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revista Ano 9 | nº 45 | Outubro/Novembro de 2012

Ex-ministro José Carlos Carvalho faz palestra sobre sustentabilidade Monitoramento do desenvolvimento sustentável, por José Eli da Veiga Investimentos em ganho de produtividade: chave para a expansão da atividade produtiva

CNI valoriza a inovação

e a sustentabilidade como motores do desenvolvimento Robson Braga de Andrade Presidente da CNI

Confira encarte com a programação de cursos de curta duração do Ietec Revista IETEC | Ano 9 | Outubro/Novembro de 2012

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Revista IETEC | Ano 9 | Outubro/Novembro de 2012


Opinião

Capa

Curtas

Cenário

Capacitação

• 25 anos de liberdade por Ronaldo Gusmão

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• Techoje, uma revista de opinião

• Sua empresa controla adequadamente custos e orçamentos? por Ítalo Coutinho

7 • Produtividade nas empresas: como medir a contribuição dos investimentos em TI? por Antônio de Pádua

12 • Inovação e competitividade por José Henrique Diniz

17 • Dilema da rota aos “ODS” por José Eli da Veiga

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Aconteceu no IETEC • IETEC organiza chat no portal Gestão de Projetos Brasil • Ecodesign é tema de workshop • Sankyu capacita seus colaboradores • Copa do Mundo é oportunidade única para profissionais e empresas

• Ex-Ministro José Carlos Carvalho dá início às comemorações pelos 25 anos do IETEC

10 e 11 • Produtividade é palavrachave no atual cenário econômico

20 • Inovação e sustentabilidade como matrizes do desenvolvimento

Conhecimento aplicado Luiz Eduardo Lopes Gonçalves

8e9

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18 e 19 • IETEC: 25 anos

Cursos nas áreas de: • Gestão de projetos • Gestão e tecnologia da informação • Responsabilidade social • Gestão e tecnologia industrial • Gestão da inovação • Meio ambiente • Manutenção • Mineração

13 a 16

24 e 25

Expediente PRESIDENTE | Ronaldo Gusmão DIRETORIA | Diretor Geral: Mauri Fortes / Diretor de Marketing: Paulo Emílio Vaz Diretor de Produto: José Ignácio Villela Jr. / Diretora de Ensino: Wanyr Romero Ferreira COORDENAÇÕES | Administrativo-Financeiro: Sérgio Ferreira / Administrativo: Marcelo Pereira / Comunicação e Gestão Integrada: Gislene Perona / Ensino: Fernanda Braga / EAD e Pedagógica: Juliana Mendonça / Financeiro: Dayanne Pereira / Mídia Digital: Raquel Souza / Sistemas de Informação: Glauber Vieira / Talentos Humanos: Silmara Pereira / Treinamento: Vivian Prado / Vendas: Sheyla Matos, Viviane Pereira e Ana Flávia Resende COORDENAÇÕES TÉCNICAS | Gestão de Energia: Carlos Gutemberg / Gestão de Projetos: Ivo Michalick / Inovação e Criatividade: José Henrique Diniz / Manutenção: José Henrique Egídio / Meio Ambiente: Ruthe Novaes / Mineração: Aline Nunes / Qualidade: Pedro Paulo de Oliveira Melo / Responsabilidade Social: Helena Queiroz / Sistemas Industriais: José Ignácio Villela Jr. / Sustentabilidade: Antônio Claret Oliveira / Tecnologia da Informação: Alexandra Hütner / Telecomunicações: Hudson Ribeiro COORDENAÇÕES DE CURSO | Engenharia de Planejamento: Ítalo Coutinho / Engenharia de Software: Fernando Zaidan / Gestão de Negócios: Wilson Leal Gestão de Projetos: Clênio Senra e João Carlos Boyadjian / Tecnologia da Informação: Antônio de Pádua Pereira REVISTA IETEC | Projeto Gráfico: G30 MKT e COM / Diagramação: Tatiane Coeli Jornalista Responsável: Harley Pinto (09013/MG) / Impressão: Paulinelli / Foto da Capa: Miguel Ângelo e José Paulo Lacerda

Redes Sociais: www.twitter.com/ietec www.twitter.com/ietecprojetos www.twitter.com/ecolatina

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Comentários, sugestões e anúncios: comunicacao@ietec.com.br

Todas as matérias e artigos estão disponíveis no site: www.techoje.com.br

Tiragem: 25.000 exemplares | Periodicidade bimestral | Distribuição gratuita Revista IETEC | Ano 9 | Outubro/Novembro de 2012

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25 anos de liberdade Em 1987 instalava-se no Brasil a Assembléia Nacional Constituinte, e nascia o IETEC. Imaginem que nossa democracia só tem 25 anos. Imaginem que praticamente não tínhamos liberdade. Imaginem 10 antes, em 1977, estávamos em plena ditadura militar. Nessa época, só podíamos mesmo imaginar, pois expressar uma opinião poderia ser encarado como um ato subversivo, que poderia – e seria – julgado por um “guardinha da esquina”. Hoje, posso expressar neste texto qualquer opinião, por mais subversiva que seja, e não serei julgado por nenhum guarda de esquina, no máximo poderei ser julgado pelo Superior Tribunal Federal, com direito a ampla defesa, como estamos vivenciando neste momento. Temos o dever de dar o devido crédito à liberdade que temos hoje, e transmitir àqueles que já nasceram num regime democrático este valor. Mas será que realmente há liberdade para todos os brasileiros? Ou este deverá ser nosso próximo passo, “dar” a todos o direito à liberdade, de fato, na prática? Imaginem conviver diariamente com uma inflação de 2%, ao dia. 2%, literalmente. Temos que valorizar nossa maioridade econômica, conseguida com muito sacrifício, após inúmeros planos econômicos mal sucedidos, confiscos e fiscais de presidentes. Esta realidade tem que ser compreendida pelos mais jovens, por aqueles que não conseguem sequer imaginar tal cenário. E estou falando aqui dos integrantes da Geração Y. A liberdade que os brasileiros possuem atualmente foi conseguida a duras penas. Entendo esta liberdade como a base para a sustentabilidade contemporânea. E divido essa liberdade em dois tripés: um material e outro imaterial. O material – e que compõe a sustentabilidade como a entendemos – é composto pelos pilares econômico, social e ambiental. Já o imaterial possui por vértices a espiritualidade, a cultura e o institucional. No Brasil pós-ditadura, tivemos uma evolução considerável de nossa sustentabilidade enquanto nação. Senão, vejamos. Social Tivemos a sorte de termos dois governos que se complementaram, gerando uma ordem perfeita. No governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso, foi estabilizada a economia, criando as bases para o desenvolvimento do país. Já no governo Lula, houve uma maior distribuição de parte dessa riqueza gerada. Imaginem se a ordem fosse o inverso! É verdade que tiramos milhões de pessoas da miséria, mas ainda temos outro tanto nas mesmas condições.

Ronaldo Gusmão Presidente do IETEC.

Ambiental O país evolui muito nesse aspecto, mas ainda não é o ideal. Tivemos o privilégio de realizar no país duas conferências mundiais sobre meio ambiente, a Eco92 e a Rio+20. Este legado deve ser lembrado a cada momento para que possamos constantemente retornar às discussões ocorridas e, com base nestas experiências, corrigir nosso rumo em direção a uma sustentabilidade ambiental de fato. Econômica É inegável o desenvolvimento econômico vivenciado pelo Brasil nos últimos 25 anos. Saímos de uma dependência econômica externa para um desenvolvimento autônomo. Nossa economia se desenvolveu e atende, hoje, a um número maior de brasileiros. Além disso, nossa renda per capita aumentou sensivelmente, melhorando a qualidade de vida dos brasileiros. Espiritual O Brasil, ao lado da Índia, talvez seja uma das nações onde a população seja mais espiritualizada. Essa realidade possibilita nosso pleno desenvolvimento, de forma integrada ao sagrado, ao divino, como parte da nossa necessidade de estarmos conectados ao universo. Cultural Somos constantemente lembrados – e realmente somos – de que somos o país com a maior diversidade biológica do mundo. Mas nos esquecemos, muitas vezes, de que somos uma das nações com a maior diversidade cultural do planeta. Nesse aspecto, vale lembrar que convivemos de forma extremamente pacífica com essa diversidade. Institucional Como forma de fecharmos o ciclo, e voltando ao início da discussão. De tudo o que falamos até agora, nada disso seria duradouro e geraria bem estar para a população se não tivéssemos vivido, ainda, a consolidação de nossas instituições. As nossas instituições estão se sedimentando. Este cenário é a base de toda a liberdade democrática que o Brasil teve ao longo dos últimos 25 anos e que tem, hoje, sua plenitude. A união de todos estes fatores – coroada por este último – gera o que podemos chamar de desenvolvimento sustentável. Que não pode ser entendido como um fim em si, mas um meio para se chegar a uma sociedade solidária e próspera. O caminho a percorrer é longo, mas os primeiros anos já foram vividos. O IETEC, há 25 anos, contribui, e continuará contribuindo através da educação para o bem das pessoas, das organizações e do planeta. Nós continuaremos a fazer o bem. Sempre! Revista IETEC | Ano 9 | Outubro/Novembro de 2012

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Opinião

A base para a sustentabilidade e a prosperidade


Cenário

Além da revista IETEC, o Instituto mantém a revista eletrônica TecHoje. No portal de notícias, são publicadas matérias e artigos que estejam gerando grande repercussão na imprensa, além de artigos técnicos dos alunos, professores e coordenadores do Instituto.

