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Universo Interdisciplinar História da Logística A tradição logística de Jundiaí: o café, o trem e a guerra fiscal

Darwinismo Social como um dos alicerces do Nazismo

Negros e Negras A inserção do negro no mercado de trabalho jundiaiense

Argos Industrial Uma fábrica sonhos?

de

Usinas Qual a melhor?

Alimentos Uma vida saudável com a cesta básica

Dinâmica das Populações A evolução histórica da população de Jundiaí e alguns de seus efeitos

Edição

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Ano 2017 INSTITUTO FEDERAL São Paulo Câmpus Avançado Jundiaí


Universo Interdisciplinar Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo Câmpus Avançado Jundiaí REITOR Eduardo Antonio Modena DIRETOR DO CÂMPUS Lucivaldo Paz de Lira COMISSÃO DE ACOMPANHAMENTO E IMPLEMENTAÇÃO DO PROJETO POLÍTICOPEDAGÓGICO DO CURSO TÉCNICO EM LOGÍSTICA INTEGRADO AO ENSINO MÉDIO Alessandro Fonseca Esteves Coellho Andressa de Andrade Daniel Perez Leonardo Ferreira Guimarães Marcelo Rodrigo Silva Pinto Salatir Rodrigues Junior Tatiana de Oliveira Tatiane de Paula Sudbrack Vivian Batista Gombi EDITORAÇÃO Andressa de Andrade Tatiana de Oliveira PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Alex Benito Alves REVISORES Adriana Fernandes Machado de Oliveira Arnaldo Rodrigues de Lima Gabriela Beatriz Moura Ferro B. de Souza


Universo Interdisciplinar Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo Câmpus Avançado Jundiaí A revista Universo Interdisciplinar, lançada pelo Instituto Federal de São Paulo / Câmpus Jundiaí, inaugura com este primeiro número uma experiência pedagógica provocativa e necessária, trazendo a publicação de oito artigos que mostram os resultados do Projeto Integrador desenvolvido no 1° ano do curso Técnico em Logística integrado ao Ensino Médio sob o eixo temático “Medidas, classificações e saberes”. Desafiada a construir o projeto de um curso integrado, nossa equipe de docentes e de técnico-administrativos mergulhou, em 2016, em um percurso que pudesse materializar, na pers-

pectiva curricular e nas práticas pedagógicas, a concepção de formação integral garantidora das dimensões educativas voltadas para as humanidades, para a ciência e para a tecnologia. Inúmeras foram as reuniões, encontros formativos e produções escritas para a formulação do Projeto Pedagógico do Curso (PPC). Assim, tendo como princípio basilar o exercício permanente da articulação entre os eixos ciência, cultura e trabalho, o Projeto Integrador formulado por nossa equipe, para ser desenvolvido ao longo dos três anos de implementação do curso, pautou-se no seguinte princípio, conforme destacado no PPC:

O ensino integrado implica em um conjunto de categorias e práticas educativas no espaço escolar que desenvolvam uma formação integral do sujeito. Tendo este princípio como base, a função dos professores no projeto integrador é, essencialmente, promover relações dialógicas de ensino e aprendizagem; estabelecer relações dinâmicas e dialéticas entre os saberes e reconstituir as relações que configuram a totalidade concreta da qual se originaram, de modo que o objeto a ser conhecido seja gradativamente revelado em suas peculiaridades.[1]


Universo Interdisciplinar

Para o desenvolvimento desse empreendimento pedagógico, propôs-se que o Projeto Integrador fosse potencializado em cada ano a partir dos seguintes eixos temáticos:

1º Ano

2º Ano

3º Ano

Medidas, classificações e saberes – neste eixo, a aprendizagem volta-se para os sistemas de medidas e classificações possíveis internos a cada área do conhecimento e suas dimensões no âmbito da logística, tendo como meta final a produção de um artigo de divulgação científica como mola propulsora para o exercício da leitura, da escrita e das práticas de investigação do método científico, combinados com movimentos transversais entre as disciplinas.

Trabalho, ética e política – nesta temática geradora, a aprendizagem acumulada na etapa anterior visa a se ampliar em exercícios de análise sobre a prática social, especialmente aquelas constituídas na esfera do mundo do trabalho em referência constante com as práticas sociais produzidas na esfera dos processos logísticos. O projeto rompe com os padrões formais e incorpora como meta final a produção de um produto artístico, tendo em vista impulsionar processos de aprendizagem voltados para as diferentes linguagens artísticas e culturais com foco em suas dimensões ética, política e estética.

Meio ambiente e divisão internacional do trabalho – neste eixo, toda a aprendizagem adquirida nos anos anteriores será combinada de maneira transdisciplinar, com vistas a analisar parte da complexidade que envolve a divisão internacional do trabalho e os aspectos ambientais a ela relacionados, tais como a sustentabilidade sociocultural e ambiental. Neste momento, todos os parâmetros nacionais e internacionais que compõem os processos logísticos serão temas geradores para a promoção das análises no eixo temático. A meta final do projeto visa à produção de um plano de negócios, com o qual pretende-se trabalhar elementos transversais à totalidade das diferentes áreas do conhecimento, provocando para a formulação de planos que materializem a indissociabilidade dos aspectos ambientais e sociais que envolvem a divisão do trabalho.


Com essa proposta de Projeto Integrador, nossa equipe pretende - mesmo que talvez de forma ainda incipiente - alargar o potencial formativo do curso, produzindo processos didáticos que garantam o aprimoramento das práticas de leitura e escrita na educação de nível médio e a ampliação da formação técnica, ética, política e es-

tética dos nossos estudantes no âmbito de uma formação humana e profissional integrada. Os objetivos específicos do curso Técnico de nível médio integrado com habilitação profissional em Logística apontam para metas que seguem orientando o nosso trabalho pedagógico, sendo estes:

1.

Contribuir para a formação crítica e ética frente às inovações tecnológicas, avaliando seu impacto no desenvolvimento e na construção da sociedade, a partir do domínio e uso das diferentes linguagens, de forma a construir e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para a compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artístico-culturais;

2.

Estabelecer relações entre o trabalho, a ciência, a cultura e a tecnologia e suas implicações para a educação profissional e tecnológica, além de comprometer-se com a formação humana, buscando responder às necessidades do mundo do trabalho, respeitando os valores humanos, preservando o meio ambiente e considerando a diversidade sociocultural;

3. Selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e informações representadas de diferentes formas, para tomar decisões, enfrentar situações problema e construir argumentação consistente, de forma, também, a propiciar a aquisição de conhecimentos de base científica, técnica e humanista, direcionados para o eixo de Gestão e Negócios, na área de Logística;

4. Ter iniciativa, responsabilidade e espírito empreendedor, exer-

Neste sentido, esperamos estar contribuindo para a efetivação desses objetivos e nos comprometendo com o aprimoramento dos currículos que fornecem a base para os cursos do eixo “Gestão e Negócios”. Da mesma forma, ao analisarmos o perfil do egresso do Curso Técnico em Logística Integrado ao Ensino Médio, que expressa ser este um profissional habilitado com bases científicas, tecnológicas e humanísticas, para o exercício da profissão de modo crítico, proativo e ético, com visão do

cer liderança, saber trabalhar em equipe, respeitando a diversidade de ideias, agindo de forma ética e visando ao exercício da cidadania e à preparação para o trabalho, além de promover uma visão holística do sistema logístico, possibilitando o planejamento, o acompanhamento e a execução de serviços, a curto, médio e longo prazo.[2] mundo do trabalho num contexto sócio-político e econômico com base no desenvolvimento sustentável[3], ensejamos estar cooperando para a formação deste sujeito em todas as dimensões que o egresso deva vir a apresentar ao final do ciclo educativo promovido pelo curso no Câmpus Jundiaí. Foi neste contexto que emergiu toda a riqueza das experiências promovidas pelo Projeto Integrador do 1° Ano em 2017. O projeto foi estruturado em torno da disciplina articuladora Medidas, classificações e saberes, sob a


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coordenação de dois docentes e apoiada por um conjunto de professores orientadores responsáveis pelo acompanhamento dos alunos organizados em oito grupos. As bases teóricas e as oficinas práticas de estudos, pesquisa e escrita foram desenvolvidas ao longo das aulas do componente curricular, das reuniões de orientação e de algumas visitas técnicas, e, sempre que possível, foram sustentadas através do desenvolvimento dos conteúdos nos componentes das demais áreas do conhecimento. As dificuldades não foram menores. Localizar, em um curso de tempo integral, outros tempos e espaços para a promoção de atividades extraclasse, por exemplo, foi um dos principais obstáculos do percurso. Destacamos, ainda, o engenhoso trabalho para a permanente superação das lacunas no campo da leitura e da escrita recorrentes nos estudantes da educação básica. Não obstante, muitos avanços foram conquistados neste processo, como o desenvolvimento do trabalho em equipe, a evolução nas práticas de pesquisa, a aprendizagem – mesmo que preliminarmente – do método científico, o aprimoramento das práticas de leitura e escrita, a conquista de uma postura mais

formal nos momentos de exposição, a aquisição de um maior nível de organização e cuidado estético através do portfólio e um domínio mais alargado dos mecanismos de análise social sob bases técnicas envolvendo medidas, classificações e saberes diversos em diferentes áreas. Neste cenário, os artigos não representam apenas as escolhas das subtemáticas, mas retratam toda mobilização de conhecimentos, práticas pedagógicas e processos de aprendizagem desenvolvidos no decorrer do ano de 2017 pelo Projeto Integrador. Cada qual ao seu modo, os artigos buscam utilizar-se de medidas, classificações e saberes para analisar aspectos sociais da realidade histórica ou atual, assumindo como método de exposição o gênero textual artigo de divulgação científica, o que exigiu de cada grupo de alunos a atenção com a linguagem utilizada, o zelo no tratamento das informações utilizadas e a preocupação com a formulação estética do ato comunicativo[4]. Antes de finalizar esta apresentação, queremos destacar a importância da articulação do Projeto Integrador em 2017 com a Semana Nacional da Ciência e Tecnologia, produzida com o apoio do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC) e do Conselho

Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A semana permitiu a exposição dos trabalhos em andamento, através de banners científicos, para alunos das escolas públicas da cidade de Jundiaí, o que favoreceu o comprometimento dos nossos estudantes, a divulgação do IFSP e o envolvimento com a comunidade local nas atividades proporcionadas pelo Câmpus. Agradecemos na pessoa do professor Felipe Lara a todos e todas envolvidos na organização e na realização desta semana e pelo suporte fornecido pelas instituições apoiadoras para a concretização desta publicação. Por fim, cabe reconhecer que as práticas desenvolvidas no Projeto Integrador também são base fértil para a formação do corpo docente e dos demais educadores envolvidos no processo. Por este motivo, neste ano de 2017, o percurso do projeto segue sendo refletido no interior das reuniões pedagógicas e na Comissão de Implementação e Acompanhamento do PPC do curso, nas quais, para 2018, algumas inovações metodológicas já estão sendo desenhadas por nossa equipe visando a materializar os elementos que podem contribuir para a melhoria do projeto.

Jundiaí, 10 de dezembro de 2017. Andressa de Andrade Salatir Rodrigues Junior Tatiana de Oliveira (Docentes: “Medidas, classificações e saberes” – 2017)

[1] Projeto Pedagógico do Curso Técnico em Logística Integrado ao Ensino Médio, p. 227. Disponível em http://jnd.ifsp.edu.br/portal/images/ ppc-logistica-integrado-jnd.pdf. [2] Idem, p.23. [3] Ibdem, 24. [4] As imagens utilizadas na capa da Revista são fragmentos dos mosaicos dos portfólios produzidas pelos estudantes através de colagens de imagens.


SUMÁRIO

A tradição logística em Jundiaí: o café, o trem e a guerra fiscal

Evolução histórica da população de Jundiaí e alguns dos seus efeitos

Ano2017

06 Argos: uma fábrica de sonhos?

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A inserção de negros e negras no mercado de trabalho jundiaiense Uma vida saudável com a cesta básica

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Usinas: qual a melhor? Como a sociedade pode prejudicar o obeso? O Darwinismo Social como um dos alicerces do Nazismo

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A tradição logística em Jundiaí: o café, o trem e a guerra fiscal Autores:

Bianca Ramos de Oliveira - Jhennifer Faria da Silva - Rauany da Silva Pessoa Tainá Araújo de Paula - Vinicius Augusto Moritello Silva Orientador: Fleides Teodoro Lima

Para abordar a instalação da tradição logística na cidade de Jundiaí e a sua posterior retomada, é necessário, primeiramente, entender a relação entre a exportação do café, o desenvolvimento da malha ferroviária e a guerra fiscal. Tais fatores influenciaram não somente a cidade de Jundiaí, mas também desenvolvimento do estado de São Paulo como um

todo. O café chegou ao Brasil – proveniente da Guiana Francesa – no ano de 1727, no munícipio de Belém, província do Pará, tendo sido as primeiras mudas do grão plantadas e cultivadas por meio do trabalho escravo. Em 1800, inicia-se o ciclo cafeeiro, assim a produção do café

se estende para o interior de São Paulo, na região do Vale do Paraíba (São José dos Campos, Taubaté, Guaratinguetá, entre outras cidades), e pelo estado do Rio de Janeiro e Minas Gerais, onde o cultivo obteve êxito devido à fertilidade do solo.

