimentos sociais, como Atualmente existe uma série de estudos que pro- o movimento negro, obtiveram maior espaço no curam reconstituir a biografia desse importante âmbito das discussões e decisões políticas. A partipersonagem da resistência à escravidão no Brasil. cipação desses grupos no cenário político deu certo resultado, sendo aprovadas medidas que tinham como proposta promover certa reparação histórica. Por que dia 20 de novembro?

HISTÓRIA

RESISTÊNCIA

Entre essas medidas, podemos destacar a lei de preconceito de raça ou cor (nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989) e leis como a de cotas raciais, voltada para a educação superior, e, especificamente na área da educação básica, a Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que instituiu a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira. Essas legislações preveem certa reparação aos danos sofridos pela população negra na história do Com isso, o 20 de novembro tornou-se a data Brasil. Por trás dessas leis, estão as iniciativas para para celebrar e relembrar a luta dos negros con- acabar com o apagamento que os negros e a histra a opressão no Brasil. Por essa razão, o Treze de tória e cultura dos africanos sofreram no Brasil. Maio, data em que a abolição da escravatura aconteceu, foi deixado de escanteio. O argumento uti- No caso do Dia Nacional de Zumbi e da Conscilizado é que o Treze de Maio representa uma “fal- ência Negra, a data foi criada por meio da citasa liberdade”, uma vez que, após a Lei Áurea, os da Lei nº 12.519, no dia 10 de novembro de 2011, negros foram entregues à própria sorte e ficaram durante o governo de Dilma Rousseff. Essa lei sem nenhum tipo de assistência do poder público. não transformou a data em feriado nacional, assim, os governos de cada estado e cidade do Brasil devem optar por ser feriado ou não. O jornalista Laurentino Gomes fala que, até 2018, o dia 20 de novembro era feriado em 1047 municípios do Brasil (de um total de 5561 municípios). A data de sua morte, descoberta por historiadores no início da década de 1970, motivou membros do Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial, em um congresso realizado em São Paulo, no ano de 1978, a elegerem a figura de Zumbi como um símbolo da luta e resistência dos negros escravizados no Brasil, bem como da luta por direitos que os afro-brasileiros reivindicam.

tURBANTE COCAR

PESSOAS IMPORTANTES

COCAR NÃO É ENFEITE INFOGRÁFICO

O Dia da Consciência Negra é importante para relembramos que a nossa sociedade foi construída por meio da escravidão. Por mais que melhorias e mudanças tenham acontecido, a falta de oportunidades para a população negra, o racismo presente nos detalhes do cotidiano e as tentativas de apagamento de cultura africana evidenciam que ainda temos um longo caminho a ser trilhado. É disso que se trata o Dia da Consciência Negra. AFRINDÍGENA 19


INDIGENAS E m m e n o s d e s et e a n o s , a q u a nt i da d e d e i n d íg e n a s matriculados nas universidades cresceu mais de cinco vezes. O aumento na procura por formação acadêmica entre os povos indígenas deve se a necessidade de formar profissionais qualificados e inseridos em contextos políticos e socioculturais e que aindacolaborem com a luta pela conquista da autonomia e da sustentabilidade de seu povo.

QUANTIDADE DE INDÍGENAS NAS UNIVERSIDADES

SUL

PRIVADAS: 1.071 PÚBLICAS: 1.283

SUDESTE CENTRO OESTE

PRIVADAS: 1.566 PUBLICAS: 9.115

NORDESTE NORTE

PRIVADAS: 3.688 PUBLICAS: 15.672

AFRINDÍGENA 20

PRIVADAS: 4.383 PUBLICAS: 8.364

PRIVADAS: 1.640 PUBLICAS: 2.244


NEGROS A universidade pública brasileira está ficando mais negra e menos classe média. Por trás desse movimento de cor e de poder estão instituições públicas, grupos militantes negros e coletivos de alunos que, como um aríete, forçam os portões da universidade. A conquista mais expressiva foi a aprovação da Lei Federal 12.711, de agosto de 2012. Saudada como Lei de Cotas, ela passou a reservar porcentagens crescentes de vagas para alunos negros, pardos, indígenas, do ensino público e de baixa renda, até o teto de 50 porcento do total, atingido agora no vestibular de 2016

UFRB foi a

PRIMEIRA UNIVERSIDADE a aplicar integralmente a Lei de Cotas

63 UNIVERSIDADES FEDERAIS reserva um quarto de suas vagas

exclusivamente á negros

Negros são a MAIORIA NAS UNIVERSIDADES publicas pela primeira vez

AFRINDÍGENA 21


AFRINDÍGENA 22

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Revista Afroindígena  

Revista produzida pela anula Maria Eduarda Oliveira do 3° ano

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