MEIO AMBIENTE

INOVAÇÃO

GESTÃO DE PROJETOS

Participação do presidente do IETEC no programa “Seu bairro, nossa cidade”, da rádio CBN, sobre a preservação dos bens públicos.

A professora Terezinha Araújo, em entrevista para o jornal Emprego e Renda, da Rede Minas, detalha como o processo criativo possui impacto no mundo dos negócios.

Lançado o livro ‘Gestão de Projetos Brasil’, uma coleção de textos de alguns dos maiores especialistas em gerenciamento de projetos do Brasil. Disponível, gratuitamente, para alunos de GP do IETEC.

GESTÃO E TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO

GESTÃO E TECNOLOGIA INDUSTRIAL

Artigos técnicos das mais diversas áreas do conhecimento, escritos por alunos e ex-alunos IETEC são destaque na TecHoje.

Documentos, normas técnicas e relatórios diversos também estão disponíveis para download.

SUSTENTABILIDADE

O ex-ministro do Meio Ambiente, João Carlos Carvalho, esteve no IETEC abordando a importância da sustentabilidade como estratégia para o desenvolvimento das empresas. A conversa contou com a presença de diversas autoridades e especialistas.

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Revista IETEC | Ano 9 | Outubro/Novembro de 2012


Sua empresa controla adequadamente custos e orçamentos?

A pressão do desenvolvimento dos projetos, provocada pelo cliente que cobram prazos curtos, escopos complexos e orçamentos enxutos (e apertados), tem causado falhas no momento de custear o empreendimento, seja no que se refere ao levantamento dos prazos adequados, ao escopo exequível, como também sobre os custos que irão compor o orçamento – que deve ser o mais real e seguro, tanto para contratante como para a contratada, afinal, ambos estão no mesmo barco. Estimar os custos e garantir o cumprimento do orçamento não tem sido uma tarefa fácil, principalmente no ambiente de projetos encontrado atualmente: são empreendimentos muitas vezes pioneiros no país, que exigem profissionais especializados e fornecedores escassos. Um exemplo? Quantos fabricantes de vagões há no Brasil atualmente? Quantas companhias têm know how para engenharia portuária? Quais empresas fazem recuperação de estruturas de concreto de estádios? É nesse cenário que se destaca a relevância da atuação do profissional de custos e orçamentos, que trabalha nas empresas e projetos de Engenharia sempre buscando otimizar os recursos disponíveis e prima pelo uso racional da disponibilidade de materiais, serviços, pessoas e equipamentos. Para tal fim, o profissional se utiliza de técnicas e ferramentas necessárias para assegurar maior assertividade nas informações iniciais e o correto monitoramento e tomada de decisões para manter a linha de base de custos inicial. Isso é feito, inicialmente, por meio da compreensão dos processos de Gerenciamento de Projetos – segundo as melhores práticas do PMBOK – do entendimento de como deve ser feita a gestão integrada de Escopo, Prazo e Custos dos projetos, além de propor um sistema de indicadores de desempenho de projetos que esteja alinhado ao Planejamento e Controle de Custos e orçamento dos projetos. Outras de suas atribuições são compreender como se dá a formação e a estimativa de custos e orçamentos nos projetos, promover a análise do Valor Agregado nos projetos, identificar os impactos e a importância da gestão de riscos sobre a gestão de custos e orçamentos de projetos, estabelecer estratégias de redução de custos em projetos, realizar análises sobre os custos dos fornecedores de bens e/ou serviços em processos

Ítalo Coutinho

Engenheiro, coord. de projetos da OUTOTEC e coord. do curso de Eng. de Custos e Orçamento do IETEC.

de contratações e aquisições, identificar como deve ser feito o gerenciamento do relacionamento com os fornecedores/ subcontratados em termos de Custos e Orçamento, gerenciar e acompanhar fornecedores, administrando conflitos com os mesmos, gerenciando seus pleitos e eventuais aditivos contratuais. Visando a melhor implementação do modelo de menor custo total envolvido nos processos produtivos, é fundamental que façamos uma reflexão sobre a correta seleção dos fornecedores no início do empreendimento – isso fará com que compremos no custo orçado; a necessidade de envolver o fornecedor selecionado na fase de estudo/concepção/orçamentação do projeto. Esse ponto será fundamental visando uma sintonia com os fornecedores para o contrato. Os profissionais envolvidos devem, ainda, realizar o acompanhamento adequado do cronograma do empreendimento e viabilizar o gerenciamento adequado das informações e da comunicação no projeto. Estes dois pontos são importantes, já que projetos complexos torna difícil a tarefa de controlar custos. É muito importante, ainda, que a empresa responsável pelo empreendimento busque conhecer não só do processo do cliente, como também o seu negócio. Com base nesse conhecimento, a prestadora possui condições de visualizar pontos críticos no processo de produção e, assim, identificar possíveis melhorias, necessárias para um melhor gerenciamento de todo o projeto. Além disso, tal ação de entender os processos e problemas dos clientes passa a ser um diferencial para seleção dos parceiros e das tecnologias a serem implementadas. Diante do exposto, avalio que a estratégia de um orçamento adequado tem impacto direto na produtividade e lucratividade da empresa, abrangendo uma série de características compartilhadas por projetos bem sucedidos, e destaco alguns pontos vitais ao sucesso da iniciativa. São eles: • Estimativas confiáveis; • Escopo realista; • Alinhamento com os objetivos da organização; • Metodologia formal de gerenciamento de projetos; • Habilidade dos recursos humanos; • Infraestrutura disponível. Revista IETEC | Ano 9 | Outubro/Novembro de 2012

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Opinião

Estimar os custos e garantir o cumprimento do orçamento não é tarefa fácil, principalmente no ambiente de projetos atual.


Foto presidente: Miguel Ângelo. Fotos indústrias: José Paulo Lacerda.

Na entrevista a seguir, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, desenha um panorama animador da economia brasileira nos próximos anos, ao mesmo tempo em que demonstra um pragmatismo diante dos problemas e gargalos que possuímos atualmente. Andrade é enfático na necessidade de praticarmos, à exaustão, a inovação em nossas empresas e processos. “Precisamos arregaçar as mangas para disseminar a inovação. Ela é crucial para a competitividade”, afirma. Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista, que também pode ser acessada na revista eletrônica TecHoje (www.techoje. com.br).

O que esperar da economia brasileira nos próximos anos?

O agravamento da crise econômica internacional, especialmente na União Europeia, afetou a economia brasileira. Basta lembrar que, mesmo crescendo, o PIB brasileiro registrou, no segundo trimestre do ano, um aumento de apenas 0,4% sobre o primeiro trimestre. A última estimativa da CNI aponta uma expansão de 2,1% em 2012, com a indústria registrando um aumento de somente 1,6%. É muito pouco.

Que novos números poderíamos antecipar sobre o desempenho da economia? Não me arrisco, por enquanto, a cravar números, mas esperamos dados bem melhores a partir de 2013, em parte pelas medidas tomadas pelo governo, principalmente o pacote de concessões em rodovias e ferrovias. A iniciativa atende a uma antiga reivindicação do empresariado, de estimular os investimentos do setor privado em infraestrutura. A exploração do petróleo da camada do pré-sal e as obras para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 são outros instrumentos poderosos

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Inovação e sustentabilidade como matrizes do desenvolvimento para reativar a atividade econômica no país nos anos que virão a seguir.

Como o senhor vê as mudanças tecnológicas nos processos industriais no Brasil e no mundo atualmente? O Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer na prática da inovação em comparação com outros países. Numa listagem de 141 países no ranking de inovação, elaborado todo ano pela escola de negócios francesa Insead em parceria com a Organização Mundial da Propriedade Intelectual, vinculada à ONU, o Brasil ocupa a 58ª posição. Está à frente da Índia, colocada na 64ª posição, mas atrás da África do Sul, que está no 54º lugar, e longe do Chile, que registra a 39ª colocação. Precisamos avançar na prática da inovação nas empresas, e rapidamente. Inovar, seja em produtos, seja em processos, é crucial numa concorrência globalmente cada vez mais feroz.

Inovar é um dos principais meios de incrementar a produção da empresa. Até que ponto o brasileiro encara a inovação como uma necessidade para sua sobrevivência no mercado? A iniciativa privada está fazendo sua parte. A MEI, Mobilização Empresarial pela Inovação, movimento coordenado pela CNI para estimular a prática da inovação nas empresas, tem obtido bons resultados. Numa outra ponta, com recursos da ordem de R$ 1,9 bilhão – são R$ 1,5 bilhão de empréstimo do BNDES e os restantes R$ 400 milhões de verbas próprias –, o SENAI está iniciando um projeto revolucionário.

Que projeto é esse? Trata-se da modernização e da ampliação do Programa de Apoio à Competitividade da Indústria Brasileira, que tem como foco


Como vão funcionar esses institutos?