A exportação do café, além de ter favorecido o povoamento na cidade de Jundiaí e o desenvolvimento urbano, também propiciou industrialização Fonte: montagem feita com base em Prefeitura Municipal de Jundiaí


Já em 1850, o café se torna um dos produtos mais exportados do Brasil, tornando-se a base da economia. Mas o deslocamento desse produto era complexo, já que não havia meios de transporte rápidos e eficientes na época. Apenas carroças carregadas por mulas eram utilizadas, ocasionando um deslocamento árduo, em meio ao relevo acidentado, em que tinha por consequência a lentidão para chegar ao porto de Santos – local onde ocorre o escoamento de produtos para exportação. Em função de tais dificuldades encontradas no transporte do café, uma vez que o cultivo da muda se encontrava distante do litoral brasileiro, ocorreu a construção, em 1860, da São Paulo Railway, estrada de ferro que começava desde o noroeste paulista, onde se plantava o café, e terminava em Santos (onde existe um porto para exportação). Essa foi uma das primeiras ferrovias a serem construídas no Brasil, de maneira a auxiliar o deslocamento da produção já existente, “tornando o transporte da produção com destino a Santos mais rápido, seguro e barato” (CARVALHO, 2007). O café era fiscalizado na Receita Federal de Jundiaí, depois

seguia até a estação, de onde era levado de trem à Paranapiacaba. No percurso da linha ferroviária, havia um impedimento que era a irregularidade na descida da serra do mar para se chegar até Santos. Uma solução encontrada para este problema foi a construção de um sistema funicular, que fazia a subida e a descida do trem por meios de cabos de aço importados, na cidade de Paranapiacaba, localizada no pé da serra. Após a década de 1950, não foi mais necessário esse tipo de sistema, pois passou-se a utilizar eletricidade no processo de

Fonte: Museu Tecnológico Ferroviário de Paranapiacaba

tração e motores a diesel para que o trem saísse da inércia, assim todo o deslocamento do trem passou a ser realizado de maneira “independente”, não mais necessitando do sistema funicular anteriormente utilizado. A exportação do café, além de ter favorecido o povoamento na cidade de Jundiaí e o desenvolvimento urbano, também propiciou industrialização. Este processo se deu por meio do dinheiro obtido com a venda das sacas de café, desse

Casa de máquinas do Sistema Funicular

Fonte: Museu Tecnológico Ferroviário de Paranapiacaba

Jundiaí se tornou um grande centro logístico no passado devido ao ciclo cafeeiro

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Casa de máquinas do Sistema Funicular

Vagão preparado para o Sistema Funicular

A tradição logística em Jundiaí

Fonte: Museu Tecnológico Ferroviário de Paranapiacaba


08 modo, os cafeicultores investiram em indústrias, como por exemplo a Argos Industrial, fábrica têxtil fundada em 1913 no município; porém, com a quebra da bolsa de valores de New York, em 1929, houve desvalorização do café, tendo por consequência a transferência do investimento para o setor industrial por parte dos cafeicultores. Este setor sofreu

um grande impulsionamento durante o governo de Vargas, havendo a valorização e instalação de indústrias nacionais, como a Companhia do Vale do Rio Doce e a Petrobrás. Com o desenvolvimento do setor industrial, o Brasil passou a utilizar o modal de transporte rodoviário como o principal modelo de transporte de cargas, o que de certa forma influenciou

o descaso para com os outros modais. A diferença dos tamanhos de bitolas da ferrovia dificultou o sistema de trens no Brasil. O outro motivo pelo qual houve uma desvalorização das estradas de ferro foi o patrocínio por parte das grandes montadoras de veículos, privilegiando o modal rodoviário; assim ocorreu a transição do modelo ferroviário para o ro-

ACONTECIMENTOS E CURIOSIDADES ACERCA DA EXPORTAÇÃO DO CAFÉ E SEUS IMPACTO NA SOCIEDADE

1511

Khair Beg, governador de Meca, é condenado à morte por tentativa de proibição da bebida do café.

1727

Período que o café chega ao Brasil, especificamente ao Pará, impactando de maneira significativa a economia do país. Sabendo que a produção do café se espalhou para São Paulo e Rio de Janeiro e que a construção da malha ferroviária se deu por conta do fluxo do ciclo cafeeiro, nos perguntamos: como seriam os estados de São Paulo e Rio de Janeiro nos dias atuais se a plantação do café tivesse sido mantida somente no estado do Pará? Segundo o professor Osmar Losano, o estado de São Paulo seria como o estado do Pará atualmente e vice-versa, ou seja, São Paulo não teria se tornado uma metrópole global e nem possuiria os meios de transporte modernos que tem atualmente, ou seja, o estado seria regido somente, ou em maior escala, pelo modal rodoviário.

Fonte: montagem feita com base em Prefeitura Municipal de Jundiaí

1848

Em meados de 1848 a 1870, a Itália atravessava um processo de Unificação Nacional - já que era dividida em oito estados independentes, sendo alguns controlados pelo governo Austríaco. Este processo desencadeou transformações políticas e sociais no território italiano, resultando na imigração, principalmente, de trabalhadores rurais para o Brasil, com o objetivo de conseguir melhores condições de vida. Desta maneira, os imigrantes italianos foram os responsáveis por substituir a mão de obra escrava nas lavouras. Na cidade de Jundiaí, uma marca deixada pelos imigrantes italianos, além da descendência, em que 70% da população descende de italianos, é a tradição do cultivo da uva, sendo a cidade conhecida nacionalmente por “Terra da uva”.


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A tradição logística em Jundiaí

doviário, atraindo as empresas internacionais ligadas ao ramo automobilístico e provocando impactos na logística brasileira, que possuía seu desenvolvimento atrelado à estrada de ferro. Atualmente, o modal rodoviário é o mais utilizado no Brasil desde a década de 50, e hoje 76% da distribuição de todos os produtos industrializado no Brasil são transportados por meio deste modal. Jundiaí, um grande centro logístico ferroviário, sofreu influência da construção da malha rodoviária. À época na presidência de Juscelino Kubitschek, ocorreu a construção da Rodovia Anhanguera em 1940 e, em 1978, a construção da Rodovia dos Bandeirantes; ambas muito importantes para todo o estado de São Paulo e, sobretudo, para a logística jundiaiense, afinal inúmeros Centros Logísticos estão nos arredores de tais rodovias, por serem locais estratégicos. Antes mesmo deste período, a primeira rodovia a ser implantada foi construída por Dom Pedro II no ano de 1861, que liga Rio de Janeiro a Petrópolis, porém quem asfaltou e continuou a implantação foi o ex-presidente Washington Luís: em 1928, o mesmo, ao assumir a presidência, inaugurou a rodovia que liga Rio de Janeiro a São Paulo. Porém, não foi durante toda a história de Jundiaí que a cidade foi considerada um polo logístico. As fontes de renda da cidade sempre variaram ao longo do tempo, desde lavouras, no passado, a centros de distribuição de mercadorias, no presente. Em pouco tempo, uma Guerra Fiscal se instaurou na região, em que cidades disputavam ofertas de melhores condições que atraíssem as indús-

trias, seja com baixos impostos ou com melhor infraestrutura. Nesse processo, Jundiaí perdeu parte de suas empresas, que partiram para cidades mais favoráveis. Para preencher e retomar seus lucros normativos, o município estabeleceu políticas públicas para manter as indústrias que restaram na cidade e atrair

A exportação do café, além de ter favorecido o povoamento na cidade de Jundiaí e o desenvolvimento urbano, também propiciou industrialização empresas de tecnologia e centros logísticos, levando em conta suas novas vias de circulação: as rodovias que atravessavam a cidade e facilitavam o transporte de mercadorias. Portanto, os registros históricos mostram que Jundiaí se tornou um grande centro logístico no passado devido ao ciclo cafeeiro, com o transporte do grão para o Porto de Santos através da Estrada de Ferro, adotando um papel importante não só para a cidade em si, pois em função de seu desenvolvimento logístico, houve também o desenvolvimento próprio do estado de São Paulo, que garantiria uma enorme prosperidade financeira para a cidade, que atualmente se mostra uma grande potência econômica.

Bibliografia CARVALHO, Diego Francisco Café, ferrovia e Crescimento populacional. Disponível em: < http://revistacafeicultura.com. br/?mat=20386Referencia >. Acesso em 16 de agosto de 2017. CAFEICULTURA, Revista. Revista. A história do café em 1 minuto. Disponível em< https://www.youtube.com/watch?v=4Kk842PBFAU >.Acesso em 16 de ago de 2017. PACE 1, Frederico. História do café & imigrantes. Disponível em:< https://www.youtube.com/ watch?v=AIHMVufwYWE > Acesso em 16 de ago de 2017. TELECURSO, novo. 20 - Expansão cafeeira e modernização - História - Ens. Fund. – Telecurso. Disponível em < https://www.youtube.com/watch?v=dcPYxGgoRIg >Acesso em 16 de ago de 2017. TEXEIRA DA COSTA, Cacilda. O sonho e a técnica. Acesso em 23 de agosto de 2017. SILVA, Júlio César Lázaro da. A estratégia brasileira de privilegiar as rodovias em detrimento das ferrovias. Brasil Escola. Disponível em < http://brasilescola.uol.com.br/ geografia/por-que-brasil-adotou-utilizacao-das-rodovias-ao-inves-.htm >. Acesso em 30 de ago de 2017. PRETESCE. Modais de transporte de carga no Brasil – Conheça os 5 principais. Disponível em< https://www.prestex.com.br/blog/ modais-de-transporte-de-carga-no-brasil-conheca-os-5-principais/ >.Acesso em 23 ago de 2017. DANTAS, Tiago. Guerra Fiscal. Disponível em < http://brasilescola.uol.com.br/economia/guerra-fiscal.htm >. Acesso em 09 de ago de 2017.


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Argos: uma fábrica de sonhos? Autores:

Beatriz G. Alves - João Marcos C. Andrade - Larissa de F. Souza Renato D. Ramalho - Vitor A. T. Dias da Silva

Orientadores: Alessandro F. E. Coelho - Daniel Silva, Felipe C. A. Lopes Felipe F. de Lara - Marcelo R. S. Pinto - Tatiane de P. Sudbrack

O Complexo Argos é, hoje, um importante centro educacional localizado em Jundiaí, no estado de São Paulo. A população da cidade reconhece o Complexo como um espaço adquirido e organizado pela prefeitura municipal, onde se localizam a Secretaria de Educação, a biblioteca pública municipal Profº Nelson Foot, a Fundação Televisão Educativa de Jundiaí (TVE), o Centro Municipal de Línguas Antônio Houaiss, espaços para convenções e exposições e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, o IFSP, entre outras instituições ligadas ao ensino. Em suas origens, o Complexo Argos era uma indústria têxtil importante para a cidade de Jundiaí. Enquanto durou, a empresa foi um império: começou produzindo tecidos e passou a confeccionar roupas, com exportações para o mundo todo. Foi uma empresa que teve grande relevância para a economia municipal e teve projeção a nível nacional. Popularmente conhecida como Argos, a empresa nasceu em 1913 como Sociedade Industrial Jundiaiense. Mudou de nome no mesmo ano para

Argos Industrial S.A. Era uma verdadeira cidade industrial com administração, casas para funcionários, creche, cooperativa, praça de esportes e até um cinema, tudo para o conforto e fácil acesso dos seus funcionários. O período de maior crescimento econômico da empresa se deu no começo da Primeira Guerra Mundial, com a fabricação de produtos como brim e roupas para o exército e, assim, passou a intensificar suas exportações, trazendo uma marcante evolução financeira para a empresa (BROMBAL, 1991). Quem trabalhou na Argos durante a primeira geração da empresa, administrada pelo alemão Ernesto Diedrichsen, tem boas histórias para contar, mas o grande nome da empresa foi o húngaro Estevão Kiss, que veio para o Brasil no final da década de 1920. Ele come-

Fonte: montagem feita com base em Prefeitura Municipal de Jundiaí

çou trabalhando como tecelão e, a partir da década de 1930, se tornou Diretor Técnico da fábrica e permaneceu nesse cargo até 1947. Durante os 17 anos da gestão dele, a empresa atingiu o auge de desenvolvimento e passou a exportar produtos têxteis para a Europa, Estados Unidos e outros países da América Latina (JORNAL DE JUNDIAÍ, 1993). Nessa epoca, a cidade ainda tinha um “charme antigo” e a fábrica era chamada de “orgulho de Jundiahy” e quem trabalhou na Argos realmente se orgulhava da empresa. No tempo em que Estevão Kiss a dirigiu, ele realizou seu planos de crescimento, pensando sempre em seus funcionários. A construção de um bairro para a moradia desses funcionários, conhecido atualmente como “Vila Argos”, reforça essa perspectiva. Ao longo de todos esses anos, a Argos abriu portas para muitas pessoas; muitas famílias jundiaienses, e de toda a região, trabalharam e viveram com os rendimentos recebidos da empresa. É muito comum ouvir de antigos trabalhadores: “a Argos deixou saudades” (RIBEIRO, 2003). No começo da década de 1970, a


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Argos: uma fábrica de sonhos?

Fachada da antiga Argos S.A.

