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CODE

#1 ANO 1 • JUNHO 2013

COMUNIDADE•DESIGN

DISTRUIBUIÇÃO GRATUITA

DESIGN UNIVERSAL

INSTITUTO NOISINHO DA SILVA

MOSTRA A IMPORTÂNCIA DA

INCLUSÃO

+

Com mobiliário desenvolvido para crianças com deficiência

INFOGRAFANDO

Entenda porque reutilizar pneus usados é mais ecológico do que a reciclagem

REUTILIZANDO Entrevista com Daniel Beato, sobre o projeto Arte em Pneus

CONSTRUINDO Paula Dib conta sobre seu trabalho com com comunidades

EDUCANDO Projetos ao Redor do mundo que usam o design para educar.

RECICLANDO ONG em Paraisópolis dá um novo destino a jeans usados.


dfcbrasil.com.br


CARTA AO LEITOR Olá, tudo bom? Nesta primeira edição da revista CODE, abordamos um tema que, como estudantes de design, é muito inspirador: O design como um meio de transformação social. O que você vai acabar se dando conta ao decorrer da leitura é que design não se faz sozinho. Ao observar de perto as iniciativas maravilhosas que estamos expondo, você vai notar que elas não surgiram por uma só pessoa. Foram decorrentes de um pensamento em conjunto, por pessoas que enxergam os problemas da sociedade e trazem caminhos criativos para solucioná-los. Apresentamos iniciativas como os projetos que a designer Paula Dib desenvolveu, (que trabalha em conjunto com várias comunidades transformando lugares e vidas). O Arte em Pneus ( que com artesãos da borracha junta sustentabilidade e design numa maneira inteligente de reaproveitar resíduos) e o Recicla Jeans (que além da preocupação com o ecodesign ,leva trabalho e renda para a comunidade de Paraisópolis). Nossa matéria de capa ressalta a importância do design universal promovendo igualdade e justiça social através do design de produtos e espaços, na maior extensão possível na busca pelo respeito da dignidade humana em toda sua diversidade, rompendo padrões de atitudes no caminho da mudança real. Agradecemos á todos que fizeram parte da realização desse projeto editorial, à todos os colaboradores e orientadores e aos nossos amigos que nos apoiaram e nos aguentaram ao decorrer deste semestre. Boa leitura! ORIENTADORES

Fabio Silveira Lucas Massimo Sara Goldchmit COLABORADORES

Mariana Quadros Thays Esaú

Nadia Bacchi Ong Florescer Erika Foureaux Noisinho da Silva Arte em Pneus Paula Dib Mari Pini Daniel Beato


SUMÁRIO

MUNDO

CHANGING

Projetos no mundo inteiro usam o design como base. INCLUSIVO

UNIVERSAL

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A importância do pensamento inclusivo numa sociedade justa.

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PERFIL

PAULA DIB

compartilha suas experiências trabalhando com comunidades

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SOCIAL

RECICLA JEANS Projeto da ONG Florescer, que usa como matéria-prima o jeans.

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ECO

ARTE EM PNEUS

Daniel Beato, conta numa entrevista o que é o projeto. INFOGRÁFICO

REUTILIZANDO

Reutilização do pneu é mais ecológico, mais fácil e mais barato

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MUNDO

THE

WORLDIS CHANGING

Projetos ao redor do mundo usam o design como base principal no aprendizado. Por Tatiana Tabak | Foto: divulgação | Fonte: desedu.tumblr

DESIGN FOR CHANGE A designer indiana Kiran Dir Sethi queria uma escola diferente para seus filhos. Fundou a Escola Riverside, que apresentou resultados tão positivos que ela decidiu compartilhar sua visão educacional com todo o país. O projeto Design for Change acontece como um convite às escolas para um desafio em que as crianças devem: sentir algo que gostariam que fosse diferente em suas dfcworld.com

comunidades, imaginar uma forma de abordar essa questão, realizar o projeto imaginado e compartilhar a sua história com o resto do mundo. No primeiro ano (2009) o projeto atingiu apenas as escolas indianas. Já no ano seguinte, grupos independentes de diversos países começaram a realizar suas próprias versões do desafio. Hoje mais de 30 países realizam o projeto em suas escolas.