Eles são uma nova e importante rota para a inovação no Brasil, historicamente baseada em ambiente acadêmico e quase sempre dissociada da indústria. O objetivo dos Institutos de Tecnologia é gerar conhecimento para áreas-chave, como microeletrônica, engenharia de superfície e tecnologia da comunicação e informação, para mencionar somente três. O fundamental é que os alunos, focados em pesquisa aplicada, serão estimulados a trabalhar na antecipação de tendências tecnológicas. Os novos centros também oferecerão cursos de pós-graduação, proporcionando um salto de qualidade no ensino tecnológico. Queremos atingir quatro milhões de matrículas/ano a partir de 2014 na rede SENAI.

Se a iniciativa privada, como o senhor acaba de detalhar, está fazendo a sua parte no estímulo à inovação, o que falta ao governo fazer?

Com um pouco mais de agilidade, o governo tem, sim, condições de fazer muito melhor o seu papel. A experiência dos países desenvolvidos demonstra que a participação do Estado é fundamental na implementação de uma política eficaz de apoio à inovação. O governo pode, por exemplo, aprimorar o marco legal de apoio à inovação. A Lei do Bem e a Lei da Inovação são bons instrumentos de estímulo, mas devem ser aperfeiçoados, permitindo que os gastos com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica possam ser abatidos efetivamente em dobro. Para isso, basta alterar o artigo 19 da Lei do Bem. É necessário dar ênfase na formação de recursos humanos qualificados em engenharia e ensino técnico. O país tem de inverter, no longo prazo, a distorção do gasto no ensino superior ser cinco vezes o gasto na educação básica. O ideal é que os recursos na educação básica cheguem a 5% do PIB em 2022. Enfim, insisto, precisamos arregaçar as mangas para disseminar a inovação. Ela é crucial para a competitividade.

Qual a importância da qualificação profissional para o desenvolvimento da indústria nacional? O empresário brasileiro tem consciência da importância de capacitar seus colaboradores para o sucesso do seu negócio?

Sem mão de obra qualificada, fica difícil praticar a inovação. O empresariado está plenamente consciente disso. Tanto é assim que as pesquisas permanentes da CNI, como a Sondagem Industrial e a Sondagem da Indústria da Construção, têm apontado a qualificação da mão de obra como um dos principais problemas listados pelos empresários. A ação do SENAI, qualificando e estimulando a inovação nas empresas, torna-se, portanto, cada vez mais estratégica para o bom funcionamento da economia e o consequente desenvolvimento do país.

Como é visto o desenvolvimento sustentável pelos empresários brasileiros?

Não só com bons olhos, mas como parte dos negócios. Pesquisa recente da CNI com 60 executivos da indústria, dos mais diversos setores, revela que a sustentabilidade já faz parte da agenda estratégica das empresas. Como mencionei no encontro sobre sustentabilidade promovido pela CNI na Conferência Rio+20, em junho, a indústria brasileira não trata a sustentabilidade como uma manifestação de boas intenções. Ao contrário, cada vez mais incorpora os princípios da sustentabilidade nos planos de negócios. Sustentabilidade e necessidade de aumento da competitividade andam juntas, hoje, com as empresas buscando sempre formas mais eficientes de uso de insumos e de recursos naturais.

Há exemplos dessa nova postura da indústria?

Muitos. Essa postura explica porque, nos últimos 20 anos, a indústria deixou de ser considerada a vilã dos danos ambientais. A celulose e o papel produzidos no Brasil atualmente, por exemplo, provêm integralmente de florestas plantadas, enquanto a indústria química reduziu em 47% suas emissões de CO2 em 10 anos. Exatamente 97,6% das embalagens de alumínio são recicladas no país, um desempenho invejável, um dos mais altos índices do mundo. A geladeira brasileira consome 60% menos energia do que há uma década e cada automóvel usa 30% menos água no processo de produção. Você sabia que a nossa cotidiana sardinha enlatada, que se compra num supermercado ou numa bodega de beira de estrada, é certificada internacionalmente por critérios para preservação da biodiversidade marinha chancelados pela FAO, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura?

Quais os principais gargalos ao desenvolvimento da indústria nacional?

pleno

A indústria enfrenta obstáculos estruturais, de um sistema tributário perverso e complexo a uma legislação trabalhista anacrônica, que impõe altos custos às empresas, passando por uma infraestrutura deficiente, educação básica de má qualidade, excesso de burocracia. É preciso remover esses gargalos. A crise internacional a que nos referimos no início da nossa conversa, que persiste e se aprofunda em alguns países europeus, estreitou os mercados lá fora e aumentou a concorrência das importações aqui dentro. Se não formos competitivos, não sobreviveremos.

Quem é Robson Braga de Andrade Engenheiro mecânico (UFMG), presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), e ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), entre 2002 a 2010. Foi presidente dos conselhos temáticos de Meio Ambiente e de Assuntos Legislativos da entidade, diretor do conselho de Empresários da América Latina (2004/2006), membro do Conselho de Estratégia da ABDIB (Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base, 2001/2003). Membro titular do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República e vice-presidente da Confederação Empresarial da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa). Revista IETEC | Ano 9 | Outubro/Novembro de 2012

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Capa

inovar e capacitar, atendendo o setor produtivo nas necessidades de pessoal qualificado e de soluções tecnológicas de ponta. Instalaremos 23 Institutos SENAI de Inovação para formar profissionais de nível superior alinhados às necessidades da indústria. Essa rede de inovação vai operar de forma integrada com 38 Institutos de Tecnologia, que, além de manter cursos de educação profissional, inclusive de nível superior, oferecerão às empresas serviços em cadeia e testes laboratoriais.


Cenário

Ex-Ministro José Carlos Carvalho dá início às comemorações pelos 25 anos do IETEC Com o tema ‘Sustentabilidade como Estratégia Empresarial’, o exministro do Meio Ambiente José Carlos Carvalho deu início aos eventos em comemoração aos 25 anos do IETEC. O evento contou com a participação de personalidades de destaque do universo acadêmico, empresarial e político, como o ouvidor ambiental de Minas Gerais, Eduardo Tavares; o ex-deputado e ex-secretário de Meio Ambiente de Belo Horizonte, Ronaldo Vasconcelos; e Hiram Firmino, ex-presidente da Feam (Fundação Estadual do Meio Ambiente).

número de cômodos. E dados da ONU concluem que seremos nove bilhões em 2050”, afirmou. Os dados apresentados foram utilizados para a reflexão do profissional sobre a sustentabilidade do ponto de vista ambiental. “É necessário fazer algo visando uma melhor convivência dentro dessa casa chamada planeta. A disponibilidade de recursos naturais é a mesma, a água disponível é a mesma, as terras férteis disponíveis para produção são as mesmas. E um detalhe é essencial de ser colocado diante da cultura do brasileiro. Não tem jeito de fazer puxadinho no planeta. É impossível!”

Inicialmente, em sua fala, o ex-ministro e ex-secretário de meio ambiente de Minas Gerais, fez uma distinção entre Coincidentemente, “Quando se pensa numa dimensão cósmica, o planeta sustentabilidade e meio relatou o exambiente. “Muitas ministro, nos é um ovo pendurado. Se andarmos, verticalmente, 10 pessoas entendem últimos 50 anos quilômetros, tanto para cima como para baixo, não há vida também se alteraram que se trata do sensivelmente mesmo tema. Não! da forma como a concebemos. Trata-se apenas de 10 mil os métodos de Sustentabilidade é metros, não mais que isso! É nessa casca que vivemos.” produção e de algo mais amplo, consumo da civilização que engloba contemporânea. “Houve questões relativas um aumento exponencial de consumo dos recursos da natureza, a meio ambiente, mas também aspectos de cunho social e seja por um aumento do consumo per capita, seja pelo aumento econômico”, pontuou. absoluto de pessoas. E, lamentavelmente, a situação não é mais grave devido a um seríssimo problema social, já que, desses sete Fazendo uma comparação, José Carlos Carvalho analisou as bilhões de pessoas, aproximadamente um bilhão e meio, ou seja, mudanças de comportamento do mundo moderno. “As relações 20% do total, vive abaixo da linha da pobreza, excluídas do mercado pessoais, interpessoais, modelos de consumo e regras de de consumo. É esta equação demográfica que teremos que resolver alimentação de uma família de quatro pessoas vivendo em uma neste século. Precisamos mudar nossos padrões de produção e casa de três quartos é totalmente diferente de uma família com 20 consumo, urgentemente”, ratificou. pessoas vivendo na mesma casa. É isso o que está ocorrendo no planeta nos últimos 50 anos. No pós-Guerra, éramos três bilhões A humanidade consome 20% mais recursos naturais do que o de pessoas. Na virada do milênio, havíamos dobrado esse valor, planeta é capaz de regenerar naturalmente. O dado, apresentado passando dos seis bilhões. E, em apenas 12 anos, já somos mais por Carvalho, serviu como base para sua análise a respeito da de sete bilhões de seres humanos na mesma casa, com o mesmo

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questão tecnológica. “Desenvolvemos uma capacidade de cultivar mais em menores porções de terra, além de termos criado tecnologias que geraram novas riquezas. Fico especialmente feliz por tratar desse tema – desenvolvimento sustentável – numa casa de educação, principalmente numa casa de educação tecnológica, porque a diferença entre o modelo de desenvolvimento que vem sendo debatido nos últimos anos e o modelo de desenvolvimento que se prega hoje passa, necessariamente, por inovação em tecnologia. E essa instituição tem se dedicado, nos últimos 25 anos, a esse esforço de capacitar e preparar pessoas para esse processo de transformação”, disse.

veneno que produziu a crise: aumentando o consumo, sem mudar os padrões”, enfatizou. Acesse a íntegra da palestra com o ex-ministro José Carlos Carvalho no canal do IETEC no You Tube: www.youtube.com/ietectv.