Argos começou a decair. Diversos problemas econômicos começaram a surgir e as conquistas da empresa foram ficando cada vez mais distantes. De acordo com Ribeiro (2003), as crises financeiras que o mundo enfrentou na década de 1970 impactaram os resultados financeiros da empresa e, no começo da década de 1980, a Argos já não aguentava mais as dívidas com os bancos. Assim, no dia 25 de junho de 1984, por meio de uma ordem judicial, a Argos fechou os portões e proibiu a entrada de funcionários. Foi, então, decretada a falência da empresa e o fim de um império têxtil. Se, para muitos, a empresa deixou saudades, para outros, deixou grandes dívidas. Durante muito tempo, os funcionários se reuniam em frente ao antigo prédio para protestar pelas dívidas que não lhes haviam sido devidamente pagas. Após uma década, em 1994, a prefeitura adquiriu a propriedade da antiga Argos e começou a adaptar e dividir Fonte: Prefeitura Municipal de jundiaí

A Argos foi uma fábrica de sonhos durante muito tempo para inúmeros funcionários os espaços para atividades educacionais. Assim, galpões se tornaram salas de aula e, a partir disso, esse local se tornou um pólo educacional de Jundiaí. De início, algumas pessoas pensaram que a Argos retomaria suas atividades produtivas. Porém, o local renasceu sim, mas como espaço educacional e cultural onde professores e alunos se encontram, além das frequentes atividades artísticas promovidas pelos diferentes agentes que ali atuam. E é dessa forma que a antiga empresa vol-

tou a fazer parte da dinâmica do município e continuará a fazer parte da memória da cidade. Atualmente, o espaço conhecido como Complexo Educacional e Cultural Argos conta com vários ambientes de educação e cultura, que são utilizados amplamente pela população. Para tanto, houve muitas modificações internas e estruturais no espaço, tais como a substituição do telhado, revisão das esquadrias, remoção de infiltrações e requalificação da arquitetura com vistas às novas utilidades. As mudanças, entretanto, não deixaram de respeitar a história do local, haja vista a manutenção da fachada da fábrica, característica utilizada e valorizada por todas as entidades que fazem parte do Complexo. Também se encontra no complexo Argos, atualmente, o Institudo Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – Campus Jundiaí (IFSP - JND), que é uma escola federal vinculada diretamente ao Ministério da Educação. Trata-se de uma escola voltada ao ensino profissionalizante, que oferece diversos cursos em nível médio, técnico, superior ou de pós-graduação. Possui excelência em seus cursos, reconhecidos internacionalmente pelo alto nível de qualidade. O Centro Municipal de Educação de Jovens e Adultos, mais conhecido como CMEJA “Prof. Dr. André Franco Montoro”, oferece, gratuitamente, oportunidade de estudo para jovens e adultos que, na idade regular, não tiveram acesso aos

estudos ou não deram continuidade aos Ensinos Fundamental e Médio. Os cursos ocorrem em sistema presencial ou semipresencial. A Fundação Televisão Educativa de Jundiaí, recentemente, transformou-se na TVTEC, uma escola de televisão e produção audiovisual pública-municipal. A TVTEC oferece cursos voltados ao audiovisual em que o aluno é preparado para trabalhar em diferentes áreas, como a produção e edição de áudio e vídeo, o trabalho com as mídias sociais, além de práticas voltadas à arte, como cenários e fotografia. Por fim, é importante destacar o papel exercido pelas gestões da prefeitura que passaram ao longo dos anos, que procuraram conservar e dar novos significados para o espaço da fábrica que, antigamente, trouxe grande contribuição econômica para a cidade. Desse modo, entende-se que a Argos Industrial S.A. foi um grande marco para a cidade de Jundiaí e para as pessoas que trabalharam ali. Além disso, permaneceu como uma referência para a comunidade até hoje, com suas instituições educacionais. A Argos foi uma fábrica de sonhos durante muito tempo para inúmeros funcionários. Hoje, não é mais uma fábrica, mas continua produzindo sonhos de um futuro melhor por meio do acesso à educação e à cultura.

Bibliografia BROMBAL, Anselmo. Argos. Jornal da Cidade. Jundiaí. 7 set.: 20; 8 set: 32; 10 set.: 1, 16; 11 set.: 16; 12 set.; 22, 1991. JORNAL DE JUNDIAÍ. KISS: o grande timoneiro da Argos. Jornal de jundiaí, 8 ago. 1993: 2. PREFEITURA MUNICIPAL DE JUNDIAÍ. Patrimônio Histórico e Cultural de Jundiaí: Inventariamento Preliminar. Argos industrial. Disponível em: <https:// www.jundiai.sp.gov.br/planejamento-e-meio-ambiente/wp-content/uploads/sites/15/2014/08/ Argos-Industrial.pdf> Acesso em 18/10/2017. RIBEIRO, Rebeca. Há 19 anos, a Argos Industrial decretava falência. Jornal da Cidade. Jundiaí, 21 jun. 2003: 7.


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Evolução histórica da população de Jundiaí e alguns dos seus efeitos Autores:

Débora Nicoly de Souza Silva - Giovana Souza Oliveira - Lucas Matheus Baleeiro Alves Petterson da Silva - Sara Ramos da Silva Orientadores: Daniel Perez - Felipe Costa Abreu Lopes Jundiaí está localizada no estado brasileiro de São Paulo, com uma população estimada de 405.740 habitantes, e um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0.822, segundo, IBGE (2010). A cidade de Jundiaí é a principal do Aglomerado Urbano de Jundiaí, uma unidade regional do estado, em que as cidades Cabreúva, Campo Limpo Paulista, Itupeva, Jarinu, Jundiaí, Louveira e Várzea Paulista fazem parte, proporcionando

influências em Jundiaí, quanto ao desenvolvimento e a estrutura da cidade. A história da população jundiaiense tem origem nas sociedades indígenas que habitavam a região antes da criação da cidade, trazendo até os dias de hoje influências na língua, alimentação e cultura. A partir do século XIX, a migração de italianos, usada em substituição à mão de obra escrava africana, trouxe outras influências para a cidade. Com o crescimento de Jundiaí (baseado

Fonte: montagem feita com base em www.tecnisa.com.br

na cultura do café que se expandia no estado de São Paulo), vieram também a ferrovia e as indústrias, que modificaram muito a cidade ao longo dos anos até ela se tornar o que é hoje, em especial no aspecto ambiental. Apesar de Jundiaí ser a cidade sede de várias indústrias, já recebeu alguns prêmios ambientais. A partir do que foi até aqui exposto, o objetivo deste trabalho é discutir a evolução da população de Jundiaí


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Evolução histórica da população de Jundiaí

Com o crescimento de Jundiaí, vieram a ferrovia e as indústrias

ram a construção da estrada de ferro. A população escrava de Jundiaí teve uma grande redução no ano de 1872 (devido à pressão dos ingleses para o Brasil reduzir o tráfico de escravos) e foi substituída por migrantes estrangeiros. Os primeiros imigrantes foram os italianos. A população europeia, em grande maioria, introduziu a cultura da uva na região, o que fez com que até hoje a cidade seja conhecida por sua tradicional “festa da uva”. A população livre estrangeira em Jundiaí tinha uma grande presença no censo de 1972, de acordo com UNICAMP/NEPO 2001 – São Paulo do Passado – Dados demográficos. Atualmente, a população de Jundiaí tem uma forte influência dos imigrantes estrangeiros, sendo que cerca de 75% de sua população é de descendência italiana, uma das maiores colônias do país, segundo a prefeitu-

Aglomerado Urbano de Jundiaí

e suas influências ambientais na cidade, especialmente na qualidade do ar, e, ainda, com algumas pesquisas obter alguns dados acerca da percepção da população sobre Jundiaí. Para a autora Izaias (2012), o território de Jundiaí era habitado por povos indígenas, sendo que o índio não foi retirado totalmente do seu habitat, deixando sua influência na língua, alimentação e cultura. Não se sabe ao certo a data de chegada dos colonizadores, a versão mais aceita é a de que eles chegaram em 1615 e a cidade foi sendo criada devido à chegada de Rafael de Oliveira e Petronilha Rodrigues Antunes, que fugiam de São Paulo por motivações políticas e se afugentaram na região fundando a Freguesia de Nossa Senhora do Desterro, elevada a Vila em dezembro de 1965. No século XIX, ocorreu a primeira grande expansão na agricultura, como: milho, feijão, amendoim e, especialmente, o café. A escravidão indígena foi a base da mão de obra por um longo tempo , e, mesmo sendo proibida, era usada em Jundiaí, já que a cidade era um lugar pobre com pequenas unidades agrícolas e no início de uma economia açucareira, segundo Izaias (2012). Em 1836, a cidade possuía uma diversificada economia graças ao cultivo de café no interior do estado de São Paulo. O que levou à construção da ferrovia que ligava Jundiaí a Santos. O crescimento da cidade trouxe junto a mão de obra de escravos africanos e indústrias que acompanha-

Elaborado a partir de https://www.emplasa.sp.gov.br/AUJ


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Projeção da População de Jundiaí até 2020

ra da cidade. Desde a implantação da ferrovia Santos-Jundiaí até os dias de hoje, a população vem crescendo com projeção para passar os 420 mil habitantes a partir de 2020. A distribuição da população na cidade, segundo o IBGE (2010), mostra que a maioria da população está entre as idades de 25 e 29 anos e que a maioria das pessoas mora na área urbana do município. Como já apontado anteriormente, o AUJ é uma recente unidade regional constituída pelos municípios de Cabreúva, Campo Limpo Paulista, Itupeva, Jarinu, Jundiaí, Louveira e Várzea Paulista, que representa as cidades com alto índice de agrupamento humano. Com essa elevada taxa da população, as cidades apresentam problemas a serem enfrentados, como na área de transporte, de estrutura dos territórios e a constante evolução da chamada “mancha urbana”, que exige pensar na preservação das zonas ambientais, lidando com a intensa industrialização e aumentando a competitividade. Jundiaí ocupa a função de centro polarizador da região. A infraestrutura das rodovias e estradas tem sido um dos grandes agen-

tes de desenvolvimento econômico, estimulando o crescimento urbano, como citado no artigo publicado em 2013, pelos autores Adriana F. Del Monte Fanelli e Wilson R. dos Santos Junior. No aspecto do desenvolvimento humano, Jundiaí apresenta um grande fator para o IDH do Brasil melhorar. Isso se deve ao fato do aumento da renda per capita, permitido pelo auxílio Bolsa Família que, consequentemente, aumentou a renda, melhorou as condições das famílias, o nível de escolaridade e a expectativa de vida. O IDHM (índice de desenvolvimento humano municipal) de Jundiaí estava na posição 11ª, com 0,822 de índice, de acordo com último IDHM, e subiu quatro posições, conforme a notícia publicada em 2014, “IDH do Brasil sobe e Jundiaí acompanha tendência”.

Desenvolvimento de Jundiaí causa impacto no ar A qualidade do ar em Jundiaí pode ser considerada boa, mesmo sendo afetada por períodos como: longa estiagem, tempo seco, entre outros. Jundiaí recebeu vários prêmios referentes ao meio ambiente: por exemplo, a cidade está na 20ª posição no ranking “Município Verde Azul”, com 92,38 de nota. Jundiaí desenvolve dez programas na área de esgoto tratado, lixo, recuperação da mata ciliar, arborização urbana, educação ambiental, habitação

Distribuição da população por sexo segundo os grupos de idade


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Evolução histórica da população de Jundiaí

sustentável, uso da água, poluição do ar, estrutura ambiental e conselho de meio ambiente. Outro reconhecimento veio com o Prêmio Franco Montoro, pela preservação da Bacia do Rio Jundiaí, Piracicaba e Capivari, na qual Jundiaí construiu a Estação de Tratamento de Esgotos (ETE), que colaborou para despoluir o Rio Jundiaí. Mesmo com vários prêmios, Jundiaí tem uma questão a enfrentar: a poluição do ar que está ligada aos veículos automotores e às indústrias que mais poluem - essas estão prejudicando o ar, pois estão liberando gases poluentes sem tratamento. A capital do estado, São Paulo, também influencia devido à proximidade. Uma das soluções seria melhorar o transporte coletivo e incentivar o uso de veículos menos poluentes, além de multar empresas que poluem acima dos níveis permitidos. A cidade de Jundiaí é a 11ª melhor cidade para se viver no Brasil e está entre as cidades mais desenvolvidas do país, como demonstrado pelo Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) - a cidade se tornou uma espécie de “paraíso”, um lugar onde não falta água e tem eletricidade de sobra. Para algumas pessoas, é uma cidade considerada um lugar ideal para se viver, além da linda vista para a Serra do Japi. Mas Jundiaí também tem problemas, como apontado em uma audiência pública na câmara municipal em que

Jundiaí 2010

Mesmo com vários prêmios, Jundiaí tem uma questão a enfrentar: a poluição do ar que está ligada aos veículos automotores e às indústrias o antigo prefeito de Jundiaí afirmou a necessidade de melhorar a qualidade dos serviços prestados. “Nós já estamos em um processo de segurar a tarifa para evitar um aumento para as pessoas que utilizam o transporte coletivo...”. Durante a audiência pública, todas as dezenove pessoas usaram a tribuna para reclamar do sistema de transporte coletivo de Jundiaí e as pessoas que possuem renda média ou alta preferem a cidade de Itupeva à de Jundiaí, pela malha rodoviária bem estruturada. Jundiaí é a nona cidade mais desenvolvida do Brasil, o que não significa dizer que está na mesma posição em relação à melhor cidade para se morar. Muitas foram as consequências dessa evolução abordada neste texto. Dentre essas consequências, podemos destacar: o grande crescimento populacional e econômico, desencadeando poluição do ar que é causada pelas grandes indústrias. Com isso, os habitantes são impactados diretamente por essa poluição, muitas vezes desenvolvendo doenças respiratórias. Com toda essa dinâmica, a cidade adquire alguns males, como por exemplo, lotação nos transportes coletivos, trânsito caótico nas principais vias e, ainda, o crescimento excessivo da população. Por outro lado, comparando Jundiaí a outros munícipios do AUJ, é possível constatar que sua localização e infraestrutura são pontos de destaque, devido ao desenvolvimento industrial da cidade que influencia nas oportunidades de empregos.

