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Boletim do CampusSanto Amaro Informa vo do IFBA - Ins?tuto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia

Agosto de 2014 - Ano 7, Nº 1

50 anos do golpe civil-militar: uma lembrança necessária

Em 2014 tem se avolumado as discussões em torno dos cinquenta anos da derrubada do então presidente constitucional do Brasil, João Goulart, na madrugada de 31 de março para 1º de abril de 1964. Jango, como era apelidado, fora afastado por um golpe civil-militar que vinha sendo tramado, segundo alguns autores, pelo menos desde 1961. O presidente ferira interesses das elites econômicas do país, já que planejava executar as reformas de base, naquele momento já encaminhadas. Entre estas, a reforma agrária, ponto central das indisposições da elite. O discurso dos que queriam a derrubada de Goulart era marcado pelo forte anticomunismo, tendência recorrente em tempos de Guerra fria. As propostas reformistas do presidente eram apontadas pelos conservadores como evidências do desejo de

Estudantes em destaque

construção de uma república socialista, cuja referência mais próxima era Cuba. Os jornais integravam o coro e as notícias de que o governo estava infestado de agentes do comunismo internacional permeavam os textos jornalísticos. Na Bahia, jornais de grande circulação como o A Tarde e o Diário de Notícias ecoavam, às vésperas do golpe, a propaganda anti-Goulart. A campanha contava com o apoio de parte da classe média e do acompanhamento ativo de representantes do governo dos Estados Unidos, país que oferecera, inclusive, suporte militar no caso de uma resistência de Jango, tendo disponibilizado sua poderosa “Frota do Caribe”, caso houvesse dificuldades de se implementar o golpe (Operação Brother Sam). Os primeiros “Inquéritos Policiais-Militares” foram abertos já no mês de abril de 1964, com o ato institucional nº 1 (AI-1). Na Bahia, políticos e intelectuais progressistas seriam detidos já neste momento. Milton Santos (geógrafo), Pedral Sampaio (Prefeito de Vitória da Conquista), Sebastião Nery (jornalista) foram alguns destes baianos presos.A acusação que recaía sobre estes e outros tantos brasileiros era a mesma: participação em atividades subversivas. Na UFBA, uma Comissão foi formada no início do mês seguinte deste período para fazer valer a perseguição aos considerados ”subversivos”, atendendo a uma circular do Ministério da Educação.

Pesquisa

Extensão Em Ação 1


O medo se impunha e o clima era de caça às bruxas. Os movimentos sociais, que até ali pressionavam para a execução das reformas, iam se sufocando diante da repressão crescente. Na militância contra a ditadura, as opções iam tornando-se difíceis. A resistência armada tornara-se uma delas. No campo e na cidade, organizaram-se grupos que lutariam de forma armada contra o governo militar, principalmente após 1968, quando viria o golpe mais duro do regime: o AI-5. Várias organizações de esquerda começaram a ser formadas e realizar treinamentos e ações de enfrentamento guerrilheiro: Ação Popular (AP), Política Operária (POLOP), Aliança Libertadora Nacional (ALN), Vanguarda Armada Revolucionária —Palmares (VAR-Palmares), entre outras. Desta última, participava uma jovem militante que se tornaria, quarenta anos depois, presidenta da República. Variavam as siglas e, por vezes, as teorias às quais se filiavam. Em comum, o desejo de derrubar a ditadura. No campo das artes, a perseguição também crescia. Instituiu-se a censura e várias obras foram proibidas de circular, caso apontassem em alguma direção política que indicasse crítica ao regime. Músicos como Caetano Veloso e Gilberto Gil, ambos baianos e criadores do movimento artístico conhecido como Tropicália, foram presos e, posteriormente, exilaram-se na Inglaterra. Artistas engajados compunham músicas, através de metáforas, que aludissem a uma reflexão sobre a situação pela qual o Brasil passava. Músicas, censuradas à época, passariam a ser consideradas hinos contra a ditadura. Chico Buarque cantaria “amanhã vai ser outro dia” em Apesar de Você, em 1970. Na representatividade desta música, a qual só seria liberada oito anos depois de seu lançamento, a esperança do artista emergia: “Quando chegar o momento, esse meu sofrimento vou cobrar com juros, juro”, anunciava o compositor. Durante os vinte e um anos de governo militar, um

