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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016

IN FOR ME 2013, 2014, 2015, 2016

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Universidade Federal de Santa Catarina

INSTITUTO DE ESTUDOS LATINO-AMERICANOS Prof. Nildo Ouriques - Presidente

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA INSTITUTO DE ESTUDOS LATINO-AMERICANOS INFORME QUADRIANUAL 2013/2016 Universidade Federal de Santa Catarina Instituto de Estudos Latino-Americanos Centro Socioeconômico . Bloco D . Primeiro Andar. Campus Trindade Florianópolis . Santa Catarina . Brasil . 88010-970 Tel: + 55 (48) 3721.4938 – 3721.6483 – 3721.3890 iela@contato.ufsc.br www.iela.ufsc.br Facebook: https://www.facebook.com/institutodeestudoslatinoamericanos/ Twitter: https://twitter.com/ielaufsc Youtube: https://www.youtube.com/c/ielaufsc Organização: Elaine Tavares e Maicon Cláudio da Silva Textos: Elaine Tavares e coordenadores dos projetos. Revisão: Maicon Cláudio da Silva Diagramação e Arte: Midiã Fraga Estagiária/Design Luciano Teixeira Estagiário/Design Junho. 2017 Fotos do miolo: Imagens de domínio público buscadas na Internet Foto da capa: Rubens Lopes Mural de Martinho de Haro – UFSC/Brasil Sobre o Mural: O mural “Folclore e Indústrias de Santa Catarina” foi criado pelo artista plástico Martinho de Haro. É a obra mais antiga que faz parte da história e da paisagem da Universidade Federal de Santa Catarina. Concebida e executada na década de 1970, tenta sintetizar os valores culturais do estado.

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APRESENTAÇÃO REDE SÍNTESE IMPACTO PROSPECTIVA

ÍNDICE I Apresentação

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II Redes de membros e instituições associadas nacionais e internacionais 17 III Projetos de pesquisa em desenvolvimento

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IV Projetos de extensão em desenvolvimento 105 V Resultados das atividades dos grupos e projetos de pesquisa e extensão 145 VI Impacto acadêmico/social dos projetos em desenvolvimento 149 VII Prospectiva: projetos futuros

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informe iela - período 2013 -2016 Esta é a quarta edição do Informe das atividades realizadas no IELA - Instituto de Estudos Latino-Americanos da UFSC (período 2013-2016), um registro que vem se constituindo em um documento histórico, de prestação de contas do que fazemos, e também como instrumento de avaliação de nossos avanços e dos nossos novos desafios. É um documento histórico porque registra alguns dos momentos dos doze anos de trabalho dessa organização, desde os primeiros passos como Observatório LatinoAmericano até hoje já como Instituto de Estudos LatinoAmericanos. Ao longo dos dez anos de existência do IELA (mais dois como OLA) têm-se ampliado os potenciais individuais e dos Projetos (Núcleos) Estruturantes do IELA em relação aos horizontes do projeto histórico de uma América Latina livre e soberana, legado que nos irmanou e que nos mantêm ativos como um instituto de pesquisa e debate. Com essa perspectiva os diferentes temas de estudos e de interesses de nossas pesquisas sobre a América Latina não nos afastam, ao contrário, nos fortalecem e nos instigam a avançarmos juntos. Em meio às inúmeras atividades que nos são impostas pelo modelo educacional neoliberal-universitário e que poderiam nos dispersar, ao contrário, seguimos avançando unidos nos mais elevados ideais e princípios dos lutadores populares e rigorosos intelectuais e pesquisadores latinoamericanos que nos antecederam e nos inspiram com seus textos e exemplos militantes. Por fim, é possível, ao analisarmos a produção do Quarto Informe do IELA afirmar que crescemos muito e que estamos aprendendo muito uns com os outros, prova disso são todas essas páginas a informar do que fazemos, e também da qualidade acadêmica com que fazemos o que fazemos, mas é também importante percebermos o quanto ainda podemos/precisamos avançar em nossos estudos, pesquisas e intervenções sociais frente as injustiças e misérias produzidas pelo projeto capitalista. Para nós é um orgulho muito grande ter presidido o IELA, porque o IELA expressa em suas ações rigorosidade cientifica, fraternidade, solidariedade, mas também e acima de tudo, uma radical indignação contra as injustiças do mundo e que só serão superadas, a nosso ver, através de projetos coletivos respaldados na boa ciência e ética, horizontes contidos nas teses do pensamento crítico da libertação latino-americana, planetária que nos aproximou e nos motiva a prosseguir construindo esse Instituto.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 Assim, com sua produção militante o IELA vai crescendo e assumindo sua vocação intelectual, acadêmica e científica por um mundo melhor em meio a uma universidade brasileira e uma América Latina ainda imersa em conservadorismos, mas que por certo um dia a história militante dos povos haverá de superar. Agradecemos pelo tanto que cada um dos membros do IELA fez em 2013-2016 para com seus trabalhos militantes abreviarem o tempo histórico da libertação em nossa universidade (UFSC), no continente e no mundo.

Paulo Capela (2013) Nildo Domingos Ouriques (2014 – 2016) Presidentes do IELA

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I APRESENTAÇÃO

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“A Universidade Federal de Santa Catarina, fundada em 1960, tem por finalidade “produzir, sistematizar e socializar o saber filosófico, científico, artístico e tecnológico, ampliando e aprofundando a formação do ser humano para o exercício profissional, a reflexão crítica, solidariedade nacional e internacional, na perspectiva da construção de uma sociedade justa e democrática e na defesa da qualidade de vida”. Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Introdução Este Informe apresenta à comunidade acadêmica, ao público brasileiro e latino-americano o esforço intelectual que o Instituto de Estudos Latino-Americanos desenvolve no sentido de contribuir para dotar a universidade brasileira, em particular a Universidade Federal de Santa Catarina, de capacidade reflexiva sobre a realidade latino-americana. Contém o informe das atividades realizadas nos anos de 2013 a 2016 além do programa de atividades futuras a serem efetuadas pelo IELA. O IELA está constituído por professores, técnicoadministrativos e estudantes de seis Centros de Ensino da UFSC, de outras universidades brasileiras e da América Latina, que integram uma rede de professores pesquisadores que realizam diferentes atividades acadêmicas, tais como: organizar e apoiar os eventos, elaborar textos para nossas publicações eletrônicas e impressas, dar conferências, cursos e entrevistas, assessorar governos e entidades do movimento social, entre outras. Com isso, neste período, já nos credenciamos diante de importantes instituições de ensino e pesquisa da América Latina.

Origem e papel do IELA O IELA representa um esforço inédito na universidade brasileira que até bem pouco tempo se mantinha indiferente com relação aos estudos latino-americanos, campo de reflexão consolidado nas universidades européias, estadunidenses e asiáticas. Portanto, a criação do Instituto veio superar uma debilidade institucional e intelectual que caracterizava a universidade brasileira e que a mantinha alheia às transformações que ocorrem de maneira mais evidente na América Latina, entre as mais visíveis a integração latinoamericana, que avança em termos econômicos, culturais e institucionais.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 O Instituto é, também, uma iniciativa que busca contribuir para a superação da departamentalização nas universidades. Com trabalho coletivo e solidário, pretende ultrapassar o esforço inglório da pesquisa artesanal e solitária, rompendo o isolamento a que tantas iniciativas estão submetidas. Estabelece, assim, uma interlocução permanente entre os projetos, para que possam se desenvolver de forma plena.

Um pouco de história Em 2004, um pequeno grupo, liderado pelo professor Nildo Domingos Ouriques, do Departamento de Economia e Relações Internacionais, com a participação da professora Beatriz Paiva, do Departamento de Serviço Social, e das jornalistas Elaine Tavares e Raquel Moysés, criou o espaço institucional necessário para desenvolver os estudos latinoamericanos no âmbito da UFSC. Assim, como resultado desta iniciativa, em 7 de julho de 2004, nasceu o Observatório Latino-Americano (OLA) que, progressivamente, incorporou, estudantes como colaboradores. O OLA se constituiu, assim, em um grupo de pesquisa que, com o seu trabalho de investigação, passou a alimentar um portal na rede mundial de computadores. Esse portal passou a ser responsável pela divulgação da produção gerada pelos seus integrantes e teve como princípio básico que todo o trabalho deveria ser criado a partir de uma perspectiva crítica, não eurocêntrica. Em poucos meses o OLA logrou ser, então, um espaço coletivo e interdisciplinar de desenvolvimento intelectual na medida em que passaram a integrá-lo outros projetos, especialmente de professores que antes atuavam de forma isolada e com objetos de pesquisa pontuais dentro dos estudos latino-americanos na UFSC.

O crescimento do OLA A tradição intelectual brasileira se caracteriza por certo distanciamento das influências latino-americanas. A impressão é de que o Brasil está de costas para a América Latina, particularmente quando se refere à criação do conhecimento científico e à adoção de políticas comuns, necessárias à integração entre os países e povos latinoamericanos. Mesmo com o recente interesse do Brasil pelos assuntos da região, especialmente importante quando diz respeito aos temas que envolvem o Mercosul, e, mais recentemente a Unasul, a verdade é que ainda está longe de ver consolidado nas universidades brasileiras um trabalho

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de reflexão permanente sobre a realidade deste continente e sobre o papel da universidade nessa construção. Por outro lado, é notável o despertar da América Latina em termos de mobilização política e luta social, o que demanda a elaboração de um conhecimento próprio para os problemas particulares de nossa região. De maneira inédita no Brasil, essas mudanças exigem agora a criação de um pensamento crítico e original, capaz de apresentar soluções aos grandes problemas econômicos, políticos, culturais e sociais de nosso continente. É verdade que a descoberta de que também pertencemos à América Latina aparece de forma ainda ingênua e fluida no país, o que não impede que, gradualmente, a universidade brasileira crie núcleos, centros de estudo e até mesmo programas de pós-graduação que, embora importantes, são notoriamente insuficientes para atender uma demanda crescente do estado e da sociedade brasileira. Com o trabalho desenvolvido inicialmente pelo OLA, esses grupos, inclusive de outras universidades de Santa Catarina e do país, enxergaram a possibilidade de este vir a ser uma espaço de articulação institucional até então inexistente. O OLA ultrapassa assim, os muros da UFSC, espraiando-se por outras cidades do estado.

Equipe da 1ª Jornada Bolivariana

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Nasce o IELA Na raiz deste processo, o Observatório LatinoAmericano (OLA) ficou insuficiente. Por isso, grupos de pesquisadores da UFSC, que já desenvolviam esforços na área de estudos latino-americanos, e outros que se interessaram por este campo de estudo, consideraram que era o momento de propor sua reestruturação, criando o Instituto de Estudos Latino-Americanos - IELA . Na proposta, o fundamento básico foi a necessidade de manter certa unidade temática, sempre com respeito ao pluralismo teórico-metodológico, condição indispensável para o bom desenvolvimento dos trabalhos e para o crescimento institucional da UFSC. Assim, com a idéia acolhida pelo reitor Lúcio Botelho, o IELA foi criado por meio da Portaria nº. 488, de 19 de julho de 2006, juntamente com a Portaria de nº. 489 (GR/19/07/2006), que designou o Professor Nildo Domingos Ouriques como seu primeiro presidente.

Os objetivos do IELA Desenvolver estudos e pesquisas sobre a realidade latino-americana, na perspectiva de decifrar os novos condicionamentos da dependência e do subdesenvolvimento dos países latino-americanos na política e economia mundial; Apoiar pesquisas e atividades didáticas da área dos estudos sobre América Latina, de estudantes, professores, técnicos- administrativos e a comunidade em geral, interessados no tema; Prestar assessoria e consultoria especializada em temas referentes às políticas econômicas e sociais que afetam os países latino-americanos e outras instituições de ensino superior, nacionais e internacionais; Desenvolver programas de formação e capacitação de dirigentes dos movimentos populares, professores e de instituições universitárias, nacionais e estrangeiras; Difundir análises acerca da vida social, cultural, econômica e política do continente latino-americano; Desenvolver programas e intermediar parcerias com outras instituições para a realização de cursos em nível de pós-graduação na área dos estudos latino-americanos; Promover intercâmbios com organismos nacionais e estrangeiros, visando a realização de estudos e pesquisas na área dos estudos sobre a América Latina;

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Difundir conhecimento que contribua para a tomada de decisões pelos fóruns acadêmicos e movimentos sociais, nos espaços de construção e mobilização político-intelectual; Organizar e disponibilizar, em banco de dados, o acervo de publicações científicas do Instituto; Promover encontros científicos, seminários, simpósios, colóquios, jornadas, congressos e outras atividades similares no campo dos estudos sobre a América Latina.

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II REDES DE MEMBROS

E INSTITUIÇÕES ASSOCIADAS NACIONAIS E INTERNACIONAIS


Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 Professores e técnicos que integram o corpo de pesquisadores e colaboradores associados ao IELA, de centros, nacionais e internacionais, e instituições afins, que têm atuado como autores de livros, ensaios, análises, entrevistas, cursos e conferências promovidas pelo Instituto.

UFSC

Centros de Ensino da UFSC Centro Socioeconômico Prof. Nildo Domingos Ouriques Profa. Beatriz Paiva Prof. Lauro Mattei Profa. Dilceane Carraro Elaine Tavares ( Jornalista IELA) Raquel Moysés ( Jornalista Agecom/CSE) Maicon Cláudio da Silva (Secretário IELA) Centro de Desportes Prof. Paulo Capela Prof. Edgar Matiello Centro de Ciências da Educação Profa. Roselane Fátima Campos Centro de Ciências da Educação Colégio de Aplicação Profa. Danuza Meneghello Prof. Rodolfo Pantel Prof. Camilo Buss de Araújo Prof. Tomás Fontan Profa. Fabíola Ferreira Teixeira Centro de Filosofia e Ciências Humanas Prof. Waldir Rampinelli Centro Tecnológico Prof. Irlan Linsinger Centro de Ciências Jurídicas Prof. Antônio Carlos Wolkmer

OUTRAS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS FURB Profa. Catarina Gewher - Psicologia Prof. Ivo Thais - Economia

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UEL Prof. Eliel Machado UNOESTE Profa. Maria Lúcia Frizon Prof. Francis Mary Guimarães Liliam Forte Borges UFPE Prof. Luis Vieira - Filosofia UEM Prof. Pedro Jorge de Freitas UECG Prof. Renato Killp UFES Prof. Luiz Jorge V. Pessôa de Mendonça Prof. Paulo Nakatani UFG Prof. Eugênio Rezende de Carvalho UFJF Prof. Gilberto Felisberto Vasconcellos UFRGS Profa. Maria Cecy Misoczky Profa. Sueli Goulart Silva Prof. Guilherme Câmara Rafael Kluter Flores UFF Prof. Marcelo Carcanholo UFRJ Prof. Rodrigo Castelo Branco UFT Prof. José Pedro Cabrera Cabral UNILA Prof. Fernando Correa Prado Profa. Mirella Rocha Prof. Wolney Carvalho UNIVALI Daniel da Cunda Corrêa

Che Guevara 1928-1967 Argentina, Cuba Um dos mais importantes revolucionários socialistas do século XX, que ao lado de Fidel Castro, lutou em 1959 e inaugurou um novo regime em Cuba. Destacouse pela produção teórica por seus escritos à juventude. Também atuou no processo de libertação na África e morreu lutando na Bolívia. Tornou-se um dos maiores símbolos do mundo, um exemplo de fidelidade e total devoção à união dos povos subjugados. “Hay que endurecerse pero sin perder la ternura jamás”

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UNIVERSIDADES ESTRANGEIRAS Argentina Alcira Argumedo Alejandro Olmos Gaona Daniel Marcos Natália Vinelli Chile Orlando Caputo Colômbia Ricardo Sanchez Jaime Estrada Victor Moncayo Bolívia Andrés Soliz Rada Eduardo Paz Rada Máximo Quilbert Equador Luis Fernando Sarango Macas Manoel Salgado Tamayo Pablo Dávalos René Báez Haiti Didier Dominique Venezuela Judith Valencia Cuba Lurdes Regueiro Pedro Martínez Osvaldo Martínez Fernando Martínez Herédia Raimundo Franco Parellada Digna Castañeda El Salvador Fidel Nieto Luís Alvarenga México Adolfo Morales Valladares Sandra Mirna

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Adrián Sotelo Valencia José Carlos Valenzuela Feijoó Luis Javier Garrido Heinz Dieterich Stteffan Jaime Osório Estados Unidos James Cockcroft John Bellamy Foster Russel Jacoby China Xiaoqin Ding Costa Rica Rafael Cuevas Molina França Hernando Calvo Ospina

Joaquín Torres García 1874-1949 Uruguai Joaquín Torres García foi um destacado pintor, professor, escritor, escultor e teórico de arte uruguaio. Sua obra mais famosa é o quadro América Invertida, que traz o continente com o Sul acima do Norte.

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III PROJETOS DE

PESQUISA EM DESENVOLVIMENTO


PESQUISA Os projetos que integram a atividade de pesquisa dos integrantes do IELA na UFSC são: 1 - Observatório Latino-Americano - CSE 1.1 - Observatório Latino-Americano/Economia e Relações Internacionais - CSE 1.2 - Grupo de Estudos e Pesquisa Veias Aberta – Trabalho e Política Social na América Latina – Serviço Social – CSE. 1.2.1 – Indígena Digital 1.3 - Projeto “Os Povos Originários de Nuestra América” - A Recuperação Cultural das Civilizações Antigas – Agecom/CSE 1.4 - Projeto “Portal Latino-Americano” – Agecom/CSE 2 - Vitral Latino-Americano de Educação Física, Esportes e Saúde - CDS 3 - Projeto Pluralismo Jurídico e Historicidade Crítica na América Latina - CCJ 4 - Projeto Córdoba/Colégio de Aplicação 5 - Núcleo de Estudos de História da América Latina - NEHAL/CFH 6 - O Nacionalismo Revolucionário

APRESENTAÇÃO DOS PROJETOS 1. Observatório Latino-Americano - OLA Este projeto de pesquisa, devidamente registrado no CNPq, está organizado em torno ao eixo articulador do IELA que engloba as seguintes problemáticas: a crítica ao pensamento eurocêntrico e a construção de um pensamento crítico e autônomo latino-americano. Cinco são os subprojetos que integram o OLA:

José Martí 1853-1895 Cuba Foi um poeta, filósofo e político, criador do Partido Revolucionário Cubano e mártir da independência de Cuba. Teve o seu poema “Versos Sencillos” adaptado na música “Guantanamera”, agora considerada música patriótica de Cuba. “A verdade, uma vez desperta, nunca volta a dormir.”

. Observatório Latino-Americano/Economia e Relações Intenacionais; . Grupo de Estudos e Pesquisa Veias Aberta – Trabalho

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 e Política Social na América Latina; . Projeto “Os Povos Originários de Nuestra América” A Recuperação Cultural das Civilizações Antigas; . Projeto “Portal Latino-Americano” . O Nacionalismo Revolucionário Todos os trabalhos de investigação desenvolvidos neste grupo desembocam no portal latino-americano, espaço onde os resultados dos estudos são disponibilizados na rede mundial de computadores. Coordenação: Nildo Domingos Ouriques - Economia Internacionais Beatriz Augusto de Paiva - Serviço Social Elaine Tavares – IELA Maicon Cláudio da Silva – IELA Dilceane Carraro – Serviço Social

e

Relações

1.1. Observatório Latino-Americano/Economia e Relações Internacionais Histórico do Grupo Criação e orientação política do grupo: O grupo de leitura, discussão e pesquisa do Observatório Latino-Americano (OLA) foi criado ao final de 2005, através de convite feito pelo Prof. Nildo Ouriques a um grupo então reduzido de estudantes. Estes, cursando, sobretudo, as fases iniciais do curso de Economia, tomaram desde o início para si a tarefa de organização coletiva como grupo de estudos, atuando em três frentes indissociáveis: a leitura dos clássicos da ciência social crítica na América Latina; a realização social desta leitura através de encontros para discussão e debate das obras; e, ainda, o desenvolvimento de projetos individuais de pesquisa, forma autônoma de verificação na realidade da importância e atualidade dos conceitos e categorias estudados em cada leitura. Este grupo, inicialmente restrito, ampliou-se não somente em número, mas também em importância devido às atividades desenvolvidas. Tal processo de amadurecimento, exigido e condicionado pela

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necessidade de explicação das transformações sociais em curso na América Latina, explica a razão pela qual tem sido constantes, dentro e fora da Universidade brasileira, intelectualmente colonizada e de costas para a América Latina, os convites para que o grupo participe de atividades como aulas e mini-cursos sobre teoria social na América Latina. A realidade social na América Latina, complexa e absolutamente sui-generis, inclassificável, portanto, em qualquer forma ou molde teórico alheio às suas condições objetivas, requer grande dose de responsabilidade intelectual e de rigor científico na tentativa de explicação autônoma desta realidade. E, dado que esta tarefa se apresenta de forma irreversível (pois irreversíveis são as mudanças sociais correntes), deve-se somar a essa sociologia necessária para a libertação intelectual a criatividade e a disciplina militantes, componentes que são do comprometimento político que unirá as tarefas de estudo e de transformação da realidade no âmbito de uma mesma práxis. Esses compromissos e desafios se chocam, em essência, com a lógica academicista própria da forma de reprodução da Universidade brasileira. Um dos mais perversos pilares desta Universidade é a estrutura hierarquizante de seu conhecimento, já A Universidade colonizado. Sobre esta brasileira aprofunda o estrutura se assenta o saber catedrático e academicismo e sua lógica alienante e polarizante faz do processo de de reprodução. Cabe-nos ensino-aprendizagem nestas linhas destacar um medíocre pacto o caráter polarizante: a Universidade brasileira aprofunda o saber catedrático e faz do processo de ensino-aprendizagem um medíocre pacto. Como o conteúdo presente em sala de aula está ausente da realidade imediata dos estudantes, o silêncio se instala enquanto estranhamento, e o saber se estratifica, se engessa, perde seu caráter social, se transfigura em um não-saber meramente instrumental. Os professores optam pela via das publicações e da pontuação (caminho mais rápido para suas progressões funcionais e aumento de salários); os estudantes, sofrem a Universidade, feita via-crúcis para um mercado de trabalho ainda pior. O academicismo hierarquiza no processo do conhecimento professor e estudante, subordinando quase paternalisticamente este àquele. A atuação de nosso grupo não pretende transformar estudante em professor ou professor em estudante, mas sim superar esta estrutura polarizante em que se assenta a Universidade brasileira.

Dandara ???? - 1694 Brasil Foi uma guerreira negra do período colonial do Brasil, esposa de Zumbi dos Palmares. Descrita como uma heroína, Dandara dominava técnicas da capoeira e teria lutado ao lado de homens e mulheres nas muitas batalhas de defesa do quilombo de Palmares.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 Por isso, trata-se de uma atuação necessariamente antiacademicista, postura que traz fortes exigências para a leitura, a discussão e a pesquisa. Para a leitura, o anti-academicismo tem significado para o grupo do OLA sempre a leitura de uma obra completa, objetivando com isso uma interpretação suficientemente ampla e totalizante sobre o autor, seu contexto (tempo e espaço) e sua orientação política. A leitura de uma obra completa exige, desde o início, a definição da prioridade de cada um dos componentes do grupo. Enquanto a Universidade se reproduz da cultura do efêmero, do descartável, da novidade, nosso grupo se concentra em leituras de autores essenciais para a compreensão social de nosso continente (por serem essenciais é que foram marginalizados na Universidade). Para a discussão, o anti-academicismo tem significado o esforço permanente de construção de uma estrutura horizontal e sincera de debate, onde a crítica interna seja condição essencial para a realização da função social do conhecimento. Enquanto a Universidade se reproduz marginalizando a importância social da crítica como denúncia e anúncio, como esclarecimento e construção, reproduzindo o pacto do silêncio, nosso grupo faz dela um instrumento de diálogo, de contribuição e de valorização da posição intelectual de cada membro. É em respeito aos integrantes e em respeito à responsabilidade de estar à altura de explicar e transformar a América Latina que fazemos a crítica, inclusive a nós mesmos, se necessário for. Para as pesquisas individuais, o anti-academicismo tem significado a superação do fetiche existente na Universidade brasileira a respeito da pesquisa, da investigação na realidade dos conceitos e teorias aprendidas bancariamente em sala de aula. Enquanto a Universidade se reproduz restringindo a pesquisa à pós-graduação e aos professores, em detrimento da qualidade do ensino

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na graduação, nosso grupo faz dela um instrumento de atualização teórico-metodológica, de verificação nas categorias do real da aplicabilidade de teorias e conceitos. Atividades Leitura, Discussão e Pesquisa: Em sua mais nova formação, iniciada em 2016, o grupo de Leitura, Discussão e Pesquisa do OLA debateu os seguintes livros: • O Dilema da América Latina, de Darcy Ribeiro; • América Latina: Males de Origem, de Manoel Bomfim; • Capitalismo y Subdesarrollo em América Latina, de André Gunder Frank; • Mito e Verdade da Revolução Brasileira, de Alberto Guerreiro Ramos; • Teoría y Práctica de la Ideología, de Ludovico Silva; • Capitalismo e Escravidão, de Eric Williams; • 7 Ensaios de Interpretação da Realidade Peruana, de José Carlos Mariátegui.

Violeta Parra

Além dessas, são obras base da bibliografia do OLA: • Os Jacobinos Negros, de Ceryl James; • Economia de la Sociedad Colonial, de Sérgio Bagú; • América Latina: Subdesarrollo o Revolución, de André Gunder Frank; • Azúcar y Población en las Antillas, de Ramiro Guerra; • O Desenvolvimento do Capitalismo na América Latina, de Agustín Cueva; • Subdesenvolvimento e Revolução, de Ruy Mauro Marini; • A Revolução Brasileira, de Caio Prado Jr; • Dialética do Concreto, de Karel Kosik; - Drogas, Terrorismo e Insurgência, de Manuel Salgado Tamayo; • O Poder Dual e O Estado na América Latina, de René Zavaleta Mercado; • Interpretação Marxista da História do Chile, de Luís Vitale; • Dialética da Dependência e Dialética do Desenvolvimento Capitalista no Brasil, de Ruy Mauro Marini; • A Sociologia dos Países Subdesenvolvidos, de Álvaro Vieira Pinto; • Consciência e Realidade Nacional, de Álvaro Vieira Pinto; • Capitalismo dependente latino-americano, de Vânia

1917-1967 Chile Foi cantora e compositora, pintora, escultora, bordadeira e ceramista chilena, considerada uma das principais folcloristas na América e grande divulgadora da música popular do país. Suas composições mais famosas são “Gracias a la vida”, “Volver a los diecisiete” e “Canción con todos”.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 Bambirra; • A mais-valia ideológica, de Ludovico Silva; • O processo de dominação política do Equador, de Agustín Cueva; • Política Britânica no Rio da Prata, de Raúl Scalabrini Ortíz; • Anti-manual para el uso de Maristas, Marxólogos y Marxianos, de Ludovico Silva. Os livros têm atuado como importante elemento de latino-americanização de estudantes, nos levando a contrapor, sempre, a estrutura colonizada e hierarquizante do ensino em sala de aula com a perspectiva crítica e horizontal dos livros debatidos. Atuam, também, como importantes definidores de projetos de pesquisa, estes sendo, na maioria das ocasiões, continuados sob a forma de monografias e dissertações. Em essência, há uma associação entre as tarefas de leitura de qualidade, de debate comprometido com a crítica e a construção intelectual e de elaboração de projetos de pesquisa vinculados à realidade social do continente com as tarefas próprias de se fazer e de se transformar a Universidade. Coordenação: Prof. Nildo Ouriques Subcoordenação: Maicon Cláudio da Silva (IELA) Participantes: Lucas Pottmaier Ávila (Bolsista, Estudante de Relações Internacionais) Davi Antunes da Luz (Estudante de Relações Internacionais) João Victor Targino Foz (Estudante de Economia) Henrique Martins (Estudante de Relações Internacionais) Arthur Dejean (Estudante de Economia) Matheus Anlauf (Estudante de Economia) Pedro Jerônimo Vaz de Faria (Estudante de Engenharia Elétrica) Rafael Zerbini de Carvalho Martins (Estudante de Economia) Heloísa Souza de Oliveira (Estudante de Economia) Felipe Maciel Martins (Estudante de Economia) Marcela Pataro (Formada em Direito) Beatriz Zili (Estudante de Ciências Sociais) Gabriel Garcia (Estudante de Relações Internacionais)

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1.2. Grupo de Estudos e Pesquisa Veias Aberta – Trabalho e Política Social na América Latina “É necessário que a doença que nos ataca atinja outros com igual intensidade para que vejamos neles um irmão e lhes mostremos as nossas chagas, isto é, os nossos manuscritos, as nossas misérias, que publicamos cauterizadas, alteradas em conformidade com a técnica.” [Graciliano Ramos] A processualidade histórica que faz emergir no Brasil um conjunto de direitos sociais, bem como sua materialização através de políticas sociais públicas, a partir do marco regulatório expresso na Constituição Federal de 1988, carece de uma análise crítica genuinamente latinoamericana, haja vista a debilidade histórico-estrutural do capitalismo dependente de responder as necessidades sociais das maiorias na América Latina, tampouco de promover a democratização necessária à realização social da emancipação política das massas. Nessa perspectiva, o Grupo de Estudos e Pesquisas Veias Abertas elegeu como objeto de estudo Trabalho e Políticas Sociais na América Latina enquanto categorias histórica, política e estruturalmente determinadas, haja vista analisar as particularidades da produção e reprodução capitalista no continente, a partir do legado crítico da Teoria Marxista da Dependência, bem como problematizar as condições concretas das políticas sociais na sociedade brasileira de modo que inquiríssemos sobre as possibilidades reais de ultrapassagem do eixo formal-abstrato dos direitos sociais, na direção da mobilização protagônica das massas. Ademais, cabe ressaltar que a criação do Grupo de Estudos Veias Abertas, remeteu a um objetivo principal, qual seja, constituir espaço para estudos e pesquisas sobre Trabalho e Política Social na América Latina, considerando ambas as categorias a partir do movimento contraditório que processam, no âmbito da produção e reprodução material da vida social sob o modo capitalista de produção erigido sobre a agudização de suas contradições, isto é, o capitalismo periférico e dependente. A partir desse intento, podemos referenciar os seguintes objetivos específicos: • Constituir espaço de estudos e pesquisas sobre a

Raúl Scalabrini Ortiz 1898-1959 Argentina Scalabrini Ortiz foi um engenheiro e militante argentino. Formou parte da FORJA (Fuerza de Orientación Radical de la Joven Argentina), e foi um dos principais pensadores nacionalistas do país. Seus livros mais importantes são Política Britânica no Rio da Prata, e “Historia de los ferrocarriles argentinos”.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 realidade concreta da América Latina, afastandose de formas empobrecidas, reducionistas, parciais e formalistas, a partir da consideração do terreno histórico, político e econômico do continente; • Empreender análise do terreno histórico, político e econômico que conforma a dependência como relação social fundamental entre nações periféricas e centrais, considerando que tal relação imprime à América Latina uma forma específica de expansão da produtividade do trabalho e extração da mais-valia; • Apreender as particularidades da processualidade da política social na América Latina, considerando seus múltiplos determinantes e determinações, tendo em vista especialmente a dialética contraditória entre o Estado capitalista dependente e a dinâmica específica da luta de classes; A proposta teve como fio condutor da análise a latinoamericanização do debate, considerando a necessidade de pensar horizontes categoriais de análise assentados na realidade concreta do continente dentro das universidades brasileiras. Dessa maneira, reiteramos nosso esforço em pensar criticamente desde abajo, o que significa negar a reprodução de uma ciência gerada como mônada, imune às contradições e aos conflitos sociais da sociedade, de modo a não contribuir para um saber erudito tantas vezes espúrio e retomar uma razão que nos explique a partir de nossa própria realidade. Nessa medida, o referencial teóricometodológico derivou, essencialmente, da perspectiva dialética-materialista, numa dimensão fortemente crítica da tendência eurocêntrica, portanto, alinhada com o pensamento crítico das ciências sociais latino-americanas. Os procedimentos metodológicos do Grupo de Estudos Veias Abertas incluíram: i) reuniões com calendário prédefinido, cuja periodicidade obedeceu um encontro por mês, com o objetivo de debater e analisar a referência préestabelecida; ii) as referências se constituíram em livros completos, de autores que compõem o pensamento social Latino-Americanos, organizadas em ciclos de estudos; iii) os participantes compareciam ao encontro com a leitura completa da referência, bem como com o comentário analítico sistematizado da obra para exposição e posterior debate coletivo e demais sistematizações; Considerada a importância do espaço fomentado pelo Grupo de Estudos, no que se refere às análises e ao debate teórico-político a partir do prisma Latino-Americano, almejamos que tal espaço também estimule os participantes a elaborarem uma agenda de pesquisa. Assim, aspiramos que ao término do primeiro semestre, cada participante elabore um esboço de projeto de pesquisa, a partir de uma

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intencionalidade teórico-metodológica e ética-política que o mova, expressa em um objeto referenciado a partir do tempo e espaço Latino-Americanos. Autores e obras estudadas: Eduardo Galeano, Veias Abertas da América Latina; Eric Williams, Capitalismo e Escravidão; Darcy Ribeiro, O Dilema da América Latina: Estrutura de Poder e Forças Insurgentes; Jose Carlos Mariátegui, Sete Ensaios de Interpretação da Realidade Peruana; Sérgio Bagu, Economía de la Sociedad Colonial; C. L. R. James, Os Jacobinos Negros; Andre Gunder Frank, Lumpenburguesia: lumpendesarrollo. Coordenação Prof. Beatriz Augusto de Paiva Supervisão Pedagógica Prof. Mirella Rocha e Prof. Dilceane Carraro.

Simón Bolívar 1.2.1 - Projeto Indígena Digital A capacitação da juventude indígena no manejo das novas tecnologias é mais um passo para a autonomia e emancipação dos povos originários. A Universidade Federal de Santa Catarina, através do IELA, iniciou em 2011 um importante projeto de inclusão digital das comunidades indígenas do estado. O trabalho, coordenado pela professora Beatriz Paiva (Serviço Social/UFSC), começou no Morro dos Cavalos, com uma comunidade Guarani que vive próximo à Florianópolis. Desse processo foi produzido um documentário sobre a cultura local, difundido pela rede mundial de computadores. Depois, em 2013, por conta do sucesso da proposta, o grupo de trabalho decidiu ampliar o projeto para todo o estado de Santa Catarina, abrangendo mais outras quatro aldeias da etnia Guarani. A partir daí essas cinco aldeias Guarani foram visitadas e, em cada uma delas, criado um núcleo de discussão e capacitação para o uso das novas tecnologias. Foram realizadas oficinas, nas quais os equipamentos de vídeo e fotografia eram apresentados e os jovens indígenas capacitados para o manuseio. O objetivo final desse processo foi a filmagem e a construção de um vídeo em cada aldeia, tudo feito pelos próprios Guarani. Cada comunidade decidiu-se por um tema específico: a situação da aldeia, o

1783-1830 Venezuela, Colômbia, Panamá, Peru

Bolívia, Equador,

Foi um militar, libertador, visionário e líder político venezuelano. Responsável pela independência de diversos países latino americanos e por criar as bases democráticas na América Hispânica. É considerado “O Libertador da América Latina”. “Maldito é o soldado que aponta suas armas para o povo.”