Bibliografia ANELLI, Adriana F. Del Monte e SANTOS JUNIOR. Wilson R.. O Aglomerado Urbano de Jundiaí (AUJ) e os desafios para a mobilidade metropolitana paulista. Caderno Metropolitano, São Paulo, v.15, n. 30, pp. 461-487, dez 2013. PACHECO, Conceição. IDH do Brasil sobe e Jundiaí acompanha tendência. Disponível em http:// www.jj.com.br /noticias-3649-idh-do-brasil-sobe-e-jundiai-acompanha-tendencia. Acesso em05 abr 2017. IZAIAS, Katia Cristina da Silva. População e Dinâmica da cidade de Jundiaí, das lavouras de subsistências e cultura do café. Trabalho apresentado no XVIII Encontro de Estudos Populacional, ABNT, realizado em Águas de Lindóia/ SP-Brasil, de 19 a 23 de novembro de 2012. REPORTAGEM. Jundiaí, SP, é a 11º melhor cidade para viver no Brasil, informa a ONU. Disponível em: http://g1.globo.com/ sao-paulo/sorocaba-jundiai/noticia/2013/07/jundiai-sp-e-11-melhor-cidade-para-viver-no-brasil-informa-onu.html. Acesso em 13 de setembro de 2017. REPORTAGEM. Prefeitura de Jundiaí reconhece problemas no transporte da cidade. Disponível em: http://g1.globo.com/ sao-paulo/sorocaba-jundiai/ noticia/2013/08/prefeitura-de-jundiai-reconhece-problemas-no-transporte-da-cidade.html. Acesso em 13 de setembro de 2017. REPORTAGEM. Jundiaí, uma cidade a caminho do colapso. Disponível em: http://www.jnon.com. br/2015/10/jundiai-uma-cidade-a-caminho-do-colapso/. Acesso em 13 de setembro de 2017.


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A inserção de negros e negras no mercado de trabalho jundiaiense Autores:

Ana Beatriz Silva Siqueira - Gabriele de Faria Pasti Maria Eduarda Prodocimo - Sabrina Meneses Orientador: Wanderlei de Oliveira Clarindo da Silva Sabe-se que o preconceito e a discriminação racial existem há muito tempo, mas sua origem exata, definição e consequências ainda são pouco conhecidas pela maior parte da população, levando muitos a praticarem os mesmos sem profundo conhecimento de tal ação. O preconceito racial é um sentimento negativo para com outro que possui uma raça diferente, já a discriminação decorre de atitudes influenciadas pelo preconceito. Devido a fatores ideológicos, diversos povos sofreram ataques contra seu modo de vida. Dentre eles, podemos citar a escravidão, que tem origem desconhecida, mas que foi utilizada por diversas civilizações. A escravidão consistia no ato de explorar a mão de obra de pessoas, as quais tivessem sido aprisionadas em guerras, fossem devedoras, criminosas ou, até mesmo, aquelas que tivessem uma diferença na cor de sua pele em relação às pessoas que detinham maior poder na sociedade de sua época. A forma de escravidão mais comum da Idade Moderna, no Ocidente, era a de negras e negros explorados por colonizadores, por serem considerados intelectualmente inferiores, porém fisicamente adaptados a trabalhos braçais por longos períodos. Para serem escravizados, os negros eram retirados dos locais em

que viviam, de diferentes partes do continente Africano, levados e vendidos para donos de terras da Europa e América. Geralmente, eram separados de suas famílias, recebiam alimentação diária reduzida, e muitas vezes, eram duramente castigados por ações consideradas incorretas pelos seus “senhores“.

Escravidão no Brasil No Brasil, diversas fontes supostamente “científicas” defendiam que os negros eram “naturalmente” mais fortes do que os brancos e, portanto, “forjados” para o trabalho braçal. As mesmas “teorias” defendiam que eles não seriam humanos, mas uma sub-raça e, por este motivo, não teriam direitos como os brancos. Depois da escravidão ter sido abolida em 1888, por meio da Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel, os mestiços e principalmente os negros tiveram imensas dificuldades em conseguir se habituar às novas condições e não lhes foram garantidos meios para constituírem uma vida considerada adequada, com saúde, direitos de cidadania, trabalho e alimentação. Em relação à questão trabalhista, Fonte: montagem feita com base em br.pinterest.com


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A inserção de negros e negras no mercado de trabalho jundiaiense

em especial, essas pessoas não tinham muitas oportunidades de emprego: os donos de terras e o próprio governo brasileiro não concordavam em adaptar os direitos dos trabalhadores para eles, pois ainda os viam com “outros olhos”, como se pudessem estar disponíveis apenas para trabalhos braçais, com baixa renda e que exigiam muito esforço físico. Embora a abolição da escravidão tenha acontecido, políticas racistas continuaram a ser colocadas em prática pelo Estado. Uma delas concretizou-se com a chegada de muitos estrangeiros como italianos, chineses, espanhóis, franceses no país, atraídos pelos incentivos do governo federal. Essas pessoas vinham em busca de uma vida melhor, enquanto o governo tinha o intuito de povoar algumas áreas do país e ‘’branque-

O Dia da Consciência Negra é importante para lembrarmos que alma não tem cor João Carlos Soares

ar’’ a população brasileira. Para os fazendeiros, contratar esses empregados era muito vantajoso, pois, com o grande número de trabalhadores brancos disponíveis a baixíssimo custo, uma vez que sua vinda havia sido financiada pelo poder público, houve um grande aumento em suas produções e faturamentos. Com isso, os trabalhadores negros ficaram submetidos a aceitar o mero benefício de terem um emprego, já que recebiam salários insignificantes, incapazes de suprir todas as suas necessidades. Sendo os mestiços e negros libertos os principais prejudicados com essa situação, destacamos que suas moradias eram precárias e em lugares afastados dos bairros centrais das cidades. Como se não bastasse, em 1904, ocorreu uma grande reforma urbana no Rio de Janeiro a qual expulsou as populações pobres e negras, os “desertados da República”, em direção aos morros. Sendo assim, podemos ver que esse povo sempre teve uma história de tragédias, preconceitos, injustiças e dor. Perante todas questões colocadas, podemos perceber as graves consequências nas vidas dessas populações, social e economicamente. O preconceito racial possui raízes dentro

e fora do país ligadas à ideia de que a raça branca apresenta características ‘’superiores’’ aos demais componentes da sociedade em que vivem. Desse modo, os “indesejados” foram postos à margem, fazendo com que o Brasil enfrentasse um número cada vez maior de desocupados, trabalhadores temporários, mendigos e crianças abandonadas nas ruas.

Negros e negras no mercado de trabalho Enfim, são os fatores históricos que afetam, em grande parte, a maneira com que tratamos as pessoas negras hoje em dia. Podemos ver vestígios desse processo em diversas áreas do nosso cotidiano, mas, para este artigo, pensamos e consideramos a forte influência do preconceito racial e da discriminação no mercado de trabalho. O trabalho remunerado é uma atividade fundamental, sendo a base para o sustento das famílias. A discriminação racial no mercado de trabalho é uma realidade. Como exemplo, podemos citar a denúncia de Theo van der Loo, presidente da multinacional Bayer no Brasil desde 2011. A empresa possui cerca de quatro mil funcionários no país, dos quais 14% são negros, segundo um censo interno realizado em 2014. Loo é negro, já sofreu muito com o preconceito e sabe de diversos outros casos de discriminação em empresas. Em seu depoimento, ele contou que um conhecido, afrodescendente, com uma excelente formação e currículo, foi fazer uma entrevista. Quando o entrevistador viu sua origem racial, disse à pessoa de RH que ele não sabia deste detalhe e que “não entrevistava negros!”. “In-

Racismo é um fenômeno tipicamente capitalista Daniel Alfonso


18 felizmente temos ainda esse câncer na sociedade brasileira, e existe ainda essa celeuma popular que associa negros a malandros, vagabundos e outros adjetivos pejorativos que povoam o imaginário coletivo”, diz ele. Theo van der Loo acredita que o Brasil tem uma espécie de “apartheid velado”. Segundo ele, mais de 50% da população é formada por afrodescendentes, mas, nas empresas, só se vê essas pessoas na fábrica, e muito poucas nos escritórios: “o país não vai avançar se não conseguir superar essas diferenças”, afirma. E acrescenta: “Não adianta apenas o RH (a área de recursos humanos) implementar programas em prol da diversidade. Se o CEO (o presidente das companhias) não mostrar interesse e se comprometer, não vai acontecer muita coisa. Porque, no fim das contas, são os gestores que contratam.” A marca do racismo ainda está no mercado de trabalho, pois mesmo com o crescimento da presença de pessoas negras, elas estão inseridas em cargos mais precários, com maiores jornadas de trabalho e menores remunerações. A Secretaria Municipal da Igualdade Racial da Prefeitura de São Paulo levantou dados que mostram que o cenário dos programas de incentivo para a maior

Existe uma história do povo negro sem o Brasil. Mas não existe uma história do Brasil sem o povo negro. Januário Garcia participação dos negros no mercado de trabalho de São Paulo possui apenas 75% de atividades que capacitam negros para obterem cargos mais altos, 50% apresentam metas para aumentar o número de negros com cargos de direção e gerência, 25% dispõem de programas especiais para contratação e somente 8% portam políticas que promovam a igualdade de oportu-

Fonte: montagem feita com base em http://www.lanuevarepublica.org

nidades entre negros e não negros. Mesmo havendo programas que incentivem mudanças no mercado de trabalho, ainda se encontram vestígios de diferenciações tanto no que diz respeito a cargos ocupados quanto ao salário mensal recebido. Dados apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) em 2013 mostram que, em média, pessoas pretas e pardas recebem R$ 1.386,46 enquanto pessoas não negras recebem quase o dobro, cerca de R$ 2.408,31, apenas em São Paulo. Além disso, há também o grande problema enfrentado, em especial, pelas mulheres negras. Dados obtidos em 2014 mostram que cerca de 2,4 milhões de mulheres negras sofriam com o desemprego naquele ano, somente 10,8% delas possuíam trabalho remunerado e apenas 31,3% trabalhavam com carteira assinada.

Negros e negras no mercado de trabalho em Jundiaí Devido aos limites deste artigo, a fim de apresentar alguns dados mais aprofundados, restringiremos nossa análise apenas à cidade de Jundiaí – SP. Jundiaí é um município interiorano do estado de São Paulo, localizado a cerca de 57 km da capital. Apresenta aproximadamente 431,207 km² de área territorial, sua população estimada é de 409.497 pessoas, tendo como Produto Interno Bruto (PIB) per capita R$ 91.312,64. Seu Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) é de 0,822 (IBGE, 2010), o salário mensal médio dos trabalhadores formais é de 3,5 salários mínimos e o número de pessoas ocupadas é cerca de 194.522 (IBGE, 2016). Por ser um município com grande quantidade de empresas e indústrias,


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A inserção de negros e negras no mercado de trabalho jundiaiense

com variadas opções de emprego, é considerado um lugar de grandes oportunidades, tornando-se destino de muitas pessoas e crescendo constantemente. Esses dados coletados do site do IBGE, do ano de 2010, apresentam a quantidade populacional do município de Jundiaí em diversos aspectos do mercado de trabalho regional. Ao todo, cerca de 194.522 pessoas trabalham, aproximadamente 48,4% da população. A partir dos dados, percebe-se que os brancos se destacam em todas as atividades. Com relação à posição na ocupação, independentemente de ser trabalho autônomo, empregador ou empregado, os brancos são maioria, com 27.399, 4.068 e 113.114 pessoas, respectivamente. Os trabalhadores na produção para o próprio consumo ou mesmo os não remunerados também são brancos em sua maioria: 337 e 1.752 pessoas, respectivamente. Se houvesse uma escala para quantificar os trabalhadores em Jundiaí, os brancos ficariam em primeiro lugar, os pardos em segundo, depois viriam os negros, os amarelos e os indígenas, na última colocação. Por essa escala, vemos que brancos possuem vantagens profissionais que acarretam tanto nos seus salários quanto, podemos concluir, no seu modo de vida. Sendo assim, percebe-se que há a presença da discriminação no mercado de trabalho jundiaiense. E isso ocorre tanto com relação aos cargos ocupados quanto aos salários recebidos pelos negros, já que os mesmos trabalham em postos mais ligados ao esforço físico e com rendimentos reduzidos em relação aos não negros. Em relação ao desemprego, a discriminação racial ocorre em nível nacional, com taxas maiores de desocupação entre os pretos e pardos (IBGE, 2016). Tal situação faz com que sua contribuição econômica seja menor em comparação aos outros, mesmo sendo maioria no país.

Uma breve experiência de campo Para complementação deste trabalho, foi realizada uma breve experiência de campo, na cidade de Jundiaí, nos dois shoppings mais utilizados pela população. Na ocasião, foi observado que as pessoas que trabalhavam e, principalmente, que frequentavam o local, eram de

cor branca, em ambos. No primeiro shopping, existem cerca de 235 lojas e 53 estabelecimentos gastronômicos. Foi visto que mais de 95% dos funcionários eram de cor branca, e os negros presentes observados foram, no total, apenas sete: duas faxineiras, três homens jovens que trabalhavam em fast-foods, uma gerente de loja de artigos para o lar (esta se destacava por ser a única em um cargo mais elevado), e apenas um consumidor. No segundo shopping, existem aproximadamente 238 lojas e 45 estabelecimentos gastronômicos e não foram encontradas pessoas negras trabalhando ou circulando naquele ambiente. De certa forma, esse fato é intrigrante se levarmos em consideração que uma grande parte da população jundiaiense é negra.