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número até hoje não definido de pessoas foram presas, torturadas e/ou assassinadas. Muitas tiveram que se exilar. Muitas perderam seus empregos. Sob a prerrogativa do Estado, agentes públicos acompanharam, sistematicamente, os passos de um grande número de pessoas. Alguns dos detidos jamais seriam de novo localizados. Só em 1985, o poder político fora reconduzido aos civis. Três anos mais tarde, viria uma nova Constituição que nascia com o propósito de enterrar o ”entulho autoritário” deixado pela experiência da ditadura. Cinquenta anos depois daquele golpe, a lembrança é a estratégia para reconhecer possíveis permanências de um modelo autoritário de condução da política, e de, tomando a busca pela democracia como um exercício constante, buscar superações. Oportunidade de refletir ainda que a formalização legal de um modelo democrático precisa ser acompanhada de práticas efetivamente inclusivas e populares e que estejam dispostas a desafiar os limites impostos por um modelo de democracia burguesa. Além disso, a urgência pelo esclarecimento de fatos ocorridos durante o período do regime ditatorial nos impõe a necessidade de fortalecer e ampliar os trabalhos da Comissão da Verdade que, apesar de tardiamente, executa uma função fundamental. De entendermos de que maneira nos consolidamos enquanto sociedade política e dos desafios que outros brasileiros tiveram que enfrentar para restabelecer, ainda que com sérios limites, as instituições vinculadas ao exercício democrático. E de estarmos atentos e dispostos a combater qualquer investida pelo resgate de signos que sugiram retroceder a modelos autoritários. A lembrança é estratégia para que não se repita. E nesta caminhada, a História é parceira fundamental. Bruno Moreira Professor de História do IFBA Campus Santo Amaro. Mestre em História Social do Brasil pela UFBA


Boas Vindas! O IFBA Campus Santo Amaro dá as Boas Vindas a todos para o início do ano letivo de 2014. De braços abertos, recebemos os calouros e acolhemos os veteranos, como também os servidores. Contamos com todos para fazermos o Campus crescer e realizar sua missão, qual seja, formar cidadãos histórico-críticos e participativos. Estamos em uma Instituição com 100 anos de tradição, identificada pela qualidade do ensino, característica que devemos conservar, valorizar e aperfeiçoar. Para tanto, a colaboração de cada um é fundamental. Sendo a Educação um direito e um bem da comunidade, desejamos aos que aqui estão que aproveitem todos os benefícios do IFBA. Para isso busquem conhecer a instituição, compreendendo a estrutura organizacional (os diversos setores), os documentos, leis e regimentos (PDI, PPI, Regimento interno, Manual do aluno). São usadas muitas siglas, mas em pouco tempo serão rapidamente identificadas. Com oito anos de existência, o Campus Santo Amaro tem como estrutura organizacional a Direção Geral professor Marcos Andrade; o DEPEN (Departamento de Ensino), sob a chefia da professora Andréa Amazonas e o DEPAD (Departamento

Administrativo), sob a chefia de Marcos Cícero. Fique atento à COTEP (Coordenação Técnico Pedagógica), setor formado por pedagogas, psicóloga e assistentes sociais, no qual o estudante pode ter assistência e orientações psicopedagógicas, como também se inteirar sobre programas e bolsas de assistência estudantil. A CORES é o setor de registros escolares. Conheça também às Coordenações de Estágio, de Pesquisa, de Extensão e de Comunicação. Acessem o site www.santoamaro.ifba.edu.br para obter mais informações sobre os cursos, setores e notícias “fresquinhas” de editais de seleção para bolsas, de informes institucionais e cursos. Navegue pelo menu Estudante e se inteire sobre orientações, dicas de estágio e documentos. Acompanhe a página SANTO AMARO OFICIAL no Facebook e o Twitter @ifbasantoamaro, participe do Grêmio Estudantil, organização que representa os estudantes, e conta com contribuição de todos vocês. Assim, aproveite ao máximo o IFBA, tenha foco, objetivo e humor para, vencer os obstáculos, se divertir e se deliciar com a aprendizagem, as aventuras e descobertas. SEJAM BEM VIDOS!!!