Desenvolvimento sustentável

Usar de maneira sustentável os recursos naturais deve ser entendido como uma estratégia da empresa. Para Carvalho, o modelo a ser adotado deve mesclar a atuação do mercado com a regulação do Estado “Sou daqueles que não acredita nem somente no mercado nem somente no Estado. Para mim, isso é um falso dilema. Eu acho que a melhor solução existe quando nós combinamos as melhores virtudes/vantagens do mercado com as melhores regras regulatórias do Estado. Esse é o parâmetro ideal. É neste contexto que julgo pertinente refazermos nossas relações de consumo, utilizando massivamente a sustentabilidade como estratégia empresarial”, analisou. De acordo com ele, a grande questão que se coloca hoje diz respeito à degradação do meio ambiente. “É um debate que dominará o cenário internacional: o uso predatório dos recursos da natureza. Não podemos nos apropriar privadamente dos bens da natureza e socializar seus prejuízos. A proteção do meio ambiente deve ser entendida como parte do negócio”, pontuou.

Novo Renascimento

Para Carvalho, teremos que viver, neste século, um novo Renascimento, baseado na necessidade de refazer as relações com a Natureza. “O período a que chamamos Renascimento foi a afirmação da arte como resposta a um mundo sombrio. Por isso prego que precisamos de um novo Renascimento, principalmente na dimensão ética”, observou. O problema do uso dos recursos naturais, para Carvalho, não é apenas ecológico. É, sobretudo, econômico. “Não por acaso, as duas palavras possuem a mesma raiz grega: ecos, ou seja, casa. Devemos saber organizar e usar a casa, fazendo o casamento da ecologia com a economia em matéria de sustentabilidade”. Para o engenheiro florestal, estamos avançando mais em modelos de produção, nas empresas, e menos em modelos de consumo. “Precisamos fazer um grande esforço em relação à mudança de padrão de consumo da população. O caminho que estamos trilhando nos leva para uma situação catastrófica. É necessário repensar, urgentemente, tais padrões, sob pena de não sobrevivermos. O planeta sobrevive a nós, mas o contrário não é verdadeiro. Precisamos adotar padrões de consumo conscientes e sustentáveis. Isso não significa que teremos que parar o desenvolvimento. Ao contrário. O que acho que precisamos inverter são os vetores nos quais o desenvolvimento opera. Vejam que nós saímos da crise de 2008 usando o mesmo

Como o senhor analisa a atuação do empresariado brasileiro no que diz respeito à sustentabilidade de seus processos? O empresário se movimenta de acordo com o mercado. Na medida em que o mercado vai incorporando demandas e ativos de sustentabilidade, as empresas também vão mudando seus modelos de produção e consumo. E é isso que estamos vivendo na realidade. Eu acho que estamos vivendo uma transição de uma economia velha, antiquada e predatória, para uma economia sustentável, seja em razão das novas demandas da sociedade que se instrumentalizam em torno de políticas e leis do Estado, seja através do próprio mercado que reconhece a necessidade dessas mudanças e que abre espaço para que a sustentabilidade possa entrar como uma nova geração de políticas econômicas aplicadas ao desenvolvimento.

Como os profissionais se encaixam nesse cenário? Esse processo depende de pessoas qualificadas. Então, capacitar e preparar pessoas para esta transição é o caminho absolutamente necessário e inevitável para que as transformações possam ocorrer na magnitude necessária.

O Brasil, e seus profissionais, estão atentos a estas mudanças? O Brasil tem investido nisso. Evidentemente nós estamos mais atrasados do que regiões como a Europa e os Estados Unidos, e mais adiantados que regiões como a Ásia e a própria América Latina. Nós ainda temos um longo caminho a percorrer, mas já possuímos as ferramentas necessárias para tal processo. Basta termos um empenho por parte de todos os envolvidos: governo, empresas e, principalmente, cidadãos.

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Produtividade nas empresas: como medir a contribuição dos investimentos em TI?

Opinião

“Medir é importante: o que não é medido não é gerenciado.” Kaplan e Norton. Um dos primeiros registros da utilização do termo Produtividade data do século XVI e foi proferida por George Bauer, mineralogista alemão. No século XVIII o termo foi alvo de publicações do economista e médico francês Francois Quesnay e de seu compatriota, o lexicógrafo Émillé Littré que, no século XIX, definiu o termo como sendo “a faculdade de produzir”. É comum ocorrer uma confusão na interpretação dos termos produtividade e produção. Em alguns casos associa-se, por exemplo, uma grande produção a uma grande produtividade sendo que isso não é necessariamente verdadeiro. Produção refere-se à atividade de produzir bens e/ou serviços enquanto produtividade trata da eficiente utilização de recursos - as entradas - na produção de bens e/ou serviços - as saídas. Se vista sob a ótica quantitativa, produção é a quantidade de saída produzida, enquanto produtividade é a razão entre a saída produzida pela entrada utilizada. Apesar da aparente simplicidade da definição de produtividade, sua medição pode não o ser, principalmente quando o assunto é a área de TI. Isto se deve a diversos fatores operacionais relacionados à medição das entradas e saídas, notadamente por uma característica comum na área, a da intangibilidade das saídas, ou dos resultados esperados. Por isto, mesmo representando um importante indicador de desempenho, a medição da produtividade em TI deve estar também amparada por outros indicadores para auxiliar na compreensão e identificação mais adequadas dos resultados. Um exemplo prático que pude vivenciar ocorreu quando tive a necessidade de obter informações quanto aos resultados gerados com a implantação de sistema de gestão empresarial integrado (ERP) em uma empresa. A resposta dada pelo principal gestor da área de operações foi: “não houve qualquer redução ou aumento em nosso contingente de colaboradores, porém estamos absolutamente convencidos de que aumentamos nossa produção em aproximadamente 50%”. Esta afirmação mostra bem a complexidade na medição da produtividade proporcionada pelos investimentos em TI dado a fatores nem sempre tangíveis. O desafio e a busca por medir a produtividade em investimentos de TI é antiga, mas ambos têm relação direta. Para que isto seja uma realidade é preciso que haja uma forte conexão entre o que se deseja/espera de melhoria do desempenho organizacional e o tipo de investimento em TI a ser realizado. Ainda é comum em algumas empresas primeiro ocorrer a definição por um determinado sistema ou solução de TI, para posteriormente adequá-lo à organização.

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Antônio de Pádua

Superintendente Administrativo e CIO na ARG e coordenador do curso de pós-graduação de Gestão e Tecnologia da Informação do IETEC.

Investir na aquisição de novos hardwares ou na implantação de softwares, sem a devida análise, pode se tornar um decisão arriscada não somente do ponto de vista financeiro, mas também da imagem da área de TI perante a empresa. Tem se tornado cada vez mais comum nas empresas a busca por processos bem definidos e estruturados, que reflitam de forma precisa suas operações. Se neste caso a solução passar por um sistema de gerenciamento de processos de negóciosserá fundamental que estes sejam previamente estudados, discutidos e – se e quando necessário – redesenhados. Do contrário, a solução poderá apenas reforçar falhas pré-existentes, sobrecarregar os colaboradores e impactar negativamente os indicadores de desempenho organizacional, entre eles, o de produtividade. Seja qual for a solução de TI escolhida, o importante é que ela esteja alinhada e convergente com o negócio, e não o contrário. Algumas ações podem auxiliar na identificação e mensuração do retorno de um investimento de TI, visando assegurar não apenas bons resultados do ponto de vista de produtividade, mas de todo o desempenho organizacional. Uma delas diz respeito à forma como as decisões relacionadas à aquisição e a implantação de soluções de TI ocorrem nas empresas. Investimentos em TI, raras as exceções, não são capazes de “autopromover” ganhos de produtividade. Logo, uma alternativa pode ser a de formação de comitês internos, que envolvem as áreas de negócios e de TI. Assim, há o fortalecimento e o alinhamento da visão de TI pelas demais áreas, reduzindo as possíveis lacunas ou “gaps”. Uma vez consensuada a decisão, tem se tornado comum a avaliação da solução através de provas de conceito ou “PoC”(do inglês, Proof of Concept). Amparadas pelos fornecedores, quando e se bem conduzidas, as provas de conceitos poderão antecipar problemas, benefícios, riscos e apontar prazos mais adequados quando da implantação definitiva. Em suma, poderemos medir, e por consequência gerenciar, os resultados. A análise de investimentos em TI como consequência das demandas, e não o contrário, quando agregados à identificação e pontuação de resultados tangíveis e, principalmente, intangíveis, pode e normalmente gera bom retorno do ponto de vista da produtividade nas empresas. Uma metáfora usada no conto “Alice no país das Maravilhas” ilustra bem tudo isto, quando ela, Alice, pergunta ao Gato: “Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?” “Isso depende muito de para onde queres ir”, respondeu o gato. “Preocupa-me pouco aonde ir”, disse Alice. “Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas”, replicou o gato.