Talvez o racismo aconteça, não só pela cor da pele, mas pela nossa cultura que vem criada na selva de pedra André Tavares É notável a presença do preconceito e da discriminação racial no nosso cotidiano, porém, no mercado de trabalho, tais ações não são tão perceptíveis à primeira vista. Não é correto dizer que há a presença de racismo no mercado de trabalho a partir da análise de somente um estabelecimento comercial. Contudo, há diversos outros dados que indicam essa triste realidade, e a experiência concreta apenas confirma sua existência. Percebe-se que, devido a fatores históricos, há uma constante desvantagem para negros e negras nesse aspecto, o que dificulta sua colocação e ascensão no mercado de trabalho e, posteriormente, prejudica sua qualidade de vida.

Bibliografia KERDNA PRODUCÃO EDITORIAL. Racismo no Brasil. s/ data. Disponível em <http://racismo-no-brasil.info/> acessada em 30 de agosto de 2017. SUA PESQUISA. Escravidão no Brasil. s/ data. Disponível em <http://www.suapesquisa.com/ historiadobrasil/escravidao.htm> acessada em 30 de agosto de 2017. GELEDÉS. Preconceito, racismo e discriminação no contexto escolar. s/ data. Disponível em <https://www.geledes.org. br/preconceito-racismo-e-discrimincao-contexto-escolar/ ?gclid=Cj0KCQjwruPNBRCKARIsAEYNXIga9ZQ7E6tgDetfX5csoUjSqCdjG5fnZGSKwUx51Jr7PzUlnxsRKvYaApccEALw_wcB> acessada em 08 de setembro de 2017. EXAME. Fiz um desabafo, não imaginava a repercussão, diz o CEO da Bayer. s/ data. Disponível em <http://exame.abril.com. br/carreira/fiz-um-desabafo-nao-imaginava-a-repercussao-diz-ceo-da-bayer/> acessada em 11 de setembro de 2017. IPEA, História. O destino dos negros após a Abolição. s/ data. Disponível em <http://www.ipea. gov.br/desafios/index.php?option=com_content&id=2673%3Acatid%3D28&Itemid=23> acessada em 30 de agosto de 2017. IBGE. Censo de 2010 - Características da População. s/ data. Disponível em <https://cidades. ibge.gov.br/v4/brasil/sp/jundiai/ pesquisa/23/25888?detalhes=true&localidade1=355030> acessada em 06 de setembro de 2017.


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Uma vida saudável com a cesta básica Autores: Cauã Augusto Castro - Gabriel Monteiro Lembo - Gabriel Trindade Corrêa Gabriela Folgosi da Conceição - Robert Budai Orientador: Daniel Perez

O governo brasileiro estabeleceu, em 1938, uma lista de alimentos com nutrientes balanceados (Proteínas, Ferro, Cálcio e Fósforo) em certa quantidade para suprir as necessidades nutricionais de uma pessoa na idade adulta. Essa lista foi denominada Cesta Básica Nacional. Muitas famílias brasileiras são sustentadas pela cesta básica, seja esta comprada ou adquirida como parte dos benefícios do trabalhador. Porém, será que essas pessoas têm uma alimentação balanceada apenas com a cesta básica? Essas pessoas precisarão comprar outros alimentos para se nutrirem adequadamente? Este trabalho pretende responder a essas perguntas e saber se a cesta básica recebida por tantas famílias brasileiras supre todas as suas

Fonte: montagem feita com base em http://www.lanuevarepublica.org


Uma vida saudável com a cesta básica

necessidades nutricionais. Também procuramos saber se as pessoas que compram a cesta básica nos mercados compram apenas a cesta ou se elas adquirem ainda outros itens alimentares. O valor gasto por essas famílias na compra da cesta representa uma porção significativa do salário mínimo? Após pesquisas, optamos pela análise das necessidades nutricionais na idade adulta, já que a cesta básica é uma proposta alimentar voltada para trabalhadores, e pela escolha da cesta básica da empresa JOATE como uma referência para produzirmos nosso artigo. Os alimentos contidos nessa cesta são: açúcar refinado, arroz agulhinha, biscoito cream cracker, biscoito recheado, café torrado e moído, ervilha em lata, extrato de tomate, farinha de mandioca, farinha de trigo especial, feijão carioquinha, fubá mimoso, macarrão com ovos especial, óleo de soja, sal refinado.

A cesta básica A cesta básica sofreu alterações ao decorrer dos anos. Uma dessas alterações ocorreu em julho de 2013, quando a presidenta Dilma Rousseff sancionou a Lei Nº 12.839 a partir da qual todos os produtos da cesta básica ficaram livres do pagamento de impostos federais, estimulando assim, a agricultura, a indústria e o comércio. Na ocasião, o governo também ampliou o número de itens que compunham a cesta básica e divulgou a lista de produtos que passaram a ter impostos federais reduzidos a zero. Esta lista incluiu: carnes bovinas, suína, aves e peixes, arroz, feijão, ovo, leite integral, café, açúcar, farinhas, pão, óleo, manteiga, frutas, legumes, sabonete, papel higiênico e pasta de dentes. Levantamos informações sobre os nutrientes em cada alimento contido na cesta básica, selecionamos o arroz e o feijão, que são os mais consumidos pela população brasileira, para avaliar o valor nutricional de cada um. Comparamos esses dados com as necessidades nutricionais de um homem e uma mulher na faixa etária de 31-50 anos como uma referência, a partir da análise dos macro

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A cesta básica funciona para os humanos como a ração essencial mínima para os bovinos. nutrientes. Um homem adulto precisa consumir por dia 56g de proteínas, 130g de carboidratos, 38g de fibras e de 20-35g de gordura. Já uma mulher adulta precisa consumir por dia 46g de proteínas, 130g de carboidratos, 25g de fibra, e 20-35g de gordura. Em 100g de arroz tipo 1 cozido, estão presentes 28g de carboidratos, 7g de proteína, 0,4g de fibras e 0,3 g de gorduras totais. Se comermos


22 300g de arroz por dia, a quantidade de carboidrato ingerida seria de 84g; a quantidade de proteína seria de 21g; a de fibras, 1,2g apenas e a de gorduras totais, 0,9g. Em 100g do feijão carioca cozido, temos 13,61g de carboidratos, 5,04g de proteínas, 0,85g de gorduras totais e 26g em fibras. Se ingerirmos 200g dele por dia e fizermos os cálculos, são 27,22g de carboidratos, 10,08g de proteína, 1,7g de gorduras totais e 52g em fibras. Os valores estão sendo calculados considerando-se duas refeições ao dia. O resultado final seria de 111,22 de carboidrato, resultando em um déficit de 18,78g/dia. Se calculada na semana, faltaria no organismo o total de 131,46g, que com o tempo gera uma falta muito grande de carboidratos. Na proteína temos 31,08g, faltando. Para a mulher ainda faltam 14,92g e para o homem 24,92g, que, na semana, somam 104,44g para as mulheres e 174,44g para os homens. As fibras ultrapassam os valores, 53,2g de fi-

Fonte: montagem feita com base em natue.com.br

bras ingeridas por dia, sendo que a necessidade nutricional da mulher é de apenas 25g, sobrando ainda 28,2g, e também para o homem, que precisaria apenas de 38g, sobrando 15,2g de fibras. As gorduras não serão supridas, com a quantia de 2,6g. Se pegarmos a quantia básica que precisa ser ingerida (20g), ainda faltam 17,4g de gorduras totais a serem ingeridas. O economista e ex-pesquisador em políticas agrícolas do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA), Guilherme Delgado, escreve a respeito das questões históricas relacionadas à cesta básica. Segundo este pesquisador, eram alimentos básicos para manter o trabalhador vivo, subsistente, com possibilidade de reproduzir e que tivessem garantia de acesso através da remuneração do salário-mínimo: trigo, açúcar e um conjunto de alimentos armazenáveis. Os perecíveis ficavam de fora. A cesta básica funciona para os humanos como a ração essencial mínima para os bovinos, ou seja, garantindo a suficiência de componentes capazes de repor

a força gasta no processo de trabalho. Isso não é segurança alimentar. A Segurança Alimentar e Nutricional significa garantir, a todos, condições de acesso a alimentos básicos de qualidade, em quantidade suficiente, de modo permanente e sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, com base em práticas alimentares saudáveis, contribuindo, assim, para uma existência digna, em um contexto de desenvolvimento integral da pessoa humana. “Faltam alimentos frescos, como frutas e legumes, e mais fontes de vitaminas e fibras. Enquanto isso, sobra açúcar, sódio e carboidrato.”, afirma Guilherme Delgado sobre a cesta básica. Por outro lado, alerta a nutricionista Valdirene Francisca Neves dos Santos, doutora de Ciências da Saúde pela Unifesp e professora titular de Nutrição e Enfermagem na Unip: “Uma pessoa pode até sofrer de carência de vitaminas se sua alimentação for muito baseada na cesta”.


Uma vida saudável com a cesta básica

Pirâmide alimentar Para que a população pudesse ter uma referência de alimentação saudável, em 1999, foi criada pela pesquisadora da USP, Sônia Tucunduva Philippi, a primeira pirâmide alimentar brasileira. Trata-se de um esquema gráfico que indica quais são os alimentos que devem ser consumidos diariamente pelo indivíduo e em quais quantidades. Mas desde que a pirâmide alimentar foi criada, ocorreram várias mudanças na alimentação do povo brasileiro que afetaram as taxas de obesidade, gerando a ocorrência de diabetes e de pessoas afetadas por doenças relacionadas ao colesterol. Por isso, foram necessárias algumas alterações. Assim, a reelaboração da pirâmide incluiu alimentos e nutrientes que colaboram com uma vida saudável, como arroz integral, folhas verde-escuras, salmão, sardinha e oleaginosas. Observando o esquema, podemos verificar a presença de carboidratos como pães, arroz, massas, batata

Comprar separadamente os alimentos da cesta é a melhor forma de alimentar você e sua família

23 e mandioca, sendo esses alimentos considerados essenciais para uma alimentação diária. Verduras, frutas e legumes estão ocupando o segundo lugar dessa pirâmide. Em terceiro, estão os nutrientes como leite e seus derivados, carnes e ovos; em último, os alimentos que precisaremos consumir em pouca quantidade, que são os açúcares, óleos e gorduras. Com as alterações realizadas, as proporções continuaram as mesmas, assim como a disposição dos grupos de nutrientes na pirâmide (como carboidratos na base, por exemplo). A mudança consistiu na inclusão de alguns alimentos saudáveis. Uma outra referência para uma alimentação saudável e equilibrada são as dietas-padrão, de acordo com a quantidade de calorias necessárias e de acordo com os nutrientes básicos e sua contribuição na alimentação. Assim, foram estabelecidas três dietas-padrão: de 1.600 kcal, 2.200 kcal e 2.800 kcal; e a partir da distribuição dos macronutrientes – carboidratos (50 - 60%), proteínas (10 - 15%), lipí-


24 dios (20 - 30%) – com base nos níveis de cada um deles, podem ser estabelecidas porções mínimas e máximas que devem ser consumidas de acordo com as dietas referidas.

Quanto custa alimentar-se bem? Com base no que vimos, queremos destacar agora o preço da cesta básica. Sabemos que muitas das pessoas que as consomem recebem a cesta de empresas ou dos próprios patrões, mas, em muitos casos, pessoas adquirem a cesta básica comprando-as em mercados. A abaixo mostra a porcentagem que é gasta com a compra de uma cesta básica de acordo com o salário mínimo. Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em abril, 46,09% do salário mínimo para adquirir os mesmos produtos que, em março, demandavam 44,74%. Em abril de 2016, o per-

centual foi de 47,64%. A cesta básica consome grande parte do salário mínimo (quase 40%) de um trabalhador que a compra. Uma questão que surge é se seria melhor comprar os alimentos separadamente ou se seria melhor comprarmos a própria cesta, já embalada pelo próprio estabelecimento. Conforme a Folha Vitoria (2009), comprar alimentos separadamente, com pesquisas entre os mercados, pode render até 20% para seu orçamento, ou seja, comprar a cesta sai mais caro do que comprar os alimentos separadamente. A respeito do assunto, a publicação afirma: Os kits embalados de cesta básica comercializados nos supermercados da amostra pesquisada não são padronizados de fato tanto nas quantidades quanto nas especificações dos itens.

Esse procedimento dificulta a comparação de preço pelo consumidor em encontrar o kit mais em conta. Além disso, normalmente esses kits são mais caros se comparados aos mesmos itens quando comprados separadamente. Sendo assim, chegamos à conclusão que comprar alimentos separados é a melhor forma de alimentar você e sua família, pois além de render melhor ao seu bolso (cerca de 20% melhor), a pessoa que a compraria pode fazer uma melhor seleção dos produtos, buscando alimentos mais frescos e ricos em nutrientes. Apesar disso, as pessoas que recebem a cesta básica podem abrir novas alternativas para suprir as suas próprias necessidades. Uma alternativa é comprar produtos que não são apresentados na cesta em outros lugares, assim ela teria os nutrientes que são fornecidos pelos alimentos da


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Uma vida saudável com a cesta básica

A cesta básica consome quase 40% do salário mínimo de um trabalhador que a compra

cesta básica e também adquiriria os nutrientes que são carentes nela. Assim a pessoa teria uma alimentação mais equilibrada e sem carência de nutrientes. Esse artigo trouxe informações sobre os nutrientes que precisam ser consumidos diariamente por uma pessoa adulta, os itens que compõem uma cesta básica, os cálculos de nutrientes que uma pessoa adulta obtém se consumir dois pratos de arroz e feijão por dia e a comparação deles com as necessidades nutricionais de cada um. É válido ressaltar o indicativo de que é financeiramente mais vantajoso adquirir os itens da cesta separadamente. Recomendamos às pessoas que consomem a cesta básica que adquiram outros alimentos além dos contidos na cesta básica, pois assim alcançarão uma alimentação saudável, equilibrada e de qualidade. Qualquer pessoa que apresente alguma necessidade ou limitação alimentar em particular, deve consultar um nutricionista.