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milho, folguedos tradicionais, coral indígena e demarcação de terra. A rica experiência de inclusão digital em Santa Catarina, que se estendeu por quatro anos, levou o grupo coordenado por Beatriz Paiva a propor um passo mais ousado, que culminou com a construção de um novo projeto – semelhante ao vivido no estado – para todo o Brasil. Assim, nasceu o projeto de Inclusão Digital Indígena Nacional que pretende formar jovens e adultos indígenas no uso das Tecnologias de Informação e Comunicação, principalmente aquelas voltadas para produção, edição e veiculação de audiovisual. Essa terceira fase do trabalho começou em fevereiro de 2015 e foi realizada em parceria com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil - APIB, suas representações locais (Arpinsul, ArpinPan, ArpinSudeste, CGY, COIAB, APOINME, Aty Guassu), Universidades Federais ou Institutos Federais de cada região e a Fundação Nacional do Índio. Ao todo foram cinco regiões do país e cinco etnias (Tembé, Kaigang, Guarani, Tupiniquim, Apib), respectivamente nos estados do Pará, São paulo, Paraná, Pernambuco e Distrito Federal. Todas essas comunidades receberam capacitação em audiovisual, fotografia, produção e edição de vídeos, com a veiculação virtual e material dos conteúdos produzidos, nos mesmos moldes do trabalho que foi realizado em Santa Catarina. A intenção foi fortalecer essa articulação de entidades para que, mais na frente, se possa pensar em um programa de universalização da Inclusão Digital para os indígenas de todo o Brasil. “Apostamos que com a socialização dos conhecimentos com os Povos Indígenas, favorecendo o respeito ao modo tradicional de viver de cada povo e o seu fortalecimento, poderemos estabelecer um novo marco das relações de comunicação indígena. Este projeto de extensão, além de contribuir para o fortalecimento das práticas de extensão na Universidade Federal de Santa Catarina e particularmente no curso de Serviço Social desta instituição, é uma iniciativa inédita em nível nacional”, diz Beatriz Paiva. Toda essa proposta, que começou em Santa Catarina, está baseada no profundo compromisso que tanto o Departamento de Serviço Social, como o IELA, onde o projeto está sediado, têm com a defesa dos direitos dos povos indígenas. Ancorado nessa ideia, o grupo liderado pela professora Beatriz, realizou um amplo trabalho de consulta prévia junto aos povos indígenas para que fossem eles os que decidissem qual seria o caminho a tomar. Articulados pela APIB foram os próprios indígenas que decidiram onde e quais seriam as comunidades atendidas. A equipe atuou no sentido de priorizar as condições materiais da localidade escolhida, com disponibilidade

Victor Jara 1932-1973 Chile Músico, cantor e compositor, Victor Jara foi um dos principais nomes do movimento músico-social chamado “Nueva Canción Chilena”. Sua consciência comunista refletiu-se em sua obra, da qual foi peça chave. Após o golpe militar que derrubou Salvador Allende, foi preso torturado e fuzilado no Estádio Chile. De suas canções se destacam “Te recuerdo Amanda”, “Duerme Negrito”, e “Manifiesto”.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 de conexão de internet e uma estrutura compatível com o abrigo da chuva ou outras intempéries. Essas condições foram prioritárias para que o projeto possa começar. O censo 2010 do IBGE informa que em todas as regiões do Brasil existem comunidades indígenas, com uma população que já chega a 900 mil pessoas. Destas, 62% vivem nas chamadas Terras Indígenas, já demarcadas ou em vias de demarcação. O número é bastante significativo e coloca para o estado brasileiro um desafio, que é o de realmente garantir às comunidades o acesso à informação e aos mecanismos de produção dessa informação para que possam vivenciar sua autonomia em igualdade de condições com os não-índios. Algumas políticas sociais no campo da informatização já foram criadas, como é o caso do Programa Sociedade de Informação, iniciado em 1999, o modelo brasileiro de inclusão digital, criado em 2004, bem como os Programas Casa Brasil, Cultura Viva e o GESAC. Todos eles articulam e/ou articularam diferentes órgãos do governo, mas não ofereceram ou oferecem programas para os indígenas, por isso a importância desse trabalho em particular, que prioriza a inclusão dos povos originários no universo digital. É fato que ao longo da história entre o estado e os povos indígenas a proposta sempre foi de “integração” ao mundo não-índio, mas as condições para isso nunca conseguiram ser satisfatórias, causando, inclusive, muitos danos e reafirmando preconceitos. Depois, com a Constituição de 1988, o respeito à diversidade cultural e à autonomia da organização indígena colocou um novo marco na relação com os povos autóctones. Ainda assim, há muito para conquistar no que diz respeito a direitos e território. O trabalho realizado hoje avança no sentido de garantir aos povos indígenas as condições de conhecimento tecnológico para que eles mesmos possam criar o conhecimento que consideram necessário para compartilhar com a nação brasileira. É um trabalho de mediação entre o estado e as comunidades, através de políticas sociais, mas que garante total autonomia dos povos indígenas quanto aos temas discutidos e propostas de audiovisual. Assim, tal como aconteceu nas comunidades Guarani de Santa Catarina, foram realizadas oficinas de formação nas aldeias, durante o período que foi de março de 2015 a janeiro de 2016, tendo como conteúdo a produção audiovisual, a fotografia, a edição de vídeos e veiculação virtual e material dos conteúdos produzidos. Foram realizadas captações de imagens, montagem e edição de vídeos e fotografia, mixagem de som e veiculação e distribuição de material. Não bastasse isso, as aldeias também receberam equipamentos e uma ilha de edição. Todo o trabalho foi feito pelos próprios indígenas. Com isso, espera-se que o mundo

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digital possa ser mais um espaço de difusão da cultura originária e de debate sobre os desafios dessa relação entre os indígenas e a sociedade não-índia que ainda está longe de ser ideal. Equipe Coordenação: Beatriz Paiva Cris Mariotto Rubens Lopes Elaine Tavares Marjorie Machado Hilda Alonso Vitor Tonin Rafael Podixxi Felipe Wingeter Tiago Correa Elieser Antunes Tamires Vigolo Nalá Ayalén Juliana Fritzen Julia Justino Mayse Espíndola Lucas Macário Tiago Loch Carla Werneck Aline Rodrigues Takua Antunes Karaí Mariano Kennedy Karaí Lucas Rokadju Roberson Correa Caroline Rodrigues

Simón Rodriguez 1769-1854 Venezuela, Peru Foi um educador, filósofo, político, escritor venezuelano além de tutor e mentor do libertador Simón Bolivar. Foi um dos primeiros a pensar a educação na região desde a América Latina e para a América Latina. “Inventamos erramos.”

ou

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016

1.3. Projeto “Os Povos Originários de Nuestra América” - A Recuperação Cultural das Civilizações Antigas e a Luta do Presente O projeto tem como objetivo investigar a história das nacionalidades originárias da América pré-colombiana e revelar os seus mais diferentes aspectos da vida, da cosmologia e da cultura, buscando compreender o quê, destas práticas e conceitos, ainda perdura de forma estrutural na maneira de organizar a vida dos povos autóctones. Este estudo se faz necessário considerando o atual fortalecimento das lutas dos povos originários no que diz respeito não só ao território, mas também no direito a expressar e vivenciar suas culturas. Isso aparece com força na Bolívia, na Colômbia, no Equador, no Chile, na Argentina e já começa a surgir no Brasil. A proposta é, a partir da pesquisa, produzir material didático para uso de professores de primeiro e segundo graus. A intenção é de que o resultado da pesquisa acerca dessas civilizações tão antigas (ou mais) do que as já conhecidas civilizações egípcia ou grega possa ser incorporado nos currículos dessa fase do ensino para, com elas, provocar: o conhecimento da história antiga do continente, o rompimento com a identidade colonial, o fim do racismo, o fim do isolamento do Brasil em relação aos países da América Latina, a construção de um conceito de identidade latinoamericana, o reconhecimento das novas lutas dos povos originários e a caminhada no rumo de uma outra integração e outro tipo de desenvolvimento nesta Abya Yala. O trabalho se insere no programa de pesquisa do Instituto de Estudos Latino-Americano e busca refletir a partir da perspectiva bolivariana de integração e da construção de uma identidade latino-americana. Entendese aqui “perspectiva bolivariana” como a proposta de

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integração em que os povos partilhem muito mais do que os mecanismos de mercado, avançando para a possibilidade de outro tipo de desenvolvimento social, que tenha espaço para a solidariedade, a partilha, a equidade e a alteridade. Um processo de edificação da Pátria Grande que se desvincule do capitalismo periférico e dependente, incorporando velhos/ novos saberes originários. Sendo assim, a proposta primeira do projeto é inaugurar, na UFSC, uma linha de pesquisa com o propósito de estudar e difundir a cultura dos povos originários da América Latina e suas novas demandas, envolvendo educadores e educandos de diferentes áreas do saber que, depois, nas suas específicas áreas de atuação, possam contar com um tipo de conhecimento que leve à consolidação de uma identidade latino-americana, livre do racismo e da idéia de subserviência às culturas ditas “nobres” (brancas). O segundo passo é, a partir desse núcleo de pesquisa, dar a conhecer aos professores das redes públicas - municipal e estadual - e aos educadores populares, a história não contada deste pedaço do continente.

Sepé Tiaraju

Porque estudar as culturas originárias Os livros de História que circulam nas escolas estão cheioOs livros de História que circulam nas escolas estão cheios de obscuras falhas e imprecisões sobre quem eram e como viviam os antigos povos que habitavam as terras de Abya Yala - hoje chamada de América Latina - antes da conquista espanhola e portuguesa. As informações sobre a história do continente, no mais das vezes, se resumem a rápidas pinceladas sobre as culturas maia, asteca e inca (as maiores) e a impressão que fica é de que a história só começa por aqui - de fato - em 1492, quando Cristóvão Colombo aporta em Santo Domingo, trazendo, anos depois, outros espanhóis e portugueses para o saqueio e a exploração sem medidas das “terras novas”. Na verdade, antes deles, floresceram nessas paragens culturas riquíssimas e com alto grau de organização social (Lehmann, 1990). Para restabelecer a história daqueles que foram os vencidos, mas que permanecem vivos e iluminando a vida de muitos países da América Latina, desenvolveremos pesquisas, cursos de formação, livros e cartilhas, para serem distribuídos nas escolas, aos professores e entre as crianças. Com essa recuperação histórica fortaleceremos a idéia de uma identidade latino-americana, fugindo da perversa herança colonial que até hoje coloca o autóctone e seus descendentes como um povo de segunda categoria. A criança autóctone, branca ou mestiça, conhecendo a cultura e beleza

1723-1756 Brasil Foi um guerreiro indígena Guarani, e chefe dos Sete Povos das Missões Orientais. Considerado santo popular e parte da literatura brasileira no poema “O Uruguay” de Érico Veríssimo. “Esta terra tem dono!”

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 dos povos pré-colombianos, também estará mais preparada para viver sem o germe do racismo e da discriminação. Nesse sentido, estaremos contribuindo de forma cabal para a verdadeira integração de “Nuestra América” tal qual já propuseram Bolívar e Martí, ou seja, uma ligação que está para além da área comercial. O elemento detonador do trabalho é o renascimento do debate acerca das demandas dos povos autóctones, que vem acontecendo, com mais vigor, desde o final da década de 80, promovido pelos próprios povos originários que passam a vasculhar eles mesmos o seu passado, recuperando rituais, língua e toda a cosmologia que foi solapada pelo cristianismo (Leonard, s.d). Além disso, basta um olhar mais demorado sobre a América Latina e pode-se perceber a presença marcante e numerosa dos povos autóctones no cotidiano de todas as gentes, com a firme decisão de retomada de sua cultura e de sua identidade (www.katari.org). Mesmo no Brasil onde os povos originários foram quase dizimados, estamos diante de um revigorado movimento de respeito às culturas antigas e de luta por demarcação das terras. Em outros países da América Latina, como é o caso do Peru, Bolívia e Equador, a porcentagem da presença autóctone passa dos 80% e os movimentos de luta pelo reconhecimento de direitos dos povos originários têm sido crescentes e propositivos. Mas, para além do conceito liberal de “direitos civis”, eles ainda avançam na luta por território e pelo reconhecimento de suas nacionalidades. Como parte desta nova configuração, já se avançou muito na Bolívia e no Equador, onde a Constituição já trabalha com o conceito de estado-plurinacional. É certo que a resistência indígena não é de agora. Desde que perceberam que os brancos barbudos não eram os deuses anunciados nas lendas, milhares de originários lutaram para retomar suas vidas, mas foram sistematicamente vencidos. Ainda assim, estão na lembrança as grandes investidas de Guaicaipuru, Tupac Amaru, Tupac Catari, Sepé Tiaraju e outros tantos heróis autóctones. Durante estes mais de 500 anos de dominação, em todas as partes de Abya Yala, as gentes originárias realizaram lutas e resistiram. Logo, as mobilizações não são novas e muito menos exclusivas do tempo que vivemos. Mas, para efeitos deste estudo, a presença maciça e visível dos originários no que acordamos chamar de “nova onda de movimentos autóctones” pode-se dizer que tem suas origens recentes no ano de 1990, quando os povos indígenas do Equador decidiram ocupar igrejas e outras instituições governamentais no que ficou conhecimento como “primeiro grande levantamento nacional” da era pós-crise dos anos 80. O grito pelo reconhecimento das nacionalidades, território e participação política, nasce justamente do esgotamento das

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políticas econômicas que haviam baseado sua estratégia no modelo agro-exportador, sendo o indígena a mão-de-obra quase escrava nas famosas haciendas. Pouco mais de três anos depois do levantamento no Equador, das entranhas do México profundo assomou outra movimentação. Um grupo armado, reivindicando o nome e o sonho de Emiliano Zapata se insurge em Chiapas, esquecido reduto indígena conhecido apenas por sua insuperável pobreza. Naquele primeiro de janeiro de 1994, homens e mulheres autóctones, com as caras cobertas por palicates (espécie de lenços) ou pasamontañas (gorros que cobrem o rosto todo), diziam sua palavra armada: “Ya basta! Nunca más el mundo sin nosotros”. Era mais um elemento da insurgência originária que hoje dá uma nova conformação à América Latina. Os movimentos do Equador e do sul do México abrem as comportas para uma série de lutas que adormeciam sob o manto do neoliberalismo e da chamada pós-modernidade européia. Os 12 dias de combate empreendidos pelo Exército Zapatista de Libertação Nacional e a subseqüente negociação que levou ao que ficou configurado como “paz armada” mostrou a todos os povos originários – e às demais etnias também - deste continente que o modelo capitalista de organização da vida imposto pelos dominadores não precisava ser o único possível. Então, das profundezas das tradições mais secretas e sagradas dos povos antigos, recomeçaram a vicejar desejos, esperanças e novas formas de organizar a vida. A América Latina dava passagem para Abya Yala, a terra do esplendor. O nome originário dado pelos Kunas ao mundo conhecido antes da chegada dos invasores começou a ser falado nas imensidões da grande pátria. E os povos autóctones se puseram de pé. Recuperar suas vidas, sua cultura, suas tradições e reinventar seu modo de organizar a vida passou a ser não mais um sonho perdido na memória ancestral. Era possível aqui e agora. Não como retorno a um passado cristalizado ou a tradições ultrapassadas, mas como possibilidade de recuperar dialeticamente o jeito único, autóctone, de se viver em Abya Yala, na forma abyayálica de ser, o que na conceituação originária significa redefinir o modelo de desenvolvimento, usando elementos como solidariedade, reciprocidade, cooperação, equilíbrio. Como anuncia Gonzalo Guzmán, da organização Ecuarunari, do Equador. “A proposta do Socialismo do Século XXI, no que diz respeito ao projeto de desenvolvimento, não nos contempla. Temos nossa própria proposta e vamos disputála”. E assim tem sido a articulação que hoje já se expressa em todo o território da antiga “terra nova”. Realizadas três grandes Cumbres dos Povos de Abya Yala, as comunidades originárias definiram estratégias, realizaram alianças,

José Artigas 1764-1850 Uruguai, Paraguai Militar e revolucionário. Lutou pela libertação da Banda Oriental, hoje Uruguai, contra o Reino da Espanha. É considerado “pai da nacionalidade uruguaia” e herói nacional. “Mi autoridad emanda de vosotros y ella cesa ante vuestra presencia soberana.”

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 reinventaram territórios e avançam no sentido de ver respeitados seus modos de vida política, econômica, cultural e artística. Nos dias atuais, depois das rebeliões e revoltas originárias em Honduras, Guatemala, Bolívia, Equador, Colômbia, Peru, Chile e Argentina, se faz necessário conhecer um pouco mais destes povos que, novamente, reivindicam suas nacionalidades para além das fronteiras impostas pelo colonizador/branco/invasor. Em todos os cantos deste continente imenso, que se estende desde o sul da Argentina até a ponta do Alaska, as gentes autóctones querem ser chamadas pelos seus nomes – não mais índios. Querem seu direito à cultura, à participação política, ao território, à autonomia, à autodeterminação. Como Tupac Amaru, Tupac Catari, Guaicaipuru, Cautlemoc, Sepé Tiarajú, esse povo todo levanta a cabeça e repete no mesmo tom dos zapatistas de Chiapas: “Ya basta! Nunca más el mundo sin nosotros”. A nós, cabe conhecê-los. Isso se faz necessário porque mesmo com todo o processo de resistência dos povos autóctones, a cultura invasora impôs anos e anos de submissão que levaram a um profundo sentimento de inferioridade. A difusão de que o belo é ser branco, o culto é ser formado pelas escolas tradicionais e o bom é ser cristão, levaram as populações autóctones a sentirem suas crenças e cultura como coisa errada e inferior, criando um caldo perfeito para a dominação. Hoje, os movimentos em toda a América Latina estão em processo de libertação dessa visão colonial e preconceituosa, gestando assim o campo perfeito para o nascimento de uma identidade latino-americana fora dos padrões impostos pela cultura alienígena. É a possibilidade concreta de se fazer aquilo que ensinava Simón Rodríguez com o seu: ou inventamos ou erramos! Para os povos originários é chegada a hora de inventar. Com base nisso, a partir deste específico projeto de pesquisa, recuperaremos a história dos povos antigos – a passada e a presente - ensinando-a principalmente às crianças e aos adolescentes, iluminando a contemporaneidade com um olhar latino-americano inovador, abyayálico, ou seja, eivado de todas as suas formas culturais, artísticas, religiosas e linguísticas, para revelar a diversidade que vive e sobeja pelos caminhos de “Nuestra América”. Assim, cumpriríamos a função de – unindo tecnologia de ponta e milenares técnicas de interação – dar notícias sobre os povos que compõem o mosaico cultural latino-americano, sua história passada e, principalmente, sua resistência no presente, buscando, dessa forma, fortalecer as idéias de integração, dentro da ótica do bolivarianismo porque acreditamos, com Antognagzzi (2009) que,

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“no presente se dá uma batalha de idéias entre os que querem ocultar e os que queremos descobrir. Por isso, pelo afã de descobrir o que nos move a atuar, nos situamos no espaço da ciência. E daí o papel estratégico que atribuímos à universidade pública como o lugar do pensamento para a ação, não reduzido aos seus claustros fechados, mas fundamentalmente aberto para fora, para nutrir e nutrir-e”. Essa integração “bolivariana” pressupõe o que o povo chiapaneco (sul do México) chama de “caminhar perguntando”, ou seja, fazer acontecer ao caminhar. Atuar no desejo de se conhecer e se integrar a partir da cultura e da espiritualidade das gentes que realmente são e formam essa Abya Yala. Assim, juntando-se ao ensino e à extensão, o projeto de pesquisa que propomos estaria cumprindo a missão da universidade que é a de estar sempre caminhando amparada nesse tripé, e cumprindo a sua função social que é a de criar novos conhecimentos e reparti-los solidariamente com a sociedade. Este trabalho terá um recorte de histórias, lutas e reivindicações dos povos autóctones, ampliando a visão para além da história oficial que oferece, no mais das vezes, a versão pasteurizada da vida dos incas, astecas e maias, como se o grande território invadido pelos portugueses, ingleses, franceses e espanhóis não tivesse vida plena e diversa naqueles dias de grande agonia, assim como conceitos claros e concretos sobre como organizar a vida. Recuperar um pouco da cultura e do modo de vida das gentes originárias é dar notícias de toda a diversidade do continente, e mais, é uma tentativa de fazer os nexos da história recente – quando o movimento originário ganha força – com o passado omitido. Esse caminho pode fazer compreender os desafios atuais desta imensa e rica Abya Yala, sempre armadilhada pela lógica de um desenvolvimento capitalista periférico. Desde o mundo originário outros conceitos assomam. Trabalho desenvolvido: • Pesquisa em jornais da América Latina sobre as lutas indígenas • Pesquisa sobre a cosmovisão dos povos indígenas • Pesquisa sobre a história dos povos indígenas • Realização de análises sobre o movimento indígena contemporâneo • Divulgação sistemática do projeto via blog: Povos originários de Nuestra América - A recuperação cultural das civilizações antigas e a luta do presente. www.iela.ufsc.br/povos-originarios/blogue

Emiliano Zapata 1879 - 1919 México Foi um importante líder da Revolução Mexicana, de 1910, contra a ditadura de Porfírio Díaz, sendo considerado um dos heróis nacionais mexicanos. Era conhecido como Caudilho do Sul. Foi inspiração ao Movimento Zapatista, iniciado em Chiapas, que defende uma gestão democrática do território, a participação direta da população e a partilha da terra e das colheitas.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 • Participação sistemática no projeto de extensão Indígena Digital – do IELA Coordenação: Elaine Tavares ( Jornalista IELA/CSE) Integrantes: Rubens Lopes – Estudante Jornalismo Leopoldo Nogueira da Silva - Pedagogo

1.4. Projeto “Portal Latino-Americano” Umbral para a América Latina Desde 2007 o portal do Instituto de Estudos LatinoAmericanos na internet passou a abrigar o Observatório Latino-Americano (OLA), que foi, em 2004, o nascedouro do IELA. Com a apresentação pública do portal, o instituto, voltado para a vida na América Latina e do Caribe, ampliou seu espaço “on line” (ou, “na linha”, numa tradução do anglicismo desta gíria adotada pelos internautas). A proposta é de erigir um umbral para a América Latina e manter aberto um “lugar” virtual frequentado por uma comunidade que pensa e age em torno de questões que envolvem a amplitude da vida no continente latinoamericano e no Caribe. O portal, portanto, se propõe a ser uma espécie de praça pública em que pensadores, estudiosos, pesquisadores, jornalistas, trabalhadores em geral e militantes de movimentos - enfim, toda uma comunidade de seres que pensam e atuam - manifestem seu ponto de vista crítico e propositivo. O espaço é destinado a tornar públicas as contribuições, análises, estudos, pesquisas, artigos, resenhas, reportagens, textos de opinião, enfim textos através dos quais seus autores ofereçam seu quinhão de conhecimento para a interpretação e a transformação da realidade. A idéia que acomuna as contribuições difundidas através do portal do IELA é de uma integração que se estenda muito além da ideia de integrar a economia (o que é estabelecido por tratados oficiais), mas represente um pulsar amplificado dirigido à criação de uma verdadeira comunidade latinoamericana. Uma comunidade de povos que, preservando sua história e seu modo de ser, se prontifique a pensar e encontrar saídas, de forma unificada, para os grandes dilemas e desafios da educação, da ciência, da cultura, da arte, da política, em suma, da vida que pulsa em terras de Abya Yala (”tierra en plena madurez”), nome original de Nossa América.

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Nascedouro no OLA O IELA nasceu em agosto de 2006 e teve como berço o Observatório Latino-Americano, um projeto de pesquisa e extensão criado em 2004, e que logo passou a alimentar uma página na rede mundial de computadores, constituindo um sítio virtual dirigido à observação e análise de fatos e acontecimentos ligados aos países da América Latina e Caribe. Depois de abrir uma janela para a vida latinoamericana, através da observação de acontecimentos, eventos, movimentos que animam e mobilizam a vida na América, o grupo envolvido no trabalho decidiu que era hora de espalhar raízes. Agora o desafio seria o de construir um espaço de estudo, pesquisa, extensão, observação e ação que pudesse acolher outras iniciativas que se faziam, de forma ainda frequentemente isolada, em outros centros de ensino da própria UFSC, e também em outras universidades. Hoje o IELA acolhe pesquisadores de outras instituições universitárias na Rede Brasileira de Estudos Latino-Americanos, a REBELA, além de estar expandindo sua atuação através da cooperação com universidades de outros países. Com essa mudança de estatuto no trabalho, a proposta de comunicação via internet também evoluiu para a idéia de construir um portal, que incorporasse o OLA e constituísse um novo umbral “em linha” para observação, análise e interpretação da vida e da realidade latino-americanas. Portal de comunicação A iniciativa de conceber um portal na internet surge da necessidade de alargar formas de comunicação entre diferentes grupos e pessoas que se encontram em espaços geográficos distintos. E, também, evidentemente, além de pronunciar a própria palavra, oferecer a possibilidade de falarem outros sujeitos que se movem e atuam em diferentes campos do conhecimento e se revelam protagonistas em acontecimentos que mobilizam a vida no continente latinoamericano. Nesse sentido, o portal do IELA na internet pretende facilitar uma teia de relações horizontais, ligadas por interesses comuns. E como o horizonte que entrelaça essas relações humanas é a idéia da integração, o portal contribui como centro aglomerador e distribuidor de conteúdos relacionados ao pensar e agir na América Latina e no Caribe. Porque um portal, não é - como se poderia imaginar numa olhada de senso comum - um “grande sítio” alojado na rede mundial de computadores. O portal direciona 100% do foco nos seus públicos, e atua como morada de informações, análises, documentos e materiais específicos para eles, os

Chiquinha Gonzaga 1847-1935 Brasil Foi uma compositora, pianista e diretora de orquestra. Primeira mulher a compor e tocar choro, primeira diretora de orquestra no Brasil e autora da primeira marcha de Carnaval (Ô Abre Alas, 1899).

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 chamados “conteúdos verticais”. Além disso, um portal oferece ferramentas para auxiliar a comunicação entre quem desempenha papéis humanos nos acontecimentos, quem elabora os conteúdos informativos e interpretativos e quem usufrui da informação e do conhecimento propagados. Nesta perspectiva é que busca hospedar, promover e divulgar iniciativas de construção de um saber cimentado no pensamento rigoroso, que contudo não se imobiliza no campo teórico, trazendo também propostas de ação e transformação. Espaços fixos e flutuantes O portal – totalmente reformulado em 2015 - mantém o compromisso de informar sobre temas que constituem o cotidiano das lutas e dos estudos referentes à América Latina. São notícias, reportagens, crônicas, análises, ensaios, textos acadêmicos, imagens e vídeos, sempre em sintonia com a vida que se expressa por todo o continente. O Instituto de Estudos Latino-Americanos, nascido como um projeto de observação da realidade em 2004, já ultrapassou a marca dos seus dez anos e é uma referência em todo país. Na trilha dessa inédita proposta nascida na UFSC, várias outras universidades já estão constituindo seus institutos e centros de estudos em América Latina, entendendo que o conhecimento sobre a Pátria Grande é fundamental para a compreensão da realidade brasileira. Assim, em 2015, abrindo a estrada para mais uma década de trabalho, o IELA se renova, se revitaliza e se oferece como um espaço de reflexão crítica, de construção do pensamento próprio, na crítica ao capitalismo e ao eurocentrismo. O novo portal reformulado em 2015 é fruto da contribuição

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profissional e militante de Lucas Constantino Silva, Guilherme Constantino Silva, Rubens Lopes, Leopoldo Paqonawta, Maicon Cláudio da Silva e Elaine Tavares, com a colaboração de todos os coordenadores de projeto e alunos bolsistas, vinculados ao IELA. Contamos ainda com o importante apoio da equipe do SETIC/UFSC, a qual agradecemos na pessoa de Gustavo Tonini, incansável na busca de soluções técnicas. O portal do IELA aloja, além dos “enlaces” (links) que organizam os conteúdos, outros espaços, que podem ser fixos ou flutuantes. O das “Jornadas Bolivarianas”, por exemplo, é destinado a difundir informações relativas ao evento, organizado anualmente pelo IELA, e que representa uma de suas faces de significativo contato com o público. Também estão à disposição às páginas relativas aos projetos coordenados dentro do Instituto, bem como os blogues e páginas especiais, construídas quando é necessário dar destaque a um ou outro tema. A revista acadêmica REBELA, organizada em parceria com o Grupo de Pesquisa Organização & Práxis Libertadora, da UFRGS, também tem todas as suas edições – iniciadas em 2011 – no portal. Desvendamento da realidade Os que conduzem com mãos de ferro a vida no planeta, impondo os fenômenos avassaladores da globalização no mundo social e da natureza, se apropriam também das chamadas tecnologias da informação e comunicação, vendendo, em diferentes matizes, mas todos devotados a um só fim, discursos do mercado, da competitividade na produção de bens de serviços, da necessidade da “sustentabilidade” do desenvolvimento insustentável. Nesse sentido, o espaço virtual de comunicação resta minado por interesses econômicos e políticos que alavancam múltiplas possibilidades de negócios e serviços, os quais levam a permanentes e dinâmicos ajustes estratégicos, tanto por parte das instituições governamentais como das empresas. Uma das propostas é de transformar usuários em clientes. O portal do IELA, em sintonia com o projeto do instituto, se apropria de tecnologias buscando colaborar para o desvendamento desses discursos. Procurando revelar o lado reverso das farsas que se traduzem, entre outras coisas, em ocultar a superexploração do trabalhador e a destruição do meio ambiente. O foco de atenção do IELA, portanto, se radica em trazer para a rede mundial de computadores outras informações e outros olhares, a partir de uma perspectiva assentada na crítica rigorosa. O portal, nesse sentido, se propõe a trabalhar para a formulação e a divulgação daquilo que representa pensamento próprio, descolonizado, crítico,

Jacobo Arbenz 1913 - 1971 Guatemala Dirigente, soldado, político e o 25º presidente da Guatemala, cujas medidas econômicas nacionalistas e reformas sociais entraram em choque com os interesses das empresas estadunidenses. “Do que vale a riqueza senão para a infelicidade do povo.”

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 original e inventivo, capaz de apresentar idéias e propostas que contribuam ao entendimento e à busca de soluções para os grandes problemas do continente latino-americano. Assim, além de garantir espaço institucional para estudos latino-americanos no país, também se propõe a revelar o que de relevante e significativo pensadores dos diferentes países da América Latina e do Caribe elaboram em termos de pensamento próprio. E o que os povos, em seus diferentes substratos educacionais, culturais e políticos, criam e constroem em termos de resistência, atitude e ação. O portal ainda disponibiliza reportagens, artigos e entrevistas, sempre em sintonia com os temas e as agendas mais importantes do continente. Canal do IELA no Youtube Outro trabalho iniciado em 2012 tem igualmente enriquecido o Portal do IELA. É a experiência da produção de vídeos, com a realização de programas de entrevistas com o intuito de aprofundar as análises sobre a realidade latinoamericana, usando outra interface: a televisão. Um dos programas produzidos é o “Pensamento Próprio” no qual são entrevistados intelectuais brasileiros que desenvolvem estudos no campo crítico, procurando consolidar um pensamento original, não-eurocêntrico. Outro é “Lições Latino-Americanas”, espaço reservado a intelectuais e estudiosos da América Latina e do Mundo, que igualmente naveguem pelas águas do pensamento crítico, buscando, da mesma forma, a construção de ideias originais nascidas desde nosso próprio espaço geográfico. O trabalho em vídeo começou com a produção de matérias e reportagens para o Youtube e evoluiu para a parceria com a TV UFSC, canal a cabo coordenado pela Universidade Federal de Santa Catarina. Os programas são veiculados na TV da Universidade alcançando assim um número bem maior de espectadores. Nesse último quadriênio, o trabalho em vídeo ampliou mais ainda com a realização de um programa quinzenal de análise da conjuntura latino-americana e brasileira, o “Pensamento Crítico”, também veiculado na TV UFSC e abrindo parcerias com outras universidades nacionais. Coordenação: Elaine Tavares ( Jornalista IELA/CSE) Integrantes: Prof. Nildo Ouriques (Dpto. Economia e Relações Internacionais/CSE) Profa. Beatriz Paiva (Dpto. Serviço Social/CSE)

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Prof. Lauro Mattei (Dpto. Economia e Relações Internacionais/CSE) Rubens Lopes (bolsista – Jornalismo/IELA) Maicon Cláudio da Silva (IELA) Guilherme Constantino da Silva Lucas Constantino da Silva Midiã Fraga

2. Vitral Latino-Americano de Educação Física, Esportes e Saúde. Projeto desenvolvido por professores do Centro de Desportos – CDS/UFSC. Analisa a relação entre a Educação Física, Saúde, Esporte, Práticas Corporais e de Lazer desde uma perspectiva crítica. Além dos estudos sistemáticos sobre o tema desenvolvido por professores e alunos bolsistas, realiza anualmente eventos acadêmicos de discussão sobre essa problemática e publicações na área Educação Física, Saúde, Esporte, Práticas Corporais e Lazer. Objetivo do VITRAL É um dos Núcleos de Pesquisa do CDS/UFSC, representando o esforço científico e militante para compreender a cultura corporal nas suas dimensões da Educação Física, Saúde, Esporte e Lazer enquanto direitos inalienáveis da humanidade. Busca apoio no acúmulo teórico e vivências práticas do campo crítico da Educação Física brasileira e das teorias sociais Latino Americanas que alimentam visões críticas acerca das relações entre as práticas corporais e todas as manifestações da vida planetária plena. Estamos nessa busca para realizar análises ampliadas e profundas sobre os poderes da sociedade capitalista que se apropriam do esporte e de outros conteúdos da cultura corporal/de movimento para manter suas possibilidades de dominação política, ideológica, econômica, social e cultural, que obviamente determinam o fazer pedagógico de educadores, agentes comunitários e professores de Educação Física. E também nos propomos a contribuir com as reflexões críticas e as proposições práticas de esporte e

Eva Duarte Perón 1919 - 1952 Argentina Atriz, importante líder política na Argentina. Primeira-dama de Juan Perón, teve papel ativo na mobilização das massas para a sua eleição. Como primeira-dama deu o direito de voto às mulheres em 1947. Ficou conhecida como “Mãe dos Pobres” . “A violência nas mãos do povo não é violência, mas justiça.”

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lazer de governos, escolas, sindicatos, movimentos sociais, clubes e corporações que se valem do esporte como prática social de transformação das condições de vida indignas e, portanto, injustas! Nosso principal objetivo é investigar, intervir e assessorar proposições de Educação Física, Esportes, Saúde e Lazer a favor da vida e da construção de projetos nacionais populares que contribuam para a libertação, emancipação e humanização plena dos povos, desde a realidade latina americana. Para tanto, o VITRAL organiza-se em três grupos, buscando, de forma geral, articular suas potencialidades de investigação e intervenção com o IELA e suas proposições, bem como com a Educação Física através de suas ações no campo da Saúde, Esporte e Lazer. Linha de investigação 1- Vivendo educação física e saúde coletiva Coordenador: Prof. Dr. Edgard Matiello Júnior – contato degaufsc@gmail.com Integrantes: Profa. Lucimara de Possa Manzoli, Bel. Felipe de Marco Pessoa e a fisioterapeuta e acadêmica de Educação Física Priscyla da Silva Queiroz OBJETIVO Desenvolver estudos que articulem conhecimentos e ações dos campos da Educação Física e Saúde Coletiva, destacadamente sobre Condições de Vida e de estudo de escolares; saúde do trabalhador docente; Condições de vida e prática corporais de mulheres encarceradas. 2 -Práticas corporais Coordenadora: Profa. Ms. Cristiane Ker de Melo

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Componentes: Profa. Dra. Albertina Bonetti (DEF/CDS); Prof.Ms. Diego Arenaza (CED/UFSC); Zulmira da Silva (servidora); Magna Machado, Luciane Ventura (Profa. Rede Estadual de Ensino); Fabiana Veríssimo (artista plástica); Flávio Cunha (Historiador); Bruna WestfalBuratto (Bacharel em Educação Física e Fisioterapeuta); Thaís Ferreira Pinto e Taís Sampaio (Bachareis em Educação Física); Gilvan Pedra (Psicólogo); Gabrielle Goulart Beck (acad. História); Daniele Knihs (mestranda economia); Cintia Vilanova (Mestre em Ecologia); Ana Ludwig Noronha e Tatiane Silveira (acadêmicas de Pedagogia); Juliana Cristina Carboni (designer); Maria Clara Tavares (acad. Artes Cênicas); Aline Rosa; Alessandra Sozin Machado; Eduardo Bernardes Geremias; Bruna Garroux; Josiane Rodrigues e Thaynã Araújo (Acadêmicas de Educação Física); Milena Olival (acad. Serviço Social). OBJETIVO: Promover o estudo, pesquisar e vivencias das diversas modalidades de práticas artísticas e da cultura corporal contemporânea com diferentes matrizes nacional-populares. As atividades desenvolvidas são alicerçadas na prática do “cuidar de si” e do “se-movimentar” como experiência de “presença”, “inte(g)ração e autoconhecimento”. As experimentações práticas proporcionadas e pesquisadas objetivam a ressignificação criativa e revolucionária do lazer com a perspectiva de produzir novas relações sociais e práticas políticas, de saúde e de vida. Nesse perspectiva a arte é retomada nas experimentações teórico-prática do “semovimentar” humano na perspectiva da totalidade da vida. 3 - GECUPOM/FUTEBOL – Grupo de Estudos em Cultura Popular e de Movimento/ Futebol Coordenadores: Prof.Ms. Paulo Capela; Prof.Ms. Julio Couto;Prof. Esp. Luiz Parise; Ms. Lucas Klein Integrantes: Prof. Carlos A. Homrich; Prof. Rafael da Espada; Prof. Carlos Eduardo Patrício; Prof. Gabriel Bussingir; Acad. Vitor Gonçalves; acad. Gilmar Muhlen; acad. Leonardo Nunes; acad. Ronaldo Matias. OBJETIVO: Investigar e intervir nos ambientes de ensino e poder do futebol a partir de estudos e pesquisas, construindo reflexões sobre a cultura popular de movimento, e o futebol como elemento desta cultura, a fim de que os conhecimentos produzidos atendam às necessidades dos diversos campos de atuação profissional da Educação Física com a perspectiva de construção de um projeto nacional popular.