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Estudantes em destaque

Foto: Arquivo pessoal

Pingue-Pongue com Luis Gustavo Luis Gustavo, estudante da Licenciatura em Computação, do Campus Santo Amaro, e bolsista do Programa de Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência —PIBID, contou em um bate-bola, um pouco sobre os jogos desenvolvidos no Campus e suas características.

facilitar a aprendizagem de conteúdos específicos através da ludicidade intrínseca do brincar. B - Como funcionam os jogos? LG - Todos os jogos foram desenvolvidos com a ferramenta Adobe Flash, assim eles podem ser executados em qualquer sistema operacional que possua um browser com o plugin do Flash, componente que permite a execução desses arquivos através do navegador. B - Outros estudantes participam do projetos?

Boletim - Quando começou a desenvolvimento de jogos no Campus? Luis Gustavo - O Jogo ”Desenvolvimento Sustentável: Um desafio para todos” foi o responsável pelo início da produção de jogos no campus. O game surgiu no projeto de extensão 'Aprendendo e Desenvolvendo Jogos: Relação entre a Escola e a Comunidade' referente ao Edital PROEX - 2011.1.

LG - Andreia Pinheiro, desenvolvedora de dois jogos citados. Estudantes do integrado também fazem parte do grupo e o aluno Almir Vinícius auxiliou na criação do primeiro jogo sobre Desenvolvimento Sustentável. B - Os jogos estão disponíveis em algum site? LG - Apenas um dos jogos, o Eu, Passarinho, para o ensino de classes gramaticais, está disponível, em sua versão beta, no site: www.grudejogos.net63.net.

B - Quais jogos foram desenvolvidos posteriormente? LG - Foram desenvolvidos o ”Jantar dos Filósofos” e ”Eu passarinho”, ambos com a parceria de Andréia Pinheiro. ”Jantar dos Filósofos” visa ao ensino de Recorrência e Processos, o projeto teve a orientação do Professor Joacir Ferreira. Já ”Eu, passarinho” sob a orientação da Professora Adriana Vieira, faz parte das atividades dentro do Grupo de Estudos e Desenvolvimento de Jogos Eletrônicos (GRUDE Jogos), organizado pelos próprios estudantes. B - Qual o objetivo dos jogos desenvolvidos? LG - Os jogos desenvolvidos no campus são jogos educativos. Desse modo são jogos que se propõem a

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Luis Gustavo com Fernando Moreira no IX Seminário de Jogos Eletrônico realizado na Uneb


Pesquisa em Foco Sete anos de pesquisa em Santo Amaro Os projetos de pesquisa contam com o apoio financeiro das principais agências de fomento do país e do Estado, como o CNPQ e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB), e do Fundo de Pesquisa e Desenvolvimento do IFBA (FUNPED).

Fundado há oito anos, o IFBA Campus Santo Amaro tem atuado em diversos setores da sociedade, elaborando projetos que visam ao crescimento social, cultural e econômico de Santo Amaro e das cidades circunvizinhas. Pesquisas desenvolvidas por professores e estudantes com o apoio da Coordenação de Pesquisa são responsáveis por muitos projetos que visam à melhor qualidade de vida e à produção de conhecimento cientifico. Com oito linhas de pesquisa em diversas vertentes da tecnologia, cultura, educação e meio ambiente, o Campus tem se destacado em eventos acadêmicos do país, com apresentações de artigos e protótipos, que buscam discutir problemas atuais da sociedade e sugerir novos caminhos para o desenvolvimento. Atualmente, a instituição possui dois grupos de pesquisa cadastrados no Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPQ), onde atuam cerca de 26 professores e 17 estudantes. O Grupo Interdisciplinar em Filosofia e Ciências Humanas (GIP-FCH) concentra as linhas que desenvolvem pesquisas no campo da educação, cultura e sociedade, e o Grupo de Informática Aplicada (GIP) reuni as linhas no âmbito tecnológico.