Bibliografia INFOMONEY. O que é cesta básica? São Paulo, 2010. Disponível em <http://www.infomoney.com. br/minhas-financas/planeje-suas-financas/noticia/2001012/que-uma-cesta-basica>. Acesso em 01 nov. 2017. NATUE. Conheça a pirâmide alimentar Brasileira. 2013. Disponível em <https://www.natue.com. br/natuelife/piramide-alimentar-atualizada-para-brasileiros. html>. Acesso em 01 de nov. 2017. TEGA, Ademir José. Cestas. Jundiaí, 2017. Disponível em <http:// www.joate.com.br/>. Acesso em 01 nov. 2017. UNIDAVI. Cesta Básica – Rio do Sul. Rio do Sul, 2013. Disponível em <https://www.unidavi.edu.br/ noticia/2013/5/cesta-basica-rio-do-sul>. Acesso em 01 de nov. 2017. SCRIBD. Tabela nutricional da Unicamp. Campinas, 2010. Disponível em <https://pt.scribd.com/ document/102771188/Tabela-Nutricional-Da-UNICAMP>. Acesso em 08 nov.2017.


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Usinas: qual a melhor? Autores: Antonio Fernando de Lima Silva - Guilherme Martins da Silva Pedro Maria Fernanda Araújo Delgado - Ricardo Alexandre Targino Brescansin Orientador: Tatiane de Paula Sudbrack ,

No cotidiano, todos nós usamos e, às vezes, abusamos, do uso da energia elétrica, sem nos darmos conta de sua origem. Essa energia vem, principalmente, das usinas geradoras de energia existentes no mundo. As usinas geradoras de energia são construções industriais com o objetivo de transformar diferentes matérias primas em energia elétrica que, através das linhas de transmissão de energia, é então enviada para diversas cidades que a distribuem entre casas, prédios, fábricas, etc. Mesmo que cada uma tenha o mesmo objetivo fi-

Fonte: montagem feita com base em wikimedia.org

nal, elas utilizam meios e matérias primas diferentes nesse processo de produção, sendo que cada usina tem vantagens e desvantagens específicas, dependendo do local e das condições onde ela está inserida. No Brasil, temos as nossas próprias usinas as quais estão alocadas em diferentes regiões do país, dependendo das características socioambientais e das vantagens que cada local a elas proporciona. A matriz energética brasileira mostra qual é a matéria prima mais utilizada atualmente e as contribuições das demais.

No decorrer deste trabalho, será feita a comparação entre a usina mais utilizada - a hidrelétrica - e outras duas usinas geradoras de energia que atualmente são as mais conhecidas pela população e divulgadas na mídia televisiva e na internet: a usina nuclear e a eólica. A importância dessa pesquisa se apoia no fato de que, atualmente, tudo funciona a partir da produção de energia elétrica, tanto na produção econômica quanto no


Usinas: qual a melhor?

lazer. Portanto, se pudermos descobrir qual usina é a melhor para o Brasil, poderemos então maximizar a produção de energia, o que iria aumentar toda a capacidade de geração de bens e serviços do país, gerando assim uma economia estável e um país em ascensão.

Usina Nuclear As usinas nucleares são usinas térmicas que se utilizam do calor gerado com a fissão de núcleos de materiais radioativos para produzir energia elétrica. O calor gerado no reator promove o aquecimento do vapor da água, o qual faz com que as turbinas girem e, por sua vez, ativem o seu gerador, produzindo assim a energia elétrica que será distribuída através das linhas de transmissão. O esquema de funcionamento de uma usina nuclear se encontra na página seguinte. A utilização da energia nuclear para geração de energia elétrica vem sofrendo bastantes críticas devido a três acidentes nucleares que ocorreram nas usinas de: Three Mile Island, nos Estados Unidos; Chernobyl, na Ucrânia; e Fukushima, no Japão. O acidente nuclear de Chernobyl é considerado um dos piores da histó-

ria, a partir do qual uma explosão nuclear ocasionou a morte de muitas pessoas, além da contaminação e evacuação de áreas próximas à usina devido à liberação de radiação no meio ambiente. Felizmente, não se espera que acidentes como esses aconteçam com frequência, mas outros aspectos negativos podem ser apontados a respeito desse tipo de usina. Uma das grandes desvantagens em se implantar uma usina nuclear são os chamados “lixos nucleares” que são todo tipo de material e resíduo radioativo que não pode ser reaproveitado e precisa ser descartado. O lixo nuclear representa um grande perigo para os seres vivos, por isso o descarte e condicionamento desses materiais precisam ser feitos de forma adequada. Dependendo da quantidade de resíduos despejada, há alto custo envolvido, e o local de despejo pode precisar ser totalmente isolado, uma vez que o tempo de meia vida para a diminuição da radioatividade desses materiais é muito longa. Dessa forma, além do custo de armazenamento, as quantidades de lixo produzidas são bastante volumosas, ocupando grandes espaços, sendo necessário um local revestido com blindagem especial para que não ocorra contaminação do meio ambiente. Devido ao fato de as usinas nucleares terem um tempo de vida útil limitado, o investimento para a sua construção é muito alto e a escolha

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Usinas geradoras de energia são construções industriais com o objetivo de transformar diferentes matérias primas em energia elétrica do local em que ela vai ser instalada é crucial para que haja redução (ainda que leve) dos custos. No Brasil, existem duas usinas que se utilizam da energia nuclear para a produção de energia elétrica: Angra 1 e Angra 2. Ambas se localizam na Praia de Itaorna, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Esse local é isolado da cidade de Angra, o que ajuda na contenção e evacuação se ocorrer algum tipo de acidente nuclear nas instalações. A razão de alguns países aderirem a esse tipo de energia é a independência de fatores climáticos para o seu funcionamento (como, por exemplo, a dependência de chuvas, no caso de hidrelétricas, e de ventos, como no caso da energia eó-


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Usina Hidrelétrica No Brasil, as usinas hidrelétricas são responsáveis por aproximadamente 95% da energia elétrica produzida. As hidrelétricas utilizam o potencial hidráulico de um rio para obtenção de energia. Para o aproveitamento do rio, geralmente é construída uma barragem que interrompe seu curso natural, gerando um reservatório. A energia potencial armazenada devido ao desnível da barragem é convertida em energia cinética, a qual acionará as turbinas e será transformada em energia elétrica por meio de um gerador. A energia obtida é transmitida por uma ou mais linhas de distribuição para os locais de uso. O funcionamento básico de uma usina desse tipo está representado na figura ao lado. Para construir uma usina hidrelétrica, precisa-se de tempo e espaço, além de grandes rios. Para isso, deve-se desmatar uma grande parte da floresta, o que representa custo financeiro e ambiental.

Fonte: montagem feita com base em wikimedia.org

Com a instalação da usina, podem ocorrer variações de temperaturas nas águas dos rios, atrasando assim todo um ecossistema, pois muitos peixes que se reproduzem em águas frias terão de procurar outros lugares para se acasalarem e, dessa forma, haverá grandes cardumes de peixes de água doce se reproduzindo em outros rios. Além disso, a falta de peixes pode ocasionar escassez de comida para as sociedades ribeirinhas e para os predadores

naturais, ocasionando também o crescimento de insetos e algas, impossibilitando a locomoção de barcos nas vias fluviais. Com relação à economia da região, com a construção da barragem, geralmente ocorre aumento populacional e há injeção de recursos de compensação que podem mudar a estrutura social e política dos municípios próximos. Há, ainda, a geração de uma grande quantidade de empregos, tanto

Esquema de funcionamento de hidrelétrica típica

lica). Além disso, outra vantagem é a pouca quantidade de combustível necessária para se produzir energia, o que acarreta em economia em matérias-primas, mas também no transporte, mineração e manuseio de combustível nuclear.

Fonte: uheitaocara.com


Usinas: qual a melhor?

para sua construção quanto para a manutenção de seu funcionamento, o que pode significar uma alavanca para a economia da região. Existem programas atuais para as instalações de usinas que procuram minimizar os aspectos negativos e potencializar os aspectos positivos com programas socioambientais, resgate de fauna, compensação ambiental, comunicação e apoio social, os quais são implementados para poder garantir a sustentabilidade do empreendimento.

Atualmente, tudo funciona a partir da produção de energia elétrica, tanto na produção econômica quanto no lazer

Usina eólica As usinas eólicas se utilizam da velocidade dos ventos para gerar eletricidade. Em termos físicos, ocorre a transformação de energia cinética em energia elétrica. Esse tipo de usina utiliza grandes hélices instaladas em locais altos, onde tenha uma grande presença dos ventos, com velocidade de 7 a 8 m/s. Nesse caso, para o funcionamento da usina, não é necessário somente que haja ventos fortes, mas também que sejam regulares, não sofram turbulência e nem estejam sujeitos a fenômenos climáticos. Uma das maiores vantagens da usina eólica é que ela é uma usina renovável e limpa, por que funciona a partir de recursos ilimitados e não emite gases que contribuem para o aquecimento global, além de não produzir resíduos prejudiciais ao meio ambiente durante a produção de eletricidade. A aquisição de sua matéria-prima não tem nenhum custo e esse tipo de usina gera empregos na região onde é instalada e faz um grande investimento em zonas desfavorecidas, pois os parques eólicos são instalados em lugares isolados, além de ser possível a utilização do terreno para agricultura e pecuária. Porém, esta usina apresenta um grau de intermi-

29 tência muito alto, pois não é possível saber quando o vento estará favorável para sua utilização. Há outros aspectos negativos a serem considerados, como por exemplo, a concentração de aerogeradores num mesmo local. Os parques eólicos são espaços em que se encontram ao menos cinco aerogeradores, sendo que cada um deles equivale à área de um campo de futebol. Assim, para as populações humanas que vivem em torno da usina eólica, as desvantagens incluem a poluição visual e sonora, devido aos altos ruídos que são produzidos durante sua operação e à mudança na paisagem que ganha uma enorme diferença visual com a sua instalação. Outro impacto ambiental negativo é que as aves que migram no local podem voar muito perto das hélices e podem se machucar ou morrer. Além disso, embora essa usina não produza resíduos tóxicos ao meio ambiente, as hélices dos aerogeradores geralmente são feitas de vidro e contém alguns aditivos tóxicos que são usados para complementar sua fabricação. Essas pás têm uma vida útil de 20 anos e, após esse tempo, elas devem ser descartadas em locais apropriados por não serem recicláveis.


30 Comparação entre os três tipos de usinas A tabela mostra que, no quesito ambiental, a usina eólica é uma boa opção para o Brasil, uma vez que o espaço em sua volta pode ser usado também para a agricultura e agropecuária. Já no quesito econômico, a usina hidrelétrica é de grande vantagem, pois o país tem áreas prontas em abundância para seu funcionamento. Não é à toa que a produção de uma hidrelétrica, no Brasil, ocupa mais de 60% da produção de energia total (ANEEL, 2015). Caso o Brasil decida investir na produção de energia contínua, a usina nuclear é uma ótima opção. A usina nuclear não depende de aspectos ambientais para o seu funcionamento completo e sua instalação é relativamente mais simples, já que pode ser alocada em espaços neutros. Embora ela tenha um custo de instalação mais alto, com necessidade de isolamento preventivo, e seja preciso investir na manutenção dos reatores, sua matéria prima é de fácil aquisição.

Fonte: montagem feita com base em publicdomainpictures.net


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Usinas: qual a melhor?

Caso o Brasil decida investir na produção de energia contínua, a usina nuclear é uma ótima opção

A partir da realização, desse trabalho conclui-se que cada tipo de usina apresenta vantagens e desvantagens em determinados quesitos, como a matéria-prima, espaço, economia e meio-ambiente. Ao analisarmos as usinas do ponto de vista do meio-ambiente e da matéria-prima que utilizam, a mais promissora parece ser a eólica, pois o vento não possui nenhum custo, apesar do seu alto grau de intermitência. Do ponto de vista de espaço utilizado para a implantação, a nuclear apresenta certa vantagem em relação às demais, pois, para sua instalação e funcionamento, não é necessário um lugar muito amplo. Já a usina hidrelétrica parece alavancar mais a economia da região onde é instalada, uma vez que a sua construção promove a geração de cerca de 800 empregos, podendo estender-se esse valor para cerca de 3 mil empregos após o término da construção, alavancando o sistema econômico da região e promovendo o desenvolvimento do país.

Bibliografia ROSA, Luiz. Geração hidrelétrica, termelétrica e nuclear. 2007. Disponível em: <http://www. scielo.br/pdf/%0D/ea/v21n59/ a04v2159.pdf>. Acesso em: 6 de junho de 2017. ARAUJO, Gabriely. Energia Hidrelétrica – Vantagens e desvantagens. 2013. Disponível em: <http://www.estudopratico.com. br/energia-hidrelétrica-vantagens-e-desvantagens/>. Acesso em: 6 de junho de 2017. FOGAÇA, Jennifer. Vantagens e desvantagens do uso da energia nuclear. [201-?]. Disponível em: <http://mundoeducacao.bol.uol. com.br/quimica/vantagens-desvantagens-uso-energia-nuclear. htm>. Acesso em: 31 de maio de 2017. PORTAL ENERGIA. Vantagens e desvantagens da energia eólica. 24 de ago. 2015. Disponível em: <https://www.portal-energia. com/vantagens-desvantagens-da-energia-eolica/>. Acesso em: 31 de maio de 2017. ALTERIMA. Definição usinas geradoras. 15 de março. 2012. Disponível em: <http://www.alterima.com.br/index.asp?InCdSecao=20&InCdMateria=219&Defini%E7%E3o+usinas+geradoras/>. Acesso em: 31 de maio de 2017.