Programação

de cursos:

Profissionais reconhecidos pelo mercado. Ensina quem sabe fazer Outubro a Dezembro de 2012 Revista IETEC | Ano 9 | Outubro/Novembro de 2012

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Conheça as diversas oportunidades de curso oferecidas pelo IETEC. Muito mais qualificação para sua equipe e muito mais retorno para sua empresa.

Gestão de Projetos Curso

Início

Término

Horário

Indicadores de Desempenho Aplicados a Projetos Inteligência Emocional em Projetos Preparatório para Exame PMP/PMI *(a) Gerenciamento de Riscos em Projetos Gerenciamento de Partes Interessadas Mapeamento e Redesenho de Processos Aplicados a Projetos

1/Out 8/Out 15/Out 16/Out 23/Out 24/Out

2/Out 9/Out 17/Out 17/Out 24/Out 26/Out

Diurno Diurno Noturno Diurno Diurno Diurno

Gerenciamento de Projetos Negociação para Gerentes de Projetos Gerenciamento de Conflitos e Crises em Projetos Administração de Contratos Planejamento e Controle de Custos de Projetos Auditoria em Projetos Viabilidade Econômico-Financeira de Projetos Análise de Decisão com Utilização de Monte-Carlo

25/Out 5/Nov 12/Nov 21/Nov 21/Nov 3/Dez 6/Dez 13/Dez

26/Out 6/Nov 13/Nov 22/Nov 22/Nov 5/Dez 7/Dez 14/Dez

Diurno Diurno Diurno Diurno Diurno Diurno Diurno Diurno

Gestão e Tecnologia da Informação Desenvolvimento de Sistemas de Informação Orientados por Processos

8/Out

9/Out

Diurno

Governança de TI na Prática - uma abordagem com base na ITIL, COBIT e ISO/IEC 20.000

8/Out

10/Out

Diurno

Qualidade de Software com ênfase em CMMI Gerenciamento de Projetos de TI Elaboração de Business Case e Análise de ROI em Projetos de TI Planejamento Estratégico de Tecnologia da Informação COBIT 5.0 Gerenciamento de Projetos de Software com ênfase em Planejamento Gerenciamento de Serviços de TI - ISO/IEC 20.000

25/Out 29/Out 6/Nov 26/Nov 26/Nov 3/Dez 4/Dez

26/Out 30/Out 7/Nov 29/Nov 28/Nov 12/Dez 5/Dez

Diurno Diurno Diurno Noturno Diurno Noturno Diurno

Metodologias e Processos Ágeis de Projeto de Software

10/Dez

13/Dez

Noturno

16/Out 24/Out 21/Nov 27/Nov 4/Dez 14/Dez

Diurno Diurno Diurno Diurno Diurno Diurno

Responsabilidade Social Gestão do Voluntariado Corporativo ISO 26.000 Diversidade e Inclusão nas Empresas Comunicação e Responsabilidade Social Gestão de Projetos Sociais Elaboração de Projetos Sociais

15/Out 23/Out 20/Nov 26/Nov 3/Dez 13/Dez

Confira a programação dos cursos no site www.ietec.com.br Para mais informações: (31)3116-1000/ (31)3223-6251 - cursos@ietec.com.br

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Revista IETEC | Ano 9 | Outubro/Novembro de 2012


Gestão e Tecnologia Industrial Curso

Início

Término

Horário

Análises Tributárias Importação - Compras Internacionais Planejamento e Gestão de Empreendimentos Industriais Indicadores de Performance Logística (KPI´S) Custos como Instrumento de Gestão Planejamento e Controle de Estoque Formação do Preço de Vendas e Análise Tributária Planejamento, Programação e Controle da Produção Negociação em Compras CEP - Controle Estatístico do Processo Custos e Formação de Preços Industriais Inteligência Competitiva em Compras Planejamento Organização e Execução de Inventários Sistemas e Técnicas de Troca Rápida de Ferramentas FMEA - Análise dos Efeitos e Modos Falhas Custos Industriais - Formação do Custo do Produto Indicadores de Desempenho da Qualidade - Área Industrial Gerenciamento de Almoxarifados

2/Out 2/Out 3/Out 9/Out 15/Out 18/Out 30/Out 5/Nov 7/Nov 8/Nov 19/Nov 19/Nov 28/Nov 3/Dez 3/Dez 10/Dez 12/Dez 17/Dez

3/Out 5/Out 5/Out 10/Out 16/Out 19/Out 31/Out 8/Nov 8/Nov 9/Nov 20/Nov 22/Nov 30/Nov 4/Dez 6/Dez 11/Dez 14/Dez 18/Dez

Diurno Noturno Diurno Diurno Diurno Noturno Diurno Diurno Diurno Diurno Diurno Noturno Noturno Diurno Noturno Diurno Noturno Diurno

19/Nov 3/Dez

20/Nov 5/Dez

Diurno Diurno

18/Out

19/Out

Diurno

22/Out

24/Out

Diurno

23/Out 25/Out 29/Out

24/Out 26/Out 30/Out

Diurno Diurno Diurno

Indicadores de Produção mais Limpa: Avaliação de Desempenho Ambiental dos Processos Produtivos

5/Nov

6/Nov

Diurno

Avaliação de Impactos Ambientais Remediação e Gerenciamento de Áreas Degradadas Legislação Ambiental *(f) Administração de Resíduos Sólidos Industriais

19/Nov 3/Dez 5/Dez 10/Dez

22/Nov 4/Dez 7/Dez 11/Dez

Noturno Diurno Diurno Diurno

Criatividade e Inovação Ferramentas para Inovação Inovação Profissional e Criatividade - Ativadores e Ferramentas

Meio Ambiente Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa e a Nova ISO 14064 Gestão Integrada - Qualidade, Meio Ambiente, Saúde e Segurança do Trabalho *(b) (c) Gerenciamento de Limpeza Urbana Controle, Manuseio e Transporte de Produtos Perigosos *(d) (e) Monitoramento Ambiental

Cursos corporativos IETEC: o mercado reconhece.

Grandes empresas já aprovaram os Cursos Corporativos IETEC para capacitar seus colaboradores. Com aulas voltadas para a realidade do seu negócio, os Cursos Corporativos podem ser customizados de acordo com a necessidade da sua empresa. Revista IETEC | Ano 9 | Outubro/Novembro de 2012

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Mineração Curso

Início

Término

Horário

Gerenciamento de Projetos de Mina Subterrânea Estrutura de Custos em Mineração Avaliação da Segurança de Barragens de Rejeitos

2/Out 15/Out 5/Nov

3/Out 16/Out 8/Nov

Diurno Diurno Diurno

Otimização, Estabilidade e Segurança de Taludes em Cavas - Operacionais e Finais

26/Nov

28/Nov

Diurno

Avaliação Econômica de Projetos de Mineração *(g) Introdução ao Tratamento de Minérios Bombeamento de Polpas Operação de Moagem e Filtragem de Minérios Desmonte de Rochas com Explosivos

3/Dez 3/Dez 5/Dez 12/Dez 13/Dez

5/Dez 5/Dez 7/Dez 14/Dez 14/Dez

Diurno Diurno Diurno Diurno Diurno

25/Out 30/Out 7/Nov 20/Nov 27/Nov 3/Dez 5/Dez

26/Out 31/Out 8/Nov 23/Nov 29/Nov 5/Dez 6/Dez

Diurno Diurno Diurno Noturno Diurno Diurno Diurno

Manutenção Eliminação de Erros e Defeitos na Manutenção Auditoria em Manutenção Gestão de Projetos de Paradas Inspeção em Equipamentos de Pelotização Gestão de Indicadores na Manutenção Gestão de Custos e Investimentos em Manutenção Gerenciamento da Manutenção

Cursos a Distância Curso

Início

Término

Preparatório para o Exame PMP Administração de Contratos Preparatório para o Exame CAPM Gerenciamento de Projetos Processos FEL (Front EndLoading) para Planejamento e Avaliação de Projetos Gestão de Projetos de TI Gestão de Pessoas em Equipes de Projetos Construção e Montagem para Projetos Industriais

9/Out 16/Out 23/Out 25/Out 6/Nov 8/Nov 13/Nov 20/Nov

11/Dez 20/Nov 27/Nov 29/Nov 11/Dez 11/Dez 18/Dez 18/Dez

*Os cursos assinalados oferecem, gratuitamente como parte do material didático, o seguinte livro: (a) Guia PMBOK 4ª Edição, (b) Sistema de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional, (c) Sistema de Gestão Ambiental ISO14001/04, (d) Segurança na Armazenagem, Manuseio e Transporte de Produtos Perigosos, (e) Regulamentação do Transporte Terrestre de Produtos Perigosos, (f) Coletânea de Legislação de Direito Ambiental, (g) Avaliação Econômica de Projetos de Mineração.