Um exemplo da inserção do Campus no cenário da pesquisa regional e nacional, é o Kit de Realidade Aumentada (RA). Concebido por meio de conversas e reuniões com estudantes, o projeto que tem como objetivo principal auxiliar o ensino da química em escolas públicas, propiciou a aproximação do Campus das escolas do município de Santo Amaro. O projeto, que já está em fase de implantação, realiza simulações de misturas de compostos químicos em 3D para facilitar o aprendizado. Segundo Adriana Vieira, coordenadora de pesquisa do Campus, “os resultados obtidos são significativos para o Campus e para as escolas da comunidade santamarense, inclusive aquelas que carecem de laboratórios para realizarem experiências ou simulações”. O projeto possui diversas publicações em eventos e mostras tecnológicas de todo o país. Em relação ao crescimento da pesquisa desenvolvida no Campus, Adriana Vieira salienta, “A pesquisa está crescendo! É difícil quebrar tradições provenientes do ensino tecnocrata. A coordenação possui diversos desafios, sendo que os principais deles estão em: ampliar o número de bolsas financiadas com recursos próprios do Campus; expandir e divulgar a pesquisa entre os estudantes e pesquisadores das modalidades PROEJA, subsequente e superior.” Para mais informações sobre as pesquisas desenvolvidas no Campus e como participar dos grupos, acessem www.santoamaro.ifba.edu.br

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Extensão em ação Experiências Inovadoras Bruno Moreira. O projeto aconteceu no Teatro D. Canô, que teve como objetivo promover o entretenimento, como também potencializar a capacidade crítica, através de debates com o público e convidados, após cada sessão.

A comunidade do Campus Santo Amaro desenvolve muitas experiências inspiradoras. Inspiradoras porque estimulam, incentivam e promovem a criatividade. Os estudantes e professores, em parceria, agitam o Campus desenvolvendo pesquisa, extensão, arte e lazer.

Para Jurema Castro, coordenadora de extensão, as ações extensionistas significa uma oportunidade de fortalecer a parceria entre a Instituição, a comunidade estudantil e a comunidade externa.

Os estudantes são participantes assíduos nas olimpíadas de matemática e química. Tem participação significativa em eventos como o CONNEPI e a SBPC e já foram premiados em diversas edições do concurso Ideias Inovadoras. O IFBarte, evento promovido pelos próprios estudantes, a cada edição fica melhor, vem se aperfeiçoando e surpreendendo, com a revelação de potenciais artísticos e com tanta criatividade.

Essas são apenas algumas das muitas experiências inspiradoras, que estimulam estudantes e professores a acreditarem em suas potencialidades e nas suas possibilidades de realização. Inspire-se, e acredite no seu potencial.

No ano letivo de 2013, alunos foram premiados na categoria Nordeste, no 2º Concurso de Curta Documentário sobre a Lei Maria da Penha, com o vídeo Mulheres, Reajam!. O concurso teve como tema: “Violência contra a mulher, o que você tem a ver com isso? Grave um vídeo. Compartilhe com o mundo!”. Foi também realizado o I Cinema no IFBA (I CINIF), projeto idealizado pela Coordenação de Extensão em parceria com o Grêmio Estudantil e apoio do professor Foto cedidas pela Coordenação de Extensão

Participe da próxima edição Envie sugestões de pauta e produções próprias para comunicacaoifba.stoamaro@gmail.com

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Reitora Aurina Santana

Projeto Gráfico Laís Andrade / Tamires Lima

Tiragem: 200 - Circulação Campus de Santo Amaro Periodicidade: Bimensal- Impressão: CEGRAF

Diretor Geral do Campus Santo Amaro Marcos Andrade

Diagramação Alissandro Lima

1ª Travessa São José, s/n - Bonfim - CEP: 44.200-000 Santo Amaro - Bahia. Tel: (55) 75 3241-0670

Coordenadora de Comunicação do Campus Santo Amaro Soraia Brito Estagiário Alissandro Lima

Revisão Soraia Brito / Alissandro Lima

www.santoamaro.ifba.edu.br|comunicacao-samaro@ifba.edu.br

Coordenação de Comunicação

BAHIA

Ministério da Educação

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Edição: agosto de 2014. Ano 7, n° 1.