ARQUIKIDS Organização em Barcelona que promove a chamada Arquitetura Educativa, para crianças e jovens de todas as idades.As atividades do grupo são baseadas em workshopscom diferentes durações que podem acontecer em espaços fechados ou em rotas urbanas e safaris locais, que são tipos de excursões pela cidade e a prédios emblemáticos. arquikids.com


DESIGN LEARNING CHALENGE Uma das iniciativas da IDSA (Industrial Designers Society of America) que promove entendimentos do design na educação básica. Essa iniciativa faz parte de um propósito de gerar uma consciência sobre design para jovens em idade escolar, a fim de que entendam o que é design e o que ele pode fazer.. Como desafio, a sociedade pretende atingir este objetivo através de uma experiencia de design participátivo e colaborativo. Professores e alunos de universidades são convidados a colaborarem no desenvolvimento do projeto designlearning.us

DESIGN EMERGENCY de design”, ou seja, é colocada em Programa desenvilvido pelo Centro forma de desafio a ser solucionado. Australiano de Design, em Sidney. Em seguida, são utilizadas técnicas O objetivo é construir uma cultucomo desenvolvimento de personas, ra de design no país, por meio de metáforas e crowdsourcing para que atividades voltadas para alunos da as idéias sejam desenvolvidas, proeducação básica. A proposta é que totipadas e apresentadas em grupo. os alunos trabalhem em conjunto Nos últimos anos,os idealizadores com designers. Esses profissionais os ajudam a identificar uma questão do projeto conseguiu verba para atingir seu principal objetivo: expandir que seja relevante para a vida dos o alcance do programa às escolas alunos que, uma vez investigada e australianas. desenvolvida vira uma “emergência object.com.au/learning/design-emergency

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PERFIL

CONS

CONJ TRUÇÃO UNTA

Conve

rsamo s nos co com a de si ntou um po gner Paula t r a D u balho por M ariana com c co sobre o ib e ela Quadr o s os e T eu munid hays E saú ades


Para fazer a diferença em uma sociedade é importante entender a dinâmica do local, a essência do lugar e das pessoas que lá vivem, para poder, então, realizar o projeto juntos.

D

epois de algumas conversas virtuais marcamos uma conversa com a designer Paula Dib. Falamos sobre seus projetos, carreira e a importância do design como ferramenta de mudanças. Design , para Paula é um jeito de olhar, é ver as oportunidades que cada lugar tem à oferecer. Ela falou mais sobre isso quando estávamos conversando sobre os projetos que ela esta envolvida, juntamente com comunidades. Ela nos explicou que para fazer a diferença em uma sociedade é importante entender a dinâmica do local, a essência do lugar e das pessoas que lá vivem, para poder, então, realizar o projeto juntos. Ao perguntarmos como ela começou a se envolver com o design social, ela nos respondeu que tudo começa com a pergunta: “Como estamos vivendo?”. Já na época em que ela fazia faculdade de Desenho Industrial na FAAP, ela buscava um sentido no que ela estava fazendo com o design e assim ela começou a ter um interesse em se envolver com o projetos sociais. RECONHECIMENTO Em 2006, quando ganhou o prêmio Jovem Designer Empreendedor, na Inglaterra, por conduzir o design por novos caminhos, ela passou a ser mais reconhecida e assim , mais convites para participar de projetos socias surgiram. Ela nos contou que receber um prêmio internacional ao desenvolver um trabalho inovador endossa

e dá credibilidade. Para ela, esse prêmio foi um grande incentivo em sua carreira. Questionamos se havia algum projeto que ela tivesse um carinho especial, e ela nos respondeu que no que ela trabalha atualmente é sempre muito especial e que ela ama vários de seus projetos passados também. Hoje em dia ela está envolvida com uma comunidade no Ceará, os Sapateiros do Sertão. O projeto realiza trabalhos com os artesáos e o couro da regiäo, ofício que é passado de geração em geração. Tal ofício tem perdido sua força já que, por necessidade, os artesãos tem feito os produtos em um curto período de tempo para vender rapidamente, o que diminui o nível de qualidade e abaixa o valor dos produtos. O que o projeto faz é resgatar a história dessa tradição e dá condições para que os artesãos tenham tempo para realizar os trabalhos com o couro, aumentando assim o nível de qualidade dos produtos e consequentemente agregando maior valor à estes. Para o futuro, Paula tem vários planos na área do design social. Ela nos contou a vontade que tem de realizar projetos dentro de metrópoles, como um projeto de criar fazendas urbanas, o que é um desafio, já que a relação das pessoas com o tempo e as matérias-primas disponíveis diferem muito do campo para a metrópole. Geralmente a matéria-prima que existe no campo é mais abrangente e na metrópole o material que está disponível em abundância são os resíduos. Paula nos deixou a mensagem que transformação social pode ser realizada por todas as áreas e em qualquer lugar