Manoel Bomfim 1868-1932 Brasil Manoel Bomfim foi médico e pedagogo brasileiro. Um autêntico pensador latinoamericano, construiu um discurso oposto às teorias colonialistas em voga em sua época. Denunciou o parasitismo do regime colonial imposto na América Latina, que havia implicado em um regime retardatário, opressivo e extenuante de exploração. Suas principais obras são “América Latina: Males de Origem” e “O Brasil Nação”.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 Constitui-se em um caminho de mão dupla entre a comunidade e a universidade, proporcionando a inserção profissional, orientada e gradativa, de acadêmicos de cursos da UFSC, em especial os da Educação Física, no exercício profissional com o futebol e demais conteúdos da cultura popular de movimento nacional-popular nas diversas e variadas funções profissionais e campos de atuação profissional da Educação Física (alto-rendimento, escolinhas de base e aprendizagem, futebol para adultos não atletas, portadores de necessidades especiais, futebol feminino, entre outros). As ações do grupo estão pautadas pela opção política educacional libertadora, em especial nas teses de Paulo Freire, no pensamento sociológico e educacional crítico latino-americano e também no campo científico crítico da Educação Física Brasileira. Articula-se ainda ao projeto histórico da emancipação humana dos povos da América Latina, ao pensamento científico do mundo globalizado e a vida planetária plena, através da concepção de Educação e Educação Física que denominamos de libertadorabiocêntrica. As reuniões regulares de estudo são pautadas no trabalho enquanto principio educativo, na pesquisa e na auto-organização coletiva. As atividades propostas seguem também a orientação metodologia de pensar o ensino através de projetos de ensino. Produção Acadêmica do VITRAL Nosso primeiro livro intitula-se Ensaios Alternativos Latino-Americanos de Educação Física, Esportes e Saúde (2010), ao qual se sucederam mais cinco produções: I) O acadêmico e o popular nas práticas corporais: diálogos entre saberes (2010); II), Megaeventos esportivos: suas consequências, impactos e legados para a América atina (2014); III) a tradução para a língua portuguesa dos livros Copa do Mundo na África do Sul: legados para quem? (de Eddie Cottle)(2014); IV) Tradução para a língua portuguesa do livro Pelos caminhos da vida nova, sobre José Martí (do Cubano Carlos Almaguer) (2014).V) organização do livro A Experiência de Implantação do Centro de Referencia em Esporte Educacional de Rio Grande – CREE-RG (2015). Há também outras produções científicas sob a forma de artigos, ensaios; vídeos-documentários; módulos de ensino pedagógicos de conteúdos da Educação Física e Trabalhos de Conclusão de Curso, somados a eventos científicos e artísticos, assessorias institucionais, e parcerias. Instituições e Universidades com as quais mantemos

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relações: • IELA/UFSC – Instituto de Estudos Latino-Americanos da UFSC, através da Jornalista Elaine Tavares, Dr. Nildo Ouriques e Dr. Waldir Rampinelli. • Universidade Andina Simon Bolívar, Quito/Equador, com o Professor Dr. Jaime Breilh • Instituto de Cultura Física Manuel Fajardo Havana/ Cuba, através do Professor Dr. Antônio Becalli • Instituto de Estudos Martinianos Havana/Cuba, através do Professor Ms. Carlos Almaguer e da Professora Ms. Vilma Medeiros Gonzáles Longoria, Coordenadora das Cátedras José Martí para a América Latina. • Centro de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Guadalajara, México, através do Professor Dr. Mário Alberto Najerá Espinosa ,Diretor Internacional das Cátedras José Martí. • Grupo de Estudo em Didática Corporal, Córdoba/ Argentina, através do professor Ms. Juan Manuel Departamento de Investigação- Instituto Provincial de Educação Física, Córdoba. • Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação Física & Esporte e Lazer- LEPEL/FACED- UFBA, através da professora Dr. Celi Taffarel • Observatório de Políticas de Educação Física, Esporte e Lazer, UNICAMP, através do Prof. Dr. Lino Castellani Filho- Coordenador. • Cátedra -Francisco Julião, José Martí de Educação popular doIFPE- Instituto Federal de Educação de Recife/Pernambuco, através do Doutorando Rodrigo Leopoldino Cavalcanti- Coordenador da CátedraFrancisco Julião- José Martí de Educação Popular. • Cátedra Paulo Freire-José Matí e Cultura Popular (em fase de implantação) na UFRJ- Universidade Federal do Rio de Janeiro, através do Professor - Dr. Paollo Vitoria. • Núcleo de Estudos e Pesquisa Educação e Sociedade Contemporâneas – CED/UFSC- Centro de Educação da Universidade de Santa Catarina, através do Professor Dr. Fábio Machado Pinto • Universidade de la Republica (Uruguai), através do doutorando Reumar Rodriguez Gimenez Nos últimos seis anos, temos atuado também de forma intensa na consolidação do Movimento pela Democratização da Educação Física, do Esporte e Lazer no Estado de Santa Catarina. Esse Movimento busca disseminar as concepções científicas inovadoras para as práticas da Educação Física e gestão das Políticas Públicas promovendo o debate com as forças políticas conservadoras, as quais tomaram de assalto os

Juana Azurduy 1780-1862 Bolívia, Argentina Foi uma mportante combatente militar pela independência do “Alto Peru”, que veio a se tornar a Bolívia, contra o Reino da Espanha. Educada para ser freira, foi tenentecoronel dos exércitos revolucionários. Os indígenas não a chamavam de Juana, mas sim de Pachamama. A importância histórica dos seus feitos fez com que ela fosse nomeada General do Exército Argentino em 2009 e Marechal do Exército da Bolívia em 2011. “Que justiça é essa que proclamas se continuas escravizando e excluindo a mulher de todo o ideal?”

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 órgãos de Estado de Santa Catarina, protagonizando a quase meio século políticas públicas retrógradas que impedem o avanço dos projetos de democratização e modernização científica de atendimento às demandas populares. O Movimento articula-se a partir do Vitral, em uma rede de professores de Educação Física de quatro universidades de Santa Catarina: UNIVALI/ Itajai – Universidade do Vale do Itajaí, professor Júlio Couto; UNESC/Criciúma – Universidade do Extremo Sul Catarinense, professores Carlos Augusto Euzébio, Vidalcir Ortigara e Ana Lúcia Cardoso; UNOESC/Joaçaba - Universidade do Extremo Oeste de Santa Catarina/Joaçaba, professor NilsoOuriques; UNOCHAPECÓ – Universidade Comunitária Regional de Chapecó, professor Maurício Roberto da Silva. Essa rede expande-se com a parceria de outros importantes Centros acadêmicos de Educação Física do Brasil, América Latina e Europa. A publicação que dá início acadêmico a essa parceria é o livro A Miséria do Esporte: reflexões sobre as políticas públicas em Santa Catarina do professor Nilso Ouriques. Sob a coordenação do Vitral Latino-Americano de Educação Física, Saúde e Esportes, em articulação com a direção internacional das Cátedras José Martí representada pelo professor Doutor Mário Alberto Najerá Espinosa, professor do Centro de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Guadalajara, México, iniciamos também em 2015 as tratativas para a implantação da Cátedra de Paulo Freire, José Martí e Educação Popular na UFSC. Essa ação nos articulará com uma rede nacional e internacional de pesquisadores e trabalhadores do campo popular. Principais atividades de cada linha de investigação 1- Principais atividades da linha de investigação vivendo Educação Física e Saúde Coletiva Além da pesquisa “O pensamento latino americano sobre determinação social em saúde”, o grupo tem se dedicado a intervir sobre a realidade de mulheres encarceradas no Presídio de Florianópolis a partir da ginástica; e à fotografia documental no contexto das políticas públicas de esporte e lazer da UFSC. Em parceria com o Programa de Educação Tutorial - Educação Física, tem sido realizadas atividades de pesquisa-ação sobre condições de vida e de estudo de escolares de instituição pública de ensino de Florianópolis, tendo como decorrência a realização de seminários, grupos de pesquisa, publicações e exposições fotográficas. 2- Principais atividades da linha de investigação Práticas Corporais Pesquisa em andamento sobre “As linhas metodológicas

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de ensino do yoga no Brasil”. Em início, a investigação sobre “A atuação dos ex-bolsistas de yoga do Projeto Práticas Corporais e sua inserção no mercado de trabalho”. Pesquisas esporádicas sobre diversificados temas, conforme demandas para produção de coreografias a serem apresentadas em festivais e espetáculos do grupo. O Projeto Práticas Corporais (CDS/UFSC) é um projeto de extensão, existente desde o ano de 2005, atualmente, coordenado por uma gestão compartilhada pelas profas. Cristiane Ker de Melo, Luciana Fiamoncini e Rosane Carla Rosendo. Apesar de sua ênfase ser a extensão, associa-se também à esfera do ensino em conexões esporádicas com as disciplinas DEF 5869 - Jogos e brinquedos da cultura popular; DEF 5886 - Fundamentos teórico-metodológicos do lazer; EFC 5804 – Yoga. Igualmente, se vincula à pesquisa na linha de investigação “As práticas corporais e as dimensões da vida” Quanto aos objetivos do projeto, visa, principalmente, construir e compartilhar com a comunidade vivências/ experiências e estudos teórico-práticos relacionados a diferentes modalidades de artes/práticas corporais advindas de variadas origens e contextos sócio-histórico-culturais. Ou seja, propõe-se a conhecer, explorar e divulgar as diversificadas práticas da cultura corporal/movimento, tanto daquelas advindas do oriente, quanto do ocidente e estabelecendo possíveis diálogos entre elas. Essas práticas são propostas na perspectiva da vivência do lazer, permeadas pela arte, pelos elementos lúdicos da cultura, pela busca do re-conhecimento e do auto-conhecimento, do “cuidar de si”, enfim, propõe a experimentação de possibilidades direcionadas à construção de formas de “se-movimentar” “autopoiéticas”, críticas, significativas e sensíveis para com os valores da vida, do lúdico e da totalidade do ser. Em outras palavras, busca a construção de uma prática constante de auto-aperfeiçoamento da condição de Ser-Humano, firmada em uma forma de educação (em movimento) pela paz, capaz de despertar e desenvolver a pessoa em todas as suas dimensões: corpo-mente-emoçãoespiritualidade, tanto individual quanto coletivamente. Para tanto, destaca como missão, constituir-se num espaço/tempo de vivência dos conteúdos culturais do lazer, através da tematização das artes/práticas da cultura corporal/ movimento, capaz de fomentar novas formas de sociabilidades lúdicas entre os grupos de participantes, principalmente, pela configuração da proposição de ações qualificadas nesse campo, as quais podem ser vividas em diferentes níveis, seja da prática (vivência), da assistência (eventos e espetáculos) e/ou do conhecimento (estudo). Traduz-se, portanto, como uma proposta de ação no campo do lazer que contempla

Tupac Amaru II 1742 - 1781 Peru Nomeado em homenagem ao último rei Inca, do qual tinha descendência, conduziu a maior rebelião anticolonial indígena da América, no século XVIII, com mais de 10 mil combatentes. Com isso tornou-se símbolo das lutas de independência.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 seus diferentes conteúdos, vivenciados como experiência de “presença”, de integra-ação e de (h)uma(u)nidade. Fundamenta-se numa abordagem de trabalho coletivo e cooperativo inspirado pelos princípios e ensinamentos das tradições orientais e dos povos da terra, buscando desenvolver o olhar cuidadoso, o toque sutil pelo exercício pleno da atenção, da percepção e apreensão do movimento dialógico do estar-no-mundo-em-relação-com-os-outros, compreendendo toda sua complexidade e potencialidade. Em suas atividades regulares atende uma média de 600 pessoas por ano e, em suas atividades esporádicas, uma média de 300 pessoas. O trabalho é direcionado à comunidade em geral, no entanto, prevalece um número significativo de integrantes da comunidade universitária, destacando-se as do sexo feminino. Dos nossos saberes e fundamentos Cumpre destacar que todas as modalidades propostas dentro do projeto não compõem os currículos da formação em Educação Física, sendo assim, não se caracterizam como áreas exclusivas de atuação da mesma. Com isso a apresentação dessas práticas no projeto vem sendo composta por “facilitadores” que, mesmo sendo de diferentes áreas de formação acadêmica, possuem paralelamente, além de formação reconhecida por órgãos competentes, também uma larga experiência e profundo conhecimento sobre tais modalidades. As possibilidades de diálogos estabelecidas nessa convivência entre diferentes saberes tem sido uma experiência enriquecedora a tod@s @s envolvid@s, principalmente, no que tange à superação das práticas, das metodologias, dos conceitos e dos valores hegemônicos no campo da Educação Física. Temos de reconhecer que, quer queiramos, ou não, essas práticas vem sendo difundidas em larga escala, por todos os cantos da sociedade e independente da Educação Física. Abrir-se a esse diálogo é fundamental, é atualizar saberes, e essa vem sendo a tônica do projeto, ou seja, atuar na direção do compartilhamento desses conhecimentos, considerando, como trata o Coletivo de Autores (1992), “desenvolver uma reflexão pedagógica sobre o acervo de formas de representação do mundo que o homem tem produzido no decorrer da história, exteriorizadas pela expressão corporal: jogos, danças, lutas, exercícios ginásticos, esporte, malabarismo, contorcionismo, mímica e outros, que podem ser identificados como formas de representação simbólica de realidades vividas pelo homem, historicamente criadas e culturalmente desenvolvidas.” Tratamos, portanto, de formas de movimento que são resultado da produção humana, dos conhecimentos

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socialmente produzidos e historicamente acumulados, as quais hoje compõem um patrimônio cultural da humanidade e que necessitam ser vividos, re-vividos, atualizados, questionados e transmitidos. Das modalidades e das aulas-encontros Uma das principais ações do projeto tem sido a oferta de aulas-encontros semanais de diversas modalidades para a comunidade. Essas em geral acontecem nas dependências do Centro de Desportos, mas também, significativas vezes são realizadas em outros espaços da UFSC (quadras, bosque, praça), e também da cidade, como praças, praias, parques, trilhas etc. Durante o último período de realização do projeto foram ofertadas as seguintes modalidades: Dança do Ventre; Dança Cigana – Rumba; Danças Circulares Sagradas; Yoga; Amor em Movimento; Dança Cigana – Russa; Balé Clássico; Dança Contemporânea; Dança-Teatro; Ginástica Geral/ Tecido acrobático; Meditação com Didgeridoo. Atualmente, ainda incluímos as modalidades: Preparação do corpo para a dança; Danças com sapato de salto médio/alto; Oficina de relaxamento e meditação. Além dessas turmas em funcionamento na UFSC, ofertamos duas turmas de yoga (gratuita) no Museu Histórico de Santa Catarina – Palácio Cruz e Souza, através de uma parceria com a Fundação Catarinense de Cultura. Como consequência dessa ação, temos recebido diversas solicitações para continuarmos esse movimento de expansão, principalmente, por parte de escolas. E, sistematicamente, somos chamados pelos meios de comunicação (televisão e jornal) para entrevistas. Essas incursões na mídia têm dado muita visibilidade ao projeto, mas ao mesmo tempo tem nos trazido problemas, pois surge uma demanda de interessados que não conseguimos atender. Buscamos manter em algumas turmas a presença de bolsistas-auxilares, os quais têm desempenhado um trabalho significativo de apoio @os professor@s-bolsistas e/ ou, voluntári@s, durante as aulas. Das concepções, fundamentos e metodologias propostos Devido às diferentes modalidades incorporadas ao projeto, não há uma exigência de uso exclusivo de uma metodologia específica, até porque cada uma delas possui características muito próprias. As metodologias seguem, portanto, as circunscrições das especificidades de cada modalidade. O viés metodológico integrador das propostas no campo da educação física, se pauta no diálogo dos princípios e orientações apresentados pelas abordagens críticoemancipatória (Kunz) e crítico-superadora (Coletivo de

Camilo Cienfuegos 1932 - 1959 Cuba Revolucionário cubano e uma das personalidades mais carismáticas da Revolução Cubana . Conhecido como “El Comandante del Pueblo”, “El Señor de la Vanguardia”, “Héroe de Yaguajay” ou “El héroe del sombrero alón” conquistou o povo cubano com sua personalidade humilde, caráter jovial e natural desprendimento.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 Autores). Nos inspiramos nas tradições da Ìndia através do Vedanta e, trilhamos os caminhos de uma pedagogia baseada nos valores humanos, focando nos trabalhos de Maturana e Varella, Leonardo Boff, Paulo Freire, Bernard Woiser, dentre outros. Grupos de estudo/pesquisa em dança, artes e práticas corporais Além das turmas regulares anteriormente relacionadas, inclui-se também, de forma regular alguns subgrupos de estudo/pesquisa, sendo eles: 1- Grupo de estudo em Yoga 2-Grupo de ensaio e estudos de Dança do Ventre 3-Grupo de Pesquisa em Dança 4-Grupo de Voluntários Amor em Movimento Dos grupos de dança Nesse contexto das vivências temos dois grupos de dança vinculados ao projeto, são eles: Tribo Mosaico e Andança. Esses grupos, além da produção de seus espetáculos exclusivos, também participam e promovem os espetáculos e mostras de dança do projeto. O trabalho desses grupos vem ganhando destaque na cidade pela participação em espaços, eventos e festas, mostras e festivais local, regional e nacional. Do acompanhamento do trabalho e das reuniões de estudo Além das aulas-encontros, mantemos semanalmente reuniões sistemáticas de estudo, planejamento e avaliação do trabalho realizado. Essas reuniões aconteceram duas vezes por semana, uma com o grupo de bolsistas da área do yoga e, outra com @s bolsistas da área de dança. Nessas reuniões temos a oportunidade de pautar leituras e discussões de textos/livros, planejamento e avaliações de aulas e de ações coletivas, vivências e experimentações práticas, organização de eventos, cursos, palestras, investigações, orientações de trabalhos acadêmicos, dentre outras coisas. Além d@s professor@s-bolsistas que compõem esses grupos, também contamos com a participação de outr@s pessoas (da comunidade, alun@s do projeto e da disciplina EFC 5804 – YOGA), os quais se mostram interessad@s em aprofundar seus conhecimentos nas temáticas tratadas pelo grupo. Todo o trabalho d@s professor@s-bolsistas/voluntári@s no projeto é acompanhado e avaliado periodicamente através do registro do planejamento das atividades semestrais; do uso do seqüenciador das atividades, onde são descritos todos os procedimentos e conteúdos tratados nas aulas-encontros, incluindo avaliação das mesmas; e do relatório das atividades semestrais.

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Dos encontros com professor@s especialistas convidad@s Realizamos encontros com professo@s especialistas em diferentes áreas, @s quais são convidad@s com o intuito de compartilhar seus conhecimentos auxiliando-nos no que tange à atualização, aperfeiçoamento e aprofundamento da formação do grupo de professor@s bolsistas/voluntári@s. Denominamos essa ação de “Conexões com...”. Dos espetáculos e festivais Buscando aprofundar o estudo e vivências dessas artes/ práticas, propomos anualmente a organização do Festival de Práticas Corporais, já em sua 6ª edição. Em 2014, foi realizado o 1º Festival Latino-americano de Práticas Corporais. Além dos festivais, também organizamos as mostras e espetáculos de dança do projeto. Em 2015, em substituição ao espetáculo de final de ano, apresentando uma nova configuração, realizamos a 1ª Mostra Interativa de Artes e Práticas Corporais. Das atividades de interação e integração das turmas Visando a interação e integração dos diferentes grupos existentes no projeto, realizamos o subprojeto denominado ComparTrilhando, uma outra ação de integração que almeja a sensibilização para a conexão ser humano-natureza. Proposta na forma de uma atividade de ecoturismo, trata-se de caminhadas por trilhas e espaços junto à natureza. Nessa proposta está incluso práticas de meditação, yoga, música, atividades lúdicas, orientações sobre reconhecimento e comportamento no mar (essa parte é realizada por um guarda-vidas que nos acompanha na atividade). Essa ação é gratuita e aberta ao público em geral. Outra ação proposta, denominada Cine Flor&Ser, apresenta filmes e documentários que se relacionam às práticas vivenciadas dentro do projeto. Nessa ação, trazemos um convidado para comentar o conteúdo exibido. Das possibilidades educacionais Conectando o ensino à extensão, envolvemos os alunos da disciplina Fundamentos Teórico Metodológicos do Lazer, na proposição de um dia de atividades lúdicas, fundamentadas nos conteúdos culturais do lazer, junto a escolas (em 2015 aconteceu na Escola Jovem do Rio Tavares). Das coisas que fizemos juntos As atividade abaixo relacionadas se referem à atuação/

Ludovico Silva 1937-1988 Venezuela Filósofo, poeta e professor universitário considerado um dos mais importantes entre os intelectuais e pensadores marxistas latinoamericanos do século XX. Estudioso da obra de Marx aprofundou-se sobretudo nos temas da ideologia e alienação. São livros seus: A mais-valia ideológica, O estilo literário de Marx, Teoría y Práctica de la Ideología, Marx y la Alienación, e Anti-manual para uso de marxistas, marxólogos y marxianos.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 participação tanto d@s coordenador@s do referido projeto, quanto d@s professor@s-bolsistas e auxiliares, no sentido da busca do auto-aperfeiçoamento e do engrandecimento do projeto. Em destaque: • Organização da Palestra: Meditação pela paz nas escolas – Anmol Arora (01/06) • Co-organizadores da Palestra: Kriya Yoga – Gonesh Baba (03/06) • Organização da Palestra: Antropologia da Dança – Profa. Dra. Gisele Guilhon (15/10) • Organização do Satsang de Cantos e Mantras com Marco Schultz e Banda Maha Satya Sangha – Templo Ecumênico – UFSC (07/07) • Participação na 14ª Sepex (out/nov): a) Apresentação do estande “Projeto Práticas Corporais”; b) Apresentações de dança na programação cultural do evento, com a participação de todos os grupos/turmas c) Oferta de 01 oficina: Introdução a dança cigana indiana - Kalbélia d) Oferta de 03 mini-cursos: - Invertidas divertidas - Mapas do corpo- uma vivência em “si mesmo” por meio de caminhos sensíveis direcionados pelo outro - Intensivo Amor em Movimento • Participação no 5º Festival Nacional Universitário de Dança de Itajaí/SC – Apresentações de Dança (maio) • Participação na Maratona do Coral – Oferta de oficina de Yoga e de Dança Circular – (março) • Dia “D” – Ação integradora de ensino-extensão. Proposta lúdica baseada nos conteúdos culturais do lazer – Escola Jovem do Rio Tavares (04/07) • Organização da I Mostra Interativa de Artes e Práticas Corporais – Palácio Cruz e Sousa (03/12) • ComparTrilhando: Trilha ecológica: Vale da Utopia – Guarda do Embaú/SC – 12/06 • ComparTrilhando: Trilha ecológica: Praia do Gravatá – Florianópolis – 21/11 (nessa trilha tivemos a participação de 120 pessoas) • Cine Flor&Ser: Exposição e debate do filme “Latcho Drom” (1º. Semestre) e, “Os Ciganos vão para o Céu” (2º. Semestre) • Organização do VI Festival de Práticas Corporais (27 e 28/06) • Organização da I Mostra Interativa de Artes e Práticas Corporais – 03/12

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• Participação no I Festival Internacional da Cooperação – Atibaia/SP (outubro): - Apresentação de banner (Feira de boas práticas): Amor em Movimento - Oferta da “Oficina Intensiva de Jogos Cooperativos” • Participação na XIV Semana da Educação Física do CDS (outubro): Oferta de 03 mini-cursos: - Invertidas divertidas - Mapas do corpo- uma vivência em “si mesmo” por meio de caminhos sensíveis direcionados pelo outro - Intensivo Amor em Movimento • Participação em diversos festivais, encontros e concursos de dança: - Apresentação artística com o grupo Andança no evento “Santa Catarina Dança” - Apresentação artística com o grupo Andança no “Encontro Catarinense de Dança” • Oferta de Mini-curso para professores (Formação Continuada) “Jogos de percepção de si”- I Seminário Municipal de Educação Física – Florianópolis/SC (23 de outubro) • Oficina Interativa de Jogos Cooperativos – Virada da Inovação – CIC, Florianópolis/SC (15 de novembro) • Capacitação de novos voluntários “Amor em Movimento” – UFSC, Florianópolis/SC (28 e 29 novembro) • Organização do Multirão de Limpeza, praia do Campeche, Florianópolis/SC (29 novembro) • Participação como ouvinte no curso de Aprofundamento em Danças Ciganas “Dança cigana na França”, ministrado por Sayonara Linhares (módulos durante o ano) • Participação como ouvinte no Curso de Yoga para Crianças com Cris Pitanga; Curso de Atualização para professores de Yoga Chacarananda Ashram ( janeiro) • Realização do Espetáculo Nuances da Ilha (Tribo Mosaico) • Realização do 1º, 2º e 3º Encontro de ATS® do Mosaico Cultural – sarau cultural com apresentações do grupo e convidados • Colaboração na focalização da Roda aberta de Danças Circulares no Parque do Córrego Grande , Florianópolis, em parceria com Movimento Jeroky e Unipaz (vários módulos). • Participação como ouvinte no Seminário de Danças Circulares com Maria Cristina Bonetti (mestra e

Ramiro Guerra y Sánchez 1880-1970 Cuba Um dos principais historiadores cubanos, autor de livros fundamentais como “Historia y población en las Antillas”, e “Manual de Historia de Cuba”, atuou também como pedagogo, dirigindo a Revista Cuba Pedagógica.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 doutora PPGCR-PUC GOIÁS) em Sesc Cacupe, Fpolis em 22 e 23 de agosto/2015. • Participação no WS com Lucia Cordeiro (membro do Conselho Internacional da Dança da UNESCO) em Jurerê Internacional, Espaço Cida Garcia, Fpolis, em 12 e 13 de setembro. • Participação na focalização da Roda de Danças Circulares 1º PIC NIC de Trocas de Mudas e Sementes das Estações,Parque da Luz, Florianópolis, em parceria com a Floram, em 18 de outubro/2015. • Oferta de oficina de Yoga no 2º Bazar Vegano de Floripa (05/12) • Oferta de oficina de Mandalas de Kirigami no 2º Bazar Vegano de Floripa (05/12) Nenhuma pesquisa registrada no momento, entretanto, nesse período foram produzidos alguns trabalhos, fruto das experiências vivenciadas e dos estudos realizados relacionados ao projeto, sendo eles: Apresentações de banners em eventos: a) Título: Amor em Movimento – I Festival Internacional da Cooperação – Atibaia/SP (outubro) b) Título: Práticas Corporais – uma breve introdução (14ª Sepex) c) Título: Andança (14ª Sepex) d) Título: Ginástica Geral (14ª Sepex) Do coletivo colaborador - @s acadêmic@s e pós-graduand@s Alessandra Sosin Machado Aline da Rosa Silva Ana Cláudia Wolf Ana Ludwig Noronha Anita Malcher Arestides Macamo Bianca Melyna N Filgueira Bruna Letícia Bruna Garroux Bruna Westfall Buratto Carlo dos Santos Pimentel Camila Dalpra Machado Ritter Clara Tavares Dani Knihs Eduardo Bernardes Geremias Felipe de Marco Pessoa Fernanda Riffel Gabrielle Goulard Beck Gabriel Nicolodelli da Silva Giovanni Camargo Scotton

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Josiane Rodrigues Juliana Cristina Carboni Juliana Carlos Souza Kauê Hahn Turnes Maria Eduarda de Moraes Sirydakis Marina Neves Milena Santos Náiade Schardosim de Azevedo Otávio Esser Vieira Raynara Esmeraldino Renan Vivas Zanotto Rosa Scheibe Ribeiro Sara Prado Viñayo Suélen Rebello da Silva Taís Sampaio Thais Ferreira Pinto Tatiane Silveira Thaynã Roberta Araújo Bispo dos Santos Vanessa Nesso Volpatti - Professor@s Cristiane Ker de Melo (DEF/CDS) Luciana Fiamoncini (DEF/CDS) Rosane Carla Rosendo (DEF/CDS) Albertina Bonetti (DEF/CDS) Diego Ernesto Marcelo Arenaza (MEN/CED) Leila Peters Caron (CA/UFSC) - Técnic@s- administrativ@s Zulmira da Silva (DEARTI /Secretaria Internacionais) - Pessoas externas à UFSC Cintia Vilanova Fabiana Veríssimo Fabiano Lauser Flávio Cunha Gilvan Pedra Jota Martins Luciane Ventura Magna Machado Rafael Spinelli

Manoela Saenz 1797 - 1856 Equador, Peru de

Relações

Revolucionária que lutou pela independência das colônias espanholas na América do Sul ao lado de Simón Bolívar. Conhecida pela alcunha de “Libertadora del Libertador”. Recebeu o grau de generala no governo de Hugo Chávez. “Minha pátria é continente da América.”

o

Ressalta-se que essas pessoas, pelo interesse que possuem em aprofundar seus conhecimentos nas modalidades que ofertamos no projeto, se aproximaram do projeto e têm participado do grupo de estudos e contribuído muito com todo o coletivo. Além disso, também oferecem vivências de estudo e aprofundamento ao grupo. Das parcerias Projeto Amanhecer (HU/UFSC)

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 Instituto Mente Viva – (Porto Alegre – RS) Mahatma Meditação – (Porto Alegre – RS) Fundação Catarinense de Cultura – Museu Histórico de Santa Catarina – Palácio Cruz e Sousa Secretaria Municipal de Educação Secretaria Estadual de Educação Outras informações relevantes Encontra-se em andamento a produção de um artigo coletivo do grupo da dança que envolve uma resenha crítica do livro “Antropologia da Dança” de autoria de Gisele Guilhon. Também, vem sendo elaborado junto ao grupo do Yoga um estudo sobre a estruturação das aulas de yoga. O Projeto vem tendo destaque cada vez maior no contexto cultural da UFSC e da cidade. Tem ganhando visibilidade e o reconhecimento em diversos setores. O programa Mistura com Camile Reis, da RBSTV, fez uma matéria sobre as aulas de yoga do projeto no Palácio Cruz e Sousa, essa matéria foi ao ar no mês de novembro. Durante a 14ª SEPEX fomos convidad@s a sermos entrevistad@s pela Rádio UFSC e pelo TJ UFSC. Temos recebido também muito retorno positivo com destaque à sua importância nos comentários da página do projeto no facebook ( https://www.facebook.com/projeto. praticascorporais?fref=ts ). Destaca-se a ampliação com as turmas de yoga ofertadas gratuitamente no Museu Histórico de Santa Catarina – Palácio Cruz e Souza, através de uma parceria com a Fundação Catarinense de Cultura. Muita gente não consegue participar dessas atividades por não ter espaço disponível, devido ao grande número de participantes que vem frequentando essas turmas. Esta ação tem possibilitado o acesso de muitos que não podem pagar pela prática ou mesmo, vir até a UFSC para participar. Há que ressaltar a importância do projeto agregar acadêmic@s de diferentes áreas de atuação, essa diversidade é que tem possibilitado a expansão e maior visibilidade do projeto no contexto da cidade. A maioria possui uma grande capacidade de liderança, desse modo a condução dos trabalhos se tornam compartilhadas e todas as ações são co-criadas. Há um rico processo de colaboração e cooperação entre o grupo, que manifesta sempre boas ideias e uma grande capacidade de autonomia e independência. Um grupo que apresenta muito conhecimento, domina muitas linguagens, sejam elas do campo da produção artística, virtual, manual, técnica etc. Isso se deve à diversidade de formação d@s envovid@s que só têm contribuído para somar ao trabalho coletivo.