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Como a sociedade pode prejudicar o obeso? Autores: Eduardo Raposo de Melo Filho - Leonardo Gabriel JoĂŁo Vitor dos Santos Gomes Orientadores: Marcolino Malosso Filho - Daniel Perez


Como a sociedade pode prejudicar o obeso?

Sociedade é a denominação que damos à forma coletiva de existência humana, bem como aquela que determina, muitas vezes, de forma coercitiva, os padrões definidos do que é bonito, feio, certo e/ou errado, etc. E, por conta disso, aqueles que não seguem esses padrões, na maioria das vezes, são julgados de forma a atribuir características, sendo essas negativas ou positivas, a partir de suas escolhas. Um dos padrões que a sociedade atual determina constrói o ideal de “um corpo definido”, embora nem todas as pessoas consigam atingir esse padrão. Isso se deve ao fato de que algumas pessoas já nascem com a genética que fa-

vorece o desenvolvimento para que se atinja um corpo idealizado como definido, no entanto, outras têm tendências que podem levar à obesidade. No entanto, vale ressaltar que, muito embora haja essas predisposições, não significa que fatores externos não possam mudar esses resultados. As pessoas com obesidade estão em um daqueles grupos que são julgados de forma negativa pela sociedade, gerando diversas dificuldades no aspecto social, estrutural e na saúde. A obesidade tem aumentado consideravelmente com o passar dos anos, assim como a população mundial, conforme gráfico do Ministério da Saúde.

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34 Conceito de obesidade e suas O que o obeso sofre na inser- Possíveis soluções para a inclassificações ção da sociedade serção do obeso na sociedade A obesidade é definida como uma doença caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal. Geralmente a ocorrência da obesidade tem como causa o excesso de ingestão de alimentos ricos em calorias associado ao sedentarismo. Isso pode envolver diversos fatores, dos quais destacamos: fatores sociais, genéticos, metabólicos, comportamentais e culturais. A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a obesidade tendo como referência principalmente o cálculo do IMC (Índice de Massa Corporal), para o qual a pessoa é considerada obesa quando seu IMC está acima de 30. Desta forma, a obesidade é classificada em graus conforme sua gravidade.

Mas vale ressaltar que o IMC pode também trazer resultados “falso-positivos”, como, por exemplo, nos casos de pessoas musculosas que podem apresentar um índice alto e não serem consideradas obesas.

De acordo com relatos do militante contra a gordofobia , Marco Magoga, a exclusão dos obesos começa logo na infância, por exemplo, na escola. Quando Magoga foi obrigado a fazer uma cambalhota e a executou de forma errônea, o seu professor de educação física deu risada de seu erro. Nas brincadeiras, ele era sempre considerado o “café com leite”, ou seja, aquele para o qual as regras não se aplicavam, já que o mesmo era considerado incapaz. Já na consulta ao cardiologista, o mesmo chegou a dizer para Magoga: “está tudo ótimo, mas você precisa parar de ficar só jogando videogame sem fazer nada, e perder peso”. Assim, presumiam que, por sua massa corporal o mesmo era necessariamente sedentário, quando era exatamente o oposto que acontecia, pois o exercício era algo presente diariamente em sua vida. Outro exemplo de discriminação ocorreu na sexta série em seu colégio, quando fizeram uma lista das pessoas mais bonitas e os obesos compuseram uma classificação à parte dos “normais”, que gozavam do prestígio social por se enquadrarem nos padrões de beleza.

Fonte: montagem feita com base em Foto/Reprodução: Marco Magoga – arquivo pessoal

Os obesos, nos dias de hoje, sofrem preconceito e passam dificuldades dependendo do seu nível de obesidade. Por exemplo, o obeso mórbido tem várias dificuldades na parte de acessibilidade a meios de transporte e até mesmo a diversos locais públicos, porém, observando esses problemas, já existem possíveis soluções para ampliar a inserção dos obesos na sociedade.

Acessibilidade visando aos meios de transporte Atualmente, são praticadas algumas ações públicas para a acessibilidade do obeso a meios de transportes e a locais públicos como, por exemplo, assentos reservados garantidos pela Lei Federal número 10.048/2000, que tem por função promover a acessibilidade através de assentos preferenciais para pessoas com necessidades especiais.


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Como a sociedade pode prejudicar o obeso?

Saúde A pessoa obesa é propensa a adquirir doenças com facilidade, pois seu estado de saúde não está de forma adequada e a obesidade é uma doença. Sendo assim, se um obeso obtiver uma doença, isso irá agravar sua situação atual. Na área da saúde, o obeso tem um nível de prioridade pela situação citada anteriormente, ou seja, se houver uma época de vacinação, o indivíduo obeso terá prioridade na fila de espera por ser uma situação agravada.

Educacional e social Em quesitos sociais, pode-se dizer que é a área mais delicada a ser tratada, pois refere-se ao bullying, ou seja, o obeso pode, sim, sofrer discriminação pelo fato de estar fora dos padrões impostos pela sociedade, o que pode dificultar sua vida escolar em diversos quesitos como, por exemplo, a parte disciplinar e também em seu desempenho escolar.

o obeso pode, sim, sofrer discriminação pelo fato de estar fora dos padrões impostos pela sociedade, o que pode dificultar sua vida escolar em diversos quesitos Mostramos quando uma pessoa é considerada obesa, a situação mundial em relação à obesidade, meios de classificar o obeso e apresentamos algumas das dificuldades que o obeso sofre na sociedade em diferentes aspectos, como na saúde e na trajetória escolar. Espera-se, com esse artigo, contribuir para a criação de programas de ajuda aos obesos que querem sair deste quadro.

Bibliografia MAGOGA, Marco. ENTREVISTA DE PESO: MARCO MAGOGA. Disponível em: <http://belezasemtamanho.com/entrevista-de-peso-marco-magoga/>. Acesso em: 13 set. 2017. TAVARES, Telma Braga; NUNES, Simone Machado; SANTOS, Mariana de Oliveira. Obesidade e Qualidade de Vida: Revisão Da Literatura. 2010. 12 p. Dissertação (Fisioterapia) - Uni-BH, [S.l.], 2010. Disponível em: <http://rmmg. org/artigo/detalhes/371>. Acesso em: 15 ago. 2017. ANS reúne diretrizes para o diagnóstico e abordagem de pacientes com obesidade. 1. Disponível em: <http://www.ans. gov.br/aans/noticias-ans/sobre-a-ans/4050-ans-reune-diretrizes-para-o-diagnostico-e-abordagem-de-pacientes-com-obesidade>. Acesso em: 08 set. 2017. SANTOS, Rita; PEREIRA, João. O peso da obesidade: avaliação da qualidade de vida relacionada com a saúde em utentes de farmácias. [6/05/2007]. 12 p. dissertação (Mestre em Saúde Pública, Doutor em Economia) - Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, [9/05/2008]. 26.

Fonte: montagem feita com base em http://www.eliminandopeso.com.br/obesidade-x-bullying


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O Darwinismo Social como um dos alicerces do Nazismo Autores: Anna Beatriz Dias de Souza - Bianca de Oliveira Lima Evilyn Vitor Fabri - Sara Gabrieli Batista Dias Orientadores: Daniel Perez - Tiago Machado de Jesus - Vivian Batista Gombi

Sabemos que o Nazismo foi um movimento político de extrema direita, criado nos anos 1920 na Alemanha e que ele causou grandes impactos em todo o mundo, mas afinal, qual a relação de Hitler com Darwin e sua teoria? Para entendermos as raízes dessa relação, é preciso uma contextualização de conceitos e fatos históricos que geraram o embricamento entre a Teoria Evolutiva e o Nazismo. Os conceitos teóricos de Darwinismo Social, Racismo e Eugenia tiveram uma concepção cientifica no século XIX, desencadeando uma série de ações que se desdobraram dessas teorias. Sendo assim, a partir delas, houve uma falha de reconhecimento das atro-

cidades realizadas ética e politicamente que eliminaram milhões de vidas, bem como os direitos das populações, tendo o seu auge no Holocausto. Os conceitos citados acima se originaram de distorções de outras teorias pré-existentes, tal como a Teoria Evolutiva, que se aplicava à plantas e/ou animais, ou seja, no âmbito das ciências naturais. Vejamos, a seguir, de que forma essas teorias foram utilizadas para fins políticos.

Fonte: montagem feita com base em http://www.cite-sciences.fr


O Darwinismo Social como um dos alicerces do Nazismo

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38 Darwin e a Teoria Evolutiva Nascido em 12 de fevereiro de 1809, Charles Robert Darwin é um dos naturalistas mais reconhecidos até a atualidade, cujo nome é frequentemente vinculado à teoria da evolução devido a sua maior obra “A origem das espécies por meio da seleção natural”. Darwin abdicou de diversos anos de sua vida em prol da pesquisa, dedicando cinco anos em a uma excursão a bordo do navio Beagle - o que forneceu uma grande quantidade de dados que contribuiu na formação de seu estudo. Após essa expedição, Darwin levou mais vinte anos para organizar todos os seus dados. Foi no Arquipélago de Galápagos,

em 1831, que Darwin fez suas observações mais importantes: notou que as espécies, mesmo semelhantes entre si, possuíam características diferentes, o que as tornavam notórias para identificação das mesmas. A partir disso, imaginou que elas tinham essas características devido ao meio de isolamento geográfico, ou seja, se adequavam conforme o seu ambiente natural. Dessa maneira, Darwin idealizou em sua pesquisa a concepção da “luta e seleção natural”, isto é, aquelas que são mais adaptadas a certas situações possuem maior êxito e perpetuação de seus genes, e as menos “favorecidas” ou menos adaptadas acabam sucumbindo e consequentemente seus descendentes, finalizando assim sua linhagem.

Fonte: montagem feita com base em http://www.yachtsanjose.com

Darwinismo Social dentro da Teoria Evolutiva A partir dessa linha de raciocínio, surge o Darwinismo Social, um estudo que nasceu por volta dos séculos XIX e XX, que tentava elaborar uma explicação entre as diferenças raciais. Embora tenha o nome derivado do cientista Charles Darwin, essa teoria não possui elos com o autor, de modo que apenas se utiliza de sua pesquisa como fio condutor para justificar a falsa superioridade de alguns povos perante outros. Essas concepções se inserem em um ramo sociológico, sendo ele mutável em função do tempo. Difere-se, portanto, da Teoria Evolutiva, pois, como concebida originalmente, essa teoria se estabelece como um ramo biológico que analisa o desenvolvimento dos seres individualmente e seus fundamentos essenciais à vida, sendo esses fa-


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O Darwinismo Social como um dos alicerces do Nazismo

Racismo Científico Como se já não bastasse a tentativa dos darwinistas sociais de distorcer a teoria evolutiva de Darwin, com o objetivo de trazer uma pesquisa de base biológica para o meio social, surgiu o racismo científico, tentando ratificar tudo isso através de pesquisas científicas. Para se introduzir esta questão, é interessante refletir sobre o conceito de raça. O significado da expressão “raça” envolve inúmeras questões sociais, políticas e históricas, e influenciou diversas concepções ideológicas, sendo utilizada para justificar preconceitos, desigualdades sociais e genocídios. Atualmente, de acordo com o Dicionário Aurélio, o termo significa uma categorização que pretende classificar os seres humanos, pautando-se em caracteres físicos e hereditários. Porém esse conceito passou a ser utilizado a partir dos séculos XVI e XVII com o objetivo de classificar os seres humanos em “bons” ou “ruins”, a partir de concepções biológicas. A palavra vem do latim radio, que significa “categoria” e “espécie”, e do italiano razza, representando “linhagem”, “descendên-

Esquema de funcionamento de hidrelétrica típica

tores dificilmente mutáveis. Por outro lado, em linhas gerais, os darwinistas sociais pretendiam, por meio de estudos e pesquisas insustentáveis , justificar a superioridade branca-europeia sobre as demais etnias e populações, com base na Teoria Evolutiva, alegando que negros e outros povos não haviam evoluído o suficiente socialmente, tornando-se humanos “inferiores” e até mesmo “primitivos” por sua determinação biológica. A comunidade científica responsável pela elaboração deste estudo não considerava as dificuldades enfrentadas pelas populações africanas, como diferenças sociais ou econômicas, por exemplo. Para eles, esses fatores não influenciavam no desenvolvimento moral da etnia. Acreditavam assim que, apenas por conta da distinção racial, estas etnias nasciam “ínferiores” e “incapazes”. Portanto argumentamos que tais conceitos podem ter ajudado na formação de outras ideologias, como o nazismo, possuindo até hoje grande influência na luta entre grupos e manifestações de preconceito.

Fonte: http://historywallcharts.eu/view/the-five-races-of-mankind

cia”. Entretanto, distanciando-se do âmbito biológico, o termo acabou se tornando uma qualidade social que envolve valores, ética e papéis sociais. No século XIX, cientistas europeus desenvolveram teorias baseadas em pesquisas e estudos biológicos - como a frenologia - para justificar uma superioridade de raças ditas como “puras”. O médico cirurgião Robert Knox (1791-1862) se destacou por iniciar seus estudos de esqueletos, cadáveres e, sobretudo, o estudo de crânios na Inglaterra, em uma tentativa de criar bases científicas de um novo Racismo Científico. A ideia era de que negros e/ou raças que não fossem de origem europeia não se tornariam civilizadas e que as chamadas “raças superiores” deveriam dominar as “inferiores”, mediante um processo considerado natural. Em meados dos anos 1820, Knox teve sua carreira na medicina arruinada, sendo acusado de roubo de cadáveres. Tal crime era comum naquela época por conta de a igreja condenar o estudo de cadáveres, o que não permitia que os anatomistas fizessem suas pesquisas. Knox comprava ess corpos de dois assassinos, que, ao serem descobertos, o denunciaram, fazendo com que o médico não pudesse mais exercer sua profissão. Contudo, em 1840, ele volta ao quadro do racismo científico publicando The Races of Men: a fragment (As Raças do Homem: Uma Fragmentação). O livro apresenta citações nas quais, claramente, ele defende suas ideias: “.... As raças negras podem ser civilizadas? Eu devo dizer que não (...) A raça saxônica jamais as tolerará, jamais se miscigenarão e jamais viverão em paz. É uma guerra de extermínio...”. Ao se posicionar sobre a miscigenação de raças, Robert se apropria de hipóteses e técnicas científicas para justificar sua crença no racismo. Defende a importância das categorias raciais e de uma hierarquia de raças superiores e inferiores a partir de seus estudos do corpo humano. Um dos desdobramentos mais importantes dessas pesquisas pseudocientíficas foi a Eugenia.