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CAPA

FÉ NA INCLUSÃO O Instituto Noisinho da Silva tem como objetivo ressaltar importancia da inclusão e quebrar as barreiras da diferença, desenvolvendo um mobiliário que atenda todas as crianças.

O

por Mariana Quadros e Thays Esaú | Foto: divulgação

Instituto noisinho da silva tem como missão promover inclusão de crianças deficientes através de soluções muito criativas de design. Com a sede em Belo Horizonte e criado pela designer e arquiteta Erika Foureaux em 2003, o instituto foca no mobiliário escolar já que é na escola que a criança se envolve com outras crianças. E para ter as mesmas oportunidades de aprender e brincar, é necessário que exista um mobiliário adequado. Erika, visando à inclusão social de crianças com deficiência, lidera uma equipe, desenvolvendo uma série de produtos inovadores em design

universal que promove igualdade e justiça social através de produtos e espaços. Os produtos são desenvolvidos para serem usados por todos, na maior extensão possível na busca de uma sociedade inclusiva, pelo respeito da dignidade humana em toda sua diversidade, rompendo padrões de atitudes no caminho da mudança real. O produto de maior visibilidade no noisinho é a cadeirinha da ciranda que possibilita a criança, que não possui total controle do tronco a ficar sentada no chão sem ajuda dos pais. Isso é muito importante para o desenvolvimento dos pequenos, já que a grande parte das brincadeiras infantins são no chão. A OFICINA DA CIRANDA Além dos produtos comerciais, o noisinho também promove oficinas gratuitas para que os pais das crianças


À esquerda, voluntário e criança com a cadeira ciranda finalizada. Acima, pais construindo a cadeira no workshop realizado em maio.

portadoras de deficiência física que Com a orientação da equipe do Noisinho da Silva não tem condições de comprar a os pais desenvolvem habilidades para fabricar as cadeirinha sejam capacitados a faz- próprias cadeirinhas durante o workshop. er com as próprias mãos o produto, usando materiais de baixo custo e sustentáveis. a ser comercializados para o governo e classes A e B Com a orientação da equipe do noisinho da silva, os como forma de gerar sustentabilidade financeira e ampais desenvolvem habilidades para fabricar as próprias pliar o trabalho do Instituto, atendendo cada vez mais cadeirinhas durante o workshop além de que ao produzir as famílias das classes mais baixas. O trabalho também as cadeirinhas muitos pais acabam se conhecendo e tro- inclui conscientizar a população sobre os direitos do decando experiências valiosas na criação de seus filhos e, ficiente físico, diminuir o índice de preconceito, intervir paralelamente, as crianças se divertem em uma oficina nas políticas públicas, desenvolver produtos de maneicultural com animadores e recreadores. ra sustentável, estabelecer parcerias com as indústrias, As oficinas são patrocinadas por empresas, pelo Esta- para que fabriquem os produtos projetados pelo Instido, pelas instituições, comunidade e organizações soci- tuto. Erika está com seu trabalho em franca expansão: ais. Nos primeiros 3 anos, o acessório beneficiou mais de a meta é ampliar esse atendimento para outras cidades 600 crianças de 600 famílias, com uma média de 2400 de Minas Gerais, além de Rio de Janeiro e São Paulo. pessoas beneficiadas direta e indiretamente. Também pretende ampliar o benefício por meio de uma O Instituto também desenvolve outros produtos de in- metodologia de educação à distância. clusão social, como a carteira escolar inclusiva, para O Instituto ganhou várias premiações por conta de seu ser usada em sala de aula, projeto que já beneficiou cri- design e o ultimo foi o “Prêmio Bom Exemplo” em 2013 anças também no RJ e MG e conta com a parceria do da TV Globo Minas, em parceria com a Fundação Dom Ministério da Fazenda. Cabral, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Tanto a ciranda, quanto a carteira, já começaram Gerais e o Jornal O Tempo na categoria inovação.