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3- Atividades da linha de investigação GECUPOM/ Futebol Nesse período construímos um blog para informar e divulgar com mais agilidade e transparência o que fazemos. www.gecupomfutebolvitral.blogspot.com Realizamos mais de 80 reuniões periódicas de estudos. No período, de forma presencial-direta, entre os acadêmicos formados nas reuniões de estudos, nos cursos realizados na UFSC, e fora dela, assembleias públicas e encontros científicos nos quais participamos em várias cidades e estados do país atingiram um público superior a 6000 participantes, e de forma indireta temos amplificado nossas ações que são levadas a inúmeras populações do mundo globalizado através de nossas publicações em periódicos, anais de congressos e, principalmente, através de nossos pronunciamentos e postagens nas mídias sociais. 1- Realização de uma pesquisa sobre os custos superfaturados das arenas da Copa do Mundo 2014, socializado através do Artigo Uma lição vinda da África: os cartéis da construção estão aumentando significativamente os custos de infraestrutura da Copa do Mundo FIFA 2014 no Brasil? divulgado em mais de 30 sites no Brasil e no mundo, além de ter inspirado inúmeras reportagens, entrevistas e artigos em jornais do país, tendo sido publicado na revista Motrivivência, dez de 2013; noslivro Copa do Mundo na África do Sul: um legado para quem? e Megaeventos Esportivos: suas consequências, impactos e Legados para a América Latina. 2- Organizações do livro A Experiência de Implantação do Centro de Referencia em Esporte Educacional de Rio Grande – CREE-RG. Esse livro recupera o histórico do processo de conquista e implementação do CREE-RG trazendo também algumas pistas de como foram ordenadas as tarefas do ensino de seis modalidades esportivas para crianças e jovens de classes populares (boxe, taekwondo, futebol, vôlei, natação e basquete) além de teses quanto a Formação Continuada ou em Serviço de educadores quanto ao esporte educacional, orientações quanto a administração do CREE-RG, e quanto as assessorias pedagógica, psicológica e de serviço social do referido projeto. 3- Produções de 12 audiovisuais, os quais receberam mais de 20000 acessos, o que demonstra o grande interesse pelo tema e a relevância de também produzirmos conteúdos para socialização e diálogo do que fazemos à populações externas à UFSC através das redes sociais. Os audiovisuais tratam do processo de formação de 160 professores de Educação Física e gestores das nove Redes de EducaçãoPúblicas dos municípios integrantes do território de abrangência do

Bartolina Sisa 1753 - 1782 Bolívia Heroína indígena Aymara, lutou ao lado de Tupac Katari pela libertação da Bolívia como comandante. Líder de um exército de em torno de 40.000, cercou La Paz por 184 dias. Seus feitos fizeram com que o dia de sua morte, 5 de Setembro, se tornasse o Dia Internacional da Mulher Indígena.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 CRE-RG - Centro de Referencia Esportiva do Rio GrandeRG – (Santa Vitória do Palmar, Chuí, Rio Grande, São José do Norte, São Lourenço do Sul, Pelotas, Jaguarão, Pedro Osório, Arroio Grande). Essa ação é fruto da assessoria que realizamos durante dez anos (2005-2015) ao SCRG- Sport Club Rio Grande, primeiro clube de futebol do Brasil. Realização de Palestras • Em 2013:Aula Magna para os cursos de Educação Física bacharelado e Licenciaturada UNICAPECÓ/SC sobre o tema Os Megaeventos Esportivos e Seus Impactos Sobre o Continente Latino, Chapecó, UNOCHAPECÓ /SC; Conferência de Abertura do Seminário de Educação Física e Primeiro Colóquio de Sociologia da UNESC/SC, sobre o tema Os Megaeventos Esportivos e Seus Impactos Sobre o Continente Latino-Americano. Criciúma, UNESC/SC. • Em 2014:Aula Inaugural dos Cursos de licenciatura e bacharelado da UNESC/Criciúma – Universidade do Extremo Sul Catarinense; mesa organizada para tratar do tema dos megaeventos esportivos e seus impactos e legados para o país na FURG – Fundação Universidade do Rio Grande/RS; em programa de rádio da Rádio do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul; TV da Câmara de Vereadores de Florianópolis a convite do vereador Lino Peres; Rádio da Central das Favelas/RJ, além de produzirmos vários depoimentos sobre o tema do futebol, seu ensino e a Copa do Mundo 2014 para o site do IELA – Instituto de Estudos Latino-Americanos da UFSC. • Em 2015: Painel Universitário Sobre a Área Pública da Ponta do Coral Florianópolis: palestrando sobre o tema: Como os trabalhadores e moradores tradicionais estão sendo inseridos na hierarquia social da cidade de Florianópolis ?; No Primeiro Fórum Gaúcho de Futebol, da cidade de Rio Grande/RS, palestrando sobre o tema: A importância da escola na iniciação desportiva do futebol; no XII Encontro Internacional de Cátedras José Martí realizado em Recife/Pernambuco, palestrando sobre o tema: Convergências e Complementaridades entre o pensamento educacional de Paulo Freire e José; noSeminário de Educação Popular realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, palestrando sobre o tema: Convergências e Complementaridade entre a Obra de José Martí e Paulo Freire Para a elaboração de Formulações de Educação Popular e de Esportes. Realização de Oficinas e Minicurso de Futebol Dentro da programação do I Festival de Práticas Corporais Latino-Americanas realizamos duas atividades, uma de transformação didática do futebol, outra uma

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experimentação prático-reflexiva do cabeçobol - um conteúdo da cultura corporal de movimento -a luz do lazer criativo e dos eixos orientadores da concepção de Educação Física Libertadora-Biocêntrica. Orientação de Projetos de Estudos Realizamos oito projetos de estudos quanto à cultura popular de movimento e o futebol no GECUPOM/Futebol: i) Mateus Domingos Marcon, estudou o tema da reorientando o esporte de rendimento, quando ele estudou o trata pedagógico do futsal para universitários; ii) Marcelo Edson Soares que realizou um estudo exploratório buscando identificar se há diferenças na forma de ensinar futebol para jovens e crianças de três escolinhas de futebol da cidade de Florianópolis pesquisando o ensino de três diferentes educadores; iii) Cleber Silveira sobre a implementação da lei 11.645/08 por três professores de educação física de três escolas públicas de Florianópolis; iv) Eduardo Nascimento tratou das alterações e impactos sofridos com a institucionalização do marketing esportivo nos clubes de futebol; v) Gilmar Muhlen investigou a forma como é ensinado o futebol para crianças em uma escola da rede pública de ensino de Florianópolis; vi) Ronaldo Matias vem se dedicando a elaboração de um relevante projeto de estudos quanto a periodização tática nos esportes e no futebol vii) Vitor Gonçalves, está estudando o tema do ensino do futebol na educação infantil escolar; Luiz Gustavo Chagas estudo sobre o surf em Florianópolis e seu potencial, e limites, para ser estudo na formação de três cursos de Educação Física de Florianópolis, e também para ser transformado em conteúdo de ensino de escolas de Florianópolis Participações no Evento de Formação III Congresso Internacional de Futebol, 03 a 05 de setembro de 2014 em Porto Alegre/RS. Esse evento nos permitiu atualizar as pautas de estudo e investigação de nosso Grupo, além de ter possibilitado estabelecer importantes contatos com renomados centros de Futebol de nosso país, participaram osacadêmico(a) s:EmillyDolberth de Souza; Raul Eduardo dos Santos; Leonardo Wagner silva Pereira; Ronaldo Valter Matias; e Vitor da Silva Gonçalves. Coordenação do III Encontro Nacional de Estudantes Indígenas - 28 de setembro de 2015 a 28 de março de 2016. Fizemos a coordenação do III Encontro Nacional de Estudantes Indígenas, conjuntamente com a jornalista Elaine Tavares do IELA, evento que reuniu estudantes indígenas de todo o País para refletir a formação Indígena no âmbito da Educação Superior. Oportunidade em que se refletiu e divulgaram-se

Subcomandante Marcos 1957 - Até hoje México O ‘Subcomandante Marcos’ é o principal portavoz do comando militar do grupo indígena mexicano chamado Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), que fez a sua aparição pública em 1º de Janeiro em 1994, quando conquistaram seis municípios, em Chiapas, exigindo democracia, liberdade, terra, pão e justiça para os índios.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 as experiências da Formação Indígena Superior, mais especificamente por meio da troca entre os graduandos indígenas, professores/pesquisadores, e demais profissionais e estudantes não indígenas de graduação e pós-graduação do Brasil. Foram realizadas conferências, mesas redondas, grupos de trabalho, atividades culturais, comunicações orais e apresentação de pôsteres. Essas atividades contaram com a participação de aproximadamente 850 indígenas. Foram formuladas muitas proposições a cerca da cultura, educação, saúde, identidade e manutenção dos indígenas com sucesso em sua formação acadêmico universitária. Durante o Encontro trataram-se relevantes temas acadêmicos e sociais, tais como: i) o rico debate sobre a questão de ingresso e permanência com sucesso dos indígenas no ensino superior; ii) a necessidade de instalação de campus universitários nas comunidades indígenas, algo que já está sendo feito em algumas universidades; iii) a necessidade urgente de superar as dificuldades das instituições universitárias e seus agentes de entenderem e dialogarem com as culturas indígenas (seus hábitos, alimentação, seus rituais, e, sobretudo, suas formas de entenderem a cosmogonia indígena segundo a qual da natureza emana toda a vida de forma indissociável). A questão central do Encontro girou em torno da fase de que um índio ao formar-se em nível superior não precisa deixar de ser índio, mas pode se bem acolhida sua cultura, torna-se um índio com formação acadêmica superior e sem sofrer uma invasão cultura. Tratou-se também da necessidade de haver a criação de maiores oportunidades para os indígenas ingressarem no mercado de trabalho formal; poderem, se desejar, seguir seus estudos de pós-graduação; e de retornarem para suas aldeias para disseminarem os conhecimentos adquiridos na universidade naquele ambiente cultural indígena. Foi um encontro para também afirmar a necessidade da garantia de demarcação e de respeito das terras indígenas, as reservas territoriais indígenas nacionais, hoje fortemente atacados pela especulação econômica, o agronegócio e seus representantes no Congresso Nacional, os quais têm produzido muita tristeza, morte, dor e o desequilíbrio na relação homem-natureza. Ficou como aleta ao final do Encontro que todos nós servidores públicos das universidades brasileiras precisamos ser mais respeitosos com as populações indígenas que chegam às universidades, haja vista serem os povos originários de nosso país e planeta, gente as quais somos devedores eternos pelos saberes que tem que serão importantes para apreservação da vida e do planeta. Suas culturas precisam também ser consideradas para orientar a universidade e a

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inserção dos povos indígenas na sociedade contemporânea. Assessoria a Elaboração do PL- Projeto de Lei- Jogo Aberto Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul Através dessa ação do GECUPOM/Futebol os professores Luiz Parise e Paulo Capela, assessoraram a elaboração do PL- Projeto de Lei“Jogo Aberto” na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. O trabalho de assessoria contribuiu com a elaboração de políticas públicas para o esporte e lazer no Rio Grande do Sul, uma experiência que pode servir de inspiração para outros Estados brasileiros. A proposta foi encampada no Legislativo gaúcho pelo deputado Alexandre Lindenmeyer (PT), autor do Projeto de Lei 52/2012, em tramitação desde março. O PL propõe instituir uma nova política estadual de fomento à reestruturação dos clubes gaúchos de futebol profissional, reavaliando critérios e qualificando estruturas administrativas. Entre outros aspectos, são previstas ações que estimulem a autoestima das comunidades, através da recuperação da história dos clubes e dos municípios, e promoção da inserção social através do esporte. Batizado de “Jogo aberto”, o projeto surgiu a partir de audiências públicas sobre o futebol do interior do Rio Grande do Sul. Os debates reuniram representantes dos clubes, atletas, árbitros e representantes da Federação Gaúcha de Futebol, imprensa esportiva e governo do Estado, além de várias entidades ligadas ao futebol amador e profissional e busca reestruturar os times de futebol do interior do Rio Grande do Sul, que abandonaram a lógica do clube associativo para assumir a de clube empresa. Hoje são cerca de 40 clubes de futebol no Estado gaúcho, alguns deles desativados. Para a implantação de uma política permanente prevêse que Jogo Aberto conte com um plano estadual (elementos de informação, diagnóstico e estabelecimento de objetivos), um sistema estadual (agentes institucionais incumbidos de cumprir os objetivos) e um fundo estadual (instrumento financeiro para reunir recursos). As verbas poderão vir da administração direta ou indireta, de concursos de prognósticos, de programas de educação fiscal, do televisionamento de jogos ou de publicidade e propaganda de estatais vinculadas a programas de inclusão social. O projeto inclui a criação, manutenção e ampliação de atividades esportivas para crianças e adolescentes, permitindo a formação de atletas a partir de outra visão social sobre a atividade desportiva. O resgate históricocultural deve ser viabilizado através da implantação de núcleos de cultura popular, esporte e lazer, com atividades para crianças, adolescentes, adultos e a chamada terceira

Bolívar Echeverría 1941-2010 Equador, México Filósofo equatoriano radicado no México, foi professor da Universidad Nacional Autónoma de México. A partir do estudo da obra de Karl Marx, das análises de Heidegger e Sartre, e da influência da Teoria Crítica da Escola de Frankfurt, elaborou uma profunda reflexão sobre a modernidade na América Latina. Em 2007 foi homenageado na Venezuela com o Prêmio Libertador ao Pensamento Crítico.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 idade. Assessorias Técnica ao Centro de Referência em Esporte Educacional de Rio Grande Em 2013 e 2014, o GECUPOM/Futebol, um dos grupos de pesquisa do Vitral, assessorou também a proposta de criação de um Centro de Referência Esportiva na cidade de Rio Grande, em parceria com a Petrobras. Nesse trabalho, o Vitral atuou como elemento central no debate dos conceitos que regem o Esporte Educacional, bem como no trabalho de divulgação do projeto que, durante dois anos, pode oferecer formação a centenas de professores da rede municipal de ensino, em nove municípios gaúchos, bem como proporcionar a aplicação dessa formação não só nas escolas onde atuam os referidos professores, mas também na ação do próprio Centro, que chegou a reunir mais de 900 crianças e adolescentes. Foram trabalhados seis modalidades de esporte: vôlei, basquete, futebol, taekwondo, natação e boxe. Cada uma dessas práticas serviram de caminho para os educadores que optaram por trabalhar o esporte a partir de uma concepção que prioriza o prazer em vez do rendimento. “A ideia do esporte educacional é mostrar que as aulas de educação física e mesmo as atividades esportivas comunitárias podem ser realizadas por qualquer pessoa. Ninguém precisa ser excluído do voleibol porque é baixinho, por exemplo. O professor que atua com o esporte educacional tem os instrumentos que garantem a possibilidade da inclusão de todos os alunos e alunas porque a intenção não é formar atletas de rendimento. O objetivo é o movimento corporal, a saúde, a brincadeira, e os educadores oferecem práticas que garantem tudo isso, incentivando a participação, a alegria e o esporte saudável”, observa Paulo Capela. O projeto iniciado no Centro de Referência Esportiva Rio Grande gerou um livro: “Esporte Educacional: a experiência do Centro de Referência Esportiva Rio Grande”, uma produção coletiva de educadores, estudante, artista gráfico e jornalista que participaram do processo de construção do Centro, tendo como eixo a formação de educadores na área de educação física dentro dos princípios do esporte educacional. Essa proposta se diferencia radicalmente da lógica do esporte de rendimento que visa formar atletas para competição. No esporte educacional a ideia é trabalhar a educação física como prazer e brincadeira. O livro reuniu todo o grupo que atuou no projeto e cada um explicou como conduziu o processo dando subsídios para que outras pessoas possam trabalhar o esporte nessa perspectiva. Durante os dois anos que durou o projeto

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foram capacitados mais de duas dezenas de professores da rede pública de nove municípios do Rio Grande do Sul em módulos de formação que trabalharam não apenas os conceitos do esporte educacional, como também ajudaram os educadores a construir eles mesmos os instrumentos que serviriam para trabalhar a proposta nas escolas. Com isso, a educação física, bem mais do que um rito, passou a ser encarada como um momento privilegiado de criação, movimento e educação para a vida. O Centro, criado em Rio Grande a partir da ação e do trabalho dos professores Paulo Capela e Luiz Parise (Vitral Latino-Americano/UFSC), fez parte de um projeto maior chamado Rede de Parceiros Multiplicadores de Esporte Educacional, que justamente teve por objetivo fomentar a organização de Centros de Referência de Esporte Educacional. Além do que funcionou em Rio grande também foram criados centros nos estados do Amazonas, Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro, Alagoas, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Por fim, não podemos deixar reafirmar nosso radical compromisso de fazer todas nossas ações na ótica dos trabalhadores e seus filhos, da vida e da paz. E denunciar a pouca consideração, ainda, dada a nossas ações no âmbito do CDS pelos que aqui mandam, haja vista não sermos convidados a participar do planejamento de quais quer ações referentes ao que estudamos e pesquisamos no DEF/CDS/ UFSC, e tão pouco termos sidos contemplados com recursos e condições financeiros ou estrutura logística para nossas iniciativas, mesmo com todo o cumulo de conhecimentos e experiências que temos em nosso Núcleo de Pesquisa, mas, como dizia o poeta Mário Quintana: “ Eles passarão e nós passarinho”. Coordenação: Prof. Dr. Edgar Mattielo (Dpto.Educação Física - CDS) Prof. Ms. Paulo Capela (Dpto.Educação Física - CDS) Professora Ms. Cristiane Ker de Mello

3. “Pluralismo Jurídico, Interculturalidade e constitucionalismo na América Latina”.

Glauber Rocha 1939-1981 Brasil Um dos mais importantes cineastas brasileiros, participou do movimento do Cinema Novo e publicou seu Manifesto Eztetyka da Fome, empenhando-se numa polêmica políticosocial em seus filmes. De suas obras, destacam-se Terra em transe, Deus e o Diabo na terra do Sol, e Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro.

Projeto desenvolvido no Centro de Ciências Jurídicas da UFSC, coordenado pelo Prof. Dr. Antonio Carlos Wolkmer. O trabalho tem por finalidade examinar, dentro do contexto de legitimidade e eficácia de novas juridicidades extra-

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 estatais, na insurgência atual de “novos direitos”, quais são as contribuições do pluralismo jurídico capazes de fortalecer as práticas de cidadania como espaço de luta e emancipação na interculturalidade historicamente inserta no cenário latinoamericano, e ainda reafirmar o comprometimento social com os direitos humanos. Acompanhando as transformações no Direito latinoamericano, especialmente a criação de uma nova Constituição Equatoriana em 2008 e a refundação do Estado Boliviano em 2009, o projeto abriu nova frente, procurando analisar o pluralismo jurídico inserto neste novo constitucionalismo, que se estabeleceu como possibilidade democrática de libertação das sociedades emergentes, fornecedora de novos valores e práticas para a luta cidadã, em especial dos novos movimentos sociais e grupos populares. A partir de 2014 o presente projeto de pesquisa foi permeado pela concepção pluralista do direito, buscando o diálogo intercultural de uma nova normatividade advinda das práticas cidadãs de novas identidades sociais. Procurou-se demonstrar a existência de sistemas normativos não estatais, originados e representativos das necessidades materiais, políticas, econômicas e culturais das próprias comunidades, em especial das comunidades originárias da América Latina. Buscou-se ainda a averiguação da existência de um esforço intercultural e pluralista, onde as sociabilidades carentes de justiça lograssem implementar seus direitos humanos para a reflexão sobre a função atual do Direito Positivo. A pesquisa teve como um de seus objetivos contribuir pedagogicamente para forjar novos conceitos e novas práticas de sociabilidade, capazes de permitir um avanço de conscientização cidadã e de engajamento crítico dos operadores jurídicos nos processos de transformação social emancipatória. O Núcleo de Estudos e Práticas Emancipatórias – NEPE O Núcleo de Estudos e Práticas Emancipatórias é um programa de extensão em cidadania, direitos humanos e acesso à justiça, fundado em 17 de abril de 2007, por estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis, Brasil. O núcleo tem por objetivo impulsionar, fomentar e articular estudos e práticas extensionistas capazes de contribuir com a luta emancipatória dos movimentos sociais latino-americanos em prol da efetivação dos direitos humanos e de estimular o aprendizado crítico e transformador do Direito. O NEPE compreende que ensino, pesquisa e extensão são indissociáveis para a formação acadêmica e, por isso,

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atua em várias frentes. Além dos projetos de extensão que pretendem contribuir para a efetivação dos direitos humanos, abre agora um espaço de interlocução para formação teórica buscando aprofundar a reflexão sobre Pluralismo Jurídico, Direitos Humanos e América Latina. O Grupo de Pesquisa é aberto a todos que tenham interesse pela temática e comprometimento com a transformação da teoria e da prática acerca dos direitos humanos. Coordenador Prof. Dr. Antonio Carlos Wolkmer Bolsistas Iniciação Científica:  Caetano Matheus Mestrado:    Marília de Sousa Doutorado:   Efendy Emiliano Maldonado e Samuel Radaelli Pós-doutorado:   Lidia Patrícia Castillo Amaya ( El Salvador) Livros publicados WOLKMER, Antonio Carlos. História do Direito no Brasil. 8ed. RJ: Forense, 2015. ISBN 9788530 958107. WOLKMER, Antonio Carlos. História do Direito no Brasil. 9ed.Rio de Janeiro: Forense, 2015. 207p. ISBN 97885-309-6554-9 WOLKMER, Antonio Carlos. Pluralismo Jurídico – Fundamentos de uma Nova Cultura no Direito.4ed. SP: Saraiva, 2015. 477p. ISBN 978-85-02-22835-1 WOLKMER, Antonio Carlos. Introdução ao Pensamento Jurídico Crítico. 9ed. SP: Saraiva, 2015., 324p. ISBN 978-8502-62586-0.

4. Projeto Córdoba Acordo de Cooperação Acadêmica e Cultural Brasil/ Argentina Projeto desenvolvido por professores do Colégio de Aplicação/Centro de Educação (CED) no marco de um acordo de Cooperação Acadêmico Cultural - internacional e interinstitucional, firmado – firmado em 1992 e reavaliado de três em três anos - entre a Universidade Federal de Santa Catarina e a Universidad Nacional de Córdoba através do Colégio de Aplicação e a Escuela Superior de Comércio  Manuel Belgrano. Realiza intercâmbio entre

Oswald de Andrade 1890-1954 Brasil Polemista, poeta, romancista e dramaturgo, inaugurou o modernismo brasileiro com sua combatividade na imprensa e na poesia. Junto com outros autores promoveu a Semana de Arte Moderna, de 1922. É autor dos dois manifestos mais significativos do movimento: o “Manifesto Pau-Brasil” e o “Manifesto Antropofágico”.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 técnicos, professores e estudantes desde 1986. Como um dos resultados deste trabalho, já foi garantida a inclusão do Espanhol, a partir de 1996, e da disciplina de Estudos LatinoAmericanos, desde 2003, no currículo normal do Colégio de Aplicação da UFSC. O Acordo de Cooperação Acadêmico Cultural entre Brasil e Argentina está firmado em experiências e vivências de Ensino, Pesquisa e Extensão, tendo como cenário a América Latina, e a possibilidade de integração de forma complementar e solidária. Nossa experiência mais sistemática neste período de dezessete anos tem sido o Intercâmbio de Estudantes. Foram 16 idas e vindas de meninas e meninos que, ao se aproximarem e se reconhecerem nas suas semelhanças, tornam possível resgatar a idéia de uma identidade comum. Importante salientar que os estudantes desenvolvem um trabalho de pesquisa que seja pertinente com os objetivos do “Projeto Córdoba”. Esta pesquisa é apresentada ao fim dos dois meses de intercâmbio, tanto em Córdoba, como em Florianópolis. Foram diversos os temas pesquisados e apresentados, alguns sobre a problemática ambiental, como a ocupação dos Manguezais, os impactos causados pelo turismo de massa, o papel do Estado na proteção das florestas, o saneamento básico em Florianópolis, a ocupação das encostas e a poluição das praias. Mas versaram também sobre temas sócio-culturais, como o período da ditadura no Brasil, cinema catarinense, folclore e sua preservação, favelas, transporte urbano (passe livre), patrimônio histórico, mídia, música, religiosidade, grêmio estudantil, hábitos da juventude, movimentos sociais e outros.

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Os jovens, continuamente, fazem e refazem esse projeto. Cada ano as suas experiências recriam a nossa experiência. Seus depoimentos são intensos, provavelmente porque são ímpares. Todos nós estamos de passagem, mas é pela retina do estudante que este projeto se insere nos espaços, da cidade, da sala de aula e da casa. É a partir dos seus registros que nos damos conta da dimensão do projeto, dois meses em um lugar geralmente representam mudanças profundas no pensar e no agir dos jovens, “... acho que a formação mais importante foi haver conhecido pessoas novas com uma cultura nova, haver aprendido a abrir nossas cabeças para dejar de lado prejuicios y poder compartir com essas pessoas”, e “... o intercâmbio em si, contribuiu para entender algumas coisas que não podem se explicar, são coisas que ficam dentro da pessoa e dependem muito da visão dela, são coisas que ajudam a entender o Brasil como cultura e país vizinho, com suas diferenças e coincidências, com as particularidades que tem...” e “... não lembro de algo que não tenha me agradado, e que tudo o que vivi lá eu sei, que de alguma forma, vai refletir na minha vida. Não sei se agora... mas tudo que se vive diferente do que se está acostumada, parece que abre, abre a mente, o coração, e caminhos. Chega a dar uma sensação até de liberdade, e claro, satisfação.” (respectivamente Maria Sol Correa, Daniela Leiva Mora e Isadora Bet da Rosa Orssatto/2008). E no pronunciamento em 2007, na Escuela Manuel Belgrano, em comemoração aos 15 anos de Acordo, destacamos “Podemos mostrar muchos logros, académicos, como trabajos de investigación comparada, publicaciones, presentaciones a jornadas y congresos, la inclusión del español y la asignatura Estudios Latinoamericanos en la currícula del Colégio de Aplicaçao …¿Cuánto de este Intercambio y el aporte teórico de los geógrafos brasileros hay en la creación del Departamento de Geografía de nuestra Facultad de Filosofía? Para el grupo de coordinación del Proyecto Brasil ésta ha sido una tarea marcada por las responsabilidades y los intensos lazos afectivos. Con el intercambio, la Escuela Superior de Comercio “Manuel Belgrano” y el Colegio de Aplicação se colocaron en la vanguardia de este “nuevo orden” educativo...que implica, en cierto modo, borrar las barreras culturales entre pueblos hermanos, sin perder las identidades, reconociendo las diferencias, pero haciendo hincapié en las relaciones y semejanzas”. (Coordenadora do Projeto Brasil, Susana Ferreyra.). Temos hoje na escola um projeto peculiar, ao mesmo tempo amadurecido, pois alguns de seus objetivos já deixaram de ser um intento, um esboço preparatório e se transformaram em fato. É algo que tem corpo, sentimento,

José Antônio Sucre 1795 - 1830 Venezuela, Bolívia, Colômbia, Peru e Equador Mariscal, prócer da independência de vários países andinos, lutou ao lado de Simón Bolívar. Foi o responsável pela libertação da região do antigo Alto Peru, que compõe o que hoje é a Bolívia. Principal aliado de Bolívar, era seu sucessor natural. Morreu assassinado em 1830.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 voz, vai e vêm atravessando fronteiras. Mas em parte continua sendo uma idéia que se forma para realizar algo no futuro. É permanentemente um espaço amplo de criação. É um Projeto que valoriza a semelhança e valoriza a diferença, pois entende que o diverso não é um parâmetro para medir a qualidade de outras pessoas ou países. Conviver com o diferente é a única possibilidade de se descobrir no outro, de perceber como somos parecidos. Em 17 anos, 300 e poucos jovens efetivamente participaram do Intercâmbio. É um Projeto no qual estudamos e somos estudados. Sobre o Acordo existem teses de mestrado e doutorado, artigos, reportagens. Isso precisa ser valorizado. Em um mundo acadêmico cada vez mais individualista e competitivo trabalhos coletivos e solidários devem ser extremamente valorizados dentro das Escolas e das Universidades, pois são raros.Para finalizar uma palavra aos estudantes: O Projeto busca a continuidade, se faz e se refaz. Todo ano é escrito através do que nós, professores, fazemos e do que vocês fazem. Este Projeto não deve ficar preso à vontade particular de simples indivíduos, ao desejo momentâneo de alguns. O intercâmbio do presente é a base para o intercâmbio do futuro. Vocês são responsáveis pela base que vão legar para os que virão. “En una palabra, lo que nosotros deseamos no es otra cosa que el cultivo del natural desarrollo progresivo de la humanidad, o sea, la cultura. La expresión que adopta toda esta voluntad nuestra es la educación.” Walter Benjamin. Em 2012 o Projeto Córdoba celebrou 20 anos de existência na UFSC, tendo sido o pioneiro na proposta de uma integração aos moldes do sonho de Bolívar, que pudesse incluir não só os aspectos econômicos mas também o cultural e o vivencial. No depoimento dos professores, pais e alunos que passaram pela experiência de intercâmbio nesses 20 anos ficou claro o quanto o trabalho desenvolvido pelo projeto tem cumprido com seu objetivo. O estreitamento das relações entre as famílias, o conhecimento da realidade do outro, a vivência em outro país tem contribuído para quebrar barreiras de preconceito e para constituir novas relações amorosas, acadêmicas e intelectuais. Instituições responsáveis e Coordenações: Escuela Superior de Comercio Manuel Belgrano R: La Rioja, 1450 5000 – Córdoba - Córdoba – Argentina Coordenação do Projeto Brasil: Dante Bertone Ana María García Montaño

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Ana María Della Schiava Lilia Moroni Susana Ferreyra (Coordenadora) Nancy Aquino Silvia Ferreyra Colégio de Aplicação Campus Universitário da Trindade CEP 88049-900 – Florianópolis - Santa Catarina – Brasil Coordenação do Projeto Córdoba: Danuza Meneghello (Coordenadora) Rodolfo Pantel Bolsista: Gianna Z. de Souza Atividades desenvolvidas Coordenações em trânsito: reuniões entre as coordenações em Florianópolis e em Córdoba. Temas discutidos: documentação referente aos intercambistas; as suas expectativas; produção acadêmica; família e questões relacionadas à saúde; a participação em forma de Comunicação de 15 minutos, no dia 03 de agosto de 2014, na Semana de Extensão da Região Sul, no Centro de Convenções (comunicação essa que garantiu ao Projeto Córdoba, ao Acordo, o certificado de melhor projeto de Extensão, na categoria Educação, do Encontro); a importância das coordenações terem clareza sobre o Acordo de Cooperação, seus objetivos e que isso seja exaustivamente falado e trabalhado com os intercambistas; a incorporação da língua espanhola no CA, algo que já acontece desde 1996 e a da língua portuguesa no MB, que ainda não ocorreu. A direção destacou que estão seriamente analisando essa incorporação, no entanto, incorporar o português é alterar radicalmente a grade curricular e as horas de vários professores. Como essa alteração também reflete na questão salarial, não é algo simples de se fazer. Relações institucionais e acadêmicas

General Torrijos 1929 - 1981 Panamá Foi líder máximo da Revolução Panamenha. Responsável, dentre outras coisas, por um acordo com os Estados Unidos que garantiu a devolução do Canal do Panamá ao controle da nação centroamericana em 1999.

Venezuela Encontro com Jornalista Elaine Tavares, do IELA no Colégio de Aplicação. Participaram os 100 estudantes do Primeiro Ano do Ensino Médio. A principal discussão foi sobre a morte de Hugo Chaves e sua sucessão. A jornalista fez uma exposição seguida de debate. Argentina Encontro-aula com o Professor Rodolfo Pantel e os candidatos ao intercâmbio no dia 15 de Maio. Tema: Argentina: história e conjuntura atual.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 Jornadas Bolivarianas Como prática do intercâmbio os candidatos participaram das Jornadas, que aconteceram na UFSC entre os dias 09 e 12 de Abril de 2013. Os intercambistas produziram textos baseados nas conferências e palestras realizadas durante o evento e que posteriormente foram discutidos coletivamente. Na 9º edição das jornadas, foi discutido o tema: Megaeventos Esportivos - seus impactos, consequências e legados para o continente latino-americano; Este assunto se mostrou muito pertinente com a realidade tanto dos demais ouvintes, quanto dos estudantes. Estes, por meio dos relatórios, mostraram em muitos pontos concordar com os conferencistas, compreendendo que estes mega-eventos, na verdade, não estimulam o gosto pelo esporte, pelo contrário, é mais uma forma de acumulação capitalista, sendo os atletas, não mais representantes de um grupo esportista, mas mais um produto gerado pelo mercado capitalista. A aluna Ana Paula Couto em seu relatório chega à seguinte conclusão: “Os megaeventos esportivos hoje são na verdade, uma grande feira de exposição de jogadores. Os países emergentes estão entrando nesses eventos achando que isso é bom, quando na verdade estamos apenas sendo usados.” Essa reflexão de Ana Paula é muito parecida com a da aluna Maria Eduarda Barcelos, que em seu relatório diz o seguinte: “A sociedade é roubada quando um atleta é retirado dela para o mundo sem nenhum retorno, o que em minha opinião é realmente verdade porque o atleta deixa de representar o seu povo para passar representar pessoas totalmente diferentes das suas origens.” IELA No dia 04 de setembro numa quarta-feira, organizamos uma visita ao Instituto de Estudos Latino Americanos, onde fomos recebidos pelo professor Prof. Nildo Domingos Ouriques. Na data, estavam presentes a professora Danuza, professor Tomás, professor Rodolfo, a bolsita Gabriela e os intercambistas Nicolas, Federico, Federica, Sofia, Brenda, Ana, Natacha, Tamara e Sabina. Aulas de espanhol As aulas de espanhol deste ano aconteceram entre o dia 24 de Abril a 03 de Julho, com encontros semanais de 2hs/aula e foram ministradas pela professora Fabíola T. Ferreira gratuitamente, o que contemplou todos os alunos

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que participaram da seleção. Estudantes selecionados: Intercambistas Brasileiros Maria Eduarda de M. Sirydakis 2ºC Mateus R. de Alencar 2ºC Graziela Cardoso Nogueira 3ºB Natália Dias Goulart 2ºC João Vitor S. Coelho 2ºB Rai Fantin Dietrich 2ºC Ana Paula M. Couto 3ºB Maíra Moreira Mayer 2ºC Maria Eduarda V. Barcelos 2ºB Julia Juchem 2ºD Thiago Machado Raskopf 3ºB Intercambistas Argentinos Ana Laura Chaer 3º C Camila Pérez 1º C Brenda Yasmin Pilo Lacuadra 3º A Federica Lozada Chaves 2º D Federico Romano 2º B Natacha Belén Godoy 3º B Robins Nicolás 1º D Sabina Linares 1º B Sofia Puma Zanelli 2º B Tamara Nizetich 2º C Tomas Ferreira 1º B Projetos de Pesquisa dos Estudantes Projetos de pesquisa desenvolvidos por estudantes brasileiros: Ana Paula M. Couto Projeto: “Projeto Córdoba / Proyecto Brasil: Como um intercâmbio pode construir aprendizados na vida escolar?” Orientador: José Carlos da Silveira Graziela Cardoso Nogueira Projeto: “Situação dos moradores de rua na cidade de Córdoba em 2013” Orientador: George França

Farabundo Martí 1893 - 1932 El Salvador, Nicaraguá Foi um dirigente de esquerda em El Salvador e contribuiu na organização dos trabalhadores da Nicarágua contra a intervenção dos Estados Unidos. “Quando a história não se pode escrever com a pena, então ela deve ser escrita com o fuzil.”

João Vitor S. Coelho Projeto: “Os muros falam. As mensagens ocultas na tinta” Orientador: Mariana Borsa

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 Julia Juchem Projeto: “O teatro e os movimentos sociais Orientador: José Alvim Maíra Moreira Mayer Projeto: “A língua portuguesa na escola superior de comercio Manuel Belgrano” Orientadora: Thereza Cristina Bertazzo S. Viana Maria Eduarda de M. Sirydakis Projeto: “Jornais impressos: Mapeamento do envolvimento de estudantes Florianopolitanos e cordobeses com esta mídia” Orientadora: Thereza C. B. S Viana Maria Eduarda V. Barcelos Projeto: “Currículo e a escolha profissional na realidade de brasileiros e argentinos: um estudo comparativo” Orientadora: Rachel Pantalena Leal Mateus R. de Alencar Projeto: “Inclusão Social: Como os alunos vêem a inclusão de pessoas com necessidades educacionais especiais em seu cotidiano escolar?” Orientadora: Adriana Costa Natália Dias Goulart Projeto: “Filmes dentro e fora da escola: Um estudo comparativo entre os estudantes de Córdoba/Argentina e de Florianópolis/Brasil” Orientadora: Karen Christine Rechia Rai Fantin Dietrich Projeto: “Juventude, cinema e ditadura militar em Córdoba” Orientadora: Josalba Ramalho Thiago Machado Projeto: “Alberdi: análise de 20 anos de um bairro” Sem orientador Projetos de pesquisa desenvolvidos por estudantes argentinos Ana Laura Chaer Projeto: “Hábitos de lectura y preferencias en los jóvenes del 3º año” Orientador: George França

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Brenda Yazmín Pilo Lacuadra Projeto: “Atividades que se realizam nas praças de Florianópolis” Orientador: Sandra Mendonça Camila Pérez Projeto: “Espaços públicos mais concorridos pelos alunos do Colégio de Aplicação em seu tempo livre” Orientador: Karen Christine Rechia Federica Lozada Chaves Projeto: “Las actividades extracurriculares de los alumnos Del Colégio de Aplicação de Florianópolis en la franja-etaria de 15 a 17 años” Orientador: Manoel Pereira dos Santos Federico Romano Projeto: “Caracterización de los modos de participación de los alumnos adolescentes en el centro estudiantil del Colégio de Aplicação” Orientador: João Nilson Alencar Natacha Belén Godoy Projeto: “Las artes plásticas locales em los museos de Florianópolis” Orientador: Débora da Rocha Gaspar Robins Nicolás Projeto: “Práctica de deportes extracurriculares en alumnos adolescentes del Colégio de Aplicação de Florianópolis en el año de 2013” Orientador: Edson Sabina Linares Projeto: “El tiempo libre de los estudiantes del Colégio de Aplicação” Orientador: Marivone Piana Sofia Puma Zanelli Projeto: “Consumo de literatura brasileira por parte dos estudantes do Colégio de Aplicação” Orientador: Rachel Panatalena

Florestan Fernandes 1920-1995 Brasil Sociólogo e político brasileiro, funda a Sociologia crítica no país, inaugurando um novo modo de pensar a realidade nacional. Como marxista, defendeu uma educação vinculada ao pensamento socialista. Para ele não poderia existir estado ou sociedade democrática sem uma educação democrática via escola pública.

Tamara Nizetich Projeto: “Estrategias para el cuidado del médio ambiente

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 empleadas por la población de Florianópolis” Orientador: Thereza B. S. Viana Tomás Ferreyra Projeto: “El cultivo de ostras en Ribeirão da Ilha” Orientador: Reginaldo Teixeira Setenta e cinco anos completou a Escuela Superior de Comercio Manuel Belgrano em 2013. Destes, 21 fazemos parte. De meninas e meninos são mais de 300 durante esses anos. E para além de jovens que vão e vem essa aproximação se torna uma aula intensiva de cultura, uma permanente saída de estudo interdisciplinar. Se pensarmos que na Escola Manuel Belgrano os estudantes ficam 8 horas por dia, os intercambistas brasileiros em 40 dias vivenciam uma experiência educacional de 320 horas o dobro dos seus colegas no Colégio de Aplicação. Sem considerar a relação que estabelecem nas famílias e na cidade. Aproximar é nessa direção que caminhamos.