40 Eugenia A eugenia é um fato histórico que foi a base para algumas ideologias confusas e até mesmo assustadoras desenvolvidas pelo homem ao longo da história. Para entendê-la, é preciso compreender também seu contexto histórico, próprio do século XVIII, na Inglaterra, onde Francis Galton – primo de Charles Darwin – um apaixonado pela hereditariedade biológica, pensou em usar a teoria evolutiva nas pessoas para “fabricar” humanos melhores, aprimorando a sociedade. Este sistema ganhou a denominação de Eugenia: classificar pessoas como aptas ou inaptas para a reprodução. No século XIX, essa teoria se manifestou, principalmente, nos EUA durante a revolução industrial, quando o país recebeu uma massa de imigrantes camponeses que, quando não rejeitados e mandados de volta para seus países, caíam em um estado de miséria e iam morar nas favelas ou cortiços das grandes cidades, formando o subúrbio norte ame-

Fonte: https://medium.com

ricano. Para a alta sociedade, o problema estava nessas pessoas pobres e em sua miscigenação, porque eram consideradas inferiores e poderiam se misturar com os nativos estadunidenses, manchando assim a pureza da população norte americana. Segundo Daniel Kevles, historiador da ciência da Universidade de Yale, isso acontecia porque os Estados Unidos pareciam estar se ‘degenerando’. Entretanto o conceito de Galton referia-se apenas a favorecer a reprodução de gênios. No século XIX, a esterilização foi realizada em aproximadamente 70 mil pessoas nos Estados Unidos, onde o direito de reprodução de pessoas consideradas “imbecis” ou, ainda, “débeis mentais” foi removido. Além disso, portadores de doenças também eram considerados seres de risco para a sociedade. Para o poder legislativo do país, não esterilizar estas pessoas poderia ser algo irresponsável. Pode-se afirmar que a aplicação dos princípios da eugenia resultaram em um processo de limpeza étnica nos Estados Unidos que tinha a finalidade de criar uma raça

branca e “pura” através da utilização de um discurso “científico”. Pois o processo era impulsionado por um programa de esterilização de pessoas que não fossem brancas e/ou norte americanas. Essas ações eram apoiadas por uma “rede eugênica”, baseada no trabalho de alguns cientistas de universidades renomadas (Yale, Harvard, etc.), e sustentadas por instituições, como departamentos de agricultura e inúmeros órgãos governamentais, todos empenhados na criação de uma raça superior que eliminasse as demais. Nos anos 1930, a esterilização virou lei, o que difundiu sua prática em enorme proporção. Em alguns estados, como a Virgínia, o ato aconteceu até 1979. Contudo, é importante evidenciar que os pensamentos eugênicos eram praticados por toda a Europa e também na América Sul, sendo tão difusos a ponto de chegarem ao senso comum dessas populações. No Brasil, temos o exemplo da Teoria do Branqueamento da População, cujo processo visava à miscigenação de povos negros com


O Darwinismo Social como um dos alicerces do Nazismo

povos brancos, trazendo grandes quantidades de imigrantes do sul da Europa, no intuito de trazer o progresso para a sociedade brasileira. Estes atos racistas consistiam em eliminar a raça não pura, pois se acreditava que, com o tempo, os descendentes dos escravos africanos iriam adquirir a pele branca. Além do mais, os parlamentares da época foram fortemente influenciados por tal ideologia, que foi muito propagada pelo país, levando à formulação da Constituição de 1934 baseada na superioridade intelectual branca. Apesar de contraditória, a ponto de garantir o ensino primário com gratuidade a todos os habitantes brasileiros, o Art. 138 da mesma constituição limitava o acesso aos negros, mulatos e deficientes referente à educação, afirmando que as instituições não resolveriam o problema da raça, insinuando que os mesmos serião inferiores. No texto integral da lei, essa noção é expressa conforme imagem abaixo.

Ao analisar os aspectos da eugenia construídos no século XX, concluiu-se que sua função é limitar ou estimular a reprodução humana, (...) até prevenir doenças ou melhorar características físicas e mentais (M. Denise Lilian; A. S. Emília Luigia). Ao inserir ações neste âmbito, surgiu a discriminação e eliminação de milhões de inocentes ao redor do mundo, que tiveram de alguma forma seus direitos – de reprodução e, até mesmo, de vida - retirados por serem vistos como seres inferiores pelos colaboradores da difusão eugênica. A eugenia se tornou hedionda por sua conexão com o regime de Hitler, especialmente após a Segunda Guerra, quando sua cumplicidade com as mortes nos campos de concentração foi revelada. Não se deve esquecer que a ideia de Eugenia foi apropriada pelo Partido Nazista alemão e se tornou um dos fundamentos mais importantes para uma das maiores tragédias da história da humanidade – o Holocausto. Na medida em que a eugenia desenvolvia uma repercussão negativa, a compreensão da genética associada à teoria eugênica começa a

41 entrar em descrença . Novas concepções científicas no campo biológico passam a divergir das teses racistas e eugênicas, fazendo com que tais compreensões, cada vez mais, deixem de ter valor no âmbito científico.

Pode-se verificar que os discursos “científicos” dos estudiosos do Darwinismo Social se desdobraram em ações políticas racistas


42 Os Discursos Ideológicos disso, os diversos pontos de vista, a teoria eugênica foi utilizada pedentro da Concepção Alemã por serem parciais, carregam junto los nazistas para fundamentar a O descrédito científico da tese racista desenvolvida com o passar do tempo evidenciou sua identificação enquanto discurso ideológico. Isto significa que, ao pretender inferiorizar povos de etnias não europeias, alegando a existência de uma raça mais evoluída do que outra, na verdade, está se defendendo uma tese racista. Essa defesa se dá não de modo explícito, mas através de uma posição política de dominação de certos grupos perante outros. Ou seja, por trás destas teses “científicas” se escondem interesses sociais de cunho político e econômico. Neste sentido, o discurso ideológico da superioridade racial acaba atuando como “falsa consciência”, visto que suas ideias propagam valores que distorcem o real, naturalizando situações de preconceito e opressão. Os limites entre ciência e ideologia não são claros, portanto é importante fazer algumas considerações a esse respeito. A ciência visa a produzir explicações sobre o real, por conta disso, não pretende simplesmente criar uma verdade, mas, sim, encontrá-la. Ou seja, a medida da verdade é o alcance do real. Ainda que a ideologia também pretenda explicar o real, ela se move no plano dos valores, que está ligado às formas de ver o mundo. As visões de mundo não são neutras, pois partem de um ponto de vista. Além

aos valores seus interesses igualmente parciais. Desta forma, a produção do conhecimento que esteja pautada, sobretudo, pela ideologia coloca valores e interesses parciais no meio do caminho para o alcance explicativo do real. Mesmo que a ciência não consiga se desfazer completamente da ideologia, tendo em vista que o cientista carrega a parcialidade do seu ponto de vista ao fazer a atividade científica, existe uma diferença importante entre discurso científico e discurso ideológico. No caso deste último, a defesa de certos interesses e valores está à frente da preocupação com a verdade. Nesse sentido, pode-se verificar que os discursos “científicos” dos estudiosos do Darwinismo Social se desdobraram em ações políticas racistas comprometidas com determinados interesses sociais de cunho político e econômico. A confusão entre discurso científico, ideológico e político tem resultados dramáticos. Por exemplo, na Alemanha nazista, os campos de extermínio eram entendidos como um espaço de “correção para o avanço da sociedade”. A ideologia nazista se baseava na compreensão da raça ariana como superior a todas as demais, fundamentando-se no discurso eugênico. Segundo representantes do nazismo, a Alemanha deveria ser a expressão pura da raça ariana, portanto, a purificação racial correspondia ao caminho da unificação nacional da Alemanha e do desenvolvimento político e econômico da nação. A partir de 1920,

Fonte: montagem feita com base na foto de AS400 DB—Corbis

ideia de que aquelas pessoas que não se enquadravam na categoria de arianos eram um problema para a consolidação da Alemanha. Após a derrota na Primeira Grande Guerra, uma grande crise afundou a Alemanha, em que a população se encontrava com seu nacionalismo decaído e inferiorizado. Isso gerou desespero entre os habitantes do país. Desolada pela guerra perdida, pela crise e pela Grande Depressão de 1929, a população se encantou com os discursos de Adolf Hitler – um líder político que prometia salvar a nação - que se referiam às mudanças para a ascensão da nacionalidade alemã. Aproveitando-se de uma nação praticamente destruída, Hitler promoveu o ideal, de que para a Alemanha ressurgir como potência, seria necessário conduzi-la à posição de potência militar no continente europeu. Para isso, tratava-se de investir no crescimento industrial, sobretudo na indústria militar, e de vingar os acontecimentos da Primeira Guerra. Em 1933, Hitler se tornou chanceler, levando assim o Nazismo ao poder, intensificando os princípios do Nazismo como política de estado. Isso significou o aumento das perseguições às minorias. Dessa maneira, as práticas exacerbadas de esterilização se viram em uma nova realidade, pois estava contemplada neste processo: uma série de atentados genocidas na Alemanha que eliminava ciganos, homossexuais, negros e, principalmente, judeus.


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O Darwinismo Social como um dos alicerces do Nazismo

Por que o Judeu? Exterminar os judeus sempre foi um dos planos de Adolf Hitler, embora a escolha de exterminar os povos não arianos referia-se a manter a superioridade alemã sobre outras populações. Na antiguidade, a prática judaica era vista como seguidora do profano diante da concepção do bem e do mal. Logo, os adeptos da religião eram denominados como agentes da propagação do pecado. Do mesmo modo, o antissemitismo (preconceito com praticantes do judaísmo) se encontra pela primeira vez na ideia de que a religião e seus adeptos foram os responsáveis pela rejeição de Jesus Cristo, o que denominava os fiéis como traidores. Este conceito foi desenvolvido pela igreja católica ao longo da idade média. Em 1215, foi confirmada a condenação dos judeus e a integração com católicos foi proibida. Não lhes eram permitidos cargos administrativos ou empregos relacionados à agricultura e corporações. Isso se deu porque os judeus eram vistos como “manipuladores das finanças do mundo”. Antes que o Estado de Israel

fosse criado, os praticantes do judaísmo concentravam-se no comércio, uma vez que mudavam muito de região e esta área de trabalho era mais fácil de recomeçar em caso de alteração de localidade. Com isso, o povo judeu adquiriu patrimônios ao longo do tempo, o que foi considerado nocivo, excepcionalmente após a Grande Depressão de 1929, quando a Alemanha enfrentava as dificuldades da crise e da derrota na Primeira Guerra Mundial. O preconceito, muitas vezes apresentado como ciência, ocasionou mais de 6 milhões de mortes, revelando-se como um dos piores massacres da história: o Holocausto. Contudo, antes do extermínio, houve uma desumanização das minorias através do uso massivo das propagandas, que induziam uma perspectiva de inferioridade contra os judeus. A partir daí, o povo judeu perdeu seus direitos; foram expulsos de suas casas e isolados em campos de concentração, antes de serem enviadas para os campos de extermínio para serem tratados de forma desumana, sendo escravizados e mortos em câmaras de gás, fuzilados, ou, ainda, vítimas de experimentos fisiológicos e torturas. O horror do Holocausto é um exemplo extremo do quanto esses estudos racistas puderam influenciar na formação da ideologia e na prática política nazista. Atualmente o Holocausto é um fato histórico que deve sempre ser lembrado para que jamais voltemos a repeti-lo.

Bibliografia COTEZ, Campos de. Fernando. O Darwinismo Social na Influência da Eficácia dos Direitos e Garantias. Sorocaba, 2005. GOÉS, Weber Lopes. “Racismo, eugenia no pensamento conservador brasileiro”. Dissertação (Dissertação em Ciências Sociais) - Unesp. Marília, 2005. LANG-STANTON, P., JACKSON, S. Eugenia: como movimento para criar seres humanos ‘melhores’ nos EUA influenciou Hitler. BBC Brasil, 2017. M. Denise Lilian; A. S. Emília Luigia. Eugenia Negativa e Positiva: Significados e Contradições. Seleção Genética, 2014.


REVISTA UNIVERSO INTERDISCIPLINAR Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo NÚMERO 01 Periodicidade: Especial Tiragem: 200 exemplares Ano: I - 2017 Revista de divulgação dos artigos produzidos no âmbito do Projeto Integrador do 1° Ano do Curso Técnico em Logística Integrado ao Ensino Médio – 2017 IFSP – Câmpus Avançado Jundiaí

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APOIO FINANCEIRO / SEMANA NACIONAL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA – 2017


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Universo Interdisciplinar 2017  

A revista Universo Interdisciplinar é um projeto elaborado pela equipe de docentes e técnico-administrativos, e produzido pelos alunos do 1°...

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