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Erika Foureaux “ Eu sempre falo: Eusinha não teria feito nada. só acontece alguma coisa porque Noisinho tá junto” Mineira, nascida em Belo Horizonte, Erika foi criada em Paris, por conta do exílio de seus pais, que eram militantes políticos. Ela retornou ao Brasil já formada em arquitetura, onde se casou e teve sua primeira filha ,a Júlia. Quando sua segunda filha, Sofia, nasceu, com deficiência física e motora, Erika estava trabalhando com design de produtos. Começou a se questionar por que ela produzia mobiliários que apenas Julia seria capaz de usar. Foi então que ela começou a a ter um olhar para o design inclusivo. Depois de participar de um congresso no Canadá sobre inclusão e design universal, ela retornou ao Brasil empenhada em criar um Instituto que através do design incluísse todas as crianças.

ASSIM NASCEU O NOISINHO Com o primeiro dia aula de Sofia, surgiram também os primeiros projetos do Noisinho. Erika, ao observar que não existia adaptações para necessidades das crianças com deficiência física nas escolas, criou a carteira escolar inclusiva. Consequentemente as pesquisas feitas para produzir a carteira geraram outrros produtos e também a Oficina da Ciranda, que é um sucesso desde então

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Alem da premiada cadeira, o instituto noisinho da silva desenvolveu a carteira escolar inclusiva. É constituída de uma mesa e uma cadeira que podem ser utilizadas por todas as crianças, com ou sem dEFICIÊNCIA.

PREMIADA A cadeira vem ganhando prêmios de excelência de design ha mais de 5 anos. O ultimo premio adquirido foi o bom exemplo, da Globo, em Abril.

COMO FUNCIONA A CIRANDA?

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1 2

Alça para sustentação do membro superior Possui regulagem adaptável e se abre totalmente a fim de facilitar a entrada e a saída da criança. Formatar o conceito onde um dos alicerces é a ludicidade, fez com que eles substituíssem o “prender” do cinto pelo “abraçar” a alça, sendo uma solução eficiente.

2 Pega Depois de testes realizados, verificaram que a criança intuitivamente , movia a cadeira pela lateral.Por esse motivo,criaram duas aberturas de diferentes tamanhos, com bordas arredondadas que além de servirem para o transporte, evidenciam seu aspecto lúdico.

3 Selas Laterais Funcionam em conjunto com a sela frontal e a alça para evitar a fuga da pélvis na lateral, ajudando o tronco da criança a se manter bem posicionado. As selas possuem três níveis de regulagem e formato atômico

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4 Sela frontal

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A sela frontal tem função de conter o quadril quando projetado para frente, auxiliando na retificação postural. Ela também possui três regulagens e sua forma foi obtida através de diversos testes até o resultado final.

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SOCIAL

RECICLANDO

VIDAS

L

Visitamos a ONG Florescer na favela de Paraisópolis para conhecer o projeto Recicla Jeans, que leva trabalho, criatividade e renda para a comunidade por Mariana Quadros e Thays Esaú

ocalizada em Paraisópolis, está a ONG Florescer e um de seus projetos é o Recicla Jeans. O objetivo deste projeto é fazer peças novas, usando como material principal ,jeans usados, já que esse é um material muito resistente e popularmente aceito. Além da questão ecológica de reaproveitamento do jeans, também existe o fator social, já que quem confecciona as peças são os

próprios moradores de Paraisópolis. Dentro de uma comunidade carente, cheia de criatividade,o Recicla Jeans oferece trabalho e renda para as pessoas que trabalham confeccionando suas peças, inclusive algumas que anteriormente não tinham experiência com costura e acabaram aprendendo o ofício Além disso as mães podem trabalhar tendo seus filhos por perto já que suas crianças ficam envolvidas na ONG .Atividades como aulas de ballet, oficinas de arte para jovens, esportes, reforço escolar , aulas de