Rua Tomé de Souza, 1065 | Savassi | CEP 30.140-131 | Belo Horizonte / MG ietec.com.br | cursos@ietec.com.br | (31) 3116.1000 | (31) 3223.6251

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Revista IETEC | Ano 9 | Outubro/Novembro de 2012


Inovação e competitividade

Em sua última edição, publicado no mês de agosto último, o Relatório Global de Competitividade, divulgado recentemente pelo Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum), aponta que o Brasil subiu cinco posições no ranking de competitividade, alcançando a 48ª posição, entre os 144 países analisados e galgando cinco colocações com relação ao ano anterior. Essa análise é realizada através de uma extensa pesquisa com informações nacionais e internacionais, além de um levantamento opinativo junto a executivos. Mantendo a primeira colocação pelo quarto ano consecutivo está a Suíça. Nas posições seguintes vêm Cingapura, Finlândia, Suécia e Holanda, completando a lista dos cinco primeiros e Alemanha, Estados Unidos, Reino Unido, Hong Kong e Japão, completando a lista dos top ten. Ressalta-se que o Estados Unidos caíram duas posições com relação a lista anterior. A avaliação se baseia em 12 pilares, divididos em três categorias: requerimentos básicos (instituições; infraestrutura; ambiente macroeconômico; saúde e educação primária), potencializadores de eficiência (educação superior e capacitação; eficiência do mercado de bens; eficiência do mercado de trabalho; desempenho do mercado financeiro; prontidão tecnológica; tamanho do mercado) e fatores de inovação e sofisticação (sofisticação dos negócios; inovação). Para o Brasil, o pilar Ambiente Macroeconômico representou ganho de expressivas posições, tendo o país avançado da 115ª posição em 2011 para a 62ª, em 2012.

José Henrique Diniz

professor e coodenador da área de inovação do IETEC.

maioria, as organizações não incorporam práticas de gestão da inovação ou vêm inovação apenas como aquisição de máquinas e equipamentos para seus processos produtivos, com pouca ou quase nenhuma ênfase à inovação de produtos e serviços, mercados, gestão e organização. Não raro, não associam inovação com resultado empresarial e com competitividade. Outro aspecto importante refere-se ao fato de que, apesar do Brasil ser reconhecido como um país de pessoas criativas e empreendedoras, infelizmente no campo da inovação não se pode dizer a mesma coisa. E não se pode afirmar que é por falta de incentivos e recursos, já que o Brasil conta com uma legislação e um sistema de ciência, tecnologia e inovação bem estruturados, com diversas fontes de recursos e programas de financiamento e apoio à inovação, em diversos setores de atividades. Mas o que falta, então, para que o Brasil possa atingir posição de destaque no ranking dos países mais inovadores? Essa não é uma resposta fácil, mas há várias pistas quando se analisa essa questão com mais profundidade, seja através da análise de pesquisas – como a realizada pelo Fórum Econômico Mundial e outras divulgadas nas diversas mídias –, seja baseando-se na opinião de especialistas.

Por outro lado, o Brasil perdeu posições importantes em alguns pilares, com destaque para infraestrutura, educação superior e capacitação, sofisticação dos negócios e, principalmente, em inovação. Nesse último quesito, o Brasil caiu da 44ª posição para a 49ª, puxada, principalmente, pela falta de recursos humanos qualificados. Ainda que no geral a 48ª posição no ranking global de competitividade seja um fato a ser comemorado, os itens em que o Brasil apresentou queda são bastante preocupantes e merecem redobrada atenção, com muita criatividade e foco em inovação.

Dentre esses diversos fatores, embora não se possa generalizar, destacam-se o desconhecimento sobre como inovar e, principalmente, a respeito das políticas e fontes de incentivo e fomento. Vale destacar, ainda, a reduzida participação das empresas de pequeno e médio porte na produção da inovação no Brasil, sabidamente as grandes responsáveis pelo processo em nível mundial. Fechando este cenário – mas não menos importante – ressalto as práticas de gestão pouco eficazes, ultrapassadas, ausentes ou desfocadas; o desconhecimento das práticas de gestão da inovação e de suas ferramentas; foco adequado em ciência – mas sem a mesma ênfase em desenvolvimento tecnológico e inovação; falta de uma estratégia de inovação alinhada com a estratégia empresarial; e, principalmente a carência de recursos humanos capacitados e treinados para este fim.

No Brasil toda vez que se aborda o tema inovação percebe-se um certo consenso em torno de sua importância, mas um elevado grau de desconhecimento sobre o que realmente significa em termos empresariais e, mais importante, sobre sua gestão com foco em resultados e competitividade. Em sua grande

Resumidamente, o que se observa é um baixo alinhamento dos pilares pessoas, processos, recursos e estratégia, imprescindível para que a inovação realmente aconteça, através de resultados empresariais e que contribua efetivamente para a aumento da competitividade as empresas nacionais. Revista IETEC | Ano 9 | Outubro/Novembro de 2012

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Opinião

Quando se aborda o tema há um consenso sobre sua importância, mas um elevado grau de desconhecimento sobre o que significa


Cenário

Produtividade é palavra-chave no atual cenário econômico mas não é a única palavra para competir neste cenário. Recentemente o presidente da FIEMG (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), Sr. Olavo Machado, em artigo publicado pelo jornal Estado de Minas, declarou que “o grande desafio que o nosso País enfrenta hoje é a conquista da competitividade de sua economia e de suas empresas”. Ainda segundo ele, “de fato, nos últimos anos avançamos em questões importantes - como a estabilização da economia, o desemprego e a queda dos juros, mas hoje o desafio é a conquista da competitividade, dentro e fora das fábricas, o que só alcançaremos com fortes investimentos em inovação, educação e infraestrutura”. De acordo com o coordenador de cursos da área de Gestão e Tecnologia Industrial do IETEC, José Ignácio Villela Jr., “as empresas precisam compreender que o incremento de sua competitividade só será conseguido através do tão falado aumento de produtividade e que o grande responsável por isto é a própria empresa, ainda que o governo tenha uma parcela de contribuição para se vencer este desafio”, diz. A produtividade no contexto colocado por Villela nada mais é do que o uso racional dos recursos produtivos para se atingir um objetivo específico, por exemplo, se a empresa opta por competir no mercado com produtos e/ou serviços diferenciados, ela não poderá mobilizar seus recursos para simplesmente pensar em elevados volumes de produção em detrimento de prazos de entrega e estoques elevados. Ela terá que mobilizar seus recursos para produzir aquilo que na visão do cliente diferencia o produto dela dos demais disponíveis no mercado. Pode parecer algo óbvio, mas na prática não é o que ocorre. Vemos empresas nacionais reclamando da concorrência com produtos similares chineses. Porém, poucas são aquelas que procuram se diferenciar deles em termos de entrega, por exemplo. Ou mesmo assegurando um padrão superior de qualidade, um serviço de assistência técnica (quando for o caso) de excelência, em oferecer ao mercado flexibilidade em termos de entrega e especificações dos produtos, além de uma série de outras formas de diferenciação. Todavia o que se vê são as empresas procurarem reduzir seus

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Revista IETEC | Ano 9 | Outubro/Novembro de 2012

custos, dizendo que estão tornando-se mais produtivas, de forma impensada e assim acabam destruindo de vez sua possibilidade de entregar valor aos seus clientes. “Como exemplo simples podemos citar empresas que demitem profissionais que ganham salários mais elevados e que contratam outros com salário mais baixo. Via de regra, nestes casos a consequência acaba sendo a queda de qualidade da tarefa executada, o que muitas vezes chega até ao produto, seja ele um bem ou um serviço”, analisa Villela Jr.

Competitividade e Produtividade

Em linhas gerais pode-se afirmar que a competitividade de uma empresa deve ser avaliada sob cinco enfoques: custos, velocidade, flexibilidade, qualidade e confiabilidade, sendo que dependendo de seu posicionamento estratégico no mercado alguns deles podem ser critérios diferenciadores da empresa (e/ou seus produtos) no mercado, outros podem ser critérios qualificadores para que a empresa venha a obter vantagens competitivas e outros podem ser colocados em segundo plano, ou seja, não são nem qualificadores e nem diferenciadores. Precisamos compreender que a produtividade não é um fim, mas um meio para se alcançar algo que a empresa tenha definido como estratégico. Não se pode ter como objetivo somente melhorar a produtividade, mas sim melhorar a produtividade visando um propósito determinado. Assim, a medição da produtividade ficará relacionada a um objetivo estratégico do negócio. Villela explica que “se entendermos a produtividade como sendo a eliminação contínua e consistente de desperdícios e que se aceitarmos o fato de que “Investir em qualificação é uma questão de sobrevivência da indústria, não só quando se ingressa, mas sim ao longo de toda a sua carreira profissional”. Delton Braga, gestor industrial de uma multinacional no ramo de autopeças.


desperdício é tudo aquilo que não agrega valor ao cliente poderemos fazer esta relação”. Como exemplo ele cita o fato de que se uma empresa opta por competir em custos no mercado, a visão dela de produtividade passará por produzir elevados lotes de produção, pois assim os custos unitários tenderão a reduzir. Em uma empresa com este posicionamento, a medição de produtividade seria o volume de produção por unidade de tempo, já em outra empresa onde a estratégia é oferecer ao mercado produtos diferenciados com valor agregado mais elevado a medição de produtividade passaria pelo atendimento aos clientes em termos de prazo e qualidade. Neste último caso, ainda que o custo seja um elemento importante, ele não é o ‘mais’ importante, sendo o atendimento ao cliente, dento da proposta de valor da empresa, a referência de produtividade. Um bom exemplo de empresa empenhada no ganho de produtividade é a Gesilva, empresa prestadora de serviços em telecomunicações no ramo de TV por assinatura, que está implantando um projeto de ganhos de produtividade através da identificação de serviços improdutivos ou que, por algum motivo, não são executados. Essa demanda foi gerada pela análise de que o indicador de desempenho mais considerável da empresa – o lucro organizacional – não estava sendo alcançado. De acordo com sua diretora administrativa, Geane Viana, “escolhemos a restrição que tem causado maior impacto para a empresa. Buscamos, então, a causa, para solucionar a questão”, conta Viana, que acaba de concluir o curso de Gestão de Custos no IETEC. Ainda de acordo com o artigo do presidente da FIEMG, a conquista da competitividade, dentro e fora das fábricas só será alcançada com fortes investimentos em inovação, educação e infraestrutura, podendo mos salientar dois grandes desafios para as empresas, que são: a qualificação/educação profissional e a inovação, seja ela radical ou incremental.