INSTITUIÇÕES RESPONSÁVEIS E COORDENAÇÕES: Escuela Superior de Comercio Manuel Belgrano R: La Rioja, 1450 5000 – Córdoba - Córdoba – Argentina Coordenação do Projeto Brasil: Angélica Elizalde Delfina Reschia Colégio de Aplicação Campus Universitário da Trindade CEP 88049-900 – Florianópolis - Santa Catarina – Brasil Coordenação do Projeto Córdoba: Danuza Meneghello Tomás Fontan Camilo Buss Nota:

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• A cada três anos as Reitorias analisam e decidem se renovam o Acordo e fazemos uma reunião específica com a Coordenação do Projeto Brasil, de Córdoba, para discutirmos os caminhos a serem trilhados no período subsequente; • Fazemos uma reunião de avaliação junto aos familiares dos intercambistas para colher sugestões


e críticas. • Realizamos reunião com os estudantes cordobeses e brasileiros, participantes do intercâmbio, para explicar a dinâmica do Projeto, verificar seu grau de satisfação ou suas dificuldades pedagógicas na escola e na família. Sua adaptação ao seu novo cotidiano: alimentação, deslocamentos, vida familiar, relacionamento com a cultura brasileira e outros aspectos. • Faz parte da avaliação também a apresentação das pesquisas realizadas por estudantes brasileiros e argentinos. Atividades Desenvolvidas Jornadas Bolivarianas Na sua 10º edição, foi discutido o tema: A América Latina e os 40 anos da Teoria Marxista da Dependência. Como prática do intercâmbio os candidatos participaram das Jornadas, que aconteceram na UFSC entre os dias 09 e 11 de Abril de 2014. Os intercambistas produziram textos baseados nas conferências e palestras realizadas durante o evento e que posteriormente foram discutidos coletivamente. Coordenações em trânsito: reuniões entre as coordenações em Florianópolis e em Córdoba. Córdoba Nossa primeira reunião em Córdoba no dia 12 de Agosto aconteceu na sala dos professores da Escuela MB onde debatemos e conversamos entre os assuntos referentes aos estudantes e trâmites de documentos e sobre a renovação do Acordo de Cooperação. Participamos de uma saída monitorada pela coordenação do Projeto Brasil pela cidade. Visitamos os locais que foram utilizados pela Ditadura Militar para prisões e tortura. Saída que deixou estudantes e professores emocionados e abalados. Florianópolis Na reunião de Florianópolis, no dia oito de Outubro, estavam presentes dois representantes da Coordenação do “Projeto Brasil”, como é denominado o Acordo em Córdoba. A professora Angélica, de Química e a preceptora Marisa. Dos coordenadores do Projeto Córdoba, a professora Danuza, o professor Tomás e o professor Camilo. Contamos com a presença do professor aposentado Rodolfo Pantel, que fez parte da coordenação do projeto. Na pauta, principalmente a renovação do Acordo e a avaliação do intercâmbio. No dia 10 às 18 horas no Auditório do CA convidamos

Rodolfo Walsh 1927-1977 Argentina Jornalista e escritor argentino, foi também militante político. Assassinado pela ditadura militar argentina apenas um dia depois de enviar sua famosa “Carta aberta de un escritor a la Junta Militar”. É autor de diferentes livros, como “Operación Masacre”, assim como alguns contos. Seu conto “Esa Mujer” foi considerado o melhor conto argentino numa pesquisa entre escritores e críticos. Em sua atividade jornalística, destaca-se o fato de que entre 1959 e 1961 foi membro da “Prensa Latina” em Cuba, sendo responsável também pela descoberta de mensagens estadunidenses.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 toda a comunidade escolar para o visionamento de um documentário sobre a ditadura militar argentina e o MB. O filme “Belgranenses” é dirigido por um ex-estudante do MB e foi generosamente oferecido por uma cordobesa que mora em Florianópolis, Gabriela Herrero. Nessa noite com sob a coordenação do Grêmio, GECA, fizemos no refeitório uma despedida com comes e bebes: Choripán com Saudade! Aula de espanhol As aulas de espanhol deste ano aconteceram entre o dia 24 de Abril a 03 de Julho, com encontros semanais de 2hrs/aula e foram ministradas pela professora Eliane Elenice Jorge, o que contemplou todos os alunos que participaram da seleção. Estudantes Selecionados: Intercambistas Brasileiros Beatriz Alvares 2ºC Beatriz Pereira 2ºA Bruna Hoepers 2ºA Juan Thiago Rivas 2ºB Julia Pozzetti 2°C Mariana D’El Rei 2ºA Maylin Gama 2ºA Nicollas de Souza 3ºA Stephanie Bilhan 3ºB Valentina Andrade 2ºB Vitória Martins 3ºC Intercambistas Argentinos Ana Emília Brambilla 2ºA Eva Schiaffino 1ºC Fermin Marconi 2ºB Ignacio Jewsbury 3ºB Laura Aguero 3ºC Malena Torres 1ºA Paloma Arnolds 3ºD Paloma Hernándes 2ºC Rocio San Roman 3ºA Sofia Fleiderman 1ºC Valentina Zamora Mehl 1ºD Projetos de pesquisa dos estudantes: Projetos de pesquisa desenvolvidos por estudantes brasileiros Beatriz de Costa Pereira Projeto: “Infancias vividas

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em

tiempos

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Dictadura” Orientador: Débora Gaspar Bruna Schiavini Hoepers Projeto: “Um novo caminho por Córdoba” Orientador: Lisiane Vandresen Vitória Martins da Silva Projeto: “Utilização de espaços pelos estudantes: Escuela Superior de Comércio Manuel Belgrano” Orientador: Thereza Cristina Viana Maylin Gama Projeto: “Marcas da Ditadura” Orientador: George França Julia Pozzeti Projeto: “A atual vida literária de Córdoba e sua presença no repertório da comunidade da Escola Manoel Belgrano” Orientador: George França Juan Thiago Rivas Projeto: “Cordobazo: Memórias da rebeldia nas gerações atuais” Orientador: João Nilson de Alencar *Projetos disponíveis na Coordenação. Mariana D’El Rei Projeto: “Abajo de la Escalera” Orientador: George França Beatriz Alvares Projeto: “Um dia de Manuel Belgrano” Projetos de pesquisa desenvolvidos por estudantes argentinos Ana Emilia Brambilla Projeto: “PALPEBRAL: Paralelismo entre fotografia e musica durante a última Ditadura Militar” Orientador: Sandra Mendonça

Micaela Bastidas 1744 - 1781 Perú Foi esposa e conselheira de Tupac Amaru II, tendo assim importante papel na luta anticolonial no vice-reinado do Peru. Lutou pela emancipação política frente à metrópole espanhola e também pelo restabelecimento do papel da mulher indígena na vida política e social. “Não tenho paciência para aguentar tudo isso.”

Eva Schiaffino Projeto: “Vento Sul: políticas culturais e censura nos meios de comunicação do Brasil durante a Ditadura civil-militar (1964-1985) e o Sul como um estado de caso”

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 Orientador: George França Fermin Marconi Projeto: “Vento Sul: políticas culturais e censura nos meios de comunicação do Brasil durante a Ditadura civil-militar (1964-1985) e o Sul como um estado de caso” Orientador: George França Ignacio Jewsbury Projeto: “Economia na Ditadura brasileira” Orientador: Romeu de Albuquerque Bezerra Laura Aguero Projeto: “Os efeitos da Ditadura no âmbito educativo do Colégio de Aplicação do Brasil entre 1964 e 1985” Orientador: Fernanda Nana Malena Torres Projeto: “Notas de censura: a educação na Ditadura e os câmbios no currículo” Paloma Arnolds Projeto: “PALPEBRAL: Paralelismo entre fotografia e musica durante a última Ditadura Militar” Orientador: Sandra Mendonça Paloma Hernández Projeto: “Notas de censura: a educação na Ditadura e os câmbios no currículo” Rocio San Roman Projeto: “PALPEBRAL: Paralelismo entre fotografia e musica durante a última Ditadura Militar” Orientador: Sandra Mendonça Sofia Fleiderman Projeto: “Os efeitos da Ditadura no âmbito educativo do Colégio de Aplicação do Brasil entre 1964 e 1985” Orientador: Fernanda Nana Valentina Z. Mehl Projeto: “Notas de censura: a educação na Ditadura e os câmbios no currículo” No final fica o sonho. Considerando o que nos diz Fernando Pessoa, “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”, no final a vitória

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está com os utopistas. Pois se o que nos move deixar de ser o que idealizamos do mundo, enquanto lugar solidário, justo e alimentado - como resistiremos à morte cruel e covarde dos jovens da nossa Latino América? Como a não ser com uma crença muito forte na educação que transforma mulheres e homens em seres humanos e humanizados, para não fraquejarmos frente à indiferença social, a burocracia servil, ao egoísmo produtivista e ao xenofobismo social e cultural. Com relação às coordenações a possibilidade de uma maior participação docente com a organização de seminários virtuais ou reais. Destacamos nas reuniões de avaliação o cuidado novamente com as pesquisas e o seu desenvolvimento durante o intercâmbio. Recebemos no fim do ano um correio eletrônico do Professor Edson Antoni do Colégio de Aplicação da UFRGS, que realiza com o nosso colégio o Projeto Tchê Mané: “Venho, por meio deste e-mail, compartilhar com vocês aquilo que penso ser uma importante conquista para todos aqueles que, de forma direta ou indireta, trabalham com temáticas latino-americanas. Foi aprovada, no último Conselho de Unidade do Colégio de Aplicação-UFRGS, a criação da disciplina de “Estudos Latino-americanos”. A partir de 2015, a referida disciplina ingressa na grade curricular regular, contando com um período semanal, nas turmas de 8º e 9º anos do Ensino Fundamental. Organizada a partir de seis diferentes eixos temáticos a abordagem interdisciplinar em “Estudos Latino-americanos” tem como objetivos analisar, sob múltiplos olhares, o contexto latinoamericano”. Emblemático para nós que estamos no limite da “descriação” da mesma disciplina. E fomos referência para que essa disciplina fosse aprovada pelo Conselho de Unidade daquela instituição. O pioneirismo exige muito de quem o faz, são experiências totalmente novas e que requer do grande grupo uma visão ampla do presente e do futuro. Exige de todos, da comunidade escolar, uma compreensão coletiva do que se pretende de uma escola, do currículo e da formação dos estudantes. Se o conjunto escolar não considera fundamental entender a sua própria história, que se continue priorizando o estudo dos outros e assim nunca nos reconheceremos nas nossas leituras, imagens e ações. Fica na solidão dos corredores, nas finais considerações sobre mais um ano de 22 anos, fica o sonho. E o despertar. “Llamamos a todos y a todas a no soñar, sino a algo más simple y definitivo: los llamamos a despertar”. (Enero 1999.

Solano López 1827 - 1870 Paraguai Nacionalista, segundo presidente constitucional da República do Paraguai, exercendo o cargo desde 1862 até a data de sua morte. Foi comandante das Forças Armadas e chefe supremo do seu país durante a Guerra da Tríplice Aliança, que destruiu o Paraguai.. “Morro pela minha pátria com a espada na mão.”

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 Zapatismo) Instituições responsáveis e coordenações: Escuela Superior de Comercio Manuel Belgrano - La Rioja, 1450 5000 – Córdoba - Córdoba – Argentina Coordenação do Projeto Brasil: Angélica Elizalde Guillermo Enrique Batalla Gustavo Tobar Verônica Seguí Colégio de Aplicação - Campus Universitário da Trindade Coordenação do Projeto Córdoba: Danuza Meneghello Tomás Fontan Marcelo Carvalho (bolsista) Atividades Desenvolvidas Jornadas Bolivarianas Como prática do intercâmbio os candidatos participaram das Jornadas, que aconteceram na UFSC entre os dias 21 a 23 de Setembro de 2015. Os intercambistas produziram textos baseados nas conferências e palestras realizadas durante o evento e que posteriormente foram discutidos coletivamente. Na sua 11ª edição, foi discutido o tema: Literatura e Política na América Latina. Coordenações em trânsito Reuniões entre as coordenações em Florianópolis e em Córdoba. Temas discutidos: documentação referente aos intercambistas; as suas expectativas; produção acadêmica; família e questões relacionadas à saúde. Aulas de espanhol As aulas de espanhol deste ano aconteceram entre o dia 24 de Abril a 03 de Julho, com encontros semanais de 2hs/ aula e foram ministradas pela professora Fabíola T. Ferreira gratuitamente, o que contemplou todos os alunos que participaram da seleção. Estudantes Selecionados Intercambistas Brasileiros Clara Nogueira Pacheco 2º D Sofia D’avila Heidenreich Lacerda 2º C

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Gabriel Margutti Fridriszewski 2º A Ricardo Krüger 2º C Mariana Silva 2º C Thais Ceccato do Amaral 2º B Cristiany Rosa 3º C João Guilherme da Silva Santos 2º C Intercambistas Argentinos Candela Sarmiento 3º ano A Melina Amarilla 3º ano B Tomás Poeta 3º ano C Lourdes Revol 2º ano A Florencia Aranda 2º ano B Lucas Asef 2º ano C Gastón Frutos 2º ano D Luciana Goldraij 1º ano A Julieta Cuevas 1º ano B Julieta Rigatuso 1º ano C Florencia Duartez 1º ano D Projetos de pesquisa desenvolvidos por estudantes brasileiros Cristiany Rosa Projeto: “Belgrano Rock” Orientador: George França Gabriel Margutti Fridriszewski Projeto: “Brasil/Argentina: Literatura e transgressão” Orientador: João Nilson de Alencar João Gulherme da Silva Santos Projeto: Orientador: Anamaria Marcon Venson Mariana Silva Projeto: “Música de Protesto em Córdoba: envolvimento dos jovens e adultos” Orientador: Thereza Cristina Viana

General Pétion 1770 - 1818 Haiti Militar e político haitiano. Foi o primeiro presidente do Haiti depois da revolução de libertação. Criou a primeira Constituição do país e foi fundamental no processo de libertação da América do Sul, com sua ajuda militar e financeira à Simón Bolívar.

Thaís Ceccato do Amaral Projeto: “Os símbolos perdidos” Orientador: Romeu Bezerra Sofia d’Ávila Heidenreich Lacerda Projeto: “Mobilidade Urbana Cordobesa” Orientador: Leonardo Valenza Ricardo Krüger

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 Projeto: “Jornal Argentino” Orientador: Thereza Cristina Viana Clara Nogueira Pacheco Projeto: “Um dia de Manuel Belgrano” Orientador: Camilo Buss Projetos de pesquisa desenvolvidos por estudantes argentinos Julieta Rigatuso, Lucas Asef e Melina Amarilla Projeto: “Prácticas de inclusión para estudiantes con capacidades diferentes en la ESCMB y del CA” Orientadora: Ciriane Casagrande da Silva (Brasil) Luciana Golgraij, Lourdes Revol e Candela Sarmiento Projeto: “Liberar lo de adentro” Orientadora: Veronica Seguí (Argentina) Tomás Poeta e Gastón Frutos Projeto: “Participación política del os estudiantes de la ESCMB y del CA: defensa de los derechos estudiantiles” Orientadores: Camilo Buss (Brasil) e Veronica Seguí (Argentina) Florencia Aranda, Julieta Cuevas y Florencia Duartez Projeto: “Murais e mostras como mecanismos de

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expressão artística” Orientadora: Thereza Viana (Brasil) A dimensão dada por uma intercambista para o que viveu em Córdoba reflete o que temos pensado e trabalhado para tornar realidade no Colégio de Aplicação e na Escuela Manuel Belgrano “Acho que todos os brasileiros que foram esse ano não tinham a dimensão do que é ser latino-americano e talvez por causa do idioma, ou da cultura em si, a cidade de Córdoba me fez sentir mais latina. Coisa que não acontece nunca em Floripa. É como se fossemos um mundinho a parte. Lá eu me sentia conectada com o resto dos países da América. O intercâmbio possibilitou essa percepção, essa noção de que existe um mundo inteiro aí fora, com pessoas e vidas completamente diferentes”. (Sofia D’Avila)

5. Núcleo de Estudos de História da América Latina – NEHAL O Núcleo de Estudos de História da América Latina (NEHAL), criado em 2006 pelos professores Waldir José Rampinelli (Departamento de História) e Ana Brancher (Colégio de Aplicação), com sede no Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH), tem como objetivo central pesquisar, estudar e promover eventos sobre a história latino-americana dentro de uma perspectiva de análise do pensamento crítico. Para tanto, o Nehal se propõe a realizar a passagem da escova da historia “a contrapelo”, na concepção de Walter Benjamin, para dar voz e vez àqueles “que sofreram, trabalharam, definharam e morreram sem ter a possibilidade de descrever seus sofrimentos” (Michelet); para iluminar uma profunda e extensa parte do passado que permaneceu escondida por determinação de uma classe dominante; para clarear o presente e ajudar a construir um novo futuro. Ousadia? Sim, pois só assim poderemos avançar dentro de uma perspectiva crítica. Há, hoje, um desestímulo, nos cursos de história, à análise crítica, à participação política e, por sua vez, um incentivo à neutralidade e ao distanciamento do objeto de estudo numa clara tentativa de eliminar o intelectual engajado, fazendo ressurgir o analista imparcial. Dentro dessa perspectiva, é perfeitamente compreensível que os estudantes quase não se utilizem da teoria marxista para fazer seus trabalhos de conclusão de curso ou projetos de seleção para mestrado e doutorado. Tampouco são estudadas as relações de poder em política internacional e o tripé de

Pancho Villa 1878 - 1923 México E x-ba ndolei ro, Doroteo Arango Arambula, foi um dos mais importantes líderes da Revolução Mexicana (1910), junto com Zapata. Conhecido como o Leão do Norte, liderou as tropas até a vitória. Assassinado com 47 balas em uma emboscada. Sendo símbolo da resistência nacional, seu nome se tornou uma lenda.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 dominação dos países imperialistas nos últimos 60 anos: o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial (BIRD) e a Organização Mundial do Comércio (OMC). Também não se faz um estudo histórico sobre as políticas neoliberais e as ditaduras militares que as prepararam; sobre a ideologia e sua utilização pela classe dominante; sobre a história e sua conexão com a política; sobre o poder das elites e sua reprodução; sobre as relações entre classes sociais e a distribuição de renda; sobre a intensificação da luta de classes e suas consequências atuais. O estudo do cotidiano pode prestar grandes serviços ao historiador. No entanto, é fundamental o uso de uma teoria que parta da compreensão de que a vida diária está condicionada pela formação social, assim como pela estrutura e dominação de classe. O mesmo acontece quando se analisa a relação de gênero, já que a opressão sofrida pela mulher do latifundiário é completamente distinta da que passa a do boia-fria. Enquanto a co-proprietária de terras resolve o problema do machismo por meio de um advogado, a sem-terra sente a dura realidade do abandono, quando não da própria exploração pelas mulheres ricas por meio da prestação de serviços domésticos degradantes e mal remunerados. Marc Bloch chega a dizer que somos tão pouco afeitos à crítica que, quando a fazemos, tomamos o cuidado de pedir desculpas antecipadas. A Escola dos Annales, no afã de superar a história tradicional que trabalha com a narrativa dos acontecimentos políticos e militares ressaltando os grandes feitos realizados por grandes homens, revolucionou o estudo da própria história ao abri-la pra as ciências humanas em geral. Por outro lado cometeu excessos ao desprezar determinados eventos que foram produtores de mudanças significativas. Tanto que membros dos grupos dos Annales começam a redescobrir, agora, a política e até o acontecimento. Nesse contexto, é de fundamental importância o estudo da Revolução Cubana e sua resistência ao imperialismo estadunidense; a Guerra do Contestado e a luta pela reforma agrária; a Revolta da Cabanagem e o seu caráter de conflito de classe. O NEHAL, diante desta perspectiva, se dedica a estudar tais temas – como as Revoluções Mexicana, Cubana e Bolivariana – para entender as mudanças conjunturais e estruturais que começam a gerar o novo na América Latina. Este é nosso grande objetivo.

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Coordenação: Prof. Waldir José Rampinelli (Dpto.História/CFH) Elvis Poletto Atividades: Em 2013 foi feito o estudo sistemático da obra de Vânia Bambirra – “O capitalismo dependente latino-americano”. Em 2014 foi realizado o estudo sistemático da obra de Raúl Scalabrini Ortíz – “A presença britânica no Rio da Prata”. Em 2015 foi realizado o estudo sistemático da obra de José Carlos Mariátegui – “Defesa do Marxismo”, e da obra de Ludovico Silva – “A mais Valia Ideológica”. Em 2016 foi realizado o estudo sistemático da obra de Agustín Cueva: “O processo de dominação política no Equador”. Conferências promovidas: Liberdade de expressão: para quem? – Com a participação dos jornalistas Matheus Lobo Pismel (Maruim), Elaine Tavares (IELA) e Carlos Shoereder (FENAJ). O colapso do figurino francês – Com a participação de Nildo Ouriques e lançamento do livro de mesmo nome.

6. O nacionalismo revolucionário O nacionalismo na periferia capitalista latino-americana A relação entre nacionalismo e marxismo é motivo de amplo e profundo debate nas ciências sociais. No Brasil, existe séria lacuna de estudos sistemáticos sobre esta delicada relação e é enorme o desconhecimento brasileiro sobre uma grande quantidade de estudos de autores latino-americanos sobre a importância do nacionalismo para a emancipação completa dos países da região. No Brasil, é comum observar no terreno político como os nacionalistas são antimarxianos na mesma medida em que os marxistas são antinacionalistas Nos últimos quatro anos estudamos sistematicamente esta complexa e fecunda relação para conciliar em nosso país o nacionalismo com a potência do marxismo. Os resultados estão lentamente aparecendo na forma de publicações, ensaios, etc. É nosso projeto publicar o quanto antes em forma de livro nossas primeiras conclusões. Abaixo apresentamos os termos de nossa pesquisa original com o objetivo de convidar outros pesquisadores para enfrentar coletivamente esta gigantesca tarefa.

Camilo Torres 1929 - 1966 Colômbia Padre católico e guerrilheiro colombiano. Por suas ideias de forte cunho de engajamento social, é pressionado a renunciar ao ministério sacerdotal. Livre de suas imposições canônicas, intensifica sua participação política, criando a Frente Unida do Povo. Com o aumento das pressões governamentais devido ao seu sucesso político, alia-se ao Exército de Libertação Nacional (ELN). Morre em combate e, até hoje não se sabe do paradeiro que o exército do governo colombiano deu ao seu corpo.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 O nacionalismo foi uma força política, econômica e cultural decisiva na formação do estado moderno. Portanto, a força originária e atual dos estados centrais encontra no nacionalismo um substrato histórico sem o qual não podemos explicar seu êxito. Em contraste, na periferia latino-americana o nacionalismo tem sido insistentemente responsabilizado como um obstáculo ao progresso civilizatório e a eficiência econômica, além de caracterizado categorias de caráter depreciativo (“populismo”). No Brasil, o desconhecimento da importância de autores e estudos clássicos sobre o nacionalismo tem sido uma norma nas ciências sociais (economia, sociologia, ciência política, relações internacionais, entre outras). Um autor clássico como Adam Smith é considerado erroneamente como simples adepto do livre-comércio com inusitada frequência e, portanto, apresentado como avesso a qualquer manifestação de protecionismo – expressão na economia do nacionalismo político – em completa contradição com sua obra mais conhecida. O renascimento nacionalista latino-americano recente é recebido com enorme desconfiança e não poucas críticas, entre as quais a de que lhe falta consistência teórica. Contudo, há contribuições notáveis desconhecidas do universitário brasileiro que necessitam de urgente conhecimento para melhor entender e tratar o nacionalismo periférico que se fortaleceu na América Latina. Afinal, qual o amparo teórico da atual onda nacionalista tanto na economia quanto na política? O nacionalismo exerce reconhecida influência econômica, política, cultural e social na periferia do sistema capitalista. Na América Latina esta influência possui raízes O desconhecimento históricas cuja análise poderia do saber universitário remontar a saga de Bolívar brasileiro, de extração na guerra de independência acadêmica, sobre os e a enorme influência que o grandes teóricos latinomundo francês exerceu na americanos sobre o formação intelectual e política nacionalismo e a famosa do Libertador. “questão nacional” não Também no terreno deixa, de fato, de ser teórico, é grande a influência surpreendente. do nacionalismo em muitos autores latino-americanos. Esta enorme tradição é praticamente desconhecida do público brasileiro, razão pela qual se reveste de grande interesse o conhecimento sobre seus principais autores e posições. Não é preciso muito esforço para perceber que o nacionalismo encontra expressão tanto no terreno político quanto no econômico, na disputa pela cultura como também na diplomacia.

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O desconhecimento do saber universitário brasileiro, de extração acadêmica, sobre os grandes teóricos latinoamericanos sobre o nacionalismo e a famosa “questão nacional” não deixa, de fato, de ser surpreendente. Uma demonstração eloquente desta situação nos oferece Paulo Arantes quando afirma o contraste existente “a pobreza e a incoerência conceitual do nacionalismo” e seu “poder político assustador” (2004). Na verdade, Arantes não faz mais do que repetir quase que literalmente a hipótese aventada originalmente por Anderson (1983) para quem “em contraste com a enorme influência do nacionalismo sobre o mundo moderno, é notável a escassez de teorias plausíveis sobre ele”. Em parte, apresentei o resultado de minhas pesquisas quando publiquei em dezembro de 2014 o livro “O colapso do figurino francês. Crítica às ciências sociais no Brasil” (Insular Editora) e seguimos agora aprofundando em terrenos que até então estavam apenas assinalados. Há pouco publiquei outro ensaio no qual indicava o caráter inconcluso do projeto de pesquisa da teoria marxista da dependência e apresentava reflexões sobre a obra do argentino Milcíades Peña e do equatoriano Ricardo Paredes sobre a posição dos países dependentes na tradição do marxismo europeu. As conclusões ou implicações do nacionalismo que cada um a sua maneira defendeu não foram apresentadas aqui mas aparecerão em breve (A 40 años de Dialéctica de la dependência, México, 2016) A sedução que de fato o nacionalismo exerce em amplos setores sociais não está, contudo, destituído de sustento teórico. Ao contrário do que julgam nossos filósofos e cientistas sociais apressadamente, existem estudos de considerável envergadura teórica na América Latina que seguirão alimentando esta corrente política com evidente capacidade de disputar cidadania universitária em qualquer latitude de nosso planeta. Talvez a tradicional distância do mundo acadêmico brasileiro em relação à tradição hispânica ou mesmo certo isolamento que apenas começa a ser superado nas duas últimas décadas quando o Mercosul se originou, tenham sido o responsáveis por tamanho desconhecimento. A verdade é que enquanto esta situação persistir, é claro que toda e qualquer manifestação de nacionalismo na periferia latino-americana poderá aparecer para nós como simples sinônimo de “atraso” político, negação irracional num mundo já definitivamente conformado pela “modernidade” ou ainda expressão de males congênitos para os quais não possuímos explicação adequada. A primeira razão para pensar a força do nacionalismo é o reconhecimento do caráter inconcluso de nossas nações. É evidente que a formação da nação nos países latino-americanos não reproduz a forma clássica com a qual o fenômeno se manifestou na Europa. No continente

Mercedes Sosa 1935-2009 Argentina Mercedes Sosa foi uma cantora argentina, reconhecida em toda América Latina como um dos maiores expoentes da música folclórica argentina. Teve que exilarse durante a Ditadura Militar argentina, onde acabou mantendo contando com outros músicos da região. Sua voz eternizou temas como “Canción con todos”, “Gracias a la vida”, “Alfonsina y el mar” e “Duerme Negrito”.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 europeu, longe de esterilizar o nacionalismo, as classes sociais utilizaram-se intensamente do sentimento e das práticas nacionalistas para sedimentar constituição dos estados-nações hoje considerados metropolitanos. Portanto, o caráter construtivo desta realidade histórica impeliu Hegel (1997) afirmar em 1830 que o Mediterrâneo era o “eixo da história universal”, correspondia ao “umbigo do mundo”. Em tal perspectiva, o nacionalismo implícito na constituição dos estados nacionais na Europa, antes que um localismo destinado a legitimar os interesses do pacto de classe que efetivamente sustentou aquela construção, representava o húmus no qual se alimentava e criava uma perspectiva universalista que, no limite, apareceu para a periferia do mundo capitalista como expressão da “modernidade”. Portanto, é fácil perceber que em sua forma clássica, modernidade e nacionalismo são realidades históricas inseparáveis, que se auto-alimentam e justificam. A conformação do estado-nacional nos países da Europa e a consolidação de um sistema-mundial a partir de 1492 sob o impulso do capital comercial europeu criou, após três séculos de colonialismo, as bases históricas em que a América Latina surgiria. Neste contexto, é evidente que enquanto a Europa “nascia para si” e conformava um mundo a imagem e semelhança de seus interesses, os estados latino-americanos nasciam a partir de um intenso conflito de duplo sentido. Em primeiro lugar em luta contra os impérios decadentes da Europa – Espanha e Portugal – diante da ascensão de Inglaterra e França como alternativas futuras. Em segundo e não menos importante, a partir de uma rara e importante aliança de classes internas que terminariam por configurar um estado relativamente forte para manejo de contradições internas. Não é preciso muito esforço teórico ou análise histórica para perceber que os estados latino-americanos carregavam na origem, uma debilidade congênita para enfrentar o cenário mundial de disputa e conformação de hegemonias. Em poucas palavras: a América Latina avançou na criação de vários estados nacionais que somente o tempo terminaria por consolidar e, nestas circunstancias, entrava no mundo das nações sem capacidade de disputar ou exercer hegemonia. Portanto, ao contrário da perspectiva europeia, os estados latino-americanos se conformam a partir de uma trama histórica conhecida como colonialismo, fenômeno que perdurou por três séculos, ou seja, de 1492 até 1825, aproximadamente. Assim, o estado, as classes sociais, a economia e a cultura assumiam formas e sentido particulares, realidade substancialmente diferente de sua manifestação clássica europeia. Os estados nacionais já independentes tardariam décadas para afirmar sua soberania que somente

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se realizaria lentamente e sempre em conflito – aberto ou latente – com as potências dominantes em escala global. Ademais, a lenta gestação do estado-nacional não se produz no vazio, como afirmou lucidamente Agustín Cueva (1977), pois a despeito do caráter radical ou negociado do processo de independência, a verdade é que os novos países latino-americanos conformaram a economia nacional como mero complemento das demandas da economia mundial, cujo epicentro era a Europa. Precisamente este caráter complementar configurou a realidade histórica da dependência e do subdesenvolvimento que ocupou a atenção de cientistas sociais latino-americanos desde 1949, quando a CEPAL, sob inspiração do argentino Raul Prebisch e uma nutrida equipe de jovens talentos constituiriam a “economia política latino-americana” tal como nos narram Celso Furtado, (1978) e o próprio Prebisch (1988). Hoje sabemos, a despeito do caráter mais ou menos intenso do processo de industrialização por substituição de importações, que os estados latino-americanos terminariam por se consolidar como realidades históricas arrastando debilidades que os países centrais europeus jamais conheceram (pelo menos aqueles que se configuraram com pretensões hegemônicas na Europa). Não era necessária a interpretação marxista para compreender que as estratégias de industrialização ocorreram quando a economia mundial se consolidava como expressão dos monopólios e concluir que o “apogeu do capitalismo” enterrou para sempre sua fase concorrencial (Sombart, 1902). Neste contexto, o livrecomércio que renasceu nas duas últimas décadas, jamais passou de simples “episódio” como acertadamente indicou Sombart, era a política econômica que estava orientada tão somente por seus próprios interesses. Nos termos de nosso objeto de estudo, podemos afirmar que o “livre-comércio”, antes que uma política destinada a enriquecer a comunidade das nações era, precisamente, expressão do nacionalismo das potencias emergentes na Europa, em especial da Inglaterra. Eis a razão pela qual Adam Smith afirmou categoricamente: “Esperar que em la Gran Bretaña se estabelezca em seguida la libertad de comercio es tanto como prometerse uma Oceana o una Utopia.” (Smith, 1776). Não por acaso é notória e, de resto manifesta, a dificuldade de Hayek em tratar a Adam Smith que ele reputou como autor mais difícil para suas conferências (1976). que encontrou em 40 anos de trabalho. Nesta mesma direção, o historiador Eli F. Heckscher (1931) demonstrou que o protecionismo jamais foi uma diferença entre o mercantilismo e o capitalismo, pois os dois sistemas lançaram mão sistematicamente de medidas protecionistas. Não à toa Alexander Hamilton, nos Estados Unidos, rechaçou completamente a proposta livre-cambista de

C.L.R. James 1901-1989 Trinidad e Tobago Escritor, historiador e pensador marxista de Trinidad e Tobago, CLR James foi um dos mais destacados pensadores negros das Américas. Sua obra principal é o livro “Os Jacobinos Negros”, que retrata a história da Revolução do Haiti, a primeira nação independente da América Latina.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 suposta inspiração smithiana que a Inglaterra pretendia impor a seu país e defendeu com talento e astúcia – contra os interesses e a política inglesa – a estratégia contrária, contida no clássico e decisivo Relatório sobre as manufaturas (1790). Enfim, em lugar de seguir os conselhos ingleses que confinariam seu país na triste condição de exportar produtos agrícolas para a ex-metrópole, os estadunidenses decidiram repetir a forma inglesa e atuar com extremo nacionalismo econômico, razão pela qual lançaram mão do mesmo protecionismo que sempre caracterizou a política da Inglaterra e que, finalmente, havia garantido sua condição de “oficina do mundo”, tal como a caracterizaria mais tarde o insuspeito Marx. A maioria dos cientistas sociais conhece agora a conhecida crítica que List mereceu de Marx, mas tal fato não pode ocultar que sua economia política era, de fato, o retrato dos interesses nacionais então dominantes (1840) e ainda hoje constituem livro de cabeceira de qualquer governante europeu realista sobre o estado do mundo. Não sejamos, pois, ingênuos. Os países centrais exercem forte nacionalismo e não somente nos períodos de crise como já podemos observar demonstrações claras após setembro de 2007. A crise mundial que vivemos traz consigo o espectro do nacionalismo econômico quanto da xenofobia, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos. É típico destes períodos o reforço de políticas migratórias que não podem dispensar o trabalho dos latino-americanos, mas que, ao mesmo tempo, não aceitam a presença deles nos Estados Unidos. Semelhante comportamento ocorre na Europa em relação aos africanos ou às migrações oriundas dos países árabes. Ainda que existam muitos economistas dispostos a reconhecer a “globalização” como um mundo novo onde o nacionalismo econômico não passaria de uma peça de museu, a verdade é que a disputa pelas patentes no terreno da tecnologia deixa claro que a propriedade nacional nas marcas, licenças e conhecimento tecnológico continua sendo orientado fortemente pelo nacionalismo econômico. A presença das empresas multinacionais como motor do dinamismo em escala global tampouco elimina a presença do nacionalismo econômico, pois são múltiplos os efeitos das políticas nacionais dos estados metropolitanos destinados a reforçar a liderança mundial nos distintos campos de produção em favor das- empresas nacionais. De fato, uma multinacional sem decidido apoio dos estados-nacionais é simplesmente algo inimaginável, como bem demonstra a ação dos Estados Unidos no processo de salvamento estatal de suas importantes empresas na crise recente, comportamento semelhante àquela praticado pelos europeus em relação ao mesmo problema. O recurso ao nacionalismo, portanto, não é privilégio

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dos países periféricos ou simples manifestação de anomalia política dos países latino-americanos. Ao contrário, é a política dominante entre os países centrais que muitas vezes é apenas caricaturizada quando forças políticas nascem ou se expressam exibindo seu caráter intolerante, fascista ou autoritário. O Tea Party nos Estados Unidos, a Liga del Norte na Itália ou a Frente Nacional na França são apenas expressões mais grotescas de um amplo nacionalismo que podemos encontrar nos dois partidos mais importantes nos EUA, nos democratas cristão na Itália ou no Partido Conservador na França. De fato, ninguém se elegeria presidente dos Estados Unidos ou conseguiria o posto de primeiro-ministro na França ou na Alemanha se não professasse um estendido nacionalismo que pode ser visto com claro contorno inclusive na configuração da Comunidade Europeia. Obviamente, existem contrapesos que, não podemos esquecer; mas são apenas peça de equilíbrio, incapazes de superar uma “razão de estado” que, não poderia ser diferente, é uma razão nacional. Esta digressão é importante para a análise do nacionalismo na América Latina porque excluiu o terreno fácil da crítica com pretensões universalistas que a despeito de sua aceitação não fazem mais que a simples reprodução de ideologias. Como afirmou acertadamente Wallerstein (2007) a respeito do caráter pretensamente cosmopolita das propostas europeias recentes, estamos diante de uma particular manifestação do “universalismo europeu”. Contudo, Wallerstein (1995) também já manifestou seu ceticismo sobre a eficácia do nacionalismo e da construção do estado-nação na periferia africana, mas sua crítica que contém elementos importantes de análise é muito mais uma evidencia das impossibilidades de realização das promessas do liberalismo em escala global do que uma crítica sem reparos aos nacionalismos na periferia capitalista. Nossa perspectiva pretende deslocar a análise para um terreno mais fértil de pesquisa, distante do clima de preferência (condenação ou aceitação apriori do nacionalismo) que necessariamente é despertado quando nos deparamos com a emergência do fenômeno nacional, seja como ideologia, como política econômica ou simples razão de estado em questões da política. De fato, não é fácil escapar das paixões do nacionalismo. A tradicional e muitas vezes útil separação entre esquerda e direita, parece caducar quando observamos respeitáveis análises sobre a importância recente do nacionalismo no mundo contemporâneo e, em especial, na América Latina. O historiador marxista inglês Eric J. Hobsbawn (1990), por exemplo, o condena por completo o nacionalismo ao afirmar que se trata de “movimentos essencialmente negativos, ou