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música, entre outras, são oferecidas na Florescer. O Recicla Jeans, além de tudo, promove bazares beneficientes em que vendem roupas adquiridas através de doações e também possibilita a venda das peças de jeans confeccionadas com o projeto que surgiu justamente da necessidade de arrecadar dinheiro para a ONG. Essa foi a forma criativa que encontraram de ser autosustentáveis e ecológicos. Eventualmente, participam de eventos para a divulgação do trabalho, como, a exposição Cow Parade -


São Paulo, em 2010, com a Salomé, uma escultura de fibra de vidro em formato de vaca toda decorada com retalhos de jeans, que ficou exposta no bairro do Morumbi. Também ganharam espaço na exposição Call Parade, da Vivo, onde desenvolveram o Orelhão Semear com uma temática floral, recoberta por uma base em jeans, enfeitada com sementes de girassóis, linhas, e bordados com pedrarias. DE MÓVEIS À LEMBRANCINHAS Além dos jeans recebidos por doações, o projeto também recebe jeans que não passaram no teste de qualidade das fábricas, por conterem pequenos defeitos. Esses jeans são transformados em pedaços menores, aparados e costurados para formar um novo tecido. Este tecido, nas mãos da comunidade vira desde móveis estofados à peças de roupa e artefatos decorativos. Em 1990, Nadia Bacchi fundou a ONG Florescer , em São Manuel, com o objetivo de prestar serviços à cidade. Em 1995, ela instalou

Este tecido, nas mãos da comunidade vira desde móveis estofados à peças de roupa e artefatos decorativos.

a ONG na comunidade de Paraisópolis. O Recicla é o mais jovem dos projetos oferecidos, porém o de maior visibilidade. Paraisópolis é a segunda maior favela de São Paulo, com 75mil habitantes e a Florescer já atendeu mais de mil crianças e adolescentes além das pessoas que lá trabalham, fazendo a diferença na comunidade. O sucesso do trabalho com o jeans é tanto que a ONG foi convidada para participar de eventos internacionais em países como Portugal, Itália e Espanha. O jeans é sinônimo de moda básica mas são também as peças que mais poluem.O impacto no meio ambiente não ocorre apenas com esses outros fatores. Corantes usados na lavagem da peça, a energia para o transporte e fabricação destes vai tudo para o lixo. Desde as grande quantidades de agrotóxicos utilizados no cultivo do algodão até o consumo de água para a lavagem da peça em consumo inconsciente, novos modelos sustentáveis devem ser criados.


ECO

ECO DESIGN

Entrevistamos Daniel Beato, o criador da marca ARTE EM PNEUS, que confecciona produtos através de reaproveitamento de pneus.

por Mariana Quadros e Thays Esaú

Cadeira confeccionada pelo ARTE EM PNEUS.

A

Arte em Pneus é uma associação civil sem fins lucrativos que teve seu início em 2004 com a produção e multiplicação de técnicas de design de produtos que transformam materiais de reuso e resíduos sólidos, encontrados no entorno das comunidades em que atua, em mobiliários e produtos que geram renda e um novo olhar acerca da problemática do lixo. Especializou-se em pneus por ser um material de alta durabilidade, com possibilidades estéticas e utilitárias infindáveis, e que representa um grande impacto ambiental quando descartado indevidamente. O ecodesin possibilita novos usos dos resíduos industriais sem o gasto energético da reciclagem, trabalhando de forma colaborativa com comunidades, relacionando sua marca á responsabilidade socioambiental. Esta é uma oportunidade de negócios criativa, é um diferencial dentre práticas já estabelecidas e cumpridas em seu segmento de atuação. Extremamente eficaz para divulgação por contar com um atrativo estético inovador, educativo e inclusivo, unindo reputação e cre-