Qualificação Profissional

Uma pesquisa internacional sobre os pontos cruciais para melhorar a competitividade da indústria não deixa dúvidas do quanto o Brasil está defasado. Numa amostra de 11 países desenvolvidos e emergentes entre os mais industrializados do mundo, a preocupação com a produtividade do trabalho, o que somente é conseguida através da Qualificação Profissional, é consensual, sem distinção entre estágios de desenvolvimento, ocupando o topo da lista de prioridades comuns, com 74% de indicações. Entre todas as medidas comparativas, a mais chocante, tratando-se de Brasil, é a da escassez de mão-de-obra treinada e bem formada. No Brasil, tal deficiência foi apontada por 68% dos executivos. A taxa mais próxima é a do México, com 44%, seguido da China (36%), EUA (26%) e Alemanha (22%). A questão do impacto da qualificação profissional pode ser melhor entendida quando ligamos a produtividade à questão dos desperdícios, pois com uma mão-deobra mal qualificada a probabilidade de problemas de qualidade é maior, a lentidão para se executar as tarefas é maior, o consumo de recursos tende a ser superior e assim por diante. No final das contas, a consequência desse processo é o aumento de custos e a nãoentrega da proposta de valor da empresa a seus clientes. Para Delton Braga, gestor industrial de uma multinacional no ramo

Produtividade para pequenas e médias empresas Normalmente, quando se discute produtividade, pensa-se somente em grandes corporações e seus balancetes milionários. No entanto, assegura Villela, as pequenas e médias empresas podem usufruir ainda mais de técnicas e métodos que permitam ganhos de produtividade, sendo que “para isso, elas devem definir a priori a forma como desejam competir no mercado e, a partir desta proposta de entrega de valor ao cliente, devem atuar na eliminação de desperdícios, ou seja, de tudo aquilo que não agrega valor aos clientes”, explica Villela Jr. Como exemplo ele cita o fato de que se para os clientes o fato da empresa ter produtos em estoque não faz diferença, então para que tê-los? Neste caso a empresa poderia direcionar os recursos envolvidos com a manutenção dos estoques para ter um elevado padrão de qualidade, por exemplo, se isto for um diferencial para o cliente. Um bom exemplo é a Luxor Lavanderia de Luxo, empresa com 53 funcionários e uma unidade fabril. Para seu diretorexecutivo, Felipe de Castro e Oliveira, o mercado está cada dia mais competitivo e agressivo. “Para continuarmos crescendo de forma sustentável, temos dado cada dia mais valor aos nossos processos internos. Dessa forma, conseguimos melhorar a qualidade dos serviços, ao mesmo tempo em que reduzimos custos de insumos e de mão-de-obra. Temos conseguido, assim, um aumento considerável de nossa produtividade”, garante.

de autopeças, com mais de 16 anos de experiência, o capital humano é essencial para as empresas e é o grande diferencial para competitividade. “Considero que o fator determinante do destino de toda a sociedade é a educação, e a busca por conhecimento e inovação será o principal propulsor de crescimento econômico das empresas. Investir em qualificação é uma questão de sobrevivência da indústria, não só quando se ingressa, mas sim ao longo de toda a sua carreira profissional”, analisa.

Inovação

Se aceitarmos como verdadeira a definição sucinta de que inovação é a exploração com sucesso de novas idéias, podemos fácil e rapidamente compreender a correlação entre a Competitividade, a Produtividade e a Inovação, ou seja, pode-se compreender que para atender aos critérios que diferenciam uma empresa no mercado deve-se constantemente buscar novas abordagens, novos meios de se fazer as “coisas” e de se entregar os produtos, isto ao mesmo tempo em que deve-se buscar novas idéias para se produzir e entregar estes produtos eliminando os desperdícios, ou seja, eliminando tudo aquilo que não agrega valor aos clientes. Este processo de exploração de um modo diferente de se fazer algo pode vir de idéias totalmente novas e revolucionárias, ou seja, pode vir de inovações radicais, ou pode vir de idéias que são pequenas variantes da forma atual de trabalho ou nos próprio produtos, ou seja, pode vir de inovações incrementais. Independentemente de onde elas venham, o importante é buscar competir sendo “o melhor possível” naquilo que se promete entregar ao cliente. Revista IETEC | Ano 9 | Outubro/Novembro de 2012

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Aconteceu no IETEC

Curtas

IETEC organiza chat no portal GP Brasil O IETEC organizou, no último dia cinco de setembro, um bate-papo virtual sobre o mercado de trabalho em Gestão de Projetos no portal de relacionamento Gestão de Projetos Brasil (gestaodeprojetosbrasil.com.br). A conversa foi motivada por uma postagem no Facebook (www.facebook.com.br/ietec) de matéria sobre a expansão dos ganhos verificada junto aos gerentes de projetos. De acordo com pesquisa da Total Consultoria, empresa responsável pelo levantamento, o salário médio do profissional de GP saltou de R$12.792 (2010) para R$16.024 em 2012, uma melhoria de 25,27%. Trata-se da maior variação verificada entre as 40 profissões pesquisadas. O chat contou com a participação do sócio-diretor da empresa Total Consultoria, José Carlos Bastos e do presidente do PMI-MG, Ivo Michalick.

Copa do Mundo é oportunidade única para profissionais e empresas Somente as obras de infraestrutura para a Copa do Mundo 2014 devem receber investimentos de cerca de R$47 bilhões. O número é do Ministério do Esporte. Segundo o órgão, a realização do evento no Brasil irá gerar obras que, indiretamente, somarão mais de R$185 bilhões. Tal volume de recursos esbarra num empecilho comum em tempos modernos no país: a falta de mão de obra qualificada para planejar, gerenciar e executar tais empreendimentos. Visando oferecer uma visão ampla do processo, além das principais oportunidades para empresas e profissionais, o IETEC convidou o diretor de projetos da Clip Engenharia, Cláudio Kindlé, para falar sobre sua experiência com projetos nas últimas três Copas do Mundo: em 2002, no Japão e Coreia do Sul; 2006, na Alemanha; e em 2010, na África do Sul.

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Revista IETEC | Ano 9 | Outubro/Novembro de 2012

Ecodesign é tema de workshop Com o objetivo de discutir a sustentabilidade nos processos produtivos, o IETEC organizou o workshop “Ecodesign de Cadeias Produtivas”. Para discutir o tema, foram convidados pela coordenação da pósgraduação de Engenharia Ambiental Integrada, os especialistas Américo Guelere Filho (sócio-diretor da LCM Inovação & Sustentabilidade de São Paulo), Wagner S. Costa (gerente de Meio Ambiente da FIEMG) e Cynthia Casagrande (designer de Produtos e Doutoranda em Engenharia Metalúrgica). Durante o evento, foram discutidos os temas ‘Processos e Produtos mais Sustentáveis’, ‘Metabolismo Industrial’ e a Economia no processo através do design. Especialistas discutem a importância do ecodesign para um maior desenvolvimento sustentável.

Sankyu capacita seus colaboradores A Sankyu contratou o IETEC para ministrar o curso ‘Elaboração de proposta técnica e comercial’ para os colaboradores da empresa, especializada na montagem eletromecânica em geral e manutenção de equipamentos industriais, apoio operacional e serviços de logística interna. “O curso foi muito interessante, principalmente pelos conteúdos ministrados e pela forma como os mesmos foram tratados. Faz parte de nossos planos a contratação de outros cursos, principalmente com foco no aperfeiçoamento de nossos colaboradores e especialização dos que atuam na área de orçamentação”, explica Geraldo Magela de carvalho, gerente do departamento técnico comercial da empresa.


      

               

  



  

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Conhecimento Aplicado

Capacitação constante e criação de um plano de carreira

Curtas

Profissional precisa ter o foco bem definido visando a obtenção dos melhores cargos Levantamentos da revista ‘Você S/A’ e outro do jornal ‘O Estado de S.Paulo’ – ambos realizados em agosto/2012 – demonstram o descompasso entre o que as empresas buscam e o que os profissionais têm a oferecer. Para eles, a companhia precisa oferecer benefícios e condições para o desenvolvimento da carreira. Já para elas, o colaborador precisa ser uma referência. É o caso de Luiz Eduardo Lopes Gonçalves, engenheiro civil (UFRJ), pós-graduado em Gestão de Projetos pelo IETEC (1999). Atualmente, é Diretor de Orçamento Global de Investimento de Capital da Vale. Ao longo de sua trajetória profissional, desempenhou diversas atividades na companhia, desde a Gerência de Engenharia em projetos de grande porte, passando pela Gerência Geral de RH, além de ter atuado como diretor da área de Implantação de Projetos. Essa condição de multiespecialista sempre lhe abriu portas. “Fiz a pós-graduação em GP no IETEC em uma época que a Vale estava iniciando seu processo de expansão. De uma hora para outra, diversas oportunidades se abriram na empresa e os mais experientes e capacitados foram convidados para assumir posições de destaque nesse projeto”, analisa. Profissionais Segundo levantamento realizado em agosto de 2012 pela empresa InfoJobs com 29.514 pessoas, a maioria opta por um emprego visando um plano de carreira, apontado por 65,6% dos ouvidos como o item mais importante a ser levado em conta quando de um novo emprego. Em segundo lugar (65,2%) ficou o reconhecimento profissional. A questão financeira vem em terceiro lugar, com 55,9% dos votos. Para Marli de Paula, consultora de carreiras e professora do IETEC, trata-se de uma mudança de paradigma. “O profissional brasileiro está cada dia mais exigente no momento de escolher o melhor lugar para trabalhar. Ele não se contenta mais apenas com um bom salário e benefícios”, afirma. E enfatiza que o trabalhador quer se sentir parte da empresa e ter a certeza de que está envolvido nos planos da organização. “Remuneração também é importante, mas não é o mais decisivo”, assegura.