Vânia Bambirra 1940-2015 Brasil Vânia Bambirra foi uma socióloga, economista e militante brasileira que, ao lado de intelectuais, como Ruy Mauro Marini, André Gunder Frank e Theotonio dos Santos, formulou a Teoria Marxista da Dependência, uma interpretação crítica, marxista não-dogmática, dos processos de reprodução do subdesenvolvimento na periferia do capitalismo. Sua obra principal é “O Capitalismo Dependente Latino-Americano”

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 melhor, separatistas”. Há, contudo, uma limitação analítica na perspectiva de Hobsbawn porque ele reduz toda e qualquer manifestação de nacionalismo a sua expressão étnica, realidade muito distinta quando comparada a sua emergência latino-americana onde o fenômeno ganha conteúdo e sentido completamente distinto. Em nosso continente, na Venezuela ou na Argentina, o nacionalismo não possui carga étnica e mesmo quando nos deparamos com Equador ou Bolívia, as transformações recentes criaram um estado “plurinacional”, que permitiu a solução “um estado, várias nações”, amparado num novo constitucionalismo jurídico que não encontra paralelo na Europa, onde a ameaça de dissolução da Bélgica representa o exemplo mais evidente das tensões européias que parecem mesmo insolúveis neste terreno. Robert Kurz (1997), outro autor que não se filiaria ao marxismo ortodoxo, desprestigia ainda mais o nacionalismo, ao afirmar que se trata apenas de uma manifestação tardia de um fenômeno europeu, mera expressão do “nacionalismo terciário”, típica expressão da fragmentação nacional periférica destinada ao fracasso diante de um mundo devastado pela vigência em escala planetária da lei do valor que constituiu o que ele denominou “One World”. Não importa se na Eslovênia ou na Venezuela, o nacionalismo constituiria para Kurz apenas um espasmo da crise do sistema capitalista que jamais poderia encontrar uma saída aceitável ou mesmo viável na tentativa inútil de completar a construção do estado-nação na periferia capitalista. Enfim, o nacionalismo não representaria senão um obstáculo de uma política destinada efetivamente mudar o mundo radicalmente. Há tradição de estudos bem mais sólidos neste campo de análise, é preciso reconhecer. Leopoldo Mármora (1986) ou Salomón Bloom (1941) são expressões do melhor na literatura marxiana sobre o nacionalismo (para não mencionar aqui o debate no interior do chamado “movimento comunista internacional”, de Lênin à Stalin). O populismo é a forma concreta que assumiu o nacionalismo no Brasil e, de maneira ainda mais visível, na Argentina. Contudo, é notória a dificuldade de igualar Perón, Vargas ou Cárdenas nesta perspectiva comum, pois são fenômenos radicalmente distintos. Foi de fato uma comodidade sociológica classificá-los como simples expressões nacionais de um mesmo fenômeno comum onde alguns analistas incluiriam também Torres na Bolívia, Batle no Uruguai ou Velasco Ibarra no Equador. Não por acaso esta perspectiva analítica embora goze de amplo prestígio jornalístico praticamente esgotou sua capacidade de entender as razoes de persistente fenômeno. Um trabalho

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importante nesta direção é precisamente indicado por Laclau (2005) que encontrou uma “razão popular” onde a maioria esmagadora dos estudos indica apenas o caráter depreciativo do populismo latino-americano e abriu espaço para o que denominou a “construção do povo” revalorizando as demandas populares da mesma forma que respondia as tentativas marxizantes de análise das classes sociais nas formações sociais latino-americanas. Entre os autores de perfil conservador, é óbvio que ganha destaque na atualidade o estudo do assessor empresarial Kenichi Ohmae, para quem o estado-nação chegou ao seu fim inexorável. Ainda que goze de certa popularidade, não encontramos nesta perspectiva uma sólida teoria destinada a garantir que estamos mesmo diante de um “mundo sem fronteiras” ou no limiar de “estados- regiões” que, segundo esta interpretação já representa o sucedâneo histórico da antiga formação. A perspectiva de Ohmae pode inscreverse, de certa forma, na linha dos estudos de filósofos mais consistentes como Von Mises ou Hayek para os quais o estadonação representou desde sempre uma anomalia indesejável. Estes são, de fato, representantes do que poderíamos denominar um liberalismo extremo a ponto de defender a “desnacionalização do dinheiro” a partir da constituição de um “Movimento do Dinheiro Livre”, iniciativa comparável ao que ele denominou o “Movimento do Livre-Comércio no século XIX” como único caminho capaz de eliminar os ciclos permanentes de “depressão e desemprego que se tem considerado como o defeito intrínseco e mortal do capitalismo” (1978). Em termos comparativos, estudos como os recentes de Francis Fukuyama ou Enrique Krause não deixam de ter importância para o pensamento liberal, mas estão longe de revelar a vitalidade dos clássicos que anteriormente indicamos. Finalmente, é importante registrar que economistas renomados na academia e expressões do pensamento dominante também se dedicaram à crítica do protecionismo e do populismo, como, por exemplo, Rudiger Dornbusch e Sebastian Edwards (1991). Eles definiram o populismo como um enfoque em que, no terreno da análise econômica, privilegia o crescimento e a distribuição da renda enquanto minimizam os riscos da inflação e o financiamento deficitário, como também a força dos agentes econômicas contra toda atuação fora do mercado. No terreno da crítica ao sistema capitalista, os estudos recentes de Joachim Hirst (2001) indicam um campo mais fértil ao filiar o nacionalismo dentro de sua teoria de “estado nacional de concorrência”. Hist indica a existência de uma relação que julga inexorável entre estado nacional, nacionalismo e racismo, mas sua reflexão esta quase que exclusivamente voltada para os problemas europeus e só

Manuel Ugarte 1875-1951 Argentina Ugarte foi um escritor, político e diplomata argentino. Criticou duramente a ingerência dos Estados Unidos na região, refletido nos casos da invasão do México, Cuba e Nicarágua e na separação do Panamá da Colômbia. A visão de Manuel Ugarte recupera as ideias de Simón Bolívar a respeito da unidade latino-americana. Dentre suas principais obras de destacam: “La Pátria Grande”, “El porvenir de América Latina”, e “El destino de un continente”.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 tangencialmente para a complexidade latino-americana. Na atualidade, também recuperaram terreno autores autodefendidos em torno daquele movimento que se deu a conhecer como neo-desenvolvimentismo que voltou a ter considerável espaço político e prestígio teórico como já ocorreu no passado; possui, portanto, lastro em demandas históricas e exigências contemporâneas que não podemos desconsiderar. Esta tend6encia busca evidente apoio em alguns textos esquecidos de Keynes, especialmente naqueles ensaios em que o inglês realizou uma crítica severa ao capitalismo e ao livre-cambismo (1926, 1933) e claro está, na tradição cepalina de estendido uso entre economistas heterodoxos. Afinal, diante das gigantescas mudanças operadas na economia, na cultura e nos estados nacionais metropolitanos, o nacionalismo não poderia exercer um papel construtivo? Difícil negar. Contudo, igualmente legitimo e decisivo é perguntar sobre qual nacionalismo estamos nos referindo. Afinal, que tipo de nacionalismo cumpriria funções construtivas na América Latina atual? Esta análise nos levaria a constatação de que não estamos presenciando o retorno do velho “populismo”, o “conceito” que funcionou durante demasiado tempo como uma fórmula tão mágica quanto superficial para tratar fenômenos O objetivo geral de nosso que, sem dúvida alguma, projeto é o conhecimento expressam a complexidade de importantes autores da realidade latinolatino-americanos que americana. Finalmente, se já estudaram o nacionalismo estudamos nos últimos anos como fenômeno político a perspectiva nacionalista da e justificaram sua economia política clássica adoção como prática (especialmente inglesa) e se legitimadora do estado na dedicamos pelo menos mais América Latina. uma década de estudos sobre o pensamento econômico latino-americano (subdesenvolvimento e dependência), chegamos agora ao momento de dedicar certa atenção aos estudos de natureza política do fenômeno nacionalista. Nesta perspectiva, acumulamos uma quantidade importante de críticas que cobrem desde os estudos de Thorstein Veblen sobre o patriotismo até as atinadas observações de George Orwell sobre o nacionalismo inglês e toda sorte de nacionalismo na Europa. Estes estudos e leituras realizados ao longo dos últimos anos servirão de apoio para a leitura crítica que realizaremos de autores latino-americanos que partem de Jaurechte até os contemporâneos como Ernesto Laclau. Objetivos, definição e delimitação do objeto de estudo.

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O objetivo geral de nosso projeto é o conhecimento de importantes autores latino-americanos que estudaram o nacionalismo como fenômeno político e justificaram sua adoção como prática legitimadora do estado na América Latina. No projeto de pesquisa está também voltado à conclusão de uma importante etapa de nossas atividades universitárias que foram destinadas aos estudos sobre o desenvolvimentismo e a dependência que possuem ambos, em larga medida, a legitimação nacionalista. Para tal, o conhecimento da vasta obra de autores argentinos como Jorge Abelardo Ramos, Arturo Jauretche, Juan José Hernández Arregui, como também de Ernesto Laclau e José Aricó, da mesma forma que dos uruguaios Alberto Methol Ferré e Vivian Trias, entre outros, tornou-se absolutamente indispensável para concluir esta etapa e abrir novas perspectivas na carreira. Outro objetivo de natureza específico é verificar até que ponto estes intelectuais, formuladores da posição nacionalista, conheciam a economia política clássica e em que medida adotaram a perspectiva inaugurada por Marx para a crítica da economia política. Nesta mesma linha de pesquisa, nos interessa analisar o domínio que possuíam do corpo teórico representado pelo projeto cepalino de industrialização por substituição de importações e até que ponto identificavam as classes sociais interessadas efetivamente em sua realização. Por último, também constitui um objetivo específico identificar as razoes pelas quais estes autores, tão profundamente difundidos e influentes na Argentina e em outros países da região, foram relegados ao completo esquecimento pelos intelectuais brasileiros. Metodologia empregada O pensamento crítico latino-americano possui uma larga trajetória em nossos países. Muitos de seus representantes sequer frequentaram as universidades em seus respectivos países, mas deram extraordinária projeção a compreensão da realidade da América Latina com estudos que se tornaram verdadeiros clássicos daquilo que mais tarde deu-se a conhecer como “pensamento crítico latinoamericano”. Alberto Torres ou Guerreiro Ramos no Brasil, Jauretche, Juan Arregui e Abelardo Ramos na Argentina, Methol Ferré no Uruguai, Júlio César Jobet no Chile são expressões genuínas do pensamento “crítico latinoamericano”. Assim, é fácil perceber que esta perspectiva possui o marxismo como horizonte intelectual, mas não se limita a reproduzir na América Latina uma exegese dos textos canônicos. Antes disso, utiliza a teoria da história de Marx e seu método para investigar temas não tratados pelo

Cacique Vaimaca 1780-1833 Uruguai Foi um indígena Charrua que lutou como lanceiro no exército de José Gervasio Artigas, pela independência da Banda Oriental, atual Uruguai. “Olhe, Frutuoso, teus soldados matando amigos.”

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 marxismo dominante ou apenas superficialmente abordados, sem, contudo, reproduzir a perspectiva eurocêntrica tão frequente no marxismo europeu que conta com um enorme contingente de reprodutores em nosso continente. No projeto que agora apresentamos vamos seguir com nossos estudos para identificar as razoes do nacionalismo, sua legitimidade em termos de classes sociais, seu fundamento econômico e também a expressão ideológica (falsa consciência) que com frequência adota. O domínio do método de Marx será utilizado como balizador da perspectiva crítica dos autores escolhidos e de suas respectivas teorias. É nossa intenção estabelecer quais as razões históricas e teóricas utilizadas pelos defensores do nacionalismo latino-americano, cotejando com a perspectiva analítica em que se apoiam e com os interesses de classes que defendem. A leitura sistemática de suas obras completas será outro objetivo de nosso pós-doutoramento como também da ampla bibliografia em que se apoiaram e dos autores com os quais debateram. Em nossa perspectiva, nosso método pretende superar o reforço da disciplina nos estudos sobre a realidade de nosso continente, buscando a afirmação de uma ciência social histórica ainda em gestação tanto fora quanto dentro dos muros universitários. É, portanto, manifesta o caráter interdisciplinar de nossa perspectiva analítica, tal como define o pensamento universitário que pretende escapar da rigidez da disciplina. Coordenador: Nildo Ouriques – professor no Departamento de Economia e Relações Internacionais.

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IV PROJETOS DE EXTENSÃO EM DESENVOLVIMENTO


Projetos de extensão Estes são os projetos de extensão realizados no IELA/UFSC 1 . Portal Latino-Americano - www.iela.ufsc.br 2 . Vitral Latino-Americano de Educação Física, Esportes e Saúde 3 . Jornadas Bolivarianas 4 . Cursos Livres do IELA 5 . Circuito de Cinema Latino-Americano e Caribenho Alí Primera (CIRCULA) 6 . Programa Pensamento Crítico 7 . Biblioteca Latino-Americana Simón Rodriguez 8 . Participação em atividades externas 9 . Publicações 10. REBELA 11 . Outros Eventos

Apresentação dos projetos 1. Portal Latino-Americano - www.iela.ufsc.br Projeto ligado ao Grupo de Pesquisa OLA, de análise e observação das lutas populares na América Latina através da mídia digital latino-americana. Criação e alimentação diária de um Portal de Notícias e Análises sobre os movimentos sociais na América Latina. Além disso, serve como meio de divulgação de todo o trabalho de pesquisa desenvolvido pelos investigadores do IELA. Acesso diários na casa dos dois mil.

Roque Dalton 1935-1975 El Salvador Autor de uma vasta obra poética, Dalton foi também um importante militante revolucionário salvadorenho, tristemente assassinado pelos seus companheiros, numa emboscada ainda sem explicação satisfatória. Entre suas obras estão “La ventana en el rostro”, “El turno de ofendido”, “Pobrecito poeta que era o…”, “Taberna y otros lugares” (Prêmio Casa de las Américas, 1969), “”Un libro rojo para Lenin”.

Coordenação: Elaine Tavares ( Jornalista IELA)

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 Integrantes: Raquel Moysés ( Jornalista Agecom/CSE) Prof. Nildo Ouriques Profa. Beatriz Paiva Prof. Waldir Rampinelli Prof. Lauro Mattei Leopoldo Paqonauta Nogueira e Silva Rubens Lopes – estudante Jornalismo Guilherme Constantino da Silva Maicon Cláudio da Silva – IELA/UFSC Informações disponíveis 1 . Artigos científicos sobre América Latina. 2 . Crônicas e reportagens tendo com o tema a América Latina 3 . Agenda das atividades científicas e dos movimentos sociais. 4 . Informações sobre a cultura latino-americana. 5 . Documentos e notícias referentes à América Latina. 6 . Páginas específicas dos projetos de pesquisa em andamento 7 . Espaço para a divulgação e articulação da Rede Brasileira de Estudos Latino-Americanos. 8 . Revista eletrônica; Revista Brasileira de Estudos Latino-Americanos (REBELA) 9 . Blog dos Povos Originários 10 . Blog do Circuito de Cinema Latino-Americano e Caribenho (Circula). 11 . Espaço para divulgação de monografias, dissertações e teses que têm como tema a América Latina. 12 . Memória fotográfica do IELA. 13 . Espaço para divulgação de vídeos que tenham como temática a América Latina. 14 . Espaço para divulgação de arquivos em áudio. 15. Espaço para divulgação de vídeos produzidos pelo IELA e outros parceiros 16. Consulta eletrônica do acervo da Biblioteca

2. Vitral Latino-Americano de Educação Física, Esportes e Saúde Projeto de Estudos da Educação Física e Saúde desenvolvido numa perspectiva crítica e que se expressa nas comunidades através de um trabalho prático e cooperativo. Realiza eventos anuais com discussão da temática, desenvolve atividades de oficinas, cursos e debates nas comunidades

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de periferia e tem parceria com o Equador. Também faz publicações na área da saúde. Coordenação: Prof. Edgar Mattielo Prof. Paulo Capela Atividades: 1. Encontros e seminários nas comunidades 2. Debates sobre o tema nos espaços da UFSC 3. Publicações 4. Assessoria a projetos esportivos

3. Jornadas Bolivarianas Ciclo de conferências anual do IELA que versa sobre temáticas da América Latina. O evento tem duração de três dias, nos quais participam intelectuais de todo o continente. Também disponibiliza espaço para apresentação de trabalhos em mesas-redondas selecionados por convocatória pública. O público que circula nos três dias de jornada chega a 1.500 pessoas. Coordenação: Prof. Nildo Ouriques Integrantes: Profa. Beatriz Paiva Prof. Lauro Mattei Prof. Waldir Rampinelli Elaine Tavares ( Jornalista IELA) Raquel Moysés ( Jornalista Agecom/CSE) Maicon Cláudio da Silva (Secretário/IELA) Rubens Lopes (estudante de Jornalismo) Guilherme Constantino da Silva

Hugo Chávez 1954 - 2013 Venezuela Foi um político, militar e o 56º presidente da Venezuela. Líder da Revolução Bolivariana, instaurou a V República. Crítico do neoliberalismo e um guerreiro contra o imperialismo estadunidense.

Atividades: 1 . Jornadas Bolivarianas - primeira edição Bolivarianismo e poder popular na Venezuela - de 6 a 8 de dezembro de 2004. 2 . Jornadas Bolivarianas - segunda edição - O Mapa da Crise: a reinvenção das Ciências Sociais na América Latina. De 15 a 19 de agosto de 2005 3 . Jornadas Bolivarianas - terceira edição - Teoria Social e Eurocentrismo: a insurgência do pensamento crítico - de 20 a 24 de novembro de 2006 4 . Jornadas Bolivarianas - quarta edição - Nações e

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 Nacionalismo na América Latina - de 22 a 25 de abril de 2008. 5. Jornadas Bolivarianas – quinta edição – A política dos Estados Unidos para a América Latina – de 6 a 9 de abril de 2009 6. Jornadas Bolivarianas – sexta edição – O Socialismo na América Latina – de 12 a 15 de abril de 2010 7. Jornadas Bolivarianas – sétima edição – Imperialismo e Cultura na América Latina – de 04 a 08 de abril de 2011 8. Jornadas Bolivarianas - oitava edição - O Caribe espaço estratégico na América Latina - de 23 a 25 de abril de 2012 9. Jornadas Bolivarianas - nona edição – Os megaeventos esportivos – impactos, consequências e legados para a América Latina - 09 a 12 de abril de 2013 10. Jornadas Bolivarianas - décima edição – América Latina e os 40 anos da Teoria Marxista da Dependência – de 09 a 11 de abril de 2014 11. Jornadas Bolivarianas – décima primeira edição Literatura e Política na América Latina - de 21 a 23 de setembro de 2015 12. Jornadas Bolivarianas – décima segunda edição Os rumos da crise na América Latina - de 25 a 27 de abril de 2016

4. Cursos Livres 2013

. 7 a 11 de Outubro - Curso sobre “Estado, Poder e Classes Sociais na América Latina”. Ministrado pelo professor chileno Jaime Osorio Urbina, radicado há várias décadas na Cidade do México e professor da Universidade Autónoma Metropolitana sede Iztapalapa – UAM-I, onde se dedica a estudar as transformações do capitalismo dependente latino-americano e o caráter do Estado e das classes sociais neste contexto. A hipótese, defendida por ele, do novo padrão de reprodução do capital iniciado no fim da década de 80 na América Latina – definido como padrão exportador de especialização produtiva – como o eixo estruturante da configuração do estado e das classes sociais no continente desde então é, ao mesmo tempo, a reivindicação do método totalizante de Marx para a compreensão de cada aspecto da vida social e um esforço de atualização do projeto político e intelectual de maior fôlego teórico do continente no século XX, a Teoria Marxista da Dependência (TDM). 2014

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. De 19 a 23 de maio – Curso “Aspectos monetáriofinanceiros da integração latino-americana no marco da crise estrutural do capital”. Ministrante: Superintendente de Controle de Poder do Mercado do Equador, Pedro Páez Pérez, Ph.D. em Economia pela Universidade do Texas, EUA, especialista em Gestão Pública. O curso buscou promover o debate sobre as alternativas de construção social na América Latina a partir das condições objetivas de despegue da crise estrutural do capital que ameaça converter-se numa crise de civilização. Desde o estudo das capacidades organizativas da noósfera, dos mercados, a moeda e o crédito através da historia se identificaram os recentes desenvolvimentos irreversíveis na forma de existir do capital e, ao mesmo tempo o potencial transformador de profundos alcances sistêmicos que pode adquirir a disputa do caráter e o sentido da moeda e das finanças na atual conjuntura. A análise das recentes propostas a respeito da nova arquitetura financeira ilustrará esse potencial, em particular a imediata defesa dos povos do continente frente a ferocidade do avanço da crise mundial em sua nova fase, e como premissa de um salto qualitativo com respeito á história de fracassos na concretização da Pátria Grande. As discussões se deram em cinco sessões de duas horas cada uma, conforme a seguinte temática: Sessão 1: Sociedades, mercados, moedas, capital Sessão 2: Crise, luta social e mutações do capital Sessão 3: Crise atual como implosão financeira de um declive estrutural Sessão 4: A integração latino-americana na encruzilhada Sessão 5: A nova arquitetura financeira regional como condição necessária, ainda que não suficiente para a construção de alternativas. . 23 e 24 de outubro – Curso “Economia da América Latina”. Ministrado pelo professor Daniel Correa e os economistas Vitor Tonin e Luís Felipe Aires Magalhães. Atividade realizada durante a SEPEX/UFSC. 2016

. 23 de junho - “A crise e a crítica - os desafios da conjuntura”. Ministrado pelo economista e editor do Boletim Crítica da Economia, professor José Martins. Centro Socioeconômico, segundo andar, bloco B, sala 216.

Josué de Castro 1908-1973 Brasil Influente médico, nutricionista, geógrafo e ativista. Notabilizou-se pelo estudo e mapeamento do fenômeno da fome, que o fez internacionalmente reconhecido. Sua obra apresenta um rico debate com diversos geógrafos, e por vezes é possível apontar para avanços teóricos realizados pelo autor no sentido de uma geografia que tenha uma postura crítica e ativa frente à realidade brasileira e mundial. Seu livro principal se chama Geografia da Fome.

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5. Circuito de Cinema Latino-Americano e Caribenho Alí Primera Projeção de filmes de produção latino-americana que, geralmente, estão fora do circuito comercial. Antes do filme é feita uma apresentação do país onde foi produzido e a conjuntura político-econômica que o cerca. Depois da projeção é feito um debate sobre a temática do filme, ligando com a conjuntura do país onde o mesmo foi rodado. Filmes exibidos pelo CIRCULA em 2013: • Um día sin mexicanos (México, 2004) • Guantanamera (Cuba, 1995) • O som ao redor (Brasil, 2012) • Crianças Invisíveis (Itália, França, 2005) • Eu me lembro (Brasil, 2012) • Garapa (Brasil, 2009) • Los colombianos (Colômbia, 2005) • O mito guarani Ojepotá (Brasil, 2013) • O mito do Sol e da Lua Kuaray Jaxy (Brasil, 2013) • El segundo desembarco: multinacionales españolas en América Latina (Espanha, 2010) • Bolívia: a guerra do gás (Bolívia, Brasil, 2003) • Araweté (Brasil, 1992) • Evo Pueblo (Bolívia, 2007) • Dí buen día papá (Bolívia, 2004) Filmes exibidos pelo CIRCULA em 2014: • Augusto Boal e o Teatro do Oprimido (Brasil, 2011) • También la Lluvia (Bolívia, Espanha, 2010) • Crónica de una muerte anunciada (Colômbia, Itália, França, 1987) • Bolívar, el hombre de las dificultades (Venezuela, 2013) • Revolución (México, 2010) Em 2015 não houve exibições do CIRCULA. Filmes exibidos pelo CIRCULA em 2016: • Abuela Grillo (Bolívia, 2009) • Fim do recreio (Brasil, 2012) • Recife Frio (Brasil, 2009) • Brincadeiras das crianças guarani (Brasil, 2015) • Fresa y chocolate (Cuba, 1994) • La revolución no será televisada (Venezuela, 2003) • Terra em Transe (Brasil, 1967) • La Dictadura Perfecta (México, 2014) • Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (Brasil,

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1969) • El Estudiante (Argentina, 2011) • Acabou a Paz, isso aqui vai virar o Chile (Brasil, 2016) • Un día sin mexicanos (México, 2004) • La Muerte de un Burócrata (Cuba, 1966) • El Abrazo de la Serpiente (Colômbia, 2015) Bolsista: Marino Mondeck (Pedagogia/UFSC)

Agustín Cueva 1937-1992 Equador Ensaísta equatoriano, crítico literário, sociólogo e catedrático universitário. Foi um dos principais intelectuais críticos equatorianos. Em sua obra polêmica “Entre la ira y la esperanza” desde a perspectiva marxista revisa e questiona certos movimentos da cultura nacional. Dentre seus livros destacam-se O desenvolvimento do capitalismo na América Latina, e O processo de dominação política no Equador.

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6. Programa Pensamento Crítico Programa quinzenal de análise da conjuntura brasileira e latino-americana, com a participação dos integrantes do IELA e convidados especiais. O Instituto de Estudos Latino-Americanos iniciou a produção, em 2016, do Programa Pensamento Crítico, uma contribuição em vídeo da equipe do IELA, que traz quinzenalmente – ou em edições extraordinárias, caso necessário – análises da conjuntura brasileira e latinoamericana. Essa foi mais uma iniciativa do Instituto que nesse ano de 2016 completou 12 anos de existência, incluídos aí os dois anos que atuou como Observatório Latino-Americano. Desde 2004, quando teve início o projeto de análise da realidade latino-americana, o IELA tem procurado oferecer aos brasileiros o conhecimento sobre os demais países que conformam toda essa faixa de terra que vai do Rio Bravo até a Patagônia, bem como uma análise diferenciada, crítica, da realidade brasileira. Num tempo em que o Brasil estava de costas para a América Latina, o grupo que forma o IELA persistiu e consolidou um espaço de pensamento crítico que é hoje uma referência em todo o continente. Oferece um portal na internet com notícias diárias e criou a Coleção Pátria Grande, que edita os mais importantes pensadores latino-americanos em livro. Durante esses doze anos de trabalho, a equipe de comunicação tem procurado oferecer textos, áudio e vídeos que provoquem o desejo de conhecer cada vez mais a realidade desse imenso continente que partilha uma história comum de colonização violenta e dependência. Agora, com um programa de TV, o Instituto busca uma inserção maior, visando aprofundar a análise sobre os fatos e acontecimentos latino-americanos em uma linguagem mais próxima da maioria da população. O programa tem a participação fixa de integrantes do IELA. Conforme o tema em questão também participam convidados que dominam o assunto. O objetivo maior é repassar – em 45 minutos - uma versão crítica de temas que no mais das vezes não são discutidos na televisão brasileira. Vai ao ar na TV UFSC às terças-feiras, 20:30h, com reprise domingos às 22h.

7. Biblioteca Rodriguez

Latino-Americana

Simón

A Biblioteca do IELA foi se formando aos poucos, na

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medida em que o Instituto cresceu. No começo, quando ainda éramos o Observatório Latino-Americano (OLA) os livros foram chegando amealhados das viagens feitas pelos membros do Instituto aos países irmãos. Depois, cada projeto de pesquisa e extensão foi igualmente agregando títulos, oferecendo uma bibliografia diferenciada aos alunos vinculados. Quando já transformado em Instituto, o IELA saiu da pequena sala no Departamento de Serviço Social para a sede inaugurada em 2010, a proposta de uma biblioteca especializada em América Latina já estava consolidada. Tanto que no novo espaço já havia sido reservada uma sala ampla para abrigar o acervo. Em 2012 uma importante doação veio agigantar o acervo. O professor da Universidade Federal do Rio de janeiro, Carlos Lessa, ofereceu ao IELA toda sua biblioteca latino-americana constituída em mais de 50 anos de estudo. Foi um reforço de peso, com livros raros e autores seminais no trato de temas importantes sobre a realidade do continente. Em 2015, quando todo o material já estava catalogado e arrumado nas estantes, a equipe de trabalhadores do IELA resolveu dar um nome à biblioteca, que pudesse expressar os objetivos desse espaço. E assim, o nome de Simón Rodríguez foi o primeiro a aparecer. Primeiro a pensar sistematicamente uma educação original e originária, específica para o povo latino-americano, Rodríguez, de maneira pioneira orientou a bússola que também dirige o IELA: ou inventamos, ou erramos! Ser original, pensar desde o espaço latino-

Salvador Allende 1908 - 1973 Chile Foi um médico, político e 45º presidente do Chile. Fundador do Partido Socialista, eleito presidente do país em 1970. Tenta socializar a economia com base em um projeto de reforma agrária e nacionalização das indústrias. Em 1973, com ostensivo apoio dos Estados Unidos, as Forças Armadas lideradas por Augusto Pinochet dão um sangrento golpe de estado, Allende morre durante a invasão ao palácio presidencial, de onde se recusa a sair. “Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição quase que biológica.”

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 americano, atuar no campo do pensamento crítico. Hoje, a Biblioteca Latino-Americana Simón Rodríguez está disponível não apenas aos alunos que atuam nos projetos, mas a toda comunidade. A consulta ao acervo pode ser feita via internet: http:// www.iela.ufsc.br/biblioteca, mas o acesso à obra deve ser feito na própria biblioteca. Não há serviço de empréstimo.

8. Participação em atividades externas Seminários externos Realização de seminários, conferências e debates sobre temas que tenham relação direta com as questões vividas na América Latina. 2013

. 23 de maio - Seminário Internacional “Os mitos da guerra da Tríplice Aliança”, com conferência do historiador argentino Alejandro Olmos Gaona. Promoção do Núcleo de Estudos de História da América Latina (Nehal) e do Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA/UFSC). . 5 e 6 de junho - Simpósio Internacional “Mariátegui no século XXI”, organizado pelo Núcleo de Estudos de História da América Latina (NEHAL/ UFSC), com o apoio do Instituto de Estudos Latino-Americanos. Auditório do Centro de Educação (CED/UFSC). Conferências: “Utopía y Educación em el pensamiento de José Carlos Mariátegui”, com a professora Sara Beatriz Guardia, da Universidad San Martin de Porres, do Peru. “José Carlos Mariátegui, La Revista Amauta y El Pensamiento Marxista Latino-americano” com a professora Monica Bruckmann, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e “Mariátegui no século XXI”, com Sara Beatriz Guardia, Monica Bruckmann e Elvis Poletto. . 05 de agosto - XXXI Seminário de Extensão Universitária da Região Sul - Participa o Projeto Córdoba, ligado ao Iela, que há mais de 20 anos trabalha a integração entre estudantes brasileiros e argentinos. Na mesa, os professores Rodolfo Pantel, Danuza Meneghello e o ex aluno, Rodrigo Chagas, que foi intercambista quando aluno do Colégio de Aplicação. Participam ainda os 22 estudantes (argentinos e brasileiros) intercambistas desse ano, mais dois professores de Córdoba que estão em Florianópolis. . 19 a 21 de agosto - IV Semana Paulo Freire, com o tema “Pedagogias latino-americanas para a transformação

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social”. Conferências: “Pensamento Pedagógico LatinoAmericano de José Martí”, com o professor Carlos Rodriguez Almaguer (Icap/Cuba). “As ideias e as Contribuições de Paulo Freire ao pensamento pedagógico latino-americano”, com o professor Telmo Adams, da Unisinos (RS). “Simón Rodriguez e as alternativas pedagógicas latino-americanas”, com a jornalista Elaine Tavares. O evento foi organizado pelo Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA), pelo Vitral Latino-Americano, Associação Cultural José Martí de Santa Catarina (ACJM/SC), Núcleo de Estudos sobre as Transformações do Mundo do Trabalho (TMT/CFH/UFSC), Núcleo de Estudos e Pesquisas Trabalho e Questão Social na América Latina (NPTQSAL/PPGSS/UFSC). Apoiam o evento: Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP), Instituto Paulo Freire, CDS e CED e Secretaria de Relações Internacionais (Sinter) da UFSC. . 11 de setembro - Mesa-redonda “A CIA e o terrorismo de Estado”, com o lançamento do livro do livro do jornalista Hernando Calvo Ospina, do “Le Monde Diplomatique”. Participam os professores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Nildo Ouriques e José Martins, do Curso de Economia e Relações Internacionais, e Waldir José Rampinelli, professor de História da UFSC. 2014

. 23 e 24 de outubro. Minicurso. Economia da América Latina. Ministrantes: Professor Daniel Correa e os economistas Vitor Tonin e Luis Felipe Aires Magalhães. Atividade realizada durante a SEPEX/UFSC. 2015

. 15 de janeiro. Seminário. Direitos Humanos e Operação Condor. Participantes: Martin Almada (Paraguai) e Fernando Ponte (UFSC). . 04 de dezembro. Seminário “A questão indígena brasileira”. Participação dos membros do grupo de estudos Werá Tupã e Elaine Tavares (IELA). Com a presença de uma das lideranças Guarani que justamente dá nome ao grupo, Leonardo Wera Tupã. Participaram ainda Nuno Nunes, estudioso da causa indígena, e representantes do povo Laklãnõ Xokleng, Txulunh e Lucimara, mais um representante do povo Kamaiurá, Lauhã Kamaiurá.

Zumbi dos Palmares 1655 - 1695 Brasil Símbolo da resistência negra no Brasil, foi o último líder do Quilombo dos Palmares, um dos mais importantes da história colonial do Brasil, com mais de 20 mil pessoas. A data da sua morte, 20 de novembro, é celebrada no Brasil como o Dia da Consciência Negra. “Só fica escravo aquele que tem medo de morrer sobre donos.”

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. 30 de junho. Conferência. “Estado, Direito e uma análise materialista do racismo”. Silvio Luiz de Almeida, Doutor em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Professor de Introdução ao Estudo do Direito, Filosofia do Direito e Ciência Política

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 da Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie e de Filosofia do Direito e Introdução ao Estudo do Direito da Universidade São Judas Tadeu (SP). Advogado e presidente do Instituto Luiz Gama (SP). . 15 de setembro. Lançamento do livro: “Mito e Verdade da Revolução Brasileira”, de autoria de Guerreiro Ramos, com a presença do filho do autor, também nominado Guerreiro Ramos, que vive nos Estados Unidos. O evento contou também com a fala do presidente do IELA, Nildo Ouriques, que é também coordenador da coleção Pátria Grande. . 13 de outubro. “Colômbia, tierra querida”. Estudantes colombianos na UFSC, em parceria com o IELA, realizaram uma conversa sobre vários aspectos da vida da Colômbia, que está em conflito desde há 52 anos. O foco foi o plebiscito que definiu pelo “não” ao acordo de paz entre as FARCs e o governo. Um bom momento para os brasileiros entenderem melhor a conjuntura do país vizinho, explicitada pelos próprios colombianos. Participou também o professor Waldir Rampinelli, do Iela. Conferências Proferidas 2013 . 8 de maio - Os megaeventos esportivos - Professor Paulo Capela - Aula Magna do Curso de Educação Física. Uniochapecó. Chapecó/SC. . 10 de setembro - IX Enecult (Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura). A história do Circuito de Cinema Latino-Americano e Caribenho Alí Primera (CIRCULA). Rubens Lopes - aluno/bolsista no Iela. Universidade Federal da Bahia, Salvador/BA. . 08 de outubro - Seminário “Cuba em Foco”. Integração Latino-americana e Imperialismo. Professor Nildo Ouriques. Promoção do Centro de Ciências Jurídicas, com a participação do professor Efraín Echevarría Hernández, doutor em Economia Internacional e Desenvolvimento pela Universidade de Barcelona (Espanha) e Professor Titular da Universidade de Pinar Del Río (Cuba). . 9, 10 e 11 de outubro. Seminário sobre América Latina. Conferência “A mídia brasileira e a América Latina”. Jornalista Elaine Tavares. Promoção do Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre/ RS. . 25 a 27 de outubro. II Curso de Comunicação Popular do Paraná. “A relação entre a prática da comunicação popular e a luta pela democratização no Brasil”. Jornalista Elaine Tavares. Promoção do Cefuria (Centro de Formação

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Urbano Rural Irmã Araújo) e sindicatos de trabalhadores. Curitiba/Paraná. . 04 de novembro - Seminário “Transportes e formação regional em Santa Catarina”. Professores Lauro Mattei e Valdir Alvim, do Núcleo de Estudos de Economia Catarinense, com a participação do professor Alcides Goularti Filho (UNESC). 2014

. 10 a 12 de março - Seminário “50 anos do Golpe de Estado de 64”. Professor Nildo Ouriques e jornalista Elaine Tavares. Promoção do Coletivo Memória, Verdade e Justiça João Batista Rita, os cursos de Direito, Geografia, História, Economia, Artes Visuais, Secretariado Executivo, os programas de pós-graduação em Educação e em Desenvolvimento Socioeconômico. Unesc/ Criciúma. Participaram ainda João Vicente Goulart, Professor Dr. Antonio Luis Miranda – Universidade Federal da Fronteira Sul, Ivan Pinheiro - PCB, Ciro Pacheco – ex-preso político, Rosângela de Souza - Advogada e ex-presa política , Derlei Catarina de Lucca - Professora e ex-presa política, Marlene Soccas - Dentista e ex-presa política, Ivan Seixas - Jornalista e ex-preso político, Bernadete Aued - Profa. Dra. da UFSC, Jorge Leal - Ex-líder estudantil e ex-preso político, Mônica Ovinski Camargo Cortina - Profa. Ma. da Unesc, Nildo Inácio - Prof. Me. da FURB, Reginaldo de Souza Vieira - Prof. Dr. da Unesc, Milioli Neto - radialista, Marli Vitali - jornalista e professora da SATC. Criciuma/SC. . 14 a 16 de maio - VIII Seminário Marx Vive com o tema “Processo Constituinte e Contrarrevolução na Nossa América”. Conferência: “A nova conjuntura latino-americana e o possível esgotamento das transformações impulsionadas pelo nacionalismo revolucionário”. Professor Nildo Ouriques. Universidade Nacional da Colômbia. Bogotá. Colômbia. . 3 a 6 de junho - XIX Encontro Nacional de Economia Política. Professores Nildo Ouriques e Lauro Mattei. . 07 de agosto - 2º Seminário Unificado de Imprensa Sindical do Sindprevs/SC. Conferência “Lei de meios – realidade e perspectivas no Brasil e na América Latina”. Jornalista Elaine Tavares divide a mesa com a jornalista argentina subeditora da Seção Política do Jornal Página 12, integrante da equipe jornalística do programa 678 da TV Pública da Argentina e condutora do programa diário Manhã Mais da Rádio Nacional Argentina, Nora Veiras. Promoção: Fórum de Comunicação da Classe Trabalhadora. Florianópolis/SC. . 17 de setembro - Seminário Mídias e Terras Indígenas no Brasil. Jornalista Elaine Tavares, com José Ribamar Bessa Freire, antropólogo e Marcos Farias de Almeida, MPF.