dibilidade á legítima promoção da sustentabilidade. O criador da marca, Daniel Beato, é ecodesigner formado em desenho Industrial com ênfase em Projeto de Produto no ano de 2001. Fizemos um entrevista com ele. REVISTA: Como surgiu o ARTE EM PNEUS? De quem foi essa iniciativa? DANIEL BEATO: A idéia surgiu em São Paulo, quando eu estava cursando faculdade de Desenho Industrial e me inspirei em designers que já reaproveitavam alguns resíduos sólidos. Observei que nem sempre conseguiam os mesmos materiais para continuidade de uma linha de produtos. E assim comecei a juntar os pneus do meu carro e os de minha família quando estavam sendo trocados, depois de ter uma pilha considerável agregei outros materiais, surgindo os primeiros bancos e cadeiras. R: Porque o pneu foi a matéria prima escolhida na criação desse projeto? D: O pneu é um material muito resistente, versátil e disponível em qualquer lugar do planeta, sabendo transformá-lo em utilitários resolve várias necessidades de forma bem econômica. R: Porque o pneu foi a matéria prima escolhida na criação desse projeto? D: O pneu é um material muito resistente, versátil e disponível em qualquer lugar do planeta, sabendo transformá-lo em utilitários resolve várias necessidades de forma bem econômica.

sores entre outros colaboradores sem formação acadêmica, mas com muita experiência em arte utilitária. Temos alguns multiplicadores cadastrados em nosso site, como Artesãos da Borracha, lá tem o contato direto para que eles divulguem seus trabalhos, e quando temos grandes pedidos, nos juntamos para grandes produções e vice versa. R: Porque trabalhar com design sustentável? Os ecoprodutos são bem aceitos no mercado brasileiro? D: No começo foi uma oportunidade bem favorável pela acessibilidade e durabilidade de um material encontrado gratuitamente, se tornou missão pois é um Conceito a ser difundido e praticado, para aumentar a vida útil da matéria-prima, economizar a extração desta da natureza transformando este agente da degradação ambiental que é o pneu em utilitários. Existe um amplo mercado para o design responsável, no momento existe a discussão sobre um selo que certifique este tipo de produto, oque vai fortalecer ainda mais a produção brasileira identificando-a para o consumidor consciente. O designer Ivo Pons, idealizador do Design Possível, é um dos facilitadores que está batalhando por selos certificadores de design sustentável no Brasil.

“O ECODESIGN possibilita novos usos dos resíduos industriais sem o gasto energético da reciclagem.”

R: Como é o processo de criação do design desses ecoprodutos? D: A partir da tecnologia básica de corte e fixação da borracha, criamos em desenhos ou diretamente na prática os modelos e funções de cada peça, pensando sempre em economia, seja no processo de seleção, transformação e durabilidade.

Tratorzinho feito com pneus de moto, correias, mangueiras e rolamentos industriais.

R: E como é o processo de fabricação? D: Os pneus são selecionados de acordo com a linha de produção, são cortados, limpos e “drenados” , para que a água entre e saia, e não prolifere nenhum tipo de insetos nocivos. Depois entram na linha de produção com ferramentais específicos. R: Qual a formação ou atividade dos profissionais envolvidos? D: São designers de produtos, artistas plásticos, profes-

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INFO

NOVOS

CAMINHOS

A reutilização de pneus é mais ecológica que a reciclagem. Além de ajudar o ambiente, reduz custos da indústria.

Hoje em dia já não há mais razão para jogar pneus em aterros, já que existem novas maneiras para reciclá-los e ainda muitas sendo desenvolvidas. O fato de ocuparem muito espaço em aterros tem sido o maior problema, 75% do pneu está vazio e não se sabe exatamente quanto levará para se decompor, acarretando assim o risco de não haver mais espaço em aterros para armazená-los. Uma vez que você trocar seu pneu usado por um novo existem vários destinos que seu pneu pode seguir.

40 milhões

is DA R ateria lidos ENS os m os só v G u o A íd n s T e re mo d ctar VAN mpa onsu c enas de co ui o m ap eiras e Dimin n g a la recic ove m ra a Prom izado a pa h in r util m e s a c e n d E o po e nã o qu

de pneus em média são produzidos anualmente no Brasil. Quase metade desses pneus são descartados em 2012, mais de

500 mil

toneladas

26 litros

de pneus ,que seriam descartados como lixo foram transformados em matéria-prima ou energia

de petróleo são necessários para fazer um pneu de passeio

20%

da matéria prima do pneu é consumida em sua vida útil. Usar o resíduo do pneu para reciclagem é quase impossível, devido ao processo de vulcanização da borrracha.

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O

AÇÃ

ILIZ EUT



Revista CODE