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Revista IETEC | Ano 9 | Outubro/Novembro de 2012

Luiz Eduardo Lopes Gonçalves

Diretor de orçamento global de investimento de capital da Vale e ex-aluno de pós-graduação em Gestão de Projetos do IETEC.

É o que atesta Gonçalves. “Capacitação é a palavra-chave em qualquer setor, sobretudo no que se refere à Gestão de Projetos, cujos empreendimentos estão ficando cada vez mais complexos e com custos mais altos. Por isso capacitação passa a ser um fator chave de sucesso”, analisa. Empresa Dados do Ministério do Trabalho e Emprego, o índice de trabalhadores que está na mesma empresa há mais de cinco anos caiu de 41,9%, em 2006, para 36,4%, em abril deste ano. A pesquisa “Rotatividade e Flexibilidade no mercado de trabalho”, publicada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mostra que o tempo médio de um profissional numa organização é de cinco anos, embora exemplos de maior longevidade na empresa sejam frequentes e enriquecedores. Luiz Eduardo é um bom exemplo de profissional que cresceu na companhia ao longo dos anos. “Ingressei na Vale na fase de implantação do Projeto Carajás em 1982. Era, nesta época, responsável pelo projeto de engenharia do Porto de Ponta da Madeira em São Luis/Maranhão. Depois participei da implantação de diversas minas e usinas de Ouro, Caulim e projetos na área de Minério de Ferro e Logística. Durante cinco anos fui Gerente Geral de recursos Humanos, o que estendeu muito o meu conhecimento da empresa. Fui posteriormente designado para montar o PMO de projetos e em seguida assumi o Departamento de Orçamento de Capital na área Financeira. São 30 anos de trabalho ininterruptos”, diz. De acordo com Gonçalves, treinamento constante é uma importante alavanca de qualificação. “Mesclar grupos de indivíduos com alto conhecimento e Juniors também. Temos que levar em conta que a alta demanda atual por profissionais qualificado esbarra na oferta reduzida desses profissionais. Daí a necessidade constante de formação de novos profissionais”, finaliza Luiz Eduardo, que também possui MBA em Gestão Empresarial (FEA-USP) e especialização em Liderança Empresarial (MIT Boston/EUA).


Programa de Formação de Trainees. O programa de Formação de Trainees do IETEC foi desenvolvido para empresas que buscam aprimorar competências e investir na formação de suas futuras lideranças. Está estruturado em três etapas, que combinam a formação gerencial, comportamental e conhecimentos técnicos. Idealizado de acordo com as necessidades da organização, prepara os jovens talentos para as demandas do ambiente empresarial com foco na ascensão profissional e contribuição para os resultados da empresa de maneira rápida e consistente.

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Cenรกrio

IETEC: 25 anos

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Opinião

Qual será o indicador escolhido como a melhor dobradinha do IDH para o um futuro monitoramento do desenvolvimento sustentável? Dos inúmeros indicadores sintéticos de sustentabilidade ambiental que proliferaram nos últimos 20 anos, apenas três conquistaram alguma legitimidade: o das “Poupanças Líquidas Ajustadas”, patrocinado pelo Banco Mundial, o “Índice de Desempenho Ambiental”, puxado pelo Fórum de Davos, e a “Pegada Ecológica”, cultivada pelo Global Footprint Network (GFN). Será que um dos três será escolhido como a melhor dobradinha do IDH para o um futuro monitoramento do desenvolvimento sustentável? A resposta poderia estar próxima, já que um dos raros compromissos práticos saídos da Rio+20 é adotar até 2015 um kit de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O rascunho para as negociações multilaterais será preparado em dois anos por um grupo de trabalho a ser ungido já em setembro pela 67ª Assembleia Geral da ONU, com 30 representantes de seus cinco grupos regionais. Qual indicador será escolhido como o melhor índice para o monitoramento da sustentabilidade? Todavia, o sobrevoo dos três finalistas sugere que a escolha mais provável seja do tipo “nenhum dos anteriores”. A preferência do Banco Mundial é pela mudança do próprio cálculo monetário da riqueza nacional, principalmente pela dedução do valor de depreciações advindas do consumo de estoques de recursos naturais e de poluições, contrabalançada pela adição do valor dos investimentos em capital humano. Apresentado em percentagem do rendimento nacional bruto, quanto menor for esse indicador (GSI, na sigla em inglês), menos sustentabilidade ambiental teria o estilo de crescimento econômico do país. Por esse prisma, 23 países estão em trilhas insustentáveis por terem GSI negativo. O destaque vai para Estados Unidos e Rússia, com idêntico sinal vermelho: – 0,8%. No extremo oposto estão 51 países para os quais esse indicador é superior a 10%. Entre eles a campeã, China, com 39,7%, mas também a Índia com 24,1% e a Coreia do Sul com 20%. Os 4,6% do Brasil o jogam bem abaixo da mediana, ocupada pela Nova Zelândia, com 8%. A opção do Fórum de Davos foi tão divergente que gerou resultados opostos. Empenhou-se para que um grupo de pesquisadores das universidades de Yale e de Columbia construísse e aperfeiçoasse indicadores bem mais abrangentes, que pudessem dar conta até da capacidade institucional de um país para um futuro enfrentamento de seus problemas ambientais. O que mais tem sido aceito é o de “desempenho ambiental” (EPI, na sigla em inglês), que combina 23 variáveis com diversos pesos. O maior objetivo (70% da ponderação)

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Foto: Kenji Honda

Dilema da rota aos “ODS”

José Eli da Veiga

Professor dos programas de pós-graduação do Instituto de Relações Internacionais da USP (IRI/USP) e do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ).

é a vitalidade ecossistêmica, com 17 variáveis relativas a 7 dimensões: ar, água, biodiversidade, agricultura, florestas, pesca e clima/energia. Os demais 30% se voltam à saúde ambiental, com 5 variáveis em 3 dimensões. Esse enfoque reprova 43 países, com grande realce para Índia e China. No extremo oposto, 24 países teriam excelente desempenho ambiental, com notas superiores a 70 em escala 1 a 100. Principalmente escandinavos e do oeste europeu, seguidos de Nova Zelândia e Japão. O Brasil ultrapassa a mediana, ficando à frente da Rússia e quase colado aos Estados Unidos. Os 3 com notas pouco acima de 60. Em vez de corrigir a avaliação monetária da riqueza de uma nação, ou estimar vitalidade ecossistêmica e saúde ambiental, a abordagem da Pegada é medir a pressão exercida pelo consumo das populações sobre os recursos naturais, para comparála à capacidade de regeneração da biosfera, chamada de “biocapacidade”. Mostra que há dezenas de sociedades que ainda dispõem de uma espécie de crédito ecológico, por terem pegadas inferiores à quota que corresponde à média da biocapacidade global: 1,8 na última avaliação, em 2007. E revela déficits que em alguns casos já chegam ao triplo dessa quota. Há 60 países com crédito, entre os quais chamam a atenção Índia e Indonésia. No extremo oposto, são 20 os que têm déficits superiores ao dobro do patamar global. A começar por petro-monarquias, como Emirados e Qatar. Mas seguidos de perto pelos mais avançados, como Estados Unidos, Canadá, Austrália e vários europeus, inclusive escandinavos, como Dinamarca, Finlândia, Suécia e até a Noruega. Com pegada de 2,9 o Brasil já está 60% acima da quota global, mas não muito longe da mediana, ocupada pela África do Sul, onde a pegada é de 2,3. São três maneiras de avaliar, mas com imenso contraste entre as duas primeiras e a terceira. Para GSI e EPI, a sustentabilidade ambiental mais importante não é a global, embora ela pudesse ser atingida se todas as nações aumentassem suas poupanças genuínas e também conservassem de seus próprios ecossistemas. O foco da Pegada é oposto: as populações que mais pressionam a biocapacidade global deveriam ser pioneiras da evolução dos modos de consumo, problema que nem de raspão é tocado pelos outros dois indicadores. A Pegada mede as diversas contribuições à insustentabilidade global, tanto de regiões, como de países, entes subnacionais, e mesmo indivíduos. Contribuições que podem ser desagregadas em pegada carbono, pegada hídrica, pegada nitrogênio, etc. Mas infelizmente não em pegada biodiversidade.


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