Tiradentes 1746 - 1792 Brasil Tornou-se herói nacional ao morrer como mártir na Inconfidência Mineira, no dia 21 de Abril de 1792, aos 45 anos de idade. Tiradentes foi dentista, tropeiro, minerador, comerciante e militar. Foi o único inconfidente a ser enforcado e esquartejado. “Se todos quisermos, poderemos fazer deste país uma grande nação.”

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 Promoção da Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica. CED/UFSC. Florianópolis/SC . 19 a 21 de novembro. IX edição da Semana Acadêmica de Economia (SAECO). Conferência “Plano Real e o impacto de classe”. Professor Nildo Ouriques. Conferência “Plano Real e as consequências para o desenvolvimento”, professor Lauro Francisco Mattei. Promovido pelo Centro Acadêmico Livre de Economia, com o tema “Plano Real”. 2015 . 21 de março. Lançamento do livro “O colapso do Figurino francês”, com conferência do autor, Nildo Ouriques. Participação como debatedores Elaine Tavares, Waldir Rampinelli e Daniel Correa da Silva. Centro SócioEconômico. . 21 de maio. Debate: “Liberdade de Expressão: para quem?”. Participação de Elaine Tavares, Matheus Lobo Pismel e Celso Schroder. Promoção do Núcleo de Estudos de História da América Latina.CFH/UFSC . 19 de agosto. Análise de Conjuntura. Jornalista Elaine Tavares, Encontro Catarinense de Aposentados e Pensionista do Sindicato dos Previdenciários. Sindprevs/SC. Bombinhas. . 4 de setembro. Conferência: A trajetória das Ciências Sociais na América Latina. Nildo Ouriques. Semana de Ciências Sociais, da Universidade de Antioquia, Medelin, Colômbia. . 19 de agosto. Conferência. “A conjuntura brasileira e latino-americana”. Elaine Tavares. Encontro Catarinense de Aposentados e Pensionista do Sindicato dos Previdenciários. Promoção: Sindprevs SC. Bombinhas. . 27 de agosto. Conferência: A corrupção e o sistema da dívida. Nildo Ouriques. Seminário “Corrupção e o Sistema da Dívida Pública”. Promoção do Núcleo Gaúcho da Auditoria Cidadã da Dívida Pública. Auditório da Faculdade de Economia da UFRGS, Porto Alegre. . 07 de setembro. Conferência: “Que país é esse que mata gente, que a mídia mente e nos consome”. Elaine Tavares. Primeiro Acampamento das Juventudes do Campo e da Cidade. Promoção da Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP). Linha São Valentim, Descanso\SC. . 25 de setembro. Conferência: As raízes do consórcio petucano. Lançamento do livro “O colapso do figurino francês”. Nildo Ouriques. Centro de Filosofia e Ciências Sociais. USP, São Paulo. . 11 de outubro. Conferência: “Assistente Social: profissional de luta, profissional presente! Na defesa dos direitos e da emancipação humana”. VI Congresso Paranaense de Assistentes Sociais (VI CPAS). Nildo Ouriques Campus da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Curitiba.

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. 29 de outubro. Lançamento do livro e conferência “O Colapso do figurino francês”. Nildo Ouriques. Com a participação do professor do Departamento de Sociologia e Ciência Política, Jaques Mick e mediação de Franco Rodríguez. Promoção do Núcleo de Estudos em História da América Latina (NEHAL), IELA e Centro Acadêmico Livre das Ciências Sociais. CFH/UFSC. . 30 de outubro. Debate com o lançamento do livro de poesias “Nosso verbo é lutar - somos todos palestinos”, de autoria de Yasser Jamil Fayad. Na mesa participa o professor Waldir Rampinelli. Auditório do Cesusc, Florianópolis. . 28, 29 e 30 de outubro. XIII Encontro Internacional de Cátedras Martianas. “A educação em, José Martí e Paulo Freire” Paulo Capela. Apresentação do livro de Carlos Almaguer, sobre José Martí. Centro de Educação. Universidade Federal de Pernambuco, Recife. . 21 de novembro. Conferência: “A dívida pública e a dependência latino-americana”. Nildo Ouriques. Seminário “A corrupção e o sistema da dívida”. Organização do Núcleo Catarinense da Auditoria Cidadã da Dìvida, UFSC à Esquerda (UàE), Sindprev/SC e Sintufsc. . 27 de novembro. Conferência: “A mídia catarinense”. Elaine Tavares. 1º Encontro de Blogueiros e Ativistas Digitais de SC. Auditório Elke Hering, Biblioteca Universitária. 2016

. 23 de fevereiro. Conferência: “A Teoria Marxista da dependência e as ciências sociais no Brasil”. Nildo Ouriques. Promoção: Unidade de Santana do Ipanema/UFAL. Alagoas. . 3 de março. Conferência: “Mídia e Formação Humana”. Elaine Tavares. Aula Magna Centro de Ciências Humanas e da Comunicação. FURB . 11 de abril. Debate: “A mídia e o golpe”. Elaine Tavares. Promoção: Centro Acadêmico Livre Adelmo Genro Filho. Curso de Jornalismo. UFSC . 24 de maio. Conferência: “A mídia alternativa”. Elaine Tavares. Encontro Nacional de Blogueiros. Promoção. Instituto barão de Itararé. Belo Horizonte . 1 de julho. Conferência: “Soberania Comunicacional”. Elaine Tavares. Seminário Regional da Juventude do MST. UFSC . 16 de julho. Conferência: “A dívida Pública”. Nildo Ouriques. 70° Congresso da Universidade Federal da Bahia. . 16 de julho. Conferência: “Guerreiro Ramos”. Nildo Ouriques. Faculdade de Arquitetura. UFBA. . 17 de julho. Minicurso: “Teoria da Dependência”. Nildo

Eric Williams 1911-1981 Trinidad e Tobago Eric Williams foi um notável historiador e Primeiro-ministro de Trinidad e Tobago. Sua obra principal “Capitalismo e Escravidão” se destaca pela importante discussão feita entre o desenvolvimento do capitalismo industrial na Inglaterra e a exploração do tráfico de escravos nas Índias Ocidentais.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 Ouriques. 70° Congresso da Universidade Federal da Bahia. . 20 de julho. Conferência: “O papel da mídia na articulação do golpe político no Brasil”. Elaine Tavares. Encontro de estudantes de doutorado de História-UFSC, linha de pesquisa “Sociedade, Política e Cultura no mundo contemporâneo. CFH/UFSC. . 16 de agosto. Conferência: “Quem faz a nossa dependência tecnológica?”. Daniel Correa e Diógenes Breda. Encontro Nacional de Engenharia e Desenvolvimento Social – ENEDS. UFSC . 18 de agosto. Conferência: “Mídia e América Latina”. Elaine Tavares. Encontro Nacional de Engenharia e Desenvolvimento Social – ENEDS. UFSC . 22 de agosto. Conferência: “Pensamento Social LatinoAmericano”. Nildo Ouriques. Semana Acadêmica de Ciências Sociais. FURB/Blumenau. . 26 de agosto. Conferência: “Simón Rodríguez: o plantador de escolas”. Elaine Tavares. Semana Acadêmica de Ciências Sociais. FURB/Blumenau. . 31 de agosto. Conferência: “Ciência na América Latina - Diálogos Interdisciplinares”. Elaine Tavares. Semana da Psicologia da UFSC. Promoção: Centro Acadêmico. . 26 de setembro. Minicurso: “Cooperação Brasil e Argentina”. Daniel Corrêa. VII Semana de Relações Internacionais. Promoção: CARI/UFSC. . 27 de setembro. Minicurso: “Mídia Latino-americana”. Elaine Tavares. VII Semana de Relações Internacionais. Promoção: CARI/UFSC. . 28 de setembro. Conferência: “A conjuntura brasileira e a interpretação marxista da crise”. Nildo Ouriques. Promoção: Centro Acadêmico de Economia (CAECO) Celso Furtado e Departamento de Economia da UFPI (DECONUFPI). Piaui. . 01 de outubro. Curso: “A atualidade da teoria marxista da dependência”. Nildo Ouriques. Promoção - PCB e UJC. Recife. Pernambuco. . 03 de outubro. Conferência: “Conjuntura Política na América Latina”. Daniel Corrêa da Silva. 18ª Semana Acadêmica de Ciências Sociais UFSC. Promoção: Centro Acadêmico Livre de Ciências Sociais. CFH/UFSC. . 05 de outubro: Conferência: “Revolução e educação Popular no Pensamento Social”. Nildo Ouriques. Seminário Pensamento Social: Desigualdades e Mudanças Sociais. Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro. Rio de Janeiro. . 06 de outubro. Conferência: “Crítica à razão acadêmica: Reflexão sobre a Universidade Contemporânea”. Nildo Ouriques. XV Simpósio do curso de pós-graduação

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em Ciências da Engenharia Ambiental e X Simpósio da Especialização em Educação Ambiental e Recursos Hídricos. USP/São Carlos. São Paulo. . 07 de outubro. Conferência: “Colonialismo na América Latina”. Nildo Ouriques. 18ª Semana Acadêmica de Ciências Sociais UFSC. Promoção: Centro Acadêmico Livre de Ciências Sociais. CFH/UFSC. . 10 de outubro. Apresentação de trabalho. “Circuito de Cinema Latino-Americano e Caribenho Alí Primera. Rubens Lopes. IX Enecult. (Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura). Promoção: Universidade Federal da Bahia, Salvador. Bahia. . 13 de outubro. Conferência: “O ajuste fiscal e os prejuízos à classe trabalhadora”. Nildo Ouriques. 4º Seminário Unificado de Imprensa Sindical e 2º Encontro Nacional de Jornalistas Sindicais. Promoção: Fórum de Comunicação da Classe Trabalhadora. Curitiba. Paraná. . 20 de outubro. Conferência: Lutas Sociais e Processos Emancipatórios. Nildo Ouriques. Primeiro Seminário Internacional sobre Trabalho e Reprodução Social: crise contemporânea, desafios do conhecimento e lutas sociais. Promoção: Grupo de Pesquisa sobre Reprodução Social da Universidade Federal de Alagoas. Maceió. . 31 de outubro. Conferência: “Economia de Santa Catarina frente à recessão”. Lauro Mattei. XI SAECO Semana Acadêmica de Economia. Organização: Centro Acadêmico Livre de Economia. Florianópolis. . 31 de outubro. Conferência: “A crise, os economistas e as escolas”. Nildo Ouriques. XI SAECO - Semana Acadêmica de Economia. Organização: Centro Acadêmico Livre de Economia. Florianópolis. . 01 de novembro. Conferência: “A dívida pública brasileira e o caso equatoriano”. Daniel Correa. XI SAECO - Semana Acadêmica de Economia. Organização: Centro Acadêmico Livre de Economia. Florianópolis. . 02 de novembro. Minicurso: “Mídia e Economia”. Elaine Tavares. XI SAECO - Semana Acadêmica de Economia. Organização: Centro Acadêmico Livre de Economia. Florianópolis. . 04 de novembro – Conferência: “Mídia e democracia no Brasil contemporâneo”. Elaine Tavares. Organização Pós-Graduação em História - Auditório do CFH. . 07 de novembro. Conferência: “A natureza da crise e a PEC 55”. Nildo Ouriques. Promoção: Curso de Geologia da UFSC. Florianópolis. . 08 de novembro. Conferência: “O Brasil e a questão financeira”. Nildo Ouriques, com Otaviano Canuto, exrepresentante do Brasil no Banco Mundial. Promoção: Curso de Cinema. UFSC. Florianópolis.

Jorge Abelardo Ramos 1921-1994 Argentina Abelardo Ramos foi um escritor, político e historiador argentino. Foi um dos principais nomes da chamada Izquierda Nacional, que buscava conciliar o socialismo com o nacionalismo revolucionário. Suas principais obras são: “América Latina, un país”, História da Nação LatinoAmericana, e “El Marxismo de Indias”.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 .09 de novembro. Conferência: “Raízes da dependência Científica e Tecnológica no Brasil”. Nildo Ouriques. Promoção: Curso de Engenharia de Produção. CTC/UFSC. Florianópolis. . 17 de Novembro. Conferência: “Por que lutar contra a PEC 55?”. Maicon Claudio da Silva. Promoção: estudantes da ocupação do CSE e CARI/UFSC. . 18 de novembro. Conferência: “A fusão da mídia com o Estado e a manipulação das consciências. Mídia Alternativa”. Elaine Tavares. Organização - Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) – Rio de Janeiro. . 20 de novembro. Conferência: “Ofensiva do capital sobre o trabalho e lutas sociais”. Nildo Ouriques. Primeiro seminário Internacional sobre Trabalho e Reprodução Social: crise contemporânea, desafios do conhecimento e lutas sociais. Promoção do Grupo de Pesquisa sobre Reprodução Social da Universidade Federal de Alagoas. . 23 de novembro. Conferência: “Teoria Marxista da Dependência e a Revolução Brasileira”. Nildo Ouriques. Organização: PET de Economia da Universidade Federal de Campina Grande. Paraíba. . 01 de dezembro. Conferência: “Democratização da Comunicação e sua importância no contexto da Assistência Social”. Elaine Tavares. Roda de conversa com assistentes sociais, coordenadores e secretários dos Nucress - Núcleos do Conselho Regional de Serviço Social do Estado de Santa Catarina. Organização – CRESS. Florianópolis. . 14 de dezembro. Conferência: “O ajuste fiscal e os prejuízos para a classe trabalhadora”. Nildo Ouriques. Organização: União Geral dos Trabalhadores. Plenária Estadual com o tema: PEC 55 (limite dos gastos públicos); Previdência Social; Mídias Sociais; Trabalho Decente e Desenvolvimento Sustentável e Ações para 2017.Curitiba. Paraná.

Atividades no Exterior 2013

. 01 de março. Viagem de estudos. Paulo Capela. Visita a universidades cubanas e construção de relações para estudos conjuntos. . 21 a 24 de maio - Os desafios do desenvolvimento Professor Nildo Domingos Ouriques - Primeira Conferência Sul-americana sobre Recursos Naturais e Desenvolvimento Integral da Região - Banco Central da Venezuela. Caracas. . 03 e 04 de outubro - Projeto de desenvolvimento em disputa na América Latina. Professor Nildo Ouriques. Mesa em parceria com Cláudio Katz (UBA) Gabriel Oyhantcabal

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(Uruguai) e Alfredo Serrano (Argentina). II edição das Jornadas do Pensamento Crítico para a Mudança Social. Organizadas pelo Centro de Estudios para el Cambio Social. Universidad Nacional de La Plata, Argentina. . 9, 10 e 11 de outubro - VI Congresso Nacional de Economia Ética. Conferência “A crise do desenvolvimentismo na América Latina”. Professor Nildo Ouriques. Promoção da Faculdade de Economia, da Universidade Santo Tomas, Bogotá, Colômbia. 2015

. 14 de setembro. Conferência. “Ciências Sociais na América Latina e a construção da Paz”. Nildo Ouriques. Semana de Ciências Sociais, da Universidade de Antioquia, Medelin, Colômbia. . 05 e 06 de novembro. Conferência. “A economia latinoamericana e a crise: dependência e incerteza política”. Nildo Ouriques. Promoção: Centro de Estudos Latino-Americanos e do Caribe da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Antioquia, em Medellin. Colômbia. 2016

. 15, 16, 17 e 18 de novembro. Curso: “Macroeconomia da transição: aportes desde a teoria marxista da dependência”. O curso foi parte da II Fase do Programa de Formação, Análise e Mediação da Economia Venezuelana, promovido pelo Banco Central da Venezuela. Caracas. Atividades de Comunicação 1. Participação semanal (às sextas-feiras) com boletim sobre a conjuntura latino-americana no programa Faixa Livre. Rio de Janeiro. Prof. Nildo Ouriques. (www. programafaixalivre.org.br). 2. Boletins na Radio Havana/Cuba. Pesquisadores do IELA. (www.rhc.org.cu) 3. Participação eventual na Rádio CBN nacional. Nildo Ouriques. (www.cbn.com.br) 4. Participação semanal com boletim sobre a conjuntura latino-americana na Rádio Comunitária Campeche. Elaine Tavares 5. Programa Pensamento Crítico, veiculado na TV UFSC às terças-feiras, 20:30h, com reprise domingos às 22h.

René Zavaleta Mercado 1935-1984 Bolívia, México Intelectual e político boliviano, autor dentre outros estudos de “Estado Nacional o pueblo de pastores”, “Crecimiento de la idea nacional”, “El poder dual en América Latina: estudio de los casos de Bolívia y Chile”, e “Lo popular-nacional en Bolívia”. Foi também Ministro de Minas e Petróleo da Bolívia em 1952, durante o governo do Movimento Nacionalista Revolucionário.

9. Publicações Coleção Pátria Grande: Biblioteca do Pensamento Crítico

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 Latino Americano O Brasil recupera lentamente a cada dia que passa sua condição de país latino-americano. É visível o interesse de amplos setores sociais por nossa história comum, aumenta a articulação política dos movimentos sociais e dos partidos políticos, resurge o interesse intelectual pelo pensamento crítico latino-americano até bem pouco esquecido. Há um novo cenário institucional organizado pelos estados nacionais da região da qual são provas a UNASUR, a CELAC, o BANCO DO SUL, entre outras importantes iniciativas. Contudo, desde a perspectiva brasileira, é forçoso reconhecer que acumulamos ainda uma enorme ignorância sobre a Pátria Grande. A superação desta grave deficiência é um ponto estratégico dos estudos latino-americanos que o IELA impulsiona desde Florianópolis. Ainda ignoramos intelectuais que são reconhecidos em outros países da mesma forma que passam sem registro importantes conflitos políticos em curso na região. Estes conflitos dizem respeito a nossa história e futuro comum da mesma forma que condicionam as opções que estão sendo construídas na atualidade e que demandam igual esforço teórico-analítico para sustentá-las. Esta enorme ignorância brasileira sobre a América Latina é o que justifica a criação e desenvolvimento do IELA, o primeiro Instituto consagrado integralmente ao estudo da realidade latino-americana numa universidade no Brasil. Foi por esta razão que o IELA criou “PATRIA GRANDE. Biblioteca do Pensamento Crítico Latino-Americano”, dedicada exclusivamente a publicação no Brasil de obras ainda inéditas de autores clássicos que simplesmente são desconsideradas em nosso país como se de fato não existissem. Mas existem e precisamos conhecê-las. Agora, em função das novas exigências sociais sobre o trabalho intelectual, a formação de nossos cientistas sociais será notoriamente insuficiente sem o pleno conhecimento da inteligência latinoamericana, da qual inegavelmente somos partes. Ademais, as exigências sociais sobre o trabalho intelectual que a nova situação do continente nos impõe revelou os limites da marca eurocêntrica da formação universitária e do público culto no Brasil, razão pela qual a antiga e cômoda confiança na tradição colonial europeia já não capaz de contribuir para superar o subdesenvolvimento e a dependência que segue orientando a evolução do país. A Biblioteca Pátria Grande nasceu, portanto, para suprir esta enorme lacuna de nossa formação intelectual, tão colonialmente centrada no cânone europeu-estadunidense, expressão acabada do eurocentrismo que começa ceder passagem ao pensamento crítico latino-americano, nossa

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melhor tradição. Os primeiros 80 volumes já estão escolhidos e em processo de tradução. As duas primeiras obras foram publicadas em 2012. Foi uma satisfação para o Conselho Editorial inaugurar a Biblioteca com a obra de um marxista brasileiro, Ruy Mauro Marini (“Subdesenvolvimento e Revolução”), contra o qual pesava até agora um enorme silencio organizado pelo liberalismo nacional que comanda a vida universitária no país. O segundo volume também é de outra patriota, Vânia Bambirra, mineira como Ruy Mauro, autora de um clássico estudo (“O capitalismo dependente latino-americano”) de 1971 e para o qual recebemos um importante prefácio à edição brasileira. O terceiro volume é “Mais-valia ideológica”, importante estudo do filósofo venezuelano Ludovico Silva. Contudo, como dissemos, a lista é enorme e o projeto não esconde sua ambição de ver publicado em idioma brasileiro os principais autores que construíram esta linha de reflexão vital sobre nossa realidade que é o “pensamento crítico latino-americano”. Já estão disponíveis também o quarto e o quinto volumes, com a obra do argentino Raúl Scalabrin Ortiz, que trata da política britânica no rio da Prata e o grandioso livro do brasileiro Guerreiro Ramos, sobre mitos e verdades acerca da revolução brasileira. A Biblioteca do Pensamento Crítico Latino-Americano é, portanto, uma iniciativa intelectual destinada ao êxito, com perspectiva para o presente e o futuro da grande nação latino-americana que finalmente encontra no Brasil um terreno fértil para seu pleno desenvolvimento. Não estamos interessados na reprodução canônica destes livros e autores, mas na recuperação do grande projeto de pesquisa sobre o subdesenvolvimento, a dependência e a revolução continental, interrompido pela vitória das classes dominantes com o apoio decidido de Washington em décadas anteriores. Este projeto de pesquisa não foi superado analiticamente e tampouco sucumbiu por eventuais deficiências teóricas, mas simplesmente marginalizado pela adversa correlação de forças que sofremos aproximadamente durante quase quatro décadas (1960-2000). Contudo, na exata medida em que as classes sociais subalternas retomaram a iniciativa política – primeiro na luta pela democratização e logo na necessária redefinição de um novo horizonte socialista – o antigo projeto de pesquisa foi também retomado e começa gozar de boa saúde dentro e fora das universidades brasileiras. PATRIA GRANDE, a Biblioteca do Pensamento Crítico Latino-Americano nasce neste contexto e para recuperar valiosa herança intelectual até bem pouco tempo ignorada. A propósito, é preciso reconhecer a pesada carga colonial dominante na formação acadêmica nacional que a mantém como mera expressão de colonialismo, refratária ao

Alberto Guerreiro Ramos 1915-1982 Brasil Intelectual de destaque na sociologia brasileira, especialmente antes do golpe militar. Foi principal figura no ISEB e autor do projeto que criou a profissão do administrador no Brasil. Deputado cassado pela ditadura militar, foi autor de vasta e desconhecida obra na sociologia crítica, entre as quais “A redução sociológica”, “Introdução crítica à sociologia brasileira”, “Mito e verdade da revolução brasileira”, “A crise do poder no Brasil”. Terminou seus dias na Universidade da Carolina do Sul e, durante os anos 80 ministrou aulas na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 pensamento próprio, crítico e, portanto, revolucionário. O pensamento crítico latino-americano jamais desconheceu o aporte europeu-estadunidense na batalha das ideias, mas tampouco se limitou a exegese colonial que marca sua divulgação nos pomposos seminários universitários. Uma renovação intelectual esta em curso em nosso país, ainda dominado pelo colonialismo, mas mais cedo do que tarde revelará sua potencia na medida em que as lutas sociais se alimentarem da melhor tradição de pensamento produzida na América Latina. Contamos neste projeto com o apoio imprescindível da Editora Insular que, ao contrário do que seu nome sugere, ampliou os horizontes de sua linha editorial ao aceitar o desafio proposto pelo IELA, contribuindo de maneira notável para a plena configuração da Pátria Grande. As novas gerações de estudantes brasileiros possuem agora pleno acesso aos clássicos do pensamento crítico latino-americano em edições cuidadosamente preparadas, com estudos introdutórios em cada volume e, no caso dos autores ainda vivos, um prefácio inédito. Assim, o IELA-UFSC cumpre com sua função de latino-americanizar as ciências sociais no Brasil e oferecer um horizonte mais rigoroso e exigente intelectualmente para todos aqueles interessados na definitiva Emancipação de Nuestra América. O Conselho Editorial de Pátria Grande, Biblioteca do Pensamento Crítico Latino-Americano é presidido pelo Prof. Nildo Ouriques e do qual participam Beatriz Paiva, Fernando Prado, Waldir Rampinelli e Elaine Tavares.

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Livros Publicados Volume 1 Subdesenvolvimento e revolução - Ruy Mauro Marini

Volume 2 O Capitalismo dependente latino-americano - Vânia Bambirra

Volume 3 - A mais-valia ideológica - Ludovico Silva

Volume 4 - Política Britânica no Rio da Prata Raúl Scalabrini Ortíz Volume 5 - O processo de dominação Política no Equador - Agustín Cueva

Volume 6 - Mito e verdade da Revolução Brasileira - Alberto Guerreiro Ramos

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 Outras publicações do IELA e de seus integrantes A Questão Agrária no desenvolvimento brasileiro contemporâneo. Lauro Mattei (Org.) O Junho brasileiro e seus desdobramentos. Franco Rodríguez (Org.). Textos de Elaine Tavares e Nildo Ouriques. José Martí: Pelos caminhos da vida nova. Carlos Rodríguez Almaguer. Publicação do Vitral Latino-Americano (Paulo Capela). Evangelho e Manifesto na religião e na política. Waldir José Rampinelli. Teoria da Dependência: Balanços e perspectivas. Theotonio dos Santos. Apoio do IELA. Copa do Mundo na África do Sul: Um legado para quem? Eddie Cottle (Org.). Apoio do IELA e do Vitral LatinoAmericano (Paulo Capela). Megaeventos esportivos: Suas consequências, impactos e legados para a América Latina. Paulo Capela e Elaine Tavares (Org.). Líricas: A palavra amorosa do cotidiano. Elaine Tavares. Sistema Único de Assistência Social em perspectiva: Direitos, política pública e superexploração. Beatriz Augusto de Paiva (Org.) Esporte educacional: A experiência do Centro de Referência Esportiva Rio Grande. Textos de Paulo Capela e Elaine Tavares. O Colapso do Figurino Francês: Crítica às Ciências Sociais no Brasil. Nildo Ouriques. Dependência e Marxismo: contribuições ao debate crítico latino-americano. Raphael Lana Seabra (Org.). Texto de Nildo Ouriques. Pensadores da Pátria Grande, v. 1: Manoel Bomfim Autêntico pensador latino-americano. Victor Ramos. Apoio do IELA. Pensadores da Pátria Grande, v. 2: José Julián Martí: Político, poeta e guerreiro. Liliana Mirta Rojas. Apoio do IELA. Pensadores da Pátria Grande, v. 9: Manoel Bomfim Autêntico pensador latino-americano. Apoio do IELA.

10. Revista Brasileira de Estudos LatinoAmericanos (REBELA) A REBELA é uma revista acadêmica produzida com a Rede Brasileira de Estudos Latino-Americanos. Edita três números anuais em formato eletrônico e recebe textos e ensaios fotográficos no fluxo contínuo. A Rede Brasileira de Estudos Latino-Americanos nasceu em 2008 a partir de uma articulação iniciada pelo IELA. O

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objetivo era aglutinar pessoas que trabalhassem de maneira permanente com a temática latino-americana, desde uma perspectiva crítica, nas demais universidades brasileiras. Afinal, até 2005, refletir sobre América Latina era coisa solitária. Poucos núcleos nas universidades, poucas pessoas atuando de forma isolada. Como o IELA já acumulava um bom trabalho nessa área, com a criação do Observatório de Estudos Latino-Americanos (2004), foi relativamente fácil encontrar os parceiros. E eles foram chegando de vários cantos do Brasil. Pernambuco, Goiás, Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Juiz de Fora, Campina Grande, Paraíba, enfim, de várias universidades federais e estaduais. Essa rede foi trocando informação, conversando, dialogando e, no ano de 2009 reuniu-se pela primeira vez em Florianópolis, num Encontro Nacional. Desde aí começou o debate para a criação de uma revista que pudesse socializar os estudos que cada um vem fazendo na área, além de apresentar parceiros de outras universidades latinoamericanas e de outros continentes que trabalhassem com as questões que são vitais para a América Latina. O trabalho de coordenação da revista ficou dividido entre o IELA e o Grupo de Pesquisa Organização & Práxis Libertadora, da UFRGS e a partir daí iniciou-se um longo trabalho de organização, preparação e cuidado com os originais. Finalmente, pouco depois do Segundo Encontro Nacional da REBELA, ocorrido em Porto Alegre, no mês de junho de 2011, o projeto se fez realidade com o lançamento do primeiro número. A partir daí iniciou a trajetória da revista eletrônica Revista Brasileira de Estudos Latino-Americanos (REBELA), com a busca pelo que de mais original e crítico se está produzindo na área dos estudos latino-americanos. São artigos, informações, resenhas, fotografias, vídeos, todos os formatos possíveis para que nenhuma linguagem fique de fora. O que importa é que esse imenso território possa ser mais conhecido, melhor compreendido e, com isso, se fazer real o sonho de figuras como Bolívar, Martí, Artigas e outras, que lutaram por uma América livre, soberana e unida. A Revista Brasileira de Estudos Latino-Americanos se consolida com o objetivo de difundir a produção de intelectuais e ativistas sobre a região. Afirmando a unidade indissociável entre teoria e prática, a REBELA apresenta análises e reflexões que contribuam para compreender o contexto e as particularidades da realidade, com a intenção de resgatar e fortalecer a tradição do pensamento crítico latino-americano. REBELA é uma revista comprometida com a libertação dos nossos povos e com a construção do socialismo. Não estamos interessados na colonial reprodução

Pablo Neruda 1904-1973 Chile Poeta e militante comunista, Neruda foi cônsul chileno em diversos países, senador, exilado, reconhecido, admirado, perseguido, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1971, entre tantas outras facetas. Sua obra é vasta, entre elas: “Residencia en la tierra”, “Canto General”, “Estravagario”, e “Fin de mundo”.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 de ideias e teorias. Queremos contribuir para a construção e consolidação de um pensamento social que se alimenta da tradição marxista, em especial do marxismo latinoamericano, sem descartar reinvenções do pensamento humanista. Segundo a Classificação de Periódicos Qualis 2015, da CAPES, a REBELA - Revista Brasileira de Estudos LatinoAmericanos, conseguiu pontuação em sete áreas diferentes: Administração Pública e de Empresas, Ciências Contábeis e Turismo (B4), Ciência Política e Relações Internacionais (B4), Comunicação e Informação (B5), Economia (C), Filosofia (C), Serviço Social (B5), e Sociologia (B4).

11. Outros Eventos 1 . WAPE - Encontro Mundial de Economia Política Dias 23,24,25 e 26 de maio de 2013 Intelectuais marxistas de mais de 40 países de todo o planeta estiveram em Florianópolis, em maio de 2013, para a Oitava Reunião Anual da Associação Mundial de Economia Política (WAPE - World Association for Political Economy), organizada pelo Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade Federal de Santa Catarina (IELA-UFSC), sob a coordenação dos economistas e professores da Universidade Federal de Santa Catarina, Nildo Ouriques e Lauro Mattei. Nesse encontro, foi discutido o destino da economia no mundo sob a perspectiva da economia marxista, num esforço de sedimentar um diagnóstico mundial sobre a atual crise capitalista. A WAPE é uma instituição com crescente visibilidade mundial entre os economistas e nasce em 2006, na cidade de Hong Kong, China, justamente com o objetivo de debater sistematicamente a interpretação marxista do capitalismo, reunindo economistas de todo o mundo que trabalhem com o paradigma da teoria do valor e do socialismo. Em pouco tempo logrou filiar economistas de todos os continentes e já havia realizado sete encontros mundiais, com o objetivo de socializar os estudos, as experiências políticas e compromissados com a superação da economia capitalista que hoje hegemoniza a compreensão do mundo. Os encontros da WAPE sempre foram realizados na Europa, Estados Unidos e Ásia, mas a partir de 2012 decidiu a América Latina, realizando o primeiro encontro no México. E em 2013, aprofundando ainda mais as relações com o continente latino-americano realizou a oitava reunião no Brasil. Nessa edição, além da apresentação de estudos e

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análises dos movimentos políticos existentes no mundo, a WAPE contou com ampla participação de sindicatos, partidos políticos, e todos os interessados em assumir uma posição crítica diante dos problemas contemporâneos. Ao longo dos últimos anos a WAPE consolidou uma clara audiência mundial e ganha a cada dia mais importância como fonte de crítica e construção de alternativas para um mundo em rápida e conflituosa mudança. “A reunião do México representou uma nova e importante iniciativa na região latino-americana e, agora, para nós, brasileiros, a realização desta reunião em solo nacional é mais uma demonstração das possibilidades de protagonismo mundial no terreno intelectual que não podemos desperdiçar. E, em 2013, no momento em que o mundo vivia uma grave crise econômica, política e social, a visita de importantes economistas de todas as partes do mundo ajudou a desenvolver ainda mais nossa capacidade de pensar criticamente a posição do Brasil nas relações internacionais”, diz Nildo Ouriques, membro do IELA e coordenador do encontro no Brasil. O IELA-UFSC é o primeiro organismo em uma universidade pública brasileira dedicado exclusivamente ao estudo da América Latina. É, portanto, fruto de um trabalho acumulado no interior da universidade e incorpora atualmente o esforço de vários professores que, ao longo de muitos anos, dedicaram-se aos estudos latino-americanos. A tarefa de pensar crítica e sistematicamente a realidade latino-americana comporta iniciativas como as Jornadas Bolivarianas e a Rede Brasileira de Estudos LatinoAmericanos (REBELA) que publica a revista eletrônica atualmente na quarta edição e congrega pesquisadores sobre temas latino-americanos de 10 universidades brasileiras. O portal eletrônico já supera a casa dos três milhões de acessos e são muitas as obras publicadas com selo próprio, entre as quais se destaca a importante Pátria Grande. Biblioteca do Pensamento Crítico Latino-Americano, coleção recentemente lançada e que divulga no país os clássicos do pensamento crítico na sociologia, economia, história e ciência política, ainda inéditos no Brasil. A confiança que a diretoria da WAPE depositou no Instituto está justamente baseada em minuciosa análise realizada sobre o trabalho realizado ao longo dos oito anos de existência dessa experiência na UFSC. Assim, a UFSC abriu suas portas para esse importante encontro nos dias 24, 25 e 26 de maio de 2013, proporcionando a oportunidade para que os cientistas sociais em geral, e os economistas em particular, pudessem acompanhar a fronteira do conhecimento e contribuir com o avanço da economia política como área especifica do saber. Da mesma forma, o encontro ampliou o horizonte do debate sobre a ciência econômica para além dos limites impostos pela grande

Toussaint Louverture 1743 - 1803 Haiti Foi o maior líder da Revolução Haitiana. É reconhecido por ter sido o primeiro líder negro a vencer as forças de um império colonial europeu em seu próprio país. Nasceu escravo, rebelouse e garantiu a libertação do país. Figura histórica de importância no movimento de emancipação dos negros na América. “Eu nasci escravo, mas a natureza me deu a alma de um homem livre.”

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 imprensa e pelo pensamento dominante nas universidades. “As universidades brasileiras se beneficiaram de maneira particular com a presença de centenas de economistas de todos os continentes em Santa Catarina, na UFSC, o que representou a oportunidade para superar os limites impostos pelo academicismo que ainda domina em grande parte os esforços teóricos de economistas que trabalham nestas instituições. Foi um esforço político decisivo num momento de crise mundial que sempre implicou em renovação intelectual, a exemplo de 1929 quando nasce, de fato, a chamada revolução keynesiana”, reafirma Nildo Ouriques. O encontro anual da WAPE sintetiza o esforço de todos aqueles que nos estreitos muros das universidades pensam a economia como ciência social e, além disso, defendem o compromisso da disciplina como um instrumento em favor da nação e da superação dos problemas inerentes aos países subdesenvolvidos e dependentes. Em função de seu caráter a WAPE sempre realizou seus encontros apenas com os seus associados. No entanto, aqui no Brasil, as conferências foram de livre acesso para a comunidade da UFSC, militantes sociais e sindicalistas. Dessa forma, o encontro ofereceu aos estudantes e professores da UFSC, assim como à militância social e popular do país uma oportunidade única de diálogo com os mais importantes pensadores marxistas do mundo. O encontro da WAPE foi precedido por uma atividade organizada pelo IELA destinada a discutir temas da América Latina e a atualidade de Marx no continente.

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O Encontro Mundial de Economia Política “fez história da UFSC”. A afirmação foi de Milton Pomar, que trabalha na relação China/Brasil desde há dez anos: “Nunca se viu, no Brasil, uma delegação tão grande de chineses num mesmo evento, nem mesmo em encontros de governo. Esse é um momento histórico”. E foi isso mesmo, uma delegação de 36 chineses, professores de universidades de Pequim, Xangai e Cantão, trazendo para o debate na UFSC o processo econômico vivido hoje pela China. Foram discussões riquíssimas que levaram os professores chineses a observar com olhar crítico as próprias contradições e limites do vivem hoje naquele país. Também não faltaram os estudiosos europeus a refletir sobre a crise que hoje se abate sobre aquele continente. Participaram ainda os vietcongues, coreanos, ucranianos, japoneses, canadenses, alemães, australianos, estadunidenses, austríacos, belgas e brasileiros, cada um deles refletindo problemas específicos ou globais, sempre a partir das lentes do marxismo. Observando a realidade e apontando alternativas ao sistema capitalista que só provoca opressão e destruição. Não bastasse toda discussão sobre vários aspectos da vida no campo da economia e da política, também a cultura esteve marcadamente representada durante o evento. A abertura ofereceu a música brasileira da melhor qualidade, com obras de Villa Lobos, Pixinguinha, Chiquinha Gonzaga, Ari Barroso e outros grandes, sob o comando de Wagner Segura. Também teve teatro com o grupo Artesãos de Dioniso e fechou com o genuíno chorinho brasileiro, sob a batuta de Geraldo Vargas. A delegação chinesa deixou marcas na UFSC. Foi plantada uma árvore, um coqueiro jerivá, típica da Mata Atlântica, representando a frutificação das relações entre a UFSC e as universidades chinesas e também foi descerrada uma placa comemorativa a esse histórico momento vivido em Florianópolis. Para quem vivenciou esses três dias de conferências ficou a certeza de que os problemas do mundo tem uma causa bem clara: o sistema capitalista. E também ficou evidente de que existem outras formas de organizar a vida com possibilidades de eliminar o processo de exploração sistemática do homem e da natureza.

Fidel Castro 1926 - 2016 Cuba Foi um revolucionário comunista cubano, principal líder da Revolução Cubana (1953-1959), primeiroministro de Cuba (19591976) e primeiro presidente do Conselho de Estado da República de Cuba (19762008). Seu velório reuniu milhões de cubanos por todo país, agradecidos por seu esforço revolucionário. “Pátria ou Venceremos!”

morte!

2. XIX Encontro Nacional de Economia Política Dias 03, 04, 05 e 06 de junho de 2014 O Instituto de Estudos Latino-Americanos organizou, de 03 a 06 de junho de 2014, o XIX Encontro Nacional de Economia Política, o ENEP. A atividade, que é promovida

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 todos os anos pela Sociedade Brasileira de Economia Política, foi realizada em Florianópolis como um desdobramento das articulações feitas durante o Encontro Mundial de Economia Política, promovido pela WAPE, e realizado em 2013 na UFSC, também sob a coordenação do IELA. Naquela ocasião, o tema em debate foi a desigualdade no capitalismo mundial, e houve uma participação maciça de economistas e pesquisadores chineses, além de profissionais da Europa, América Latina, Estados Unidos e Canadá . Já o tema geral do Encontro Nacional foi o neodesenvolvimentismo, assunto que vinha provocando profundos debates não só no Brasil, que assumiu essa perspectiva durante os governos de Luís Inácio da Silva e Dilma Roussef, mas também em vários países da América Latina. A proposta do evento que reuniu economistas, professores e estudantes de todo o país foi discutir criticamente os rumos do desenvolvimento brasileiro e mundial frente ao cenário de crise do capitalismo, a qual afeta de forma intensa os países da periferia do sistema. Ao mesmo tempo, o encontro apontou alternativas a este contexto econômico e político atual. Além disso, proporcionou, através dos grupos de trabalho, a oportunidade de apresentação e discussão democrática da produção científica da área da Economia Crítica. A Sociedade Brasileira de Economia Política, promotora do evento, entendia que aquele assunto era central no momento de crise internacional, especialmente quando as alternativas de política econômica estavam sendo tão polêmicas. Assim o ENEP, ao desvelar as discussões acadêmicas da Economia Política, possibilitou à Sociedade Brasileira de Economia Política (SEP) constituir um posicionamento claro sobre a conjuntura política e econômica de um determinado período histórico.

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A coordenação nacional ficou a cargo dos professores Niemeyer Almeida Filho (IE/UFU, Presidente da SEP), João Ildebrando Bochi (PUC-SP, Vice-presidente da SEP), e Lauro Mattei (UFSC, diretor da SEP). 3. Terceiro Encontro Nacional de Estudantes Indígenas Dias 28, 29 e 30 de setembro, 01 e 02 de outubro de 2015 A Universidade Federal de Santa Catarina sediou, de 28 de setembro a 02 de outubro de 2015, a terceira edição do Encontro Nacional de Estudantes Indígenas, que teve por objetivo reunir estudantes indígenas de todo o País, discutindo os desafios que precisam superar no campo do Ensino Superior. Outros dois eventos desse tipo já tinham acontecido na cidade de São Carlos/SP e em Campo Grande/ MS. A coordenação geral do III ENEI ficou a cargo do Instituto de Estudos Latino-Americanos, que desde há 10 anos pesquisa o novo movimento indígena latino-americano, mas foram os estudantes indígenas os que organizam e deliberam sobre as pautas a serem discutidas. A comissão organizadora, juntamente com o professor Paulo Capela - do Iela - estiveram reunidos com a reitora Roselane Neckel, que colocou toda a estrutura da UFSC à disposição para o evento. Segundo ela, foi muito importante para a universidade participar desse encontro, uma vez que hoje já desenvolve a Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica com muito sucesso, formando a sua primeira turma agora abril de 2015. Para os estudantes indígenas - representados pelas etnias Kaingang, Xokleng e Guarani - e cada vez em maior número nas universidades em função da política de cotas, foi de vital importância discutir os problemas que enfrentam na relação com a universidade e refletir sobre as ações necessárias ao bom desempenho acadêmico, bem como sobre as relações com os não-índios, ainda muito complexas. Também participou do processo de construção do evento o superintendente regional da Funai, João Maurício Faria. O III Encontro de Estudantes Indígenas começou em clima de emoção. Política, música, dança, protesto, resistência, alegria. Mais de 600 pessoas encheram o Centro de Eventos com seus cocares, colares coloridos e maracás. Indígenas de todas as partes do Brasil dispostos a discutir não apenas os desafios do ensino superior, a permanência e o acesso, mas também a territorialidade, a violência, a criminalização. A abertura já mostrou que os dias de encontro seriam densos e provocativos. Na mesa, as vozes das autoridades, da coordenação, dos estudantes. E também o grito de dor do povo Guarani

Hatuey ???? - 1512 R e p u b l i c a Dominicana, Haiti, Cuba “Primeiro rebelde da América”, foi um líder indígena que lutou contra a conquista espanhola nas ilhas que hoje formam a República Dominicana, Haiti, e Cuba. Avisou aos nativos das ilhas sobre a sede de ouro espanhola e organizou guerrilhas para resistir à sua dominação. “Não quero ir ao céu, mas sim ao inferno, assim não estarei e nem verei tanta gente cruel.”

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 Kaiowá, do Mato Grosso do Sul. Uma dor que é coletiva e que não fica limitada ao clamor, mas que é alavanca da luta. No último dia foi realizado um grande ato de rua, com uma caminhada da UFSC até o centro da cidade que marcou a história de Florianópolis.

Carta de saudação da comissão local Hoje é um dia especial. Iniciamos mais uma edição do Encontro Nacional de Estudantes Indígenas. O terceiro. O que significa que ele já não é sozinho. É parte de uma caminhada que estamos fazendo juntos, nós, que ousamos sair das aldeias e entrar nas universidades. Assim, aqui estamos, outra vez, discutindo os desafios que nos esperam, os problemas que já enfrentamos e as conquistas que garantimos com luta e valentia. E o momento em que fazemos isso, discutir o ensino superior, tampouco é um momento qualquer. Estamos no meio da balaceira, quando nossos parentes tombam alvejados por jagunços a mando do latifúndio. A terra, que é para o homem branco uma mercadoria, está em disputa. Para nós a terra não é algo que se compra ou vende, e muito menos é espaço para produzir exploração e miséria. Terra é espaço sagrado onde existimos, onde vivenciamos nossa cultura. Terra é mãe, é pai, é irmão, é irmã, é parente. Terra é pedaço de nós e tudo que toca a ela nos toca também. Por todos os confins do Brasil lutamos por demarcação das nossas terras ancestrais. São pequenos pedaços de um mundo que era todo dos povos indígenas. Hoje, convivendo com os brancos, somos capazes de dividir e de partilhar. Mas, ao que parece, os grande latifundiários não querem saber

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disso. E sem que lhes toque a mão da justiça eles matam, estupram, violentam, desaparecem, roubam. Nós resistimos. Nós lutamos até o último dos nossos. Porque esse lugar também é da gente. E, mesmo que alguns caiam, feridos de bala, outros tantos nascem e recomeçam. Estar na universidade também é uma maneira de partilhar. Compartilhamos nossos saberes, nossa maneira de conhecer e aprendemos as coisas dos brancos, sempre com o nosso olhar. Esse Brasil mestiço, de brancos, negros e índios é o nosso lugar de morada e queremos construir, juntos, um tempo de comunhão. Aqui estamos no campus da UFSC, como estamos em tantos outros campus por esse brasil, porque queremos fazer parte da vida brasileira, porque queremos contar da nossa gente, da nossa cultura, porque queremos trocar saberes. Será uma linda semana. Abriremos nossas cores nos caminhos da UFSC, tocaremos os tambores, os maracás, cantaremos e dançaremos. E convidaremos a todos e todas para estar conosco. Porque somos um. Nosso desejo de comunhão é real. Não há ódio em nós. O passado já se foi. Mas, apesar disso, saberemos também lutar por nossos direitos, nosso território, nossa cultura. Por isso, trazemos aqui o nome dos nossos parentes, que agora mesmo estão sendo atacados nos fundões do Brasil. Eles vivem e nos ensinam que só a luta faz a lei. Bem vindos, parentes Documento dos estudantes sobre a temática indígena na Universidade “As políticas de ações afirmativas podem ser compreendidas como “medidas especiais ” ou políticas públicas tomadas para promover o acesso a bens fundamentais e, portanto, restituir o princípio de igualdade de oportunidades a minorias étnicas, raciais ou sexuais que, de outro modo estariam deles excluídos parcial ou totalmente. Nesse sentido, são medidas que buscam corrigir uma história de desigualdades e desvantagens sofridas por um grupo racial ou étnico, em geral, frente a um Estado nacional que o discriminou negativamente. É o caso dos indígenas, bem como do povo negro, discriminados há mais de 500 anos. Os povos indígenas brasileiros ainda constituem, em pleno século XXI, o grupo com maior incidência de desigualdade social, quando comparado com outros grupos étnicos, no que se refere à educação, saúde e capacitação para o mercado de trabalho e anda são vítimas de exclusão e preconceito. O Ensino Superior no Brasil, destinado inicialmente à formação das elites, durante muito tempo não foi espaço para estudantes indígenas. Embora tenha havido avanços

José Revueltas 1914-1976 México Escritor e ativista político. Autor de diversos ensaios, contos, romances e roteiros cinematográficos, tais como Dialéctica de la conciencia, Ensayo sobre el proletariado sin cabeza, México: una democracia bárbara, Los días terrenales, e Tierra en libertad, entre outros.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 nesse sentido, há ainda um longo caminho a ser percorrido para se atingir um patamar de igualdade de acesso ao ensino superior e uma educação, de fato, mais democrática, para que todos os cidadãos brasileiros, sem distinção de etnia e classe social, possam ter acesso à educação de qualidade em todos os níveis de ensino. O processo de inclusão de estudantes indígenas e de outras minorias étnicas no ensino superior brasileiro ainda é visto com muita desconfiança, resultado do modelo de educação eurocêntrico imposto pelos colonizadores que negava, silenciava e subalternizava as formas de saberes tradicionais pertencentes aos povos que já habitavam esse território antes da chegada dos não índios. A educação brasileira não se renovou e nem se adaptou à realidade dos povos nativos, portanto, é necessário reconhecer que a chegada de estudantes indígenas nas universidades constitui um desafio a ser superado pelos estudantes indígenas e pelas instituições de ensino superior que os recebem. Um desses desafios talvez seja o reconhecimento dos indígenas como cidadãos capazes de conviver entre dois mundos, o mundo indígena e o mundo dos não indígenas, sem que isso signifique a perda de suas identidades. O reconhecimento da diversidade dos povos indígenas brasileiros também é um passo importante para se entender as principais necessidades educacionais dos estudantes indígenas e as potenciais contribuições que cada um traz consigo para o ambiente acadêmico. O reconhecimento - por parte das universidades - das culturas tradicionais e o reconhecimento de que essas outras culturas podem contribuir na construção de outros conhecimentos a universidade é fundamental para o estabelecimento do diálogo com interfaces culturais por

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meio dos conhecimentos indígenas e acadêmicos. De modo geral, podemos dizer que o sistema público de educação ainda não tem dado conta de cumprir o seu papel perante a sociedade. Para os povos indígenas os modelos educacionais são próprios, valorizam as riquezas educacionais de seus ancestrais passadas de geração em geração, sem com isso visar à disputa por poder, bens ou consumo. Essa distinção nos objetivos dos processos educacionais gera um grande impacto quando o estudante indígena se desloca de sua comunidade de origem para dar continuidade à sua formação escolar fora da comunidade. O reconhecimento desse impacto já seria um passo importante para o diálogo com as instituições de ensino superior que atualmente vêm recebendo estudantes indígenas em seus cursos, no sentido de possibilitar a compreensão adequada dos desafios colocados a muitos desses estudantes. Tem sido muito comum no contexto universitário os estudantes indígenas serem questionados por seus professores ou colegas sobre a sua “autenticidade” como indígena, já que concebem que o indígena inserido em outro contexto cultural deixa de ser índio, acultura-se por ter “deixado” sua comunidade de origem. Tal concepção reflete o preconceito altamente pejorativo que se tem dos indígenas que “deixam” suas comunidades para estudar. O indígena ainda é visto através da imagem congelada no tempo, imagem que o coloca em oposição à vida urbana ou aos conhecimentos que não sejam pertencentes às suas culturas, reforçando o estereótipo de que são atrasados, pobres e ignorantes, por isso incapazes de competir de igual para igual com outros grupos sociais. Nessa perspectiva, as políticas de ação afirmativa podem ser consideradas uma estratégia fundamental de combate aos estereótipos porque desestabilizam concepções e conhecimentos. Elas também representam um avanço em relação ao cumprimento das leis e diretrizes para a educação brasileira, particularmente no que se refere à democratização do ensino superior e ao acesso ao direito afirmado na Constituição Brasileira de 1988. A demanda indígena por ensino superior é uma realidade que se justifica como instrumento em defesa de seus próprios direitos. Podendo a chegada dos indígenas às universidades ser entendida pelos seus povos como uma possibilidade de pleno exercício de suas cidadanias e como forma de participação política, sendo eles mesmos os interlocutores nas mais diversas esferas da sociedade. Todavia, é importante considerar que não se trata apenas da garantia de direitos ou da busca pelos mesmos, mas também uma forma de o estudante indígena se capacitar para atuar tanto no seu meio social, quanto no mercado de trabalho.

Guaicaipuro 1530 - 1568 Venezuela Líder indígena, nativo da região onde hoje é a Venezuela, lutou contra a conquista espanhola, liderando várias tribos contra a mineração de ouro na região. Depois de alguns sucessos, se tornou a figura principal das revoltas no vale de Caracas.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 Para que as universidades possam construir novos currículos pedagógicos que contemplem a realidade dos estudantes indígenas e considerem sua diversidade cultural, é necessário que rompam com o processo histórico de uniformidade cultural que as tem caracterizado por séculos e estabeleçam processos pedagógicos que valorizem a diversidade étnica e cultural dos indígenas presentes em seus cursos. A construção dos currículos deve passar pela questão da evasão e da dependência que têm sido o principal problema dos programas de inserção de estudantes indígenas no ensino superior. O desafio posto aos estudantes indígenas ainda é o enfrentamento de situações como a inexistência ou limitação de um programa de permanência que inclua o acompanhamento nos cursos, recursos efetivos para custear as despesas com moradia, alimentação e viagens às suas comunidades nos períodos de férias e que viabilizem a participação em eventos científicos e estimulem publicações dos trabalhos de pesquisa, atividades primordiais à formação acadêmica de excelência. Devemos, portanto, buscar formas de viabilizar o diálogo entre estudantes indígenas, pesquisadores indígenas e membros de comunidades indígenas e estudantes não indígenas, docentes e pesquisadores com objetivo de construírem, juntos, um novo processo educativo.” 4. Aula Magna do IELA – 2016 . Haiti – Nada a Pacificar, Tudo a Construir O Instituto de Estudos Latino-Americanos começou o ano de 2016 discutindo um tema chave para a América Latina: o Haiti. Ocupado pelas forças da ONU desde 2004 (há 12 anos) o país continua mergulhado em profundas crises que, ao que parece, mais se aprofundam conforme seguem por lá os soldados. A paz só existe nos discursos. Denúncias de violações de mulheres, crianças e outras tantas barbaridades contra a população são sistemáticas. O Haiti tem uma importância fundamental para a libertação da América Latina. Sem esse país talvez a guerra de libertação tivesse demorado ou até não acontecido. Foi a partir da própria luta no Haiti, com a revolta dos escravos e a consequente vitória da República negra em 1804, que as demais colônias na parte continental foram percebendo que era possível sair do jogo da Europa. E foi o general Petión quem acolheu Bolívar depois da derrota de 1810 na Venezuela, e deu a ele as condições objetivas e materiais para voltar e levar todo o continente sul-americano à libertação. Logo, o Haiti é um espaço que precisa ser visto como o grande berço da soberania dessa parte sul do mundo.

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Assim, entendendo o compromisso que os latinoamericanos precisam ter com o país irmão do Caribe, O IELA trouxe para a aula magna o professor Ricardo Seitenfus, que é professor do curso de Direito na Universidade Federal do Rio Grande do Sul/Santa Maria, Doutor em Relações Internacionais, e foi representante especial da Secretaria Geral e Chefe do Escritório da OEA no Haiti (2009-2011), conhecendo por dentro as entranhas da ação das forças da ONU naquele país. Seitenfus é gaúcho, estudou Ciência Política, com opção em Estudos Internacionais, na Universidade de Genebra. Fez a Faculdade de Ciências Econômicas e Sociais no Instituto Universitário de Altos Estudos Internacionais (IHEI), e também se graduou em Relações Internacionais. Fez pósgraduação em Economia do Desenvolvimento, no Instituto Universitário de Estudos do Desenvolvimento e estudou História Moderna e Contemporânea no Departamento de Letras da Universidade de Genebra. Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul fundou o Centro Brasileiro de Documentação e Estudos da Bacia do Prata (CEDEP). Criou a Secretaria de Assuntos Internacionais do Estado do Rio Grande do Sul e fui seu primeiro titular. Escreveu os livros « Haiti, a soberania dos ditadores », “Haiti, dilemas e fracassos internacionais”, frutos do seu trabalho de três anos naquele país. Além deles possui vasta obra sobre relações internacionais. A presença de Ricardo Seitenfus foi de profunda importância para compreender a geopolítica latinoamericana e a sempre complicada relação com os Estados Unidos. A aula magna aconteceu no dia 06 de abril, às 18h e 30min, no Auditório do Centro Socioeconômico.

Darcy Ribeiro 1922-1997 Brasil A n t r o p ó l o g o , escritor e político. Um dos responsáveis pela criação da Universidade de Brasília (UnB) e idealizador da Universidade Estadual do Norte Fluminense. Dentre seus livros se destacam O povo Brasileiro, A universidade necessária, e O processo civilizatório.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 5. Aposentadoria e Novo trabalhador O ano de 2015 foi um ano de mudanças para o IELA. A jornalista Raquel Moysés, que foi uma das fundadoras do Observatório Latino-Americano, em 2004, juntamente com Nildo Ouriques, Beatriz Paiva e Elaine Tavares garantiu sua merecida aposentadoria, depois de décadas dedicadas ao trabalho público. Abriu uma lacuna no setor da comunicação. No mesmo ano, a sistemática luta pela lotação de mais um trabalhador no IELA finalmente se concretizou e tivemos a chegada do economista Maicon Cláudio da Silva. Ele assumiu a secretaria do IELA, garantindo uma melhor distribuição do trabalho. Hoje, o Instituto volta a contar então com dois trabalhadores, um no campo administrativo e outra no campo da comunicação. 6. SEPEX - Semana de Ensino, Pesquisa e Extensão O IELA esteve na Sepex: Semana de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFSC, realizada de 20 a 22 de outubro, 2016, na Praça da Cidadania da UFSC. A equipe do Instituto, formada por Maicon Cláudio da Silva, Elaine Tavares e Midiã Fraga, preparou uma atividade bem lúdica para trabalhar com os estudantes durante a feira. Como esse evento recebe muitos alunos de primeiro e segundo graus, a atividade interativa foi um jogo de cartas com personagens importantes da história latino-americana, alguns lugares sagrados dos povos antigos, lideranças indígenas e deuses dos povos originários. O jogo chamado de “Los Nuestros” foi criado para discutir a história do continente de uma maneira lúdica, oportunizando aos visitantes conhecer desde o período pré-colombiano até nossos dias. O trabalho de pesquisa foi realizado na parceria com os estudantes Davi Antunes da Luz, Lucas Pottimaier Ávila e Lauhã Kamayurá. Durante a SEPEX, o estande do IELA disponibilizou o jogo e foi um grande sucesso, com muito boa participação. A brincadeira consiste em unir a figura ao seu significado. O jogador que consegue formar o maior número de pares é o vencedor. O estande do IELA também disponibilizou um jogo de xadrez com peças diferenciadas, formando os exércitos dos espanhóis e dos indígenas, oportunizando uma batalha em igualdade de condições, coisa que não aconteceu durante a conquista. Também apresentou livros, vídeos e outras brincadeiras interativas para que a comunidade se apropriasse da vida e da história da América Latina.

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V RESULTADOS DAS ATIVIDADES DOS GRUPOS E PROJETOS DE PESQUISA E EXTENSÃO


• Alimentação Americano;

sistemática,

diária,

do

Portal

Latino-

• Produção de vídeos • Produção quinzenal do Programa Pensamento Crítico • Finalização de trabalhos de graduação e dissertações de mestrado; • Produção de textos de análise sobre a conjuntura latino- americana; • Realização de seminários internos; • Realização de seminários externos; • Realização de cursos de extensão; • Participação em encontros, congressos, debates etc. • Realização de conferências no estado, no país e em outros países da América Latina; • Entrevistas em diversas rádios, jornais, revistas e televisão do país e da América Latina; • Publicações de livros; • Publicação de textos e ensaios. • Pesquisa sistemática na Biblioteca do IELA Jornadas Bolivarianas

Tupac Katari 1750 - 1781 Bolívia Líder de uma rebelião do povo Aimará contras autoridades coloniais espanholas no que viria a ser o território da Bolívia. Formou um exército de 40.000 homens e cercou por duas vezes a cidade de La Paz. “Voltarei milhões.”

e

serei

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VI IMPACTO ACADÊMICO/SOCIAL DOS PROJETOS EM DESENVOLVIMENTO


Nona, Décima, Décima Primeira e Décima Segunda – 2013/2014/2015/2016: 1.500 pessoas registradas em cada edição Cursos Livres Participação - 150 pessoas Página Eletrônica do IELA Acesso diário entre 3.000 e 3.500 Canal do Youtube Acesso diário de 1.000 a 5.000 Página no Facebook 8.500 curtidas Boletim Boletim Eletrônico semanal do IELA - Público atingido: 10.000 Atividades da Rede Brasileira Americanos - REBELA

de

Estudos

Latino-

Edição sistemática, desde 2011, da Revista Brasileira de Estudos Latino-Americanos, na parceria IELA e Grupo de Pesquisa Organização & Práxis Libertadora, da UFRGS. A Rede Brasileira de Estudos Latino-Americanos nasceu em 2008 a partir de uma articulação iniciada pelo IELA. O objetivo era aglutinar pessoas que trabalhassem de maneira permanente com a temática latino-americana, desde uma perspectiva crítica, nas demais universidades brasileiras. Afinal, até 2005, refletir sobre América Latina era coisa solitária. Poucos núcleos nas universidades, poucas pessoas atuando de forma isolada. Como o IELA já acumulava um bom trabalho nessa área, com a criação do Observatório de Estudos Latino-Americanos (2004), foi relativamente fácil encontrar os parceiros. E eles foram chegando de vários cantos do Brasil. Pernambuco, Goiás, Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Juiz de Fora, Campina Grande, Paraíba, enfim, de várias universidades federais e estaduais. Essa rede foi trocando informação, conversando, dialogando e, no ano de 2009 reuniu-se pela primeira vez em Florianópolis, num Encontro Nacional. Desde aí começou o debate para a criação de uma revista que pudesse socializar os estudos que cada um vem fazendo na área, além de apresentar parceiros de outras universidades latinoamericanas e de outros continentes que trabalhassem com as questões que são vitais para a América Latina.

José Carlos Mariátegui 1894-1930 Peru Jornalista, filósofo político e ativista, considerado o primeiro marxista latino-americano a pensar a região desde sua própria realidade. Sua obra reúne vinte tomos que tratam de temas variados como economia, educação, questão indígena, e conjuntura. Seu livro mais importante é o clássico de 1928 “7 Ensaios de Interpretação da Realidade Peruana”.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 O trabalho de coordenação da revista ficou dividido entre o IELA e o Grupo de Pesquisa Organização & Práxis Libertadora, da UFRGS e a partir daí iniciou-se um longo trabalho de organização, preparação e cuidado com os originais. Finalmente, pouco depois do Segundo Encontro Nacional da REBELA, ocorrido em Porto Alegre, no mês de junho de 2011, o projeto se fez realidade com o lançamento do primeiro número. A partir daí iniciou a trajetória da revista eletrônica Revista Brasileira de Estudos Latino-Americanos (REBELA), com a busca pelo que de mais original e crítico se está produzindo na área dos estudos latino-americanos. São artigos, informações, resenhas, fotografias, vídeos, todos os formatos possíveis para que nenhuma linguagem fique de fora. O que importa é que esse imenso território possa ser mais conhecido, melhor compreendido e, com isso, se fazer real o sonho de figuras como Bolívar, Martí, Artigas e outras, que lutaram por uma América livre, soberana e unida. A Revista Brasileira de Estudos Latino-Americanos se consolida com o objetivo de difundir a produção de intelectuais e ativistas sobre a região. Afirmando a unidade indissociável entre teoria e prática, a REBELA apresenta análises e reflexões que contribuam para compreender o contexto e as particularidades da realidade, com a intenção de resgatar e fortalecer a tradição do pensamento crítico latino-americano. REBELA é uma revista comprometida com a libertação dos nossos povos e com a construção do socialismo. Não estamos interessados na colonial reprodução de ideias e teorias. Queremos contribuir para a construção e consolidação de um pensamento social que se alimenta da tradição marxista, em especial do marxismo latinoamericano, sem descartar reinvenções do pensamento humanista. PARTICIPAM DA REDE BRASILEIRA DE ESTUDOS LATINO-AMERICANOS FURB/Fundação Universidade Regional de Blumenau UEL/Universidade Estadual de Londrina UEM/Universidade Estadual de Maringá UEPB/Universidade Estadual da Paraíba UFCG/Universidade Federal de Campina Grande UFES/Universidade Federal do Espírito Santo UFPE/Universidade Federal de Pernambuco UFSC/Universidade Federal de Santa Catarina UNIOESTE/Universidade Estadual do Oeste do Paraná Cascavel UFRGS/Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFJF/ Universidade Federal de Juiz de Fora UFF/ Universidade Federal Fluminense

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UFRJ/ Universidade Federal do Rio de Janeiro - Lema FURB/Fundação Universidade Regional de Blumenau UFES/Universidade Federal do Espírito Santo UFG/Universidade Federal de Goiás UFJF/Universidade Federal de Juiz de Fora UFPE/Universidade Federal de Pernambuco UFSC/Universidade Federal de Santa Catarina UNOESTE/Universidade do Oeste do Paraná – Cascavel UFRGS/Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFJF/ Universidade Federal de Juiz de Fora UFF/ Universidade Federal Fluminense UFRJ/ Universidade Federal do Rio de Janeiro – Lema UNOESC/ Universidade do Oeste de Santa Catarina UFT/ Universidade Federal do Tocantins Coordenação: Prof. Maria Ceci Mizoczky- UFRGS Nildo Ouriques - UFSC Elaine Tavares – UFSC Maicon Cláudio da Silva - UFSC

Ruy Mauro Marini

Revista Brasileira de Estudos Latino-Americanos (REBELA) Revista digital de divulgação científica que busca a difusão do pensamento crítico na América Latina. A proposta foi encampada pelo grupo da Rede Brasileira de Estudos Latino-Americanos (Rebela) e o primeiro número foi lançado em junho de 2011. A coordenação da revista ficou sob um coletivo editorial formado pelos seguintes membros da Rede: Maria Ceci Mizoczky – (Administração/UFRGS) Sueli Goulart - (Administração/UFRGS) Nildo Ouriques (Economia/UFSC) Elaine Tavares ( Jornalista AGECOM/CSE) Fernando Correa Prado (Unila) Guilherme Dornellas Câmara (UFRGS) Participação: Prof. Beatriz Paiva (Serviço Social/UFSC) Prof. Waldir Rampinelli – (História/UFSC) Maicon Cláudio da Silva (IELA/UFSC) Edições Durante o último quadriênio foram publicados doze números da REBELA. Todas as edições estão disponibilizadas na página do Instituto. http://www.iela.ufsc.br/rebela/revista

1932-1997 Brasil Militante e intelectual, fez parte de um grupo de brasileiros que na década de 1960 buscou novas interpretações para as causas do subdesenvolvimento e da exploração capitalista na América Latina. O resultado foi a Dialética da Dependência, uma explicação das particularidades históricas da dependência e da necessidade da revolução como elemento central da atuação da classe oprimida. Suas obras principais são Subdesenvolvimento e Revolução, e Dialética da Dependência.

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VII PROSPECTIVA: PROJETOS FUTUROS


Mestrado Interdisciplinar em Estudos Latino-Americanos A proposta do IELA é oferecer já em 2017 um curso de Mestrado Interdisciplinar em Estudos Latino-Americanos. Este curso tem origem remota. No ano de 1983, um grupo de estudantes criou na UFSC, com apoio oficial, o Núcleo de Estudos Latino-Americanos (NELA), no qual participa como membro fundador o então estudante Nildo Domingos Ouriques ( juntamente com João Carlos Torrens e Antônio Macedo). Este Núcleo foi, tempo depois, assumido por um conjunto de professores entre os quais se encontravam Waldir Rampinelli, Raul Antelo, Armem Mamigonian entre outros, que teve também vida limitada e encerrou suas atividades em 1988. A criação do Observatório Latino-Americano (OLA) em 2004 (iniciativa do Prof. Nildo Ouriques, Beatriz Paiva, e das jornalistas Elaine Tavares e Raquel Moysés) reabriu um novo capítulo da reflexão sistemática sobre temas latinoamericanos na UFSC. O OLA contava com uma página web e abriu um grande evento anual denominado Jornadas Bolivarianas que se encontra agora em sua décima primeira edição. Além da organização do evento anual que foi gradativamente ganhando envergadura e sempre contou a presença de renomados cientistas sociais da América Latina, o OLA organizou breves cursos que sempre contaram com grande presença de público. Dessa proposta nasceu o IELA em 2006. Nestes anos contamos com a presença de vários professores da América Latina que não somente ministraram cursos como também permaneceram em nosso meio na condição de atividade sabática. Também recebemos vários estudantes de mestrado e doutorado de outros países que optaram por permanecer conosco em doutorado sanduíche e visitas curtas. O IELA criou neste período a Revista de Estudos LatinoAmericanos (REBELA) que nasceu de dois encontros de pesquisadores brasileiros de várias universidades do Brasil. A Rede realizou o primeiro encontro em Florianópolis no ano de 2010 e o segundo na URGS no ano de 2012 e nos preparamos para realizar a terceira edição em 2016 provavelmente na UNILA ou na Unoesc (Cascavel). A proposta do mestrado se consubstanciará desde uma crescente e frutífera articulação com os estudantes de cursos de graduação, principalmente dos departamentos envolvidos, mas não exclusivamente. O IELA, em seus mais de dez anos de existência tem crescido até hoje sobretudo em virtude de sua articulação com os cursos de graduação, atraindo mais e mais estudantes às discussões sobre a América Latina. A promoção de eventos periódicos, tais como as Jornadas Bolivarianas, a organização de grupos de estudos

Augusto Calderón Sandino 1895-1934 Nicarágua Foi um revolucionário nicaraguense líder da rebelião contra a presença militar dos Estados Unidos na Nicarágua entre 1927 e 1933. Rotulado como bandido pelo governo dos Estados Unidos, suas ações torná-lo-iam um herói em grande parte da América Latina, onde é considerado um símbolo da resistência à dominação estadunidense.

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Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016 como o foi o OLA, assim como a participação nos núcleos de pesquisa, são oportunidades encontradas pelos graduandos com interesse em discutir a realidade latino-americana. A criação do Mestrado em Estudos Latino-Americanos, e todos os ganhos advindos disto, servirão, portanto, como força catalizador às discussões que o IELA já vem promovendo com os estudantes de graduação há mais de dez anos. Lançamento de livros . Teoria Social e eurocentrismo: a insurgência do pensamento crítico. Conferências da Terceira edição das Jornadas Bolivarianas. Editora Xamã/IELA. (no prelo). . O Caribe: espaço estratégico na América Latina. Conferências da Oitava edição das Jornadas Bolivarianas. Editora Insular (no prelo). . Coleção Pátria Grande: Biblioteca do Pensamento Crítico Latino-americano - Volume 6 - Socialismo ou Fascismo, de Theotonio dos Santos. (no prelo).

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INSTITUTO DE ESTUDOS LATINO-AMERICANOS UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA Centro Sócio Econômico . Bloco D . Primeiro andar . Campus Trindade Florianópolis . Santa Catarina . Brasil . 88010-970 Tel: + 55 (48) 3721-6483, + 55 (48) 3721 3890 + 55 (48) 3721 4938 iela@contato.ufsc.br . www.iela.ufsc.br Organização: Elaine Tavares e Maicon Cláudio da Silva Diagramação e Arte: Midiã Fraga e Luciano Teixeira Junho. 2017


Informe IELA | 2013, 2014, 2015, 2016

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Informe IELA - 2013, 2014, 2015 e 2016  

Informe das atividades de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas pelo Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA) da Universidade Feder...

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